Jó 23 – Almeida Revista Atualizada 1993

Jó deseja apresentar-se perante Deus e confia na sua misericórdia

1  Respondeu, porém, Jó:

2Ainda hoje a minha queixa é de um revoltado, apesar de a minha mão reprimir o meu gemido.

3Ah! Se eu soubesse onde o poderia achar! Então, me chegaria ao seu tribunal.

4Exporia ante ele a minha causa, encheria a minha boca de argumentos.

5Saberia as palavras que ele me respondesse e entenderia o que me dissesse.

6Acaso, segundo a grandeza de seu poder, contenderia comigo? Não; antes, me atenderia.

7Ali, o homem reto pleitearia com ele, e eu me livraria para sempre do meu juiz.

8¶ Eis que, se me adianto, ali não está; se torno para trás, não o percebo.

9Se opera à esquerda, não o vejo; esconde-se à direita, e não o diviso.

10Mas ele sabe o meu caminho; se ele me provasse, sairia eu como o ouro.

11Os meus pés seguiram as suas pisadas; guardei o seu caminho e não me desviei dele.

12Do mandamento de seus lábios nunca me apartei, escondi no meu íntimo as palavras da sua boca.

13¶ Mas, se ele resolveu alguma coisa, quem o pode dissuadir? O que ele deseja, isso fará.

14Pois ele cumprirá o que está ordenado a meu respeito e muitas coisas como estas ainda tem consigo.

15Por isso, me perturbo perante ele; e, quando o considero, temo-o.

16Deus é quem me fez desmaiar o coração, e o Todo-Poderoso, quem me perturbou,

17porque não estou desfalecido por causa das trevas, nem porque a escuridão cobre o meu rosto.

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