Apostila
12
Estudo
Sobre a Escatologia
Parte
I
ESPERANÇA
ESCATOLÓGICA
I — Que
princípios norteiam a pesquisa teológica?

A) O princípio arquitetônico > revelação = base e eixo da teologia > fé objetiva.
B) O princípio hermenêutico > interpretação dos aspectos históricos da
salvação = produto da razão. Da razão ordinária, que é a universalidade do
senso comum; da razão filosófica, que produz ordenação; e da razão científica,
ligada aos fenômenos.

A utilização de tais princípios possibilitam diferentes versões da revelação.
Por que?
Porque o princípio arquitetônico depende do que colocamos como base da
estruturação geral de nosso estudo: a graça e a fé, no caso de Lutero; a
soberania de Deus, no caso de Calvino; ou o amor, a justiça, a liberdade, etc.?

E porque o princípio hermenêutico depende do uso de uma ou de várias das
múltiplas visões filosóficas que podem ser utilizadas como instrumento de
interpretação da história da salvação. É por isso que se diz: a ideologia
define a hermenêutica.
Aqui reside a dificuldade. A revelação é universal e plena, mas toda teologia é
transitória, pois reflete um momento de compreensão da revelação e da história
da salvação.

II — Jürgen Moltmann, teólogo da esperança

Depois de uma criativa ruptura com a modernidade, enquanto pensamento, tradição
e história, é necessário sentir de novo a alegria da esperança escatológica,
para compreender a natureza do terreno sobre o qual pisamos.
Há um momento de cisão no qual modificou-se, de modo essencial, a concepção do
que significa teologia. Esse momento foi assinalado a partir dos anos 60 com a
teologia da esperança, de Jürgen Moltmann.
Trata-se de uma reflexão prodigiosamente profética, pois enuncia, não somente a
queda do muro de Berlim, mas o processo de aglutinação vivido por alemães, em
primeiro lugar, por europeus, na seqüência, e agora muito possivelmente por
parte da humanidade. É sem dúvida, uma das elaborações mais impressionantes, se
entendermos sua abordagem epistemológica. Sugere um campo normativo, a ser
percorrido pelos movimentos e comunidades que abririam aguerridamente, a golpes
de machado, a senda pós-moderna.
A expressão abordagem epistemológica não é exagerada. Conforme, Bachelard,
“os filósofos justamente conscientes do poder de coordenação das funções
espirituais consideram suficiente uma mediação deste pensamento coordenado, sem
se preocupar muito com o pluralismo e a variedade dos fatos (…). Não se é
filósofo se não se tomar consciência, num determinado momento da reflexão, da
coerência e da unidade do pensamento, se não se formularem as condições de
síntese do saber. E é sempre em função desta unidade, desta síntese, que o
filósofo coloca o problema geral do conhecimento”. G. Bachelard, Filosofia
do Novo Espírito Científico, Lisboa, Presença, 1972, pp. 8-9.

Assim, abordagem epistemológica, aqui utilizada, refere-se ao projeto
teológico, de herdadas estruturas hegelianas e marxistas, relidas e traduzidas
por ele e Ernest Bloch. É sobre a questão da identidade histórica, entendida
como processo a realizar-se, que recai a crítica da teologia realizada por
Moltmann.
Usando a leitura de Roberto Machado, diríamos com ele que “a história
arqueológica nem é evolutiva, nem retrospectiva, nem mesmo recorrente; ela é
epistêmica; nem postula a existência de um progresso contínuo, nem de um
progresso descontínuo; pensa a descontinuidade neutralizando a questão do
progresso, o que é possível na medida em que abole a atualidade da ciência como
critério de um saber do passado”. Roberto Machado, Ciência e saber. A
trajetória arqueológica de Foucault, Rio de Janeiro, Graal, 1982, p. 152.

É justamente a experiência de viver, enquanto comunidade que se realiza no
futuro, que é realçada por Moltmann. No nível antropológico, trabalha os
elementos dessa esperança, a partir da qual se produz saber e praxis cristã.
Suas heranças são translúcidas:

“Por meio de subverter e demolir todas as barreiras — sejam da religião,
da raça, da educação, ou da classe — a comunidade dos cristãos comprova que é
a comunidade de Cristo. Esta, na realidade, poderia tornar-se a nova marca
identificadora da igreja no mundo, por ser composta, não de homens iguais e de
mentalidade igual, mas, sim, de homens dessemelhantes, e, na realidade, daqueles
que tinham sido inimigos… O caminho para este alvo de uma nova comunidade
humanista que envolve todas as nações e línguas é, porém, um caminho
revolucionário”.
Jürgen Moltmann, “God in Revolution”, em
Religion, Revolution and the Future, NY, Scribner, 1969, p. 141.

Como num
laboratório, o teólogo da esperança extrai o fato teológico de sua contingência
histórica, tratada sob condições de extrema pureza escatológica. Muito
claramente afirma a escatologia como essência da história da redenção e leva à
conclusão de que essa mesma essência seja a expressão maior da ressurreição,
enquanto metáfora da cruz de Cristo. Essa cruz repousa sobre o esvaziamento da
desesperança, enquanto praesumptio e desperatio, na relação que mantém com o
mundo.

A teologia, vida cristã em movimento, numa permanente autoformação, advém das
pulsações criadoras da própria esperança, cujo sentido volta-se para ela
própria. Essa construção, que se nos apresenta como caleidoscópio, belo, mas
aparentemente ilógico, traz em si a força combinatória do devir cristão. Assim,
a teologia de Moltmann quebra os grilhões do presente eterno da neo-ortodoxia,
e nos oferece um conceito realista da história, que tem por base um futuro
real, lançando dessa maneira as bases para uma teologia que responda às reais
necessidades do homem pós-moderno.

“O passado e o futuro não estão dissolvidos num presente eterno. A
realidade contém mais do que o presente. Ao desenvolver sua teologia futurista,
Moltmann realmente tem o peso considerável da história bíblica do lado dele, e
faz bom uso dela. (…) Ao enfatizar o futuro, desenvolveu um pensamento
bíblico legítimo que jazia profundamente enterrado na teologia ética e
existencial dos séculos XIX e XX”. Stanley Gundry, Teologia Contemporânea,
SP, Mundo Cristão, 1987, p.167.

A teologia de Moltmann nasce enquanto reação ao existencialismo e absorção do
revisionismo de Bloch. A descontrução do marxismo, realizada por esse filósofo,
não agradou ao mundo comunista, mas estabeleceu uma ponte, diferente daquela da
teologia da libertação, entre o hegelianismo de esquerda e o cristianismo.
Substituiu a dialética pelo ainda-não, enquanto espaço que não está fechado
diante de nós, e definiu uma antropologia que não mais está calcada no império
dos fenômenos econômicos, mas na esperança.

Os escritos filosóficos do jovem Marx serviram de ponto de partida para o vôo
de Bloch. A alienação do homem é um fato inquestionável, não como determinação
econômica, mas enquanto determinação ontológica. Afinal, o universo em que vive
é essencialmente incompleto. Mas a importância do incompleto é que é suceptível
de complemento. Por isso, o possível, o ainda-não, o futuro traduz de fato a
realidade.

Nesse processo estão presentes a subjetividade humana e sua potência inacabada
e permanente em busca de solução e a mutabilidade do mundo no quadro de suas
leis. Dessa maneira, o ainda-não do subjetivo e do objetivo é a matriz da
esperança e da utopia. A esperança traduz a
certeza da busca e a utopia nos dá as figuras concretas desse possível.

Para Bloch, o homem é impelido, assim, ao esforço permanente de transcender a
alienação presente, em busca de uma ‘pátria de identidade’. É no ‘vermelho
quente’ do futuro que está a razão fundamental da existência humana.

Nenhum marxista chegou tão próximo da escatologia cristã!

“Deus — enquanto problema do radicalmente novo, do absoluto libertador,
do fenômeno da nossa liberdade e do nosso verdadeiro conteúdo — torna-senos
presente somente como um evento opaco, não objetivo, somente como conjunto da
obscuridade do omomento vivido e do símbolo não acabado da questão suprema. O
que significa que o Deus supremo, verdadeiro, desconhecido, superior a todas as
outras divindades, revelador de todo o nosso ser, ‘vive’ desde já, embora ainda
não coroado, ainda não objetivado (…) Aparece claro e seguro agora que a
esperança é exatamente aquilo em que o elemento obscuro vem à luz. Ela também
imerge no elemento obscuro e participa da sua invisibilidade. E como o obscuro
e o misterioso estão sempre unidos, a esperança ameaça desaparecer quando
alguém se avizinha muito dela ou põe em discussão, de modo muito presunçoso,
este elemento obscuro”. Ernst Bloch, Geist der Utopie, Franckfurt, 1964,
p. 254 in Battista Mondin, Curso de Filosofia, São Paulo, Paulinas, 1987, vl.
3, pp. 246-7.

Bloch realiza uma penetrante releitura da cosmovisão judaico-cristã. Entende o
clamor profético do mundo bíblico e da proclamação cristã não como alienação e
ópio, mas como fermentos explosivos de esperança, protestos contra o presente
em nome da realidade futuro, a utopia.

Talvez por isso possamos dizer que nos anos 60, os caminhos de Moltmann e Bloch
não apenas cruzaram-se na universidade de Tübingen, mas abriram espaço para o
mais enriquecedor diálogo cristão-marxista que conhecemos.

É interessante lembrar que em 1968, quando manifestações estudantis varriam
Tübingen, Heidelberg, Münster e Berlim Ocidental, grande parte dos líderes
estudantis eram oriundos das faculdades de teologia. Sua Theologie der Hoffnung
(Jürgen Moltmann, Teologia della Speranza, Queriniana, Bréscia, 1969),
publicada no início da década na Alemanha, estava na oitava edição, e no ano
seguinte, ele lançaria Religion, Revolution and the Future nos Estados Unidos.

Agora, a partir da escatologia da esperança de Jürgen Moltmann apresentamos um
rápido esboço de sermão que tem por base o texto de Apocalipse 22.6-21.

III — Fiel é a Palavra

Introdução
1. No Apocalipse, o futuro define o presente.
O Apocalipse inverte a nossa noção de tempo. O futuro modela e estrutura o
presente.

2. Saber como a história termina nos ajuda a entender como devemos nos encaixar
nela, agora. Por isso, já estamos vivendo os últimos dias.

3. As visões de João mostram a realidade do juízo divino, quando cada um de nós
dará conta de sua existência diante de Deus. Deus recompensará aqueles que, às
vezes, ao custo de sua própria vida “guardaram as palavras da profecia
deste livro”.

4. Profecia é proclamação da Palavra de Deus. E no Novo Testamento é
proclamação das boas novas.

Três blocos de textos
10 bloco
Vers. 6 > As palavras são fiéis e verdadeiras.
Vers. 7 > É feliz quem guarda as palavras daquilo que é proclamado
(profecia) neste livro.

20 bloco
Vers. 10 > Não feche este livro. O futuro é hoje.
Vers. 11 e 12 > O futuro deve definir o que você faz. E você dará conta
disso. E receberá o troco.

30 bloco
O que Cristo diz àqueles que obedecem às palavras desse livro?
Vers. 18 > Quem acrescentar = sofrerá os flagelos
Vers. 19 > Quem tirar = fica fora. Sem acesso à árvore da vida, fora da
cidade santa e sem as benções prometidas no livro.

Conclusão

A Palavra é fiel
Vers. 20 > Jesus, a Palavra que reina, garante: Estou chegando! naiv,
evvrcomai tacuv.

Parte II
O APOCALIPSE
– Estudo 12

“Eis que vem com as
nuvens…”
Autor(a): PR.
WALTER SANTOS BAPTISTA
Pastor da
Igreja Batista Sião em Salvador, BA – E-Mail: wsbaptista@uol.com.br
O Apocalipse
hoje

O inspirador livro do Apocalipse foi escrito, como vimos ao longo de todo o
estudo, para dar forças espirituais aos crentes que sofriam a perseguição das
autoridades políticas, e eram alvo de ataques dos hereges dentro da Igreja dos
dias apostólicos.

As visões e suas lições São sete as visões que ocorrem nos seus vinte e dois
capítulos. Mas a mensagem é a mesma: a Igreja de Jesus Cristo, apesar de sofrer
perseguição, apesar das tribulações, do martírio, tem um glorioso destino: A
VITÓRIA! A condenação atingirá o sistema deste mundo, e Jesus Cristo reinará
para todo o sempre como Rei dos reis e Senhor dos senhores! Procuremos, então,
ser práticos, e extrair lições de todo o livro do Apocalipse. Como o livro é
formado por visões, sete ao todo, um plano adequado para a nossa pesquisa é
partir de cada uma.

E por falar em visões…
A primeira visão (1-5)
Seu tema é “Jesus Cristo e a Igreja Militante no mundo e na vida
celeste”. Apropriadíssimo como abertura para todo o livro.

A primeira lição que devemos aprender é que, visto que Jesus Cristo é o começo
e o fim de todas as coisas, o “Alfa e o Ômega” (1.8), “o autor e
consumador da nossa fé” (Hb 12.2), nossa esperança deve estar unicamente
nEle. Ele é o “que vem sobre as nuvens” e Aquele “que todo olho
verá” (Ap 1.7).

Isso significa que é inadmissível para o discípulo de Jesus abraçar qualquer
movimento ou idéia que não reflita a atitude e a mente de Cristo. É vigiar como
se Jesus estivesse para retornar a qualquer momento (o que, aliás, é verdade),
sem facilitar as coisas para o Tentador, aguardando a suprema alegria de louvar
o Cristo vitorioso!

Outra importante lição aprendemos nas cartas as igrejas da Ásia (capítulos 2 e
3). Algumas falam de deslealdade, é verdade. Outras, no entanto, mencionam a
fraternidade e a comunhão que existiam ou deveriam existir na comunidade de fé
que se chama igreja. Você tem vivido isso? Ou quando cantamos:

“Não te irrites mas tolera com amor, com amor.
Tudo sofre, tudo espera pelo amor.
Desavenças e rancores não convém a pecadores,
Não convém a pecadores salvos pelo amor.”

Ou, ainda,
Como é precioso, irmão, estar bem junto a ti;
E juntos, lado a lado, andarmos com Jesus,
E expressarmos o amor que um dia Ele nos deu,
Pelo sangue no Calvário Sua vida trouxe a nós.

Aliança no Senhor eu tenho com você:
Não existem mais barreiras em meu ser.
Eu sou livre pra te amar, pra te aceitar
e para te pedir: “Perdoa-me, irmão”;
Eu sou um com você no amor do nosso Pai,
Somos um no amor de Jesus!

Isso é verdade, ou apenas uma linda figura de linguagem?

As cartas também exaltam a pessoa de Jesus Cristo, o Qual concede o dom da vida
e compartilha a Sua glória, razão porque está no meio dos candelabros como
ressaltam os versos 12 e 13 do capítulo 1.

Outras preciosas lições estão nas cartas: o cuidado para não perder “o
primeiro amor”, ou seja, o doutrinamento, o ardor evangelístico, e a já
destacada comunhão. O lugar especial da fidelidade, lealdade e sinceridade é
uma questão de honra e de caráter do cristão.

Mais uma lição: receber um novo nome é ter o caráter restaurado. O nome para o
povo hebreu era a personalidade e o caráter de alguém, era seu cartão de visita.
Receber um novo nome é igual a ter o caráter reajustado à luz da graça de Deus
(2.17).

Um evangelho sem compromissos com Jesus Cristo, Cuja mente devemos ter, é
insensatez. Cuidado, portanto, com os falsos ensinos (2.20)! Isso significa um
compromisso total com Cristo, o que se chama também testemunho, a confissão
pública de fé (3.4), o zelo com o amor entre os irmãos na graça de Cristo,
significado da palavra Filadélfia (cf. 3.7ss), e o culto em espírito e em
verdade, abandonado pela igreja de Laodicéia (cf. 3.15ss).

A segunda visão: “Os sete selos” (6, 7)
À medida que os selos vão sendo abertos, preciosas lições são ensinadas. Com
certeza, a primeira delas é sobre o que acontece quando o Cordeiro de Deus
governa. Os sete selos apresentam as características e princípios do governo de
Cristo.

Uma das características é que o Inimigo não descansa. A representação dos
quatro cavaleiros com seus coloridos corcéis é evidência do que estamos
dizendo. Satanás não dorme, por isso, não facilita as coisas para o crente. O
sofrimento é uma terrível característica, mas não é maior que a consolação,
amparo e abrigo que vêm do Senhor. O apóstolo Paulo expressou muito bem esse
fato ao dizer, “tenho para mim que as aflições deste tempo presente não se
podem comparar com a glória que em nós há de ser revelada” (Rm 8.18), e
chamou as aflições de “leve e momentânea tribulação” (leia 2Co 4.17,
18).

A terceira visão: “As sete trombetas” (8-11)
Se a segunda visão é o que acontece quando Cristo reina, a seguinte fala do que
acontece quando o Salvador é rejeitado.

A descrição do que sucede após o toque das trombetas é tremenda. O evangelho
anunciado com zelo e amor pelas vidas fora de Cristo, por isso, perdidas, deve,
como o livrinho deglutido, nos alimentar, sustentar, nutrir, apesar de ter uma
palavra de justiça, representada pelo amargo no ventre (leia 10.10b). Esse
evangelho comunicado aos perdidos, apesar de ser doce na boca, é amargo no
ventre. Quando pregamos o evangelho é uma delícia. Particularmente, sinto muito
prazer em pregar. Minha esposa me recomenda, quando saímos de férias, a não
levar paletó. Com isso, quer me preservar de pregar nas igrejas visitadas, para
só descansar. Mas, há tantas igrejas, atualmente, nas quais o pastor não usa
paletó?! Preguei numa igreja pastoreada por um ex-aluno que vai bastante
informalmente para o púlpito. Fui de traje completo. Inusitadamente, o pastor
estava também de traje completo, e disse que era em homenagem ao ex-professor.
Quando entramos no santuário, todo auditório fez, “U-u-u-u-m-m-m…”
A igreja não esperava que o seu pastor estivesse formalmente tragado.

O fato é que aprecio pregar, mas a amargura toma conta de mim quando a mensagem
é rejeitada, desprezada. Esse é o amargo do evangelho que sente o pregador.
Como trombeta é sinal de aviso, alerta, é voz de comando, mostra a visão a
paciência de Deus no chamado ao arrependimento. Importante lição deste livro.

Ainda as visões
A quarta visão: “A luta contra a trindade satânica” (12, 13)
A paródia da Santíssima Trindade é a “trindade satânica”, maligna,
formada pelo Dragão, a Besta e o Falso Profeta (veja 12.3ss; 13.1ss; 16.13).
Por essa razão, o crente em Jesus Cristo reconhece que enfrenta uma guerra
espiritual. Em Efésios 6.12, o apóstolo Paulo nos alerta acerca dessa batalha
no reino do espírito. O cristão é atacado por todos os lados. Na sua vida
emocional, por exemplo.

Tenho visto crente salvo pelo sangue de Jesus arrastando atrás de si uma
miséria de vida, ansiedade, medo, depressão. Não entendo… Uma irmã bem idosa
numa das igrejas que pastoreei pediu-me: “Pastor, fale sobre a morte:
tenho muito de morrer”. Preparei o sermão, preguei-o, e na despedida do
culto, à porta da igreja, ela disse: “Muito obrigada pela mensagem, mas
ainda estou com medo…” Não mais precisamos mais desse tipo de fardo.
Isso é guerra, é batalha espiritual, porque dentro de nós há uma grande luta.
Nosso espírito se torna um verdadeiro campo de batalha. Emoções, feridas (e
Satanás se aproveita disso…) e o consolo de Deus do outro lado. De um lado, O
Senhor e Seus exércitos; do outro, o Inimigo e seus batalhões num campo de
batalha que é dentro de nós.

Fico muito impressionado quando leio a história da viúva da vila de Naim. Tinha
apenas um filho que era seu arrimo. E ele morreu, e como é costume no Oriente
Próximo, levaram o seu corpo num esquife aberto. Vinha o féretro saindo da
cidade para sepultar o corpo do moço. Não havia nas cidades hebréias cemitérios
urbanos, mas sempre na periferia. Herdamos isso: o Campo Santo, nosso primeiro
cemitério em Salvador situava-se há 250 anos na periferia. O centro da cidade
era o Pelourinho, o Carmo, Santo Antônio, o Terreiro de Jesus. O cemitério
estava bem distante do Centro, onde hoje é o bairro da Federação, perto de
nosso templo (que é centrão de Salvador).

O corpo do jovem estava sendo levado para fora da cidade. Nesse momento, porém,
vinha entrando na cidade Jesus, os discípulos, admiradores e curiosos.
Encontram-se as duas multidões. Uma é a morte, outra é a da vida: o exército da
Morte e o exército da Suprema Vida. E o moço foi ressuscitado pelo toque do
Salvador. Essa mesma batalha em que Jesus restituiu um jovem às lágrimas de sua
mãe é dentro de nós, e está nos capítulos 12 e 13 do Apocalipse. É vitória
garantida. É sobre isso todo o livro do Apocalipse (leia 12.11).

A quinta visão: “Sete flagelos” (14-16)
No verso 13 do capítulo 14, há uma linda bem-aventurança que diz,
“Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o
Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, pois as suas obras os
acompanham”. Conhecemos em geral bem-aventuranças para a vida. O Sermão da
Montanha apresenta algumas delas (Mateus 5.3-12): “Bem-aventurados os que
choram, porque eles serão consolados” (v.4); “bem-aventurados os misericordiosos,
porque eles alcançarão misericórdia (v.7); “bem-aventurados os
pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus” (v.9). Todas de
vida. Porém, bem-aventurança para a morte?!

Pois é; a diferença é Cristo quem faz. Não é simplesmente “bem-aventurados
os mortos”, e ponto final: é, sim, “… que desde agora morrem no
Senhor”. Cristo é a medida de todas as coisas. O filósofo grego Protágoras
afirmava que “O homem é a medida de todas as coisas”. Não é, não. Só
Cristo faz a diferença entre o flagelo atingindo o cristão e o amparo e abrigo
dos céus. O outro, vive no seu flagelo e na sua dor se não tem Cristo e o
Consolador.

A sexta visão: “A destruição do mal” (17-19)
Encontramos na sexta visão outra extraordinária bem-aventurança. Está em 19.9:
“Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do
Cordeiro”. Em outras palavras, e de modo bem contemporâneo, é abençoado
quem é chamado para o chá-de-cozinha ou para a recepção do casamento de Jesus e
Sua noiva, a Igreja. Sabemos que o “Cordeiro” é Jesus Cristo;
“bodas” é festa de casamento. Temos um convite assegurado para a
recepção do casamento de Cristo com a Igreja. Em alguns convites de casamento,
vem um cartãozinho dizendo que a recepção será no local X, e é exclusiva de
quem recebeu o convite individual. A cerimônia de casamento de Jesus e a
Igreja, ou seja, Sua Parousia,Segunda Vinda, todos verão. Todos estão
convidados. Mas para a recepção, a Ceia, só quem tem nome de Jesus gravado no
coração; só quem confessa a Jesus como Salvador e Senhor. E lá estaremos! E os
alicerces da fortaleza do Mal serão abalados, derrubados e destruídos. É a
queda da Babilônia (representação da malignidade) nos três capítulos citados
17, 18 e 19).

E para terminar: a sétima visão (20-22)
O tema da visão culminante do livro do Apocalipse é “o Juízo e a vitória
final”. Verificamos que o livro é um crescendo de emoções, de sentimentos,
mas, é sobretudo, de conhecimento do Cristo revelado. É como um poema
sinfônico, um poema em canção. Começa com música suave, bem leve e vai crescendo
cada vez mais e mais, até culminar numa explosão de sons, numa arrebatadora
sinfonia! Assim é o Apocalipse: vai crescendo e crescendo, falando de dor,
sofrimento e perseguições, para daí a pouco alertar para o julgamento e uma
conseqüente prisão, até que, finalmente, chega a esse clima de vitória última!
O Apocalipse é um crescendo de emoções, de sentimentos, e, ainda mais, de
crescimento na graça e no conhecimento do Cristo que se revelou! Suas promessas
desde o capítulo primeiro tiveram cumprimento ao longo de toda a obra.

A glória da Nova Jerusalém, eterna morada de Deus com os Seus faz lembrar o
final do Salmo 23: “certamente que a bondade e a misericórdia (cf. Ap
21.4, 5, 7) me seguirão todos os dias da minha vida, e habitarei na casa do
Senhor por longos dias (Ap 21.3)”. Que abençoada consolação saber que não
haverá mais dor, nem morte, nem pranto, nem vestígio de uma lágrima sequer
porque estamos com o Senhor em permanente comunhão!

O verso 20 do último capítulo apresenta uma expressão que foi o grito de anseio
da Igreja apostólica, como continua a ser a exclamação da Igreja de todos os
tempos: “MARANATA!!!” Quando dizemos “Maranata”, oramos
pedindo a volta de Cristo, pois na língua aramaica, “Vem, Senhor
Jesus”, significa “Volta, Senhor, para o nosso meio!” A oração
está em ordem inversa, pois é precedida por um “Amém!”. Esse amém
veio antecipado porque representa uma afirmação cheia de fé e de certeza na
promessa que Cristo fez: “Certamente cedo venho!” Essa é a graça de
Jesus Cristo (leia 22.21), o amor que não merecemos, mas que Ele nos concede e
levou-O ao Calvário.

LEITURAS SUGERIDAS
CONYERS, A. J. O Fim do Mundo. SP, Mundo Cristão, 1997. Trad. O. Olivetti.

MCALISTER, R. O Apocalipse – uma interpretação. Rio, Carisma, 1983.

PATE, C. Marvin (Org.). As Interpretações do Apocalipse – 4 pontos de vista.
SP, Vida, 2003. Trad. V. Deakins.

SILVA, Mauro Clementino da. Análise Escatológica do Apocalipse de João. Campo
Grande, 1994.

Parte III
O APOCALIPSE
– Estudo 11

“Eis que vem com as nuvens…”
Autor(a): PR.
WALTER SANTOS BAPTISTA
Pastor da
Igreja Batista Sião em Salvador, BA – E-Mail: wsbaptista@click21.com.br
Um novo
padrão de vida
Texto Bíblico: Apocalipse 20.1-10; 21.1-12; 22.1-5

A essa altura, já se tem percebido que as visões vieram num verdadeiro
crescendo, e foram dirigidas para a vitória eterna de Jesus Cristo. Tudo o que
foi dito no Apocalipse até este ponto vem demonstrar que Cristo tem domínio
absoluto deste mundo: Ele é vencedor! O mundo não está à toa. Pelo que vem acontecendo
neste mundo, até parece que está ao léu. A Bíblia mostra que Jesus Cristo tem o
Seu domínio, e Sua eterna vitória é o tema dos restantes capítulos do livro.

Viemos registrando e anotando os diversos títulos de Jesus Cristo: Ele é
“o Alfa e o Ômega”, “a Fiel Testemunha”, “o
Primogênito dos mortos”, “o Soberano dos reis da terra”, “o
que conserva na mão direita as sete estrelas”, “o Cordeiro de
Deus” e muitos outros que indicativos do Seu poder e senhorio.

O registro agora é o da prisão de Satanás, o Juízo Final e a Nova Jerusalém. É
quando o Cristo Vitorioso vai estabelecer para sempre o Seu domínio para sempre
e sempre, ou, para fazer uso da linguagem bíblica, “pelos séculos dos
séculos”.

Aqui se inicia a sétima e última visão do livro. Este capítulo e, sobretudo, o
trecho acima destacado, tem sido considerado como objeto de muito debate. No
seu verso 3, aparece a palavra central nestas discussões. É milênio, que
significa um período de mil anos. A interpretação do que seja o “milênio”
tem dado ocasião a que haja muita discussão e muitos artigos e livros sejam
escritos por teólogos e pseudoteólogos.

Tem-se falado à larga sobre pré-milenismo, pós-milenismo e amilenismo, palavras
técnicas que definem determinadas correntes de pensamento teológico sobre o
milênio. O pastor Hercílio Arandas, veterano e experimentado pastor amigo e
ex-ovelha, afirmou não discutir se seria pré-milenista, amilenista ou
pré-milenista. Disse ele, um tanto jocosa, mas conciliadoramente, que preferia
ser “pró-milenista”, que dizer, “a favor do milênio”. Estes
termos não devem ser objeto de preocupação: eles não levam para o céu. Não é
ponto de doutrina, pois não há uma doutrina batista sobre a escola milenarista
abraçada por alguém. Excelentes e lindas personalidades cristãs, batistas e
evangélicos de diversas denominações, santos homens de Deus, devotadas e santas
mulheres apóiam as diversas posições. Não é ponto doutrinário, mas teológico.

Em pinceladas muito ligeiras explicamos: o pré-milenista admite que uma vinda
de Cristo se dará antes da inauguração do reino que durará mil anos (o
milênio), haverá um período de perturbação e finalmente uma terceira vinda de
Cristo selará a vitória sobre o mal. Cristo volta, inaugura o milênio. Vamos
entender: o pré-milenista acha que quando Cristo voltar antes do milênio (daí
pré = antes), inaugura mil anos de paz quando Ele estará na terra reinando.
Depois desse prazo, uma grande batalha (a do Armagedon, que se dará no Vale,
Har, de Megido Magedon), a vitória de Cristo e o Juízo Final.

O pós-milenista prega que a expansão do evangelho se dará em tal progresso que
o milênio se instalará suave e normalmente, após o que Jesus Cristo voltará. O
evangelho vai sendo pregado em todo o mundo: na Armênia, na Sibéria, na
Oceania, na África, na América Central, etc., e vai tomando conta dos corações
fazendo toda a terra entrar no milênio. Só depois dos mil anos, Cristo volta,
de onde o nome pós-milênio, “depois dos mil anos”.

E o amilenista, prega o quê? Pode parecer que os adeptos da corrente amilenista
ensinam que não existe o milênio, o que não é real. O amilenista prega que
quando Jesus venceu Satanás na cruz, e mais ainda, na ressurreição, e ascendeu
aos céus, o milênio começou. O milênio, convenhamos, é simbólico, porque o
reino de Deus já está entre nós. Aliás, o ensino de Jesus é esse mesmo: “O
tempo está cumprido, é chegado o reino de Deus. Arrependei-vos e crede no
evangelho” (Mc 1.15 VIB). Como pode ser que Cristo já veio, exerceu Seu
ministério entre a humanidade, venceu a morte, foi vitorioso sobre Satanás e
não instala o reino? Ensinam, então, os amilenistas que o reino de Deus está
estabelecido, o milênio, portanto, começou. É, porém, o que teólogos chamam de
“já-ainda não”, expressão que significa que o reino já chegou, mas
ainda não está plenamente estabelecido. Cristo está em nós e nós estamos em
Cristo. Já chegou, Cristo está em nosso meio, pois “onde se acham dois ou
três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mt 18.20). E Cristo
é o Rei e o reino, o próprio reino de Deus.

Você pergunta, se Cristo está entre nós, o reino já está estabelecido, por que
ainda sofremos? Porque se passa fome, e há tanta perseguição? Por causa do
ainda não. Estamos numa tensão no ponto em que os dois reinos estão paralelos:

2ª Vinda

Presente século ///////////////////////////

///////////////////////// Reino de Deus >

O “Presente século” (reino do maligno) ainda está em operação,
afinal, “o mundo inteiro jaz no Maligno”, adverte a 1 Carta de João
5.19b. Um dia, esse reino do mal tem fim: é quando Cristo retornar,
permanecendo, eternamente, o reino de Deus. Essa é a pregação amilenista, que
entende o “milênio” como um termo simbólico como outros tantos do
Apocalipse, para dizer “plenitude, poderio, senhorio, exaltação plena, estabelecimento
geral e total sem barreiras, sem reservas”.

Entenda-se, portanto: o amilenista compreende que o número 1000 é um número
conceitual, visto que 10 é um número de altíssimo valor espiritual, e 1000, com
mais propriedade ainda, por ser 10 elevado ao cubo (10³). O milênio culminará
no definitivo retorno (a Parusia) para arrebatar a Sua Igreja.

A vitória de Cristo sobre Satanás deu-se em diversos campos: Jesus o venceu na
tentação do deserto. Venceu-o, por sinal, três vezes. A primeira tentação foi a
da comida fácil e farta.

“Transforma estas pedras em pães…” (Mt 4.3). Bem que Jesus poderia
transformado as pedras em brioches, baguetes, pães de seda, pães crioulos,
pãezinhos de banquete, ou, mesmo, no simples pão árabe. Mas nada disso fez
porque não iria entrar em acordo com Satanás, visto que “nem só de pão
viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (Dt 8.3; Mt
4.4).

Veio, então, a segunda tentação: Satanás mostra a cidade de Jerusalém do alto
do templo de Herodes. A sugestão é que Jesus salte do alto do templo para que
os anjos o amparem. Para fundamentar, Satanás usa o Salmo 91.11,12. Com isso,
Satanás quer sugerir que Jesus não precisa passar pelo Calvário, pois, com esse
espetáculo público, veriam que Ele era o prometido Messias. Jesus também
rechaçou Satanás.

É o momento da terceira tentação: do alto do monte, Satanás lhe mostra as
cidades que Mateus chamou de “os reinos do mundo”. Que cidades Jesus
teria visto do monte da tentação? Se o monte foi o hoje denominado “monte
da tentação”, Ele viu Jericó, que fica bem próximo. Teria visto Jerusalém,
Berseba, Betel, Hebrom, Belém. Satanás diz: “eu lhe dou tudo isso, se você
me adorar de joelhos” (Mt 4.9). É o supra-sumo do abuso satânico, querer
que Jesus o adore?! Jesus o põe no seu lugar ao dizer “Ao Senhor teu Deus
adorarás, e só a ele servirás” (Mt 4.10).

Satanás foi vencido também no Getsêmani quando Jesus vendo iminente a cruz, a
Sua humanidade falou bem alto. Ele, plenamente humano, tanto quanto nós, chegou
a uma situação chamada em linguagem médica de hematidrose, em que a pessoa
verte sangue pelos poros. A Bíblia registra este fato de tanta angústia que
abrigava em Seu coração, e Satanás podia ter aproveitado aquele momento. Jesus
até disse, “Pai, se queres afasta de mim este cálice…”, “Passe
de mim este cálice”, diz outra tradução (Lc 22.42). Mas, passar para quem?
A missão de Jesus era precisamente ir para a cruz, morrer por nós para que
tenhamos a eterna salvação. E Jesus completou o

pedido, “todavia não se faça a minha vontade, mas a tua”, e com isso
derrotou o Inimigo! Jesus foi vitorioso sobre Satanás na cruz quando parecia
estar derrotado, e tudo parecia absolutamente perdido. O que veio salvar o
mundo, morreu estupidamente naquela horrorosa cruz como um criminoso qualquer?!…
Na cruz, no entanto, Jesus declarou, “Está consumado” (Jô 19.30), ou
seja “Nada deixei por fazer; tudo está plena e perfeitamente
realizado”.

Mas, especialmente, Ele o venceu quando ressuscitou na manhã do primeiro dia da
semana, que por isso, se tornou o “Dia [da ressurreição] do Senhor, o
“Dia do Senhor”, o Dies Dominica, o Domingo!

Foi naquele momento, que o anjo, que tinha na mão a chave do abismo e uma
grande corrente, segurou o diabo. Um ex-professor meu do Seminário Batista do
Recife, o grande mestre Harald Schaly, dizia que Satanás era um enorme
cachorro. Imagine um imenso fila brasileiro. Está amarrado numa corrente muito
grande: seu campo de ação é grande. Se alguém entrar onde o cão pode pegar,
está perdido. Se ficar fora, não pega. Dr. Schaly dizia que Satanás é esse
cachorro amarrado no abismo. É chamado, até, de “a antiga serpente” e
“o dragão”. Mas o feio e feroz dragão virou lagartixa nas mãos do
anjo que o prendeu no abismo por mil anos. O que vemos no mundo hoje, o “já-ainda
não”, são os urros de uma fera acorrentada, que não têm comparação com o
que pode fazer estando solto, como diz o verso 3, “por um pouco de
tempo”.

Graças Deus, tudo isso vai acabar. É só olhar o que vem depois de Satanás preso
pelos mil anos: ele é vencido para sempre (v. 10), vem o juízo final (vv.
11-15), e dá-se a descida da Nova Jerusalém.

Este capítulo traz uma encantadora e fascinante descrição da comunhão entre
Cristo e Seu povo.

Esse é o modo apocalíptico de falar de comunhão, e como o povo de Deus e o Senhor
estarão entrosados e unidos. É quando o Apóstolo, continuando a última visão,
relata a descida da nova Jerusalém, a cidade santa, descendo da parte de Deus,
gloriosamente iluminada, enfeitada, bonita, como uma noiva no dia do casamento.

A propósito, há visão mais bonita que uma noiva no dia do seu casamento? Nos
dias de casamento, não olho tanto para a noiva, mas, sim, para o noivo. Seus
olhos brilham quando vê a noivinha chegando, a face se ilumina. Imagino Jesus
Cristo e Sua noiva, a Igreja.

Até agora viemos falando de noiva, agora, porém, ocorre o casamento. Entre os
hebreus antigos e os árabes, os orientais de modo mais amplo, a situação é
interessante. Primeiro que a festa não dura só uma noite, mas, no mínimo, sete
dias. Era uma semana de cama e mesa de graça. No dia do casamento, havia um
cortejo formado pelos amigos do noivo que o acompanhavam, e, por outro lado, as
companheiras da noiva, com muita música e danças, e outras expressões festivas
(cf. Mt 25.1ss). É o que está retratado aqui: a nova Jerusalém vai chegar
“adereçada como uma noiva ataviada para o seu noivo”.

Estamos, então, chegando ao ponto culminante da história humana: o Mal vencido
e o Bem se estabelecendo de uma vez por todas. Na verdade, a história fez um
círculo completo. Com permissão dos professores de história e de filosofia, a
história não é tão linear como parece, mas circular, por isso, faz uma volta
completa para o tempo inicial de antes do pecado dos primeiros pais. Volta para
o tempo quando tudo era pacífico, calmo, sereno, tranqüilo, sem malícia, e Deus
visitava os habitantes do jardim primitivo na “viração do dia”;
quando ainda não havia chegado a noite, porém não existia mais o calor e a luz
do dia. Era quando havia intensa e profunda comunhão.

João ouviu uma voz que proclamava que o tabernáculo (a tenda, a cabana, a casa,
a habitação) de Deus estava sendo armado no meio das habitações dos seres
humanos (21.3, cf. João 1.14). E essa comunhão perfeita de Deus conosco,
baseada na misericórdia e favor divinos para com os homens e mulheres,
afastando, como afasta, todo sinal de tristeza, de dor e sofrimento, porque
tudo isso faz parte da antiga vida, não da vida em Cristo. Agora, porque
estamos em Cristo, “as velhas coisas já passaram, e tudo se fez novo”
(2Co 5.17). A palavra do que está no trono é, por sinal, essa mesmo: “Eis
que faço novas todas as coisas” (v. 5).

De agora em diante, não há mais cabimento em falar do Mal. O centro da visão é
o Cristo exaltado no Seu trono, é Seu senhorio sobre todas as coisas, Sua
autoridade e poder nos céus e na terra, Seu consolo e comunhão com Seu povo.

A nova Jerusalém (Ap 21.9-22.5)

O Bem é o Bem, mas o Mal é o travesti do Bem, parece o Bem, mas não o é. A
Igreja é a noiva de Cristo; a Grande Prostituta é a noiva do Anticristo. De um
lado, está a Nova Jerusalém, a cidade santa; do outro, Babilônia, a cidade da
corrupção, pecado e blasfêmias. Outro paralelo é, do lado do mal, os cavalos
branco, vermelho, amarelo e preto, seus cavaleiros e todo o catálogo de
maldades, flagelos e desgraças; e da parte do Senhor, toda a consolação, as
bênçãos e a Sua graça e misericórdia.

Há uma curiosa arquitetura na Nova Jerusalém. Uma alta muralha com 12 portas
com os nomes das tribos de Israel, guardada cada uma por um anjo. 12 eram os
fundamentos da muralha e sobre eles os nomes dos 12 apóstolos. Isso significa
que a Igreja de Cristo está fundada sobre a pregação dos profetas, sobre o povo
da Antiga Aliança, sobre os apóstolos e sua pregação, e o povo de Deus da Nova
Aliança.

A cidade é quadrangular, sendo que o comprimento, altura e largura são iguais,
ou seja, um cubo como o Lugar Santíssimo descrito em 1Reis 6.20. E vem a
descrição dos metais e pedras preciosas: de jaspe, a estrutura; de ouro puro, a
cidade. Cada fundamento tem uma pedra preciosa; as portas são pérolas; de ouro
puro é a praça da cidade. Mas não havia necessidade de construir um santuário,
porque o El Shadday (Deus Todo-poderoso) e o Cristo são o próprio santuário
desta cidade tão magnificente.

A iluminação não é fornecida pela COELBA, CELPE, ESCELSA, CEMIG ou pela Light
mas sim pela própria kavod (glória) e pelo Cordeiro de Deus. O abastecimento de
água não é da EMBASA, COMPESA ou companhia de abastecimento, mas pelo rio da
água da vida.

Pois é; o círculo está se fechando, porque tudo o que havia no relato inicial
da história teológica da humanidade voltou. É realmente encantador o relato do
que nos aguarda! Toda essa linguagem simbólica existe porque as palavras
humanas são fracas demais para descrever a beleza da santidade de Deus e o novo
padrão de vida que nos aguarda! Por essa razão, o livro termina com um convite:
“E o Espírito e a noiva dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem
sede, venha, e quem quiser, receba de graça a água da vida” (22.17),
porque essa descrição encantadora não pode ficar fechada, mas tem que ser
divulgada, exposta, aberta, colocada diante à disposição de todos, e a Igreja
tinha uma palavra de ordem: Maranata! (v. 20b). Ela quer dizer, “Vem,
Senhor; volta, Senhor!” E você pode, igualmente, dizer isso: “Vem,
Senhor Jesus, para a minha vida! Toma-me e usa-me!”.

Parte IV
O APOCALIPSE
– Estudo 10

“Eis que vem com as
nuvens…”
Autor(a): PR.
WALTER SANTOS BAPTISTA
Pastor da
Igreja Batista Sião em Salvador, BA – E-Mail: wsbaptista@uol.com.br
A Vitória do
Bem
Texto Bíblico: Apocalipse 17.1-7; 18.1-5; 19.1-9

A ênfase do livro do Apocalipse não é outra senão a vitória do Bem! Não
esqueçamos que João, o Vidente, tendo registrado a revelação de Jesus Cristo,
estava levando o conforto e a esperança de Sua mensagem às sete igrejas da
Ásia, as quais representam toda a Igreja Militante e perseguida de todos os
tempos e em todos os lugares. É uma mensagem para os cristãos caçados,
aprisionados e vitimados pelo Império Romano, e para a chamada Igreja Subterrânea
na China comunista, é para a Igreja de Cristo em certos países muçulmanos onde
a fé cristã é igualmente hostilizada, e precisa desta mensagem de conforto.

Esta sexta visão, a da mulher montada numa besta, traz uma colorida e real
descrição do sistema ímpio que domina o mundo. Isso ocorreu no passado, mas
ocorre igualmente nos dias de hoje. Todo o sistema governamental ímpio,
maligno, recebe o nome simbólico de Babilônia, nome do antigo império que
governou o Oriente Médio. Era o Primeiro Mundo da época, era quem dominava
política e financeiramente o mundo antigo. Foi a Babilônia que tornou Israel
submisso, destruiu Jerusalém e levou seu povo em cativeiro (587/586 a.C.), onde
permaneceu por 70 anos.

Surgiram na Babilônia alguns fatos interessantes e relevantes. O primeiro deles
é o enorme senso de dependência de Deus. Já não havia o Beth haMikdash, o
Templo; não mais havia sacrifícios, razão porque tiveram os exilados que
realizar algo novo. Diante de uma situação inusitada, pode-se tomar uma de duas
soluções: ou algo novo é criado ou a pessoa se adapta à situação. Foi o que
aconteceu com os judeus na Babilônia. Lá foi criada a sinagoga (Beth haSefer),
já que não havia Templo, cuja função era a da realização de sacrifícios. Só
isso.

Assim, passaram a estudar básica e sistematicamente a Torah. Só como referência
presente, as terras da antiga Babilônia hoje são o Iraque e seu entorno.

Que fique na mente o nome destas duas cidades: Babilônia e Jerusalém: são
importantes para o restante do nosso estudo. Babilônia, no código do
Apocalipse, é a representação do mal, do pecado, da imoralidade, de tudo o que
afasta de Deus; Jerusalém, por outro lado, é o símbolo do bem, da vida pura, de
tudo o que traz para mais perto do Criador. Lembrando esse fato, dá para entender
porque Babilônia, por si, símbolo de tudo o que não presta, é no capítulo 17, a
“Grande Prostituta”.

A Grande Prostituta (Ap 17.1-7)

Na abertura do capítulo 12, apareceu uma mulher. Estava gloriosamente vestida
de Sol, pisava no tapete que era a Lua, e portava uma coroa de 12 estrelas.
Essa mulher é a Igreja de Cristo.

Neste capítulo 17, aparece outra mulher. Está sentada sobre muitas águas. Não
esqueçamos que “mar, muitas águas” é símbolo de nações. E essa mulher
devassa, aqui chamada de “a grande prostituta”, faz das nações o seu
tapete, o que, aliás, está dito no verso 15, “Então o anjo me disse: As
águas que viste, onde se assenta a prostituta, são povos, multidões, línguas e
nações.” Enquanto a Igreja de Jesus Cristo é descrita como em glória,
vestida de Sol, pisando a Lua e com uma coroa de 12 estrelas (tudo para dizer
que ela é “gloriosa, sem mácula nem ruga nem coisa semelhante”, cf.
Ef 5. 27), neste capítulo , João fala de devassidão. Ela há de ser julgada por
prostituição, falta de caráter.

O anjo transporta em espírito o apóstolo João até um deserto. Nele, é
encontrada a referida mulher montada numa besta de cor vermelha. Esse monstro
se caracterizava por ter 7 cabeças e 10 chifres, e estava carregado de
blasfêmias. A roupa da mulher era de púrpura e escarlata (tecidos tingidos de
finíssima qualidade, de grife, diríamos hoje), e estava enfeitada com jóias de
ouro, de pérolas e pedras preciosas. Na sua mão, um cálice de ouro que continha
toda a corrupção e sujeira próprias da sua vida devassa e desavergonhada.

Havia um nome escrito na sua testa:

“BABILÔNIA, A GRANDE, A MÃE DAS MERETRIZES E DAS ABOMINAÇÕES DA
TERRA”.

Uma observação é que todas as personagens destes últimos contextos têm algo
escrito na testa. Todos têm um “crachá”, o cartão de visita:

os salvos têm o nome do Cordeiro que lhes trouxe o perdão e salvação;

os ímpios têm o número 666, a marca da besta;

e a prostituta, Babilônia, a mãe de todas as corrupções.

A essa altura, a mulher apresenta-se embriagada com o sangue dos mártires.
Tantos irmãos nossos foram mortos na Igreja Apostólica porque foram
perseguidos, acuados, violentados, jogados às feras, enfim, martirizados de mil
maneiras, e aqui está Babilônia, a grande prostituta completamente bêbada,
entorpecida, intoxicada. João a olha com admiração e espanto, ao que o anjo lhe
assegura que irá proclamar todo o mistério daquela mulher e do monstro que lhe
serve de montaria.

Não é difícil entender que João, fazendo menção da Babilônia, está, na
realidade, referindo-se à cidade de Roma. Roma é a capital do império do mesmo
nome, e feroz perseguidora dos crentes em Jesus Cristo. Os crentes quando
leram, entenderam que o Vidente falava do Império Romano e não da Babilônia
política e física. Há evidências que elucidam isso. O verso 9 diz que “as
sete cabeças são os sete montes, nos quais a mulher está sentada”. Roma
está edificada sobre 7 colinas. Precisa dizer mais?

A verdade é que estamos rodeados pela influência e práticas da Babilônia
apocalíptica.
Onde há mentira, idolatria, imoralidade, corrupção, deslealdade, traição, aí se
manifesta o espírito da chamada “Grande Prostituta”. Essa tendência é
encontrada nas casas dos pobres e nas casas dos ricos, nas escolas, nas
bocas-de-fumo, no ambiente político, no meio financeiro, no morro, no meio dos
traficantes, nos chamados “bairros nobres” e nas
“invasões”, nas grandes avenidas, nas praças e, até, …nas igrejas.
O espírito da ganância, de ganhar por ganhar, de explorar o outro, de
aproveitar-se da simplicidade de algumas pessoas é típico desta influência.

A queda da Babilônia é anunciada (Ap 18.1-5)

João afirma que, na visão, um anjo desceu do céu revestido de autoridade, o que
fez a terra se iluminar com a decorrente glória. Este anjo exclama com forte
voz: “Caiu! Caiu a grande Babilônia e se tornou morada de
demônios…” (v. 2ss.) E no contexto do alerta sobre a queda da Grande
Prostituta, outra voz foi ouvida do céu, ordenando que o povo que se chama pelo
Nome do Senhor se retirasse da cidade para que não fosse tido por cúmplice nas
coisas erradas, nem sofresse inocentemente com os flagelos (morte, lamentações,
fome e incêndios) que cairiam sobre ela, como realmente, mais adiante, Roma
caiu fragorosamente, e a Roma de hoje não é sequer um décimo da Roma do
passado.

Quem diria que os antigos impérios do Oriente seriam reduzidos a cinzas? Do
Egito dos faraós, o que resta são ruínas e lembranças. Quando se vai do Cairo a
Giza (Gizé) pela estrada que bordeja os canais do rio Nilo, ao se chegar à
região das pirâmides, o que se vê é algo deslumbrante. As três grandes
pirâmides (Quéops, Quefrem e Miquerinos) são extraordinariamente magníficas. A
Grande Pirâmide tem altura superior a uns 8 de nosso templo. Para quê? Só para
abrigar o corpo mumificado de um homem, e as riquezas de que precisaria na vida
além, de acordo com sua teologia. Tudo foi roubado e levado para museus da
Europa.

Que desprestígio para reis tão poderosos como os faraós cujas múmias foram
contrabandeadas e na identificação das caixas estava escrito
“BACALHAU”. Assim terminou a glória desses impérios. O Egito moderno
não representa a potência de Primeiro Mundo que era o Egito antigo. Lembranças
e pó.

Da Babilônia dos jardins suspensos (uma das sete maravilhas do mundo antigo),
só encontramos igualmente pedras e pó. A Roma Imperial, a Roma dos Césares e
das injustiças, caducou, foi esmagada pelas invasões bárbaras. O que sobrou da
Roma Antiga é só para turista matar a curiosidade. Tudo, entretanto, já havia
sido antecipado nas profecias, como neste capítulo 18 do livro do Apocalipse.

Esta profecia coloca dentro do mesmo processo de julgamento “todas as
nações”, “os reis da terra” e “os mercadores da
terra”. Quer dizer, todos os que favoreceram e se favoreceram da Grande
Prostituta são culpados e serão submetidos a rigoroso julgamento. Com essas
referências, percebemos que haverá um julgamento especial para os que se
aproveitaram do poder político e do poder econômico para empobrecer e
prejudicar os outros, coisa de que todos os dias os jornais dão notícia,
“E, contemplando a fumaça do seu incêndio, clamavam: Que cidade é
semelhante a esta grande cidade?” (v. 18). A nossa o é.

O julgamento não se fez esperar, pois “em uma só hora, foi
devastada…” (leia os versos 16-19). Com Deus não se brinca, ou como
ensina a Santa Palavra, “De Deus não se zomba; pois aquilo que o homem
semear, isso também ceifará” (Gl 6.7).

Alegria no céu! (Ap 19.1-9)

É o tema do capítulo 19. Os cânticos de louvor são dominantes ao longo de todo
o relato.
Os grupos corais são formados por “uma numerosa multidão” (vv. 1-3,
6-8) e pelos “vinte e quatro anciãos e os quatro seres viventes” (v.
4). Houve também um solista anônimo (v. 5).
Nessa altura, o anjo profere uma expressão de bem-aventurança dos que são
convidados a participar da festa de casamento do Cordeiro (Cristo) e de Sua
noiva (a Igreja). João, de tão impressionado e grato pela bênção desse culto de
ação de graças, ajoelha-se para adorar o anjo, que recusa a homenagem e aponta
para Deus, o único que merece o nosso culto e louvor. “Olha, não faças
isso! Sou conservo teu e de teus irmãos, que têm o testemunho de Jesus. Adora a
Deus!”, diz ele (v. 10).

Quando, finalmente, a Babilônia cair, a Igreja de Cristo vai se alegrar porque
não faz parte do seu maléfico, deletério e pecaminoso sistema. A derrota de
Satanás é um legítimo motivo de satisfação, alegria e louvor a Deus.

Entendamos que esse é o modo como a comunhão perfeita com Jesus Cristo se dará
de fato. E se o cântico em 19.1 não deixa dúvidas sobre a salvação, o poderio,
a glória e o senhorio serem de Cristo Jesus, então Deus tem todo o direito de
julgar os Seus opositores e blasfemadores. É verdade que os césares
(imperadores romanos) haviam exigido dos seus súditos reverência, culto e
fidelidade porque a palavra de ordem era “César é o senhor!”. No
entanto, atendendo a uma visão e chamada eternas, a lealdade, a adoração e o
profundo respeito eram prestados pelos cristãos a Jesus Cristo, e elevavam a
palavra de ordem, de louvor, e de adoração, “Jesus Cristo é o
Senhor!”

Pois é: “Caiu! Caiu a grande Babilônia…!” (18.2b)E dela não se ouve
mais, porque “a sua fumaça sobe pelos séculos dos séculos” (19.3b).

Parte V
O APOCALIPSE
– Estudo 9

“O significado das sete
taças”
Autor(a): PR.
WALTER SANTOS BAPTISTA
Pastor da
Igreja Batista Sião em Salvador, BA – E-Mail: wsbaptista@uol.com.br
Texto
Bíblico: Apocalipse 15.5-8; 16.1-19

Uma nova perspectiva será abordada nesta reflexão: são sete taças da ira de
Deus, cujos conteúdos são flagelos, pragas. João viu, no céu aberto, o
santuário do tabernáculo do Testemunho (15.5), de onde saíram sete anjos
portando taças com os mencionados flagelos (v. 6a).

Nesse ponto, um dos quatro seres viventes de Ap 4.7 deu aos anjos taças de ouro
que continham a cólera divina. O versículo diz que “O primeiro ser parecia
um leão, o segundo parecia um boi, o terceiro tinha rosto como de homem, o
quarto parecia uma águia em vôo” (NVI). Um deles deu aos 7 anjos taças de
ouro contendo a cólera divina. Encheu-se o santuário de uma espessa cortina de
fumaça que provinha da glória de Deus.

A Glória de Deus tanto no Antigo quanto no Novo Testamento apresenta
manifestações variadas. A Glória de Deus tem nome. Diz-se em hebraico, Kavod
(dbk); em grego é Doxa (doxa). Tanto a Kavod, a Glória Divina, contendo a
Shekinah, a Presença Gloriosa de Deus, quanto a Doxa são igualmente essas
manifestações da Presença, da Glória, da Majestade e da Soberania de Deus,
apresentando em ocasiões diversas modos diferentes de manifestação. A Moisés, a
Glória divina apresentou-se num arbusto que pegava fogo, mas não se consumia
(cf. Ex 31-5); ao povo de Israel conduzindo-o à noite no deserto, numa coluna
de fogo; durante o dia nesse mesmo deserto, numa coluna de nuvens (cf. Ex
13.21); Isaías, no templo, apresentou-se como “a aba de sua veste [que]
enchia o templo” (Is 6.1). Não esqueçamos, é uma visão, e a fumaça do
incensário fez Isaías percebeê-la como o manto do Senhor no alto e sublime
trono. Neste capítulo do Apocalipse, temos o mesmo, porém como uma espessa
cortina de fumaça que vem da Glória divina.

Enquanto os sete flagelos não fossem cumpridos, ninguém poderia penetrar no
santuário. Isso retrata que já estamos chegando ao Juízo Final. Tenhamos,
portanto, na mente, que a ênfase destes capítulos é que o julgamento é uma obra
de Deus.

Primeira fase dos flagelos (Ap 16.1-9)

O primeiro flagelo (vv. 1, 2)
“Então ouvi uma forte voz que vinha do santuário e dizia aos sete anjos:
‘Vão derramar sobre a terra as sete taças da ira de Deus”. O primeiro anjo
foi e derramou a sua taça pela terra, e abriram-se feridas malignas e dolorosas
naqueles que tinham a marca da besta e adoravam a sua imagem.”

A primeira taça é vertida na terra pelo anjo que a portava. O flagelo nela
contido atingiu as pessoas marcadas pela besta (cf. 13.16, 17), de modo que foram
cobertas por chagas, feridas, machucões terrivelmente dolorosos e úlceras
malignas.

Esta praga e as três que a seguem atingem a todos de um modo geral, por serem
um ataque ao mundo natural, o mundo dos seres humanos. Jesus está dizendo à Sua
Igreja que Deus, Justo Juiz, está fazendo justiça por conta das perseguições
que a Igreja sofre.

Recordemos as tremendas perseguições. Havia perseguição de fora, promovida pelo
Império Romano, quando os crentes eram perseguidos só pelo fato de colocarem
sua fé em Jesus Cristo, e afirmarem o Seu Senhorio. Num ambiente em que não se
admitia esse tipo de pronunciamento, dizer que “Jesus é o Senhor” era
um crime de lesa-majestade, de lesa-estado, até, porque o imperador, o César
Augusto (Cæsar é o título, Augustus porque era considerado “supremo,
magnífico, exaltado”) era reconhecido como um verdadeiro deus. E assim
desejava ser dignificado como “O Senhor”, “Kaisar
Kyrios!!!” (“César é o Senhor!!!”) exclamavam seus súditos e adoradores.
Os cristãos, porém, reconhecendo o Senhorio de Cristo, afirmavam, “Iesous
Kyrios!!!” Não! “Jesus é o Senhor!!!” sendo impossível dividir a
adoração.

Havia, com certeza uma grande caçada aos crentes. Todos temos ouvido e lido
sobre os mártires dos primeiros momentos do Cristianismo. A Outra Igreja tem
transformado esses mártires em pessoas tão especiais que estão muito acima de
quaisquer outras, e criam, deste modo, erros doutrinários e de práxis. São
colocadas imagens supostamente buscando figurá-las em nichos e altares, dias
são dedicados a esses mártires, que são muito mais irmãos dos cristãos
evangélicos na fé pura e inabalável em Cristo que de outros que se dizendo
cristãos, acrescentam à crendice e supertição que chamam fé (tão diferente da
emunah, a fé, bíblica) outras coisas que a Escritura Sagrada não privilegia.

O que agora estamos vendo é que os sofrimentos destes crentes estão sendo
vingados, pois a ira de Deus cai pesadamente sobre os que fazem a Igreja de
Jesus Cristo sofrer. Na verdade, o ensino da Escritura Sagrada é que a vingança
não é nossa: pertence a Deus (Rm 12.19). Nossa é a esperança nEle. Como diz a
Santa Palavra no Salmo 146.5: “Como é feliz aquele cujo auxílio é o Deus
de Jacó, cuja esperança está no Senhor, no seu Deus”.

O segundo flagelo (v. 3)

“O segundo anjo derramou a sua taça no mar, e este se transformou em
sangue como de um morto, e morreu toda criatura que está no mar.”

Águas se transformando em sangue: já vimos esse filme. No Egito, pouco antes do
êxodo hebreu, as águas se tornaram sangue. Também este flagelo atinge a
natureza, e, por extensão, as pessoas e suas circunstâncias. Imagine não poder
abrir uma torneira porque a água sai em forma de sangue, nem tirar água de um
poço, nem ir a um rio, riacho, lago, colher um pouco de água fresca na fonte
por causa do sangue, não tomar um gostoso banho em nossas lindas praias porque
está tudo poluído e impuro… O segundo anjo derrama sua taça no mar, que se
tornou sangue e morreram peixes, moluscos e animais que o habitam. O simbolismo
das águas que se tornam sangue é altamente sugestivo para aquelas igrejas da
Ásia Menor (Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia, Laodicéia).
Os seus perseguidores derramavam o sangue dos fiéis: agora, estão
experimentando o mesmo. Está bem esclarecido isso no versículo 6, que menciona
o próximo e semelhante flagelo: “pois eles derramaram o sangue dos teus
santos e dos teus profetas, e tu lhes destes sangue para beber, como eles
merecem”.

O terceiro flagelo (vv. 4-7)

“O terceiro anjo derramou a sua taça nos rios e nas fontes, e eles se
transformaram em sangue. Então ouvi o anjo que tem autoridade sobre as águas
dizer: ‘Tu és justo, tu, o Santo, que és e que eras, porque julgaste estas
coisas; pois eles derramaram o sangue dos teus santos e dos teus profetas, e tu
lhes deste sangue para beber, como eles merecem’. E ouvi o altar responder:
‘Sim, Senhor Deus todo-poderoso, verdadeiros e justos são os teus juízos”.

Derramada a terceira taça nos rios e mananciais, tornaram-se eles em sangue. É
uma extensão da segunda taça, examinada acima. E o anjo proclama a justiça
divina que não deixa impune a injustiça humana. Mais uma vez, a natureza é
atacada pelo flagelo.

O quarto flagelo (vv. 8, 9)

“O quarto anjo derramou a sua taça no sol, e foi dado poder ao sol para
queimar os homens com fogo. Estes foram queimados pelo forte calor e
amaldiçoaram o nome de Deus, que tem domínio sobre estas pragas; contudo,
recusaram arrepender-se e glorificá-lo”.

Nunca vi tanto calor quanto neste janeiro passado. E para o ano vai ser pior.
Parece que o Sol verão a verão fica mais quente?! Na sociedade urbana em que
vivemos, cada ano mais ruas são asfaltadas e prédios são levantados. A absorção
de calor pelo asfalto e pelo concreto é algo incrível, e essa quentura é jogado
em cima de todos.

Imagine, então, essa taça da ira de Deus jogada no Sol. Deus na Sua infinita
sabedoria, colocou cada planeta no seu lugar, cada estrela na sua posição. O
Sol não pode ficar mais distante porque morreríamos de frio, nem mais perto, ou
seríamos esturricados.

Mas imagine Deus colocando o Seu dedo, ou melhor, Sua taça de ira em nossa
estrela, o que fez aumentar seu poder de gerar calor: combustível em cima do
Sol. Os seres humanos atingidos blasfemaram contra o Criador, em lugar de
suplicar piedade, misericórdia, permanecendo, deste modo, impenitentes!

Um modo de martírio muito freqüente na época da Igreja primitiva era a
fogueira. Quantos crentes, irmãos nossos foram para a fogueira unicamente pelo
privilégio e a bênção de se considerarem pessoas salvas no sangue e no Nome de
nosso Senhor Jesus Cristo. E agora temos o Sol como uma verdadeira fogueira em
cima dos seus carrascos. Com o aumento da intensidade do calor do Sol, os
opressores dos cristãos receberiam em si mesmos idêntico suplício.

Segunda fase dos flagelos (Ap 16.10-21)

O quinto flagelo (vv. 10, 11)

“O quinto anjo derramou a sua taça sobre o trono da besta, cujo reino
ficou em trevas. De tanta agonia, os homens mordiam a própria língua, e
blasfemavam contra o Deus dos céus, por causa das suas dores e das suas
feridas; contudo, recusaram arrepender-se das obras que haviam praticado”.

As pragas a partir de agora mudam de alvo. Como é possível alguém passar por
tudo isso e não se arrepender?! Passar por tudo o que acima foi experimentado e
não glorificar o nome do Senhor, e pedir misericórdia e piedade do Senhor? Com
certeza, as pragas têm outro alvo. Em vez do mundo natural, é o mundo político
que as recebe.

Este primeiro flagelo da segunda fase foi derramado sobre o trono da besta,
sendo que seu reino ficou tomado por trevas. Os homens foram atingidos por
úlceras e, por causa da intensa dor, até mordiam a própria língua. Quando se
morde a língua involuntariamente já é doloroso, imagine mordê-la porque a ira
divina está sobre alguém… Essa língua mordida que podia proclamar o Nome do
Senhor e dar glórias a Deus, louvar ao Senhor, passou a pronunciar palavrões,
blasfêmias, clamando e reclamando contra o Criador.

O sexto flagelo (vv. 12-16)

“O sexto anjo derramou a sua taça sobre o grande rio Eufrates, e
secaram-se as suas águas para que fosse preparado o caminho para os reis que
vêm do Oriente. Então vi saírem da boca do dragão, da boca da besta e da boca
do falso profeta três espíritos imundos semelhantes a rãs.

São espíritos de demônios que realizam sinais miraculosos; eles vão aos reis de
todo o mundo, a fim de reuni-los para a batalha do grande dia do Deus
todo-poderoso. ‘Eis que venho como ladrão! Feliz aquele que permanece vigilante
e conserva consigo as suas vestes, para que não ande nu e não seja vista a sua
vergonha.’ Então os três espíritos os reuniram no lugar que, em hebraico, é
chamado Armagedon”.

O alvo da sexta taça foi o rio Eufrates (o que passa em Bagdá, no Iraque e é
despejado no Golfo Pérsico). Quando jogada a taça naquele grande rio, ele
secou. Isso de seca, já conhecemos igualmente. Muitos rios, no nosso sertão,
ficam completamente secos na época de estiagem. Mas quando vêm as primeiras
chuvas, eles enchem, e o impressionante é que há vida nesses rios, pois em
pouco tempo já estão pululando com peixinhos, camarões, e reverdecem as suas
margens. A caatinga, então, parece um mar com a sua folhagem verde…

No Oriente Próximo isso de rio seco é história já contada. O rio seco recebe o
nome árabe de uadi (wadi), e ocorre neles o mesmo fenômeno conhecido no sertão:
às primeiras chuvas, enchem-se de água. Jesus contou uma história onde falava
de um desses uadis, a parábola dos dois alicerces (cf. Mt 7.24-27). O Vidente
João fala do rio Eufrates, um grande rio que se tornou um uadi, para que desse
o preparo para os reis que vêm do Nascente (v. 12).

João presenciou uma coisa horrorosa: saíram das bocas do Dragão, da Besta e do
Falso Profeta espíritos imundos que se pareciam com rãs. E como na falsa
religião, como vimos anteriormente, tudo é uma paródia do evangelho de Jesus
Cristo, há uma maligna e horrorosa trindade. Falamos em Pai, Filho e Espírito
Santo com vistas às relações essenciais da Santíssima Trindade, mas agora temos
a infernal e Maligníssima Trindade formada pelo Dragão, a Besta e o Falso
Profeta.

Nesta nova praga política, quando a besta se vê acuada, envia representantes
seus para reunirem os que por ela foram seduzidos e estão desorientados. Deste
modo, a Trindade Maligna vai agir diretamente sobre os que têm poder sobre as
nações, os chefes de governo dando-lhes autoridade e poder para a realização de
suas más obras.

O sétimo flagelo (Ap 16.17-21)

“O sétimo anjo derramou a sua taça no ar, e do santuário saiu uma forte
voz que vinha do trono, dizendo: ‘Está feito!’ Houve, então, relâmpagos, vozes,
trovões e um forte terremoto.

Nunca havia ocorrido um terremoto tão forte como esse desde que o homem existe
sobre a terra. A grande cidade foi dividida em três partes, e as cidades das
nações se desmoronaram. Deus lembrou-se da grande Babilônia e lhe deu o cálice
do vinho do furor da sua ira. Todas as ilhas fugiram, e as montanhas
desapareceram. Caíram sobre os homens, vindas do céu, enormes pedras de
granizo, de cerca de trinta e cinco quilos cada; eles blasfemaram contra Deus
por causa do granizo, pois a praga foi terrível”.

Como os últimos flagelos, também este ataca o mundo político, mas é espalhado
pelo ar. Surgem fenômenos atmosféricos como relâmpagos, trovões e pedras de
gelo, e, ainda, um tremendíssimo terremoto, que fez a grande cidade se dividir
em três partes. Babilônia era o país, mas era, também, o nome da metrópole que
se dividiu, o que aumentar o horror da cena. Por conta disso, as ilhas fugiram
e os montes não mais foram encontrados. Já imaginou o leitor se, de repente, a
Ilha de Itaparica, a Ilha da Maré, a da Madre de Deus e as outras
desaparecessem de nossa Baía de Todos os Santos? Foi o que aconteceu. Os
montes, as colinas, os outeiros sumiram do mapa, tal foi o horror momento.

Em algumas traduções do Apocalipse está dito que cada pedra de gelo pesava um
talento. São 35kg. Tem havido chuva de granizo em alguns lugares. São pedras
até pequenas, mas fazem grande destruição: ferem pessoas, fazem mossas em
automóveis. São diminutas, mas a força da queda é tão grande que elas causam
desastres. Imagine uma pedra de 35kg caindo sobre alguém…

Chama a nossa atenção a expressão “está feito” encontrada no
versículo 17. Esse “está feito!” pode ser colocada em paralelo com o
“Está consumado!” de João 19.30, quando Jesus recebeu o gole de
vinagre. “Acabou! Chegou ao fim! A obra está realizada!”, é o que
está sendo dito.

Essa é a grande mensagem do Apocalipse. Essa lição não pode sair de nossa
mente, e quando ligamos a questão da obra consumada, do que tem acontecido, do
que vai acontecer, do que Deus nos alerta, sem dúvida, é o momento de uma
reflexão séria e profunda sobre nós mesmos e nossa circunstância de vida.

Parte VI
O APOCALIPSE
– Estudo 8

“Eis que vem com as
nuvens…”
Autor(a): PR.
WALTER SANTOS BAPTISTA
Pastor da
Igreja Batista Sião em Salvador, BA – E-Mail: wsbaptista@click21.com.br
Contra as
forças do mal
Texto Bíblico: Apocalipse 12.1-8; 13.1-18

O centro de tudo continua a ser a Igreja de Jesus Cristo, suas lutas tanto
internas quanto externas, as perseguições que sofre, e a segurança de uma
vitória que é certa. O livro nos fala sobre luta e vitória. Derrota nunca, mas
vitória assegurada! Nesta próxima visão, o conflito entre o Bem e o Mal não
cessou e nem vai cessar. Ele continua, mas será retratado com novos símbolos.
Surgem o dragão e duas bestas: a que vem do mar e a que vem da terra. Por essa
razão, precisamos entender os códigos envolvidos.

A mulher e o dragão (Ap 12.1-8)

Aqui está uma mulher vestida de glória. Como faltassem ao autor palavras humanas
adequadas para descrever o magnífico momento que testemunhava, ou que pudessem
retratar a belíssima visão que estava presenciava, teve de fazê-lo deste
colorido modo: uma mulher “vestida de glória”; seu vestido é o Sol, o
tapete é a Lua, e sua coroa, 12 estrelas. Que visão magnífica… Tanto era o
brilho que ele disse “ela estava vestida de sol”. Que extraordinária,
linda, magnífica visão diante do Vidente João.

Mas ela se encontra em crise, porque em processo de dar à luz a uma criança, e
sofre. Conhecemos senhoras que deram à luz um bebê de modo absolutamente
natural, e sem qualquer sofrimento. Mas temos ouvido de processos dolorosos e
críticos. Esta mulher da visão apocalíptica é a Igreja de Jesus Cristo, que no
ensino da Bíblia Sagrada é uma só, seja na Antiga Aliança ou na Nova Aliança: e
a Igreja dos salvos na fé. Para uns, no Cristo que viria; para outros, no
Cristo que já veio. Afinal, Abraão, pai dos israelitas, é chamado na Escritura
de “pai dos que crêem” (Rm 4.11). A rigor, só existe um povo escolhido
por Deus, uma raça eleita e um sacerdócio real. O Israel da Antiga Aliança
prefigura o Israel da Nova Aliança, que é a Igreja de Cristo, Sua noiva
aguardando o retorno do noivo conforme o ensino dos apóstolos (cf. 2Co 11.2; Ef
5.25-27; Ap 21.2)

Este povo, chamado de Israel de Deus, o remanescente fiel (veja Rm 9.27; 11.5),
a Igreja de Cristo, tem sido alvo de desprezo, de escárnio, de perseguição como
tem acontecido ao longo destes séculos. Mas isso só quando vislumbrado com os
olhos humanos. Visto, porém , com o sentimento de Jesus Cristo, é a Sua Igreja,
Sua noiva, tão cheia de glória que merece ser descrita como “mulher
vestida de sol com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na
cabeça” (Ap 12.1)

O menino que há de nascer mencionado no verso 5 é, segundo muitos especialistas
no Apocalipse, o Cristo. Não se preocupe com o pensamento lógico ou fora da
lógica da literatura apocalíptica. Pois, se acima está dito que a Igreja é a
esposa de Cristo, agora ensina o Apocalipse que a criança prestes a nascer é
Ele próprio. Mas não deveria ser o contrário? A linguagem oriental, e mais
ainda, a linguagem simbólica, emblemática deste tipo especial de literatura nem
sempre segue as regras, normas e padrões do pensamento ocidental, grego, a que estamos
acostumados. A lógica da Revelação é toda outra. O próprio Senhor Jesus Cristo
o demonstrou quando ao longo do Seu ensino declarou que quem sempre quer
ganhar, termina por perder (Mt 19.29). Quem não se importa de tudo abandonar
pelo amor de Jesus, recebe o reino e o restante. Alguém quer ganhar, ganhar,
ser o exclusivo, resulta por ser o último, porque a palavra profética de Jesus
Cristo diz que “muitos dos primeiros serão últimos, e muitos dos últimos,
primeiros” (Mt 19.30). Porém, se alguém se colocar numa posição de
submissão, de humildade, há de ser elevado, porque a lógica do evangelho é
extremamente diferente da filosófica. No Apocalipse, também. É o Cristo que há
de nascer pela pregação da Igreja no coração de tanta gente. O fato é que esta
criança “há de reger todas as nações com cetro de ferro”, expressão
que aparece no Salmo 2.9.

E o dragão? (Ap 12.4, 5)

É descrito como gigantesco, vermelho, com 7 cabeças que portam diademas, 10
chifres, e cuja poderosa cauda, golpeando, arrastava um terço das estrelas, que
eram jogadas à terra. Estava postado em frente da mulher, apenas aguardando que
a criança nascesse para devorá-la. Ao ser dado à luz o menino, foi este
imediatamente arrebatado para o trono de Deus, sendo que a mulher, fugindo para
o deserto, encontrou um lugar preparado por Deus onde ficaria num período de
espera.

Um pouco abaixo, no versículo 9, está identificado o dragão. É “a antiga
serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo”. Já é
velho conhecido, portanto… O texto vai adiante: “foi atirado para a
terra, e, com ele, os seus anjos”. Quer dizer, o que fizera com as
estrelas jogando-as para a terra, aconteceu-lhe. O grande dragão, a velha
serpente, virou lagartixa nas mãos das tropas celestiais liderandas por Miguel,
que tem a patente de arcanjo, e cujo nome, só ele, já fala de vitória (Miguel
em hebraico significa “Quem pode ser comparado a Deus? Quem é como
Deus”).

A figura apresentada tem muita força. Diz o versículo 3 que era “grande,
vermelho, com sete cabeças, dez chifres e, nas cabeças, sete diademas”. 7
cabeças coroadas significam o poderio universal de Satanás (leia Ef 2.2; 6.12;
Ap 17.9); 10 é número de plenitude, chifre é autoridade (cf. Ap 17.12; Zc 1.18,
19), diadema (ou coroa) é, igualmente, símbolo de autoridade.

Dá para entender a tremenda influência satânica atuando nos governos, nos
palácios, nas administrações, nos Senados, nas Câmaras, na política, enfim, na
obra deletéria, perversa, malvada, maligna de destruir os fundamentos e a
beleza da obra de Deus, e, sobretudo, de derrubar e derrotar o Seu povo.

Mas não vence, não. Ele próprio é derrubado, derrotado e ouve a proclamação dos
céus: “Agora, veio a salvação, o poder, o reino do nosso Deus e a
autoridade do seu Cristo… festejai, ó céus… ” (cf. Ap 12.10-12).
Perceberam porque Satanás faz um ataque tão violento ao povo de Deus?

A besta que vem do mar (Ap 13.1-10)

Todo o capítulo 13 é sobre esta besta. De onde vem esta palavra? Vem da língua
latina (bestia) e significa “fera”. Em nossa linguagem coloquial, tem
tríplice significado: 1.

inteligente (“ele é fera (sabido) na matematica”); 2. convencido,
orgulhoso (“nunca vi uma pessoa tão besta (pedante) como Fulano”); 3.
atoleimado (“larga de ser besta (bobo, tolo), Sicrano”).

O significado básico deste vocábulo é o de “animal feroz” (há uma
modelo de veículo cujo nome é Besta, ou seja, Fera). Este animal feroz agora
descrito procede das águas do mar. Não mais o cenário da terra, nem o dos céus.
Não mais o cenário da mulher vestida gloriosamente de sol, pisando o tapete da
lua. Agora é a fera que vem do mar. A descrição da fera, que mistura onça,
urso, leão e dragão mitológico num só ser, apresenta, mais uma vez, seu poder
devorador, sua personalidade e força recheadas de malignidade. Por isso, o
design da besta representa, na reunião de vários animais, a extrema
ferocidade..

A descrição é semelhante à anterior: 10 chifres, 7 cabeças, 10 diademas sobre
os chifres e uma faixa, como se fosse uma “Miss”, com palavrões e
blasfêmias, que é coisa própria de Satanás. Blasfêmia, palavrões e impropérios,
palavras torpes e obscenas, piadas de mau gosto é a pedagogia Satanás, é só o
que ele sabe ensinar.

Mas não era um dragão, e, sim, um leopardo monstruoso, uma monstruosa onça,
pois além de 7 cabeças, tinha pés de urso e boca como a de um leão.

O final do versículo 2 diz qual a sua pretensão, visto que o dragão lhe
concedera “o seu poder, o seu trono e grande autoridade”. Que deseja
ela? Domínio e autoridade.

Observe que a situação é extremamente séria, pois se trata de governo, e de
governo mundial. Mar representa na linguagem apocalíptica as nações do mundo. O
animal retratado, aliás, já fora encontrado no livro de Daniel 7 No verso 2,
encontramos o mar (chamado “mar Grande”, o Mediterrâneo). Nos versos
3 a 7, quatro animais: um leão, um urso, um leopardo, e outro não descrito
fisicamente, mas apenas com adjetivos como “terrível, espantoso e forte,
com dez chifres”. Daniel fala do mesmo animal.

Estamos falando de governo mundial. No relato da tentação de Jesus Cristo, que
pode ser lido em Lucas 4.1-13, está registrado que o Inimigo ofereceu a Jesus
“todos os reinos do mundo” dizendo, “Dar-te-ei toda esta
autoridade e a glória destes reinos, porque ela me foi entregue, e a dou a quem
eu quiser” (Lc 4.6). O Mestre recusou. Jesus Cristo tem Sua glória
própria, não precisa da que é dada por Satanás. Mais adiante, Jesus declarou
que Seu reino não era nem poderia ser deste mundo (leia Jo 18.36), o que faz
absoluto sentido porque os reinos do mundo estão sob o controle deste
Inimigo-de-nossas-almas.

A besta que vem do mar também não será vitoriosa, como veremos adiante.

A besta que vem da terra (Ap 13.11-18)

Se a primeira besta representa o poder dos governos com tudo a que têm direito
nas manobras políticas, sedução de vidas e engodos diplomáticos, a segunda
besta, “a que vem da terra”, é significativa do poder da falsa
religião.

A descrição do culto satânico no verso 4 é de arrepiar! Observe: “Adoraram
o dragão, que tinha dado autoridade à besta, e também adoraram a besta,
dizendo: Quem é como a besta? Quem pode guerrear contar ela?”

Que terrível a exaltação feita à besta: “Quem é semelhante à besta? Quem
pode guerrear contra ela?” Todo culto falso é uma paródia, o contrário do
que ensina a Sagrada Escritura. E não precisamos ir muito longe: o Candomblé
resulta num falso culto porque parodia o Culto da Antiga Aliança. Num
sacrifício, o animal dedicado deveria ser absolutamente sem mancha, todo
branco. No Candomblé, o animal oferecido e todo preto. O óleo da unção feito
com azeite extra-virgem é substituído pelo azeite de dendê. Os bolos oferecidos
como oferta de paz são substituídos por outras comidas, inclusive pipocas.
Pombinhas são substituídas por um galo. Paródia.

Voltemos a atenção para Apocalipse 12.7, onde fala de Miguel. Lembra-se do
significado deste nome? “Mi-cha-El?” é a expressão na língua de Jesus
que pergunta já com a segurança da resposta implícita: “Quem é semelhante
a Deus? “Quem pode pelejar contra Ele?”Aqui, no entanto, a pergunta
se torna “Quem é semelhante à besta?”O contrário do Culto divino. Em
vez de perguntar, “Quem, Senhor, é igual a Ti? Quem pode ser como Tu
és?” Eles perguntavam, “Quem pode ser semelhante a este dragão? Quem
pode ser semelhante a esta fera tão maravilhosa e plena de sinais que vem do
mar?” O poder da falsa religião, portanto. Isso significa que o culto da
besta é uma paródia muito mal feita da adoração a Deus Todo-poderoso.

Observe os detalhes da aparência desta diabólica fera: é como um manso e terno
cordeirinho. A figura do cordeiro é bíblica. O cordeiro dos sacrifícios da
Antiga Aliança prefigura Cristo, chamado por João de “cordeiro de Deus,
que tira os pecados do mundo” (veja Jo 1.29; Ap 5.6; 1Pe 1.19; 2.24).

O balido do cordeirinho é suave, e delicado. No entanto, este é diferente: fala
como dragão (v. 11). Percebeu onde está a mentira? Falsa religião! Sim; porque
esse crime tem nome: falsidade ideológica. E Satanás e nada mais nada menos que
um portador de falsidade ideológica, e a falsa religião pode até assemelhar-se
à adoração, prática, linguagem e liturgia da Igreja de Jesus Cristo. A
diferença, no entanto, está na sua essência: na palavra, porque fala como
dragão, e não como o Cordeiro de Deus. Essa é a má notícia: engana os
desavisados, os incautos, os iludidos e os que ficam encantados com qualquer
coisa bonita e ruidosa que lhes pareça a verdadeira religião. E vão atrás, pois
qualquer ajuntamento, evento, novidade, modismo, qualquer coisa que apareça que
se assemelhe à verdadeira religião e falando até em nome da religião há quem vá
atrás. E mesmo gente de igreja (para não dizer da nossa igreja…)

A boa notícia é que nós não somos enganados porque Jesus Cristo o garantiu. Ele
deixou bem claro: “Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas
me conhecem a mim” e também, “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu
as conheço, e elas me seguem” (Jo 10.14, 27).

A religião mentirosa, falsa, não parece querer prejudicar, mas prejudica; não
parece ser má, mas o é. É somente ver as suas obras:

exerce toda a autoridade da besta que vem do mar (submete-se ao poder
governamental, anda “assim” com o governo, o que ele diz, ela faz,
não interessa quem está no governo, pois ela sempre está junto, v. 12a);

leva as pessoas a adorarem a primeira besta (v. 12b);

opera grandes sinais, seduzindo, deste modo, e enganando as pessoas crédulas e
confiantes (vv. 13, 14);

repassa à imagem da besta seu fôlego para que esta fica animada e fale e ordene
que sejam mortos os que não a adorarem (De

us criou o ser humano e deu-lhe o Seu fôlego, pois Satanás fez o mesmo com a
besta, v. 15);
coloca uma marca, tatuagem, sinal ou implante na mão direita ou na testa, a fim
de exercer controle sobre a indústria e o comércio (vv. 16, 17).

O versículo final ensina a calcular o número dessa besta: é 666. Minha filha me
chamou a atenção para um comercial de tintura de cabelos que está passando na
TV, uma modelo está falando e por trás dela aparece uma caixa com a marca e o
número da cor que ela está usando [666]. No final do comercial, a modelo
declara, mostrando o cabelo bem vermelho, “O que estou usando é o
666…” Pai Eterno!… Não é outro senão o sinal da besta!

Diz a Escritura que este é o número do Anticristo, o número de um homem. Há
quem imagine que o Anticristo deva ser um líder religioso altamente magnético,
capaz de profundamente influenciar as massas populares. Há quem imagine que
seja uma organização religiosa ou o seu cabeça e pastor. O texto não identifica
quem seja o Anticristo, mas diz que o número 666 é número de homem.

Está lembrado de que falamos que o número 7 representa algo completo, obra
plenamente realizada, plenitude? Se 7 é o completo, o realizado, 6 é o
incompleto, o irrealizado. 6 é o número que, por mais que se repita, por mais
que se esforce nunca chegará a ser 7. Daí a sequência 6, 6, 6, 6, 6, até o
infinito, mas vai ficar nisso: por mais que tente, não conseguirá ser 7, ou
seja, o número salvação, da obra consumada na cruz e na ressurreição.

O Anticristo assume muitas formas, mas uma característica básica permanece: não
fala como Jesus, não nos olha como Jesus Cristo, não nos ama como o Salvador,
não cuida de nós como o Bom Pastor. É falso. Mas glória a Deus que temos um
Pastor que cuida de nós, que olha por nós, e até deu Seu sangue para nossa
salvação!

Parte VII
O APOCALIPSE
– Estudo 7

“Eis que vem com as
nuvens…”
Autor(a): PR.
WALTER SANTOS BAPTISTA
Pastor da
Igreja Batista Sião em Salvador, BA – E-Mail: wsbaptista@uol.com.br
O livro doce
e as duas testemunhas
Texto Bíblico: Apocalipse 10.8-10; 11.3-12

Entre a sexta e a sétima trombetas, há uma pausa. O mesmo já havia acontecido
entre o sexto e o sétimo selos (veja o capítulo 7). Temos um padrão: entre a
sexta e a sétima trombetas, uma interrupção. O objetivo desta pausa é
apresentar a próxima trombeta como sendo de importância especial, é fazer um
suspense dentro do livro do Apocalipse.

Trovões e livrinho (Ap 10.8-10)

O centro de atenção desta pausa é um livro que está mencionado no verso 2,
“Ele [o anjo] segurava um livrinho, que estava aberto em sua mão”.
Este livro tem algo escrito. Que vamos encontrar?

A mensagem deste pequeno capítulo (apenas onze versículos) é que, apesar de
toda essa violência, destruição e recusa de receber a graça de Deus, a situação
não pode nem vai continuar deste modo. Nosso Deus não pode permitir, não vai
permitir, e assegura-nos aqui que este estado de coisas não pode continuar
desta maneira. Por isso, o anjo que, envolvido pela nuvem, havia descido do céu
trazendo um livrinho, com o arco-íris sobre a cabeça, a face resplandecente
como o Sol e as pernas como colunas ardendo, de fogo, põe o pé direito sobre o
mar e o esquerdo, sobre a terra, e brada com uma forte voz. Imaginem um
gigantesco anjo vindo a nossa cidade, e colocando o pé direito na Baía de Todos
os Santos e o esquerdo sobre a terra, na região do Comércio, começa a bradar
com uma voz muito forte como se fora um trovão.

Tendo isso acontecido, sete trovões falaram, ou seja, a idéia de algo
grandioso, majestoso e completo. Uma voz vinda do céu disse ao espantado João,
no exato momento quando ia registrar o que havia presenciado, que mantivesse em
segredo o que havia ouvido. Fala o anjo e profetiza que não haverá demora para
que as últimas coisas aconteçam.

Não parou nessa palavra o que o anjo tinha a dizer, e, então, recomenda o
Vidente a tomar o livrinho que está na sua mão e o comesse. Esse livro tem a
qualidade de ser doce na boca, porém amargo no estômago. Há comprimidos que são
docinhos na boca, mas saindo a agradável camada doce são horrivelmente amargos.
É um paralelo com o que aconteceu a João. A exortação que vem a João é que ele
profetize a respeito do que há de acontecer a povos, nações e governantes.

Por que o livro apresentava esse contraste: ser doce na boca e amargo no
ventre? Sem dúvida, dá para compreender que o lado doce e suave do livrinho é a
salvação e seus suavizantes, salutares e curativos efeitos. Realmente, a
salvação e algo de mais saboroso que pode acontecer a uma pessoa. Quando alguém
reconhece Jesus Cristo como Salvador pessoal, há uma transformação que o leva a
sentir o mundo de um modo suave, absolutamente doce. O lado amargo do
evangelho, o lado amargo desse mesmo livro, representa a promessa de julgamento
nos termos de João 3.36, que ensina, “Por isso, quem crê no Filho tem a
vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida,
mas sobre ele permanece a ira de Deus”. Não é terrível? O lado doce é a
pregação, por essa razão, eu não me canso de pregar, de anunciar que Jesus
Cristo é o meu Salvador, que Ele tem salvação suficiente e eficiente para todo
aquele que crê. Mas a minha lamentação é por aquele que não crê. É o meu lado
amargo: sinto uma enorme amargura na boca, no estomago quando verifico que a
mensagem do evangelho é tratada levianamente por quem a ouve. Uma mensagem de
renovação, de eternidade, até. Mas quando recusada, traz ao pregador uma
amargura sem dimensão.

Algumas reflexões

É um capítulo tão pequeno, e, no entanto, apresenta fatos relevantes, como a
chamada de João e a ordem que ele recebe de pregar o evangelho. Sua vocação
está nos versos 8 a 10, quando ele é encorajado a comer o livrinho.

Esta figura (“comer a palavra”) já havia aparecido na Escritura
Sagrada como ocorre em Jeremias 15.16 (“Quando as tuas palavras foram
encontradas, eu as comi; elas são a minha alegria e o meu júbilo, pois pertenço
a ti, Senhor Deus dos Exércitos”). O profeta Jeremias já havia
experimentado esse mesmo livrinho. Em Ezequiel 3.1-3, está dito: “E ele me
disse: ‘Filho do homem, coma este rolo; depois vá falar à nação de Israel’. Eu
abri a boca, e ele me deu o rolo para eu comer. E acrescentou: ‘Filho do homem,
coma este rolo que estou lhe dando e encha o seu estômago com ele.’ Então eu o
comi, e em minha boca era doce como mel”. Ezequiel, portanto, menciona que
havia compartilhado deste mesmo livro, que, sem dúvida, todos nós já temos
comido, e tem sido doce na nossa boca, a salvação, e amargo no nosso ventre, a
recusa dessa mesma bênção.

O significado é claríssimo: o pregador da mensagem deve experimentar o doce e o
amargo da pregação que salva, o lado prazeroso e o sofrimento de pregar o juízo
de Deus. Como conheceremos a felicidade e a doçura de ter os pecados perdoados
e da comunhão eterna com Cristo, se não absorvermos a Santa Palavra? Como
saberemos do destino final do ímpio, de sua eterna separação de Deus, se não
experimentarmos o fel e o gosto de absinto, o amargor dos resultados da
mensagem de salvação rechaçada?

A outra reflexão tem a ver com a conseqüência de sua chamada. Estamos falando
da missão que lhe foi confiada: “É necessário que ainda profetizes a
respeito de muitos povos, nações, línguas e reis” (v.11). Jeremias e
Ezequiel também ouviram comissões como essa (cf. Jr 15.16-18 e Ez 2.9-3.9).

Todos, em todos os lugares, de todas as línguas, do governante da nação ao mais
simples, ao povo comum, todos têm o direito de ouvir a mensagem que salva.
Todos, em todos os países, de todos os dialetos e sotaques, do palácio do
governo à pessoa mais simples que passa na rua ou se deita nas calçadas têm a
grave responsabilidade de ter a ocasião de dizer “sim” ou dizer
“não” ao Deus misericordioso que chama, clama, bate à porta e
convida, num gesto de ternura, carinho e graça, que não é outra coisa senão o
amor que não merecemos, mas que Ele nos dá.

As duas testemunhas (Ap 11.3-12)

Vem agora a segunda parte do intervalo entre a sexta e a sétima trombetas. Não
podemos, porém, esquecer que a ênfase é a urgência da proclamação. O evangelho
que pregamos tem regime de urgência urgentíssima, não pode ser retardado,
demorado. É a necessidade de arrependimento, de conversão, porque Cristo em
breve vem. E o verso 6 do capítulo 10 declara, “Já não haverá
demora”.

Os versículos 3 a 6 deste capítulo dão um retrato da Igreja de Cristo na figura
de duas testemunhas, que representam também a totalidade da Igreja, a do Antigo
Testamento e a do Novo Testamento. Como são descritas essas duas testemunhas?

¨ “Vestidas de pano de saco”, símbolo de humildade e arrependimento
(v. 3b);

¨ expelindo fogo pela boca se alguém pretender causar-lhes dano; é figura do
poder do evangelho (v. 5a);

¨ tendo autoridade sobre o céu para impedir as chuvas durante a sua pregação,
como agente do Todo-Poderoso (v. 6a);

¨ tendo autoridade sobre as águas para convertê-las em sangue, confirmando sua
condição de agência do reino de Deus (v. 6b).

Discute-se muito sobre quem seriam as duas testemunhas. Há quem afirme que são
Moisés e Elias, até porque ambos exerceram a autoridade de realizar sinais:
descer fogo do céu, transformar água em sangue, ou impedir que chovesse.

A verdade é que não é fácil ser testemunha do evangelho de Cristo, razão porque
os versos 7 a 9 mencionam que são mortas e expostas à curiosidade do povo. A
oposição ao evangelho sempre haverá, pois, “a besta que surge do abismo
pelejará contra elas, e as vencerá, e matará” (v.7). Porém, diz a
Escritura Sagrada que Deus não permitirá que nossa alma veja a corrupção, e,
deste modo, a gloriosa ressurreição vai acontecer, e o arrebatamento nos levará
ao Senhor, como declaram os versos 11 em diante: “… um espírito de vida,
vindo da parte de Deus, neles penetrou, e eles se ergueram sobre os pés, … e
as duas testemunhas ouviram…: Subi para aqui. E subiram ao céu numa
nuvem…”

Não podemos deixar de dizer agora: Glória a Deus! A vitória é dEle que não
deixará que nossos corpos vejam a corrupção, e seremos arrebatados como as duas
testemunhas o foram. Passou o segundo “ai!”

Parte IX
O APOCALIPSE
– Estudo 6

“As Trombetas”
Autor(a): PR.
WALTER SANTOS BAPTISTA
Pastor da
Igreja Batista Sião em Salvador, BA – E-Mail: wsbaptista@uol.com.br
Apocalipse
8.6-13; 9.1-21; 11.15-19

“Então os sete anjos que tinham as sete trombetas preparam-se para
tocar” (Ap 8.6)

Estes capítulos do livro do Apocalipse tratam de orações e proclamações. O
incenso utilizado no santuário subindo com as orações dos santos e se unindo às
trombetas dos 7 anjos.

Por que foram apresentadas estas 7 trombetas? O simbolismo é de fácil
identificação: trombetas dão comandos, sinais de alerta, chamam a atenção para
algo importante a ser comunicado. Quando a tropa ouve a corneta, sabe se deve
se colocar em posição de sentido ou de descansar. Compreende se deve marchar,
debandar ou ir para o rancho.

Há um caso famosíssimo na história da Bahia que é o episódio envolvendo o
soldado chamado Corneta Lopes. Por ocasião da batalha de Pirajá, Lopes fez algo
inusitado. Recebera ordem de tocar “retirada”; no entanto, tocou
“avançar e degolar!”. A tropa baiana avançou, e a portuguesa
debandou. Já estava esta ganhando a batalha, mas houve um tremendo susto, e com
isso os brasileiros venceram a batalha, expulsaram os lusitanos, e deu-se a
independência da única porção de solo pátrio ainda em mãos européias. Com isso,
surgiu o 2 de julho, data da independência da Bahia. A rua entre o nosso templo
e o Teatro Castro Alves chama-se Travessa Corneta Lopes em sua homenagem, o
herói que utilizou sua trombeta para elevar o moral das tropas nacionais.

Em Josué 6.5, Deus anunciou com trombetas o julgamento da ímpia cidade de
Jericó. O contexto de Números 10.1 e 2 apresenta trombetas convocando o povo
para a adoração. As trombetas do Apocalipse vão anunciar alguma coisa, e não é
coisa boa, a não ser uma delas. São até de assustar. Elas exortavam “Pare!
Deixe de fazer o que está praticando! Arrependa-se!” Podemos dizer que são
instrumentos proféticos.

Pragas e trombetas (Ap 8.6-13)

Neste livro, as trombetas trazem mensagens breves e anunciam pragas. E como
explica o verso 7, essas pragas destinam-se à natureza. Corresponde à primeira
trombeta: “saraiva e fogo misturado com sangue”. Pedras caindo do
céu, fogo e sangue… Tétrico! Como resultado, um terço da terra foi queimado,
incluindo árvores e gramados.

Ou, ainda, no caso do alerta da segunda trombeta, uma grande montanha em chamas
foi jogada ao mar. Imaginemos que estando aqui em Salvador com esse enorme mar
à frente, de repente, cai uma montanha de fogo na Baía de Todos os Santos
matando um terço do que estava no mar: navios petroleiros, barcos de pesca, os
ferry boats, os lindos navios de cruzeiros que chegam quase diariamente ao
nosso porto. Dizem os versos 8 e 9 que um terço da fauna marinha foi dizimada,
sendo que navios e barcos foram igualmente destruídos (vv. 8, 9). É conveniente
recordar que no episódio da primeira praga sobre o Egito, as águas tornaram-se
sangue.

Ao tocar a terceira trombeta, caiu uma estrela de fogo. E essa estrela tem
nome. Aliás, costumam dar nome às estrelas e às constelações: Cruzeiro do Sul,
Cão Maior, Centauro, Mosca, Triângulo Austral, Orion. A estrela cadente do
Apocalipse é chamada de Absinto, palavra que significa “amargor”. Ela
caiu sobre os rios tornando suas águas venenosas, impossíveis de serem
consumidas e levando pessoas à morte (vv. 10, 11).

Ao toque da quarta trombeta, estrelas e planetas foram feridos, deixando de
haver luz e brilho. Passa, então, uma águia voando. A águia é uma ave que tem
um belíssimo vôo, altaneiro; nas alturas, reina absoluta, tem uma agudeza
incrível de visão: pode ver do alto do seu sereno vôo, ver um ratinho no solo,
e, então, desce como uma flecha e pega a sua presa. A águia tem um vôo muito
lindo. Mas esta do Apocalipse passou tão triste, e seu grito dolorosamente
ecoou como “Ai! Ai! Ai dos que moram na terra!”, por causa das
trombetas que faltam soar.

Essas imagens de desolação e terror visam a chamar a atenção para o fato de que
Deus tem o controle de todas as coisas. Isso não é para nos assustar, mas para
nos deixar satisfeitos e felizes. Nosso Deus é grandioso bastante para ter
controle de toda situação. Seja das águas dos rios ou dos oceanos, seja das
estrelas, planetas no espaço sideral. Deus é justo, e vai exercer sobre o mundo
Seu juízo para cumprimento do Seu plano com o respectivo e definitivo
julgamento sobre os maus, e a anunciada e aguardada bem-aventurança, galardão
de todos os que crêem.

Os Ais (Ap 9.1-21)

Ressoa a quinta trombeta, que é, como vimos acima, o primeiro dos
“ais!”Vêm as lamentações. Se as pragas das quatro primeiras trombetas
foram horrorosas, as três últimas serão piores.

Quando a trombeta foi tocada, uma estrela portando a chave do abismo caiu do
céu à terra e liberou forças satânicas terríveis, tremendas, perigosíssimas,
simbolizadas pelos gafanhotos envoltos em fumaça tal que houve um eclipse do
sol. No entanto, essas forças malignas não têm poder de matar: só de
atormentar, e, mesmo assim, aos que não têm a marca divina (vv. 4, 5). Ai de
quem é vítima dessa estrela caída, dos escorpiões, das forças satânicas. Não é
esse o quadro de vida do filho ou da filha de Deus, o qual ou a qual tem o selo
de qualidade da parte do Deus Eterno, tem Sua guarda, Sua proteção, Seu amor
infinito, e está salvo ou salva pelo poder do que emana do Calvário.

É nesse ponto que toca a sexta trombeta (vv. 13 a 21). O rio Eufrates (cf. v.
14), aquele que passa em Bagdá, capital do Iraque, é a última barreira entre o
povo de Deus e o sistema perverso deste mundo. Lembrem-se que
“Babilônia” no Apocalipse é símbolo de tudo o que é iníquo, de tudo o
que não presta. O rio é uma barreira entre a Terra Santa e o sistema maligno do
mundo. Na Bíblia, mar, rio, oceano são sempre sinais de separação, distância
entre um povo e Deus, ou uma pessoa e o Criador.

No entanto, a força maligna está representada por um poderosíssimo exército de
cavalarianos, conforme o simbolismo do verso 16: 200 milhões cavalarianos. Os
próprios cavalos são de uma descrição amedrontadora: cabeças de leão expelindo
fogo, fumaça e enxofre pelas bocas, caudas como serpentes, sendo que essa
fumaceira, esse fogo e o enxofre vieram a matar 33% das pessoas.

Mas Deus chama ao arrependimento. Ai de quem o ignora! Os versos 20 e 21 deixam
claro que a convocação divina é constante e que ignorá-la é um terrível perigo!

A sétima trombeta (Ap 11.15-19)

É o último “ai!” É anunciado, no entanto, em termos gloriosos porque
trombetas e um grande coro proclamam que “O reino do mundo se tornou de
nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos”.

Há, por acaso, notícia mais feliz? Quer dizer o seguinte: se para o mundo
impenitente, o que não se arrepende, perdido, ímpio, os primeiros
“ais!” amedrontam, para a Igreja de Cristo, o último “ai!”
é anúncio de glória! Destruição para o mundo, vida eterna, porém, para os
filhos de Deus! A justiça de Deus está feita.

Como tudo ficou diferente a partir deste evento: o santuário celeste foi
aberto, a arca da Aliança vista no seu lugar; relâmpagos, trovões, movimento de
terra e chuva de saraiva são sinais da grandeza de um Deus que é Todo-Poderoso,
o El Shadday, o Deus a Quem servimos!

Parte X
O APOCALIPSE
– Estudo 5

“Os Mártires “
Autor(a): PR.
WALTER SANTOS BAPTISTA
Pastor da
Igreja Batista Sião em Salvador, BA – E-Mail: wsbaptista@uol.com.br
Apocalipse 7

“E ouvi o número dos que foram selados, e eram 144.000, de todas as tribos
dos filhos de Israel” (Ap 7.4)

Há muito debate sobre este texto. Grupos há que fantasiam, até, em torno do
número dos selados de Israel, os 144.000 aqui mencionados. No entanto, como
todos os outros números expostos neste admirável livro, este também guarda um
profundo simbolismo. Seu valor não é o da ciência exata da matemática, onde 1 +
1 = 2, e 5 + 5 = 10. O real valor deste e de outros números no Apocalipse é
espiritual e moral. Neste tipo de literatura, números são conceitos, são idéias
e são pensamentos, não o seu valor de face.

Como introdução (vv. 1 – 3)

O capítulo 7 do livro do Apocalipse explica que enquanto a Igreja de Cristo
estiver no mundo, o juízo final será adiado. Estes versos introdutórios são
interessantes: Em cada ponto cardeal, há um anjo. Há um no Norte, outro no Sul,
e mais dois no Leste e no Oeste. O vento se encontra completamente parado
porque os anjos os seguram. Vamos imaginar uma tarde de mormaço. Não há uma
qualquer folha se movendo; os coqueiros estão parados, as plantas do jardim não
se movem, como se o vento estivesse encaixotado com o tremendo calor. É o que
temos aqui. Os anjos freiam os ventos e a conseqüência é que as nuvens estão
estacionadas, estão lá em cima, mas paradas, não há ondas no mar e folha alguma
da vegetação está se movendo. Sequer há brisa. Parece um filme de ficção
científica.

Surge um anjo do lado oriental trazendo o selo do Deus Vivo. Ele fala aos
outros anjos, o do Norte, o do Sul, o do Leste e o do Oeste, e alerta a que não
danifiquem a natureza até que todos os salvos estejam selados.

Nesse ponto da visão, João ouve o número dos que serão selados: 144.000.

Quem são os 144.000? (vv. 4 – 8)

É uma pergunta que tem preocupado muitos cristãos. Reflitamos pelo lado
negativo. O que os 144.000 não representam?

¨ Não são pessoas individuais. Uma seita nascida, por sinal, no ambiente
evangélico ensina que são as pessoas que habitarão o céu, enquanto os outros
milhões permanecerão na terra renovada.

Essa leitura literal não tem cabimento porque, a ser verdade, de acordo com o capítulo
14.3,4, só iriam para o céu, homens (o texto não fala em mulheres?!), e estes
homens nem podem ser casados?! São todos meninotes, rapazes e homens virgens.
Que tremenda incoerência!!! Homens casados ou não mais virgens, nem mulheres
não irão para o céu…

É preciso entender a ciência da Exegese e da Hermenêutica que esclarecem o
ensinamento da Bíblia Sagrada. Quando utilizamos essas ciências, descobrimos
que a leitura não pode ser linear, direta, literal. A leitura é diferente
porque este é um estilo diferente de literatura. Chegamos à conclusão que ler
linearmente é um despropósito. O ensino geral da Palavra de Deus, no entanto, é
que essa quantidade representa uma multidão incalculável para a mente e o
coração humanos.

¨ Não são as tribos de Israel. Apesar dos versos 4 a 8, numa leitura apressada,
darem essa idéia, um exame mais detalhado desfará o engano. São 12.000 de cada
tribo. No entanto, não há menção às tribos de Efraim e de Dã. No entanto, a
tribo de Levi, que não tinha herança entre as outras tribos, está mencionada.
João também faz referência à tribo de José, que não existia, e, como relata a
Escritura Sagrada, foi representada pelos seus filhos, Manassés e Efraim.

Finalmente, quem são os 144.000?

Não esqueçamos algo básico que é o valor conceitual, moral e espiritual dos
números para a interpretação bíblica. Portanto, é necessário dissecar este
número. 144.000 é o resultado da operação 12 X 12 X 1000. Nesse pequeno e
sugestivo cálculo matemático, temos uma preciosa lição. Estes números são a
chave para abrir a porta para um belíssimo conceito, o do precioso ideal da
gloriosa esperança, da habitação eterna e perene com Deus.

12 são as tribos de Israel; 12 é o número dos apóstolos. Significa que as
tribos de Israel representam aqui todos os salvos e fiéis do Antigo Testamento;
os apóstolos simbolizam todos os fiéis e salvos do Novo Testamento. 12 X 12
(144) são todos os fiéis da Antiga Aliança e todos os remidos da Nova Aliança,
TODOS OS SALVOS, portanto! Todos os que foram comprados pelo sacrifício de
Jesus Cristo, resgatados do poder do mal, e que formam a Igreja Vitoriosa e
Militante! E os 1000? É 103 (dez elevado ao cubo), o resultado da operação 10 X
10 X 10. Na linguagem bíblica, 10 é número de altíssimo valor e significado
porque reúne nele o 3 (número de Deus) e o 7 (número da obra completa, da
plenitude).

Esse ilustre número (o 10) está multiplicado por ele mesmo duas vezes, quer
dizer, 10 X 10 X 10, como já foi mencionado. É o número de altíssima perfeição
(10) multiplicado pelo número de Deus (3). O resultado só pode ser o máximo de
bem-aventurança: ter a fronte selada (símbolo de propriedade) por ordem do
próprio Deus! (cf. v.3).

Multiplicando o resultado de 12 X 12 (144) pelos 1000 do parágrafo acima temos
como resultado 144.000,número ideal, representando o conceito de todos os
salvos, em todos os tempos, de todos os lugares, de todos os quadrantes, de
todas as raças, de todas as condições sociais.

A visão dos glorificados (9 – 17)

O trecho final do capítulo 7 do livro do Apocalipse apresenta os remidos de
Jesus Cristo que, apesar de passarem pela Grande Tribulação, sairão imaculados
e ilesos.

O texto diz que a multidão era tão grande que não podia ser contada. Diz que,
mesmo sendo de nações, tribos, povos e línguas diversas, exclamavam a uma só
voz louvando a Deus e a Jesus Cristo, o Cordeiro que foi morto, mas vive.

À pergunta de um dos anciãos sobre quem são estes de roupas brancas, o próprio
João responde que são os que passaram pelos sofrimentos dos últimos dias e
lavaram suas vestes e suas vidas no sangue purificador de Jesus Cristo, e,
agora, já não mais experimentarão dor, lágrimas, fome, angústia ou penúria.
Estão com Cristo por toda a eternidade!

Parte XI
O APOCALIPSE
– Estudo 4

“Sete Selos e Suas
Surpresas”
Autor(a): PR.
WALTER SANTOS BAPTISTA
Pastor da
Igreja Batista Sião em Salvador, BA – E-Mail: wsbaptista@uol.com.br
Apocalipse
5.1-14; 6.1-7; 8.1-5

“Vi… um anjo forte, bradando com grande voz: Quem é digno de abrir o
livro, e lhe romper os selos?” (Ap 5.2)

João viu a porta aberta no céu e as coisas impressionantes que ouviu: uma voz
como de trombeta que lhe dizia: “Sobe e eu te mostrarei as coisas que
depois destas devem acontecer”. O que esteve antes destas coisas foram as
Cartas às igrejas da Ásia. Ele viu um trono no céu, e nele Alguém assentado. A
linguagem bíblica O descreve como semelhante a uma pedra de jaspe, de sardônio
(v. 3). Ao redor do trono um arco-íris que se parecia a uma esmeralda.

Tudo aqui é descrito de modo a chamar a atenção para algo majestoso, grandioso.
Não é um simples trono, mas um trono onde Quem está assentado tem a aparência
bem diversa dos que se sentam em tronos humanos.

24 tronos estão ao seu redor. Neles estão 24 anciãos, ou seja, 12 representam
as tribos de Israel no Antigo Testamento, 12 representam os apóstolos, o Israel
da Nova Aliança, vestidos de branco, sinal de pureza espiritual, suas cabeças
portam coroas de ouro, afinal, “sê fiel até a morte e dar-te-ei a coroa da
vida” é a promessa de uma das cartas. No entanto, essas coroas não estão
ali para reverenciar, homenagear, magnificar, exaltar esses anciãos no trono.
Eles tomam as coroas e depositam diante do majestoso trono de Deus.

Diante desse trono ardiam 7 lâmpadas de fogo que são os 7 espíritos de Deus.
Lembrem-se que sempre que a Palavra “fogo” aparece na Escritura, está
associada a uma manifestação divina: no portão do paraíso, uma espada de fogo
(Gn 3.24); a manifestação da presença de Deus a shekinah) na sarça ardente (Ex
3.2); colunas de fogo no deserto à noite (Nm 14.14); no Pentecoste, as línguas
como de fogo (At 2.3); no inferno, um lago de fogo significando a justiça de
Deus sobre os ímpios, injustos e pecadores (Ap 20.10), e não o
“reinozinho” de Satanás, como muitos pensam, pois é a sua prisão.

Aparecem também 4 seres viventes com olhos por diante e por trás. São monstros?
Não; é apenas o símbolo de vigilância perene diante de Deus. Jesus ensinou
sobre a vigilância: “vigiai e orai…” (Mt 26.41). Aqui é diferente;
é “vigiai e louvai”, porque tudo o que fazem, só o que fazem é louvar
a Deus (Ap 4.8).

Uma profunda marca da Igreja de Jesus Cristo em todas as épocas é a esperança,
a grande virtude cristã em todos os tempos. Outro modo do cristão dizer este
sentimento é usar a expressão “Segunda Vinda de Cristo”. Falar de
esperança e da Parusia, o Retorno de Cristo, é falar da mesma realidade. Quando
celebramos a Ceia do Senhor, celebramos a esperança. A instrução que temos é
“até que ele venha” (1Co 11.26). Os escritores do Novo Testamento
falaram sobre essa abençoada futura realidade como o apóstolo Paulo que disse,
“Damos sempre graças a Deus… por vós, desde que ouvimos da vossa fé em
Cristo Jesus… por causa da esperança que vos está preservada nos
céus…” (Cl 1.3-5). E, ainda, “A graça de Deus se manifestou
salvadora… educando-nos para que… vivamos… aguardando a bendita esperança
e manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus” (Tt
2.11-13). Quer dizer, a esperança associada à Segunda Vinda. E, fazendo uma
união entre a Segunda Vinda e as pressões espirituais e, mesmo, físicas, exorta
o apóstolo Paulo, “regozijai-vos na esperança, sede pacientes na
tribulação…”
(Rm 12.12).

A tribulação vem, e precede a Segunda Vinda de Cristo, razão porque Paulo
exorta a que sejamos pacientes aguardando a gloriosa Parousia, que nos vai
libertar de tudo o mais! Há, portanto, uma íntima ligação entre sofrimento e o
retorno de Cristo Jesus. Percebe-se com absoluta clareza o carinho de Deus ao
conceder à nascente e sofredora Igreja do primeiro século o livro cheio de
encorajamento e de visão da vitória final que é o Apocalipse. Compreende-se o
porquê de tantos símbolos, expressões cifradas, figuras medonhas, até,
retratando a tremenda luta espiritual entre o Bem e a Malignidade.

É nesse ponto que surge um livro fechado; um livro selado. São sete selos, ou
seja, bem fechado, completamente fechado. Esse livro guarda um segredo. A
propósito, para quem gosta de filigranas lingüísticas, a palavra
“selo” vem da língua-mãe latina sigilus, que significa precisamente
isso: “segredo, sigilo”.

A visão do livro selado (5.1-14)

O livro visto pelo apóstolo João estava escrito por dentro e por fora, mas
fechado com sete selos. Um mensageiro de Deus fazia uma proclamação que é ao
mesmo tempo um desafio, levando o vidente a se lamentar porque ninguém tinha
dignidade bastante para abri-lo e nem sequer para olhá-lo. Logo foi
tranqüilizado por um dos anciãos do capítulo 4 que lhe assegurou que o Cristo
Vivo, o Cristo Vitorioso, o Messias Exaltado era absoluta e perfeitamente digno
de romper os selos e abrir o livro. Só Jesus Cristo pode abrir o livro que
guarda o segredo.

Nesse ponto da narrativa, João vê no meio da cena (lembremos a cena: o
majestoso trono, os 24 tronos, os 24 anciãos, as 4 criaturas com faces de leão,
touro, homem e águia, um Cordeiro com aspecto de morto que porta 7 chifres, 7
olhos, e, no entanto, estava vivo!… Tem aspecto de morto mas está bem vivo! O
Cordeiro tomou o livro do que estava no trono, e todos na cena como um grande
coro se prostraram em grande reverência e cantavam a dignidade dAquele que
comprou para Deus com Seu sangue um povo formado de salvos de todas as tribos,
línguas e nações para fazê-los sacerdotes do Deus Vivo! Que cena
extraordinariamente maravilhosa! E, assim, cantavam:

“Digno és de tomar o livro,
e de abrir os seus selos, porque foste morto,
e com o teu sangue compraste para Deus
homens de toda tribo, e língua, e povo e nação.
Para nosso Deus os fizeste reino e sacerdotes
E eles reinarão sobre a terra” (vv. 9, 10).

Se a visão tivesse terminado no acima exposto, já seria o bastante. Mas não foi
o que aconteceu, porque bilhões de anjos rodeando o trono celestial cantavam a
mesma dignidade e honra do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo:

“Digno é o Cordeiro que foi morto,
de receber poder, e riqueza, e sabedoria, e força,
e honra, e glória, e louvor” (v. 12)

E ainda mais: toda criatura no céu, na terra, debaixo da terra e sobre o mar,
tudo louvava o Cristo de Deus com exclamações de “Amém!” (v. 14).

Que significam os selos? Os quatro primeiros (6.1-8)

Este trecho fala de um cenário de guerra. Há um convite feito para que João
presencie a abertura de cada um. Ao se abrir o primeiro selo (vv. 1, 2), surge
um cavalo branco,portando o seu cavaleiro uma arma: um arco. Recebeu uma coroa
e saiu para buscar a vitória a qualquer preço.

O segundo selo (vv. 3, 4) faz aparecer um cavalo vermelho, a cujo cavaleiro foi
dada uma espada e a missão de tirar a paz da terra.

O terceiro selo (vv. 5, 6) traz à cena um cavalo preto. Seu cavaleiro tem uma
balança na mão.

O último selo (vv. 7, 8) apresenta um cavalo amarelo, Morte é o nome de quem o
monta, e está acompanhado pelo Inferno.

A cena é pesada e apresenta um palco de guerra. O primeiro cavaleiro vem num
cavalo branco, o que pode até dar idéia de ser o Cristo que vence. Não pode ser
o Cristo vencedor, porque está no contexto de três outros cavaleiros que só
trazem destruição e miséria. O mínimo que podemos imaginar é que seja um
disfarce para parecer o Cristo de Deus. Parece mais ser o ambiente de
negociações, de compra e venda de votos, de toma-lá-dá-cá dos acordos
diplomáticos (arco é em linguagem bíblica o símbolo de aliança, de pacto, de
contato, de convênio, haja vista, o “arco da aliança”, o arco-íris
(cf. Gn 9.8-17). A Segunda Guerra contra o Iraque é isso: os americanos
entraram “vencendo e para vencer”. Mas não venceram, porque
diariamente morre, no mínimo, um militar americano. E até gente nossa que foi
para lá em nome da paz, perdeu a vida.

Quando se fala tanto de paz e o cenário só se conforma com a guerra, é
evidência da obra e missão deste cavaleiro. Isso casa com Jeremias 6.14 que
adverte, “Curam superficialmente a ferida do meu povo, dizendo: Paz, paz;
quando não há paz”. O cavaleiro deste cavalo branco é o Negociador nos
conflitos e guerras, mas que nenhuma vantagem ou negociação traz.

Nessa cena bélica, o cavalo vermelho traz o conflito, o ódio, a violência tanto
paga quanto gratuita, o clamor do inocente violentado em seus direitos, o
derramamento de sangue. Somos todos testemunhas dessa violência gratuita que
ocorre em nosso país.

O cavalo seguinte, o preto, traz a inflação e a conseqüente fome, que são o
resultado de revoluções, guerras civis e conflitos militares. Seu refrão
representativo dessa inflação não pode ser outro: “Uma medida de trigo por
um denário; três medidas de cevada por um denário; e não danifiques o azeite e
o vinho” (v. 6). Isso é um clamor pelo altíssimo preço obtido por uma
medida de trigo. Isso significa cerca de 13 litros de trigo pelo salário de um
dia do trabalhador, ou 39 litros de cevada pelo mesmo valor. Como poderiam as
famílias fazer o pão de cada dia com preços tão absurdamente inflacionados?

O último cavalo, o amarelo, é o fim de tudo. O que se perde de vidas e recursos
humanos numa guerra é estarrecedor. São vítimas inocentes, crianças, até,
sacrificadas no altar do deus Marte, o deus da guerra dos romanos. O jornal
noticiou que o número de baixas do lado da coalizão atingiu um ponto crítico: é
maior na paz que quando estavam em guerra?!

Outros dois selos (vv. 9-17)

Chegamos ao quinto selo (vv. 9-11). A cena apresenta debaixo do altar as almas
dos martirizados. Aqueles irmãos e irmãs da Igreja apostólica que foram jogados
às feras; cobertos com breu, e seus corpos incendiados para iluminar avenidas
inteiras; senhoras, moças e adolescentes que foram violentadas, estupradas e
depois mortas pelo Nome de Jesus. Tinham eles nos lábios uma exclamação que é,
ao mesmo tempo, uma pergunta. Observem que eles estão absolutamente conscientes
(há grupos que pregam que com a morte, o espírito fica dormindo na sepultura.
No entanto, eles estão absolutamente conscientes do que lhes aconteceu. Cada um
recebeu um manto branco e a recomendação de que tivessem paciência (vv. 10,11).

Os mártires pedem vingança. Mas a vingança não pertence a nós, e, sim, ao
Senhor, ensina a Santa Palavra (Dt 32.35). Que eles tivessem paciência, a
paciência e a perseverança próprias dos cristãos.

O selo seguinte (vv. 12-17), ao ser rompido, trouxe um grande terremoto. Houve
um eclipse solar, quando a Lua se apresentou rubra como sangue. Despencaram as
estrelas, e o próprio firmamento foi enrolado como um cobertor.

Jesus já havia falado sobre isso em Mateus 24, ao mencionar o princípio das
dores. Montes e ilhas, continua João, saíram dos seus lugares, e o medo tomou
conta de todos os poderosos (que só o são quando podem controlar os outros), de
modo que se esconderam nas cavernas, tocas, buracos feitos nas montanhas
pedindo que as rochas os escondessem Daquele que está sentado no trono, por
haver chegado o Dia do Retorno de nosso Senhor!

O sétimo selo (8.1-5)

Na abertura do último selo, algo diferente aconteceu. Em lugar dos louvores,
hinos, cânticos, exclamações de júbilo, fez-se silêncio. Silêncio por cerca de
meia hora. Perceberam o contraste? Alguém maldosamente já disse que esse vai
ser o único momento de tristeza para as mulheres no céu porque vão ficar
caladas durante meia hora…

Sete anjos receberam trombetas e, à chegada de um oitavo anjo, foi-lhe dado
muito incenso que, juntamente com as orações dos salvos, subiu ao trono divino.

O incenso era o modo gráfico, concreto como o hebreu dizia que a sua oração
subia aos céus. Na mente do hebreu tudo tinha que ser bem concreto. Se falava
em sacrifício, não era como o nosso pensamento que apenas diz, “temos que
fazer um sacrifício…” Ele matava um animal, e, dependendo de sua
situação econômica, esse animal era um boi, cordeiro ou casal de pombos. Quanto
às orações, tomava um pedacinho de incenso e punha no incensário. Enquanto
orava, a fumaça perfumada ia subindo. Dizia ele, então, “a minha oração
está subindo ali no incenso…” Não é a nossa mentalidade que é helênica,
grega, abstrata. No chamado Dia do Perdão (Yom Kippur), o sumo-sacerdote tomava
dois bodes. Um era sacrificado no arraial; quanto ao outro, ele descarregava os
pecados do povo na cabeça do animal e alguém o levava para o deserto, onde ele
morria de queda no despenhadeiro ou de fome. Tudo muito físico e gráfico,
portanto.

O anjo toma, então, fogo do altar e o joga à terra, resultando em problemas
cósmicos: terremotos, trovões e relâmpagos. Os anjos então se preparam para
tocar as trombetas.

Silêncio no céu… Sinal de admiração? De maravilha? Cessa a adoração vocal. O
silêncio, porém, também é adoração. A adoração é multiforme: quando estamos em
cântico é louvor, adoração; ao entregarmos o dízimo, é louvor; na celebração da
Ceia Memorial, é louvor; em oração silenciosa, é adoração. Em silêncio, também.

Essa é a música celestial, razão porque em sua peregrinação terrena, a Igreja
de Jesus Cristo é instruída e encorajada a cantar em harmonia e no mesmo ritmo.
Coesa, unida, firme, constante, abundante e perseverante, ela há de prosseguir
até a Parusia, a Segunda Vinda de Cristo, o Juízo Final e a Bem-aventurança
eterna!

Parte XII
Trono
Celestial”
Autor(a): PR.
WALTER SANTOS BAPTISTA
Pastor da
Igreja Batista Sião em Salvador, BA – E-Mail: wsbaptista@click21.com.br
Apocalipse 4
“Digno és, Senhor nosso e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o
poder, pois tu criaste todas as coisas, e por tua vontade existem e foram
criadas” (Ap 4.11)

A partir deste ponto, o apóstolo João passa a relatar as coisas que se
sucederão de acordo com o que fora prometido no capítulo 1.19 (“Escreve, pois,
as coisas as coisas que tens visto, e as que são, e as que depois destas hão de
acontecer”) e esclarecido em 4.1: “Depois destas coisas, olhei, e vi
que estava uma porta aberta no céu, e a primeira voz que ouvi, como de som de
trombeta falando comigo, disse: Sobe para aqui, e te mostrarei as coisas que
depois destas devem acontecer.”

A soberania de Jesus Cristo é retratada, como no capítulo primeiro, de modo
muito dinâmico e extremamente colorido, encerrando-se o relato com um hino de
profunda reverência, adequadíssima introdução a todo o drama que vem a seguir.

A majestade de Jesus Cristo (4.1, 3)
No hino 16 do hinário O Cantor Cristão, o poeta colocou a seguinte expressão:
“Oh! vinde adorar o excelso e bom Deus,
eterno Senhor, da terra e dos céus,
que reina supremo, envolto na luz,
e que se revela em Cristo Jesus!
Essa é a afirmação de todo o capítulo 4 do Apocalipse, que assegura uma verdade
da qual a Palavra Divina não abre mão. A grandeza de Cristo é descrita com as
reveladoras palavras: “…um trono estava posto no céu, e alguém assentado
sobre o trono. E o que estava assentado era, na aparência, semelhante a uma
pedra de jaspe e de sardônio, e ao redor do trono havia um arco-íris
semelhante, na aparência, à esmeralda”.

E prossegue o registro colocando em evidência quão magnífica é a visão da
própria glória (kavod) de Deus manifestada na presença (shekinah) no trono da
graça divina.

É importante que tenhamos sempre na mente os terríveis tempos em que este livro
foi escrito. Não esqueçamos que o Apocalipse foi escrito numa época de
perseguição. O imperador romano era tido como um deus. Ele, somente ele podia
ser exaltado. Era soberano, e exigia dos súditos todo o louvor. A pompa dos
seus palácios não encontrava rival; o trono em que se sentava, magnífico e
esplendoroso. O César (título dado ao imperador de Roma) não podia dividir sua
pompa e circunstância com qualquer outro deus. Menos ainda com um mestre
israelita a Quem algumas pessoas chamavam de Filho de Deus… Ora, diziam, não
tinha cabimento algum… Decorre de tudo isso um imenso perigo para os cristãos
que não dividiam a sua lealdade a Jesus Cristo.

Observe que nos dias de hoje também há “deuses” buscando a adoração
exclusiva. O deus da fama é um deles. Quantas meninas têm feito sacrifícios
inimagináveis para ter o que chamam de “corpo de modelo”, algumas
beirando doenças como a anorexia nervosa e a bulimia para ficarem macérrimas
como pede o sacrifício do altar da fama. Algumas, de origem evangélica,
entregando-sem ao Moloque deverador que é o mundo das celebridades. Pois é; a
fama é um deus exigente e que exige sacrifícios de suas vítimas, ou melhor,
adoradores…

O orgulho não é um deus impiedoso? Aliás, vamos e venhamos, o orgulho anda
tomando conta das igrejas. Alguém me relatou que num determinado programa de TV
chamado evangélico, Cristo ficou por trás e o pastor ficou na frente fazendo
sombra a Cristo. Não se diz mais como Paulo: “Longe esteja de mim
gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo…” (Gl 6.14).
Há ministros (“Apóstolos”?! “Bispos”?!) que deixaram de se
esconder atrás da cruz de Cristo, pois Cristo é escondido e obscurecido por
eles e a fama que adquiriram?! O que desejam é o status! E o poder não é um
tremendo deus? E o dinheiro?

No entanto, é de se observar que o livro do Apocalipse é sobre vitórias: a de
Jesus Cristo sobre o Mal e a nossa vitória em Cristo, razão porque este trono
celestial é apresentado tão cheio de efeitos, de ruídos, de vozes, de tochas, e
de seres tão estranhos quanto plenos de lições. Magnífico, portanto!

Reverentes perante o Senhor (4.4-8)

“Ao redor do trono também havia 24 tronos, e vi assentados sobre os tronos
24 anciãos, vestidos de branco, que tinham nas suas cabeças coroas de ouro. Do
trono saíam relâmpagos, vozes e trovões. Diante do trono ardiam 7 lâmpadas de
fogo, as quais são os 7 espíritos de Deus. Também havia diante do trono como
que um mar de vidro, semelhante ao cristal, e ao redor do trono, um ao meio de
cada lado, quatro seres viventes cheios de olhos por diante e por detrás. O
primeiro era semelhante a um leão, o segundo semelhante a um touro, o terceiro
tinha o rosto como de homem, e o quarto era semelhante a uma águia voando. Os 4
seres viventes tinham, cada um, seis asas, e ao redor, e por dentro, estavam
cheios de olhos. Não descansam nem de dia nem de noite, dizendo: Santo, Santo,
Santo é o Senhor Deus, o Todo-poderoso, aquele que era, e que é, e que há de
vir”

(Obs.: quantidades em algarismos para destaque dos detalhes).

Diante de uma visão tão cheia de brilho, de luz e de esplendor, é imperativo
que se tenha uma atitude de adoração e reverência. É o que nos revela os
versículos 4 a 8 quando decodificamos suas figuras: 24 tronos ao redor do
magnífico trono divino, 24 anciãos vestidos de branco, coroas de ouro,
relâmpagos, vozes, trovões, 7 tochas representando a plenitude do Espírito
Santo (lembremos que 7 é o número de algo completo) Há um mar de vidro como de
cristal e 4 misteriosas criaturas descritas como tendo muitos olhos na frente e
atrás. Coisa estranha… Vejamos, porém, depois de decodificados.

Vamos esclarecer um pouco mais: os 24 anciãos são a soma das 12 tribos de
Israel e dos 12 apóstolos, ou seja, todos os salvos da Antiga e da Nova
Alianças: a totalidade do povo fiel a Deus. Essa poderosa visão requer
“efeitos especiais” (trovões, relâmpagos). Vivemos numa época de
efeitos especiais: um filme, uma novela, programas de TV, peças teatrais, e,
mesmo, dramatizações na igreja apresentam certos efeitos especiais (gelo seco,
luzes estroboscópicas) Também os temos aqui, pois trovões, relâmpagos, raios
sempre estiveram associados à presença, grandeza e majestade de Deus, como
exemplifica o livro do Êxodo 19.16 a 18 e Deuteronômio 4.11 (“Ao amanhecer
do terceiro dia houve trovões e relâmpagos e uma espessa nuvem sobre o monte, e
um sonido de buzina muito forte”).

O verso 6 menciona um “mar de vidro, semelhante ao cristal”. Mar é
símbolo de algo que não pode ser transposto. Dificuldade é mar. Haja vista o
Mar Vermelho: foi uma dificuldade para o povo israelita. Deus, então, fez uma
intervenção e as águas se abrem. O mesmo ocorreu, 40 anos depois, com o rio
Jordão, que igualmente se abriu.

Mar é sinal de separação. Isso ocorre porque Deus é santo e o mundo é pecador.
O mar separa o santo do pecaminoso. São realidades que não se combinam.
Enquanto houver pecado, não há possibilidade de acordo. No entanto, o fim do
versículo primeiro de Apocalipse 21 diz que na descida da Nova Jerusalém, a
habitação de Deus com os homens, “o mar já não existe”, já não há
distância, paredes, barreiras, separação. Somos nós em Deus e Deus em nós, a
plenitude divina em tudo e em todos.

E as 4 estranhas criaturas? Qual o papel delas diante do trono? Estamos falando
de reverência, louvor, adoração, precisamente a tarefa dessas quatro criaturas.
Elas aqui estão não para atemorizar: o Apocalipse não tem esse propósito. Estes
seres “cheios de olhos”, portanto, vigiam! A expressão não descreve
monstros; é, sim, um modo de dizer que a tarefa deles é a vigilância diante do
trono. Jesus ensinou, “Vigiai e orai [para que não entreis em
tentação]”.

Aqui é “Vigiai e louvai…” Em nossa dimensão terrena, “vigiar e
orar”; na dimensão celeste e eterna, “vigiar e louvar”.

Um dos seres era semelhante a um leão, outro a um boi, o terceiro tem face de
ser humano e o último parece uma águia. Quatro seres tão diferentes , tão
distintos um do outro: um leão selvagem, um boi domesticado, um ser humano e
suas possibilidades, potencialidades e expectativas, e uma águia que altaneira
e livremente voa. São semelhantes aos querubins de Ezequiel 1.10, que relata o
seguinte: “A semelhança dos seus rostos era como o rosto de homem, e à mão
direita os quatro tinham rosto de leão, e à esquerda tinham rosto de boi;
também os quatro tinham rosto de águia”.

Há intérpretes do Apocalipse que vêem nessas figuras a união de louvor de toda
obra criada por Deus.

Existe outra interpretação, porém. Alguns especialistas vêem o que há de mais
nobre (o leão), de mais forte (o touro), o mais sábio (o ser humano) e o mais
ágil (a águia) submissos ao Senhor, a nobreza, a fortaleza, a sabedoria e a
agilidade, tudo e todos reverentes e ajoelhados diante daquele que é o Senhor,
o Soberano, o que detém o Senhorio, Aquele que tem nas Suas mãos o domínio de
todo o cosmos, de todas as coisas desde o Seu trono nos céus!

Estes seres são incansáveis no seu louvor, pois, “Não descansam nem de dia
nem de noite, dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-poderoso,
aquele que era, e que é, e que há de vir”, expressão que retrata o próprio
Nome de Deus, Javé, “Eu Sou o que Sou”, “Eu Serei o que Sempre
Tenho Sido”, ou seja, “o Eterno”, “Aquele que Era, Que É, e
Sempre Há de Ser”.

Ao tempo que esse louvor está acontecendo, os 24 anciãos prostram-se diante do
trono de Deus, e O adoram entregando-Lhe as coroas que têm na cabeça, enquanto
cantam esta doxologia:

“Digno és, Senhor nosso e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o
poder, Pois tu criaste todas as coisas; e por tua vontade existem e foram
criadas” (v. 11)

Parte XIV
O APOCALIPSE
– Estudo 2

(Parte 2) Cartas às Igrejas da
Ásia – (Ap 2 e 3)
Autor(a): PR.
WALTER SANTOS BAPTISTA
Pastor da
Igreja Batista Sião em Salvador, BA – E-Mail: wsbaptista@click21.com.br
“Quem
tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Ap 2.7b)

Continuemos a examinar as igrejas da Ásia. São lições de relevância hoje quanto
o foram há dois mil anos:

Tiatira, Penitente Sacrificada (2.18-29)

Não era cidade tão importante quanto outras sete. Mas seu nome é muito
sugestivo: “Sacrifício de Arrependimento”.

Nela funcionava uma cooperativa que fazia o comércio de ouro. Havia muitos
joalheiros, ourives e comerciantes de ouro. A dita cooperativa era tão
exclusiva que só os seus membros podiam comerciá-lo. Há uma boa e uma má
notícia: a boa é que quem era sócio podia vender ouro à vontade (com certeza,
outros faziam contrabando); a má notícia é que a cooperativa realizava festas
em homenagem a uma divindade, considerada a padroeira dos comerciantes de ouro
e joalheiros. Os crentes viviam numa grande tensão: ou renegavam a fé, e,
assim, poderiam realizar transações comerciais ou passavam penúria.

Esse problema é encontrado ainda hoje, quando crentes precisam orar muito para
não cair na tentação de ceder aos ídolos modernos, à imoralidade, ao
compromisso com o Maligno.

Havia, porém, um seriíssimo entrave na igreja de Tiatira: uma falsa profetisa.
O apóstolo João a identifica com Jezabel (a perversa rainha pagã que casou-se
com o rei Acabe de Israel (1Rs 16.29ss.). Não tem sido difícil encontrar falsos
profetas no meio chamado evangélico. Cuidado, muito cuidado com os falsos
apóstolos, profetas e profetisas, bispos e “bispas” (a palavra
correta é episcopisa), e pastores que aparecem ensinando novidades com se fosse
a última palavra de Deus. Ora, se é novo não está na Bíblia, e se está na
Bíblia não pode ser novo. Portanto, fuja deles! (cf. 2Jo 10)

A exortação é bem pesada e direta como demonstram os versículos 20 a 23. Mas a
promessa de Cristo é extraordinária: “Ao que vencer [e nossa vitória está
em Cristo, não esqueçamos!], eu lhe darei autoridade sobre as nações”, o
que significa compartilhar com o Rei dos reis da glória para todo o sempre!

Sardes, uma Alegre Canção (3.1-6)

Sardes significa “Cântico de Alegria”. Jesus começa Se identificando
como Aquele que tem os 7 espíritos e as 7 estrelas. Já sabemos que 7 é o número
da plenitude, o número da obra completa. Então, “7 espíritos” tem
referência com a plenitude do Espírito, a totalidade da Sua poderosa e
maravilhosa obra no ser humano salvo, individualmente falando, e na Igreja de
Cristo como Seu Corpo.

Mas a condenação que Jesus faz a Sardes é muito grave: “…tens nome de
que vives e estás morto” (v. 1b). Sabe aquela história do “morreu e
não sabia”? É o caso da igreja de Sardes: havia morrido e esquecera de
deitar, tinha “um-pé-na-igreja-e-outro-no-mundo”. Igreja hipócrita,
imoral e apática, na qual não se praticava um relacionamento íntimo e sadio com
Jesus Cristo e Seu Espírito.

Mas [louvado seja Deus!] nem tudo estava perdido, porque havia algumas pessoas
que se mantinham puras. A figura usada é “vestiduras brancas” (v. 4),
modo de falar de pureza de intenções e de alma.

Filadélfia, Irmãos que Se Amam (3.7-13)

É a cidade do “Amor Fraternal”, significado do seu nome. Esta igreja
não recebeu repreensão de Jesus. Que maravilha! É verdade que, como as outras,
Filadélfia tinha seus deuses, seus templos pagãos, suas práticas religiosas.
Observe como Jesus Se revelou a esses irmãos: “o santo, o
verdadeiro…” O melhor conceito para a palavra santo é “diferente”.
Ser santo é ser completamente diferente. Um bom conceito para santo é “ser
separado”. Mas, o povo não acostumado com a linguagem da teologia bíblica
não entende o que é ser separado para significar santo.

Muitas vezes, nem gente da igreja entende… Mas entendem quando se fala
“ser crente é ser diferente”. Isso porque nós não vamos praticar o
que o mundo pratica, nem falar como lá fora se fala, nem andar como lá fora
andam, nem pensar como lá fora pensam. Nossas mãos, pés, toque, palavras,
ouvidos, olhos serão puros porque somos diferentes. E esse é o nosso Salvador,
o Santo, o Diferente. Cristo é Santo porque nem de longe se iguala ou sequer
parece com os deuses do paganismo.

Havia uma preocupação quanto ao relacionamento dos judeus com a igreja, e da
igreja como missionária aos judeus. Por isso, Cristo também Se apresenta como o
que “tem a chave de Davi”. Cristo é o que abre a porta (cf. v. 8)
para acesso à misericórdia de Deus a todos que sentirem o toque do Seu
Espírito. Até mesmo os que pelas suas obras malignas faziam parte do que é
chamado “sinagoga de Satanás” (v. 9).

As promessas para o vencedor são notáveis, lindas e abençoadoras, como mostra o
versículo 12, “A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, de
onde jamais sairá.

Escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova
Jerusalém, que desce do céu, da parte do meu Deus, e também o meu novo
nome”. Na entrada do templo de Jerusalém havia duas colunas: Boaz e
Jaquim, Beleza e Força, Majestade e Poder. O Senhor está dizendo que nos coloca
como uma das já existentes, ou mais uma ao lado de Boaz e Jaquim, que será
“aquele que vencer”.

Laodicéia em Julgamento (3.14-22)

O nome Laodicéia quer dizer, “Povo do Julgamento”. A última das
cartas às igrejas da Ásia começa com Jesus Cristo Se revelando “o
Amém”. Essa é uma palavrinha muito boa porque, vindo do hebraico,
significa “ter estabilidade”, não se dobra, não cai, é firme, não
pode mudar.

Se fôssemos traduzir, seria “eu admito” ou “eu permaneço em tudo
o que foi dito ou pedido na oração”. Quando oramos e dizemos “em nome
de Jesus. Amém”, estamos declarando “peço em nome do Salvador, e não
abro mão da minha fé”. Cristo, então, é “o Amém, a testemunha fiel e
verdadeira, o princípio da criação de Deus”, o inabalável.

Sua reclamação à igreja de Laodicéia é que ela é morna. Não é fria nem é
quente. Isso quer dizer que sendo frio ou sendo quente, temos certeza absoluta
de resultados é o que o Espírito Santo está dizendo na palavra de Jesus. Nós
sabemos onde caminhamos, se em terreno firme ou instável. A igreja de Laodicéia
não era assim: era indecisa. Por esse motivo, é chamada de “morna”.
Temos, pelo contrário, que saber se o “sim” é “sim” e o
“não” é “não”. Sendo… morno, é a falta de compromisso,
mais uma vez mencionada.

A igreja dos laodicenses era muito cheia de orgulho. Eram auto-suficientes, mas
espiritualmente miseráveis. Até diziam, “Rico sou, e estou enriquecido, e
de nada tenho falta…” Não parece o homem que derrubou os celeiros,
construiu outros maiores e disse para si mesmo: “Agora tenho bens para
muitos anos: vai, minha alma, come, alegra-te, diverte-te, folga”? À
noite, foi-lhe indagado: “Louco, esta noite pedirão a tua alma, e o que
tens preparado para quem será?” Pois. o mesmo aconteceu em Laodicéia:
“Rico sou!…”Jesus diz: “…não sabes que és um coitado, e
miserável, e pobre, e cego, e nu” (3.17). Aqui está a igreja de Laodicéia
despida. “…Estou enriquecido, e de nada tenho falta”. Jesus diz:
“Tu és infeliz, Tu és miserável, Tu és pobre, cego e nu. E convida ao
arrependimento e conversão, que é voltar para Ele. Jesus sempre convida com
carinho, Ele não força: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a
minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo
Isso quer dizer comunhão. Estar com o Senhor é comunhão: Ele está conosco, e
nós estaremos com Ele. Por esse motivo, o vencedor senta com Cristo com trono.

Esse é o alerta que o Apocalipse traz para nós, Igreja de Cristo no século 21
porque os problemas são os mesmos. A s igrejas do Apocalipse são tipos das
igrejas modernas. Temos deixado vezes tantas o primeiro amor de nossa vida, por
isso necessitamos de arrependimento. Somos perseguidos, caluniados e precisamos
lembrar que Cristo deu o Seu sangue por nós, e se necessidade houver de darmos
nosso sangue, a própria vida, a coroa eterna já está garantida.

Somos alvos de heresias que surgem praticamente todos os dias. É a tentação de
querer fazer acordos com o Inimigo-de-nossas-almas, é a tentação do sucesso e
das novidades.

Quantas vezes somos hipócritas, apáticos, impuros.

Sim, somos Éfeso deixando o primeiro amor; somos Esmirna alvo de calúnias da
sociedade incrédula que nos persegue; somos Pérgamo com segmentos desviados da
boa doutrina; somos Tiatira e seus falsos profetas, apóstolos mercenários e
vaidosos bispos; Sardes que já havia morrido e não o sabia, bem como Filadélfia
com seu problema de relacionamento com os judeus; somos também Laodicéia com a
sua indefinição espiritual e orgulho.

Que aprendamos com estas sete igrejas que o melhor é mesmo ouvir a voz de Deus
e receber a vitória assegurada por Cristo desde a Sua ressurreição.

Parte XV
O APOCALIPSE
– Estudo 2

(Parte 1) Cartas às Igrejas da
Ásia
Autor(a): PR.
WALTER SANTOS BAPTISTA
Pastor da Igreja
Batista Sião em Salvador, BA – E-Mail: wsbaptista@click21.com.br
(Ap 2 e 3) –
“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Ap 2.7b)

Sete cartas foram escritas a partir da visão inicial. A ordem dada ao apóstolo
João foi explícita: “O que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete
igrejas que estão na Ásia” (1.11), que são as seguintes: Éfeso, Esmirna,
Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia. A ordem, repetida em 1.19,
desfaz no verso seguinte o primeiro mistério: as sete estrelas na mão direita
do Cristo glorificado são os pastores destas igrejas (chamados de
“anjos” na linguagem do Apocalipse) e os sete candelabros de ouro são
as próprias igrejas. É fácil entender porque.

“Anjo” é palavra transliterada e vem da língua grega, como outras
tantas. Nesta, angelos significa “mensageiro”. Quem traz a mensagem
de Deus para a igreja? O pastor. Quando alguém ora pedindo as bênçãos da igreja
sobre o “anjo da igreja”, ou seja o “mensageiro da igreja”,
está se referindo ao pastor. Na língua grega moderna, “carteiro” é
angelos.

Os candelabros de ouro, são aqueles de sete braços (menorah, sing., menoroth,
pl.).

Éfeso, a Cidade Desejável (2.1-7)

Apesar de serem as cartas destinadas a igrejas localizadas em cidades bem
conhecidas, a quantidade de igrejas é significativa. Na linguagem bíblica, e,
ainda mais, na linguagem em código do Apocalipse, 7 (sete) não é apenas um
número entre outros, não tem apenas valor aritmético ou de quantidade. Para o
mundo bíblico, os números têm valor moral e espiritual.

Isso significa que 7 significa “completo” ou “plenitude”. A
semana foi feita em seis dias, com o descanso do sétimo dia, temos a obra
completa da parte de Deus. “Sete igrejas” é a soma conceitual das
comunidades cristãs no mundo, inclusive a igreja local onde o leitor congrega;
“sete anjos” é expressão que representa a plenitude dos pastores que
há no mundo. São as igrejas e seus pastores com o que têm de forte e de fraco,
com suas virtudes e defeitos, com o seu lado bom e o seu defeituoso, o que, por
sinal, é destacado e definido em cada carta. Cada carta apresenta o lado
correto e o lado problemático da igreja.

A estrutura das cartas é a mesma para todas: o remetente se identifica,
demonstra conhecimento do ambiente externo e interno da igreja, faz exortações
e promessas.

Éfeso, nome que significa “Desejável”, era uma cidade com dois
importantes destaques: era porto, tendo como conseqüência ser uma conceituada
cidade comercial, e era, igualmente, centro de uma terrível idolatria, que era
o culto à deusa Diana, também chamada Ártemis, onde um templo lhe fora
dedicado. Este templo é considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo. A
deusa Diana, por sua vez, era chamada “a Mãe dos Céus”, e seu culto
era caracterizado pela orgia e licenciosidade, visto que era um culto de
fertilidade. A estátua que a representava era a de uma mulher belíssima, mas
horrorosa num aspecto: seu tórax e ventre eram cobertos de seios, para
simbolizar a fertilidade.

À igreja cristã da cidade de Éfeso, Cristo glorificado se identifica como
“aquele que tem na mão direita as sete estrelas, que anda no meio dos sete
candeeiros de ouro” (v. 1). É o Senhor que detém o poder e está presente
na vida e nas ações da igreja, pois, diz Ele, “Conheço as tuas obras. E o
teu trabalho, e a tua perseverança”. Sabe das excelentes qualidades
daquela igreja que fora pastoreada pelo próprio apóstolo João (cf. vv. 2, 3).

Cristo passa a fazer exortações: “… deixaste o primeiro amor. Lembra-te
de onde caíste! Arrepende-te…” (vv. 4, 5). A igreja tendo perdido o seu
primeiro amor, passou a amar o comodismo, ao tempo que deixou de ser altruísta,
vivendo para si e para o seu egocentrismo.

Tornou-se mundana, prejudicada pela facilidade de viver uma vida sem maiores
compromissos com Cristo Jesus. É o que acontece quando uma igreja deixa de ter
compromisso com o seu Senhor.

No entanto, no evangelho, há sempre oportunidade para quebrantamento e mudança
de direção. Como são importantes no verso 5 estas exortações:
“Lembra-te…”, “Arrepende-te…” e “Pratica…”
E não pode haver tolerância com as heresias, como a mencionada no verso 6: a
dos nicolaítas. Tudo isso vale para a igreja de hoje.

Quem eram os nicolaítas? Tudo o que foi dito para aquele tempo vale para hoje.
Eram eles os que dentro da igreja defendiam a absoluta sujeição dos leigos em
relação aos bispos ou pastores das igrejas, a organização de um regime dentro
da igreja que como os outros governos, estabelece leis, regras, normas,
práticas para o povo. É agir pela mente e egoísmo humanos; é usar o recurso do
governo humano em vez das ordenanças da Palavra de Deus e da sensibilidade para
ouvir o Espírito de Cristo. É a mentalidade política posta a serviço do mando,
comando e desmando, prática que está entrando em algumas ditas igrejas e comunidades
evangélicas, quando até o namoro de um casalzinho da igreja ou comunidade só
acontece se o pastor permitir.

Como termina esta carta: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às
igrejas. Ao que vencer…” [Se apesar de tudo, você passar incólume, que
vai acontecer?] “… dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no
paraíso de Deus”. É só o que queremos: vida sobre vida, graça sobre graça,
e bênção sobre bênção!

Esmirna, um Perfume Suave (2.8-11)

Cristo Se apresentou a essa igreja de modo diferente. Ele é “o primeiro e
o último, o que foi morto e reviveu” (cf. 1.8, 17b, 18). Ele identifica
esta igreja como atribulada, pobre (apesar de rica) e marcada pela blasfêmia
interna. Esmirna era, como Éfeso, uma cidade rica, e centro religioso. Seu nome
quer dizer “Perfume Suave”. No entanto, sua religião, não era o culto
a Diana ou a qualquer deus da mitologia grega ou romana. Cultuado era o próprio
imperador, o que significava que deixar de cultuá-lo era crime contra o próprio
Estado romano, crime chamado de lesa-estado ou lesa-majestade, passível de ser
punido com a morte.

A igreja de Esmirna não estava fria como a de Éfeso que havia deixado o
primeiro amor.

Seu problema eram as perseguições e calúnias que viriam, razão porque precisava
de forças, de poder espiritual para suportá-las (cf. v.10). E realmente isso
aconteceu anos depois: Diocleciano, o imperador de Roma, moveu uma perseguição
que se iniciou em 303 e durou até 313, dez anos chamados de “dez
dias” em 2.10, quando o cristianismo passou a ser reconhecido com religião
do Império Romano por Constantino.

É nesse contexto que vem uma das mais citadas frases da Bíblia Sagrada:
“Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (v.10b), que
realmente quer dizer “sê leal e perseverante até o ponto de dar a tua
vida, e receberás como recompensa a glória da abençoada ressurreição ao lado do
Senhor”.

Pérgamo, a Elevada (2.12-17)

A importância de Pérgamo, nome cujo significado é “Altura, Elevação”,
era mais política e religiosa que econômica. A ênfase religiosa estava no culto
ao imperador. Haja vista o grande número de templos que lhe eram destinados.
Era uma arriscada aventura ser cristão na cidade de Pérgamo por esse motivo.
Era ali que estava o trono de Satanás e o lugar de sua habitação (cf. v. 13).
Além do imperador ser cultuado, havia outros quatro cultos: a Zeus, a Atenas, a
Dionísio (o Baco dos romanos), e o Culto de Esculápio (Asclépio), o deus da
Medicina. Era uma cidade altamente mística.

Não sabemos exatamente o que era o “trono de Satanás” do verso 13.
Mas o leitor pode escolher a mais razoável das idéias que serão apresentadas,
porque nem os especialistas afirmam com segurança sobre isso:

Há quem diga que foi um altar levantado ao imperador César Augusto, refere -se
ao culto do imperador;

Uma colina na cidade com muitos altares aos deuses pagãos;

O altar dedicado a Zeus cuja base tinha 240m de altura, um verdadeiro edifício
com o altar em cima;

Poderia ter sido a adoração do deus da Medicina, Esculápio, cujo símbolo era
uma serpente, uma cobra. Perguntem aos médicos porque o símbolo da arte médica
são duas cobras a verdadeira interpretação. Contaram-me que é porque se o
paciente viver, o médico cobra; se morrer, o médico cobra…

Talvez toda a cidade fosse o “trono de Satanás”.

O fato é que interessa-nos a igreja, e nela havia heresias. Estavam presentes
naquela comunidade os que seguiam a doutrina de Balaão (v. 14) e os nicolaítas
(v. 15), os mesmos de Éfeso.

Os seguidores da doutrina de Balaão são os aproveitadores que querem tirar
vantagem da igreja! São os mercenários, os enganadores do povo crédulo, que,
como o falso profeta Balaão, queriam exercer o ofício profético, apostólico e
pastoral a troco de vantagens pecuniárias. Havia prostituição, idolatria e
coisas assemelhadas na igreja de Pérgamo. Já que Satanás não pôde destruir a
igreja, procurou corrompê-la, pois não pode existir arma mais eficaz a favor
dos planos do Inimigo-de-nossas-almas que uma igreja sem testemunho, corrupta,
cheia de pessoas não-convertidas, como o mundo atual tem visto com intensa
freqüência.

A exortação feita pelo Senhor é muito direta e dura. Ele diz:
“Arrepende-te, pois! Se não em breve virei a ti…” (v. 16). Essa
exortação é para nós também, sem dúvida.

(Continua)

Parte XVI
O APOCALIPSE
– Estudo I

(Parte 2) O Livro da Vitória
Autor(a): PR.
WALTER SANTOS BAPTISTA
Pastor da
Igreja Batista Sião em Salvador, BA – E-Mail: wsbaptista@click21.com.br
João foi um dos
homens escolhidos por Jesus para Seu discipulado. A história de sua chamada
encontra-se no Evangelho de Mateus 4.21. É chamado de apóstolo, palavra não
traduzida, mas transliterada porque veio diretamente da língua grega e
significa “comissionado” ou “enviado”.

Essa é uma qualidade pertinente à Igreja de Jesus Cristo, que por ser enviada
ao mundo tem a reconhecida qualidade de ser apostólica. Não é um título
especial para pessoas supostamente especiais que se auto-intitulam
“Apóstolo Fulano de Tal”. João e os outros discípulos foram
comissionados por Jesus Cristo, e por esse motivo assim foram denominados. Os
doze discípulos que andaram com Jesus foram tão apóstolos quanto qualquer um
dos hodiernos crentes em Jesus Cristo é apóstolo, um comissionado, um enviado
do Senhor Jesus onde estiver, seja na fila do ônibus, na do banco, na feira, na
escola, em casa, na loja ou na caserna.

O Apóstolo Vidente (1.9,10)

João é também denominado “O Vidente de Patmos”. Patmos é a ilha da
Ásia Menor (hoje Turquia) onde ele teve essa visão. Vidente é quem teve ou tem
uma visão. A Bíblia ensina que os profetas eram antigamente chamados de
“videntes” (cf. 1Sm 9.9). Isso significa que o livro do Apocalipse é
um livro profético, é O livro marcadamente profético do Novo Testamento.

João estava exilado naquela ilha, por causa do evangelho. Ele o diz no verso 9,
quando explica aos seus leitores que é participante das mesmas perseguições
pelas quais os primeiros leitores do Apocalipse estavam passando. Naquela ilha,
teve uma inesquecível visão num dia de domingo, que é o sentido da expressão
“dia do Senhor” (em latim, diz-se dies dominica, que evoluiu ao longo
da história da língua portuguesa para nossa forma “domingo”).

Essa identificação é necessária para que seus leitores compreendam que também
ele experimentou e continua experimentando em Patmos o ódio dos perseguidores
do evangelho. Tanto quanto os demais crentes, João é “irmão vosso e
companheiro nas aflições”. Só alguém que tivesse passado pelo que eles
estavam passando poderia falar de modo tão direto ao sofrimento e ao coração, e
exortá-los a serem firmes na paciência e no aguardo das soluções a serem
trazidas pela mão do Senhor. A leitura do livro dos Atos dos Apóstolos nos faz
entender o alcance da ira dos ímpios do Império Romano contra Jesus e Seu
evangelho. Por sua vez, todo o capítulo 4 da Segunda Carta aos Coríntios mostra
como o apóstolo Paulo descreveu as perseguições que enfrentou.

Não se pode negar que o Império Romano era tolerante para com as religiões,
quaisquer que fossem. Porém, isso acontecia se o cultuante também reconhecesse
a divindade e senhorio do imperador. Esse não era o caso dos cristãos que não
aceitavam repartir a lealdade entre Deus e Seu Filho e César e o Império
Romano. Nunca passaria pela cabeça de um cristão do primeiro século ter a sua
fidelidade dividida. Por esse motivo, João estava em Patmos, afastado do
convívio dos seus queridos irmãos de fé.

Quem Se Revela

Jesus Cristo Se apresenta ao apóstolo João com “uma grande voz, como de
trombeta” (v. 10). Isso destaca o poder e autoridade de quem está falando.
E quando Jesus fala, dá ao apóstolo uma missão: “O que vês, escreve-o num
livro” (v.11a). Esse livro (o da Revelação, o Apocalipse) seria repassado
a sete igrejas localizadas na atual Turquia (a região naquela época era parte
do Império Romano, falava a língua grega e era conhecida como Ásia Menor, como
mencionado acima).

João se volta para ver quem fala (v. 12), e viu uma linda e forte visão: sete
candelabros de ouro, e no meio deles um homem com roupas sacerdotais com uma
aparência tão impressionante quanto assustadora: cabeça e cabelos brancos,
olhos como chamas, pés brilhantes, voz poderosa, portando sete estrelas na mão
direita, e, saindo de sua boca, uma espada de dois gumes.

Apesar de parecer o contrário, a visão não é para amedrontar: mas, sim, para
encorajar, pois só um Cristo poderoso, majestoso, impressionante, guerreiro e
de palavra direta e segura despertaria o ânimo, a fé e a coragem daqueles
sofridos cristãos do primeiro século.

Jesus não fora chamado no verso 5 de “príncipe dos reis da terra”?
Dele não fora exclamado no verso seguinte “a ele seja glória e poder para
todo o sempre”? Como não ser descrito nesta visão com imagens tão fortes e
impressionantes? Isso faz lembrar o profundo hino 96 do Cantor Cristão que
demonstra a admiração do seu poeta quando diz “Se nos cega o sol ardente,
quando visto em seu fulgor, quem contemplará Aquele que do sol é criador?”

Que Aconteceu ao Apóstolo João?

Nos versículos 17 a 20, o escritor relata o que lhe aconteceu quando teve a
visão: ficou como morto aos pés do Senhor Que Se revelava de maneira tão
ofuscante. João caiu; é verdade. Mas o propósito de Jesus Cristo é sempre
erguer a pessoa humana. Jesus não derruba. Há igrejas ensinando que no poder do
Espírito (que espírito?), muita gente anda sendo derrubada?! O Jesus sobre Quem
leio no Novo Testamento nos respeita! Ele dá sempre salvação, dignidade, paz e
objetivo para a vida. Jesus Cristo não deixa no chão e sempre faz serenar o
espírito abalado.

Assim, registra João, “ele pôs sobre mim a sua mão direita, dizendo: Não
temas.” Essa é a suprema mensagem do evangelho: Não tenhas medo! Quando a
jovem Maria recebeu a visita do anjo: “Maria, não temas…” (Lc
1.30). Quando caminhava sobre o mar, disse Jesus ao temerosos discípulos no
barquinho, “… sou eu, não temais” (Mt 14.27). A um homem chamado
Jairo cuja filha estava enferma, Jesus deu uma palavra de tranqüilidade,
“Não temas, crê somente” (Mc 5.36). Na manhã da ressurreição, as
mulheres ouviram do mensageiro divino: “Não tenhais medo…” (Mt
28.5). Precisa dizer mais?

Pois é; o Cristo glorificado, poderoso e vitorioso o encoraja e dá, outra vez,
as credenciais: “Eu sou o primeiro e o último. Eu sou o que vivo; fui
morto, mas estou vivo para todo o

sempre! E
tenho as chaves da morte e do inferno”. Esse não é outro senão o mesmo que
disse, “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que esteja
morto, viverá, e todo aquele que vive e crê em mim, nunca morrerá. Crês
isto?” (Jo 11.25,26). E você, crê? (Continua)
Parte VII
O APOCALIPSE
– Estudo I

(Parte 1) O Livro da Vitória
Autor(a): PR.
WALTER SANTOS BAPTISTA
Pastor da
Igreja Batista Sião em Salvador, BA – E-Mail: wsbaptista@click21.com.br
Estaremos
penetrando na fascinante aventura de caminhar nas páginas do livro do
Apocalipse, considerado por muitas pessoas como de difícil entendimento. É um
livro fascinante pelo colorido, pelo grafismo, tendo o Espírito de Deus
colocado na pena do apóstolo João a revelação de Jesus Cristo de tal modo que
cores, figuras, números, tudo fala de um modo muito particular, porém preciso,
por meio do simbolismo envolvido. Quase que sentimos os odores das batalhas, do
mar, do fogo, dos incêndios, da fumaça, dos embates que se sucedem. Para
algumas pessoas o Livro do Apocalipse tem sido misterioso, de árdua compreensão.
Não o é, garantimos aos leitores.

Para os seus primeiros leitores, o Apocalipse era mensagem de fácil e
cristalina compreensão. E pode ser o mesmo para nós. Só temos que saber como
decodificá-lo. Assim fazendo, sua leitura se torna adequada, trazendo lições
práticas para quem vive no século 21, apesar da distância que nos separa de
João, a Igreja apostólica e suas circunstâncias. Mas é preciso entender,
inicialmente, o que significa a “literatura apocalíptica”.

A Literatura Apocalíptica Para os Crentes da Antiga Aliança

Antes do livro do Apocalipse ter sido escrito por João, já existiam outros
livros que, no entanto, não foram canonizados, ou seja, não foram considerados
sagrados e úteis para serem colocados no cânon ou rol dos livros da Bíblia.
Apesar disso, há trechos nos livros proféticos que apresentam claramente as
características desse tipo de literatura. É o caso do livro de Ezequiel,
capítulos 1 e 2. Bastam esses dois capítulos para se ter uma idéia do que
queremos explicar. Daniel, igualmente, é um profeta com características
profundamente apocalípticas, como pode ser visto nos capítulos 2 a 4, o mesmo
acontecendo com Zacarias, o penúltimo livro do Antigo Testamento. A partir do
capítulo 1, há uma série de visões: oito ao todo até o capítulo 6.

Mas que características são estas da chamada literatura apocalíptica?
Entendamos: um livro apocalíptico não é para ficar fechado e sem compreensão.
Pelo contrário, o próprio nome da literatura já diz o seu objetivo. Apocalipse
é uma palavra grega que se traduz como “revelação”, como pode ser
conferido em Apocalipse 1.1, a abertura do livro que explica de quem vem a
revelação: “de Jesus Cristo”!

As principais características são o uso constante de números, cores, animais
(alguns extrema e curiosamente estranhos e amedrontadores), cidades, pessoas,
tudo muito simbólico, mas plenamente adequado. Veremos esta questão de números
quando falarmos das igrejas que são 7, dos 144.000, dos 1000 anos. Cada cor tem
um sentido. Alguns animais são efetivamente muito estranhos: nunca vimos um
dragão, menos ainda com 7 cabeças e 10 chifres. Tudo é simbólico, e repassa uma
lição dentro das funções para as quais o livro foi escrito.

Para o antigo Israel, o centro de atenção era a própria nação e a defesa de sua
fé, de sua Lei, de sua existência como povo escolhido por Deus. No Novo
Testamento (que é a aliança renovada no sangue de Jesus Cristo), o centro de
interesse é a Sua Igreja, sua fortaleza e vitória, apesar de tudo: das
perseguições, das heresias, dos martírios, do sangue derramado. O livro quer
enfatizar que, apesar dos pesares, somos vencedores, com a vitória garantida
por Jesus Cristo, Rei dos reis e Senhor dos senhores!

A Literatura Apocalíptica Para a Igreja do Período Apostólico

Para nossos irmãos da Igreja dos primeiros dias, no período apostólico,
portanto, o livro do Apocalipse era uma maravilhosa mensagem de esperança. No
fim do primeiro século da era cristã, viviam eles sob perseguição. Quem era
cristão podia perder literalmente a cabeça, razão porque necessitavam desta
mensagem de profunda esperança.

No fim do primeiro século viviam sob perseguição. Domiciano, o imperador
romano, foi um terrível perseguidor da nascente Igreja Cristã. Famílias eram
perseguidas, filhos separados de seus pais, adultos e crianças, mortos por
causa da fidelidade ao Salvador.

Numa situação como essa, o encorajamento vinha em forma de exortação, de
mensagens em código, em que o Maligno e tudo o que lhe era peculiar eram
retratados com nomes ou figuras de fácil compreensão para os perseguidos.
Códigos e símbolos também eram usados para Jesus Cristo, o Bem e tudo o que
pertencia ao reino de Deus. Dá perfeitamente para entender o drama porque
passavam e a palavra de esperança no meio da perturbação de que precisavam. O
Apocalipse é sobre o tema da perseguição e vitória.

É preciso esclarecer que a perturbação não vinha só do governo imperial. Havia
problemas dentro da própria comunidade cristã. Eram as heresias, que, aliás,
são mencionadas no Apocalipse.

Temos, então, a destacar uma boa e uma má notícia. A má notícia é que tudo isso
ainda hoje acontece. Temos perseguição velada, a mídia, jornais, TV perseguem
terrivelmente os evangélicos, caricaturam-nos, inventam mentiras, os
evangélicos históricos são colocados na mesmo balaio de grupos arrivistas e
exploradores da fé popular.

A boa notícia é que temos uma fonte de fortalecimento no livro do Apocalipse,
que, a despeito dos seus dois mil anos, tem mensagem de extrema atualidade,
pois as perseguições (de outra forma, é verdade) e as heresias (com outras
roupas) estão aí. Tudo está bem destacado nesse que é o livro dos símbolos
divinos.

O Livro da Revelação

O que está relatado nos versos 1 a 8 do capítulo primeiro não é coisa pequena.
Pelo contrário, são lições de altíssima importância, e as principais são que

O Salvador é Quem traz a mensagem de revelação e,
Ele mesmo, Jesus, é o centro de toda a mensagem deste livro tão cheio do brilho
da glória divina.

Observe o modo como Aquele que faz a revelação, Jesus Cristo, é descrito. Note
as expressões que João usou para descrever o Revelador. É “a fiel
testemunha, o primogênito dos mortos e o príncipe dos reis da terra”. E
mais ainda: “Aquele que nos ama, e em seu sangue nos lavou dos nossos
pecados”. Estas expressões se encontram no verso 5.

O verso seguinte introduz outros belos conceitos como “e nos fez reino e
sacerdotes para o Seu Deus e Pai”. Jesus Cristo, por Sua vez, diz no verso
8, “Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, … aquele que é, que
era e que há de vir, o Todo-poderoso”. Alfa é a primeira letra do alfabeto
grego, Ômega é a sua última letra. É como disséssemos “Eu sou o A e o
Z”. Por isso, Jesus repetiu o conceito para ficar bem explícito: “(eu
sou) o princípio e o fim”. Realmente, nossa fé está em Jesus como esclarece
a Carta aos Hebreus, “Olhando firmemente para Jesus, autor e consumador da
nossa fé” (12.1). Tudo começa e tudo termina com Jesus Cristo!

Que sugestivas descrições do nosso Mestre… Não nos cansamos de cantar a
fidelidade de Deus e de Jesus Cristo; não podemos parar de falar de Sua
ressurreição dentre os mortos, e exaltamos Seu senhorio sobre todas as coisas.
Seu amor é eterno, Sua salvação, perfeita nada deixando por fazer, e, por fim,
nos escolheu nEle mesmo para sermos intercessores.

Sim; este é o nosso Salvador, Mestre e Senhor de nossas vidas! É o Autor e
Consumador de nossa fé, a Quem esperamos na Sua majestosa e gloriosa Parusia,
Sua Segunda Vinda!

Falando de Visões (Ap 1.9-20)

l Este é um trecho do primeiro capítulo do Apocalipse pleno de cores e rico de
ensinamentos. Descreve a perturbação que dominou o apóstolo João ao ver o
Cristo glorificado, e apresenta-nos a Pessoa de Jesus numa glória tão
extraordinária que palavras humanas são pequenas demais para qualificá-la. Por
esse motivo, João utilizou expressões como “voz como de trombeta”,
“olhos como chama de fogo”, “voz como a de muitas águas”,
“rosto como o sol”, etc., porque não tinha como descrever a grandeza
e a majestade do que via.

Esse fato, levou o escritor a se utilizar de figuras estranhas e diferentes por
lhe faltar conceitos mais lógicos, mais claros e, até, mais humanos. Não se
esqueça, porém, que estamos num ambiente de códigos, sinais e criptografia
(linguagem cifrada) que a Igreja daqueles dias podia entender com clareza.

Essa questão de linguagem cifrada é interessante. Na Segunda Guerra, o exército
norte-americano estava tendo seus códigos decifrados pelos alemães. Ficaram os
aliados muito prejudicados porque mensagens, ordens, movimento de tropas
estavam sendo decodificados pelos adversários. Resolveram o problema utilizando
soldados que eram nativos americanos, índios, portanto, que transmitiam as
mensagens em sua língua tribal para um receptor que estava em outra área de
combate, que retraduzia para o inglês e a entregava ao comandante. Não havia
como os alemães entenderem o que era transmitido.

A criptografia é uma verdadeira ciência em nossos dias. Os bancos utilizam
linguagem criptográfica, transações envolvendo milhões de dólares fazem uso da
criptografia.

(Continua)

parte VIII
SINAIS DOS
TEMPOS FINDOS
Autor(a): PR.
AIRTON EVANGELISTA DA COSTA
E-Mail:
aicosta@secrel.com.br – www.palavradaverdade.com
As dores de
parto estão se amiudando, ficando mais intensas, mais fortes, mais
preocupantes. A violência explode em todo o mundo. Violência no trânsito;
violência sexual; violência contra a vida; contra a mulher; contra crianças.
Para completar o quadro, a violência dos abortos provocados: 238.874 curetagens
pós-parto foram realizadas no Brasil, em 1997, 22% em jovens de 10 a 19 anos.
Milhões de homens, mulheres e crianças obrigados a um exílio forçado pelas
circunstâncias, em várias partes do mundo. Tribos em guerra fratricida.
Milhares fugindo de ditaduras, de perseguições. Fugindo dos próprios
compatriotas, da terra natal, de suas origens. Fugindo sem destino certo, sem
rumo. Nas maiores cidades do Brasil as autoridades se declaram incompetentes
diante das atrocidades de gangues.

“Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá
fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares. Mas todas essas coisas SÃO O
PRINCÏPIO DAS DORES… muitos serão escandalizados, e trair-se-ão uns aos
outros, e uns aos outros se aborrecerão. E por se multiplicar a iniquidade o
amor a muitos esfriará… olhai, não vos assustei, porque é mister que isso
tudo aconteça, mas ainda não é o fim” (Mateus 24.1-14). Terremotos e
furacões se sucedem, cada vez mais fortes. Água potável, indispensável à vida
humana, escasseia em várias partes do mundo, como é exemplo o nordeste
brasileiro. A UNESCO declarou que a “próxima guerra mundial será
deflagrada pela disputa de água potável”.

As estatísticas da fome mundial é assustadora. Trezentos milhões de miseráveis
na Índia. A malária nunca foi erradicada do planeta e continua matando milhões.
Câncer e AIDS, outro tanto. O sexo entre não casados tornou-se uma prática
normal em nossa sociedade depravada, não apenas no Brasil. É o aumento da
iniquidade, da depravação e do desrespeito à Palavra de Deus. O produto disso
são divórcios que geram famílias desestruturadas e filhos sem esperança. O
adultério, a traição entre cônjuges, são uma rotina em nosso meio. “Nenhum
fornicador, ou impuro… tem herança no Reino de Cristo e de Deus”(Efésios
5.5). “Não adulterarás”(Êxodo 20.14).

As drogas estão ceifando vidas jovens, alcançam adolescentes e penetram nas
escolas: em 45% das escolas públicas do Brasil há tráfico de drogas. Pesquisa
realizada pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas do Rio (Nepad) concluiu que 27 mil
estudantes de escolas públicas do Rio usam drogas com freqüência. “Não
sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus? Não erreis: nem
impuros… nem bêbados herdarão o reino de Deus” (1 Coríntios 6.9-10).

Satélites da Nasa detectaram que o buraco na camada de ozônio sobre a Antártica
se estende agora por 27 milhões de quilômetros quadrados, cinco por cento maior
que o tamanho máximo alcançado em 1996. “A temperatura global poderá
aumentar cerca de 3,5 graus centígrados até o ano 2.100, a maior mudança
climática em dez mil anos”, concluiu a Quarta Reunião da Convenção das
Nações Unidas sobre Mudança Climática. A verdade é que em muitas partes do
mundo o calor está aumentando. Enormes blocos de gelo se deslocam das regiões
polares. Reflitamos:

“E os homens foram abrasados com grandes calores… e não se
arrependeram” (Apocalipse 16.9; Malaquias 4.1).

Não é por menos que as queimadas em várias partes da Terra estão devorando as
matas. Dez por cento da floresta amazônica – o pulmão do mundo – foram
devastados nos últimos 50 anos, em decorrência da ação predatória do homem. É
bom que façamos uma reflexão para o que o Apóstolo Paulo disse:

“Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com DORES DE
PARTO até agora. E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do
Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção
do nosso corpo”(Romanos 8.22-23).

Os homens estão cada vez mais ansiosos e deprimidos, ora porque não conseguem
superar as dificuldades economico-financeiras, ora porque não conseguem
acompanhar o ritmo do progresso, ora porque se sentem excluídos da sociedade
organizada e elitizada. O século XXI será das doenças do cérebro, como
resultado do esforço do homem para acompanhar a rápida evolução social. Esta a
declaração do diretor de Saúde mental da Organização Mundial da Saúde (OMS),
Dr. Jorge Alberto Costa e Silva. Vinte e cinco por cento da população mundial
sofrem de ansiedade. Reflitamos:

“Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes, as vossas petições sejam em
tudo conhecidas diante de Deus, pela oração e súplicas, com ação de graças. E a
paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os
vossos sentimentos em Cristo Jesus”(Filipenses 4.6).

A ansiedade e oconseqüente medo do povo brasileiro, por exemplo, produzem uma
corrida alucinada aos jogos de azar. Ali, no jogo, depositam suas esperanças
jovens, velhos e até crianças. E o Brasil que até há pouco tempo colocava
barreiras à instalação de cassinos, tornou-se num grande cassino ao permitir
toda sorte de jogatina. “Os que querem ficar ricos caem em tentação e em
laço, em muitas concupiscências loucas e nocivas, as quais submergem os homens
na ruína e perdição” (1 Timóteo 6.9).

A par de todos esses desvios, em que os valores éticos, morais e cristãos são
desprezados, a prática do espiritismo e do satanismo cresce a olhos vistos. Os
búzios, os tarôs, os baralhos ciganos; numerologia, mapa astral,
cristalomancia, e outras práticas esotéricas de adivinhação e feitiçaria são
procuradas por milhões de desesperançados brasileiros – ovelhas sem pastor –
como náufragos à procura de uma tábua de salvação. Confiam mais na palavra do
pai-de-santo, do Dr. Fritz; mais na palavra dos demônios (orixás, caboclos,
espíritos guias) do que na Palavra de Deus. Para reflexão:

“Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão
alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios
(1 Timóteo 4.1).
“Quando vos disserem: consultai os que têm espíritos familiares e os
adivinhos, que chilreiam e murmuram entre dentes; não recorrerá um povo ao seu
Deus? A FAVOR DOS VIVOS INTERROGAR-SE-ÃO OS MORTOS?” (Isaías 8.19)
“Não vos voltareis para MÉDIUNS, nem para FEITICEIROS, a fim de vos
contaminardes com eles. Eu sou o Senhor vosso Deus”(Levíticos 19.31).
“Não haja no teu meio quem faça passar pelo fogo o filho ou a filha, nem
ADIVINHADOR, nem prognosticador, nem agoureiro, nem FEITICEIRO, nem encantador,
nem NECROMANTE ,nem mágico, nem QUEM CONSULTE OS MORTOS. O Senhor abomina todo
aquele que faz essas coisas” (Deuteronômio 18.9-12).
“Mas quanto aos feiticeiros…a sua parte será no lago que arde com fogo e
enxofre, que é a segunda morte” (Apocalipse 21.8).
Desnecessário continuarmos expondo as feridas da humanidade. Muitos reconhecem
que a situação não é nada boa. O sistema mundial, quer seja gerido ou conduzido
pelo Comunismo ou pelo Capitalismo, por governos democráticos ou ditatoriais,
faliu. O fosso entre ricos e pobres aumenta. Os dois bilhões de miseráveis
deste planeta são o retrato falado da incompetência, da prepotência, do desamor
e da depravação do homem. Porém, Deus não está de braços cruzados. Assim como
nos tempos de Noé e de Ló, Ele sabe o dia e a hora e até os segundos em que o
seu grande dia – o Dia do Senhor – terá início. Nos dias de Noé, Deus vendo que
“a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação
dos pensamentos de seu coração era só má continuamente”, e que “a
terra estava cheia de violência”, exterminou todos os seres viventes
através do dilúvio. Pela mesma razão as cidades de Sodoma e Gomorra foram
destruídas com seus habitantes, por se multiplicarem a violência, a imoralidade
e a injustiça.

Em nossos dias, a promiscuidade sexual e a maldade dos homens alcançaram níveis
insuportáveis. O sistema mundial está falido, e não podia ser de outra maneira
porque “o mundo jaz no maligno”(1 João 5.19). Satanás é o deus deste
mundo, e na sua ação devastadora ele deseja “matar, roubar e
destruir”. Satanás é o maior inimigo do homem porque o homem é a obra-prima
de Deus. Quando os homens se rebelam contra Deus, ficam automaticamente sob o
domínio do Maligno e, nessa condição, os desejos carnais predominam:
prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias,
iras, pelejas, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias (Gálatas
5.19-21).

Os que amam as coisas deste mundo, ou seja, os que fazem parte do processo
mundano; os que estão se sentindo muito bem na prática do adultério, das
drogas, da mentira, da idolatria, da consulta aos mortos, esses não estão vendo
nada de anormal à sua volta. A razão é porque estão cegos: “Se ainda o
nosso evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto. Nos quais
o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos para que não lhes
resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de
Deus” (2 Coríntios 4.4) . Quem está morto não sente o peso do pecado,
porque defunto não sente dor. Quem nasce e vive em trevas não sente muita
necessidade de luz. Quem está atolado em excremento até o pescoço não sente a
fedentina ao seu redor. Mas quem está fora do processo, como gotinhas
reluzentes de óleo pairando sobre águas turvas, enxerga, sente e geme diante da
situação caótica do mundo. Os gemidos dos filhos de Deus são no sentido de
apressar a vinda do Senhor Jesus, pela pregação do Evangelho. “E ESTE
EVANGELHO DO REINO SERÁ PREGADO EM TODO O MUNDO, EM TESTEMUNHO A TODAS AS
GENTES, E ENTÃO VIRÁ O FIM” (Mateus 24.14).

A Bíblia nos diz que Cristo voltará, mas ninguém sabe em que dia e hora Ele
voltará. O próprio Jesus declarou que o fim viria somente depois que todos os
povos tomassem conhecimento da Verdade evangélica. A meu ver, isso não elide a
possibilidade de estarmos no “princípio das dores”.

Parte XIX
666 – Você
tem medo do diabo?


Esta data,
6/6/2006, está mexendo com a cabeça de muita gente. Já lançaram até um louvor
violento para combater as forças do mal. Há um alvoroço no ar. Os espirituais
estão em alerta máximo. Algo fantástico poderá acontecer neste dia em que o
número da besta – “666” – está bem definido. Forças malignas poderão fechar
igrejas, matar crentes, derrubar ministros.

O título desta matéria poderia ser “você tem medo de gato preto?”. Tem medo de
sexta-feira, dia 13?

Deixamos para trás as superstições do Egito, adentramos no reino da Luz e temos
autoridade sobre o diabo e seus anjos. É ele, o diabo, que tem de fugir de nós.
É ele que se treme espavorido ao ouvir o poderoso e insuperável nome do Senhor
Jesus: “Sujeitai-vos, pois a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tg
4.7). Não invertamos os valores. Não coloquemos os carros na frente dos bois.
Se o diabo tivesse poder para acabar com a raça de crentes, já teria feito de
há muito. Já teria acabado com a Igreja. Os satanistas não trabalham apenas em
dias determinados. Todos os dias, dia e noite, estão tramando um meio de
impedir o avanço da Igreja. Deixemos que façam suas macumbas e tramóias, seus
feitiços e despachos. Nada, nada mesmo poderá atingir os nascidos de Deus, que
não vivem no pecado (1 Jo 5.18).

Pelo que tenho lido, parece que muita gente está com medo de um ataque infernal
neste dia seis de junho. O que aconteceu de fantástico no mundo espiritual no
dia seis de junho de 66, ou no ano 666 antes e depois de Cristo? Nada. O diabo
e seus demônios já estão derrotados. Há um inferno novinho preparado para eles
(Mt 25.41). Sabemos que o Maligno age de formas sutil e ardilosa, mas estamos
gastando muita munição e fazendo muito alarido com pouca coisa.

Conta-se que certo homem de Deus foi informado que uma pessoa estava na sala de
sua casa e queria falar-lhe. Ao chegar à sala, verificou que era o diabo. Então
lhe disse: – Ah, é você? Pensei que fosse outra pessoa. Depois, retornou
tranqüilamente aos seus aposentos, e foi dormir.

É vergonhoso o temor de alguns diante de uma simples conjectura em torno de uma
data. É vergonhoso ver a Igreja gloriosa tremendo diante de um supersticioso
seis de junho, como se o Senhor da Glória estivesse de braços cruzados,
impassível, assistindo aos desmandos das hostes malignas. Vivemos em permanente
batalha espiritual, não apenas nos dias, meses e anos terminados em seis. Você
está com a armadura de Deus? Se você estiver com sua vida no altar, firme na
Rocha, não tema. Você é mais do que vitorioso.

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