Apostila 33
Estudo
Teológico Sobre a Pregação o enriquecimento do Pregador dividido em V partes
com 53 paginas
A
PREGAÇÃO E O PREGADOR I

O fato e o ato
 “Conjuro-te,
pois, diante de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos,
na sua vinda e no seu reino; prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo,
admoesta, repreende, exorta, com toda a longanimidade e ensino. Porque virá
tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas tendo coceira nos ouvidos,
cercar-se-ão de mestres, segundo as suas próprias cobiças; e se recusarão a dar
ouvidos à verdade, voltando às fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em tudo, sofre as
aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre bem o teu ministério” (2
Timóteo 4.1-5).

Após haver exortado o jovem pastor Timóteo a ser firme e perseverante na
chamada que havia recebido; e após, igualmente, haver alertado sobre a
corrupção que reinaria nos dias finais; encorajado, ainda, a manter a doutrina,
Paulo estimula seu jovem pupilo a ser incansável na proclamação do evangelho.
Isso o apóstolo o fará dentro de um plano bem simples: fala acerca da pregação
(vv.1 e 2) e acerca do pregador (v.5). Entre esses dois fatos, utiliza ele o
elo de uma nova descrição dos erros teológicos, doutrinários e ideológicos ,
trazidos pelos profetas de um falso evangelho (vv.3 e 4). Diz o apóstolo:

“Conjuro-te, pois, diante de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os
vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino” (v.1).

Não é um novo apelo. O apóstolo já o havia feito com outras palavras em
ocasiões variadas desta mesma carta. Paulo chama a Deus Pai, e a Jesus Cristo
como testemunhas . É Jesus, o juiz de vivos e de mortos; é Jesus, o
conquistador que retorna; é Jesus, o Rei. E mencionando essas verdades, fala o
apóstolo de Sua epifania, de Seu juízo, da plenitude de Seu reino. É Jesus
nosso alvo de vida, para Quem Paulo encoraja Timóteo a olhar, como também para
o mundo do seu tempo, e para ele, Paulo, pastor mais experimentado, sofrido,
calejado nas lides ministeriais.1 (vv.6-8)

A PREGAÇÃO (vv.2-4)

O Quérigma: “Prega a Palavra” (v. 2 a)

O ministro do evangelho não tem o direito de escolher o que pregar. A ordem é
dada em voz de comando, porque o pregador há de ser como o porta-voz do seu
rei. Esse é o padrão: o mesmo para o mensageiro deste fim de século. É o da
pregação que nasce da consciência de ser um arauto do Rei dos reis, do que
anuncia, faz conhecido em voz, razão porque a pregação cristã é igualmente
chamada “proclamação” ou “anúncio”.
Prega-se a Jesus Cristo. Paulo o diz: “nós pregamos a Cristo
crucificado”; anuncia-se o evangelho; proclama-se o reino. Devemos pregar
a “Cristo crucificado”; anuncia-se o evangelho; proclama-se o reino.
Devemos pregar a fé, a esperança e o amor; devemos pregar o Calvário e o túmulo
vazio; devemos anunciar a reconciliação e a inauguração do reino do Senhor.
O pregador do evangelho não pode esquecer três relevantes e imprescindíveis
realidades: Jesus Cristo é o Senhor do universo, do cosmos; é o Senhor da
igreja, Seu corpo; e é seu Senhor, de sua vida, de sua esperança. Jesus Cristo
é o começo da proclamação, e o cumprimento desse abençoado anúncio e promessa
de salvação para todo o que crê.
Há, porém, espaço para essa pregação hoje? Radicais dizem que os pregadores
devem jogar fora as suas Bíblias. Igrejas existem que, ao invés de estudar as
Escrituras, preferem analisar nas suas “Escolas Bíblicas” (?!)
documentos de conteúdo político e teses outras! E já que o mundo de nossos dias
tem se tornado tão exigente, não seria melhor usar de formas outras para
apresentar a mensagem? Que tal o teatro? O balé? As artes plásticas? Por que
não o debate em torno de filmes, a leitura de uma peça? . É. São mil e uma as
propostas para uma “apresentação contemporânea do evangelho”, mas,
nada, nada mesmo substitui a pregação . Como bem colocou Emil Brunner:

“Onde há verdadeira pregação; onde, em obediência a fé, é proclamada a
palavra, ali, apesar de todas as aparências contra, é produzido o acontecimento
mais importante que pode ter lugar na terra”.

A pregação, em si, é o elemento central do culto. É um ato de adoraçào; é
oferta feita a Deus pelo pregador. Lutero chegou ao ponto de dizer ser o
próprio cerne do culto cristão, e que não haveria culto se não houvesse sermão.
É essa palavra dinâmica (Hb 4.12), a palavra de Deus, a palavra do evangelho,
que sempre é criativamente aplicada em diferentes níveis. Essa é a pregação da
esperança que a pregação de Jesus Cristo anunciou e vem anunciando até a
parousia do Senhor. O evangelho não só é sobre Jesus, mas É Ele mesmo. Os
primeiros pregadores declaravam

que a época do cumprimento das promessas, a plenitude dos tempos, havia
chegado;
que através da ressurreição, Jesus foi exaltado à destra de Deus;
que a presença do Espirito Santo na igreja é a evidência do poder e da glória
de Cristo;
que a era messiânica terá sua consumação na parousia.
Realmente a mensagem sobre o que o Senhor disse e fez pela salvação da pessoa
humana é a única sobre o único caminho de salvação que é Seu Filho: “Em
nenhum outro há salvação, pois também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado
entre os homens, pelo qual devamos ser salvos”.2 Para essa mensagem, a
Bíblia usa denominações variadas:

“o evangelho do reino de Deus” (“Depois disto andava Jesus de
cidade em cidade e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do
reino de Deus”3);
“a palavra de reconciliação” (“Deus estava em Cristo
reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens os seus pecados, e nos
confiou a palavra da reconciliação”,4);
“o evangelho de Cristo” (“Deveis portar-vos dignamente conforme
o evangelho de Cristo. Então, quer vá e vos veja, quer esteja ausente, ouça
acerca de vós que estais firmes em um mesmo espírito, combatendo juntamente com
o mesmo ânimo pela fé do evangelho”,5).
Sim, o pregador do evangelho está na linha de sucessão dos profetas que
anunciam esta extraordinária palavra que nunca volta vazia, razão porque não
pode mutilá-la ou modificá-la. Seu dever de obediência é comunicar a Palavra de
Deus que lhe foi confiada.
Há quem deseje um evangelho sem cruz, sem maiores compromissos, o evangelho da
facilidade e sem conflitos. É o evangelho do Cristo desfigurado. Diferente
daquele que o pregador cristão é convocado a anunciar, o do Cristo
crucificado6. O evangelho do Cristo desfigurado é o do “espetaculoso”
(mistura do “espetáculo”com “horroroso”), evangelho tão do
gosto dos evangelistas e missionários de porta de esquina, o do povo que pede
sinais, o da-concupiscência-dos olhos. O evangelho do sucesso, o da soberba da
vida, da vitória sem cruz, da coroa sem sofrimento, dos valores materiais, dos
atalhos . O pregador evangélico, no entanto, é o que anuncia a palavra da cruz
sem a qual não pode existir proclamação de boas novas,
“porque nós não somos falsificadores da palavra de Deus, como tantos
outros; mas é com sinceridade, é da parte de Deus e na presença do próprio Deus
que, em Cristo, falamos” 7.

A Didaquê

1. “insta a tempo e fora de tempo” (v. 2 b)
A pregação da mensagem de Jesus Cristo não depende de circunstâncias. Haja ou
não perseguição, percam-se ou não vantagens pessoais, nada deve influenciar
nosso ministério. Paulo o pontua: “Vós vos tornastes imitadores nossos e
do Senhor, acolhendo a palavra com a alagria do Espírito Santo, apesar das
numerosas tribulações”.8 A expressão básica da carta a Timóteo apresenta
um bem feito jogo de palavras: “fica de prontidão em tempo oportuno
(eukairos) e, em sendo o caso, também em tempo inoportuno (akairos)”. Seja
ou não em situações favoráveis. Kairos, ensinam os léxicos, é o tempo
oportunidade, o tempo de Deus. Atender a essa hora signifivativa é abraçar a
salvação; rejeitá-la é ruina. O pregador não pode perder a visão da urgência.
John Stott enfatizou muito bem ao pronunciar “O sermão deve dar descanso
após incomodar”.

2. “admoesta”
Há um crescendo nas palavras: insta, admoesta, repreende, exorta. Até podemos
falar em níveis de pregação. O apóstolo fala em admoestação, uma abordagem
intelectual usando-se a argumentação. Jesus Cristo ordenou que ensinássemos os
crentes “a guardar todas as coisas” que Ele havia mandado. A
proclamação admoestadora é a confrontação da pessoa com a realidade dinâmica da
palavra anunciada; é a pregação da esperança. Deve levar a confissão do pecado
ou a sua convicção porque proclamar o evangelho , instar em tempo oportuno, é
confrontar. Hoje quando o antinatural é vendido como natural, e o pecado parece
ter desaparecido, a Igreja de Jesus Cristo deve conduzir à salvação dos
perdidos e a santificação dos salvos. É a didaquê.

3. “repreende”
A repreensão tem pontuação moral. Jesus Cristo deixou-nos o mandamento sobre
promover a reconciliação de vidas, o perdão no aconselhamento com vistas ao
arrependimento. Dr. Wayne Oates, professor de Psicologia Pastoral do The
Southern Baptist Theological Seminary (em Louisville, EUA) ensina que como
homem de Deus, como representante divino, o pastor se torna uma consciência
visível. E essa é a razão porque pode admoestar, repreender e exortar com
sabedoria e compaixão. A repreensão movida pelo amor de Cristo Jesus e pelo
calor do Espírito dá ao pregador autoridade da qual o seu rebanho precisa.

4. “exorta”
É encorajamento, é conforto. O ministério da paráclese tinha lugar destacado na
Igreja apostólica. Era uma missão especial dos profetas. É encorajamento à vida
justa, perfeita, à ética. As cartas paulinas trazem com muita freqüência
passagens de exortação.

O Modo De Fazer ( v. 2c )
“Com loganimidade e ensino”, diz Paulo. Com paciência, com
perseverança , sem cansaço, sem irritação, apesar das tentações do aborrecimento
e da impaciência com certas ovelhas de cabeça dura e miolo mole.
O pregador há de ter boa doutrina, que é a base do ensino cristão.

O TEMPO E OS MITOS ( vv. 3,4 )

O tempo (v. 3)
Sem dúvida, estamos vivendo esses dias. É um momento em que a ortodoxia será
posta de lado por não ser suportada. São os “tempos penosos” do
capitulo 3, verso 1. O momento quando teorias maléficas são propagadas por
movimentos ideológicos, filosóficos, religiosos e místicos. E, porque há quem
se deixe levar (cf. “não suportarão a sã doutrina”, “grande
desejo de ouvir coisas agradáveis”, “desviarão os ouvidos da
verdade”, “voltar-se-ão às FÁBULAS”, vv.3,4), há, igualmente,
necessidade da admoestação, repreensão e exortação referidas no versiculo 2. É
nossa oportunidade missionária e pastoral, é o kairós, o momento marcado por
Deus, o chamado da hora. Afinal, a mensagem do evangelho é eugênica, hígida,
sadia.

“Para os devassos, os sodomitas, os roubadores de homens, os mentirosos,
os perjuros, e para tudo que for contrário à sã doutrina.” 9

e assim o pregador é exortado a reter “…firme a palavra fiel, que é
conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para exortar na sã doutrina
como para convencer os contradizen-
tes” 10, ou seja, o pregador não há de dar ao povo o que o povo aprecia
(que não caia nessa tentação!), mas o de que o povo precisa. Paulo lembra que
têm “grande desejo de ouvir coisas agradáveis” (no original, têm
“coceira nos ouvidos”, prurido, comichão), fome de novidades.11
A palavra mágica de nossa época parece ser liberdade. Realmente, qualquer causa
tem algo que com ela se relaciona. Fala-se em “Frente Nacional de
Libertação”, em “livre empresa”, “imprensa livre”,
“liberação feminina”, “amor livre”, “liberdade
sexual”, “liberação gay”. É; essa palavra é muito apreciada. A
Bíblia se pronuncia sobre o assunto: “Se, pois, o Filho vos libertar,
verdadeiramente sereis livres”.12 Jesus Cristo pôs a marca da liberdade no
seu ministério:

“O espírito do Senhor está sobre mim, porquanto me ungiu para anunciar
boas novas aos pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos, e
restauração de vista aos cegos, para por em liberdade os oprimidos, e para
proclamar o ano aceitável do Senhor”. 13

Sim! A mensagem cristã é um brado de “Independência ou Morte!”:
“Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do
pecado e da morte” .14Liberdade de uma situação para outra. Liberdade da
derrota moral, do desespero da morte, das tentativas de auto-salvação , do
julgamento final para crescer à estatura do ser humano perfeito, para servir ao
Senhor , e viver a vida do Espírito.
O ser humano, nosso alvo de pregação, tem seus problemas peculiares: a
secularização, a ideologia da tecnocracia, a busca desenfreada de lucro, o
ateísmo, o hedonismo, a sacralização dos fenômenos naturais, a deificação da
sua própria obra, a ansiedade, o sentimento de culpa, a revolução interior no
lugar do equilíbrio, da qual o gadareno15 é seu retrato. São tempos dificeis:
há um rápido aumento da parceria homossexual, dos casamentos abertos, e
(pasme-se!) a criação de Igrejas gays como a Metropolitan Community Church,
cisma da Igreja Metodista Unida dos EUA e espalhada pelos Estados Unidos e
Canadá. Karl Barth alerta com muita propriedade ao pregador de nossos dias que
tenha numa das mãos o jornal diário para ler o mundo e suas circunstâncias, e
na outra a palavra de Deus para falar profeticamente a esse mundo (cético),
irreligioso, ao tempo que sofrido e amargurado (e em desespero). De Erasmo:

“O ministro se acha no ápice de sua dignidade quando do púlpito alimenta o
rebanho do Senhor com sã doutrina”.

Os mitos ( v. 4 )
Paulo diz que “não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às
fabulas”. A propósito, Paulo encoraja outro jovem pastor a repreender com
severidade objetivando a saúde da fé, “não dando ouvidos a fábulas
judaicas, nam a mandamentos de homens que se desviam da verdade”.16
Afinal, a função do quérigma inclui uma luta contra os mitos, as
“fábulas” das traduções bíblicas. Isso é o que diz Harvey Cox.
Comblin, referindo-se aos mitos do homem contemporâneo, menciona o que chama
“mitos do passado”, os “sonhos da noite” de acordo com
Ernest Bloch, e os “mitos do futuro”, a projeção da vida presente no
futuro. Aliás, segundo alguns, o ser humano de nosso tempo teria feito uma
grande descoberta: que é possível viver sem Deus, dando como conseqüência que a
pessoa humana não tem necessidade de Deus para viver e trabalhar. Aí pessoas
com tal idéia na cabeça “…se desviaram, e se entregaram a discursos vãos”,
e “…já… se desviaram, indo após Satanás”. Por razões deste tipo,
necessário é que o pregador viva “não dando ouvidos a fabulas judaicas,
nem a mandamentos de homens que se desviam da verdade” .17

Verdade Viva

Senhor, faze-nos compreender
que uma verdade é muito mais viva
quando ela se move,
quando ela evolui
e traz novos frutos
em cada estação.

Quando muda diante de nossos olhos
com a hora do dia,
com a idade do homem,
com o passo dos séculos,
mas permanece, em substância,
para todos: séculos e homens,
sempre iluminadora,
sempre vivificadora,
alimentando-nos a cada dia
e levando-nos à nossa perfeição!
Senhor, dá-nos a inteligência!

Parte II

1 Vv. 6-8.
2 At 4.12.
3 Lc 8.1
4 2Co 5.19.
5 Fp 1.27.
6 1Co 1.18-24.
7 2Co 2.17.
8 1Ts 1.6 BJ.
9 1Tm 1.10.
10 Tt 1.9; cf. v.2; 2.8.
11 Cf. At 17.21.
12 Jo 8.36.
13 Lc 4.18,19.
14 Rm 8.2.
15 Mc 5.1-20.
16 Tt 1.14.
17 1Tm 1.6; 5.15; Tt 1.14.

Parte
II
 PREGAÇÃO E O PREGADOR II
O fato e o ato
 “Conjuro-te,
pois, diante de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos,
na sua vinda e no seu reino; prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo,
admoesta, repreende, exorta, com toda a longanimidade e ensino. Porque virá
tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas tendo coceira nos ouvidos,
cercar-se-ão de mestres, segundo as suas próprias cobiças; e se recusarão a dar
ouvidos à verdade, voltando às fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em tudo, sofre as
aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre bem o teu ministério” (2
Timóteo 4.1-5).

A primeira parte deste estudo teve como tema central A PREGAÇÃO como missão
cristã, como proclamação e ensino autorizado das doutrinas, princípios e leis
espirituais deixados por Jesus Cristo. Nesta segunda parte, será analisada a
figura do Proclamador, do mensageiro da mensagem do evangelho.

O PREGADOR (v. 5a)

“Tu, porém, sê sóbrio em tudo” (v. 5 a)

O preparo da mensagem começa com o preparo do mensageiro, lembrando que sua
força vital é a mencionada em Mateus 10.20:

“…não sois vós que falais, mas o Espírito de vosso Pai é que fala em
vós”.

Não é fácil ser pastor. Humanamente falando, é uma tarefa complexa pelo fato
que lida com missões tão amplas e, por vezes, tão divergentes. É preciso
dependência de Deus, e de Sua graça e de Sua energia espiritual.1 Para ser ministro
da palavra é preciso

salvação pessoal, chamada divina porque se for de homens, o pastor não resiste,

fidelidade à palavra de Deus, convicção de que fora de Jesus Cristo não há
salvação,
convicção da existência do diabo (o candidato a pastor no concílio de exame
disse não crer no diabo. Suspensão do concílio, e um pastor idoso disse aos
colegas, “não se preocupem; basta um mês no pastorado e ele vai se
convencer) , e
dedicação ao Espírito Santo.
Bushell afirmou com muita propriedade:

“A pregação não é outra coisa senão a explosão de uma vida que
primeiramente se abasteceu de poder nas regiões onde o próprio Deus está entre
os alicerces da alma”2

A primazia é que o pregador ame o Senhor3, por isso Paulo pode dizer,

“O Senhor esteve ao meu lado e me fortaleceu, para que por mim fosse
cumprida a pregação…” 4

É isso que lhe dará integridade, da parte de Deus o shalom, palavra que quer
dizer, inteireza, plenitude, totalidade, paz, saúde, salvação.

Do pregador é esperado que seja um “homem de Deus”5 e um
“embaixador de Cristo”6. Há um poder, um peso simbólico no
pastor/pregador, como disse Dr. Oates, que tem sido hoje altamente contestado,
até porque há os defraudadores de evangelho7. Espera-se, ainda, que seja a
encarnação da mensagem em conduta e estilo de vida. Que não haja contradição
entre fatos e palavras, a “Síndrome de Apocalipse”8: aparência de
cordeiro e voz de dragão.

O pregador há de ser sóbrio, sensível, vigilante, com mente sadia,
auto-controlado, palavras, alíás, que se referem ao relacionamento das crenças
e da estabilidade emocional do candidato ao ministério. Calvino deixou claro
que “o ministro não pode ser escravo do seu estômago e da sua
carteira”.

“Sofre as aflições” (v. 5b)
E nem se pode fugir porque aquele que é chamado ao sofrimento pelo amor de
Jesus Cristo padecerá perseguições”.9 E também,

“Eu de muita boa vontade gastarei, e me deixarei gastar pelas vossas
almas”.10

Nossa geração está preocupada em evitar a dor . Há todo um imenso capítulo
sobre o uso de analgésicos e anestésicos. Para alívio da dor, desde a popular
aspirina até a codeína, para a insensibilidade total ou parcial do corpo o
éter, o clorofórmio, a benzocaína. Já o cristão entende haver um momento para o
sofrimento:

“se filho (é o salvo) também herdeiro, herdeiros de Deus e co-herdeiros de
Cristo; se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos
glorificados” .11

Existe base bíblica para uma teologia do sofrimento. Romanos 5.3 menciona uma
glória nas tribulações, e essa glória decorre do fato de as aflições são vistas
como a experiência do dia a dia do cristão. É um sinal de que Deus considerava
os que as suportavam como dignos do Seu reino.12

Não há glória sem sofrimento, isso, porém, nào quer dizer qualquer dor, mas,
sim, o sofrimento com Cristo, não é uma enxaqueca, uma mialgia ou mesmo um
malígno câncer. Não é morbidez ou masoquismo do cristão. Assim, devemos sofrer
com Cristo. Como foi, então, o Seu sofrimento? Que ou quem O fez sofrer? Foram
pessoas , suas necessidades, tragédias, dores, resistência, má vontade e
abandono. Jesus Cristo sofria com as pessoas. Chorou quando elas choraram.13
Sofreu por elas.14 Do mesmo modo, o pregador da Palavra há de sofrer com e pela
igreja que lhe foi confiada, e pelo seu apostolado no mundo:

“Agora me regozijai no meio dos meus sofrimentos por vós, e cumpro na
minha carne o que resta das aflições de Cristo por amor do seu corpo, que é a
igreja” .15

O ministro da palavra deve sofrer as aflições por causa da verdade, visto que a
pregação do evangelho sempre demanda exaustào e perseguição, e envolve a
participação nos sofrimentos do Salvador, como tão bem coloca o apóstolo:

“Agora me regozijo no meio dos meus sofrimentos por vós, e cumpro na minha
carne o que resta das aflições de Cristo, por amor de seu corpo, que é a
igreja; da qual eu fui constituído ministro segundo a dispensação de Deus, que
me foi concedida para convosco, a fim de cumprir a palavra de Deus”.16

O pregador da palavra divina convive com qualidades variadas de problemas:
solidão, tensões familiares, dificuldades da obra, onde o pior é que, em muitos
casos, o conflito se desenvolve dentro do seio do povo de Deus (decepções,
deslealdade, críticas ferinas, incompreensão, indiferença) George Whitefield
até exclamou: “Não estou cansado da obra de Deus, mas, sim, na obra de
Deus”. É verdade , o cansaço pode trazer experiências divergentes: o
estresse espiritual (algo seriísimo!) ou maior maturidade17. Que não se caia no
pecado da reclamação contra o povo do Senhor, na “Síndrome de Moisés”,
o qual exclamava,

“Concebi eu porventura todo este povo? dei-o à luz, para que me dissesses:
Leva-o ao teu colo…” ;18

nem no pecado da “síndrome de Elias” que à ameaça do perigo fugia e
não confiava19. Paulo, ao contrário dos seus colegas de vocação, escreve um
verdadeiro “Hino ao Apostolado” onde se humilha e posiciona diante do
Deus Soberano que chama, habilita e protege.20 O ministro da palavra há de ser
veludo por fora e aço por dentro em todas as circunstâncias, cordato e afetuoso
não se deixando oxidar nem quebrar. Ou como afirma o apóstolo,

“ao servo do Senhor não convém contender, mas sim ser brando para com
todos, apto para ensinar, paciente; corrigindo com mansidão os que resistem, na
esperança de que Deus lhes conceda o arrependimento para conhecerem plenamente
a verdade”.21

“Se Por Acaso…”

Se por acaso perdeste a motivação do trabalho,
E os deveres te pesam;
Se perdeste uma série de amigos,
E a solidão te castiga;
Se por acaso perdeste o último raio de luz,
E andas no escuro;
Se teus objetivos parecem cada vez mais distantes,
E o ânimo de prosseguir desfalece;

Se alimentas as melhores intenções,
E, assim mesmo, te criticam;
Se teus pés feridos ostentam a marca
Das jornadas infinitas em busca de soluções
Que o tempo ainda não trouxe;
Se tuas mãos se alongam trêmulas na ânsia
De segurar outra mão que não podes reter
Porque não é tua;

Se teus ombros se alargam, e a cruz
Ainda não cabe. porque é ardua demais;
Se ergues os olhos, e o céu não responde
Às suplicas que fizeste;
Se amas o chão firme, e tens a impressão
De afundar no pântano da insegurança;
Se queres mar alto, e areias seguram
o navio dos teus sonhos;

Se falas, se gritas até,
e o vazio não devolve o eco à sua voz;
se gostarias de ser inteiro, total,
e te sentes parcelado, repartido, fragmentado,
um trapo de gente, talvez;

Se os nervos afloram,
e beiras os limiares do abismo da estafa;
Se a fé parece conversa fiada,
e nada do eterno te traz ressonância;
Se choraste tanto que já não descobres
as estrelas no alto.

Então, levanta o olhar para a cruz,
fixando Cristo bem nos olhos.
No lenho do Calvário, encontram-se
todas as respostas para aqueles que sofrem
e perdem a vontade de sorrir, de lutar, de viver.

Ajoelha-te aos pés de Cristo Ressuscitado,
como Tomé, o apóstolo incrédulo, e repete com ele:
“Meu Senhor e meu Deus!”

“Faze a obra de um evangelista” (V. 5c)

A palavra “evangelista” só três vezes aparece no Novo Testamento.22
Qual a obra do evangelista? Quem eram eles? Não precisamos nos cansar para
verificar que a resposta imediata é que os apóstolos são evangelistas e tinham
como qualificação especial estar com o Mestre e pregar.23 Após a ressureição, a
principal preocupação deles tornou-se a pregação, e de tal modo que outros
homens foram selecionados para cuidarem de outros assuntos relevantes porém
mais terra-a-terra.24
Extraordinários homens esses evangelistas! Paulo aponta Jesus Cristo como tema
único do seu ministério apostólico/evangelístico,25 a pregação da esperança, da
alegria, da perseverança, o entusiamo que era passado aos ouvintes. O
evangelista é, deste modo, um portador de boas notícias, não um agoureiro ou
profeta da desgraça, mas um otimista, um apocalíptico no real sentido da
palavra.

A única munição que o evangelista leva consigo é a autoridade de Cristo, que
através do Seu Espirito concede esse dom especial da sua graça.26 O Novo
Testamento oferece modelos da pregação evangelística: é o testemunho, quando o
crente em Jesus Cristo não só conta a história, mas a sua parte naquela
história;27 a proclamação, que é, como já visto, fazer o papel de
porta-voz,28quando sempre se aguarda uma resposta;29 o ensino, pois que na
prática não se deve dissociar a evangelização do ensino: o evangelista deve
saber ensinar, e o mestre, evangelizar.30 Jerônimo até disse que “ninguém
, deve se arrogar o título de pastor se não puder ensinar os que
apascenta”.31

Evangelização sem o “ensinar a guardar” resulta em crentes
superficiais e nanicos. Ensino sem a pregação do arrependimento é ancilose. Não
era o que acontecia na Igreja-dos-Primeiros-Dias conforme o declaram Atos 5.42
e 20.20. Perfeito exemplo de integração de ensino e pregação evangelistica se
encontra em Atos 8.26-38, terminamos o texto por dizer qie Filipe o evangelizou
e ouviu a pergunta que todo evangelista pede em oração para ouvir com maior
freqüência, “que impede que eu seja batizado?” (v. 36b). Outro modelo
é o convite no teor do Salmo 34.8, “provai, e vede que o Senhor é
bom”;32; a vida, posto que temos um ministério espetacular como o ensino
de Paulo em 2Coríntios 3.18. Sim, mesmo a nossa luz33 é de menor grandeza
refletindo a grandeza de primeira da luz do Senhor.34 É o desafio de viver como
cristão de que fala o apóstolo em Romanos 12.1,2.

“cumpre bem o teu ministério” (v.5b )

O que há de ser feito com sinceridade e dependência do Espírito Santo com a
dignidade da chamada que recebeu. Dennis Kinlaw salienta que o aspecto mais
importante na pregação não é o preparo da mensagem, mas o do mensageiro. Isso
significa que nossa prioridade máxima é ter momentos de comunhão com Jesus
Cristo, pois chamou Jesus aos apóstolos “para que estivessem com ele”
.35 E aos chamados levitas não foi designado, entre outros encargos “estar
diante do Senhor servindo-o” ?36
Os ministros da Nova Aliança, como os profetas do Antigo Testamento, agem
cheios do Espírito do Senhor, e Lucas insiste nisso: com respeito aos Doze, , a
Pedro, aos Sete, a Estevão, a Filipe, a Saulo, a Barnabé e Paulo. 37

A comunhão de Jesus Cristo e Seu Espírito capacitará o ministro da palavra a
ver as pessoas e os fatos como Cristo os vê . Sim, as previsões divinas são
inesgotáveis,

“Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada
podeis fazeis” .38

Isso explica João 14.23-26; 15.26,27; 16.7-13.

O ministro da palavra vive rodeado de perigos e tentações , razão porque
necessita ser energizado pelo poder do Alto. Afinal, não é um mero
profissional, nem um mero conselheiro, não é um mero orador. É , sim , um
ministro da Nova Aliança, da Palavra e das ordenanças.39

A palavra “ministro”tem uma origem interessante. Era o perfeito
contrário de “magistrado” e de “mestre” para os antigos
romanos. Magister era o encarregado de administrar a justiça porque havia nele
algo mais que os outros, os quais não tinham esse magis, essa competêncai além.
Por sua vez , minister era o que tinha um minus, algo menos que os outros
porque a serviço dos outros, das autoridades e dos senhores. É mesmo. O pastor
é um paradoxo: é mestre porém ministro; possui um magis, o ser pastor-mestre,40
e um minus, seu ministério, ou como coloca Paulo “sou o menor…” 41

Precisamos de lábios ungidos pela brasa do altar, tanto quanto nossos ouvidos,
mãos , pés e olhos.42 Nossa vida interior vai se refletir no púlpito. É nesse
ponto que vale a pena citar Lutero o qual dizia que três coisas fazem o pastor:
a oração, a meditação e a tentação, visto que as três lhe abrem a consciência
para compreeder as grandes , magníficas, abençoadas verdades espirituais.43

Para bem cumprir seu apostolado, o ministro evangélico precisa estudar. Ele que
já conhece o poder transformador de Deus, precisa estudar para bem manejar a
Escritura. Jesus Cristo o ressaltou,

“Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus” 44

O pregador é intérprete da Bíblia, razão porque há de ser homem de estudo, de
oração e profundamente inserido no tempo. Há de ter preparo teológico através
das ciências bíblicas e teológicas, versado na Teologia Bíblica, na Teologia
Sistemática, na Hermenêutica; homem de conhecimentos gerais, leitor de
publicações especializadas, dos jornais diários, das revistas de comentário, da
história. Há de ter preparo, e permanecer se preparando: é um homem sempre em
formação, estudante perene da Bíblia, pesquisador de bons e variados
comentários, estudante da teologia e profundo na doutrina.

O pregador da Palavra de Deus há de se alimentar constantemente da meditação
das Escrituras, como na ordem a Ezequiel : “Filho do homem…come este
rolo, e vai fala à casa de Israel,”45 ou na experiência de Jeremias:
“Acharam-se as tuas palavras eram para mim o gozo e alegria do meu
coração” 46

É uma contradição (seria melhor dizer aberração?) a pregação não-teológica.
Seria o mesmo que falar em mecanismo não-mecânico, ou medicina não-médica,
motivo pelo qual não é possível desvincular o preparo teológico de um
ministério bem cumprido.

O apóstolo Paulo faz a Timóteo alguns apelos de cunho pessoal. Diz por exemplo:

“…(que) pelejes a boa peleja, conservando a fé, e uma boa
cosciência.”. 47

“Exercita-te a ti mesmo na piedade” .48

“Aplica-te à leitura, à exortação, e ao ensino..”49

“Conjuro-te… que sem prevenção guardes estas coisas, nada fazendo com
parcialidade” .50

“Segue a justiça, a piedade, a fé , o amor , a constância, a
mansidão” .51

“… guarda o depósito que te foi confiado, evitando as conversas vãs e
profanas e as oposições da falsamente chamada ciência” .52

“Conserva o modelo das sãs palavras…” 53

“Procura apresentar-te diante de Deus aprovado, como obreiro de que não
tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” ,54

e outros tantos, e tantos outros de atualíssima aplicação na vida do obreiro do
século atual.

De onde vem a força do pastor? Com atribuições tão variadas , e por vinte e
quatro horas à disposição do seu rebanho, as suas forças espirituais,
emocionais e físicas provém de, pelo menos, duas fontes:

Deus (“Posso todas as coisas naquele que me fortalece” 55) Aquele que
chamou também o sustenta. Na experiência de chamada de algumas das personagens
bíblicas, há um senso de inadequação, de estar aquém da vocação. Não foi assim
com Amós?56 Com Jeremias?57 Com Ezequiel?58 Mas pelo poder do Senhor, a voz
interior continua a falar: o desejo forte, continuado de fazer do ministério a
ocupação suprema da vida:

“Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, porque me é imposta
essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho!” 59

Outra fonte é a sua igreja, por causa de duas importantes razões:

o conceito do Sacerdócio dos Crentes porque, precisando o pastor das orações do
seu rebanho, espera que ele tome parte ativa na intercessão pelo seu
ministério. Como o apóstolo aos gentios rogou: “Irmãos, orai por nós”
.60
O outro conceito é o de Igreja Ministrante, a dimensão pastoral da igreja como
um todo. O ministro dá e recebe forças: pastoreia e é pastoreado. Bendito
feedback.!…
Se para o ministro jovem a palavra encorajadora é “ninguém despreze a tua
mocidade…” ,61 para o pastor já experimentado nas lides do apostolado
persiste a alegria de dizer com Paulo , “combati o bom combate, acabei a
carreira e guardei a fé” .62

Utiliza-nos

Senhor, tu nos chamaste.
A inquietude que nos sobrevém
quando ouvimos tua palavra, o comprova.
Tu conheces nossa fraqueza.
Tu sabes com que vacilidade perdemos nosso ânimo.
Tu sabes como caminhamos com medo.
Nisto confiamos.
Trabalha em nós, se for a tua vontade.
Utiliza-nos e faze-nos úteis.
Não sabemos se resultará algo
de tudo o que fazemos em teu nome.
Mas a ferramenta não precisa temer
Pelo sentido da obra.
Nós somos teus instrumentos.
Tu nos tomaste em tua mão.
Utiliza-nos;
Dá o que tu queres,
quando tu queres e quando tu queres.
Faze comigo a tua vontade,
como melhor te agradar,
e assim que te reconhecemos em tua obra.
Coloca-me onde tu queres,
E dispõe de mim livremente.
Estou em tua mão.
Volta-te e envia-me para onde tu queres.
Sou teu servo.
Estou preparado para tudo.
Pois não quero viver para mim, e sim para ti,
e isto, totalmente
e de tal maneira que seja digno para ti.

( Thomas von Kempen )

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1 Js 1.9.
2 Cit. Harvey.
3 Cf. Jo 14.21.
4 2Tm 4.17.
5 Cf. 1Tm 6.11; 2Tm 3.17.
6 2Co 5.20.
7 Mt 7.15; 24.11,24; 2Pe 2.1; 1Jo 4.1.
8 Ap 13.11.
9 2Tm 3.12.
10 2Co 12.15.
11 Rm 8.17.
12 Cf. 2Ts 1.5; Mt 5.11,12; Lc 6.22; Jo 16.2; At 5.41; 8.1; 26.9-11; Fp 1.29;
2.17; Hb 10.32-36; Tg 1.2,3,12; 1Pe 2.19; 3.14; 4.13-16.
13 Jo 11.35.
14 Is 53.4,5,8; Hb 10.10.
15 Cl 1.24.
16 Cl 1.24,25; Cf. 2Tm 2.9-13; Fp 1.7,13,14,17; 2Pe 2.19-21.
17 Veja nos termos de Isaías 40.28-31.
18 Nm 11.12.
19 Cf. 1Rs 19.1-4.
20 1Co 4.9-13.
21 2Tm 2.24,25; Cf. 1Pe 5.2,3; Gl 6.1.
22 Ef 4.11; At 21.8; 2Tm 4.5.
23Cf. Mc 3.14; Lc 6.13.
24Cf. At. 6.1-6.
25 2Co 4.1-5; Cf. 1Co 1.17; 1Ts 2.1-15.
26 Cf. Ef 4.11.
27 Jo 4.1-42; Cf. vv. 29,39; 9.24,25; At 22.1-21.
28 At 2.14-36; 3.11-26; 4.7-30.
29 Hb 4.7,2.
30 Cf. Mt 4.23; At 15.35.
31 Cit. LACUEVA, p. 207.
32Cf. Mt 11.28; Mc 1.15; Jo 7.37; At 2.38; 17.30.
33 Mt 5.14.
34 Jo 8.12; 12.46.
35 Mc 3.13.
36 Dt 10.8.
37 At 2.4; 4.8,6.3,5,10; 7.55; 8.29ss; 9.17; 13.4,9.
38 Jo 15.5.
39 2Co 3.5,6; Cf. 1Co 3.5; Ef 3.5-8; Cl 1.25.
40 Ef 4.11.
41 1Co 15.59.
42 Is 6.6,7; Lv 8.23; Mt 6.22,23; Ap 3.18.
43 1Co 2.14.
44 Mt 22.29.
45 Ez 3.1.
46 Jr 15.16.
47 1Tm1.18b,19a.
48 1Tm 4.7b.
49 1Tm 4.13ss.
50 1Tm 5.21. 50
51 1Tm 6.11.
52 1Tm 6.20. 52
53 2Tm 1.13.
54 2Tm 2.15.
55 Fp 4.13.
56 Am 7.14,15.
57 Jr 1.6,7.
58 Ez 2.14.
59 1Co 9.16.
60 iTs 5.25.
61 1Tm 4.12.
62 2Tm 4.7.

Parte
III
O
VERBO E O PÚLPITO

o pregador e o seu auditório numa abordagem psicanalítica
A Natureza da Psicanálise e a Natureza da Pregação

Para se entender a Psicanálise, é preciso, antes de tudo, torná-la distinta de
duas disciplinas com as quais freqüentemente é confundida.

A Natureza da Psicanálise

Quando se emprega o termo Psicanálise, a referência é “à descrição teórica
da mente humana e ao sistema de psicoterapia a ela associado desenvolvido por
Sigmund Freud em Viena”, ensina KLINE (1). Utiliza-se a mesma designação
para descrever sistemas semelhantes derivados da interpretação freudiana, como
os de Adler, Jung, Fereczi, Reich, Klein, e outros tantos.

A Psiquiatria, por outro lado, é um ramo da Medicina dedicado ao tratamento das
doenças mentais. Observe-se que a Psicanálise busca o alívio destes distúrbios
procurando revelar os fatores que os determinam, podendo ser, até, técnica da
própria Psiquiatria, ao passo que, onde a Psicanálise não encontrar
reconhecimento, a Psiquiatria pode não incluí-la.

O terceiro termo é Psicologia, que é aplicado à ciência do comportamento.
Existe, aliás, uma Psicologia Clínica que é essencial e basicamente
psiquiátrica.

Visto isso, verifica-se que a Psicanálise nasceu com um propósito de base
terapêutica, e tem sido considerada, ao longo desses cem anos (2), como “o
mais moderno e eficiente – embora longo e dispendioso – método de tratamento
dos desequilíbrios mentais” (3). Gastão Pereira da SILVA a denomina de
“terapêutica da sinceridade”.(4) O objetivo é “abrir o
Inconsciente” do analisando, já que o Inconsciente é a razão da
Psicanálise. O psicanalista utiliza basicamente o que é externado pela palavra,
seja a narrativa de memórias, o sonho, as parapraxias (atos falhos ou lapsus
linguae), os chistes (gracejos) e, mesmo, o silêncio como resistência e modo de
comunicação.(5)

A Natureza da Pregação

MORAES, num artigo de título altamente sugestivo, aponta para a
“Cumplicidade na Pregação”, quando esclarece que

“tanto mais o pregador conhece e vive o conteúdo do seu sermão, tanto mais
identificação há entre ele e a mensagem, tanto mais é possível ter ouvintes
interessados e atentos” (6)

Esse interesse e atenção do ouvinte vem andar paralelamente ao conceito
freudiano de Transferência, ponto capital em Psicanálise. No tratamento
psicanalítico, a Transferência é uma ocorrência importantíssima, visto que todo
o curso da análise dela depende.

Poderemos conceituá-la como a passagem dos afetos (7) do paciente para a pessoa
do terapeuta ou analista. A Transferência não é uma conquista amorosa, embora
haja um processo de “sedução” (no bom sentido, naturalmente), Não há,
contudo, propósitos sexuais, mas de simpatia, ou “cumplicidade” para
usar a expressão de MORAES. (8)

O que sucede no consultório e divã do psicanalista vai suceder no santuário e

púlpito quando este exerce um papel de “sedução” e se estabelece uma
Transferência nos mesmos ou quase nos mesmos moldes da que acontece em psicoterapia.
O livro de Ezequiel registra um como processo de Transferência dos filhos de
Israel para com o excelente pregador que era esse profeta:

“Quanto a ti, ó filho do homem, os filhos do teu povo… vêm a ti, como o
povo costuma vir, e se asentam diante de ti como meu povo… Deveras, tu és
para eles como quem canta canções de amor, que tem voz suave, e que tange
bem…” (9)

Na realidade, MORAES apresenta características da cumplicidade na Pregação que
podem ser as da Psicanálise, quando ele ensina que:

A cumplicidade é um recurso necessário ao momento atual, sendo que o mesmo pode
ser dito da Psicanálise.
A cumplicidade na pregação começa a acontecer antes mesmo da entrega da
mensagem. Na prática psicanalítica, a Transferência leva o paciente a antegozar
o momento da sessão de análise.
A cumplicidade na pregação exige do pregador um conhecimento do povo, seus
problemas e anseios, o mesmo podendo ser afirmado do psicanalista que deve ser
uma pessoa atualizada com o mundo e razoavelmente entendida em todas as áreas
para poder conduzir a conversa com o seu paciente.
A cumplicidade deve estar presente na introdução do sermão. E assim ocorre
quando do início da sessão de terapia.
A cumplicidade na pregação requer que a mensagem seja pregada com equilíbrio,
do mesmo modo como o terapeuta conduzirá a sessão.
A cumplicidade na pregação é uma realidade quando o povo tem a oportunidade de
participar. Não havendo Resistência (outro termo freudiano), o paciente
participa bem, saindo plenamente aliviado da sessão de terapia, como abençoado
do Culto pela pregação.
O Dr. Wayne OATES, autor e co-autor de mais de cinqüenta livros na área de
Cuidado Pastoral (10), menciona em seu aclamado The Christian Pastor a questão
do Ensino Pastoral, o Ministério da Pregação e o Cuidado Pastoral.(11)
Elaborando este tema, diz o mencionado professor do Seminário Batista de
Louisville, que o relacionamento pregação-pastoral propõe um paradoxo na
abordagem que o pastor usa para ir ao encontro da vida do seu povo em termos de
alvos, ideais, objetivos e propósitos para viver no Reino de Deus. Aborda,
ainda, que o bom pregador depende, tanto quanto o bom pastor, de algumas leis
da personalidade, para a sua eficiência. Menciona, também, o estabelecimento de
um Rapport, termo usado em certas áreas como Transferência o é na Psicanálise;
no entanto, acrescenta OATES, vai levar tempo e um relaxamento paciente de
suspeitas e defesas de todo tipo. (12)

É natureza da Pregação, portanto, suprir as necessidades espirituais do povo de
Deus através de uma pessoa idônea que comunique oralmente a mensagem divina
extraída da Bíblia Sagrada com o poder e unção do Espírito Santo. Depreende-se
que, por ser um recurso divinamente inspirado, a pregação assume as alturas de
uma relação de ajuda.

VOCABULÁRIO DA PSICANÁLISE

Sem dúvida, expressões como consciente, inconsciente, ego, superego, mecanismo
de defesa, repressão, regressão, projeção, ato falho, libido, fase oral, fase
anal, fase fálico-genital, complexo de Édipo são largamente utilizadas pelo povo,
apesar de o serem sem qualquer conceituação psicanalítica. São, no entanto,
termos da Psicanálise freudiana. Torna-se imperativo entendê-las para uma
abordagem psicanalítica da Pregação cristã.

Inconsciente e Cia.

Temos a chamada Teoria Topográfica, a qual trata, como diz o nome, da
topografia do aparelho psíquico, que se divide em Inconsciente, Pré-consciente
e Consciente. Filósofos, psicólogos e, naturalmente, psicanalistas admitem a
existência de um Inconsciente. Thomas LIPPS afirmou que “o inconsciente
deve ser considerado a base universal da vida psíquica”. (13) Outrossim,
MALEBRANCHE deduzia ser o Inconsciente originário de numerosas representações
da impossibilidade da simultaneidade da apercepção. (14) E para Edward VON
HARTMANN, os fenômenos inconscientes não estão submissos a uma regra da
experiência, pois são sempre o “eterno inconsciente”, de existência
isolada, com propriedades transcendentes, e não passíveis de comprovação
experimental.(15

Para o Inconsciente vão, por assim dizer, as idéias censuradas ou recalcadas.
Gastão Pereira da SILVA usa a figura metafórica de um “presídio” ou
“enxovia” na qual se acumulam as “más tendências psíquicas”
(16). Esse recalque que vai para o Inconsciente pode ser um desejo, um
sentimento ou ódio, de qualquer maneira, algo inacessível à pessoa. A principal
linguagem do Inconsciente é a dos sonhos, dos atos falhos e a dos chistes, já o
destacamos. “Abrir o Inconsciente”, repetimos, é o propósito da
Psicanálise.

O Pré-consciente, por sua vez, arquiva as idéias selecionadas que estão ao
alcance

do Consciente, que é usado no dia-a-dia, pois qualquer sensação que possa ser
descrita é consciente.

Ego, Superego e Id

A denominada Teoria Estrutural destaca os três mecanismos da Personalidade: o
Id, o Superego e o Ego. O Id repousa inteiramente no Inconsciente, sendo que
sua energia está quase totalmente à disposição dos instintos básicos que são o
Eros (instinto de vida, do bem, tudo o que é positivo, bom, justo, animado e
animador) e o Tanatos instinto de morte, do mal, de negativo, injusto, e
rebaixador).

O Superego é um sistema de monitoramento e fonte de determinações morais e
comportamentais, ou, como coloca HURDING, “uma voz ‘interior paterna ou
materna'”(17).

O Ego, por seu lado, tem por objetivo maior a “autopreservação do
organismo”, e como função principal a coordenação de funções e impulsos
internos, bem como fazer com que os mesmos se expressem no mundo exterior sem
conflitos.

Pulsão

É um conceito-limite entre o psíquico e o somático. (18) Há quem use a palavra
Instinto em lugar de Pulsão, embora Freud tenha usado Instinto para
caracterizar um comportamento animal preformador, hereditário e característico
de uma espécie.

A Pulsão é um processo dinâmico que consiste em um impulso cuja fonte reside
numa excitação corporal localizada. A fonte da pulsão, assim como sua meta,
está no lado somático.

O desenvolvimento progressivo da teoria das pulsões deve ser dividido em três
etapas:

Primeira etapa: caracteriza-se por um antagonismo entre a pulsão sexual e a
pulsão de autoconservação.
Segunda etapa. Nesta dá-se o surgimento do Narcisismo.
Terceira etapa, que se constitui pela oposição entre a pulsão de vida (Eros) e
a pulsão de morte (Tanatos).
A Pulsão é distanciada do Instinto por ter uma característica própria: o ser
sempre parcial. Não pode ser totalizada, nem domesticada, e não precisa de
coisa alguma para se manifestar.

Transferência

Referindo-se a este tema, Karen HORNEY afirma ser, na sua opinião, “a mais
importante descoberta de Freud”, pelo fato de que é possível a utilização
terapêutica das reações emocionais do paciente em relação ao analista e à
situação analítica. Este assunto já foi objeto de tratamento mais acima.

Resistência

Em termos clínicos, Resistência é tudo o que interrompe o trabalho
psicanalítico. Freud ensina que “a resistência acompanha o trabalho
psicanalítico em todos os seus passos” (19) FREITAS destaca de modo
simples que a verdadeira Resistência é o medo ou vergonha de pedir ajuda e
reconhecer as próprias limitações, bem como admitir os próprios problemas e a
dificuldade de pedir ajuda. (20)

Ansiedade

A ansiedade é produzida pela competição existente em nossa sociedade, a qual se
transfere para dentro de si. Sempre foi assim, e isso se torna agravado pela
perda do Outro, pela perda de si mesmo e pela incapacidade frente ao novo. Essa
ansiedade é chamada por HORNEY de “neurótica”.(21) Impulsos hostis
são a principal fonte de onde nasce a ansiedade neurótica

O VOCABULÁRIO DA PREGAÇÃO

Há, igualmente, um vocabulário utilizado pelo pregador e que tem como fonte a
Teologia cristã e a Doutrina bíblica. São ricas e plenas de significado as
palavras que o constituem e que são empregadas na comunicação do evangelho. Os
conceitos mais destacados são Graça, Fé, Salvação, Justifica0ção, Santificação,
Glorificação.

Graça
Efésios 2.8 declara que “Pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto
não vem de vós, é dom de Deus”. Graça é o amor de Deus que por força do
pecado é imerecido pelo ser humano. É a mais expressiva das palavras do
vocabulário da pregação.


A fé é instrumental, básica e essencial, pois sem ela “é impossível
agradar a Deus”, como ensina Hebreus 6.11. A fé nos conduz à justificação,
outro excelente vocábulo da fé cristã. (22)

Salvação
A obra de restauração do ser humano pela graça divina mediante a fé pessoal é
chamada de salvação, e compreende três fases: a justificação, a santificação e
a glorificação. A primeira ocorre num momento crítico do kairos, ponto de
retorno de caminhada, e se estende na busca da semelhança a Jesus Cristo
naquilo que é denominado santificação. A glorificação, ápice da obra salvadora,
ocorre tão-sómente na Glória Eterna.

Paz
O resultado de toda a obra de salvação é trazer qualidade de vida ao
convertido. Paz é a conseqüência da justificação.

NEUROSE E SEXUALIDADE NA IGREJA

Alguém jocosamente definiu o Neurótico como uma pessoa que constrói castelos no
ar, o Psicótico como quem mora nele, e o Psicanalista como sendo aquele que
cobra o aluguel. O fato é que a igreja é formada por uma quantidade de pessoas
que podem ser classificadas como neuróticas, visto que “neurose é uma
reação que afeta os aspectos de uma pessoa”.(23) Difere do Psicótico
porque a psicose implica na fragmentação de toda a personalidade.

O fato é a que Neurose resulta de um mecanismo de defesa: os impulsos do Id não
conseguem ser devidamente sublimados e isso faz com que as repressões do
Superego ganhem maior expressão, surgindo deslocamentos doentios através dos
Mecanismos de Defesa como a Compensação, Projeção, Racionalização, Conversão.
(24)

Os Neuróticos são pessoas que vivem com esses chamados Sintomas Neuróticos no
seu dia a dia, sem qualquer alteração nas atividades normais. ELLIS esclarece o
assunto com palavras simples: “Basicamente, é o indivíduo que age, com
freqüência, de maneira ilógica, irracional, imprópria e infantil” (25).
Certa gravidade surgirá quando o estado emocional se tornar por demais intenso
e os sintomas se evidenciarem com muita clareza. Esses sintomas são
principalmente a angústia, a ansiedade e as fobias. Mas há sempre a
possibilidade de recuperação.

Mas não é fácil reconhecer um Neurótico que não deve ser confundido com o
Infeliz. O Neurótico é quem por defeitos herdados ou adquiridos em idade
precoce, não sabe pensar com clareza, agir como pessoa adulta e fazer as coisas
de modo eficiente. Muitos neuróticos têm grande talento, inteligência elevada e
boa aparência, no entanto, a sua condição psíquica atrapalha a capacidade
potencial e as realizações efetivas.

Estes sofredores estão também na igreja portando dúvidas, indecisão, conflito,
temor, ansiedade, sentimentos de inadequação, de culpa e autocensura,
supersensibilidade e excesso de desconfiança, hostilidade, ressentimento,
ineficiência, auto-engano, ausência de realismo, rigidez, timidez, afastamento,
comportamento anti-social, insensatez, esquisitice, infelicidade, depressão,
incapacidade de amar, egocentrismo, tensão, incapacidade de repousar,
tendências obsessivas, inércia, falta de orientação, trabalho compulsivo,
excesso de ambição, irresponsabilidade, fuga e autopunição, desejosos de uma
libertação, de uma catarse, de uma ministração que lhes virá não somente de uma
entrevista individual, de um trabalho de Psicoterapia de Grupo ou, ainda, do
púlpito que transformará todo o Culto num grande espaço de Cuidado Pastoral,
numa imensa relação de ajuda.(26)

O que faz a Neurose é a Repressão, a luta travada no interior do indivíduo,
numa repetição da exclamação de Paulo, o apóstolo, que diz: “não faço o
bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço” (27). Essa tremenda
Repressão ocorre geralmente em pessoas escravizadas a formas rígidas de
educação e de moral, submissas que são a um implacável Superego e que vêem,
quantas vezes, pecado e delito em atos que seriam considerados puros e normais
por outras pessoas. Com a passagem do tempo, os afetos da psiquê fazem surgir
enfermidades de natureza psicogênica, vestígios de sentimentos de culpa, e
essas neuroses se mascaram e desnorteiam o indivíduo.

PSICOPATOLOGIA E PROBLEMAS RELIGIOSOS

Einstein afirmou certa ocasião que “A ciência sem religião é manca; a
religião sem ciência é cega”(28) É um modo de dizer que não se pode
prescindir de ambas as realidades; um modo de afirmar a verdade de ambas e como
mutuamente podem se ajudar. Para o pastor/pregador, o conhecimento de si mesmo
pela auto-análise e do aparato psíquico do seu rebanho pela análise de seu
comportamento, suas angústias e necessidades é o mais poderoso instrumento para
repassar a mensagem de que a esperança de cura existe: é só trabalhar com o
kairos, o tempo de Deus, num labor paciente, tranqüilo, organizado através da
terapêutica da palavra, do púlpito com mensagem preparada e ungida nos ditames
de Jeremias 3.15, “Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, que vos
apascentem com conhecimento e com inteligência”.

Há, entretanto, certa qualidade de religião pessoal que pode ser classificada
como enferma. Também estes estão nas igrejas. É a pessoa que, fazendo uma
leitura ultralinear da Escritura Sagrada, transforma sua vida, a de familiares
e a de outras pessoas num fardo tão pesado que quase não podem transportar.
OATES no seu When Religion Gets Sick afirma que quando a religião fica enferma,
prejudica de maneira total as funções básicas da vida.(29) Isso quer dizer que
a disfunção é um critério para medir a enfermidade. Por exemplo, normal é a
prática do jejum; recusar-se a se alimentar por ter medo do castigo de Deus, já
é Neurose conduzindo a uma religião enferma.

Há psicopatologias que conduzem a uma religião doente. A idolatria, em todas as
suas formas e a superstição são exemplos de religião enferma; a religião que
não ensina a perdoar e a olhar com fé e esperança o futuro e os dias maus; a
religião da amargura, do ódio e da perseguição está seriamente doente. Uma abordagem
psicanalítica da pregação e do pregador levará em conta esses defeitos na fé.
Na verdade, se a fé for do tamanho da menor semente tem esperança; mas se a
proclamada fé tiver um lado estragado, uma “banda podre” para usar
expressão popular bem atual, o remédio é trabalhar o Id, o Superego e o Ego do
seu portador e arrumar seu Inconsciente de tal maneira que as manifestações do
Superego como em Colossenses 2.20s (“por que vos sujeitais ainda a
ordenanças, como se vivêsseis no mundo, como : não toques, não proves, não
manuseies?”) sejam substituídas por outros sentimentos como os estimulados
por Paulo em Filipenses 4.8, que ensina,

“tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o
que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma
virtude, e se há algum louvor, nisso pensai”.

Este é um excelente roteiro para uma abertura do Inconsciente ou, se
preferirem, para a solidez da consciência cristã.

PSICOSSOMÁTICA E PREGAÇÃO

Não podemos esquecer que o ser humano é um todo harmônico. Tanto a visão
hebraica do ‘adam (o ser humano) como Deus criou, quanto a Teoria Geral dos
Sistemas tão bem conceituada por VON BERTALANFFY, são concordes em afirmar a
unidade essencial da pessoa humana. Sempre ocorreu haver pessoas enfermas que
sem apresentar lesões em órgãos do corpo, sofriam dos mesmos. Hoje essas
pessoas são chamadas Neuróticas e tratadas de acordo, quando no passado a
própria Medicina caminhava às cegas no tocante ao psiquismo humano.

A importância à psiquê passou a ser dada com os estudos de Freud e seus
discípulos. A própria Psicanálise nasceu do trabalho desenvolvido por Freud a
partir de um caso de Histeria, que influenciou a cética Medicina, que passou a
dar maior importância ao sistema psíquico, anteriormente ignorado.

O surgimento da Medicina Psicossomática tirou os excessos tanto dos
psicanalistas quanto dos médicos e colocou as coisas nos lugares adequados.
Passou-se a compreender a interação corpo-mente. O psiquiatra MÁS DE AYALA fez
uma equilibrada consideração quando afirmou que

“Em todas as épocas, havia-se observado as influências que as emoções
agudas exercem sobre as funções do corpo. A cada situação emocional – alegria,
pena, vergonha, ira – acompanha uma síndrome psicossomática, que tem lugar no
ritmo cardíaco, na respiração, na irrigação sangüínea, nas secreções, no
sistema muscular, etc. Não obstante isso ser velho como o mundo, a Medicina não
os levava em conta, pois essas trocas psicomotoras pertencem à vida normal e
ela só estudava os doentes no hospital. Do mesmo modo como a Fisiologia
acadêmica se fez sobre rãs descerebradas e cachorros narcotizados, o que levou
Letemendi a dizer: à medicina humana falta homem e sobra rã”.(30)

Ao ocorrer um distúrbio somático, como o mau funcionamento de algum órgão,
víscera ou glândula, o sistema psíquico recebe uma comunicação e inicia a
manfestação de sintomas estranhos, muitas vezes diagnosticados como Neuroses
quando são apenas descontrole orgânico. O contrário também ocorre: um distúrbio
psíquico (não mental), mesmo momentâneo, transparece na forma de manifestações
de colite, prisão de ventre, hemorróidas, constantes azias, hipertensão (ou
hipotensão), taquicardia, má circulação nas mãos ou nos pés, dores musculares,
alergias, urticárias, acne, sudorese excessiva, asma, bronquite crônica ou
alérgica, rinite e laringite alérgicas, apnéia, diabetes, impotência,
anorgasmia feminina, enurese, psoríase, vitiligo e tantas outras. Mulheres
mal-amadas desenvolvem dores na coluna e dores de cabeça recorrentes; empregos
inadequados ou mal recompensados trazem úlcera gástrica e enxaquecas. Os
exemplos são inúmeros. A gravidez imaginária é um típico caso de
psicossomatismo. Abortos ocorrem por problemas de ordem emocional, sejam eles
medos, desgosto ou tensão nervosa. É um caso que a Psicanálise chama de
Conversão.

E esse povo está tanto nos consultórios dos psicanalistas quanto nos santuários
para ouvir a ministração do púlpito, o qual, em havendo a inteligência
mencionada em Jeremias 3.15, transformará a igreja e a sua mensagem numa enorme
comunidade terapêutica. Não era sem motivo que Jesus Cristo dizia ao suplicante
que lhe pedia a cura física, “Filho, tem bom ânimo; os teus pecados estão
perdoados”, ou, ainda, “Tem bom ânimo filha, a tua fé te salvou”
(31) Estes são apenas dois exemplos do divino interesse de Jesus pelo homem
total, que vive angustiado, sentindo-se culpado e necessitado de perdão.

Angústia
Uma jovem que sofria de Angústia, após consulta a um ginecologista, descobriu
que portava um distúrbio nos ovários. Tratada, a Angústia desapareceu. A
tireóide, quando funciona mal, é responsável por alterações de humor no
indivíduo. Muita gente considerada fria, impulsiva, alienada ou angustiada
porta distúrbios na sua tireóide.

Para Freud, a Angústia define-se como sentimentos de medo e desamparo em
relação a uma tensão de libido recalcada, uma expressão de libido reprimida.
(32) MASSERMANN, citado por TALLAFERRO (33), propôs a seguinte conceituação
“O afeto desagradável que acompanha uma tensão instintiva não satisfeita.
É um sentimento difuso de mal-estar e apreensão que se reflete em distúrbios
visceromotores e modificações da tensão muscular”. GERKIN, falando das
experiências de crise na vida hodierna e sua ministração pastoral, aborda o
conceito de Angústia fazendo-a referir-se a uma dor aguda e profunda,
sofrimento e aflição. (34)

Vezes tantas, a Angústia aparece ao mesmo tempo que palpitações, transpiração,
diarréia e respiração ofegante, fenômenos fisiológicos que podem surgir com ou
sem a consciência da Angústia. Consiste este sentimento em uma sensação de
desamparo em relação ao perigo. O perigo pode ser externo ou interno: o temor
de uma enchente, da viagem numa estrada reconhecidamente perigosa, ou a
fraqueza, covardia ou falta de iniciativa. Por essa razão, a Angústia é
considerada um dos principais problemas da Neurose, e pode originar-se tanto na
ordem psíquica quanto na somática ou em ambas ao mesmo tempo.

Traumas de infância, medo de perdas, de ser abandonada, de não ser amada, temor
da morte trazem Angústia, e esse povo quer direção segura do púlpito e
orientação firme da Palavra de Deus, a qual coloca nos lábios de Jó expressões
como, “falarei da angústia do meu espírito, queixar-me-ei na amargura da
minha alma” (35), e na boca de Davi, “… consideraste a minha
aflição, e conheceste as angústias da minha alma” (36).

Depressão
OATES ensina haver diferentes níveis de relacionamento na atividade do Cuidado
Pastoral. É aí que psicanalista e pastor seguem rotas diferentes. É nos
diferentes níveis de relacionamento que o ministro de Deus se torna amigo
pessoal, vizinho, pastor-pregador, pastor-conselheiro e companheiro de outras
atividades. Dependendo da situação em vista ou da emergência criada, o pastor
deve saber o que fazer quando chamado a intervir. Isso vale igualmente no
púlpito. Salienta, ainda, cinco níveis de Psicoterapia Pastoral, que são: o da
Amizade, o do Conforto, o da Confissão, o do Ensino, o do Aconselhamento e
Psicoterapia.

Pessoas em Depressão enquadram-se no nível do conforto. Há uma ligação muito
forte entre a Depressão e a Melancolia, visto que em ambas o paciente se
submete a incontáveis auto-reprovações: sente-se indigno, impõe-se punições, e
é como se uma força que tem a finalidade de destruí-lo se desenvolvesse. Rejeita
a alimentação, passa o tempo a dormir, não cuida de si e não se importa com os
outros.. É um quadro semelhante ao do luto. (37)

Em muitas dessas pessoas, as razões para esta Depressão permanecem ignoradas no
Inconsciente ou Pré-consciente, e as fazem precisar de um ministério de
conforto que o púlpito deve trazer. É preciso ressaltar que a possibilidade de
suicídio entre tais pessoas é altíssima, e que elas estão no nosso meio também
. OATES, que é otimista nestes casos, afirma que a dor severa da depressão pode
ser curada (38). Uma Terapia Breve, mesmo através da pregação, deve ter como
primeiríssimo passo trabalhar a baixa auto-estima, seguindo-se a restauração da
confiança pelas forças do Ego, o que o leigo chama de “massagear o
ego”, e a Bíblia destaca o “amar o próximo como a si mesmo”
(39). O terceiro passo será a inversão da auto-agressão, seguido pelo
estabelecimento de uma ligação da compreensão dos aspectos dinâmicos com a
situação que precipitou a Depressão e as situações genéticas anteriores.

O pregador há, ainda, de oferecer apoio através da disponibilidade expressa (se
tem treinamento adequado para lidar com a situação) ou fazer referência a um
profissional da área de saúde mental. O pastor deve estar alerta para o fato de
que a tentativa ou ameaça de suicídio é um pedido de socorro. É evidente que o
pastor/pregador tem ao seu dispor recursos alheios ao tratamento psicanalítico:
a atuação do Espírito Santo e o poder da oração. (40)

Sentimento de Culpa
Para muitos psicanalistas e psicólogos, a idéia de Culpa é a causa de inúmeras
perturbações psíquicas. No entanto, a realidade verificada é que estes
sentimentos são tão universais quanto o medo, a fome e o amor.

Para FREUD, os Sentimentos de Culpa são o resultado de pressões sociais. Nascem
na mente da criança quando os pais a castigam, e não são outra coisas senão o
medo de perder o amor deles. É conseqüência da construção e do reforço do
Superego. JUNG, por sua vez, afirma ser a recusa da aceitação plena de si
mesmo. DE ODIER distingue entre “culpa funcional” e “culpa de
valores”, sendo a primeira a conseqüência de uma sugestão social, medo de
tabus ou de perder o amor das outras pessoas. A “culpa de valores” é
a consciência genuína de que se transgrediu uma norma autêntica; é o juízo
livre que o ser humano faz de si próprio sob uma convicção moral (41). Martin
BUBER, o pensador judeu, expõe a “culpa genuína” e a “culpa
neurótica” à qual chama também de “irreal”, e para quem a culpa
genuína sempre gira em torno de alguma violação das relações humanas,
constituindo uma ruptura na relação Eu-Tu.

No conceito bíblico, a Culpa não pode ser separada do pecado: é desacato à
autoridade de Deus, e nasce da transgressão de qualquer dos mandamentos
revelados na Sua Palavra como bem o declara 1João 3.4: “Qualquer que
comete pecado, também comete iniqüidade; porque o pecado é iniqüidade”.

A estas pessoas, o púlpito pode ministrar levando-as à Confissão, Reparação da
falta cometida logo que possível e Renúncia do pecado. O púlpito que ministra
ao culpado lhe dirá como Jesus “Nem eu te condeno. Vai, e não peques
mais”. (42)

CONCLUSÃO: O RESULTADO

A Pregação tem seu lado terapêutico como acima exposto. E o objetivo do púlpito
evangélico é levar o crente em Jesus Cristo a crescer. Crescer “na graça e
no conhecimento de Jesus Cristo”, aperfeiçoá-lo para o desempenho do
ministério do seu ministério, e levá-lo “à medida da estatura da plenitude
de Cristo”; conduzindo-o à abundância de vida libertando-o de suas
mazelas, afetos e complexos. (43)

Esta relação de ajuda mantida pelo púlpito e ensino aumentará o conhecimento
que cada um tem de si mesmo, levará o ouvinte/ovelha à auto-aceitação como um
ato de maturidade, leva-lo-á a uma capacidade de estabelecer melhores
relacionamentos com Deus, com os outros e com si mesmo, terá a confiança
reforçada, liberdade de amar e alegria de viver porque tudo isso é o que a
Psicanálise realiza e com muito mais propriedade a ministração cristã através
da Pregação.

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Notas
(1) KLINE, p. 9.
(2) Em 1999, foi comemorado o centenário da obra de Freud A Interpretação dos
Sonhos, trabalho essencial para a interpretação psicanalítica.
(3) MIRA Y LÓPEZ, p.48.
(4) SILVA, Gastão Pereira da, p. 143.
(5) Cf. SILVA, Gastão Pereira da, pp. 40ss.
(6) Cf. p. 103.
(7) “Afeto” em Psicanálise é tudo o que afeta uma pessoa, e não
“afeição” conforme o uso comum da palavra.
(8) Cf. p. 103.
(9) Ez 33.30-32.
(10) Nos Estados Unidos utiliza-se a denominação Pastoral Care para designar a
soma de atividades pastorais, de cura-de-almas, aconselhamento, capelania, etc.
(11) Cf. OATES, p. 141.
(12) Cf. OATES, pp. 146s.
(13) Cf. TALAFERRO, p. 39.
(14) Cf. TALAFERRO, p. 39.
(15) Cf. TALAFERRO, p. 39.
(16) Op. Cit, p. 34.
(17) Cf. p. 80. Daí o dito psicanalítico de que “Pai não
morre”.
(18) Cf. BRABANT, p. 25.
(19) Cf. WEISMANN, p. 23.
(20) Cf. p. 75.
(21) Cf. HORNEY, A Personalidade Neurótica do Nosso Tempo, p. 36.
(22) Rm 5.1.
(23) Cf. HURDING, p. 33.
(24) A palavra “Conversão” usada em Psicanálise não tem
fundo religioso. Refere-se às reações somáticas provenientes de conflitos ou
traumas psicológicos.
(25) ELLIS, p. 27.
(26) Cf. WILLIMON, William H. Worship as Pastoral Care.
(27) Cf. Rom 7.15ss.
(28) Citado por ZILBOORG, p. 128
(29) OATES, p. 20.
(30) Cit. SILVA, Valmir Adamor da, p. 20
(31) Cf Mt 9.1-7; 20-22.
(32) Cf. HORNEY, Novo Rumos na Psicanálise, p. 50.
(33) Cf., p. 171.
(34) Cf. p. 75.
(35) Jó 7.11.
(36) Sl 31.7.
(37) Cf. NUNBERG , p. 154.
(38) Cf. p. 201.
(39) Cf. Mt 22.39.
(40) SMALL sugere como traço adicional à Terapia Breve o que chama
de “compreensão interna (insight) que, no caso do pastor/pregador, tem
correspondência na Escritura Sagrada: 1Coríntios 12.10; Hebreus 4.12; 5.14.
(41) Cf. MARTINEZ, Vol 2, p. 63.
(42) Jo 8.11.
(43) Cf. 2Pe 3.18; Ef 4.11-13; Jo 10.10.

Parte
IV
O
VERBO E O PÚLPITO

o pregador e o seu auditório numa abordagem psicanalítica
A Natureza da Psicanálise e a Natureza da Pregação

Para se entender a Psicanálise, é preciso, antes de tudo, torná-la distinta de
duas disciplinas com as quais freqüentemente é confundida.

A Natureza da Psicanálise

Quando se emprega o termo Psicanálise, a referência é “à descrição teórica
da mente humana e ao sistema de psicoterapia a ela associado desenvolvido por
Sigmund Freud em Viena”, ensina KLINE (1). Utiliza-se a mesma designação
para descrever sistemas semelhantes derivados da interpretação freudiana, como
os de Adler, Jung, Fereczi, Reich, Klein, e outros tantos.

A Psiquiatria, por outro lado, é um ramo da Medicina dedicado ao tratamento das
doenças mentais. Observe-se que a Psicanálise busca o alívio destes distúrbios
procurando revelar os fatores que os determinam, podendo ser, até, técnica da
própria Psiquiatria, ao passo que, onde a Psicanálise não encontrar
reconhecimento, a Psiquiatria pode não incluí-la.

O terceiro termo é Psicologia, que é aplicado à ciência do comportamento.
Existe, aliás, uma Psicologia Clínica que é essencial e basicamente
psiquiátrica.

Visto isso, verifica-se que a Psicanálise nasceu com um propósito de base
terapêutica, e tem sido considerada, ao longo desses cem anos (2), como “o
mais moderno e eficiente – embora longo e dispendioso – método de tratamento
dos desequilíbrios mentais” (3). Gastão Pereira da SILVA a denomina de
“terapêutica da sinceridade”.(4) O objetivo é “abrir o
Inconsciente” do analisando, já que o Inconsciente é a razão da
Psicanálise. O psicanalista utiliza basicamente o que é externado pela palavra,
seja a narrativa de memórias, o sonho, as parapraxias (atos falhos ou lapsus
linguae), os chistes (gracejos) e, mesmo, o silêncio como resistência e modo de
comunicação.(5)

A Natureza da Pregação

MORAES, num artigo de título altamente sugestivo, aponta para a
“Cumplicidade na Pregação”, quando esclarece que

“tanto mais o pregador conhece e vive o conteúdo do seu sermão, tanto mais
identificação há entre ele e a mensagem, tanto mais é possível ter ouvintes
interessados e atentos” (6)

Esse interesse e atenção do ouvinte vem andar paralelamente ao conceito
freudiano de Transferência, ponto capital em Psicanálise. No tratamento
psicanalítico, a Transferência é uma ocorrência importantíssima, visto que todo
o curso da análise dela depende.

Poderemos conceituá-la como a passagem dos afetos (7) do paciente para a pessoa
do terapeuta ou analista. A Transferência não é uma conquista amorosa, embora
haja um processo de “sedução” (no bom sentido, naturalmente), Não há,
contudo, propósitos sexuais, mas de simpatia, ou “cumplicidade” para
usar a expressão de MORAES. (8)

O que sucede no consultório e divã do psicanalista vai suceder no santuário e

púlpito quando este exerce um papel de “sedução” e se estabelece uma
Transferência nos mesmos ou quase nos mesmos moldes da que acontece em
psicoterapia. O livro de Ezequiel registra um como processo de Transferência
dos filhos de Israel para com o excelente pregador que era esse profeta:

“Quanto a ti, ó filho do homem, os filhos do teu povo… vêm a ti, como o
povo costuma vir, e se asentam diante de ti como meu povo… Deveras, tu és
para eles como quem canta canções de amor, que tem voz suave, e que tange
bem…” (9)

Na realidade, MORAES apresenta características da cumplicidade na Pregação que
podem ser as da Psicanálise, quando ele ensina que:

A cumplicidade é um recurso necessário ao momento atual, sendo que o mesmo pode
ser dito da Psicanálise.
A cumplicidade na pregação começa a acontecer antes mesmo da entrega da
mensagem. Na prática psicanalítica, a Transferência leva o paciente a antegozar
o momento da sessão de análise.
A cumplicidade na pregação exige do pregador um conhecimento do povo, seus
problemas e anseios, o mesmo podendo ser afirmado do psicanalista que deve ser
uma pessoa atualizada com o mundo e razoavelmente entendida em todas as áreas
para poder conduzir a conversa com o seu paciente.
A cumplicidade deve estar presente na introdução do sermão. E assim ocorre
quando do início da sessão de terapia.
A cumplicidade na pregação requer que a mensagem seja pregada com equilíbrio,
do mesmo modo como o terapeuta conduzirá a sessão.
A cumplicidade na pregação é uma realidade quando o povo tem a oportunidade de
participar. Não havendo Resistência (outro termo freudiano), o paciente
participa bem, saindo plenamente aliviado da sessão de terapia, como abençoado
do Culto pela pregação.
O Dr. Wayne OATES, autor e co-autor de mais de cinqüenta livros na área de
Cuidado Pastoral (10), menciona em seu aclamado The Christian Pastor a questão
do Ensino Pastoral, o Ministério da Pregação e o Cuidado Pastoral.(11)
Elaborando este tema, diz o mencionado professor do Seminário Batista de
Louisville, que o relacionamento pregação-pastoral propõe um paradoxo na
abordagem que o pastor usa para ir ao encontro da vida do seu povo em termos de
alvos, ideais, objetivos e propósitos para viver no Reino de Deus. Aborda,
ainda, que o bom pregador depende, tanto quanto o bom pastor, de algumas leis
da personalidade, para a sua eficiência. Menciona, também, o estabelecimento de
um Rapport, termo usado em certas áreas como Transferência o é na Psicanálise;
no entanto, acrescenta OATES, vai levar tempo e um relaxamento paciente de
suspeitas e defesas de todo tipo. (12)

É natureza da Pregação, portanto, suprir as necessidades espirituais do povo de
Deus através de uma pessoa idônea que comunique oralmente a mensagem divina
extraída da Bíblia Sagrada com o poder e unção do Espírito Santo. Depreende-se
que, por ser um recurso divinamente inspirado, a pregação assume as alturas de
uma relação de ajuda.

VOCABULÁRIO DA PSICANÁLISE

Sem dúvida, expressões como consciente, inconsciente, ego, superego, mecanismo
de defesa, repressão, regressão, projeção, ato falho, libido, fase oral, fase
anal, fase fálico-genital, complexo de Édipo são largamente utilizadas pelo
povo, apesar de o serem sem qualquer conceituação psicanalítica. São, no
entanto, termos da Psicanálise freudiana. Torna-se imperativo entendê-las para
uma abordagem psicanalítica da Pregação cristã.

Inconsciente e Cia.

Temos a chamada Teoria Topográfica, a qual trata, como diz o nome, da
topografia do aparelho psíquico, que se divide em Inconsciente, Pré-consciente
e Consciente. Filósofos, psicólogos e, naturalmente, psicanalistas admitem a
existência de um Inconsciente. Thomas LIPPS afirmou que “o inconsciente
deve ser considerado a base universal da vida psíquica”. (13) Outrossim, MALEBRANCHE
deduzia ser o Inconsciente originário de numerosas representações da
impossibilidade da simultaneidade da apercepção. (14) E para Edward VON
HARTMANN, os fenômenos inconscientes não estão submissos a uma regra da
experiência, pois são sempre o “eterno inconsciente”, de existência
isolada, com propriedades transcendentes, e não passíveis de comprovação
experimental.(15

Para o Inconsciente vão, por assim dizer, as idéias censuradas ou recalcadas.
Gastão Pereira da SILVA usa a figura metafórica de um “presídio” ou
“enxovia” na qual se acumulam as “más tendências psíquicas”
(16). Esse recalque que vai para o Inconsciente pode ser um desejo, um
sentimento ou ódio, de qualquer maneira, algo inacessível à pessoa. A principal
linguagem do Inconsciente é a dos sonhos, dos atos falhos e a dos chistes, já o
destacamos. “Abrir o Inconsciente”, repetimos, é o propósito da
Psicanálise.

O Pré-consciente, por sua vez, arquiva as idéias selecionadas que estão ao
alcance

do Consciente, que é usado no dia-a-dia, pois qualquer sensação que possa ser
descrita é consciente.

Ego, Superego e Id

A denominada Teoria Estrutural destaca os três mecanismos da Personalidade: o
Id, o Superego e o Ego. O Id repousa inteiramente no Inconsciente, sendo que
sua energia está quase totalmente à disposição dos instintos básicos que são o
Eros (instinto de vida, do bem, tudo o que é positivo, bom, justo, animado e
animador) e o Tanatos instinto de morte, do mal, de negativo, injusto, e
rebaixador).

O Superego é um sistema de monitoramento e fonte de determinações morais e
comportamentais, ou, como coloca HURDING, “uma voz ‘interior paterna ou
materna'”(17).

O Ego, por seu lado, tem por objetivo maior a “autopreservação do
organismo”, e como função principal a coordenação de funções e impulsos
internos, bem como fazer com que os mesmos se expressem no mundo exterior sem
conflitos.

Pulsão

É um conceito-limite entre o psíquico e o somático. (18) Há quem use a palavra
Instinto em lugar de Pulsão, embora Freud tenha usado Instinto para
caracterizar um comportamento animal preformador, hereditário e característico
de uma espécie.

A Pulsão é um processo dinâmico que consiste em um impulso cuja fonte reside
numa excitação corporal localizada. A fonte da pulsão, assim como sua meta, está
no lado somático.

O desenvolvimento progressivo da teoria das pulsões deve ser dividido em três
etapas:

Primeira etapa: caracteriza-se por um antagonismo entre a pulsão sexual e a
pulsão de autoconservação.
Segunda etapa. Nesta dá-se o surgimento do Narcisismo.
Terceira etapa, que se constitui pela oposição entre a pulsão de vida (Eros) e
a pulsão de morte (Tanatos).
A Pulsão é distanciada do Instinto por ter uma característica própria: o ser
sempre parcial. Não pode ser totalizada, nem domesticada, e não precisa de
coisa alguma para se manifestar.

Transferência

Referindo-se a este tema, Karen HORNEY afirma ser, na sua opinião, “a mais
importante descoberta de Freud”, pelo fato de que é possível a utilização
terapêutica das reações emocionais do paciente em relação ao analista e à
situação analítica. Este assunto já foi objeto de tratamento mais acima.

Resistência

Em termos clínicos, Resistência é tudo o que interrompe o trabalho
psicanalítico. Freud ensina que “a resistência acompanha o trabalho
psicanalítico em todos os seus passos” (19) FREITAS destaca de modo
simples que a verdadeira Resistência é o medo ou vergonha de pedir ajuda e
reconhecer as próprias limitações, bem como admitir os próprios problemas e a
dificuldade de pedir ajuda. (20)

Ansiedade

A ansiedade é produzida pela competição existente em nossa sociedade, a qual se
transfere para dentro de si. Sempre foi assim, e isso se torna agravado pela
perda do Outro, pela perda de si mesmo e pela incapacidade frente ao novo. Essa
ansiedade é chamada por HORNEY de “neurótica”.(21) Impulsos hostis
são a principal fonte de onde nasce a ansiedade neurótica

O VOCABULÁRIO DA PREGAÇÃO

Há, igualmente, um vocabulário utilizado pelo pregador e que tem como fonte a
Teologia cristã e a Doutrina bíblica. São ricas e plenas de significado as
palavras que o constituem e que são empregadas na comunicação do evangelho. Os
conceitos mais destacados são Graça, Fé, Salvação, Justifica0ção, Santificação,
Glorificação.

Graça
Efésios 2.8 declara que “Pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto
não vem de vós, é dom de Deus”. Graça é o amor de Deus que por força do
pecado é imerecido pelo ser humano. É a mais expressiva das palavras do
vocabulário da pregação.


A fé é instrumental, básica e essencial, pois sem ela “é impossível
agradar a Deus”, como ensina Hebreus 6.11. A fé nos conduz à justificação,
outro excelente vocábulo da fé cristã. (22)

Salvação
A obra de restauração do ser humano pela graça divina mediante a fé pessoal é
chamada de salvação, e compreende três fases: a justificação, a santificação e
a glorificação. A primeira ocorre num momento crítico do kairos, ponto de
retorno de caminhada, e se estende na busca da semelhança a Jesus Cristo
naquilo que é denominado santificação. A glorificação, ápice da obra salvadora,
ocorre tão-sómente na Glória Eterna.

Paz
O resultado de toda a obra de salvação é trazer qualidade de vida ao
convertido. Paz é a conseqüência da justificação.

NEUROSE E SEXUALIDADE NA IGREJA

Alguém jocosamente definiu o Neurótico como uma pessoa que constrói castelos no
ar, o Psicótico como quem mora nele, e o Psicanalista como sendo aquele que
cobra o aluguel. O fato é que a igreja é formada por uma quantidade de pessoas
que podem ser classificadas como neuróticas, visto que “neurose é uma
reação que afeta os aspectos de uma pessoa”.(23) Difere do Psicótico
porque a psicose implica na fragmentação de toda a personalidade.

O fato é a que Neurose resulta de um mecanismo de defesa: os impulsos do Id não
conseguem ser devidamente sublimados e isso faz com que as repressões do
Superego ganhem maior expressão, surgindo deslocamentos doentios através dos
Mecanismos de Defesa como a Compensação, Projeção, Racionalização, Conversão.
(24)

Os Neuróticos são pessoas que vivem com esses chamados Sintomas Neuróticos no
seu dia a dia, sem qualquer alteração nas atividades normais. ELLIS esclarece o
assunto com palavras simples: “Basicamente, é o indivíduo que age, com
freqüência, de maneira ilógica, irracional, imprópria e infantil” (25). Certa
gravidade surgirá quando o estado emocional se tornar por demais intenso e os
sintomas se evidenciarem com muita clareza. Esses sintomas são principalmente a
angústia, a ansiedade e as fobias. Mas há sempre a possibilidade de
recuperação.

Mas não é fácil reconhecer um Neurótico que não deve ser confundido com o
Infeliz. O Neurótico é quem por defeitos herdados ou adquiridos em idade
precoce, não sabe pensar com clareza, agir como pessoa adulta e fazer as coisas
de modo eficiente. Muitos neuróticos têm grande talento, inteligência elevada e
boa aparência, no entanto, a sua condição psíquica atrapalha a capacidade
potencial e as realizações efetivas.

Estes sofredores estão também na igreja portando dúvidas, indecisão, conflito,
temor, ansiedade, sentimentos de inadequação, de culpa e autocensura,
supersensibilidade e excesso de desconfiança, hostilidade, ressentimento,
ineficiência, auto-engano, ausência de realismo, rigidez, timidez, afastamento,
comportamento anti-social, insensatez, esquisitice, infelicidade, depressão,
incapacidade de amar, egocentrismo, tensão, incapacidade de repousar,
tendências obsessivas, inércia, falta de orientação, trabalho compulsivo,
excesso de ambição, irresponsabilidade, fuga e autopunição, desejosos de uma
libertação, de uma catarse, de uma ministração que lhes virá não somente de uma
entrevista individual, de um trabalho de Psicoterapia de Grupo ou, ainda, do
púlpito que transformará todo o Culto num grande espaço de Cuidado Pastoral,
numa imensa relação de ajuda.(26)

O que faz a Neurose é a Repressão, a luta travada no interior do indivíduo,
numa repetição da exclamação de Paulo, o apóstolo, que diz: “não faço o
bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço” (27). Essa tremenda
Repressão ocorre geralmente em pessoas escravizadas a formas rígidas de
educação e de moral, submissas que são a um implacável Superego e que vêem,
quantas vezes, pecado e delito em atos que seriam considerados puros e normais
por outras pessoas. Com a passagem do tempo, os afetos da psiquê fazem surgir
enfermidades de natureza psicogênica, vestígios de sentimentos de culpa, e
essas neuroses se mascaram e desnorteiam o indivíduo.

PSICOPATOLOGIA E PROBLEMAS RELIGIOSOS

Einstein afirmou certa ocasião que “A ciência sem religião é manca; a religião
sem ciência é cega”(28) É um modo de dizer que não se pode prescindir de
ambas as realidades; um modo de afirmar a verdade de ambas e como mutuamente
podem se ajudar. Para o pastor/pregador, o conhecimento de si mesmo pela
auto-análise e do aparato psíquico do seu rebanho pela análise de seu
comportamento, suas angústias e necessidades é o mais poderoso instrumento para
repassar a mensagem de que a esperança de cura existe: é só trabalhar com o
kairos, o tempo de Deus, num labor paciente, tranqüilo, organizado através da
terapêutica da palavra, do púlpito com mensagem preparada e ungida nos ditames
de Jeremias 3.15, “Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, que vos
apascentem com conhecimento e com inteligência”.

Há, entretanto, certa qualidade de religião pessoal que pode ser classificada
como enferma. Também estes estão nas igrejas. É a pessoa que, fazendo uma
leitura ultralinear da Escritura Sagrada, transforma sua vida, a de familiares
e a de outras pessoas num fardo tão pesado que quase não podem transportar.
OATES no seu When Religion Gets Sick afirma que quando a religião fica enferma,
prejudica de maneira total as funções básicas da vida.(29) Isso quer dizer que
a disfunção é um critério para medir a enfermidade. Por exemplo, normal é a
prática do jejum; recusar-se a se alimentar por ter medo do castigo de Deus, já
é Neurose conduzindo a uma religião enferma.

Há psicopatologias que conduzem a uma religião doente. A idolatria, em todas as
suas formas e a superstição são exemplos de religião enferma; a religião que
não ensina a perdoar e a olhar com fé e esperança o futuro e os dias maus; a
religião da amargura, do ódio e da perseguição está seriamente doente. Uma
abordagem psicanalítica da pregação e do pregador levará em conta esses
defeitos na fé. Na verdade, se a fé for do tamanho da menor semente tem
esperança; mas se a proclamada fé tiver um lado estragado, uma “banda
podre” para usar expressão popular bem atual, o remédio é trabalhar o Id,
o Superego e o Ego do seu portador e arrumar seu Inconsciente de tal maneira
que as manifestações do Superego como em Colossenses 2.20s (“por que vos
sujeitais ainda a ordenanças, como se vivêsseis no mundo, como : não toques,
não proves, não manuseies?”) sejam substituídas por outros sentimentos
como os estimulados por Paulo em Filipenses 4.8, que ensina,

“tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o
que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma
virtude, e se há algum louvor, nisso pensai”.

Este é um excelente roteiro para uma abertura do Inconsciente ou, se
preferirem, para a solidez da consciência cristã.

PSICOSSOMÁTICA E PREGAÇÃO

Não podemos esquecer que o ser humano é um todo harmônico. Tanto a visão
hebraica do ‘adam (o ser humano) como Deus criou, quanto a Teoria Geral dos
Sistemas tão bem conceituada por VON BERTALANFFY, são concordes em afirmar a
unidade essencial da pessoa humana. Sempre ocorreu haver pessoas enfermas que
sem apresentar lesões em órgãos do corpo, sofriam dos mesmos. Hoje essas
pessoas são chamadas Neuróticas e tratadas de acordo, quando no passado a
própria Medicina caminhava às cegas no tocante ao psiquismo humano.

A importância à psiquê passou a ser dada com os estudos de Freud e seus
discípulos. A própria Psicanálise nasceu do trabalho desenvolvido por Freud a
partir de um caso de Histeria, que influenciou a cética Medicina, que passou a
dar maior importância ao sistema psíquico, anteriormente ignorado.

O surgimento da Medicina Psicossomática tirou os excessos tanto dos
psicanalistas quanto dos médicos e colocou as coisas nos lugares adequados.
Passou-se a compreender a interação corpo-mente. O psiquiatra MÁS DE AYALA fez
uma equilibrada consideração quando afirmou que

“Em todas as épocas, havia-se observado as influências que as emoções
agudas exercem sobre as funções do corpo. A cada situação emocional – alegria,
pena, vergonha, ira – acompanha uma síndrome psicossomática, que tem lugar no
ritmo cardíaco, na respiração, na irrigação sangüínea, nas secreções, no sistema
muscular, etc. Não obstante isso ser velho como o mundo, a Medicina não os
levava em conta, pois essas trocas psicomotoras pertencem à vida normal e ela
só estudava os doentes no hospital. Do mesmo modo como a Fisiologia acadêmica
se fez sobre rãs descerebradas e cachorros narcotizados, o que levou Letemendi
a dizer: à medicina humana falta homem e sobra rã”.(30)

Ao ocorrer um distúrbio somático, como o mau funcionamento de algum órgão,
víscera ou glândula, o sistema psíquico recebe uma comunicação e inicia a
manfestação de sintomas estranhos, muitas vezes diagnosticados como Neuroses
quando são apenas descontrole orgânico. O contrário também ocorre: um distúrbio
psíquico (não mental), mesmo momentâneo, transparece na forma de manifestações
de colite, prisão de ventre, hemorróidas, constantes azias, hipertensão (ou
hipotensão), taquicardia, má circulação nas mãos ou nos pés, dores musculares,
alergias, urticárias, acne, sudorese excessiva, asma, bronquite crônica ou
alérgica, rinite e laringite alérgicas, apnéia, diabetes, impotência,
anorgasmia feminina, enurese, psoríase, vitiligo e tantas outras. Mulheres
mal-amadas desenvolvem dores na coluna e dores de cabeça recorrentes; empregos
inadequados ou mal recompensados trazem úlcera gástrica e enxaquecas. Os
exemplos são inúmeros. A gravidez imaginária é um típico caso de
psicossomatismo. Abortos ocorrem por problemas de ordem emocional, sejam eles
medos, desgosto ou tensão nervosa. É um caso que a Psicanálise chama de
Conversão.

E esse povo está tanto nos consultórios dos psicanalistas quanto nos santuários
para ouvir a ministração do púlpito, o qual, em havendo a inteligência
mencionada em Jeremias 3.15, transformará a igreja e a sua mensagem numa enorme
comunidade terapêutica. Não era sem motivo que Jesus Cristo dizia ao suplicante
que lhe pedia a cura física, “Filho, tem bom ânimo; os teus pecados estão
perdoados”, ou, ainda, “Tem bom ânimo filha, a tua fé te salvou”
(31) Estes são apenas dois exemplos do divino interesse de Jesus pelo homem
total, que vive angustiado, sentindo-se culpado e necessitado de perdão.

Angústia
Uma jovem que sofria de Angústia, após consulta a um ginecologista, descobriu
que portava um distúrbio nos ovários. Tratada, a Angústia desapareceu. A
tireóide, quando funciona mal, é responsável por alterações de humor no
indivíduo. Muita gente considerada fria, impulsiva, alienada ou angustiada
porta distúrbios na sua tireóide.

Para Freud, a Angústia define-se como sentimentos de medo e desamparo em
relação a uma tensão de libido recalcada, uma expressão de libido reprimida.
(32) MASSERMANN, citado por TALLAFERRO (33), propôs a seguinte conceituação
“O afeto desagradável que acompanha uma tensão instintiva não satisfeita.
É um sentimento difuso de mal-estar e apreensão que se reflete em distúrbios
visceromotores e modificações da tensão muscular”. GERKIN, falando das
experiências de crise na vida hodierna e sua ministração pastoral, aborda o
conceito de Angústia fazendo-a referir-se a uma dor aguda e profunda,
sofrimento e aflição. (34)

Vezes tantas, a Angústia aparece ao mesmo tempo que palpitações, transpiração,
diarréia e respiração ofegante, fenômenos fisiológicos que podem surgir com ou
sem a consciência da Angústia. Consiste este sentimento em uma sensação de
desamparo em relação ao perigo. O perigo pode ser externo ou interno: o temor
de uma enchente, da viagem numa estrada reconhecidamente perigosa, ou a
fraqueza, covardia ou falta de iniciativa. Por essa razão, a Angústia é
considerada um dos principais problemas da Neurose, e pode originar-se tanto na
ordem psíquica quanto na somática ou em ambas ao mesmo tempo.

Traumas de infância, medo de perdas, de ser abandonada, de não ser amada, temor
da morte trazem Angústia, e esse povo quer direção segura do púlpito e
orientação firme da Palavra de Deus, a qual coloca nos lábios de Jó expressões
como, “falarei da angústia do meu espírito, queixar-me-ei na amargura da
minha alma” (35), e na boca de Davi, “… consideraste a minha
aflição, e conheceste as angústias da minha alma” (36).

Depressão
OATES ensina haver diferentes níveis de relacionamento na atividade do Cuidado
Pastoral. É aí que psicanalista e pastor seguem rotas diferentes. É nos
diferentes níveis de relacionamento que o ministro de Deus se torna amigo
pessoal, vizinho, pastor-pregador, pastor-conselheiro e companheiro de outras
atividades. Dependendo da situação em vista ou da emergência criada, o pastor
deve saber o que fazer quando chamado a intervir. Isso vale igualmente no
púlpito. Salienta, ainda, cinco níveis de Psicoterapia Pastoral, que são: o da
Amizade, o do Conforto, o da Confissão, o do Ensino, o do Aconselhamento e
Psicoterapia.

Pessoas em Depressão enquadram-se no nível do conforto. Há uma ligação muito
forte entre a Depressão e a Melancolia, visto que em ambas o paciente se
submete a incontáveis auto-reprovações: sente-se indigno, impõe-se punições, e
é como se uma força que tem a finalidade de destruí-lo se desenvolvesse.
Rejeita a alimentação, passa o tempo a dormir, não cuida de si e não se importa
com os outros.. É um quadro semelhante ao do luto. (37)

Em muitas dessas pessoas, as razões para esta Depressão permanecem ignoradas no
Inconsciente ou Pré-consciente, e as fazem precisar de um ministério de
conforto que o púlpito deve trazer. É preciso ressaltar que a possibilidade de
suicídio entre tais pessoas é altíssima, e que elas estão no nosso meio também
. OATES, que é otimista nestes casos, afirma que a dor severa da depressão pode
ser curada (38). Uma Terapia Breve, mesmo através da pregação, deve ter como
primeiríssimo passo trabalhar a baixa auto-estima, seguindo-se a restauração da
confiança pelas forças do Ego, o que o leigo chama de “massagear o
ego”, e a Bíblia destaca o “amar o próximo como a si mesmo”
(39). O terceiro passo será a inversão da auto-agressão, seguido pelo
estabelecimento de uma ligação da compreensão dos aspectos dinâmicos com a
situação que precipitou a Depressão e as situações genéticas anteriores.

O pregador há, ainda, de oferecer apoio através da disponibilidade expressa (se
tem treinamento adequado para lidar com a situação) ou fazer referência a um
profissional da área de saúde mental. O pastor deve estar alerta para o fato de
que a tentativa ou ameaça de suicídio é um pedido de socorro. É evidente que o
pastor/pregador tem ao seu dispor recursos alheios ao tratamento psicanalítico:
a atuação do Espírito Santo e o poder da oração. (40)

Sentimento de Culpa
Para muitos psicanalistas e psicólogos, a idéia de Culpa é a causa de inúmeras
perturbações psíquicas. No entanto, a realidade verificada é que estes
sentimentos são tão universais quanto o medo, a fome e o amor.

Para FREUD, os Sentimentos de Culpa são o resultado de pressões sociais. Nascem
na mente da criança quando os pais a castigam, e não são outra coisas senão o
medo de perder o amor deles. É conseqüência da construção e do reforço do
Superego. JUNG, por sua vez, afirma ser a recusa da aceitação plena de si
mesmo. DE ODIER distingue entre “culpa funcional” e “culpa de
valores”, sendo a primeira a conseqüência de uma sugestão social, medo de
tabus ou de perder o amor das outras pessoas. A “culpa de valores” é
a consciência genuína de que se transgrediu uma norma autêntica; é o juízo
livre que o ser humano faz de si próprio sob uma convicção moral (41). Martin
BUBER, o pensador judeu, expõe a “culpa genuína” e a “culpa
neurótica” à qual chama também de “irreal”, e para quem a culpa
genuína sempre gira em torno de alguma violação das relações humanas,
constituindo uma ruptura na relação Eu-Tu.

No conceito bíblico, a Culpa não pode ser separada do pecado: é desacato à
autoridade de Deus, e nasce da transgressão de qualquer dos mandamentos
revelados na Sua Palavra como bem o declara 1João 3.4: “Qualquer que
comete pecado, também comete iniqüidade; porque o pecado é iniqüidade”.

A estas pessoas, o púlpito pode ministrar levando-as à Confissão, Reparação da
falta cometida logo que possível e Renúncia do pecado. O púlpito que ministra
ao culpado lhe dirá como Jesus “Nem eu te condeno. Vai, e não peques
mais”. (42)

CONCLUSÃO: O RESULTADO

A Pregação tem seu lado terapêutico como acima exposto. E o objetivo do púlpito
evangélico é levar o crente em Jesus Cristo a crescer. Crescer “na graça e
no conhecimento de Jesus Cristo”, aperfeiçoá-lo para o desempenho do
ministério do seu ministério, e levá-lo “à medida da estatura da plenitude
de Cristo”; conduzindo-o à abundância de vida libertando-o de suas
mazelas, afetos e complexos. (43)

Esta relação de ajuda mantida pelo púlpito e ensino aumentará o conhecimento
que cada um tem de si mesmo, levará o ouvinte/ovelha à auto-aceitação como um
ato de maturidade, leva-lo-á a uma capacidade de estabelecer melhores
relacionamentos com Deus, com os outros e com si mesmo, terá a confiança
reforçada, liberdade de amar e alegria de viver porque tudo isso é o que a
Psicanálise realiza e com muito mais propriedade a ministração cristã através
da Pregação.

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Notas
(1) KLINE, p. 9.
(2) Em 1999, foi comemorado o centenário da obra de Freud A Interpretação dos
Sonhos, trabalho essencial para a interpretação psicanalítica.
(3) MIRA Y LÓPEZ, p.48.
(4) SILVA, Gastão Pereira da, p. 143.
(5) Cf. SILVA, Gastão Pereira da, pp. 40ss.
(6) Cf. p. 103.
(7) “Afeto” em Psicanálise é tudo o que afeta uma pessoa, e não
“afeição” conforme o uso comum da palavra.
(8) Cf. p. 103.
(9) Ez 33.30-32.
(10) Nos Estados Unidos utiliza-se a denominação Pastoral Care para designar a
soma de atividades pastorais, de cura-de-almas, aconselhamento, capelania, etc.
(11) Cf. OATES, p. 141.
(12) Cf. OATES, pp. 146s.
(13) Cf. TALAFERRO, p. 39.
(14) Cf. TALAFERRO, p. 39.
(15) Cf. TALAFERRO, p. 39.
(16) Op. Cit, p. 34.
(17) Cf. p. 80. Daí o dito psicanalítico de que “Pai não
morre”.
(18) Cf. BRABANT, p. 25.
(19) Cf. WEISMANN, p. 23.
(20) Cf. p. 75.
(21) Cf. HORNEY, A Personalidade Neurótica do Nosso Tempo, p. 36.
(22) Rm 5.1.
(23) Cf. HURDING, p. 33.
(24) A palavra “Conversão” usada em Psicanálise não tem
fundo religioso. Refere-se às reações somáticas provenientes de conflitos ou
traumas psicológicos.
(25) ELLIS, p. 27.
(26) Cf. WILLIMON, William H. Worship as Pastoral Care.
(27) Cf. Rom 7.15ss.
(28) Citado por ZILBOORG, p. 128
(29) OATES, p. 20.
(30) Cit. SILVA, Valmir Adamor da, p. 20
(31) Cf Mt 9.1-7; 20-22.
(32) Cf. HORNEY, Novo Rumos na Psicanálise, p. 50.
(33) Cf., p. 171.
(34) Cf. p. 75.
(35) Jó 7.11.
(36) Sl 31.7.
(37) Cf. NUNBERG , p. 154.
(38) Cf. p. 201.
(39) Cf. Mt 22.39.
(40) SMALL sugere como traço adicional à Terapia Breve o que chama
de “compreensão interna (insight) que, no caso do pastor/pregador, tem
correspondência na Escritura Sagrada: 1Coríntios 12.10; Hebreus 4.12; 5.14.
(41) Cf. MARTINEZ, Vol 2, p. 63.
(42) Jo 8.11.
(43) Cf. 2Pe 3.18; Ef 4.11-13; Jo 10.10.

Parte
V
PREGAÇÃO
O literal e o analógico
Usamos com muita normalidade imagens, analogias e ilustrações na
conversação diária. Com efeito, fazemos poesia quando conversamos, e, como
pregadores, realizamos a pregação como uma atividade poética. Se é criação,
feitura, há de ser um poema. É lembrar que na língua grega, “feitura”
se diz poeimia, de onde resulta a nossa palavra “poema”. Pregação é
igualmente uma atividade dramática. No ato de interpretar e repassar a palavra
um verdadeiro sociodrama, ou, melhor ainda, um psicodrama, quando nos vemos, e
nos descobrimos nos meandros e na mensagem do texto sagrado. Ainda mais:
pregação é um canal de graças. Bênçãos sem conta descem nessa virtual escada de
Jacó quando os anjos sobem levando o incenso e o fervor de nossas orações, e
descem trazendo a bênção, a unção e a graça do trono de Deus.

Eis-nos diante do texto. Temos necessidade de interpretá-lo. É preciso
hermeneutizar porque o povo de Deus gasta considerável parte do seu tempo em
cultos, Escolas Bíblicas, células ou pequenos grupos de crescimento discutindo
documentos escritos que são os textos bíblicos. Também pelo fato de que estes
textos constituem o cânon da Escritura da comunidade, e porque a igreja, apesar
de ter o cânon fechado, serve a um Deus vivo e que dá direção. Ainda mais: a
igreja necessita da interpretação dos textos bíblicos que reside na relação
entre a igreja e as Escrituras. Relação que não é simples, visto que a
autoridade da Escritura se faz presente, e ela informa, mas também corrige,
confirma, encoraja e julga.

É verdade. A Bíblia precisa ser interpretada por, pelo menos, dois motivos:

1. É composta por livros antigos pertencentes a uma cultura diferente da nossa:

2. Tem uma mensagem válida e permanente que deve ser aplicada a situações
vividas hoje.

Observe-se, no entanto, que a interpretação bíblica tem sido uma área de
intenso conflito. Ou como o expressou Bultmann: “Não existe uma
interpretação neutra da Bíblia”. No entanto, faz-se a interpretação com
base em:
· diferentes formas de interpretar;
· diferentes comunidades de intérpretes: judaísmo, protestantismo, catolicismo;
· diferentes visões: científica, literária, pastoral, teológica.

Ao lado do método histórico, também chamado de literal, tem sido largamente
difundido o alegórico, que propõe que além do significado comum e óbvio de uma
passagem bíblica expresso pelo primeiro, existe o significado real ou
espiritual.

Esse sistema foi desenvolvido pelos gregos c. 520 a. C. para a interpretação de
Homero e Hesíodo. Mais adiante, intérpretes judeus , notadamente Aristóbulo (2o
século a. C.) e Filo de Alexandria (1o século d.C.). Esse método alegórico foi
muito usado até a Reforma. Era marcado pela pouca preocupação com o panorama
histórico. “Jerusalém”, por exemplo, podia ser a Cidade Santa, mas
também a Igreja. Pedro, na sua Primeira Carta, descreve o diabo como um leão
que ruge. No 5o século, Agostinho interpreta a arca como figura da Igreja. Suas
dimensões representavam para ele o corpo humano de Cristo, e a porta ao lado da
arca são as feridas no lado de Cristo crucificado. Na Idade Média, houve uma acentuada
preferência pelo Cântico dos Cânticos. Nele, Salomão foi alegorizado como Jesus
Cristo, e a Sulamita como a Igreja.

Tem sido longa a história da interpretação e uso dessa interpretação na
pregação cristã. Entre os judeus, três etapas marcam sua parte na história: de
300 a. C. a 200 d.C.; de 200 a 700; de 700 a 1100. A ausência do profetismo fez
surgir a sinagoga e a figura do rabino, ou mestre, cuja tarefa era
fundamentalmente harmonizar os textos entre si, e adaptar a escritura a toda
circunstância. Deu-se a formação do corpo da Lei Oral (o Talmud) em
contraposição à Lei Escrita (a Torah) já existente. Criou-se, afinal, um
sistema vocálico pelo massoretas para a preservação da pronúncia do texto
avocálico.

A interpretação da Igreja Apostólica foi de tipológica, passando pela simbólica
até a cristológica.. Isso significa que passagens do Antigo Testamento foram
tidas como figuras e tipos das ações messiânicas para o primeiro caso. Quanto
ao simbolismo, prevalece o sinal e o símbolo mais que a interpretação literal
ou histórica. Na terceira, o eixo de pensamento é Cristo.

Na interpretação patrística (séculos II a V), a Escritura possui um sentido
espiritual oculto que deve ser descoberto.

Para os Apologetas, o Antigo Testamento é sombra do Novo. O método largamente
utilizado foi o tipológico. Nesse caso, algumas palavras do Evangelho devem ser
lidas como alegoria.

A Escola Alexandrina (Egito), que vigorou entre 180 e 450, conciliava a
filosofia grega com a mensagem cristã, usando igualmente o método alegórico. Na
verdade, os alexandrinos viam três sentidos na Bíblia:
· literal
· moral
· alegórico

Assim, diziam que as funções da Bíblia eram: narrar o que acontecera; sugerir
ensinos morais e exigir a busca do sentido profundo. O próprio Orígenes pontificava
que para os principiantes era o sentido corporal; para os avançados, o
psíquico; para os perfeitos, o espiritual.

A Escola Antioquena (Síria, 280 a 500) buscava o sentido literal e histórico.
Estudava o contexto para descobrir o sentido literal. Para isso, estudava a
Bíblia palavra por palavra. Na busca do sentido típico, partiam para o antítipo
através do tipo.

Os Capadócios (Ásia Menor) situaram-se no meio caminho entre os alegóricos de
Alexandria, e os histórico-literais de Antioquia.

Na Idade Média (séculos VIII-XIV) foram estabelecidos os quatro sentidos da
Escritura:
· Literal, que mostra os fatos reais.
· Alegórico, que ajuda a descobrir o mistério oculto
· Moral, que orienta os costumes
· Anagógico, que encaminha para as realidades transcendentais

Realmente, um longo caminho até hoje.

LITERALIDADE

É a significação conceitual imediata que o autor dá a suas palavras para
expressar uma idéia. Para isso se serve das regras convencionais de gramática
dentro de uma lógica de sentido comum, refletindo a situação histórica concreta
em que vive o referido autor. Recebe também os nomes de Sentido Histórico e
Lógico-Gramatical.

Não se procura ver um sentido cabalístico desligado do contexto histórico. No
entanto, o autor bíblico pode expressar suas idéias com palavras que hão de ser
tomadas em sentido próprio.

O sentido literal é o óbvio e geral, a exegese o esclarece prontamente.

ANALOGIA

Ensina Buttrick que “a pregação busca a linguagem metafórica porque Deus é
uma misteriosa Presença-na-Ausência”. Daí o aparente misterioso nome de
Deus Eu-Sou-O-Que-Sou, que visa a dizer (o que não foi repassado pelos antigos
tradutores) “Eu-Sou-O-Que-Sempre-Serei”,
“Eu-Serei-O-Que-Sempre-Tenho-Sido”, “Eu-Continuarei-A-Ser-O-Que-Sempre-Fui”,
“Eu-Não-Mudo”, ou, ainda, “Eu-Sou-O-Eterno”.

De fato, algumas vezes, onde não há uma definição formal, torna-se claro o
significado pelo uso de alguma expressão análoga ou pela antítese, em sentido
figurado ou metafórico. Nesse caso, há largo uso de sinédoques, metonímias,
metáforas, ênfases, hipérboles e elipses. Entenda-se alegoria como uma metáfora
continuada.

De modo amplo, analogia é qualquer semelhança que se estabelece por um
confronto. Pode haver algum grau de imperfeição, evidentemente., mas deve ficar
sempre bem patente que a analogia fixa o significado da forma de uma palavra
pela forma semelhante de outra conhecida. A palavra já determina o conceito,
ana-ton-auton-logon, ou seja, “segundo o mesmo logos”. Isso quer
dizer que mantendo diversidade de duas coisas, é dado lugar a certa semelhança,
embora pequena, que baste para manter a comparação. As essências são diversas,
mas a relação é a mesma. E porque a “analogia é uma estrutura fundamental
em todos os campos do ser e do saber, também se faz presente na interpretação
da palavra de Deus.

Aristóteles entendia que a denominação por analogia era o tipo mais importante
de metáfora ou de sentido translato. A própria palavra “metáfora”
significa “transporte”; transporte de conceitos, de idéias, de
significados. Dizer que alguém “entrou pelo cano” é um metáfora,
assim como algumas metáforas perderam esse sentido, como, por exemplo, quando
alguém na Idade Média da língua portuguesa era perseguido por cães ferozes, e
lembrando que a palavra “cão” no português antigo se dizia
“perro”, era uma pessoa “aperreada”, alguém que estava em
sérias dificuldades de ser destroçado por aqueles animais intratáveis. Diz-se
que há uma “analogia”, uma “correspondência”. A linguagem
já foi definida como uma dicionário de metáforas extintas. Entendendo assim, a
Bíblia deve ser definida “como um complexo de metáforas válidas: metáforas
e parábolas, que aludem às realidades divina e humana”.

Na Bíblia, há uma relação entre “loucura” e “pecado”,
portanto, “sabedoria” terá a ver com “retidão” e
“piedade”. A Bíblia usa fartamente a linguagem analógica, a linguagem
de correspondência. Dizemos com a Bíblia que “o Senhor sobre ti levante o
rosto…” “Deus é luz” e “se andarmos na luz, como ele está
na luz…” , e que “o Verbo se fez carne, e habitou entre
nós…” E tudo isso é linguagem da analogia.

Símbolos Sagrados

Sem dúvida, o simbolismo bíblico é um dos assuntos mais difíceis, talvez, ou
mesmo, delicado para ser tratado pelo intérprete da Bíblia Sagrada. Do Gênesis
ao Apocalipse, símbolos são larga e fartamente utilizados, e caíam na
sensibilidade dos ouvintes ou leitores porque uma lição espiritual e moral se
encontrava implícita. A formação do Adam em suas modalidades de ish e ishah;
Torre de Babel, a b’rith milah, a Escada de Jacó, a Sarça Ardente, a Cruz do
Calvário, as línguas-como-de-fogo do Pentecostes, todo o variadíssimo desfile
de animais fabulosos, números, cores, cidades, nuvens, lagos, praças ensinam
que há pertinência para uma tentativa de extrair das metáforas, alegorias e hipérboles
lições eternas plenas de concretude para a prática de vida do cristão das
vésperas do século 21, e, particularmente, do obreiro e da obreira na Causa de
Jesus Cristo.

Verdades espirituais e oráculos proféticos foram transmitidos em símbolos que merecidamente
podem receber o nome de sagrados, e, assim, a providência e a graça de Deus
foram repassadas até hoje. Por causa deste caráter enigmático, há necessidade
de intérpretes que tenham um discernimento sadio e apropriado, para que aquilo
que se apresenta confuso, ilógico e fora de propósito, tome forma, razão e
objetivo.

O método apropriado e lógico de investigar os princípios do Simbolismo consiste
fazer uma comparação entre os variados símbolos bíblicos, especialmente aqueles
que se fazem acompanhar de uma solução autorizada. É possível que haja quem
negue a realidade de certos relatos ou de detalhes nesses relatos. Há quem
negue a espada flamejante “ao oriente do jardim do Éden”, por não
entender o simbolismo do fogo, sinal da presença, da direção, da glória ou da
justiça de Deus.

O sangue é um elemento freqüentemente lembrado por seu altíssimo simbolismo
espiritual. Da Antiga à Nova Aliança, o sangue se faz presente; presente e
marcante.

O Sangue como Símbolo

Sangue em hebraico é dam. É palavra tão importante que aparece 360 vezes no
Antigo Testamento. O livro de Levítico (Vaiykra) tem a maior freqüência com 88
registros, sendo seguido por Ezequiel com 55 menções. A grosso modo, é possível
dividir a menção do sangue em duas partes:
.O derramamento de sangue como resultado de violência resultando geralmente em
morte, como no caso de guerra ou assassinato.
.O derramamento de sangue, sempre resultando em morte, como ato litúrgico:
sacrifício ou consagração a Deus.

O sangue simboliza a vida: o sangue da vítima é a vida que é passada através da
morte. Por essa razão, quando se afirma que alguém é “salvo pelo sangue de
Cristo” está, na verdade, dizendo que somos salvos pela vida de Cristo, e
deste modo, participamos de Sua vida.

Outra interpretação enfatiza que o sangue no Antigo Testamento denota não a
vida, mas a morte, ou seja, a vida que é oferecida na morte. Que seja
esclarecido, no entanto, que não há nos conceitos veterotestamentários qualquer
preocupação com morbidez das divindades que regiam o mundo do além (como
imaginavam os vizinhos pagãos do povo de Israel).

Examinar, portanto, símbolos é buscar sentido, as idéias, o que queremos
expressar. E a expressão requer signos (palavras, vocábulos, gestual).
Lembremos, entretanto, que estamos tratando de um mundo e de uma mente que
diferem substancialmente da nossa: somos cidadãos ocidentais, latinos, beirando
o século 21, de mentalidade helênica, com capacidade de pensar em abstrações;
os livros que compõem o Antigo Testamento refletem um modo de vida oriental,
semita, de 3 mil anos passados, com imensa tendência de pensar em termos
concretos. Portanto, o figurativo, o plástico, o gráfico seria o signo para dar
sentido às expressões que não poderiam ser traduzidas por vocábulos, aquilo que
Saussure chamou de significante, de ordem material e que se situa no plano da
expressão.

Alegoria

É um recurso de linguagem que consiste na representação de uma idéia abstrata
por uma figura dotada de atributos que sugerem aquela mesma abstração. Ensina
Fountain que a alegoria é a extensão da metáfora, quando metáfora, por sua vez,
indica semelhança entre duas coisas diferentes, declarando que uma é a outra.
A alegoria é uma forma de interpretação. Segundo Hansen, “Decifra
significações tidas como verdades sagradas, ocultas na natureza sob a aparência
das coisas e também na linguagem figurada dos textos das Escrituras, que
revelam um ‘sentido espiritual'”.

De acordo com a alegoria hermenêutica, existe uma prosa do mundo a ser
pesquisada no mundo da prosa bíblica. E adianta o mencionado Hansen que
“se as coisas podem ser consideradas signos na ordem da natureza, é porque
são signos na ordem da revelação… os da Escritura designam coisas e estas,
por sua vez, designam verdades morais”.

É precisamente uma verdade moral e espiritual que se procura abordar no exame
de material extraído do livro do Levítico. O texto escolhido vem do capítulo 8
que trata da consagração de Arão e seus filhos. Remetemos o leitor ao estudo
Consagrado para Cuidar, amostra do que foi trabalhado em um trecho da palavra
de Deus, e já publicado na página Bíblia World Net.

FONTES PRIMÁRIAS

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