HISTORIA DA IGREJA
.
S8H DOUTRINA DA IGRE.
ESCATOLOGIA
HERESIOLOGIA
LOUVOR E ADORAÇAO (matéria suplementar)
I
■ j r faculdade teológica betesda
I Moldando vocacionados
APRESENTAÇÃO
“Então conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor” (Oséias 6.3).
O conhecimento sobre Deus não é apenas uma possibilidade, mas também um direito de todas as pessoas. A
Bíblia Sagrada nos ensina que Deus, graciosamente, revela-se ao homem, convidando a todos a experimentarem
sua bendita graça.
Com essa visão, e sob o lema “Moldando vocacionados”, a FTB – FACULDADE TEOLÓGICA BETESDA,
uma instituição interdenominacional filiada às principais entidades da classe, oferece os seguintes cursos:
• FUNDAMENTAL EM TEOLOGIA (1 ano em média) • GREGO E HEBRAICO (6 meses)
• INTERMEDIÁRIO EM TEOLOGIA (2 anos em média) • ARQUEOLOGIA BÍBLICA (6 meses)
• BACHAREL EM TEOLOGIA (3 anos em média) • MISSÕES TRANSCULTURAIS (6 meses)
• APOLOGÉTICA CRISTÃ (1 ano)
A fim de ajudar no aperfeiçoamento de todos os envolvidos e na expansão do reino de Deus, conforme Efésios
4.12, o objetivo da FTB é a formação integral do aluno, lapidando seus talentos e capacitando-o ao exercício
pleno das funções ministeriais.
PROPOSTA
Para a FTB, o conceito de formação teológica é mais amplo. Entendemos que não é possível obter uma boa
formação teológica sem antes passar pela formação do caráter e pelo desenvolvimento de um relacionamento
pessoal com Deus.
Dessa forma, estamos preocupados não apenas com os aspectos acadêmicos, mas antes trabalhamos
profundamente a reflexão e aplicação prática de todo o aprendizado teórico/doutrinário.
Foi com esse pensamento que preparamos a nossa Grade Geral de Disciplinas dos níveis FUNDAMENTAL,
INTERMEDIÁRIO e BACHAREL (ver p. 6 e 7), com matérias teológicas teóricas e práticas, vivência
cotidiana como cristão e o dia-a-dia do ministério e da igreja. Para isso contamos com professores preparados,
na sua maioria pastores de igrejas, estágios supervisionados integrando plenamente o aluno com as igrejas e
a comunidade, plantão de assistência ao aluno, aulas presenciais com professores convidados, ampliando em
muito o rendimento do aluno, entre outros recursos.
MÉTODO ADOTADO
O ensino à distância. Em meio ao corre-corre da vida moderna, a modalidade do estudo à distância é um
recurso que vem sendo utilizado com grande sucesso em todo o mundo pelas melhores universidades. E foi para
atender à realidade de milhares de cristãos no Brasil, que gostariam de ter formação teológica com a comodidade
de estudar em casa, que a FTB adotou esse modelo prático e eficiente de ensino.
Aulas presenciais. Com o objetivo de criar uma interação entre alunos e professores, a FTB promove uma aula
especial (INTENSIVÃO) por mês, com renomados teólogos brasileiros e internacionais. Cada aluno será informado
com antecedência sobre a agenda e o local dessas aulas. Através do nosso site: www.faculdadebetesda.com.br e do nosso
Programa “Crescendo na Fé” (Rádio Musical FM 105,7).
Os módulos. O Plano de Educação à D istância da FTB é contemplado em 13 MÓDULOS bimestrais,
e cada módulo corresponde a um livro de alta qualidade gráfica e de conteúdo, com cinco disciplinas,
sendo quatro tradicionais e uma especial, voltada à prática da teologia e da vida cristã, totalizando 65
DISCIPLINAS, algo inovador e que revela a seriedade com que a FTB trata a formação dos seus alunos
(ver infográfico na p. 6 e 7). OBS: Caro aluno, você deve permanecer obrigatoriam ente 2 meses (no
mínimo) em cada módulo. Terminando antes desse prazo, mínimo programado pela nossa diretoria
pedagógica, busque leituras adicionais para o seu enriquecimento. No final de cada matéria há uma
lista de obras interessantes como sugestão de leitura!
A avaliação. Ao final de cada módulo, o aluno deverá ser aprovado pelo Corpo Docente da FTB, quanto
ao seu aproveitamento das respectivas matérias, por meio de AVALIAÇÕES TEÓRICAS (Prova Dissertativa
Individual), que deverão ser respondidas e enviadas para a secretaria da escola ou entregues à coordenação em
alguma aula presencial (ver final de cada matéria). A NOTA MÍNIMA PARA SER APROVADO É 7.0.
Ao final de cada capítulo há algumas perguntas de recapitulação. Não há necessidade de nos enviar.
O estágio. Preocupada com a prática e a fixação do conhecimento do aluno, a FTB exige um ESTAGIO
PRÁTICO SUPERVISIONADO. Nesse estágio, cabe ao aluno, em parceria com a sua igreja, ministrar uma
aula, estudo ou pregação a um grupo de irmãos, com a presença de um dos líderes locais, que assinará a Carta de
Estágio (ver modelo na p. 171 e 172).
O suporte. Buscando atender aos seus alunos da melhor forma possível, a FTB disponibiliza uma central
telefônica, a sala on-line do site da faculdade na Internet, além de o aluno também poder agendar uma consulta
teológica pessoal com um dos nossos docentes. Para isso basta o aluno ligar para a secretaria da FTB.
A formação. Para qualquer curso concluído, a FTB fornece CERTIFICADO e/ou DIPLOMA, sem nenhum
ônus para o aluno, além de um HISTÓRICO ESCOLAR, devidamente preenchido com as notas obtidas.
Os pré-requisitos. Para estudar na FTB é necessário preencher alguns requisitos básicos:
• CURSO FUNDAMENTAL DE TEOLOGIA – Ser alfabetizado
• CURSO INTERMEDIÁRIO DE TEOLOGIA – Ser alfabetizado
• CURSO BACHAREL EM TEOLOGIA – Ter 2o Grau completo ou completar até o término dos estudos na FTB
Dicas. Ao final de cada matéria há uma lista das obras consultadas. Vale a pena você adquirir essas e outras
obras de referência, ampliando assim o seu conhecimento.
Além disso, visite o site da FTB. Nele você encontrará um ambiente totalmente voltado ao suporte do aluno
e muitos artigos e informações complementares para sua formação.
• Visite o site: www.faculdadebetesda.com.br
A Editora Betesda, mantenedora da FTB, possui muitos livros e materiais. Na condição de aluno
matriculado, você pode desfrutar de vantagens exclusivas. Consulte nosso atendimento.
• Visite o site: www.editorabetesda.com.br
Outra dica valiosa que deixamos para você é a revista POVOS, a melhor revista evangélica do Brasil, e
uma das melhores do mundo na proposta editorial que apresenta. A revista POVOS cobre temas ligados
à atualidade, passando pela teologia, missões, apologética e curiosidades. Faça sua assinatura!
• Visite o site: www.revistapovos.com.br
NÚCLEOS PRESENCIAIS
Além do modelo à distância, no qual já contamos com mais de 5 mil alunos, incluindo os cursos teológicos
e de línguas bíblicas, a FTB oferece cursos presenciais, tanto em sua sede, na capital paulista, bem como em
outros núcleos regionais. Se você preferir, estude conosco em sala de aula nos seguintes cursos: Curso de
•”Teologia (Fundamental, Intermediário e Bacharel) – Curso de Línguas Bíblicas (Grego e Hebraico) – Curso de
Arqueologia Bíblica – Curso de Apologética Cristã – Curso de Missões Transculturais.
PARCERIAS FIRMADAS
Visando a troca de informações e experiências, a FTB tem firmadas algumas parcerias estratégicas
que proporcionam ao aluno e docentes grandes vantagens de acesso ao conhecimento. Algumas delas são:
AGIR (Agência de Informações Religiosas); CFT (Conselho Federal de Teólogos); AMTB (Associação de
Missões Transculturais Brasileiras); APMB (Associação de Professores de Missões do Brasil); CACP (Centro
Apologético Cristão de Pesquisas); JETRO (Instituto Jetro de Liderança); entre outros, tais como Conselhos
de Pastores e Convenções Denominacionais.
CONFISSÃO DOUTRINÁRIA
A FTB professa a fé cristã alicerçada fundamentalmente nas Escrituras Sagradas (Bíblia), como se segue:
• Cremos que a Bíblia é a Palavra de Deus, divinamente inspirada e sem erro quando escrita em sua
forma original, sendo a única regra de fé e de prática do cristão (2 Tm 3.16; 2 Pe 1.21).
• Cremos em um só Deus Eterno que subsiste em uma Trindade de Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo
(Jo 15. 26), as quais são co-etemas e de igual dignidade e poder (Mt 3.16, 17).
• Cremos na divindade do Filho de Deus, na sua encarnação, no seu nascimento virginal (Lc 1.35), na
sua morte expiatória (Ef 1.7), na sua ressurreição, bem como em sua ascensão e intercessão como nosso
único mediador (Hb 7.25).
• Cremos na justificação somente pela fé (At 10.43; Rm 3.24, 10.13).
• Cremos na obra do Espírito Santo para a regeneração e para a santificação (Hb 9.14).
Cremos que a verdadeira Igreja – o corpo de Cristo (E f 1.23) – é formada por todos aqueles que confiam
em Cristo como seu Salvador, somente pela fé (E f 2.8,9; 1 Co 12.13), cuja responsabilidade e privilégio
é proclamar o Evangelho até os confins da Terra (Mt 28.19, 20).
• Cremos na imortalidade da alma, na segunda vinda do Senhor (Tt 2.13), na ressurreição do corpo,
no julgam ento do mundo por Jesus Cristo, na bem -aventurança dos justos e na punição dos ímpios
(1 Co 15.25-27).
CONHEÇA A GRADE
NÍVEL FUNDAMENTAL
5 LIVROS DIDÁTICOS
♦ TAMANHO 21 CM X 2 7 ,5 CM
Obs.: Contendo Infográficos e
ilustrações
M Ó D U LO I
1. Doutrina de Deus – Teologia
2. Doutrina da Bíblia
– Bibliologia
3. Geografia Bíblica
4. Panorama do Antigo
Testamento
5. Metodologia Científica
(Matéria suplementar)
NIVEL INTERMEDIÁRIO
4 LIVROS DIDÁTICOS
+ 5 MÓDULOS DO FUNDAMENTAL
• TAMANHO 21 CM X 27 ,5 CM
Obs.: Contendo Infográficos e
ilustrações
M O D U LO VI
1. Língua Portuguesa
2. Gestão Ministerial
3. Cosmovisão Cristã
4. Arqueologia Bíblica I
5. Práticas Devocionais
(Matéria suplementar)
NIVEL BACHAREL
4 LIVROS DIDÁTICOS
+ 9 MÓDULOS DO FUNDAMENTAL
E INTERMEDIÁRIO
• TAMANHO 21 CM X 27 ,5 CM
Obs.: Contendo Infográficos e
ilustrações
M O D U LO X
1. Filosofia geral
2. Sociologia
3. Didática
4. Exegese Bíblica I
5. Cidadania
(Matéria suplementar)
VANTAGENS EXCLUSIVAS AO ALUNO FTB:
Matérias suplementares de práticas ministeriais.
Com isso, será capacitado para viver o dia a dia
da igreja local;
Mensalmente, terá aulas intensivas presenciais
com professores renomados;
Assistência integral do coordenador do curso, tanto
pela Internet quanto por telefone ou pessoalmente;
Estágios supervisionados nas igrejas, a fim
de que desenvolva melhor suas habilidades e
conhecimentos;
CURRICULAR DA FTB
M Ó D U LO II M Ó D U LO III M Ó D U LO IV M Ó D U LO V
1. Doutrina de C risto – 1. Doutrina do Espírito 1. História da Igreja 1 1. Doutrina de Missões
Cristologia Santo – Pneumatologia 2. Doutrina da Igreja – Missiologia
2. História de Israel 2 . Doutrina do Pecado – 3. Escatologia 2. Evangelismo Estratégico
3 . Doutrina dos Anjos – Hamartiologia 4. Heresiologia 1 3. Hermenêutica 1
Angelologia 3 . Doutrina do Homem – 5. Louvor e Adoração 4. Homilética
4 . Panorama do Novo Antropologia (Matéria suplementar) 5. Vida Familiar
Testamento 4 . Doutrina da Salvação – (Matéria suplementar)
5. Práticas Litúrgicas Soteriologia
(Matéria suplementar) 5. Espiritualidade
(Matéria suplementar)
M Ó D U LO VII M Ó D U LO VIII M Ó D U LO IX
1. História da Igreja II 1. Teologia do Antigo 1. Liderança Cristã
2. Ética Cristã Testamento 2. Língua Grega 1
3. Heresiologia II 2. Teologia do Novo 3. Apologética Cristã
4. Língua Hebraica 1 Testamento 4. Aconselhamento Pastoral
5. Ministério Infantil 3. Hermenêutica II 5. Planejamento da vida
(Matéria suplementar) 4. Missões Transculturais
5. Estratégias de Comunicação
(Matéria suplementar)
(Matéria suplementar)
M Ó D U LO XI M Ó D U LO XII M Ó D U LO XIII
1. História da igreja III 1. Filosofia Teológica 1. História da Igreja Brasileira
2. Arqueologia Bíblica II 2. História de Missões 2. Filosofia Teológica
3. Língua Hebraica II 3. Pedagogia Geral 3. Exegese Bíblica II
4. Língua Grega 11 4. Religiões Comparadas 4. TCC – Trabalho de
5. Política 5. Meio Ambiente Conclusão do Curso
(Matéria suplementar) (Matéria suplementar) 5. Direito
(Matéria suplementar)
• Carteirinha Funcional de Estudante, por meio da « A grade de matérias mais completa do Brasil,
qual terá desconto de até 50% em entradas de ampliando assim os seus conhecimentos;
programas culturais e livrarias;
• Diploma de conclusão de caráter
• Aulas de reforço em nossos programas de rádio e interdenominacional e com o respaldo das
TV e em nosso site na internet; principais igrejas evangélicas brasileiras.

SUMÁRIO
IN T R O D U Ç Ã O ………………………………………………………………………………………………………………………………………………12
1. A O R IG EM DA IG R E J A ………………………………………………………………………………………………………………………. 15
1.1 A FUNDAÇÃO DA IG R E JA …………………………………………………………………………………………………………. 15
2. A IG R E JA NO P R IM E IR O S É C U L O …………………………………………………………………………………………………. 17
3. A IG R E JA A PO STÓ LICA (30 d.C. – 100 d .C .)…………………………………………………………………………………….19
3.1 O PERÍODO PENTECOSTAL (30 – 35 d .C .)…………………………………………………………………………………..19
3.2 A EXPANSÃO DA IGREJA (35 – 50 d .C .)……………………………………………………………………………………. 20
3.3 A IGREJA ENTRE OS GENTIOS (50 – 68 d .C .)…………………………………………………………………………….23
3.4 A PRIMEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA ………………………………………………………………………………………24
3.5 A SEGUNDA VIAGEM M ISSIO N Á RIA ………………………………………………………………………………………25
3.6 A TERCEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA………………………………………………………………………………………..26
3.7 VIAGEM DE PAULO A R O M A …………………………………………………………………………………………………… 27
4. AS PER SEG U IÇ Õ ES IM P E R IA IS ……………………………………………………………………………………………………. 29
4.1 O PRIMEIRO TRIUNVIRATO………………………………………………………………………………………………………….29
4.2 O SEGUNDO TRIUNVIRATO………………………………………………………………………………………………………..29
4.3 OS MOTIVOS DAS PERSEGUIÇÕES …………………………………………………………………………………………. 30
4.4 OS PRINCIPAIS PERSEGUIDORES DA IG R E JA ……………………………………………………………………….. 30
4.5 OS PRINCIPAIS M Á R TIRES………………………………………………………………………………………………………….34
5. PAIS DA IG R E J A ………………………………………………………………………………………………………………………………….. 36
5.1 PAIS A PO STÓ LICO S……………………………………………………………………………………………………………………… 36
5.2 APOLOGISTAS ………………………………………………………………………………………………………………………………. 37
5.3 POLEM ISTAS…………………………………………………………………………………………………………………………………..38
6. A IG R E JA IM P E R IA L …………………………………………………………………………………………………………………………. 40
REFERÊN C IA S …………………………………………………………………………………………………………………………………………….43
INTRODUÇÃO
Alguém já escreveu que “para compreender o presente é preciso conhecer o passado”. Para os que amam a
obra de Deus, o conselho reveste-se de importância ainda maior, pois vivemos dias em que a Palavra de Deus tem
sido duramente confrontada. O conhecimento da história da Igreja é ferramenta eficaz para o cristão que deseja
estar informado sobre sua herança espiritual para imitar os bons exemplos do passado e evitar os erros que a
Igreja freqüentemente tem cometido ao longo de sua existência. Paulo nos lembra em 1 Coríntios que os eventos
do passado devem nos ajudar a evitar o mal e buscar o bem (1 Coríntios 10.6, 11).
A história da Igreja tem sido sempre, desde o seu nascimento até o presente, a história da graça de Deus
para com o homem. Neste volume estudaremos os primeiros cinco séculos em que a Igreja de Cristo esteve em
atividade, desde sua fundação até se transformar na Igreja imperial.
Parte dessa história pode ser lida no livro de Atos, onde encontramos o relato dos primeiros cristãos sofrendo
insultos e sendo presos e martirizados pela causa de Cristo. Os discípulos do Senhor se regozijavam por terem
sido considerados dignos de sofrer por amor ao Senhor Jesus.
Jesus havia dito que “se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito
fruto” (João 12.24). Esta divina palavra aplica-se perfeitamente aos primórdios da história do cristianismo. Os
três primeiros séculos de sua história foram a época da semeadura. E a semente caiu por terra e morreu. Por mais
de duzentos anos a Igreja viveu sob a opressão do Império Romano. Escondida na terra, oprimida, martirizada.
Não é nossa intenção esgotar o assunto – e nem poderíamos desejar tal façanha mas sim fornecer um
tratamento amplo e competente das principais questões que envolveram estes séculos de ferrenha luta pela
verdade. O presente livro destina-se a todos os estudiosos da Palavra de Deus e, em particular, aos que militam
no ensino das doutrinas cristãs.
Esperamos que esta obra possa auxiliá-lo a atingir esses objetivos, e que o nome do Senhor seja glorificado.
1 A ORIGEM DA IGREJA
A Igreja de Cristo sempre existiu no eterno propósito de Deus. Ela já existia antes da fundação do mundo,
bem como o seu plano de salvação estava determinado por Deus desde a eternidade. O sacrifício fora feito antes
da fundação do universo, isto é, antes mesmo de ser efetuado no calvário o cordeiro já era conhecido pelo Pai,
como foi revelado ao apóstolo João: “…o Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo” (Apocalipse 13.8).
Em uma ordem lógica, evidenciada pelas Escrituras, sem diminuir as pessoas da Trindade, podemos dizer que
Deus Pai fundou a Igreja, Jesus Cristo materializou a Igreja e o Espírito Santo a edifica.
1.1 A FUNDAÇÃO DA IGREJA
A Igreja, que antes fora um mistério “oculto em Deus”, agora revelado em Cristo, fez com que o “segredo
de Deus” se tomasse conhecido aos homens. A expressão “oculta em Deus” indica que a Igreja esteve sempre
nos desígnios de Deus, porém vindo a ser conhecida somente depois do ministério terreno de seu Filho Jesus
Cristo. Ele é mais o fundamento do que o fundador da Igreja. Isto fica evidente pelo uso do tempo futuro que
está mencionado em Mateus 16.18, que diz: “Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a
minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”.
A Igreja cristã iniciou sua história por meio do cumprimento da profecia de Joel, em que o derramamento do
Espírito Santo na primavera do ano 30 d.C., por ocasião da Festa do Pentecostes, foi o marco divisor da história.1
Pentecostes era uma das maiores festas judaicas (depois da Páscoa), de modo que atraía fiéis de diversas partes
do mundo. Sobre isso escreveu Joaquim Jeremias: “Três grandes peregrinações que atraíam fiéis do mundo
inteiro: Páscoa, Pentecostes e festa das Tendas (Dt 16.1-16), mas a Páscoa intensificava-se ao máximo”.2 Esse
mesmo autor afirma que “Jerusalém tinha aproximadamente 1.250 milhão de metros quadrados dentro de suas
muralhas e uma população de até 200 mil habitantes” nos dias das festas.3
Foi nesse ambiente que o Espírito Santo selou aqueles que esperavam pela promessa que o mestre da Galiléia
havia dito quando “determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do
Pai, que (disse ele) de mim ouvistes” (Atos 1.4). Esse acontecimento serviu para iluminar a mente dos discípulos
do Senhor, dando-lhes um novo conceito concernente ao reino de Deus, fazendo com que eles compreendessem
que o reino do qual o mestre lhes havia falado não era um império político, mas sim um reino espiritual a ser
conquistado.
Assim Pentecostes sinalizou o início da Igreja, pois assinalou a primeira ocorrência histórica do batismo com
0 Espírito Santo, por cuja ação, e só por ela, a Igreja pôde se formar (Atos 5.13-14; 1 Coríntios 12.13). Dessa
feita, o Espírito Santo tomou-se o agente da Trindade na mediação da redenção dos homens.
Nos seus primórdios a Igreja era constituída de três espécies de pessoas: judeus, gentios e prosélitos. Os judeus
eram subdivididos em duas categorias: os judeus hebreus, que eram judeus da Palestina, ou especialmente
relacionados com esta região, cuja língua materna era o aramaico,4 e os judeus helenistas, representados por
“pessoas que não eram gregas, mas falavam o grego e adotavam o estilo de vida grego”;4 e os prosélitos eram os
gentios que haviam se convertido à fé judaica.
1 H U RLBU T, J e s sé Ly m a n . H istó ria d a ig re ja c r is tã . S ã o P a u lo : V id a , 1 9 9 6 , p . 1 9 .
*J 0 A C H IM , J e re m ia s. Je ru sa lé m no tem po de J e s u s . S ão P a u lo : P a u lin a s , 1 9 8 6 , p. 8 5 .
3 Id em , p. 3 .
4 R 0 U 0 F , Jü rg e n . H echos d e lo s a p o sto le s. M a d rid : C rista n d a d e , 1 9 8 4 , p. 1 5 3 .
5 W ILLIAM S, D e re k . D icio n ário bíb lico V id a N o v a. S ã o P a u lo : V id a N o v a, 2 0 0 0 , p. 1 5 5 .
A Igreja não estava limitada apenas à cidade de Jerusalém, porém com a perseguição a partir da morte de
Estevão os crentes da igreja de Jerusalém se espalharam por toda a parte do império, alcançando a Síria, Ásia
Menor e outras regiões.
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 1
1. Em uma ordem lógica, evidenciada pelas Escrituras, sem diminuir as pessoas da Trindade, o que podemos
dizer?
2. O que indica a expressão “oculta em Deus”?
3. Quem se tomou o agente da Trindade na mediação da redenção dos homens?
.& *, * S>v. MÓDULO * 1 HISTÓRIA DA IGREJA
2 A IGREJA NO
PRIMEIRO SÉCULO
A Igreja do primeiro século era formada por um pequeno grupo de cristãos, primeiramente reunidos em
Jerusalém e posteriormente espalhados por diferentes regiões do vasto Império Romano. Em sua grande maioria,
a Igreja era composta de pessoas humildes, sendo alguns escravos, embora houvesse cristãos da classe mais alta,
especialmente na igreja de Roma.5
O evangelho fez com que as barreiras existentes caíssem por terra. Um fator significativo que distinguia os
primeiros cristãos era a igualdade entre a irmandade, coisa inconcebível para a cultura da época. Escravos e
senhores foram nivelados. As mulheres alcançaram uma posição de honra e de influência que jamais haviam
conseguido na sociedade.
Eram cristãos fervorosos, e o zelo e a pureza moral afastavam os verdadeiros cristãos das práticas pagãs da
sociedade romana. Suas práticas eram inigualáveis, jamais conhecidas em qualquer outro sistema religioso.
A coragem dos fiéis era tamanha que se necessário fosse morrer pela fé eles não hesitavam em fazê-lo. Este
exemplo de devoção causou um forte impacto sobre a sociedade pagã da Roma imperial, o que perdurou por três
séculos, desde a morte de Cristo até o reconhecimento oficial por Constantino da importância do cristianismo
para o Estado, chegando ele mesmo a convocar e presidir um grande Concilio na cidade de Nicéia.é
Enquanto os apóstolos estavam vivos, não havia necessidade de uma declaração formal da fé, pois eles
mesmos, por meio de seus testemunhos, falavam do que viram e ouviram do mestre da Galiléia. O primeiro
credo, denominado de “credo dos apóstolos”, só surgiu no século II d.C., e. assim é nos registros do Novo
Testamento, principalmente no escritos de Lucas (livro de Atos), que encontraremos o nascimento, crescimento
e desenvolvimento da Igreja Primitiva.7
Eram unânimes nas doutrinas, podendo-se perceber os pontos doutrinários notórios nos evangelhos bem
como nas epístolas: criam em Deus Pai, em Jesus Cristo, o Filho de Deus, e no Espírito Santo. A mensagem
central dos apóstolos era o arrependimento para perdão dos pecados, que deviam ser confessados e abandonados;
como viram o Senhor ressurreto, pregavam a ressurreição dos mortos, e principalmente a volta de Jesus.
Vale ressaltar que enquanto os apóstolos estavam vivos, eles mesmos ensinavam os fiéis que se convertiam,
porém não demorou muito para que surgissem as heresias do lado de fora e os judaizantes do lado de dentro. A
Igreja crescia de maneira sobrenatural, e com isso as contradições. Deviam guardar o sábado ou não; os dons
eram para todos ou somente alguns; a volta de Jesus era iminente, etc. Estes foram alguns desafios que a Igreja
enfrentou.
Atentos a esses fenômenos, os primeiros discípulos do Senhor, para proteger os crentes, registraram suas
experiências, que vieram a ser chamadas de evangelhos, com o significado de “boas novas de salvação”. Para o
apóstolo Paulo, “evangelho” significa a proclamação a respeito de Cristo e da salvação trazida por ele (Romanos
1.1 ss.; 1 Coríntios 15.1 ss., etc).
5 N ICH O LS, R o b ert H a sfin g s. H istó ria do ig re ja c r is tã . S ão P a u lo : C u ltu ra C ris t ã , 2 0 0 0 , p. 3 2 .
6 C A IR N S , E a rle E. 0 c ristia n is m o a t r a v é s d o s sé c u lo s. São P a u lo : V id a N o v a, 1 9 9 5 , p. 6 9 .
7V e ja no V o lum e 1 , C re d o s, p. 4 4 -4 5 .
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 2
1. Como era composta a Igreja do primeiro século?
2. Qual era o fator significativo que distinguia os primeiros cristãos?
3. Quais eram os pontos doutrinários notórios nos evangelhos bem como nas epístolas entre os fiéis do
primeiro século?
4. Para o apóstolo Paulo, o que significava a palavra “evangelho”?
– A IGREJA APOSTÓLICA
3 (30 D.C. – 100 D.C.)
Essa fase da Igreja é denominada de “apostólica” porque se estende desde a ascensão de Jesus até a morte do
último apóstolo, que, segundo a tradição, foi João. Muitos eventos ocorreram dentro desse período, principalmente
a perseguição da Igreja e o martírio dos servos do Senhor. No livro de Atos encontramos muitos episódios que
ocorreram durante este período. O livro mostra o progresso do cristianismo de Jerusalém a toda Judéia, a Samaria
e aos confins da Terra.
3.1 O PERÍODO PENTECOSTÁL (30 – 35 D.C.)
Cristo é mais o fundamento do que o fundador da Igreja. Isto fica evidente pelo uso do tempo futuro que faz
em Mateus 16.18, ao dizer: “ …sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão
contra ela”. Lucas destaca isto ao nos informar “acerca de tudo que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar”
(Atos 1.1). Em Atos dos Apóstolos ele relatou a fundação e a divulgação da Igreja cristã pelos apóstolos sob a
direção do Espírito Santo.
A Igreja de Cristo iniciou sua história com um movimento de caráter mundial, no Dia do Pentecostes, no fim
da primavera do ano 30, cinqüenta dias após a ressurreição do Senhor Jesus, e dez dias depois de sua ascensão
aos céus.
O Espírito Santo teve o papel de proeminência na fundação da Igreja cristã. E isto estava de acordo com a
promessa de Cristo, nas últimas semanas de sua vida, de que enviaria “um Consolador” que lideraria a Igreja
após sua ascensão.
“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco” (João
14.16).
“Mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas
e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito” (João 14.26).
“Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele
procede, esse dará testemunho de mim” (João 15.26).
“Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós
outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei” (João 16.7).
O início dessa nova era foi testemunhado pelo vento, pelo fogo e pelas línguas sobrenaturais (Atos 2.2-4).
Com isso, “o Pentecostes assinalou: 1) O advento do Espírito Santo (João 16.7, 8, 13); 2) A doação e recebimento
do dom do Espírito Santo (João 14.16; Atos 2.38, 39); 3) O abundante derramamento do dom (Atos 10.45)”.8
O Espírito Santo sempre foi e continua sendo o capacitador e guia dos fiéis, agora principalmente da
comunidade cristã formada a partir do Pentecostes. Ele se tomou o agente da Trindade na mediação da obra
de redenção dos homens. Judeus de todas as partes do mundo estavam presentes em Jerusalém para ver a Festa
do Pentecostes por ocasião da fundação da Igreja (Atos 2.5-11). A manifestação sobrenatural do poder divino
*U N G E R , M e rril Fre d e ric k . M a n u a l b íb lico U nger. S ã o P a u lo : V id a N o v a, 2 0 0 6 , p. 4 5 8 .
no falar em línguas, claramente relacionada à origem da Igreja, e a vinda do Espírito Santo levaram os judeus
presentes a declararem a maravilha das obras de Deus em seu próprio idioma (Atos 2.11).
De modo geral, a igreja pentecostal não tinha falta de nada. Era poderosa na fé e no testemunho, pura
em seu caráter e abundante no amor. Entretanto, o seu singular defeito era a falta de zelo missionário.
Permaneceu em seu território, quando devia ter saído para outras terras e outros povos. Foi necessário
o surgimento da severa perseguição para que se decidisse a ir a outras nações desempenhar sua missão
mundial. E assim aconteceu mais tarde.
3.2 A EXPANSÃO DA IGREJA (35 – 50 D.C.)
O recebimento do dom do Espírito Santo teve amplas conseqüências na Igreja recém-formada. O apóstolo
Pedro, em seu primeiro sermão depois da experiência do Pentecostes, acusou os judeus de terem tirado a vida de
Jesus, mas que Deus o ressuscitara dentre os mortos e o exaltara pela sua própria mão direita. O derramamento
do Espírito Santo comprovava a exaltação de Jesus. Ele conclama seus compatriotas a se arrependerem e se
batizarem, “de sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e, naquele dia, agregaramse
quase três mil almas” (Atos 2.41).
O crescimento da Igreja foi extraordinário, sendo acrescidos diariamente ao número dos três mil até chegarem
logo a cinco mil: “Muitos, porém, dos que ouviram a palavra creram, e chegou o número desses homens a
quase cinco mil” (Atos 4.4). Há menção de multidões se integrando à Igreja: “E a multidão dos que criam no
Senhor, tanto homens como mulheres, crescia cada vez mais” (Atos 5.14). É interessante que muitos eram
judeus helenistas: “Ora, naqueles dias, crescendo o número dos discípulos, houve uma murmuração dos gregos
contra os hebreus, porque as suas viúvas eram desprezadas no ministério cotidiano” (Atos 6.1). Nem mesmo os
sacerdotes ficaram imunes ao contágio da nova fé: “E crescia a palavra de Deus, e em Jerusalém se multiplicava
muito o número dos discípulos, e grande parte dos sacerdotes obedecia à fé ” (Atos 6.7).
Este crescimento tão rápido não se fez sem a oposição da parte dos judeus. As autoridades eclesiásticas logo
perceberam que o cristianismo representava uma ameaça às suas prerrogativas como intérpretes e porta-vozes
de Deus; por isso, reuniram suas forças para combater o cristianismo. A perseguição veio primeiramente de um
organismo político-eclesiástico, o Sinédrio, que, com permissão romana, supervisionava a vida civil e religiosa
dos habitantes da Palestina. Pedro e João tiveram de comparecer perante este egrégio tribunal para se explicarem,
onde receberam a determinação para não pregar o evangelho, mas eles se recusaram a cumprir a ordem. Mais
tarde a perseguição tomou cunho mais político. Herodes matou Tiago e prendeu Pedro (Atos 12) nesta fase de
perseguição.
A perseguição deu ao cristianismo seu primeiro mártir, Estêvão. Ele foi um dos sete homens escolhidos
pelos discípulos para cuidar da distribuição da assistência às viúvas na igreja de Jerusalém. Judeus provenientes
de Cirene, Alexandria, da Cilícia e da Ásia começaram uma discussão com Estêvão e não podendo resistir à
sabedoria e ao espírito com que falava, levaram-no perante o Sinédrio sob a acusação de blasfêmia (6.9-14).
Em seu discurso emocionante ele denunciou os líderes judaicos por sua rejeição a Cristo, e estes subornaram
falsas testemunhas contra Estêvão. O resultado foi um interrogatório premeditado que desencadeou uma série de
fatos. Primeiro, a exposição de Estêvão da história de Israel, depois seu apedrejamento pelos judeus e por fim sua
morte. A morte de Estevão como primeiro mártir da fé cristã foi um fator importante na divulgação e crescimento
do cristianismo. Saulo, depois Paulo, guardou as vestes de Estêvão (Atos 7.58).
A perseguição que se seguiu foi mais dura e acabou sendo o meio usado pela Igreja nascente para que sua
mensagem fosse levada a outras partes do mundo (Atos 8.4).
O cristianismo primitivo promoveu uma grande mudança social em certas regiões. A igreja de Jerusalém
insistiu sobre a igualdade espiritual dos sexos e deu muita importância às mulheres na igreja. A liderança de Dorcas
na promoção do trabalho de caridade foi registrada por Lucas (Atos 9.36). A criação de um grupo de homens
para tomar conta das necessidades foi outro acontecimento de relevância social ocorrido ainda nos primeiros
anos do nascimento da Igreja. A caridade deveria ser administrada por um corpo organizado, os precursores dos
diáconos. Com isso, os apóstolos ficaram completamente livres para o exercício de sua liderança espiritual. A
necessidade, devido ao rápido crescimento e possivelmente à imitação das práticas da sinagoga judaica, levou à
multiplicação de ofícios e oficiais bem cedo na história da Igreja. Algum tempo depois, os presbíteros (anciãos)
passaram a integrar o corpo de oficiais, finalmente formado de apóstolos, presbíteros e diáconos, que dividiam a
responsabilidade de liderar a igreja de Jerusalém.
As perseguições fizeram com que o evangelho alcançasse regiões não judaicas. O ministério de Filipe, em
Samaria, preparou os samaritanos para a admissão no privilégio do evangelho e no dom do Espírito Santo. A
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ISTÓRIA DA IGREJAI S ®
igreja em Jerusalém enviou Pedro e João a Samaria para que confirmassem tal fato, o que foi evidenciado pelo
batismo com o Espírito Santo (Atos 8. 17).
Atos 1-8 apresenta a disseminação do evangelho de Jerusalém a “toda Judéia e Samaria”. O restante do
livro trata da preparação do grande evangelizador dos gentios (cap. 9), da apresentação oficial do evangelho aos
gentios (cap. 10-11) e da extensão do testemunho do evangelho aos “confins da terra” (cap. 12-28).
A conversão de Paulo
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Lucas, de maneira significativa, relata a conversão de Saulo de Tarso. Ele viu o Cristo ressurreto e ascendido
que transforma sua vida de perseguidor a perseguido. À conversão de Paulo seguiu-se uma missão de pregação
em Damasco, e “nas sinagogas, pregava a Jesus, que este era o Filho de Deus” (Atos 9.20) confundindo os judeus
que habitavam naquelas cidades.
Ódio e perseguições intensas em Damasco fizeram com que Paulo fugisse de noite para Jerusalém. Nesta
cidade Paulo disputava não só com os judeus como também com os gregos que o procuravam matar. Por este
motivo foi enviado de volta a sua terra natal, Tarso, via Cesaréia, capital e principal porto marítimo da Judéia.
Tarso ficava na Cilícia, no sudeste da Ásia Menor, defronte a Selêucia, porto marítimo de Antioquia, no golfo
de Isso.
0 teatro fica situado bem no sul da cidade de Cesaréia. É atribuído ao Rei Herodes e foi a primeira das instalações romanas de
entretenimento construídas em seu reinado. 0 teatro está de frente para o mar e tem milhares de lugares organizados numa estrutura
semicircular arqueada. 0 piso semicircular da orquestra, revestido de início com gesso pintado, foi posteriormente lajeado com mármore.
Pedro em Cesaréia assinalou a dispensação do Espírito Santo aos gentios. O sermão de Pedro na casa de
Comélio faz soar a universalidade do evangelho: “todo aquele que crê”. O evangelho não se destina somente
aos judeus; é para todos. Deus concedeu seu Espírito a gentios, assim que foi exercida a fé, antes mesmo que o
apóstolo Pedro terminasse a sua pregação. Foi desta maneira que Deus demonstrou que aceitava na Igreja crentes
gentios, samaritanos, etc., já que estes haviam recebido o dom do Espírito Santo.
Pedro, questionado sobre o que ocorrera entre os gentios, usa esse súbito ato de Deus em sua própria defesa
contra cristãos judeus que o criticavam porque ele tivera contato pessoal com gentios. Pedro declarou que o dom
do Espírito concedido aos gentios era o mesmo, i.e., idêntico ao dom originalmente dado a Israel em Atos 2.
Lucas registrou a propagação do evangelho em Antioquía da Síria, onde pela primeira vez os seguidores
de Jesus foram chamados de cristãos (Àtos 11.26). Sobre esta denominação, Robert Gundry disse: “O apelido
cristãos’ pela primeira vez aplicado aos crentes… ilustra o fato que gradualmente a Igreja estava sendo reconhecida
como algo mais do que uma seita judaica – era um movimento distinto do judaísmo”.9
3.3 A IGREJA ENTRE OS GENTIOS (50 * 68 D.C.)
Lucas, escritor habilidoso, diz que a fama da igreja em Antioquia chegou aos ouvidos da igreja que estava
em Jerusalém, que, para verificar tal acontecimento, enviou para lá Bamabé. Este “quando chegou e viu a graça
de Deus, se alegrou e exortou a todos a que, com firmeza de coração, permanecessem no Senhor” (Atos 11.23).
Bamabé foi a Tarso e trouxe consigo Paulo para que o auxiliasse junto a esta igreja.
Em Antioquia da Síria estava a primeira igreja gentia e a maior igreja missionária depois de Jerusalém. Além
dessas duas características, gentia e missionária, Antioquia também teve o privilégio de ter o apóstolo Paulo
como seu pastor (v. 26), tomando-se a base missionária deste apóstolo. Vejamos como esta etapa tão importante
da evangelização mundial começou a se cumprir de acordo com o plano mestre estabelecido por nosso Senhor.
Antioquia da Síria distava 500 quilômetros de Jerusalém e gozava de posição estratégica favorável para missões.
Localizava-se na divisa entre os dois mundos culturais da época ~ o grego e o semita. Não deve ser confundida com
a Antioquia da Pisídia (Atos 13.14). Era a terceira cidade do Império Romano, vindo depois de Roma e Alexandria.
Passou a ser a capital da província romana da Síria, em 64 a.C., quando Pompeu a conquistou.
Era cidade de população mista, e boa parte desta era de judeus. Josefo afirma que muitos judeus emigraram
para a região nos dias dos selêucidas e outros fugiram para lá durante as guerras dos Macabeus. Isso talvez
justifique a forte presença judaica em Antioquia nesse período da história da Igreja. A chegada do evangelho
à cidade demonstrou muito cedo o caráter universal da mensagem cristã. A partir daí o cristianismo saiu dos
círculos judaicos para ser pregado a todos os povos, conforme determinação do Senhor Jesus (Mateus 28.19-20;
Marcos 16.15).
9 G U N D R Y, R o b e rt. P a n o ra m a do Novo T estam en to . 2 . e d . S ã o P a u lo : V id a N o v a , 1 9 9 9 , p. 2 4 9 .
Nesse tempo, Tiago, filho de Zebedeu, foi martirizado e Pedro se encontrava preso. O perseguidor da igreja
era Herodes Agripa I, neto de Herodes, o Grande e de Mariana, descendentes dos macabeus.
Depois que Pedro foi solto por um milagre, Herodes partiu da Judéia para Cesaréia, “para participar do
festival quadrienal em honra ao imperador romano que aconteceu na primavera de 44 d.C., onde foi acometido
de uma enfermidade mortal depois de ser saudado como divino” .10
3.4 A PRIMEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA
No livro de Atos, capítulos 13 e 14, encontra-se registrada a primeira viagem missionária que Bamabé e Saulo
realizaram (o mapa expõe o percurso que ambos percorreram).
De Antioquia foram para Selêucia e dali navegaram para Salamina, 208 quilômetros a sudoeste de Antioquia,
na costa leste de Chipre, terceira maior ilha do mediterrâneo. Salamina era a maior cidade da ilha, com grande
população judia, o que facilitou a pregação do evangelho nas sinagogas. Atravessaram a ilha até Pafos, atual
Baffo, perto da moderna Ktima, onde ocorreu o episódio em que o mágico judeu Barjesus (Elimas) foi cegado e
o procônsul Sérgio Paulo se converteu (Atos 13.6-12).
Cruzando os 289 quilômetros de mar a partir de Pafos, Paulo e Bamabé aportaram em Perge, principal cidade
da Panfília, na Ásia Menor. Artemis, a deusa da natureza, era adorada ali, como mostram as moedas de Perge. Foi
nessa cidade que João Marcos decidiu abandonar a viagem e voltar para Jerusalém (Atos 13.23).
De Perge seguiram em direção a Antioquia da Pisídia, a 160 quilômetros de distância. Esta cidade ligava-se
a oeste com a Apaméia, Colossos, Laodicéia, Magnésia, Éfeso e o mundo grego do Egeu. A leste dava acesso a
Listra, Derbe, e via Portas Cilicianas a Tarso, Isso e Antioquia da Síria, às margens do Orontes.
Expulsos de Antioquia por judeus descrentes, os missionários partiram em direção a Icônio, na Frigia, onde
“entraram juntos na sinagoga dos judeus e falaram de tal modo, que creu uma grande multidão, não só de judeus,
10U N G ER , M e rril F re d e ric k . Op. c it., p. 4 6 7 .
mas também de gregos” (Atos 14.1). Nesta cidade também tiveram de sair fugidos, indo parar em Listra e Derbe,
onde pregaram o evangelho. Sobrevindo alguns judeus de Antioquia e de Icônio, juntamente com a multidão
apedrejam Paulo. No outro dia, tendo recobrado as forças, foi com Bamabé para Derbe.
E tendo anunciado o evangelho naquela cidade e feito muitos discípulos, voltaram para Listra, Icônio e
Antioquia, confirmando o ânimo dos discípulos, exortando-os a permanecer na fé, pois que por muitas tribulações
nos importa entrar no Reino de Deus.
3.5 A SEGUNDA VIAGEM MISSIONÁRIA
Depois do concilio de Jerusalém Paulo desejou visitar os irmãos nas cidades que antes havia estado. Antes de
iniciarem a segunda viagem missionária, Paulo e Bamabé se desentenderam e se separaram por causa de João Marcos.
Bamabé queria levar João Marcos, mas Paulo não. Por isso, “Bamabé, levando consigo a Marcos, navegou para
Chipre. E Paulo, tendo escolhido a Silas, partiu, encomendado pelos irmãos à graça de Deus” (Atos 15.39-40).
Nesta segunda empreitada, partem novamente de Antioquia, que já era notável pelo seu ardor missionário.
Paulo e Silas visitaram as igrejas da Ásia Menor, estabelecidas na primeira viagem, por via terrestre, passando
pelo monte Amanus, às portas da Síria, adentrando a Cilícia e a Galácia.
Ao visitar novamente Derbe e Listra, une-se ao apóstolo o jovem Timóteo, que, na Igreja Primitiva, tomar-se-ia
notável por seu ministério e por suas afeições por Paulo (Atos 16.1-3). Como se pode ler, Timóteo era o “verdadeiro
filho” (1 Timóteo 1.2-18; 2 Timóteo 1.2) e “nosso irmão e ministro de Deus” (1 Tessalonicenses 3.2).
O Espírito Santo os levou a Trôade, passagem marítima da Europa, onde Paulo recebeu uma visão macedônica.
De Trôade, antigo porto no Egeu, foram a Samotrácia, ilha do Egeu, mais ou menos a meio caminho da viagem
de 280 quilômetros entre Trôade e Neápolis. Nesta cidade encontrava-se o porto de Filipos e ponto final da
famosa grande via Egnácia, que cruzava Filipos e a Macedônia.
Em Filipos, cidade da Macedônia, o evangelho foi anunciado alcançando uma mulher chamada Lídia,
vendedora de púrpura, natural de Tiatira, no extremo sul da Mísia, colônia dos macedônios. Sua casa passa a
ser local de encontro dos cristãos na Europa. Nesta cidade Paulo se deparou com uma jovem possessa por um
espírito de adivinhação, o qual dava muitos lucros aos seus senhores. Depois de muitos dias, Paulo, perturbado,
expulsou o demônio que possuía a jovem. Esse fato fez com que Paulo e Silas fossem presos e levados diante
dos magistrados. Acusados por praticarem difamação, foram açoitados e presos. Lucas nos informa que, “perto
da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam hinos a Deus, e os outros presos os escutavam. E, de repente,
sobreveio um tão grande terremoto, que os alicerces do cárcere se moveram, e logo se abriram todas as portas, e
foram soltas as prisões de todos” (Atos 16.25-26). Mais uma família se converte ao evangelho de Jesus cristo: a
do carcereiro (Atos 16.32).
Paulo é posto em liberdade devido a sua cidadania romana, que não permitia serem condenados sem
manifestarem sua defesa. Entrando em casa de Lídia, confortaram os irmãos e partiram em direção a
Tessalônica.
Enquanto o apóstolo permaneceu nessa cidade, recebeu dos filipenses um generoso auxílio “não somente uma
vez” (Filipenses 4.16). Atos 17 mostra quão vigorosa foi a pregação de Paulo nessa cidade. Depois de um grande
alvoroço na cidade, Paulo e Silas foram enviados a Beréia.
Distante 80 quilômetros de Tessâlonica, Paulo encontrou uma comunidade judaica que, ao contrário de
Tessalônica, era tida como nobre, pois conferiam tudo o que ele dizia comparando com as Escrituras Sagradas.
Paulo deixou Silas e Timóteo nessa cidade e prosseguiu viagem em direção a Atenas.
Durante sua estada em Atenas, Paulo proferiu um memorável discurso no Areópago perante os filósofos
epicureus e estóicos. Segundo a tradição, Dionísio areopagita, que se converteu por meio do discurso de Paulo,
fundou nesta cidade a igreja, sendo ele o primeiro bispo. Depois Paulo partiu em direção a Corinto.
Paulo permaneceu em Corinto por 18 meses. Nessa cidade ele fundou uma forte congregação (Atos 18.1-18).
De Corinto, Paulo escreveu a Epístola aos Romanos, na qual ele faz uma detalhada descrição dos vícios pagãos
(Romanos 1.21-32). Paulo tomou consigo Priscila e Áquila e navegaram para a Síria até chegar a Efeso.
Eles fundaram um pequeno núcleo na culta cidade de Atenas e ainda uma forte congregação em Corinto, a
metrópole comercial da Grécia. Nesta viagem Paulo escreveu três epístolas: Ia e 2a Tessalonicenses e a Carta aos
Gálatas.
3.6 A TERCEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA
Quando Paulo iniciou sua terceira viagem missionária, o cristianismo já era conhecido em todo Império
Romano. Ele visitou a igreja em Antioquia, relatando suas experiências como já havia feito antes (Atos 14.26-
28). Dali seguiu em direção às igrejas que antes havia fortalecido. Ele revisitou a Galácia e a Frigia, regiões onde
estavam localizadas as cidades de Derbe, Listra e Antioquia da Pisídia.
Ao chegar a Éfeso, encontrou alguns discípulos que nada sabiam sobre o batismo com o Espírito Santo,
conhecendo apenas o batismo de João. “E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e
falavam línguas e profetizavam. Estes eram, ao todo, uns doze varões” (Atos 19.6-7). Nesta cidade Paulo ficou por
três anos ensinando na escola de Tirano (Atos 20.31). As oposições em Éfeso foram muitas. Paulo enfrentou não
só o demonismo que inspirava a idolatria na cidade como também o judaísmo contaminado pelo paganismo.
Depois de deixar Éfeso, Paulo propôs ir para Jerusalém, passando pela Macedônia, visitando novamente as
igrejas fundadas ali (Atos 20.1-6). Em Trôade Paulo havia recebido a visão para evangelizar a Europa (Atos
16.8-10). De Trôade Paulo foi a Assôs e dali para Mitilene, cidade mais importante de Lesbos. A caminho de
Mileto, passaram por Quios e Samos, ilhas do mar Egeu. Mileto era uma cidade portuária, tão importante quanto
Éfeso. Nesta cidade Paulo mandou chamar os anciãos de Éfeso, alertando contra a falsa doutrina e os falsos
mestres (Atos 20.17-38).
De Mileto navegaram até Cós e Rodes, ilhas do extremo sul do mar Egeu, a nordeste da ilha de Creta. De lá
foram para Pátara, porto marítimo da Lícia. Deixando este porto foram para a Síria, costeando a ilha de Chipre.
Aportaram em Tiro, onde os discípulos do Senhor, cheios do Espírito Santo, exortavam a Paulo para não ir a
CURSO DE TEOLOGIA
Jerusalém (Atos 21.4). Partiram para Ptolemaida, permanecendo ali um dia. No dia seguinte foram para Cesaréia,
ficando na casa de Filipe, o evangelista, um dos sete diáconos (Atos 6.1-7; 8.5-12). Permanecendo por alguns
dias ali, um profeta de nome Agabo, executando um ato simbólico, predisse a prisão de Paulo.
Em Jerusalém foi à casa de Tiago relatando seu ministério entre os gentios.
3.7 VIAGEM DE PAULO A ROMA
Paulo foi preso em Jerusalém, como havia profetizado Agabo, acusado de sedição. Em sua defesa, o apóstolo
faz um longo discurso aos seus compatriotas, que o ouvem até o momento em que disse que Deus o enviara
a pregar aos gentios, quando então clamaram pelo sangue de Paulo (Atos 22.22), tal qual haviam feito com
Jesus.
Perante o Sinédrio, Paulo dividiu seus ouvintes quando disse ser ele fariseu, filho de fariseu. O inquérito
terminou em grande confusão. No outro dia planejaram matar Paulo, que foi avisado por seu sobrinho. Paulo
pediu ao centurião que levasse seu parente até Cláudio Lísias. Imediatamente o tribuno enviou Paulo para
Cesaréia, escoltado por “duzentos soldados, e setenta de cavalo, e duzentos lanceiros” (Atos 23.23).
Em Cesaréia Paulo apresentou-se ao governador Félix, que aguardou a chegada de seus acusadores. Cinco
dias depois compareceram Ananias, sumo sacerdote, e Tértulo, orador, os quais acusaram Paulo. Não tendo
como provar nada contra o apóstolo, Félix “mandou ao centurião que o guardassem em prisão, tratando-o com
brandura, e que a ninguém dos seus proibisse servi-lo ou vir ter com ele” (Atos 24.23).
Um indivíduo por nome Pórcio Festo sucedeu a Félix no governo da província. Festo subiu a Jerusalém, onde
se encontrou com o sumo sacerdote e os principais dos judeus que pediram que Paulo fosse julgado ali. Festo
disse que Paulo estava em Cesaréia e que deviam ir até lá acusá-lo. Em pouco tempo foram até aquela província,
P m .
I t a i l l l
HISTÓRIA DA IGREJA

levantando contra Paulo muitas e graves acusações, que não podiam provar. Festo, querendo agradar aos judeus,
perguntou se Paulo queria ser julgado em Jerusalém. Paulo, sabendo da tragédia que seria ser julgado por uma
corte judaica, preferiu o tribunal de César.
Alguns dias depois desse ocorrido, o rei Agripa e Berenice vieram a Cesaréia saudar Festo. Este relatou tudo
o que havia ocorrido, o que despertou a curiosidade do rei, que pediu para ouvir Paulo. Diante dessas autoridades
Paulo novamente testemunhou acerca de sua fé. Festo e Agripa concordaram que Paulo não era culpado de crime
merecedor de morte, nem mesmo de prisão (Atos 26.30-31).
Paulo partiu de Cesaréia, escoltado por um centurião por nome Júlio, da Coorte Augusta. No dia seguinte
aportaram em Sidom, onde Júlio permitiu que Paulo fosse rever seus amigos (Atos 27.3). Partiram dali e foram
costeando a ilha de Chipre, atravessando o mar ao longo da Cilícia e Panfília, parando em Mirra, na Lícia. Nesta
cidade eles trocaram de embarcação. Passaram por Cnido, Salmona até chegar a Bons Portos. Paulo advertiu que
a viagem seria penosa, mas não lhe deram ouvidos. O navio veio a naufragar em Malta, porém todas as 276 almas
foram salvas. Os habitantes da ilha foram generosos com os sobreviventes. Três meses depois partiram num navio
de Alexandria. Chegaram a Siracusa, permaneceram ali três dias, e depois foram para Régio, Putéoli e Roma.
Naufrágio em Malta
após tempestade
no mar {Af 28)
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500 km
Antipátride
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VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
C A PÍTU LO 3
1. Por que uma fase da Igreja foi denominada de apostólica?
2. Quando a Igreja de Cristo iniciou sua história com um movimento de caráter mundial?
3. Qual foi o meio usado por Deus para que a Igreja nascente levasse a mensagem a outras partes do
mundo?
5. Quais as duas principais características da igreja de Antioquia?
6. Quando o apóstolo Paulo chegou a Efeso, em sua terceira viagem missionária, encontrou alguns
discípulos de quem?
A AS PERSEGUIÇÕES 4 IMPERIAIS
Nâo existe em Roma monumento mais expressivo da fé cristã do que as catacumbas. É a expressão mais viva
da Igreja Primitiva, a igreja dos mártires. Desde que a Igreja foi fundada até o Edito de Constantino, em 313 d.C.,
podemos dizer que ela sempre foi perseguida, ora mais ora menos, pelo Império Romano.
Jesus disse que “se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto”
(João 12.24). Esta divina palavra aplica-se perfeitamente aos primórdios da história do cristianismo.
Os três primeiros séculos de sua história foram a época da semeadura. Por mais de duzentos anos a Igreja viveu
sob a opressão do Império Romano. O fato de maior destaque nesse período foi, sem dúvida, as perseguições
realizadas pelos Césares. Essas perseguições duraram até o ano 313 d.C., quando Constantino se converte ao
cristianismo. Ele ordena que as perseguições sejam cessadas e declara o cristianismo religião oficial do império.
4.1 O PRIMEIRO TRIUNVIRATO
Pompeu, Crasso e Julio César formaram o primeiro triunvirato, ou seja, uma aliança entre três líderes com
a finalidade de dividir o poder de Roma entre eles. Assim, César foi eleito cônsul e tomou medidas a favor de
Crasso e Pompeu.
César foi guerrear na Gália (que correspondia essencialmente à Franças atual). De forma brilhante, submeteu
os gauleses. Foi então para a Bretanha (Inglaterra) e obteve mais uma vitória. Enquanto isso, Crasso morreu
fazendo guerra no Oriente.
% 0 desejo de César era governar Roma sozinho, e foi o que fez. Arregimentou seus soldados rumo à
Itália, passando pelo rio Rubicão, onde confrontou os exércitos de Pompeu. César venceu, e Pompeu acabou
assassinado.
Depois de guerrear no Egito e ter se apaixonado por Cleópatra, a qual deixou governando, ele volta para
Roma e proclama-se ditador vitalício. O Senado ainda funcionava, mas com medo da ditadura suprema de César.
Então começaram a conspirar contra ele, até que, de surpresa, o mataram a facadas.
4.2 O SEGUNDO TRIUNVIRATO
Com a morte de César, seus generais Marco Antônio e Lépido ambicionavam tomar o poder. Juntaram-se
a Otávio, que era neto do irmão de Júlio César. Assim, Marco Antônio. Otávio e Lépido formaram o Segundo
Triunvirato.
Eles logo mostraram suas intenções: prenderam e executaram centenas de opositores, inclusive vários
senadores. O grande orador Cícero, conhecido como “garganta de ouro” foi uma das vítimas da repressão
política. Marco Antônio e Otávio dividiram o poder, mas não demorou muito para que os exércitos dos dois se
enfrentassem.
Assim como César, Marco Antônio também visitou o Egito e se encantou com a beleza de Cleópatra. Seu
amor era grande, mas não seu exército, que foi vencido pelo de Otávio. Com Otávio a república se extinguia e
começava a era do Império Romano.
Otávio assumiu o poder em 31 a.C. e se autoproclamou imperador. A partir deste momento esse período
da história romana passou a ser denominado pelos historiadores de Império. Tudo ficou sob seu controle; ele
indicava os senadores e outros magistrados, era chefe militar, a autoridade religiosa, recebendo em 27 a.C. o
título de Augusto (divino).
Depois da morte de Otávio Augusto (30 a.C. – 14 d.C.), o primeiro imperador romano, quatro parentes seus o
sucederam, entre eles Cláudio, que invadiu a Bretanha, em 43 d.C. No decorrer dos dois séculos que sucederam a
morte de Otávio, quatro dinastias ocuparam sucessivamente o poder em Roma: dos Júlios-Cláudios (14-68 d.C.),
dos Flávios (68-96 d.C.), dos Antoninos (96-193 d.C.) e dos Severos (193-235 d.C.)
A transferência de poder de uma dinastia para outra nunca se deu de forma pacífica, mas geralmente acabava em
guerra civil, envolvendo exércitos e senadores. Entre a dinastia dos Antoninos e a dos Severos houve sangrentas
lutas, e no prazo de um ano Roma teve quatro imperadores (Juliano, Nigro, Clódio Albino e Sétimo Severo).
4.3 OS MOTIVOS DAS PERSEGUIÇÕES
Após a morte de Jesus, seus discípulos saíram para os lugares mais distantes anunciando as “Boas Novas”.
Não demorou muito para que o cristianismo se tomasse expressivo, ganhando adeptos de todas as camadas da
sociedade, mas principalmente dos mais humildes.
O governo imperial se incomodava com o crescimento do cristianismo e com os “mistérios” que envolviam
os cristãos, que se negavam a participar das cerimônias religiosas realizadas pelos romanos, bem como aceitar
que o imperador fosse adorado como um deus. Este foi o principal motivo das perseguições, porém podemos
ainda destacar outros, como, por exemplo, o político e o social.
a) Religioso – As reuniões secretas dos cristãos logo despertaram suspeitas. Foram acusados de:praticarem
atos imorais e criminosos durante a celebração da Ceia do Senhor. Eram também acusados de incesto, de
canibalismo e de práticas desumanas, a ponto de serem acusados de infanticídio em adoração ao seu Deus. A
expressão “beijo da paz” foi logo transformada em acusações de incesto e outras formas de conduta imoral que
repugnavam a mente cultural romana.11 O cristianismo, em seu rápido crescimento, prestava lealdade moral e
espiritual a Cristo. Quando a escolha entre Cristo e a lealdade a César tinha de ser feita, César era colocado em
segundo plano.
b) Político – Os cristãos rejeitavam a escravidão e se recusavam a adorar o imperador como se ele fosse um
deus. A adoração ao imperador era considerada prova de lealdade. Havia estátuas dos imperadores reinantes nos
lugares mais visíveis para o povo adorar. Os cristãos recusavam-se a prestar tal adoração. Além disso, organizaram
uma igreja que parecia um Estado dentro do Estado e, portanto, fora do controle do governo romano.
c) Social – O cristianismo pregava a igualdade de todos perante o Senhor, e isso parecia ser uma idéia contrária
à escravidão. Os primeiros cristãos chegaram a fundar comunidades nas quais os bens eram repartidos igualmente
e ninguém era mais rico ou mais pobre do que o outro (Atos 2.44-45; 4.34-35). A importância do papel feminino
dado pelo Novo Testamento também levou muitas mulheres (de todas as classes) a aderir ao cristianismo antes
de seus familiares masculinos. Portanto, na igreja cristã não havia distinção entre seus membros, nem em suas
reuniões, por isso foram considerados como “niveladores da sociedade”, e assim os cristãos eram considerados
anarquistas, perturbadores da ordem social, logo tinham de ser exterminados.
4.4 OS PRINCIPAIS PERSEGUIDORES DA IGREJA
O cristianismo era considerado uma ameaça à sociedade romana. Afinal, os cristãos contestavam a escravidão,
a autoridade máxima do imperador, a ganância e a vida imoral dos ricos. Por isso, as perseguições tomaram-se
cada vez mais constantes, e entre os perseguidores podemos destacar:
NERO (54- 68 d.C.)
Depois da morte de Cláudio, assumiu o império o homem indicado por ele, Nero, da dinastia dos Júlios-
Cláudios. Nero governou de 54 a 68 d.C., sendo seu governo marcado pelas perseguições aos cristãos.
Como seus antecessores, Nero tratou logo de se livrar de seus opositores. Ordenou que a própria mãe fosse
11C A IR N S , E a rle i . 0 c ristia n is m o a t r a v é s d o s sé c u lo s. S ão P a u lo : V id a N o v a, 1 9 9 5 , p. 7 2 .
assassinada. Em 64 d.C. um grande incêndio consumiu dez dos quatorze bairros de Roma. Suetônio escreveu
dizendo que foi o próprio Nero quem mandou incendiar Roma. Tácito, um historiador pagão, que não era nada
favorável ao cristianismo, descreveu a conduta de Nero da seguinte maneira:
Mas os empenhos humanos, as liberalidades do imperador e os sacrifícios aos deuses não conseguiram apagar o
escândalo e silenciar os rumores de ter sido ordenado o incêndio de Roma.12 Para livrar-se de suspeitas, Nero culpou
e castigou, com supremos refinamentos de crueldade, uma casta de homens detestados por suas abominações13 e
vulgarmente chamados de cristãos. Cristo, do reinado de Tibério. Reprimida durante algum tempo, essa superstição
perniciosa voltou a brotar, já não apenas na Judéia, seu berço, mas na própria Roma, receptáculo de quanto sórdido
e degradante produz qualquer recanto da terra. Tudo, em Roma, encontra seguidores. De início, pois, foram presos
todos os que se confessavam cristãos. Depois, uma multidão enorme foi condenada não por causa do incêndio, mas
acusada de ser o opróbrio do gênero humano. Acrescente-se que, uma vez condenados à morte, eles se tomavam
objetos de diversão. Alguns, costurados em peles de animais, expiravam despedaçados por cachorros. Outros morriam
crucificados. Outros ainda eram transformados em tochas vivas para iluminar a noite. Para esses festejos, Nero abriu de
par em par seus jardins, organizando espetáculos circenses em que ele mesmo aparecia misturado com o populacho ou,
vestido de cocheiro, conduzia sua carruagem. Suscitou-se, assim, um sentimento de comiseração até para com homens
cujos delitos mereciam castigos exemplares, pois se pressentia que eram sacrificados não para o bem público, mas para
satisfação da crueldade de um indivíduo.14
Não se sabe quantos sofreram por essa ocasião, mas de certo foram muitos, e eram-lhes aplicadas todas as
torturas que um espírito engenhoso e cruel podia imaginar, para satisfazer os depravados gostos do imperador.
Próximo ao Vaticano, onde hoje se eleva a monumental basílica de São Pedro, erguia-se outrora o circo de
Nero, em meio aos jardins imperiais. Nero expôs os cristãos aos mais cruéis suplícios: crucificação, caçadas de
animais, tochas vivas para iluminar os espetáculos noturnos. Foi sob seu governo que os apóstolos Pedro e Paulo
foram martirizados.
TITO
Após a morte de Nero, em 68 d.C., iniciou-se o governo dos Flávios. Vespasiano derrotou Vitélio e se apossou
do poder imperial, dando início a uma nova dinastia. No ano de 70, Tito, filho de Vespasiano, iniciou o cerco de
Jerusalém, tendo sob seu comando “quatro legiões completas, partes de duas outras, vinte coortes de infantaria,
oito esquadrões de cavalaria e numerosas tropas auxiliares, além, obviamente, do que havia de mais moderno em
máquinas de assédio”.15
O santuário foi totalmente consumido pelo fogo no ano 70, 9 de Av pelo calendário judaico, mesma data em
que 656 anos antes o primeiro templo fora destruído por Nabucodonosor.
Flávio Josefo lamentou: “Não poderíamos, porém, nos não admirarmos assaz, de que a destruição desse
incomparável Templo, tenha acontecido no mesmo mês e no mesmo dia em que os babilônicos outrora o haviam
também incendiado. Esse segundo incêndio aconteceu no segundo ano do reinado de Vespasiano, mil cento e
trinta anos, sete meses e quinze dias depois que o rei Salomão o havia construído pela primeira vez; seiscentos
e trinta e nove anos, quarenta e cinco dias depois que Ageu o tinha feito restaurar, no segundo ano do reinado de
Ciro”.16
A queda de Jerusalém e a destruição do Templo decidiram o curso da guerra, mas não a terminaram de
vez, conforme a profecia. A terra de Israel tomou-se província romana, a maior parte propriedade particular de
1 2 0 g ra n d e in cên dio de R om a se deu no v e rã o de 6 4 d.C .
1 3 In fa n tic íd io , c a n ib a lism o , in cesto , e tc ., fo ram a c u sa çõ e s le v a n ta d a s co n tra o s c ristã o s . “ Som os a c u sa d o s de trê s c o is a s : a te ísm o , com erm os n o sso s p ró p rio s
filh o s e h a v e r e n tre n ó s re la ç õ e s s e x u a is e n tre filh o s e m ã e s ” , A te n á g o ra s, Le g atio pro C h r is tia n is , I I I , cf. p. 1 7 .
1 4 B ETTEN SO N , H. D ocum entos d a ig re ja c r is tã . S ão P a u lo : A ste -Ju e rp , 1 9 9 8 , p . 2 7 .
1 5 B O R G ER , H an s. U m a h is tó ria do povo ju d eu . S ã o P a u lo : S êfer. 1 9 9 9 , p. 2 2 4 .
1 6 O SEFO , Flá v io . H istó ria dos h e b re u s. Rio de J a n e iro : CPAD, p. 6 7 9 .
Vespasiano. Cem mil homens, mulheres e crianças foram vendidos como escravos. Josefo fala em 1.197.000
mortos; mesmo a módica avaliação de Tácito de 600.000 é uma cifra estarrecedora.
O povo de Roma comemorou a vitória dos seus exércitos erguendo o Arco de Tito (um dos mais belos
monumentos romanos preservados), cujos relevos mostram o cortejo triunfal dos vencedores e a procissão dos
vencidos, carregando troféus retirados do Templo de Jerusalém.
Efígie de Vespasiano em uma moeda
TRAJANO (98-117 d.C.)
Depois da dinastia dos Flávios, subiu ao trono de Roma a chamada família Antonina (Trajano, Adriano,
Antonino Pio, Marco Aurélio e Cômodo). Foi uma época marcada pelo apogeu romano, conhecido como Idade
de Ouro. Entre os documentos mais importantes dessa época se encontra a carta de Plínio, o Jovem, governador
da Bitínia, sobre o modo de tratar os cristãos. Endereçada ao imperador Trajano, datada do ano 112, ele diz que
“aos incriminados pergunto se sao cristãos. Na afirmativa, repito a pergunta segunda e terceira vez, ameaçando
condená-los à pena capital. Se persistirem, condeno-os à morte”.17
Qualquer cristão que recebesse algum tipo de acusação e não negasse a fé seria castigado e mandado para ser
morto crucificado e lançado às feras; já os que negavam a fé eram considerados merecedores de absolvição.
Entre os mártires mais importantes dessa época se encontram Inácio de Antioquia, Policarpo de Esmima,
Justino e os mártires de Lião.
Efígie de Trajano em uma moeda
17 B ETTEN SO N , H e n ry. Docum entos d a ig r e ja c r is tã . S ão P a u lo : A ste -Ju e rp , 2 0 0 1 , p. 2 9 .
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r i – — CURS0 DE teologia
IMPERADOR SEVERO (193-211 d.C.)
Depois da morte do imperador Cômodo subiu ao trono a dinastia dos Severos: Sétimo Severo (193-211 d.C.),
Caracala (211-217 d.C.), Heliogábalo (218-222 d.C) e Alexandre Severo (222-235 d.C.).
No décimo ano do seu reinado (202), Sétimo Severo empreendeu uma perseguição religiosa, a qual, segundo
muitos historiadores eclesiásticos, é chamada de Quinta Perseguição geral. Esse imperador proibiu a propaganda
cristã e as conversões ao cristianismo, assim como o prosetilismo judaico. Eusébio de Cesaréia dedica boa parte
do sexto livro de sua História eclesiástica a essa perseguição.18 Conta-nos esse historiador, com ricos detalhes,
como Sétimo Severo perseguia os cristãos: “Mas quando Severo levantou uma perseguição contra as igrejas,
houve martírios ilustres sofridos por combatentes da religião em todas as igrejas em todas as partes. Esses foram
especialmente abundantes em Alexandria, enquanto os heróicos lutadores do Egito e de Tebas eram escoltados
como que para um teatro grandioso de Deus onde, pela perseverança invencível sob várias torturas e modos de
morte, foram adornados com coroas do céu”.í9
Sob Caracala, Heliogábalo e Alexandre Severo não houve perseguição. No ano de 235 Maximino Trácio
usurpou a coroa, e durante os três anos de seu reinado houve perseguição contra os cristãos.
IMPERADOR DÉCIO (249-251 d.C.)
É pouco conhecido na história romana o nome do imperador Décio. Celebrizou-se principalmente como
perseguidor dos cristãos. Para ele os cristãos eram os inimigos mais perigosos do império.
Em fins de 249 ou inícios do ano seguinte editou uma lei que ordenava a todos os súditos ofertar um solene
sacrifício propiciatório aos deuses. Ordenou que seus funcionários públicos registrassem em listas oficiais o
nome das famílias dos sacrificantes. Era um controle perfeito dos que negavam culto aos deuses.
Este fato causou dolorosas conseqüências para a Igreja. Nas grandes cidades como Alexandria, Cartago,
Esmima e Roma um grande número de cristãos abandonou a fé, entre eles alguns bispos. Todavia, enorme
multidão de ambos os sexos e de todas as idades deram seu sangue em testemunho da fé.
Nos seus dias a perseguição aos cristãos abrangeu todo o império. Ele obrigava a queima de incenso em
homenagem à inteligência do imperador.20
Efígie de Décio em uma moeda
18 C iS A R É IA , E u sé b io d e . H istó ria e c le s iá s tic a . R io de J a n e iro : CPAD, 1 9 9 9 , p. 2 0 1 .
19 Id em , p. 2 0 1 .
20W ALTON , R o b ert C. H istó ria d a ig re ja em q u a d ro s. S ão P a u lo : V id a , 2 0 0 0 , p. 2 1 .
IMPERADOR DIOCLECIANO (284-310 d.C.)
Com o fim da dinastia dos Severos, em 235 d.C., o grande império começou a tomar outra direção. Em
268 os godos saquearam Atenas, Corinto e Esparta. Não havia um governo centralizado e forte que pudesse
deter as invasões, e com isso vários chefes militares foram proclamados imperadores por suas tropas, mas não
permaneceram por pouco tempo.
Foi em sua administração que o Império Romano foi dividido em dois: Império Romano do Ocidente e
Império Romano do Oriente, com dois augustos e dois césares. Maximiano era seu homem de confiança, a quem
entregou a metade do império ocidental.
No campo religioso, tomou obrigatório o culto a Júpiter, com quem se identificou, e ordenou a última e
mais terrível de todas as perseguições contra os cristãos em seu governo. Quatro editos visavam de certa forma
extinguir a religião cristã: o primeiro ordenava a destruição das igrejas e a queima dos livros sagrados; dois
outros ordenavam o encarceramento dos eclesiásticos; e o último foi publicado na primavera de 304 ordenando
a adoração aos deuses pagãos, sob pena de morte.
Depois de sua morte a perseguição ainda perdurou sob o comando de Galério, até o ano de 311.
Efígie de Diodeciano em uma moeda
4.5 OS PRINCIPAIS MÁRTIRES
Como podemos perceber, as perseguições fizeram inúmeros mártires, principalmente entre os cristãos, dentre
os quais podemos destacar:
CLEMENTE DE ROMA
Segundo a tradição, Clemente teria sido o terceiro sucessor de Pedro em Roma. Tudo indica que foi uma pessoa
de muita influência, porém pouco se sabe de sua vida e de seus atos, salvo “a Carta aos coríntios, que a Igreja
siríaca contou entre as Sagradas Escrituras e que foi inserida também no Codex Alexandrinus da Bíblia”.21
Segundo Orígenes e Eusébio, ele teria sido colaborador do apóstolo Paulo, mencionado em Filipenses 4.3: “E peçote
também a ti, meu verdadeiro companheiro, que ajudes essas mulheres que trabalharam comigo no evangelho, e com
Clemente, e com os outros cooperadores, cujos nomes estão no livro da vida”. Para Irineu, Clemente foi o sucessor de
Pedro em Roma (haer. 3,3,3); Tertuliano nos diz que ele fora ordenado pelo próprio apóstolo Pedro (praescr. 32).
Clemente escreveu esta carta por volta de 10 anos antes da de Inácio, retratando as perseguições de Domiciano,
pelo que podemos datá-la por volta dos anos 96-98 d.C.
21A LTA N ER , B. P a tro lo g ia . 3 . e d . São P a u lo : P a u lu s , 2 0 0 4 , p. 5 5 .
7 ^ CURSO DE TEOLOGIA
INÁCIO DE ANTIOQUIA (35-107 d.C.)
Inácio foi bispo de Antioquia, sendo provavelmente discípulo do apóstolo João. Durante o reinado de Trajano,
por volta do ano de 107 d.C., ele foi levado da Síria a Roma para ser despedaçado com violência pelas feras na
arena, porque não concordou em adorar a outros deuses, de acordo com a ordem do imperador.
Quando estava sendo levado para Roma, escreveu sete cartas, quatro de Esmima e três de Trôade. Inácio
estava disposto a ser martirizado, e durante a viagem pediu que os romanos não interviessem junto ao imperador
para libertá-lo, pois para ele era uma grande honra morrer por seu Senhor. Uma tradição refere que este foi
transladado da Síria à cidade de Roma para ser alimento das feras, em testemunho a Cristo.22
POLICARPO (69-155 d.C.)
Segundo Irineu, Policarpo chegou a ver e ouvir, na sua juventude, o apóstolo João. Ele foi bispo e mártir de
Esmima e durante o reinado de Marco Aurélio foi levado à arena, lugar dos jogos olímpicos, um dos maiores
teatros abertos da Ásia Menor, parte do qual permanece preservada até hoje.
O martírio de Policarpo é a mais antiga narrativa que temos preservada sobre a morte de um mártir da Igreja
Primitiva. Ao ser ordenado pelo procônsul Estácio a abandonar sua fé e negar o nome de Jesus, Policarpo
respondeu dizendo: “Oitenta e seis anos já que o sirvo e nenhum dano eu recebi dele. Como posso maldizer
meu rei, que me salvou?”.23 Com riqueza de detalhes podemos ler sobre o martírio de Policarpo na História
eclesiástica de E u sé b io de C e sáre ia,24
JUSTINO (cerca de 165 d.C.)
É mais conhecido como “Justino Mártir”, apelido dado por Tertuliano (adv. Vai. 5,11). Foi um dos maiores
defensores da fé no século II. Justino era natural de Siquém, na Palestina. Em sua juventude buscou conhecimento
nas doutrinas estóica, aristotélica, pitagórica e platônica: Esses sistemas filosóficos não saciaram sua sede de
conhecimento, porém um ancião, a quem conhecera por acaso em Éfeso, despertou seu interesse para o estudo
dos “Profetas” e, por meio deles, do cristianismo.
A partir de então Justino se converte ao cristianismo, dedicando-se exclusivamente à defesa da fé, tomando-se
o principal dos apologistas gregos do século II, deixando um legado aos futuros defensores do cristianismo.25
As obras que escreveu eram conhecidas de Eusébio. Seus livros, que ainda existem, oferecem valiosas
informações acerca da vida da Igreja nos meados do segundo século. Justino foi decapitado em Roma por volta
do ano 165, nos dias de Marco Aurélio.
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 4
1. Qual é o monumento mais expressivo da fé cristã em Roma?
2. Quem eram as pessoas que formaram o primeiro triunvirato?
3. Quem eram as pessoas que formaram o segundo triunvirato?
4. Qual foi o principal motivo das perseguições religiosas no período imperial?
5. Quais foram os apóstolos martirizados durante o governo de Nero?
6. Em que ano o santuário judaico foi destruído por Tito?
7.Policarpo foi morto durante o governo de qual imperador?
8. O que diziam os quatros editos proclamados por Diocleciano?
9. Segundo a tradição, Clemente teria sido o terceiro sucessor de quem na igreja de Roma?
C ES A R É IA , E u sé b io de. H isló ria e c le siá stic a . S ão P a u lo : Novo Século, 2 0 0 2 , p . 1 0 7 .
, 3 G 0 N Z Á L E Z , Ju sto L. (edito r). D icio n ário ilu stra d o dos in té rp re te s d a fé . S ã o P a u lo : A c a d e m ia C ris tã , 2 0 0 5 , p. 5 3 2 .
M C ES A R É IA , E u sé b io d e . H istó ria e c le s iá s tic a . S ão P a u lo : Novo Sécu lo, 2 0 0 2 .
“ G O N Z Á LEZ , Ju sto L. (edito r). O p. c it.r p. 3 8 7 .
5 PAIS DA IGREJA
O termo “Pai” era atribuído pelos fiéis aos mestres e bispos da Igreja Primitiva. Historicamente falando,
surgiu devido à reverência e amor que muitos cristãos tinham pelos seus líderes religiosos dos primeiros séculos.
Eram assim chamados carinhosamente devido ao amor e zelo que tinham pela Igreja. Mais tarde, “o termo é
atribuído particularmente aos bispos do Concilio de Nicéia”,26 e posteriormente Gregório VII reivindicou com
exclusividade o termo “Papa”, ou seja, “Pai dos pais”.
Com a morte do último apóstolo, João, em Éfeso, termina a era apostólica. Porém Deus já havia capacitado
homens para cuidar da sua Igreja, e começa uma nova etapa para o cristianismo. Assim, a obra que os apóstolos
receberam de seu Salvador e a desenvolveram tão arduamente acha-se agora nas mãos de novos líderes que
tinham a incumbência de desenvolver a vida litúrgica da igreja como fizeram aqueles.
O período que comumente é chamado de pós-apostólico é de intenso desenvolvimento do pensamento cristão.
Seu trabalho e influência garantiram a unidade da Igreja. Para um assunto tão importante, a Igreja convocou
grandes assembléias conciliares, os chamados Concílios Ecumênicos, dos quais participavam todos os bispos,
que no final promulgavam suas declarações de fé.
Para uma melhor compreensão desta disciplina, podemos dividir os Pais da Igreja em três grandes grupos, a
saber: Pais apostólicos, Apologistas e Polemistas. Todavia, essa divisão não é absoluta, pois podemos enquadrar
alguns deles em mais de um desses grupos devido à vasta literatura que produziram para a edificação e defesa do
cristianismo, como é o caso de Tertuliano, considerado o pai da teologia latina. Sendo assim, temos:
5.1 PAIS APOSTÓLICOS
Foram os mais antigos escritores cristãos fora do Novo Testamento, pertencendo à chamada “era
subapostólica”.27 Eles tiveram relação mais ou menos direta com os apóstolos e escreveram para a edificação da
Igreja, geralmente entre o primeiro e o segundo século. Os mais importantes destes foram:
Clemente de Roma (30-100 d.C.)
Clemente era um cristão que gozava de grande autoridade entre seus contemporâneos. Orígenes e Eusébio
de Cesaréia identificam-no com o colaborador de Paulo mencionado em Filipenses: “A ti, fiel companheiro de
jugo, também peço que as auxilies, pois juntas se esforçaram comigo no evangelho, também com Clemente
e com os demais cooperadores meus, cujos nomes se encontram no Livro da Vida” (Filipenses 4.3 – ARA).
Irineu de Lião escreveu que Clemente teria sido o terceiro sucessor do apóstolo Pedro no episcopado de Roma.
Segundo Tertuliano, ele foi consagrado pelas mãos do próprio apóstolo Pedro. Escreveu uma carta chamada de
1 ° Clemente, escrita de Roma por volta de 95 d.C., para a igreja em Corinto. A obra Atos dos mártires, do século
IV ou V d.C., afirma que Clemente foi exilado para a península de Queronese, na área do mar Negro, e foi atirado
ao mar com uma âncora amarrada ao seu pescoço.
Inácio de Antioquia da Síria (35-107 d.C.)
Conforme se encontra na História eclesiástica, de Eusébio, Inácio teria sido o segundo bispo de Antioquia:
“Mas, depois que Evódio fora estabelecido o primeiro sobre os antioquenos, Inácio o segundo, reinava no tempo
do qual falamos” (HE, III, 22).
“ A LTA N ER , B. Op. c it., p. 1 8 -1 9 .
27 LA N E, Tony. P en sam en to c ristã o : dos p rim ó rd io s à Id a d e M é d ia . S ão P a u lo : A b ba P re s s , 2 0 0 3 , p .1 4 -1 5 .
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IA • * CURSO DE TEOLOGIA
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Foi martirizado em Roma durante o reinado de Trajano (98 a 11 d.C.). Tudo quanto sabemos sobre sua vida
é através de suas sete cartas escritas no caminho rumo ao martírio em Roma: Carta aos Efésios, Romanos,
Filadélfia, Esmima, Trálios, Magnésia e Policarpo. Inácio é o primeiro escritor a apresentar claramente o padrão
tríplice de ministério: um bispo numa igreja com seus presbíteros e diáconos.28 Opôs-se às heresias gnósticas.
Sua preocupação principal era com a unidade da Igreja.
Papias (70-140 d.C.)
Bispo de Hierápolis, de quem somente sabemos alguma coisa através dos escritos de Eusébio e Irineu. Ele
era um homem curioso, que tinha o hábito de inquirir sobre as origens do cristianismo. Foi Papias quem iniciou a
tradição que diz que Marcos era intérprete de Pedro: “Marcos, que foi intérprete de Pedro, pôs por escrito, ainda
que não com ordem, o quanto recordava do que o Senhor havia feito”.29
Segundo Irineu de Lião, teria sido discípulo do apóstolo João. Conforme Eusébio de Cesaréia, Papias fora
discípulo do “outro João”, o “presbítero”, e não do apóstolo João (HE, III, 39).
Escreveu uma coleção de relatos sobre os ditos e feitos do Senhor e de seus discípulos, da qual restam
somente pequenos fragmentos.
Policarpo (69-155 d.C.)
Foi discípulo do apóstolo João. Provavelmente nasceu em 70 d.C. Eusébio declara que não somente foi
instruído pelos apóstolos e conviveu com muitos que haviam visto o Senhor, mas também foi instituído bispo
da Asia pelos apóstolos, na igreja de Esmima.30 Aparentemente Policarpo conhecia alguns personagens ilustres
de sua época, como Inácio, Irineu, Aniceto de Roma e Marcião ,o qual resistiu à sua doutrina e chamou-lhe de
primogênito de Satanás”. De acordo com Irineu, Policarpo escreveu diversas cartas à comunidade e a bispos
em particular, das quais se preservou somente a carta aos filipenses.
Em um dos escritos que trazem seu nome é-nos dada a narrativa de sua morte. Devido à sua idade, quiseram
fazê-lo negar o nome de Jesus e assim escapar com vida, ao que ele respondeu: uEu tenho servido Cristo por
86 anos e ele nunca m efez nada de mal. Como posso blasfemar contra meu Rei que me salvou? Quando o
colocaram na fogueira, o fogo não o queimou, e então seus inimigos o apunhalaram até a morte e depois o
queimaram.
5.2 APOLOGISTAS
Foram aqueles que empregaram todas as suas habilidades literárias em defesa do cristianismo perante a
perseguição do Estado. Geralmente este grupo se situa no segundo século, e os mais proeminentes entre eles
foram:
Tertuliano (155-220 d.C.)
Nasceu em Cartago, um dos principais centros culturais do Império Romano. Destinado pela família ao estudo
das leis, recebeu esmerada educação. Aos vinte anos seguiu para Roma, onde ampliou sua formação. Regressou
a Cartago no final do século II e, depois de se converter ao cristianismo, dedicou-se ao estudo das Escrituras, da
literatura cristã e profana e dos tratados gnósticos. Iniciou então uma produtiva atividade literária voltada para
a consolidação da igreja no norte da África. Teólogo, foi o principal apologista da igreja ocidental e o primeiro
teólogo cristão a escrever em latim. Ele contribuiu com seus escritos para fixar o léxico e a doutrina do cristianismo
ocidental. Formado em Direito, ensinou oratória e advogou em Roma, onde se converteu ao cristianismo.
Possivelmente as contribuições de maior importância foram suas discussões sobre a Trindade e a Encarnação
do Logos. A sua principal obra escrita em defesa do cristianismo foi Apologética.
n LA N E, Tony. Op. c it., p .1 5 .
” C E S A R É IA , E u sé b io d e . H istó ria e c le s iá s t ic a . S ão P a u lo : Novo Século, 2 0 0 2 , p. 1 1 3 .
30 Id em , p. 1 2 7 .
CURSO DE TEOLOGIA ‘ V . “
Justino M ártir (100-165 d.C.)
Filho de pais pagãos, teria nascido perto da cidade de Siquém, onde passou boa parte de sua juventude
numa busca filosófica atrás da verdade. Ele foi um filósofo platônico. Seus estudos profundos do platonismo,
do pitagorismo, do estoicismo e do aristotelismo convenceram-no de que nem toda a verdade está contida na
filosofia e que ele precisava continuar inquirindo a verdade.
Vários livros são atribuídos a Justino, porém somente três são aceitos como genuínos. São os denominados
de Primeira Apologia, Segunda Apologia e o Diálogo com Trifo, o judeu. Sua Primeira Apologia é dirigida ao
imperador Antonino Pio, que reinou de 138-161 d.C., aos seus filhos Lucius e Marco Aurélio, a todo o senado
romano e “a todos os romanos”. A Segunda Apologia é dirigida ao senado romano, embora já tivesse sido
alcançado pela Primeira. Os dois foram escritos para contestar a perseguição. O Diálogo com Trifo consta de
uma conversa de dois dias entre Justino e um douto judeu contemporâneo de Justino.
5.3 POLEMISTAS
Diferentemente dos apologistas do segundo século, que procuraram fazer uma explanação e uma justificação
racional do cristianismo para as autoridades, os polemistas empenharam-se em responder ao desafio dos falsos
ensinos dos heréticos, condenando veementemente esses ensinos e seus mestres.
Os pais desse grupo não mediram esforços para defender a fé cristã das falsas doutrinas surgidas fora e dentro da
Igreja. Apesar de a maioria ter vivido no Oriente, os grandes polemistas vieram do Ocidente:
Irineu (130-202 d.C.)
Oriundo da Ásia Menor, em sua juventude fo i discípulo de Policarpo, de acordo com Eusébio de Cesaréia.
Irineu escreveu a Florino, um ex-condiscípulo de Policarpo, que apostatara tornando-se valentiniano: “Pois
os estudos de nossa juventude cresceram com nossa mente e se uniram a ela com tamanha firmeza, que também
posso dizer até o lugar em que o bendito Policarpo costumava-se sentar e discursar; e também suas entradas,
suas saídas, o caráter de sua vida e a form a de seu corpo, e suas conversas com as pessoas, e seu relacionamento
fam iliar com João, conforme costumava contar, bem como sua familiaridade com os que haviam visto o Senhor.
Também a respeito de seus milagres, sua doutrina, tudo isso era contado por Policarpo, de acordo com as
Sagradas Escrituras, conforme havia recebido das testemunhas oculares da doutrina da salvação ” 31
A maior parte de sua obra desenvolveu-se no campo da literatura polêmica contra o ensino gnóstico, que
acreditava na existência de um demiurgo distinto de Deus. Sua primeira obra, Adversus Haereses, título em latim
que significa “Contra Heresias”, escrita entre 182 e 188 d.C., salienta-se por sua habilidade, moderação e pureza
em apresentação do cristianismo,32 condenando os ensinos de Marcião.
Orígenes (185-254 d.C.)
Orígenes foi o maior dos intérpretes alegóricos e o mai prolífico da antiguidade cristã. A maior parte das
informações sobre a vida de Orígenes pode ser localizada no sexto livro da História eclesiástica, de Eusébio.
Nasceu em Alexandria, no Egito, onde foi aluno de Clemente, o que o faria sucessor deste anos mais tarde.
Ficou à frente da escola catequética por 28 anos, levando uma vida extremamente ascética e piedosa. Devido ao
seu zelo, interpretou literalmente o texto de Mateus 19.12, que diz: “Porque há eunucos que assim nasceram do
ventre da mãe; e há eunucos que foram castrados pelos homens; e há eunucos que se castraram a si mesmos por
causa do Reino dos céus. Quem pode receber isso, que o receba”, e mutilou-se a si mesmo.
Seu pai Leônidas morreu martirizado em 202, o que fez com que ele sentisse o mesmo sentimento, a ponto
de dizer ao pai que se encontrava preso: “Não vás mudar de idéia por causa de nós”. Em 212 esteve em Roma,
Grécia e Palestina. A mãe do imperador Alexandre Severo, Júlia Maméia, chamou-o a Antioquia para ouvir suas
lições. Morreu em Cesaréia durante a perseguição do imperador Décio.
31 C ES A R É IA , E u sé b io d e . H istó ria e c le s iá s tic a . Rio de J a n e iro : CPAD, 1 9 9 9 , p. 1 8 9 .
32B ERKH O F, Lo u is. H istó ria d a s d o u trin a s c ristã s . São P a u lo : P u b lic a ç õ e s E v a n g é lic a s S e le c io n a d a s , 1 9 9 2 , p. 5 8 .
A produção literária de Orígenes foi enorme. Segundo a estimativa, ele foi o autor de seis mil pergaminhos.33
Uma vez que seus conhecimentos bíblicos eram enormes e estava consciente de que o texto das Escrituras
continha ligeiras variantes, compôs a “Hexapla”, 34 uma obra monumental de erudição bíblica que não foi
conservada na íntegra.
C ipriano (200-258 d.C.)
Thascius Cecilius Cyprianus era de família nobre e influente de Cartago. Converteu-se ao cristianismo em 246
d.C., sendo posteriormente eleito bispo em sua cidade natal, por volta de 249 d.C. Exerceu um ministério pastoral
influente produzindo vários escritos antes de ser perseguido e decapitado nos dias do imperador Valeriano.
As principais obras de Cipriano são: tratado sobre a unidade da igreja {De ecclesiae unitaté) e Dos caídos
{De lapsis), ambas escritas em 251 d.C., enviadas aos confessores romanos da fé. De habitu virginum (249
d.C.), De mortalitate (252 d.C. ou mais tarde), De opere et eleemosynis (252 d.C.) e uma coleção de cartas.
Algumas de suas obras são revisões dos escritos de Tertuliano, a quem Cipriano chamava de mestre.35
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 5
1. A quem os fiéis atribuíam o termo “pai”?
2. Quem foram os mais antigos escritores cristãos fora do Novo Testamento?
3. Por que alguns pais da Igreja foram chamados de apologistas?
4. Quem foi o maior dos intérpretes alegóricos e mais prolífico escritor da antiguidade cristã?
33 C A IR N S, io r le E. O p. c it., p. 9 1 .
34 G O N ZÁ LEZ , Ju sto L. E até o s con fin s do te r r a : u m a h is tó ria ilu s t r a d a do c ristia n is m o S ão P a u lo : V id a N o v a, 1 9 9 5 , p. 1 2 9 , v o l. 1.
35 G O N Z Á LEZ , Ju sto 1. D icio n ário ilu stra d o dos in té rp re te s d a fé . S ão P a u lo : A c a d e m ia C ris tã , 2 0 0 5 , p. 1 7 4 .
6 A IGREJA IMPERIAL
Desde o Edito de Constantino até a Queda de Roma em 476 d.C.
Em outubro de 312 os estandartes de Constantino, resplandecentes pelo monograma de Cristo, entravam
vitoriosos em Roma. Abria-se uma nova página na história da Igreja. Com a ascensão de Constantino ao poder
o cristianismo deixou de ser uma religião perseguida para ser a religião oficial do império. Os cristãos, em vez
de perseguidos, eram privilegiados; em vez de espoliados, eram ajudados. Passaram do anfiteatro romano, onde
tinham de enfrentar leões, a ocupar lugares de honra junto ao trono que governava o mundo. Se antes confessar o
nome de Cristo era motivo para ser morto, agora significava projeção e segurança. A proteção imperial foi, sem
dúvida, um dos meios mais eficazes para a expansão do cristianismo.
A declaração do cristianismo como religião oficial do império trouxe várias vantagens à religião cristã, dentre
as quais podemos relatar: o rápido crescimento do cristianismo, a isenção de impostos e do serviço militar ao
clero, a construção de grande catedrais nas principais cidades do império e a devolução dos bens confiscados
pelo Estado. Todas as perseguições cessaram para sempre, de 313 até o término do império; a espada foi não
somente embainhada, mas enterrada.
No entanto, a oficialização do cristianismo como religião oficial do império trouxe conseqüências trágicas
para a Igreja, como, por exemplo, a sua paganização. Milhares de pessoas que ainda eram pagãs penetraram na
Igreja a fim de obter vantagens especiais e favores que advinham de tal filiação. Essas pessoas vinham para a
Igreja não porque tinham plena consciência de seus pecados, mas por causa das benesses que recebiam. Dessa
forma, permaneciam com seus hábitos e costumes, sem se importar em agradar a Deus. Vieram em quantidades
muito maiores do que podem ser instruídos ou assistidos. Acostumados aos rituais pagãos mais complicados,
não gostaram da simplicidade do culto cristão e começaram a introduzir práticas e crenças pagãs no seio da
Igreja. Gradualmente, por causa da negligência da Bíblia e da ignorância do povo, a Igreja foi se contaminando,
perdendo paulatinamente sua identidade de igreja cristã fiel a Jesus Cristo e à doutrina dos apóstolos.
Em 330 d.C. Constantino inaugurou a nova capital do império. No breve lapso de um qüinqüênio, a antiga
vila de Bizâncio transformara-se na majestosa Constantinopla, também chamada Nova Roma.
Um dos locais prediletos de residência e governo do imperador era a pequena cidade de Nicéia, perto de
Constantinopla. Ali o imperador e sua corte administravam os assuntos da Igreja e do império no Oriente. Quando
estava no Ocidente, Constantino morou em Milão, no norte da Itáliá. Roma ficou praticamente abandonada pela
corte imperial na época de Constantino. Foi em Nicéia que Constantino convocou todos os bispos da Igreja para
resolver o debate a respeito da pessoa de Cristo e da Trindade.
O concilio durou aproximadamente dois meses e tratou de muitas questões que confrontavam a Igreja.
Aproximadamente vinte “cânones” ou decretos distintos foram promulgados pelo imperador e pelos bispos, que
variavam desde a deposição de bispos relapsos até a ordenação de eunucos. Além disso, o bispo de Alexandria
foi declarado “patriarca” dos bispos das regiões da África do Norte e arredores, e o bispo de Roma o legítimo
líder emérito dos bispos ocidentais. O imperador conclamara o concilio para dirimir a controvérsia ariana, e era
a respeito dela que os bispos mais queriam falar.
Dos 318 bispos presentes na abertura do concilio, somente 28 eram abertamente declarados arianos. O próprio
Ario não recebeu permissão para participar do concilio por não ser bispo. Foi representado por Eusébio de
Nicomédia e Teogno de Nicéia. Alexandre de Alexandria dirigiu o processo jurídico “Ario e o arianismo” e foi
auxiliado por seu jovem assistente Atanásio, que viria a sucedê-lo no bispado de Alexandria poucos anos depois. Desse
concilio, em que os arianos foram condenados, surgiu o credo de Nicéia (também conhecido simplesmente porNicéia):
Cremos em um só Deus, Pai onipotente, criador de todas as coisas visíveis e invisíveis; e em um só Senhor, Jesus Cristo,
o Filho de Deus, gerado pelo Pai, unigênito, isto é, sendo da mesma substância 36 do Pai, Deus de Deus, Luz da Luz,
Deus verdadeiro do Deus verdadeiro, gerado não feito, de uma só substância37 com o Pai, pelo qual foram feitas todas
as coisas, as que estão no céu e as que estão na terra; o qual, por nós homens e por nossa salvação, desceu, se encarnou
e se fez homem 38, e sofreu e ressuscitou ao terceiro dia, subiu ao céu, e novamente deve vir para julgar os vivos e os
mortos; e no Espírito Santo. E a todos que dizem: “Ele era quando não era”, e “‘antes de nascer, Ele não era”, ou que
“foi feito do não existente”, 39 bem como aqueles que alegam ser o Filho de Deus “de outra substância ou essência”, ou
“feito”, ou “mutável”, 40 ou “alterável” 41 a todos esses a Igreja Católica e Apostólica anatematiza. 42
Ao falecer, em 337 d.C., Constantino deixou o império dividido entre seus três filhos: Constantino II,
Constante e Constâncio. Nenhum deles esteve à altura do pai. Os dois primeiros tiveram a seu cargo o Ocidente,
e Constâncio era senhor absoluto do Oriente.
Em 379 d.C. estava no poder do Oriente o espanhol Teodósio, intrépido defensor da fé cristã. Em 380 já
publicava um edito sobre a fé católica, impondo a todos os súditos o símbolo de Nicéia. Em 391 Teodósio e
Valentiniano II proibiam de modo absoluto o culto pagão. Senhor único do império no ano seguinte, Teodósio
vencia por completo, também no Ocidente, a resistência pagã.
Os adeptos do politeísmo, não podendo mais viver tranqüilos nas cidades, refugiaram-se nas aldeias, onde dificilmente
os atingiria a legislação vigente. Daí a designação de pagãos (paganus= aldeão) aos persistentes na idolatria.
O cristianismo tomou-se a religião oficial do Estado. Teodósio pode ser considerado o fundador da Igreja
Católica de Estado. Assim, com o decorrer do tempo, a Igreja tinha um sacerdócio suntuosamente vestido que
fazia ofertas de sacrifícios, um ritual complicado, imagens, água benta, incenso, monges, freiras, a doutrina do
purgatório e, de um modo geral, a crença de que a salvação podia ser alcançada por meio de obras e não pela
graça. A igreja em Roma e, de um modo geral, as igrejas por todo o império deixaram de constituir a Igreja cristã
apostólica, transformando-se numa grande monstruosidade religiosa.
Permaneceram, entretanto, alguns grupos numericamente pequenos, geralmente isolados, que mantiveram a
fé cristã em pureza, perdurando por toda a Idade Média até o século XVI, quando um reavivamento religioso do
Ocidente, conhecido como Reforma, sacudiu a Igreja nos seus alicerces.
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
C A PÍTU LO 6
1. A declaração do cristianismo como religião oficial do império trouxe várias vantagens à religião cristã.
Cite-as.
2. A oficialização do cristianismo como religião oficial do império trouxe conseqüências trágicas para a
Igreja. Cite-as.
3. Transcreva o concilio de Nicéia.
4. Qual é a origem do nome “pagão”?
Ek le s o y s ía s toy p a tró s – “ do m a is ín tim o s e r do P a i” – u nido in se p a ra v e lm e n te .
37H om o oysion to p a t r í – se r único in tim a m e n te com o P a i; em b o ra d is tin to s em e x is t ê n c ia , e stã o e sse n c ia lm e n te u n id o s.
E n a n th ô p é sa n ta — tom an do so b re s i tudo a q u ilo que fa z hom em a o h o m em , a la rg a n d o s a rk â t h é n t a , “fe z-se c a r n e ”; ou , t a lv e z , “viveu como hom em e n tre os
h o m e n s”, a la rg a n d o e s a lv a g u a rd a n d o o credo de C e s a r é ia “viveu entre os h o m e n s” , en a n th rô p is p o lite y sá m e n o n . M a s isto p are ce m en os p ro v áv el.
39 E k s o yk óntôn – “ do n a d a ” .
40 Isto é , m o ralm e n te m u táv el.
41 Isto é , m o ra lm e n te m u táv el.
43 B ETTEN SO N , H. D ocum entos d a ig re ja c r is tã . S ão P a u lo : A ste -Ju e rp , 1 9 9 8 , p. 6 2 .
REFERÊNCIAS
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GONZALEZ, Justo L. E até os confins da terra: uma história ilustrada do cristianismo. São Paulo: Vida Nova,
1995.
ii______ . E até os confins da terra: uma história ilustrada do cristianismo. São Paulo: Vida Nova, 2001. vol. II
(A Era dos Gigantes).
^______. E até os confins da terra: uma história ilustrada do cristianismo. São Paulo: Vida Nova, 2001. vol. III
(A Era das Trevas).
_______ – E até os confins da terra: uma história ilustrada do cristianismo. São Paulo: Vida Nova, 2001. vol. IV
(A Era dos Altos Ideais).
_______ . E até os confins da terra: uma história ilustrada do cristianismo. São Paulo: Vida Nova, 2001. vol. V
(A Era dos Sonhos Frustrados).
_______ . E até os confins da terra: uma história ilustrada do cristianismo. São Paulo: Vida Nova, 2001. vol. VI
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_______ . Dicionário ilustrado dos intérpretes da fé. São Paulo: Academia Cristã, 2005.
HEERS, Jacques. O mundo medieval. Lisboa: Edições Atica, 1976.
HORTOM, Stanley M. Teologia sistemática. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.
HURLBUT, Jessé Lyman. História da igreja cristã. São Paulo: Vida, 1996.
LANE, Tony. Pensamento cristão: dos primórdios à Idade Média. São Paulo: Abba Press, 2003.
LOPES, Hemandes Dias. Panorama da história cristã. São Paulo: Candeia, 2005.
MATHER, George A.; NICHOLS, Larry A. Dicionário de religiões, crenças e ocultismo. São Paulo: Vida,
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WAND, J. W. História da Igreja Primitiva. São Paulo: Custom, 2004.
^ CURSO DE TEOLOGIA
^ faculdade teológica betesda
I A Moldando vocacionados
AVALIAÇÃO – MÓDULO IV
HISTÓRIA DA IGREJA
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1) Por que o Pentecostes sinalizou o início da Igreja?
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‘.| 2) Qual era o fator significativo que distinguia os primeiros cristãos?
| 3) A perseguição contra os primeiros cristãos veio primeiramente de um organismo político-eclesiástico. Qual
j é o nome dele?
j 4) Onde se encontrava a primeira igreja gentia e a maior igreja missionária depois de Jerusalém?
■i
í 5) Faça um breve relato da terceira viagem missionária do apóstolo Paulo.
6) Qual foi o fator de maior destaque nos três primeiros séculos da história do cristianismo?
} 7) Depois da morte de Otávio, quatro dinastias ocuparam sucessivamente o poder em Roma. Quais eram elas?
: 8) Foi no governo de qual imperador que o Império Romano foi dividido em dois?
9) Quem iniciou a tradição que diz que Marcos era intérprete de Pedro?
10) Ao falecer, em 337 d.C., Constantino deixou o império dividido entre seus três filhos. Qual é o nome deles?
CARO(o) ÂLUNO(à): ~ …………
• Envie-nos as suas respostas referentes a cada QUESTÃO acima. Dê preferência por digitá-las em
folha de papel sulfite, sendo objetivo(a) e claro(a).
CAIXA POSTAL 12025 • CEP 02013-970 * SÃO PAULO/SP
• Dê preferência, envie-nos as 5 avaliações funtas.
■ ■ ■ ■—- • ■ —■ – « fc*- * * ■ i – — — ■ . . i fc–» — ■ *

SUMARIO
INTRODUÇÃO……………………………………………………………………………………………………………………………………………….. 51
1. DEFINIÇÃO ………………………………………………………………………………………………………………………………………….. 52
1.1 IGREJA COMO E K K L E SIA ………………………………………………………………………………………………………………. 52
2. METÁFORAS QUE CARACTERIZAM A IG R E JA ………………………………………………………………………….54
3. FORMA DE GOVERNO DA IG R E JA ………………………………………………………………………………………………….55
3.1 EPISCOPAL………………………………………………………………………………………………………………………………………… 55
3.2 PRESBITERIANA……………………………………………………………………………………………………………………………… 56
3.3 CONGREGACIONAL……………………………………………………………………………………………………………………….. 57
4. OS OFICIAIS DA IG R E JA …………………………………………………………………………………………………………………….58
4.1 TERMOS SINÔNIMOS …………………………………………………………………………………………………………………….59
4.2 OUTROS MINISTROS …………………………………………………………………………………………………………………….. 59
4.3 EVOLUÇÃO DA HIERARQUIA ECLESIÁSTICA ……………………………………………………………………….. 59
5. ORDENANÇAS DA IG R E JA ……………………………………………………………………………………………………………….. 61
5.1 BATISM O…………………………………………………………………………………………………………………………………………….61
5.1.1 Fórmula do b atism o ……………………………………………………………………………………………………………………62
5.1.2 Realidades espirituais figuradas no batism o………………………………………………………………………………. 63
5.1.3 Quem deve ser batizado…………………………………………………………………………………………………………….. 63
5.2 CEIA DO SENHOR …………………………………………………………………………………………………………………………..64
5.2.1 Pré-requisitos para participar da Ceia do S enhor………………………………………………………………………… 64
5.2.2 Natureza da Ceia do S enhor………………………………………………………………………………………………………..65
6. DISCIPLINA NA IG R E JA ……………………………………………………………………………………………………………………..67
6.1 DISCIPLINA NO ANTIGO E NOVO TESTAM ENTO…………………………………………………………………….67
6.2 PASSOS PARA A D ISCIPLIN A ………………………………………………………………………………………………………….68
6.3 OBJETIVOS BÍBLICOS NA DISCIPLINA ………………………………………………………………………………..69
6.4 IMPLICAÇÕES TEO LÓ G ICA S…………………………………………………………………………………………………………69
REFERÊNCIAS ………………………………………………………………………………………………………………………………………………71
INTRODUÇÃO
A Igreja é um projeto de Deus, entretanto muitas pessoas hoje não têm o mínimo interesse nas igrejas.
Ignoram ou as denunciam como relíquias ou hipócritas. Será que o plano de Deus falhou? Evidentemente não,
a questão é outra. Muitas pessoas buscam nas igrejas soluções para suas frustrações e ambições pessoais, mas
deveriam buscar uma igreja para receber uma palavra vinda da parte de Deus.
No Antigo Testamento Deus chamou a Israel; agora chama a Igreja. Alguém diria: para quê? As Escrituras
respondem: Deus chamou para si um povo zeloso e de boas obras, separado do mundo para lhe pertencer e
obedecer e ser seu representante na Terra.
Sendo assim, a Igreja é um organismo vivo, criado por Deus, o qual revelou no Novo Testamento a sua
natureza e missão, a doutrina que deve ensinar e o padrão para a sua vida.
Apesar da importância da Igreja aos olhos de Deus, há muitos cristãos que não a valorizam, ou seja,
desconhecem sua finalidade e objetivo. Por meio deste estudo analisaremos a origem da Igreja, sua forma de
governo, os ministérios estabelecidos para sua edificação e por fim as ordenanças estabelecidas pelo Senhor
Jesus.
1 DEFINIÇÃO
A Bíblia emprega uma variedade de termos e metáforas para demonstrar o que é Igreja bem como seu
relacionamento com Deus. Sua identidade é revelada por meio dos vários vocábulos, cada um acrescentando
algo mais para enriquecer nossa compreensão do caráter, missão e relacionamento da Igreja. Desta forma, iremos
estudar os principais termos e metáforas que descrevem sua realidade segundo a revelação de Deus.
1.1 IGREJA COMO EKKLESIA
O vocábulo grego EKKXv[oia (ekklesia) significa basicamente “os chamados para fora”, dando a entender
um grupo distinto selecionado e tirado para fora de algo. Esse termo não é específico do campo religioso, pois
no grego clássico era utilizado para indicar uma “assembléia”, “reunião”. Originalmente os cidadãos de uma
cidade eram chamados mediante o toque de uma trombeta, que os convocava para se reunirem como assembléia
em determinado local, a fim de tratarem de assuntos comunitários; “era uma assembléia de cidadãos efetivos, e
arraigava-se na constituição democrática, uma assembléia na qual se tomavam decisões fundamentais, políticas
e judiciais”.
Os escritores inspirados do Antigo Testamento usaram a palavra hebraica b n p (qahal) para designar uma
convocação do povo para uma assembléia. Segundo o dicionário de Teologia, “qahal, que provavelmente se
relaciona com qol, ‘voz’, significa uma convocação para uma assembléia, e o ato de reunir-se, e talvez, se traduza
mais exatamente como ‘ajuntamento para revista’”.
Os tradutores da Bíblia hebraica para o grego, chamada de Septuaginta, usaram o termo ekklesia para traduzir
qahal. Onde ekklesia se emprega na Septuaginta para traduzir qahal indica:
a) A assembléia do povo ou uma assembléia jurídica: “E o SENHOR me deu as duas tábuas de pedra,
escritas com o dedo de Deus; e nelas tinha escrito conforme todas aquelas palavras que o SENHOR
tinha falado convosco no monte, do meio do fogo, no dia da congregação” (Deuteronômio 9.10; 23.3;
Juizes 21.5, 8; Miquéias 2.5).
b) O corpo político (os exilados que voltaram): “ .. .e que todo aquele que, em três dias, não viesse, segundo
o conselho dos príncipes e dos anciãos, toda a sua fazenda se poria em interdito, e ele seria separado da
congregação dos do cativeiro” (Esdras 10.8,12; Neemias 8.2,17).
c) Assembléia do povo para adorar: “Então, o rei virou o rosto e abençoou a toda a congregação de Israel,
e toda a congregação de Israel estava em pé” (2 Crônicas 6.3). Na consagração do templo: “Porque o rei
tivera conselho com os seus maiorais e com toda a congregação em Jerusalém para celebrarem a Páscoa
no segundo mês” (2 Crônicas 30.2, 4, 13, 17).
A Septuaginta usou o termo ekklesia para traduzir qahal “em 64 por cento das vezes em que essa palavra
ocorreu, dependendo do contexto”. A palavra igreja que utilizamos é derivada de ekklesia, o termo mais usado
no Novo Testamento grego para designar a assembléia do povo de Deus.
Desta forma, a etimologia da palavra ekklesia contribuiu para conhecermos o significado da palavra igreja.
Este termo é formado de ek (para fora) e kaleo (chamar, convocar). Como Deus chamou a nação de Israel para
M ^ CURSO DE TEOLOG1IA
fora do Egito e a conduziu para a Terra Prometida, hoje, da mesma maneira, Ele chama as pessoas para “fora
do mundo” (“não vos conformeis com este mundo” – Romanos 12.2) para caminhar em direção às mansões
celestiais.
Nos escritos do apóstolo Paulo o sentido de ekklesia é de uma assembléia convocada por Deus, o qual se
reúne com seu povo. Ekklesia nunca é usada para designar um prédio, como na palavra portuguesa igreja; ao
contrário, é o encontro de crentes para culto (1 Coríntios 11.18; 14.19, 28, 35). Como tal, o termo pode designar
os crentes que se reúnem em uma casa: “Saudai também a igreja que está em sua casa” (Romanos 16.5; 1
Coríntios 16.19; Colossenses 4.15; Filemom 2). Pode designar a totalidade dos crentes que vivem em um lugar:
em Cencréia: “Recomendo-vos, pois, Febe, nossa irmã, a qual serve na igreja que está em Cencréia” (Romanos
L6.1); em Laodicéia: “E, quando esta epístola tiver sido lida entre vós, fazei que também o seja na igreja dos
laodicenses; e a que veio de Laodicéia, lede-a vós também” (Colossenses 4.16); ou nas cidades da Judéia: “E não
era conhecido de vista das igrejas da Judéia, que estavam em Cristo” (Gálatas 1.22), e na Galácia: “ …e todos os
irmãos que estão comigo, às igrejas da G alácia…” (Gálatas 1.2). O apóstolo Paulo faz uso desse termo como a
totalidade de todos os crentes em suas epístolas (Colossenses 1.18, 24; Efésios 1.22; 3.10, 21; 5.23-25, 27, 29,
32; 1 Coríntios 12.28; 15.9; Gálatas 1.13; Filipenses 3.6).
Por várias vezes o apóstolo Paulo usou a frase “igreja de Deus” para indicar que o caráter real da Igreja
não está em seus membros, mas em sua Cabeça. Portanto, a “ekklesia não é para ser vista apenas como uma
comunhão humana, resultado de uma fé e experiência religiosa comum. É isto, porém mais do que isto: é a
criação de Deus através do Espírito Santo. Por essa razão, só pode haver, na realidade, uma ekklesia”. O escritor
aos hebreus entendeu o caráter único da Igreja e escreveu: “ …à universal assembléia e igreja dos primogênitos,
que estão inscritos nos céus, e a Deus, o Juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados” (Hebreus 12.23).
O sentido universal indica os crentes em Cristo de todos os séculos.
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 1
1. Qual é o significado do termo ekklesia?
2. Qual é o termo usado pelos escritores do Antigo Testamento para designar uma assembléia?
3. Quais são os significados do termo ekklesia na Septuaginta?
4. Qual é a etimologia da palavra ekklesia?
CURSO DE TEOLOGIA 53
2 METAFORAS QUE
CARACTERIZAM A IGREJA
O Novo Testamento faz uso de vários termos para representar a realidade da Igreja, bem como seu
relacionamento com seu fundador. Desta maneira, a Igreja é apresentada como:
1) Corpo de Cristo (Romanos 12.5; 1 Coríntios 12.13; 2 Coríntios 12.27;Efésios 1.23;4.4,12; 5.30; Colossenses
1.18,24).
2) Povo de Deus (Tito 2.14; 1 Pedro 2.9-10).
3) Rebanho de Cristo (Lucas 12.32; João 10.16; Atos 20.28-29; 1 Pedro 5.2-3).
4) Santuário de Deus (1 Coríntios 3.16-17; 6.19; 2 Coríntios 6.16; Efésios 2.21).
5) Coluna e Baluarte da Verdade (1 Timóteo 3.15).
6) Candeeiro (Apocalipse 1.13, 20).
7) Lavoura de Deus (1 Coríntios 3.9).
8) Edifício de Deus (1 Coríntios 3.9).
9) Família de Deus (Gálatas 6.10; Efésios 2.19; 3.15).
10) Israel de Deus (Gálatas 6.16).
11) Nação Santa (1 Pedro 2.9).
12) Sacerdócio Real (1 Pedro 2.9).
13) Noiva de Cristo (Apocalipse 21.9; 22.17).
14) Agência do Reino de Deus (Atos 29.25; 28.31).
15) Multiforme sabedoria de Deus (Efésios 3.10).
Gostaríamos de esclarecer que o local onde ocorrem as reuniões de uma igreja não é sagrado. As Escrituras
no dizem que “o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens” (Atos 7.48). N a antiga aliança
Deus habitava em um edifício, mas com a chegada da nova aliança o crente passou a ser o edifício em que Deus
habita, como disse o apóstolo Paulo: “ …no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação
de Deus no Espírito” (Efésios 2.22).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 2
1. Cite cinco termos pelos quais a Igreja é apresentada no Novo Testamento.
2. Por que o local onde ocorrem as reuniões de uma igreja não é sagrado?
54 CURSO DE TEOLOGIA
_ FORMA DE GOVERNO
ò DA IGREJA
A forma de governo de uma igreja local é muito importante, pois revela como são tomadas as decisões e como
a igreja é administrada. Hoje são três as principais formas de governo eclesiástico:
3.1 EPISCOPAL
No século II, o bispo surgiu como o pastor principal e o administrador das igrejas de uma região. Teve também
o prestígio do principal celebrante da Ceia do Senhor. Este papel do bispo veio em tempos de perseguição e de
lutas contra os hereges. Os bispos eram os únicos que tinham o direito de ordenar presbíteros e diáconos, cujas
funções eram limitadas na igreja. O avanço do poder do bispo seguiu o exemplo romano, pois era como uma
monarquia.
As Igrejas Católicas do Oriente e a de Roma continuam sustentando a doutrina da sucessão apostólica. Elas
são episcopais, isto é, governadas por hierarquias, com vários níveis de clero culminando numa autoridade
superior, que é visível. Nas diversas igrejas ortodoxas do oriente essa autoridade é constituída por patriarcas,
arcebispos e metropolitanos; na romana é o Papa. A Igreja Católica Romana é mais centralizada no Papa, o
qual nomeia os bispos. Ambas requerem que os bispos sejam celibatários. Historicamente, ensinam que não há
salvação fora de sua igreja institucional.
Com a Reforma Protestante, algumas igrejas que rejeitaram a supremacia romana mantiveram a premissa de
que o governo das igrejas deve estar nas mãos de bispos. As igrejas Metodistas e Anglicanas são “episcopais”
porque são governadas por bispos. Os bispos da Anglicana (Episcopal) alegam que sua ordenação sucede dos
apóstolos. Os artigos de fé da Igreja Anglicana são parte da doutrina oficial, mas não se exige que os clérigos e
leigos os aceitem. Existe nessa igreja um forte movimento de anglo-catolicismo disposto a sacrificar a doutrina
da Reforma Anglicana quando estiver em conflito com o Concilio de Trento.
Somente os bispos têm o direito de ordenar diáconos e presbíteros (sacerdotes) e de participar da ordenação
de outros bispos. O pároco é um sacerdote, o líder espiritual da igreja local; as juntas eleitas pelas congregações
resolvem os assuntos temporais.
O clero e alguns leigos das congregações e missões formam a Diocese da sua área, chefiada pelo bispo. O
Concilio Executivo administra a Convenção Geral.
Algumas igrejas luteranas optaram por um sistema episcopal modificado. Nos tempos atuais, outras igrejas
têm formas de hierarquia de bispos.
3.2 PRESBITERIANA
Esta forma de governo foi construída sobre o alicerce fundado por João Caivino no século XVI. Atualmente é
usada com algumas modificações pelas Igrejas Reformadas e Presbiterianas em muitos países. Afirma que Cristo
é a única Cabeça da Igreja, seu Corpo. Os membros elegem os oficiais como seus representantes para governar
a igreja institucional.
Em geral há quatro categorias de governo no sistema presbiteriano. As congregações são independentes
e iguais entre si, mas aceitam a Confissão de Fé adotada pela denominação e praticam sua forma de governo
eclesiástico. O “concilio”, eleito por cada congregação, cuida dos assuntos e negócios dela. É dirigida pelo
pastor, o “presbítero docente” chamado pela congregação e os “presbíteros regentes” eleitos por esta.
O sínodo é composto dos pastores das congregações da igreja da região, com presbíteros regentes representando
cada igreja do Presbitério. Ele ordena pastores e tem alguma voz sobre a posse e eventual transferência deles
%
OJRSO DE TEOLOGIA 55
pela congregação. Também exerce autoridade sobre as congregações em questões religiosas, financeiras e legais,
servindo como corte de apelo em assuntos apresentados pelos concílios das igrejas locais.
A Assembléia Geral ou Supremo Concilio reúne representantes eleitos por todos os presbitérios. Tem
autoridade geral em assuntos de fé, ordem, propriedade, missões, educação, etc. e é a última corte de apelo em
todos os casos apresentados pelos concílios das congregações, presbitérios e sínodos.
3.3 CONGREGACIONAL
Antes da Reforma Protestante existiram comunidades que tentaram seguir o modelo das igrejas primitivas nas
suas vidas congregacionais. As Igrejas da Reforma Radical insistiram em retomar ao ensino e prática das igrejas
do Novo Testamento. Em conseqüência, congregações autônomas foram implantadas pelos Waldenses, Irmãos,
Anabatistas e “igrejas dos crentes”.
As igrejas locais com governo congregacional são autônomas, determinando sua própria vida nas áreas de
fé, ordem e administração eclesiástica. Os membros escolhem seus líderes e decidem questões de acordo com a
vontade da maioria, na forma democrática. A igreja existe na congregação local, mas deve se associar com outras
congregações da mesma fé e ordem, em organizações regionais, etc., para comunhão e cooperação voluntária em
missões, educação, etc. Não estão, porém, ligadas organicamente e não são controladas por elas.
Hoje o congregacionalismo continua em igrejas batistas, congregacionais e independentes. Algumas luteranas,
pentecostais, etc. têm alguns aspectos congregacionais.
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 3
1. Por que a forma de governo de uma igreja é importante?
2. Explique a forma episcopal de governo da igreja.
3. Explique a forma presbiteriana de governo da igreja
4. Explique a forma congregacional de governo da igreja.
4 OS OFICIAIS DA IGREJA
O Novo Testamento registra os dons ministeriais na seguinte ordem: apóstolos, profetas, evangelistas, pastores
e doutores (Efésios 4.11).
Apóstolo – Apóstolo é sinônimo de missionário. No original grego apostolov (apostolos) significa “mensageiro,
alguém enviado com ordens”. Eram um grupo de homens separados por Deus para proverem os fundamentos da
Igreja, como está escrito na carta aos Efésios: “ .. .edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que
Jesus Cristo é a principal pedra da esquina” (Efésios 2.20); manifestarem o mistério de Deus “o qual, noutros séculos,
não foi manifestado aos filhos dos homens, como, agora, tem sido revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e
profetas” (Efésios 3.5). Conseqüentemente eles falavam com uma autoridade que advinha do próprio Deus.
Os apóstolos, no sentido estrito, eram apenas os “doze”, que não tiveram continuidade. Entretanto, as Escrituras
fazem referência ao dom de ministério apostólico: “E ele mesmo deu uns para apóstolos…” (Efésios 4.11). Na
Bíblia Sagrada o termo não é usado exclusivamente para fazer referência aos doze, mas também se refere a
Jesus (Hebreus 3.1). Mais tarde, alude a Paulo, como também a Bamabé (Atos 14.14) e a Matias, escolhido para
ocupar o lugar de Judas Iscariotes (Atos 1.16-20).
Para alguns, o chamado apostólico se encerrou com a morte de João; já para outros ainda existe esse chamado.
Sobre este assunto concordamos com a posição de Russel Champlin: “De modo geral, isto é, quanto aos que
recebem postos elevados, há apóstolos na igreja até hoje e em todos os tempos. No sentido mais restrito, quanto
ao ofício propriamente dito, não há provas de que o apostolado perdure na igreja até hoje e os que tomam esse
título não apresentam as qualificações ou credenciais do apostolado” . (CITAR CHAMPLIN É PROBLEMA…)
Profeta – Eram homens dotados do Espírito Santo, que prediziam eventos futuros, como se pode averiguar
em Atos 11.27-28: “Naqueles dias, desceram profetas de Jerusalém para Antioquia. E, levantando-se um deles,
por nome Agabo, dava a entender, pelo Espírito, que haveria uma grande fome em todo o mundo, e isso aconteceu
no tempo de Cláudio César”.
Mais freqüentemente, o termo é usado para o que comunica a revelação de Deus para a edificação da Igreja. O
profeta do Novo Testamento tanto pode ser um pastor que proclame a Palavra já revelada, visto que a “revelação”
de Deus está completa e ninguém pode alterá-la, como também qualquer um dos seus servos que queira usar com
este dom.
Evangelista – As Escrituras dizem que todos os crentes foram chamados para proclamar as boas novas de
salvação. A frase “outros para evangelistas” refere-se a um ministério específico, especial. Com certeza refere-se
a chamado exclusivo, dotado por Deus para anunciar as boas novas de modo persuasivo.
Pastores – E o que apascenta o rebanho do Senhor, como Tiago, irmão do Senhor na igreja de Jerusalém.
Apesar de ser pastor da primitiva igreja, nunca se arrogou ser bispo na concepção hodiema de estar um degrau
acima do pastor. Trabalhou em pé de igualdade com presbíteros e apóstolos na igreja.
Mestres – E o mesmo pastor com dom de ensinar, como Bamabé e Paulo, que durante um ano inteiro
‘‘ensinaram” ou “doutrinaram” a igreja em Antioquia da Síria (Atos 11.26). Não receberam tal denominação por
possuírem diplomação e títulos, mas porque doutrinaram os convertidos da igreja.
4.1 TERMOS SINÔNIMOS
O Novo Testamento emprega três termos diferentes para designar o mesmo ofício ministerial. O primeiro
é 7ioi|ar|v (poimen), traduzido por pastor. Para esse ofício ministerial, aparece uma só vez no Novo Testamento,
na carta aos Efésios 4.11, talvez para contrastar com o trabalho de Jesus, que é registrado seis vezes: João 10.11,
14, 16; Hebreus 13.20; 1 Pedro 2.25; 5.4. O verbo “pastorear”, para designar o ofício de pastor, aparece em João
21.16; Atos 20.28; 1 Pedro 5.2.
O segundo é TcpeaPuiepoc; (presbuteros), traduzido por presbítero. Ocorre em Atos 11.30; 14.23; 15.2, 6,
22-23; 16.4; 20.17; 21.18; 1 Timóteo 5.17,19; Tito 1.5; Tiago 5.14; 1 Pedro 5.1; 2 João 1; 3 João 1.
O terceiro é E7U0K07i0c; (episkopos traduzido por bispo e encontrado nos textos de Atos 20.28; Filipenses
1.1; 1 Timóteo 3.2; Tito 1.7; 1 Pedro 2.25 (nesta última citação se refere a Jesus).
Esses termos são permutáveis, como se verifica em Tito 1.5, 7 e 1 Timóteo 5.17-18. Freqüentemente eles se
aplicam à mesma pessoa. São sinônimos perfeitos: Pastor, Presbítero e Bispo. Por exemplo, 1 Pedro 5.1-4 indica
que os presbíteros “pastoreiam o rebanho” e “olham por ele” – responsabilidade de pastores – e recomenda que
os supervisores (bispos) “não ajam como dominadores”. Em Atos 20 podemos verificar esse entendimento. Paulo
está no porto de Mileto, cerca de 30 quilômetros ao sul de Éfeso, e manda chamar os pastores da cidade; um
grupo considerável aparece. No verso 17 ele chama-os de PRESBÍTEROS, e no 28 o mesmo grupo é chamado
de BISPOS para PASTOREAR a igreja de Deus.
Esses três termos são utilizados para designar os pastores, ou presbíteros, ou bispos de Éfeso. Um renomado
teólogo, ao averiguar o mesmo assunto, concluiu: “E provável que o termo pastor-mestre designe líderes da
igreja local e seja basicamente o mesmo que presbíteros e bispos”.
Sendo assim, para este ofício ministerial, à época da Igreja Primitiva, não havia maior nem menor, grande ou
pequeno, quem manda e quem é mandado. Todos eram servos, todos eram iguais; o Novo Testamento não faz
menção a nenhuma hierarquia ministerial.
Presbíteros
Como tivemos a oportunidade de verificar, na Bíblia não há nenhuma diferença entre “pastor”, “bispo” e
“presbítero”. Este vem a ser um pastor mais idoso, mais experimentado.
O primeiro registro sobre presbíteros está em Atos 11.30. Pertenciam à igreja de Jerusalém e foram os que
receberam a oferta enviada por Antioquia da Síria. Em outros textos das Escrituras eles se encontram à frente
das recém-organizadas igrejas em Derbe, Icônio, Listra, Antioquia da Psidía e mais tarde em Perge na Panfília,
ordenados por Paulo e Bamabé para o pleno exercício pastoral, pois eram pastores. Em Atos 15 temos quatro
referências a presbíteros (vv. 2, 6, 22 e 23). Nesse texto não aparece nenhuma vez a palavra “pastor” nem
“bispo”. Sabemos que Tiago, irmão do Senhor, era pastor da Igreja em Jerusalém e não era “apóstolo”; logo,
sendo pastor era também presbítero e estava no grupo mencionado nos versos acima.
Atos 16.4 refere-se aos pastores de Jerusalém. Tiago 5.14 convoca os pastores para ungir os enfermos. Ós
presbíteros de Atos 20.17 são chamados de bispos e pastores no v. 28 do mesmo capítulo. Em Atos 21.18 Tiago,
irmão do Senhor, foi com um grupo de presbíteros – e ele mesmo era um – encontrar-se com Paulo. Segundo 1
Timóteo 5.17 o presbítero pode receber não somente salário, mas dobrado. Pedro se intitula presbítero e ordena
que os presbíteros “pastoreiem” o rebanho de Deus com amor e brandura. “Pastorear” é trabalho de pastor, logo,
presbítero é pastor. Na história da igreja João Calvino foi o primeiro a inovar uma categoria de oficiais entre o
pastor e diáconos. Sua tese, entretanto, carece de absoluto respaldo bíblico.
Bispo
Chamados de “colunas” da igreja de Jerusalém, Pedro, Tiago e João eram servos de Deus e não mandatários
da Igreja. Tanto assim que, no crucial problema judaizante que chegou a abalar os fundamentos da Salvação,
terminam convocando uma grande assembléia: “Então, pareceu bem aos apóstolos e aos anciãos, com toda a
igreja, eleger varões dentre eles e enviá-los com Paulo e Bamabé a Antioquia, a saber: Judas, chamado Barsabás,
e Silas, varões distintos entre os irmãos” (Atos 15.22). A conclusão do sério problema não veio por um “bispochefe”,
nem mesmo por um dos doze apóstolos, nem ainda por “presbíteros-pastores”, mas veio por uma
assembléia cristã, soberana, porque o governo eclesiástico do Novo Testamento é democrático. A última palavra
em qualquer problema não vem de um papa, nem de um bispo, mas da igreja reunida em assembléia para tal
deliberação. Se na igreja primitiva de Jerusalém houvesse um bispo-chefe, esse homem deveria ser Tiago, irmão
do Senhor, mas não foi.
A enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia de Champlim-Bentes diz que “os títulos ‘bispos’, ‘anciãos’ e
‘pastores’ eram, no Novo Testamento, sinônimos perfeitos, iniciando cada um dos quatro ‘dons’ ministeriais de
Efésios 4.11”. Os três referidos títulos – bispo, pastor e presbítero – são idênticos no desempenho de um mesmo
ministério como encontramos em Atos 20.17, 28. Na igreja de Filipos havia uma pluralidade de bispos (1.1)
juntamente com diáconos.
4.2 OUTROS MINISTROS
O Novo Testamento menciona outros ministros que, juntamente com o ministério específico, são apontados
por Deus para servi-lo.
Diácono
Devido a uma controvérsia que houve em tomo do cuidado das viúvas da igreja de Jerusalém, os apóstolos
decidiram ficar no ministério da palavra, porém ordenaram que fossem apartados alguns “varões de boa reputação,
cheios do Espírito Santo e de sabedoria” (Atos 6.3). Foram separados para “servir à mesa”. Neste caso, a palavra
“servir”, no grego ô i c x k o v b c o (diakoneo), se deriva do vocábulo da palavra S k x k o v o ç (diakonos), que significa
“servo” ou “mensageiro”. Outra forma dessa mesma palavra grega é usada no primeiro versículo do capítulo 6,
que é ô i a K O V i a (diakonia), traduzida por “distribuição”. Esse último vocábulo também é usado nas Escrituras
para designar os ministérios espirituais, como se pode verificar em 2 Coríntios 5.18: “Ora, tudo provém de Deus,
que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério {diakonia) da reconciliação”.
O apóstolo Paulo escreveu a Timóteo, seu filho na fé, expondo quais eram as características que deveria
possuir um diácono para o desempenho do ministério diaconal: “Da mesma sorte os diáconos sejam honestos,
não de língua dobre, não dados a muito vinho, não cobiçosos de torpe ganância, guardando o mistério da fé em
uma pura consciência. E também estes sejam primeiro provados, depois sirvam, se forem irrepreensíveis. Da
mesma sorte as mulheres sejam honestas, não maldizentes, sóbrias e fiéis em tudo. Os diáconos sejam maridos
de uma mulher e governem bem seus filhos e suas próprias casas. Porque os que servirem bem como diáconos
adquirirão para si uma boa posição e muita confiança na fé que há em Cristo Jesus” (1 Timóteo 3.8-13). Os
diáconos devem ser homens amadurecidos, com caráter cristão provado na família, na igreja e na comunidade
(Atos 6.1-8).
Com base neste texto, Russel Champlin disse: “Os diáconos eram os assistentes mais diretos dos anciãos ou
pastores, especialmente por ocasião da celebração da Ceia do Senhor, e da consagração dos discípulos”.
4.3 EVOLUÇÃO DA HIERARQUIA ECLESIÁSTICA
Como surgiu o conceito de bispo com autoridade divina sobre os pastores? Ele evoluiu entre os homens, jamais
da verdade eterna de Deus. Encontramos alguns resquícios desse conceito nos escritos da Igreja Primitiva.
Irineu, no segundo século cristão, refere-se aos bispos como sucessores dos apóstolos tanto no ensino como
na administração das igrejas.
Hipólito afirma que somente os bispos tinham autoridade para ordenar pastores. Vemos aqui um passo em
direção ao desvio da Bíblia e mais próximo do papado romano.
Na Síria e na Ásia menor cada corpo local era supervisionado por chorespískopos, isto é, bispos itinerantes
sob responsabilidade de um bispo fixado em algum lugar.
No Norte da África um bispo era nomeado sempre que surgisse uma nova comunidade. Esse bispo ficava em
Alexandria.
Na Europa Ocidental repetiam-se as inovações da África. Champlim-Bentes adiantam-nos: “A mesma coisa
sucedia na Europa Ocidental, onde somente os bispos tinham o direito de ordenar ministros locais. Naturalmente,
havia muitos lugares onde o bispo era apenas o ancião ou pastor de uma igreja local. Mas, em redor das cidades
maiores, surgiu a tendência de um pastor de uma cidade maior exercer influência sobre os pastores de cidades
menores. E aquele passou a ser chamado ‘bispo’. O título continuava o mesmo dos tempos do Novo Testamento, mas
as funções dos bispos ultrapassavam em tudo quanto se vê nas páginas sagradas. Esse tipo de atividade continuou
até que houve a necessidade de surgirem os ‘arcebispos’ ou ‘bispos-chefes’ ou então, nas igrejas orientais, os
‘patriarcas’”. Em meio a esse desenvolvimento, foi surgindo a figura do papa de Roma, que tinha maior prestígio
e autoridade que todos os arcebispos e bispos. Isso criou toda uma hierarquia eclesiástica, ao passo que o Novo
Testamento nos apresenta a idéia de um ministério diversificado, mas sem superioridades e inferioridades. Disse
Jesus: “…um só é o vosso Mestre, a saber, o Cristo, e todos vós sois irmãos” (Mateus 23.8).
No século IV d.C. Constantino adotou o cristianismo como religião oficial do Império Romano e se fez o
cabeça da Igreja. Os bispos, então, começaram a ter o poder político e não somente eclesiástico. Galgaram postos
elevados mediante decretos imperiais. Tais bispos se tomaram poderosos tanto na igreja como no governo civil.
Em muitos casos, os “bispos”, na Idade Média, chegaram a ocupar a chefia de algumas comunidades feudais.
Na Igreja Católica Romana o bispo exerce autoridade sobre algumas áreas, havendo padres às suas ordens.
São indispensáveis para a segurança da igreja. Os bispos romanistas são considerados vices-regentes de Cristo,
canais através dos quais flui a graça divina.
Na igreja episcopal a denominação é governada por bispos. Governam dioceses e consagram igrejas. Contam
com três ordens de ministros: bispos, padres e diáconos.
Na igreja metodista o bispo exerce autoridade numa certa região com poderes para fazer remanejamento de
pastores periodicamente.
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 4
1. Qual é o significado do dom ministerial de apóstolo?
2. Quem são os profetas do Novo Testamento?
3. Quais são os três termos que o Novo Testamento emprega para designar o mesmo ofício ministerial?
4. Qual é o significado da palavra diácono?
60 CURSO DE TEOLOGIA
_ ORDENANÇAS
D DA IGREJA
As ordenanças são ritos externos ou observâncias simbólicas ordenadas por Jesus para serem administrados
em sua Igreja como sinais visíveis da verdade salvadora do evangelho. O termo “ordenança” vem do latim ordo,
que significa “fila”, ou “ordem”, ou por extensão “algo imposto e tomado obrigatório”.
Em contraste com este ponto de vista caracteristicamente protestante, a Igreja Católica Romana pratica
sete ordenanças (que eles chamam de sacramentos), sem razões bíblicas para tal prática, que são: ordenação,
confirmação, matrimônio, extrema-unção, penitência, batismo e eucaristia. Não existe nenhuma base bíblica
para o ensino da Igreja Católica Romana de que esses sacramentos são usados por Deus para comunicar graça ou
perdoar pecados. No Novo Testamento não temos sacramentos, e muito menos veículo de graça. O que temos são
ordenanças que, embora não salvem, testemunham da graciosa salvação mediante a fé em Cristo Jesus. O Senhor
Jesus estabeleceu o batismo e a ceia como os dois ritos ou cerimônias a serem observados pela sua Igreja. Essas
duas instituições são chamadas de ordenanças, porque foram ordenadas por Jesus (Mateus 28.19; Marcos 16.16).
Os discípulos cumpriram a ordem de Jesus, batizando os novos crentes conforme o mandamento que havia sido
deixado (Marcos 16.20; Atos 2.41; 8.12-13, 36-39; 10.47).
5.1 BATISMO
Jesus estabeleceu o batismo nas águas como uma ordenança, como se pode observar nos evangelhos de
Mateus e Marcos: “Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito
Santo” (Mateus 28.19): “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado” (Marcos
16.16). O batismo não salva, não lava pecados e não complementa a salvação.
Batismo não é uma iniciação, é um testemunho público da nova vida em Cristo assumida pelo batizando,
portanto a forma e as condições são importantes. A palavra grega PaTmÇco (baptizo) significa “mergulhar
repetidamente, imergir, submergir (de embarcações afundadas)”. O sentido da palavra “batizar” é “imergir”,
sendo este seu fundamental, constante e único sentido. A ordem de Jesus para batizar é, portanto, uma ordem de
imergir.
a) O batismo de João Batista
Esse batismo era por imersão, e um grande número de pessoas participou desse ritual administrado por João.
Foi um ministério tão grande, que muitos anos depois Paulo encontrou alguns discípulos na longínqua cidade de
Efeso que somente conheciam o batismo de João: “E sucedeu que, enquanto Apoio estava em Corinto, Paulo,
tendo passado por todas as regiões superiores, chegou a Efeso e, achando ali alguns discípulos, disse-lhes:
Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes? E eles disseram-lhe: Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito
Santo. Perguntou-lhes, então: Em que sois batizados, então? E eles disseram: No batismo de João” (Atos 19.1-3).
Apoio, grande pregador e cooperador de Paulo, foi um de seus discípulos: “E chegou a Efeso um certo judeu
chamado Apoio, natural de Alexandria, varão eloqüente e poderoso nas Escrituras. Este era instruído no caminho
do Senhor; e, fervoroso de espírito, falava e ensinava diligentemente as coisas do Senhor, conhecendo somente
0 batismo de João” (Atos 18.25). Esse batismo terminou quando João foi encerrado na prisão, coincidindo com
o início do ministério de Jesus.
b) O batismo de Jesus
Jesus foi batizado por João, para que se cumprisse a justiça de Deus, como o próprio Senhor Jesus disse: “Para
que se cumpra toda a justiça” (Mateus 3.15). Nesta passagem vemos a importância da pessoa que administra o
batismo, pois o Senhor Jesus podia ter batizado a si próprio, mas não o fez. Veio da Galiléia até onde João estava
batizando e lá recebeu o batismo da pessoa que o próprio Deus tinha ordenado para aquele ato.
c) O batismo administrado pela Igreja Primitiva
Os historiadores, como testemunhas da Igreja Primitiva, nos informam que as igrejas praticavam a imersão
durante os dois primeiros séculos. Um dos pais da Igreja nos diz que “outros fazem a sugestão (é claro que forçada)
de que os apóstolos, então, ministravam a volta do batismo quando em seu naviozinho sofriam a aspersão e eram
cobertos pelas ondas; que o próprio Pedro também foi imerso quando ele esteve andando sobre o mar. Penso eu
que, uma coisa é ser aspergido ou interceptado pela violência do mar; outra coisa é ser batizado em obediência
à disciplina da religião”.
Em momento algum temos a notícia de que pelo menos um dos batizados pela Igreja fosse pessoa não
convertida, ou forçada para o ato, ou qualquer recém-nascido. Consideremos o que disse Filipe para o eunuco:
“Você pode ser batizado, se crê de todo o coração”; e após a pregação de Pedro em Atos 2 vemos a Bíblia
esclarecendo que “foram batizados todos os que voluntariamente…”, portanto eram batizados após terem a certeza
da salvação e de livre e espontânea vontade. A fórmula para o batismo nas águas é claramente estabelecida na
Grande Comissão: em “nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mateus 28.19).
5.1.1 Fórmula do batismo
Durante muitos séculos não houve dúvidas sobre a fórmula do batismo em nome da Trindade no seio da
Igreja. Porém, a partir do século passado ressurgiu com ímpeto uma corrente do unitarianismo, pondo alguns
em dúvida quanto à fórmula batismal, afirmando que o batismo correto seria aquele que batizasse somente “em
nome de Jesus”. Vejamos o que as Escrituras têm a nos dizer sobre tal argumento.
No evangelho, segundo escreveu Mateus, Jesus deu o seguinte mandamento: “Ide, portanto, fazei discípulos de
todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo…” (Mateus 28.19 – ARA). Esta
fórmula tríplice do batismo é uma maneira de ressaltar a Santíssima Trindade. Entretanto, no início de Atos 2.38
lemos: “…cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo…”. Algumas seitas interpretam essa aparente
discrepância para sustentar sua negação da posição trinitariana. Dizem que a declaração de Mateus 28.19 apóia os
três nomes de Cristo, que é designado por Pai, Filho e Espírito Santo (os unicistas dizem isso). Assim, estabelecem
que a fórmula correta do batismo é a encontrada em Atos 2.38. Citam também Atos 8.16, 10.48 e 19.5 como prova
de que a Igreja Primitiva batizava apenas em nome de Jesus. Analisemos as passagens citadas:
A to s 2.38 “…seja batizado em nom e de J e s u s Cristo…”.
A to s 8.16 “…sido batizados em nom e do S e n h o r Jesus…”.
A to s 10.48 “…batizados em nom e do S e n h o r”.
A to s 19.5 “…batizados em nom e do S e n h o r J e s u s ”.
O que se observa da leitura atenta dos versículos citados? Que não se trata de uma fórmula batismal porque
não são uniformes as expressões, variando de “em nome de Jesus Cristo” (Atos 2.38) para “em nome do Senhor
Jesus” (Atos 8.16) e “em nome do Senhor” (Atos 10.48). Muito razoável é afirmar então que a narrativa de Atos
2.38 indicada como batismo em nome de Jesus Cristo esteja se referindo a “pela autoridade de Jesus”, como
se lê em Atos 3.16 e 16.18, onde a autoridade de Jesus é invocada. Não se trata de fórmula que acompanha tais
acontecimentos, uma vez que em Atos 19.13 a invocação do nome de Jesus por exorcistas nada significava
porque os que o fizeram não tinham realmente a autoridade de Jesus. Em outras palavras, o batismo foi ordenado
e levado a efeito sob a divina autoridade do Filho, empregando-se a fórmula de Mateus 28.19.
Não bastasse o apoio irrestrito da Bíblia Sagrada, que toma irrebatível o nosso entendimento, acresce observar
o costume da Igreja Primitiva encontrado no livro Os Ensinos dos Doze Apóstolos, que diz: “Agora, concernente
ao batismo, batizai desta maneira: depois de ensinar todas estas coisas, batizai em nome do Pai e do Filho e do
Espírito Santo”. Noutra parte do livro já citado se diz que “o bispo ou presbítero deve batizar desta maneira
conforme ao que nos ordenou o Senhor, dizendo: Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações batizando-os
em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”.
5.1.2 Realidades espirituais figuradas no batismo
O batismo em água é a porta de entrada para agregar-se à Igreja visível, terrena e local. Sendo assim, o
batismo é uma identificação pública do crente com Cristo, o seu Salvador, em que:
a) A descida do candidato às águas figura sua morte com Cristo: “Ou não sabeis que todos quantos fomos
batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte?” (Romanos 6.3).
b) A imersão nas águas está relacionada com seu sepultamento com Cristo: “De sorte que fomos sepultados
com ele pelo batismo na m orte…” (Romanos 6.4).
c) O emergir das águas representa a sua ressurreição com Cristo em novidade de vida: “Porque, se fomos
plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição…”
(Romanos 6.5).
Desta forma, a obediência ao batismo por imersão honra a morte e ressurreição de Cristo. Por meio do
batismo conseguimos observar o simbolismo da perfeita união com Cristo, tanto na morte como na ressurreição.
Na descida às águas o corpo do pecado foi destruído (não servimos mais ao pecado) e morremos com Cristo,
sendo justificados do pecado; ao emergir das águas, fomos ressuscitados.
5.1.3 Quem deve ser batizado
O batismo destina-se somente aos que têm aceitado o Senhor Jesus como seu Salvador, ou seja, aqueles que
pela fé entraram em comunhão por meio da morte e ressurreição de Cristo. Não encontramos nas Escrituras
nenhum batismo infantil. “As mais antigas evidências do batismo infantil devem ser datadas de meados do século
III em diante (Cipriano 250; Agostinho 400) na Igreja Ocidental. No ramo oriental da Igreja, as mais antigas
menções sobre o batismo infantil datam do final do século V”. Nos escritos mais antigos, como o Didaqué
(100/110), a Epístola de Bamabé (120/130) e O Pastor, de Hermas (150), nada é comentado sobre o batismo
infantil. Pelo contrário, ensina-se o batismo de adultos que exerceram fé. Por exemplo, no Didaqué encontramos
duas referências ao batismo (7.14 e 9.5). A primeira delas declara que o batismo era por imersão com um
ensino prévio para o batizando, com tríplice imersão. A segunda menção proíbe os não batizados de participarem
da eucaristia. Em O Pastor Hermas ensina que o arrependimento precede o batismo, que é dado em vista de
remissão dos pecados anteriores.
As Escrituras Sagradas mostram que somente eram batizados aqueles que previamente se fizeram discípulos:
“Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito
Santo…” (Mateus 28.19 – ARA), ou seja, demonstravam arrependimento e fé para tal ato, como se observa na
pregação de João Batista: “E, naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judéia e dizendo:
Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos céus… e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os
seus pecados” (Mateus 3.1-2,6). Desta forma, encontramos dois pré-requisitos escriturísticos para a prática do
batismo: a fé e o arrependimento.
O batismo de crianças é expressamente negado pelos elementos que acabamos de mencionar, pois Mateus
fala em batizar discípulos e Marcos em batizar crentes; as crianças não são nem um nem outro. Strong rejeita
tal ensino pelas seguintes razões: “Primeiro: não há nenhuma ordem expressa de que se deva batizar crianças.
Segundo: Não há nenhum exemplo claro de batismo de crianças. Terceiro: as passagens que implicam o batismo
de crianças não contêm, quando bem interpretadas, nenhuma referência a tal prática”.
5.2 CEIA DO SENHOR
Esta ordenança, estabelecida pelo Senhor na noite em que foi traído (Mateus 26.26-30; Marcos 14.22-26;
Lucas 22.17-20), pode se chamada de comunhão (1 Coríntios 10.16) ou Ceia do Senhor (1 Coríntios 11.30).
É um rito exterior no qual todos os que se arrependeram de seus pecados comem do pão e bebem do fruto da
vide, como sinal da permanente comunhão da morte e ressurreição de Cristo, por meio da qual Ele sustenta e
aperfeiçoa os crentes até a sua vinda para buscar a sua Igreja.
A Igreja Católica Romana interpreta de forma literal as palavras de Jesus, quando ele disse: “Isto é o meu
corpo” (Lucas 22.19). Essa igreja ensina a seus fiéis que, mediante a consagração que o sacerdote faz, o pão e o
vinho são transformados literalmente no corpo e sangue de Cristo; que esta consagração é uma nova oferta do
sacrifício de Cristo e que ao participar deste ato o comungante recebe graça salvadora e santificadora de Deus.
Isto é conhecido como transubstanciação. Esta igreja não ministra o vinho aos leigos, mesmo considerando que
Cristo está presente em ambos os elementos.
Essa doutrina não subsiste a um exame minucioso das Escrituras Sagradas, por vários motivos:
a) Faz uma exegese do texto de Mateus 26.26, “isto é meu corpo”. Ao pronunciar esta frase, Jesus estava
com seus discípulos em forma visível e palpável, sendo assim, Jesus jamais ensinou que o pão fosse
literalmente seu corpo. Thiessen diz que “se Cristo tivesse querido dizer que o pão e o vinho eram
literalmente Seu corpo e sangue, deveria ter havido dois corpos de Cristo presentes naquela hora”.
b) Contradiz os sentidos, pois nenhum teste jamais demonstrou que os elementos sejam outra coisa além de
pão e fruto da videira.
c) Nega a plenitude do sacrifício de Cristo, pois, como dissemos, afirma categoricamente que quando os
elementos são consagrados é uma “nova oferta do sacrifício de Cristo”. Ao escrever aos hebreus, o escritor
declarou: “ …assim também Cristo, oferecendo-se uma v ez…” (Hebreus 9.28).
Os luteranos e a Igreja Anglicana têm uma doutrina similar, um pouco modificada, chamada de
consubstanciação. Segundo essas denominações, os elementos permanecem materiais, mas Cristo está presente
espiritualmente; neste modelo, quando o fiel participa dos elementos, após a oração de consagração, significa que
está verdadeiramente participando do corpo e sangue de Cristo (João 6.53-55; Lucas 22.19).
Uma terceira leitura é que a observância da ceia do Senhor é simplesmente um ato memorial, que não propicia
nenhum favor imerecido ao seu participante. Os elementos, quando recebidos pela fé, conferem ao cristão os
benefícios espirituais da morte de Cristo. Sendo assim, não passam de símbolos, mas quando recebidos pela
fé geram uma verdadeira comunhão com o Senhor, como escreveu o apóstolo Paulo: “Porventura, o cálice
de bênção que abençoamos não é a comunhão do -sangue de Cristo? O pão que partimos não é, porventura, a
comunhão do corpo de Cristo?” (1 Coríntios 10.16).
5.2.1 Pré-requisitos para participar da Ceia do Senhor
O apóstolo Paulo, ao escrever aos coríntios, advertiu quanto ao “com er… ou beber… indignamente” (1 Coríntios
11.27-29). O advérbio “indignamente” está relacionado com os verbos “comer” e “beber”, logo está relacionado
com a maneira de participar da ceia e não com a indignidade das pessoas. A exortação do apóstolo referia-se à
i – 7^’J$’ i: – – -• ; . .
a í. = ~ v CURSO DE TEOLOGIA
maneira famélica dos coríntios, como se lê: “De sorte que, quando vos ajuntais num lugar, não é para comer a Ceia
do Senhor. Porque, comendo, cada um toma antecipadamente a sua própria ceia; e assim um tem fome, e outro
embriaga-se. Não tendes, porventura, casas para comer e para beber? Ou desprezais a igreja de Deus e envergonhais
os que nada têm? Que vos direi? Louvar-vos-ei? Nisso não vos louvo” (1 Coríntios 11.20-22).
O fato é que ninguém é digno, por si mesmo, de ter comunhão com Deus, mas por meio do sacrifício de Jesus
na cruz do calvário, em virtude de sua obra expiatória, obtemos acesso ao trono da Majestade.
Em algumas partes da cristandade são comumente praticados certos atos, na celebração da ceia, que
entendemos não ser o mais sensato. Alguns distribuem a ceia a todos quantos estão presentes, independentemente
de sua profissão de fé, bastando que “analise a si mesmo”. Ora, o ser humano, maculado pelo pecado original,
perdeu totalmente seu senso de justiça, o que faz com que seu julgamento não seja conforme os parâmetros
estabelecidos nas Escrituras. Portanto, a melhor maneira para estabelecer quem deve ou não participar da ceia
é observando o que a Bíblia tem a dizer sobre tal assunto.
Ao ordenar que fosse preparada a Páscoa, somente os discípulos participaram, como escreveu Lucas: “E,
chegada a hora, pôs-se à mesa, e, com ele, os doze apóstolos. E disse-lhes: Desejei muito comer convosco
esta Páscoa, antes que padeça, porque vos digo que não a comerei mais até que ela se cumpra no Reino de
Deus” (Lucas 22.14-16). Segundo Strong, existem quatro pré-requisitos para a participação na Ceia do Senhor:
a regeneração, o batismo nas águas, ser membro da igreja local e andar ordenadamente. Biblicamente falando,
porém, apenas duas situações poderiam impedir alguém de participar da Ceia do Senhor: 1) Se ao examinar-se a
si mesmo o crente julgar que participaria indignamente, para sua própria condenação (1 Coríntios 11.28-30) ou
2) se o candidato a participar da ceia está em pecado gravíssimo, conforme a lista de 1 Coríntios 5.9-13.
5.2.2 Natureza da Ceia do Senhor
O apóstolo Paulo apresenta o glorioso propósito da instituição da ceia ao escrever sua Carta aos Coríntios.
Assim, por meio desta epístola, ficamos sabendo que a ceia não foi instituída para comemorar o nascimento de
Cristo, nem sua ressurreição, nem o seu poder ou milagres, mas a sua morte, como está escrito: “Porque, todas
as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciais a morte do Senhor, até que venha” (1 Coríntios
11.26). Portanto, com relação à natureza da Ceia do Senhor podemos afirmar:
a) E um ato de obediência ao mandamento do Senhor: “Porque eu recebi do Senhor o que também vos
ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu
e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim” (1
Coríntios 11.23-24);
b) É um memorial à morte expiatória: “…fazei isto em memória de mim” (1 Coríntios 11.24);
c) E uma proclamação: “Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciais a
morte do Senhor, até que venha” (1 Coríntios 11.26);
d) E a certeza da volta de Cristo: “ …anunciais a morte do Senhor, até que venha” (1 Coríntios 11.26);
e) E um fato gerador de comunhão: “Porventura, o cálice de bênção que abençoamos não é a comunhão
do sangue de Cristo? O pão que partimos não é, porventura, a comunhão do corpo de Cristo?” (1
Coríntios 10.16).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 5
1. O que s ã o o rd e n a n ças da Igreja?
2. Quais são as ordenanças da Igreja Católica?
3. Quais são as duas ordenanças estabelecidas por Jesus para todos os cristãos?
4. O que é o batismo?
5. Quem deve ser batizado?
6. Diferencie com suas palavras transubstanciação de consubstanciação.
66 CURSO DE TEOLOGIA1
6 DISCIPLINA NA IGREJA
Disciplina não é uma palavra popular em muitos círculos, mas expressa um princípio bíblico muito importante.
E certo que o mundo vê a disciplina como expressão de ira e hostilidade, mas as Escrituras mostram que a disciplina
de Deus é um exercício do seu amor por seus filhos. Amor e disciplina possuem conexão vital, como escreveu o
apóstolo João: “Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te” (Apocalipse 3.19).
Além do mais, disciplina envolve relacionamento familiar (Hebreus 12.7-9), e quando os cristãos recebem
disciplina divina, o Pai celestial está apenas tratando-os como seus filhos. Deus não disciplina bastardos, ou seja,
filhos ilegítimos (v. 8). O padrão de disciplina divina revela também maravilhosos benefícios. A disciplina que
vem do Senhor é para o nosso bem, “para aproveitamento” (v. 10). Ainda que seja inicialmente doloroso receber
disciplina, a conseqüência direta dela é gerar paz e retidão (v. 11). O v. 13 ensina que o propósito de Deus em
disciplinar não é o de incapacitar permanentemente o pecador, mas restaurá-lo à saúde espiritual.
A palavra “disciplina”, em geral, é empregada em vários sentidos. Podemos usá-lo para referirmo-nos a uma
área de ensino, ao exercício da ordem, ao exercício da piedade ou a medidas corretivas no seio da Igreja.
6.1 DISCIPLINA NO ANTIGO E NOVO TESTAMENTO
O termo hebraico “ID1D (muwcar) é usado no Antigo Testamento como sinônimo de “instruir” (Provérbios
1.3, 8), “corrigir” (Provérbios 22.15 e 23.13) ou “castigar” (Isaías 53.5). No Novo Testamento, o grego n a iô e w
(paidéia) possui sentido semelhante e é freqüentemente usado na analogia entre a disciplina dos filhos por
seus pais e a correção que vem do Senhor (ver Hebreus 12.1-10 e Apocalipse 3.19). Nesse sentido, disciplina
e sabedoria estão intimamente ligadas nas Escrituras, como declarou o salmista: “Mas ao ímpio diz Deus: De
que te serve repetires os meus preceitos e teres nos lábios a minha aliança, uma vez que aborreces a disciplina e
rejeitas as minhas palavras?” (Salmos 50.16-17; Provérbios 1.1-2; 15.32). A correção é fonte de esperança para
os que a aplicam e vida para aqueles que a recebem corretamente: “Pega-te à correção e não a largues; guarda-a,
porque ela é a tua vida”; “Castiga a teu filho, enquanto há esperança, mas não te excedas a ponto de matá-lo”
(Provérbios 4.13; 19.18). A correta disciplina deve ser sempre aplicada com amor e não com ira: “O que retém a
vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina” (Provérbios 13.24 – ARA).
Segundo as Escrituras, a disciplina na Igreja está fundamentada não apenas no exercício do bom senso, mas
principalmente nos imperativos do Senhor. O mandato bíblico referente à disciplina é encontrado especialmente
no ensino de Jesus: “Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a
teu irmão. Mas, se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que, pela boca de duas ou três testemunhas,
toda palavra seja confirmada. E, se não as escutar, dize-o à igreja; e, se também não escutar a igreja, considera-o
como um gentio e publicano” (Mateus 18.15-17) e nos escritos de Paulo (1 Coríntios 5.1-13). Também, há
clara referência bíblica de que a igreja que negligencia o exercício desse mandato compromete não apenas sua
eficiência espiritual, mas sua própria existência.
A igreja sem disciplina é uma igreja sem pureza (Efésios 5.25-27) e sem poder (Josué 7.11-12). A igreja de
Tiatira foi repreendida devido à sua flexibilidade moral: “Mas tenho contra ti o tolerares que Jezabel, mulher que
se diz profetisa, ensine e engane os meus servos, para que se prostituam e comam dos sacrifícios da idolatria. E
dei-lhe tempo para que se arrependesse da sua prostituição; e não se arrependeu. Eis que a porei numa cama, e
sobre os que adulteram com ela virá grande tribulação, se não se arrependerem das suas obras. E ferirei de morte
a seus filhos, e todas as igrejas saberão que eu sou aquele que sonda as mentes e os corações. E darei a cada um
de vós segundo as vossas obras. Mas eu vos digo a vós e aos restantes que estão em Tiatira, a todos quantos não
têm esta doutrina e não conheceram, como dizem, as profundezas de Satanás, que outra carga vos não porei. Mas
o que tendes, retende-o até que eu venha” (Apocalipse 2.20-25).
6.2 PASSOS PARA A DISCIPLINA
Para que a igreja seja pura e vigorosa, temos de seguir os ensinos da Palavra de Deus nesta doutrina bíblica.
Sendo assim, biblicamente, a disciplina na igreja tem um triplo objetivo:
1) Restabelecer o pecador (Mateus 18.15; 1 Coríntios 5.5; Gálatas 6.1);
2) Manter a pureza da igreja (1 Coríntios 5.6-8);
3) Dissuadir outros (1 Timóteo 5.20).
É este triplo propósito que aponta para os passos a serem seguidos em uma aplicação correta da disciplina
eclesiástica. Esses passos são especialmente mencionados em Mateus 18.15-17.
1) Abordagem individual
O verso 15 diz que “se teu irmão pecar contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele só”, ensinando que a
confrontação é uma tarefa cristã. Uma das melhores coisas a se fazer por um irmão em pecado é confrontá-lo em
amor (Provérbios 27.5-6). Mas é sempre arriscado confrontar alguém, pois nunca se pode prever a sua reação.
Jesus, todavia, dirige nossa atenção para a alegre possibilidade de que tal irmão nos ouça. Além do mais, o termo
grego eXeyxco (elegcho), traduzido por “argüir, instruir, confrontar”, também pode ser traduzido como “trazer à
luz, expor”. E significativo o fato de que esse é o mesmo termo usado em João 16.8 para descrever o ministério
do Espírito em relação àqueles que estão no mundo, em convencê-los (confrontá-los) “do pecado, da justiça, e
do juízo”. Assim, antes de confrontar um irmão, podemos sempre clamar por socorro Aquele cujo ministério de
confrontação é sempre eficaz.
2) Admoestação privada
No caso de o ofensor não atender à confrontação individual, Jesus ordena que haja admoestação privada
« *
(v. 16). Nesse caso, um número maior de pessoas é envolvido. A princípio, pode parecer que o objetivo desse
passo é intimidar o ofensor. Uma atenção maior, porém, leva-nos a entender que o propósito pode ser o de
conscientizar o ofensor quanto aos prejuízos de sua atitude para com a comunidade do corpo de Cristo. Em
outras palavras, nosso pecado traz conseqüências pessoais e coletivas. Além do mais, Jesus afirma que as outras
pessoas envolvidas nesse processo serão testemunhas. Isto é uma referência à prática veterotestamentária de não
se condenar alguém com base apenas em uma opinião pessoal (cf. Números 35.30; Deuteronômio 17.6; 19.15).
Com isto, a objetividade do caso é preservada, o que diminui as chances de injustiça, e o ofensor é beneficiado.
Não havendo conciliação, parte-se para a terceira fase.
3) Pronunciamento público (v. 17)
Tal proceder nunca é violação de segredos, pois o ofensor deliberadamente recusou os caminhos prévios do
arrependimento. Diante de tal pronunciamento cada membro do corpo de Cristo deve orar pelo pecador, evitar
comentários desnecessários (2 Tessalonicenses 3.14-15) e vigiar a si próprio (1 Coríntios 10.12). Tal oficialização
pública da disciplina traz implicações temporárias em relação à comunhão (1 Coríntios 11.27).
4) Exclusão pública
O último recurso da disciplina é o da excomunhão (do latim ex, “fora”, e communicare, “comunicar”), na
qual o ofensor é privado de todos os benefícios da comunhão. Nesse caso, o ofensor é tido como gentio (a quem
não era permitido entrar nos átrios sagrados do templo do Senhor) e publicano (que eram considerados traidores
e apóstatas conforme Lucas 19.2-10). Com estes não há mais comunhão cristã, pois deliberadamente recusam
ii
68 CURSO DE TEOLOGIA]
i
a
MÓDULO k I DOUTRINA DA IGREJA
os princípios da vida cristã; dessa forma, os cristãos não devem “se associar com aquele que, dizendo-se irmão,
for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais” (1
Coríntios 5.11). Se o seu pecado é heresia, ou seja, o desvio doutrinário das verdades fundamentais ensinadas nas
Escrituras, eles não devem nem mesmo ser recebidos em casa, como escreveu o apóstolo João: “Se alguém vem
ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis. Porque quem o saúda
tem parte nas suas más obras” (2 João 10-11).
E claro que cada um desses passos envolve dor, tempo, amor e transparência. Nenhum deles é agradável e eles só
prosseguem diante da dureza de coração do ofensor, ou seja, a recusa ao arrependimento. Há, porém, o conforto de
saber que a presença e o poder de Jesus são reais mesmo no contexto desse processo. Assim, a disciplina eclesiástica
“não é uma atividade a ser realizada facilmente, mas algo a ser conduzido na presença do Senhor”.
6.3 OBJETIVOS BÍBLICOS NA DISCIPLINA
Deus insiste na santidade, tanto no Antigo como no Novo Testamento. O chamado à santidade é explícito:
“Porque eu sou o SENHOR, vosso Deus; portanto, vós vos santificareis e sereis santos, porque eu sou santo; e não
contaminareis a vossa alma por nenhum réptil que se arrasta sobre a terra” (Levítico 11.44). “Sede santos, porque
eu sou santo” (1 Pedro 1.16). O povo de Deus é chamado por Ele mesmo de “nação santa” (1 Pedro 2.9).
Nunca encontraremos nas Escrituras desinteresse no processo que conduz o filho de Deus a conhecer e
praticar a vontade de Deus nesta vida (Romanos 12.1-2). Portanto, a disciplina bíblica favorece o crescimento
da igreja, porque busca a santificação e boa ordem necessária para sua edificação espiritual, eliminando toda e
qualquer ameaça de seu bem-estar. Sendo assim, pelo menos quatro princípios fundamentais estão envolvidos:
a) Obediência irrestrita à Palavra de Deus: “Bem-aventurado o varão que não anda segundo o conselho dos
ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escamecedores. Antes, tem
o seu prazer na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite” (Salmos 1.1-2);
b) Remoção da corrupção do pecado: “Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa?
Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa…” (1 Coríntios 5.6-7);
c) O refreamento dos outros: “Aos que pecarem, repreende-os na presença de todos, para que também os
outros tenham temor” (1 Timóteo 5.20);
d) Restauração do pecador: .basta ao tal esta repreensão feita por muitos. De maneira que, pelo contrário,
deveis, antes, perdoar-lhe e consolá-lo, para que o tal não seja, de modo algum, devorado de demasiada
tristeza. Pelo que vos rogo que confirmeis para com ele o vosso amor” (2 Coríntios 2.6-8).
6.4 IMPLICAÇÕES TEOLÓGICAS
Sem a intenção de limitar, mas tão-somente de elucidar, oferecemos três tópicos teológicos que estão
vitalmente ligados ao processo da disciplina eclesiástica.
a) Disciplina e a adoração cristã
A verdadeira adoração é a mais nobre atividade que o homem, pela graça de Deus, é capaz de realizar. A
exclusiva adoração a Deus é um mandato divino: “ …porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a
ele servirás” (Mateus 4.10; Apocalipse 19.10), é uma marca da fé salvadora e deve seguir os princípios revelados
por Deus em sua Palavra.
Um princípio essencial da adoração cristã é o zelo pela santidade. A negligência quanto ao proceder diário
motiva os incrédulos a blasfemar o nome de Deus, como escreveu o apóstolo: “Porque, como está escrito, o nome
de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vós” (Romanos 2.24). Assim, o zelo pela santidade implica
MÓDULO k I DOUTRINA DA IGREJA
diretamente o exercício da disciplina eclesiástica. Uma igreja adoradora e ao mesmo tempo tolerante para com o
pecado no seu seio é uma contradição de termos e recebe a repreensão do Senhor (Apocalipse 2.18-29).
d) Disciplina e as marcas da Igreja
A Reforma Protestante do século XVI considerou importantíssima para a teologia cristã a seguinte questão:
como distinguir entre a Igreja verdadeira e a falsa? Em outras palavras, quais são as marcas da verdadeira Igreja
cristã? Para o reformador João Caivino, tais marcas consistem na proclamação da Palavra, na administração
dos sacramentos e no exercício da disciplina eclesiástica. Segundo ele, “aqueles que pensam que a igreja pode
sobreviver por longo tempo sem disciplina estão enganados; a menos que pensemos que podemos omitir um
recurso que o Senhor considerou necessário para nós”. Nesse sentido, a disciplina na igreja é tão necessária
quanto os ligamentos do corpo humano, ou como a disciplina em família.
Cristo deseja sua Igreja “sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito” (Efésios
5.27), portanto a disciplina eclesiástica é altamente relevante, pois é um meio instituído por Deus para manter a
pureza dentro da sua Igreja. O servo de Deus sempre deve almejar a pureza da noiva do Cordeiro, mesmo diante
da possibilidade da sua contaminação pelo mundo.
c) Disciplina e evangelismo
A disciplina evidencia o amor cristão pelo pecador, ainda que esse pecador seja um dos membros da igreja.
Esse amor pelo pecador cristão também reflete o seu amor pelo pecador incrédulo. A disciplina eclesiástica
ressalta a seriedade do pecado. Sem a visão dessa seriedade, a igreja não é corretamente motivada a buscar a
redenção do pecador. Há uma relação entre disciplina eclesiástica e evangelismo.
Uma igreja sem disciplina pode até crescer em número, mas não cresce de forma saudável, tomando-se um
empecilho para o avanço do evangelho. Essa relação vital entre evangelismo e disciplina é evidente à luz dos
escritos do apóstolo Paulo: “Porque que tenho eu em julgar também os que estão de fora? Não julgais vós os que
estão dentro? Mas Deus julga os que estão de fora. Tirai, pois, dentre vós a esse iníquo” (1 Coríntios 5.12-13). O
evangelismo é dirigido aos que estão “fora” dos portões da igreja e estão escravizados pelo pecado. A disciplina
é dirigida àqueles que estão “dentro” dos portões da igreja e estão se sujeitando ao domínio do pecado. Assim,
ambos (evangelismo e disciplina) almejam a liberdade do pecador e a concretização do triunfo histórico da graça
sobre o pecado na sua vida (Romanos 6.1-23).
VERIFICAÇAO DE APRENDIZAGEM
CAPITULO 6
1. Em quais sentidos é usada a palavra disciplina?
2. Qual é o triplo objetivo da disciplina na igreja?
3. Cite dois objetivos bíblicos da disciplina.
CURSO DE TEOLOGI/
MÓDULO h I DOUTRINA DA IGREJA
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OLIVEIRA, Raimundo de. As grandes doutrinas da Bíblia. 9. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
SHEDD, Russel P. Disciplina na igreja. São Paulo: Vida Nova, 2000.
STRONG, Augustus Hopkins. Teologia sistemática. São Paulo: Hagnos, 2003, vol. 2.
THIESSEN, Henry Clarence. Palestras em teologia sistemática. São Paulo: Imprensa Batista Regular, 2006.
TOGNINI, Enéas. Eclesiologia. 2. ed. São Paulo: Edições Enéas Tognini, 1987.
VINE, W.E.; UNGER, Merril F.; WHITE JR., William. Dicionário Vine: o significado exegético e expositivo das
palavras do Antigo e do Novo Testamento. 5. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.
CURSO DE TEOLOGIA 71
? faculdade teológica betesda
I SI Moldando vocacionados
I AVALIAÇÃO – MÓDULO IV
| DOUTRINA DA IGREJA
1) Qual é a etimologia do termo igreja?
2) Cite cinco metáforas que caracterizam a igreja.
3) Diferencie com suas palavras o governo episcopal do governo congregacional da igreja.
4) Quais são os três termos que o Novo Testamento emprega para designar o mesmo ofício ministerial?
5) Qual é a fórmula usada pela Igreja Primitiva para batizar os fiéis?
6) Explique o simbolismo que envolve o batismo (imergir e emergir das águas).
7) Explique o que é a transubstanciação.
8) Qual é a natureza da ceia?
9) Cite os passos que o evangelho de Mateus expõe para a disciplina.
10) Comente em breves palavras a disciplina e a adoração cristãs.
CARO(a) ALUNO(a):
• Envie-nos as suas respostas referentes a cada QUESTÃO acima. Dê preferência por digitá-las em
folha de papei sulfite, sendo objetivo(a) e daro(a).
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• Dê preferência, envie-nos as 5 avaliações juntas.

SUMARIO
IN TRODUÇÃO …………………………………………………………………………………………………………………………………………….79
1. D EFINIÇÃ O ………………………………………………………………………………………………………………………………………….. 80
2. M ORTE ………………………………………………………………………………………………………………………………………………….. 82
2.1 MORTE FÍSIC A …………………………………………………………………………………………………………………………………. 82
2.2 MORTE ESPIRITU AL……………………………………………………………………………………………………………………….. 82
2.3 MORTE ETERN A ………………………………………………………………………………………………………………………………. 83
3. ESTADO IN T E R M E D IÁ R IO ………………………………………………………………………………………………………………. 84
3.1 DOS ÍMPIOS ………………………………………………………………………………………………………………………………………84
3.2 DOS JU S T O S ……………………………………………………………………………………………………………………………………… 85
4. O A R R EB A TA M E N T O ………………………………………………………………………………………………………………………… 87
4.1 TEORIAS DO ARREBATAMENTO …………………………………………………………………………………………………87
4.1.1PRÉ-TRIBULACIONISM O……………………………………………………………………………………………………….88
4 .1.2PÓS-TRIBULACIONISMO…………………………………………………………………………………………………………89
4.2 SINAIS INDICATIVOS DO ARREBATAMENTO ………………………………………………………………………… 90
5. TRIBUNAL DE C R IS T O ……………………………………………………………………………………………………………………… 94
6. SETENTA SEMANAS DE DANIEL E A T R IB U L A Ç Ã O …………………………………………………………………. 96
7. TRIBULAÇÃO ……………………………………………………………………………………………………………………………………….99
7.1 NO ANTIGO TESTAM ENTO……………………………………………………………………………………………………………. 99
7.2 NO NOVO TESTAM ENTO……………………………………………………………………………………………………………….100
7.3 DURAÇÀO DA TRIBU LA ÇÃ O ………………………………………………………………………………………………………. 102
8. EVENTOS DA T R IB U L A Ç Ã O ………………………………………………………………………………………………………….. 103
8.1 MÉTODOS DE INTERPRETAÇÃO DO A PO C A LIPSE…………………………………………………………………103
8.2 OS JUÍZOS DE D E U S ……………………………………………………………………………………………………………………….104
8.3 A BATALHA DE ARMAGEDOM ………………………………………………………………………………………………… 106
9. M IL Ê N IO ……………………………………………………………………………………………………………………………………………… 109
9.1 OS PRINCIPAIS EVENTOS DO MILÊNIO ………………………………………………………………………………….. 109
10. TEORIAS ACERCA DO MILÊNIO ………………………………………………………………………………………………….112
11. O JUÍZO FINAL E O ESTADO E T E R N O …………………………………………………………………………………………. 113
11.1 DOS JU ST O S……………………………………………………………………………………………………………………………………113
11.2 DOS ÍM PIO S …………………………………………………………………………………………………………………………………….114
REFERÊNCIAS…………………………………………………………………………………………………………………………………………..115
INTRODUÇÃO
Abordaremos uma área da teologia em que precisamos de muita atenção e graça da parte de Deus para
podermos entender as suas revelações para os fins dos tempos. Muitos estudiosos da escatologia bíblica (últimas
coisas) que empreenderam nesse caminho desviaram-se de algum modo da Palavra de Deus, e não só isso,
muitos seguiram suas próprias dissoluções. O contrário também é verdadeiro; muitos servos de Deus trouxeram
novos conhecimentos sobre este assunto tão fascinante e também ampliaram o conhecimento das coisas que em
breve hão de acontecer.
Ao pesquisarmos sobre o assunto ficou evidente que existe muita divisão quanto às escolas escatológicas
existentes, porém neste módulo procuramos ser o mais neutros possível, deixando para o estudante definir qual
linha escatológica melhor se adapta a sua compreensão. Para facilitar a compreensão, quando o assunto proposto
tiver mais de uma posição, colocamos as outras para que o estudante, além de conhecê-las, também amplie seu
horizonte do conhecimento.
Sendo assim, estudaremos neste volume uma seqüência de eventos, como a morte em seus variados aspectos,
bem como o estado intermediário subseqüente a ela. Depois passaremos a analisar o arrebatamento, o tribunal de
Cristo, a tribulação, o milênio e por fim o Juízo Final. Um fator de grande relevância para os apaixonados pela
escatologia é que inserimos uma farta bibliografia para que possam ampliar seus conhecimentos.
1 DEFINIÇÃO
O termo “escatologia” deriva-se do grego eoxaxcoç (eschatos), com o sentido de “último”, e Xoyoç (logos),
que significa “palavra, mensagem, conhecimento”. Trataremos da escatologia bíblica, já que ela pode ser
extrabíblica.
Sendo assim, escatologia é o estudo doutrinário que trata dos últimos eventos da história bíblica, incluindo o
que diz respeito ao fim do mundo presente e ao mundo vindouro. Os fatos que estão acontecendo e vão acontecer
são parte do eterno plano divino através dos séculos. Esse plano é revelado nas Escrituras por meio de várias
passagens, por exemplo: “Acaso, não ouviste que já há muito dispus eu estas coisas, já desde os dias remotos
o tinha planejado? Agora, porém, as faço executar e eu quis que tu reduzisses a montões de ruínas as cidades
fortificadas” (2 Reis 19.25). Dessa passagem podemos depreender que Deus tem um plano elaborado. Entretanto,
o termo escatológico é freqüentemente aplicado a toda esta época, pois:
1) Pedro, no Dia de Pentecoste, entendeu que o derramamento do Espírito Santo era o cumprimento da
profecia de Joel concernente aos “últimos dias” e disse: “Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel: E nos
últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos e
as vossas filhas profetizarão, os vossos jovens terão visões, e os vossos velhos sonharão sonhos; e também
do meu Espírito derramarei sobre os meus servos e minhas servas, naqueles dias, e profetizarão; e farei
aparecer prodígios em cima no céu e sinais em baixo na terra: sangue, fogo e vapor de fumaça. O sol se
converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes de chegar o grande e glorioso Dia do Senhor; e acontecerá
que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Atos 2.16-21, grifo nosso).
2) A Igreja goza de certos poderes da era do reino e do mundo vindouro: “E eu te darei as chaves do Reino
dos céus, e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado
nos céus” (Mateus 16.19); “e provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro” (Hebreus
6.5, grifo nosso).
3) A Igreja aguarda a vinda do Senhor a qualquer momento. Assim, cada instante é “escatológico” : “E não só
ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando
a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo” (Romanos 8.23); “aguardando a bem-aventurada esperança
e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo” (Tito 2.13).
4) Uma vez que Cristo, o Filho de Deus, é o “fim” ou “alvo” de todas as coisas no plano redentor de Deus,
a vinda do Filho encarnado iniciou os “últimos dias” : “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes,
e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho, a quem
constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo” (Hebreus 1.1-2, grifo nosso).
5) Com a atuação do espírito do anticristo já operando na expectativa do conflito final, o apóstolo João
declarou: “Filhinhos, é já a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos se
têm feito anticristos; por onde conhecemos que é já a última hora” (1 João 2.18, grifo nosso).
6) É usado para os dias maus, conforme escreveu o apóstolo Paulo: “Mas o Espírito expressamente diz que,
nos últimos tempos, apostatarao alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de
demônios” (1 Timóteo 4.1, grifo nosso).
Portanto, a expressão “últimos dias” e seus cognatos apontam para a descida do Espírito Santo, para a época
do Evangelho de Jesus Cristo e simultaneamente para os últimos dias maus.
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 1
1. O que significa o termo grego “escatologia”?
2. Cite três textos das Escrituras que tratam do plano de Deus concernente a este termo.
3. Qual é o significado da expressão “últimos dias”?
2 MORTE
A Bíblia tem muito a falar sobre a morte, porém pouco a revelar sobre a vida pós-morte. No Antigo Testamento
encontramos várias declarações sobre a brevidade e a fragilidade da vida. Jó, em aflição, disse: “Os meus dias
são mais velozes do que a lançadeira do tecelão e perecem sem esperança. Lembra-te de que a minha vida é
como o vento; os meus olhos não tomarão a ver o bem” (Jó 7.6-7). Davi falou da morte como o “caminho de
toda a terra” (1 Reis 2.2) e do curto período de vida: “Porque o homem, são seus dias como a erva; como a flor
do campo, assim floresce; pois, passando por ela o vento, logo se vai, e o seu lugar não conhece mais” (Salmos
103.15-16).
No entanto, os escritores sagrados davam ênfase à vida como um dom de Deus que deve ser desfrutado
juntamente com suas bênçãos. Antes de o povo de Israel entrar na terra prometida, Moisés estabeleceu que a
obediência resultava em bênção e vida, e a desobediência em morte e destruição (Deuteronômio 30.15-20). Uma
vida prolongada era considerada como bênção de Deus: “Dar-lhe-ei abundância de dias e lhe mostrarei a minha
salvação” (Salmos 91.16).
Nas Escrituras encontramos três tipos de morte: a física, a espiritual e a segunda morte ou morte eterna. As
duas primeiras são conseqüência direta do pecado, pois todos pecaram (Gênesis 2.7; 3.19-22-23; Romanos 3.23;
5.12; 6.23). A última é uma opção, pois Deus providenciou um meio pelo qual o homem pudesse passar da morte
para a vida, como está escrito: “Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra e crê naquele
que me enviou tem a vida eterna e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” (João 5.24).
2.1 MORTE FÍSICA
Ocorre quando a alma se separa do corpo, ao mesmo tempo em que sucede a transição do mundo visível para
o invisível. Para alguns grupos religiosos a morte é o fim de todas as coisas, não existindo nada depois desse fato.
Para o cristão, a morte determina sua entrada no paraíso, na presença de Jesus Cristo, como escreveu o apóstolo
Paulo: “Porque sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabemáculo se desfizer, temos de Deus um edifício,
uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus. (…) Mas temos confiança e desejamos, antes, deixar este corpo,
para habitar com o Senhor” (2 Coríntios 5.1, 8). Da mesma forma, a morte para o incrédulo é sua entrada no
Hades (cf. Lucas 16.22-23; Mateus 10.28; Apocalipse 20.13).
A morte física não determina o fim da existência, mas apenas estabelece uma mudança de estado, ou seja, do
material para o espiritual. Ainda que todos os homens morram fisicamente, a redenção por meio de Cristo livra
o ser humano do poder da morte, como está escrito: “E que é manifesta, agora, pela aparição de nosso Salvador
Jesus Cristo, o qual aboliu a morte, e trouxe à luz a vida e a incorrupção pelo evangelho” (2 Timóteo 1.10).
2.2 MORTE ESPIRITUAL
Deus ordenou a Adão: “De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore da ciência do bem e do
mal, dela não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás”. Adão desobedeceu, porém
continuou vivo. A conseqüência direta do pecado de Adão foi a morte espiritual, que é a separação da alma em
relação a Deus. Todos os descendentes de Adão nascem espiritualmente mortos em delitos e pecados (Efésios
2.1). Quando um indivíduo reconhece seu estado de alienação, arrepende-se de seus pecados, se entrega a Cristo
por meio da fé, ele passa da “morte para a vida” (1 João 3.14).
Fisicamente, Adão morreu com 930 anos (Gênesis 5.5). Logo, a palavra morte pode ser empregada como
separação e esta separação de Deus ocorreu naquele mesmo dia. Esta morte é a que tem passado a toda a
humanidade. Vejamos o emprego da palavra morte no sentido de separação espiritual de Deus:
“Jesus, porém, disse-lhe: Segue-me. Deixa os mortos sepultar os seus mortos” (Mateus 8.22).
“Porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado” (Lucas 15.24).
“E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados” (Efésios 2.1).
“Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)”
(Efésios 2.5).
“A que se entrega aos prazeres, mesmo viva, está morta” (1 Timóteo 5.6).
“Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama a seu irmão
permanece na morte” (1 João 3.14).
“Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto” (Apocalipse 3.1).
2.3 MORTE ETERNA
Depois da morte física, existem dois caminhos: os que aceitaram o plano de Deus receberão a vida eterna,
porém aqueles que não se arrependeram de seus pecados entram na segunda morte, a eterna. Tiago refere-se a
esta morte ao dizer: “Irmãos, se algum de entre vós se tem desviado da verdade, e alguém o converter, saiba
que aquele que fizer converter do erro do seu caminho um pecador salvará da morte uma alma e cobrirá uma
multidão de pecados” (Tiago 5.19-20, grifo nosso). A morte da qual se referiu Tiago não é a morte física, pois
muitos cristãos já a experimentaram, entretanto ele estava falando sobre a segunda morte.
Diferentemente do que muitos dizem, a Bíblia deixa evidente que depois da morte não há uma cessação
da existência, “visto que as Escrituras predizem uma ressurreição dos injustos assim como dos justos; e uma
segunda morte ou miséria da alma e corpo novamente unidos, no caso do ímpio”.1 Os seguintes textos das
Escrituras corroboram com tal entendimento:
“Tendo esperança em Deus, como estes mesmos também esperam, de que há de haver ressurreição de mortos,
tanto dos justos como dos injustos” (Atos 24.15).
“Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas: O que vencer não receberá o dano da segunda morte”
(Apocalipse 2.11).
“E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte. E aquele que não foi achado
escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo” (Apocalipse 20.14-15).
“Mas, quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos fomicadores, e aos
feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre, o que é
a segunda morte” (Apocalipse 21.8).
V E R I F I C A Ç Ã O D E A P R E N D IZ A G E M
CAPÍTULO 2
1. Qual é o sentido que os autores sagrados davam à vida?
2. Quais os tipos de morte encontrados nas Escrituras?
3) Explique em breves palavras cada tipo de morte.
1 S T R O N G , A u g u s t u s H o p k in s . T e o lo g ia s i s t e m á t ic a . S ã o P a u lo : H a g n o s , 2 0 0 3 , p . 7 8 6 , v o l. 2
CURSO DE TEOLOGIA
ESTADO 3 INTERMEDIÁRIO
O estado intermediário é o período que transcorre entre a morte e a ressurreição. As Escrituras deixam
evidente que os mortos permanecem conscientes, tanto os justos quanto os ímpios, antes da ressurreição. No
estado intermediário a alma não possui corpo, embora este estado seja de regozijo consciente dos justos e de
sofrimento consciente dos ímpios. Há uma diferenciação entre o estado intermediário dos ímpios e o dos justo,
conforme poderemos observar.
3.1 DOS ÍMPIOS
No Antigo Testamento, o lugar da vida após a morte para o ímpio é, na grande maioria das vezes, chamado
b iW (sheol), traduzido em algumas Bíblias por “inferno” ou “sepultura”. Também é identificado pela palavra
| *13# ( ‘abaddon), “o lugar da destruição”, como em Jó 26.6; 31.12; Salmos 88.11; Provérbios 27.20, e também
pelo vocábulo T O (b o r “abismo”, “cova”, literalmente uma “cisterna” .
Algumas seitas, como as Testemunhas de Jeová, os Adventistas do Sétimo Dia e os Espíritas Kardecistas,
bem como alguns autores cristãos, defendem a idéia de que a palavra sheol significa “sepultura”. Três passagens
das Escrituras são usadas para defender tal posição: Salmos 6.5; 115.17-18 e Isaías 38.17-19. Esta concepção
não prevalece diante dos vários textos das Escrituras que se referem a tal termo. Freqüentemente sheol é descrito
como um abismo que faz contraste com as alturas dos céus: “Como as alturas dos céus é a sua sabedoria; que
poderás tu fazer? Mais profunda é ela do que o inferno; que poderás tu saber?” (Jó 11.8; Salmos 139.8; Amós
9.2). Muitas vezes faz referência ao furor, cólera ou ira de Deus: “Tomara que me escondesses na sepultura
(sheol), e me ocultasses até que a tua ira se desviasse, e me pusesses um limite, e te lembrasses de mim!” (Jó
14.13; Salmos 6.1, 5; 88.3, 7; 89.46, 48). Em outras vezes refere-se tanto à ira quanto ao fogo: “Porque um fogo
se acendeu na minha ira, e arderá até ao mais profundo do inferno, e consumirá a terra com a sua novidade, e
abrasará os fundamentos dos montes” (Deuteronômio 32.22).
Quando os escritores do Novo Testamento fizeram alusão a algum texto do Antigo Testamento, que
especificamente fale do sheol, traduziram pela palavra grega Aôriç (hades “o qual não é visto como um lugar
indeterminado de que falam os gregos pagãos, mas como um lugar de punição” .2 São vários os textos que
indicam claramente que o sheol é um lugar de punição para os ímpios:
“E falou o SENHOR a Moisés, dizendo: Fala a toda esta congregação, dizendo: Levantai-vos do redor da
habitação de Corá, Datã e Abirão. Então, Moisés levantou-se e foi a Datã e a Abirão; e após ele foram os anciãos
de Israel. E falou à congregação, dizendo: Desviai-vos, peço-vos, das tendas destes ímpios homens e não toqueis
nada do que é seu, para que, porventura, não pereçais em todos os seus pecados. Levantaram-se, pois, do redor
da habitação de Corá, Datã e Abirão. E Datã e Abirão saíram e se puseram à porta das suas tendas, juntamente
com as suas mulheres, e seus filhos, e suas crianças. Então, disse Moisés: Nisto conhecereis que o SENHOR
me enviou a fazer todos estes feitos, que de meu coração não procedem. Se estes morrerem como morrem todos
os homens e se forem visitados como se visitam todos os homens, então, o SENHOR me não enviou. Mas, se o
SENHOR criar alguma coisa nova, e a terra abrir a sua boca e os tragar com tudo o que é seu, e vivos descerem
ao sepulcro, então, conhecereis que estes homens irritaram ao SENHOR. E aconteceu que, acabando ele de falar
2 H O R T O N , S t a n le y M . O e n s i n o b íb lic o d a s ú lt im a s c o i s a s . 3 . e d . R io d e J a n e ir o : C P A D , 2 0 0 2 , p . 4 4 .
todas estas palavras, a terra que estava debaixo deles se fendeu. E a terra abriu a sua boca e os tragou com as
suas casas, como também a todos os homens que pertenciam a Corá e a toda a sua fazenda. E eles e tudo o que
era seu desceram vivos ao sepulcro (sheol), e a terra os cobriu, e pereceram do meio da congregação” (Números
16.23-33).
“Os ímpios serão lançados no inferno (sheol) e todas as nações que se esquecem de Deus” (Salmos 9.17).
“A morte os assalte, e vivos desçam à cova (sheol) Porque há maldade nas suas moradas e no seu íntimo”
(Salmos 55.15, ARA).
“Porque a minha alma está cheia de angústias, e a minha vida se aproxima da sepultura {sheol). Já estou
contado com os que descem à cova; estou como um homem sem forças… Sobre mim pesa a tua cólera; tu me
abateste com todas as tuas ondas” (Salmos 88.3-4,7).
“Caminhos de sepultura {sheol) é a sua casa, os quais descem às câmaras da morte” (Provérbios 7.27).
“A mulher louca é alvoroçadora; é néscia e não sabe coisa alguma. E assenta-se à porta da sua casa ou numa
cadeira, nas alturas da cidade, para chamar os que passam e seguem direito o seu caminho. Quem é simples,
volte-se para aqui. E aos faltos de entendimento diz: As águas roubadas são doces, e o pão comido às ocultas é
suave. Mas não sabem que ali estão os mortos, que os seus convidados estão nas profundezas do inferno {sheol)”
(Provérbios 9.13-18).
3.2 DOS JUSTOS
Para os judeus, tanto os justos quanto os ímpios iam para o sheol, devido ao fato de Jacó, em luto, ter dito que
desceria ao sheol. No Novo Testamento o destino final dos seres humanos se toma mais claro. Jesus, em Lucas
16.10-31, conta sobre um homem rico que se vestia esplendidamente e todos os dias se regalava com um farto
banquete. A sua porta havia um mendigo, de nome Lázaro, coberto de feridas, que desejava comer os restos da
comida que caíam da mesa do rico. Além disso, os cães lambiam-lhe as chagas, o que o tomava impuro segundo
a Lei. Nessa situação, Lázaro tinha uma coisa a seu favor: seu nome, que significa “Deus é minha ajuda”, uma
indicação de que, apesar de tudo, ele mantinha sua fé em Deus.
Ambos morreram, e Lázaro foi levado ao seio de Abraão – ao que tudo demonstra um lugar de bênçãos,
pois ali foi confortado. O homem rico, após a morte, achou-se em sofrimento no fogo do hades. Neste local,
quando abriu os olhos, viu Abraão e Lázaro “ao longe” e imediatamente suplicou por ajuda. Abraão disse:
“Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro, somente males; e, agora, este é consolado,
e tu, atormentado. E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem
passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá, passar para cá” (Lucas 16.25-26). A conclusão que
advêm desse texto é que depois da morte segue-se o destino tanto do ímpio quanto do justo, nada podendo ser
alterado.
Na cruz Jesus disse ao ladrão agonizante: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso” (Lucas
23.43). Depois da ressurreição de Jesus, tudo é mudado. A morada dos justos é transferida do sheol para o
paraíso, que se encontra no terceiro céu, como disse o apóstolo Paulo: “Conheço um homem em Cristo que, há
catorze anos (se no corpo, não sei; se fora do corpo, não sei; Deus o sabe), foi arrebatado até ao terceiro céu… foi
arrebatado ao paraíso e ouviu palavras inefáveis, de que ao homem não é lícito falar” (2 Coríntios 12.1, 4).
Portanto, o destino da vida eterna, com Deus ou sem Deus, é decidido em vida, e nesta vida. Hoje quem morre
com Cristo vai direto para o paraíso e sem Ele para o hades. Os escritores inspirados também escreveram sobre
a habitação do justo:
CURSO DE TEOLOGIA ■: V
“Para o sábio, o caminho da vida é para cima, para que ele se desvie do inferno que está embaixo” (Provérbios
15.24).
“Guiar-me-ás com o teu conselho e, depois, me receberás em glória” (Salmos 73.24).
“E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver,
estejais vós também” (João 14.3).
“E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso” (Lucas 23.43).
“Porque sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabemáculo se desfizer, temos de Deus um edifício,
uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus. E, por isso, também gememos, desejando ser revestidos da nossa
habitação, que é do céu; se, todavia, estando vestidos, não formos achados nus. Porque também nós, os que
estamos neste tabemáculo, gememos carregados, não porque queremos ser despidos, mas revestidos, para que
o mortal seja absorvido pela vida. Ora, quem para isso mesmo nos preparou foi Deus, o qual nos deu também o
penhor do Espírito. Pelo que estamos sempre de bom ânimo, sabendo que, enquanto estamos no corpo, vivemos
ausentes do Senhor (Porque andamos por fé e não por vista). Mas temos confiança e desejamos, antes, deixar este
corpo, para habitar com o Senhor” (2 Coríntios 5.1-8).
“Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito
melhor” (Filipenses 1.23).
“E ouvi uma voz do céu, que me dizia: Escreve: Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem
no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, e as suas obras os sigam” (Apocalipse
14.13).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 3
1. O que significa “estado intermediário”?
2. Existem diferenças no estado intermediário do justo e do ímpio? Exemplifique com textos bíblicos.
3. Qual é o sentido do termo hebraico sheoll
4. Quando é decidida a vida eterna? Quais as conseqüências dessa decisão?
4 0 ARREBATAMENTO
Jesus prometeu que voltaria para arrebatar sua Igreja, como está escrito: “Não se turbe o vosso coração; credes
em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito,
pois vou preparar-vos lugar. E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para
que, onde eu estiver, estejais vós também” (João 14.1-3). Paulo acrescenta: “Porque o mesmo Senhor descerá do
céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão
primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar
o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” (1 Tessalonicenses 4.16-17).
4.1 TEORIAS DO ARREBATAMENTO
Entre os estudantes das Escrituras não há unanimidade quanto ao tempo do arrebatamento. Mostraremos
as posições dentro do pré-milenismo com respeito à ocasião do arrebatamento em relação ao período da
tribulação.
a) Pré-tribulacionistas — esta posição ensina que a Igreja será tirada antes de iniciar a tribulação. Essa
interpretação é atualmente a mais aceita e que melhor se ajusta no contexto profético das Escrituras.
Arrebatamento Segunda Vinda t Igreja i Tribulação i MIMnlo
rn
b) Arrebatamento Parcial – esta posição ensina que o arrebatamento ocorre antes da tribulação, mas
apenas os crentes “preparados” serão levados, ao passo que outros crentes permanecerão na Terra
durante a tribulação para serem provados e purificados mediante grandes sofrimentos (sendo arrebatados
posteriormente). Esta posição tem sido pouco adotada devido a sua semelhança com a doutrina católica
do purgatório, segundo a qual o sofrimento pode purgar os pecados.
Arrebatamentoa Segu nda Vinda
Igreja ■ Tribulafç*ão° |■ Milènto
7 anoa 1.000 anoa
c) Mesotribulacionistas — como o nome sugere, esta posição ensina que todos os crentes serão arrebatados
na metade da tribulação (depois dos primeiros três anos e meio).
d) Pós-tribulacionistas – esta posição ensina que todos os crentes serão arrebatados no final da tribulação,
depois dos sete anos de juízo sobre a Terra.
Existem vários argumentos a favor, como também contra, de cada uma das posições mencionadas. Para uma
melhor compreensão do assunto sugerimos que o aluno busque em outras fontes.3
4.1.1 Pré-tribulacionista
De acordo com a leitura pré-tribulacionista, a Bíblia menciona dois eventos distintos um do outro, em que as
pessoas fazem muita confusão. Primeiramente, há necessidade de se distinguir arrebatamento da segunda vinda
(manifestação física e pessoal de Jesus). No primeiro momento, no arrebatamento, Ele virá “para os seus” (João
14.3) e no segundo momento, na sua volta, virá “com os seus” (Zacarias 14.5b; 1 Tessalonicenses 3.13; Judas 14)
Na sua vinda, na plenitude dos tempos, Jesus veio como homem, como Messias Salvador prometido em todo
o Antigo Testamento, porém no arrebatamento, que será nos ares, virá como noivo e por fim na segunda vinda,
visível e literal, surgirá como juiz.
3 In d ic a m o s o s s e g u in t e s li v r o s : A L M E I D A , A b r a ã o d e . M o n u a l d a p r o f e c ia b íb lic a . 3 . e d . R io d e J a n e ir o : C P A D , 2 0 0 4 ; T O G N I N I , E n é a s . O p la n o
d e D e u s e o a r r e b a t a m e n t o . S ã o P a u lo : C a n d e i a , 1 9 9 6 ; G I L B E R T O , A n t o n io . O c a le n d á r i o d a p r o f e c ia . 1 0 . e d . R io d e J a n e ir o : C P A D , 1 9 9 8 ; S IL V A ,
S e v e r in o P e d r o d a . E s c a t o lo g ia : d o u t r in a d a s ú lt im a s c o is a s . 6 . e d . R io d e J a n e ir o : C P A D , 1 9 9 5 ; N O R T O N , S t a n le y . O e n s i n o b íb lic o d a s ú lt im a s
c o i s a s . 3 . e d . R io d e J a n e ir o : C P A D , 2 0 0 2 ; P E N T E C O S T , J . D w ig h t . M a n u a l d e e s c a t o lo g ia . S ã o P a u lo : V i d a , 1 9 9 8 ; I C E , T h o m a s ; D E M Y , T h im o t h y .
O a r r e b a t a m e n t o . P o rto A l e g r e : A t u a l E d iç õ e s , 2 0 0 1 .
Feitas essas considerações, vejamos o que significa o termo arrebatamento. Esta palavra não se encontra,
graficamente falando, nas passagens que descrevem o momento do arrebatamento da Igreja, mas a idéia do termo
está implícita no contexto, que diz: “Depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com
eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” (1 Tessalonicenses
4.17). Alguns dicionários dizem que “arrebatamento” vem do verbo arrebatar, que significa:
a) Tirar com violência ou força; arrancar;
b) Levar, desprender, de um ímpeto;
c) Raptar;
d) Impelir, conduzir;
e) Enlevar, extasiar;
f) Tirar por força ou violência; arrancar;
g) Apossar-se por força ou violência; roubar;
h) Provocar, suscitar; arrancar.4
Por meio destes termos concluímos que a Igreja será tirada de modo singular, rápido e inesperado. Durante
esse evento, os fiéis a Cristo Jesus, de todas as épocas, serão transformados; os vivos serão trasladados sem ver a
morte, ao passo que os que já partiram em Cristo serão ressuscitados, conforme escreveu o apóstolo Paulo:
“Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes com respeito aos que dormem, para não vos
entristecerdes como os demais, que não têm esperança. Pois, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou,
assim também Deus, mediante Jesus, trará, em sua companhia, os que dormem. Ora, ainda vos declaramos,
por palavra do Senhor, isto: nós, os vivos, os que ficarmos até à vinda do Senhor, de modo algum
precederemos os que dormem. Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do
arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro;
depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o
encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor. Consolai-vos, pois, uns aos
outros com estas palavras” (1 Tessalonicenses 4.13-18).
Imediatamente após o aparecimento de Jesus nos céus iniciará a última semana profética da qual Daniel
fez menção em seus escritos (Daniel 9.24).
4.1.2 Pós-tribulacionista
De acordo com a visão pós-tribulacionista, a Igreja passa pela grande tribulação. Tribulações sempre fizeram
parte da história da Igreja (João 16.33). Após mencionar a grande tribulação (Mateus 24.21), Jesus afirmou
que sua vinda ocorreria após este evento: “E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não
dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas. Então, aparecerá no céu o
sinal do Filho do Homem; e todas as tribos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as
nuvens do céu, com poder e grande glória. E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais
ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus” (Mateus 24.29-31). A
mesma seqüência de eventos (tribulação, sinais cósmicos e arrebatamento) ocorre nos três evangelhos sinópticos
(Mateus 24, Marcos 13 e Lucas 21).
A volta de Jesus não pode ser dividida em duas fases: na sua vinda todo o olho o verá (Apocalipse 1.7). Não
existe volta invisível de Jesus, pois a própria Igreja aguarda a sua manifestação (1 Timóteo 6.14; Tito 2.13). Não
* F B t R E I R A , A u r é lio B u a r q u e d e H o la n d a . N o v o d ic io n á r io e le t r ô n ic o A u r é lio v e r s ã o 5 .0 . S ã o P a u lo : P o s it iv o , 2 0 0 4 .
DE TEOLOGIA 89
se pode afirmar que os 144 mil serão pregadores durante a grande tribulação (Apocalipse 7.1 -8; 14.1 -3). A grande
tribulação não é a expressão da ira de Deus contra a Igreja (1 Tessalonicenses 1.10), mas a revelação do anticristo
(2 Pedro 2.7-8). A vinda de Cristo e a nossa união com Ele não ocorrerão antes da revelação do anticristo (2
Tessalonicenses 2.1-5) que perseguirá a Igreja (Daniel 7.25-27; Apocalipse 13.10) e será derrotado pelo Cordeiro
(2 Tessalonicenses 2.8).
Apocalipse 20.4-6 afirma que os mártires da grande tribulação estarão entre os beneficiados pela primeira
ressurreição. Isso significa que a primeira ressurreição só ocorrerá após a grande tribulação. Por sua vez, 1
Tessalonicenses 4.15-17 diz que os mortos serão ressuscitados antes do arrebatamento da Igreja. Portanto,
conclui-se que a Igreja passará pela grande tribulação.
4.2 SINAIS INDICATIVOS DO ARREBATAMENTO
Jesus predisse que sua vinda seria precedida de sinais, e, “se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma
carne se salvaria; mas, por causa dos escolhidos, serão abreviados aqueles dias” (Mateus 24.22). Porém, alertou
sobre a necessidade de vigilância ao dizer: “Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que vigília da
noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria que fosse arrombada a sua casa. Por isso, estai vós apercebidos
também, porque o Filho do Homem há de vir à hora em que não penseis” (Mateus 24.43-44). Por meio dessas
declarações conclui-se, portanto, que sua volta será repentina, inesperada.
Apesar de não termos como precisar o momento em que se dará a segunda vinda de Jesus, pois Ele mesmo
assim o disse: “Porém daquele Dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, mas unicamente
meu Pai” (Mateus 24.36), é possível reconhecer os sinais indicativos que precederão o arrebatamento. Vejamos
alguns deles, visto serem muitos.
a) Falsos Cristos (Mateus 24.24)
Em seu sermão profético, Jesus alertou sobre o surgimento de muitos falsos Cristos, dizendo: “Acautelai-vos,
que ninguém vos engane, porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos”
(Mateus 24.4). Temos visto em nossos dias esta profecia se cumprir literalmente, pois inúmeros falsos profetas
surgem se intitulando ser o Cristo de Deus. “Somente em Los Angeles há cerca de 400 falsos Cristos.”5 São
unânimes em negar a Jesus Cristo e sua obra redentora, as Escrituras Sagradas.
Outras características dos enganadores são encontradas nas cartas do apóstolo Pedro, que diz: “E também houve
entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente
heresias de perdição e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos
seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade” (2 Pedro 2.1-2).
b) Guerras e rumores de guerras (Mateus 24.6)
Jesus disse que sua vinda seria precedida de guerras e rumores de guerras. Vivemos um tempo em que apenas
a ameaça de uma guerra causa um impacto psicológico enorme na vida dos seres humanos. O poder das armas
de destruição alcançou um nível elevadíssimo; são armas químicas e nucleares. O mapa abaixo mostra onde se
encontram algumas armas nucleares, bem como a quantidade que cada país possui:
Nosso século foi marcado por duas guerras mundiais, que deixaram após si um total de 70 milhões de mortos,
feridos e desaparecidos. E a crescente tensão que agora existe entre os povos só pode significar uma coisa:
caminhamos para um terceiro conflito mundial. A humanidade estremece de pavor ao saber que, com o apertar de
um “botão”, nosso mundo poderia se tomar uma cratera fiimegante! As Escrituras se cumprem aos nossos olhos:
“Homens desmaiando de terror, na expectação das coisas que sobrevirão ao m undo…” (Lucas 21.26).
c) Fome (Mateus 24.7)
Jesus disse que haveria fome, e alguém poderia dizer que isso é natural, pois sempre houve fome no mundo. E
verdade, mas num grau como o de hoje nunca houve. Cerca de 815 milhões de pessoas passam fome no mundo.
Deste total, 127 milhões são crianças que sofrem com insuficiência alimentar. Os problemas são mais graves nos
países da África subsaariana.
d) Terremotos (Mateus 24.7)
E impressionante o número de terremotos e a sua intensidade nos últimos anos, revelando que vivemos na
época predita por Jesus: “Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e
pestes, e terremotos, em vários lugares” (Mateus 24.7). A cada ano que passa a quantidade de terremotos tem
aumentado. “Durante o século XIX ocorreram 41 grandes terremotos, que mataram pouco mais de 350 mil
pessoas. No século XX, até maio de 1997, já haviam ocorrido 96 grandes terremotos, que provocaram a morte
de mais de dois milhões e 150 mil pessoas”.6
e) O avanço da ciência (Daniel 12.4)
Daniel recebeu a revelação de que nos fins dos tempos a ciência se multiplicaria. Isso indica que durante o
período do fim, ou na última geração, ocorrerá uma explosão do conhecimento. Hoje estamos presenciando uma
verdadeira epidemia de invenções humanas. A humanidade tem feito, neste último século, mais progresso em
6 ALMEIDA, Abraão de. Op. cif., p. 105.
ciência, invenções, medicina, transporte, comunicação, e em quase todas as outras áreas de conhecimento, do
que em todos os demais séculos juntos!
Temos o mais avançado meio de comunicação de todos os tempos. As notícias chegam por intermédio da
televisão, dos satélites internacionais, da Internet em fração de segundos. Podemos acompanhar qualquer fato
importante em qualquer lugar do mundo segundos depois dos acontecimentos. Virtualmente o mundo inteiro tem
acesso à mesma informação enquanto o evento acontece.
f) Multiplicar da iniqüidade (Mateus 24.12)
O maior evento de juízo que já atingiu o mundo foi o dilúvio. Biblicamente o dilúvio é um exemplo do dia
do Juízo Final, por isso, baseado no que aconteceu, podemos entender um. pouco sobre o juízo que ainda virá.
Jesus comparou o que aconteceu naqueles dias com sua vinda ao dizer: “E, como foi nos dias de Noé, assim
será também a vinda do Filho do Homem. Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam,
bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que
veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem” (Mateus 24.37-39). Um dos
principais sinais daquela época foi o avanço da ciência e da tecnologia:
• Dias de grandes metrópoles: “E conheceu Caim a sua mulher, e ela concebeu e teve a Enoque; e ele
edificou uma cidade e chamou o nome da cidade pelo nome de seu filho Enoque” (Gênesis 4.17);
• Dias de avanços tecnológicos: “E Zilá também teve a Tubalcaim, mestre de toda obra de cobre e de
ferro” (Gênesis 4.22). Saíam da Idade da Pedra e entrava-se na do Ferro e do Bronze.
• Dias de promiscuidade: “E aconteceu que, como os homens começaram a multiplicar-se sobre a face da
terra, e lhes nasceram filhas, viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram
para si mulheres de todas as que escplheram” (Gênesis 6.1-2).
• Dias de imensa maldade: “E viu o SENHOR que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e
que toda imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente” (Gênesis 6.5).
• Dias de degeneração natural: “E viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda carne havia,
corrompido o seu caminho sobre a terra” (Gênesis 6.12).
• Dias de imensa violência: “E disse Lameque a suas mulheres: Ada e Zilá, ouvi a minha voz; vós, mulheres
de Lameque, escutai o meu dito: porque eu matei um varão, por me ferir, e um jovem, por me pisar*
(Gênesis 4.23).
g) Apostasia (2 Tessalonicenses 2.3)
Apostasia é o abandono da fé e da doutrina, como pode ser observado na carta do apóstolo Paulo a Timóteo:
“Os quais se desviaram da verdade, dizendo que a ressurreição era já feita, e perverteram a fé de alguns” (2
Timóteo 2.18). O mundanismo tem invadido a Igreja, trazendo conseqüências desastrosas para o avanço do
evangelho. A frieza espiritual, o materialismo filosófico e o conformismo aumentam em número e em quantidade
no meio da Igreja. Com tudo isso, as doutrinas centrais do cristianismo, como a inspiração total da Bíblia, o
nascimento virginal de Jesus, sua divindade, sua morte vicária, sua ressurreição e volta, são negadas.
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 4
1. Qual é a diferença entre o arrebatamento e a volta de Cristo?
2. Qual é idéia que se tem do arrebatamento?
3. Cite cinco sinais indicativos que precederão o arrebatamento.
4. Quais foram os sinais que Deus deu a Noé antes do dilúvio?
5. O que ensina a posição pré-tribulacionista?
6. O que ensina a posição mesotribulacionista?
7. O que ensina a posição pós-tribulacionista?
8. Qual é a sua posição?
CURSO DE TEOLOGIA 93
i i S i Ê t e
– fí _ -4A. *
5 TRIBUNAL DE CRISTO
Logo depois do arrebatamento da Igreja por Jesus Cristo, e antes da entrada nas bodas do cordeiro,
haverá o julgamento, não para salvação, mas para prestação de contas, como na parábola dos talentos (Mateus
25.14). Esse momento será de avaliação das obras realizadas por meio do Corpo em prol do evangelho. O
apóstolo Paulo fala disso em vários de seus ensinos, mas especificamente em três referências exclusivas:
1) “Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de
comparecer ante o tribunal de Cristo” (Romanos 14.10);
2) “Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver
feito por meio do corpo, ou bem ou mal” (2 Coríntios 5.10);
3) “A obra de cada um se manifestará; na verdade, o Dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o
fogo provará qual seja a obra de cada um. Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse
receberá galardão. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como
pelo fogo” (1 Coríntios 3.13-15).
Esse julgamento é chamado de “tribunal de Cristo”, e ali cada um será galardoado ou não, de acordo com
o que fez. Cada crente está construindo sobre o fundamento, o qual é Cristo Jesus, durante sua vida e serviço.
Ele deve comparecer diante do tribunal de Cristo a fim de que suas obras sejam provadas como base para a
recompensa. Tudo será julgado: nossas palavras, nossos atos, nossos motivos, nossas atitudes, nosso caráter,
nossos sofrimentos, o uso dos dons espirituais, a administração dos bens materiais e do dinheiro (Mateus 5.22;
12.36-37; Marcos 4.22; Romanos 2.5-11, 16; 1 Coríntios 3.13; 4.5; 13.3; Efésios 6.8). Foi por este motivo que
o apóstolo Paulo advertiu a igreja de Corinto dizendo: “ …m as veja cada um como edifica sobre ele. Porque
ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo. E, se alguém sobre este
fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se
m anifestará…” (1 Coríntios 3.10-12).
Se aquilo que tiver sido edificado sobre o fundamento de Cristo Jesus for inútil (se queimar), a pessoa será
salva, porque a salvação é pela fé e não por obras, mas as suas obras não lhe concederão recompensas ou coroas.
O contrário também é verdadeiro: se o edifício for “bom”, receberá galardão. Fica transparente que “haverá
ali uma avaliação do que fizemos e não fizemos, mas isso não indica que será um momento de temor, mas de
confiança; mais ninguém estará ali presente a não ser os salvos: ali todos amarão o Redentor e confiarão nele”.7
As recompensas que os fiéis receberão são chamadas de coroas, sendo de cinco espécies:
1) Coroa de glória: “E, quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa de glória” (1
Pedro 5.4).
2) Coroa incorruptível: “E todo aquele que luta de tudo se abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa
corruptível, nós, porém, uma incorruptível” (1 Coríntios 9.25).
7 S IL V A , S e v e r in o P e d r o d a . O p . c it .f p . 3 7 .

94 CURSO DE TEOLOGIA
3 Coroa de alegria: “Portanto, meus amados e mui queridos irmãos, minha alegria e coroa, estai assim
firmes no Senhor, amados” (Filipenses 4.1); “Porque qual é a nossa esperança, ou gozo, ou coroa de
glória? Porventura, não o sois vós também diante de nosso Senhor Jesus Cristo em sua vinda? Na verdade,
vós sois a nossa glória e gozo” (1 Tessalonicenses 2.19-20).
4) Coroa da justiça: “Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará
naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda” (2 Timóteo 4.8).
5) Coroa da vida: “Bem-aventurado o varão que sofre a tentação; porque, quando for provado, receberá a
coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o amam” (Tiago 1.12; Apocalipse 2.10).
Tanto o termo “tribunal”, (Jruxa (bema), significando “plataforma do orador, uma plataforma elevada ao ar
livre”, quanto a “coroa”, otecpavoc; (stephanos) eram termos bem conhecidos entre os coríntios. Ambos eram
empregados nos jogos olímpicos, quando o juiz recebia em uma plataforma o vencedor da disputa atlética e
lhe entregava como recompensa uma coroa de louros. Usando esta figura, o apóstolo Paulo declarou que os
vencedores na fé também receberão suas coroas como recompensa de sua vida piedosa.
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 6
1. O que ocorrerá depois do arrebatamento?
2. Qual é o motivo do tribunal?
3. Quais são os tipos de recompensa que os fiéis receberão?
CURSO DE TEOLOGIA
, – : , V . – •
f.” ‘. 1* J 95
ÓDULO k | ESCATOLOGIA
6 SETENTA SEMANAS DE
DANIEL EA TRIBULAÇÃO
Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade, para extinguir a
transgressão, e dar fim aos pecados, e expiar a iniqüidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a
profecia, e ungir o Santo dos santos. Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar
Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas; as ruas e as tranqueiras se
reedificarão, mas em tempos angustiosos. E, depois das sessenta e duas semanas, será tirado o Messias e
não será mais; e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com
uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas assolações. E ele firmará um concerto com
muitos por uma semana; e, na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; e sobre a
asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado
sobre o assolador (Daniel 9.24-27).
A profecia das setenta semanas foi entregue a Daniel, quando este, juntamente com seu povo, se encontrava
cativo na Babilônia. Os exércitos de Nabucodonosor haviam destruído totalmente a cidade de Jerusalém (2
Crônicas 36.17-21). Nesta ocasião, Jeremias profetizava sobre a destruição iminente que cairia sobre a cidade
santa. Foi-lhe revelado que estas desolações durariam setenta anos (Jeremias 25.11). Daniel, lendo o livro deste
profeta, entendeu que o tempo de se cumprir as Escrituras estava no fim e buscou a Deus, que lhe revelou esta
profecia dos fins dos tempos. Por meio do gráfico seguinte detalharemos esta profecia de Daniel, partindo do
princípio de uma perspectiva pré-milenista e pré-tribulacionista.
As Setenta Sem anas de Daniel
( D a n i e l 9 . 2 4 – 2 7 )
Decreto
de
R estau ração
O M essias,
o Príncipe
O príncipe
que há de vir
O M e ssias
Retorna
Messias “tirado”
69 S em an as + Era
I da Igreja
1 Sem ana
Vi
Sem ana
Mi
Sem ana
Cidade e
Templo
Destruídos
Decreto de
Artaxerxes
(Neemias 2.1-8)
Entrada
Triunfal
(Lucas 19.28-40)
S <jB 3fÍS3ÍE»
CURSO DE TEÕLOG5A
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MÓDULO 4 | ESCATOLOGIA
De acordo com este texto, Daniel fala em três períodos de sete, sendo um período de sete semanas, outro de
sessenta e duas semanas e mais um de uma semana. O começo desse tempo, conforme disse o profeta, é desde a
saída da “ordem”. Precisamos identificar o que o profeta quis dizer com “semanas” bem como quando começou
esta “ordem”, ou decreto.
Setenta semanas estão determinadas… (v. 24)
O original hebraico usa duas palavras para o termo traduzido por “semana” : shabua e yamin. A palavra
“shabua” significa um “sete”, portanto a melhor leitura seria “setenta setes”, deixando a palavra semanas, que na
língua portuguesa significa uma semana de dias. Quando se trata de semanas de dias, como em Daniel 10.2-3,
o hebraico tem outra palavra, “yamin”. Sendo assim, o versículo 24 do capítulo nove de Daniel afirma: “setenta
setes estão determinados”. O significado desses “setes” deve ser determinado pelo contexto e por outras passagens
das Escrituras. Para os hebreus este período de sete lhes era familiar, pois as Escrituras dizem que havia um “sete
de anos” tanto quanto um “sete de dias”. Seis anos o israelita estava livre para plantar e colher, mas o sétimo ano
seria um solene “sábado de repouso para a terra” (Levítico 23.3-4). O Jubileu é outro exemplo desta contagem de
semana de anos: “Contarás sete semanas de anos, sete vezes sete anos, de maneira que os dias das sete semanas
de anos te serão quarenta e nove anos” (Levítico 25.8). A conclusão a que chegamos é que essas “semanas” de
que fala o profeta é de anos e não de dias.
Precisamos ainda detalhar mais esta “semana” de anos para saber quantos dias tem o ano profético de acordo
com as Escrituras proféticas. A Bíblia é expressa em declarar que o ano profético é de 360 dias, ou doze meses
de 30 dias. No livro de Gênesis temos a narrativa do dilúvio, que começou no décimo sétimo dia do mês segundo
(7.11) e terminou no décimo sétimo dia do mês sétimo (8.4). Temos a duração de cinco meses, e ainda são dados
em dias – “cento e cinqüenta dias” (7.24; 8.3), ou seja, o mês era de 30 dias. Comparando Apocalipse 12.6 com
23.5 verifica-se que o ano bíblico ou profético é de 360 dias, pois 1260 dias eqüivale a 42 meses de 30 dias.
De acordo com o que vimos até o momento, chegamos à seguinte conclusão:
7 semanas + 62 semanas = 69 semanas.
69 semanas x 7 anos = 483 anos
483 anos x 360 dias = 173.880 dias
Assim, como disse o profeta, “desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Messias”,
ou seja, desde o ano de 445 até a morte do Messias, passariam 173.880 dias.
Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Ungido, ao
Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas; as praças e as circunvalações se reedificarão, mas em
tempos angustiosos (v. 25).
Muitos confundem as datas desta ordem. O estudante das Escrituras jamais poderá confundir a ordem dada
para a reconstrução do Templo com a ordem para a reconstrução da cidade. Alguns dizem que esta ordem foi
aquela dada pelo rei Ciro.
Examinando o livro de Esdras, é notório que a ordem dada por Ciro não foi para restaurar e edificar Jerusalém,
e sim para edificar o Templo. O estudante deve ler com cautela os textos de Esdras 1.1-2; 4.1-5, 11-24; 6.1-5, 14-
15; 7.11, 20, 27. Todas estas citações fazem referência à “Casa do Senhor”, portanto fica evidente que a ordem
referida não é a de Ciro.
Encontramos outra ordem nas Escrituras no livro de Neemias, onde o autor inspirado registra cuidadosamente
a data exata deste decreto: “Sucedeu, pois, no mês de Nisâ, no ano vigésimo do rei Artaxerxes…” (Neemias 2.1).
A Bíblia não declara exatamente o ano em que este monarca começou a reinar, porém diz que foi no vigésimo
ano de seu reinado. Precisamos descobrir quando ele começou a reinar para precisar o ano em que foi dada esta
1CURSO DE TEOLOGIA
I
ordem. A edição mais recente da Enciclopédia Britânica marca a data da ascensão de Artaxerxes como 465 a.C.s
portanto seu vigésimo ano seria 445 a.C.
Segundo a profecia, a ordem para a reconstrução da cidade duraria sete semanas, ou seja, 49 anos, e sessenta
e duas semanas as praças e as circunvalações, 434 anos, totalizando um período de 483 anos.
E, depois das sessenta e duas semanas, será tirado o Messias e não será mais; e o povo do príncipe, que
há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra;
estão determinadas assolações (v. 26).
A precisão da profecia é impressionante! Depois desse período ocorreria um fato notório: o Messias seria
“tirado”, ou crucificado (cf. Isaías 53.8). A predição dizia que o Messias, o Príncipe, seria morto depois das
“sete semanas” (v. 25) e mais “sessenta e duas semanas” (v. 26), totalizando 69 semanas (483 anos), e realmente
foi o que aconteceu. Cristo morreu exatamente na 69a semana (Lucas 24.44). Portanto, com este evento se
completaram 69 semanas, tudo devidamente previsto e profetizado, porém a profecia diz SETENTA semanas.
Falta a septuagésima!
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 6
1. Quais os termos, no original hebraico, para a palavra “semana”? Quais seus significados?
2. Quantos dias tem o ano profético de acordo com as Escrituras? Exemplifique.
3. Sessenta e duas semanas proféticas têm quantos dias?
4. Quem deu a ordem para a reconstrução da cidade e quem deu a ordem para a reconstrução do templo?
7 TRIBULAÇÃO
O Senhor Jesus predisse seu padecimento, morte e ressurreição (Mateus 16.21), os sofrimentos e perseguições
que seus discípulos enfrentariam (Mateus 10.16-29; João 6.33), as grandes aflições que se abateriam sobre
Jerusalém e, por fim, as agonias do fim dos tempos, como preparação de seu regresso à Terra (Mateus 24;
Marcos 13; Lucas 21). Logo após o arrebatamento da Igreja se iniciará um período de grande sofrimento sobre a
humanidade que tanto os escritores do Antigo quanto do Novo Testamento denominam de “tribulação”, que nada
mais é do que a última semana da profecia de Daniel. Devido a sua intensidade e agonia, essa época será infeliz
e indesejável, mas foi previsto nas Escrituras que ela vai acontecer e está descrito como ela será.
7.1 NO ANTIGO TESTAMENTO
Uma das primeiras citações sobre este tempo de aflição foi escrito por Moisés, antes da nação de Israel entrar
na terra prometida. O futuro dos hebreus foi descrito como tempo de “angústia” ou “tribulação” nos últimos dias,
como se pode verificar:
E o SENHOR vos espalhará entre os povos, e ficareis poucos em número entre as gentes às quais o SENHOR
vos conduzirá. E ali servireis a deuses que são obra de mãos de homens, madeira e pedra, que não vêem, nem
ouvem, nem comem, nem cheiram. Então, dali, buscarás ao SENHOR, teu Deus, e o acharás, quando o buscares
de todo o teu coração e de toda a tua alma. Quando estiveres em angústia, e todas estas coisas te alcançarem,
então, no fim de dias, te virarás para o SENHOR, teu Deus, e ouvirás a sua voz. Porquanto o SENHOR, teu
Deus, é Deus misericordioso; e não te desamparará, nem te destruirá, nem se esquecerá do concerto que jurou a
teus pais (Deuteronômio 4.27-31).
O profeta Isaías chama aquele dia de “indignação”, do qual Israel será poupado: “Vai, pois, povo meu, entra
nos teus quartos e fecha as tuas portas sobre ti; esconde-te só por um momento, até que passe a ira. Porque eis
que o SENHOR sairá do seu lugar para castigar os moradores da terra, por causa da sua iniqüidade; e a terra
descobrirá o seu sangue e não encobrirá mais aqueles que foram mortos” (Isaías 26.20-21). Esse mesmo profeta
continua a descrever, com mais detalhes, a ira de Deus: “Porque a indignação do SENHOR está sobre todas as
nações, e o seu furor sobre todo o exército delas; ele as destruiu totalmente, entregou-as à matança. E os mortos
serão arremessados, e do seu corpo subirá o mau cheiro; e com o seu sangue os montes se derreterão… Porque
será o dia da vingança do SENHOR, ano de retribuições, pela luta de Sião” (Isaías 34.2-3, 8).
Outro profeta também recebeu revelação sobre este evento futuro chamando-o de “tempo de angústia para
Jacó”: “Assim diz o SENHOR: Ouvimos uma voz de tremor, de temor, mas não de paz. Perguntai, pois, e vede se
um homem tem dores de parto. Por que, pois, vejo a cada homem com as mãos sobre os lombos, como a que está
dando à luz? E por que se têm tomado macilentos todos os rostos? Ah! Porque aquele dia é tão grande, que não
houve outro semelhante! E é tempo de angústia para Jacó; ele, porém, será salvo dela. Porque será naquele dia,
diz o SENHOR dos Exércitos, que eu quebrarei o seu jugo de sobre o teu pescoço e quebrarei as tuas ataduras;
e nunca mais se servirão dele os estranhos, mas servirão ao SENHOR, seu Deus, como também a Davi, seu rei,
que lhes levantarei” (Jeremias 30.5-9). E Daniel recebeu com precisão o tempo que duraria a tribulação:
MODULO k | ESCATOLOGIA
Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade, para extinguir a transgressão, e
dar fim aos pecados, e expiar a iniqüidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e ungir o Santo
dos santos. Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Messias,
o Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas; as ruas e as tranqueiras se reedificarão, mas em tempos
angustiosos. E, depois das sessenta e duas semanas, será tirado o Messias e não será mais; e o povo do príncipe,
que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra;
estão determinadas assolações. E ele firmará um concerto com muitos por uma semana; e, na metade da semana,
fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à
consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador (Daniel 9.24-27).
Esta profecia merece maior atenção devido ao tempo preciso que ela fornece, por isso trataremos dela em
um tópico à parte. Daniel, como seu contemporâneo, também descreve esse tempo como um tempo de angústia:
“E, naquele tempo, se levantará Miguel, o grande príncipe, que se levanta pelos filhos do teu povo, e haverá um
tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo; mas, naquele tempo, livrar-se-á
o teu povo, todo aquele que se achar escrito no livro” (Daniel 12.1).
O livro inteiro de Joel retrata o dia do Senhor, que é um sinônimo de “tribulação” . Sobre este dia assim
escreveu Joel: “Ah! Aquele dia! Porque o dia do SENHOR está perto e virá como uma assolação do Todopoderoso”
(Joel 1.15); “Tocai a buzina em Sião e clamai em alta voz no monte da minha santidade; perturbemse
todos os moradores da terra, porque o dia do SENHOR vem, ele está perto; dia de trevas e de tristeza; dia
de nuvens e de trevas espessas; como a alva espalhada sobre os montes, povo grande e poderoso, qual desde o
tempo antigo nunca houve, nem depois dele haverá pelos anos adiante, de geração em geração” (Joel 2.1-2).
Amós não pertencia a nenhuma família sacerdotal, nem de profetas, era negociante, ocupava-se com a criação
de gado e plantação de frutas (figos) de Tecoa (1.1; 7.14). Foi chamado para anunciar o juízo de Deus sobre
Israel, entretanto também profetizou sobre a tribulação: “Ai daqueles que desejam o dia do SENHOR! Para que
quereis vós este dia do SENHOR? Trevas será e não luz. Como se um homem fugisse de diante do leão, e se
encontrasse com ele o urso ou como se, entrando em uma casa, a sua mão encostasse à parede, e fosse mordido
por uma cobra. Não será, pois, o dia do SENHOR trevas e não luz? Não será completa escuridade sem nenhum
resplendor?” (Amós 5.18-20).
Sofonias é o profeta do Juízo Final, devido à grande ênfase que ele dá ao Dia do Senhor, somente no capítulo
primeiro ele o menciona 13 vezes e termina dizendo que é “dia da indignação do SENHOR, mas, pelo fogo do
seu zelo, a terra será consumida, porque, certamente, fará destruição total e repentina de todos os moradores da
terra” (1.18). Coisa horrenda! Toda terra consumida pelo fogo, todos os moradores da terra destruídos, incluindo
pessoas, animais, aves, peixes, que ele chama de “dia de indignação, dia de angústia e dia de alvoroço e desolação,
dia de escuridade e negrume, dia de nuvens e densas trevas” (Sofonias 1.15).
E Jesus, respondendo, disse-lhes: Acautelai-vos, que ninguém vos engane, porque muitos virão em meu nome,
dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos. E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai, não vos
assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim. Porquanto se levantará nação contra
nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares. Mas todas essas coisas são
o princípio das dores. Então, vos hão de entregar para serdes atormentados e matar-vos-ão; e sereis odiados de
todas as gentes por causa do meu nome. Nesse tempo, muitos serào escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros,
e uns aos outros se aborrecerão. E surgirão muitos falsos profetas e enganarão a muitos. E, por se multiplicar a
iniqüidade, o amor de muitos se esfriará. Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo. E este evangelho do
Reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes, e então virá o fim. Quando, pois, virdes
que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo (quem lê, que entenda), então,
os que estiverem na Judéia, que fxijam para os montes; e quem estiver sobre o telhado não desça a tirar alguma
coisa de sua casa; e quem estiver no campo não volte atrás a buscar as suas vestes. Mas ai das grávidas e das
que amamentarem naqueles dias! E orai para que a vossa fuga não aconteça no inverno nem no sábado, porque
haverá, então, grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco haverá
jamais. E, se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma came se salvaria; mas, por causa dos escolhidos,
serão abreviados aqueles dias. Então, se alguém vos disser: Eis que o Cristo está aqui ou ali, não lhe deis crédito,
porque surgirão falsos cristos e falsos profetas e farão tão grandes sinais e prodígios, que, se possível fora,
enganariam até os escolhidos. Eis que eu vo-lo tenho predito. Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no
deserto, não saiais; ou: Eis que ele está no interior da casa, não acrediteis. Porque, assim como o relâmpago sai do
oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do Homem. Pois onde estiver o cadáver,
aí se ajuntarão as águias. E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as
estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas (Mateus 24.4-28).
O apóstolo Paulo também fez referências à tribulação. Em sua Primeira Carta aos Tessalonicenses por duas
vezes se refere a esses dias: “E esperar dos céus a seu Filho, a quem ressuscitou dos mortos, a saber, Jesus, que nos
livra da ira futura” (1 Tessalonicenses 1.10); “Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da
salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Tessalonicenses 5.9). Entre os leitores desta carta, alguns, aplicando
erroneamente o sentido das palavras de Paulo, desistiram de trabalhar e estavam ociosos, vivendo do trabalho
dos outros. Já outros membros da congregação tinham falecido desde que Paulo deixara a cidade, e os fiéis
estavam ansiosos para saber se estes, em conseqüência, sofreriam alguma desvantagem no regresso de Jesus,
em comparação àqueles que ainda estivessem vivos. Para sanar estas dúvidas o apóstolo escreveu uma segunda
carta, que em todos os cinco capítulos faz alusão à vinda do Senhor (1.10; 2.19; 3.13; 4.17; 5.23).
Para os que achavam que a tribulação já havia começado, Paulo diz: “Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de
nòsso Senhor Jesus Cristo e pela nossa reunião com ele, que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem
vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o dia de Cristo estivesse
já perto” (2 Tessalonicenses 2.1-2). Daí ele passa a descrever alguns eventos que precederão a tribulação:
Ninguém, de maneira alguma, vos engane, porque não será assim sem que antes venha a apostasia e se manifeste
o homem do pecado, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou se adora;
de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus. Não vos lembrais de que estas
coisas vos dizia quando ainda estava convosco? E, agora, vós sabeis o que o detém, para que a seu próprio tempo
seja manifestado. Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que, agora, resiste até que do meio
seja tirado; e, então, será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca e aniquilará pelo
esplendor da sua vinda; a esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais, e prodígios
de mentira, e com todo engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se
salvarem. E, por isso, Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira, para que sejam julgados
todos os que não creram a verdade; antes, tiveram prazer na iniqüidade (2 Tessalonicenses 2.3-12).
De todos os escritos sobre a tribulação, é no Apocalipse de João que temos a narração minuciosa dos dias da
tribulação. Este livro é rico em símbolos e conteúdo, portanto merece especial atenção da parte dos amantes da
Palavra de Deus.
7.3 DURAÇÃO DA TRIBULAÇÃO
De acordo com a profecia de Daniel, a tribulação durará sete anos, conforme o texto: “E ele firmará um
concerto com muitos por uma semana; e, na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares”
(Daniel 9.27, grifo nosso). Já vimos que uma semana profética se refere a um período de sete anos, que será
dividida em dois períodos de três anos e meio, conforme a ilustração:
^ p r / o c l p e
cfo v/r O M .
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 7
1. Quanto tempo durará a tribulação? Mostre nas Escrituras onde está a referência a esse tempo.
2. Cite três autores do Antigo Testamento e os nomes que eles deram a este evento.
3. Em que livro das Escrituras encontramos um retrato minucioso da tribulação?
q EVENTOS DA
O TRIBULAÇÃO
Como acabamos de averiguar, a tribulação será dividida em duas etapas de três anos e meio. Cada etapa
é marcada por eventos específicos, que ocorrerão de forma seqüencial, conforme relata o apóstolo João no livro
de Apocalipse. O quadro a seguir facilitará a compreensão do estudo:
8.1 MÉTODOS DE INTERPRETAÇÃO DO APOCALIPSE
O livro de Apocalipse tem sido estudado segundo muitos conceitos e métodos de interpretação diferentes.
Demonstraremos os principais deles.
a) P reterista (passado) – entende que os acontecimentos do Apocalipse em grande parte foram cumpridos
nos primeiros séculos da nossa era, tendo o Império Romano como pano de fundo, ou seja, a maior parte
do Apocalipse já se cumpriu, sobrando somente fatos históricos.
b) H istórico – os intérpretes que assumem essa posição procuram ligar os acontecimentos previstos no
Apocalipse com as várias épocas da história humana. Foi adotada principalmente pelos reformadores, que
viam o papa como o anticristo.
c) Simbólico ou místico – alguns estudiosos crêem que o livro de Apocalipse não é essencialmente profético
nem histórico, mas uma vivida coletânea de símbolos místicos que visam ensinar lições espirituais e
morais. Isso significa que não devemos esperar qualquer cronologia de acontecimentos passados ou
futuros nesse livro.
MÓDULO k | ESCATOLOGIA
d) Futurista – há os futuristas extremos, que pensam que o livro inteiro é preditivo, incluindo os capítulos
dois e três, que representam sucessivos estágios da história eclesiástica, até a vinda de Cristo. Mas há os
futuristas moderados, que admitem que os capítulos dois e três referem-se ao passado (ou ao presente), mas
a partir do quarto capítulo temos o futuro, o que deverá acontecer imediatamente depois do arrebatamento,
mas antes do segundo advento de Cristo.
Entendemos que a melhor posição quanto aos eventos descritos no livro de Apocalipse é a futurista. Assim,
adotamos a escola pré-tribulacionista, pré-milenista e futurista.
8.2 OS JUÍZOS DE DEUS
Dos eventos descritos nas Escrituras, alguns podem ser descritos em uma seqüência lógica, enquanto outros
são mais difíceis de posicionar. De qualquer maneira, seguiremos bem próximo do que o apóstolo João escreveu,
e quando necessário manifestaremos nossa posição.
Quando João foi levado aos céus, ele viu algo: “E vi na destra do que estava assentado sobre o trono um livro
escrito por dentro e por fora, selado com sete selos” (Apocalipse 5.1). A partir daí começam os juízos de Deus
sobre toda a Terra.
Os juízos dos sete selos – com a abertura dos selos se inicia a tribulação. Os quatro primeiros selos
compreendem quatro cavalos com seus cavaleiros.
1) Primeiro selo – o cavalo branco (v. 2) tem sido identificado como o anticristo por alguns, enquanto para
outros não passa de uma figura de linguagem. Será uma época de aparente paz e prosperidade, durante a
qual virá repentina destruição, com a revelação do caráter maligno do anticristo.
2) Segundo selo – o cavalo vermelho é a guerra (Apocalipse 6.4).
3) Terceiro selo – o cavalo preto é a fome mundial, certamente em virtude das avassaladoras guerras
(Apocalipse 6.5-6).
4) Quarto selo – o cavalo amarelo é a morte, como conseqüência do império do anticristo (Apocalipse 6.8).
5) Quinto selo – o clamor dos mártires por causa da Palavra de Deus e de seu testemunho. Morreram pela
fé no Senhor Jesus, em vez de receber o sinal da besta (Apocalipse 6.9).
6) Sexto selo – ocorrerá uma seqüência catastrófica de acontecimentos:
• Grandes terremotos (Apocalipse 6.12)
• O sol se escurecerá (Apocalipse 6.12)
• A lua se tomará vermelha como sangue (Apocalipse 6.12)
• As estrelas do céu cairão (Apocalipse 6.13)
• O céu se enrolará como um pergaminho (Apocalipse 6.14)
• Montanhas e ilhas serão removidas do seu lugar (Apocalipse 6.15)
• A ira do Senhor se manifestará (Apocalipse 6.17)
7) Sétimo selo – houve silêncio no céu por meia hora. Sete anjos recebem sete trombetas. A partir desse
momento os juízos de Deus cairão sobre os homens (Apocalipse 8.1-2)
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Do último selo se derivam os juízos das sete trombetas.
1) Primeira trombeta – saraiva e fogo misturado com sangue. A terça parte da Terra e das árvores foi
queimada e toda erva verde (Apocalipse 8.7).
2) Segunda trombeta – um monte em chamas foi lançado no mar. Alguns escritores têm relatado que
seja algo semelhante a um meteoro. A terça parte da vida no mar pereceu, e perdeu-se a terça parte das
embarcações (Apocalipse 8.8-9).
3) Terceira trombeta – caiu do céu uma grande estrela, chamada de Absinto, ardendo em chamas sobre as
fontes das águas, e muitas vidas pereceram com as águas que se tomaram amargosas (Apocalipse 8.10-
11).
4) Quarta trombeta – foi ferida a terça parte do sol, da lua e das estrelas. A escuridão atingiu parte do dia e
da noite (Apocalipse 8.12).
5) Quinta trombeta – grandes tormentos sobrevêm aos homens neste período. A morte foge dos atormentados
e uma praga enorme de gafanhotos persegue os ímpios (Apocalipse 9.1-12). Esse é o primeiro ai.
6) Sexta trombeta – quatro anjos que estavam presos junto ao rio Eufrates foram soltos e mataram pelo
fogo, pela fumaça e pelo enxofre a terça parte dos homens (Apocalipse 9.11 – 10.11). Atuam as duas
testemunhas, que serão mortas pela besta, mas Deus as ressuscitará e as arrebatará (Apocalipse 11). É
passado o segundo ai.
7) Sétima trombeta – o nome de Deus é glorificado, porém o juízo de Deus continua em ritmo crescente. A
mulher é perseguida pelo dragão, que recebe ajuda dos anjos. Duas bestas aparecem com grande poder, a
besta que sobe do mar (anticristo) e a besta que sobe da terra (o falso profeta). Um anjo saiu a vindimar a
Terra (Apocalipse 12-14).
Os juízos das sete taças – após as trombetas, que trouxeram incontáveis aflições aos habitantes da Terra, serão
lerramadas as taças, que reservam maior intensidade da ira de Deus sobre os habitantes da Terra (Apocalipse 16).
1) Primeira taça – feridas malignas sobre aqueles que têm a marca da besta e sobre aqueles que a adoram
(Apocalipse 16.2).
2) Segunda taça – o mar toma-se em sangue, exterminando toda criatura aquática (Apocalipse 16.3).
3) Terceira taça – rios e fontes tomam-se em sangue, contaminando toda água (Apocalipse 16.4-7).
4) Quarta taça – um calor insuportável, de modo que os homens são abrasados pelo forte sol, mas mesmo
assim não se arrependem (Apocalipse 16.8-9).
5) Quinta taça – atinge o trono da besta e seu reino se toma tenebroso. Pânico na Terra devido à grande dor
(Apocalipse 16.10-11).
6) Sexta taça – caminho preparado para a grande batalha final, o Armagedom. A trindade satânica congrega
os reis da Terra para esta guerra (Apocalipse 16.12-16).
7) Sétima taça – um terremoto jamais visto em toda história atinge a Terra com grande ímpeto, juntamente
com uma grande saraiva, com pedras pesando aproximadamente 40 quilos (Apocalipse 16.17-21).
8.3 A BATALHA DE ARMAGEDOM
Essa grande batalha ocorrerá nos últimos dias da grande tribulação, conforme escreveu o apóstolo João: “E
da boca do dragão, e da boca da besta, e da boca do falso profeta vi saírem três espíritos imundos, semelhantes a
rãs, porque são espíritos de demônios, que fazem prodígios; os quais vão ao encontro dos reis de todo o mundo
para os congregar para a batalha, naquele grande dia do Deus Todo-poderoso… E os congregaram no lugar que
em hebreu se chama Armagedom” (Apocalipse 16.14, 16).
O nome Armagedom significa “cidade de Megido”, que está situada a oeste do rio Jordão, no centro norte da
Palestina, a cerca de quinze quilômetros de Nazaré e a vinte e cinco quilômetros da costa do Mediterrâneo. Foi
cenário de grandes batalhas no Antigo Testamento (Juizes 5.19-21; 2 Reis 23.29).
Este local não é o local da batalha final, mas o lugar onde as forças se reunirão para ir em direção ao Vale
de Josafá, como se pode observar no livro do profeta Joel: “Congregarei todas as nações e as farei descer ao
vale de Josafá; e ali com elas entrarei em juízo, por causa do meu povo e da minha herança, Israel, a quem eles
espalharam entre as nações, repartindo a minha terra” (Joel 3.2).
É nessa extensa faixa de terra que o anticristo mobilizará as nações em um grande ataque contra Israel e
contra seu Deus. Acampados nesse vale, as tropas caminharão em direção à cidade santa. “E acontecerá, naquele
dia, que farei de Jerusalém uma pedra pesada para todos os povos; todos os que a carregarem certamente serão
despedaçados, e ajuntar-se-ão contra ela todas as nações da terra (Zacarias 12.3, 14.14).
Não existe um único versículo das Escrituras que nos forneça a seqüência cronológica concernente à batalha
de Armagedom. De acordo com Thomas Ice e Timothy Demy, baseados nos estudos do Dr. Amold Fruchtenbaum,
a campanha passará por oito estágios, conforme o gráfico seguinte:
A Batalha c f e
Armagedom
Primeiro estágio – os aliados do anticristo se reúnem para a batalha, naquele grande dia do Deus Todo-poderoso,
conforme o texto: “E os congregaram no lugar que em hebreu se chama Armagedom” (Apocalipse 16.16).
Segundo estágio – a Babilônia é destruída. Mesmo o anticristo sendo uma corporificação de Satanás, este
não sabe de todas as coisas nem possui todo poder, pois as Escrituras nos dizem que uma aliança do Norte
destruirá a Babilônia: “Porque eis que eu suscitarei e farei subir contra a Babilônia uma congregação de grandes
nações da terra do Norte, e se prepararão contra ela; dali, será tomada; as suas flechas serão como de valente
herói; nenhuma tomará sem efeito” (Jeremias 50.9); “Eis que um povo vem do Norte, e uma grande nação e reis
poderosos se levantarão dos lados mais remotos da terra. Arco e lança tomarão; eles são cruéis e não conhecem
a compaixão; a sua voz bramará como o mar, e eles cavalgarão cavalos, como um homem, apercebido para a
batalha, contra ti, ó filha da Babilônia” (Jeremias 50.41-42). É o fim definitivo da grande prostituta das nações,
João diz que: “Depois destas coisas, vi descer do céu outro anjo, que tinha grande poder, e a terra foi iluminada
com a sua glória. E clamou fortemente com grande voz, dizendo: Caiu! Caiu a grande Babilônia e se tornou
morada de demônios, e abrigo de todo espírito imundo, e refúgio de toda ave imunda e aborrecível! Porque todas
as nações beberam do vinho da ira da sua prostituição. Os reis da terra se prostituíram com ela. E os mercadores
da terra se enriqueceram com a abundância de suas delícias” (Apocalipse 18.1-3, grifo nosso).
Terceiro estágio – a destruição de Jerusalém. Em vez de voltar para defender sua capital, o anticristo partirá
contra Jerusalém, como disse o profeta Zacarias: “Porque eu ajuntarei todas as nações para a peleja contra
Jerusalém; e a cidade será tomada, e as casas serão saqueadas, e as mulheres, forçadas; e metade da cidade sairá
para o cativeiro, mas o resto do povo não será expulso da cidade. E o SENHOR sairá e pelejará contra estas
nações, como pelejou no dia da batalha” (Zacarias 14.1-2).
Quarto estágio – o anticristo se volta contra os remanescentes de Israel. O profeta Miquéias previu este dia
e disse: “Certamente te ajuntarei todo inteiro, ó Jacó; certamente congregarei o restante de Israel; pô-los-ei todos
juntos, como ovelhas de Bozra; como rebanho no meio do seu curral, farão estrondo por causa da multidão dos
homens” (Miquéias 2.12).
Quinto estágio – a conversão de Israel. Zacarias anteviu este dia: “E sobre a casa de Davi e sobre os habitantes
de Jerusalém derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para mim, a quem traspassaram; e o
prantearão como quem pranteia por um unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente
pelo primogênito. Naquele dia, será grande o pranto em Jerusalém, como o pranto de Hadade-Rimom no vale de
Megido” (Zacarias 12.10-11).
Sexto estágio – a volta de Jesus Cristo: “Vi o céu aberto, e eis um cavalo branco. O que estava assentado
sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro e julga e peleja com justiça. E os seus olhos eram como chama de fogo;
e sobre a sua cabeça havia muitos diademas; e tinha um nome escrito que ninguém sabia, senão ele mesmo. E
estava vestido de uma veste salpicada de sangue, e o nome pelo qual se chama é a Palavra de Deus. E seguiamno
os exércitos que há no céu em cavalos brancos e vestidos de linho fino, branco e puro. E da sua boca saía uma
aguda espada, para ferir com ela as nações; e ele as regerá com vara de ferro e ele mesmo é o que pisa o lagar do
vinho do furor e da ira do Deus Todo-poderoso. E na veste e na sua coxa tem escrito este nome: REI DOS REIS
E SENHOR DOS SENHORES” (Apocalipse 19.11-16).
Sétimo estágio – a batalha final, com a vitória de Jesus Cristo: “Ajuntai-vos, e vinde, todos os povos em
redor, e congregai-vos (ó SENHOR, faze descer ali os teus fortes!); movam-se as nações e subam ao vale de
Josafá; porque ali me assentarei, para julgar todas as nações em redor” (Joel 3.11-12).
CURSO DE TEOLOGIA 107
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m o h i i o * I escato lo g ia
Oitavo estágio – a declaração do triunfo final no monte das Oliveiras: “E o SENHOR sairá e pelejará contra
estas nações, como pelejou no dia da batalha. E, naquele dia, estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que
está defronte de Jerusalém para o oriente; e o monte das Oliveiras será fendido pelo meio, para o oriente e para
o ocidente, e haverá um vale muito grande; e metade do monte se apartará para o norte, e a outra metade dele,
para o sul” (Zacarias 14.3-4); “E o sétimo anjo derramou a sua taça no ar, e saiu grande voz do templo do céu,
do trono, dizendo: Está feito! E houve vozes, e trovões, e relâmpagos, e um grande terremoto, como nunca tinha
havido desde que há homens sobre a terra; tal foi este tão grande terremoto. E a grande cidade fendeu-se em três
partes, e as cidades das nações caíram; e da grande Babilônia se lembrou Deus para lhe dar o cálice do vinho da
indignação da sua ira. E toda ilha fugiu; e os montes não se acharam. E sobre os homens caiu do céu uma grande
saraiva, pedras do peso de um talento; e os homens blasfemaram de Deus por causa da praga da saraiva, porque
a sua praga era mui grande” (Apocalipse 16.17-21).
Com o fim da batalha de Armagedom estará concluída a última semana da profecia de Daniel, ou seja, o período
de sete anos da Tribulação. O anticristo e o falso profeta serão lançados no lago de fogo nessa oportunidade.
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 8
1. Quais são os métodos de interpretação do Apocalipse?
2. Explique cada selo do Apocalipse.
3. Explique cada trombeta do Apocalipse.
4. Explique cada taça do Apocalipse.
5. Descreva com suas palavras a batalha de Armagedom.
6. Cite os oito estágios da batalha de Armagedom.
“O•’Vi-t.
9 MILÊNIO
Depois da tribulação as Escrituras falam do reino milenar, entretanto não se encontra nas Escrituras a palavra
milênio. O milênio é uma doutrina bíblica e um conceito teológico derivado de várias passagens, tais como
Salmos 2.6-9; Isaías 2.2-4; 11.6-9; 65.18-23; Jeremias 31.12-14; Ezequiel 34.25-29; 37.1-13; Daniel 2.35; Joel
2.21-27; Amós 9.13-15; Miquéias 4.1-7; Sofonias 3.9-20; e Apocalipse 20.
Assim como outros termos teológicos, a palavra milênio vem do latim mille, que significa “mil” (a palavra
grega para milênio vem de chilias, que significa “um mil”), e annus, que significa “ano”. Assim, milênio significa
simplesmente “mil anos”. Nesse período, Satanás ficará preso, como falou o apóstolo João: “Ele prendeu o
dragão, a antiga serpente, que é o diabo e Satanás, e amarrou-o por mil anos” (Apocalipse 20.2).
O milênio será um reino terreno em que Cristo reinará em Jerusalém e ao mesmo tempo o cumprimento
das promessas feitas a Abraão (Gênesis 12.7).
9.1 OS PRINCIPAIS EVENTOS DO MILÊNIO
O milênio será um tempo de restauração de todas as coisas, portanto é natural que vários eventos
contribuam para que isso aconteça. São eles:
a) A prisão de Satanás: “E vi descer do céu um anjo que tinha a chave do abismo e uma grande cadeia na
sua mão. Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o diabo e Satanás, e amarrou-o por mil anos. E
lançou-o no abismo, e ali o encerrou, e pôs selo sobre ele, para que mais não engane as nações, até que os
mil anos se acabem. E depois importa que seja solto por um pouco de tempo” (Apocalipse 20.1-3).
b) O reino de Cristo estabelecido na Terra: “E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o
livro e de abrir os seus selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda
tribo, e língua, e povo, e nação; e para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a
terra” (Apocalipse 5.9-10).
c) Período de paz em toda Terra: “Ele anunciará paz às nações; e o seu domínio se estenderá de um mar a
outro mar e desde o rio até às extremidades da terra” (Zacarias 9.10).
d) Restauração final de Israel: “Eis que dias vêm, diz o SENHOR, em que farei um concerto novo com a
casa de Israel e com a casa de Judá. Não conforme o concerto que fiz com seus pais, no dia em que os
tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito, porquanto eles invalidaram o meu concerto, apesar de eu
os haver desposado, diz o SENHOR. Mas este é o concerto que farei com a casa de Israel depois daqueles
dias, diz o SENHOR: porei a minha lei no seu interior e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus,
e eles serão o meu povo. E não ensinará alguém mais a seu próximo, nem alguém, a seu irmão, dizendo:
Conhecei ao SENHOR; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até ao maior, diz o SENHOR;
porque perdoarei a sua maldade e nunca mais me lembrarei dos seus pecados” (Jeremias 31.31-34).
e) Posse da terra por parte de Israel: “E sabereis que eu sou o SENHOR, quando eu vos fizer voltar à
terra de Israel, à terra para a qual levantei a mão, para a dar a vossos pais. E ali vos lembrareis de vossos
caminhos e de todos os vossos atos com que vos contaminastes e tereis nojo de vós mesmos, por todas
CURSO DE TEOLOGIA 109 “ ^
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MÓDULO4 1 ESCATOLOGIA
as vossas maldades que tendes cometido. E sabereis que eu sou o SENHOR, quando eu proceder para
convosco por amor do meu nome, não conforme os vossos maus caminhos, nem conforme os vossos atos
corruptos, ó casa de Israel, disse o Senhor JEOVÁ” (Ezequiel 20.42-44).
f) Restabelecimento do trono davídico: “Porque assim diz o SENHOR: Nunca faltará a Davi varão que
se assente sobre o trono da casa de Israel, nem aos sacerdotes levíticos faltará varão diante de mim, para
que ofereça holocausto, e queime oferta de manjares, e faça sacrifício todos os dias. E veio a palavra do
SENHOR a Jeremias, dizendo: Assim diz o SENHOR: Se puderdes invalidar o meu concerto do dia, e o
meu concerto da noite, de tal modo que não haja dia e noite a seu tempo, também se poderá invalidar o meu
concerto com Davi, meu servo, para que não tenha filho que reine no seu trono, como também com os levitas
sacerdotes, meus ministros. Como não se pode contar o exército dos céus, nem medir-se a areia do mar, assim
multiplicarei a descendência de Davi, meu servo, e os levitas que ministram diante de mim. E veio ainda a
palavra do SENHOR a Jeremias, dizendo: Não tens visto o que este povo fala, dizendo: As duas gerações que
o SENHOR elegeu, agora as rejeitou? E desprezam o meu povo, como se não fora já um povo diante deles.
Assim diz o SENHOR: Se o meu concerto do dia e da noite não permanecer, e eu não puser as ordenanças
dos céus e da terra, também rejeitarei a descendência de Jacó e de Davi, meu servo, de modo que não tome
da sua semente quem domine sobre a semente de Abraão, Isaque e Jacó; porque removerei o seu cativeiro e
apiedar-me-ei deles” (Jeremias 33.17-26; 2 Samuel 7.11-16; 1 Crônicas 17.10-14).
g) Plenitude da alegria será a marca característica da era milenar: “E vós, com alegria, tirareis águas
das fontes da salvação. E direis, naquele dia: Dai graças ao SENHOR, invocai o seu nome, tomai
manifestos os seus feitos entre os povos e contai quão excelso é o seu nome. Cantai ao SENHOR,
porque fez coisas grandiosas; saiba-se isso em toda a terra. Exulta e canta de gozo, ó habitante de Sião,
porque grande é o Santo de Israel no meio de ti” (Isaías 12.3-6; 25.8-9; 30.29; 52.9; 60.15; 61.7, 10;
Zacarias 8.18-19; 10.6-7).
h) Não haverá doenças: “Mas o SENHOR ali nos será grandioso… E morador nenhum dirá: Enfermo estou;
porque o povo que habitar nela será absolvido da sua iniqüidade” (Isaías 33.21, 24); “Dizei aos turbados
de coração: Esforçai-vos e não temais; eis que o vosso Deus virá com vingança, com recompensa de Deus;
ele virá, e vos salvará. Então, os olhos dos cegos serão abertos, e os ouvidos dos surdos se abrirão. Então,
os coxos saltarão como cervos, e a língua dos mudos cantará, porque águas arrebentarão no deserto, e
ribeiros, no ermo” (Isaías 35.4-6).
i) A terra encherá do conhecimento do Senhor: “Não se fará mal nem dano algum em todo o monte da
minha santidade, porque a terra se encherá do conhecimento do SENHOR, como as águas cobrem o mar”
(Isaías 11.9).
j) Haverá longevidade de vida: “Não haverá mais nela criança de poucos dias, nem velho que não cumpra
os seus dias; porque o jovem morrerá de cem anos, mas o pecador de cem anos será amaldiçoado” (Isaías
65.20).
No fim do milênio haverá uma rebelião liderada por Satanás contra Cristo e seu reino, como predito pelo
profeta: “E, acabando-se os mil anos, Satanás será solto da sua prisão e sairá a enganar as nações que estão sobre
os quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, cujo número é como a areia do mar, para as ajuntar em batalha. E
subiram sobre a largura da terra e cercaram o arraial dos santos e a cidade amada; mas desceu fogo do céu e os
devorou. E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta;
e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre” (Apocalipse 20.7-10).
Depois do julgamento de Satanás vem o julgamento dos mortos incrédulos, conhecido como julgamento
do Grande Trono Branco, como está escrito: “E vi um grande trono branco e o que estava assentado sobre
ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu, e não se achou lugar para eles. E vi os mortos, grandes e pequenos,
que estavam diante do trono, e abriram-se os livros. E abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram
julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. E deu o mar os mortos que nele
havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras. E
a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte. E aquele que não foi achado escrito
no livro da vida foi lançado no lago de fogo” (Apocalipse 20.11-15).
Esses são os eventos finais do milênio e terminam com a destruição dos céus e Terra atuais de acordo com as
Escrituras (Mateus 24.35; Marcos 13.31; Lucas 16.17; 21.33; 2 Pedro 3.10; Apocalipse 21.1).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 9
1. Qual é a procedência da palavra milênio?
2. Cite alguns textos bíblicos que se referem ao reino milenar.
3. Descreva alguns eventos que ocorrerão no milênio.
CURSO DE TEOLOGIA 111
a /-j TEORIAS ACERCA
‘ u DO MILÊNIO
Várias passagens do Antigo Testamento falam sobre um tempo futuro de verdadeira paz e prosperidade para
os seguidores justos de Deus, sob o reinado benevolente e físico de Jesus Cristo na Terra. O profeta Zacarias
fala sobre esse período dizendo: “O SENHOR será Rei sobre toda a terra; naquele dia, um só será o SENHOR,
e um só será o seu nome” (Zacarias 14.9). E continua nos versículos 16-21 descrevendo algumas, das condições
reinantes no milênio. Apesar de toda a Bíblia falar descritivamente sobre o milênio, apenas no último livro –
Apocalipse – sua duração foi revelada.
Os intérpretes do Apocalipse estão também divididos na forma como abordam o milênio (Apocalipse
20). A maneira como se encara o milênio afeta a interpretação do Apocalipse como um todo. Faz-se necessário
levantarmos aqui alguns pontos.
a) Amilenismo – ensina que não haverá nenhum milênio terrestre com tal significação. Alguns simplesmente
dizem que, como o Apocalipse é simbólico, não há sentido algum em se falar em milênio literal. Portanto,
não haverá milênio, nem reino terrestre e nenhuma era áurea de restauração e transformação.
b) Pós-milenismo – outra corrente começou a espalhar-se a partir do século XVIII. Seus adeptos interpretam
o milênio como uma extensão do período atual da Igreja. Ensinam que o poder do evangelho ganhará o
mundo todo para Cristo, e a Igreja assumirá o controle dos reinos seculares.
c) Pré-milenismo – interpreta as profecias do Antigo e do Novo Testamento de maneira literal, observando,
porém, se o contexto assim o permite. Entendem que o retomo de Cristo, a ressurreição dos salvos e o
Tribunal de Cristo serão antes do milênio. No final deste, Satanás será temporariamente solto para enganar
as nações, sendo derrotado para todo o sempre. Por fim virá o Grande Trono Branco, que proferirá a
sentença final de todos os habitantes do planeta Terra, inaugurando o reino etemo no novo céu e na nova
terra.
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 10
1. O que diz a teoria amilenista?
2. O que diz a teoria pós-milenista?
3. O que diz a teoria pré-milenista?
•í MÓDULO k | ESCATOLOGIA
/
1 . 0 JUIZO FINAL E O
1 ESTADO ETERNO
No fim do milênio Satanás será solto e enganará milhares de pessoas em toda Terra, como está escrito: “ …e
sairá a enganar as nações que estão sobre os quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, cujo número é como a
areia do mar, para as ajuntar em batalha” (Apocalipse 20.8), mas não subsistirão porque “desceu fogo do céu
e os devorou” (Apocalipse 20.9). Depois desse evento segue o julgamento do Grande Trono Branco, em que a
santidade e justiça de Deus exigem que todo pecado seja punido e todos os justos sejam defendidos.
Este será o último julgamento da história humana e divina, no qual, além dos anjos maus, comparecerão todos
os mortos e vivos, de todas as épocas, de todas as raças, de todas as idades para receberem segundo as suas obras:
“E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante do trono, e abriram-se os livros. E abriu-se outro livro,
que é o da vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras”
(Apocalipse 20.12). Diante deste trono “todos os olhos fixar-se-ão diretamente no trono, vasto e intenso e de um
branco resplandecente. Vestido de pureza do reino de luz, ele ocupará inteiramente todo o campo de nossa visão”.8
Apesar de Deus Pai ser o juiz de todos (Hebreus 12.23), tal atividade judicial será exercida pelo Filho, porque
“o Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o juízo… E deu-lhe o poder de exercer o juízo, porque é o Filho
do Homem” (João 5.22, 27). Naquele dia haverá apenas a revelação do justo julgamento, porque os pecados de
alguns são manifestos precedendo o juízo e em alguns se manifestam depois. “Lá não valem os subterfúgios; lá
a ação se mostra tal e qual é e nós mesmos nos vemos obrigados a reconhecer sem rebuços nossas culpas, cara a
cara com elas… a vossa piedade toda não pode seduzi-la [a justiça] para cancelar ainda que seja metade de uma
linha, nem as vossas lágrimas lavar uma das suas palavras” .9 Duas são as conseqüências finais desse julgamento:
a dos justos e a dos ímpios.
O estado final dos justos é descrito como:
Vida eterna: “E irão estes para o tormento eterno, mas os justos, para a vida eterna” (Mateus 25.46).
Glória: “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui
excelente” (2 Coríntios 4.17).
Descanso: “Portanto, resta ainda um repouso para o povo de Deus” (Hebreus 4.9).
Santidade: “E não entrará nela coisa alguma que contamine e cometa abominação e mentira, mas só os que
estão inscritos no livro da vida do Cordeiro” (Apocalipse 21.27).
Adoração: “E saiu uma voz do trono, que dizia: Louvai o nosso Deus, vós, todos os seus servos, e vós que o
temeis, tanto pequenos como grandes” (Apocalipse 19.5).
Comunhão com Deus: “E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabemáculo de Deus com os
* S IL V A , S e v e r in o P e d r o d a . A r m a g e d o m : a b a t a lh o f in a l. R io d e J a n e ir o : C P A D , 2 0 0 4 , p. 2 2 6 .
9 S T R O N G , A u g u s t u s H o p k in s . T e o lo g ia s i s t e m á t ic a . S ã o P a u lo : H a g n o s , 2 0 0 3 , p . 8 3 4 , v o l. 2 .
11.1 DOS JUSTOS
CURSO DETEOL 113
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homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles e será o seu Deus”
(Apocalipse 21.3).
11.2 DOS ÍMPIOS
O estado final dos ímpios é descrito pelas seguintes figuras nas Escrituras:
Fogo eterno: “Então, dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o
fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” (Mateus 25.42).
Trevas exteriores: “E os filhos do Reino serão lançados nas trevas exteriores; ali, haverá pranto e ranger de
dentes” (Mateus 8.12).
Tormento: “ …também o tal beberá do vinho da ira de Deus, que se deitou, não misturado, no cálice da sua
ira, e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro. E a fumaça do seu
tormento sobe para todo o sempre; e não têm repouso, nem de dia nem de noite, os que adoram a besta e a sua
imagem e aquele que receber o sinal do seu nome” (Apocalipse 14.10-11).
Castigo eterno: “E irão estes para o tormento eterno, mas os justos, para a vida eterna” (Mateus 25.46).
Ira de Deus: “Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da
manifestação do juízo de Deus” (Romanos 2.5).
Perdição eterna: “Os quais, por castigo, padecerão eterna perdição, ante a face do Senhor e a glória do seu
poder” (2 Tessalonicenses 1.9).
Segunda morte: “Mas, quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos
fomicadores, e aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo
e enxofre, o que é a segunda morte” (Apocalipse 21.8).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 11
1. Quando ocorrerá o Juízo Final?
2. Quem será julgado neste evento?
3. Quais as conseqüências para os justos e quais para os ímpios?
■ 114 CURSO DE TEOLOGIA
MÓDULO k | ESCATOLOGIA

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das palavras do Antigo e do Novo Testamento. 5. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.
faculdade teológica betesda
Moldando vocacionados
AVALIAÇÃO – MÓDULO IV
ESCATOLOGIA
1) Quais as conseqüências do pecado, em relação à escatologia?
2) Explique como e quando se dá a morte eterna.
3) Diferencie o estado intermediário do justo e do ímpio.
4) Existe diferença entre arrebatamento e volta de Cristo? Justifique.
5) Qual é a diferença entre a escola pré-tribulacionista e a pós-tribulacionista?
6) Explique o sentido de “coroas” como recompensa dos fiéis.
7) Quando foi dada a ordem para a reconstrução da cidade de Jerusalém e qual foi o monarca que
autorizou?
8) Quanto tempo durará a tribulação e como pode ser dividida?
9) Diferencie a escola preterista da escola futurista quanto à interpretação do Apocalipse.
10) E correto o ensino da escola amilenista? Justifique com textos bíblicos.
CARO(a) ALUNO(a): ^ ~ ~
• Envie-nos as suas respostas referentes a cada QUESTÃO acima. Dê preferência por digitá-las em
folha de papel sulfite/ sendo objetivo(a) e daro(a).
CAIXA POSTAL 12025 • CEP 02013-970 * SÃO PAULO/SP
• Dê preferência, envie-nos as 5 avaliações juntas.

SUAAÁRIO
IN TRODUÇÃO …………………………………………………………………………………………………………………………………………….123
1. SEITAS E H E R E S IA S …………………………………………………………………………………………………………………………….124
1.1 CARACTERÍSTICAS DE UMA SEITA ………………………………………………………………………………………. 125
1.2 PLURALIDADE RELIGIOSA ……………………………………………………………………………………………………… 125
2. TESTEM UNHAS DE J E O V Á ……………………………………………………………………………………………………………….. 127
2.1 DOUTRINAS……………………………………………………………………………………………………………………………………. 129
2.2 CORPO GOVERNANTE ………………………………………………………………………………………………………………. 130
2.3 TRINDADE……………………………………………………………………………………………………………………………………….. 131
2.3.1 A Trindade no Antigo Testamento …………………………………………………………………………………………….132
2.3.2 A Trindade no Novo Testam ento……………………………………………………………………………………………….133
2.4 JESUS……………………………………………………………………………………………………………………………………………….. 134
2.5 O ESPÍRITO SANTO ……………………………………………………………………………………………………………………..135
2.6 RESSURREIÇÃO DE CRISTO ……………………………………………………………………………………………………..137
2.7 SALVAÇÃO……………………………………………………………………………………………………………………………………….138
2.8 A SEGUNDA VINDA DE C R ISTO …………………………………………………………………………………………………. 139
2.9 OS144M IL…………………………………………………………………………………………………………………………………………140
3. M O RM O N ISM O ……………………………………………………………………………………………………………………………………..142
3.1 LIVROS OFICIAIS DO M ORM ONISM O……………………………………………………………………………………… 142
3.1.1 O Livro de M órm on………………………………………………………………………………………………………………… 143
3.1.2 Doutrina e C onvênios……………………………………………………………………………………………………………… 144
3.1.3 Pérola de Grande Valor……………………………………………………………………………………………………………. 144
3.2 ABÍBLIA…………………………………………………………………………………………………………………………………………… 144
3.3 DEUS………………………………………………………………………………………………………………………………………………….145
3.4 JESUS……………………………………………………………………………………………………………………………………………….. 146
3.5 ESPÍRITO SANTO …………………………………………………………………………………………………………………………. 147
3.6 TRINDADE………………………………………………………………………………………………………………………………………. 148
3.7 DEUS PAI UMA VEZ JÁ FOI UM H O M E M …………………………………………………………………………………..149
3.8 O PECADO ………………………………………………………………………………………………………………………………………150
3.9 SALVAÇÃO………………………………………………………………………………………………………………………………………. 151
REFER ÊN CIA S ……………………………………………………………………………………………………………………………………………153
INTRODUÇÃO
Você já foi enganado alguma vez? Pode ser que isso tenha acontecido à porta de sua casa, quando algum desses
vendedores treinados para persuadir, usando de artimanhas, o fez comprar algo sem utilidade. O sentimento
que fica é de revolta, de tristeza etc. Outras pessoas já foram enganadas na área sentimental, outras na questão
financeira, mas a que causa um mal irreparável, verdadeiramente, é na área espiritual. Quantos enganadores estão
em nosso meio, parecendo ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores, como disse Jesus.
Vivemos numa época em que muitas seitas se propagam em velocidade inacreditável. Os representantes das
seitas sabem muito bem como podem vender suas heresias a pessoas de boa-fé por meio de palavras convincentes.
Todas as seitas apelam para a Palavra de Deus e usam o nome de Jesus Cristo. Em um primeiro momento, as
palavras de seus líderes parecem convincentes e verdadeiras. Mas cuidado, é engano! A Bíblia nos adverte
seriamente a respeito: “Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de
Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora” (1 João 4.1).
Neste volume estaremos fornecendo algumas ferramentas para que se possa conhecer uma seita. A característica
de uma seita pode variar com relação a outra, mas elas possuem doutrinas comuns, o que facilita sua identificação.
Primeiramente, para conhecer uma seita é essencial que se conheça muito bem a Palavra de Deus, suas doutrinas
centrais, como a bibliologia, cristologia, pneumatologia etc., para depois se enredar no caminho das heresias.
Neste módulo tratamos das Testemunhas de Jeová e dos Mórmons, porque algumas de suas heresias são comuns
a outras seitas. Portanto, tendo-as como referencial, as demais serão facilmente identificadas.
Nosso desejo é que esse material sirva de apoio àqueles que têm o ardor missionário nos corações e não
medem esforços para levar a Palavra de Deus aos sectários.
1 SEITAS E HERESIAS
Os diversos ramos do conhecimento buscaram dar uma definição padrão de como se caracteriza uma seita,
porém não chegaram a um consenso. Para a psicologia, seita seria um grupo que altera o comportamento de uma
pessoa e sua perspectiva psicológica de vida. Na sociologia, o termo é usado para definir um grupo que não se
ajusta às normas de determinada sociedade. Em partes conseguiram alcançar seus objetivos, porém falharam em
tratar o que é essencial a todas as seitas: sua teologia. Neste volume, empregaremos a definição teológica, visto
que todas as seitas têm como característica essencial a busca pelo espiritual.
A palavra “seita”, em sua origem, não tinha o sentido desagradável que adquiriu com o passar dos tempos,
tanto é que o cristianismo foi chamado de seita: “Porém confesso-te que, segundo o Caminho, a que chamam
seita, assim eu sirvo ao Deus de nossos pais, acreditando em todas as coisas que estejam de acordo com a lei e nos
escritos dos profetas” (Atos 24.14, grifo nosso). Em seu sentido etimológico, as palavras seita e heresia procedem
da palavra grega “háiresis”, que tem como significado “escolha, partido tomado, corrente de pensamento, divisão,
escola etc”.1 A palavra “heresia” é adaptação de “háiresis”; “quando passada para o latim, ‘háiresis1 tomou-se
‘secta’, donde surgiu o termo seita”.2
Diferentemente do que significava no original, devido às várias características que o termo foi agregando,
podemos dizer que seita seria um grupo de pessoas cujos ensinos repousam sobre a autoridade isolada de um
líder espiritual, cujas palavras e escritos são vistos como de valor igual ou superior à Bíblia e sempre negam
as doutrinas centrais do cristianismo histórico. O líder é visto como “o profeta”. Uma vez que esse profeta é
visto como canal de comunicação entre Deus e os homens, seus ensinos são de autoridade inquestionável. São
dogmas! A questão fundamental quando tratamos com os sectários é descobrir quem é o seu porta-voz. Enquanto
os filhos de Deus têm a Bíblia como seu padrão exclusivo de fé e conduta, por meio da qual se decidem todas as
questões religiosas, o sectário olha para os escritos do seu profeta.
Há outras definições sobre o que é seita:
1. Um grupo de indivíduos reunidos em tomo de uma interpretação errônea da Bíblia, feita por uma ou mais
pessoas – Dr. Walter Martin.3
2. E uma perversão, uma distorção do cristianismo bíblico e/ou a rejeição dos ensinos históricos da Igreja
cristã – Josh McDoweell e Don Stewart.4
3. Qualquer religião tida por heterodoxa ou mesmo espúria – J. K. Van Baalen.5
4. Seitas hoje são grupos isolados que expõem ensinos errados, e heresias esses ensinos contrários às
Escrituras Sagradas.6
1 F R A G I O T T I , R o q u e . H is t ó r ia s d a s h e r e s i a s ( s é c u lo s l- V II). S ã o P a u lo : P a u lu s , 1 9 9 5 , p . 6 .
2 F A L C Ã O , M á r c io . C o m o c o n h e c e r u m a s e it a . S ã o P a u lo : O A r a d o , 2 0 0 6 , p . 6 .
3 M A R T I N , W a lt e r . O im p é r io d a s s e it a s . 2 . e d . B e lo H o r iz o n t e : B e t ã n ia , 1 9 9 2 , p . 1 1 , v o l. 1.
4 M C D O W E E L , J o s h ; S T E W A R T , D o n . E n t e n d e n d o a s s e it a s , u m m a n u a l d a s r e lig iõ e s d e h o je . S ã o P a u lo : C a n d e i a , 1 9 9 2 , p . 9 .
5 V A N B A A L E N , J . K . O c a o s d a s s e it a s : u m e s t u d o s o b r e o s “ i s m o s ” m o d e r n o s . S ã o P a u lo : I m p r e n s a B a t is t a R e g u la r , 1 9 8 6 , p . 2 8 2 .
6 S IL V A , E s e q u ia s S o a r e s d a . C o m o r e s p o n d e r à s T e s t e m u n h a s d e J e o v á . S ã o P a u lo : C a n d e ia , 1 9 9 5 , p. 2 9 , v o l. 1
5. Grupo religioso que se separa de uma religião estabelecida, devido ao carismatismo e pregação de um exlíder
local, que geralmente alega ter revelações advindas diretamente do céu.7
1.1 CARACTERÍSTICAS DE UMA SEITA
Não é difícil para um cristão sincero identificar uma seita. Existem várias características doutrinárias que,
de pronto, com um conhecimento mediano da Bíblia, podem ser refutadas. Tipicamente, as seitas dão ênfase a
novas revelações “recebidas de Deus”, negam a autoridade única da Bíblia, negam a Trindade santa, possuem
uma visão desvirtuada de Deus e de Jesus Cristo, ou ainda rejeitam a salvação pela graça.
Outro fator determinante para a identificação de uma seita, além das características doutrinárias, são seus
indícios sociológicos, que incluem o autoritarismo, o dogmatismo, as mentes fechadas, as susceptibilidades, o
isolamento e até mesmo o antagonismo. Além desses fatores doutrinários e sociológicos, existem ainda outros
de ordem moral a serem considerados. E comum às seitas o legalismo (conjunto de regras obrigatórias para seus
devotos), a perversão sexual, a intolerância, etc., entretanto é salutar dizer que para identificar uma seita não é
preciso que ela apresente todas essas características, porém elas se amalgamam em suas mais diversas formas.
1.2 PLURALIDADE RELIGIOSA
Para facilitar o estudo, as seitas podem ser subdivididas em pequenos grupos com características comuns, ou
ainda pelo critério de sua origem. Dessa forma, poderíamos classificá-las em:
a) Proféticas – originaram-se de líderes que se denominaram profetas;
b) Secretas – originaram-se de alguma revelação à qual somente os iniciados teriam acesso;
c) E spíritas – surgiram da busca da comunicação com o mundo sobrenatural; afro-brasileiras se originaram
das práticas mágicas africanas, trazidas ao Brasil pelos escravos;
d) O rientais – fundamentaram-se em princípios da religiosidade e filosofia japonesa, hindu e iraniana;
e) Unicistas – não aceitam a pluralidade de pessoas na unidade Divina; qualquer referência à idéia de
Trindade é interpretada como várias manifestações de Deus ou de Jesus.
Alguns estudiosos concluíram que existem cerca de 700 seitas, enquanto outros afirmam que já ultrapassaram
a faixa de 4000, porém, para o nosso estudo, devido à influência delas em nosso país, catalogaremos as mais
importantes. De acordo com essa subdivisão podemos agrupar as seitas em:
1) Proféticas: Mormonismo, Testemunhas de Jeová, Adventistas do Sétimo Dia, Ciência Cristã, A Família
(Meninos de Deus), etc.
2) Espíritas: Kardecismo, Legião da Boa Vontade, Racionalismo Cristão, etc.
3) A fro-brasileiras: Umbanda, Quimbanda, Candomblé, Cultura Racional, etc.
4) O rientais: Seicho-no-ie, Messiânica Mundial, Arte Mahikari, Hare-Krishna, Meditação Transcendental,
Unificação (Moonismo), Perfeita Liberdade, etc.
7 M A T H E R , G e o r g e A . ; N I C H O L S , L a r r y A . D ic io n á r io d e r e lig iõ e s , c r e n ç a s e o c u lt is m o . S ã o P a u lo : V i d a , 2 0 0 0 , p . 4 0 8 .
5) Unicistas: Igreja Local (de Witness Lee), Igreja Evangélica Voz da Verdade (Pr. Carlos Alberto Moysés),
Só Jesus, Tabemáculo da Fé (Willian Marrion Branham), Adeptos do Nome Yehoshua e suas Variantes
(Josué B. Paulino), Cristadelfianos, entre outros.
6) Secretas: Maçonaria, Teosofia, Rosa-crucianismo, Esoterismo, etc.
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 1
1. Como a psicologia define seita?
2. Qual é o sentido bíblico de seitas?
3. Qual é o sentido atual de seitas e heresias?
4. Cite como alguns autores definiram seitas.
5. Por meio de quais características podemos conhecer uma seita?
6. Como podemos classificar as seitas?
TESTEMUNHAS
DE JEOVÁ
A vida e a existência das Testemunhas de Jeová podem ser determinadas pelo período em que o grupo foi
governado pelos cinco presidentes. Cada etapa da administração foi marcada por profecias e literaturas que nos
facilitam o estudo sistemático desse grupo.
1. Charles Taze Russell (1852-1916)
Nasceu em Allegheny (hoje parte de Pittsburgh), em 16 de fevereiro de 1852. Filho de pais presbiterianos,
tinha nove anos de idade quando sua mãe morreu. Em sua adolescência, inconformado com a doutrina do inferno
e da predestinação que ouvia, juntou-se à igreja congregacional por causa de seus conceitos mais liberais.
Aos dezoito anos, reuniu alguns vizinhos para juntos estudarem as Escrituras, pois, segundo ele, todas as
igrejas haviam se apostatado. O grupo recebeu o nome de “estudantes da Bíblia”, que perdurou até depois de sua
morte. Russel dizia a seus discípulos que ele estava “restaurando o verdadeiro cristianismo primitivo”, que havia
se corrompido por vários séculos, conforme está declarado no livro O homem em busca de Deus, no capítulo 15,
intitulado “Retomo ao Deus verdadeiro”, no subtópico “Um jovem em busca de Deus”. 8
Russel ensinava que Jesus havia voltado em 1874 e, quarenta anos depois, ou seja, em 1914, tudo seria
destruído, os judeus repatriados e o milênio seria implantado na Terra.9 Escreveu uma série de livros conhecidos
como “Aurora do Milênio”, sendo posteriormente chamados de Estudos das Escrituras. O ano de 1914 chegou e
nada do que foi profetizado ocorreu. Russel escreveu vários artigos se justificando, entretanto houve um grande
desapontamento por parte dos “estudantes da Bíblia”, que se desligaram do grupo. Dois anos após a profecia da
volta de Cristo, Russel veio a falecer.
2. Joseph Franklin Rutherford (1869-1942)
Nasceu numa fazenda no Condado de Morgan, Missouri, EUA, filho de pais batistas. Em 1894 teve seu
primeiro contato com os escritos de Charles Taze Russell, vindo a filiar-se aos Estudantes da Bíblia somente em
1906. Assumiu a liderança do grupo após a morte de Russel. Foi eleito como segundo presidente em 06/01/1917.
Sob sua liderança o grupo adotou o nome de “Testemunhas de Jeová”, em 1931, baseado no texto do profeta
Isaías, que diz: “Vós sois as minhas testemunhas, diz o SENHOR, e o meu servo, a quem escolhi; para que o
saibas, e me creiais, e entendais que eu sou o mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de
mim nenhum haverá” (Isaías 43.10).
Rutherford deu grande impulso ao crescimento das Testemunhas de Jeová por meio de distribuição de livros
e revistas. Foi em suas gestão que foi lançada a revista The Golden Age (a idade de ouro), em 1919, atualmente
conhecida como Despertai!. Publicou vários livros: Milhões que agora vivem jam ais morrerão (1920), Criação
(1927), Jeová (1934), Riquezas (1936), Inimigos (1937), Religião (1940), Filhos (1941) e outros, além de
centenas de livretos. Várias reinterpretações da doutrina e das Escrituras marcaram a sua administração.10
Contrariando seu antecessor, Rutherford remarcou a data do juízo para o ano de 1918, o que também
não ocorreu. Alterou essa data para 1925, conforme se pode verificar no livro Milhões que agora vivem jamais
* E m o u t ra d e s u a s lit e r a t u r a s p o d e m o s a f e r ir e s s e e n t e n d im e n t o : “ S u a s c r e n ç a s e s e u s m é t o d o s n ã o s ã o n o v o s , s ã o a n t e s u m a r e s t a u r a ç ã o d o
c r is t ia n is m o p r im it iv o ” ( R a c i o c ín io s à b a s e d a s E s c r it u r a s , p . 3 8 8 ) .
9 A n u á r i o d a s T e s t e m u n h a s d e J e o v á d e 1 9 7 6 , p . 3 7 .
10 S O A R E S , E z e q u i a s . H e r e s i a s e m o d is m o s : u m a a n á l i s e d a s s u t ile z a s d e S a t a n á s . R io d e J a n e ir o : C P A D , 2 0 0 6 , p . 1 5 0 .
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MÓDULO 4 I HERESIOLOGIAÍ
morrerão (1923, em português), no qual ele afirmava que os patriarcas Abraão, Isaque e Jacó e muitos outros fiéis
do Antigo Testamento ressuscitariam nesse ano profetizado por ele, conforme está escrito:
Portanto, podemos seguramente esperar que em 1925 marcará a volta às condições de perfeição
humana, de Abrahão, Isaac, Jacob e os antigos prophetas fieis, especialmente esses mencionados
pelo Apostolo no capitulo onze de Hebreus. Baseado nos argumentos até aqui apresentados, isto é,
que a ordem velha das cousas, o velho mundo está se findando e desaparecendo, e que a nova ordem
ou organização está se iniciando, e que 1925 será a data marcada para a ressurreição dos anciões
dignos e fieis, e o principio da reconstrucção, chega-se à conclusão razoável de que milhões dos
que vivem agora na terra, ainda estarão vivos no anno de 1925 (Milhões que agora vivem, 1923, p.
112 e 122).
Para recepcionar os patriarcas ele comprou uma enorme mansão em San Diego, Califórnia, chamada de “Bete
Sarim” (que significa “Casa dos Príncipes”).11 Foi ele quem dividiu as Testemunhas de Jeová em duas classes: os
144 mil que reinariam com Cristo e a “grande multidão” que habitaria para sempre no paraíso na Terra. Morreu com
72 anos de idade, na mansão que havia comprado para receber os patriarcas, que não ressuscitaram em 1925.
3. Nathan Homer Knorr (1905-1977)
Nathan Homer Knorr nasceu em Bethlehem, Pensilvânia, EUA, em 23 de abril de 1905. Aos 16 anos afiliouse
na Congregação Allentown dos Estudantes Internacionais da Bíblia (nome que as Testemunhas de Jeová
tinham antes de 1931). Em 1922 assistiu ao congresso em Cedar Point, Ohio, onde decidiu abandonar a Igreja
Holandesa Reformada. No ano seguinte, em 4 de julho de 1923, foi batizado.
Após a morte de Rutherford em 1942, Knorr (como era mais conhecido) foi eleito como presidente em
13/01/1942. Assim como seu antecessor, demonstrou a sua habilidade administrativa. Sob a sua liderança houve
um grande crescimento em número de membros, construções e publicações, “passando de 115.000 para mais de
2 milhões de membros em 207 países”.12
Como seus antecessores, ele também alterou o dia da volta de Cristo, que passou a ser esperada para o ano de
1975. Este ano chegou, bem como o fracasso de sua profecia, resultando em desilusão e desistência de muitos
dentro do movimento.
Em 1950, ainda sob a sua administração, foi produzida sua própria tradução do Novo Testamento conhecida
como Tradução do Novo Mundo das Escrituras Cristãs Gregas, em inglês. Mais tarde foi publicada com a versão
do Antigo Testamento, que recebeu o nome que perdura até hoje: Tradução do Novo Mundo das Escrituras
Sagradas. Knorr faleceu em 08 de junho de 1977.
4. Frederick Willian Franz (1893-1992)
Nasceu em Covington, Kentucky, nos EUA, em 12 de setembro de 1893. Ingressou na Universidade de
Cincinnati em 1914, no curso de humanidades, com o desejo de ser pastor presbiteriano, entretanto, ao ler as
obras Estudos das Escrituras, de Russell, decidiu unir-se aos Estudantes Internacionais da Bíblia, desligando-se
da Igreja Presbiteriana.
Era vice-presidente da Sociedade quando ocorreu a morte de Knorr. Foi eleito presidente da organização
duas semanas depois da morte de seu antecessor, com a idade de 83 anos. Contradizendo seu antecessor, Franz
revogou a proibição dos transplantes de órgãos, que até então era proibido. Com o entendimento de “uma geração”
equivalente ao período de 80 anos, ele dizia que todos os que nasceram em 1914 viriam o “fim do sistema de
coisas e a vinda do Armagedom” no ano de 1994. Mais uma vez, o “canal de comunicação de Jeová” falhou.
Franz morreu sem presenciar o fracasso de sua profecia em 22 de dezembro de 1992.
11 V e ja o liv r o S a l v a ç ã o , p u b lic a d o e m 1 9 4 0 , p . 2 7 5 – 2 7 6 .
13 M C D O W E L L , J o s h ; S T E W A R T , D o n . O s e n g a n a d o r e s . S ã o P a u lo : C a n d e i a , 2 0 0 1 , p . 7 9 .
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MÓDULO 4 | HERESIOLOGIA
5. Milton George Henschel
Em 30 de dezembro de 1992, Milton George Henschel foi eleito como 5.° Presidente das Testemunhas de
Jeová, como sucessor de Frederick Franz. Henschel exerceu seu mandato de presidente até 7 de outubro de 2000,
quando ocorreu uma reorganização na liderança das Testemunhas de Jeová. Sua gestão também foi marcada por
mudanças doutrinárias, como, por exemplo, o conceito de serviço militar e a geração de 1914. Henschel faleceu
em 2 de março de 2003.
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 2
1) Quem foi o fundador das Testemunhas de Jeová? Como eram chamados no início de suas atividades?
2) Em que ano, segundo Russel,ocorreria o Armagedom?
3) Quem foi o segundo presidente e o que ocorreu em 1931?
4) Quem foi o terceiro presidente e em que data ele profetizou que Cristo voltaria?
5) Quem foi o quarto presidente e o que ele predisse para o ano de 1994?
6) Quem foi o quinto presidente da organização?
2.1 DOUTRINAS
Como os presidentes das Testemunhas de Jeová foram prolixos escritores, temos um vasto material “profético”
pelo qual podemos analisar suas crenças e doutrinas. Suas inúmeras diferenças com o cristianismo primitivo
são patentes em todas as suas obras, portanto a maneira mais fácil de conhecer o sistema doutrinário das
Testemunhas de Jeová é mostrar suas diferenças com o ensino apostólico. Suas negações doutrinárias afastam
qualquer idéia de que elas façam parte do Corpo visível de Cristo na Terra. Por meio de suas negações, podemos
averiguar seu corpo doutrinário. Vejamos:
1) Negam a Trindade;
2) Negam a divindade de Cristo (ponto de vista ariano);
3) Negam a personalidade do Espírito Santo (considerado como “força ativa de Deus’5);
4 ) Negam a Redenção;
5) Negam a ressurreição corporal de Cristo;
6) Negam a salvação pela graça por meio da fé;
7) Negam a salvação fora de seu grupo religioso;
8) Negam o inferno (proclamam que o aniquilamento é o seu destino);
9) Negam a volta visível e corporal de Cristo.
Para que não restem dúvidas de que as Testemunhas de Jeová são uma seita, explanaremos uma por uma das
negações desse grupo comparando com as Escrituras Sagradas. Além desses ensinos, as Testemunhas de Jeová
rejeitam a transfusão de sangue, a prestação de serviço militar, cantar o hino nacional e o juramento à bandeira,
este último considerado um ato de idolatria. Os feriados e celebrações, como o natal, páscoa e aniversários, são
rejeitados por serem considerados de origem pagã.
Portanto, iniciaremos nossos estudos, todos fundamentados, para que qualquer pessoa possa averiguar os
fatos aqui declarados e chegar ao conhecimento da verdade. Utilizaremos as literaturas das Testemunhas de
Jeová, visto que são ensinadas que qualquer literatura que não for publicada por sua denominação é apóstata,
CURSO DE TEOLOGIA
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MÓDULO 4 | HERESIOLOGIAI
portanto deve ser rejeitada, pois o único canal de comunicação de Deus na Terra é o Corpo Governante das
Testemunhas de Jeová, que se pronuncia por meio da revista “A Sentinela”.
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Cite cinco doutrinas das Testemunhas de Jeová que contrariam as Escrituras.
2) Como é considerado o juramento à bandeira pelas Testemunhas de Jeová?
3) Segundo as Testemunhas de Jeová, quem é o porta-voz de Deus na Terra?
2.2 C O R P O G O V E R N A N T E
Conforme já foi dito, Russel entendia que ele fora chamado para restaurar o cristianismo bíblico e primitivo,
que havia se apostatado. Como “porta-voz de Deus”, disse que Jesus, no ano 33, havia escolhido e separado um
grupo especial de obreiros chamado de “escravo fiel e discreto” para alimentar seu rebanho. Para Russel, essa
classe especial era denominada de “ungidos”, também conhecidos como “pequeno rebanho”. Por “revelação” foilhe
informado que essa classe especial teve de ser interrompida devido à apostasia que sobreveio à Igreja depois
da morte do apóstolo João, sendo retomada em 1870 com seu chamado para restaurar o verdadeiro cristianismo.
Foi a partir desse entendimento que Russel dividiu seu grupo em duas partes: os 144.000, que reinariam com
Cristo, e a “grande multidão”, que também iria para os céus, porém ocuparia posições inferiores.
Rutherford alterou radicalmente esse ensino de Russel ao declarar que em 1935 foi encerrada a chamada
celestial e daquele ano em diante seus associados estavam divididos em dois grupos: os 144.000 “ungidos” que
irão para o céu e a “grande multidão” que habitará na Terra.
Se a chamada celestial começou em 33 d.C., como ficaria a situação dos fiéis do Antigo Testamento? As
Testemunhas de Jeová respondem: habitarão para sempre no paraíso na Terra. E não somente isso: para todos os
que nasceram depois de 1935 resta-lhes apenas a esperança terrestre, pois a chamada celestial terminou em 1935.
Que evangelho diferente daquele anunciado por nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo!
Pois bem, segundo este entendimento que acabamos de explanar, as Testemunhas de Jeová entendem e se
submetem a um grupo seleto de obreiros que recebem orientação e direção teocrática. Em uma de suas literaturas
encontramos a seguinte declaração:
Esta organização evangelizadora mundial não é modelada segundo nenhuma sociedade civil
da atualidade que talvez seja exigida pelas leis dos governos políticos dos homens, que agora
enfrentam a destruição na “guerra do grande dia de Deus, o Todo-poderoso”, no Har-Magedon.
(Rev. 16:14-16) Nenhuma sociedade civil da terra amolda a organização evangelizadora, nem a
governa. Antes, esta governa tais sociedades como meros instrumentos temporários, úteis para a
obra do grande Teocrata. Por isso é modelada segundo o Seu objetivo para ela. E uma organização
teocrática, regida do Alto divino para baixo, e não das fileiras para cima. Os membros dedicados
e batizados dela estão sob a Teocracia! As sociedades civis, terrenas, deixarão de existir quando,
dentro em breve, perecerem os governos humanos que lhes concedem alvará (grifo nosso).13
Observe esta afirmação: “É uma organização teocrática, regida do Alto divino para baixo”. O termo “teocrático”
significa dizer que são governadas por Deus. A liderança das Testemunhas de Jeová conseguiu inculcar na cabeça
de seus seguidores que eles são os “únicos representantes de Deus na Terra”. Interpretando o texto de Mateus
24.45, que diz: “Quem é, pois, o servo fiel e prudente, a quem o senhor confiou os seus conservos para dar-lhes
o sustento a seu tempo” e Lucas 12.42: “Disse o Senhor: Quem é, pois, o mordomo fiel e prudente, a quem o
senhor confiará os seus conservos para dar-lhes o sustento a seu tempo?”, o Corpo Governante afirma que eles
são os remanescentes do “escravo fiel e discreto” do qual falou Jesus. Assim, esse grupo seleto seria o porta-voz
13 A S e n t in e la , 1 ° d e ju n h o d e 1 9 7 2 , p . 3 3 8 .
e único canal de comunicação entre Jeová e o homem.
Diante de tamanha responsabilidade, este “canal de comunicação de Jeová” afirmou que ninguém é capaz de
conhecer a Bíblia sem sua orientação, como se lê em uma de suas literaturas:
Mas, Jeová Deus proveu também sua organização visível, seu “escravo fiel e discreto”, composto
dos ungidos com o espírito, para ajudar os cristãos em todas as nações a entender e a aplicar
corretamente a Bíblia na sua vida. A menos que estejamos em contato com este canal de comunicação
usado por Deus, não avançaremos na estrada da vida, não importa quanto leiamos a Bíblia (grifo
nosso – A Sentinela de I o de agosto de 1982, p. 27).
E bom que se saiba que o texto que fala sobre o “servo fiel e discreto” (Mateus 24.45; Lucas 12.42) é uma
parábola de exortação à vigilância e não uma profecia. Isso elimina totalmente qualquer pretensão do Corpo
Governante. Para piorar ainda mais a situação, quando assim procedem, eliminam qualquer ajuda do Espírito
Santo para lhes auxiliar a compreensão das Sagradas Escrituras, conseqüentemente ficam dependentes de um
grupo de homens autoritários que se colocam no lugar de Deus.
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Como ficou conhecida a classe especial criada por Russel?
2) Segundo Russel, quando se iniciou a chamada celestial e quando foi retomada?
3) O que Rutherford ensinou sobre a chamada celestial?
2.3 TRINDADE
Russel, fundador das Testemunhas de Jeová, alegou que a doutrina da Trindade é de origem pagã, satânica,
que maculava a unicidade do Deus verdadeiro.14 Suas literaturas são fartas de declarações sobre suas posições
sobre tal doutrina:
“A doutrina da Trindade desonra o único Deus verdadeiro e confunde as pessoas, desviando-as de um Deus
que não conseguem compreender” (A Sentinela, 15/08/1999, p. 13);
“Eles não escondem a identidade de Deus atrás duma máscara de anonimato ou atrás da doutrina misteriosa
e inexplicável da Trindade” (A Sentinela, 01/05/1997, p. 18).
“As Testemunhas de Jeová não crêem na Trindade nem em outras doutrinas não-bíblicas da cristandade”
(Anuário 2000, p. 24).
“Os que aceitam a Bíblia como a Palavra de Deus não adoram a Trindade que consiste de três pessoas, ou
deuses, em um só. De fato, a palavra ‘Trindade’ nem aparece na Bíblia. O Deus verdadeiro é uma só Pessoa,
distinta de Jesus Cristo. (João 14:28; 1 Coríntios 15:28) O espírito santo de Deus não é uma pessoa. E a força
ativa de Jeová, usada pelo Todo-Poderoso para realizar seus propósitos. — Gênesis 1:2; Atos 2:1-4, 32, 33; 2
Pedro 1:20, 21” (Conhecimento que conduz â vida eterna, p. 31)
Esta última declaração evidencia a forma pela qual as Testemunhas de Jeová concebem cada pessoa da divindade.
Seus adeptos insistem em afirmar que é errado crer na Trindade, argumentando que é uma doutrina apóstata inspirada
pelo diabo e que resultou da influência do paganismo egípcio e babilônico sobre o cristianismo.15
14 M E N E Z E S , A ld o . A s T e s t e m u n h a s d e J e o v á e a T r in d a d e . S ã o P a u lo : V i d a , 2 0 0 3 , p . 7 .
19 S O A R E S , R . R . O s p r o f e t a s d a s g r a n d e s r e lig iõ e s . R io d e J a n e ir o : G r a ç a E d it o r ia l, s .d ., p . 1 2 0 .
CURSO DE TEOLOGIA 131
O estudo da natureza de Deus por si só desafia a nossa inteira compreensão, entretanto a doutrina da Trindade
é uma das grandes revelações que o Deus Todo-poderoso trouxe à compreensão humana. Não podemos rejeitar
de imediato tal investigação só porque a palavra Trindade não se encontra nas Escrituras. Cabe ao pesquisador
averiguar os fatos para chegar a uma sentença. Portanto, partiremos do princípio de que a doutrina da Trindade é
uma verdade até que se prove o contrário.
A palavra Trindade não se encontra nas Escrituras, porém foi e é usada para designar a tríplice manifestação do
único Deus. Foi empregada pela primeira vez por Tertuliano,16 já no final do século II d.C., todavia isso não quer dizer
que essa doutrina não exista e, muito menos, que não seja bíblica. Outros termos também não aparecem nas Escrituras,
como onisciência, onipresença e onipotência, mas quem seria capaz de afirmar que Deus não sabe tudo, que não está
em todos os lugares ou ainda que não tenha todo poder! As Testemunhas de Jeová o fazem. Embora reconheçam a
onipotência de Jeová, o Corpo Governante nega sua onipresença: “O verdadeiro Deus não é onipresente, porque se fala
dele como tendo localização. Ele é onipotente, sendo o Deus Todo-poderoso”.17 Assim o Todo-poderoso não pode estar
em vários lugares ao mesmo tempo, ele está confinado no céu, como diz outra de suas publicações:
Na realidade, por ensinar que Deus é onipresente, a cristandade confundiu a questão e tomou mais difícil para
Deus ser encarado como real por seus adoradores. Como é que Deus pode estar presente em todo lugar ao mesmo
tempo? Deus é uma Pessoa espiritual, o que significa que não tem um corpo material, mas sim um espiritual.
Será que um espírito tem corpo? Sim, pois lemos: ‘Se há corpo físico, há também um espiritual.’ (1 Cor. 15:44;
João 4:24) Deus como indivíduo, como Pessoa com um corpo espiritual, tem um lugar de residência, e assim não
poderia estar em qualquer outro lugar ao mesmo tempo.
Quão diferente é o deus das Testemunhas de Jeová do Deus da Bíblia! Para os trinitarianos (os que defendem a
Trindade), existe um Deus em três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo; não são três deuses, mas um só Deus.
O credo Atanásio deixa claro esse argumento repetidas vezes: “A fé católica consiste em adorar um só Deus em
três Pessoas e três Pessoas em um só Deus. Sem confundir as Pessoas nem separar a substância. Porque uma só é a
Pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo. Mas uma só é a divindade do Pai, e do Filho, e do Espírito
Santo, igual a glória, coetema a majestade”.18 O Deus adorado pelos trinitarianos é o Deus único e exclusivo, não há
outro deus. Jesus não é outro deus lado a lado com Deus; Ele é Deus, juntamente com o Pai e o Espírito Santo.
Outro aspecto relevante sustentado pelos trinitarianos é o fato de Deus ser infinito, único, que transcende os
limites do espaço e do tempo, que não possui corpo material nem espiritual, a não ser o corpo que o Filho tomou
sobre si ao tomar-se homem: “Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; tocai-me e vede, pois um
espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho” (Lucas 24.39).
2.3.1 A Trindade no Antigo Testamento
O Antigo Testamento preparou o caminho para a revelação de Deus em três pessoas, assim não se evidencia com
tanta clareza a doutrina da Trindade. Deus não mostrou sua triunidade para um povo rodeado de nações politeístas;
era necessário que os israelitas (que também eram idólatras incorrigíveis) primeiramente conhecessem a unicidade
e a singularidade de Deus para que, depois de terem convicção quanto a isso, pudessem aprender a respeito do Filho
e do Espírito Santo. Não foi nada fácil para os judeus tal lição, o que perdura até os dias atuais.
O primeiro nome de Deus que aparece no Antigo Testamento é Elohim (Myhla), plural de Eloah (n^X ). O
nome no singular ocorre 57 vezes no hebraico, enquanto no plural ocorre 2.498 vezes. Deus é apresentado pela
primeira vez nas Escrituras com esse nome em Gênesis 1.1: “No princípio, criou Deus (Elohim — DYíSn) os
céus e a terra”. Aqui o verbo apresenta-se no singular (criou) e o sujeito no plural (Deus), com isso revelando a
unidade composta de Deus na triunidade.
16 S IL V A , E s e q u ia s S o a r e s d a . C o m o r e s p o n d e r à s T e s t e m u n h a s d e J e o v á . S ã o P a u lo : C a n d e ia , 1 9 9 5 , p . 1 5 8 , v o l. 1.
17 E s t u d o p e r s p ic a z , v o l. 1 , p . 6 9 0 – 6 9 1 .
18 V e ja n o M ó d u lo 1 , C r e d o s , c a p . 1 1 .
CURSO DE TEOLOGIA
Encontramos outro exemplo da manifestação da unidade composta de Deus na criação do homem: “E disse
Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança…” (Gênesis 1.26). As três pessoas
da Trindade estão presentes na criação; o Filho criou todas as coisas (João 1.1-3; Colossenses 1.16), da mesma
maneira o Espírito Santo (Jó 33.4; Salmos 104.30), assim como o Pai (Provérbios 8.22-30).
2.3.2 A Trindade no Novo Testamento
• No Novo Testamento o que era implícito se toma explícito, a revelação da unidade composta de Deus se
toma patente. Cada pessoa da divindade surge separada, sendo exposta com maior clareza aos fiéis, na
plenitude dos tempos, na pessoa do Filho (Gálatas 4.4). O Pai, o Filho e o Espírito Santo aparecem no
Novo Testamento como o Deus universalmente reconhecido entre os crentes.
• Há várias citações na Palavra de Deus que declaram a unicidade de Deus (2 Reis 19.15; Neemias 9.6;
Salmos 83.18; 86.10; Isaías 43.11; 1 Coríntios 8.6; Gálatas 3.20; Efésios 4.6, etc.), entretanto, por meio
da revelação progressiva, o único Deus se revela como uma unidade composta de três pessoas distintas.
Por meio da comparação podemos concluir que existe uma unidade composta nas Escrituras para a
divindade:
Atributos Pai Filho Espírito Santo
Onipresença ím ta ia s 23.24 Efésios 1.20-23 Salmos 139.7
Onipotência Gênesis 17.1 Apocalipse 1.8 Romanos 15.19
Onisciência Atos 7 João 21.17 1 Coríntios 2.10
Capacidade de Criar Gênesis í.l João 1.3 Jó 33.4
Eternidade R om anotff& jgf?^ Apocalipse 22.13 Hebreus 9.14
Santidade Apocalipse 4.8 Atos 3.14 1 João 2.20
Santificador João 10.36 Hebreus 2.11 1 Pedro 1.2
Fonte de vida eterna Romanos 6.23 João 10.28 Gálatas 6.8
Inspirador dos profetas Hebreus 1.1 2 Coríntios 13.3 Marcos 13.11
Deus Êxodo 20.2 João 20.28 Atos 5.3-4
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) O que Russel disse a respeito da doutrina da Trindade?
2) Onde se encontra a palavra Trindade na Bíblia? Quem criou este termo?
3) Descreva em poucas palavras a doutrina da Trindade no Antigo e no Novo Testamento.
4) Cite alguns atributos da divindade que ao mesmo tempo se referem ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
*
MÓDULO 4 1HERESIOLOGIAI
2.4 JESUS
Quem se depara com uma Testemunha de Jeová e lhe questiona sobre a pessoa de Jesus poderá ouvir que
ela “tem fé muito forte em Jesus Cristo”.19 Entretanto, o conceito desse grupo sobre Jesus Cristo em nada se
assemelha à do cristianismo bíblico e histórico.
O Jesus das Testemunhas de Jeová foi a primeira criação de Jeová, um anjo que recebeu o nome de Miguel
e o título de arcanjo. É “um deus”, assim como Satanás, no sentido de ser poderoso, porém jamais “Todopoderoso”
como Jeová, como está escrito: “Visto que a Bíblia chama humanos, anjos, e até mesmo Satanás de
“deus[es]”, ou poderosofs], o superior Jesus no céu pode corretamente ser chamado de “deus”.20 Na Tradução do
Novo Mundo, a Bíblia das Testemunhas de Jeová, Jesus é chamado de “deus” (com d minúsculo mesmo) para
diferenciá-lo do Deus Jeová. Morreu numa estaca (não numa cruz), ressuscitou em espírito (não fisicamente) e
voltou invisivelmente em 1914.
O Jesus das Testemunhas de Jeová é outro Jesus, mais precisamente um arcanjo, como se lê em uma de suas
literaturas: “Jeová criou querubins, serafins e muitos outros anjos para fazerem a sua vontade nos céus. Jesus
Cristo é o Arcanjo sobre e acima de todos esses” (grifo nosso).21
A Palavra de Deus não permite novos ensinamentos que possam alterar seu conteúdo ou fazer-lhe acréscimos.
O apóstolo Paulo disse: “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do
que já vos anunciamos, seja anátema” (Gálatas 1.8).
Saber quem é Jesus é tão importante quanto saber o que Ele fez. A história dos seres humanos, desde sua
concepção, tem sido a história da preparação para a vinda de Jesus Cristo. O Antigo Testamento prediz essa vinda
por meio de tipos, símbolos e profecias diretas. A preservação de seu povo, Israel, é uma história de expectativa,
de anseio e de preparação.
A pessoa de Jesus Cristo perturbou tanto os judeus quanto os gregos. Para moldá-lo nas suas categorias usuais,
os primeiros diziam que Jesus não passava de um comum mortal, inspirado por Deus, como foram os outros
profetas; os últimos, “senhores do saber”, sustentavam que Ele tinha um corpo só aparente, mas na realidade
continuava um ser inteiramente divino. O fato é que nem aos religiosos judeus, nem aos filósofos gregos foi dada
a notícia do nascimento do Salvador, mas às pessoas simples e humildes do campo: “Havia, naquela mesma
região, pastores que viviam nos campos e guardavam o seu rebanho durante as vigílias da noite. E um anjo do
Senhor desceu onde eles estavam, e a glória do Senhor brilhou ao redor deles; e ficaram tomados de grande
temor. O anjo, porém, lhes disse: Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo
o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lucas 2.8-11).
Os evangelhos descrevem-no como um homem real, que comia e bebia, que conheceu a alegria e a dor, a
tentação e a morte sem nunca ter pecado, porém perdoava os pecadores, como só Deus pode perdoar, e por isso a
cristandade reconhece em Jesus de Nazaré o Filho de Deus, a Palavra do Eterno, o Deus bendito que veio buscar
e salvar o que se havia perdido.
Que Jesus Cristo era o próprio Deus na Terra fica notório nas várias declarações que seus discípulos
transcreveram sobre sua pessoa:
“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus.
Todas as coisas foram feitas por meio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (João 1.1-3).
“Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não só quebrantava o sábado, mas também
dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus” (João 5.18).
19 R a c io c ín io s à b a s e d a s E s c r it u r a s , 1 9 8 9 , p . 2 2 0 .
20 D e v e – s e c r e r n a T r in d a d e ? , p . 2 9 .
21 Id e m , p . 4 0 .
“Eu e o Pai somos um. Os judeus pegaram, então, outra vez, em pedras para o apedrejarem. Respondeu-lhes
Jesus: Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu Pai; por qual dessas obras me apedrejais? Os
judeus responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia, porque, sendo
tu homem, te fazes Deus a ti mesmo” (João 10.30-33).
“Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus
Cristo” (Tito 2.13).
“Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco alcançaram fé igualmente preciosa pela
justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo” (2 Pedro 1.1).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Quem é Jesus para as Testemunhas de Jeová?
2) Como Jesus é chamado na Bíblia das Testemunhas de Jeová?
3) O que a Bíblia diz de Jesus?
2.5 O ESPÍRITO SANTO
Conforme já foi dito no início deste estudo, na administração de Knorr foi feita a tradução da Bíblia para
o inglês, chamada de “Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas”, que se tomou a Bíblia oficial das
Testemunhas de Jeová. A primeira referência ao Espírito Santo nesta Bíblia é apresentada assim: “… a terra
mostrava ser sem forma e vazia, e havia escuridão sobre a superfície da água de profundeza; e a força ativa de
Deus movia-se por cima da superfície das águas” (Gênesis 1.2, grifo nosso).
Em suas literaturas encontramos declarações idênticas, que negam a divindade e a personalidade do Espírito
Santo, tratando-o como uma “força ativa de Jeová”, 22 um poder, uma influência divina, sem vontade própria.
Entretanto, as Escrituras ensinam claramente que o Espírito Santo é Deus porque possui natureza divina. Ele é
identificado como a terceira pessoa da Trindade, igual ao Pai e ao Filho. Ele é eterno, onipotente, onisciente e
onipresente (Mateus 28.19). Como pode o Espírito Santo não ser Deus, sendo eterno, onisciente, onipotente e
onipresente? Fica evidente por esses atributos que o Espírito Santo é Deus e também uma pessoa. Historicamente
os arianos, sabelianos e socinianos consideravam o Espírito Santo como uma força que vem de Deus, mas esses
grupos sempre foram considerados heréticos pela Igreja.
A grande confusão que as Testemunhas de Jeová fazem reside no fato de não saber diferenciar o que é ser uma
pessoa e possuir um corpo. Quando falamos que o Espírito é uma pessoa, alguns de forma errada interpretam
que se Ele fosse uma pessoa teria, necessariamente, que possuir uma forma corpórea. Entenda, é consenso
entre os cristãos que Deus Pai seja uma pessoa, embora as Escrituras afirmem que ninguém jamais o viu (João
1.18; 1 Timóteo 6.16). Se Ele é uma pessoa, mesmo que não tenha sido visto, logo uma pessoa não precisa
necessariamente possuir um corpo, desde que possua atributos de uma pessoa. Da mesma forma, o Espírito Santo
possui todos os atributos de uma pessoa, apesar de não ser visível, logo ele é uma pessoa.
Vejamos provas bíblicas de que o Espírito Santo é uma pessoa, pelas atribuições que a Palavra de Deus faz a
Ele, que só podem ser praticados por pessoas:
a) O Espírito Santo fala: “ …pois não serão vocês que estarão falando, mas o Espírito do Pai de vocês falará
por intermédio de vocês” (Mateus 10.20; Atos 8.39; Atos 10.19-20; Atos 13.2; Apocalipse 2.7);
b) O Espírito Santo sonda as coisas profundas de Deus Pai: “O Espírito sonda todas as coisas, até mesmo as
coisas mais profundas de Deus” (1 Coríntios 2.10);
M P o d e r á v iv e r p a r a s e m p r e n o p a r a í s o n a t e r r a , e d . 1 9 8 3 , p . 3 7 .
CURSO DE TEOLOGIA 135
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MÓDULO 4 I HERESIOLOGIAI
c) O Espírito Santo ensina: “Quando vocês forem levados às sinagogas e diante dos governantes e das autoridades,
não se preocupem com a forma pela qual se defenderão, ou com o que dirão, pois naquela hora o
Espírito Santo lhes ensinará o que deverão dizer” (Lucas 12.12; João 14.26; 1 Coríntios 2.13);
d) O Espírito Santo conduz e guia: “Mas quando o Espírito da verdade vier ele os guiará a toda a verdade.
Não falará de si mesmo; falará apenas o que ouvir, e lhes anunciará o que está por vir” (João 16.13; Romanos
8.14);
e) O Espírito Santo intercede: “Da mesma forma o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos
como orar, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os
corações conhece a intenção do Espírito, porque o Espírito intercede pelos santos de acordo com a vontade
de Deus” (Romanos 8.26-27);
f) O Espírito Santo dispensa dons: “A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito, visando ao bem
comum. Pelo Espírito, a um é dada a palavra de sabedoria; a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra de
conhecimento; a outro, fé, pelo mesmo Espírito; a outro, dons de curar, pelo único Espírito; a outro, poder
para operar milagres; a outro, profecia; a outro, discernimento de espíritos; a outro, variedade de línguas;
e ainda a outro, interpretação de línguas. Todas essas coisas, porém, são realizadas pelo mesmo e único
Espírito, e ele as distribui individualmente, a cada um, como quer” (1 Coríntios 12.7-11);
g) O Espírito Santo chama homens para o seu serviço: “Enquanto adoravam o Senhor e jejuavam, disse
o Espírito Santo: Separem-me Bamabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado” (Atos 13.2; Atos
20.28);
h) O Espírito Santo se entristece: “Não entristeçam o Espírito Santo de Deus, com o qual vocês foram selados
para o dia da redenção” (Efésios 4.30);
i) O Espírito Santo dá ordens: “Paulo e seus companheiros viajaram pela região da Frigia e da Galácia, tendo
sido impedidos pelo Espírito Santo de pregar a palavra na província da Ásia. Quando chegaram à fronteira
da Mísia, tentaram entrar na Bitínia, mas o Espírito de Jesus os impediu” (Atos 16.6-7);
j) O Espírito Santo ama: “Recomendo-lhes, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito,
que se unam a mim em minha luta, orando a Deus em meu favor” (Romanos 15.30);
k) O Espírito Santo pode ser resistido: “Povo rebelde, obstinado! De coração e de ouvidos! Vocês são iguais
aos seus antepassados: sempre resistem ao Espírito Santo!” (Atos 7.51);
1) O Espírito Santo fortalece as igrejas: “A igreja, na verdade, tinha paz por toda a Judéia, Galiléia e Samaria,
edificando-se e caminhando no temor do Senhor, e, no conforto do Espírito Santo, crescia em número”
(Atos 9.31).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) O que dizem as Testemunhas de Jeová com relação ao Espírito Santo?
2) Qual a diferença entre ser pessoa e possuir corpo?
3) Cite algumas atribuições que a Palavra de Deus faz ao Espírito Santo que só podem ser praticadas por pessoas.
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MÓDULO 4 | HERESIOLOGIA
2.6 RESSURREIÇÃO DE CRISTO
Segundo a teologia das Testemunhas de Jeová, Jesus não ressuscitou com o seu corpo do sepulcro. Dizem que
“…sua volta nunca poderia ser com o corpo humano”.23 Alegam que Jesus não poderia subir ao céu em um corpo
físico. Assim como os espíritas kardecistas, ao negarem uma doutrina bíblica são obrigados a inventar absurdos
para encobertar seus desvios doutrinários. Quanto ao que aconteceu com ao corpo carnal de Jesus, dizem que:
Jeová achou bom remover o corpo de Jesus, assim como fizera antes com o corpo de Moisés. (Deuteronômio
34:5, 6) Também, se o corpo tivesse ficado no túmulo, os discípulos de Jesus nào poderiam ter entendido que ele
havia sido ressuscitado, visto que naquela época não entendiam plenamente as coisas espirituais. Mas, visto que
foi possível o apóstolo Tomé pôr sua mão no orifício no lado de Jesus, não mostra isso que Jesus foi ressuscitado
no mesmo corpo que foi pregado na estaca? Não, pois Jesus simplesmente se materializou, ou assumiu um corpo
carnal, como os anjos haviam feito no passado. A fim de convencer Tomé quanto a quem Ele era, Ele usou um
corpo com marcas de ferimentos (,Poderá viver para sempre no paraíso na terra, p. 144).
A morte de Cristo tem uma grande importância para os cristãos, mas a ressurreição é a essência do cristianismo,
pois se Jesus Cristo não tivesse ressuscitado, o Evangelho seria um engodo e a salvação uma grande farsa. A verdade é
que Jesus ressuscitou, e não só isso, seus discípulos registraram sua ressurreição, bem como a veracidade dos fatos em
seus escritos. Lucas é preciso em seus pormenores, ao relatar a aparição de Jesus com os seguintes detalhes:
Ressuscitou, verdadeiramente, o Senhor e já apareceu a Simão. E eles lhes contaram o que lhes acontecera no
caminho, e como deles foi conhecido no partir do pão. E, falando ele dessas coisas, o mesmo Jesus se apresentou
no meio deles e disse-lhes: Paz seja convosco. E eles, espantados e atemorizados, pensavam que viam algum
espírito. E ele lhes disse: Por que estais perturbados, e por que sobem tais pensamentos ao vosso coração? Vede
as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; tocai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos,
como vedes que eu tenho. E, dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e os pés. E, não o crendo eles ainda por causa da
alegria e estando maravilhados, disse-lhes: Tendes aqui alguma coisa que comer? Então, eles apresentaram-lhe
parte de um peixe assado e um favo de mel, o que ele tomou e comeu diante deles (Lucas 24.34-43).
Segundo as Escrituras, Jesus, apareceu durante quarenta dias, no mesmo corpo físico e com as marcas dos
pregos e da lança que o transpassou o lado: “Aos quais também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com
muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias e falando do que respeita ao Reino
de Deus” (Atos 1.3).
Tomé também duvidou que Jesus tivesse aparecido aos discípulos. Oito dias depois Jesus se manifestou
novamente e disse a Tomé: “Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; chega a tua mão e põe-na no meu lado;
não sejas incrédulo, mas crente” (João 20.27).
A prova de que Jesus estava com o seu próprio corpo é inegável e também comprova os detalhes de sua morte.
E-nos informado, pelos anjos, que da mesma forma que Ele subiu ao céu, de lá voltará: “E, estando com os olhos
fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois varões vestidos de branco, os quais lhes
disseram: Varões galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no
céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir” (Atos 1.11). O apóstolo Paulo nos fala que a ressurreição literal
de Cristo é a nossa maior esperança, pois se Deus pode ressuscitar a Jesus em um corpo físico e imortal, também
poderá ressuscitar o nosso. Assim conclui o apóstolo: “E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação,
e também é vã a vossa fé” (1 Coríntios 15.14). A ressurreição é a prova da divindade de Cristo, do triunfo sobre
o pecado, sobre a morte e sobre Satanás. Negar esta verdade é pregar outro Evangelho.
33 P o d e r á v i v e r p a r a s e m p r e n o p a r a í s o n a t e r r a , p . 1 4 3 .
CURSO DE TEOLOGIA
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‘1 ” : • ? 137
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) O que dizem as Testemunhas de Jeová sobre a ressurreição de Jesus?
2) Qual é a importância da ressurreição para os cristãos?
3) Quais são as conseqüências da ressurreição na vida dos cristãos?
2.7 SALVAÇÃO
O fundador das Testemunhas de Jeová, em seu livro Estudos das Escrituras disse que “eles devem ser recuperados
da cegueira como também da morte, para que, cada um por si, possam ter uma chance plena de provar, por obediência
ou desobediência, seu merecimento da vida eterna”.24 Em outra literatura dessa seita lemos que o primeiro propósito
de Jesus vir à Terra não foi o de morrer pelos nossos pecados, conforme declara as Escrituras: “Antes de tudo, vos
entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras (1 Coríntios 15.3;
Lucas 19.10; João 1.29; 1 Timóteo 1.15), mas sim o de “prover uma defesa ao nome de Jeová” e, em segundo lugar,
pregar o Reino de Deus, pois “é esse reino que destruirá toda a iniqüidade e livrará o nome de Jeová de todo o
vitupério lançado sobre ele”.25 Dessa forma, as Testemunhas de Jeová foram convocadas por Jeová primeiramente
para restaurar o nome de Deus, que foi profanado, depois pregar o Reino.
A salvação dentro do sistema Jeovista não é centrada na obra salvífica de Jesus, mas em permanecer ligado ao
Corpo Governante e obedecer às suas ordens incondicionalmente, como se pode verificar na revista A Sentinela:
Quatro exigências: Jesus Cristo identificou uma primeira exigência… levando em consideração… Os propósitos de
Deus referentes à terra e ao papel de Cristo como novo rei da terra… Muitos acharam a segunda exigência mais
difícil. É obedecer às leis de Deus, sim… Uma terceira exigência é que estejamos associados ao canal de Deus, sua
organização… A quarta exigência é estar associado a ele com lealdade. Deus requer que futuros vassalos do seu reino
apóiem seu governo, enquanto advogam lealmente as leis de seu reino perante outros (A Sentinela, 15 de fevereiro
de 1983, p. 12).26
A cada momento do desenvolvimento do grupo foram aumentando os requisitos para se obter a salvação.
Primeiro tinha de provar a obediência, depois permanecer ligado ao grupo, atualmente, além desses, é necessário
outros mais “para ter o merecimento da salvação”, que são:
a) Ter fé em Jeová e nas suas promessas (página 250);
b) Deve haver obras (página 250, § 2);
c) Dizer em oração a Deus que deseja ser servo dele, que deseja pertencer-lhe (página 251, § 3);
c) Batizar-se (página 251, § 6)
Pregar e ensinar de casa em casa: “Jeová não se esquecerá de seu trabalho, mas o recompensará ricamente” (página
253, §§9-11). Quanto mais se dedicar a esta atividade, mais preeminente será a posição que se terá no futuro paraíso;
“Você precisa permanecer à organização de Jeová e fazer a vontade de Deus, a fim de receber a Sua Bênção
de vida eterna” (página 255, § 14).27
O plano de salvação foi elaborado nos céus para encurtar dois imensos abismos: a pecaminosidade do homem
e a santidade de Deus. O ponto central do plano de salvação se encontra na figura de um mediador, alguém que
pudesse colocar-se entre um Deus ofendido e uma criatura pecadora e sem esperança, o homem. Jó entendeu
muito bem a distância que existe entre um Deus santo e um pecador miserável e concluiu: “Porque ele não é
homem, como eu, a quem eu responda, vindo juntamente a juízo. Não há entre nós árbitro que ponha a mão
24 E s t u d o s d a s E s c r it u r a s , v o L 1 , p . 1 5 8 .
35 P o d e r á v i v e r p a r a s e m p r e n o p a r a í s o n a t e r r a , p . 6 0 – 6 1 .
26 M C D O W E L L , J o s h ; S T E W A R T , D o n . O s e n g a n a d o r e s . S ã o P a u lo : C a n d e i a , 2 0 0 1 , p . 9 3 .
37 P o d e r á v i v e r p a r a s e m p r e n o p a r a í s o n a t e r r a , p . 2 5 0 .
CURSO DE TEOLOGIA
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sobre nós ambos” (Jó 9.32-33). O que Jó não pôde saber, nós podemos! Jesus é esse mediador, como está escrito:
“Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1 Timóteo 2.5).
Jesus Cristo é a boa nova para todo pecador e todo cristão. São boas notícias para toda a vida e eternidade.
Todos precisam dessas boas novas, e o melhor: qualquer um pode ser transformado e abençoado por elas. O plano
de salvação de Deus é tão simples que o menor dentre os filhos dos homens pode entendê-lo. Ele alcança a todos,
de modo que “ninguém é tão pecador, tão analfabeto, tão velho, tão cercado de hábitos pecaminosos ou poderes
demoníacos que não possa ter essa salvação. Nada na vida de uma pessoa pode ser tão terrível e ninguém foi tão
longe no pecado que não possa voltar a Deus e ser perdoado através de Jesus”. 28 O único requisito para poder ter a
salvação é a fé na obra de Cristo, ou seja, crer que Jesus efetuou tudo o que era necessário para nossa salvação.29
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Para as Testemunhas de Jeová qual seria o propósito de Jesus ter vindo à Terra?
2) Para as Testemunhas de Jeová, como se pode obter a salvação?
3) Quais são os requisitos para se obter a salvação de acordo com as Testemunhas de Jeová?
2.8 A SEGUNDA VINDA DE CRISTO
Uma característica peculiar das seitas proféticas são suas falsas profecias. As Testemunhas de
a sua fundação, sempre estiveram envolvidas com profecias que não se cumpriram. Russel foi
apregoar a volta de Cristo. Em sua obra Estudos das Escrituras ele predisse que a cristandade seria
1914, como se pode observar:
…recordemos que os anos 40 da sega judaica terminaram no ano 69 de Cristo, e foi seguido pelo derrocamento
completo dessa nação; e igualmente os 40 anos da ‘idade evangélica’ terminarão em outubro de 1914, e de igual
maneira o derrocamento da cristandade, assim chamada, seguirá segundo se espera, imediatamente depois.30
Nesta mesma obra Russel disse que a batalha do Armagedom seria no ano de 1914:
Não nos surpreendamos, pois, se nos capítulos que seguem, apresentamos evidências de que o estabelecimento
do Reino de Deus já começou: que está indicado na profecia que dito domínio começaria a ser exercido em 1878,
e a batalha do grande dia de Deus todo-poderoso (Apocalipse 16.14), que terminará em 1914, com o completo
derrocamento das potências atuais desse mundo, já tem começado.31
Seus discípulos seguem a mesma linha de raciocínio, como se pode verificar: “Na sua volta… no ano de 1914.
Conforme vimos no capítulo anterior, a evidência bíblica mostra que no ano de 1914 E.C. o tempo de Deus
chegou para Cristo voltar e começar a dominar”.32 “Jesus voltou (tendo dirigido sua atenção como Rei para a
Terra) e está presente como glorioso espírito.”33
A cada sucessão da presidência também havia alteração para o ano da volta de Cristo. Rutherford mudou esta
data para o ano de 1925:
28 D U E W E L , W e s le y L. A g r a n d e s a l v a ç ã o d e D e u s . S ã o P a u lo : C a n d e i a , 1 9 9 9 , p . 1 2 .
29 P a r a u m m e lh o r e n t e n d im e n t o d o p la n o d e s a l v a ç ã o p o r m e io d e J e s u s C r is t o , v e j a n o v o lu m e 3 a d is c ip li n a S o t e r io lo g ia .
30 E s t u d o s d a s E s c r it u r a s , v o l. II, p . 2 4 5 .
3> Id e m , p . 1 0 1 .
32 P o d e r á v iv e r p a r a s e m p r e n o p a r a í s o n a t e r r a , p . 1 4 3 , 1 9 3 .
33 P r o c l a m a d o r e s d o r e in o , p . 1 4 4
Jeová, desde
o primeiro a
destruída em
– ^ MÓDULO 4 I HERESIOLOGIA
CURSO DE TEOLOGIA 139
m MÓDULO 4 I HERESIOLOGIAI
Portanto, podemos seguramente esperar que em 1925 marcará a volta às condições de perfeição humana, de
Abrahão, Isaac, Jacob e os antigos prophetas fieis, especialmente esses mencionados pelo Apostolo no capitulo
onze de Hebreus. Baseado nos argumentos até aqui apresentados, isto é, que a ordem velha das cousas, o velho
mundo está se findando e desaparecendo, e que a nova ordem ou organização está se iniciando, e que 1925 será a
data marcada para a ressurreição dos anciões dignos e fieis, e o principio da reconstrucção, chega-se à conclusão
razoável de que milhões dos que vivem agora na terra, ainda estarão vivos no anno de 1925 (Milhões que agora
vivem, 1923, p. 112 e 122).
Depois de Rutherford foi a vez de Knorr alterar esta data. Ele profetizou no ano de 1966 que o fim do mundo
seria em 1975, conforme se verifica no livro “Vida Eterna – Na liberdade dos Filhos de Deus”. Esta profecia,
como as outras, também não se cumpriu.
Ao contrário do que ensinam as Testemunhas de Jeová, a Palavra de Deus diz que “daquele dia e hora ninguém
sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, mas unicamente meu Pai… Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora
há de vir o vosso Senhor” (Mateus 24.36, 42). Jesus Cristo voltará novamente em duas etapas: a primeira para o
arrebatamento (rapto ou retirada rápida) da Igreja: “Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do Senhor: que nós, os
que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem. Porque o mesmo Senhor descerá
do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão
primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o
Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” (1 Tessalonicenses 4.15-17), e na segunda etapa com
poder e grande glória e todo o olho o verá, como se lê: “Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem;
e todas as tribos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e
grande glória” (Mateus 24.30; Zacarias 14.4; Atos 1.11; Apocalipse 1.7). E um grande erro declarar que estes
fatos e muitos outros se cumpriram em 1914.
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Em que ano Russel profetizou a volta de Cristo?
2) Em que ano Rutherford profetizou a volta de Cristo?
3) Em que ano Knorr profetizou a volta de Cristo?
4) O que a Bíblia diz a esse respeito?
2.9 OS 144 MIL
É crença comum entre as Testemunhas de Jeová que apenas 144 mil irão para o céu, enquanto as demais
pessoas terão de se contentar em viver para sempre no paraíso terrestre, restaurado durante o milênio. Tudo isso
teve início devido às interpretações que Russel dava às Escrituras. Segundo ele, a chamada celestial começou no
ano 33, no Pentecostes, quando o Espírito Santo foi derramado nos 120 discípulos reunidos no cenáculo. Essa
chamada foi interrompida devido à apostasia que sobreveio à Igreja depois da morte do apóstolo João, sendo
retomada com a restauração do verdadeiro cristianismo, em 1870, com a chamada de Russel, o fundador das
Testemunhas de Jeová, e concluída em 1935, quando o segundo presidente do grupo, Joseph F. Rutherford, deu
por encerrada a chamada celestial.
Assim, de 1935 em diante, resta apenas a esperança de viver para sempre no paraíso na Terra para todos os
fiéis das Testemunhas de Jeová. E não somente isso: todos os fiéis do Antigo Testamento, que morreram antes de
33 d.C., também viverão na Terra, segundo a teologia Jeovista.
Para confirmar tal entendimento, em uma de suas literaturas encontramos a seguinte pergunta: “Quem vai
para o céu e por quê?”, a resposta vem logo em seguida dizendo claramente que apenas 144 mil irão para o céu.34
Para ter uma idéia das diferenças entre os 144 mil e a grande multidão (como são chamados os que habitarão na
Terra), observe o quadro abaixo:
34 P o d e r á v iv e r p a r a s e m p r e n o p a r a í s o n a t e r r a , p . 1 2 0 .
MÓDULO 4 | HERESIOLOGIA
144 mil (ungidos) Grande multidão (outras ovelhas)
Irão p ara o céu Viverão para sempre na Terra
Serão reis e sacerdotes no Reino de Deus Serão súditos no Reino de Deus
Verão a Deus Jamais verão a Deus
São irm ãos de Jesus São filhos de Jesus
São filhos de Jeová São amigos e netos de Jeová
São a noiva de C risto São amigos do noivo
Nascem de novo Não nascem de novo
Sem nenhum embasamento teológico, sem nenhum argumento concreto e somente baseados em um texto
do livro de Apocalipse afirmam que todos os versículos citados em forma de promessas que garantem o céu são
apenas para os 144 mil.
Diferentemente do que ensinam as Testemunhas de Jeová, nosso Senhor Jesus ensinou que o céu é para os
que crêem em seu nome, aqueles que receberam a salvação mediante sua morte e ressurreição. Antes da sua
crucificação, Ele falou das mansões celestiais não como algo impossível, mas sim real, verdadeiro e possível,
afirmando que prepararia lugar e voltaria para buscar os seus para com Ele estar para sempre (João 14.2-3). Jesus
Cristo espera que confiemos em seu poder, que creiamos em suas palavras e naquilo que declarou concernente
a Deus Pai, ao homem, à vida, ao pecado, à salvação, à imortalidade, ao julgamento futuro e à glória celeste.
O apóstolo Paulo disse: “Mas nossa pátria está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus
Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz
poder de sujeitar também a si todas as coisas” (Filipenses 3.20-21).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Segundo as Testemunhas de Jeová, quantos irão para o céu? Por quê?
2) Diferencie os 144 mil da grande multidão.
3) O que diz a Bíblia em relação à salvação?
CURSO DE TEOLOGIA
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3 MORMONISMO
A Igreja Mórmon foi fundada por Joseph Smith Júnior, nascido em Sharon, Estado de Vermont, nos Estados
Unidos, em 23 de dezembro de 1805. Joseph Smith foi o quarto filho de Joseph e Lucy Mack Smith, pais de dez
filhos, pobremente educados e geralmente dados a crenças e práticas supersticiosas.35
Joseph Smith, em tenra idade, divulgou entre seus familiares que Deus, o Pai, e seu Filho Jesus Cristo teriam
aparecido a ele em 1820 em forma humana. Ao conversar com eles e perguntar-lhes qual de todas as seitas
era a verdadeira, a fim de saber a qual unir-se, foi-lhe dito por um desses personagens que “não se unisse a
qualquer delas (igrejas), pois estavam todas erradas; …todos seus credos eram abominação a sua vista; que
aqueles religiosos eram todos corruptos”.36 Seguindo a orientação desses seres, ele foi chamado para “restaurar
o verdadeiro evangelho e sua autoridade original”, que havia apostatado (como também disse o fundador das
Testemunhas de Jeová).
Na noite de 21 de setembro de 1823, segundo consta em seus anais, Joseph recebeu a visita de um anjo, que
se identificou pelo nome de Moroni e se proclamou como “um mensageiro enviado da parte de Deus”, para lhe
informar que Deus o havia escolhido para fazer uma obra. Esse “anjo” revelou a Joseph o local onde estavam
escondidas algumas placas de ouro, escritas em hieróglifo egípcio reformado, perto de Palmyra, no Estado de
Nova Iorque. Ademais deste maravilhoso descobrimento, o considerado anjo também lhe mostrou onde havia
um misterioso par de óculos chamado “urim e tumim”. Quando Joseph colocava os óculos, automaticamente
eram traduzidos os textos das placas de ouro para o inglês. Desses escritos traduzidos por Joseph formou-se o
Livro de Mórmon, que se tomaria o fundamento do mormonismo.37
Em 1829 João Batista em pessoa foi enviado a toda pressa ao pequeno Estado da Pensilvânia, por ordem de
“Pedro, Tiago e João, para conferir a Joseph e Oliver o sacerdócio aarônico”.38 Em 1830 foi fundada a “Igreja de
Cristo”, e mais tarde esse nome foi mudado para Igreja dos Santos dos Últimos Dias e por fim a denominação
atual, Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 3
1) Comente em poucas palavras sobre o início da Igreja Mórmon.
2) O que ocorreu na noite de 21 de setembro de 1823?
3) Como ocorreu a tradução do Livro de Mórmon?
3.1 LIVROS OFICIAIS DO MORMONISMO
Ao dialogar com os missionários mórmons, a primeira impressão que se tem é que eles compartilham da fé
comum. Dizem crer na Bíblia Sagrada, que é a Palavra de Deus, entretanto ela não é a última revelação de Deus.
São unânimes em dizer que todas as Bíblias foram adulteradas e que somente algumas Bíblias contêm a Palavra
de Deus, “desde que esteja traduzida corretamente”.39 Adotam os livros que seu profeta recebeu “por revelação”
3S S IL V A , E s e q u ia s S o a r e s d a . M a n u a l d e a p o lo g é t ic a c r is t ã . S ã o P a u lo : C P A D , 2 0 0 2 , p . 2 1 9 * 2 2 0 .
“ S M IT H , J o s e p h . H is t ó r ia 1 .1 9 .
37 “ P é r o la d e G r a n d e V a lo r ” , H is t ó r ia 1 .3 0 – 5 4 .
31 Id e m , H is t ó r ia 1 .6 8 – 7 3 .
39 R e g r a s d e F é n ° 8 .
como a revelação final de Deus para suas vidas: Doutrina e Convênios, Pérola de Grande Valor e a principal
obra da seita, o Livro de Mórmon.
3.1.1 O Livro de M órmon
O Livro de Mórmon afirma que um povo chamado jareditas, refugiados da Torre de Babel, migrou para
a América cerca de 2.247 a.C. Ocuparam a América Central até serem varridos por discórdia interna. Um
sobrevivente, o profeta Éter, registrou a história dos jareditas em 24 placas metálicas.
Cerca de 600 a.C. as duas famílias de Lehi e Ismael deixaram Jerusalém, atravessaram o oceano Pacífico e
desembarcaram na América do Sul. Dois filhos de Lehi, Lamã e Nefi, iniciaram uma briga, e o povo se dividiu
em dois acampamentos de guerra – os lamanitas e os nefitas. Os lamanitas foram amaldiçoados pelo Senhor por
serem rebeldes e irem contra seus mandamentos. Parte dessa maldição incluía pele escura, o que supostamente
é a origem dos índios americanos.
Deus teve predileção pelos nefitas que migraram para a América Central por volta da época de Cristo. Logo
depois de sua crucificação, Cristo veio à América e instituiu o batismo por imersão, o sacramento do pão e do
vinho, o sacerdócio e deu muitos outros ensinamentos. Tanto os lamanitas quanto os nefitas se converteram. As
coisas correram normalmente por cerca de 200 anos, então veio a apostasia. O termo “lamanita” foi, pois, dado
a todo aquele que deixava a fé.
Cento e cinqüenta anos mais tarde, os nefitas religiosos e os lamanitas rebeldes guerrearam de novo. Por
volta de 421 d.C., os nefitas foram todos mortos, e os lamanitas infiéis ficaram no controle da terra. Colombo
descobriu-os quando aí aportou em 1492.
O comandante-chefe dos nefitas era o profeta e sacerdote chamado Mórmon. Ao ver que tinham sido derrotados,
compilou os registros de seus predecessores e escreveu uma breve história, em placas de ouro. Deu essas placas
a seu filho Moroni, que as escondeu num monte, perto de Palmyra, no Estado de Nova Iorque. Moroni, cerca
de 1.400 anos mais tarde, apareceu como um anjo a Joseph Smith e disse-lhe onde encontrar essas placas. Na
caixa que continha as placas estava um grande par de óculos; uma das lentes chamava-se Urim e a outra Tumim.
Segundo as três testemunhas, com a ajuda desses óculos e mais uma “pedra de vidente”, José Smith traduziu os
hieróglifos para o inglês. Segundo Joseph Smith, os hieróglifos eram “egípcio reformado”, língua “que nenhum
homem conhece”. Desta forma, o Livro de Mórmon supostamente foi revelado.
O Livro de Mórmon, como a Bíblia, compõe-se de diversos livros, assim dispostos:
Primeiro livro de Néfi
Segundo livro de Néfi
Livro de Jacó
Livro de Ênos
Livro de Jarom
Livro de Omni
As Palavras de Mórmon
Livro de Mosíah
Livro de Alma
Livro de Helamã
Terceiro Néfi
Quarto Néfi
Livro de Mórmon
Livro de Éter
Livro de Moroni
CURSO DE TEOLOGIA
3.1.2 Doutrina e Convênios
Este é outro livro sagrado dos mórmons. Trata-se de uma coleção das muitas revelações dadas a Joseph Smith
sobre doutrinas e práticas da Igreja Mórmon. Contém muitas distorções teológicas que claramente mostram a
grande diferença entre o mormonismo e o cristianismo ortodoxo.
3.1.3 Pérola de Grande Valor
Como o livro Doutrina e Convênios, este livro também é uma coletânea das revelações dadas ao “profeta”
Joseph Smith e contém os seguintes escritos: Livro de Moisés, Livro de Abraão, Escritos de Joseph Smith –
Mateus, Joseph Smith – Histórias e as Regras de Fé.
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) O que os mórmons dizem a respeito da Bíblia?
2) Quais são as literaturas oficiais dos mórmons?
3) Quais os livros que compõem o Livro de Mórmon?
3.2 A BÍBLIA
Em um processo judicial, o mais importante elemento para a condenação é a prova. Ela é a rainha das
testemunhas, e sem ela, ou até mesmo na dúvida, julga-se pela inocência do acusado. A idéia de prova evoca,
naturalmente, a racionalização da descoberta da verdade. Realmente, a definição de prova liga-se diretamente
àquilo “que atesta a veracidade ou a autenticidade de alguma coisa; demonstração evidente”.40 Em nosso estudo,
a prova será elemento essencial para a comprovação dos fatos alegados.
Para avaliarmos qualquer movimento religioso que se diz ser cristão, partimos do princípio de que ele tem
a Bíblia Sagrada como regra de fé e prática. Em sua grande maioria, as seitas alegam seguir os ensinamentos
das Escrituras, porém na prática ocorre o contrário. Basta uma leitura superficial nos ensinos do grupo e logo
ressaltam aos olhos divergências doutrinárias. Assim, “o mero fato de a Bíblia ser usada por uma religião não
prova, em si mesmo, que todos os seus ensinos e práticas dela se baseiem na Bíblia”.41 O que o grupo pensar
sobre a Bíblia refletirá em todas as outras doutrinas que dela advêm, como a soteriologia, a hamartiologia, a
pneumatologia, a cristologia, etc.
Os mórmons têm 13 princípios ou regras que todos que desejam fazer parte de seu grupo devem confessar
publicamente. A regra de fé número 8 afirma: “Cremos ser a Bíblia a palavra de Deus, desde que esteja traduzida
corretamente; também cremos ser o Livro de Mórmon a palavra de Deus”. Embora isso pareça dar a entender
que os mórmons confiem na Bíblia, na verdade eles acreditam que ela foi adulterada e corrompida. Asseveram
que o Livro de Mórmon é a palavra de Deus, enquanto a Bíblia contém a palavra de Deus. Outros livros também
são considerados inspirados, como Pérola de Grande Valor e Doutrina e Convênios. Ouçamos o que Talmage,
um dos apóstolos mórmons, declarou sobre a Bíblia:
A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias aceita a Bíblia como o principal de seus livros canônicos,
o primeiro entre os livros que foram proclamados, como sua norma escrita quanto à fé e doutrina. Quanto a
santidade com que consideram a Bíblia, os Santos dos Últimos Dias professam o mesmo que as denominações
cristãs em geral, porém se distinguem delas por também admitirem como autênticas e santas outras Escrituras
que concordem com a Bíblia e servem para apoiar e fazer ressaltar seus fatos e doutrinas.42
40 F E R R E I R A , A u r é lio B u a r q u e d e H o la n d a . N o v o d ic io n á r io e le t r ô n ic o A u r é lio v e r s ã o 5 .0 . S ã o P a u lo : P o s it iv o , 2 0 0 4 , v o c á b u lo “ p r o v a ” .
41 F A L C Ã O , M á r c io . C o m o c o n h e c e r u m a s e it a . S ã o P a u lo : O A r a d o , 2 0 0 6 , p . 4 2 .
43 T A L M A G E , J a m e s E . U m e s t u d o d a s r e g r a s d e fé . S ã o P a u lo : M i s s ã o B r a s ile ir a , 1 9 5 8 , p . 2 2 0 .
São unânimes em afirmar que a Bíblia perdeu muito de suas verdades e que não contém o Evangelho em toda
a sua plenitude, como se pode extrair desta citação: “Vês a formação daquela grande e abominável igreja que é
mais abominável que todas as outras igrejas; pois eis que tiraram do evangelho do Cordeiro muitas partes que
são claras e sumamente preciosas; e também muitos convênios do Senhor foram tirados”.43 Para os mórmons a
Bíblia “está repleta, como a maioria dos livros, de metáforas, símiles, alegorias e parábolas que nenhuma pessoa
com inteligência poderia ser levada a aceitar literalmente”.44
Esta alegação é feita para corroborar com as palavras do fundador da seita, que disse haver recebido a visita
de Deus Pai e Deus Filho, para restaurar o cristianismo que havia se apostatado. Tanto a apostasia alegada por
Joseph Smith jamais ocorreu bem como a adulteração das Escrituras Sagradas, pois a preservação providencial,
por parte de Deus, do texto bíblico tem sido maravilhosamente confirmada pela Arqueologia e pela História, a
exemplo da descoberta dos Rolos do Mar Morto.45
O testemunho a favor da fidelidade do texto do Novo Testamento vem principalmente de três fontes:
manuscritos do Novo Testamento, citações das Escrituras por autores cristãos e traduções antigas. Os textos do
Novo Testamento, devido a sua influência sobre a cultura do Ocidente, muito superior a qualquer outro livro da
Antiguidade, fez com que chegasse uma quantidade de cópias incomparavelmente maior do que qualquer outra
obra dos clássicos, tanto gregos quanto latinos, cuja autenticidade quase ninguém põe em dúvida.
A cópia mais antiga que existe de Eurípedes foi escrita 1.600 anos depois da morte do poeta. No caso de Sófocles,
o intervalo é de 1.400 anos, o mesmo acontecendo com Esquilo e Tucídides. Quanto a Platão, o intervalo não é
muito menor: encontra-se ao redor dos 1.300 anos. Entre os latinos, embora levem vantagem sobre os gregos,
a situação não é muito diferente. Enquanto em Catulo o intervalo é de 1.600 anos e em Lucrécio de mil anos,
Terêncio e Lívio reduzem-se para 700 e 500 anos respectivamente. Só Virgílio aproxima-se do NT, pois há um
ms. Completo de suas obras que pertence ao século IV, sendo que o autor faleceu no ano 8 a.C. 46
Quão diferente é a situação do Novo Testamento nesse aspecto. Contando apenas as cópias gregas, o texto do
Novo Testamento é preservado em aproximadamente 5.686 porções manuscritas parciais e completas que foram
copiadas a mão a partir do século II até o século XV. Além dos manuscritos gregos, há várias traduções do grego,
sem mencionar citações do Novo Testamento. Contando com as principais traduções antigas em aramaico, copta,
árabe, latim e outras línguas, há 9 mil cópias do Novo Testamento. Isso dá um total de mais de 14 mil cópias.
Além disso, se compilarmos as milhares de citações dos pais da Igreja Primitiva dos séculos II a IV, podemos
reconstruir todo o Novo Testamento, com exceção de onze versículos.
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) O que os mórmons dizem da Bíblia em relação ao Livro de Mórmon?
2) O testemunho a favor da fidelidade do texto do Novo Testamento vem de onde?
3) Como podemos ter certeza de que a Bíblia que possuímos não foi adulterada?
3.3 DEUS
Ninguém melhor do que o fundador da seita para dizer qual o seu pensamento sobre Deus. O “profeta”
Joseph Smith expõe nos seguintes termos sua teologia: “Muitos homens dizem que há um Deus; o Pai, o Filho e
o Espírito Santo, e que são um só Deus! Eu digo que de qualquer forma este é um Deus estranho – três em um,
e um em três!… Ele seria um Deus admiravelmente grande – seria um gigante ou um monstro”.47 Joseph Smith
era um politeísta e transcreveu sua concepção no Livro de Abraão:
43 L iv r o d e M ó r m o n 1 N é fi 1 3 .2 6 .
44 S M IT H , J o s e p h F ie ld in g . D o u t r in a s d a s a l v a ç ã o , v o l. 3 , p . 1 9 0 – 1 9 1 .
45 V e ja n o v o lu m e 6 , A r q u e o lo g ia B íb lic a .
46 P A R O S C H I , W ils o n . C r ít ic a t e x t u a l d o N o v o T e s t a m e n t o . 2 . e d . S ã o P a u lo : V i d a N o v a , 1 9 9 3 , p . 1 8 .
47 H is t ó r ia d a I g r e ja , 6 . 4 7 6 .
CURSO DE TEOLOGIA
MODULO 4 | HERESIOLOGIAI
E então o Senhor disse: Desçamos. E eles desceram no princípio; e eles, isto é, os Deuses organizaram e formaram
os céus e a Terra. E a Terra, depois de formada estava vazia e desolada, porque eles não haviam formado coisa
alguma a não ser a Terra; e as trevas reinavam sobre a face do abismo e o Espírito dos Deuses pairava sobre a face
das águas. E eles (os Deuses) disseram: Haja luz; e houve luz. E eles (os Deuses) tiveram consciência da luz, pois
era brilhante; e eles separaram a luz ou melhor, fizeram com que ela fosse separada das trevas.48
O deus do mormonismo não é o Deus das Escrituras, que de “eternidade a eternidade” é Deus (Salmos 90.2),
mas conforme Joseph Smith “o próprio Deus já foi como somos agora… se pudésseis vislumbrá-lo hoje, vê-loeis
em forma de um homem – como vós em toda pessoa, imagem e na própria forma de um homem”.49 Além do
mormonismo negar que exista um único Deus, são politeístas, dizem que existem muitos deuses e deusas.
O profeta Isaías diz: “Porque os egípcios são homens e não Deus; e os seus cavalos, carne e não espírito” (Isaías
31.3). Neste texto, a base do paralelismo é que Deus é espírito. Na Epístola aos Hebreus, Deus é chamado de Pai
dos espíritos: “Além do que, tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigirem, e nós os reverenciamos;
não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, para vivermos?” (Hebreus 12.9). Assim como temos um
pai na carne, esse versículo diz que temos um pai no espírito. O apóstolo João diz: “Deus é Espírito, e importa
que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” (João 4.24).
O fato de Deus ser descrito como se possuísse um corpo humano com mãos, pés, olhos, etc. não demonstra
corporalidade. Essas coisas são figuras de linguagem que Deus usou para se comunicar com suas criaturas finitas,
porquanto não dispomos de vocábulos mais apropriados do que estes para exprimir as operações da mente
divina. “O vocábulo espírito é empregado para denotar uma entidade imaterial e inteligente, ou um ser, uma
entidade destituída das propriedades peculiares à matéria, embora possuidora de propriedades análogas àquelas
que caracterizam a mente humana”.50
Da mesma forma, Deus apareceu aos israelitas em nuvens e fogo. Uma coluna de nuvens e de fogo seguia adiante
dos israelitas, como sinal da presença divina. Esse sinal também apareceu no tabemáculo e, posteriormente, no
templo erigido e dedicado por Salomão. Será que Deus, por causa dessas descrições, deveria ser compreendido
como uma nuvem ou um fogo? Essas são substâncias materiais e não espirituais. Dessa forma, Deus se agradou
em empregar esses símbolos materiais para nos dar uma demonstração sensível da sua presença.
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Qual o conceito de Deus Pai para o fundador do mormonismo?
2) Diferencie o deus do mormonismo e o Deus das Escrituras.
3) Os mórmons crêem na existência de um único Deus?
3,4 JESUS
Ao se averiguarmos o que os mórmons dizem a respeito de Jesus, logo verificamos que não é o Jesus Cristo
das Escrituras. Para os mórmons “Cristo não foi gerado pelo Espírito Santo”.51 Ampliando o entendimento de
como os mórmons entendem a pessoa bendita de Jesus Cristo, Joseph F. Smith declarou: “Dentre os filhos
espirituais de Elohim, o primogênito é Jeová, ou Jesus Cristo, de quem todos os demais são irmãos menores”.52
O segundo filho desse relacionamento é Lúcifer, e assim os mórmons não têm o menor constrangimento em
dizer que Jesus e Lúcifer são irmãos espirituais. Para todos os mórmons, sem exceção, Deus Pai é “Pai de Jesus
Cristo, tanto no espírito como na carne. Nosso salvador é o Primogênito no espírito, o Unigênito na carne”.53 Para
48 P é r o la d e G r a n d e V a lo r , A b r a ã o 4 . 1 – 4 .
49 E n s i n a m e n t o s d o P ro fe t a J o s e p h S m ith c o m p il a d o s p o r J o s e p h F ie ld in g S m ith , p . 3 3 6 .
90 D A G G , J o h n l . M a n u a l d e t e o lo g ia . 3 . e d . S ã o P a u lo : F ie l, 2 0 0 3 , p . 4 1 .
s> S M IT H , J o s e p h F ie ld in g . D o u t r in a s d a s a l v a ç ã o , 1 9 9 4 , v o l. 1 , p . 2 0 .
53 S M IT H a p u d M C D O W E L L , 2 0 0 1 , p . 7 0 .
93 S M IT H , J o s e p h F ie ld in g . D o u t r in a s d a s a l v a ç ã o . 1 9 9 4 , v o l. 1 , p . 2 0 .
146 CURSO DE TEOLOGIA
MÓDULO k I HERESIOLOGIA
concluir, segundo os teólogos mórmons, Jesus não é Deus, mas “era um Deus antes de nascer neste mundo”.54
Quão distante é o norte do sul, assim também é o Jesus das Escrituras do Jesus mórmon! A Bíblia jamais disse
que Jesus é apenas mais um “deus”; pelo contrário, ela ensina que Jesus é o Deus: “No princípio era o Verbo, e
o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas
por meio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (João 1.1-3; 20.28; Tito 2.13; 1 João 5.20). Jesus Cristo
conferiu para si os nomes e títulos dados a Deus no Antigo Testamento e também permitiu que outros assim o
chamassem.55
Jesus, com os títulos “Filho de Deus” e “Filho do Homem”, estava afirmando a sua divindade, e muitos dos
seus atributos são exclusivamente privativos do próprio Deus. Os próprios judeus que o ouviam entendiam isso
muito bem: “Por isso, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não somente violava o sábado, mas
também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus” (João 5.18).
Quando Jesus disse “eu e o Pai somos um”, a reação dos judeus foi: “Não é por boa obra que te apedrejamos,
e, sim, por causa da blasfêmia, pois sendo tu homem, te fazes Deus a si mesmo” (João 10.30-33).
Quando Jesus curou um paralítico, dizendo: “Filho, os teus pecados estão perdoados”, os escribas judeus
disseram: “Está blasfemando! Quem pode perdoar pecados, a não ser somente Deus?”. E Jesus confirmou ter
autoridade para perdoar pecados (Marcos 2.7-11).
Quando Jesus foi interrogado diante do Sinédrio, o sumo sacerdote lhe perguntou: “Você é o Cristo, o Filho
do Deus Bendito?”. Jesus respondeu: “Sou, e vereis o Filho do homem assentado à direita do Poderoso vindo
com as nuvens do céu” (Marcos 14.61-64).
Tão íntima era sua relação com Deus que Jesus declarou que conhecê-lo era conhecer a Deus (João 8.19;
14.17); vê-lo era ver a Deus (12.45; 14.9); crer nele era crer em Deus (12.44; 14.1); recebê-lo era receber a Deus
(Marcos 9.37); odiá-lo era odiar a Deus (João 15.23); honrá-lo era honrar a Deus (5.23).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Segundo os mórmons, como Jesus foi gerado?
2) Qual é a concepção de Jesus e Lúcifer no mormonismo?
3) Quem é Jeová no mormonismo?
4) Quais os nomes e títulos dados a Deus no Antigo Testamento que foram também atribuídos a Jesus?
3.5 ESPÍRITO SANTO
Os mórmons ensinam que o Espírito Santo é um homem-espírito: “O Espírito Santo… é um personagem de
Espírito, uma Pessoa-Espírito, um Homem-Espírito, uma Entidade-Espírito”.56 Em outro lugar escreveram que
“o Espírito Santo é o terceiro membro da Deidade (Trindade). É um Espírito, na forma de um homem… Como
personagem de Espírito, o Espírito Santo tem tamanho e dimensão”.57
Quão triste é ler e saber que alguém trata a bendita pessoa do Espírito Santo com tamanho ultraje. E não só isso:
pela sua linguagem parece compartilhar das mesmas crenças de um cristão verdadeiro, que segue as Escrituras. Usam
os termos Jesus, Espírito Santo, Trindade… Porém a determinação final depende de como se define seus termos.
Os mórmons cometem muitos erros e fazem muita confusão no tocante à personalidade, às operações e às
manifestações do Espírito Santo bem como à sua divindade.
O Espírito Santo ocupa um papel fundamental na economia de Deus. Jesus disse que era necessário que Ele
fosse para que o Consolador viesse: “Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for,
o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei” (João 16.7). Outra boa notícia é que
Ele viria e ficaria conosco para sempre: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja
para sempre convosco” (João 14.16).
54 Id e m , 1 9 9 4 , p . 3 5 .
55 V e ja v o lu m e 1 , C a d a p e s s o a é p le n a m e n t e D e u s , c a p ít u lo 8 .
56 G E E R , T h e lm a G r a n n y . P o r q u e a b a n d o n e i o m o r m o n is m o . S ã o P a u lo : V i d a , 1 9 9 1 , p . 1 7 6
57 S M IT H , J o s e p h F ie ld in g . D o u t r in a s d a s a l v a ç ã o , v o l. 1 , p . 4 2 .
MÓDULO 4 IHERESIOLOGIAI
Saber exatamente quem Ele é, o que Ele fez e continua fazendo em prol dos fiéis é de extrema importância.
A nossa vida espiritual provém dele, pois é o Espírito que vivifica: “O espírito é o que vivifica, a carne para nada
aproveita” (João 6.63), sendo chamado de “Espírito de vida” (Romanos 8.2). A importância da influência do
Espírito Santo no exercício da vida espiritual pode ser inferida de passagens como as seguintes:
“Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei” (Gálatas 5.18).
“Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito,
para as coisas do Espírito” (Romanos 8.5).
“Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo,
vivereis” (Romanos 8.13).
“O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Romanos 8.16).
“E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de
pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis” (Romanos 8.26).
Nenhum cristão que tenha qualquer senso apropriado de sua dependência do Espírito Santo, no que concerne
à vida espiritual de que goza e a todas as bênçãos nela envolvidas, pode mostrar-se indiferente para com o Agente
por meio do qual todo esse bem nos é conferido.
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Quem é o Espírito Santo no mormonismo?
2) Qual é a importância em saber quem é o Espírito Santo?
3.6 TRINDADE
Como vimos até aqui, a concepção mórmon sobre Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo é totalmente
divergente das Escrituras. Porém, deve-se ter um cuidado especial quando se fala com os missionários mórmons
sobre a questão da Trindade. Num primeiro momento, esses jovens, bem-educados, que evangelizam o dia inteiro
de casa em casa, dirão que também compartilham da doutrina da Trindade, o que poderia deixar um neófito
confuso, ou até mesmo imaginar que esses “irmãos” compartilham da mesma fé. Para que fique bem claro o que
os mórmons pensam sobre a doutrina da Trindade, buscaremos refúgio em seus mais conceituados escritores.
Desde sua origem, seu fundador insiste em ensinar sobre a pluralidade dos deuses. Em um de seus sermões,
disse ele: “Pregarei sobre a pluralidade dos Deuses. Escolhi este texto precisamente com esse objetivo. Eu sempre
declarei que Deus é um personagem distinto, que Jesus Cristo é um personagem separado e distinto de Deus, o Pai,
e que o Espírito Santo é outro personagem distinto, e é Espírito; são três personagens distintos e três Deuses”.58
Como se pode observar, a Igreja Mórmon ensina que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são três deuses separados.
Essa maneira de conceber a Trindade é conhecida como triteísmo, no qual se afirma que as três Pessoas são divinas.59
O apóstolo Paulo enfrentou essa questão na igreja de Corinto e assim se pronunciou: “Porque, ainda que há
também alguns que se chamem deuses, quer no céu ou sobre a terra, como há muitos deuses e muitos senhores,
todavia, para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem existimos; e um só Senhor, Jesus
Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós também, por ele” (1 Coríntios 8.5-6).
58 E n s i n a m e n t o s d o P ro fe t a J o s e p h S m ith c o m p il a d o s p o r J o s e p h F ie ld in g S m ith , p . 3 6 1 – 3 6 2 .
59 V e ja v o lu m e 1 , D is t o r ç õ e s e C o n s e q ü ê n c ia s , c a p ít u lo 1 0 .
CURSO DE TEOLOGIA
MÓDULO k IHERESIOLOGIAI
VERIFICAÇAO DE APRENDIZAGEM
1) Qual o entendimento que os mórmons têm da Trindade?
2) O que é o triteísmo?
3.7 DEUS PAI UMA VEZ JÁ FOI UM HOMEM
O “restaurador” do cristianismo Joseph Smith escreveu que Deus Pai foi um homem normal, que progrediu
até tomar-se um Deus e, mesmo nessa condição, continua a possuir um corpo de carne e osso, conforme se lê:
“O próprio Deus já foi como nós somos agora – ele é um homem exaltado, entronizado em céus distantes!”.60
No livro Doutrina e Convênios, obra padrão da Igreja Mórmon, é dito que “o Pai tem um corpo de carne e ossos,
tangível, como o do homem” (130.22). Para completar, o mormonismo ensina que Deus tem um pai, um avô,
e assim sucessivamente: “Se Jesus teve um Pai, o que nos impede de crer que o Pai também teve um Pai?”.61
Segundo este ensino, Deus agora é um homem exaltado, e o próprio homem pode tomar-se um deus.
No livro doutrinário dos “santos dos últimos dias” está escrito: “Existem dois personagens [i.e., de carne e
ossos] que constituem o grande, inigualável e supremo poder governante sobre todas as coisas, o qual criou e fez
todas as coisas que foram criadas e feitas, sejam visíveis ou invisíveis, sejam no céu, sobre a terra ou na terra,
debaixo da terra, ou por toda a imensidão do espaço”.62 Nessa mesma obra lemos ainda que “nosso Pai nos céus
passou um dia pela vida e pela morte”.63
Ao contrário do que afirmam os mórmons, Deus é auto-existente, isto é, ele tem em si mesmo a base de
sua existência. Como o Deus auto-existente, Ele não só é independente, como também faz tudo depender dele.
“É somente como o Ser auto-existente e independente que Deus pode dar a certeza de que perm anecerá
eternamente o m esm o, com relação ao S e u povo.”64
Não há nas Escrituras Sagradas qualquer declaração que afirme que Deus Pai tomou forma humana e muito
menos que teria sido fruto de um relacionamento carnal, bem como que teria passado pela vida e pela morte.
A forma usada pela Bíblia para descrever a eternidade de Deus ultrapassa nossa capacidade de conhecimento.
Ele não teve princípio nem fim: “ …de eternidade a eternidade, tu és Deus”, declaram as Escrituras (Salmos
90.2). Nunca houve um tempo em que Ele não existisse. É impossível dar um exemplo de ser eterno porque não
há nada nem ninguém como Ele no universo. As Escrituras declaram sua eternidade:
“O Deus eterno é a tua habitação e, por baixo de ti, estende os braços eternos…” (Deuteronômio 33.27).
“Ao Rei eterno, imortal, invisível, Deus único, honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém!” (1 Timóteo
1.17).
“O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que
contemplamos, e as nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da vida (e a vida se manifestou, e nós a
temos visto, e dela damos testemunho, e vo-la anunciamos, a vida eterna, a qual estava com o Pai e nos foi
manifestada)…” (1 João 1.1-2).
“Também sabemos que o Filho de Deus é vindo e nos tem dado entendimento para reconhecermos o verdadeiro;
e estamos no verdadeiro, em seu Filho, Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” (1 João 5.20).
60 E n s i n a m e n t o s d o P ro fe t a J o s e p h S m ith c o m p il a d o s p o r J o s e p h F ie ld in g S m ith , p . 3 3 6 .
41 Id e m , p . 3 6 5 .
62 S M IT H , J o s e p h F ie ld in g . D o u t r in a s d a s a l v a ç ã o , 1 9 9 4 , v o l. 1 , p . 6 .
63 Id e m , p . 1 1 .
64 B E R K H O F , L o u is . T e o lo g ia s i s t e m á t ic a . C a m p i n a s : L u z p a r a o C a m in h o , 1 9 9 6 , p . 6 1 .
MÓDULO * I HERESIOLOGIA!
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) O que Joseph Smith disse com relação a Deus Pai?
2) Seria possível Deus Pai passar pela vida e pela morte como ensinam os mórmons? Explique.
3) Como a Bíblia descreve a eternidade de Deus?
3.8 O PECADO
O pecado é uma ofensa contra a santidade de Deus, além de suas conseqüências no mundo. Falando sobre
a queda de Adão, os mórmons consideram que ela foi benéfica para a humanidade, conforme pode se verificar
nesta transcrição: “Quando Adão foi expulso do Jardim do Éden, o Senhor impôs uma sentença. Algumas pessoas
têm considerado essa sentença como terrível. Pois não foi: foi uma bênção”.65 No Livro de Mórmon, que para os
mórmons é o mais correto que existe, Joseph Smith escreveu:
Algumas pessoas acreditam que Adão e Eva cometeram um sério pecado, quando comeram do fruto da árvore
do conhecimento do bem e do mal. Todavia, as Escrituras dos últimos dias nos ajudam a entender que a queda
foi um passo necessário no plano de vida e uma grande bênção para toda humanidade. Devido à queda, somos
abençoados com corpos físicos, com direito de escolher entre o bem e o mal e com a oportunidade de ganhar a
vida eterna. Nenhum desses privilégios poderia ser nosso, se Adão e Eva houvessem permanecido no jardim.
Após sua transgressão Jam ais teríamos tido semente, jamais teríamos conhecido o bem e o mal, nem a alegria de
nossa redenção, nem a vida eterna que Deus concede a todos os obedientes (Moisés 5.11).
Como se pode ler, o que vale para os mórmons são as “escrituras dos últimos dias”, ou seja, o que o presidente
da seita diz, pois ele ocupa o cargo de “o profeta”, não de um profeta, mas “o” profeta, exclusivo, único,
inigualável, etc.
Como estão sendo demonstradas, as várias doutrinas mórmons em nada se fundamentam nas Escrituras
Sagradas. Mais uma vez a Bíblia desestrutura a teologia mórmon com relação ao pecado, ao trazer as conseqüências
do pecado sob a vida de Adão e Eva. Muitas foram as conseqüências: afetou seu relacionamento com Deus (foi
rompido), sua natureza (adquiriu uma natureza pecaminosa), seus corpos (passaram a experimentar a morte
física), seu ambiente (a terra foi amaldiçoada) e sua posteridade (todos pecaram).
O Antigo Testamento afirma: “…porque à tua vista não há justo nenhum vivente” (Salmos 143.2); “Quem
pode dizer: Purifiquei o meu coração, limpo estou do meu pecado?” (Provérbios 20.9). Já no Novo Testamento,
Paulo é enfático ao declarar que todo homem é pecador e culpado e que a transgressão dos nossos primeiros pais
constituiu pecadora a sua posteridade ao dizer que “pela desobediência de um só homem, muitos se tomaram
pecadores” (Romanos 5.19), de modo que o pecado de Adão é imputado a toda raça humana, logo “todos morrem
em Adão” (1 Coríntios 15.22). Na Epístola aos Romanos, o apóstolo argúi que tanto os gentios quanto os judeus
encontram-se “destituídos da glória de Deus” por haverem todos se rebelado contra o Senhor, tomando-se
igualmente culpáveis diante de Deus (Romanos 3.23).
A condição pecadora da humanidade incapacita-a para um encontro com Deus, que só é possível pela
gratuidade de seu amor e predileção, até a chegada definitiva do Salvador: Jesus Cristo, “o cordeiro de Deus que
tira o pecado do mundo” (João 1.29).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) O que os mórmons dizem com relação ao pecado de Adão?
2) Quais as conseqüências do pecado na vida de Adão de acordo com as Escrituras?
65 S M IT H , J o s e p h F ie ld in g . D o u t r in a s d a s a l v a ç ã o , v o l. 1 , p . 1 2 3 .
150 CURSO DE TEOLOGIA
MÓDULO 4 ! HERESIOLOGIAI
3.9 SALVAÇÃO
A Bíblia ensina que a salvação é pela graça por meio da fé, independentemente das obras da lei, como disse
o apóstolo Paulo aos efésios: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de
Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2.8-9). Somos também justificados diante de
Deus pela fé, à parte das obras. De modo que é a graça que salva por meio da fé, que por sua vez produz obras
que dão testemunho sobre a eficácia da fé salvadora (Tiago 2). A conclusão que se obtém é que há dois meios de
buscar a salvação: à maneira de Deus, pela graça, ou à maneira do homem, pela obras. Os mórmons seguem o
caminho dos homens.
Ao contrário das Escrituras, o mormonismo ensina que a morte de Cristo na cruz apenas resgatou o homem
do efeito da queda. A expiação de Cristo, segundo os mórmons, garante o que eles chamam de “salvação geral”,
o que levará todo mundo, indiferentemente de terem aceitado Jesus Cristo pela fé ou não, à ressurreição, como se
lê: “A extensão da Expiação é universal e se aplica igualmente a todos os descendentes de Adão. Até o incrédulo,
o pagão e a criança que morre antes chegar à idade de responsabilidade, todos são remidos das conseqüências
individuais da queda…”.66 A expiação de Cristo não é aceita pela fé, “ a bênção da redenção dos pecados individuais
apesar de estar ao alcance de todos, depende, não obstante, do esforço individual”,67 ou seja, é alcançada por
mérito, conforme está escrito na terceira regra de fé: “Acreditamos que pela expiação de Cristo pode ser salvo
todo o gênero humano, por obediência às leis e mandamentos do evangelho”. Evangelho aqui citado não são as
boas novas de salvação anunciadas por Jesus, mas sim as ordenanças que a Igreja Mórmon impõe a seus fiéis,
como o batismo pelos mortos e o casamento para a eternidade.
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Quais são as conseqüências da morte de Cristo para os mórmons?
2) O que dizem os mórmons com relação à redenção dos pecados?
3) O que os mórmons querem dizer por evangelho?
66 T A L M A G E , J a m e s E . R e g r a s d e fé . S ã o P a u lo : S U D , 1 9 5 4 , p . 8 4 .
67 Id e m , p . 8 8 .
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CURSO DE TEOLOGIA ‘ r ~ ” « i
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154 CURSO DE TEOLOGIA
MÓDULO k | HERESIOLOGIAI
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SCHNOEBELEN, William. Maçonaria: do outro lado da luz. Curitiba: Luz e Vida, 1999.
SHANKS, Hershel. Para compreender os manuscritos do Mar Morto. Rio de Janeiro: Imago, 1993.
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________ . Como responder às Testemunhas de Jeová. São Paulo: Candeia, 1995, vol. 1.
________ . Testemunhas de Jeová, comentário exegético e explicativo. São Paulo: Candeia, 1995, vol. 2.
SILVA, Hylarino Domingues. As doutrinas mórmons. Curitiba: A. D. Santos, 1998.
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VALE, Agrício do. Por que estes padres católicos deixaram a batina? Curitiba: A. D. Santos, 1997.
VAN BAALEN, J. K. O caos das seitas um estudo sobre os “ism os” modernos. São Paulo: Imprensa Batista
Regular, 1986.
WOOTTON, R. F. Muçulmanos que encontraram a Cristo. São Paulo: Sepal, 1987.
CURSO DE TEOLOGIA 155
!H faculdade teológica betesda
m Moldando vocacionados
AVALIAÇÃO – MÓDULO IV
HERESIÒLOGIA
1) Diferencie seitas de heresias.
2) Por meio de quais características podemos conhecer uma seita?
3) Diferencie as seitas proféticas das seitas secretas.
4) Qual foi o nome dado à mansão que Rutherford comprou para recepcionar os patriarcas e em que ano
isso se daria?
5) Como ficou estabelecida a ida para os céus depois de 1935?
6) Quem foi a primeira criação de Jeová para as Testemunhas de Jeová?
7) Por meio de que atributos podemos afirmar que o Espírito Santo é uma pessoa?
8) Refute a posição mórmon de que Deus Pai é Pai de Jesus tanto na carne como no espírito.
9) Na visão que Joseph Smith teve ele viu Deus Pai e Deus Filho. Seria possível tal visão ter ocorrido?
Observe os textos de João 1.18 e 1 Timóteo 6.16.
10) Dê uma visão geral do que você aprendeu sobre heresiologia.
CARO(a) ALUNO(q):
• Envie-nos as suas respostas referentes a cada QUESTÃO acima. Dê preferência por digitá-las em
folha de papel sulfite, sendo objetivo(a) e daro(a).
CAIXA POSTAL 12025 • CEP 02013-970 * SÃO PAULO/SP
• Dê preferência, envie-nos as 5 avaliaçdes juntas.
LOUVOR E ADORACAO
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ………………………………………………………………………………………………………………………………………….. 163
1. DEFINIÇÃO DE T E R M O S…………………………………………………………………………………………………………………. 164
1.1 L O U V O R …………………………………………………………………………………………………………………………………………… 164
1.2 A D O R A Ç Ã O ………………………………………………………………………………………………………………………………………164
1.3 LITU R G IA ………………………………………………………………………………………………………………………………………… 165
2. ADORAÇÃO NA B ÍB L IA ……………………………………………………………………………………………………………………..166
2.1 FORMAS BÍBLICAS DE ADORAR A D E U S ………………………………………………………………………………….166
2.2 NO ANTIGO TESTAM ENTO……………………………………………………………………………………………………………167
3. ESTILOS DE L O U V O R …………………………………………………………………………………………………………………………. 169
3.1 IMPEDIMENTOS À A D O RA ÇÃ O ……………………………………………………………………………………………………169
3.2 BENEFÍCIOS DA A D O R A Ç Ã O ………………………………………………………………………………………………………..171
4. MÚSICA NO C ULTO …………………………………………………………………………………………………………………………….. 173
4.1 TIPO DE MÚSICA NO CU LTO …………………………………………………………………………………………………………173
5. O PERFIL DE UM LÍDER DE A D O RA Ç ÃO ………………………………………………………………………………………175
REFERÊNCIAS ………………………………………………………………………………………………………………………………………….. 177
INTRODUÇÃO 3
A adoração a Deus sempre esteve presente nos cultos e na vida do seu povo ao longo da história. Entretanto,
a forma de adoração varia conforme o tempo e a cultura. Embora o conteúdo da adoração bíblica não tenha se
alterado, somos desafiados a apresentar esse conteúdo com uma nova roupagem. Mas como fazê-lo sem distorcer
o que as Escrituras ensinam?
Para responder a essa e outras questões importantes a Faculdade Teológica Betesda compartilha nesta obra
experiências e princípios na área de adoração coletiva, fruto de anos de experiências na atuação pastoral.
Nosso objetivo é ajudar nossos irmãos que estão lidando com questionamentos e controvérsias em tomo
da música cristã contemporânea e também aqueles que estão buscando produzir músicas espirituais para sua
geração sem que, para isso, tenham de se desviar da vontade de Deus.
Nosso desafio é que após a leitura desta disciplina você possa oferecer um culto que agrade a Deus e transforme
sua vida.
Boa leitura!
1 DEFINIÇÃO DE TERMOS
A música sempre exerceu um papel importante na adoração a Deus. Desde a criação das hostes espirituais
até nossos dias somos influenciados por ela. Quem não gosta de cantar? Através da música expressamos nossos
sentimentos, emoções, enfim, expomos o que há de mais profundo na alma. É fato comprovado que diferentes
tipos de música levam a diferentes estados psicológicos: há músicas que acalmam, músicas que despertam,
músicas que ajudam a dormir, etc. Daí a importância do ministério musical dentro da igreja.
Na Palavra de Deus encontramos muitas exortações ao uso da música. O livro de Salmos está repleto de
chamados ao cântico e ao uso de instrumentos musicais (Salmos 147.1, 7; 149.1, 3; 150.3-5, etc.).
Para um melhor desempenho no ministério musical da igreja precisamos distinguir alguns termos usados
entre os cristãos.
1.1 LOUVOR
A palavra “louvor” quer dizer em seu uso comum “elogio”. Refere-se à expressão individual ou coletiva
de reconhecimento das qualidades de uma pessoa. Normalmente está associada à gratidão. Usado de forma
corriqueira, o termo louvor aponta para algum feito marcante da pessoa, para alguma característica sua que tenha
beneficiado um grupo ou uma pessoa. Dessa forma, o professor pode louvar o aluno por ser destaque na sala de
aula. A mãe pode louvar o filho por ser amoroso. Nada mais comum em nosso cotidiano.
Quando se refere a Deus, a palavra louvor assume conotação teológica. Nessa acepção, o termo passa a ser
entendido de duas formas possíveis: como “elogio” ou como “prática litúrgica”. Como elogio o louvor nada mais
é do que a expressão, individual ou coletiva, de reconhecimento do que Deus é e faz. Nesse processo, íntimo
ou coletivo, de manifestação, o coração humano salienta a santidade, a bondade, a fidelidade e a misericórdia
de Deus. Louvor aqui é um sentimento que se expressa, se exterioriza. E o ato de dizer a Deus o que sentimos e
pensamos a seu respeito. Embora ocorra também liturgicamente, não requer manifestação exterior alguma. Pode
ocorrer apenas no coração do devoto.
Alguns grupos religiosos não fazem distinção entre louvor e ação de graças, mas vale salientar que o louvor
reconhece e elogia o que Deus é e faz. Fala de suas virtudes e qualidades, manifestadas nos seus poderosos
feitos. Já a ação de graças se refere ao que ele fez por nós. Assim, agradecemos a Deus pelo que ele nos faz e o
louvamos pelo que ele é.
Na sua acepção litúrgica, a palavra louvor assume a conotação de um ritual complexo, que pode ocupar
momentos de uma celebração ou envolver todo o culto. Neste último caso é conhecido como culto de louvor, ou
mais conhecido hoje em dia como “louvorzão”. Nesse sentido a palavra significa, em grande parte das igrejas
contemporâneas, um período de reunião (ou toda ela) em que predominam a música e as expressões artísticas
destinadas a engrandecer o Senhor. Os conteúdos variam um pouco e envolvem segmentos tais como invocação,
contrição, súplica e ação de graças, mas predominam as expressões de exaltação às qualidades amorosas de
Deus, associadas à manifestação de compromisso pessoal e votos de santidade ou guerra espiritual.
1.2 ADORAÇÃO
O significado da palavra adoração, na língua portuguesa, é derivado da palavra inglesa “worship”, que tem
o sentido de “atribuir mérito ou valor” a algo ou alguém (cf. Salmos 96.1-6; 99.9). Portanto, adorar a Deus é
reconhecer e exaltar o que Ele é: grande, forte, poderoso, misericordioso.
CURSO DE TEOLOGIA
A palavra traz conotação mais íntima e afetiva, que aponta para expressões de amor. Ela não se materializa em
liturgia, embora esteja na gênese do louvor e da liturgia. É a resposta da alma regenerada ao Deus que a regenerou.
A adoração, assim como o amor, não se vê. O que aparece é seu resultado exterior, como expressão dramática
da intimidade. Suas exteriorizações comportamentais são de difícil reconhecimento. Num mesmo momento,
um dança e outro ajoelha; um canta e outro chora; um levanta a mão e outro bate palmas. No entanto, quando
adoram, todos amam, todos se expressam, todos oferecem sacrifício, todos se transformam nesse momento. É
importante lembrar que reverência não é sinônimo de silêncio, mas está relacionada a temor, isto é, a uma atitude
interior.
A adoração é oferta. E a expressão da alma que se rende aos pés de Deus, motivada pela fé e confiança no
poder divino, agindo com total dependência do Senhor. Essa foi a atitude do servo de Abraão quando foi buscar
uma esposa para Isaque: “E, prostrando-me, adorei ao SENHOR e bendisse ao SENHOR, Deus do meu senhor
Abraão, que me havia conduzido por um caminho direito, a fim de tomar para o filho do meu senhor uma filha
do seu parente” (Gênesis 24.48).
Adoração é agradecer a Deus por sua intervenção em favor dos seus escolhidos. Em resumo, diríamos que a
adoração acontece na dimensão do coração e requer profunda intimidade com Deus.
1.3 LITURGIA
A palavra liturgia vem do grego leitourgia, que quer dizer “função pública”, também ligada ao serviço prestado
aos deuses. Adotado pelo latim medieval, o termo virou “liturgia”, significando culto público.
Na adoração secreta, pessoal, a liturgia não faz sentido, pois a organização das ações não requer uma ordem
formal. Esta se faz necessária quando outras pessoas passam a ser envolvidas no processo. Assim, a liturgia nada
mais é do que uma ordem empregada ao culto público, de forma a evitar a desordem que reinaria caso ela não
existisse. No início da Igreja cristã a liturgia foi se desenvolvendo, adquirindo forma mais complexa e formal
com o tempo, chegando a ter sua ordem publicada.
No culto a liturgia tem a função de dar sentido, de ordenar compreensivelmente as diversas etapas e os ritos
que compõem um ritual. Uma liturgia mal-elaborada pode conspirar contra a beleza da celebração e prejudicar a
compreensão e a participação no culto, tomando-o truncado e cansativo. Uma liturgia bem-elaborada considera
aspectos tanto devocionais quanto de comunicação. Ela deve facilitar os propósitos da celebração.
CURSO DE TEOLOGIA 165
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2 ADORAÇÃO
NA BÍBLIA
O dicionário Aurélio define adoração como “culto a uma divindade; culto, reverência e veneração”. O
mesmo dicionário define o verbete adorar como “render culto a (divindade); reverenciar, venerar”. Embora
haja na Bíblia vários vocábulos para referir-se à adoração, o sentido essencial é o serviço. Por meio de dois
termos usados no Antigo e Novo Testamento, respectivamente ablôdhâ (hebraico) e latreia (grego), chegamos
a esse entendimento, pois significam, originalmente, o trabalho dos escravos ou empregados que se inclinavam
diante de seus senhores, reconhecendo sua superioridade. Sendo assim, a verdadeira adoração cristã nos leva a
reconhecermos a superioridade absoluta de Deus sobre todas as áreas de nossas vidas.
Seria um engano consciente acharmos que toda e qualquer expressão de adoração que parte do homem é
verdadeira. O homem possui um coração enganoso e uma mente limitada (cf. Jeremias 17.9; Isaías 55.8-9).
Essas duas características produzem um erro que não é percebido facilmente pelo homem, tudo por causa da
influência do pecado na vida do ser humano. Seria ilógico colocar como base de sustentação algo enganoso
e limitado. Devemos usar o que é firme e eterno. Só a Palavra de Deus é a base firme para avaliar o que é a
adoração verdadeira. Como única regra de fé e prática, tudo o que não concorda com a Palavra de Deus tem
de ser julgado falso.
2.1 FORMAS BÍBLICAS DE ADORAR A DEUS
Podemos dizer que a verdadeira adoração pode ser estabelecida de duas maneiras: a vertical e a horizontal.
• A adoração vertical é aquela que é dirigida exclusivamente para Deus e de Deus para o povo. Um
exemplo típico de adoração no Antigo Testamento ocorria quando o sacerdote entrava no templo para
adorar a Deus e o povo aguardava do lado de fora seu retomo. Comumente acontece nos momentos
de oração, dos cânticos voltados para Deus, o Espírito Santo ou Jesus Cristo, nas leituras, nas
mensagens.
• A adoração horizontal é aquela que é estabelecida entre os irmãos e entre eles e os visitantes, por meio
dos cumprimentos, abraços, cânticos voltados para o outro, para a comunhão e serviço.
Na Bíblia encontramos algumas formas para louvar e adorar a Deus que exaltam a glória do Criador e o amor
às suas criaturas. O louvor e a adoração na Bíblia demonstram que o coração dos homens e mulheres possuía
uma experiência com Deus tão significativa que desejavam ver todos os corações louvando, adorando a Deus e
transformando o mundo inteiro em uma canção de louvor ao Deus criador.
Atilano Muradas apresenta as seguintes formas para louvar e adorar a Deus:
1. Prostrando-se (de bruços com o ventre e o rosto no chão) como fazem os islâmicos. Encontramos esta
forma de adoração nas Escrituras: “E toda a congregação se prostrou quando cantavam o canto, e as
trombetas tocavam; tudo isso, até o holocausto se acabar” (2 Crônicas 29.28); “O, vinde, adoremos e
prostremo-nos! Ajoelhemos diante do SENHOR que nos criou” (Salmos 95.6); “Exaltai ao SENHOR,
nosso Deus, e prostrai-vos ante o seu santo monte, porque santo é o SENHOR, nosso Deus” (Salmos
9 9 .9 -A R A ).
2. Ajoelhando-se: é a forma mais usual do fiel em busca de Deus. “ …para que ao nome de Jesus se
dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra e toda língua confesse que
Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai” (Filipenses 2.10-11).
3. Com palmas: “Aplaudi com as mãos, todos os povos; cantai a Deus com voz de triunfo” (Salmos
47.1).
4. Levantando as mãos: “Assim, eu te bendirei enquanto viver; em teu nome levantarei as minhas
mãos” (Salmos 63.4); “No dia da minha angústia busquei ao Senhor; a minha mão se estendeu de
noite e não cessava; a minha alma recusava ser consolada” (Salmos 77.2); “Levantai as mãos no
santuário e bendizei ao SENHOR” (Salmos 134.2).
5. Com danças: “Então, Miriã, a profetisa, a irmã de Arão, tomou o tamboril na sua mão, e todas as
mulheres saíram atrás dela com tamboris e com danças” (Êxodo 15.20); “Louvai-o com adufes e
danças; louvai-o com instrumentos de cordas e com flautas” (Salmos 150.4 – ARA).
6. Falando: “Lavo as minhas mãos na inocência; e assim andarei, SENHOR, ao redor do teu altar,
para publicar com voz de louvor e contar todas as tuas maravilhas” (Salmos 26.7); “Os meus lábios
exultarão quando eu te cantar, assim como a minha alma que tu remiste” (Salmos 71.23).
7. Com brados de triunfo: “E cantavam a revezes, louvando e celebrando ao SENHOR, porque é
bom; porque a sua benignidade dura para sempre sobre Israel. E todo o povo jubilou com grande
júbilo, quando louvou o SENHOR, pela fundação da Casa do SENHOR” (Esdras 3.11).
8. Com alegria: “Cantem e alegrem-se os que amam a minha justiça, e digam continuamente: O
SENHOR, que ama a prosperidade do seu servo, seja engrandecido” (Salmos 35.27); “Vinde,
cantemos ao SENHOR! Cantemos com júbilo à rocha da nossa salvação!” (Salmos 95.1).
9. Com cânticos: “Cantai-lhe um cântico novo; tocai bem e com júbilo” (Salmos 33.3); “A ti, ó Deus,
cantarei um cântico novo; com o saltério e com o instrumento de dez cordas te cantarei louvores”
(Salmos 144.9).
10. Com instrumentos musicais: “E Davi e toda a casa de Israel alegravam-se perante o SENHOR,
com toda sorte de instrumentos de madeira de faia, com harpas, e com saltérios, e com tamboris, e
com pandeiros, e com címbalos” (2 Samuel 6.5). Não existem instrumentos santos ou profanos, o
que há são pessoas santas, separadas para o louvor e adoração ao Deus verdadeiro.
Estas formas citadas mostram que não existem limites para o louvor e adoração a Deus. É o próprio Espírito
de Deus que move os corações dos fiéis com autoridade e criatividade para a sua particular adoração. Deus não
se agrada com gritarias, exageros, mas se deleita com uma adoração sincera, de todo o coração, que redunde na
edificação da Igreja de Cristo.
Em toda Bíblia encontramos um padrão de adoração que se repete; sempre a adoração é iniciada por Deus,
que age poderosamente em favor de seu povo. Como retribuição desse favor divino alcançado, a resposta do
povo é a gratidão, o louvor e a prontidão para o serviço.
2.2 NO ANTIGO TESTAMENTO
Contemplamos expressões de adoração bastante significativas: Abraão adorou construindo um altar e nele
ofereceu sacrifício: “E apareceu o SENHOR a Abrão e disse: À tua semente darei esta terra. E edificou ali um
altar ao SENHOR, que lhe aparecera. E moveu-se dali para a montanha à banda do oriente de Betei e armou
a sua tenda, tendo Betei ao ocidente e Ai ao oriente; e edificou ali um altar ao SENHOR e invocou o nome do
SENHOR” (Gênesis 12.7-8; 13.18; 15.1-11; 22.13-14). Enquanto o povo peregrinou no deserto, sacrificava a
Deus os animais por ocasião da Páscoa (Êxodo 12.1-28), na consagração dos primogênitos ao Senhor (Êxodo
13.1-2) e cantavam hinos de vitória e júbilo (Êxodo 15.1-21). Foi Davi quem organizou o povo numa comunidade
de adoração, estabelecendo os turnos dos levitas para ministrarem a adoração no templo; apontou os porteiros, os
músicos e os oficiais (1 Crônicas 23-26). Outra grande contribuição de Davi foram seus salmos, que mais tarde
se incorporaram ao cânon judaico.
CURSO DE TEOLOGIA ‘. V ““ “ ‘ -• •
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No período intertestamentário, depois do exílio de Israel e antes do Novo Testamento, o povo adorava ao
Senhor nas sinagogas. O louvor iniciava os trabalhos religiosos e em seguida eram feitas as orações e a declaração
de fé judaica: “Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR” (Deuteronômio 6.4).
No princípio do Novo Testamento encontra-se uma expressão muito significativa dos próprios anjos, por
ocasião do nascimento do Filho de Deus: “E, no mesmo instante, apareceu com o anjo uma multidão dos
exércitos celestiais, louvando a Deus e dizendo: Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para com os
homens!” (Lucas 2.13-14). Também se observam elementos na adoração dos cristãos primitivos: oração (Atos
2.42); canto (Colossenses 3.16); leitura, pregação e ensino das Escrituras (1 Timóteo 4.13); ofertas (1 Coríntios
16.2) e celebração da Ceia do Senhor (1 Coríntios 11.17-34).
Nas Escrituras Sagradas encontramos algumas diretrizes sobre o louvor que, se observadas, poderão trazer
bênçãos e vitórias aos cristãos:
1. E mandamento de Deus para os cristãos do Novo Testamento, como se pode observar: “Portanto,
ofereçamos sempre, por ele, a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o
seu nome” (Hebreus 13.15). O sacrifício de louvor precisa ser oferecido sempre e a Deus. A medida
que confessamos o nome de Jesus estamos louvando a Deus, pois reconhecemos sua salvação e seu
senhorio espiritual sobre nossas vidas.
2. Davi entendeu a importância do louvor e sua influência: “Louvarei ao SENHOR em todo o tempo;
o seu louvor estará continuamente na minha boca…” (Salmos 34.1). Os fiéis necessitam louvar ao
Senhor constantemente, sem cessar, pois o louvor lhes trará grande alegria e edificação.
3. Os discípulos do Senhor tinham o hábito de louvar a Deus de modo que “estavam sempre no
templo, louvando e bendizendo a Deus” (Lucas 24.53).
4. Nada acontece na vida do fiel que não seja vontade permissiva de Deus, por isso escreveu o apóstolo
Paulo: “Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” (1
Tessalonicenses 5.18). A vontade de Deus é que sejamos agradecidos por tudo, coisas boas e coisas
ruins, mas em Cristo.
5. Uma característica notória de quem está com a vida cheia do Espírito Santo, produzindo o fruto
espiritual: “…falando entre vós com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, cantando e salmodiando
ao Senhor no vosso coração, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso
Senhor Jesus Cristo” (Efésios 5.19-20).
6. O louvor é a porta de entrada do culto ao Senhor, como escreveu o salmista: “Entrai pelas portas
dele com louvor e em seus átrios, com hinos; louvai-o e bendizei o seu nome” (Salmos 100.4). Ao
entrar no santuário de Deus, é necessário que tenhamos profunda gratidão por todas as bênçãos a
nós concedidas pelo Pai.
7. Uma mensagem vinda do trono, a ser considerada: “E saiu uma voz do trono, que dizia: Louvai
o nosso Deus, vós, todos os seus servos, e vós que o temeis, tanto pequenos como grandes”
(Apocalipse 19.5). O Rei dos Reis, o Senhor dos Senhores deve ser louvado por todos os que nele
crêem e esperam.
8. Um hábito que deve ser praticado o dia todo: “Desde o nascimento do sol até ao ocaso, seja louvado
o nome do SENHOR” (Salmos 113.3). Não é só no templo, mas em todas as nossas casas, no
trabalho, na escola, na rua, o tempo todo devemos louvar ao Senhor.
168 CURSO DE TEOLOGIA
3 ESTILOS DE LOUVOR
As três principais missões da Igreja no mundo são: evangelização, o ensino da Palavra e a adoração. Essa
tríade representa as dimensões do relacionamento cristão: horizontal, central e vertical. A evangelização está
relacionada com a missão horizontal da Igreja – a Igreja e o mundo. O ensino das Escrituras Sagradas diz respeito
à missão central da Igreja. A adoração refere-se à missão vertical da Igreja – a Igreja e Deus.
Sobre esta última missão, muito se tem discutido sobre qual é o verdadeiro estilo de louvor que deve ser
oferecido a Deus. A realidade é que não há um consenso. Entendemos que não existe um estilo de louvor que
deva ser seguido por todas as igrejas e denominações. A verdade é que não há nas Escrituras fundamento para
um único estilo de culto. O essencial está na qualidade, e não na forma. Atualmente existem vários estilos de
adoração nas igrejas evangélicas.
Muitas mudanças profundas ocorreram nos últimos 40 anos nas igrejas protestantes (principalmente nas
pentecostais) com relação aos cultos, e particularmente à adoração. Muitas dessas mudanças são resultado de um
esforço consciente de livrar-se do ritualismo e da liturgia e depender somente do Espírito Santo para manifestar
a presença de Deus nos cultos e conseqüentemente levar os crentes a adorarem ao Senhor.
De uma forma resumida, podemos classificar os estilos de louvor entre os mais tradicionais aos menos
tradicionais, ficando assim divididos: litúrgico, tradicional, avivado, louvor e adoração.
Litúrgico – E o mais tradicional de todos os estilos. Valoriza muito a reverência, sendo totalmente planejado
e estruturado. Os pontos fortes do culto litúrgico são sua forma e estrutura que fazem a congregação chegar até
Deus, digno de ser louvado em honra e majestade; gera no adorador um senso de temor a Deus e faz sobressair
a leitura das Escrituras.
Nesse estilo deve-se tomar cuidado para que a distância entre Deus e o adorador não se tome intransponível;
não se tome mecânico e iniba a atuação do Espírito Santo, de modo que o racional sacrifique o emocional.
Tradicional – Também segue um planejamento e uma estrutura bem rígida, mas não como no litúrgico. Dá
menos ênfase à leitura da Bíblia, com intervalos maiores na celebração da Ceia do Senhor.
Avivado – E um estilo mais informal, acompanhado de manifestações de entusiasmo, com pregação
direcionada ao evangelismo. Devido à informalidade, os adoradores sentem-se mais à vontade e participam mais
ativamente do culto. As músicas estimulam a emoção, e a pregação desafia os ouvintes.
Louvor e adoração – É um estilo mais atual, sendo também conhecido como pentecostal. Tem como
característica a informalidade, com muita música, com o objetivo de buscar a presença imediata de Deus, a
manifestação de línguas estranhas e expulsão de demônios.
3.1 IMPEDIMENTOS À ADORAÇÃO
Antes de falarmos sobre os fatores que impedem a adoração, é bom dizer que nas línguas originais o sentido
do termo “adoração” é chegar-se a Deus de modo reverente, submisso e agradecido, a fim de glorificá-lo. Adorar
é um ato de total rendição, gratidão e exaltação jubilosa a Deus (Salmos 95.6; 2 Crônicas 29.30; Mateus 2.11). É
CURSO DE TEOLOGIA 169
0 Espírito Santo que habilita o crente a adorar com profundidade e temor a Deus (João 4.23-24; Efésios 5.18-19;
1 Coríntios 14.15; Atos 10.46; Filipenses 3.3).
Deus é infinitamente sublime em majestade, poder, santidade, bondade, amor e glória. Por isso, devemos
adorá-lo e servi-lo com toda reverência, fervor, zelo, sinceridade e dedicação (Hebreus 12.28-29).
Mesmo com tantos motivos para agradecer a Deus, não são raras as vezes em que ouvimos algumas pessoas
dizerem que saíram de um culto insatisfeitas, sem ser alimentadas. Não temos a menor dúvida de que se isso
aconteceu ficou faltando a parte essencial na adoração: o encontro com Deus.
De acordo com Russel Shedd, podemos apontar alguns desses obstáculos que impedem a adoração:
1. Atitude incoerente – Ao nos aproximarmos do altar de Deus, nossos corações precisam estar livres
de qualquer sentimento de amargura, inveja, contenda ou outros sentimentos negativos em relação
aos nossos irmãos com quem nos reunimos para adorar. A Bíblia mostra o exemplo de Caim, cuja
adoração foi rejeitada pelo Senhor. Freqüentemente alguns estudiosos dizem que sua oferta não
foi aceita porque não envolvia sangue. Entretanto, não há indícios nas Escrituras de que Deus não
aceitaria uma oferta dos frutos da terra. O que podemos dizer é que a oferta de Caim não foi aceita
pelo simples fato de sua atitude não ser coerente com sua adoração. O mais provável é que a inveja,
o rancor, o espírito faccioso dominavam seu interior. “Qualquer atitude de ressentimento, vingança
ou cobrança de dívida moral do passado impede uma adoração real.”1
2. Exterioridade e tradicionalismo – De modo inevitável a tradição na religião produz exterioridades,
a menos que lutemos conscientemente contra ela. Toda vez que nos apegamos mais à tradição e
à aparência do culto, naturalmente estaremos colocando obstáculos ao verdadeiro culto, que deve
ser em espírito e em verdade. “As exterioridades corroem qualquer prática bem intencionada ou
inocente, seja a de bater palmas, ajoelhar-se, ficar em pé, levantar os braços ou sentar-se num banco
da igreja.”2
3. Rotina – O dicionário Aurélio define rotina como “a seqüência de atos ou procedimentos que se
observa pela força do hábito”. Sendo assim, em todas as esferas de nossas vidas nos habituamos com
certas atitudes que passam a regular nossás vidas e nos fazem ignorar a necessidade de aprendermos
e renovarmos constantemente nosso comportamento. Podemos dizer que a tradição anda de mão
dada com a rotina. Para a vida espiritual a rotina causa danos irreparáveis, pois impede que seja
entoado um cântico novo ao Senhor; ser sensível à voz do Espírito Santo para que seja renovada a
mente. “Com muita facilidade a rotina pode caracterizar os cultos. Aquilo que atraía e empolgava
no início da vida cristã passa a ser um hábito irrefletido, um caminho percorrido automaticamente,
de maneira que a sua utilidade se perde.”3
4. Mundanismo – A influência que o mundo exerce sobre o coração das pessoas apegadas às coisas da
terra, ao prazer momentâneo que este pode oferecer, afasta-as da comunhão com Deus, ao mesmo
tempo em que o compromisso com seu Filho afasta os discípulos do mundanismo. Foi o que ocorreu
com Demas, como disse o apóstolo Paulo: “Porque Demas me desamparou, amando o presente
século, e foi para Tessalônica…” (2 Timóteo 4.10).
5. Pecado não confessado – O aspecto mais crítico do pecado é que ele é contra Deus. E um ato
contra a lei e o desejo de Deus e, portanto, contra o próprio Deus. O pecado interrompe nosso
relacionamento e comunhão com Deus. Ele distorce e deprava nossa personalidade, criada para
se relacionar com Deus, e debilita, polui e desintegra nosso ser. O pecado consciente, cultivado e
defendido no recôndito do coração, não pode deixar de ser motivo intransponível para Deus nos
negar o prazer de sua companhia. O apego obstinado a alguma impureza, por parte de um filho,
1 S H E D D , R u s s e ll. A d o r a ç ã o b íb lic a . S ã o P a u lo : V i d a N o v a , 1 9 9 9 , p . 1 2 5 .
2 Id e m , p . 1 2 7 .
3 Idem, p. 128.
tom a impossível a adoração real.
6. Desinteresse e ingratidão – Quando não damos o devido valor à obra que Cristo realizou em nosso
favor, qualquer coisa abala nossa fé. Como é evidenciada, na prática, a ingratidão? Considerando
pouco o que Deus faz por nós (Números 16.9-10); esquecendo dos benefícios que Deus fez em
nossas vidas (Salmos 78.16-17; 27-32); esquecendo de Deus exatamente por causa das bênçãos que
ele nos concede (Deuteronômio 8.12; 32.6,15,18,13); levando a pecados m aiores-esquecim ento e
ingratidão geram idolatria (Juizes 2.11-12); com uma mudança das prioridades de vida – os ingratos
são “amantes de si mesmos” (2 Timóteo 3.2). Gratidão é a lembrança de algo que foi feito em nosso
favor, enquanto a ingratidão leva ao esquecimento, à mudança de rumo e de prioridades. Temos
noventa por cento de ingratidão no incidente dos leprosos curados em Lucas 17.11-19.
7. Preguiça e negligência – A negligência espiritual é a inércia psíquica, a indiferença do crente que,
podendo ser participante da obra de Deus, não o faz por displicência, relaxamento ou preguiça
mental. Estas disposições prejudicam toda a Igreja e não somente aqueles que praticam tal ato.
“Quase sempre, a diminuição da fome pela comunhão com Deus tem alguma explicação razoável.
Aos poucos, alguma coisa vai ocupando o espaço que antes abrigava o Espírito Santo. Paixão por
alguém do sexo oposto, um ‘hobby’, descoberta de ‘novas’ verdades num livro filosófico; enfim,
qualquer desperdício de energia mental ou espiritual que deixe a pessoa desmotivada para um culto
vital.”4
8. Falsa adoração – Em nossos dias existem muitas pessoas que, embora pareçam adorar a Deus,
na verdade não prestam um culto de adoração a ele. Israel foi repreendido pelo profeta porque
não cultuava a Deus conforme sua revelação: “Ouvi a palavra do SENHOR, vós, filhos de Israel,
porque o SENHOR tem uma contenda com os habitantes da terra, porque não há verdade, nem
benignidade, nem conhecimento de Deus na terra. Só prevalecem o perjurar, e o mentir, e o matar,
e o furtar, e o adulterar, e há homicídios sobre homicídios. Por isso, a terra se lamentará, e qualquer
que morar nela desfalecerá com os animais do campo e com as aves do céu; e até os peixes do mar
serão tirados. Todavia, ninguém contenda, nem qualquer repreenda; porque o teu povo é como
os que contendem com o sacerdote. Por isso, cairás de dia, e o profeta contigo cairá de noite;
e destruirei a tua mãe. O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu
rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim;
visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos. Como eles se
multiplicaram, assim contra mim pecaram; eu mudarei a sua honra em vergonha” (Oséias 4.1-7). O
texto evidencia os pecados do povo, pois, multiplicando-se em número e em riquezas, esqueceu-se
de Deus.
3.2 BENEFÍCIOS DA ADORAÇÃO
Enquanto a adoração fala do que somos, o louvor fala do que fazemos. A adoração é gerada dentro do homem,
onde só Deus pode ver. O louvor inevitavelmente se exterioriza, e os homens também podem ver. Como vimos
até aqui, adoração significa reverência a Deus, por meio de uma vida de reconhecimento e amor. Não é possível
adorar sem louvar, mas é possível louvar sem adorar.
Aqueles que têm participado ativamente do louvor e adoração a Deus têm usufruído de benefícios incalculáveis,
descobrindo o segredo de uma das experiências mais enriquecedoras de suas vidas.
Russel Shedd destaca seis benefícios que o louvor proporciona:
1) Segurança espiritual
2) Comunhão e reconhecimento mútuo
3) Santificação
4) Visão transformada
4 Id e m , p . 1 3 4 .
5) Evangelização
6) Alegria espiritual
Realmente, aquele que adora a Deus de todo o seu coração experimenta bênçãos desse louvor. Adoração e
louvor incentivam os crentes em todos os aspectos a buscarem a maturidade espiritual. Jesus nos exortou para
que buscássemos a perfeição: “Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai, que está nos céus” (Mateus
5.48). O apóstolo Paulo lembrou que os dons foram concedidos aos crentes visando o seu aperfeiçoamento: “…
até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da
estatura completa de Cristo, para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo vento
de doutrina…” (Efésios 4.13-14).
m CURSO DE TEOLOGIA
4 MUSICA NO CULTO
Atualmente há um pensamento generalizado de que o ministério de música com equipe organizada é algo
recente e que provém de modismo. Porém, ao estudarmos a Palavra de Deus, encontramos Davi instituindo o
ministério de louvor de forma organizada na Casa de Deus:
Davi Juntamente com os chefes do serviço, separou para o ministério os filhos de Asafe, de Hemã e de Jedutum,
para profetizarem com harpas, alaúdes e címbalos. O rol dos encarregados neste ministério foi: dos filhos de
Asafe: Zacur, José, Netanias e Asarela, filhos de Asafe, sob a direção deste, que exercia o seu ministério debaixo
das ordens do rei. Quanto à família de Jedutum, os filhos: Gedalias, Zeri, Jesaías, Hasabias e Matitias, seis, sob
a direção de Jedutum, seu pai, que profetizava com harpas, em ações de graças e louvores ao SENHOR. Quanto
à família de Hemã, os filhos: Buquias, Matanias, Uziel, Sebuel, Jerimote, Hananias, Hanani, Eliata, Gidalti,
Romanti-Ezer, Josbecasa, Maloti, Hotir e Maaziote. Todos estes foram filhos de Hemã, o vidente do rei e cujo
poder Deus exaltou segundo as suas promessas, dando-lhe catorze filhos e três filhas. Todos estes estavam sob
a direção respectivamente de seus pais, para o canto da Casa do SENHOR, com címbalos, alaúdes e harpas,
para o ministério da Casa de Deus, estando Asafe, Jedutum e Hemã debaixo das ordens do rei. O número deles,
juntamente com seus irmãos instruídos no canto do SENHOR, todos eles mestres, era de duzentos e oitenta e oito
(1 Crônicas 25.1-7).
Dessa forma, podemos ver que já naquele tempo havia ministério de música ou música a serviço da Casa de
Deus de uma maneira organizada. De acordo com este texto das Escrituras, percebemos alguns princípios que,
quando aplicados ao ministério musical da igreja, produzem um bom resultado:
a) Davi separou – Há necessidade de separação, santificação para este serviço, não se pode colocar qualquer
pessoa que saiba cantar bem ou tocar um instrumento e colocá-la para ministrar.
b) Chamados para profetizar – Os músicos tinham o chamado para profetizar com os instrumentos. Profetizar
é falar em nome de Deus, e para fazê-lo deve haver necessariamente conhecimento e revelação da Palavra, ter
intimidade com Deus por meio da oração e do jejum. Neste aspecto é necessário entender que o preparo espiritual
é tão importante como o técnico, pois Deus não está procurando tocadores, e sim adoradores (João 4.23-24).
c) Submissão – Outro aspecto do texto é que os músicos estavam debaixo de autoridade, eram totalmente
submissos. Esta é uma qualidade que Deus preza. Um coração quebrantando e contrito pronto para obedecer a
sua voz.
4.1 TIPO DE MÚSICA NO CULTO
Qual tipo de música seria a mais adequada ao louvor e adoração? Não é fácil definir o estilo de música no
culto em nossos dias; cada igreja segue um ritmo diferente que melhor se adaptou aos seus agregados.
Entendemos que a música é um dom de Deus, um presente dos céus aos homens e como tal deve ser utilizada
da melhor forma possível no culto. O apóstolo João disse que “todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada
do que foi feito se fez” (João 1.3). Todas as coisas são todas as coisas, incluindo o louvor e a música.
A música não é um fim em si mesmo, mas é um meio utilizado para determinado fim. Assim, a finalidade da
música pode ser para o bem ou para o mal, isto é, a música pode ser um instrumento de prejuízo ou beneficio
para as pessoas.
A música é o veículo por meio do qual adoramos e louvamos ao Senhor. E um dos elementos cúlticos. Dentro
do culto, a música exerce alguns propósitos:
1) Proclamar a Palavra de Deus
2) Expressar a adoração a Deus
3) Incentivar a identificação e a comunhão dos crentes, uns para com os outros
4) Testemunhar
17* CURSO DE TEOLOGIA
ifiÜKÉ áük ■SfeV
a M p p r > H J f – –
^ ç, . . *4*.’ , &&&&?* MÓDULO 4 I LOUVOR E ADORAÇÃO
O PERFIL DE UM LIDER
DE ADORAÇÃO
Considere os líderes que Deus escolheu para seu povo em toda a Escritura. De modo geral, eles não eram os
melhores ou mais brilhantes, mas foram qualificados porque estavam sintonizados com Deus. Invariavelmente,
cada líder era rodeado de outras pessoas qualificadas e piedosas, com as quais não diminuía a perceptível
importância de seus colegas nem minimizava a significação ou papel dos dons e habilidades com que esse elenco
de apoiadores contribuía.
Especialistas dizem que cada ser humano influencia, pelo menos, dez mil pessoas ao longo de sua vida.
Portanto, a pergunta não é se você influenciará alguém, mas de que modo usará sua influência.
Liderar significa que alguém deve comandar, alguém deve tomar a decisão final, uma pessoa deve estar à
frente, proporcionando a orientação para o liderado. A verdade é que a liderança é algo complicado. Tem muitas
facetas: respeito, experiência, força emocional, habilidades pessoais, disciplina, visão, dinamismo, momento
certo para agir… e a lista continua. Bons líderes de adoração normalmente demonstram certas qualidades em suas
vidas, dentre as quais podemos destacar:
a) Não é neófito. Algumas igrejas sentem-se apressadas para improvisar seu conjunto musical e
acabam por indicar líderes de louvor que têm pouco fundamento espiritual. Enquanto habilidade
musical e experiência podem ser muito importantes, isto não deve ser mais importante do que o
caráter pessoal e o relacionamento com Deus. Líderes bem-sucedidos são aprendizes. O processo
de aprendizado é contínuo e resultado de autodisciplina e perseverança.
b) Dedicado estudioso da Bíblia. Nem toda música cristã ou de louvor está em linha com a Palavra de
Deus. O líder de adoração precisa estar fundamentado biblicamente para discernir com que tipo de
material ele ou ela está alimentando as pessoas.
c) Vida de oração. De tempo em tempo aqueles que estão no grupo de louvor irão inevitavelmente ao
líder em busca de ajuda.
d) Afável. Se o líder de adoração é apático diante das pessoas, a congregação irá se sentir desconfortável
e terá dificuldades de entrar em adoração. As pessoas estão mais prontas a seguir líderes que
demonstram confiança e mostram que sabem aonde estão indo.
e) Conhecimento musical. Davi indicou músicos que eram habilidosos. Isso não significa que seja
necessário ser graduado em música, mas que tenha chamado para este ministério da adoração.
f) Submisso à autoridade. Líderes de adoração devem necessariamente estar subordinados ao
ministério da igreja.
A liderança é algo que se desenvolve dia após dia, e não em um dia; isso é uma realidade. A boa notícia é que
a capacidade de liderança não é estática. Independentemente do ponto de partida podemos sempre melhorar.
REFERENCIAS
BAGGIO, Sandro. Revolução na música gospel. São Paulo: Exodus, 1997.
BASDEN, Paul. Adoração ou show? Críticas e defesas de seis estilos de culto. São Paulo: Vida, 2006.
FISHER, Tim. A música cristã. São Paulo: Batista Regular, 2005.
PAES, Carlito; COSTA, Sidney. Ministério de adoração na igreja contemporânea. São Paulo: Vida, 2003.
SHEDD, Russel P. Adoração bíblica. São Paulo: Vida Nova, 1999.
WILLIAMS, Roger. Adoração: um tesouro a ser explorado. Belo Horizonte: Betânia, 2004.
CURSO DE TEOLOGIA 177
( ———————————A
faculdade teológica betesda
Moldando vocacionados
AVALIAÇÃO – MÓDULO IV
LOUVOR E ADORAÇÃO >
1) Na conotação teológica o que significa louvor?
2) O que se entende por adoração vertical e horizontal?
3) De uma maneira resumida, de que forma podemos classificar os estilos de louvor?
4) Quais os propósitos que a música exerce no culto?
5) Cite quatro características que um líder de adoração deve possuir.
CARO(a) ALUNO(a):
• Envie-nos as suas respostas referentes a cada QUESTÃO acima. Dê preferência por digitá-las em
folha de papel sulfite, sendo ob[etivo(a) e claro(a).
CAIXA POSTAL 12025 • CEP 02013-970 • SÃO PAULO/SP
• Dê preferência, envie-nos as 5 avaliações juntas.
“Então conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor” (Os 6.3)
0 conhecimento sobre Deus não é apenas uma possibilidade, mas também um direito de todos os homens.
A Bíblia Sagrada nos ensina que Deus, graciosamente, revela-se ao homem, convidando
a todos a experimentarem sua bendita graça.
Com essa visão, e sob o lema “Moldando vocacionados” , a FTB (Faculdade Teológica Betesda), uma instituição
interdenominacional filiada às principais entidades da classe, oferece os seguintes cursos:
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Efésios 4.12, o objetivo da FTB é a formação integral do aluno, lapidando seus talentos e o capacitando
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