Uma Outra Hermenêutica
por Helder Nozima

Desde que a serpente se atreveu a aconselhar Eva no Jardim do Éden que
os falsos mestres e profetas estão à solta no mundo. Reconhecê-los nãoé
tarefa fácil, pois estão em nosso meio, comparecem aos nossos cultos,
imitam os nossos gestos e se dizem nossos irmãos de fé. Entretanto,
quando expõem a sua doutrina, mostram claramente a quem servem e a
que vieram.
Os falsos mestres continuam seguindo o mesmo script usado por seu
mestre no Jardim do Éden. Assim como a serpente, eles pegam a Palavra
de Deus e a questionam. Relativizam aquilo que é absoluto, criam uma
outra explicação para aquilo que está óbvio na Escritura. Acrescentam um
pouco de conhecimento próprio, vindo ou por meio do misticismo ou
então, em nome da “ciência” e, se você der ouvidos a eles, acabará tendo
em suas mãos uma outra palavra, diferente daquela que Jesus nos
concedeu.
Os falsos mestres são relativistas, assim como o diabo. Para Satanás,
pouco importa em que tipo de mentira você acredita, se você é um ateu ou
um idólatra. Ambos são válidos, ambos o levarão ao inferno. O que
importa é evitar que você chegue a verdade. Por isso, seu método preferido
é questionar aquilo que está escrito, dizer que é impossível descobrir a
verdade, fazer com que você construa a sua própria verdade, ao invés de
aceitar a Verdade que vem do alto. Por isso, os falsos mestres provocam
divisões na igreja. Eles ignoram Efésios 4.4-6, que afirmam que existe uma
só fé e começam a dizer que há “uma fé segundo Paulo”, ou “uma fé
segundo Pedro”, como eles fizeram na igreja de Corinto. A seguir, eles logo
dirão que é impossível saber o que é a fé.
Para os falsos mestres, existem várias maneiras de se interpretar a
Escritura. Eles jamais dirão que só existe uma interpretação certa para
cada versículo. Na verdade, o que eles dirão é que é impossível saber qual
a interpretação correta, que não existem parâmetros confiáveis para se
chegar até a verdade. Ora, a conseqüência lógica disso é que nunca se
pode ter certeza do que Deus realmente queria dizer com a Bíblia.
UMA OUTRA “ESCRITURA”
Se não podemos saber ao certo o que a Bíblia diz, ela falha em comunicar
a vontade de Deus para a nossa vida. Isso torna necessário procurarmos
outras formas de conhecimento ou revelação que completem a lacuna
deixada pela Escritura Sagrada. No Jardim do Éden, Satanás fez isso
quando acrescentou as suas palavras à Palavra de Deus, dizendo que Eva
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seria como uma deusa se comesse o fruto proibido. Os falsos mestres
continuam a agir deste modo nos dias de hoje. Alguns procuram completar
a Bíblia com supostas revelações vindas do alto, que revelariam segredos
de Deus que não estão na Escritura. Outros querem se fiar no
conhecimento e na ciência, e submetem os textos sagrados ao crivo da
opinião de cientistas. Reinterpretam a Bíblia para que se adeqüe as
últimas novidades ou possibilidades científicas. Na prática, fazem da
ciência, e não da Escritura, a fonte mais confiável da verdade.
Esta visão choca-se frontalmente com um dos pilares da Reforma
Protestante: o Sola Scriptura. Para os falsos mestres, a Bíblia não dá a
última palavra sobre questões de teologia, ela não é suficiente. É
necessário que a Bíblia seja completada com revelações místicas ou pelas
últimas descobertas das ciências naturais e humanas. As visões, as
impressões, os últimos estudos, tudo isso deixa de ser um auxiliar na
interpretação da Escritura para se tornarem os fatores que determinam
como a Escritura deve ser lida. Os falsos mestres produzem, de fato, uma
outra Escritura.
UMA OUTRA ÉTICA
Depois que os falsos mestres tornam impossível descobrir o que diz a
Escritura e procuram outras fontes de autoridade para completá-la, eles
conduzem a Igreja a uma outra ética. Quando Satanás questionou a
verdade e acrescentou a sua opinião pessoal sobre a ordem de Deus, ficou
fácil convencer Eva a pecar.
Os falsos mestres pregam uma outra ética. Negam que existe uma verdade
absoluta que seja válida em situações extremas. Apelam para o foroíntimo,
a sua verdade é pessoal. A decisão que você toma hoje pode não ser a mais
correta para outra pessoa que esteja na mesma situação. O pior é que,
fatalmente esta outra ética acaba se encaixando sob medida nas
concupiscências humanas. Os falsos mestres dizem o que as pessoas
querem ouvir. Eles diminuem o valor do pecado, e o justificam. Dizem que
nós não estamos no lugar daquela pessoa que está diante de um dilema, e,
por isso, nada podemos dizer a ela. Ao invés de confrontar o pecado das
pessoas e mostrar a elas a conseqüência de seu erro, os falsos mestres
dizem paz, paz. Curam superficialmente as almas porque nunca chegam
ao âmago do problema das pessoas. Os falsos profetas querem apenas que
as pessoas se aceitem, e se sintam bem. Já os verdadeiros profetas agem
como Natã diante de Davi: não desculpam o nosso pecado, confrontam-nos
com a verdade e expõem a disciplina do Senhor, para que, finalmente, os
pecadores possam se arrepender de seu mal e serem restaurados.
UM OUTRO DEUS
Quando você passa a ter uma outra hermenêutica, uma outra Escritura e
uma outra ética, você acaba produzindo um outro Deus. Quando Satanás
levou Eva a pecar, questionando a verdade, dando outra forma de
autoridade e levando-a ao pecado, o diabo fez de Eva uma idólatra, uma
adoradora de si mesma. Os falsos mestres, inevitavelmente, nos levam a
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adorarmos um outro Deus e um outro Cristo, diferentes do Deus e do
Cristo da Bíblia.
Os falsos mestres nos acusam de fundamentalistas intolerantes quando
questionamos os seus ensinos e dizemos que eles conduzem à apostasia.
Mas, a verdade que eles querem esconder é simples como a água: um
outro ensino fatalmente leva a um outro Deus. Por isso, em 2 João, o
apóstolo é tão rígido com aqueles que ultrapassam a doutrina de Cristo, e
nela não permanecem. Por isso, em Gálatas 1.8, Paulo declara maldito
todo aquele que anuncia um evangelho diferente do anunciado por ele.
O Deus das Escrituras é absoluto. O Deus dos falsos mestres é relativo. O
Deus das Escrituras diz que a verdade é Cristo. O Deus dos falsos mestres
diz que a verdade é uma para cada um. O Deus das Escrituras diz que a
restauração do pecador depende de um sério arrependimento do pecado. O
Deus dos falsos mestres não exige arrependimento, desculpa o pecado de
seus servos e evita confrontá-los com o erro.
UMA OUTRA IGREJA
Uma vez que o falso ensino nos leva a adorarmos falsos deuses, a
conseqüência é clara: falsos mestres produzem uma outra igreja. Em
Apocalipse 2.9, Jesus fala da sinagoga de Satanás, formada por pessoas
que se dizem judias, mas não o são. Do mesmo modo, hoje existe a igreja
de Satanás, formada por pessoas que se dizem cristãs, mas não o são.
Infelizmente, esta falsa igreja está no meio da igreja verdadeira.
Judas fala que os falsos mestres se introduzem, com dissimulação, no
meio da igreja (Jd 4) e que eles são como rochas submersas em nossas
festas de fraternidade, banqueteando-se conosco, sem qualquer dor na
consciência por isso (Jd 12). São como o joio que cresce junto com o trigo.
Dividem o mesmo espaço, tentam se fazer passar por trigo, recebem a
mesma água que ele, mas não são trigo. Uma vez que possuem uma raiz
diferente, pois partem de uma outra hermenêutica, é impossível que eles
produzam o mesmo fruto que o trigo.
O QUE FAZER?
A primeira coisa que precisamos fazer é aprender a seguir o conselho de
João: provar os espíritos. É agir como os crentes de Beréia, e conferir com
as Sagradas Escrituras todo o ensino que recebemos, quer ele venha de
um desconhecido quer ele venha do maior teólogo vivo de nossos dias.
Hoje em dia, os evangélicos perderam o seu senso crítico. Eles aceitam
tudo e todos que usem o rótulo “evangélico”. Esqueceram as advertências
bíblicas para nos acautelarmos dos falsos mestres, e do estrago que estes
promovem no seio da Igreja. Precisamos recuperar este senso crítico.
Em segundo lugar, é preciso confrontar os que estão no erro. Paulo diz a
Timóteo que ele deveria ser paciente e disciplinar com mansidão os que se
opõem, na expectativa de que Deus os conduza ao arrependimento (2 Tm
2.24-26). Depois de uma primeira e uma segunda admoestação, se não
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houver arrependimento, então eles devem ser evitados (Tt 3.10-11). Se
persistirem em ensinar outra doutrina, que não concorda com o ensino de
Jesus, receberão da Bíblia o testemunho de pessoas que nada entendem,
cuja mente é pervertida e que são privados da verdade (1 Tm 6.3-5). Quem
não traz consigo a doutrina de Jesus, não deve receber sequer as nossas
boas-vindas, para que não nos tornemos participantes de suas obras más
(2 Jo 10-11).
E, por fim, precisamos seguir o conselho de Paulo a Timóteo: cuidar de nós
mesmos e da doutrina (1 Tm 4.16), para que possamos salvar a nós
mesmos e aos outros. É preciso que cada um de nós se examine
constantemente e busque sempre o estar mais próximos de Cristo, a nossa
santificação. Mas é fundamental que não nos esqueçamos da sã doutrina,
pois é por meio dela que sabemos o caminho da salvação e como nos
aproximamos do Único e Verdadeiro Deus.
Não nos esqueçamos nunca: uma outra hermenêutica (uma outra forma
de interpretar a Bíblia) fatalmente nos levará a um outro Deus e uma
outra igreja. O Deus a quem servimos e a Igreja a qual pertencemos são
descobertos no momentm em que revelamos no que acreditamos.
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