Educação Crista
Apostila 10
Estudo da Educação Crista
Parte I
A BÍBLIA E A
DISCIPLINA DOS FILHOS
 “A
vara e a repreensão dão sabedoria; mas a criança entregue a si mesma envergonha
a sua mãe. Corrige a teu filho, e ele te dará descanso; sim, deleitará o teu
coração. O homem iracundo levanta contendas, e o furioso multiplica as
transgressões. Instrui o menino no caminho em que deve andar, e até quando
envelhecer não se desviará dele”.(Pv 29.15, 17; 22.6).

“Nada mais fácil que ter um filho. Nada mais imperativo que fazer dele um
homem. Nada mais difícil que fazer dele um homem realizado em todos os
planos”. São palavras de Maria Junqueira Schmidt. Na Bíblia, o versículo
chave com relação à atitude dos pais para com os filhos é, sem dúvida,
Provérbios 22.6:

“Instrui o menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer
não se desviará dele.”

Que significa “instruir, ensinar” ? Para nós ocidentais, ensinar pode
conter a idéia de disciplina, de treinamento, por isso, ensinamos o cachorro a
sentar, a rolar, e a estender a patinha (aliás, um destes dias um cachorro me
deu bom dia: ele estendeu a pata para eu apertar; o dono mandou e ele estendeu
a patinha porque foi ensinado a fazê-lo. Isso não tem sentido racional para o
cão, a não ser receber em seguida um biscoito. É o caso do pai exigente que
insiste e obriga o filho a fazer tudo certinho. Acontece que lemos em
Provérbios um texto que vem de outro mundo, do mundo oriental, semita. No mundo
hebreu, em particular, “ensinar” se descreve como a ação, por
incrível que possa parecer, de uma parteira que molha a ponta do dedo em
azeite, e fricciona o céu da boca do nenem recém-nascido para provocar o desejo
de sugar o seio da mãe. O versículo quer dizer exatamente isso. Quando fala:
“instrui o menino no caminho em que deve andar” está dizendo,
“põe no paladar do nenem”; “dê de comer ao nenem”, ou seja,

“provoque no coração da criança o gosto pelas coisas de Deus, e quando for
uma pessoa idosa, nada mais vai satisfazer seus desejos e anseios”.

Interessante esse “dar-de-comer-ao-bebê” porque não se dá de comer de
qualquer jeito. Quando a mãe prepara a mamadeira, ela vê como está o leite, e
percebe se está quente demais, ou frio demais, se está sem gosto, ou se o leite
estragou. Isso tudo está na palavrinha “instruir”.
“Educar” é igualmente uma excelente palavra porque significa
“dirigir alguém por um caminho específico”, ou seja, disciplinar. Tem
a ver, então, com a vida do mestre, daquele que está ensinando. Se queremos,
então, Provérbios 23.17: “Não tenhas inveja dos pecadores; antes
conserva-te no temor do Senhor todo o dia”, temos que viver de acordo.
Então [fale a verdade, meu irmão, minha irmã, com você mesmo (a)]: você pode
ficar vigiando seu filho adolescente? Pode ficar olhando todo o tempo a sua
filha mocinha? A resposta é “não”, naturalmente. Mas, você pode criar
o seu filho, a sua filha, e instruí-los numa atmosfera onde as coisas de Deus
sejam estimadas, e os valores evangélicos sejam ressaltados.

ENTENDENDO AS IDADES

Nunca é cedo demais para instruir e praticar a higiene do corpo. O nenem
nasceu, e logo vem a higiene; dá-se o primeiro banho porque os bons hábitos são
logo passados.. Nunca é cedo demais para praticar e ensinar, a higiene do
espírito! A um garotinho de três ou quatro anos, não podemos ensinar os
conceitos da Trindade ou da Escatologia,. Mas podemos amar essa criança, e ela
pode sentir que foi criada de um modo muito especial, carinhosamente especial.
E assim, em cada etapa de crescimento, conceitos diferentes podem ser
aprendidos. Aquilo que Erik Erikson fala a respeito da formação da
personalidade dos como uma série de crises. Crise não é desastre: quer dizer
“oportunidade para alguma coisa ser realizada”.

Quando a criança está na faixa de 0 a 2 anos, forma-se nela um senso básico de
confiança. Essa criança de 0 a 2 anos se não for criada num ambiente natural de
confiança, carinho e cuidado, vai arrastar pelo resto da vida mazelas íntimas,
situações interiores terríveis, tremendas, desastrosas. Aí, sim, a crise vira
desastre. É confiança natural na mãe (não vai cair do seu colo, dos seus
braços); é confiança pelo sustento (sabe que na hora certa a comidinha vai
chegar); é o carinho, é o calor, é a atenção. É carregada no colo com tanto
carinho, com o máximo de conforto, e o mínimo de temor. Quando a criancinha vai
ser apresentada por mim, está tão confortável no regaço da mãe, mas na hora em
que este pastor sem jeito pega, ela fica incomodada, e algumas choram. Porque
eu peguei sem jeito, mas no colo da mamãe se sente tão bem, porque a mãe tem um
jeito natural, e o Senhor a fez com curvas para que a criança se acomode com
tanto jeitinho… Se ela aprende a confiança desde pequenina, vai ser fácil
confiar em Deus. Mas os maus tratos, o abandono são traumas permanentes ou
quase permanentes.

Na faixa dos três anos, já existe certa autonomia, uma leve independência.
Afinal, o nenem no santuário não sai do seu lado, e vai pelo corredor e todos
querem pegá-lo? É essa leve independência que torna os três anos uma época
difícil para a mamãe que sempre teve o bebê junto a si. Mas, no plano de Deus,
a criança cresce e deve constituir um indivíduo à parte; não é extensão dos
pais: é outro ser humano. Daí resistência, daí desafio, e, às vezes discussão
(“Venha cá!” E o nenem pequenininho: “Não vou, não!”),
egocentrismo. Tudo isso, porém, é parte do desenvolvimento da consciência de si
mesmo. Não esqueçamos: a criança não é parte de nós, é outro ser humano que
aprende mais pelo que vê que pelo que lhe dizem.

Vamos à faixa dos quatro a cinco anos, e compare com quem você tem em casa.
Forma-se nessa fase o senso de iniciativa, e ela começa a invadir o espaço dos
outros, a socializar, inicia o aprendizado do que irá fazer por toda a vida,
que é sobreviver neste mundo cheio de gente. A criança experimenta os objetos
ao seu redor. Mas faz, com freqüência, coisas que desagradam os pais. Não é
mesmo? A criancinha de quatro, cinco anos começa a fazer umas certas coisas, e
essas certas coisas vão desagradar porque ela não compreende o sistema de
valores dos pais. Compreende outras coisas. O que ela quer mesmo é agradar os
pais, e aí, porque fez algo para agradar, e no final desagrada, começa o
sentimento de culpa. Ela quer aprender coisas novas, quer saber os limites. E é
por essa razão que o menino de quatro, a menina de cinco perguntam tanto:
“Posso fazer isso?”

E de seis a doze anos? Aí vem o senso de aplicação ao trabalho, competência,
diligência. É a luta que começa contra os sentimentos de inferioridade. O
contato com a escola, integrando-se cada vez mais no mundo dos adultos. Maiores
responsabilidades que lhe são colocadas. Mas também começa a rivalidade, a
cortesia, o respeito, começam as boas relações. E os pais são comparados com
outros adultos, o senso crítico se inicia, e agora a criança passa a ver:
“Meu pai é assim, mamãe é assim, mas o pai de Fulaninho é assim, e a mãe
de Fulaninho é deste jeito”. Qual o pai ou a mãe que nunca passou pela
experiência de ouvir o filho dizer: “Eu queria ser filho de Fulano…”É
a comparação, e o pai, ou a mãe, foi achado em falta em alguma coisa.
Dos doze aos quatorze anos: identidade própria. Aí sim: agora vêm as mudanças
psicológicas, nem sempre compreendidas pelos pais (“Pastor, me ajude
Fulaninha está tão diferente : só pensa em namorar”). Preocupação com o
corpo e a aparência. Quais os objetos mais queridos da menina adolescente? O
espelho, a escova e o pente. (“Espelho, espelho meu, existe alguém mais
bela do que eu?”). Procura alguém em quem possa acreditar e a quem dê
afeição.
E dos quinze aos dezoitos anos? Agora vem o senso de intimidade própria.
Prepara-se para exercer sua função na vida. Se não adquiriu a consciência de
identidade, vai haver muita frustração, muito impulso físico.
O período em que a família exerce sua influência mais marcante, mais forte
sobre a criança é o dos primeiros três anos. Depois, são os amigos e a
comunidade que passam a ter mais importância para ela. Pais e filhos, na
verdade, aprendem na prática o que é crescimento, o que não é fácil para nenhum
dos dois. O chamado “conflito de gerações” é a tensão entre o jovem
que quer ser independente e os pais que relutam em dar a sua autonomia.

A DISCIPLINA

A disciplina é um processo que leva vinte anos e envolve pais, escola, igreja,
e outros elementos. A tarefa dos pais é guias para uma vida de responsabilidade
e amadurecida. E isso demanda tempo, e exige muita atenção, Aliás, atenção
dobrada, se queremos preparar os filhos para uma vida de respeito, uma vida
reta, decente para seu bem e o dos outros. Parece missão tão pesada e díficil,
mas a disciplina se torna fácil quando a criança se sente amada. Quando se
sente rejeitada, a disciplina fica muito pesada. E a reação com ira, com
hostilidade, com ressentimento somente surge quando não existe um elo de amor
forte.
E que diz a Palavra de Deus? Colossenses 3.21 diz: “Vós, pais, não
irriteis a vossos filhos, para que não fiquem desanimados”1. Lembremos que
a criança é um feixe de energias e emoções que precisam ser ordenadas. A
criança, então, é o cartão de visita dos pais. Não se esqueçam disso.
Terapeutas de família, psicólogos já têm um resumo da história da família e dos
relacionamentos internos, das alianças dentro daquela casa somente pela conduta
da criança quando entra no consultório ou quando está com os pais. Esses
profissionais lêem a criança, e percebem como é a vida em casa. Isso quer dizer
que para a criança ser disciplinada, necessário é que os pais se disciplinem.

Há uma diferença entre “castigar”e “disciplinar”. São
coisas diferentes. Não estamos falando de castigo, mas, de disciplina. Porque
castigar é vingar-se, disciplinar é colocar em ordem. E esses textos de
Provérbios 13.24:

“Aquele que poupa a vara aborrece a seu filho; mas quem o ama, a seu tempo
o castiga”. “Não retires da criança a disciplina; porque,
fustigando-a tu com a vara, nem por isso morrerá. Tu a fustigarás com a vara e
livrarás a sua alma do Seol”.2

Não constituem, como pode parecer, uma apologia do maltrato infantil. Mas da
disciplina, justa, e que olha para o futuro.3 Não vai adiantar muito querer
disciplinar aos dezesseis anos, quando o irmão deveria tê-lo feito quando a
criança tinha três anos.
Mas vamos lembrar que a vara era usada pelo pastor no Oriente (como ainda o é).
Era usada para guiar, e não para bater ou espancar a ovelha; o lobo sim, era
espancado. A vara era usada para consolar, é como diz o Salmo 23.4,

“Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum,
porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam”.

Já imaginaram como seria: “A tua vara e o teu cajado me espancam? Nenhum
rapaz tenta obter o amor de uma jovem no tapa: “Quero que você me
ame” (e dá um tapa no rosto da moça), “Não, você precisa entender que
não posso viver sem você” (e dá-lhe um empurrão). Ninguém exige, ou
reclama, mas sendo calmo, considerado, cortejador, agradável. É assim que um
coração de moça é conquistado.

Não se esqueça de que a criança também deve ser agradada, e cortejada, e não
educada na base do tapa. Agora, ela se comunica pelo comportamento. Já dissemos
que a cabecinha da criança pensa ao contrário da nossa; se a nossa cabeça vai
no sentido do relógio, a da criança vai ao contrário porque ela quer conquistar
o nosso amor, e, assim, ela testa o nosso comportamento. Sabiam disso? Aí a
criança faz o seguinte: às vezes tem um sentimento de culpa, aí chamamos de mau
comportamento. A criança passou todo o tempo na rua, ou fora de casa (como
temos visto por aí mães arrastando criancinhas pequenas no supermercado, a
criança chorando, cansadinha coitada, ou visitando adultos numa visita sem
interesse para a criança), depois ela começa a se comportar como não devia, e
achamos que a criança é mal-educada, mal-comportada?! Não é nada disso, e vai
adiantar espancar uma criança cansada porque está fora do que é seu interesse
de vida? Fora das suas motivações? A Escritura fala em criar “na
disciplina e admoestação do Senhor””. O Senhor não andava espancando
seus discípulos, mas andava com os discípulos, e estava com os discípulos e
ficava com os discípulos. Agora, pais que só vão em casa para comer, para
dormir já colocaram os filhos em prejuízo. Finalmente, deve-se bater numa
criança Algumas respostas já foram dadas sobre isso. Alguém já disse, até, que
o castigo físico foi invenção do Diabo, que a criança deve ser deixada em plena
liberdade. Há uma linha pedagógica que adota a prática da “Liberdade para
Aprender”. É a chamada “Democracia Permissiva”. Há o outro
extremo: o dos que usam o cinto (de preferência o lado da fivela) como quase
forma exclusiva de disciplinar os filhos, ou como primeira medida de correção.
E nós, como ficamos? Os antigos romanos diziam que “in medio virtus”,
ou seja, “no meio (está) a virtude”; os da linha da Democracia
Permissiva enfatizam que o amor é primordial na criação dos filhos, o que não deixa
de ser verdade: a disciplina deve ser motivada por profundo amor. Mas o amor
que não se preocupa em corrigir é tudo, menos amor.4 O Dr. James Dobson,
especialista em doutrinar sobre a criação de filhos, ensina que o castigo não
deve ser algo que fazemos na criança, mas para a criança. É como se
disséssemos: “Meu filho, eu te amo muito para permitir que te comportes
assim”. O problema do castigo corporal é a possibilidade de criar traumas
e rebelião na aplicação com hostilidade e violência.

O CASTIGO

A Bíblia fala em castigos físicos.5 E diz que é uma das formas de disciplinar
(mas não é a forma, não é a única forma, e não é a melhor forma de disciplinar
em certas ocasiões). Em quais circunstâncias deve ser aplicado? Vou para o Dr.
Dobson que propõe que deve existir para corrigir rebeldes e desafios; quando a
criança se recusa a obedecer, ou faz pouco caso da ordem dada. Nesse caso, diz
ele, o castigo físico tem sua plena aplicação. Mas tem a questão da idade:
entre os dois e os dez anos. Não é para adolescentes porque os rebaixa a
criança, e não se sentem o que dever ser: um ser em formação, em crescimento,
quase adulto. Nesse caso, para o adolescente é a perda de privilégios:
“Não sai! Quer ir Sábado para a praia? Não vai!”

Até propomos para os irmãos uma ordem de disciplina:

* ordem; não cumpriu?
* privação; ainda não?
* castigo físico.
Lembre-se de que Deus o colocou como responsável pela disciplina dos seus
filhos. E se isso acontecer de acordo com a Sua Palavra, você vai ter a Sua
aprovação, e a bênção dos céus.6 E a obediência do filho não é opcional nemé
desejável. A Bíblia diz que a obediência é exigida. Lembre-se de que você é uma
autoridade na sua casa, é autoridade para os seus filhos porque Deus o fez
assim, e se ele não aprender autoridade que é o irmão, a irmã , lá fora ele
também não vai dar muito valor à autoridade. Mas ela vai buscá-lo onde ele
estiver.
Pais foram feitos para dar. Há uma história contada por Jesus na qual o pai deu
tudo o que tinha: deu ao Filho Perdulário que retornou para casa: um abraço,
novas vestes, um banquete, uma nova dignidade. E diz a Bíblia que também Deus
nos deu:

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito,
para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.

Procure na sua Concordância Bíblica a palavra “dar”. Veja que enorme
lista do verbo “dar” na Bíblia, porque a Bíblia é o livro da doação,
é o livro do grande amor de Deus, do Grande Amor todo o tempo. A paternidade e
a maternidade têm um preço, um alto preço, um elevado custo. A Deus, a
paternidade custou o próprio Filho, Jesus; e a nós, a paternidade ou a
maternidade custa tudo! Mas sabe o que a Bíblia diz a esse propósito? Diz:

“Eis que pela terceira vez estou pronto a ir ter convosco, e não vos serei
pesado, porque não busco o que é vosso, mas sim a vós; pois não são os filhos
que devem entesourar para os pais, mas os pais para os filhos”.7

A nós nos custa tudo! E quando um casal resolve ter um filho, deve estar
disposto a dar tudo de si. Menos que isso é pouco demais, e, naturalmente,
todos compreendem que não é dar tudo o que o filho deseja! Há horas em que nós
negamos. Mesmo assim, estamos dando um “não”, mas estamos dando. É
aflitivo criar filhos, é uma consumição criar filhos, mas, ainda assim, o filho
é um tesouro que Deus nos confiou; é um solo a ser preparado, a ser cultivado,
e que vai render seus frutos.8
Pois é. Ensine desde cedo o seu filho a temer a Deus,9 a respeitar a autoridade
delegada por Deus,10 e tenha certeza de que suas ordens são expressões da
vontade de Deus. E isso porque ensinar a vontade de Deus sem conhecer a Sua
Palavra é ensinar a sua própria vontade e não a de Deus. Estabeleça limites:
poucas regras (os fariseus colocavam seiscentas e tantas regras para os judeus,
e Jesus o denunciou11). Afinal, os mandamentos são dez. Mantenha a boa
comunicação. E aqui está um poema lindo e tocante e que se aplica a esta
reflexão:

FILHOS NÃO PODEM ESPERAR
Helen M. Young

Há um tempo de se esperar a chegada do bebê,
tempo de consultar o médico;
Um tempo de planejar dieta e exercício,
tempo de preparar o enxoval.
Há um tempo de se maravilhar com os caminhos de Deus,
na certeza de que este é o destino para o qual eu fui forjada:
Um tempo de sonhar com o que esta criança poderá ser:
Um tempo de me preparar para que possa alimentar sua alma.
Mas eis que logo chega o tempo de nascer,
Pois os bebês não podem esperar.

Há o tempo de
amamentar à noite,
tempo de cólicas e leite em pó.
Há o tempo da cadeira de balanço
e o tempo de andar pela casa toda,
O tempo para paciência e auto-sacrifício,
O tempo de mostrar ao filho que seu novo mundo
é um mundo de amor, bondade e fidedignidade.
Há um tempo de meditar no que ele é
– não um bichinho de estimação ou um brinquedo,
mas uma pessoa, um indivíduo –
uma alma feita à imagem de Deus.
Há um tempo de considerar minha mordomia.
Não me cabe possuí-lo.
Ele não é meu. Fui escolhido para cuidar dele, para amá-lo,
para alegrar-me nele, para criá-lo,
e para responder por ele perante Deus.
Estou decidida a dar o melhor de mim por ele,
pois os bebês não esperam.

Há um tempo de abraçá-lo bem forte
e contar-lhe a mais bela de todas as histórias;
Um tempo para mostrar-lhe Deus, na terra, céu e flor,
para ensinar-lhe admiração e reverência..
Há o tempo de deixar os pratos na pia
e levá-lo para balançar no parque,
De apostar corrida, fazer um desenho, apanhar uma borboleta,
e de lhe dar uma amizade alegre.
Há o tempo de lhe mostrar o caminho,
de ensinar seus lábios infantis a orar.
De ensinar seu coração a amar a Palavra de Deus e o dia do Senhor,
Pois os filhos não podem esperar.

Há um tempo de cantar em vez de resmungar,
de sorrir em vez de franzir a testa,
De enxugar as lágrimas com um beijo e rir dos pratos quebrados
Um tempo de compartilhar com ele o melhor de mim nas minhas atitudes
– amor pela vida, amor a Deus, amor à família.
Há um tempo de responder suas perguntas, todas as suas perguntas,
Porque pode vir um tempo em que ele não queira minhas respostas.
Há um tempo de ensiná-lo pacientemente a obedecer, a guardar seus brinquedos
Há um tempo de ensinar-lhe a beleza do dever, o hábito do estudo bíblico,
a alegria do culto no lar, a paz da oração.
Pois os filhos não podem esperar.

Há tempo de assisti-lo a sair bravamente para a escola,
de sentir falta de alguém a quem controlar
E de saber que outras mentes recebem sua atenção,
mas que eu estarei ali para atender o seu chamado
quando ele voltar para casa,
E irei ouvir ansiosa a história do seu dia..
Há um tempo de lhe ensinar independência, responsabilidade e autoconfiança,
Tempo de ser firme mas amigável, de disciplinar com amor,
Pois cedo, bem cedo, haverá o tempo de deixá-lo partir.
pois os filhos não podem esperar.

Há um tempo de guardar como tesouro
cada efêmero minuto de sua infância.
Apenas dezoito preciosos anos para inspirá-lo e treiná-lo.
Não trocarei esta primogenitura por um ensopado qualquer,
seja ele posição social, negócios, reputação profissional,
ou um cheque de pagamento.
Uma hora de cuidado hoje pode evitar anos de sofrimento amanhã,
A casa há de esperar, a louça há de esperar,
a reforma da casa pode esperar,
Mas filhos não podem esperar.

Haverá um tempo em que já não se ouvirão portas batendo
nem haverá brinquedos na escada, ou brigas de infância,
ou marcas de dedos na parede.
Então olharei para trás com alegria em vez de remorso.
Haverá o tempo de me concentrar no ministério fora do lar;
Em visitar os doentes, os enlutados, os desanimados, os que nunca foram
ensinados;
Tempo de me entregar até mesmo aos mais insignificantes .
Haverá um tempo de olhar para trás
e saber que estes anos em que fui mãe não foram desperdiçados.
Oro para que haja um tempo de vê-lo como um homem justo e honesto,
amando a Deus e servindo a todos.
Deus, dá-me sabedoria para perceber que hoje é o meu dia com meus filhos.
Que não há momento em suas vidas que não seja importante.
Que eu possa saber que nenhuma outra carreira é tão preciosa,
Que nenhum outro trabalho é tão recompensador,
Que nenhuma outra tarefa é tão urgente.
Que eu não a protele nem negligencie,
Mas que por Teu Espírito a aceiite alegremente,
jubilosamente, e pela Tua graça compreenda,
Que o tempo é curto e meu tempo é agora,
Pois os filhos não podem esperar

1 Ef 6.4.
2 Cf. Pv 23.13,14.
3 Cf. Pv 29.15,17.
4 Cf. Pv 13.24.
5 Cf. Pv 19.18; 23.13,14; 29.15,17; Hb 12.6.
6 Cf. Pv 4.1,3,4.
7 2Co 12.14.
8 Cf. Mt 13.23; Lc 8.15.
9 Cl 1.16,17.
10 Rm 13.1.
11 Lc 11.46; Mt 23.4; At 15.10.

Parte II
A ESCOLA
BÍBLICA DOMINICAL

Benção de Deus, responsabilidade
nossa.
 O
objetivo deste artigo é chamar a atenção para o valor e importância que devemos
dar à escola dominical.

Fundada na Inglaterra pelo jornalista evangélico Robert Raikes, em 1780, a
escola dominical foi uma criação que deu certo. Tão certo que os primeiros
missionários que aqui chegaram procuraram organizá-la imediatamente. O casal
Robert e Sarah P. Kalley fundou a primeira escola dominical no Brasil em 19 de
agosto de 1855. E a escola dominical existe até hoje!

Não é por acaso que a escola dominical existe até hoje. Ela é parte integrante
da Igreja do Senhor Jesus Cristo, de quem temos a promessa de que “as
portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18). A escola
dominical é uma bênção de Deus com características próprias, isto é, por mais
que uma pessoa participe dos cultos e das atividades da semana de sua igreja,
tem coisa que só será aprendida na escola dominical.

Infelizmente não são poucas as pessoas que fazem opções em detrimento da escola
dominical. Será que essas pessoas sabem o quanto estão perdendo? Pense bem:
Ausentando-se da escola dominical quem perde as bênçãos de Deus é você.

A ESCOLA DOMINICAL E A RESPONSABILIDADE DO ALUNO

O segredo de uma escola dominical dinâmica e eficaz depende, e muito, do aluno.
E como deve ser o aluno da escola dominical? Qual o perfil do aluno ideal?
Antes de respondermos essas perguntas, é importante dizer que por aluno ideal
não nos referimos, propriamente, a um ser extraordinário: brilhante, gênio,
super intelectual. Não, o aluno ideal é antes de tudo uma pessoa bem intencionada.
Como assim? Ele é dedicado: Assíduo, pontual, responsável. Vai à escola
dominical com prazer e não para dizer simplesmente “estou aqui”,
“cheguei” ou “agora o superintendente não vai pegar no meu
pé”. O verdadeiro aluno da escola dominical não pensa assim. Ele faz a
lição de casa. Lê a Bíblia e sua revista; anota suas dúvidas e vem disposto a
colaborar seriamente na sala de aula.

É lamentável quando o aluno vai à escola dominical sem ter estudado durante a
semana; sem sua Bíblia e/ou sem revista. E olha que eu não estou falando dos
pequeninos, e sim, de gente grande mesmo! Pode parecer grosseiro de minha
parte, mas muitas vezes eu me ponho a pensar: “O que alguém que não leva
Bíblia, revista (ou algo semelhante), e que não estuda em casa vai fazer na
escola dominical?”. Aprender? Duvido! Não se pode aprender quando o básico
é menosprezado.

De uma coisa precisamos estar cientes: 50% ou mais do bom desempenho do
professor numa sala de aula depende de seus alunos. É o que eu costumo dizer
aos meus alunos, sem querer jogar sobre eles a responsabilidade que cabe a mim.

Quando o aluno não se prepara em casa, conforme já mencionamos acima, ele perde
a oportunidade de contribuir com algo mais. Contribuindo ganha a classe e o
professor também. Muitos dos alunos que ficam calados durante a exposição do
professor cometem o erro (para não dizer “pecado”) da negligência
semanal. É preciso que você aluno reverta esse quadro se porventura está sendo
negligente; pois quantas vezes a culpa de uma aula má dada recai sobre o
professor quando na realidade o culpado é outro. É claro que o professor tem
suas responsabilidades, como veremos adiante, mas nenhum professor, a menos que
esteja doido, teria coragem de se colocar diante de uma classe sem que
estivesse adequadamente preparado.

Seja professor, ou seja aluno, ambos devem fazer tudo para a glória de Deus.

A ESCOLA DOMINICAL E A RESPONSABILIDADE DO PROFESSOR
O bom professor é aquele que almeja a excelência do ensino e se empenha em
alcançá-la. Tem que ser como o apóstolo Paulo exortou: “…o que ensina,
esmere-se no fazê-lo” (Rm 12.7). Paulo recomenda àquele que ensina a
dedicação total desse ministério. Dedicação que resultará num progresso
constante do professor, quer seja em relação à habilidade no ensino e crescimento
espiritual de seus alunos; quer seja em relação a sua própria vida cristã.

O professor da escola dominical deve ser o primeiro a viver o que ensina. A
classe nunca deve ser subestimada (muito menos a dos pequeninos). Ela saberá se
o professor está sendo sincero no que diz. Como também saberá se o professor se
preparou adequadamente para a aula. Fazer pesquisas de última hora e preparar a
aula às pressas nunca dá certo. Quando o professor não se esforça para fazer o
melhor, ele não apenas desrespeita seus alunos como peca contra Deus.

Além de viver o que ensina, o bom professor conhece seus alunos. Ele nunca deve
acreditar que basta, por exemplo, pegar a revista e ensinar o que está ali, por
melhor que seja o seu trabalho de pesquisa. O professor da escola dominical
deve conhecer a sua classe, cada um de seus alunos. É importante que o
professor conheça seus alunos, até mesmo para uma transmissão mais natural e
eficaz de sua aula.

Quanto ao preparo e a exposição da aula propriamente dito, os editores dos
Estudos Bíblicos Didaquê apresentam sugestões preciosas que ajudarão em muito
os professores da escola dominical. Com ligeiras adaptações passo a
transcrevê-las:

Utilizar sempre a Bíblia como referencial absoluto.
Elaborar pesquisas e anotações, buscando noutras fontes subsídios para a
complementação das lições.
Planejar a ministração das aulas, relacionando-as entre si para que haja
coerência e se evite a antecipação da matéria.
Evitar o distanciamento do assunto proposto na lição.
Dinamizar a aula sem monopolizar a palavra oferecendo respostas prontas.
Relacionar as mensagens ao cotidiano dos alunos, desafiando-os a praticar as
verdades aprendidas.
No final da aula, despertar os alunos quanto ao próximo assunto a ser estudado,
mostrando-lhes a possibilidade de aprenderem coisas novas e incentivando-os a
estudar durante a semana.
Depender sempre da iluminação do Espírito Santo, orando, estudando e
colocando-se diante de Deus como instrumento para a instrução de outros.
Verificar a transformação na vida dos alunos, a fim de avaliar o êxito de seu
trabalho.
Duas coisas, pelo menos, têm levado muita gente a perder o interesse pela
escola dominical hoje em dia, ou seja, a falta de criatividade do professor e
dinâmica das aulas. Professor: Faça de sua aula algo interessante; seja
criativo, gaste tempo nisso. Criatividade e dinamismo são, em boa parte, o
segredo do sucesso do professor eficaz.

É necessário que o professor da escola dominical veja seu trabalho como o
ministério que Deus lhe deu e que, por isso mesmo, precisa ser realizado da
melhor maneira possível. “… o que ensina, esmere-se no fazê-lo” (Rm
12.7).

A ESCOLA DOMINICAL E A RESPONSABILIDADE DOS PAIS

A responsabilidade dos pais crentes com a escola dominical é dupla. Em primeiro
lugar, os pais precisam ser assíduos e freqüentes na escola dominical. Os pais
que vão somente ao culto vespertino, achando que faltar na escola dominical não
tem tanto problema, certamente deixarão de progredir como deveriam na vida
cristã. A presença dos pais na escola dominical é imprescindível, pois, afinal
de contas, nós pais somos (bem ou mal) modelos para os nossos filhos.

Em segundo lugar, os pais precisam levar seus filhos à escola dominical.
Gostaria de dar a esse segundo ponto uma atenção especial, visto que está
diretamente relacionado ao anterior. Portanto, vamos entender a coisa da
seguinte maneira: por que os pais precisam estar na escola dominical? De um
lado, porque todos precisam aprender mais e mais das verdades do Senhor; por
outro lado, por causa dos filhos. Perdoe-me a batida na mesma tecla mas isso é
importante. Os filhos desejam e precisam ver nos pais a seriedade no trato com
a escola dominical. E isso, por si só, deve ser motivo de reflexão para os pais
, pois os pais precisam, pela vida e pela palavra, mostrar aos filhos que a
escola dominical é um importante veículo de crescimento espiritual.

Geralmente as crianças não apreciam levantar cedo para ir à escola dominical.
Boa parte delas já faz isso durante a semana. Porém, os pais devem passar para
os filhos que a escola de domingo também é especial por uma série de razões.
Erra o pai ou a mãe que acha que não deve levar sua criança à escola dominical,
apenas porque ela está cansada por estudar durante a semana, ou porque brincou
demais no sábado ou foi dormir tarde por causa daquela festa na igreja. Esse é
um tipo de compaixão que não procede. É nessa hora que os pais, amigavelmente,
devem mostrar aos filhos que a escola dominical é especial para toda a família.

Lembro-me de um fato ocorrido em uma igreja da qual fui pastor. Quando
perguntei a uma irmã porque não trouxe o filho, que na época devia ter cinco
anos de idade, ela me respondeu: “Ele não quis vir”. Eu não sei como
está ou por onde anda aquele que agora é um rapaz. Receio que ele tenha seguido
o caminho de seus irmãos mais velhos que abandonaram a igreja porque a mãe
comodamente aceitava o fato de que eles não quiseram vir.

Papai e mamãe, levem seus filhos à escola dominical, tenham eles vontade ou
não. Cumpram as suas responsabilidades como um dia prometeram a Deus quando
levaram seus filhos para serem batizados ou apresentados. Pois, como no caso
daquela mãe, amanhã poderá ser tarde de mais para chorar o que podia ser
evitado ontem.

A ESCOLA DOMINICAL E A RESPONSABILIDADE DO SUPERINTENDENTE

O superintendente da escola bíblica dominical é muito mais que uma simples
pessoa que faz a abertura e encerramento da escola dominical e promove a
comemoração de algumas datas importantes e eventos especiais. O superintendente
ou diretor(a) da EBD é o irmão ou irmã em Cristo designado(a) pela igreja para
administrar a escola dominical com competência e seriedade, visando a
edificação e a maturidade do corpo de Cristo.

Antes de tudo, o superintendente deve ser alguém verdadeiramente compromissado
com Deus e a igreja. Deve ser exemplo dos fiéis, não neófito, mas pessoa
qualificada para comandar o corpo de Cristo. Deve ser assíduo e pontual no
cumprimento de seus deveres, irrepreensível na moral, são na fé, prudente no
agir, discreto no falar e exemplo de santidade de vida. Qualidades que devem
acompanhar, no mínimo, todo crente, e principalmente aquele que recebeu a graça
da liderança; a saber: pastor, presbítero, diácono, professor, etc.

Além disso, o superintendente deve ser uma pessoa preparada academicamente.
Destaco a palavra “academicamente” de propósito. O que isso quer
dizer? Quer dizer que o superintendente não precisa necessariamente ser um
expert em educação cristã, mas precisa ter noção do que ela significa e
representa. Afinal de contas, é com professores que o superintendente está
lidando e é a qualidade do bom ensino que ele estará supervisionando. Pensando
nisso, um experiente diretor de escola dominical escreveu aos superintendentes:
“Os seus professores ensinam com qualidade? Ou estão se repetindo diante
da classe? Preparam devidamente a lição, ou já se acostumaram aos
improvisos?”. E continua: “Que os seu professores não se contentem
com o preparo já conseguido. Incentive-os a ler, a estudar, a pesquisar, a
descobrir novas metodologias, a se tornarem especialistas não apenas no
currículo e na aula a ser ministrada, como também na pedagogia e na
didática”.

Como eu disse, o superintendente não precisa ser um especialista, mas é
necessário que tenha algum conhecimento pedagógico. Se tiver experiência como
professor, melhor ainda.

Some-se a isto a visão do superintendente. Se o superintendente pensar
administrativa e pedagogicamente, o que é ideal, ele não apenas saberá conduzir
a igreja bem, no sentido de unidade de propósitos, mas também zelará pelo
aperfeiçoamento de seus professores. Promoverá encontros, congressos e uma
série de eventos que ajudarão na formação e reciclagem dos professores.

O superintendente é o carro-chefe da escola dominical que, em comum acordo com
o pastor, melhorará toda a escola dominical quando melhorar seus professores.
Quando se investe na liderança da escola dominical todo mundo sai ganhando.

Finalmente, mas não menos importante, o superintendente precisa ser dinâmico a
fim de dinamizar sua escola dominical. Para isso precisa se atualizar e se
inteirar do trabalho de outros superintendentes. Deve ser uma pessoa inovadora,
com idéias saudáveis que revigoram a escola dominical. Eu acredito na escola
dominical porque, como dissemos no início deste artigo, é uma bênção de Deus e
por isso deu certo. Entretanto, a escola dominical precisa passar por um
processo constante de revitalização. Meu irmão superintendente: torne a sua
escola dominical dinâmica, criativa, bíblica e funcional. Algo que dá gosto de
se vê e participar. Promova, juntamente com seu pastor e professores, o vigor e
a saúde da escola dominical através da motivação de seus alunos. Evite a
rotina, a monotonia e aquela mesmice insuportável. As aulas da escola dominical
devem ser prazerosas. Da criança ao adulto que levantam cedo para ir à igreja,
a escola dominical deve ser algo que valha a pena por causa do conteúdo e
didática do ensino e (por que não?) por causa do agradável local de estudo.
Olhe com carinho para tudo isso e Deus, com certeza, o recompensará.

A ESCOLA DOMINICAL E A RESPONSABILIDADE DO PASTOR
Como ministro do evangelho, sei que não são poucas e nem pequenas as
responsabilidades do pastor. Comecemos com algumas de suas atribuições. Compete
ao pastor: orar com o rebanho e por este; apascentá-lo na doutrina cristã;
exercer as suas funções com zelo; orientar e superintender as atividades da
igreja, a fim de tornar eficiente a vida espiritual do povo de Deus; prestar
assistência pastoral; instruir os neófitos, dedicar atenção à infância e à
mocidade, bem como aos necessitados, aflitos, enfermos e desviados; governar.

Escrevendo aos efésios, diz o grande pastor e apóstolo Paulo: “E ele mesmo
(Jesus) concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para
evangelistas, e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento
dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de
Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do
Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de
Cristo, para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro,
e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela
astúcia com que induzem ao erro” (Ef 4.11-15).

Pelo que podemos perceber das atribuições e vocação do pastor, o ensino (no
mais amplo sentido do termo) é a característica prioritária do ministério
pastoral. O zelo e a responsabilidade doutrinária do pastor o tornam
necessariamente ligado à escola dominical. Ele é o superintendente ex-officio
da escola dominical. Por isso mesmo, ao pastor nunca jamais deve faltar a
informação necessária acerca do que está sendo ensinado na escola dominical.
Para isso, o superintendente deve ser seu maior aliado. Um verdadeiro braço
direito na condução da igreja. O superintendente que não estiver disposto a
andar com o seu pastor não conseguirá promover a paz e a unidade no corpo de
Cristo. Enfim, o pastor precisa saber o que os professores ensinam ao seu
rebanho, quem ensina e como se ensina. Esta informação ele adquirirá
primeiramente com o superintendente e através das constantes reuniões com o
conselho de ensino.

O pastor deve ser um verdadeiro conselheiro no meio de seus auxiliadores.
Diálogo é fundamental. É imprescindível que o pastor e a liderança da escola
dominical falem uma só língua e se ajudem mutuamente, conforme recomenda Paulo
em 1 Coríntios 1.10: “Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus
Cristo, que faleis todos a mesma cousa, e que não haja entre vós divisões;
antes sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no
parecer”. A escola dominical agradece!

Ademais, pela experiência e formação pastoral que tem, o pastor precisa estar
atento às carências de seus professores e superintendente. Ele deve zelar pelo
aprimoramento de sua escola dominical investindo pesado em sua liderança.
Precisa indicar e sugerir bons livros, mostrando a importância e valor da
leitura. Também, é necessário que o pastor incentive a sua liderança a
participar de e a promover eventos educacionais. Acredite: O pastor é a chave
que abre a porta do sucesso da escola dominical. Se você, pastor, tiver visão
pedagógica, além de administrativa é claro, ninguém segurará sua escola
dominical. O Espírito Santo gosta de pessoas assim e quer usar pessoas assim.

Além disso, é necessário que o pastor tenha propósitos permanentes e bem
definidos para a escola dominical. Quais devem ser os objetivos do pastor para
a escola bíblica dominical? São basicamente estes: 1) promover a edificação da
igreja na Palavra para o serviço, 2) ganhar vidas para Cristo e discipulá-las e
3) formar líderes capacitadores.

Parte III
A PSICOLOGIA
DA EDUCAÇÃO CRISTÃ

As características físicas,
mentais, sociais, emocionais e espirituais dos alunos; o que ensinar e como
ensiná-los
 Minha
professora de psicologia da educação da faculdade de filosofia costumava dizer
que “de médico, louco e psicólogo todo mundo tem um pouco”. Menciono
esse fato somente para salientar que a psicologia apresentada neste artigo (uma
adaptação nossa do livreto O Bom Professor Conhece Os Seus Alunos) não é a
psicologia no sentido técnico do termo (apesar de reconhecermos a importância
da ciência psicológica). Trata-se apenas da psicologia da sala de aula. Daquela
aprendida, principalmente, na convivência com os alunos.
Neste artigo tentaremos ajudar você a conhecer melhor os alunos de sua classe
de escola dominical. Possuir um conhecimento profundo das características e
necessidades de seus alunos é imprescindível para um ensino eficaz e bem
sucedido.

AS CARACTERÍSTICAS DAS CRIANÇAS DE 1 A 3 ANOS

A construção começa pelo alicerce. Como nosso alvo é construir Cristo na vida
das pessoas, começamos pelo alicerce, que são as crianças de 1 a 3 anos. Neste
artigo, gostaríamos de ver suas características, e as maneiras como
conseguiremos alcançá-las, usando a Palavra de Deus.
Isto talvez soa estranho aos ouvidos de alguns, porém a verdade é que a criança
nesta idade pode captar muitas verdades acerca de Deus, por causa do instinto
de busca de Deus que existe em todo ser humano. Damos muita importância a esta
idade porque dela Deus pode receber muito louvor.

Fisicamente

Estão crescendo rapidamente. Seus músculos exigem ação, por isso são
turbulentas. Elas se cansam com facilidade e necessitam de longos períodos de
descanso.

1 a 2 anos: a criança age impulsionada pelos músculos maiores mas cai quando
tenta andar rapidamente. Quebra tudo que tenta alcançar porque os músculos
menores não se desenvolveram e não há uma perfeita coordenação motora. Por
isso, todos os brinquedos devem ser fortes, grandes e leves.
Aos dois anos gosta de enfileirar objetos: cadeiras, brinquedos, etc. É hora de
ensiná-la a usar o vasinho para suas necessidades físicas. Paciência e calma
são essenciais nessa fase.

3 anos: os músculos menores estão mais desenvolvidos. Tem uma coordenação
motora mais equilibrada. Consegue equilibrar-se e controlar o próprio corpo.
Por isso, com freqüência, ela pula de um lugar mais alto; pendura-se na mesa,
na maçaneta e até no seu braço. Não fique bravo por isso. Sob sua supervisão,
deixe-a dependurar-se e balançar-se, pois isto faz parte de seu crescimento
normal. Não seja um empecilho para o seu crescimento.
Gosta de brincar com argolas de plástico, latinhas, etc., mas além de
enfileirar já consegue também empilhar os brinquedos.
As crianças de um a três anos adoecem com facilidade – o ambiente da sala deve
ser o mais sadio possível para evitar contágios.

Mentalmente

São curiosas e investigadoras, por estarem começando a conhecer as maravilhas
que Deus criou.

1 a 2 anos: sua atenção é limitada – um minuto a dois, no máximo; a mente
cansa-se logo; fala pouco, mas entende quase tudo. Não tem a habilidade de
fazer perguntas, nem observações engenhosas. Devemos nos lembrar de variar as
atividades, contar histórias ou falar rapidamente sem entrar em detalhes, e não
esperar que ela participe ativamente da aula, respondendo a todas as perguntas
e nem perguntando. Ela entende mais do que fala.

3 anos: “O que é isso?”. É a pergunta mais comum entre elas. Não tem
noção dos dias da semana; gosta de repetições; falam mais palavras. Gosta de
explorar o desconhecido – quebra a asa do avião para ver o que tem dentro.
Arranca a perninha dos bichinhos para ver de que é feita. Para aproveitar essa
curiosidade aguçada, prepare uma mesa com as coisas que Deus fez e vá sempre
acrescentando mais objetos. Deixe a mesa sempre coberta com plástico para
evitar estragos.
A criança fala através de frases, mas sua mente está, geralmente, adiante do
que diz. Não a ajude nem a apresse para encontrar palavras. Ouça pacientemente,
custe o que custar. Por causa da infiltração da TV e sua maneira marcante de
comunicar, as crianças dessa idade, hoje, falam muito mais que no passado.
MESMO ASSIM NUNCA SE ESQUEÇA DE QUE ELA TEM APENAS TRÊS ANOS E É UMA CRIANÇA.

Social e emocionalmente

São sensíveis. Gostam de falar, de agradar e de serem agradadas. Precisam da
atenção de todo mundo. Chamam a atenção de todos, sendo ou muito boas ou
rebeldes de mais: gritam, choram, são egoístas ao extremo, etc. Conseguem
perceber o humor do professor pelo timbre de voz, sorriso e contato corporal.

1 a 2 anos: certos incidentes ficam gravados na memória da criança para sempre.
Ela pode não querer ir à escola dominical porque um coleguinha bateu nela na
saída, ou porque teve uma impressão má da professora. Todas às vezes que sabe
que terá de ir à igreja começa a chorar. Demora muito para se ambientar em uma
nova situação. Ela se retrai e torna-se agressiva. Ex.: quando se separa da
mãe, pela primeira vez, para ir à sua classe, chora porque pensa que vai
perdê-la ou que ela vai embora. Leve-a até à classe da mãe e mostre-lhe que ela
ainda está lá. Após várias tentativas, se não se acostumar com a idéia de
separar-se da mãe, traga um guarda-chuva ou capa ou bolsa da mãe e deixe-a na
sua classe. Assim a criança vai sentir que ela não foi embora. Nunca diga:
“Você é um menino grande e ainda está chorando? Veja todas as crianças ao
seu redor olhando. Você não tem vergonha?”. Antes, abrace a criança que
tem o nariz escorrendo e os olhos cheios de lágrimas, limpe-os com um lenço,
mostre a ela um brinquedo, figura ou livro. Ela precisa de segurança. Ela se
sente mais segura e ajustada na escola dominical quando é saudada todos os
domingos pela mesma ou mesmas professoras.
Não consegue ainda brincar com o grupo. Ela brinca sozinha no meio do grupo.
Nunca espere que todos brinquem com ela. Ela não sabe brincar em conjunto.

3 anos: gosta de estar entre outras pessoas. Não tem muito problema para ficar
longe da mãe, se conseguir se ajustar ao meio ambiente. Também gosta de brincar
sozinha no meio de todos, mas já consegue brincar com os outros. É egoísta –
pode derrubar os blocos empilhados por outro menino, para aumentar sua própria
construção. Pode pegar as bolachas e colocar a maioria na boca, só para não dar
para os outros. Por outro lado, gosta de ajudar os outros e sente alegria em
fazê-lo. Ex.: dá sua boneca para a menina que está chorando e diz palavras de
consolo.
Não gosta de ser mandada, mas fará muitas coisa se você as sugerir de maneira
clara e diretiva. Ex.: “Olhem o relógio; está na hora de guardar as
bonecas na cama, os blocos dentro das caixas. Tique-taque, tique-taque, vamos
todos trabalhar. Tique-taque, tique-taque, um pouco mais, um pouco mais e descansar.
Tique-taque, tique-taque, um pouco ali, um pouco aqui, e terminar. Obrigada,
obrigada, e até outro dia começar”.
Espiritualmente
Por causa do instinto de busca que existe no ser humano ela deseja e tem sede
de conhecer o Deus vivo e atuante. Ela aprende a conhecer a Deus através das
palavras e ações das pessoas que a cercam.

1 a 2 anos: tem capacidade para entender e experimentar o amor de Deus. A
criança aprende essa verdade ouvindo, vendo e experimentando. Leva tempo para
ela ganhar noção de uma verdade, mas um pouco aqui, um pouco ali, e ela
consegue aprender. (Is 28.10,13). Aos dois anos de idade gosta de orar e dizer
palavras simples para Deus; aprende a agradecer a Deus quando as pessoas ao seu
redor assim o fazem, dando graças a Deus por todas as coisas. (Ef 5.20). Ex.:
“Vamos agradecer a Deus porque João está só resfriado e não precisou ir
para o hospital, e porque no próximo ele já estará aqui para aprender das
coisas de Deus”. A prova de que ela aprende é que, durante a semana, ela
tenta cantarolar os cânticos aprendidos. Desafina e inventa palavras, mas canta
com alegria.

3 anos: seu interesse por Deus continua crescendo. Gosta de ouvir contar que
Deus criou tudo: flores, frutos, sol, chuva, noite e dia, e os animais. Nessa
época, comece a ensinar que Deus criou o corpo. Ex.: “Deus não foi bom de
nos dar mãos fortes para podermos colocar os blocos dentro da caixa? Deus nos
deu ouvidos e por isso podemos ouvir esta bonita música que fala de Jesus, não
é?”. Mesmo olhar pela janela num domingo chuvoso pode dar ocasião para uma
conversa: “Deus é bom de dar esta chuva tão boa que ajuda as plantas a
crescerem. Vamos agradecer a Deus por esta chuva”.

O QUE E COMO ENSINAR AS CRIANÇAS DE 1 A 3 ANOS

1 a 2 anos: a melhor maneira de ensinar uma criança nesta idade é usar a
conversação dirigida, isto é, conduzir cuidadosamente a conversa e o pensamento
da criança na direção de uma verdade bíblica ou do objetivo da lição. Ex.:
quando ela conseguir virar a página de um livro, diga que Deus fez suas mãos e
é por isso que ela consegue mexer naquele livro. Quando uma criança aparecer
com uma blusa bonita diga: “Como Deus é bom de ter feito um pano tão macio
e quentinho. Vamos agradecer a Deus por esta blusa”. Se ela desejar tirar
a blusa porque ficou com calor, aproveite para dizer: “Você já imaginou se
Deus não tivesse feito o sol? Morreríamos de frio”.
A Bíblia se tornará um livro especial para ela se a professora e os pais assim
lhe ensinarem, falando-lhe sobre a Bíblia ou deixando que ela a carregue com
cuidado e respeito. Ex.: diga: “Eu vou segurar seu dedinho e colocá-lo
sobre a Bíblia no lugar que diz: ‘Deus me fez’. – Jó 33.4”. Assim ela vai
aprendendo as coisas de Deus.

3 anos: use cânticos com gestos que ela possa participar livremente. Ex.: história
da criação: Deus fez a lua – as crianças fazem um círculo com as mãos. Deus fez
as estrelas – mexer com os dedinhos. Deus fez tudo isso e colocou no céu –
apontar o dedinho indicador para o céu. Deus fez o sol – fazer o círculo com as
mãos; as árvores – erguer as duas mãos para cima; as flores – abaixar até o
chão. Os passarinhos voam no céu que Deus fez – usando as mãos, fazer de conta
que estão voando.

AS CARACTERÍSTICAS DAS CRIANÇAS DE 4 A 6 ANOS

É nessa fase, entre 4 e 6 anos, que as impressões mais profundas, provindas do
ambiente em que a criança vive, estão se interiorizando nela, para depois serem
externadas através de ações e reações, inclusive na fase adulta. É uma idade
propícia para se entender a realidade de Cristo e Sua atuação na vida diária. A
criança poderá entender, sentir e viver Cristo se isso lhe for ensinado através
de palavras e atitude. Procuremos então conhecê-la para ajudá-la a se encontrar
com Cristo e ter uma vida que agrade a Deus.

Fisicamente

Crescimento muito rápido. Os músculos estão se desenvolvendo, dando-lhe assim
um melhor controle motor. Consiga equipamentos adequados como, por exemplo:
cadeiras baixas, para que os pezinhos não fiquem balançando, mesas de altura
apropriada para que a criança não tenha que ficar pendurada ou de pé para
escrever, desenhar ou brincar. Materiais como figuras ilustrativas e objetos de
borracha devem ser grandes. As tesouras pequenas e sem ponta são mais
aconselháveis.
É ativa e, como conseqüência disso, cansa-se facilmente. Seus olhos ficam
ardendo e os ouvidos cansados quando ouve ou vê algo por muito tempo. Apesar de
ser tão ativa e aparentar saúde inabalável, é sensível e sujeita a doenças.
Deve-se providenciar atividades variadas e incluir um período de descanso ou de
atividades que exijam menos esforço. Mantenha a sala sempre bem iluminada, fale
pouco e de maneira clara; modifique o tom e a entonação da voz, dependendo dos
personagens e circunstâncias. Para evitar que a criança transmita ou contraia
alguma doença, esteja sempre alerta e verifique se algum aluno está com alguma
doença contagiosa como catapora, sarampo, rubéola ou com qualquer outro sintoma
que revele possível doença.

Mentalmente

Responda a todas as perguntas de maneira simples e verdadeira pois a criança
dessa idade é indagadora, curiosa e está pronta a aprender.
Como sua atenção é limitada, variando de 5 a 10 minutos, diversifique as
atividades: jogos, descanso, cânticos, lanche, limpeza da sala, guardar os
brinquedos na caixa, etc.
Tem boa memória mas não tem noção exata de tempo nem de distância. Sua mente é
ativa e quer expressar o que pensa, mas não sabe como.

Socialmente

Gosta de estar com os outros e é capaz de brincar em conjunto. Promova então
atividades nas quais todos brinquem juntos. Não utilize atividades de grupo, em
que seja preciso construir algo definido. Raramente dará resultado pois ela não
consegue continuar o que o outro já começou. A tendência é de destruir.
Nesta idade muitos já estão demonstrando qualidades de liderança, enquanto
outros só agem baseados em sugestões. Encoraje os líderes a tomarem a
liderança, mas não egoisticamente, e proporcione oportunidades para que outros
liderem também.
É egoísta e pensa que tudo lhe pertence. Procure ensinar-lhe a importância de
ser cordial e amável com os outros, e também os princípios bíblicos de posse.
Deixe claro que Deus se agrada quando dividimos nossas coisas com os outros.
(Exemplo do menino que deu os pães e peixes a Jesus). Proporcione oportunidades
de dar e receber.
Deseja a aprovação do grupo e dos adultos. Elogie-a sinceramente quando fizer
coisas certas. Se fizer algo errado ou mal feito, em vez de dizer: “Eu
sabia que você iria fazer isso…”, diga: “Não está tão bom como os
que você costuma fazer, mas sei que consegue fazer melhor. Gostei muito do
verde da grama”, ou “Gostei de ver como você caprichou no
telhado”.

Gosta de palavras e piadas tolas. Ria se forem inocentes ou sem afetação
pessoal. Discipline, se não forem, mas sem alterar a voz nem o gesto. Se
acontecer de se divertirem às custas de defeitos físicos de outras pessoas, ou
da dificuldade de alguém aprender a língua do país, chame-as, uma a uma, à
parte e explique-lhes, com amor, sem tom de recriminação que aquilo fere a
outra pessoa. Pode dar uma explicação, dependendo do caso, de como aquele
menino ficou daquele jeito. Converse com uma criança de cada vez. Em casos de
disciplina, isso dá mais resultado do que falar ao grupo.

Emocionalmente

Proporcione um ambiente calmo. Não grite, nem crie uma atmosfera carregada, com
imposições e antagonismo (resultado de uma disciplina muito rígida), pois a
criança é sensível e suas emoções são intensas.
É capaz de controlar o choro. Encoraje-a, quando esfolar o joelho em
conseqüência de uma queda, simplesmente colocando a mão na cabeça dela e dizendo:
“Puxa! Como você cresceu!”.
Muitas de suas ações são permeadas de uma atitude egoísta, invejosa e ciumenta.
Evite mostrar favoritismo, elogiando sempre o trabalho de uma criança só, ou
dando oportunidades apenas para algumas fazerem determinadas coisas.
É explosiva. Nunca lhe peça algo que esteja além de sua capacidade, pois quando
não consegue realizar a tarefa, ou chora ou fica desanimada, e fica com um
gostinho amargo de derrota.
É bondosa. Gosta de ajudar os outros, desde que isto não traga ameaça para si.
Ensine-a a repartir as coisas e a mostrar amor e simpatia pelos outros, orando,
dando ou fazendo algo.
É teimosa, e bate o pé quando as coisas não saem como ela quer, ou quando é
obrigada a fazer algo que não quer fazer. Aprenda a boa arte de sugerir as
coisas firmemente, mas sem rispidez. Ex.: Em vez de dizer: “Guarde os
brinquedos, porque já vamos ouvir a história”, diga: “Chegou a hora
de ouvirmos mais uma parte da história de Jesus. Quem gosta de ouvir a história
de Jesus? Então vamos todos guardar os brinquedos na caixa, antes de ouvir a
história”.
É medrosa demais. Evite dizer: “Se você não ficar quieto, vou falar com
sua mãe”. Evite histórias que causem medo: “… então veio um homem
baixinho, de bigode, com um chapéu preto na cabeça. Ele veio devagarzinho… e
zup! Agarrou o missionário, e ele gritou: “Ahhh!”. Além de ficar com
medo, ela vai pensar que todo homem baixinho é um bandido que agarra as
pessoas.

Espiritualmente

Pensa em Deus de um modo pessoal e consegue dar-Lhe verdadeiro louvor. Leve-a a
ter um contato pessoal com o Senhor através da oração de agradecimento, de
petição, e pelas histórias da Bíblia. Diga-lhe repetidas vezes que Deus odeia
seus pecados mas a ama muito.
Ela pergunta com freqüência sobre a morte, porque tem dúvidas. Responda com
simplicidade, sem mostrar mistério ou cinismo.
Acredita nos adultos e está pronta a ouvir de Cristo. Seja verdadeiro e fale de
Cristo de maneira bem simples. Faça um apelo após contar a história, ou em
qualquer ocasião propícia. Depois que ela tomar a decisão, verifique se
entendeu e fale sobre a certeza da salvação, caso tenha mesmo se decidido.

O QUE E COMO
ENSINAR AS CRIANÇAS DE 4 A 6 ANOS

Use recursos visuais simples mas significativos para ela. Faça-a participar da
aula, dramatizando, recortando a história, respondendo perguntas, ou fazendo
algum trabalho manual. Não use comparações nem palavras figuradas na história.
Esta deve ter seqüência lógica e ser curta. Fale pouco e de maneira clara.
Modifique o tom e a entonação da voz, dependendo dos personagens e
circunstâncias. Toda palavra nova deve ser explicada para evitar que a criança
memorize coisas sem sentido. Cada verdade básica deve ser repetida muitas
vezes, de várias maneiras. Evite dar duas explicações a uma mesma lição, pois pode
causar confusão. Faça perguntas que a ajude a expressar suas idéias
naturalmente, sem forçá-la, também sem depreciá-la quando não conseguir
explicar aquilo que quer falar.

Planos de salvação

1. Eu pequei – Rm 3.23 – Sabe que você é pecador? Você diz mentiras, tem raiva
do irmãozinho e desobedece? Isto tudo é pecado. O pecado separa você de Deus.
2. Deus me ama – Jo 3.16 – Deus odeia o pecado que você comete, mas Ele o ama
tanto que fez uma coisa para você não ficar longe dEle: deu Jesus.
3. Cristo morreu por mim – Rm 5.8 – Cristo morreu em seu lugar para que você
não fique mais separado de Deus.
4. Eu O aceito – Jo 1.12 – Se você receber Cristo em seu coração, você se torna
filho de Deus, e seus pecados são perdoados. Quer orar a Jesus e pedir-Lhe para
vir morar com você para sempre e limpar seu coração?
5. Estou salvo – Jo 1.12 ou Jo 5.24 – O que você fez? Isto: abriu o coração
para Jesus entrar. Onde Ele mora agora? A Bíblia diz que Jesus nunca mais vai
abandoná-lo. Você está seguro nas mãos de Deus.

AS CARACTERÍSTICAS DAS CRIANÇAS DE 7 A 9 ANOS

Na idade de 7 a 9 anos a criança tem uma personalidade vibrante e curiosa, mas
que também oferece momentos de frustração para o professor. Cada uma dessas
idades – 7, 8 e 9 – tem suas características, necessidades e habilidades
próprias. Não há dois alunos iguais; no entanto, há traços comuns a todos eles.
Um bom conhecimento desses pontos análogos dará ao professor mais base para
enfrentar e solucionar os problemas e necessidades de cada um.
Nessa idade, as crianças descobriram um mundo novo e estão vivendo intensamente
dentro dele: é a escola secular – aulas, horários, responsabilidades,
concorrência em notas, brigas durante o recreio, disciplina, hostilidade sem a
proteção dos pais, coleguismo, realizações, recompensa, etc. Gostam da escola,
da professora, dos seus cadernos de tarefa, enfim, do seu novo mundo. Sabem
fazer comparações e descobrir se uma coisa é boa ou não, organizada ou não. E a
escola dominical pode ficar em segundo plano se você, professor(a) dessa faixa
etária, não levar a sério o trabalho de ensino.

As crianças nessa idade são parecidas entre si, porém, se formos analisar com
cuidado cada idade, perceberemos que há diferenças bem visíveis na maneira de
agir, de pensar e de aprender de cada idade, como iremos ver agora:

Características mentais

Estão aprendendo a raciocinar. Não lhes dê tudo mastigado. Não solucione os
problemas deles, mas ajude-os a achar as soluções por si mesmos.
O período de atenção é mais prolongado do que o dos alunos de 4 a 6 anos; varia
mais ou menos de 10 a 15 minutos.
Sete anos: estão aprendendo a ler e escrever, pois entraram para o primeiro
ano.
Gostam de fatos reais mas também de fantasias, e já conseguem distinguir um do
outro. Use ambos, mas com mais freqüência os fatos reais, para evitar o
pensamento de que o cristianismo é algo imaginado.
Sua capacidade de expressão é limitada, mas têm boa memória. Ajude-os a se
expressar em grupo, mas nunca force ninguém a participar contra a vontade. Se
prometer algo, cumpra, pois eles se lembram sempre e vão deduzir que você é
mentiroso, se não cumprir.
Oito anos: gostam de ler, de aprender e de responder e de responder
rapidamente. Leve-os a participar o máximo da aula.
Gostam de pesquisar, de perguntar sobre o passado e o futuro, sobre outros
povos, etc.
Nove anos: gostam de expor suas idéias, de discutir, de perguntar, de ouvir
histórias e de dizer coisas engraçadas. Saiba ouvi-los e dê respostas simples e
claras. Saiba aceitar certas brincadeiras inofensivas.
Gostam de ser desafiados. Desafie-os a trabalhar para Cristo. Evite pensar que
são muito pequenos e não entendem nada sobre consagração.
São pensadores, críticos e têm boa memória. Não se espante com certas perguntas
profundas que venham a fazer. Ajude-os a ver a parte boa das coisas e das
pessoas. Dê-lhes oportunidade para memorizar versículos da Bíblia e princípios
gerais.

Características físicas

Os músculos menores estão se desenvolvendo vagarosamente, e eles se cansam
muito quando têm que realizar algo com muitos detalhes; portanto, não exija
deles perfeição.
Sete anos: estão aprendendo a escrever. Colabore em seu desenvolvimento físico
dando-lhes oportunidade de escrever versículos fáceis, palavras importantes,
pintar figuras, etc.
Oito anos: gostam de se mostrar, fazendo coisas perigosas, como: sentar
apoiando a cadeira num pé só, andar sobre um muro coberto de cacos de vidro;
pegar bichinhos venenosos com garrafas ou brincar com bombinhas ou espingardas.
Não mostre aprovação, nem grite para que parem, e nem mostre cuidado excessivo:
porém, seja enérgico e faça-os parar quando estiverem fazendo algo muito
perigoso. Chegue mais cedo para que a classe não vire uma confusão.
Nove anos: sua coordenação motora já está quase perfeita, mas não é perfeita.
Gostam muito de projetos de mesa: construir, armar, recompor uma cena, etc.

Características
sociais

Necessitam de companhia; são comunicativos e gostam de ser considerados alguém.
Respeitam autoridade e são cooperadores.
Sete anos: gostam de agradar a professora dando-lhe presentes, e com conversas
ou piadas. Mostre que você realmente se agrada dos presentes, porém deixe claro
que isso não vai lhes trazer benefícios especiais nem vantagem sobre os outros.
Não gostam do sexo oposto; são antagônicos. Evite colocar meninos e meninas
juntos em qualquer atividade de grupo.
Ficam acanhados em ambientes novos. Crie na classe um ambiente familiar e
afetuoso.
Oito anos: são egoístas e egocêntricos. Incentive-os a ajudar outras pessoas.
Nove anos: desejam amizades sólidas. Apresente-lhes Cristo como Aquele que
nunca muda. Gostam de atividades competitivas ou cooperativas. Proporcione-lhes
ambos os tipos de atividades.

Características emocionais

Imaturos. São imprevisíveis e se desanimam com a mesma facilidade com que se animam
a fazer alguma coisa: fogo de palha.
Não se impressione com suas reações. Não espere demais deles só por já estarem
mais desenvolvidos. Incentive-os a continuar o que começaram. Instrua-os dentro
de sua própria capacidade de ação.
Rebelam-se contra exigências pessoais, quando se sentem magoados. Ensine a
obediência através de sugestões e com amor, e nunca dando ordens. O ambiente os
influencia muito e podem estourar com facilidade. Aja com calma, sorria sempre,
mas nunca ria deles.
Sete anos: dependem muito do ambiente. O ambiente é que vai determinar o
aprendizado. Proporcione um ambiente bem sugestivo que contribua para o
aprendizado.
Oito anos: criam seu próprio ambiente e fazem com que outros dependam dele.
Cuidado com as panelinhas, pois podem destruir a classe. Seja um guia bem
sensível às reações dos alunos e procure perceber se certo grupo está reagindo
contra você, contra a classe ou contra o ambiente. Quando descobrir a causa,
faça tudo para solucionar o problema.
Nove anos: são capazes de cooperar para manter um ambiente muito agradável.
Incentive-os a cooperarem para o bom funcionamento da classe. Vibram quando a
classe toda se envolve num projeto ou quando há competição entre sua classe e
outra. Tome cuidado para que a competição em si não seja mais importante do que
o propósito dela. Ficam arrasados quando o seu grupo perde uma competição.

Características espirituais

Sete anos: são impacientes e querem saber tudo agora.
Gostam da escola dominical e têm fé em Deus. Nessa idade já podem entender que
Cristo os comprou com o Seu sangue, e que já não pertencem a si mesmos, mas a
Ele.
Oito anos: gostam de um cristianismo exclusivo. Ajude-os a conhecer a Cristo, e
a andar com Ele em sua vida diária. Procure entender bem suas reações e
mostre-se compreensivo.
Nove anos: estão saindo do seu exclusivismo e o mundo à sua volta os preocupa;
querem trabalhar para Cristo.

O QUE E COMO ENSINAR AS CRIANÇAS DE 7 A 9 ANOS

Sete anos: Estimule-os a ler o livro do aluno e versículos simples, na própria
Bíblia ou escritos no quadro-negro. Dê a eles versículos para copiarem na
classe e em casa, como tarefa. Faça-os participar bastante da classe deixando
que segurem cartazes com cânticos, recontem histórias, armem quebra-cabeças de
versículos, etc. Evite contar histórias em capítulo por muito tempo, pois podem
ficar desinteressados. Ensine-lhes a pedir a Deus a solução de qualquer
problema.
Oito anos: Conte-lhes histórias interessantes, use ilustrações atuais, faça-os
pesquisar sobre costumes e histórias dos tempos antigos. Dê a eles tarefas
difíceis e desafie-os a realizá-las. Ensine-os a pensar nos outros, que Jesus é
o melhor amigo que existe e está pronto a ajudá-los em qualquer situação.
Nove anos: Conte histórias bíblicas de uma forma atual, interessante, prática,
relacionando as lições bíblicas com os fatos atuais. Como nesta idade eles
desejam amizades sólidas, apresente Cristo como Aquele que nunca muda. Dê-lhes
bastante trabalho prático: dobrar e distribuir folhetos, fazer evangelismo
individual, dar o testemunho pessoal, participar de um conjunto musical, etc.

AS CARACTERÍSTICAS DOS PRÉ-ADOLESCENTES

O pré-adolescente não é mais uma criança, mas também não preenche plenamente as
qualificações de um adolescente. Age como criança muitas vezes, porém fica zangado
quando o consideram como tal. Ele vive as mais fantásticas aventuras e
experiências, e sente necessidade de ser liderado por uma pessoa que o
compreenda e o ajude a se conhecer a si mesmo. Por causa da atitude crítica,
insinuosa e até marginalizadora, própria dos pré-adolescentes, muitos são
chamados por alguns adultos de “moleques”, “pestinhas” e
“endiabrados”. Contudo, vale a pena conhecê-los e ajudá-los nessa
fase tão difícil e tão decisiva da vida.

Fisicamente

Estão ganhando força, apesar de haver um estacionamento no desenvolvimento
físico. Gostam de lutar e de fazer bagunça. Chegue à classe antes dos alunos e
distribua algo atrativo e útil para fazerem até o início da lição.
Há uma diferença muito grande entre o desenvolvimento físico das meninas e o
dos meninos. Muitas garotas estão um ano na frente dos garotos. Algumas já
entraram na fase menstrual e sentem que não são mais crianças, ao passo que os
garotos agem e pensam como crianças. Enquanto os meninos se divertem com
atividades brutas, as meninas são mais reservadas e preferem atividades mais
calmas. Você deve levar em conta estas grandes diferenças, ao fazer o
planejamento de quaisquer atividades.

Mentalmente

São vivos e gostam de fazer perguntas. Têm boa memória, porém não pensam em profundidade.
Têm consciência de tempo e distância. Gostam de colecionar “coisas”.
Lêem muito. Têm grande interesse em conhecer pessoalmente ou ler e ouvir a
respeito de heróis.

Socialmente

Sentem uma necessidade grande de pertencer a um grupo que lhes dê segurança.
Preferem o seu grupo mais que a família. Lutam pelos direitos do grupo. Gostam
de organizar grupos do mesmo sexo. As meninas pensam mais em namoro que os
meninos. Ocasião propícia para aconselhamento; evite classes mistas. Adoram
heróis e são perfeccionistas. Odeiam fraquezas pessoais. Gostam de ter
responsabilidades. Rebelam-se contra a autoridade. Seja um guia, um líder e não
um ditador. Sempre peça sugestão à classe, mas não de maneira que demonstre
insegurança. Crie um ambiente de liberdade, mas controlado por você.

Emocionalmente

São instáveis emocionalmente. O desequilíbrio é demonstrado em todas as
ocasiões: são alegres ou fechados demais; mostram amizade em excesso e, de
repente, voltam-se contra o melhor amigo. Ora estão calmos; ora preocupados, e
assim por diante. Seja amigo constante, sincero e que inspire confiança e
segurança. Não gostam de manifestações de afeto. Evite abraçar ou colocar a mão
nos seus ombros. Ame-os não com palavras e gestos, mas de verdade. São dados a
valentias, pois gostam de participar de coisas empolgantes. Mostre que muitas
vezes é melhor fugir de um perigo inútil do que enfrentá-lo e sofrer
conseqüências graves. São sensíveis ao desprezo, à falta de amor e à
hipocrisia. Fale de Cristo e leve-os a viver Cristo.

Espiritualmente

Eles possuem padrões elevados para si mesmos. Reconhecem o pecado como algo que
desagrada a Deus e a si mesmos. Têm fome de Deus. Sua fé é simples e sua cabeça
está cheia de dúvidas sobre a Bíblia. Gostam de encontrar resposta por si mesmos
na Bíblia. Estão começando a compreender melhor os simbolismos. Querem a Cristo
como Salvador e Senhor.

O QUE E COMO ENSINAR AOS PRÉ-ADOLESCENTES

Tenha um programa ativo, envolvendo-os ao máximo em alguma atividade onde
possam usar as suas forças. Dê-lhes oportunidade de pensarem, perguntarem e se
expressarem. Encoraje e motive a memorização de versículos, hinos e fatos
bíblicos. Ensine-lhes cronologia e geografia bíblica. Use mapas e gráficos em
seu ensino. Encoraje-os a ter passatempos úteis. Ensine-os a escolher boa
literatura; ajude-os na formação de bons hábitos de leitura; apresente a Bíblia
como sendo o melhor livro que existe. Apresente histórias de heróis bíblicos e
também de outros como: Carey, Simonton, José Manoel da Conceição, Robert e Sarah
Kalley, etc. Será bom, algumas vezes, levar à classe missionários que estão na
obra e cujas experiências sirvam para despertá-los para o serviço do Senhor.

Promova reuniões sociais e passeios para a classe, com o intuito de preencher
as necessidades sociais deles, dentro de um ambiente cristão. Aproveite para
motivar a classe a estudar a lição da escola dominical, através de uma
competição não individual, mas entre grupos. Deve tomar muito cuidado para que
o espírito de “só os do meu grupo” não leve à marginalização de
outros de fora do grupo. Ensine-lhes padrões bíblicos através de princípios
bíblicos. Dê-lhes oportunidades de acordo com as suas capacidades e gostos. E
como gostam de humorismo, ensine-os a cultivar o humorismo são e evitar o mal.

Explique-lhes o valor do sangue de Cristo (1 Jo 1.9). Proporcione oportunidades
de conhecerem melhor a Deus. Desafie-os a orar, fazendo pedidos específicos e,
pela resposta de Deus, vão saber da realidade de Deus e Sua atuação hoje na
vida diária. Envolva-os em diversos ministérios e responda a todas as perguntas
de maneira simples e objetiva. Ofereça-lhes as ferramentas próprias para
descobrir soluções para seus problemas; por exemplo, um método de estudo
bíblico. Use simbolismo, mas certifique-se de que estão entendendo. Leve-os aos
pés do Salvador e ajude-os a entender a importância de colocar a Cristo como
líder de suas vidas. Nessa fase o professor deve nutri-los, mais do que lançar
desafio após desafio, pois, como disse alguém, “O que o indivíduo aprende
na idade de 10 a 12 anos leva consigo até o túmulo”.

AS CARACTERÍSTICAS DOS ADOLESCENTES

Queremos apresentar-lhe uns indivíduos suspeitos, desajeitados, problemáticos,
rebeldes e inconstantes, que freqüentam a nossa escola dominical: são os
adolescentes.

Creio que ninguém apresentaria uma pessoa dessa maneira, mas quantos já
pensaram nestes termos, ao depararem com os alunos na faixa de idade entre 13 e
16 anos, que mal respondem ao seu tão cordial “bom dia”?

Por que agem dessa maneira? A causa é terem descoberto a existência de dois
mundos: um, que é o seu, interior, e outro, exterior, o mundo dos adultos.
Sentem o peso e a pressão vindos tanto de dentro de si quanto do mundo
exterior. Na tentativa de se adaptarem a esses dois mundos tão conflitantes entre
si é que surge a rebelião, que pode ser expressa de várias maneiras. Você terá
mais condições de ajudá-los, conhecendo-os melhor.

Fisicamente

Estão se
desenvolvendo rapidamente e tanto podem estar muito bem dispostos quanto não
querendo fazer absolutamente nada. O adolescente é desajeitado por causa da
súbita transformação física. Seja paciente e procure compreender seus atos
abrutalhados. Sua voz está mudando. Principalmente a do rapaz. Não o embarace
pedindo que declame ou cante diante da igreja, pois sua voz pode mudar de tom
várias vezes e ele teme o vexame.
Freqüentemente, a razão pela qual um adolescente não quer ir à escola dominical
são as espinhas que, para seu tormento, começam a surgir e enfear seu rosto.
Peça a Deus discernimento para descobrir as causas dos problemas do
adolescente, pois estes algumas vezes parecem tolos aos olhos dos adultos, mas
são terríveis para ele.

Mentalmente

Sua capacidade de raciocínio está se desenvolvendo e ele está em busca de
novidades. Sua imaginação adquiriu mais vida e recebe sugestões até demais!
Quer saber para que serve o que está fazendo. Por exemplo, a memorização de
versículos.

Socialmente

Quer ser adulto e independente e pertencer a uma comunidade. Gosta de grupos
fechados. Mostre-lhe a alegria que temos em poder pertencer a Cristo, pois Ele
nos possibilita uma comunhão genuína com outros cristãos. Faça-o sentir que é
querido pela sua classe, que você o considera importante e que sua ausência é
sentida por todos. Pouco vai adiantar convencê-lo de que os crentes são
melhores do que os seus amigos do mundo, ou explicar-lhe as vantagens de
freqüentar a escola dominical. O que realmente o prenderá ao meio evangélico
será a certeza de que é realmente querido e que a sua opinião é ouvida e
valorizada.

Fica encabulado com facilidade e tem consciência de seus problemas. Mostre-lhe
que outras pessoas têm os mesmos problemas, mas que a vitória é pessoal.
Incentive-o a ter Cristo como o seu melhor amigo. Ele cultua heróis mais
sofisticados. Às vezes sonha que é campeão de Fórmula 1 correndo nas pistas
internacionais; em outras fala, anda e age como o galã que viu “naquele
filme”. Quando se sente frustrado por não poder comprar “aquela
mota” ou qualquer outra coisa, tem desejo de ser rico, rico… riquíssimo.
É profundamente leal ao seu grupo. Incentive-o a ser leal também à sua escola,
igreja, grupo de amigos evangélicos, família, etc. Tem interesse pelo sexo
oposto. Providencie reuniões sociais mistas. É sempre bom ter comes e bebes
nessas reuniões, pois nessa fase de crescimento o adolescente sente muita
necessidade de comer.

Emocionalmente

Seus sentimentos são inconstantes e suas emoções são intensas.

Espiritualmente

Está pronto
para a salvação. Quer uma fé que seja prática. Está cheio de dúvidas sobre o
cristianismo. Quer fazer algo e está procurando um ideal. Aproveite suas
aptidões, após um bom treinamento.

O QUE E COMO ENSINAR AOS ADOLESCENTES

Varie os métodos de instrução para manter o nível de interesse. Faça com que
participem ativamente da aula. Ajude seu aluno adolescente a descobrir verdades
bíblicas por si próprio, deixando-o procurá-las na classe e em casa. Aproveite
a imaginação deles para dar colorido aos textos bíblicos. Estimule-os a
contribuir com idéias e sugestões. Recomende-lhes bons livros evangélicos e
traga preletores cristãos para falar sobre sexo e drogas, pois a curiosidade é
tamanha nessas áreas que muitos vão querer conhecer mais sobre o assunto
através de livros ou colegas, caso a igreja não a satisfaça. Quando responder
perguntas, explicar ou aconselhar sobre sexo, dê respostas corretas e sinceras,
sem dar a impressão de que o sexo é algo sujo ou proibido. Esteja atento para
descobrir por que seu aluno está fazendo aquela pergunta. Tenha sempre
ilustrações práticas, claras e reais em mente, para que ele não venha a pensar
que é a primeira pessoa a lhe fazer pergunta sobre o assunto e que você está
embaraçado…

Nunca o mande fazer algo sem explicar-lhe o seu objetivo; inculca em sua mente
o poder da Palavra de Deus na vida prática. Cristo venceu a tentação usando
versos bíblicos. O Salmo 119.9 seria um bom versículo para memorizarem. Tenha o
cuidado de não dar aulas em um nível inferior àquele em que o adolescente se
encontra. Delegue responsabilidades, ensine-o a respeitar os pais e outros
adultos em geral. Não indague insistentemente quando lhe delegar
responsabilidades. Saiba perguntar sobre o andamento do projeto e, se for
preciso, dê sugestões práticas, sem contudo fazer imposições. Ele detesta ser
mandado por adultos.

Procure conduzir seus pensamentos em direção a Cristo. Tenha o cuidado para não
dar a idéia de que o apóstolo Paulo foi melhor do que Cristo ou que Paulo era
tão perfeito quanto Cristo. Apresente o evangelho de maneira positiva. Seja um
professor equilibrado. Tenha calma quando for aconselhá-lo. Dirija seus
pensamentos para Cristo. Explique-lhe a importância de se ter autocontrole.
Leve-o a Cristo. Caso seja crente, ajude-o no seu crescimento, ensinando-lhe as
coisas básicas da vida cristã: oração, hora devocional, estudos bíblicos…
Aplique as verdades bíblicas à vida de cada aluno. Faça sempre uma aplicação
geral e outra específica, usando perguntas: como você pode aplicar isto à sua
vida diária? Por que isto é importante? Esta verdade vai fazer alguma diferença
em sua vida? Dê-lhes oportunidades de fazerem perguntas. Responda sempre
apontando os princípios bíblicos. É importante que o adolescente saiba, com
suas próprias palavras, dar a razão de sua fé em Cristo.

AS CARACTERÍSTICAS DOS JOVENS

Apesar de alguns adultos se preocuparem com a insensibilidade dos jovens para
com as coisas espirituais existem muitos deles que estão ansiosos por conhecer
a verdade. Não se pode mais ignorar o fato de que os jovens se despertaram para
Jesus. Mais do que nunca, eles estão interessados não só em ouvir o que Deus
tem a lhes dizer em Sua Palavra, como também em praticar o que ouvem. Será que
a escola dominical os está ajudando positivamente? Está encorajando e
sustentando esta onda de avivamento? Será que sua vida, professor, poderá
motivar seus alunos a crescer? Certamente poderá, se você, em vez de levantar
barreiras de preconceitos, incompreensão e indiferença, construir pontes de
comunicação, compreensão e respeito. E o primeiro passo para isso é conhecer
bem quem está do outro lado da ponte.

Fisicamente

Muitos jovens têm problemas sérios na questão da auto-aceitação. Cada um
gostaria de mudar alguma coisa no modo como Deus o criou. Como líder, você deve
enfatizar o fato de que a verdadeira beleza é a interior, que surge quando
aprendemos a agradecer a Deus pela maneira como Ele nos fez. Deve também
mostrar a diferença entre o julgamento de Deus e o dos homens (1 Sm 16.7).
Boa parte deles já são donos de sua vida, e por isso tem a tendência de se
descuidar da saúde. Você deve alertá-los para o fato de que o corpo necessita
de repouso, higiene e alimentação adequada.

Mentalmente

Sua capacidade de raciocínio já está bem desenvolvida. Querem ter liberdade
para discutir assuntos que provoquem polêmica, e os mais preferidos são os de
ordem mundial, filosófica e ideológica. Gostam também de conversar sobre
pessoas do sexo oposto. Sentem necessidade de conversar sobre assuntos práticos
que estejam relacionados com a sua vida e carreira. Pensam muito e fazem
perguntas desejando obter respostas bem pensadas. Não aceitam nada sem
explicação ou motivo justo ou lógico.

Socialmente

Sentem muita necessidade de ter comunhão fraternal com os irmãos em Cristo.
Gostam de ter contato com o sexo oposto. Há perigo de o jovem ser descuidado e
precipitado na escolha do cônjuge. A solidão e a necessidade de ser amado
muitas vezes levam o jovem a tomar decisões que trazem conseqüências trágicas:
casamento misto, gravidez prematura, amor livre, etc. Os jovens devem aprender
a esperar em Deus, para experimentar a vontade de Deus em cada área da sua
vida, vontade que é boa, agradável e perfeita. Devem se conscientizar do fato
de que, se estiverem dentro do plano de Deus, nada sairá errado.

Emocionalmente

Geralmente são controlados emocionalmente. Já aprenderam a substituir as
explosões de temperamento por demonstrações de cinismo e chacota. Muitos,
porém, têm dificuldade em controlar as emoções.

Espiritualmente

Eles gostariam que a igreja, ao invés de ser uma organização com regrinhas para
serem cumpridas, funcionasse como um organismo vivo e atendesse mais
diretamente às suas necessidades pessoais. Almejam ver funcionando na prática
muitos dos princípios bíblicos pregados do púlpito, tais como: amor,
compreensão, respeito, etc. Estão interessados em dar uma resposta mais
adequada e menos mística, quando questionados a respeito de sua fé.

O QUE E COMO ENSINAR AOS JOVENS

Geralmente os jovens têm problemas com a mente. O professor poderá ajudá-los
nesta área recomendando a memorização de versículos (como por exemplo o Salmo
119.11) e a meditação neles durante o dia, a fim de se apropriarem do
ensinamento aprendido. Em oração particular devem colocar diante do Senhor suas
dificuldades nesta área e o desejo sincero de uma renovação mental (Rm 12.1,2).

Os jovens têm muitas dúvidas quanto à sua vocação, a escolha da cara metade e a
vontade de Deus. O professor deve procurar relacionar Cristo aos problemas da
vida usando tópicos como: “O que é serviço cristão?”, “O que é
consagração verdadeira?”, “O casamento do ponto-de-vista de
Deus”, “Como Deus revela sua vontade”, etc. Uma experiência
pessoal do professor, contada com sinceridade e amor, vale muito mais do que
muitos princípios de teoria.

O professor deve ensiná-los o que é verdadeiro e bíblico, para evitar a
formação de conceitos falsos acerca do caráter cristão. É necessário gastar
bastante tempo com eles estudando sobre o Corpo de Cristo e seus aspectos
práticos: unidade da Igreja, diversidade dos membros através dos dons e a
interdependência dos membros. O ideal seria que cada jovem pudesse descobrir
seu dom específico, o seu ministério e como atuar nele. Assim evitaria gastar o
resto da vida em atividades e lugar não determinados pelo Senhor.

A CLASSE DE ADULTOS

Os adultos também têm necessidades mentais, sociais, emocionais e espirituais.
A Igreja, como Corpo de Cristo, tem a tarefa de suprir essas necessidades. A
escola dominical, como agência da igreja local, pode e deve colaborar muito
nesse sentido. Uma das maneiras é:
Estudo bíblico dinâmico

1. Desperte o interesse

Sem o interesse da pessoa não se conseguirá muita coisa. Como despertar o
interesse? Apresente um desafio à pessoa, pois os adultos aceitam desafios e
querem ser desafiados com coisas que realmente sejam importantes. A maneira
mais prática é dar uma tarefa que eles tenham condições de executar.

2. Interaja

Na escola dominical deve-se dar aos alunos a chance de escolher alguns temas de
maior necessidade pessoal. Exemplos: lar cristão, finanças, segunda vinda de
Cristo, como estudar a Bíblia (métodos de estudo bíblico), etc.

Estudo bíblico prático

Uma característica marcante dos adultos: sabem mais do que fazem. São inimigos
do trivial. Têm as preocupações do dia-a-dia, como, por exemplo, finanças e
família. Desejam servir e ser úteis ao Senhor e desejam desenvolver uma
filosofia cristã prática, para a vida. Falando em estudo bíblico, é bom
ressaltar que o professor deve ensinar com seriedade, dando alimento espiritual
sólido, pois os adultos não gostam de coisas superficiais.

Dê oportunidades para as pessoas contarem suas vitórias e derrotas
Entre outras coisas, isso ajuda a satisfazer certas necessidades sociais do
adulto: o desejo de companheirismo, desejo de aprovação do grupo e o senso de
valor pessoal. Muitos enfrentam problemas quanto às relações humanas e alguns
experimentam solidão. Temos necessidade de falar e de ouvir.

Não adianta querer ministrar à pessoa, com matérias, se ela não externar
aquelas coisas que estão lhe causando problemas. Mas cuidado para a aula não
virar um bate-papo sem finalidade. O uso de certas perguntas ajuda a dirigir a
conversa para um fim proveitoso. Por exemplo: “O que Deus fez por você
nesta semana? Como Deus o usou para ajudar outras pessoas? Como você colocou em
prática os princípios da Palavra de Deus, estudados na semana passada?”.
Leve os participantes a se interessarem uns pelos outros

1. Oração mútua

Incentive cada aluno (ou participante) a orar diariamente pelos outros
componentes do grupo, de maneira pessoal, citando seus nomes. Nunca devem se
esquecer de orar pela obra missionária em geral e pelos missionários em
particular.

2. Prestação de serviço e hospitalidade

O professor deve mostrar com exemplos bíblicos que quando alguém precisa de
ajuda, o grupo todo tem a responsabilidade de se interessar e fazer alguma
coisa por ele.
Estabeleça alvos em conjunto e desafie o grupo a alcançá-los
Quantas novas pessoas vão ser alcançadas nos próximos 6 meses? E no próximo
ano? Quantas vão passar adiante o que estão recebendo? Para que os alunos
possam edificar outros, eles precisam de uma edificação sólida. E se você é
professor, então esta é sua tarefa.

(Uma
adaptação de “O Bom Professor Conhece Os Seus Alunos” por Josivaldo
de França Pereira)
Parte IV
CARACTERÍSTICAS
DE UM BOM PROFESSOR
 As
características do professor estão muito ligadas à sua personalidade e ao seu
caráter.
Estas características são também individuais e dependem da situação e da
matéria.
Sugerimos que você faça uma lista que contenha 5 (cinco) características de um
bom e experiente professor.

Geralmente os educadores estão de acordo com respeito às qualidades
necessárias.
Como resultado de um seminário, professores elaboram uma lista que contém as
características (importantes) de um bom professor, a saber:

1. Conhece profundamente a matéria a ser ensinada.
2. Prepara cada aula de forma específica, identificando claramente o objetivo
de cada lição e aula.
3. Explica aos alunos o objetivo da lição.
4. Explica o motivo da tarefa a ser realizada.
5. Cria um ambiente agradável para o aprendizado.
6. Gosta de trabalhar com os alunos.
7. Dá instruções claras e é bem organizado.
8. Apresenta o conteúdo da matéria com modelos ou exemplos.
9. Mantém-se dentro dos limites do objetivo.
10. Exige muito dos alunos, treina-os para que sejam responsáveis quanto ao
estudo.
11. Atua de maneira constante.
12. É dedicado e responsável, exige muito de si mesmo.
13. É criativo, versátil na maneira de ensinar, possui novas idéias e novos
materiais.
14. É entusiasta e enérgico, porém aceita idéias dos alunos.
15. Notifica o aluno quanto ao seu aproveitamento.
16. É flexível, está sempre disposto a dar e receber (aconselhar e escutar).
17. Provê oportunidades de aprendizagem para os alunos atrasados ou avançados
sem causar embaraços, isto é, adapta o ensino segundo as necessidades
individuais dos alunos.
18. Estimula a sala de aula para que haja respeito mútuo e cooperação (lições e
pesquisas em grupo).
19. Trata os alunos como indivíduos.
20. Respeita as opiniões dos alunos, reagindo sempre de maneira construtiva.
21. Encoraja os alunos a melhorar e ter um bom conceito de si mesmos.
22. Tem senso de humor, expressa seus sentimentos e atitudes.
23. Tem um relacionamento amigável com os alunos, mantendo a disciplina.
24. Coopera com os outros professores.

25. Veste-se de
forma adequada.
26. Usa métodos de ensino comprovados.
27. Continua seu desenvolvimento profissional.
28. Conhece a vida pessoal dos alunos.
29. Importa-se em conhecer a comunidade e os recursos locais.

Várias pesquisas indicam cinco pontos essenciais que descrevem um bom
professor. São eles:

1) Conhecer bem a matéria.
2) Tratar os alunos como indivíduos e ser amigável.
3) Ser criativo, entusiasta e inovador no preparo das aulas.
4) Ser exigente e manter a disciplina.
5) Manter-se dentro dos limites do objetivo.

CARACTERÍSTICAS DOS ALUNOS DESSES PROFESSORES

1. Demonstram conhecimento da aula.
2. Têm uma atitude amigável uns para com os outros e para com o professor.
3. São responsáveis quanto ao aprendizado.
4. Respeitam o currículo e a escola.
5. Aprendem conceitos, habilidades e atitudes conforme o currículo, segundo os
resultados dos testes correspondentes.
6. Demonstram um comportamento que indica uma atitude positiva para com os
outros alunos e para consigo mesmos.
7. Geralmente não existe nenhum problema de comportamento em sala de aula.
8. Aprendem muito mais e melhor.

Parte V
EDUCAÇÃO
RELIGIOSA

Refletindo sobre seus benefícios
Para a
compreensão dos benefícios a serem obtidos da Educação Religiosa pela igreja
local, é necessária uma compreensão das potencialidades do ser humano que está
envolvido na sua docência e na sua discência. Não é demais repetir que vivemos
num mundo secularizado, maquinizado e despersonalizador.

No entanto, a igreja vive, pensa e age noutra esfera: tem um objetivo
espiritual, busca a vontade de Deus e o reconhecimento do ser individual. É
grande inspiração para o servo de Deus ler na Sagrada Escritura: “… eu
te chamo pelo teu nome; ponho-te o teu sobrenome”, “não temas, porque
eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu”, e ainda, sobre Jesus
Cristo: “as ovelhas ouvem a sua voz; e ele chama pelo nome as suas
ovelhas” (Is 45.4b; 43.1b; Jo 10.3b). É a personalização do povo de Deus,
coisa não muito acentuada no contexto secularizado em que trabalhamos,
estudamos e vivemos, quando se é apenas o número do CIC, do RG, ou da Conta
Bancária, e que há de ser ênfase na Igreja de Cristo.

A pessoa humana é imagem e semelhança do Criador, e confiado lhe foi gerenciar
este mundo para revitalizá-lo e fazê-lo produzir sem agressões ao meio
ambiente. É um ser de possibilidades: cresce, adapta-se, pensa, reflete, cria,
transforma, molda, age e interage. A esse ser pleno de possibilidades, a igreja
repassa os benefícios da Educação Religiosa.

O papel do educador religioso está em orientar este ser humano para a vida em
Cristo, guiando-o à maturidade espiritual. A afirmação de Paulo, “para mim
o viver é Cristo” (Fl 1.21), passa a ser programa de vida, verdade de
conduta, vida de fé. Naturalmente, o principal agente da Educação Religiosa se
torna a igreja local, já por ser um grupo de crescimento, já porque alguns
crentes em Cristo não vêem nem têm seus lares na piedade cristã.

Talvez haja necessidade de despertar igrejas para essas oportunidades,
possibilidades e reconhecimento de benefícios para não cairmos na triste
análise feita pelo Dr. Elton Trueblood,

Houve um tempo em que uma igreja era uma comunidade corajosa e revolucionária,
que estava mudando o curso da história pela introdução de idéias discordantes;
hoje é um lugar aonde se vai e se senta em bancos confortáveis, esperando
pacientemente a hora de ir para casa para o almoço do domingo.

Isso porque já se chegou à conclusão que tem havido pouco interesse no estudo
bíblico, e assim são poucos os membros da igreja afeitos à leitura profunda ou
ao estudo sistemático da Palavra de Deus.

Por outro lado, com exceção das Sociedades Femininas, possivelmente, em geral
as organizações estão em crise, sendo, ainda um pouco difícil encontrar
professores consagrados e dispostos a dedicar tempo ao preparo de suas aulas, e
ao contato pessoal e extraclasse com os alunos. Isso, entretanto, há de ser
feito, por amor do próprio universo abrangido pela Educação Religiosa
(crianças, jovens, adultos, cf. 1Jo 2.12-14).

Ora, crentes em Cristo têm os pecados “perdoados por amor do seu
nome” (v. 12), conhecem o Pai e “aquele que é desde o
princípio”(vv. 14a, 13a), já venceram o Maligno (v. 13b), são fortes e
retêm a palavra de Deus (v. 14b). Com vistas a esses, a recomendação expressa
do Senhor,
“ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado”
(Mt 28.20a), e é por isso que “perseveravam na doutrina dos
apóstolos” (At 2.42a).

PRIMEIROS BENEFÍCIOS

Na Igreja-dos-primeiros-dias, quatro atividades de Educação Religiosa se
destacavam. É conferir no livro dos Atos (2.41-47; 5.42).




O Culto

A primeira delas o Culto (cf. 2.42a). Efésios 5.19-21 e Colossenses 3.16b são
claros em apresentar os elementos que compõem o culto cristão: os hinos de
louvor, as orações, a proclamação e ensino, e o serviço. A adoração há de ser
pessoal (Rm 12.1) e coletiva (Ex 12.26). Na adoração reconhecemos nossa
indignidade, e o sacrifício redentor de Jesus Cristo; buscamos conhecer a
vontade de Deus para poder servi-Lo com todas as veras do nosso espírito. Na
atividade de culto, o testemunho se faz atuante aos não-crentes, aos
adversários, ao que têm impedimentos físicos, e isso por métodos os mais
variados, pois o evangelho deve ser sempre atual falando às pessoas quando e
onde elas estão e como estão num testemunho relevante e inteligível, tomando-se
cuidado com o que já foi chamado jocosamente de “linguagem de Canaã”,
o jargão religioso que o descrente pode não entender, e não ter igualmente
sentido para as crianças. Algo assim como: “entregue seu coração a
Jesus” (“como é que eu faço para arrancar e dar a ele?”
perguntou uma criança), “… você está perdido” (de quê?), “…
você precisa ser salvo” (de quê?), e outros tantos.

Se o culto é o relacionamento consciente da congregação com Deus, quem o cria e
o faz de modo consciente é a Educação Religiosa (cf. Ec. 12.26).

O Testemunho

Deve começar com o ser humano como imagem de Deus. Esse é um ensino repassado
pela Escritura (Gn 1.26; Ef 4.24; 1Co 11.7). Deve falar da queda e do pecado, e
enfatizar a libertação da vida de pecado e a nova vida em Cristo. Afinal, a
Educação Religiosa ressalta que no culto estamos como uma coletividade de
pecadores salvos que confessam seu pecado e o perdão trazido por Cristo. Ensina
que culto é ação. Da parte de Deus que nos agracia com bênçãos escolhidas por
causa de nosso ato de fé, e de nossa parte que lhe obedecemos porque nele
confiamos.

A experiência de estar com a congregação em culto é pedagógica porque temos uma
experiência viva do povo de Deus na história; crianças, jovens e adultos se vêm
como membros da mesma comunidade que cultua. É preciso crer na família que
adora a deus unida quando cada culto se torna uma experiência de adoração e
educação.

A Comunhão

Cantamos dizendo uma verdade bíblica: que “benditos laços são os do
fraterno amor” porque Jesus Cristo é o filtro de nossos relacionamentos.
Assim, nas relações conjugais, familiares, de trabalho, sociais ou
eclesiásticas é o que deve ocorrer. Em tudo, Cristo é o parâmetro, o meio de
aferição e o elo de união. É atestar com declarações como as encontradas em
Efésios 5.22, 25; 6.1,4,5,9, pois “tende em vós aquele sentimento que
houve também em Cristo Jesus” (Fl 2.5), visto que nossa comunhão está
marcada pelo seu sangue (1Jo 1.6,7).

No Novo Testamento, o sentido de comunhão não era café-com-bolinhos, e sim o de
Atos 4.32,34,35. O senso de pertencer, de ser-um-com-os-outros, de amar e ser
amado é uma das mais extraordinárias experiências da vida cristã (cf. 1Jo
4.19-21). Assim, a educação religiosa nos dá o reconhecimento do nivelamento
que o evangelho dá a pessoas de classes sociais, raças ou idades diferentes.
Através da comunhão, relacionamentos quebrados são curados e fortalecidos. E
isso não é sociabilidade, mas o reconhecimento que pela graça somos salvos,
alimentados pela educação na fé porque Cristo estabeleceu para a igreja o
“ensinando a guardar”.

A Capacitação

O próximo passo é o do ensino, a capacitação e treinamento do povo de Deus para
a missão divina. São os novos crentes, a liderança da igreja, os grupos
especiais. Afinal, a igreja não lida com coisas, mas com pessoas, o que
significa que sua tarefa é produzir gente de boa qualidade. Há registro de que
o poeta W.H. Davies conversava com um garotinho e lhe teria perguntado, “que
é que você vai ser quando crescer?” Naturalmente esperava que dissesse
“bombeiro”, “médico”, ou outra profissão fascinante. O
menino respondeu, “Que eu vou ser quando crescer?” Pelo seu tom de
voz, a pergunta de Davies parecia ter sido boba. E completou, “vou ser um
homem grande!” É mesmo! O final do crescimento é ser adulto, e isso vale
na vida cristã.

Nosso trabalho é produzir jovens que saibam o que crêem, e que possam declarar
sua fé no espírito de 1Pedro 3.15. Para que isso aconteça, haveremos de enfatizar
o estudo sistemático, dialógico da Palavra Santa, ou seja, não dizer o que se
deve crer, mas ajudá-los a descobrir por eles mesmos; que sejam moças e rapazes
de princípios justos e valores perfeitos; leais à Igreja de Jesus Cristo, à sua
denominação, e à sua igreja local; jovens profundamente conscientes do seu
papel no mundo, mostrando-lhe o que faz diferença na vida para eles expressa na
simples expressão, “em Cristo”.

O Serviço

A igreja de Jerusalém tinha uma expressão de Serviço. Que a igreja nunca seja
condenada por sequer pensar, “.. sou eu o guarda do meu irmão ?” (Gn
4.9b), porque a resposta será “Sim”, à luz das advertências bíblicas
(cf. 1Co 12.25; Gl 6.2; 1Tm 5.8). Cada crente em Jesus Cristo tem recursos para
cuidar, zelar, fazer crescer como participante do Corpo de Cristo com os dons
que o Espírito Santo distribuiu soberanamente (cf. 1Co12.6-11). A Educação
Religiosa, a educação na doutrina bíblica e na prática cristã, há de tornar
compreendidos esses dons, ao tempo, que, abrindo os olhos espirituais, capacita
com o treinamento o crente. É aí que compreendemos que “sim, somos o
guarda do nosso irmão!”

Por aí se demonstra que o cuidado pastoral é responsabilidade de toda igreja
como comunidade terapêutica liderada pelo seu pastor. Na profecia do Antigo
Testamento está declarado que, “como pastor ele apascentará o seu
rebanho” (Is 40.11a); na ordem aos apóstolos, “pastoreia as minhas
ovelhas” (Jo 21.16); na palavra aos pastores, “apascentai o rebanho
de Deus, que está entre vós” (1Pe 5.2-4); e a todos os crentes, “…
que os membros tenham igual cuidado uns dos outros” (1Co 12.25b). Cuidado
pastoral é um encontro pessoal em amor, e uma possibilidade para cada crente,
pois há muita coisa que se faz como crente e não se percebe que é puro cuidado
pastoral, como a visita de um crente a outro que mais que social é pastoral.

MAIS BENEFÍCIOS

Os benefícios estão nos próprios objetivos da Educação Religiosa:

No que se promove uma consciência de Deus como uma realidade na experiência
humana, e um sentido de relacionamento pessoal com Ele;
no que se procura desenvolver esse entendimento e apreciação da pessoa, da vida
e dos ensinos de Jesus Cristo que leve o crente a ser leal ao Mestre e a sua
causa, manifestando em seu dia-a-dia uma visão do mundo dominado pelo
evangelho;
no que se interpreta a vida e o mundo do ponto de vista evangélico, vendo neles
o propósito e plano de Deus;
no que se desenvolve uma apreciação do significado e importância da família
cristã e se participa e contribui para a construção de famílias fortes que
resultem em igrejas fortes;
no que se promovem as missões cujo espírito não pode ser transmitido a outros a
não ser por aqueles que o possuem;
na educação para a liberdade, para o amor, para o senso cristão do acontecimento
e para o amor pessoal de Jesus Cristo e por Jesus Cristo;
para o entendimento da chamada de Abraão, de Moisés, de Isaías, de André e
Simão, mas também a de Carlinhos, de Rosa Maria, do irmão João de Sousa, da
Profa Julieta Amaral, do Dr. Henrique Pessoa; da compreensão, até, dos
fracassos como meio de aprofundar a dependência de Deus.

Naturalmente os objetivos pra surtir os benefícios esperados precisam ser
graduados, e, ao dividirmos os grupos de acordo com a faixa etária, estamos
dizendo que a compreensão cristã depende principalmente da idade da pessoa
atendida. Compreende-se, no entanto, a possibilidade de alternativas, como a
divisão de atividades por centros de interesse a partir dos adolescentes,
quando estes, mais os jovens e os adultos se reuniriam em torno de um centro de
atenção para um estudo ou prática inter-etária (evangelismo, música,
capacitação da liderança, etc.). Os referidos centros de interesse devem
funcionar concomitantemente. Daí, já se chega a mais um benefício que é a
realimentação (feedback) do sistema eclesiástico pela interação de seus
membros, visto que a igreja deve ser olhada e analisada através de uma visão
sistêmica. Nessa comunidade de participação, crianças, adolescentes, jovens,
adultos e idosos, mulheres e homens, ovelhas e pastores, solteiros e casados,
cada um enriquece o outro, e aprende a participar da criação e manutenção de
uma igreja mais humana, mais próxima ao Espírito de Jesus Cristo e mais
libertadora.

Então, um benefício certo é a “opção pelo serviço”, no qual a fé
ativará a inteligência, a esperança animará a vida afetiva e o amor
essencializará a vontade, pois não explicitou Paulo que “todas as vossas
obras sejam feitas em amor” (1Co 16.14)? E “de muito boa vontade
gastarei, e me deixarei gastar pelas vossas almas” (2Co 12.15a)? Tudo isso
num senso crescente do deus Vivo, do apoiar-se em Deus, do Deus-em-nosso-meio,
do Emanuel!

E PARA CONCLUIR…

O que quer que aconteça na igreja é pedagógico, e essa ação pedagógica há de
ajudar o crente a pensar, e guiá-lo a uma perspectiva diferente de si, dos
outros, dos horizontes. Embora a fé se tenha tornado difícil neste mundo de
pensamento lógico e materializado, nosso povo anseia pela vida de fé com Deus,
e aí reside o propósito central da educação religiosa: ser um fator de
participação e de liderança de mudanças nos envolvimentos do ser humano em suas
interrelações. A igreja, por isso, deve se tornar um centro de convivência, ou
no dizer de Miller, “a igreja local é onde nos tornamos conscientes do
começo de nosso sustento na vida cristã” (p. 194).

Para benefícios ainda maiores, deve-se dar ênfase plena à lealdade à igreja
onde se é membro, onde havemos de crescer com ela, de com ela nos alegrar,
chorar, e nessa era de ignorância da Palavra de Deus, de incerteza do dia
seguinte, de pessimismo diante das coisas, de temor do futuro, o crente em
Cristo continuará a receber os vitalizadores benefícios da orientação segura,
existencialmente correta da Escritura Sagrada na Educação Religiosa.

FONTES PRIMÁRIAS
BARCLAY, William. Fishers of Men. Philadelphia, Westminster, 1966.
KHOOBYAR, Helen. Facing Adult Problems in Christian Education. Philadelphia,
Westminster, 1963.
MELY, Rafael García.
Filosofia de la Tarea Educadora de la Iglesia. Em:
Educación Cristiana.
Ano
XXIII, no 93 (1968), pp. 23-28.
MILLER, Randolph Crump. Christian Nurture and the Church. NY, Charles
Scribner’s Sons, 1961.
PAGURA, Federico J. Elaborando un Programa Completo para la Iglesia
Local.
Em: Educación Cristiana Ano XXIII, no 93 (1968), pp.
19-21.
WIENCKE, Gustav K. (Org.). Christian Education in a Secular Society.
Philadelphia, Fortress, 1970.
WIENER, Norbert.
Cibernética e Sociedade, 3ª ed. São Paulo, Cultrix,.
1970. Trad. J.
P. Paes.

Parte VI
ERRO
RELIGIOSO
 “Jesus,
porém, lhes respondeu: Errais não conhecendo as Escrituras nem o poder de
Deus” (Mt 22.29)

Um típico caso de erro em assunto de vida espiritual é o narrado em Mateus
22.23-33. Os saduceus, membros de um grupo religioso de alta influência
política entre os antigos israelitas, não criam na ressurreição. A capciosa
pergunta feita a Jesus tinha como propósito testá-Lo, desacreditá-Lo ou brincar
com Ele.

O erro dos saduceus foi pensar na vida do Além em termos terrenos, e na
eternidade em termos de plenitude e de novas e superiores relações que vão
transcender numa intensidade infinita as relações físcas do tempo.

Não vamos comentar o fato de ressurreição dos corpos, mas a declaração de Jesus
Cristo, que é de atualidade e pertinência sem igual, “Jesus, porém, lhes
respondeu: Errais não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus” (Mt
22. 29), e que nos aponta a fonte de descrença, ceticismo, desconfiança e erro
religioso: a falta de conhecimento das escrituras e a falta de experiência
espiritual.

O DESCONHECIMENTO DAS ESCRITURAS

Sem a Palavra de Deus, as pessoas humanas estão nas trevas: “Lâmpada para
os meus pés é a tua palavra, e luz para o meu caminho” ( Sl 119.105, cf.
Jr 10.23). O teólogo suiço Karl Barth afirmou com muita propriedade:

“Na Bíblia sempre encontramos aquilo que procuramos: coisas grandiosas e
divina, se coisas divinas e grandiosas queremos encontrar; aspectos importantes
e históricos, se o que nos interessa é o que é histórico e importante… Os que
têm fome nela encontrarão com que se saciar… Existe na Bíblia um mundo novo:
o de Deus”.

Sem entendimento das Escrituras, cai-se na apostasia nas suas mais variadas
manifestações:

· Religião Formalista. “Agora, porém que já conheceis a Deus, ou, melhor,
sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e
pobres, aos quais de novo quereis servir?” (Gl 4.9).

No caso dos gálatas, era o formalismo da religião judaica. É o caso do
Cristianismo superficial de tanta gente:

· Pecado e Indiferença. “E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de
muitos esfriará” (Mt 24.12).

Por que haveria alguém de abrir a Bíblia e lê-la? Simples curiosidade,
curiosidade intelectual, interesse de saber em que consiste a fé evangélica,
interesse no significado do ser humano são respostas possíveis. Nós buscamos a
Bíblia para que Deus nos fale;

· Perda de Entusiasmo Espiritual. “Tenho, porém, contra ti que deixaste o
teu primeiro amor” (Ap 2.4).

O Livro de Apocalipse fala “no primeiro amor”. Que é? A esperança e a
segurança da fé, a comunhão dos salvos na Igreja de Cristo, o espírito de
evangelismo que deve caracterizar o testemunho. A perda de entusiasmo
espiritual leva à queda na fé. É até possível que se seja leitor regular da
Bíblia e falhe em ver as novas lições que Deus quer ensinar através dela.

Um psicanalista evangélico suiço, Oskar Pfister, acentua, “dize-me o que
encontras na Bíblia e eu te direi quem és”. Afinal, a Escritura Sagrada
tem por objetivo iluminar o espírito (Sl 119.130), produzir a fé (Jo 20.30,
31), e alimentar a vida espiritual (Mt 4.4). O caráter único da Bíblia está
resumido em João 20.31: “Estes, porém, estão escritos para que creiais que
Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu
nome”.

Sim; “Errais não conhecendo as Escrituras”. É interessante o ensino
prático da Bíblia e como influi na vida de uma nação. Pimentel de Carvalho nos
assegura que o Livro Santo:

(1) ensina os pais a instruirem seus filhos (Pr 22.6); (2) ensina os empregados
a trabalhar honestamente (1Tm 6.1); (3) ensina os industriais e comerciantes a
pagar devidamente os impostos exigidos pela lei ( Rm 13.1,4,6,7); (4) ensina o
povo em geral a honrar e obedecer às autoridades (Rm 13.1,2); (5) ensina a
todos a colaborar com o governo, orando pelos governantes a fim de que Deus
lhes dê uma administração sábia e segura (1Tm 2.1-3).

O DESCONHECIMENTO DO PODER DE DEUS

Quem não conhece o poder de Deus sempre limita as Suas promessas. Abraão
recebeu de Deus a promessa de ser pai de uma grande nação e ser abençoado e
engrandecido. No entanto, ao ir para o Egito, temeu pela vida e disse que Sara,
sua mulher, era tão somente sua irmã (Gn 12.12, 13). Sara, incluida na mesma
promessa, depois de dez anos de espera pelo cumprimento da promessa de ter um
filho, tomou uma providência humana demais de ter um filho através de Agar (Gn
16.3). Moisés, ao ser convocado para a missão de capitão do povo hebreu,
começou a colocar desculpas diante do Senhor: “Quem sou eu, para que vá a
Faraó e tire do Egito os filhos de Israel?” (Ex 3.11). O Senhor assegura Sua
proteção, a Moisés: “Não me crerão, nem ouvirão a minha voz, pois dirão: O
Senhor não te apareceu”( Ex 4.1); e ainda: “Ah, Senhor! Eu não sou
eloqüente, nem o fui dantes, nem ainda depois que falaste ao teu servo; porque
sou pesado de boca e pesado de língua” (Ex 4.10); e pela quarta vez:
“Ah, Senhor! Envia, peço-te, por mão daquele a quem tu hás de enviar”
( Ex 4.13).

“Errais não conhecendo o poder de Deus!” A criação do universo é
manifestação do poder de Deus (Jo 38.4-10); é poder de Deus Sua providência e
domínio sobre todas as coisas (1Cr 29. 11, 12); é poder divino a salvação do
ser humano; é poder de Deus a disciplina e o castigo (Dt 11.2); os milagres e
sinais realizados por Jesus Cristo são expressão do poder divino (Lc 5.17); a
ressurreição de Cristo é poder de Deus (At 2.24); o evangelho é poder de Deus:

“Porque não me envergonho do evangelho, pois, é o poder de Deus para
salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego”.
(Rm 1.16).

Se é preciso conhecer o poder de Deus, e o evangelho é o poder de Deus, logo, é
preciso conhecer o evangelho, que é a mensagem de que Jesus Cristo pode
responder aos mais profundos anseios de nossa alma.

Parte VII
A ESCOLA
CRIATIVA

Dicas práticas para sua escola
dominical
Eis aqui
algumas dicas das professoras Cristina Mellin e Damaris Scotuzzi para dinamizar
um pouco mais a sua escola dominical. Mas queremos ressaltar que são apenas
dicas. Importantes e práticas, mas ainda assim são dicas. Meios e não fim. Nada
substitui um professor bem preparado e o ensino consistente da Palavra de Deus.
Veja meu artigo O PROFESSOR CRIATIVO neste mesmo site.

COMO MOTIVAR SEUS ALUNOS POR CRISTINA MELLIN

Motivação é interesse e vigor físico para alcançar um objetivo ou para fazer
alguma coisa. Para estudar e entender a motivação dos alunos, devemos descobrir
o que os motiva. Exemplos:
A promessa de um dia de folga após passar no exame foi a motivação que fez com
que todos estudassem e passassem (neste caso, pode-se entender motivação como
incentivo).
Fala-se também que aquilo que o professor fala, o que faz, como apresenta a
aula, pode e deve ser motivador ou causar motivação.

MOTIVAÇÃO = vigor físico + interesse + objetivo ou enfoque

O aluno motivado é o aluno que presta atenção, faz o trabalho, participa nas
atividades da classe, quer saber mais e, geralmente, não causa problemas. O
contrário de motivação é apatia, preguiça ou falta de interesse.
A motivação é importante no ensino porque leva o aluno a responder. Ela
desperta curiosidade e provoca respostas, as quais darão oportunidade para
serem premiadas e mudar o comportamento do aluno, seja nos estudos ou em outras
atividades. O aluno motivado começa a participar, envolver-se e aprender mais.

Gostaríamos de enfatizar a importância da motivação com respeito à disciplina.
Uma classe onde os alunos estão motivados a aprender e a participar é uma
classe de poucos problemas de disciplina. A motivação é uma chave importante
para um ensino melhor e para manter a disciplina.

FATORES DA MOTIVAÇÃO
Distinguem-se seis fatores essenciais de Motivação:
Nível de antecipação ou tensão: o aluno bem sucedido geralmente é aquele que se
preocupa. O professor deve planejar dar responsabilidade aos alunos, dar
oportunidades e desafiá-los a mudarem de comportamento e aprenderem melhor.
Interesse individual pelos alunos: o professor demonstra seu interesse no
aprendizado e nas necessidades de cada aluno. Ele se comunica com cada um deles
para conhecê-los e ajudá-los.
Tom afetivo: o professor cria um ambiente de aceitação e boa comunicação para
que todos os alunos possam crescer e aprender.
Sucesso pessoal do aluno: o professor planeja possibilitar o sucesso de cada
aluno, tanto para aqueles que precisam de mais desafio quanto para aqueles que
precisam de atenção especial.
Conhecimento de resultados: é dever do professor comunicar os resultados dos
esforços (ou falta de esforço) do aluno. Somente assim ele será motivado a
melhorar.
Relação entre o reforço e a motivação para produzir e participar: reforço é um
instrumento potente para mudar o comportamento. O professor deve saber como e
quando aplicá-lo no ensino e em todo o contato com os alunos.

NÍVEL DE ANTECIPAÇÃO OU TENSÃO

Refere-se ao nível de ansiedade ou preocupação do aluno. É fato comprovado que
um aluno obterá melhores resultados numa prova ao sentir-se pressionado (tensão
nervosa) do que se não sentir pressão alguma. Exemplo:

Se o professor disser: “Depois desta lição vou dar um teste que vai valer
nota”, a maioria dos alunos irá prestar mais atenção e irá memorizar
melhor a matéria do que se o professor não disser nada.

Certa quantidade de pressão ou preocupação é necessária para haver motivação
para aprender. A pessoa preguiçosa não será um bom cristão, nem pastor ou
professor.
A ânsia sentida deve ser moderada ou poderá tomar a energia necessária para
estudar e aprender.
Existem também casos em que os alunos estão sob tanta pressão que não podem
trabalhar direito. Nesse caso o professor deve diminuir a tensão ou acalmar o
aluno.
O professor deve conhecer seus alunos para saber em que nível de tensão está
cada um deles. Deve também incentivar os alunos a estudarem mais, especialmente
a Bíblia:

Exemplo 1:
(Matéria – Introdução à Bíblia):
Um professor entra e fala: “A semana passada falamos de forma geral sobre
as profecias que se cumpriram. Hoje vamos verificar biblicamente que Jesus
Cristo era (é) o verdadeiro Messias”.
O professor explica como isto é importante: “Vamos nos dividir em grupos
de cinco e cada grupo terá como objetivo procurar no mínimo cinco profecias no
Velho Testamento que, cumpridas por Jesus, comprovam sua identidade. Após isso,
cada grupo preparará um resumo para ser compartilhado com a classe na segunda
hora do ensino”.
O professor distribui uma folha de instrução juntamente com livros e com outros
recursos para realizar a pesquisa. Ele deve fazer exigências aos alunos,
impor-lhes responsabilidades. Isto causa pressão. Também exige de si mesmo.

Exemplo 2:
O professor entra e fala: “Prestem atenção: na próxima semana vocês farão
um teste sobre tudo o que vou falar hoje. Darei dicas indicando os pontos mais
importantes, mas anotem tudo o que for possível”.
Em ambos os exemplos os alunos percebem a necessidade de se envolverem e
prepararem-se para obter uma boa nota.

INTERESSE INDIVIDUAL

O professor deve demonstrar seu interesse por cada aluno; interesse em cada um
deles como um indivíduo diferente. Deve demonstrar interesse em seu sucesso,
compartilhando sua fé na capacidade de cada um. Ele faz com que eles percebam
que se sua atenção é sincera, convencendo-os que está à espera de que todos
aprendam e passem. Isto somente é possível se o professor tiver boa vontade de
dar seu tempo e se comunicar eficientemente. Esse respeito pelos alunos será
correspondido.

Outras maneiras de expressar interesse pessoal através do ensino:
* Mantenha contato individual através dos olhos.
* Mude de posição e mova-se (não fique em um só lugar).
* Use um tom de voz agradável, expressivo e que possa ser facilmente ouvido.
* Utilize ilustrações e audiovisuais com cores e desenhos.
* Varie sua maneira de ensinar.
* Faça planos para aplicar as modalidades visual, auditiva e tátil de ensino.
* Dê oportunidade para os alunos usarem todas as modalidades ao se expressarem.
* Faça provisão para alunos que tenham provisão necessidades especiais,
lembrando que todos somos diferentes.
Dê oportunidade para todos responderem.
Dê oportunidade para todos expressarem sucesso.
Dê oportunidade para discussão, debate e trabalhos em grupo.
Estas formas de incentivo ou motivação mantém o interesse dos alunos, mas, além
disso, o conteúdo da lição tem que ser apropriado para as suas idades. Por
natureza, o conteúdo da lição nem sempre é interessante para os alunos, porém é
dever do professor criar uma aula interessante. Para cumprir com este dever o
professor precisa conhecer muito bem seus alunos e diversificar suas
estratégias de ensino.
Freqüentemente considera-se que interesse e motivação sejam similares. Se uma
pessoa se interessar por um trabalho, vai estar mais motivada a completá-lo. No
entanto, somente interesse não é suficiente, é preciso realizar o objetivo.

Todos os
aspectos de motivação influem no desenvolvimento do interesse. Outras variáveis
incluídas são a personalidade do aluno e o conteúdo apresentado.

TOM AFETIVO OU SENSIBILIDADE DO PROFESSOR PARA COM OS ALUNOS (clima da sala
de aula)

O afeto do professor, a sua sensibilidade e a maneira de se comunicar vão
influenciar o modo de agir dos alunos. Se o professor se expressa de forma
agradável ou de forma dura, criará mais motivação no aluno do que um ambiente
neutro. Contudo, tal expressão deve ser moderada; nem amigável demais, nem
exageradamente dura. O afeto refere-se a atitudes e sentimentos expressados ou
presentes no ambiente.
Sua maneira de ser, atuar e falar é muito significativa. O professor pode ser
frio, distante, desinteressado ou pode ser alegre, amável e se interessar
pessoal e individualmente pelos alunos. Também a sala pode ser fria, sem
nenhuma decoração, ou pode ter avisos, quadros, plantas, animais e trabalhos
artísticos. Isto vai afetar os sentimentos e atitudes dos alunos.
Um ambiente frio e triste não produz motivação para aprender. A sala deve ter
cores e decorações para criar um ambiente de aceitação. Em uma classe cristã há
muitas oportunidades de ilustrar a vida de Jesus e a vida de um cristão.

Por “tom afetivo” não devemos entender que o professor deva se
comportar como um aluno, ou que não exija respeito. Você pode ser muito amável
e até amigável, sem se pôr a brincar com eles.

SUCESSO (êxito)

O aluno deve sentir e saber que está obtendo sucesso para querer continuar. O
professor tem a responsabilidade de ensinar. Isso significa mudar a condição do
aluno para que ele melhore o seu nível de conhecimento.
O aluno tem que se esforçar de acordo com o grau de dificuldade. Na realidade,
o grau de esforço individual do aluno está muito ligado à motivação que ele
experimenta na aula.
O ensino não deve ser difícil demais nem fácil demais. Deve ser de valor para o
aluno. Deve-se ensinar alguma coisa nova e que seja fácil de entender.
Alguns alunos não aprendem por causa de suas atitudes. Geralmente isso reflete
um problema pessoal que, por sua vez, tende a refletir um problema familiar. É
responsabilidade do professor mudar a atitude negativa (não produtiva) dando
muitas oportunidades para que este aluno tenha êxito no que faz. Pode designar
trabalhos mais curtos e em seu nível de compreensão. Deve premiá-lo pelas
coisas que pode fazer bem. É importante que ele aprenda a gostar de aprender e
da escola, senão não terá motivação para aprender. A atitude do estudante para
consigo mesmo é muito importante, ele tem que saber que pode aprender (com a
ajuda de Jesus). Muitas das atitudes negativas, como a falta de motivação e
outros problemas, simplesmente desaparecem quando o aluno recebe a Jesus.

CONHECIMENTO DE RESULTADOS

É importante
para o aluno saber que os seus esforços são recompensados. O professor deve
corrigir e devolver os trabalhos com comentários, sempre que possível. O aluno
também precisa saber em que precisa melhorar para passar. Só saber se passou ou
não após terminar o curso não dá motivação nem oportunidade para melhorar a
nota durante o curso.
O aluno precisa saber se as suas respostas estão corretas ou não.
O conhecimento deve ser claro.
A informação deve ser dada imediatamente após cada trabalho ou teste, ou o mais
rápido possível.
O professor deve se comunicar com os alunos depois da aula com regularidade.
Pode falar com quatro ou cinco deles após cada aula, mostrando suas respectivas
notas, falando a respeito dos trabalhos e como eles poderão melhorar.
Deve também dar testes regularmente para ampliar o conhecimento deles e abrir
oportunidade para ajudar, começando na primeira parte do curso.

RELAÇÃO ENTRE REFORÇO E MOTIVAÇÃO

O reforço deve vir imediatamente após uma atividade. Para criar motivação
reforce a ação certa. Logo a pessoa vai repeti-la. Exemplo:
Se João bate o pênalti e faz gol e todos os seus companheiros o abraçam e
gritam de felicidade, João certamente vai tentar fazer outros gols. Porém, se
todos continuam sem dar atenção a João, certamente ele não vai se esforçar
muito na próxima vez.
O professor deve premiar ou recompensar o aluno quando ele fizer alguma coisa
boa. O aluno, pouco a pouco, descobre que quando sua atitude é boa (faz bom
trabalho ou esforça-se para aprender) acaba recebendo a aprovação de outros
alunos e do professor. O uso de reforço cria motivação no aluno.

MOTIVAÇÃO TEM DINÂMICA

Cada ação do professor causa uma reação no aluno.
* O professor deve decidir qual ação irá usar para obter a reação que ele quer
do aluno.
* O professor muda os reforços do ambiente para motivar os alunos (deve criar
grupos, mudar de atividades, etc.).
* O professor deve criar e trazer materiais para motivar.
* O professor conhece seus alunos e os reforços aos quais eles respondem, por
isso, usará reforço individualmente e em grupo.
* O entusiasmo do professor faz parte do ensino.
Podemos definir motivação de muitas maneiras, embora nunca esteja ausente a
dinâmica: a motivação é criada pela maneira de ser e agir do professor. A
motivação vem do ambiente, dos livros, dos materiais e de outros alunos. Também
cada aluno traz uma motivação própria que precisa ser dirigida e nutrida. A
motivação é uma chave importante para ter disciplina na classe. (O significado de
disciplina é ordem ou comportamento ordenado e correto. Não estamos falando de
castigo.)
* O professor deve motivar seus alunos conforme temos indicado. Quando o aluno
está incentivado para aprender uma coisa específica, seu comportamento é
correto. Ele se concentra no ensino ou no trabalho, sua atenção é dirigida e
ele não se interessa mais por atrapalhar a aula ou comportar-se mal.
Nem sempre todo aluno vai responder ao reforço do professor e nem sempre vai
ser fácil motivar todos os alunos. Às vezes, embora o professor faça tudo que
está ao seu alcance para motivar os alunos, alguns deles não têm vontade nem
curiosidade para aprender. Esperamos que isso nunca aconteça em uma escola
cristã ou num Instituto Teológico, pois presume-se que os alunos ali estão por
livre vontade e chamado de Deus.

SUGESTÃO: Anote as idéias sobre como pode fazer com que sua próxima aula
seja mais interessante, mais motivadora. Escreva!

SUGESTÕES CRIATIVAS POR DAMARIS SCOTUZZI

Uma boa fixação do aprendizado se obtém não só com repetição, leitura,
exposição sistemática, mas com métodos que estimulem a criatividade e o
construtivismo. Isso é real na escola secular e na escola dominical.
Quanto mais o aluno se envolve no processo de criação e construção, maior será
o seu aproveitamento. Tem de ser algo íntimo e pessoal, que envolva de dentro
para fora (fixação maior do aprendizado) e não só de fora para dentro (bases
doutrinárias).
Fazendo um paralelo, devemos transformar carboidratos (doutrina) em energia
(ação).
Fomos feitos à imagem e semelhança de Deus. O pecado nos logrou grande parte
das características que herdamos de Deus.

Deus é criativo. Quando observamos a criação ainda hoje, vemos o poder de Deus
e sua indescritível criatividade e construção perfeita e equilibrada. Observando
as invenções humanas, as famosas, domésticas e sonhadoras artes e o poder de
solucionar, criar e construir, sentimos os sinais do que já foi uma semelhança
plena com Deus. Buscar assimilação e fixação do ensino através do criar e
construir é no mínimo um caminho certo.

OBJETIVO DA ESCOLA CRIATIVA

Criar ícones de ligação. O período que ficamos na escola dominical é pequeno e
os objetivos enormes. Seus objetivos não param em memorização de uma avalanche
de conhecimento bíblico, mas visam mudança de hábitos, idéias e comportamentos
através da atuação do Espírito Santo e atos de observação, repetição,
construção e criação.
Temos que criar ligações que vão além do horário dominical.
Ícones são imagens fortes que se conseguem quando há total envolvimento e
necessidade do objeto que o ícone simboliza. Ex.: McDonald’s.
Ampliar o tempo da escola dominical. Podemos conseguir isto patrocinando
eventos numa gama enorme de variedades: palestras, confraternizações,
campeonatos, feiras, etc.

SUGESTÕES CRIATIVAS

A sugestões a seguir são para reforçar algo que está sendo estudado de maneira
sistemática na escola dominical. Em havendo premiações, elas serão feitas na
escola dominical. Enfatize o patrocínio da escola dominical.
Fora do horário da escola dominical
Feira bíblica:
Envolvimento: todos os alunos.
Horário: sábado (manhã e tarde).
Local: igreja, escola pública.
Professores desenvolvem junto à classe determinado tema bíblico ou secular:
drogas, arca de Noé, instrumentos musicais, a criação, etc. O período de
preparação pode ser de um mês.
Envolve: enfeitar a classe, confeccionar roupas adequadas ao tema com TNT
(tecido não tecido), maquetes (material reciclável), lembranças para os
visitantes, balinhas e, conforme o tema, algum alimento. Ex.: Bodas de Caná.
Programação: devocional de abertura, soltura de balões (por ex.), sorteios
durante a feira, encerramento com um culto.
Obs.: Caso a feira seja feita fora das dependências da igreja poderá haver uma
praça de alimentação.
Campeonato de pipas “gospel”:
Envolvimento: infanto-juvenil.
Horário: sábado pela amanhã ou tarde.
Local: chácara, EMEI, CEAR.
Especial cuidado com autorização dos pais e acidentes com fios elétricos.
Distribui-se os participantes em categoria por idade etc., que trarão pipas
confeccionadas por eles próprios com temas bíblicos. A premiação deve seguir
critérios como: tamanho da pipa, beleza, melhor mensagem e a mais criativa.
Servir um lanche no final e caso haja tempo e espaço físico preparar uma
oficina de pipas.
A premiação deve ser feita na escola dominical para haver o “ícone de
ligação”. Lembre-se: uma cerimônia de premiação bem preparada é marcante e
nem sempre é dispendiosa.
Concurso de culinária:
Envolvimento: adolescentes e jovens.
Horário: sexta ou sábado à noite.
Local: salão social ou casa de algum aluno.
Prepare o convite. Enfatize a ligação entre o estudo bíblico dominical e a
reunião. Enfeite o local, escolha os juizes e o tipo de premiação.
Os pratos preparados serão provados pelos juizes e concorrerão em categorias.
Serenata:
Envolvimento: todos os alunos.
Horário: madrugada do domingo.
Ocasião: Dia das mães, dos pais, do professor, etc.
Reunir um grupo limitado de pessoas munidas de mini-cestas de café da manhã
(confeccionadas pelo próprio grupo), às 23h do sábado, e sair fazendo serenata
de louvores nas casas pré-determinadas e entregando cestas. Com certeza o grupo
homenageado terá uma escola dominical cheia de boas recordações para contar.
Gincana total:
Envolvimento: infanto-juvenil ou adolescentes e jovens ou todos. (Dosar
atividades conforme grupo envolvido)
Horário: sábado ou feriado.
Local: igreja, emei, parque.
Início com devocional, apresentação das regras, pontuação e premiação.
Especificar horário de entrega das tarefas (ex.: 10h do sábado até escola
dominical).
Exemplos de tarefas: A classe que 1) trouxer a foto mais antiga da igreja ganha
“x” pontos 2) a maior quantidade de peças de roupas ou alimentos para
doação vale “x” pontos ou 3) alguém com mais de 70 anos caracterizado
de Abraão.
Possíveis prêmios: um almoço para a classe vencedora, um passeio, uma reforma
na sala de aula ou apenas uma lembrança simbólica.
Sopão:
Envolvimento: adolescentes, jovens e adultos.
Local: logradouros públicos.
Material: sopão (pense em doações), literatura, agasalhos, brinquedos.
Reunir o grupo, fazer devocional e partir distribuindo o sopão.
Na escola dominical permitir que dois ou três dêem testemunho a respeito.
Feira das nações:
Envolvimento: todos.
Horário: sábado das 10h às 16h.
Ocasião: Dia do missionário.
Montar stands (carteiras) das nações.
Cada stand abrigará: comida típica, participantes devidamente paramentados,
informações sobre o país e missionários nele (cartazes e alunos instruídos
anteriormente), lembrancinha típica.
Comece com devocional, sorteie prêmios durante a feira, encerre com um culto.
Boa ocasião para se levantar ofertas específicas.
Lembre-se: toda atividade deve ter o aval de seu pastor e conselho.
Pode-se montar stand de livros e CDs.
Mini escola bíblica:
Envolvimento: todos.
Horário: um sábado por bimestre (tarde).
Uma tarde de evangelismo infantil, incentivando novas crianças a freqüentar a
escola dominical.
Outros: passeios diversos, teatro, almoços após a escola dominical.
Dentro do horário comum
Concurso de maquetes:
Envolvimento: infanto-juvenil.
Os alunos trarão maquetes com temas bíblicos feitas em casa. Prepare um júri,
um local de exposição e uma bonita cerimônia de premiação.
Concurso de poesias e acrósticos:
Envolvimento: todos (cuidado com os critérios e categorias de julgamento).
Entrevista:
Entreviste alguém de surpresa sobre algum tema que seja importante para a
igreja naquele momento. Prepare um repórter (poder ser uma criança). Monte um
ambiente de entrevistas, crie o “clima”, inclusive com trilha sonora.
Escolha bem o entrevistado para alcançar objetivos.
Cafés da manhã ou almoços:
Eventos que necessariamente ligam horários são excelentes para a comunhão.
Pode ser mais simples apenas café e leite com chocolate, por vezes, algumas
bolachas.
Podem homenagear alguém, algum departamento da igreja ou aniversariantes do
mês.
Envolva o maior número de pessoas possível.
Bilhetes para serem entregues na entrada:
Devem conter a pergunta bíblica por fora e o dizer “Só abra se souber a
resposta – seja fiel”. Dentro haverá um pequeno prêmio: lixa de unha,
pente, bala. Lojas de atacado fornecem uma linha imensa a preço baixo.
Integração:
Pegue uma foto bem antiga ou objeto de uso pessoal ou profissional de um aluno.
Coloque no painel de avisos por um período determinado antes da escola
dominical. Deixe uma caixa ao lado para que sejam depositados os votos. Ao
final, sorteie um e acertado o nome do aluno em questão, dê um pequeno brinde a
quem acertou. Exponha pequena biografia daquele aluno e sua família (procure
usar recursos audiovisuais).
Como prêmio quem acertou pode almoçar na casa do “aluno do dia”.
TEMA: Gente que faz a escola dominical.
Bandeiras:
Cada classe confeccionará sua bandeira. No encerramento da escola dominical
terá o direito de hastear a sua a classe que obtiver 80% de presença. A classe
que obtiver 100% ganha uma estrela (botão), a que trouxer mais visitantes outra
“condecoração”. Depois de um certo período (um mês ou dois), a classe
que teve maior índice de apresentação da bandeira será homenageada. Valorize a
cerimônia de premiação.
Tele-teatro:
Solicite a um grupo de irmãos que prepare uma peça com um tema da vida secular
e a filme passando para a escola dominical. Pode ser feito em transparência
também. Use locações interessantes.
Mini escola:
Se você é superintendente ou diretor da EBD, permita que a abertura e
encerramento da escola dominical sejam dirigidos pelas crianças,
pré-adolescentes ou adolescentes. Verifique o material a ser usado.
Inverno:
10 domingo: tirar foto da família na entrada da escola dominical.
20 domingo: expor as fotos no mural de avisos (valorize).
30 domingo: entregar fotos (valorize esse momento).
Idéias inter-classes
Fazer um bolo (infantil).
Uma salada de frutas.
Esporadicamente permitir que uma classe faça sua aula em outro lugar (ar livre,
piquenique).

Parte VIII
ESTABELECENDO
LIMITES NA EDUCAÇÃO DOS FILHOS

(Provérbios 29.15)
 Introdução
“Crianças-problema não surgem do nada. Geralmente, toda criança-problema
tem um ambiente problemático; não se consegue limites saudáveis quando o
ambiente não é propício. Como naturalmente lutamos contra os limites desde o
nascimento, é preciso muita ajuda para desenvolvê-los.”

Na verdade, cabe aos pais estabelecer os limites que influenciaram a formação
educacional, moral e espiritual da criança, devendo-se iniciar logo nos
primeiros seis anos de vida.

Os primeiros seis anos de vida são os mais importantes porque a criança está
mais aberta e, com certeza, há de inculcar melhor os parâmetros que lhe são
ensinados, podendo também aproveitar melhor as experiências espirituais a que
são submetidas.

Logo, é nossa responsabilidade estabelecer os limites que nortearão a conduta
de nossos filhos por toda a vida. É certo que não há garantias de que não se
desviarão. Mas imagine se não tiverem limite nenhum? Com certeza, neste caso,
não temos garantia nenhuma sobre nada.

1. O que nos diz Provérbios 29.15?

O livro de Provérbios se destaca pela valorização da disciplina, entre outras
questões. Disciplina, que na visão do escritor bíblico, não é panacéia, mas
também não ser exercida com rigorismo castrador.

O recurso principal para que os pais exerçam a disciplina é a instrução a
partir da Lei, para que de forma construtiva se estabeleça limites claros e
benfazejos para que as crianças se desenvolvam em um ambiente propício ao
equilíbrio emocional e espiritual.
A Lei, que em Provérbios se refere ao Decálago Sinaítico, deveria ser ensinado
com persistência amorosa a fim de que as crianças definam seus direcionamentos
existenciais, desenvolvendo hábitos sábios de pensamento e de ação que, ao
invés de escravizar o indivíduo, capacita-o para que encontre de modo certeiro
os caminhos de sua conduta e a honradez que o distinguirá na sociedade.

O verso em questão é claro e especifica que quando a criança não tem nenhum
limite para se orientar terminará, com certeza, envergonhando a sua mãe.

O termo envergonhar tem o sentido de “cair em desgraça”, ou de ter
sido lançado em situação de desgraça extremada, normalmente gerada por um
fracasso, quer de si mesmo ou de algo em que se confiava ou em que investira
recursos.

Neste caso, conforme o Texto Sagrado, mais especificamente em Provérbios, a
vergonha é o resultado de uma atitude imprudente ou imoral, mas também pode ser
devido a culpa de se ter feito algo de errado.

Em última análise, percebemos que a responsabilidade pela conduta fracassada,
imprudente ou imoral dos nossos filhos recai sobre nós, que deveríamos ter
estabelecido limites bem definidos e baseados na Palavra de Deus para que eles
desenvolvessem habilidades existenciais, decidindo pautar as suas vidas na
honestidade, verdade, respeitabilidade, humildade e espiritualidade sadia.

Somos os responsáveis pelos limites que nortearão os nossos filhos por toda a
vida e não devemos renunciar a este compromisso que nos é delegado pelo próprio
Deus, que nos abençoa com os filhos, Salmo 127.3.

2. Conselhos práticos para o estabelecimento de limites para os nossos
filhos:

Neste tópico poderíamos desenvolver algo tipo um tratado teológico sobre o
tema, mas creio que conselhos práticos serão de muito mais valia.

Na verdade, não estou inventando nada e nem mesmo, para escândalo de alguns,
tomando por base qualquer literatura evangélica. Estou apenas transmitindo algo
que a Bíblia preceitua há séculos, que a igreja tem negligenciado, que as
escolas têm percebido a falta que faz e que a sociedade está redescobrindo, que
foi publicado na revista Veja dias atrás. Vejamos.

a) As atitudes do dia-a-dia são mais importantes do que os conselhos – Os
nossos filhos aprendem muito mais observando o nosso comportando do que nos
ouvindo.

b) Demonstre afeto incondicional, porém, sem mimar seus filhos – É extremamente
saudável abraçar e beijar os nossos filhos, independente da idade deles.

c) Envolva-se com a vida de seu filho – A falta de monitoramento aumenta os
riscos de eles se envolverem com drogas, álcool e delinqüência, bem como de uma
gravidez extemporânea.

d) Trate seus filhos de acordo com as etapas de crescimento dele – A técnica
que funciona em uma idade pode ser um desastre em outra.

e) Estabeleça regras e limites desde cedo – Com o tempo, tais regras e limites
ajudarão os nossos filhos na administração do próprio comportamento.

f) Encoraje seu filho a se tornar independente – Busca de independência não é
rebeldia, desobediência ou desrespeito, se bem direcionada pelos pais e se os
limites estão bem definidos.

g) Seja coerente – Não mude as regras todos os dias ou apenas para atender a
uma situação específica, pois serão esquecidas ou negligenciadas e a culpa pelo
mau comportamento dos filhos é toda dos pais, neste caso.

h) Evite castigos físicos violentos ou agressões verbais – A punição é
necessária, mas a violência e os xingamentos sempre têm efeitos nocivos. Sempre
que punir, explique claramente as razões e seja cauteloso no método e com as
palavras.

i) Explique bem as regras e decisões, mas ouça o ponto de vista de seu filho –
Eles aceitarão e acatarão as ordens com mais facilidade se perceberem que são
lúcidas e bem embasadas e que estão sendo valorizados como pessoa e em suas
opiniões.

j) Respeite seu filho – A criança aprende a lidar com os outros e a tratar as
pessoas observando a maneira como os seus pais a tratam e se tratam entre si.

Não há novidade, nem segredo e muito menos uma fórmula mágica para a educações
dos filhos. Porém, é preciso coragem, firmeza e participação ativa, que deverão
estar associadas ao tempo dedicado e aos bons conselhos oferecidos, a fim de
que as regras estabelecidas sejam bem definidas e bem entendidas. Só assim
temos autoridade suficiente para aplicar a punição ou o corretivo necessário
nas ocasiões em que nossos filhos nos confrontarem.

Conclusão:

Uma pergunta importante que os pais fazem sobre os limites na educação dos
filhos é a seguinte: “será que já não é tarde para demais pensar
nisso?”. Os pais que lutam contra problemas graves de conduta em filhos
adolescentes ou já adultos às vezes ficam desesperados e desanimados. Porém,
nunca é tarde demais para começar a fazer o que é certo.

Porém, quanto mais nova a criança, mais fácil será para estabelecermos os
limites como normas. Quanto mais tempo a criança passar na ilusão de que é
Deus, mais difícil será para ela desistir desse mundo maravilhoso e irreal que
existe em sua cabeça.

Uma parte de seu filho precisa de que você se envolva, ignore todos os seus
protestos e assuma o controle. Não raro, ele próprio fica assustado com suas
próprias atitudes e comportamentos inconseqüentes e precisa de alguém mais
forte que o ajude a se conter e a estruturar a sua vida. Lidar com a resistência
e a insolência dos filhos faz parte do processo educacional e, de certa forma,
os nossos filhos sabem disso.

É possível que tenhamos de nos contentar com um resultado abaixo do esperado.
Um adolescente de dezesseis anos que demonstra uma falha de comportamento a
vida inteira dificilmente mudará da noite para o dia. Mas ele pode aprender
lições muito importantes que irão ajudá-lo a crescer nos últimos anos antes de
entrar para a vida adulta.

O problema é que às vezes os pais são desorientados e necessitam de tratamento,
de alguém que lhes imponha limites. Quem não aprendeu a obedecer jamais será
capaz de orientar objetivamente os limites necessários para os seus filhos. Mas
mesmo assim, inicie o processo de reversão em sua vida e família, à luz da
Palavra de Deus. Muitas vezes os nossos filhos, percebendo a nossa luta
interior para nos tornarmos melhores, passam a fazer exatamente o que lhes
ensinamos nos últimos anos antes de saírem de casa e começam a aplicar os
limites indicados em suas vidas.

Não desista de seu filho. Aproveite cada oportunidade. Nós pais somos os únicos
pais que ele têm; ninguém mais no mundo tem tanto poder de influência sobre
eles quanto nós.

O PROFESSOR
CRIATIVO
 O
Dicionário Universal On Line da Língua Portuguesa define criatividade como
“capacidade criadora; aptidão para formular idéias criadas; originalidade;
engenho”. O adjetivo criativo, por sua vez, é definido como “que tem
capacidade para criar; que tem originalidade inventiva; criador”.

São definições boas e interessantes. Mas não podemos entender todas as palavras
que definem criativo e criatividade como absolutas. Por exemplo: originalidade
ou originalidade inventiva não pode significar criatividade ou originalidade no
sentido absoluto do termo, como significando criar do nada, sui-gêneris. O
único ser original, no verdadeiro sentido do termo, é Deus. Deus é tão original
que criou todas as coisas do nada. A criatividade humana é, portanto, no mínimo
relativa. Nesse sentido pode-se entender porque alguém disse que a
originalidade em escrever é a arte de copiar sem citar a fonte. Ou, como disse
outro, copiar de um livro é plágio, mas copiar de vários livros é pesquisa. É
claro que não é correto copiar ipsis litteris ou dizer o que alguém disse ipsis
verbis sem citar a quem de direito. O ponto em questão é: Ninguém anda só.

Portanto, amigo professor, se você mencionar alguém ou copiar alguma coisa
literalmente, cite a fonte. Mesmo que você não saiba ou não lembre de pronto o
nome do autor. É de alguém? Então diga “alguém”, ou algo parecido;
apenas para ficar claro que você não é o autor. Isso não é demérito para você.
Um Doutor (PhD), por exemplo, não é menos criativo por fazer citações diretas
ou indiretas em sua obra, ou mesmo por citar uma relação infindável de autores
na bibliografia. Sua criatividade não está, propriamente, no ajuntamento das
variadas informações, e sim, na habilidade de interpretar com suas próprias
palavras conceitos que nem sempre são dele mesmos. O que ele irá relatar talvez
não seja tão novo assim; porém, o modo como vai escrever ou falar somente ele
saberá como fazê-lo. É uma questão de personalidade.
Com isso em mente gostaria de compartilhar com você, professor e professora da
escola bíblica dominical, sobre a sua criatividade na sala de aula, mas não sem
antes verificarmos as possíveis fontes dessa criatividade e a preparação de uma
aula criativa. E depois que eu acabar de falar ao seu coração (assim
esperamos), por favor, entre em contato comigo, para dar sua opinião sobre este
artigo, além de sugestões e criticas construtivas. Com certeza este artigo não
deverá terminar no fim da leitura com um simples ponto final. Ele não ficará
completo agora. Então, vamos terminá-lo juntos? Estou esperando por você.

O PROFESSOR CRIATIVO E AS FONTES DE SUA CRIATIVIDADE

Quais seriam as possíveis fontes da criatividade do professor? Podemos
relacionar como principais as seguintes:

Deus

Deus é a fonte de tudo que é bom (cf Tg 1.17). Ele é a bondade em essência.
Quando Deus criou todas as coisas não apenas aprovou como bom tudo que fez, mas
também expressou o reconhecimento da glória de Sua criatividade.

Além disso, Deus é a fonte da sabedoria. Salomão pediu sabedoria ao único que
realmente poderia lhe dar. A Bíblia nos exorta a buscarmos com fé a sabedoria
lá do alto para a realização da obra de Deus (Tg 1.3-5). É Deus quem nos
capacita com a Sua graça para que sejamos verdadeiros instrumentos nas Suas
mãos (1 Co 15.10; 2 Co 3.5; Ef 3.7,8).

Professor, busque a excelência da sabedoria. Conte com Aquele que poderá
revesti-lo com a graça do saber. Tenha uma vida de verdadeira comunhão e oração
com o seu Deus. Ande com Deus. Busque a Deus, prepare-se em oração e meditação
na Palavra para você desfrutar o quanto antes da colheita do seu trabalho.

A excelência do ensino começa aí. Ensinar é muito mais que os poucos minutos
dentro de uma sala de aula. Ensino é vida, e essa vida você adquire andando com
Deus.

Mas cuidado, não confunda a fé com negligência. Quando Deus dá sabedoria não a
dá como se fosse um raio que de repente cai sobre a nossa cabeça e passamos a
conhecer, de agora em diante, todas as coisas. O que Deus faz é primeiramente
aguçar a fome e sede da Palavra e da oração e nos burilar em nosso dom.

Você não pode falar da Palavra se não tiver prazer na Lei do Senhor. Você não
deve falar de oração se não possui uma vida de oração. Nós não podemos dar o
que não temos. O professor precisa viver o que fala. Certamente isso falará
mais alto do que o próprio ensino. Além disso, o aperfeiçoamento do seu dom
ocorrerá mediante erros e acertos. Não foi bem hoje, não desista. A perfeição
na arte de ensinar se adquire com a prática.



A Bíblia

A Bíblia é outra fonte inesgotável de criatividade. É impressionante como uma
leitura bíblica bem feita aguça consideravelmente o nosso intelecto. Não há
como preparar uma boa aula sem a Bíblia. Afinal, ela é o nosso principal
instrumento de trabalho.

As histórias da Bíblia são as melhores ilustrações que um professor pode ter
para incrementar suas aulas. Há outros recursos? é evidente que sim. Mas a
Bíblia é insubstituível. O que os seus alunos querem e precisam ouvir é a
Bíblia. Esta é a sua missão: Ensinar a Bíblia aos seus alunos.

Tudo na Bíblia tem uma aplicação prática para a nossa vida. Paulo disse que
tudo quanto outrora foi escrito, para o nosso ensino foi escrito (Rm 15.4).
Devemos, portanto, imitar os bons exemplos que temos na Bíblia, e evitar os
erros daqueles que erraram antes de nós.

Sendo assim, dentre todas as suas leituras, dê prioridade à Bíblia, pois é ela
que realmente edifica, além de ser a sua principal ferramenta de trabalho.
Ensine a Palavra e viva o que a Palavra ensina.

A literatura eclesiástica e secular

Entre tantas coisas que nos influenciam nesta vida, poucas são tão eficazes
quanto os livros. Através dos livros somos capazes de viajar a lugares
longínquos e até inimagináveis, pois eles invadem a nossa cabeça e mudam,
muitas vezes, a nossa maneira de pensar; nossas atitudes; hábitos, etc. Daí a
importância de lermos bons livros, porque, sendo bom ou não, um livro sempre
nos influenciará em alguma coisa. Como disse um velho professor de literatura
que eu tive, “somos o que lemos”. Nesse caso, o importante não é
tanto a preferência literária que se tem, mas sim, o conteúdo do que se lê.

Talvez possamos dividir os livros em técnicos e comuns; religiosos e seculares.
De um e de outro lado pode-se encontrar bons e maus livros. Você, amigo
professor, quer fazer o melhor? É claro que quer. Todos nós devemos almejar a
excelência do ministério que Deus nos deu. Então, seja amigo dos livros. Leia
muito. Leia bons livros.

Recomendo a você a leitura de livros como As Sete Leis do Ensino; Igreja
Ensinadora; Ensinando Professores a Ensinar; Aprimorando a Escola Dominical; A
Pedagogia de Jesus; Didática para a Escola Dominical; O Bom Professor Conhece
Seus Alunos e Socorro! Meus Alunos Sumiram. Esses livros poderão ajudá-lo.
Alguns deles podem estar esgotados, mas você encontrará, se não esses, outros
iguais ou até melhores nas principais livrarias evangélicas de sua cidade. Você
notará que nem todo livro didático é tão pratico como deveria ser. Alguns
livros didáticos que li não me ajudaram muito, porém, a maioria deles foi
enriquecedora.

Além dos livros de pedagogia evangélica também temos bons livros na literatura
secular. Recomendo pelo menos três deles: Didactica Magna; Planejamento de
Ensino e Avaliação, e Ensino: As Abordagens do Processo. Minha professora de
psicologia da educação da faculdade de filosofia dizia que este último é a
bíblia da educação. Ele é um pouco enfadonho, mas é muito bom.

Mas não pare aí meu caro professor. Leia todo tipo de literatura. Leia revistas
e jornais, enfim, leia de tudo. Mas leia sempre com senso crítico. Até mesmo os
livros evangélicos! Qualquer literatura fora da Bíblia é passiva de
desconfiança. O único livro para o qual você deve abrir totalmente seu coração
é a Bíblia. Fora dela leia de tudo um pouco e retenha o que é bom.

Outras fontes de criatividade

A natureza é uma outra fonte inspiradora da criatividade. Mesmo para quem mora
nos grandes centros das cidades é possível perceber um pouco da glória de Deus
em Sua criação. Contemple a perfeição de Deus. Veja como Ele foi criativo ao
criar o sol, a lua, as estrelas, as árvores, os pássaros, a formiga e você. A
criação de Deus emana a criatividade do seu Criador.

Além disso, nesses tempos de pós-modernidade podemos tirar proveito de toda
esta tecnologia que faz parte do nosso cotidiano. A televisão é uma boa fonte
de informação que ajudará o professor criativo a estar por dentro dos
acontecimentos. Os telejornais ajudam bastante.

Outra bênção da modernidade, quando bem utilizada, diga-se de passagem, é a
internet. Os recursos da internet são incalculáveis. Com ela você fica muito
bem informado, além de poder ajudar outras pessoas que possuam a mesma
tecnologia. Eu esperei dez anos para ter meu computador, e valeu a pena, pois
eu o adquiri no auge da internet. Hoje, além de ter nas mãos informações
variadas, posso dar minha humilde contribuição ao compartilhar com outras
pessoas alguns de meus artigos e estudos bíblicos.

O PROFESSOR CRIATIVO E A PREPARAÇÃO DA AULA

Não é preciso dizer que uma boa aula é aquela que se prepara com calma,
antecedência e nunca na última hora às pressas. Como deve ser, portanto, a
elaboração de uma lição, a fim de que ela seja bem apresentada na sala de aula?

A preparação de uma boa aula consiste da preparação do professor. Por mais
óbvio que isso para ser, não podemos fugir dessa verdade. A lição pode estar
até bem preparada, mas se o professor não estiver preparado para o dia de sua
apresentação, certamente ele não vai render.

O antes do professor criativo

Antes da preparação da aula propriamente dita, é preciso que o professor faça
das fontes de criatividade uma prática natural do seu ministério. Eu entendo
aquelas palavras de Paulo, “o que ensina, esmere-se no fazê-lo”, como
facilmente aplicável nesse quadro.

Se você não tem tempo para se dedicar ao ensino, então não cometa o pecado do
despreparo. Não subestime a inteligência do Espírito Santo de Deus assumindo um
cargo do qual você não está devidamente qualificado, apenas porque não tem
outra pessoa para fazê-lo. A obra de Deus deve ser feita com brio, zelo e
dedicação, jamais de qualquer maneira e relaxadamente.

Professor, a apresentação de sua aula deve representar uma pequena parcela
daquilo que você fez antes. Professor criativo e dedicado não é aquele que
apenas ensina, mas é aquele que se prepara e se empenha com afinco e
antecipadamente para o ensino. A diferença básica entre o professor e o aluno é
que aquele estudou antes deste. Portanto, “o que ensina, esmere-se no
fazê-lo”.

O durante do professor criativo

Durante a preparação da aula organize, em espírito de oração, é claro, tudo que
você conseguiu através do preparo prévio. Faça um esquema dos pontos principais
de sua lição. Se você se sente à vontade em levar suas anotações para a sala de
aula, deixe tudo bem arranjado para que você não se perca durante a
apresentação. Nunca leve seus rascunhos para a sala de aula, mas sempre seus
apontamentos finais, bem elaborados e definidos.

Deixe-me esclarecer uma coisa: quando eu digo se você se sente à vontade em
levar anotações para a sala de aula, não estou de modo algum condenando essa
prática. É melhor ter em mãos uma pró-memória do que ir para a aula sem nada e
fazer feio. Uma anotação bem feita geralmente é vista com bons olhos pelo povo.
Quando um professor não se sai bem na exposição da aula, a falta de um esboço
ou algo semelhante torna mais evidente sua negligência. Eu particularmente
procuro não levar anotações para a aula, porém, é preciso dominar muito bem o
assunto que se vai abordar.

Na verdade, com ou sem papel nas mãos precisamos conhecer muito bem a matéria
que vamos ministrar. Suas anotações devem passar tão despercebidas aos olhos
das pessoas quanto aos seus. Use seu papel, mas não se detenha demasiadamente a
ele. Mesmo que precise usar anotações ou esboço, domine o tema.

Muito bem, você esquematizou sua lição, organizou todos os tópicos e sub-tópicos.
Agora vamos para o passo seguinte.

O depois do professor criativo

Depois que você se preparou para preparar sua aula e então deixou tudo
esquematizado, faça uma revisão de cada ponto. Planeje a ministração de suas
aulas, relacionando entre si seus temas para que haja coerência e se evite a
antecipação da matéria quando chegar a apresentação da aula propriamente dita.
A partir daí inicie um levantamento das possíveis perguntas que sua classe
faria. Um trecho de poesia popular nos diz quais são essas perguntas:

Tinha seis amigos fiéis,
Ensinaram-me tudo quanto sei,
Chamam-se Como e Que e Por que,
Onde e Quando e Quem.

Use o mesmo princípio para estabelecer as perguntas que você faria a sua
classe. Terminando isso, com certeza estará preparado para dar sua aula, porque
agora você sabe exatamente o que pretende dizer. E saber o que se vai dizer é
extremamente significativo, pois a maioria das pessoas não tem dificuldade em
perceber quando o professor está enrolando. Só fale quando realmente tiver algo
a dizer.

O PROFESSOR CRIATIVO E A AULA PROPRIAMENTE DITA
Chegamos na sala de aula. Qual deve ser nosso procedimento agora? Ensinar? É
claro, mas vamos com calma. A aula é o resultado natural do que fizemos antes.
Se não nos preparamos, ou não nos preparamos adequadamente, isso ficará
evidente no ensino. O princípio é o mesmo para uma boa preparação prévia.
Estando bem preparado ficamos seguros e transmitimos segurança também. Contudo,
existe um fator que aumenta ainda mais essa segurança e que eu acho importante
compartilhar com você.

Vamos nos ambientar?

Este fator é a ambientação. O que isso significa? Bem, você orou em casa,
estudou, está preparado e agora entra na sala de aula, dá um bom dia a todos,
faz mais uma oração, canta um hino talvez e começa a aula, certo? Não! Faltou
ainda o aquecimento. Você é um atleta de Jesus, também precisa se aquecer.

Por ambientação entenda-se chegar cedo, vinte, trinta minutos ou mais antes do
início da aula, a fim de entrar no espírito da aula com a classe ainda vazia.
Medite, ore mais uma vez. O bom professor não é aquele que chega
deliberadamente atrasado, muito menos aquele que chega em cima da hora. O bom
professor chega cedo na sala de aula. Eu mesmo tenho uma dificuldade tremenda
em ensinar ou pregar se não estiver ambientado. Já passei por isso por força da
circunstância e não gostei. De modo que, com dez anos de ministério, dá para
contar nos dedos de uma única mão quantas vezes cheguei atrasado em um
compromisso. Você está me entendendo professor? É mais ou menos como aquela
corrida em que o atleta chega antes para fazer aquecimento e se concentrar para
a prova.

Interagir: a melhor maneira de ensinar
Costumo dizer para a minha classe bíblica dominical e de estudo bíblico semanal
que a minha aula é feita 50% por mim e 50% por eles. Isto não quer dizer que eu
me preparo pela metade, e sim, que na elaboração de minhas aulas há espaço para
os meus alunos. Eles ficam felizes em saber que são importantes por terem
participação direta no meu ensino. Eles perguntam e eu respondo, sem que eu
ofereça respostas prontas. Além disso, procuramos fazer de cada aula um momento
bem descontraído sem perder a reverência.

Geralmente apresentamos uma série de lições semanais, relacionadas umas às
outras, com estudos diretamente da Bíblia. Não uso revista ou apostila. Só a
Bíblia. Não distribuo material para evitar a distração e o adiantamento do que
estou falando. Mas isso não quer dizer que meus alunos ficam sem o que fazer
durante a semana. Peço que a classe leia, na semana, textos bíblicos referentes
ao tema que estamos estudando ou iremos estudar, responda algumas perguntas
relacionadas ao tema e traga suas dúvidas para a próxima aula. Além disso, os
alunos são constantemente incentivados a lerem a Bíblia como um todo. Todos devem
trazer papel e caneta para anotações.

Relacionamos as lições ao cotidiano deles, desafiando-os a praticar as verdades
aprendidas. Avaliamos o êxito do trabalho verificando semanalmente a
transformação em suas vidas, o que é deveras gratificante e compensador. Os
alunos também participam sugerindo temas de estudos. Não existe monopólio em
nosso grupo.

A maioria dos meus alunos faz pergunta naturalmente, isto é, geralmente não
preciso instigá-los. Quando um assunto é interessante aos ouvintes, eles se
manifestarão sem maiores dificuldades. Mas quando eu percebo que após cinco
minutos a classe permanece quieta, então começo a lançar algumas perguntas
trazidas de casa e, daí em diante, tudo transcorre bem. E quando alguém quer
falar além da conta, muitas vezes tentando sair do tema proposto
(intencionalmente ou não), com habilidade procuramos cortar, aproveitando uma
pausa na fala dele, e assim retomamos o bom andamento da aula.

Onze lembretes importantes:

1) Professor, evite dar as respostas de suas próprias perguntas imediatamente.
Se a classe sabe que você irá responder logo em seguida, sem que ela tenha
tempo de responder, com certeza não se entusiasmará em respondê-las. Na verdade
ela ficará com a impressão de que você realmente não está tão interessado assim
no que eles pensam.

2) Evite também aquelas perguntas incompletas como, por exemplo, “Deus
amou o…”. Isso aborrece. Pode ajudar numa classe de crianças pequeninas,
mas é terrível no caso dos maiores.

3) Nunca desdenhe uma pergunta por mais óbvia que ela pareça ser.

4) Não ria jamais com a pergunta de seu aluno. Geralmente ele receberá isso
como desprezo, não da pergunta, mas da própria pessoa dele.

5) Faça elogios sinceros aos seus alunos por mais simples que sejam as
perguntas ou respostas.

6) Quando tiver dificuldade com alguma pergunta, valorize seu aluno ou aluna,
agradeça a pergunta e peça-lhe permissão para saber o que a classe pensa a
respeito.

7) Jamais manipule a palavra. Você não é o dono da verdade. O bom professor
aprende juntamente com seus alunos.

8) Seja humilde e sincero; não tenha vergonha de dizer “não sei” ou
“vou pesquisar e trago a resposta semana que vem”. Mas traga mesmo! A
igreja saberá que além de humano você é uma pessoa de palavra.

9) Evite o distanciamento do assunto proposto na classe. Tenha o controle da
situação.

10) Seja dinâmico e dê sua aula com gosto e entusiasmo. Isso compensará o fato
de, por exemplo, o aluno levantar cedo e ir à escola dominical, pois certamente
ele irá à aula com o mesmo entusiasmo seu.

11) Sua aula precisa ter começo, meio e fim. E se porventura não teve tempo de
terminar a lição, deixe bem claro que ela terá um fim. Seus alunos precisam
saber para onde você e eles estão indo.

O professor também pode enriquecer sua aula com recursos audiovisuais. Estes
recursos são fundamentais na classe de crianças porque elas dependem dessa
percepção. Na classe de adultos também ajuda. Visualizar, através de uma lousa
ou retroprojetor o que está sendo ensinado, ajuda bastante. Contudo, vale aqui
uma ressalva. Nenhum recurso audiovisual substitui a pessoa do professor. Já vi
professor dando um show de aula sem recurso algum, como também presenciei
professores com todos os recursos se expressando de maneira apática. O bom é
unir o útil ao agradável, porém, nada substitui a figura do professor.

Com água na boca

Para a glória de Deus, faça o melhor em classe. Deixe o povo com água na boca.
Primeiro pela aula em si; segundo pela curiosidade. O ser humano é por natureza
curioso. Aguce essa curiosidade. Não fale tudo numa única aula. Deixe um pouco
para a semana que vem.

Na igreja onde sou pastor costumamos, no final de cada aula, despertar os
alunos quanto ao próximo assunto a ser estudado, mostrando-lhes a possibilidade
de aprenderem coisas novas e como poderão solucionar algumas questões em casa e
resolver outras em classe. Este é um dos motivos pelos quais eu não adoto
revistas. Já usei muito, mas hoje não. Isso não é uma crítica para quem as usa.
Temos boas revistas que podem e devem ser usadas com o máximo proveito. Porém,
as revistas geralmente costumam ter lições diferentes umas das outras, a pesar
de estarem todas sob um mesmo tema. Sem contar que muitas vezes acomoda aquele
professor que ao invés de usá-las apenas como roteiro, não faz novas pesquisas,
lê toda revista na sala de aula, não acrescenta nada de novo e, como resultado,
torna a aula cansativa e enfadonha.

Eu prefiro uma seqüência bíblica. Quando fui pastor em Santa Catarina a igreja
que pastoreei não usava revistas. Eu sempre as usei nas poucas igrejas onde fui
pastor. Assim que cheguei no Sul disse ao conselho que gostaria de adotar uma
revista. Foi quando eles me sugeriram que eu fizesse um teste por alguns meses.
Caso não me adaptasse, a igreja adquiriria as revistas. Para minha surpresa
peguei gosto pela coisa, visto que o aproveitamento da classe foi bem maior.
Além de acabar de uma vez com aquela velha briga, “gente leia a
revista!”, “vocês precisam ler a revista!”, “quem leu a
revista em casa?”, e economizar um bom dinheiro.

Ao retornar a São Paulo assumi uma igreja que adotava revistas. Propus um teste
de três meses sem as revistas. Aí foi a igreja que pegou gosto. A minha classe,
por exemplo, cresceu em todos os sentidos porque ninguém perdeu o interesse
pela escola bíblica dominical. Em nossa igreja o professor tem liberdade de
adotar ou não uma revista (desde que seja de uma editora idônea) e também
escolher, juntamente com a sua classe, o tema que quiser.

Nossa escola dominical está crescendo bastante e todos são unânimes em afirmar
que isso é o resultado de uma escola dinâmica e criativa. Os professores partem
do princípio de que ninguém é uma tabula rasa, na qual são impressas,
progressivamente, imagens e informações, e sim, que todos, professores e
alunos, têm potencial para fazer uma escola dominical cada vez melhor.

Vale a pena investir na escola bíblica dominical!



Parte X
OS ESTUDOS
BÍBLICOS E A PALAVRA DE DEUS

estudos que chegam a receber, na média, nota bem próxima de dez. Outros, sem
esse tipo de aferição, são lidos por centenas de usuários. Ás vezes, em poucos
dias, o número de leitores ultrapassa duas centenas.

Essa corrida aos estudos demonstra grande interesse pela leitura da Palavra e
serve para preencher a lacuna deixada por escolas bíblicas dominicais. Todavia,
devemos ter o cuidado de não substituir a Bíblia pelos estudos. A Bíblia será
sempre o padrão. Não raro, principalmente em assuntos polêmicos, o autor do
estudo emite opinião pessoal, seja em assuntos controvertidos, seja na
interpretação de textos. Entendo que o tempo dispensado à leitura da Bíblia não
deve ser menor do que o dedicado à leitura dos estudos bíblicos. Convém
seguirmos o exemplo dos bereanos, que examinavam cuidadosamente se o que Paulo
e Silas pregavam estava de acordo com as Escrituras. Então, não se deve fazer
ou deixar de fazer alguma coisa em razão do que algum escritor, seja pastor ou
não, ensina. Antes de qualquer atitude, medite e tire suas próprias conclusões.
A fonte de qualquer estudo bíblico, como o próprio nome indica, é a Bíblia,
mas, em razão de nossas imperfeições, é possível haver desencontros. Passar a
praticar determinados atos apenas porque determinado escritor diz que pode ser
praticado não é aconselhável. Os estudos não podem ser traduzidos como infalível
jurisprudência bíblica. As experiências pessoais nele contidas não podem ser
consideradas doutrinas bíblicas, pelas quais devamos nos orientar.

Somente a Bíblia é “proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir,
para instruir em justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e
perfeitamente preparado para toda boa obra”.

Parte XI
A PROPÓSITO
DE “OUSADIA E DESAFIO DA EDUCAÇÃO TEOLÓGICA”
Ousadia e
Desafios da Educação Teológica – 100 anos do STBNB (1902-2002) (Recife,
STBNB Edições, 2002), é um pequeno grande livro escrito pelo Dr. Zaqueu Moreira
de Oliveira, Diretor-geral do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil
(Recife, PE), para comemorar o centenário dessa respeitada instituição de
ensino. Após sua leitura, algumas idéias foram anotadas.

A Educação Teológica é tão antiga quanto a própria história sagrada; quanto os
dias do Novo Testamento. Da Idade Média ao século 19, houve acentuadas
mudanças. Na história do pensamento, tudo girava em torno da Educação
Teológica. Havia quatro disciplinas básicas: o Direito (Leis), a Teologia, a
Medicina e as Artes. Mais adiante, a Teologia se separa das outras disciplinas,
organizando-se nas universidades as Escolas de Divindades (Divinity Schools ou
Divinity Colleges), oferecendo o grau de Doutor em Divindades (D.D.), que na
Europa é grau acadêmico compatível com o Doutor em Teologia (Th.D.), e nos
Estados Unidos um grau honorífico (Honoris Causa). O grau de Mestre em
Divindades (M.Div.), um mestrado profissional, de cunho nitidamente pastoral,
em contraposição ao Mestre em Teologia (Th.M.), voltado para a pesquisa e
ensino. A partir do século 19, o modelo alemão de pesquisa se tornou dominante
no campo da teologia.

Existem valores que são intrínsecos e valores que são instrumentais na Educação
Teológica tanto quanto em qualquer outra qualidade de educação. O valor
intrínseco é ajudar o seminarista a se tornar uma pessoa de qualidade mais do
que ensiná-lo a fazer determinadas coisas.

O valor instrumental é capacitá-lo a atacar os problemas do mundo em que
atua, e não apenas os problemas acadêmicos,
o seu dia a dia, a prova, os
trabalhos escritos. É uma visão maior, global do mundo.

Devemos refletir igualmente sobre certas razões práticas e pedagógicas e
teológicas. No caso do motivo prático, o ministro deve ser como Cristo,
ter a mente de Cristo; deve conhecer a Palavra de Deus, pois o mesmo
Jesus Cristo exorta que “Errais não conhecendo as Escrituras…”, e
ele deve fazer a obra do ministério, e completando-se, então, com “Errais
não conhecendo… o poder de Deus”. O ministério, o serviço do evangelho,
é o poder de Deus em ação.

Razões pedagógicas são o comprometimento com Deus, que deve ser uma
ênfase levada muito a sério; uma sólida educação teológica, e ousamos
dizer que algo importante em que o Seminário pode ajudar o seu ministro (uso a
palavra “ministro” para abranger os ministérios que são objeto de
atenção e ensino por parte deste Seminário) é a questão dos relacionamentos,
tanto na sua comunidade eclesiástica quanto na sociedade. O Seminário é um
laboratório, é uma amostragem do que será a igreja de Cristo que o ministro há
de liderar, e quem consegue passar, especialmente pelo internato do Seminário,
está habilitado a assumir qualquer igreja depois, por ser uma amostra dos
variados comportamentos dos que fazem a igreja.

Outro fenômeno que ocorre nos seminários é a presença de idosos e de mulheres,
que fiéis ao seu chamado buscam melhor preparo para o exercício dos seus
ministérios. Isso é mais uma amostra da vida da igreja onde somos servos.
Mencione-se, outrossim, o aprofundamento da compreensão pessoal da fé.

Quanto às razões teológicas, lembramos que David Tracy escreve que a Educação
Teológica deve olhar para três públicos: a escola, a igreja e a sociedade.
Ele alia à escola a theoria; à igreja, a poiesis; e quanto à sociedade, faz uma
aliança com a praxis. A Profª Areli Perruci, que nos precedeu, mencionou em
suas observações que era preciso tirar da tarefa para o processo.. É, em outras
palavras, o que foi explicitado por Tracy ao dizer que precisamos tratar com a
teoria, o pastoreio e a prática, em referência, respectivamente, à academia, a
comunidade de fé e a sociedade.

Sempre se tem discutido o papel, a função e a tarefa da Igreja. O Pr. Martin
Luther King, Jr. entendia ser a Igreja a sociedade perfeita, tendo usado a
expressão “abençoada comunidade” para a ela se referir. Disse ele que
“é nessa abençoada comunidade que o racismo é denunciado, a justiça social
proclamada, o pecador considerado bem-vindo a voltar para casa, e o perdido e
ferido encontram refúgio, e onde todos são incluídos na graça de Deus”.
Essa é a igreja onde vamos exercer a nossa poiesis, onde vamos utilizar a
função de cura-d’almas.

E então vem a ousadia. Jim Mannoia enfatizou que a Educação Teológica é um
“negócio de risco”. E, lendo o livro do Dr. Zaqueu de Oliveira,
descobrimos que o STBNB sempre foi um “negócio de risco”.

Por que dizemos “educação teológica” e não “educação
ministerial”? Talvez porque se faça ligação do primeiro termo à educação
fornecida pelos seminários, quando, na verdade, Educação Teológica é todo
repasse da linguagem sobre Deus, dos conceitos acerca de Deus. Quer dizer que
quando ensinamos a uma criança um conceito sobre a Pessoa Divina, estamos
fazendo educação teológica. Há quem pense que Educação Teológica é privilégio
de quem vai dar tempo integral no ministério da Palavra, nas equipes ou
organizações para-eclesiásticas ou missionárias.

Para outros, vai restar a Educação Religiosa (ou Cristã, como alguns a chamam)
como algo separado da Educação Teológica. Lembremos: é uma linguagem acerca de
Deus e um aprendizado dos Seus atributos porque toda Educação Cristã é Educação
Teológica, e não apenas o que é discutido e ensinado nos seminários.

Robert Pazmiño, autor do livro Deus, nosso Mestre – fundamentos teológicos na
educação religiosa (God, Our Master – theological basics in religious
education), publicado em 2001 pela Baker (EUA), afirma que a Trindade é um tema
teológico perfeito, podendo servir como excelente referencial para a nossa
educação. Essa não é uma idéia nova, pois James Stewart já a havia apresentado,
bem como Nells Theré.

A idéia é que Deus-Pai é o Supremo Educador. É o Mestre. Dele
procede todo o conteúdo da educação que repassamos. Jesus Cristo, o Filho, é o
Mentor, o modelo em Cuja Pessoa está exemplificado tudo o que o Mestre deve ser
em termos de relacionamento com os seus educandos e com os outros. Toda a fome
de amor e de cuidado encontram satisfação em Jesus Cristo e na pessoa daquele
que O segue no ministério do ensino, os pastores, os educadores religiosos e os
educadores musicais. O Espírito Santo é o Tutor, o Conselheiro, Que
sustém a vida da sociedade cristã e da sociedade mais ampla de modo a cumprir
os propósitos divinos para o contexto em que estamos inseridos.

Há outros desafios: ministros e suas esposas são parceiros no
ministério. A esposa deste comentarista é seu braço direito e braço esquerdo no
ministério. Por esse motivo, há necessidade de preparo da esposa do ministro. E
lembramos a iniciativa pioneira do STBNB, no final dos anos 70, quando foram
criadas classes especiais para as esposas dos alunos que não tinham preparo
acadêmico formal para ingressar nos cursos regulares do seminário. Com isso,
seriam capacitadas num referencial de linguagem e de prática no ministério dos
esposos. O preparo do cônjuge, do marido da ministra, constitui-se igualmente
num desafio.

A magnífica biblioteca do STBNB com acima de 50.000 volumes deve levar à
leitura. Não entendemos como pode alguém passar quatro anos no Seminário e não
ler, no mínimo, três livros por mês. David Mein, por muitos anos reitor desta
Casa de Profetas, sempre disse que “a biblioteca são os pulmões do
seminário”.

Algumas vocações só funcionam com muita leitura, muito olho no olho e coração
ouvindo o outro coração. É o caso dos psicólogos, dos psicanalistas, dos
terapeutas de um modo geral. Uma dessas vocações é a ministerial. Por essa
razão, mormente, o trabalho de aconselhamento, de cura-d’almas, do preparo do
casal para o futuro casamento, é o que chamamos de “vocação de
escuta”: tanto quanto o psicólogo, o pastor precisa do exercício da
leitura e muita interação com a ovelha.

Podemos partir para outras alternativas em educação, como a educação on line e
a educação à distância, que o STBNB, aliás, já está realizando. Há quem não
tenha recursos, tempo, ou não possa deixar o trabalho para vir passar quatro
anos aqui. Seria o caso de ser mentoreado ou supervisionado via web ou por
outros meios. A International School of Theology, em San Bernardino, Califórnia
(EUA) é uma ministério da Cruzada Estudantil e Profissional para Cristo
oferecendo cursos de Bacharelado e Mestrado, tendo extensões em Nairobi, Manila
e Cingapura. É um seminário reconhecido pela correspondente norte-americana da
ASTE, e utiliza cursos via internet.

O SeminárioTeológico Presbiteriano do Rio de Janeiro desde 1997 tem atuado
nesta direção, e foi iniciado em forma experimental em 1998. Definiram os
professores encarregados o formato do curso, sendo que quatro professores são
do seminário do Rio, dois do seminário de Campinas, dois do Recife, e um reside
na Holanda. 48 horas após o lançamento do curso na rede, vinte pessoas já
estavam inscritas. Hoje tem acima de 190 alunos.

A seriedade com que as Denominações históricas tratam o tema da Educação
teológica, e as regulações do Ministério da Educação vêm minimizar os chamados
“Cursos Intensivos de Preparação de Obreiros”, os famosos
“C.I.P.Ós”. Uma legislação competente e um reconhecimento pelos
órgãos interdenominacionais e denominacionais (ASTE, ABIBET, AETAL) diminui
essa nefasta influência. Em Salvador, havia quatorze escolas ditas de teologia
no começo de 2001, desde as confessionais, as ecumênicos e os
“CIPÓs”.

Precisamos repensar uma Educação Teológica que seja relevante tanto para nossa
pátria quanto para o mundo em geral. A questão de fundos é importante. Em
outros países, pessoas e organizações fazem maciças doações aos seminários.
Esse dinheiro é abatido do Imposto de Renda e financia uma cátedra. O professor
recebe seu salário dos rendimentos deste fundo. No Brasil, tal fato é
impensável. Mas sempre há soluções, como os Fundos Memoriais.

Como nós repousamos em Jesus Cristo, Ele nos assegurou que “Eis que faço
novas todas as coisas”, o que inclui uma nova visão ou re-visão do ensino
acerca de Si mesmo. E estando Ele conosco, chegaremos lá.

[Esta reflexão foi apresentada no Painel sobre Educação Teológica patrocinado
pela Associação dos Ex-alunos do STBNB, Recife, janeiro de 2002.

Parte XII
Introdução:
Nosso estudo tem como objetivo a reflexão sobre o que é aprender e o que é
ensinar. Como o próprio nome sugere “ensino-aprendizagem”, trata-se
de um binômio inseparável. Estes dois termos “aprender”e
“ensinar” não podem se separar. Eles estão intimamente relacionados e
um depende do outro para existir.

Em Dt 4:1 vemos o termo “ensinar” e em 5:1 o termo
“aprender”. Na língua Hebraica tirando o sufixo e o prefixo das duas
palavras vamos notar que trata-se da mesma raiz. Isto mostra que trata-se de
dois vocábulos que são independentes. Não existe ensino sem aprendizagem e
também não existe aprendizagem sem ensino. O que o professor faz e o que aluno
faz estão ligados entre si .

I. ENTENDENDO O CONCEITO ENSINO-APRENDIZAGEM

1) O QUE É ENSINAR?

Ensinar é a tarefa do professor. É o processo de facilitar que outras pessoas
aprendam e cresçam. Ensinar é todo o nosso esforço de levar alguém a aprender.
Não se trata de passar informações de uma mente para outra como objetos de uma
gaveta para outra. O mero derramar diante do aluno o conteúdo do seu
conhecimento, não significa que o professor está ensinando.

Na pedagogia tradicional, a proposta da educação é centrada no professor cuja
função define-se por vigiar os alunos, ensinar a matéria e corrigi-la. A
metodologia decorrente desta concepção tem como princípio a transmissão de
conhecimento através da aula do professor. O professor fala, o aluno ouve e
aprende. O professor não dá espaço para o aluno participar de seu aprendizado.
O aluno é passivo neste processo, pois é o professor que detém o saber.

“Ensinar, entretanto, não é somente transmitir, não é somente transferir
conhecimentos de uma cabeça a outra, não é somente comunicar. Ensinar é fazer
pensar, é estimular para a identificação e resolução de problemas; é ajudar a
criar novos hábitos de pensamento e ação”

Na pedagogia moderna, chamada de Escolanovista , o professor é visto como
facilitador no processo de busca do conhecimento que deve partir do aluno. Cabe
ao professor organizar e coordenar as situações de aprendizagem, adaptando suas
ações às características individuais dos alunos, para desenvolver suas
capacidades e habilidades intelectuais.

Pergunta para nossa reflexão: por que o ensino é tão pouco eficiente em termos
esforço docente/ aproveitamento discente?

2) O QUE É APRENDER?

Assim como o papel do médico é levar o paciente a se curar, o papel do
professor é levar o aluno a prender. Aprender é adquirir domínio sobre o
conteúdo ensinado, mas é mais que isto; é traduzir na prática o que foi e está
sendo ensinado. A aprendizagem acontece dentro do indivíduo, mas seus efeitos
são comprovados exteriormente em comportamentos externos. Em outras palavras, a
mudança de vida é evidência de que houve aprendizagem.

É bom que se diga, que não se trata de uma mudança mecânica ou condicionada.
Ser treinada a fazer determinadas coisas não caracteriza aprendizado. Uma coisa
é saber que não se deve tirar a vida da outra pessoa. Outra coisa é saber
porque não se deve fazer isso.

II. PRINCÍPIOS DO PROCESSO ENSINO APRENDIZAGEM

A aprendizagem contém cinco princípios básicos:

1) A Aprendizagem tem início quando parte de onde o aluno se encontra.

Se pretendemos ensinar algo a alguém, faz-se necessário partir do ponto de
conhecimento que o aluno já possui. Ensinar é explicar o novo baseando-se no
antigo; o desconhecido, partindo do conhecido e o difícil em relação ao fácil.
Precisamos como professores entender que o estudo a ser ministrado precisa ter
relação com o conhecimento já adquirido pelo aluno.
Nosso grande desafio como professor não é sobrecarregar os nosso ouvintes com
informações; ao contrário, é conduzi-los domingo após domingo, a um crescimento
simétrico.

2) A Aprendizagem será eficaz se levar em consideração os interesses do
aluno.

Temos que despertar o interesse daqueles a quem queremos ministrar ( Jo. 4:10
). O aluno precisa sentir que vale a pena ouvir o que você tem a dizer.

“Os corações também têm orelhas – e estai certos de que cada um ouve, não
conforme tem os ouvidos, senão conforme tem o coração e a inclinação”
Sermão do 5º Domingo de Quaresma – (Padre Vieira)7

John Stott, nos lembra que Jesus conhecia os corações de seus ouvintes e lhes
falava ao coração ( Jo. 2:25 ). Jesus é o grande Kardiognôstes ( Atos 1:24 ),
aquele que conhece os corações.

3) A aprendizagem será mais eficaz se levar em conta a necessidade do aluno.
( Jo. 4:5-30 )

Muitos professores ficam angustiados porque não conseguem prender a atenção de
seus alunos. O aprendizado ocorre quando os alunos estão motivados a aprender,
e para que haja motivação, precisamos levar em conta suas necessidades.

Para que o processo ensino-aprendizado seja eficaz o professor precisa conhecer
seus alunos. Precisa olhar e tratar seus alunos como ovelhas e adequar seus
métodos didáticos às diferenças individuais, visando a uma aprendizagem mais
satisfatória

É nosso trabalho como professor conhecer nossos alunos, suas lutas e fraquezas,
suas tentações e alegrias. Você conhece seus alunos? Sabe quem são seus pais,
onde eles estudam, onde trabalham, quais são seus sonhos ? etc..

O modelo de Maslow nos mostra quão importante e eficaz se torna o ensino e a
aprendizagem se nós como professores considerarmos as necessidades dos nossos
alunos.

Maslow entendia que toda pessoa tem uma tendência básica para realizar o que
nela está em potencial, e concebe a existência de 5 tipos de necessidades:

Jesus não pregava sermões enlatados. Ele os pregava na casa, na sinagoga, nos
montes ou a beira-mar sempre muito naturalmente e partindo do interesse e das
necessidades de seus ouvintes e de suas necessidades. (Lc 10:25,26; Jo 4:10; Lc
4:16-30)

O conteúdo pode ser bíblico e correto, mas se não atender as necessidades do
aluno não terá muito valor. É como dar água e não pão para quem tem fome. Nós
como professores precisamos manter uma relação mais pessoal e íntima com nossos
alunos.

Jesus era relacional: O coração de Jesus pulsava não só pelas idéias, mas
também pelas pessoas. Ele estava mais preocupado com as pessoas do que com o
trabalho a ser realizado. Jesus era um mestre que criava pontes e não muros
entre as pessoas. (Jo 5:1-15)

4) A aprendizagem terá mais sucesso se for baseada em atividades.

Este princípio é aquilo que temos visto na frase: “Aprender a fazer,
fazendo” Nossos alunos aprendem quando ouvem, vêem e fazem. Existe o
prazer puro do conhecimento, mas o aprendizado deve produzir mudanças em nossas
vidas.

5) A Aprendizagem ocorre quando se observa o professor como modelo.

Poucas coisas tocam tão de perto o coração de um aluno quando este verifica que
o professor pratica aquilo que ensina. A aula não é um mero discurso, mas o
compartilhar de experiências reais. Veja o exemplo de Jesus. O que ele pregava
e fazia eram a mesma coisa. Nele não havia contradições. ( Mt
7:29; Lc 4:32; At 7:22 )

III. A COMUNICAÇÃO
E O PROCESSO ENSINO APRENDIZAGEM

O termo comunicação vem do latim communis, que quer dizer “comum”.
Para que possamos comunicar algo a alguém precisamos estabelecer pontos em
comum com ele.

1) Pontos de estrangulamento da comunicação :

1. Professor é um mau comunicador e não percebe isto.
2. Professor está mais interessado em dar a matéria do que despertar o
interesse do aluno.
3. Professor se utiliza de termos e conceitos que não são da experiência dos
alunos.
4. Professor parte da premissa de que todos os seus alunos têm o mesmo nível de
inteligência.
5. Professor não parte do ponto em que o aluno está.

2) ELEMENTOS BÁSICOS DO PROCESSO DA COMUNICAÇÃO

No processo da comunicação (tornar comum) humana intervêm, necessariamente
cinco elementos:

1) – O Transmissor : É aquele que transmite
2) – O Receptor : O que recebe

A comunicação exige a participação, no mínimo de 2 pessoas. Se um indivíduo
fala e ninguém ouve, o processo da comunicação humana não se completou.

3) – A Mensagem : É o elo de ligação dos dois pontos do circuito.

Toda mensagem no processo da comunicação humana precisa ser significativa, deve
dizer qualquer coisa em comum para o transmissor e para o receptor. O professor
precisa conhecer o assunto que vai ministrar.

4) – O meio: O meio pode prejudicar ou facilitar a comunicação. Dominar o meio
da comunicação humana é condição essencial à sua efetividade.

O meio da comunicação precisa atender a dois requisitos fundamentais:
– Ser dominado tanto pelo transmissor quanto pelo receptor.
– Estar de acordo com a mensagem que transporta.

5) – Finalidade – Objetivo : A finalidade da comunicação deve ser evidente,
para prevenir distorções e mal-entendidos.

A pergunta: “Onde quero chegar”? é fundamental para a efetivação da
comunicação.

3) COMUNICAÇÃO EM RELAÇÃO À MEMÓRIA

Nossos alunos aprendem quando ouvem, vêem e fazem.

Comunicação com Palavras escritas – 7%
Comunicação com palavras: sendo ditas, tom de voz, volume, ritmo – 38%
Comunicação vendo: Expressões faciais, gestos, etc… –
55 %.

Existe o puro prazer do conhecimento, mas o aprendizado deve produzir mudanças
em nossas vidas.

4) OS RECURSOS AUDIOVISUAIS MELHORAM A MEMÓRIA

Recursos audiovisuais frisam que a aprendizagem acontece por todos os cinco
sentidos:

5) Como Apresentar o Conteúdo ( a mensagem )

Um fator muito importante na comunicação da mensagem é a maneira como falamos
quando temos a incumbência de ensinar. Todos nós já ouvimos vários tipos de
professores, pregadores e oradores: alguns interessantes, outros fracos e sem
nenhum brilho; alguns falando com idéias breves e claras, outros demorando
muito em expressar o que querem dizer; alguns com uma mensagem vital, outros
sem nada para dizer, usando palavras destituídas de sentido, valor e clareza.

Algumas recomendações para se evitar os ruídos na comunicação :

· Planeje cuidadosamente sua comunicação. Evite falar demais. Seja objetivo.
· Antes da comunicação decida qual o melhor meio
· Quando oralmente, fale de maneira clara e pausadamente
· Evite comunicar-se sob estado de tensão; você poderá dizer muita coisa e
depois se arrepende
· Use a mesma linguagem do receptor
· Fale um assunto de cada vez. Não misture os assuntos
· Verifique se foi compreendido através de perguntas dirigidas ao grupo
· Ouça o que os outros têm a dizer. Não menospreze qualquer opinião ou sugestão

Pense um momento. Como podemos ser mais atraentes ao proferir ou apresentar as
mensagens? O nosso desejo, por certo, é segurar a atenção dos ouvintes para que
ganhem o máximo daquilo que Deus tem colocado em nosso coração. Quais são
alguns dos bons hábitos que o professor deve mostrar na sua fala?

A. Use Linguagem Simples e Clara: O nosso Senhor Jesus Cristo, embora
Deus-Homem, falou em termos claros e perfeitamente compreensíveis para povo
comum. Ele poderia ter usado uma linguagem profunda e difícil. Mas escolheu
palavras simples para o povo.

Creio que todo professor deveria aplicar o lema de Agostinho: “A chave de
madeira não é tão bonita quanto a de ouro, mas se ela abre uma porta que a
chave de ouro não consegue abrir, é muito mais útil”

Citando novamente Stott, ele nos conta a história de um paciente num hospital
de loucos que, após ouvir o capelão por algum tempo, comentou: “Se Deus
não me ajudar, vou acabar assim também!”

B. Procurar Usar o Próprio Estilo: Não deve o professor imitar ninguém, deve
ser natural e usar a própria personalidade que Deus lhe tem dado. Especialmente
quanto ao tom de voz que usa ao falar, o professor deve usar o seu próprio tom
habitual.

C. Falar de Tal Forma Que Todos Possam Ouvir e Compreender: Uns dos principais
problemas de muitas pessoas que falam em público é o de serem ouvidas ou
entendidas. Às vezes o volume ou força de voz não é suficiente para que os que
estão mais afastados possam ouvir sem dificuldade.

O professor precisa pronunciar distintamente cada palavra. Alguns falam
depressa demais, quase em ritmo de metralhadora ! Devemos tomar o máximo
cuidado com a articulação ou enunciação de nossas palavras.

D. Falar com o Corpo Todo: Se a exposição da aula é uma espécie de
“conversa animada”, devemos utilizar as nossas mãos para dar ênfase
àquilo que dizemos. Se a mensagem estiver cheia de vida, não teremos muito
problema em reforçar as nossas palavras com gestos.

Qual o mais interessante para se escutar. Alguém falando :

· Com variação no tipo de freqüência dos gestos ?
· Com muitos gestos semelhantes que se repetem continuamente ?
· Sem nenhum gesto ?

E. Falar com Convicção: Convicção é uma característica dos grandes mestres de
todos os tempos. Para alcançarmos êxito no ensino, muito depende da convicção
com que falamos. Uma das fontes principais de popularidade e magnetismo pessoal
na sala de aula é uma convicção inabalável, uma alvo definido.
Quando Charles H. Spurgeon, o grande pregador do século XIX, pastor da Igreja
All Souls, em Londres deu início a seu ministério, um ateu bem conhecido
informou a seus amigos que iria ouvir Spurgeon pregar.
– Por que? Perguntaram seus amigos incrédulos. Você não acredita em nada que
ele prega.
– Eu não acredito, concordou o ateu, mas ele acredita.

F. Falar com Entusiasmo ( En+ Teos ): O entusiasmo é uma outra qualidade que
está ligada à convicção. O entusiasmo ajuda muito a qualquer palestra ou
sermão. Esta qualidade é atraente e contagiante. Entusiasmo por parte do professor
gerará entusiasmo nos ouvintes.
Devemos mostrar o nosso entusiasmo em nossa voz, expressão facial e também em
nossa maneira de falar. Se vale a pena pregarmos a nossa mensagem, valerá
também sermos entusiasmados com ela. Se os professores e as pessoas que fazem
palestras se entusiasmam ao proferir aulas e palestras, quanto mais nós, que
temos a “boca-nova” de salvação e perdão para os nossos ouvintes !

G. Falar com Amor: Que prazer é ouvir algumas pessoas falar ! O rosto delas
parece radiar o gozo, a paz e o amor do Senhor. É fácil prestar atenção àquilo
que dizem. Sentimos o amo de Deus quando falam. Como têm uma atitude simpática
e não de condenação ou superioridade ! Sigamos o exemplo destes, e não o
exemplo negativo de alguns que falam sem manifestar o amor e compaixão do nosso
Mestre.

H. Pregar no Poder do Espírito: O apóstolo Paulo assim escreveu em I Coríntios
2:4,5 : “A minha linguagem e a minha pregação não consistiram em palavras
persuasivas de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder; para que
a vossa fé não se apoiasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus.”

I. Variar a entonação e a velocidade da voz.

Responda você mesmo : Qual é o mais interessante para se escutar ?
· O tempo todo voz triste ?
· Com variação de tom de voz ?
· O tempo todo com voz alegre ?

Qual o mais interessante para se escutar ?

Aquele que fala :

· O tempo todo depressa ?
· O tempo todo devagar ?
· Com variação de velocidade ?

IV. OS MÉTODOS NO PROCESSO ENSINO APRENDIZAGEM

Como incentivar a participação mais efetiva de nossos alunos ?

A palavra método vem do grego methodos. Daí a nossa palavra metodologia (método
+ logia) estudo dos métodos. É a arte de guiar o aprendiz na investigação da
verdade.

Método portanto, é o caminho para se atingir um objetivo, um resultado.

“A aprendizagem se realiza através da conduta ativa do aluno, que aprende
mediante o que ele faz e não o que faz o professor”. Ralph W. Tyler

Existem várias maneiras, caminhos, métodos para ensinar um assunto.

O professor que busca transmitir ao aluno determinado ensino e deseja alcançar
o objetivo do aprendizado efetivo, deve analisar e selecionar o método mais
adequado e mais eficaz.

1 – Exposição – Preleção

Devemos utilizar este método :

a) Para dar uma informação.
b) Quando os alunos estiverem motivados.
c) Quando o orador tiver fluência e administração do grupo.
d) Quando o grupo for grande, impossibilitando o uso de outros métodos.
e) Para adicionar ou destacar algo novo ao conhecimento já adquirido.

Exposição Verbal : Utilizado quando o assunto é desconhecido ou quando as
idéias dos alunos são insuficientes ou imprecisas. Conforme o nível de
aprendizado do aluno, a exposição pode ser intercalada com a exposição dos
alunos, ainda que informalmente.

Desvantagens do método expositivo:

– A aprendizagem pode ser mecânica (não crescem, mas engordam)
– Pode gerar um processo de memorização sem aprendizado
– O uso de linguagem e termos inadequados
– Pode haver uma preleção sem cativar: Não se conquista o aluno, ao contrário,
a tendência é de distanciamento.

2. Trabalho Independente: Consiste de tarefas dirigidas e orientadas pelo
professor. Efetuar uma pesquisa, elaborar um sermão, resolver uma questão…
Deve ser utilizado após análise do objetivo do curso, do nível de conhecimento
do aluno, do tempo disponível … pois o principal objetivo será o
desenvolvimento da atividade mental do aluno, fixando o aprendizado. Exige
acompanhamento do professor, corrigindo e estimulando.

3. Elaboração conjunta: O exemplo mais típico de elaboração conjunta é a
“conversação didática”. Não é um simples responder perguntas, mas um
interagir professor-aluno. Exigirá maior preparo metodológico do professor,
como também um conhecimento mais abrangente, pois ele não apenas coordenará o
processo, mas fará parte do processo. O resultado será coletivo.

Professores inexperientes, autoritários, formais ou dogmáticos certamente
enfrentarão dificuldades com este método. Aparentemente pode não ter problemas,
pois toda e qualquer expressão ou discórdia será combatida.

4. Trabalho em grupo: Distribuição de temas, perguntas, questões… para que em
grupos de 3 a 5 alunos as questões sejam trabalhadas. Deve-se fixar um objetivo
a ser atendido.

Os “grupos” de alunos devem ser divididos, buscando a formação
heterogênea. O ambiente deve ser preparado antecipadamente para ganhar tempo e
evitar bagunça. (a não ser que a bagunça faça parte do objetivo).

Podemos utilizar este método:

a) Para obter a participação do aluno ( na maioria dos casos todos participam,
mesmo aqueles mais tímidos e inibidos)
b) Para avaliar o conhecimento do grupo
c) Para reafirmar conceitos
d) Para produzir ambiente descontraído, propício ao aprendizado. (em ambientes
tensos, autoritários, formais, o aprendizado torna-se mais difícil)

5) Representação, Dramatização

Apresentação de um problema humano por determinado número de alunos, para
análise e discussão pelo restante do grupo.

O Teatro de sombras : Representações de personagens, atrás de um lençol. Os
personagens devem atuar de perfil (de lado) obviamente.

Temos também o Teatro de Marionetes e o Teatro de Vareta

Teatro de fantoches: Consiste em fantoches de papel, fixados numa vara de
churrasco, bambu ou palitos de sorvete. ( Fantoches de Luvas, Fantoches de Mão,
Fantoche Andarilho )

O fantoche pode ser preso à mão por um elástico costurado na cintura. Fazer
botas de cartolina que serão ajustadas aos dedos.

6) Debates: Neste método oradores falam a favor ou contra uma proposição,
defendendo seus pontos de vista. Em um segundo momento, o grupo que assiste
poderá fazer perguntas aos debatedores.

7) Painel de Oposição ou debate: Discussão diante de um auditório sobre
determinado tópico. Requer três ou mais participantes e um líder.

Os participantes e o líder devem ter conhecimento geral e específico na área e
domínio próprio para que o painel não se transforme em “pancadaria
intelectual”.

Podemos utilizar este método:
a) Para apresentar pontos de vista diferentes.
b) Quando houver pessoas qualificadas para compor o painel.
c) Quando o assunto for complexo demais, dificultando a participação do grupo
todo.
d) Quando for melhor para o aprendizado somente observar e não discutir.
e) Quando quiser analisar as vantagens e desvantagens na solução de um
problema.

8) Seminário: O nome desta técnica vem da palavra “semente”, o que
indica que o seminário é uma excelente ocasião para germinar a semente de novas
idéias, favorecendo assim o aprendizado.

9) Atividades Especiais:
· Leitura complementar
· Visitas entre alunos
· Visitas a lugares específicos
· Piquenique

V. RECURSOS PEDAGÓGICOS NO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM

A aceleração na história nada mais é do que o tempo entre a descoberta e a
aplicação dos processos tecnológicos. A fotografia levou 112 anos entre a
descoberta e a aplicação. O telefone, 56 anos; o rádio, 35; a televisão, 12; o
computador, 2 anos. O comptador 286, 1 ano e do 486 para o Pentium, 1 mês .

Nossa sociedade está em constantes mudanças. Se nós professores, também não
acompanhar estas mudanças e transformaçães, vamos ficar para trás. Veja alguns
recursos pedagógicos que podemos lançar mão para tornar nosso trabalho como
professor, mas fácil:

1) Apostilas: O professor pode preparar a sua aula e colocar isto em forma de
apostila. Assim os alunos poderão acompanhar a aula, lendo, vendo e ouvindo.

2) Quadro “negro”: Às vezes se faz necessário ao professor escrever
alguma palavra para que o aluno visualize e entenda seu significado. Auxilia ao
professor que vez ou outra precisa fazer um gráfico, ou expor de maneira visual
seu argumento.

3) Retroprojetor: Exposição com ilustração visual : Apresentação gráfica de
fatos, fenômenos … através de gráficos, mapas, esquemas, gravuras, etc. ( Ex.
Viagens missionárias de Paulo (mapas) )

4) Flip Chart: Tem a mesma função do qudro “negro”, porém por ser
móvel, pode ser levado para qualquer outro ambiente e também sua posição dentro
da sala de aula.

5) TV e Vídeo: Existem bons filmes que podem ser utilizados para favorecerem o
ensino.

6) Computador: Gráficos, desenhos, Multimídia, etc….

VI. O PAPEL DO ESPÍRITO SANTO NO PROCESSO ENSINO APRENDIZADO
O que distingue a Educação secular da cristã, é que esta tem a Bíblia como seu
objeto de estudo e sua meta é a transformação de vidas. Em razão disto a obra
do Espírito Santo é indispensável para alcançarmos tão sublime meta.

Na educação cristã, a eficácia do ensino depende indiscutivelmente da obra do
Espírito Santo. Esta eficácia ocorre em 3 etapas: Na preparação da aula, na
ministração e na recepção por parte dos alunos.

RAZÕES DA NECESSIDADE DO ESPÍRITO SANTO NO PROCESSO PEDAGÓGICO

Em Relação ao Professor:

1) – O professor precisa de capacitação espiritual.

Lemos I Co 2:1-4 e II Co 3:5 que o sucesso do ensino não depende, em primeiro
lugar, da capacidade do professor. O mestre pode ser eloqüente, gesticular bem,
mostrar grandes conhecimentos, e no entanto seu ensino não ter o efeito
esperado.

A Educação cristã é um processo cooperativo envolvendo o humano e o divino. O
professor estuda, planeja e ensina a verdade; o Espírito Santo procura dar
direção, poder e iluminação aos professores. (Zac 4:6)

Em Relação ao Aluno:

2) – É o Espírito Santo que aplica a verdade ensinada.

O resultado eficaz do ensino depende da ação iluminadora no coração dos
ouvintes. Apenas ter conhecimento da verdade apresentada, não transforma os
ouvintes. Para que a Palavra ensinada seja eficaz na vida dos alunos precisamos
do ministério de iluminação do Espírito Santo. (Jo 14:26; 16:13; II Co 2:10-15)

VII – AS QUALIFICAÇÕES DO PROFESSOR EFICAZ

O que você acha de um mecânico de automóvel que não tem noção do que seja um
radiador? Ou de um médico que não qual a diferença entre sangue tipo A e tipo
B? A conclusão óbvia é: não estão qualificados para exercer seu trabalho.

Da mesma forma o professor precisa preencher alguns requisitos básicos para
estar apto a exercer o ministério de ensino na Igreja de Cristo.

Iremos considerar alguns elementos no ministério de Jesus e teremos mais
instrução para cumprir nossa missão de mestre de maneira mais eficaz.

1) O Professor deve ensinar com a própria vida.

A classe de aula é a extensão da vida do professor. Esta talvez seja a
qualidade mais importante na vida de qualquer professor.

As pessoas ouviam o ensino de Jesus e o admirava. A razão está no fato de que
Jesus ensinava com autoridade – Mc 1:22; Lc 4:22; At 7:22.

2) O professor precisa estar convicto daquilo que ensina.

O professor precisa ter convicção pessoal daquilo que está ministrando.

O professor que não tiver convicção naquilo que está ministrando não conseguirá
persuadir seus alunos.

O que você diria de uma pessoa que viesse à sua casa e com muita tranqüilidade
e indiferença dissesse: “Sua casa está pegando fogo lá atrás”? Você
daria crédito?

3) O professor precisa ter senso de vocação.

Ser professor não pode ser uma opção só porque não tinha outra coisa para se
fazer na Igreja. E ninguém deve assumir a função de ensinar só porque não tinha
outra pessoa para ocupar o cargo.
Ser professor na Escola Bíblica Dominical é vocação. Note o exemplo de Jesus –
Mt 4:23; Jo 13:3; 3:2. Jesus é chamado de Mestre pelo menos 45 vezes nos
Evangelhos.

4) O Professor precisa ter conhecimento das Escrituras.

Não poderia ser diferente. A Bíblia é a matéria prima do trabalho do professor.
O professor de Escola Dominical que desconhece as Escrituras é tão incongruente
quanto um advogado que desconhece o código de leis de seu país. (Mt 4:1-11; Lc
24:27; Mt 5:17-48)

5) O professor precisa conhecer a natureza humana.

Todo aquele que lida com pessoas, precisa conhecer a natureza humana. O
professor precisa compreender a vida humana e os intrincados problemas a que as
pessoas estão sujeitas.

O professor é também um “médico”. Sua função é receitar o remédio
certo para as dores do coração humano. ( Jo 2:25; Mt 9:4; Jo 6:61-64; Jo
4:17,18)

Ilustração: Gráfico de quem são os nossos alunos.
(A Liderança Cristã)

6) O professor precisa dominar a arte de ensinar.

O professor se quiser ser eficaz em seu ministério será necessário se preparar
conhecendo e dominando bem o seu trabalho. Se faz necessário ler muito sobre a
arte da pedagogia; as regras, os caminhos mais eficazes para se ensinar; erros
que não se devem cometer, etc…

VIII. OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO NO PROCESSO ENSINO-APRENDIZADO

Tudo fica mais fácil quando temos um objetivo claro em mente. O que você diria
de alguém que simplesmente entra num ônibus, mas sem saber onde ele quer
chegar? Loucura? Pois é, mas acontece que muitos professores entram numa sala
de aula e começam a dar a lição sem saber onde querem chegar com a lição.

O professor se quiser ensinar de modo eficaz precisa ter um alvo a ser
atingido.

Vejamos alguns objetivos do ensino:

1) Formar cristãos com caracteres maduros. (Discipulado)

2) Preparar os crentes para o serviço cristão. (Serviço)

3) Evangelizar aqueles que não são convertidos. (Evangelismo)

4) Ajude na solução de problemas. (Ação social)

5) Solidificar o ensino das Escrituras (Doutrina)

6) Preparar os cristãos para se relacionar entre si. (Comunhão)

IX. CARACTERÍSTICAS DO DOM DE ENSINO

Algumas características, entre as que podem ser observadas no possuidor do Dom
de Ensino

01 – Capacidade de explicar claramente e aplicar eficientemente a Palavra de
Deus, de modo a transmitir informações relevante ao bem estar espiritual e ao
ministério individual do irmãos.

02 – Gosta de descobrir e armazenar a verdade. Questiona idéias e conceitos
novos até compreender a verdade sobre esses conceitos e como eles podem ser
aplicados na prática.

03 – Organiza dados e informações metodicamente. Apresenta a verdade numa
seqüência organizada e sistemática. Não ensina à queima-roupa.

04 – Ajuda outros a compreenderem a Verdade, com todos os recursos de didática:
explicações claras, simples, que conduzem os outros a raciocinar corretamente,
até compreenderem a verdade e saberem como aplicá-la. Procura fazer com que os
princípios bíblicos sejam úteis e aplicáveis no dia-a-dia do crente.

05 – Faz questão de usar a palavra exata e de esclarecer o sentido das
palavras. Pode até exagerar na exposição dos detalhes.

06 – Tem convicção de que este Dom é básico para o exercício dos demais.

07 – Recebe iluminação de Deus nos seus estudos e transmite efetivamente
esclarecimentos que iluminam a Palavra de Deus.

Maior Satisfação : Obter e armazenar informações, para transmiti-las.

Riscos de pecado neste ministério:

01 – Por orgulhar-se do seu conhecimento;

02 – Por desprezar os que não tem o mesmo grau de conhecimento e não são
metódicos;

03 – Por ensinar somente coisas que agradem uma parte do auditório;

04 – Por esquecer que é Deus que o capacita a transmitir corretamente a
Palavra.

CONCLUSÃO:

Bibliografia

Bruce Wilkinson, As 7 Leis do Aprendizado ( Venda Nova: Ed. Betânia , 1998 )

George Sherron K., Igreja Ensinadora, Ed. LPC Publicacões ( Campinas: 1993 )
Grigs, Donald L., Manual do Professor Eficaz, Cultra Cristã ( São Paulo: 1997 )
Hendricks, H. Ensinando para Transformar Vidas, Ed. Betânia ( Belo Horizonte:
1991)
Júnior, A. Gagliard, Você Acredita em Escola Dominical ? Editora Vinde ( Rio de
Janeiro: 1991 )
Júnior, A. Gagliard, Educação Religiosa Relevante, Editora Vinde (Rio de
Janeiro: 1993
Juan Diaz Bordenave e Adair Martins Pereira, Estratégias de Ensino-Aprendizagem
( Petrópolis: Ed. Vozes – 1977 )
Maria Cristina Kupfer, Freud e a Educação (São Paulo: Ed. Scipione, 1996)
Maria Lúcia de A. Aranha, História da Educação ( São Paulo: Ed. Moderna, 1989 )
Maria Lúcia de A. Aranha, Filosofia da Educação ( São Paulo: Ed. Moderna, 1989
Olivetti, Odair, Aprimorando a Escola Dominical, Casa Ed. Presbiteriaana ( São
Paulo: 1992)
Price, J.M., A Pedagogia de Jesus, Juerp ( São Paulo: 1986 )
Rev. Gildásio J

Parte XIII
VIVENDO E
APRENDENDO COM C.S.LEWIS:

Princípios Norteadores da Educação
Cristã no Século XXI
I.             
VIDA
E OBRA DE C. S. LEWIS
Nascido em Belfast, Irlanda, C. S. Lewis (1897-1963) é considerado um dos
maiores pensadores, escritores e apologetas cristãos do século XX, com grande
capacidade de projeção para o futuro. Sua vastíssima obra, mais conhecida no
meio cristão pelos seus livros teológicos, também ficou famosa por outro
gênero, o do romance ou ficção. O sucesso imediato de Cartas de um Diabo a seu
Aprendiz foi reconhecido pela celebrada revista Time. Lewis também ficou famoso
por sua ficção científica (da sua trilogia espacial, Longe do Planeta
Silencioso e Perelandra já estão traduzidos para o português) e pelas histórias
tão preciosas para o público infantil (e também para os adultos) narradas nas
Crônicas de Nárnia.1

Mas a melhor idéia que se pode ter da história desse catedrático e crítico
literário de Oxford (Magdalene College, 1925-1954) e Cambridge (como professor
de literatura inglesa medieval e renascentista) pode ser obtida da leitura de
sua autobiografia Surprised by Joy,2 recentemente traduzida e lançada, com
muito sucesso, no mercado nacional. Esse livro explica a total coerência do
autor, em meio à grande variedade de gêneros literários utilizados, sendo os
princípios fundamentais da doutrina cristã também sintetizados nas suas quatro
principais obras apologéticas: Cristianismo Puro e Simples, O Problema do
Sofrimento, Milagres e O Grande Abismo.3

As obras de Lewis são constantemente reeditadas no exterior,4 inspirando muitos
estudiosos a elaborar compilações, revisões, estudos e palestras a respeito
desse autor e de seu pensamento. Atualmente existe até uma lista de discussão
na Internet em torno de suas idéias, além de sociedades fundadas a partir de
uma visão cristã do mundo inspirada por ele. Há ainda um filme cinematográfico
de Richard Attenborough, Shadowlands (“Terra das Sombras”), em sua homenagem,
que pode ser encontrado em videotecas e é freqüentemente visto na programação
da TV por assinatura.

II. CONTRIBUIÇÃO PARA A EDUCAÇÃO CONTEMPORÂNEA
Para se ter uma noção do potencial de projeção das idéias desse autor para a
educação do século XXI (e particularmente para a educação cristã), é preciso
mencionar que, nos Estados Unidos, por exemplo, as Crônicas de Nárnia foram
recentemente recomendadas no currículo das escolas e universidades de alguns
estados, como leitura obrigatória em diversos cursos oferecidos por
reconhecidas instituições de ensino, despertando o interesse de estudantes e
intelectuais de todos os níveis e áreas. A ampla popularidade conquistada pelo
autor, através de educadores e da grande diversidade de sua obra, é um indício
da importância da sua mensagem para o campo educacional.

A sua autobiografia, que teve sucesso quase que imediato no mercado brasileiro,
confessional ou não, revela a ênfase dada pelo autor à educação. Embora a sua
experiência escolar não tivesse sido das melhores (ou quem sabe precisamente
por isso), Lewis levou até o fim o seu projeto pedagógico cristão de resgate do
sentido que pode haver nas escolas, e que pode ser alcançado através da
literatura e, particularmente, dos contos-de-fada, como explica um dos
especialistas nas idéias do autor:

…o sentido está intimamente relacionado com o papel da imaginação e com o
fato de que todo o universo é uma criação dependente de Deus. Costumamos ver a
razão como o veículo da verdade, e a imaginação, do sentido. A razão e a
imaginação têm, ambos, a sua própria autonomia … A ficção é, para Lewis, a
construção do sentido. Ela reflete a criatividade maior de Deus, quando deu
origem ao seu universo e o relacionou a nós mesmos. O sentido é o cerne das
coisas e dos fatos.5

Nos capítulos a seguir procuraremos explicitar melhor os princípios acima
sintetizados, aplicando-os à Educação Cristã.

III. PRINCÍPIOS BÁSICOS DA EDUCAÇÃO CRISTÃ DE C. S. LEWIS

A. Apre(e)nder pelo sofrimento
Se considerarmos a vastidão das obras de Lewis, perguntar-nos-emos o que o
teria impelido a escrever tantos livros (sem falar das milhares de cartas que
escrevia a seus leitores) e de forma tão diversificada! E como poderíamos
tornar acessível a sua contribuição ao educador brasileiro, no limiar de um
novo século? Para responder em parte a essa questão, devemos considerar a
história de vida do autor, marcada pela dor desde menino, com a morte de sua
mãe, o que deu inicio à sua insistente e contínua busca de “alegria” (curiosamente
também o nome de sua futura esposa, Joy). Assim, por exemplo, em O Problema do
Sofrimento, Lewis aborda diretamente a questão clássica que o mundo secular
levanta contra o cristianismo: “Se Deus existe, como pode haver tanta
injustiça, fome e miséria no mundo?”

Não há dúvida de que a vida muitas vezes é cruel e, se quisermos ser realistas,
teremos que contar com obstáculos constantes, muitas vezes dolorosos, que nos
trazem de volta à vida concreta, destruindo nossas fantasias a respeito de um
mundo idealizado e abstrato, como se vê nesse exemplo, citado por Lewis:

Móveis feitos de sonho são o único tipo em que nunca tropeçamos ou esbarramos
com o joelho. Nós todos conhecemos um casamento feliz. Mas como a esposa é
diferente daquela donzela imaginária dos sonhos da nossa adolescência! Tão
pouco adaptada a todos os nossos desejos extravagantes e por esta mesma razão
(entre outras) tão incomparavelmente melhor.6

O próprio Deus, que é um ser real e concreto, escolheu manifestar-se ao homem
em forma material e concreta, apesar de ser igualmente capaz de usar um sonho
para nos comunicar algo. Assim, para os cristãos, uma das primeiras lições a
serem aprendidas é que o ser humano não pode viver de sonhos e devemos aprender
a lidar com as nossas limitações, que muitas vezes implicam em dor e
sofrimento:

É lógico que fomos instruídos em como lidar com o sofrimento — oferecendo-o a
Deus em Cristo como mui singela, modesta mesmo, participação no sofrimento de
Cristo; por outro lado, como é duro praticá-lo, não é mesmo?7

Devido a essa dureza da vida é que autores como Kreeft procuram ajudar-nos a
enxergar o outro lado do sofrimento, já quase esquecido pela maioria dos seres
humanos. Isso pode vir a tornar-se uma excelente oportunidade para aprender,
como ele expressa no seguinte trecho de uma de suas primorosas obras, na qual
busca uma interação com o leitor:

Leitor: Então, prazer sem sofrimento é possível para Deus. Por que não nos é
possível?

Autor: Boa pergunta.

Leitor: Você tem uma boa resposta?

Autor: Acho que sim. Mesmo no Jardim do Éden, antes que houvesse pecado, morte
e sofrimento, estávamos sujeitos ao tempo, tínhamos de crescer, de aprender.
Mas aquilo era um prazer. Depois que pecamos, aprender tornou-se doloroso,
porque aprender significa submeter a mente à realidade.8

A missão prioritária do educador, portanto, é a de “resgate” (por mais
desgastado que o termo possa estar) da realidade, “doa a quem doer,” da forma
mais “didática” possível, abrindo portas que permitam enfocá-la e interpretá-la
mais adequadamente. A realidade da “dureza da vida” deve ser levada em conta,
certamente. Mas a vida não se limita a isso. Como observa Lewis, devemos ajudar
o educando a superar esse nível da desilusão e animá-lo para uma nova aventura
em busca do sentido mais profundo das coisas.

De acordo com Kreeft, o sofrimento pode, nesse sentido, adquirir uma feição
totalmente nova para nós:

O outro significado do mistério — positivo — é o encontrado em Jó. Deus tem
seus motivos para deixar que coisas ruins aconteçam a pessoas boas. Mas ele não
diz isso a Jó, que não consegue descobrir nada. Aqui, o obscuro é subjetivo,
não objetivo. Aqui, nossas mentes estão no escuro, mas Deus é a luz… No
mistério das Escrituras, a realidade é a luz e nós estamos no escuro. De fato,
estamos no escuro precisamente porque realidade é luz, muita luz. Assim como
Agostinho e Tomás de Aquino gostavam de repetir, somos como morcegos ou
corujas: enxergamos bem as sombras, mas não o sol. Pelo excesso de luz, o sol
nos cega.9

Hoje, mais do que nunca, é necessário lembrar aos que se queixam da dureza da
vida que as coisas não são obscuras por si mesmas, mas porque, de fato,
perderam algo e sofrem as conseqüências dessa falta. E, como nós mesmos temos
essa carência, somos vulneráveis às preocupações cotidianas. De acordo com as
cartas de Lewis a uma amiga americana, um dos maiores desafios é aprender a
viver as preocupações do dia, sem transferi-las do passado ou do futuro:

Suponho que viver a vida a cada dia (…) é precisamente o que nós temos que
aprender — mesmo quando o velho Adão em mim às vezes alega que, se Deus
quisesse me fazer viver como os lírios do campo, por que não me deu a mesma
dose de nervos e imaginação que eles! Ou será esse precisamente o ponto, o
propósito exato deste paradoxo divino e audacioso chamado ser humano — fazer,
dotado de razão, tudo aquilo que outros seres fazem sem ela?10

Então, para aprendermos a enfrentar o desafio de viver a vida, temos a
necessidade de compreendê-la, de apreender a sua lógica interna, sua ratio (a
tradução latina de logos) ou razão de ser mais profunda, “aplicando
corretamente a inteligência” a ela (que é um dos conceitos de “estudar” no
Dicionário Aurélio). A razão, longe de ser um empecilho à fé, pode vir a se
tornar um grande instrumento para o homem perceber o lado bom que há nas coisas
e assim viver de modo menos depressivo, desesperançoso e auto-depreciativo do
que vem vivendo neste final de século. E o grande desafio do educador do
presente e do futuro é o de ponderar todas essas coisas e descobrir meios
criativos para representar o seu sentido mais profundo de forma perceptível ao
educando, transformando a sala-de-aula numa aula viva, e a qualidade do ensino
em qualidade de vida.

B. Apre(e)nder pela razão
Uma das melhores formas de lidar com as coisas é explaná-las ou explicá-las, ou
seja, tirar as suas plicas (prega, dobra, vinco, em latim), como se aplaina um
papel todo amarrotado (daí também derivam-se complicar, replicar, aplicar,
duplicar, etc.), exprimindo-as por meio da linguagem. Essa é uma das razões
pelas quais Lewis escrevia tanto: para, aplicando o método da simplicidade,
clareza e gratidão (que é o estilo distintivo dos autores “clássicos” da
filosofia cristã como George MacDonald, Tolkien, Chesterton, etc.) traduzir a
experiência viva em literatura e, assim, representar as coisas como elas são,
que é o primeiro passo para aprender a lidar com elas. Dessa forma, Lewis
também realiza o sentido profundo do imperativo de Paulo de “considerar todas
as coisas e reter o que é bom” (ver 1 Ts 5.21).

Em The Allegory of Love,11 Lewis denuncia o mau uso que se pode fazer da mente
e da imaginação de que ela se vale para representar a realidade. É interessante
notar, a partir da literatura medieval e renascentista, os extremos em que cai o
homem quando busca a felicidade onde ela não pode ser encontrada. Um desses
extremos pode ser chamado de simbolismo, que é uma espécie de dualismo
reducionista que exalta o símbolo da mulher amada como uma divindade capaz de
eliminar todo tipo de mal e de substituir a própria realidade.

No capítulo 2 desse livro, Lewis explica que o simbolismo ou sacramentalismo é
a tentativa de interpretar ou enxergar um modelo visível por detrás do que é
invisível. Trata-se de uma espécie de “ocultismo” ou vontade de desvendar tudo
o que está oculto atrás das coisas, como podemos observar no seguinte exemplo
da literatura: “Todo o transitório é apenas uma metáfora” (Goethe).

Por outro lado, há os que, quando percebem que embaixo da casca da cebola
podemos encontrar apenas outra casca de cebola, passam a duvidar até mesmo do
conceito de cebola, recaindo no irracionalismo, que nega até o eterno: “Todo o
eterno é apenas uma metáfora” (Nietzsche).

Acontece que o invisível não pode ser interpretado em nada que seja visível. Na
verdade, as coisas materiais é que são símbolos ou imagens de uma realidade
mais concreta, que não deixamos de enxergar porque se escondem, mas porque vão
além da nossa capacidade de visão. Por isso é que toda tentativa de
interpretação humana das imagens sempre continuará sendo uma tentativa, e toda
linguagem humana, uma metáfora. O problema, então, não está nas coisas que se
ocultam, mas no olho do ser humano, que não as vê, e na sua capacidade de
expressão imperfeita. E isso não muda em nada o fato de que a cebola é uma
cebola.

O verdadeiro sabor do texto medieval não é nada simbolista (como grande parte
dos textos renascentistas, por exemplo) nesse ponto:

Tipicamente o homem medieval não era um sonhador ou aventureiro espiritual; ele
era um organizador, um codificador, um ser sistemático. Seu ideal poderia ser
resumido com nada mais do que a velha e familiar máxima: “Um lugar para cada
coisa e cada coisa no seu (devido) lugar.”12

O homem moderno, ao contrário, é capaz de se perder em meio a infinitas redes
de significados éticos e sociais metafóricos. É certo que o homem medieval não
tinha tanta ciência, mas tinha muito maior transcendência, a partir da
astronomia antiga de um Ptolomeu e, principalmente, de um Aristóteles, com seu
pressuposto de que qualquer movimento ou espaço só pode existir se partir de um
Primum Mobile ou Motor Imóvel, o primeiro impulso, a força de ignição do
Universo. Antes mesmo de Newton, os antigos já discutiam a questão einsteiniana
do “ovo de colombo,” que, em termos de Newton, encontra-se na 2ª lei do
movimento: “Todo corpo permanece em seu estado de repouso ou Movimento Uniforme
em linha reta, a menos que seja obrigado a mudar seu estado por forças
impressas nele.”13

Segundo Lewis, para além do homem antigo e do renascentista, quando o homem
medieval olha para o céu estrelado depois de uma festa, não imagina as camadas
ou misturas de gases que poderiam estar separando a terra da lua; ele não vê um
grande e silencioso vazio, mas um mundo invisível repleto de almas.

O homem medieval vê um Mundo para além dos muros da catedral, do castelo ou da
cidadela, que também chamamos de céu (heavens). Ele vive, por assim dizer, como
quem está do lado de fora dos muros da grande cidadela.

Do lado de fora do muro — é este o ponto. Voltando por um pouco à experiência
que eu mencionava no início, de olhar para as estrelas após uma ópera ou festa:

Todo o contraste entre a experiência medieval e a nossa própria só aparece
agora. Pois, o que quer que sintamos, certamente sentimos que estamos olhando
para fora; para fora de algum lugar quente e iluminado e para uma desolação
escura, fria e indiferente; para fora de uma casa, em direção ao mar escuro e
solitário. Mas o homem medieval sentia que estava olhando para dentro. Aqui é o
lado de fora. A órbita da lua é a parede da cidade. A noite abre as portas por
alguns instantes e nós pegamos alguns lances da pompa que está ocorrendo do
lado de dentro; ficamos só olhando, como animais ficam de olho no fogo daquele
acampamento em que não podem entrar, como os bárbaros ficam de olho naquela
cidade…14

A título de contraste, entre outras obras renascentistas (de Spencer e de
Milton, no qual se especializou), Lewis destaca a grande obra de Dante sob três
aspectos: o significado “metafísico” do sorriso, o imaginário da Divina Comédia
e a apreciação de alguns epígonos, corretores de certos equívocos por ele
cometidos.

O sentido medieval é, novamente, o mais fácil de ser reconhecido:

É fácil reconhecer em que sentido os sorrisos de Dante eram “metafísicos.” A
relação entre estes dois elementos é real, ontológica, inteligível e o material
não precisa ser, em si mesmo, belo; pode até vir a ser grotesco – como, por
exemplo, quando o tempo é representado por uma árvore que cresce para baixo em
um vaso que representa o Primum Mobile (Paradiso, XXVII, 118).15

Em sua detalhada análise das imagens usadas por Dante nesta obra, não é
complicado reconhecer o predomínio dos frutos do jardim (garden) em relação às
paisagens (landscape):

Talvez esta seja uma característica da Idade Média antes de ser de Dante. Os
poetas medievais interessam-se por árvores, flores, feras, pássaros e rios e
não muito freqüentemente, penso eu, por paisagens. E quando alguns se mostram
interessados, são geralmente de origem alemã.16

E, de fato, as imagens usadas na Divina Comédia, por exemplo, são de grande
concretude, luminosidade, movimento ou peso, o que sugere um estilo medieval
extremamente concreto e metafórico, ao invés do romântico, intrínseco a autores
renascentistas.17

Para Lewis, os símbolos são referenciais indicadores de uma realidade muito
mais concreta e maravilhosa do que eles podem ser — signos não valem nada por
si mesmos (o que não tira sua importância e utilidade). Por isso é que ele
“joga” tanto com as imagens nas Crônicas de Nárnia, fazendo uma verdadeira
“miscelânea” de personagens mitológicos, lendários, realistas, etc.

Ao contrário dos que simplesmente descartam toda imaginação, exaltando uma
espécie de literatura dos “fatos,” insossa e enfadonha, Lewis pretende mostrar
quão ridículo é o tipo de inversão da realidade e, conseqüentemente, dos
valores que o homem cultiva, exaltando os meios em lugar dos fins (que são, na
verdade, a real fonte de inspiração dos símbolos).

Como ele comenta no prefácio (infelizmente não incluído na edição brasileira)
das Cartas do Diabo ao seu Aprendiz, a tática do diabo é precisamente
provocar-nos com suas acrobacias, ou a temê-lo ou a desprezá-lo, para
desviar-nos do Ser onipotente: Há dois erros acerca dos demônios, nos quais
nossa espécie pode cair. Um é não acreditar em sua existência. O outro é
acreditar e nutrir um interesse excessivo e doentio por eles. Os próprios
diabos ficam igualmente satisfeitos com ambos os erros e saúdam o materialista
ou o mágico, com o mesmo deleite.18

A leitura da primeira carta desse fascinante livro já basta para compreendermos
a diabólica jogada da inversão dos valores (que nos deixa estarrecidos diante
de atrocidades cometidas por crianças e adolescentes, nas escolas de hoje):
convencer o “paciente” de que as coisas boas não são, na verdade, tão boas
assim e as ruins não são totalmente ruins ou já foram ruins um dia, mas hoje é
diferente… Dessa forma, instauram-se dualismos que procuram substituir ou
confundir coisas boas e ruins. O relativo passa a ser posto como absoluto
(recaindo num falso “moralismo”), enquanto que o absoluto é relativizado. Veja
como o diabo velho Screwtape19 em pessoa, das Cartas do Diabo a seu Aprendiz,
procura explicar ao seu “ingênuo” aprendiz essa manobra:

Parece que supões que a argumentação é a maneira de mantê-lo longe das garras
do Inimigo. Isto poderia ser assim se ele vivesse há alguns séculos. Nesta
época, os humanos ainda sabiam muito bem quando uma coisa era comprovada e
quando não era; e se era comprovada, acreditavam nela. Eles ainda relacionavam
o pensar com o fazer, e estavam preparados para alterar seu modo de vida como
resultado de uma sucessão de pensamentos. Mas, com a imprensa semanal e outras
armas do gênero, conseguimos alterar isto em grande medida. Teu homem foi
acostumado, desde garoto, a ter uma dezena de filosofias incompatíveis dançando
em sua cabeça. Ele não pensa em doutrinas como prioritariamente “verdadeiras”
ou “falsas,” mas como “acadêmicas” ou “práticas”, “superadas” ou
“contemporâneas”, “convencionais” ou “desumanas.” Jargão, não argumento, é o
teu melhor aliado em mantê-lo longe da Igreja.20

Stott nos mostra como esta tática diabólica de evitar toda argumentação lógica
se traduz em algumas igrejas:

O espírito do anti-intelectualismo é corrente hoje em dia. No mundo moderno
multiplicam-se os pragmatistas, para os quais a primeira pergunta acerca de
qualquer idéia não é: “É verdade?,” mas sim: “Será que funciona?” Os jovens têm
a tendência de ser ativistas, dedicados na defesa de uma causa, todavia nem
sempre verificam com cuidado se sua causa é um fim digno de sua dedicação, ou
se o modo como procedem é o melhor meio para alcançá-lo… Este mesmo espectro
de anti-intelectualismo surge freqüentemente para perturbar a Igreja Cristã.
Considera a teologia com desprazer e desconfiança.21

A prática anti-intelectualista de muitas igrejas de hoje receberia certamente,
assim, muitos elogios da parte do monstruosamente “racionalista,” mas ao mesmo
tempo irracional, personagem de Lewis. Apesar dos medos e receios que isso
possa levantar, é fundamental e urgente resgatarmos as práticas do debate
saudável e livre de idéias e a argumentação dentro de algumas comunidades
cristãs, pois é isso precisamente que o diabo mais teme, já que sabe muito bem
que não tem razão alguma. As coisas estão completa e radicalmente separadas de
Deus, desde a queda, mas não há nada na criação que seja essencialmente mau,
pelo simples fato de o mal não possuir a essência ou a lógica (ratio) interna
das coisas criadas por Deus, que foram cuidadosamente pensadas e projetadas por
ele através do Logos (Cristo). A natureza do mal é outra. Por isso é que o
castor de O Leão, a Feiticeira e o Guarda Roupa insiste em explicar às crianças
que a natureza da feiticeira não é humana, apesar das aparências que mantém.
Graças a Deus, o mal é impotente para destruir o reflexo do Criador nas coisas.
Por isso é que Deus, de certa forma, é ainda mais “assustador” do que o diabo.

A partir da visão equilibrada de Lewis e autores correlatos, é preciso considerar
que o extremo oposto do racionalismo, o anti-intelectualismo (monstruosidade
não menos nefasta do que o racionalismo), tem tido livre acesso às
salas-de-aula de certas comunidades, como tem sido constatado por alguns
educadores cristãos e equipes sérias, preocupadas e empenhadas em garantir o
nível de ensino das escolas dominicais na atualidade e para o futuro.22 Pois,
quando ocorre de simplesmente ignorarmos a necessidade humana de compreender as
coisas através da razão, considerando “suspeito” todo e qualquer questionamento
ou argumentação nos encontros dominicais, recaímos no maniqueísmo, correndo um
sério risco de nos tornarmos “presas fáceis” de qualquer “vento de doutrina.” A
melhor maneira de evitarmos esse tipo de perigo é aprender a empregar a mente
da forma correta, nem que, para isso, tenhamos que quebrar certos paradigmas há
muito assentados.

É precisamente no sentido de manter ilesos os paradigmas estéreis,
aparentemente “bem comportados,” que evitam a renovação ou reforma das idéias anacrônicas
nos meios cristãos, que o diabo velho Screwtape procura instruir o seu aprendiz
a sempre manter seu paciente humano longe de debates mais sérios. E explica por
que:

O problema com a argumentação é que ela leva toda a batalha para o campo do Inimigo.
Ele também pode argumentar; enquanto que no campo da propaganda realmente
prática, do tipo que estou sugerindo, ele tem se mostrado há séculos muito
inferior a Nosso Pai Cá Embaixo. Pelo próprio fato de argumentar, tu despertas
a razão do paciente; e uma vez desperta, quem pode prever o resultado? Mesmo se
uma determinada série de pensamentos possa ser desvirtuada para terminar nos
favorecendo, tu perceberás que tens reforçado no teu paciente o hábito fatal de
prestar atenção a questões universais e afastado sua atenção do fluxo das
experiências imediatas dos sentidos. Tua obrigação é fixar sua atenção no
fluxo.23

Uma das estratégia prediletas do diabo é, assim, desviar a atenção do paciente
das coisas essenciais e evitar que ele procure compreendê-las; não deixá-lo
refletir sobre as coisas como realmente são, fazendo-o prestar atenção somente
nas manifestações externas ou na forma como ele mesmo as percebe
subjetivamente. A percepção da realidade objetiva ou concreta das coisas é, em
suma, o grande “perigo” do qual o diabo foge a todo custo (pois é precisamente
esta experiência concreta, totalmente humana e existencial que Deus e os homens
têm em comum, e que pode, de repente, aproximá-los):

Ensine-o a chamar-lhe “vida real” e não o deixe perguntar o que se quer dizer
com “real”… Tu não percebes o quanto são presos pela pressão da experiência
comum… Uma vez tive um paciente, um bom ateísta, que costumava ler no Museu
Britânico. Um dia, enquanto lia, vi um encadeamento de pensamentos em sua mente
começando a ir no caminho errado. O Inimigo, é claro, estava no seu calcanhar
num instante. Antes de perceber o que sucedia, vi meus vinte anos de trabalho
começarem a ruir. Se tivesse perdido o sangue-frio e começado uma defesa por
meio de argumentação, estaria perdido. Mas não fui idiota. Ataquei
imediatamente na parte do homem que estava sob meu maior controle e sugeri que
já era tempo de comer algo. O Inimigo presumivelmente fez a contra-sugestão (tu
sabes que nunca se consegue escutar tudo o que ele diz a eles?) de que isto era
mais importante do que um lanche. Pelo menos acho que foi isto que ele sugeriu,
pois quando eu disse: “Bem, na verdade algo demasiadamente importante para
tratar no final de uma manhã,” o paciente animou-se consideravelmente; e quando
acrescentei: “muito melhor voltar depois do lanche e abordar o tema com a mente
descansada,” ele já estava a meio caminho da porta. Assim que chegou à rua, a
batalha estava ganha. Mostrei-lhe um garoto gritando as manchetes do jornal do
dia… e, antes que ele chegasse ao fim dos degraus, eu lhe havia fixado numa
convicção inalterável de que, sejam quais forem as idéias esquisitas que possam
vir à mente de uma pessoa quando está sozinha com seus livros, uma saudável
dose de “vida real” (…) é o bastante para mostrar que todo “aquele tipo de
coisa” simplesmente não poderia ser verdade… Hoje ele está salvo na casa de
Nosso Pai.24

Essa mesma lógica do desvio e do engano, da substituição do real por algo
aparentemente mais importante, é empregada no último trecho da carta, que é
quase um tributo a Whitehead, inventor do sábio provérbio: às vezes não se
enxerga o bosque, de tantas árvores:

Graças a passos que pusemos em funcionamento há séculos, eles acham quase
impossível acreditar no não-familiar, enquanto que o familiar está diante dos
olhos. Insista sobre o caráter comum das coisas com ele. Acima de tudo, não
tente usar a ciência (quero dizer, as autênticas ciências) como uma defesa
contra o cristianismo. Elas certamente o encorajarão a pensar acerca de
realidades que ele não pode tocar nem ver. Tem havido casos tristes entre os
físicos modernos. Se tiver de dedicar-se superficialmente à ciência, mantenha-o
ocupado com economia e sociologia; não o deixe afastar-se daquela inestimável
“vida real.” Mas o melhor de tudo é não deixá-lo ler sobre ciências, mas sim
dar-lhe uma idéia geral de que conhece tudo, e que tudo que captou em conversas
e leituras casuais é “resultado da moderna investigação.” Lembra que tu estás
aí para confundi-lo. Pela maneira que alguns de teus jovens demônios falam,
suporíamos que nosso trabalho é ensinar! Teu afetuoso tio…25

C. Apre(e)nder contemplativo
Para os clássicos da literatura, “ver a vida como ela é” não significa olhá-la
com ceticismo, como para algum corpo morto, mas olhá-la com admiração (que é um
dos sentidos da paixão), ou seja, contemplar o reflexo do Criador, dirigindo o
olhar (mirar no espanhol) do leitor para o que vai “além” dos fatos nus e crus.

Apesar de defensor da “lógica das coisas” e da argumentação, é preciso deixar
claro que Lewis não é um racionalista que rejeita qualquer tipo de contemplação
ou conhecimento pela fé. Pelo contrário, todo o seu esforço concentrou-se em
mostrar aos racionalistas a importância da abertura para a totalidade do real,
que muitas vezes não é tão “lógica” quanto gostaríamos, exigindo mais fé do que
notamos ou admitimos, como comentam Odero & Odero, parafraseando
Chesterton:

Segundo Chesterton, a fonte de erros mais freqüente do mundo está no fato de
que as coisas são “quase razoáveis,” sem chegar a sê-lo completamente. A vida
não é ilógica em si, mas assim acaba parecendo ser para os lógicos, porque
aparenta ter mais regularidade matemática do que, de fato, possui. Daí a
importância de contrastar o pensamento com a realidade para buscar a verdade.
Como podemos ver, este é um tema que freqüentemente aparece nas obras de Lewis.
Em seu livro Ortodoxia, Chesterton trata de forma genial desse mesmo e tão
importante assunto: O homem de hoje sempre se tem preocupado mais com a verdade
do que com a coerência.26

A falta de consistência e coerência entre o que se professa e o que se vive é
apontada por Lewis como um dos grandes obstáculos à criação literária da
atualidade. O consumismo, o individualismo egocêntrico e a falta de consideração,
tanto das limitações da natureza humana quanto do seu lado positivo, são
obstáculos que precisam ser combatidos pelo crítico literário:

A maior arte do crítico é a de sair de si mesmo e deixar que a humanidade
decida. Nosso dever é mostrar aos outros a obra que eles alegam admirar ou
desprezar, como realmente é, descrevendo, quase que definindo seu caráter, para
depois deixar que eles mesmos julguem (agora muito melhor informados). A certa
altura, o crítico é até avisado para não adotar um rígido perfeccionismo. Ele
deve manter sua idéia de excelência, de perfeição, mas, ao mesmo tempo, estar
disposto e acessível ao segundo melhor que se oferece. Ele deve, em uma
palavra, ter o caráter que [George] MacDonald atribuía a Deus, e Chesterton,
seguindo-o, ao crítico; aquele que é “fácil de agradar, mas difícil de
satisfazer.”27

D. Apre(e)nder imaginativo
Como dizíamos, parafraseando Chesterton, o melhor método para se apreender a
realidade das coisas, que tão freqüentemente nos escapa numa abordagem direta,
é o contraste (por exemplo, não podemos dizer o que é e no que implica a luz ou
a energia, mas podemos constatar e determinar o que é o conceito e implicação
da sua falta). Para o que não podemos captar pela razão, resta-nos a aceitação
pela fé, ou a procura por uma via alternativa de aproximação, a via da
imaginação. Na literatura não há melhor método de contraste do que os
contos-de-fada, que consideram as coisas não diretamente como elas são ou se
explicam, mas indiretamente, como elas não são, ou como foram vocacionadas a
ser. Os contos-de-fada, longe de representar uma infantilização ou banalização
da realidade, revelam-se como um poderoso recurso didático, capaz de ensinar
verdades “éticas” muito mais adultas do que podemos supor. Por isso é que todo bom
crítico e educador amadurecido sabe apreciá-los:

Nós que ainda apreciamos os contos-de-fada temos menos razões para querermos
voltar às atitudes infantis. Conservamos o bom da infância, sem abrir mão de
certos prazeres adultos.28

Lewis mesmo confessa que o seu lado “imaginativo” era, de fato, o mais
amadurecido:

O homem imaginativo em mim é mais velho, mais continuamente operativo e, neste
sentido, mais fundamental do que qualquer um dos outros, o religioso e o
crítico. Ele me fez, pela primeira vez, aventurar-me como poeta. Ele é que,
numa réplica à poesia dos outros, tornou-me um crítico e, em defesa a esta
réplica, tornou-me muitas vezes um crítico paradoxal. Foi ele que, após a minha
conversão, levou-me a encarnar minha fé religiosa em formas simbólicas ou
mitopoéticas de um Screwtape, até um tipo de ficção científica teológica. E é
claro que foi ele que me levou, nos últimos anos, a escrever a série de contos
narnianos, destinados a crianças; não porque eu estivesse preocupado com o que
elas queriam ouvir, o que me comprometeria a fazer adaptações (o que felizmente
não foi necessário…), mas porque o conto-de-fadas foi o melhor gênero
literário que eu encontrei para expressar o que pretendia dizer.29

Por outro lado, quem é que hoje em dia ainda se dá ao luxo de ler “contos da
carochinha” (que já adquiriram um forte sentido pejorativo)? A falta de um
realismo equilibrado predominante deve-se em parte à falta de leitura ou à
limitação à literatura insossa “dos fatos,” que nos leva à inversão de valores.
Essa inversão, por sua vez, gera uma alienação e desarticulação da teoria e da
prática, que, justificando-se cada qual a si mesma, perde o seu efetivo valor,
recaindo alternadamente nos extremos do dogmatismo e do ativismo:

Lembre-se de que acreditar na virtude do “fazer pelo fazer” é um traço (…) do
espírito moderno: o sentimento de preocupação pode não passar de inquietações
ou oscilações auto-afirmativas da nossa auto-imagem. Como (George) MacDonald já
dizia, “o sagrado pode ter um viés do profano.” E, ao nos empenharmos em
cumprir deveres desnecessários, podemos estar nos tornando menos dispostos para
cumprir com os nossos verdadeiros compromissos, cometendo, assim, um tipo de
injustiça. Temos que dar uma chance não somente a Maria, mas também a Marta!30

Se observarmos as práticas de ensino nas escolas de hoje, veremos o império do
exagero e da falta de moderação (o inchaço de currículos, o fazer pelo fazer, a
falta de continuidade, organicidade, integração entre as práticas educacionais
e o faz-de-conta). O realismo, a objetividade e a coerência no planejamento do
ensino (na seleção de conteúdos, procedimentos metodológicos e atividades
educacionais para cada fim proposto) são virtudes em franca extinção nos meios
educacionais de hoje. Mesmo nas igrejas podemos observar práticas pedagógicas
de pouco nexo com a filosofia cristã de vida. Nesse sentido, Lewis é duro,
direto e enfático em sua exortação contra os chamados “educadores cristãos”:

Quando os educadores cristãos fazem questão de lembrar a seus irmãos a
importância da constituição do lar cristão — e penso que a lembrança é
perfeitamente pertinente — a primeira coisa a se fazer é acabar com o
“faz-de-conta” em torno da vida do lar…: 1. Nenhuma organização ou modo de
vida, não importa qual seja, tem uma tendência natural para o bem, e isso desde
a queda do homem… 2. É preciso considerar com cuidado o conceito de
“conversão” ou “consagração da vida em família,” que deve significar algo além
da preservação do “amor,” no sentido de afeição natural. 3. Devemos reconhecer
os perigos eminentes contidos na principal característica da vida doméstica,
que é, no senso comum, colocada como sua atração principal: de ser o lugar onde
“nos revelamos como realmente somos.” 4. Como as pessoas devem, então, comportar-se
em casa? 5. Finalmente, podemos ensinar que, se o lar é para ser um instrumento
da graça, deve ser também um lugar que mantém certas regras? Não pode haver
vida em comum sem regras. A única alternativa à regra não é a liberdade, mas
uma ilegítima (e muitas vezes inconsciente) tirania do membro mais egoísta
sobre os outros.31

Sendo uma filosofia do sentido da vida, o cristianismo é a mais didática de
todas as teologias, pois para fazermos frente aos desafios da vida e das
mudanças históricas, o melhor meio é, partindo dos “fatos nus e crus,” abrir
portas para o sentido mais profundo das coisas, para o seu verdadeiro destino e
vocação.

Assim, o que se espera do educador cristão autêntico é que pare de queixar-se
da falta de tempo e recursos e busque a coerência entre o que professa e as
práticas concretas do seu cotidiano. Pois:

se nós realmente acreditamos naquilo em que dizemos crer — se realmente cremos
que o nosso lar está em outro lugar e que esta vida é uma “peregrinação em sua
busca,” por que não olhamos para frente, rumo à chegada?32

Foi quando Lewis parou de correr atrás da sua concepção de felicidade e olhou
para a realidade, que deu a chance que Deus esperava para surpreendê-lo com
algo ainda maior do que era capaz de sonhar: o amor verdadeiro, do qual esteve
fugindo todo o tempo.

Nesse sentido é que grandes psicanalistas, como Bruno Bettelheim, têm insistido
em afirmar que os contos-de-fada, longe de ser uma mera forma de “escapismo” ou
meio de fuga diante dos problemas da vida real, são altamente didáticos e até
terapêuticos.33 Aliás, a literatura, particularmente a imaginativa, tem este
misterioso e aparentemente contraditório poder de captar a essência da
experiência humana (permeada pela dor e o sofrimento) e transformá-la em sabedoria
de vida. É isso que se pode constatar, ao menos, nas parábolas bíblicas. A
educação pela imaginação, exemplificada nos contos-de-fada e nas parábolas,
abriga um poderoso potencial pedagógico ainda pouco explorado ou mal aplicado
nos meios educacionais.

Não se trata, entretanto, de uma receita mágica. Para se obter bons resultados
com essa metodologia, principalmente no mundo atual, dominado pelo imediatismo
e consumismo (é perfeitamente possível, por exemplo, que uma criança ouça um
provérbio, ou uma parábola como a do O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa sem
chegar a nenhuma conclusão mais profunda!), é preciso que se adote uma postura
didática adequada. Nesse sentido é que a imagem de Cristo é tão ilustrativa.
Nas palavras do tão simpático personagem, o castor, ele não fica exibindo toda
a sua glória a todo instante, nem fica a explicar as coisas nos seus mínimos
detalhes a todo o mundo. Ele escolhe muito bem os momentos e as palavras certas
para dar o seu recado. Assim, tudo que está relacionado ao nome de Aslan
permanece coberto de uma aura de mistério. Trata-se de um animal realmente
feroz, um ser selvagem, caçador, que não é domesticável. Por outro lado, Aslan
é, ao mesmo tempo “Bom, muito bom!” Essa imagem contém todos os elementos
essenciais de Cristo na doutrina cristã. Não é para menos que Lewis diz, em uma
de suas cartas, que O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa é a sua obra
principal e mais amadurecida.

Nessa linha de pensamento, G. K. Chesterton diz que a postura certa é a que,
com moderação, considera os dois lados, da razão e bom senso e da imaginação e
criatividade, deixando Deus iluminar ambos com sua mente. Esta é a moral dos
contos-de-fada (e é nessa filosofia que se fundamenta igualmente a “filosofia
da educação” narniana), que não passam do “país ensolarado do senso comum,”
onde não há “leis,” regras ou classificações. Estas, de fato, são
generalizações totalmente anti-intelectuais, de tão raramente que ocorrem na
realidade (se é que ocorrem), nas quais não é o homem que cria a ciência,
elaborando juízos sobre a natureza, mas a ciência é que cria o homem, julgando
a natureza a partir de um pressuposto sobrenatural. No mundo das fadas, as
palavras de ordem são “charme”, “magia”, “encanto,” expressando o princípio da
incerteza e do mistério, que nos torna mais humildes e gratos pela vida,
trazendo-nos de volta ao chão da realidade, que é o da ignorância e do
esquecimento até de nós mesmos:

Ame o Senhor nosso Deus, mas não tente conhecer-se a si mesmo. Somos todos
vítimas da mesma calamidade intelectual; todos nós esquecemos nossos nomes;
todos nós esquecemos o que realmente somos. Tudo o que chamamos de bom senso,
racionalidade, praticidade e positivismo justifica-se pelo simples fato de que,
devido a certos pontos mortos da nossa história de vida, esquecemos que
esquecemos… Conforme explicava, os contos-de-fada fundaram em mim duas
convicções: em primeiro lugar, este mundo é um lugar selvagem e chocante, que
poderia ter sido muito diferente, mas que doravante é bastante prazeroso; em segundo
lugar, antes desta selvageria e prazer, devemos ser modestos o suficiente para
nos submeter, com simplicidade, aos limites do mistério. Sempre acreditei que o
mundo envolvesse magia; hoje penso que é mais provável que envolva um mágico.34

Em síntese, o que Chesterton diz é: a babá que narra os contos-de-fadas é a
guardiã da tradição e da própria democratização da sabedoria e do conhecimento.
Nada há de mais plausível e confiável do que os contos-de-fadas, que nos fazem
ver as coisas como realmente são: encantadoras demais para podermos
racionalizá-las, restando-nos apenas admirá-las, glorificando o Criador.

E. Apre(e)nder pela literatura
O segredo da didática de Lewis, então, parece encontrar-se nessa tentativa de
traduzir em literatura imaginativa e bem humorada, que também apela para a
razão, o que aprendeu por experiência: que, embora possa vir a tornar-se um
caminho enganoso, se perdermos a moderação, admirando a criatura em lugar do
Criador (vaidade das vaidades), a literatura tem o potencial ainda pouco
explorado pelos educadores de motivar o educando a buscar algo que vai além da
letra morta, e nos conduzir de volta ao caminho rumo ao nosso lar esquecido.

A maior prova disso encontra-se na própria conversão de Lewis. Depois de cair
no ceticismo ou anti-intelectualismo, após a descoberta de que a felicidade não
se encontrava nas coisas que buscava, de repente acabou fazendo uma descoberta
ainda maior: que a felicidade encontra-se para além dessas coisas, que não
passam de sinais (daí vem ensinar) indicativos do caminho que leva a ela. Por
esse exemplo de vida podemos notar que, precisamente por não ser
“domesticável,” Deus se manifesta, sem pedir licença, a quem ele quiser e da
forma que ele escolher. F. Aprendendo a aprender
A metodologia proposta por Lewis na sua literatura, que parte sempre da
experiência viva e real, traduzida e capturada pela linguagem imaginativa, visa
abrir mais e mais caminhos ou vias de comunicação do evangelho ao ser humano.
Essa metodologia das “portas abertas” tem o potencial de alcançar tanto
cristãos desmotivados ou amortecidos pelo desânimo, quanto não cristãos, que
esqueceram que Cristo é a única fonte da alegria verdadeira, capaz de preencher
os vazios da natureza caída, reconciliando o homem com Deus e consigo mesmo.
Evidentemente, essa felicidade, que podemos esperançosamente manter em mira
através da literatura, nunca será totalmente realizada neste mundo, que, por
isso mesmo, não passa de uma “terra das sombras” da verdadeira realidade que
ainda está por vir.

Assim, podemos dizer, em síntese, que, de acordo com Lewis, a melhor maneira de
o educador cristão preparar-se para o século XXI é “ver as coisas como são,”
aplicando a literatura, método ainda pouco desenvolvido na educação cristã,
como meio para abrir oportunidades à discussão de conceitos fundamentais, tais
como realidade, razão, fé e imaginação. Dessa maneira, se poderá construir um
projeto pedagógico capaz de nortear todos os educadores cristãos interessados
em aprender a fazer frente aos desafios futuros, equipando-se com fé, razão,
coragem e muita imaginação.

As Crônicas de Nárnia, lançadas pela Editora Martins Fontes na bienal do livro
de 1997, é uma série de contos infantis que inclui: O Sobrinho do Mago, O Leão,
a Feiticeira e o Guarda-Roupa (que se encontra em desenho animado pela Reborn
Vídeo), O Cavalo e seu Menino, Príncipe Caspian, A Viagem do Peregrino da
Alvorada, A Cadeira de Prata e A Última Batalha.
C. S. Lewis, Surprised by Joy (Nova York: Harcourt Brace, 1954), traduzido como
Surpreendido pela Alegria (São Paulo: Editora Mundo Cristão, 1998).
Da coleção de “Pensadores Clássicos” da Editora Mundo Cristão. Dessa coleção
podemos citar ainda O Grande Abismo, além da coleção das Crônicas de Nárnia,
hoje editadas pela Editora Martins Fontes. Outras obras de Lewis são
Cristianismo Puro e Simples (ABU Editora) e O Peso da Glória (Vida Nova).
Ainda que isso não seja bem verdade no Brasil, onde grande parte desses livros
já se encontram esgotados, eles continuam bastante citados e aplicados, tanto
nas Escolas Dominicais e reuniões diversas nas igrejas, quanto nos meios
estudantis cristãos ou não.
Colin Duriez, The J. R. R. Tolkien Handbook: A Comprehensive Guide to
His Life, Writings, and World of Middle-Earth (Grand Rapids: Baker, 1992), 130.

C. S. Lewis, Letters to Malcolm (Nova York: Harcourt Brace, 1963), 76.
C. S. Lewis, Letters to an American Lady, ed. Clyde S. Kilby (Grand Rapids:
Eerdmans, 1971), 55.
A
carta é de 26/4/56.
Peter Kreeft, Buscar Sentido no Sofrimento (São Paulo: Edições Loyola, 1995),
100.
Ibid., 61.
Lewis, Letters to an American Lady, 79 (carta de 30/10/58).
C. S. Lewis, The Allegory of Love (Oxford: Clarendon Press, 1936).
C. S. Lewis, Studies in Medieval & Renaissance Literature (Cambridge:
Cambridge University Press, 1996; 4a. edição), 44.
Tomás de Aquino, Summa
Contra Gentiles, em Os Pensadores, Vol VIII (São Paulo: Abril Cultural, 1973).
Lewis,
Studies in Medieval & Renaissance Literature, 59. Ibid., 72. Ibid., 82.
Guilherme de Lorris (1200-40), poeta francês autor dos primeiros quatro mil
versos de 22.000 do poema Le roman de la rose.
A segunda parte foi escrita pelo poeta também francês Jean
de Meun. C. S. Lewis, Cartas do Diabo a seu Aprendiz (Petrópolis: Vozes, 1996),
9.
A Loyola manteve o nome original em inglês Screwtape. De fato, é difícil
expressar a totalidade do significado desse nome em português, que lembra
“verme”, “lombriga,” enfim, um parasita asqueroso que vai se enrolando em torno
de si mesmo. Lewis, Cartas do Diabo a seu Aprendiz, 11.
John R. Stott, Crer é também Pensar (São Paulo: ABU Editora, 1978), 7-8.
Somente para citar um exemplo, devemos mencionar a excelente revista Didaquê,
usada como material didático em escolas dominicais de diversas denominações,
por todo o Brasil.
Lewis, Cartas do Diabo a seu Aprendiz, 12
Ibid., 12-13.
Ibid., 13-14.
Odero & Odero, Imagen del Hombre (Pamplona: EUNSA, 1993), 369.
C. S. Lewis, An Experiment in Criticism (Cambridge: Cambridge University
Press, 1961), 120.
Lewis, Letters to an American Lady, 16 (carta de 22/6/53).
Walter Hooper, C. S. Lewis, A Companion and Guide (São Francisco: Harper
Collins, 1996).
Ibid., 53 (carta de 19/3/56).
C. S. Lewis, God in the Dock: Essays on Theology and Ethics, ed. W.
Hooper (Grand Rapids: Eerdmans, 1970), 284ss.
Lewis, Letters to an American Lady, 84 (carta de 7/6/59).
Os relatos completos das
experiências impressionantes de Bruno Bettelheim com o tratamento de crianças
deficientes mentais a partir dos contos-de-fadas pode ser lido na sua obra: A
Psicanálise dos Contos de Fadas (Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980). Ele diz:
“É uma característica dos contos de fadas colocar um dilema existencial de
forma breve e categórica. Isto permite à criança aprender o problema em sua
forma mais essencial, onde uma trama mais complexa confundiria o assunto para
ela. O conto-de-fadas simplifica todas as situações” (p. 15).
G. K. Chesterton, “Orthodoxy,” texto eletrônico disponível na internet no
endereço: http://www.dur.ac.uk/~dcs0mpw/gkc/books/ortho14.txt
Fonte: Revista Fides Reformata

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