As 7 Dispensações da Bíblia

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Entenda Cada Período da História Bíblica

A Bíblia apresenta a história da humanidade como uma sequência de acontecimentos nos quais Deus revela progressivamente sua vontade, seus propósitos e suas promessas. Dentro da teologia dispensacionalista, essa história é organizada em diferentes períodos chamados dispensações.

As chamadas 7 dispensações da Bíblia são geralmente apresentadas como: Inocência, Consciência, Governo Humano, Promessa, Lei, Graça e Reino.

Uma dispensação pode ser entendida, dentro dessa perspectiva teológica, como uma administração ou período em que Deus estabelece determinadas responsabilidades para o ser humano. Cada período possui características próprias e demonstra a relação de Deus com a humanidade em diferentes etapas da história da redenção.

É importante observar que a Bíblia não apresenta, em um único texto, uma lista formal intitulada “as sete dispensações”. As sete dispensações são uma sistematização teológica utilizada principalmente pelo dispensacionalismo para organizar os diferentes períodos da revelação bíblica.

1. Dispensação da Inocência

Adão e Eva no Jardim do Éden

A primeira dispensação é chamada de Inocência. Ela começa com a criação do ser humano e está relacionada especialmente ao período em que Adão e Eva viviam no Jardim do Éden antes da entrada do pecado no mundo.

Deus colocou o homem no jardim e deu-lhe uma responsabilidade específica:

“De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás.”
Gênesis 2:16-17

Adão e Eva possuíam liberdade, mas também tinham uma ordem clara de Deus.

A responsabilidade

A responsabilidade do ser humano era obedecer à palavra de Deus.

Enquanto permanecessem em obediência, desfrutariam das condições estabelecidas por Deus no Éden.

Entretanto, a serpente enganou Eva, e tanto ela quanto Adão comeram do fruto da árvore que Deus havia proibido.

A queda

Gênesis 3 registra a entrada do pecado na experiência humana.

A desobediência trouxe consequências profundas:

  • separação de Deus;
  • entrada da morte;
  • sofrimento;
  • expulsão do Jardim do Éden;
  • corrupção da condição humana.

Assim termina a dispensação da Inocência.

Textos principais: Gênesis 1–3.

2. Dispensação da Consciência

Do pecado de Adão até o Dilúvio

Após a queda, o homem passou a experimentar uma nova realidade. O pecado havia entrado no mundo e o ser humano passou a conhecer, por experiência, o bem e o mal.

Por isso, esse período é tradicionalmente chamado de Dispensação da Consciência.

Depois que Adão e Eva pecaram, Deus os expulsou do Jardim do Éden.

A humanidade passou a viver fora daquele ambiente original de perfeição.

A expansão do pecado

O pecado se espalhou rapidamente entre os homens.

Caim matou seu irmão Abel, e posteriormente a humanidade chegou a um estado de grande corrupção.

Gênesis registra:

“E viu o SENHOR que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra, e que toda imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente.”
Gênesis 6:5

A humanidade recebeu conhecimento do bem e do mal, mas não demonstrou capacidade de viver em perfeita obediência a Deus.

Noé e o Dilúvio

A corrupção humana chegou a tal ponto que Deus trouxe o Dilúvio sobre a terra.

Noé, porém, achou graça diante do Senhor:

“Noé, porém, achou graça aos olhos do SENHOR.”
Gênesis 6:8

Deus ordenou que Noé construísse a arca, preservando sua família e os animais conforme sua determinação.

O Dilúvio marcou o encerramento desse período.

Textos principais: Gênesis 3–8.

3. Dispensação do Governo Humano

Depois do Dilúvio

Após o Dilúvio, Deus estabeleceu uma nova etapa na história humana.

Noé e sua família saíram da arca, e Deus estabeleceu uma aliança com Noé.

Deus também tratou da responsabilidade humana em relação à vida e ao sangue.

Gênesis registra:

“Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado; porque Deus fez o homem conforme a sua imagem.”
Gênesis 9:6

Por isso, essa etapa é tradicionalmente chamada de Governo Humano.

A Torre de Babel

A humanidade voltou a se multiplicar, mas novamente surgiu a rebelião coletiva.

Os homens decidiram construir uma cidade e uma torre:

“E disseram: Eia, edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo cume toque nos céus…”
Gênesis 11:4

Deus confundiu a linguagem dos homens, e eles foram espalhados pela terra.

Esse acontecimento ficou conhecido como Torre de Babel.

A dispersão dos povos

A confusão das línguas provocou a dispersão dos povos.

Assim, a humanidade passou a ocupar diferentes regiões da terra.

Textos principais: Gênesis 8–11.

4. Dispensação da Promessa

O chamado de Abraão

A quarta dispensação é tradicionalmente chamada de Promessa.

Ela começa especialmente com o chamado de Abraão, quando Deus estabelece promessas relacionadas a ele e à sua descendência.

Deus disse:

“E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção.”
Gênesis 12:2

E acrescentou:

“E em ti serão benditas todas as famílias da terra.”
Gênesis 12:3

A importância da fé

Abraão é apresentado nas Escrituras como exemplo de fé.

Gênesis declara:

“E creu ele no SENHOR, e foi-lhe imputado isto por justiça.”
Gênesis 15:6

A promessa de Deus passa a ocupar lugar central na história bíblica.

A descendência de Abraão posteriormente se torna a nação de Israel.

Do período dos patriarcas ao Êxodo

A história de Abraão, Isaque, Jacó e seus descendentes faz parte desse grande período.

Os descendentes de Jacó foram para o Egito, onde posteriormente os israelitas se tornaram numerosos e foram escravizados.

Deus então levantou Moisés para conduzir Israel para fora do Egito.

Com a entrega da Lei no Sinai, inicia-se uma nova etapa.

Textos principais: Gênesis 12–Êxodo 19.

5. Dispensação da Lei

Israel debaixo da Lei

A quinta dispensação é chamada de Lei.

Ela começa com a entrega da Lei de Deus a Israel por meio de Moisés.

No Sinai, Deus disse:

“Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos.”
Êxodo 19:5

Os Dez Mandamentos estão registrados em Êxodo 20.

A Lei passou a regulamentar diversos aspectos da vida de Israel, incluindo questões religiosas, civis, morais e cerimoniais.

Os profetas e Israel

Durante o período da Lei, Deus levantou profetas para chamar o povo ao arrependimento e à fidelidade.

A história de Israel registra períodos de:

  • obediência;
  • desobediência;
  • idolatria;
  • arrependimento;
  • juízo;
  • restauração.

Os profetas também anunciaram a vinda do Messias.

Jesus Cristo

No entendimento dispensacionalista tradicional, a dispensação da Lei chega ao seu ponto de transição com a obra de Jesus Cristo.

Cristo não veio simplesmente para ignorar as Escrituras. Ele declarou:

“Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir.”
Mateus 5:17

A morte e a ressurreição de Cristo inauguram uma nova etapa na história da redenção.

Textos principais: Êxodo 20 até os Evangelhos, especialmente Mateus 5–27.

6. Dispensação da Graça

A era da Igreja

A sexta dispensação é tradicionalmente chamada de Graça e também está relacionada à Igreja.

É o período em que vivemos, segundo a interpretação dispensacionalista tradicional.

A mensagem central do Evangelho é que a salvação é recebida pela graça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo.

Paulo escreveu:

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus.”
Efésios 2:8

A Igreja começa no contexto do Novo Testamento, especialmente a partir do derramamento do Espírito Santo registrado em Atos 2.

A missão da Igreja

Jesus ordenou aos seus discípulos:

“Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações…”
Mateus 28:19

A Igreja recebeu a missão de anunciar o Evangelho, fazer discípulos e testemunhar de Cristo.

A salvação pela graça

A salvação não é apresentada no Novo Testamento como resultado da capacidade humana de cumprir perfeitamente a Lei.

Paulo escreve:

“Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus.”
Romanos 3:24

O período da Igreja também está associado à expansão do Evangelho entre judeus e gentios.

Na escatologia dispensacionalista, essa dispensação está relacionada aos acontecimentos que antecedem o estabelecimento do Reino de Cristo.

Textos principais: João 1; Atos 2; Romanos 3–8; Efésios 2; Mateus 28:18-20.

7. Dispensação do Reino

O Reino Milenar de Cristo

A sétima dispensação é tradicionalmente chamada de Reino.

Ela está relacionada ao período conhecido como Milênio, mencionado em Apocalipse 20.

João escreve:

“E viveram, e reinaram com Cristo durante mil anos.”
Apocalipse 20:4

Na interpretação dispensacionalista, trata-se do período em que Cristo reinará sobre a terra.

Satanás é preso

Apocalipse 20 descreve Satanás sendo preso por mil anos:

“E vi descer do céu um anjo, que tinha a chave do abismo, e uma grande cadeia na sua mão.”
Apocalipse 20:1

O texto prossegue descrevendo a prisão de Satanás durante esse período.

A rebelião final

Depois dos mil anos, Satanás é solto por pouco tempo.

Apocalipse 20:7-9 descreve uma rebelião final contra Deus.

Entretanto, essa rebelião termina com o juízo de Deus.

O juízo final

Apocalipse 20 também apresenta o Grande Trono Branco, diante do qual os mortos são julgados.

“E vi um grande trono branco e o que estava assentado sobre ele…”
Apocalipse 20:11

Depois disso, a Bíblia apresenta a consumação final da história.

As 7 dispensações em resumo

Podemos visualizar a sequência tradicional desta maneira:

1. Inocência
Adão e Eva no Éden
Texto: Gênesis 1–3

2. Consciência
Da queda até o Dilúvio
Texto: Gênesis 3–8

3. Governo Humano
Do Dilúvio até Babel
Texto: Gênesis 8–11

4. Promessa
De Abraão até a entrega da Lei
Texto: Gênesis 12–Êxodo 19

5. Lei
De Moisés até Cristo
Texto: Êxodo 20–Evangelhos

6. Graça
Período da Igreja
Texto: Atos em diante

7. Reino
Reino milenar de Cristo
Texto: Apocalipse 20

O que as dispensações ensinam?

O estudo das dispensações procura organizar a maneira como Deus revelou progressivamente sua vontade ao longo da história bíblica.

Cada período apresenta responsabilidades específicas e acontecimentos que demonstram a incapacidade humana de alcançar, por si mesma, a justiça perfeita diante de Deus.

Ao mesmo tempo, a Bíblia mostra a continuidade do propósito de Deus.

Desde Gênesis até Apocalipse encontramos uma grande história de:

Criação → Queda → Promessa → Redenção → Reino → Consumação.

O centro da história da redenção é Jesus Cristo.

O apóstolo Paulo escreveu:

“Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.”
Romanos 11:36

Dispensação não significa que Deus mudou

É importante compreender que falar em diferentes dispensações não significa que Deus mudou seu caráter ou que existiram diferentes formas de salvação completamente independentes umas das outras.

Deus permanece o mesmo.

“Porque eu, o SENHOR, não mudo.”
Malaquias 3:6

O que muda, dentro da interpretação dispensacionalista, são as administrações, responsabilidades e etapas da revelação de Deus na história.

A Bíblia continua apresentando um único Deus e um único grande propósito de redenção.

As 7 dispensações e o plano de Deus

O estudo das dispensações pode ajudar o leitor a organizar cronologicamente muitos acontecimentos das Escrituras.

A sequência tradicional é:

Inocência → Consciência → Governo Humano → Promessa → Lei → Graça → Reino.

Depois do Reino Milenar, a Bíblia apresenta a realidade eterna descrita principalmente em Apocalipse 21–22, com novos céus e nova terra e a presença de Deus com seu povo.

“Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará…”
Apocalipse 21:3

Assim, o estudo das dispensações não deve ser visto apenas como uma divisão cronológica da Bíblia, mas como uma maneira de estudar o desenvolvimento da revelação divina e compreender melhor a grande narrativa das Escrituras.

A Bíblia começa com Deus criando os céus e a terra e termina apresentando a consumação de todas as coisas sob o governo e a presença de Deus.

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