Apostila
16
Estudo
Teológico Sobre Festas
A
PÁSCOA NO CALENDÁRIO
Parte
I
 Por
que o natal é comemorado sempre no dia 25 de dezembro e a páscoa é celebrada em
dia e até mês diferente da páscoa anterior? Sabemos que a páscoa judaica e a
páscoa cristã são distintas em sua essência, embora ambas abordem o mesmo tema
da libertação. A primeira comemora a libertação do cativeiro egípcio sob a
liderança de Moisés, enquanto que a segunda, a páscoa cristã, enfoca a
libertação do pecado em Cristo Jesus, mediante sua morte e ressurreição.

Contudo, gostaria de chamar sua atenção para o lugar da páscoa nos calendários
judaico e cristão. Os judeus comemoram a páscoa no mês de nissan, que equivale
ao nosso mês de março ou abril. O calendário judaico é basicamente lunar; o
cristão é solar. O calendário cristão remonta ao período de Júlio César, o
primeiro imperador romano.

Com o auxílio de Sosígenes, astrônomo de Alexandria, Júlio César elaborou um
calendário em que o ano comum seria de 365 dias e que, para acertar o ano civil
ao ano trópico (designação para o tempo decorrido entre duas passagens
consecutivas), fosse acrescentado de 4 em 4 anos um dia complementar. Ao ano de
366 dias foi dado o nome de bissexto. Por isso, a cada quatro anos o mês de
fevereiro tem 29 dias. Esse calendário foi criado no ano 45 a.C. e denominou-se
calendário juliano em homenagem ao imperador que o instituiu. No século XVI o
papa Gregório XIII fez algumas correções no calendário juliano, e por isso
passou a ser chamado também de gregoriano. É que o ano trópico não tem
exatamente 365 dias e 6 horas como se pensava, e sim, 365 dias, 5 horas, 48
minutos e 50 segundos. Portanto, o calendário juliano estava errado em 11
minutos e 10 segundos por ano para mais. Esses, acumulados no decorrer dos
séculos, trouxeram confusão, a ponto de em 1585 já haver uma diferença de 10
dias entre o ano trópico e o ano civil. Coube então ao papa Gregório XIII
determinar a reforma do calendário cristão.

Em suma, o calendário cristão é solar e o judaico lunar (Luach). Por ser solar,
o calendário cristão torna-se bissexto a cada quatro anos. O calendário
judaico, diferentemente do gregoriano, está baseado no movimento lunar, quando
cada mês (com 29 ou 30 dias) se inicia com a lua nova. Se comparado com o
calendário gregoriano, temos em um ano solar 12,4 meses lunares, ocorrendo uma
diferença a cada ano de aproximadamente 11 dias. Para compensar essa diferença,
a cada ciclo de 19 anos acrescenta-se um mês inteiro (Adar II), o ano de 13
meses ou embolísmico.

Essa alteração é necessária por causa da páscoa. A páscoa judaica deve cair
sempre na primavera.

Embora o calendário cristão seja solar, ele é lunar quanto à páscoa. Os
cristãos tomaram emprestado o calendário judaico para que a páscoa cristã
coincidisse com a páscoa judaica. É por isso que a cada ano a nossa páscoa cai
em dias e até meses diferentes. O princípio é o mesmo para o carnaval. Não
existe carnaval no calendário judaico, mas por ser o carnaval uma festividade
essencialmente pagã, adota-se o calendário lunar para que o carnaval aconteça
sempre antes da páscoa.

Lembre-se que a páscoa é uma das festas mais importantes para o judeu. Sua
comemoração nunca deve acontecer fora da primavera. É verdade que não é em todo
o mundo que se comemora a páscoa na primavera, e sim no outono também; mas isso
acontece porque metade do planeta está no hemisfério norte e a outra no
hemisfério sul. Aqui no Brasil, por exemplo, na época da páscoa estamos no
outono, mas nos Estados Unidos, Europa e Israel é primavera.

Os Evangelhos relatam que Jesus ressuscitou num dia muito especial. Ele
ressurgiu no primeiro dia da semana; no dia do Senhor, no domingo. O primeiro
dia da semana nunca mais seria o mesmo após a ressurreição de Jesus. Sua
ressurreição também ocorreu num dia ensolarado. E na primavera, a estação mais
alegre do ano.

Finalmente, quanto ao natal ser comemorado no dia 25 de dezembro, independente
do dia da semana (embora não se saiba ao certo o dia em que Jesus nasceu) é
que, além de não existir natal no calendário judaico, e por ser o nascimento de
Jesus uma data tão importante para o cristianismo, preferiu-se adotar o
calendário solar.

Parte II
Quaresma. Veja o que a The Grolier Multimedia Encyclopedia, 1997
nos diz a respeito:

“O Carnaval é uma celebração que combina desfiles, enfeites, festas
folclóricas e comelança que é comumente mantido nos países católicos durante a
semana que precede a Quaresma. Carnaval, provavelmente vem da palavra latina
“carnelevarium” (Eliminação da carne), ticamente começa cedo no ano
novo, geralmente no Epifânio, 6 de Janeiro, e termina em Fevereiro com a Mardi
Gras na terça-feira da penitência (Shrove Tuesday).” (The Grolier Multimedia Encyclopedia,
1997.
Traduzido por Irlan de Alvarenga Cidade)

Em contra partida vemos que isso era apenas um pretexto para que os romanos e
gregos continuassem com suas comemorações pagãs, apenas com outro nome, já que
a Igreja Católica era quem ditava as ordens na época e não era nada ortodóxo se
manter uma comemoração pagã em meio a um mundo que se dizia Cristão.

“Provavelmente originário dos “Ritos da Fertilidade da Primavera
Pagã”, o primeiro carnaval que se tem origem foi na Festa de Osiris no
Egito, o evento que marca o recuo das águas do Nilo. Os Carnavais alcançaram o
pico de distúrbio, desordem, excesso, orgia e desperdício, junto com a
Bacchanalia Romana e a Saturnalia. Durante a Idade Média a Igreja tentou
controlar as comemorações. Papas algumas vezes serviam de patronos, então os
piores excessos eram gradualmente eliminados e o carnaval era assimilado como o
último festival antes da ascensão da Quaresma. A tradição do Carnaval ainda é
comemorada na Bélgica, Itália, França e Alemanha. No hemisfério Ocidental, o
principal carnaval acontece no Rio de Janeiro, Brasil (desde 1840) e a Mardi
Gras em New Orleans, E.U.A. (dede 1857). Pre´-Cristãos medievais e Carnavais
modernos tem um papel temático importante. Eles celebram a morte do inverno e a
celebração do renascimento da natureza, ultimamente reunímos o individual ao
espiritual e aos códigos sociais da cultura. Ritos antigos de fertilidade, com
eles sacrifícios aos deuses, exemplificam esse encontro, assim como fazem os
jogos penitenciais Cristãos. Por outro lado, o carnaval permite paródias, e
separação temporária de constrangimentos sociais e religiosos. Por exemplo,
escravos são iguais aos seus mestres durante a Saturnália Romana; a festa
medieval dos idiotas inclui uma missa blasfemiosa; e durante o carnaval
fantasias sexuais e tabus sociais são, algumas vezes, temporariamente
supensos.” (The
Grolier Multimedia Encyclopedia, 1997.
Traduzido por Irlan de
Alvarenga Cidade)

A Enciclopédia Grolier exemplifica muito bem o que é, na verdade, o carnaval.
Uma festa pagã que os católicos tentaram mascarar para parecer com uma festa
cristã, assim como fizeram com o Natal. Os romanos adoravam comemorar com
orgias, bebedices e glutonaria. A Bacchalia era a festa em homenagem a Baco,
deus do vinho e da orgia, na Grécia, havia um deus muitíssimo semelhante a
Baco, seu nome era Dionísio, da Mitologia Grega Dionísio era o deus do vinho e
das orgias. Veja o que The Grolier Multimedia Encyclopedia, 1997 diz a respeito
da Bacchanalia, ou Bacanal, Baco e Dionísio e sobre o Festival Dionisiano:

“O Bacanal ou Bacchanalia era o Festival romano que celebrava os três dias
de cada ano em honra a Baco, deus do vinho. Bebedices e orgias sexuais e outros
excessos caracterizavam essa comemoração, o que ocasionou sua proibição em
186dC.” (The
Grolier Multimedia Encyclopedia, 1997.
Traduzido por Irlan de Alvarenga
Cidade)

Essa descrição da Bacchanalia
encaixa como uma luva em Carnaval

“Da Mitologia Romana, Baco era o Deus do vinho e da orgia. O filho de
Semele e Júpiter, Baco era conhecido pelos gregos como Dionísio. Sua esposa era
Ariadine.”

“Dionísio era o antigo deus grego da fertilidade, danças ritualísticas e
misticismo. Ele também supostamente inventou o vinho e também foi considerado o
patrono da poesia, música e do drama. Na lenda Órfica Dionísio era o filho de
Zeus e Persephone; em outras lendas, de Zeus e Semele. Entre os 12 deuses do
Monte Olimpo ele era retratado como um bonito jovem muitas vezes conduzido numa
carruagem puxada por leopardos. Vestido com roupas de festa e segurando na mão
uma taça e um bastão. Ele era geralmente acompanhado pela sua querida e
atendido por Pan, Satyrs e Maenades. Ariadine, era seu único amor.”

“O Festival Dionisiano era muitas vezes orgíaco, adoradores algumas vezes
superavam com êxtase e entusiasmo ou fervor religioso. O tema central dessa
adoração era chamado Sparagmos: deixar de lado a vida animal, a comida dessa
carne, e a bebida desse sangue. Jogos também faziam parte desse festival.”
(The Grolier Multimedia Encyclopedia,
1997.
Traduzido por Irlan de Alvarenga Cidade)

O Festival Dionisiano então, não parecer ser a mesma coisa que a Bacchanalia e
o Carnaval? Nós, os Cristãos, não devemos concordar de modo algum com essa
comemoração pagã, que na verdade é em homenagem a um falso deus, patrono da
orgia, da bebedice e dos excessos, na verdade um demônio. Pense nisso.

Parte
II
A
PERSPECTIVA MISSIOLÓGICA DA PÁSCOA CRISTÃ
.Introdução

Num contexto de mudanças tão rápidas e da banalização do cristianismo, eu
particularmente creio que a celebração cristã que mais representa o significado
do verdadeiro cristianismo é a páscoa cristã.

Nela encontramos elementos que resumem o que verdadeiramente significa ser
cristão no mundo de hoje. Sem a páscoa cristã não teríamos nenhuma boa notícia
para contar a ninguém.

Ela nos diz por exemplo, que: 1. A experiência da páscoa cristã veio confirmar
todo o ministério terreno de Jesus. Ele foi verdadeiro e tudo aquilo que ele
disse e fez se consumam nesta experiência maravilhosa; 2. Os evangelhos só
foram escritos por causa deste evento e que sem ele não teríamos nada prá
contar ao mundo; 3. Também nos fala de uma era que se estava findando e de uma
nova que estava tomando forma e começando. A páscoa cristã tem profunda
influência na origem da missão da Igreja cristã primitiva, pois era o Cristo
ressurrecto e exaltado que atraia e atrai as pessoas a Deus.

Neste contexto eu gostaria de pensar sobre o que tudo isto tem a ver conosco no
inicio de um novo milênio e meditar sobre a perspectiva dessa experiência tão
singular na história da humanidade, para nós hoje enquanto comunidade cristã,
Igreja.

Eu quero pensar que os eventos dos últimos dias da vida de Jesus na terra nos
falam sobre a nossa responsabilidade de encarnar sua história e nos remetem
para a Missão.

1. A Perspectiva Futura da Comunidade Cristã – Com a páscoa a comunidade
cristã ganha perspectiva de futuro, sentido de continuidade, o sonho não
acabou. Ela ganha senso de auto definição e identidade própria para prosseguir
com sua missão delegada e realizar o seu chamado. É somente com base na
experiência deste evento que todo o ministério terreno de Jesus tem significado
futuro. Este ministério não cessa, não desaparece, nem tão pouco é extinto, ele
continua ministrando no mundo através desse ajuntamento de pessoas que são
agregadas a esta comunidade. Sua Igreja.
É exatamente neste particular que podemos dizer que por causa da páscoa cristã,
os evangelhos foram escritos, e também não seria muito dizer que sem ela, estes
não teriam e nem fariam nenhum sentido para as gerações futuras dessa
comunidade. Estes foram escritos não só para mostrar eventos passados e
históricos, mas para revelar um fé viva, impulsionadora e verdadeira que queima
o peito e faz esta comunidade marchar em direção ao futuro com confiança e
segurança de que Cristo está e sempre estará presente com a sua comunidade, seu
povo.

2. A Perspectiva da Vitória de Cristo Sobre o Mal – A páscoa também nos
fala sobre o ápice da presença de Jesus na terra. Sua ressurreição e exaltação
significam que Ele já possui a vitória sobre Satanás, a Morte, o Inferno, o
Mundo. E que o seu Reino já se tornou uma realidade, mesmo que nem todos
reconheçam isto ainda. Portanto não existe nenhuma perspectiva de se falhar
nesta missão, o sucesso da missão da Igreja ou não, não trará ou deixará de
trazer o Reino de Deus, que já é uma realidade presente no mundo, conduzida
para dentro de nossa experiência (realidade) pelo evento da páscoa cristã.
A comunidade dos primeiros cristãos responde a tudo isto de uma maneira
maravilhosa, através da sua expressão missionária. Manifestando por onde
passavam os mesmos sinais do Reino de Deus, da mesma forma como Jesus fazia,
curando, expulsando demônios e etc. Eles entendiam que não era um esquema, um
método mas que o poder da experiência da páscoa cristã era que os conduzia a
vitória e assim proclamavam a glória de Deus entre os homens, falando não só da
experiência de Cristo que voltou dos mortos, como também de suas próprias
experiências como aqueles que foram tirados das trevas para a maravilhosa luz
de Deus.

3. A Perspectiva do Espírito Santo Sobre Esta Comunidade – Mesmo que o
Pentecostes aconteça depois de quarenta dias, quando o Espírito de Deus foi
derramado sobre esta comunidade. Podemos afirmar que existe uma intima ligação
entre estes dois eventos. Se o evento da Ressurreição havia trazido confiança e
identidade própria à esta comunidade, o derramar do Espírito Santo trouxe
coragem, intrepidez e ousadia para que esta comunidade se tornasse testemunha
dos fatos ocorridos, mesmo que isto viesse a custar-lhes a própria vida. Foi
somente através do poder do Espírito Santo que eles se tornaram testemunhas.
Newbigin diz que missão é o fluir do Pentecostes, e alguns até afirmam que a
primeira atividade do Espírito Santo é Missão.
É através do Espírito Santo que Cristo continua vivo e ativo no mundo e que no
dia de Pentecostes Ele escancara as portas dessa comunidade e lança os seus
discípulos para o mundo. Com certeza a experiência da páscoa é o inicio do fim
dos tempos. Quando será o fim? O tempo é curto e cabe a nós debaixo da
orientação do Espírito Santo fazer a vontade de Cristo da mesma forma que Ele
cumpriu a vontade do Pai.

Conclusão
Para os discípulos a ressurreição de Cristo e a vinda do Espírito Santo são
provas incontestáveis da presença do Reino de Deus entre nós. Mas o que temos
nós a ver com isso, as portas de um novo milênio, num contexto de
“terceiro mundo”, numa Igreja que luta para descobrir a sua própria
identidade num mundo de tão rápidas mudanças?

Bom, penso que para nós, da América Latina:

1. Não há outra possibilidade de se continuar existindo, enquanto Igreja, que
não seja sob a perspectiva do Cristo ressurrecto.
Sem o Cristo ressurrecto não existe a suprema autoridade sobre todas as coisas,
principados, poderes e dominações deste século presente que nos tornaria impotentes
para desenvolver qualquer tarefa missionária.

2. Não há outra possibilidade de se continuar existindo, enquanto
Igreja, que não seja sob a perspectiva da natureza missionária da Igreja.
Sem páscoa Cristã a Igreja não seria existente. Esta comunidade cristã só
existe por causa do Cristo ressurrecto e é sua tarefa primordial contar a todos
que Deus em Cristo reconcilia o homem consigo mesmo.

3. Não há outra possibilidade de se continuar existindo, enquanto Igreja, que
não seja sob a perspectiva do já e do ainda não.
A páscoa cristã nos diz que a realidade do Reino de Deus já é presente, e que a
caminhada dessa comunidade tem que ser marcada por esta noção do já e do ainda
não. Anunciar, buscar e clamar o Reino de Deus, presente e futuro é
prerrogativa da existência desta comunidade.

Feliz Páscoa!

Bibliografia
Bosch, David J.,Transforming Mission:Paradigm Shifts in Thelogy of Mission New
York, Orbis Books, 1999
Newbigin, Leslie, Trinitarian Doctrine for Today’s Mission England, Paternoster
Press, 1998

Parte
III
“LEVANDO
A SÉRIO O NATAL DE JESUS”
 “Naqueles
dias saiu um decreto da parte de César Augusto, para que todo o mundo fosse
recenseado. Este primeiro recenseamento foi feito quando Quirínio era
governador da Síria. E todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade.
Subiu também José, da Galiléia, da cidade de Nazaré, à Judéia, à cidade de
Davi, chamada Belém, porque era da casa e família de Davi, a fim de alistar-se
com Maria, sua esposa, que estava grávida. Enquanto estavam ali, chegou o tempo
em que ela havia de dar à luz, e teve a seu filho primogênito; envolveu-o em
faixas e o deitou em uma manjedoura, porque não havia lugar para eles na
estalagem. Ora, havia naquela mesma região pastores que estavam no campo, e
guardavam durante as vigílias da noite o seu rebanho. E um anjo do Senhor
apareceu-lhes, e a glória do Senhor os cercou de resplendor; pelo que se
encheram de grande temor, o anjo, porém, lhes disse: Não temais, porquanto vos
trago novas de grande alegria que o será para toto o povo: É que vos nasceu
hoje, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isto vos será
por sinal: Acharás um menino envolto em faixas, e deitado em uma manjedoura.
Então, de repente, apareceu junto ao anjo grande multidão da milícia celestial,
louvando a Deus e dizendo: Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra
entre os homens de boa vontade” (Lc 2.1-14).

A cena é muito viva, muito forte, impressionante. Pastores estavam no campo
guardando rebanhos, possivelmente destinados aos sacrifícios do templo. Eram
pessoas desprezadas. Tão desprezadas que eram rejeitados como testemunhas em
julgamentos. E, no entanto, foram escolhidos por Deus para receber em primeira
mão a mensagem de salvação numa prévia da proclamação na sinagoga de Nazaré
(cf. Lc 4.18,19).

O anúncio não era esperado pelos pastores, e, restabelecida a confiança dos
ouvintes, vem a nota de alegria e de vitória: “Fora o temor! Alegria!
Profunda alegria!” Na verdade, a alegria sempre anda de mãos dadas com a
pregação do evangelho. Jesus Cristo anuncia e traz a salvação, e a alegria
imprime a sua marca: “Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para
a retomar” (Lc10.17; cf. At 5.40, 41).

A proclamação da alegria ocorre porque hoje Ele nasceu! Começou o tempo final,
o tempo da realização! Chegou a plenitude dos tempos!

E quem é essa criança recém-nascida? Diz o mensageiro dos céus: o Salvador, o
Cristo, o Senhor! E, no entanto, parece que tudo está às avessas, pois o
Senhor, o Cristo, o Salvador está repousando num cocho, numa estrebaria.

Esse é, porém, exatamente o sinal de Sua necessidade, pois talvez houvesse na
pequena vila de Belém outra criança envolta em faixas que lhe apertariam o
corpinho, os braços, as pernas para que se desenvolvessem firmes e ajustadas,
segundo criam as comadres da época. Mas dormindo num mangedoura, só o Messias.
Esse é o sinal, a marca da humildade, do esvaziamento nos termos do antigo hino
que era cantado nas reuniões da Igreja dos apóstolos, e que Paulo registrou em
Filipenses 2.5-11, hino que canta a encarnação, ministério, morte, ressurreição
e exaltação de Jesus Cristo, hino que representa a confissão de fé dos nossos
irmãos da primitiva Igreja:

“Tende em vós aquele sentimento que houve também em Cristo Jesus, o qual,
subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que se
devia aferrar, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo,
tornando-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a
si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. Pelo que também
Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu o nome que é sobre todo nome; para que
ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e
debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória
de Deus Pai.” (Fl 2.5-11).

Surgem os anjos formando uma grande milícia, um grande exército. Mas é um
exército diferente?! Não de guerra, senão de paz! E se realiza, deste modo, o
primeiro culto cristão de que se tem notícia: a mensagem foi pregada (vv. 10-12),
o coro canta

“Glória a Deus nos mais altos céus, e na terra Sua paz aos homens sobre
quem repousa Seu favor” [“Glória a Deus nas alturas, e paz na terra e
boa vontade aos homens a quem Ele quer bem”] (v. 14).

Cumpre-se Hebreus 1.6, e em duas linhas, duas breves linhas, cantam os
mensageiros de Deus o que significa o nascimento de Jesus. Não é um desejo; é
uma proclamação dos extraordinários feitos de Deus, razão porque, quase no fim
do Seu ministério terreno, Jesus afirma, “Eu te glorifiquei na terra,
completando a obra que me deste para fazer” (Jo 17.4)

Alegria! Grande nota de alegria! Pois se até agora, dava-se glória ao gênio, à
fortuna, ao triunfo, no Novo Testamento é a glória de Deus, a paz por
excelência, a alegria coroando essa paz!

A PAZ É UM IDEAL

É próprio da linguagem cristã falar em algo que já está conosco, mas ainda há
de ser pleno. O reino de Deus já está entre nós, mas há de ser plenamente
implantado (cf. Mc 1.15; Lc 17.21; Mt 6.10); Satanás já está vencido, porém o
“mundo inteiro jaz no Maligno” (1Jo 2.13b; 5.19b); Jesus Cristo já é
vencedor, mas há de vencer (Jo 16. 33; Mt 24.30). A paz é conseqüência da
chegada do reino de Deus, não obstante o mundo viver em violência. É tão
somente ler as manchetes dos jornais.

“Glória a Deus” é algo fundamental à “paz na terra”. A paz
de Jesus Cristo, no entanto, não é como a oferecida pelo mundo, pelos sistemas
de idéias, pelas escolas de pensamentos ou pelos sistemas políticos. O mundo
conhecia a chamada Pax Romana, a paz existente porque Roma era a senhora do
mundo. Foi o período de 30 a.C. a 180 d.C., quando deu-se uma grande
prosperidade e tranqüilidade por razão do bom governo dos romanos das Ilhas
Britânicas aos limites da Mesopotâmia (hoje Iraque) e do Mar do Norte ao Norte
da África.

A Pax Romana foi iniciada com Otaviano que conseguiu resolver os problemas
internos e externos, acabou com os piratas do Mediterrâneo que prejudicavam a
navegação entre a capital do império e as províncias da Äsia Menor e as da
costa africana. Estradas foram construídas para uso militar, e depois para
transporte de bens de consumo e alimentos: o vinho, o azeite, a cerâmica da
Gália (hoje França), vidro da Germânia (hoje Alemanha, têxteis da região
gaulesa (hoje Bélgica), o fim do pedágio. O imperador permitiu certa autonomia
às províncias e a manutenção da língua, costumes e religião locais. Havia, no
entanto, uma língua franca: o grego comum.

Porém, se Jesus tivesse vindo um século antes, o evangelho teria sido bloqueado
pelas fronteiras fechadas, e pelos piratas nos mares; se dois séculos depois,
os bárbaros não permitiriam a evangelização se expandir. Não é, porém, dessa
paz política que os anjos cantaram, pois por volta do terceiro século d.C.,
acabou a Pax Romana vencida pela anarquia política, inflação monetária e
tremenda crise financeira.

A paz encerra todas as bênçãos trazidas pela salvação: é o restabelecimento de
tudo o que fora perdido pelo pecado; é a conseqüência da aliança de Deus com
Israel, e renovada por Jesus Cristo (cf. Is 54.10). É o evangelho de Cristo,
que é o Príncipe da paz, nossa paz (cf. Ef. 6.15; Is 9.5ss; Ef 2.14). É paz de
espírito na verdade e na luz, essa luz que envolveu os pastores e como luz de
Cristo envolvem cada cristão. Não é paz para o ambicioso, para o mundano, para o
ímpio, ou para o que quer vitória passageira. Essa glória e essa paz que há nos
céus devem por Jesus Cristo se tornar realidade na terra (cf. Is 57.15-20).

A PAZ É UM DEVER

Aprendemos com a Bíblia que a paz acompanha a fé (Rm 15.13); Acompanha também a
justiça e a retidão (Is 32.17); acompanha o conhecimento de Deus (Sl 119.165) e
acompanha a mente guiada pelo Espírito Santo (Rm 8.6).
A promoção da paz é um dever dos crentes em Jesus Cristo (Mt 5.4). Entretanto,
não é fácil ser pacificador. Nas “bem-aventuranças”, Jesus Cristo não
está falando de se ser pacífico. Não são bem-aventurados os que tomam uma
atitude passiva diante das injustiças, malquerenças e calúnias. São
bem-aventurados os promotores da paz, os que ativamente empregam suas energias espirituais,
morais e materiais para promover a reconciliação e conseqüentemente a paz.
Lembremos que nossa tendência, da velha criatura, do coração não renovado pela
misericórdia de Deus, á para represálias e vinganças. Paulo explica esse ensino
de Cristo ao nos lembrar que o mesmo Jesus nos confiou o ministério da
reconciliação (2Co 5.18), e, realmente, a paz que Jesus trouxe foi a
reconciliação entre Deus e a pessoa humana, bem como a reconciliação entre o
ser humano e seu semelhante, e a iniciativa é sempre do Criador.

A promoção da paz como dever do cristão é lutar pelo estabelecimento de um
ambiente de justiça, e nunca a lei foi tão machucada como em nossos dias: nunca
o caráter foi tão desprezado em nossa pátria! Mas isso não é novidade! No
começo do século, Capistrano de Abreu, historiador patrício, dando uma
entrevista sobre o descredito das leis de nossa pátria, sugeriu que melhor
seria que fossem queimadas todas as leis do Brasil, e decretada uma só:
“cada brasileiro fica obrigado a ter vergonha!” E o assunto é muito
mais antigo: “Portanto se envergonharam por terem cometido abominação?
Não, de maneira alguma: nem tampouco sabem que coisa é envergonhar-se” (
Jr 6.15a ).

A promoção da paz como dever do crente em Jesus Cristo é lutar pela sinceridade
entre as pessoas, e mais especialmente entre os irmãos em Cristo. No teatro
romano, o uso de máscaras determinava o sentimento da cena. Máscaras eram
feitas de cera: daí que sem a máscara era estar “sem cera”, ou seja,
sincera.

Duas coisas alimentam a sinceridade: o amor e a pureza da alma. Quanto ao amor,
Paulo ensina, “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e
não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o címbalo que retine. E
ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a
ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os
montes e não tivesse amor, nada seria.” (1Co 13.1,2)

Quanto à alma pura, é aquela que se apresenta equilibrada, bem orientada, não
dividida em seus sentimentos para com Deus e o próximo. Paulo ensina que
“tudo é puro para os que são puros” (Tt 1.15) A alma impura não tem
discernimento e não pode expressar o que é bom, porque não discerne entre o bem
e o mal.

Jesus Cristo é a expressão da esperança e das promessas do Antigo Testamento: a
proclamação aos pobres, aos que vivem afastados, aos que não têem abrigo nas
cidades, aos que estão sós como aqueles pastores dos campos de Belém.

A glória de Deus e a paz entre os homens estão em Cristo unidas para sempre.
Não é resultado de tratados, alianças ou acordos entre autoridades
governamentais, mas é pura obra de Deus! Isso é o que o Natal tem significado
para os cristãos comprometidos com o Cristo que é o “Maravilhoso
Conselheiro, Deus Forte, Pai Eterno e Príncipe da Paz” (Is 9.6). A essa
paz somos chamados!

Nascimento de Cristo
Alfredo Stein
Há quase dois mil anos, no Oriente
nascia uma criança.
Trazia para os homens, para o mundo,
um hino de bonança.
Era de Deus, do Seu amor profundo,
mensagem de esperança,
para falar ao coração descrente.

Nessa noite, no céu, na imensidão,
por ter Jesus nascido,
cantavam anjos – “Glória ao nosso Deus!”
Possa hoje ser ouvido,
cantarem anjos nos mais altos céus,
por ter Jesus nascido
dentro de ti, no teu coração!

Parte V
Parte
IV
O
NATAL É CRISTÃO?
Devem os cristãos celebrar o Natal? Um bom número de seitas e
novas igrejas que professam seguir a Cristo, insistem que o Natal é uma festa
pagã o qual todos os verdadeiros cristãos devem afastar-se.

Provavelmente a mais notável destas religiões são as Testemunhas de Jeová, que
publicam ferroados ataques sobre a celebração do Natal ano após ano. No
entanto, estes grupos não estão sós na sua condenação destes feriados
religiosos mais populares.

Muitos cristãos evangélicos também acreditam que o Natal é uma celebração pagã,
vestindo “roupas cristãs”. Enquanto muitos cristãos marcam o Natal
como um dia especial para adorar a Cristo e dar graças pela Sua entrada no
mundo, eles rejeitam qualquer coisa que tenha a ver com Papai Noel, árvores de
Natal, troca de presentes e tal.

Existem bases bíblicas para rejeitar tudo ou parte do Natal? Qual deve ser a
atitude dos cristãos neste assunto? Essa pergunta que está diante de nós.

A resposta dada aqui é de que, enquanto certos elementos da tradição Natalina
são essencialmente pagão, eles devem ser rejeitados (especialmente as bebidas e
imoralidades, na qual o mundo se acham dona naquele período do ano), o Natal em
si e muitas das tradições associadas com ele, pode ser celebrado pelos cristãos
que tem uma consciência clara. Aqueles que se inclinam a rejeitar fora de mão,
tal posição, podem estar interessados em saber que, durante um tempo este
escritor teria concordado com eles. Um exame minucioso destes assuntos
incluídos, no entanto, conduz a uma conclusão diferente.

Celebrando o aniversário de Jesus
O argumento básico e comum apresentado contra o Natal, é de que não se encontra
na Bíblia. Muitos cristãos, e também grupos como as Testemunhas de Jeová,
sentem de que ao não estar mencionado nas Escrituras, não é portanto para ser
observado. De fato, as Testemunhas argumentam que desde que as únicas pessoas
na Bíblia que celebravam o seu aniversário onde Faraó (Gn 40:20-22) e Herodes
(Mt 14:6-10), Deus tem uma visão obscura a respeito de celebrações de
aniversário em geral.

Sendo assim, eles sentem, que Deus não aprovaria a celebração do aniversário de
Jesus.

Em resposta a estes argumentos, algumas coisas precisam ser ditas. Primeiro de
tudo, o fato é que a Bíblia nada diz contra a prática de celebração de
aniversários. O que foi mau nos casos de Faraó e Herodes, não era o fato de
celebrarem seus aniversários, mas, sim as práticas más nos seus aniversários
(Faraó matou o chefe dos padeiros, e Herodes matou João Batista). Segundo, o
que a Bíblia não proíbe, seja explicitamente ou por implicação de alguns
princípios morais, é permitido ao cristão, enquanto for para edificação (Rm
13:10; 14:1-23; I Co 6:12; 10; 23; Col 2:20-23; etc.). Portanto, desde que a
Bíblia não proíbe aniversários, e eles não violarem princípios bíblicos, não há
base bíblica para rejeitar aniversários. Pelo mesmo motivo, não há razões
bíblicas para rejeitar completamente a idéia de celebrar o aniversário de
Jesus.

25 de Dezembro
Outra objeção comum ao Natal está relacionado com a guarda de 25 de dezembro
como sendo o aniversário de Cristo. Freqüentemente instam que Cristo não podia
ter nascido no dia 25 de dezembro (geralmente porque os pastores não teriam
seus rebanhos nos campos de noite naquele mês), portanto, no dia 25 de dezembro,
não podia ter sido seu aniversário. Como se isso não bastasse é também apontado
de que 25 de dezembro era a data de um festival no Império Romano no quarto
século, quando o Natal era largamente celebrado nesse dia.
É verdade que parece não haver evidência como sendo o aniversário de Cristo
nessa data. Por outro lado, tem sido demonstrado que tal data não é impossível,
como é suposto normalmente.

Contudo, pode ser admitido de que é altamente improvável que Cristo realmente
tenha nascido em dezembro 25.

Este fato invalida o Natal? Realmente, não. Não é essencial para a celebração
de aniversário de alguém, que seja comemorado na mesma data do seu nascimento.
Os americanos comemoram os aniversários de Washington e Lincoln na terceira
Segunda-feira de Fevereiro todos os anos, ainda que o aniversário de Lincoln
era no dia 14 de Fevereiro e o de Washington, 22 de Fevereiro. Se tivesse
certeza de que Cristo realmente nasceu digamos, em 30 de abril, deveríamos
então celebrar o Natal naquele dia? Enquanto que não haveria nada de errado com
tal mudança, não seria necessário. O propósito é o que importa, não a atual
data.

Mas, e com respeito ao fato de ser 25 de dezembro a data de um festival pagão?
Isto não prova que o Natal é pagão? Não, não o prova. Em vez, prova que o Natal
foi estabelecido como um rival da celebração do festival pagão. Isto é, o que
os cristãos fizeram era como dizer, “Antes do que celebrar em imoralidade
o nascimento de Ucithra, um falso deus que nunca nasceu realmente, e que não
pode lhe salvar, celebremos com alegre justiça o nascimento de Jesus, o
verdadeiro Deus encarnado que é o Salvador do mundo.”

Algumas vezes, se insta a que se tome um festival pagão tentando
“cristianizá-lo” é insensatez. No entanto, Deus mesmo fez exatamente
isso no Antigo Testamento. A evidência histórica nos mostra conclusivamente,
que algumas festas dadas a Israel por Deus através de Moisés eram originalmente
pagãs, os festivais agriculturais, os quais eram cheios de práticas e imagens
idólatras.

O que Deus fez com efeito, era estabelecer festividades os quais tomariam o
lugar dos festivais pagãos, sem adotar nada da idolatria e imoralidade
associado com ela.

Poderia dar a impressão, então, que em princípio nada há de mal em fazê-lo, se
tratando do Natal.

Santa Claus (Papai Noel)
Provavelmente a coisa que mais incomoda aos cristãos sobre o Natal mais do que
qualquer coisa, é a tradição do Papai Noel. As objeções para esta tradição
inclui o seguinte:
[1] Papai Noel é uma figura mística incluído com atributos divinos, incluindo
onisciência e onipotência;
[2] quando as crianças aprendem que Papai Noel não é real, eles perdem a fé nas
palavras dos seus pais e em seres sobrenaturais;
[3] Papai Noel distrai a atenção de Cristo;
[4] a história de Papai Noel ensina as crianças a serem materialistas.
Em face a tais objeções convincentes, pode-se dizer algo de bom do Papai Noel.
Antes de examinar cada uma destas objeções, deve se notar que, o Natal pode ser
celebrado sem o Papai Noel. Retire Papai Noel do Natal e o Natal permanece
intacto. Retire Cristo do Natal, no entanto, e tudo que sobre é uma festa pagã.
Sejam quais forem nossas diferenças individuais de como tratar o assunto de
Papai Noel com as nossas crianças, como Cristãos nós podemos concordar com este
tanto.

1.) Não existe dúvida alguma de que Papai Noel na sua presente forma, é um
mito, ou conto de fada. No entanto, houve realmente um Papai Noel o nome
“Santa Claus” é uma forma anglosaxona do Holandês, Sinter Klaas, que
por sua vez significava “São Nicolau”.

Nicolau foi um bispo cristão, no quarto centenário, sobre quem pouco sabemos
por certo. Ele aparentemente, assistia ao Concílio de Nicéia no AD. 325, e uma
forte tradição sugere que ele demonstrava uma singular bondade para com as
crianças. Enquanto que o velho vestido de vermelho puxando um trenó conduzido
por veado voador é um mito, a história de um velho amante de crianças que lhes
trouxe presentes, provavelmente não é – e em muitos países, é só isso que
“Santa Claus” é.

Deve-se admitir que contar às crianças que Papai Noel pode vê-los em todo
tempo, e de que ele sabe se eles foram bons ou maus, etc… está errado. Também
é verdade que os pais não deviam contar a seus filhos a história de Papai Noel
como se fosse uma verdade literal. Contudo, as crianças com menos de sete ou
oito anos, podem brincar de “fazer de conta” e tirar disso
divertimento como se elas pensa-se que é real. De fato, a essa idade elas estão
aprendendo a diferença entre o faz de conta e a realidade. Crianças mais jovens
ficarão fascinadas pelos presentes que são descobertos na manhã de Natal,
debaixo de uma árvore a qual lhes foi dito que são do “Papai Noel”,
porém, eles não tirarão conclusões sobre a realidade de Papai Noel por meio
destas descobertas.

2.) Quando as crianças aprenderem que Papai Noel não é real, poderá
perturbá-los um pouco, somente se os pais lhes disseram que ele realmente
existe e que ele faz tudo que se pretendia dele. É por isso que deve-se dizer
às crianças que Papai Noel é faz de conta, tão logo elas tenham idade suficiente
para fazer perguntas a respeito da realidade.

Antes de ser uma pedra de tropeço para acreditar no sobrenatural, ele pode ser
um trampolim. Diga às crianças que enquanto Papai Noel é uma faz de conta, Deus
e Jesus não são. Diga-lhes que, enquanto Papai Noel só pode trazer coisas que
os pais podem comprar ou fazer, Jesus pode lhes dar coisas que ninguém pode –
um amigo que sempre está com eles, perdão para as coisas más que eles fazem,
vida num lugar maravilhoso com Deus para sempre, etc.

3.) Siga as sugestões acima e não mais será Papai Noel um motivo para
distraí-los de Cristo. Diga a seus filhos porque Papai Noel dá presentes, e
porque Deus nos deu o presente mais maravilhoso, Cristo.

4.) Pelo contrário, a história de Papai Noel é melhor contada quando
é usada para encorajar as crianças a ser abnegadas e generosas.

Árvores de Natal
Um dos poucos elementos sobre a celebração tradicional do Natal, dos que se
opõe a isso, afirmam o que diz na Escritura sobre árvores de Natal.
Especificamente pensa-se que em Jeremias 10:2-4 Deus explicitamente condenava
árvores de Natal: “Assim diz o Senhor: Não aprendais o caminho das nações,
nem vos espanteis com os sinais dos céus, embora com eles se atemorizem as
nações. Porque os costumes dos povos são vaidade; cortam do bosque um madeiro,
e um artífice o lavra com o cinzel.”

Certamente há uma semelhança entre a coisa descrita em Jeremias 10, e a árvore
de Natal. Semelhança, no entanto, não é igual a identidade. O que Jeremias
descreveu era um ídolo – uma representação de um falso deus – como o verso
seguinte mostra: “Como o espantalho num pepinal, não podem falar;
necessitam de que os levem, pois não podem andar. Não tenhais receio deles; não
podem fazer o mal, nem podem fazer o bem.” (v.5)

A passagem paralela em Isaías 40:18-20 esclarece que o tipo de coisa que
Jeremias 10 tem em mente, é na verdade um objeto de adoração: “Também
consumirá a glória da sua floresta, e do seu campo fértil desde a alma até o
corpo; será como quando desmaia o doente. O resto das árvores da sua floresta
será tão pouco que um menino as poderá contar. Naquele dia os restantes de
Israel, e os que tiverem escapado da casa de Jacó, nunca mais se estribarão
sobre aquele que os feriu, mas se estribarão lealmente sobre o Senhor, o Santo
de Israel.” (Is 10:18-20)

Assim, a semelhança é meramente superficial. A árvore de Natal não se origina
de adoração pagã de árvores (o qual foi praticada), porém, de dois símbolos
explicitamente cristãos, do Ocidente da Alemanha Medieval.

A Enciclopédia Britânica explica o seguinte:

A moderna árvore de Natal, em hora, se originou na Alemanha Ocidental. O
principal esteio de uma peça medieval sobre Adão e Eva, era uma árvore de
pinheiro pendurada com maças (Árvore do Paraíso) representando o jardim do
Éden. Os alemães montaram uma “árvore do Paraíso” nos seus lares no
dia 24 de dezembro, a festa religiosa de Adão e Eva. Eles penduravam bolinhos
delgados (simbolizando a hóstia, o sinal cristão de redenção); as hóstias
eventualmente se transformaram em biscoitos de vários formatos. Velas, também,
eram com freqüência acrescentadas como símbolo de Cristo. No mesmo quarto,
durante as festividades de Natal, estava a pirâmide Natalina, uma construção
piramidal feito de madeira com prateleiras para colocar figuras de Natal,
decorados com sempre-verdes, velas e uma estrela. Lá pelo 16º século a pirâmide
de Natal e a árvore do Paraíso tinham desaparecido, se transformando em árvore
de Natal.
Mais uma vez, não há nada essencial sobre a árvore de Natal para celebrar o
Natal. Como o mito moderno de Papai Noel, é uma tradição relativamente recente;
as pessoas celebravam o Natal durante séculos sem a árvore e sem o semi-divino
residente do Polo Norte.

O que é essencial ao Natal é Cristo. No entanto, isso não quer dizer que devemos
jogar Papai Noel e a árvore fora de vez. Neste assunto temos liberdade cristã
para adotar estas tradições e usá-los para ensinar os nossos filhos sobre
Cristo, ou para celebrar o nascimento de Cristo, sem elas.

Nesse caso, não há nenhuma obrigação para celebrar seu aniversário também,
desde que não é ordenado para nós na Escritura.

Todavia, seria estranho de fato, se alguém que foi salvo pelo filho de Deus,
não se regozijar-se em pensar no dia que Sua encarnação manifestou-se pela
primeira vez ao mundo naquela noite santa.

Parte
V
O
VERDADEIRO SENTIDO DA PÁSCOA

Informações que todos os Cristãos deveriam ter a respeito da
Páscoa

O maior motivo de
comemoração para os cristãos é o dia em que seus pecados foram perdoados, o dia
em que o homem foi comprado por um preço muito alto e esse preço foi a vida do
próprio filho de Deus, que morreu para que todos pudessem ter vida eterna
através dEle. Ele morreu, mas também ressuscitou, e esse é o nosso maior motivo
de orgulho.

A Páscoa, o feriado onde todos nós deveríamos celebrar com júbilo e regozijo a
Graça do Senhor Jesus, tem perdido o sentido ao longo dos anos. Fiquei muito
triste quando um dia, ao conversar com uma criancinha de 8 anos, ao perguntá-la
qual era o sentido da Páscoa ela ter me dito que era o dia em que deveríamos
ficar esperando o “coelhinho da páscoa” para comer os “ovos de
páscoa”. Aquilo atingiu o meu peito como uma flecha, pois desde muito
pequena ela sempre freqüentou a Escola Bíblica Dominical e ficou muito surpresa
quando eu lhe disse o que era realmente a Páscoa, então resolvi continuar a
pesquisar, vi que apenas 2 em 10 crianças, filhas de Evangélicos, sabem qual é
o verdadeiro sentido da Páscoa, mas de quem é o erro? De nós mesmos.

Quem nunca deu um “ovo de páscoa” para o seu filho? Ou ainda, que
nunca fez seu filho no domingo de Páscoa acordar bem cedo para procurar os
ovinhos que o coelhinho deixou???

Como? O coelho nem ao mesmo coloca ovos! Nas escolas, as professoras fazem uma
festinha explicando o sentido da Páscoa, dizendo que é por causa de Jesus que
nós a comemoramos ou vestem as crianças de coellhinho e distribuem ovos de
chocolate? O ensinamento que deveria ser dado na Páscoa é dado no Natal, ou
melhor, na farsa do Natal (Leia “A Pura Verdade Sobre O Natal”). Outro
meio que serve para massificar a idéia do “coelhinho da Páscoa” na
mente das crianças é a TV, as propagandas que falam sobre os ovos de páscoa e
usam a imagem de um coelhinho “fabricando os ovos”.

Muitas outras coisas ainda ajudam a esconder a maravilhosa verdade sobre a
Páscoa das crianças: Outdoors, Cartazes, encartes nos jornais de domingo etc.

Leia com atenção o texto abaixo da The Grolier Multimedia Encyclopedia 1997,
que fala sobre a Páscoa:

“De acordo com The Venerable Bede, o nome da Páscoa (em inglês Easter) é
derivado do festival pagão da primavera, da deusa anglo-saxã Eostre, e muitos
costumes folclóricos associados com a páscoa (por exemplo, ovos de páscoa), são
de origem pagã.

O dia de Páscoa é atualmente
determinado pelo primeiro domingo após a lua cheia em/ou após 21 de março. As
Igrejas Ortodoxas Orientais, contudo, preferem seguir o Juliano ao Calendário
Gregoriano, então sua celebração cai normalmente algumas semanas depois da
Páscoa Ocidental. A Páscoa é precedida pelo período de preparação chamado de
Quaresma.”
(The
Grolier Multimedia Encyclopedia, 1997.
Trexo traduzido por Irlan de
Alvarenga Cidade).

Em que caminho estamos educando as nossas crianças? No cristianismo ou no
paganismo? Estamos cumprindo a palavra de Deus? Veja o que ela diz:

“Portanto, assim como recebestes a Cristo Jesus, o Senhor, assim também
nele andai, arraigados e edificados nele, e confirmados na fé, assim como
fostes ensinados, abundando em ação de graças.” (Colossenses 2:6-7)

” Porque, desde a infância sabes as sagradas letras, que podem necessitais
de que se vos torne a ensinar os princípios elementares dos oráculos de Deus, e
vos haveis feito tais que precisais de leite, e não de alimento sólido.”
(Hebreus 5:12)

“O qual nós anunciamos, admoestando a todo homem, e ensinando a todo homem
em toda a sabedoria, para que apresentemos todo homem perfeito em Cristo”
(colossenses 1:28)

Devemos prestar mais atenção em pequenos detalhes que podem se transformar em
uma bola de neve no futuro, afetando na vida espiritual e devocional de nossos
filhos. Pense Nisso.

Parte
VI
UMA
VISÃO CRISTÃ DAS FESTIVIDADES DE ISRAEL

Hebreus 10.1-18
Apropriamo-nos do pensamento do filósofo judeu Abraham Heschel ao
expressar que as civilizações pensavam e pensam em termos de espaço. Daí as
grandes e esplêndidas construções que elas deixaram. Quem não se recorda de ter
lido sobre as “Maravilhas do Mundo Antigo”, entre elas: as pirâmides
do Egito, o Colosso de Rodes, os jardins suspensos da Babilônia, o farol de
Alexandria, a Grande Muralha da China. Em nossos dias, a Torre Eiffel em Paris,
o Big Ben em Londres, a Estátua da Liberdade em Nova Iorque, e o Cristo
Redentor no Rio de Janeiro nos impressionam.

E aí completa o filósofo dizendo que assim não procedeu o povo israelita. Em
vez de levantar uma construção, um monumento em termos de espaço que poderia
ser derrubado como tantos dos mencionados o foram, eles construíram
“monumentos no tempo”.

Que expressão linda! “Santuários de tempos”, que são as grandes
festas mencionadas na Bíblia: Pessach, Hag Shavuoth, Yom Kippur, Hag Sukkoth,
ou seja, respectivamente, a Páscoa, a Festa das Semanas, o Dia do Perdão, a
Festa dos Tabernáculos. Outro desses monumentos é o “dia de
descanso”, o Yom Shabbat, do qual devemos aprender o significado de
repouso, de honra, de prazer e de alegria.

Mas, como cristãos, que visão temos dessas festividades e dias solenes
judaicos? O Dr. J. Scott HORRELL descrevendo o fenômeno da igreja atual diz que
“somos mais veterotestamentários do que neotestamentários em nosso pensamento
sobre a igreja” É real. Distorções, desvios e muita imaturidade têm sido
encontrados entre os grupos evangélicos, históricos alguns, neopentecostais na
maioria.

Há uma absurda tendência de confundir a cultura judaica com a fé expressa na
Palavra de Deus, admitindo como canônico, portanto, divinamente inspirado, tudo
o que procede da cultura e do folclore israelitas. Recordamo-nos que num curso
de hebraico moderno patrocinado pelo Centro de Estudos Afro-Orientais da
Universidade Federal da Bahia, em Salvador, onde havia pessoas de origem
israelita e três ou quatro evangélicos, uma senhora, membro de igreja
neocarismática, chegou ao ponto de chamar as judias, inclusive a professora, de
“nossa irmã”. Sim, pelo destino natural de cada ser humano; não, à
luz da revelação em Cristo Jesus.

Isso é acorrentar-se aos “rudimentos fracos e pobres” de rituais e
festividades que têm pleno cumprimento na Nova Aliança, a HaBerith haHadassah,
mencionados por Paulo em Gálatas 4.9. Isso é distorção do foco espiritual, o
que retrata uma má teologia da Nova Aliança. Aliás, há quem tenha mais
facilidade de seguir o que diz o “apóstolo”, o “bispo”, o
pastor, a pastora ou o pregador da televisão que o que ensina o Novo
Testamento. No entanto, os estandartes hasteados no extraordinário movimento
espiritual que foi a Reforma Protestante do século 16 (Sola Gratia, Sola Fide,
Sola Scriptura, Solus Christu) convocam o povo de Deus a voltar à “fé que
de uma vez por todas foi entregue aos santos” (Jd 3) , à palavra de Deus
“viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes”
(Hb 4.12), à “doutrina que é segundo a piedade” (1Tm 6.3).

O fato é que igreja virou um tremendo empreendimento comercial. Demonizada há
pouco tempo, hoje é cortejada pelos políticos e corretores de investimento que
buscam o apoio dos “apóstolos” e “bispos” de todas as cores
doutrinárias. O sucesso é medido pela capacidade de ganhar dinheiro, templos
tornam-se shopping centers literal e metaforicamente falando; prestígio é
afanosamente buscado. E a determinação paulina “Eu pela lei estou morto
para a lei, a fim de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo, e já não
vivo, mas Cristo vive em mim” (Gl 2.19, 20) tornou-se em algumas
personalidades “Não mais Cristo, mas meu narcisismo vive em mim”.

É como diz SALINAS “Dentro do movimento evangélico observa-se o retorno a
antigas, primitivas práticas, justificadas como bíblicas mas pertencentes a uma
época quando a visão teológica de Israel era profundamente limitada e
primitiva”. Com isso, mexe-se com a soteriologia, e, mesmo com a
escatologia. A experiência cultual deixa de ser “em espírito e em
verdade”, teocêntrica, cristocêntrica para ser antropocêntrica e
egocêntrica, porque interessa tão somente o que “eu vejo”, o que
“eu sinto” e o que “eu experimento”.

O fato é que Deus tornou a história de Abraão altamente profética ao ligá-lo ao
futuro de todos os povos. Cada acontecimento, cada evento, é uma semente, uma
sombra, uma figura que amadurece, desabrocha, realiza-se na Nova Aliança. Isso
quer dizer que natureza, história e graça de Deus se unem dando significado
especial a cada festividade.

UMA LEITURA CRISTÃ DO ANTIGO TESTAMENTO

As festividades religiosas de Israel estavam ligadas às estações do ano
agrícola. Eram celebradas na primavera, no começo do verão e no outono. A
princípio, iam ao santuário local; do século 7° em diante, tornaram-se festas
de peregrinação a Jerusalém. Na época de Jesus, Jerusalém que abrigava 40 mil
habitantes passava a 150 mil peregrinos.

As festividades registradas em Levítico 23 são as seguintes:

· Yom Shabbat (Dia do Descanso);
· Pessach (Páscoa);
· Habikurim (Primícias);
· Hag Shavuoth (Semanas, Pentecoste);
· Yom Kippur (Dia do Perdão);
· Hag Sukkoth (Tabernáculos).
E porque todas essas festividades são memoriais, cada uma é cumprimentada com
uma bênção especial: “Agradeço-te por nos ter mantido vivos e sãos,
permitindo-nos apreciar essa época”.

2. Yom Shabbath (Descanso)

A palavra hebraica shabbat é utilizada para uma série de conceitos:
· Para o sétimo dia da semana, o yom shabbat;
· Para a semana inteira, shabbat shanim (Lv 23.5);
· Para o ano sabático, realizado de sete em sete anos (cf. Lv 25.2, 8, 34, 35,
43).
Modernamente, a palavra shabbat é usada para designar “parada, cessação,
pausa, repouso, descanso, desistência, interrupção”, e, mesmo,
“greve”. Acrescente-se que a palavra Shabbathai, da mesma raiz,
designava o planeta Saturno, cultuado no sétimo dia, o que é atestado em
algumas línguas como o inglês “dia de Saturno”, Saturday, em
holandês, Zaterdag; em afrikaans, Saterdag.

Registra-se na Babilônia a palavra shapattu, o dia do meio do mês (lua cheia),
considerado, porém, um dia funesto: médicos não tocavam uma pessoa enferma,
sacerdotes não emitiam profecias, reis não comiam carne cozida nem usavam roupa
limpa.

É considerado o Yom shabbat como a mais importante celebração judaica. Levando
em conta o calendário lunar utilizado liturgicamente pelo judaísmo, começa o
dia de repouso na sexta-feira com o surgimento da primeira estrela. Nesse
instante, inicia-se a celebração com uma oração de ação de graças nos seguintes
termos: “Bendito és Tu, Senhor, nosso Deus, Rei do universo, Que nos
santificas com Teus mandamentos e ordens de acender as luzes do shabbat.”

O falecido pastor presbiteriano, Dr. Alfred EDERSHEIM, ele mesmo judeu
austríaco, reconhece o que ele chama de “intoleráveis regras a respeito do
sábado”. Diz que só poderão ser compreendidas à luz da Mishah e da Gemara,
que compõem a obra de comentários rabínicos intitulada de Talmud. Na verdade,
vinte capítulos no Talmud de Jerusalém (Talmud Yerushalmi) e vinte e quatro no
Talmud da Babilônia (Talmud Babli) discutem regras absolutamente fúteis no seu
entender. Basta dizer que um rabino gastou dois anos e meio estudando o
capítulo referente a animais de carga. Discute-se, aliás, o que seja carga, o
que se torna um verdadeiro peso. Jesus fala sobre isso quando diz:

“Os escribas e fariseus estão assentados na cadeira de Moisés. Portanto
observai e fazei tudo o que vos disserem. Mas não procedais de conformidade com
as suas obras, pois dizem e não fazem. Atam fardos pesados e difíceis de
suportar, e os põem nos ombros dos homens; eles, porém, nem com o dedo querem
movê-los” (Mt 23.2-4; cf. Lc 11.46).

Um exemplo desse fardo é não se constituir pecado recolher água da chuva
diretamente do céu; entanto, se fosse tomada da parede pela qual escorria,
seria pecado. A lei judaica proíbe dirigir no shabbat ou acender um fogão. Mas
não proíbe mudar um móvel pesado dentro de casa.

Na verdade, o rabino Abraham Chill define trabalho (melakha) proibido como

“O conceito bíblico de melakha se aplica a trabalho que envolva a
produção, criação ou transformação de um objeto. Alguém pode passar todo o
shabbat abrindo e fechando um livro até cair de cansaço e não violar o shabbat.
Por outro lado, o simples acender de um fósforo, só um, é uma profanação do
shabbat porque envolve criação.”

A Mishnah fala de trinta e nove trabalhos para os quais há uma interdição.
Entre eles, arar, ceifar, assar bolo, tingir lã, tecer, dar permanentemente um
nó, costurar, abater um animal, levantar ou demolir uma estrutura. São trinta e
oito trabalhos proibidos nos quais se dá um ponto final a um serviço. O
trigésimo nono proibido é carregar um objeto de um domínio particular a outro (dentro
de casa ou da sinagoga, pode). Tudo o que é proibido usar no shabbat é também
proibido de ser manejado: moedas, por exemplo.

Era proibido, ainda, acender e apagar candeeiro, cozinhar ovo, escrever duas
letras, esfregar as mãos, andar mais que um certo número de passos (cf. At
1.12), e até prestar socorro a alguém que tivesse membros do corpo quebrados,
curar, portanto. Era proibida a compra e venda de mercadorias (cf. Am 8.5),
proibidas viagens (Is 58.13), chegando a elaborar quanto se podia caminhar no
dia de descanso, no shabbat: 2.000 côvados, ou seja, aproximadamente 2.000
passos , O Livro dos Jubileus (1.8-12), literatura extracanônica, menciona que
relações conjugais eram proibidas no Yom shabbat..

Contra esse tipo de mentalidade, Jesus Cristo reagiu por ter observado que
haviam perdido a dimensão eterna pelas mesquinharias chamadas de religião! E,
por essa razão, curou doentes no dia de descanso:

· curou um paralítico no poço de Betesda (Jo 5.1-18; cf. v. 9), razão porque
foi duplamente chamado de herege (cf. v. 18);]
· curou uma cego de nascença (Jo 9.1-7, 13,14,16);
· curou um homem de mão atrofiada (Mc 3.1-6; Lc 6.6-11);
· curou uma mulher com terrível problema na coluna (Lc 13.10-17),
· e permitiu, no dia do shabbath, atividades que eram proibidas pela Lei porque
Ele é superior à Lei e Senhor da mesma. Era proibido colher trigo para a
alimentação, no entanto, permitiu que as espigas fossem colhidas (Mc 2.23-28).

Os grupos mais radicais na observância do shabbat eram basicamente três: a escola
do rabino Shammai, a seita dos essênios e os samaritanos. Shammai entendia as
proibições e deveres não apenas para os seres humanos e animais, mas também
para objetos inanimados. Não se podia começar o tingimento de lã ou linho se
não desse tempo de colocar para secar. Os essênios nem ao sanitário iam?!

A outra escola, bem mais liberal, era a do rabino Hillel, que discutia com
Shammai se um alfaiate podia ou não segurar uma agulha depois de iniciado o
shabbat. Aliás, Hillel, diferentemente de Shammai, excluía as coisas inanimadas
das proibições, e dava um “jeitinho” na questão do trabalho,
sugerindo que se pagasse um gentio para terminá-lo.

Toda a Escritura valoriza o descanso, pois desde o seu primeiro livro aponta
para o descanso de Deus (Gn 2.3), bem como para o livramento do Egito, pois,
“Lembra-te de que foste servo na terra do Egito, e que o Senhor teu Deus
te tirou dali com mão forte e braço estendido. Pelo que o Senhor teu Deus te
ordenou que guardasses o repouso” (Dt 5.15).

Uma leitura cristã do shabbat aponta-nos para o perfeito repouso que é Jesus
Cristo, o mesmo que pronunciou as confortadoras palavras:

“Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos
aliviarei [eu vos darei shabbat]. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de
mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis shabbat para as
vossas almas” (Mt 11.28, 29).

Aliás, a preocupação de Jesus pelo bem-estar e conforto físico dos discípulos é
algo enternecedor. Ao se retirar para Nazaré, Jesus envia Seus discípulos às
vilas e aldeias do entorno daquela cidade dando-lhes autoridade sobre os
demônios, o que efetivamente aconteceu (cf. Mc 6.12, 13). Ao retornarem (cf.
vv. 30, 31), cansados porém alegres, relataram as bênçãos da missão designada,
pelo que ouviram de Jesus o convite: “Vinde vós, aqui à parte, a um lugar
deserto, e repousai um pouco”. E a explicação: “Porque havia muitos
que iam e vinham, e não tinham tempo para comer”. Jesus os chama para um
shabbat, uma pausa, um descanso.
É preciso encarar esse assunto em termos de tempo e de eternidade. Fixar-se num
dia da semana é perder o senso da eternidade, mesmo porque nós não podemos
doutrinar em cima de sombras do calendário (cf. Hb 10.1), o sábado temporal, e
fazê-lo é perder a noção de que Jesus Cristo, Ele, sim, é o nosso shabbat, o
nosso descanso, como mencionado em Hebreus 4.3: “Porque nós, os que temos
crido, é que entramos no descanso, tal como disse: Assim jurei na minha ira:
Não entrarão no meu descanso; embora as suas obras estivessem acabadas desde a
fundação do mundo”.

Percebe-se a importância e dignidade do ser humano, imagem do nosso Deus,
semelhança do Criador. Percebe-se com absoluta clareza que a Lei e as suas
instituições devem ser vistas à luz da eternidade. Realmente, a Carta aos Hebreus
diz que a Lei é a sombra dos bens futuros, razão porque afirmamos que não se
pode doutrinar em cima de sombras (cf. Hb 10.1). Portanto, com a Nova Aliança,
as figuras e sombras da Antiga Aliança caducaram, e com elas as festividades
judaicas agora vislumbradas sob o ponto de vista cristão. Que diferença da
alegria, da felicidade, da liberdade de se viver na Nova Aliança! Jesus nos
libertou disso quando disse, “O shabbat foi feito por causa do ser humano,
e não o ser humano por causa do shabbat ” ( Mc 2,27).

No Novo Testamento, as referências ao shabbat estão sempre em conexão aos
judeus, tendo à frente o partido dos fariseus, ou em relação ao templo e às
sinagogas. Mas com respeito ao Dia do Senhor, o primeiro dia da semana, as
referências são sempre em relação a Jesus Cristo, ao Espírito Santo, à igreja e
aos discípulos. Recordemos que o fato culminante da vida e da obra de Cristo
Jesus é a Ressurreição. Por ela, somos justificados, diz a Palavra de Deus (cf.
Rm 4.25), somos regenerados (1Pe 1.3), e alcançamos uma boa consciência para
com o Pai (1Pe 3.21). Sem a ressurreição, porém, seríamos uns iludidos, a nossa
fé completamente vazia e continuaríamos em nossos pecados; os que morreram em
Cristo estariam perdidos, e seríamos os mais infelizes, os mais miseráveis, os
mais desgraçados de todos os homens! (1Co 15.17-19) Mas só se a ressurreição
não tivesse acontecido!

E essa é aspiração maior, o realizado anseio dos crentes: sentir nos cultos,
nas suas próprias reuniões, a presença de Jesus Cristo, nosso Salvador! É o que
acontece quando no primeiro dia da semana, no Dia do Senhor, “reunimo-nos
aqui para glorificar o rei Jesus”, o Qual aponta para um descanso superior
que é o livramento total e eterno conforme Hebreus 4.9 em diante.

3. Pessach (Páscoa)

As festividades a que todo Israel deveria comparecer eram três: Pessach,
Shavuoth e Sukkoth.
Pessach e a Hag Mazzoth, ou seja, a Páscoa e a Festa dos Pães Asmos, são,
rigorosamente falando, celebrações distintas, visto que a primeira é celebrada
em 14 do mês de Nisã e a segunda a partir do dia seguinte até o 21. No entanto,
elas se fundiram a ponto de serem consideradas uma só tanto no Antigo
Testamento quanto no Novo Testamento conforme se pode verificar em Mateus
26.17; Marcos 14.12 e Lucas 22.1. Pessach é uma festa de cunho pastoril,
enquanto Hag Mazzoth é uma celebração agrícola.

A informação sobre o Pessach nos vem de textos litúrgicos, de textos históricos
e de documentos extrabíblicos. No primeiro caso, temos o registro do ritual da
festividade em Êxodo 12, Números 28.16-25, Ezequiel 45.21-2; os calendários
religiosos em Êxodo 23.15; 34. 18, 25; Deuteronômio 16.1-8; Levítico 23.5-8; e,
ainda, a história de Números 9.1-14.

Com respeito aos textos históricos, o primeiro Pessach celebrado em Canaã encontra-se
em Josué 5.10-12; as celebrações públicas no reinado de Salomão (2Cr 8.13); no
tempo de Ezequias em 2Crônicas 30.15; a realizada na época de Josias em 2Reis
23.21-23 (2Cr 35.1-18); a celebração depois do Exílio em Esdras 6.19-22. Em
relação aos documentos extrabíblicos, destaque-se um papiro e duas ostracas
(pedaços de cerâmica escritos) da colônia judaica de Elefantina no Egito.

A palavra pessach, que tem o significado de “passagem”, refere-se à
passagem do anjo do Senhor (cf. Ex 12.23, 27) que isentou os lares hebreus da
última das pragas lançadas sobre a terra do Egito.

A narrativa menciona o sacrifício de um cordeiro ou cabrito cevado sem defeito,
macho de um ano, no dia 14 do mês de abibe (“espigas verdes”cf. Lv
23.15; Ex 13.4) como oferta pelo pecado (cf. Ex 12.2-6). Do Exílio em diante
este mês passou a ser chamado nisã, segundo nos diz Neemias 2.1.
Inicialmente, Pessach era uma celebração doméstica. Na época de Jesus passou a
ser uma grandiosa peregrinação a Jerusalém (cf. Ex 12; Js 5.10-12; Mc 14.1, 2).

Em relação à Festa dos Pães Asmos ou Sem Fermento, esta iguaria era preparada
absolutamente sem fermento, razão porque é chamada de “pão de
aflição” (cf. Dt 16.3) por causa da saída apressada do Egito (Ex 12.33ss).
Na verdade, produtos de pão continuam sendo proibidos nos oito dias da
festividade. Realiza-se uma faxina completa na casa de modo a tirar todo
resquício de khametz (fermento). Modernamente, pessoas de alto poder
aquisitivo, especialmente nos Estados Unidos e Canadá, preferem se hospedar num
hotel ritualmente puro (conhecido em hebraico como kosher) durante a semana
para evitar a sobrecarga e estresse trazidos pela intensa faxina doméstica.

O fato é que ao celebrarem esta festividade, no seder, os judeus proclamam que
chegou a hora de todos os povos serem livres. O tradicional desejo é que em
liberdade seja realizada “No ano que vem em Jerusalém!” (Leshana tovah beYerushalaim!). Hoje,
judeus da linha reformada preferem exclamar, “No ano que vem que a
humanidade seja livre!”

Ocorre que esse é um desejo que já encontrou cumprimento. Uma leitura
evangélica nos ensina que, realmente, fomos libertos do Egito, da escravidão e
do faraó. Em Cristo, “nosso pessach”, “nossa páscoa” (cf.
1Co 5.7), fomos libertos do mundo, do qual o Egito é a metáfora, fomos remidos
do pecado, do qual a escravidão é a figura, e fomos salvos do reino do maligno
representado pela pessoa do faraó.

O evento correspondente ao Pessach na Nova Aliança é, portanto a Redenção. Na
Antiga Aliança, o sangue de animais cobria os pecados. Este é o significado de
kafer, “cobertura”. No entanto, na Nova Aliança, o sangue de Jesus
Cristo tira os pecados, purifica-nos, como esclarece a exclamação de João, o
Batista (“Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo!”, João 1.29),
e a claríssima Primeira Carta de João ao dizer que “o sangue de Jesus
Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (1.7).

Como na páscoa judaica, todo fermento deve ser eliminado, visto ser o símbolo
de corrupção, hipocrisia, pecado, e Jesus não hesitou em usar esta figura em
Mateus 16.6 (“Cuidado, acautelai-vos do fermento dos fariseus e dos
saduceus”, cf. Mc 8.15; Lc 12.1), bem como Paulo em 1Coríntios 5.7, 8. Uma
leitura cristã observa a expressão de nossa comunhão com Cristo que começa coma
redenção (João 6. 48, 51) e prossegue em santificação de vida (1Coríntios
5.6-8; Gálatas 5.9).

4. Hag haBikarim (Festa das Primícias)

Levítico 23.9-14 (cf. Dt 16.9-11) faz referência à Festa das Primícias, e
menciona que um molho das primeiras espigas da colheita deve ser movido diante
do Senhor. No Yom rishon, o primeiro dia da semana, um cordeiro de um ano sem
defeito era oferecido em holocausto, ocorrendo, ainda, uma oferta de cereais e
uma libação de vinho. As primícias pertenciam ao sacerdote. EDERSHEIM explica
que a oferta das primícias, apropriadamente falando, pertencia à classe das
contribuições religiosas e para caridade.

É sugestivo verificar que enquanto o povo levava as primícias, Jesus Cristo,
primícia dos que dormem na expressão de Paulo, ressuscitou! Paulo faz essa
referência em 1Coríntios 15.20, “Mas de fato Cristo ressurgiu dentre os
mortos, e foi feito as primícias dos que dormem” (cf. Cl 1.18; Ap 1.5, 6;
14.4), o que significa que o evento correspondente à Hag haBikarim na Nova
Aliança é a Ressurreição de Jesus Cristo.

5. Hag Shavuoth (Festa das Semanas ou de Pentecostes)

Considerada uma festividade de grande alegria e agradecimento pelas dádivas
divinas nas colheitas, razão porque recebe igualmente o nome de “Festa da
Colheita” (Hag haKatsir, cf. Ex 23.16) e “Festa das Primícias do
Trigo” (Ex 34.22), seu mais detalhado registro é encontrado em Levítico
23.15-25 (cf. Dt 16.10), ocorrendo sete semanas a partir da Festa das
Primícias.

No sétimo sábado, ofereciam-se cereais, dois pães preparados com farinha nova,
com fermento (aliás, o único exemplo em que o uso do fermento é ritualmente
prescrito), sete cordeiros de um ano sem defeito, os quais passarão a pertencer
ao sacerdote (Dt 18.3, 4), um novilho, dois carneiros, e, em holocausto, um
bode (oferta pelo pecado) e dois cordeiros de um ano como sacrifício de paz. O
verso 22 regula que na colheita, as espigas caídas e os cantos do campo ficarão
intocados destinando-se aos carentes e forasteiros.

É considerada como a festa do aniversário da Torah, renovação anual da Berith,
a Aliança, a entrega da Lei dada no Sinai (cf. Ex 19.1, 11; 12.6, 12). Os
manuscritos do Mar Morto confirmam a antigüidade desta atribuição (cf. 2Cr
15.10-15).

No entanto, segundo TELUSHKIN, na vida judaica esta festividade é considerada
de meio luto, sem maiores detalhes sobre a razão deste pensamento, a não ser a
referência feita pelo Talmud a uma praga no segundo século que teria morto 24
mil estudantes do rabino Akiva. Os judeus ortodoxos não cortam os cabelos ou celebram
casamento durante o período. É feita a leitura do livro de Rute durante a sua
celebração.

Uma releitura do ponto de vista cristão, verifica que como Pessach, esta
festividade foi eventualmente relacionada com a história da salvação, e o
evento que lhe corresponde na Nova Aliança é o derramamento do Espírito Santo
em Jerusalém, cinqüenta dias após a ressurreição de Jesus Cristo por ocasião do
Dia de Pentecostes (At 2.1; 20.16; 1Co 16.8).

6. Yom Kippur (Dia do Perdão)

O conceito básico desta solenidade é a reconciliação entre Deus e a pessoa
humana, e as pessoas entre si. É considerada a maior das festividades judaicas
e sua comemoração anual objetiva fazer a purificação dos pecados (cf. Lv 16.16,
30, 33; Nm 29.7-11; Ez 45.18-20).

No Yom Kippur apenas o Kohen haGadol, o sumo-sacerdote, oficiava com um traje
especial. O Talmud chama esta data especial sugestiva e reduzidamente de
“O Dia”.

O relato bíblico menciona que dois bodes idênticos eram escolhidos, de modo que
um era oferecido ao Senhor como oferta pelo pecado, e sobre o outro, a culpa de
Israel era transferida pela imposição das mãos do sumo-sacerdote e levado ao
deserto.

Era o Yom Kippur o único dia em que o sumo-sacerdote entrava no Kodesh
haKadoshim, o Lugar Santíssimo , a câmara reservada do Tabernáculo e do Templo
(cf. Lv 16.2; Ex 30.1). Levítico 23.27 regula o modo de celebrar:
“afligireis as vossas almas”, que tem sido interpretado como um dia
de grande jejum.

O bode denominado de “emissário” era conduzido para o deserto
(“terra solitária, cf. Lv 16.22a) por um homem responsável para fazê-lo
(v. 21b). De Jerusalém ao começo do deserto distava aproximadamente 16 km,
havendo dez paradas. Em cada uma, ficava uma ou mais pessoas para assistir o
encarregado da condução do animal e acompanhá-lo até a parada seguinte.

Ao chegarem ao deserto, o responsável levava sozinho o bode até um precipício,
onde o empurrava no abismo, e voltava. Como estava considerado trefah (impuro),
ficava na última parada onde passava o resto do dia e a noite.

Sinalizava-se com bandeiras notificando que o bode tinha cumprido sua missão.
Este animal recebia o nome de Azazel, conforme Levítico 16.8, palavra traduzida
nas Escrituras como (1) “bode emissário”, embora haja diversas
interpretações.
(2) Idéia apresentada na versão siríaca das Escrituras Hebraicas é que Azazel
seria o nome de um demônio do deserto levando em conta que azaz é “ser
forte” e el, Deus. Tal opinião leva em conta que desertos, cemitérios,
ruínas eram local de habitação de demônios (Is 13.21; 34.14; Mt 12.43; Mc 5.3).
(3) Por redução, Satanás, opinião esposada pelos adventistas.
(4) Sugere-se “a fim de remover” como significado básico sugerido
pela raiz árabe azala cuja significação é “remover”.
(5) Outra sugestão é significar uma região desolada (cf. Lv 26.22).
(6) E, por fim, o falecido erudito Roland DE VAUX sugere que a palavra faria
referência a precipício, despenhadeiro, o lugar para onde o animal era levado.
Nos dias atuais, o Yom Kippur continua vivo. Na véspera, nas sinagogas,
canta-se o Kol Nidreh título dado pelas primeiras palavras desta pungente
canção e que quer dizer “Todas as promessas”, quando se pede que seja
o suplicante liberado de todas as promessas feitas e não cumpridas. Desse
momento até o culto final, a Nehilah, ou seja, “Conclusão”, todos a
partir dos treze anos entram em absoluto e obrigatório jejum, que tem início
uma hora antes do feriado se iniciar.

São vinte e cinco horas de meditação, exame de consciência, arrependimento e
pedido de perdão a Deus pelos pecados e transgressões do ano anterior. Não
bebem qualquer líquido ou tomam banho e nada de intimidades conjugais. Não se
pode usar sapatos de couro, que é para diminuir o conforto nesse dia de
profunda reflexão. Crianças abaixo de nove anos não jejuam; de nove aos onze para
as meninas e aos doze para os meninos, recebem as principais refeições. Dos
doze anos para as meninas, e dos treze para os meninos em diante o jejum é
obrigatório. À tarde, é lido o livro do profeta Jonas.

A tradição vê o Yom Kippur como o dia em que Deus decide o destino de cada ser
humano. O povo ora intensamente uma prece que fala do “fechamento das
portas do céu”, esperando ser admitido na presença de Deus. O toque do
shofar, a trombeta de chifre de carneiro encerra as atividades, e, como
expressa o rabino Joseph TELUSHKIN, “O povo experimenta uma grande
catarse”.

Uma leitura cristã evangélica desta festividade considerada pelos judeus como
um dos “dias de terror” demonstra com meridiana clareza que tudo era
e continua sendo imperfeito, em nada melhorando a condição do cultuante.
EDERSHEIM, um judeu convertido como mencionado, chega a dizer “A Lei não
faz nada perfeito”. Isso significa não ter um mediador perfeito no seu
sacerdote, não tem ter uma expiação perfeita no sacrifício , não ter um perdão
perfeito como resultado do trabalho conjunto do sacerdote e da oferenda. E,
deste modo, a Carta aos Hebreus esclarece em 10.1 que,
A lei, tendo a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, não
pode nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem de ano em
ano, aperfeiçoar os que se chegam ao culto”.
E também,
“O Espírito Santo mostra-nos assim que, enquanto permanecer de pé o
primeiro santuário, o caminho que leva ao verdadeiro santuário ainda não está
aberto. O primeiro santuário é apenas uma imagem com referência ao tempo de
hoje. Significa que as ofertas e os sacrifícios de animais oferecidos a Deus
não são capazes de tornar verdadeiramente perfeitos aqueles que os
oferecem” (Hb 9.8, 9).

Não é necessário muito esforço mental para entender que “é impossível que
sangue de touros e de bodes tire os pecados” (Hb 10.4). Ou, modernamente,
viver na aflição de pedir que o nome seja escrito no Livro da Vida
multiplicando a solenidade ano após ano, razão porque lemos com alegria,
esperança e fé, “(pois a lei nunca aperfeiçoou coisa alguma), e desta
sorte é introduzida uma melhor esperança, pela qual chegamos a Deus” (Hb
7.19).

Verifica-se que o Yom Kippur, o Dia da Expiação, encontra o seu lado concreto
no Calvário (Hb 2.17) porque esta solene festa judaica, um dos chamados
“dias terríveis” é só uma sombra da tarde de horror no Calvário
projetada.

7. Hag Sukkoth (Festa dos Tabernáculos)
“A mais alegre de todas as festas do povo israelita era a Festa dos
Tabernáculos”, assim se expressa EDERSHEIM. Celebra o fim das colheitas
(cf. Ex 23.16). Realmente: as colheitas estavam nos celeiros; os frutos,
recolhidos; a terra aguardava as chuvas para novamente ser preparada. Portanto,
é tempo de agradecer a Deus.

Hag Sukkoth, festividade eminentemente agrícola (cf. Lv. 23.29), é realizada no
dia 15 do mês de Tishri ou Ethanim, o sétimo do calendário hebreu. É também
chamada de Festa das Colheitas (Hag haKatsir, cf. Ex 23.16; 34.22); Festa das
Cabanas, das Tendas ou dos Tabernáculos (Lv 33.34, 43; Dt 16.13, 16; 31.10; 2Cr
8.13; Ed 3.4); e, simplesmente, A Festa (1Rs 8.2; 2Cr 5.3; 7.8,9).

Comemora a época quando Israel vivia em tendas. Por isso, constroem-se até hoje
cabanas como um memorial durante o período de oito dias (Lv 23.43, 44). Na sua
celebração, seguindo o padrão expresso em Levítico 23.40, tomam-se “o
fruto da árvore formosa (etrog), palmas de palmeira, e ramos de murta e de
salgueiro de ribeiras”. Etrog é um fruto cítrico, as folhas de palmeiras
com aproximadamente três palmos formam o lulav, três são os ramos de murta e
dois os de salgueiro.

As ofertas pelo pecado, que eram bodes, eram feitas cada dia por sete dias. As
ofertas queimadas igualmente por sete dia do seguinte modo: no primeiro dia, 13
bezerros; no segundo dia, 12 bezerros; no terceiro dia, 11 bezerros decrescendo
um animal a cada dia até o sétimo. As ofertas de bebidas ou libações (cf. Nm
15.1-10) eram de aproximadamente 1,½l de vinho para cada cordeiro;
2l de vinho para cada carneiro,
3 l de vinho para cada bezerro.

As ofertas de manjar descritas em Números 29.12ss eram de aproximadamente 3,7l
de farinha misturada com 1½l de óleo para cada cordeiro;
7½l de farinha com 6l de óleo para cada carneiro;
10l de farinha com 3l de óleo para cada bezerro.

Ao todo, 70 bezerros, 14 carneiros e 98 cordeiros.
É curioso e sugestivo lembrar que o Templo de Salomão foi inaugurado durante a
Festa dos Tabernáculos (1Rs 8.2; 2Cr 5.3).

O olhar cristão para esta festividade da Antiga Aliança revela-nos a bendita
realidade de que Deus armou o Seu próprio Tabernáculo entre nós. O Evangelho de
João registra que o Deus tabernaculou, “armou Sua tenda”, habitou no
nosso meio. Traz uma importante lição a aparente coincidência das raízes
hebraica e helênica da palavra shekinah, a presença plena da glória de Deus no
meio do seu povo, e a palavra skinê que significa “tabernacular” de
acordo com João 1.14 (cf. Ap 7.15).

Como as outras festividades, a Festa dos Tabernáculos demonstra um alto
significado na Nova Aliança por ser figura e sombra da casa espiritual na qual
o Senhor e o Seu Espírito habitam em nós (cf. Hb 3.5, 6).



CONCLUSÃO
Até parece que a Antiga Aliança era só alegria. Na verdade, a Nova Aliança é,
sobretudo, otimista e alegre. Lucas 2.10, 11 registra o primeiro sermão de
Natal e fala de “novas de grande alegria”.

Os testemunhos dos setenta enviados eram dados com grande alegria porque os
demônios se submetiam à autoridade da Palavra (Mt 28.8). Os discípulos foram
tomados de alegria pela ressurreição de Jesus, apesar de terem ficado no quase
paradoxo de não acreditarem no que viam (Lc 24.41). Em Samaria, consigna o
livro dos Atos dos Apóstolos, alegraram-se por causa dos sinais do reino de
Deus (8.6-9).

Paulo enfatizou que “o reino de Deus é… alegria no Espírito Santo (Rm
14.17). Aos gálatas, Paulo disse que guardar os deveres e festividades do
Antigo Testamento significava um retorno a rudimentos, ao leitinho dos
primeiros meses de vida, como bem o declara a sua Carta em 4.8-11.

Em muitas ocasiões, O Senhor declarou a rejeição dessas festas:

“Não continueis a trazer ofertas vãs! O incenso é para mim abominação, e
também as luas novas, os sábados , e a convocação das congregações; não posso
suportar iniqüidade, nem o ajuntamento solene. As vossas luas novas, e as
vossas solenidades, a minha alma as aborrece. Já me são pesadas; estou cansado
de as sofrer. Pelo que, quando estendeis as vossas mãos, escondo de vós os meus
olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço” (Is
1.13-15; cf. 29.13) ;
“Quando jejuarem, não ouvirei o seu clamor; quando oferecerem holocaustos
e ofertas de cereais, não me agradarei deles” (Jr 14.12a; cf. Mq 3.4; 6.6,
7).

Oséias, o profeta, vai predizer no capítulo 2.11 que todas essa solenidades
serão abolidas. “Também farei cessar todo o seu gozo, as suas festas, as
suas luas novas, e os seus sábados, e todas as suas assembléias solenes”.

Com a Nova Aliança, não estamos mais presos ao tempo, mas, sim, abençoadamente
ligados à eternidade pelo sangue de nosso Senhor Jesus Cristo. E o apóstolo
Paulo o afirma: “Ninguém, pois, vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou
por causa de dias de festa, ou de lua nova, ou de sábados, que são sombras das
coisas vindouras, mas o corpo de Cristo” (Cl 2.16,17).

No pão do Pessach, cognominado de “pão da aflição”, a Nova Aliança vê
diferentemente porque nele reside uma indescritível bem-aventurança, visto que
Jesus Cristo o transforma em “pão da alegria” ao estabelecer a Ceia
Memorial.

Na realidade, o evangelho é, no dizer de Paulo e de Pedro, “pedra de
tropeço e uma rocha de escândalo” (Rm 9.33; 1Pe 2.8). O evangelho
perturba, choca, transforma, confronta, inquieta, convence do pecado e abate o
orgulho humano. Se isso não acontece, é outro ou nenhum evangelho, mas,
seguramente, não é o evangelho do Calvário.

Esse nos liberta. Por ele e por causa dele podemos afirmar com o Apóstolo,
“Cristo nos libertou para que sejamos de fato livres. Estai, pois, firmes
e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da escravidão” (Gl 5.1).

NOTAS
1 HORRELL, p. 9.
2 Cf. DE VAUX, p. 476.
3 Cf. EDERSHEIM, Festas de Israel, p. 159.
4 Cf. TELUSHKIN, p. 599.
5 Entre 800 e 900 m (cf. Ex 16.29; At 1.12).
6 O significado de nisã é “abertura”. Este é o primeiro mês do ano
civil hebraico (cf. Ex 12.2).
7 Também traduzido literalmente como “Santo dos Santos”.
8 Cf. p. 509.
9 Cf. Festas de Israel, p. 117.
10 O Novo Testamento – tradução em português moderno. Lisboa, Sociedade
Bíblica, 1978.
11 Festas de Israel, p. 83.
12 Cf. MELAMED (Org..).

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