Teologia Própria
– Doutrina de Deus

TEOLOGIA
PASTORAL
Bacharelado em
Teologia Própria – 2
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SUMÁRIO
1 – O CONHECIMENTO DE DEUS…………………………………………………………………….3
2 – A EXISTÊNCIA E O SER DE DEUS………………………………………………………………3
2.1. A EXISTÊNCIA DE DEUS ………………………………………………………………………………..3
2.2. PROVAS TRADICIONAIS DA EXISTÊNCIA DE DEUS…………………………………………………..3
2.3. O SER (A NATUREZA) DE DEUS ……………………………………………………………………….4
2.4. OS ATRIBUTOS DE DEUS……………………………………………………………………………….4
3 – OS NOMES DE DEUS ……………………………………………………………………………….6
3.1. NO ANTIGO TESTAMENTO ………………………………………………………………………………6
3.2. NO NOVO TESTAMENTO ………………………………………………………………………………..8
4 – DEUS E SUA TRIUNIDADE. ……………………………………………………………………….8
4.1. A TRIUNIDADE NO ANTIGO TESTAMENTO…………………………………………………………….9
4.2. A TRIUNIDADE NO NOVO TESTAMENTO …………………………………………………………….10
5 – JESUS CRISTO, DEUS CONOSCO…………………………………………………………….. 12
6 – O ESPIRITO SANTO………………………………………………………………………………. 13
7 – DISTORÇÕES HISTÓRICAS SOBRE A DOUTRINA DA TRIUNIDADE………………… 15
8 – TEXTOS DIFICEIS – E EXPLICADOS ………………………………………………………… 16
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1 – O CONHECIMENTO DE DEUS
É fato que Deus não pode ser plenamente conhecido por ninguém (Sl. 139: 6;
145: 3; Rm. 11:33), tudo que podemos conhecer de Deus é porque Ele quis nos
manifestar (Mt. 11: 27; Rm. 1:19). Não é a sabedoria humana que faz Deus
conhecido, mas a revelação (1 Co. 1:21; 2: 14; 2 Co. 4: 3-4). Isto porque o finito não
pode compreender o infinito. Para alcançar o conhecimento de Deus dependemos
das Escrituras Sagradas. O reformador João Calvino considerava que para o
homem é impossível investigar as profundezas do Ser de Deus. “Sua essência,” diz
ele, “é incompreensível de tal maneira que sua divindade escapa completamente aos
sentidos humanos”. Não é que os Reformadores Protestantes negassem que o
homem pode saber algo da natureza de Deus por meio da criação, mas afirmavam
que o homem só pode adquirir verdadeiro conhecimento de Deus pela Revelação
Especial, sob a iluminadora influência do Espírito Santo. Sem a revelação o ser
humano jamais seria capaz de adquirir qualquer conhecimento de Deus, pois só o
Espírito Santo pode dar esse conhecimento (1 Co. 2:11). Assim, só com a Bíblia
podemos conhecer coisas verdadeiras acerca de Deus, e essa é a glória do ser
humano (Jr. 9: 23-24). Portanto, é, sobretudo pelas Escrituras, que nos guiaremos
neste estudo.
Mas, por que conhecer Deus? O conhecimento de Deus se faz necessário,
porque é só conhecendo o objeto da nossa adoração, que saberemos como nos
relacionar corretamente com Ele, como obedecê-lo e adora-lo (Vd. Jo. 4: 19-24).
Se Deus não é conhecido, não pode ser obedecido; porque a obediência é
sempre baseada sobre o conhecimento. Quando a alma é abençoada com o
conhecimento de Deus, descobre que este conhecimento é vida (João 17:3), e vida é
poder; e quando se tem pode-se agir.
2 – A EXISTÊNCIA E O SER DE
DEUS
2.1. A Existência de Deus
Uma primeira coisa a ser notada é que a Bíblia não se preocupa em tentar
provar que Deus existe. A Bíblia já pressupõe que uma pessoa de sã consciência,
não negará a existência do Ser criador, e que a criação é um testemunho
incontestável dEle (Gn. 1:1; Sl. 19: 1-2; 14:1; Rm. 1: 18-20).
2.2. Provas Tradicionais da Existência de Deus
Durante a história algumas pessoas se viram compelidas a desenvolver
argumentos racionais para explicar a existência de Deus, fazendo frente aos
incrédulos. Os argumentos mais conhecidos são:
A. Argumento Ontológico. Este argumento diz que o ser humano tem a idéia
de um ser absolutamente perfeito, e que a existência é uma característica essencial
da perfeição, ou seja, um ser para ser perfeito tem que existir. E esse ser perfeito
seria Deus.
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B. Argumento Cosmológico. Declara este argumento que tudo o que existe no
mundo tem uma causa, sendo assim, também o universo inteiro (o cosmos) deve ter
uma causa, e uma causa infinitamente grande, portanto essa causa seria Deus.
C. Argumento Teleológico. Este argumento afirma que todo o universo uma
ordem, uma inteligência, uma harmonia e um desígnio / objetivo. Isto mostraria
então a existência de um ser inteligente que planejou tudo isto que os nossos olhos
contemplam, portanto, Deus.
D. Argumento Moral. Diz este argumento que o reconhecimento pelo ser
humano de um bem supremo, e sua busca do ideal moral exige e necessita da
existência de um Deus que converta esse ideal em realidade.
E. Argumento Histórico. Este argumento diz que em todas as tribos e povos do
mundo se encontra um sentimento do divino, uma forma de culto, e isto deve
pertencer a natureza própria do homem. E se a natureza humana tem essa
inclinação para a adoração religiosa, isto só se explica com a existência de um ser
superior que deu ao ser humano uma natureza religiosa.
2.3. O Ser (A Natureza) de Deus
“Deus, o Soberano Proprietário do Universo, é espírito, eterno, infinito e
imutável em sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade e verdade”.
É claro que não se pretende aqui dissecar a natureza divina, isso seria
impossível, apenas vamos dar uma olhada em como a Bíblia revela um pouco da
natureza da Divindade, sem querer ser exaustivo.
A. Deus é Infinito (Ex. 3:14-15; Sl. 90:2). Ele é um ser absoluto. Não provém,
nem é condicionado por coisa alguma. É a causa de tudo, e é livre de qualquer
fronteira/limitação.
B. Deus é Espírito (Jo. 4:24). Por ser um espírito Ele não é um ser corpóreo,
material. Deus não possui as propriedades da matéria, porque um espírito não tem
estas propriedades (Lc. 24:37-39) e, portanto, jamais pode ser discernido pelos
sentidos físicos (Jo. 1:18). Por esta causa, é expressamente proibido na Bíblia, fazer
imagens e representações de Deus (Êx. 20:4; Rm. 1:23-25).
C. Deus é Pessoal (Jo. 1:18; 10:30; 1Jo. 4:8). Isto significa que Deus tem
mente, vontade, é inteligente, possui razão, autoconsciência, individualidade,
autodeterminação. Por isso, erra todo movimento que confunde Deus com uma
força, uma energia, um poder, ou coisas semelhantes.
D. Deus é Santo (Lv. 11:44; Is. 6:1-3; 1Jo. 1:5-6). Isto significa que Ele é
essencialmente (na sua natureza) puro, não existe mal em seu ser. Ele é
completamente santo (Sl. 77: 13).
2.4. Os Atributos de Deus
Passaremos a considerar a revelação das qualidades de Deus dividindo-as em
duas seções: atributos Incomunicáveis e Comunicáveis.
A. Atributos Incomunicáveis. Estas são aquelas qualidades que só Deus tem.
São as seguintes:
• Deus é Eterno (Sl. 90: 2; 1 Tm. 6:16). Ele é sem começo nem fim. É
autônomo, independente, e não precisa de nada para existir e se satisfazer
(At. 17: 24-25). Mesmo assim, Ele se alegra com o bom serviço de Suas
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criaturas (Is. 43:7; Ef. 1:11-12; Ap. 4:11). Sendo eterno Deus percebe o
tempo com igual realismo, para Ele sempre é presente, não tem passado,
nem futuro (90: 4; 2 Pd. 3:8).
• Deus é Imutável (Sl. 102: 25-27; Is. 46: 9-11; Tg. 1: 17). Ele é invariável,
não pode ser diferente na sua essência: “Eu sou o que Sou” (Ex. 3:14). O
seu caráter não muda, agora, o seu procedimento com as pessoas pode
mudar (Gn. 6:6; Jn. 3:3:10). Mas, tudo isso que para nós parece mudança,
já está previsto no Seu eterno conselho, Sua vontade (Ef. 1:11).
o Desde toda a eternidade, e pelo sapientíssimo e santíssimo conselho
de sua própria vontade, Deus ordenou livre e imutavelmente tudo
quanto acontece; porém, de modo tal que nem é Deus o autor do
pecado, nem se faz violência à vontade das criaturas, nem é tirada a
liberdade ou contingência das causas secundárias, antes são
estabelecidas.
o E os textos como Gn 6:6; Ex. 32:9-14; Is. 38: 1-6; Jn. 3: 4,10, que
parecem mostrar que Deus muda de idéia, se arrepende? Sim, parece,
mas, não é isso que acontece. Estes textos mostram a atitude de Deus
diante da situação que existe naquele momento. O autor bíblico não
está sondando o secreto conselho de Deus, os seus decretos, ele esta
vendo a situação no momento que está acontecendo naquele instante,
e usa uma linguagem que se chama antropomórfica, isso para fazer o
ser humano entender como Deus se sentia com a rebeldia das pessoas
naquele momento. Textos assim não podem ser interpretados
literalmente, como também as passagens seguintes: Ex. 33:20; Dt.
8:3; Is. 30:27; Hb. 4:13.
• Deus é Onisciente (Jó 37: 16; Pv. 15:3, Hb. 4:13). Ele conhece todas as
coisas ao mesmo tempo. A. A. Hodge explica como isso se dá:
o Conhecemos as coisas sucessivamente, como elas se nos apresentam
e quando passamos inferencialmente do conhecido para o antes
desconhecido; Deus conhece todas as coisas eternamente por uma
intuição direta e toda compreensiva. Nosso conhecimento é
dependente; o de Deus é independente. O nosso é fragmentário; o de
Deus é total e completo.
• Deus é Onipotente (Gn. 17:1; Lc. 1:37; 2Co. 6:18; Ef. 1:11). Ele faz
acontecer tudo o que quiser, sempre!
• Deus é Onipresente (Sl. 139: 7-10; Jr. 23:23,24; Am. 9:1-4). Isto significa
que Deus está presente em toda parte. O ser humano não pode se esconder
de dEle, pois já vimos que Ele é onisciente (sabe tudo), e vemos que Ele é
onipresente, Sua presença enche todos os lugares, para Deus não existem
dimensões espaciais.
B. Atributos Comunicáveis. Essas qualidades de Deus as pessoas também
podem ter em menos grau, são qualidades de Deus que somos exortados a imitar.
• Santidade (Lv. 11:44-45; Is. 40:25). A pureza de Deus é elevada a grau
infinito (1Jo.1:5), mas os seus servos também são chamados a serem
santos (1Ts. 5: 23; Hb. 12:14; 1Pd. 1:13-16).
• Justiça (Dt.32:4; Rm.3:25-26). Todos os atos de Deus são corretos,mas os
seus servos também são exortados a buscarem a justiça ((Ef. 6:14; Fp. 1:9-
11).
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• Amor (1Jo. 4:8). Deus é amor, e manifesta isso em sua bondade e
misericórdia. Os seus servos também são aconselhados a amar (Mt. 22:37-
39; 1Jo. 4:7-21).
• Sabedoria (Sl.104: 24; Rm. 16:27). Deus é perfeito em sabedoria, mas os
seus servos podem ter sabedoria também (Tg. 1:5).
• Fidelidade (Nm. 23: 19; Sl. 145: 13; 1Jo. 1:9). Deus é perfeito em fidelidade,
mas os seus servos também podem ser fiéis (Pv. 12: 22; Ef.4: 25; Cl. 3: 9-
10).
• Bondade (Lc. 18:19). Deus é perfeito em bondade, mas os seus servos
também podem ser bons (Gl. 6:10).
o Misericórdia, graça e paciência (Ex.34:6; Sl.103:8; Rm. 15:5; 1Pd.
5:10). Estas qualidades de Deus podem ser aspectos particulares de
Sua bondade.
􀂃 Misericórdia é a bondade de Deus para com os angustiados e
aflitos.
􀂃 Graça é a bondade de Deus para com os que mereciam castigo.
􀂃 Paciência é a bondade de Deus quando tira a punição dos que a
merecem.
o Devemos, pois, imitar a misericórdia (Mt. 5:7), a graça (2Co. 8:7) e a
paciência (Gl. 5:22) do Senhor.
• Paz (ou Ordem, 1Co. 14:33). Deus é o Deus da paz, e os seus servos devem
ser de paz também (Mt. 5:9; Gl. 5:22).
• Zelo (Ex. 34:14). Deus é um Deus zeloso, e os seus servos também devem
sê-lo (2Co. 11:2).
• Ira (Rm. 1:18). Deus se ira contra o pecado, e os seus servos devem também
odiar o pecado (Sl. 97: 10; Pv. 8:13).
• Perfeição (Dt. 32: 4; Mt. 5: 48). Deus é perfeito em grau infinito, mas os
seus servos também são exortados a buscarem a perfeição nEle(2Co.
13:11).
3 – OS NOMES DE DEUS
Nós conhecemos Deus por “Deus”, mas será que é assim que Ele é chamado
na Bíblia? O nome de Deus é Jeová como dizem os “Testemunhas de Jeová”? Nesta
seção nós teremos a oportunidade de ver que o Senhor nosso Deus é muito grande
para ser contido em um só nome. As Escrituras do Antigo Testamento nos
apresenta vários nomes pelos quais o Senhor é chamado. E estes nomes sendo
conhecidos nos fazem compreender mais acerca do agir de Deus.
Dividiremos esta seção em: nomes Genéricos e nomes Específicos de Deus.
3.1. No Antigo Testamento
A. Os Nomes Genéricos. El, El Elyom, Elohim. Estes nomes são chamados
genéricos porque são também aplicados a divindades falsas no A.T. Isto acontece
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por causa da língua; povos de uma mesma língua chamam seus deuses pelos
mesmos nomes.
• El (Gn. 33:20). O Geseniu’s Hebrew and Chaldee Lexicon nos dá para esta
palavra a significação de: forte, poderoso, poder, força (Gn. 31: 29; Is. 9:5;
Ez. 31: 11). E diz que a palavra é usada em geral para nome do Deus do
céu, mas pode ser também aplicada a ídolos (p.ex. Sl. 81:10; Dn. 11: 36).
• Elohim (Gn. 1:1). Esta palavra pode ser o plural do nome divino El, que
provavelmente deriva da raiz ‘wl, com o significado de preeminência. Alguns
autores dizem que esta palavra é o plural de Eloah. É usado também para
designar uma divindade, uma aparição divina (1Sm. 28:13), ou homens
com autoridade (Êx. 21: 6; Sl. 8:5; 82: 6). Com o artigo definido significa o
Deus único e verdadeiro (1Rs. 18: 21, 37).
• El Elyom (Gn. 14: 19-20, Nm. 24:6; Is. 14:14) Significa aquele que é
sublime, exaltado.
B. Os Nomes Específicos. Adonay, El-Shaday, Iahweh. Estes são nomes que
nas Escrituras aparecem aplicados somente ao Deus verdadeiro.
• Adonay (Gn. 18: 3; Is. 3: 18; 6:1). Significa o Senhor; o Soberano, a quem
tudo está sujeito, e com quem o ser humano se relaciona como servo.
• El-Shaday (Gn 17:1; Ex. 6:3). Descreve Deus como o possuidor de todo
poder na terra e no céu. A natureza, a criação, tudo está sob seu controle.
• IHWH ( יהוה ) (Ex. 6:3). Este é o nome que mais vezes aparece na Bíblia
aplicado a Deus (6.828 vezes na Bíblia Hebraica de Kittel e na Bíblia
Hebraica Stuttgartensia). O hebraico bíblico do A.T. é composto apenas de
consoantes não tendo vogais, e YHWH são as letras hebraicas que compõem
o nome pessoal de Deus no A.T. Temendo descumprir o terceiro
mandamento: “Não tomarás o nome do Senhor (YHWH), teu Deus em vão”
(Ex. 20:7), os leitores antigos da Bíblia evitavam pronunciá-lo, substituindo
o mesmo na leitura pala palavra Adonay (Senhor). Os sinais vocálicos da
palavra Adonai eram colocados entre as consoantes que representavam o
nome divino: YHWH. Com esta prática a pronúncia do nome de Deus se
perdeu. Os eruditos bíblicos hoje, em sua maioria, usam a palavra Iahweh
(Javé), e dando a razão histórica para isso diz a Comissão de Tradução,
Revisão e Consulta da Sociedade Bíblica do Brasil:
o Teodoreto, pai da igreja, da escola de Antioquia, falecido em 457 d. C.
afirma que os samaritanos, que tinham o Pentateuco em comum com
os judeus como Escrituras Sagradas, pronunciavam o nome o nome
de Deus assim: Iabé (trocando o V pelo B). Clemente, da escola de
Alexandria, falecido antes de 216 d.C. transliterava “a palavra de
quatro letras” por Iaové. Também os papiros mágicos egípcios, que são
do final do terceiro século d.C., dão como certa a pronúncia cima
referida, a de Teodoreto (Iabé).
Assim, mesmo com a incerteza que há para a pronúncia deste nome, o que
se pode afirmar com segurança é que Jeová nunca foi a transliteração ou tradução
do nome de Deus (YHWH) no A.T., esta palavra é uma invenção da Idade Média.
Portanto, o grupo religioso chamado “Testemunhas de Jeová” é fundamentado sobre
um nome falso, nome que não aparece nas Escrituras Sagradas. Sobre esta palavra
Jeová, diz a Comissão de Tradução, Revisão e Consulta:
“Esse (Jeová) não é, portanto, o nome do Deus de Israel. O Jerome Biblical
Comentary chama ‘Jeová’ de um “não-nome” (77:11), e o Interpreter’s Dictionary of
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the Bible o chama de ‘nome artificial’ (s.v Jehovah). O Lexicon in Veteris Testamenti
Libros, de Kochler – Baumgartner (s.v YHWH), chama a grafia ‘Jeová’ de ‘errada’, e
defende como ‘correta e original’ a pronúncia ‘Yahweh’.”
Portanto, as Escrituras não aprovam transliteração Jeová, os judeus nunca
pronunciaram esse nome, e a história nos mostra que a pronúncia mais provável
seria Iahweh (Javé). Não sendo esta, Jeová está completamente fora de cogitação.
Este nome Javé (vamos chamar assim) aparece unido a outros termos
qualificativos de Deus, formando assim nomes compostos, como por exemplo:
• Javé-Jireh: O SENHOR proverá (Gn. 22:14);
• Javé-Tsebaôt: O SENHOR dos exércitos (1Sm. 1:3);
• Javé-Ropheh: OSENHOR que sara (Ex. 15:26);
• Javé-Nissi: O SENHOR é a minha bandeira (Ex. 17:15;
• Javé-Shalom: O SENHOR envia a paz (Jz. 6:24);
• Javé-Roeh: O SENHOR é meu pastor (Sl. 23:1);
• Javé-Tsidkenu: O SENHOR é a nossa justiça (Jr. 23:6);
• Javé-Shammah: O SENHOR está presente (Ez. 48: 35).
3.2. No Novo Testamento
O N.T. tem alguns equivalentes gregos (a língua do N.T.), para os nomes de
Deus que aparecem em hebraico no A.T.
• Para El, Elohim e Elyom o N.T. usa a palavra Deus, que é também uma
palavra genérica. O equivalente de Elyom (Deus altíssimo) encontra-se na
expressão Theou tou Hupsistou (Mc. 5:7; At. 16:7; Hb.7:1). Shadday e El-
Shadday (Todo-Poderoso, Onipotente) é traduzido no N.T. por Pantokrator;
Theos-Pantokrator (2Co. 6:18; Ap. 1:8; 4:8: 11:17; 15:3; 16:7.14);
• Quanto ao nome Yahweh o N.T. segue a Septuaginta (O A.T. em grego) que
traduz esta expressão por Kyrios (Senhor), que deriva de força, poder. Este
nome não tem exatamente a mesma conotação de Yahweh; mas designa
Deus como o Poderoso, o Senhor, o Possuidor, o Regente que tem
autoridade e poder legal (Hb. 1:10; 8: 8-11), Cristo também recebe este
nome (Jo. 20:28; 1Co. 8:6; Ap. 17:14).
• Também encontramos Deus sendo chamado de Pather (Pai) no N.T. O A.T.
já chamava Deus assim para designar a relação de Deus com Israel (Dt.
32:6; Sl. 103: 13), e o N.T. usa a expressão para demonstrar Deus como o
Originador ou Criador de tudo (1Co. 8:6; Ef. 3:14-15; Tg. 1: 17).
Bem, pelo que acabamos de estudar podemos ver que Deus é identificado por
vários nomes nas Escrituras, e cada nome de Deus nos mostra uma das
características do Senhor. Reflita nessas características, pois elas vão nos revelando
quem Deus é e o seu caráter.
4 – DEUS E SUA TRIUNIDADE.
“Embora seja um grande mistério que existam diversas pessoas em um só
Ente, é verdade que na divindade há uma distinção de pessoas, indicadas nas
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Escrituras pelos nomes Pai, Filho e Espírito Santo e pelo uso dos pronomes Eu, Tu
e ele, empregados por elas mutuamente entre si”.
A Confissão de Fé de Westiminster (1649), uma das mais antigas confissões de
fé protestante afirma:
Na unidade da Deidade há três pessoas, de uma só substância, poder, e
eternidade: Deus o Pai, Deus o Filho e o Deus Espírito Santo. O pai não é de
ninguém: não é gerado nem procedente; o Filho é eternamente gerado do Pai; o
Espírito Santo é eternamente procedente do Pai e do Filho (cap. II, seç. III).
Veremos agora como as Escrituras trabalham este assunto.
4.1. A Triunidade no Antigo Testamento
A doutrina da Triunidade de Deus não é completamente revelada no A.T., ali
temos claramente Deus como o Deus único (Dt. 4: 35,39), o Espirito Santo como
seu agente pessoal (Gn. 1:2; Ne. 9:20; Sl.139:7; Is. 63:10-14), e a Palavra (o verbo)
como seu pronunciamento criativo (Gn. 1:26; Sl. 33:6, 9).
A. Como já foi dito, encontramos no A.T. nomes genéricos e nomes específicos
sendo aplicados a Deus, e estes nomes nos ajudam a compreender mais um pouco
sobre o Senhor e sobre a doutrina da Triunidade. Observe, por exemplo, Gn 1:1,
onde no hebraico temos as seguintes palavras: Bereshit bará Elohim (no principio
criou Deus). A palavra que é traduzida por Deus aqui é Elohim, e é uma palavra
plural. Então, para ficar correto gramaticalmente, uma tradução literal de Elohim
seria: deuses. Mas há um problema, pois o verbo bará (criar) está no singular.
Assim, a palavra Elohim (Deus) vindo no plural revela não que haja muitos deuses,
mas que Deus é uma unidade composta: Pai, Filho, e Espírito Santo. Em vários
lugares Deus confira isso usando o verbo no plural para se referir a Si próprio
(desçamos, façamos), ou o pronome nós (Gn. 1:26; 3:22; 11:7; Is. 6:8).
Ali, no momento da criação (Gn. 1:1) Deus é chamado de Elohim porque criava
o mundo: o Pai, o Filho (a palavra, o verbo) e o Espírito Santo (Gn. 1:2; Sl. 33: 6-9;
104:30; Jó 33:4-6; Jo. 1: 1-3).
B. Para os judeus do A.T. a grande confissão sobre o seu Deus era Dt. 6:4. E é
interessante notar a palavra hebraica que é traduzida por único no texto. Em nota
sobre a passagem nos informa a Bíblia Vida Nova: “Único Senhor. A palavra
hebraica aqui empregada “único” (‘ehadh) significa uma unidade composta… A
palavra hebraica que expressa unidade absoluta é Yahidh, e nunca é usada para
expressar a unidade da Deidade”.
A palavra Yahidh (unidade absoluta) nós encontramos em Gn. 22:2, porque
Isaque era o único filho de Abraão, e vamos encontrar ‘ehadh (unidade composta)
em Gn.2:24, porque Adão formaria uma unidade composta com Eva (vd.tb. Ex.
24:3; 13:23). Mesmo sabendo que yahidh e ‘ehadh são usadas as vezes como
sinônimas, yahidh é mais enfática quando se quer expressar unidade absoluta, e é
interessante que justamente na confissão mais importante do povo de Israel sobre a
unidade de seu Deus, é usada na Bíblia a palavra ‘ehadh. A pergunta que se faz é:
por que o escritor que conhecia muito bem o idioma hebraico, usa essa palavra se
queria mostrar uma unidade absoluta para Deus? Não, ele sabia que Deus era uma
unidade composta: Pai, Filho e Espírito Santo.
C. Além destes fatos o A.T. já prenunciava o Pai e o Filho como um único Deus
em outros lugares. Observe:
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• Is. 9:6. A profecia chama Cristo de Pai da eternidade e Deus forte. Sabe-se
que eternidade só tem quem não tem começo nem fim, portanto Cristo
sendo o Pai eterno, não poderia ter tido começo. Ele é também declarado
como Deus. Sabendo-se que o próprio Deus afirma sua singularidade (Is.
43: 10-13), Cristo tem que ser um com Ele, senão Ele seria outro deus.
• Is. 40:3. É anunciado na profecia que um homem viria para preparar o
caminho do SENHOR (YHWH). Quando João Batista começou seu
ministério anunciando o Messias (Jesus), disse que essa profecia se
cumpriu em sí próprio. João diz que era ele a “voz que clama no deserto”, e
que o SENHOR (YHWH) profetizado era Cristo (Jo. 1:19-27). Uma
declaração mais clara da unidade de Deus e Cristo impossível.
• Sl. 102:25. Esse versículo é retomado em Hb.1:10, onde é claramente
aplicado a Jesus Cristo, ou seja, o Deus referido no Sl.102:25 era Cristo.
• Zc 12:10. Esta passagem é mais uma prova do A.T. de que Cristo e Deus
Pai são inexplicavelmente o mesmo Deus. Observe. O SENHOR (YHWH)
(veja o versículo 7), diz pela boca do profeta que em um tempo futuro,
pessoas iam olhar pra Ele se lamentando,até aqueles que o transpassaram.
Isso segundo a própria Bíblia se cumpriu na crucificação de Jesus. João, ao
relatar a cena da crucificação, diz que esta profecia se cumpre ali, onde um
soldado perfura o lado de Jesus com uma lança e as pessoas olham Jesus
transpassado (Jo.19: 34-37). Ali estava o próprio Deus sendo transpassado
em Jesus Cristo (Vd.At.20:28).
4.2. A Triunidade no Novo Testamento
É no N.T. que esta doutrina é revelada mais claramente. Nós temos o Pai, o
Filho e o Espírito Santo apresentados lado-a-lado, como co-iguais (Mt. 28:19, note
que Jesus relaciona os três com apenas um nome: em nome. Vd.: 2Co.13:13;
Jd.20-21). Esta unidade é bem expressa também no seguinte fato: em Jo. 14: 15-23
Jesus diz que na conversão Ele e o Pai farão morada no crente, e Paulo nos diz que
quem faz morada no salvo é o Espírito Santo, e que nós somos templo de um, e não
de três (1Co. 6:18-19; Ef. 1:13-14), então Deus, Jesus e o Espírito Santo são um.
A. Textos-prova Importantes do Novo Testamento.
• Jo. 1:1. Temos neste texto Cristo (o verbo) claramente declarado como igual
a Deus. As “Testemunhas de Jeová”, que não aceitam a divindade de Jesus,
dizem que o texto deveria ser traduzido: “a palavra (verbo) era [um] deus”,
com um artigo indefinido (um). Isto porque no grego (a língua do N.T.) não
existe o artigo definido antes da palavra Deus (predicativo do sujeito) e
assim, segundo a gramática grega, o substantivo Deus ficaria indefinido
(um deus). Será que estão certos? Não. Realmente isto é uma regra da
gramática grega, mas não em todos os lugares. Pois no mesmo capitulo 1
deste evangelho de João, tem frases que não tem o artigo definido antes do
predicativo do sujeito e mesmo assim o artigo indefinido não é exigido, pois
não caberia ali. Observe:
o Jo. 1:6,o artigo indefinido não aparece antes da palavra Deus, mas a
frase não é: “houve um homem enviado por UM Deus”, mas “ por
Deus”.
o Jo.1:14, não existe o artigo indefinido antes da palavra carne, mas a
frase não é: “a palavra se fez UMA carne, mas “ se fez carne”.
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o Jo.1:18, não existe artigo indefinido antes da palavra Deus, mas a
frase não é: “UM Deus nunca foi visto por ninguém”, mas “ Deus
nunca foi visto por ninguém”.
o O Dr. D. A. Carson observa “que o interprete deve ser cuidadoso com
respeito às conclusões tiradas a partir da mera presença ou ausência
de um artigo”. Assim, está correto traduzir “e o verbo era Deus”,
mesmo sendo esta frase anartra (sem a presença do artigo definido).
Esta é mais uma prova da unidade na divindade.
• Em Jo. 14:26 é o Pai quem envia o Espírito Santo, ao passo que em Jo. 16:7
quem envia é o Filho. Por isso as Escrituras dizem que o Espírito Santo é o
Espírito de Deus e igualmente o Espírito de Cristo (R. 8:9; 1Pd.1:11).
• Hb. 10: 15 faz uma citação de Jr.31: 31-33. No texto de Jeremias diz que
quem está falando é o SENHOR (YHWH), mas o autor de Hebreus diz que
quem está falando é o Espírito Santo.
• Em Is. 6:1-3, 9-19, Isaias diz que viu e ouviu o SENHOR (YHWH), dos
Exércitos. Mas como poderemos conciliar isso com Jo. 1:18; 1Tm. 6:16, que
afirmam que Deus jamais foi visto por alguém? A Bíblia responde e nos
mostra que este é um dos maiores exemplos da unidade composta de Deus.
A resposta está em At. 28:25-27, onde Paulo diz que quem falou com Isaias
foi o Espírito Santo, e em Jo. 12: 37-41, onde o autor bíblico diz que Aquele
SENHOR (YHWH) que Isaias viu era na verdade Jesus Cristo em sua glória.
Esta é uma das maiores provas da Triunidade na Bíblia.
• Em Mt. 1:18-21 é anunciado que o Espírito Santo desceria sobre Maria para
engravidá-la, mas em Lc. 1:35, está escrito que o Filho de Maria é o Filho de
Deus. Só há uma explicação: Deus e o Espírito Santo são o mesmo Deus.
• Em Hb. 7: 25 temos a informação de que a obra intercessória pertence a
Jesus Cristo (Vd. tb.: Jo.15: 16b; 16:23), mas em Rm. 8: 26-27, é dito que é
o Espírito Santo quem intercede pelos cristãos. Mais uma vez unidade entre
Jesus e o Espírito.
• At. 20: 28. Este é um texto desconcertante, pois diz que quem pagou o
resgate, derramou o sangue na cruz pela Igreja, foi o próprio Deus (YHWH).
Esta afirmação só pode indicar que Cristo e Deus são o mesmo.
• Mt.21: 15-16. Temos aqui Jesus fazendo uma citação do Sl. 8: 2, onde no
hebraico o sujeito das declarações é o SENHOR (YHWH), e Jesus aplica as
declarações deste salmo a Si próprio, como se ele, Cristo, que naquele
momento recebe o louvor das crianças, fosse o YHWH do salmo citado.
• Fp. 2: 6. Nesta passagem o apóstolo Paulo diz que Jesus antes de vir ao
mundo tinha a forma (gr. Morphê) de Deus. Esta palavra (morphê) que
Paulo usa aqui é muito sugestiva, pois significa: “a natureza essencial e
inalterável do ego”, então, Paulo está afirmando aqui que Cristo antes de vir
a este mundo era essencialmente Deus.
• Em Hb. 1:3 está escrito que Jesus é a “expressão exata da essência” de
Deus. A palavra traduzida por “expressão exata” é charakter (que significa:
imagem, representação), e a palavra traduzida por “essência” é hypostasis
(significa: essência, substância). Sobre isso observa Wayne Gruden:
“Significando que Deus Filho reproduziu o Ser ou a natureza de Deus Pai
em todos os aspectos: todos os atributos ou poderes que Deus Pai tem,
Deus Filho também os têm”.
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• 1Pd. 2:8- Pedro cita Is. 8: 14 onde se diz que O SENHOR (YHWH) seria uma
pedra de tropeço para os que não cressem nEle, e diz que esta pedra era
Jesus. Pedro afirma que isto se cumpriu em Cristo.
Enfim, se poderiam multiplicar aqui textos mostrando a identificação de Deus
Pai, Filho e Espírito Santo, uma unidade composta, misteriosamente revelada.
Observe mais uma vez esta identificação nos seguintes exemplos:
• Na Bíblia o Pai, o Filho e o Espírito Santo são revelados como DEUS. O Pai
(At. 17: 24); O Filho (Mc. 2:5-7; Jo. 1:1-3,18; 20: 28); O Espírito Santo (Mc.
3: 29; At. 5: 3-4; 28: 25-27 comparado com Is. 6: 9-10).
• Se não aceitarmos a Triunidade divina, como explicar textos como Dt. 4: 35,
39; Is. 44: 6, 8; 45: 5, 21; 46: 9? Os textos mostram que só existe UM Deus.
• Na Bíblia também encontramos o Pai, o Filho e o Espírito Santo revelados
como SENHOR. O Pai (Mt. 22:37); o Filho (At. 10: 36; Fp. 2:11); o Espírito
(2Co. 3: 16-17).
• Se não aceitarmos a Triunidade de Deus como explicar estas passagens se a
própria Bíblia diz que só Deus é o Senhor (Mc. 12:29)?
• Também encontramos na Bíblia o Pai, o Filho, e o Espírito sendo tratados
como SANTOS. O Pai (Is. 6:3); o Filho (At. 3:13-14); o Espírito (Is. 63:10;
Rm. 15:16).
• Como conciliar estes textos se a Bíblia diz que só Deus é santo (ISm. 2:2)?
Isto só se explica com a Triunidade divina.
• Encontramos na Bíblia também o Pai, o Filho sendo tratados como
ONISCIENTES. O Pai (1Cr. 28:9); o Filho (Jo. 2:24,25; 21:17; Cl. 2:2-3); o
Espírito (1Co. 2:10-11).
Todas estas passagens só poderão ser explicadas com a doutrina da
Triunidade divina, sem ela tudo viraria uma confusão. Não é preciso entender, mas
sim aceitar o que a Bíblia revela. Nem sempre entendemos tudo que Deus faz, por
isso Ele é Deus.
5 – JESUS CRISTO, DEUS
CONOSCO
A Bíblia é uma testemunha indubitável de que só se deve adorar a Deus (Mt.
4:10). Pois, bem, E se encontrássemos outra pessoa sendo adorada e incentivada a
sua adoração, o que deveríamos concluir? Ou essa pessoa seria o mesmo Deus e
não outro, ou seria um Deus falso. Observe como a Bíblia trata deste assunto.
• Mt. 21:15-16. Neste texto Jesus recebe adoração de um grupo de crianças.
E ainda, para confirmar que o que se estava fazendo ali era adoração Ele
cita o Sl. 8:2, onde no hebraico aparece a palavra ’oz, que significa:
esplendor, majestade, glória, louvor. Assim Jesus está confirmando que as
crianças estavam adorando a Ele.
• Jo. 5: 23. Jesus afirma explicitamente que a mesma honra, reverência que é
dada ao Pai, deve ser dada a Ele também. Assim Ele se iguala ao Pai se
fazendo um Deus com Ele.
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• Jo. 16: 14. Cristo aqui diz que a missão do Espírito Santo na terra é levar
as pessoas a glorificá-Lo. Em grego é usada a palavra doxa, que significa:
glória, honra, aplausos (Jo. 4:24; Rm. 1:9; Fp. 3:3, onde a mesma palavra
significa adoração).
• Jo. 20:28. Tomé, explicitamente adora a Jesus chamando-o de “Deus meu”.
Mais claro impossível. E o interessante é que Jesus não recrimina Tomé,
como se ele estivesse errado, mas aceita as suas palavras.
• Fp. 2:5-11. Nesta passagem a Bíblia explica o processo da encarnação de
Jesus, Sua condição como ser humano na terra enquanto cumpria a obra
da redenção, e Sua exaltação após a morte e ressurreição para ser adorado
por todos (11).
• Hb. 1:1-14. Este texto é claro em afirmar a adoração de Jesus e todas as
criaturas são conclamadas a adorar a Jesus.
• Ap. 5:11-14; 22: 8-9. Não têm no NT passagens mais claras que estas que
mostram o cordeiro que é Cristo (Jo. 1:29; 1 Pd. 1:18-20) sendo claramente
adorado por todos, e em todos os lugares.
• Jesus Cristo é apresentado na Bíblia como um com o Pai e o Espírito Santo.
F. F. Bruce diz que já em 112 d.C., Plínio Segundo, governador da Bitínia,
escreveu ao imperador Trajano falando sobre os cristãos, e afirmava que
eles tinham o costume de se reunir e cantar hinos à Cristo como a um
Deus.
Não podemos esquecer que tudo isso é um tremendo mistério (1Tm. 6:16),
todos que tentaram explicar racionalmente a Triunidade de Deus cometeram erros.
Deixemos, pois como está, nos conformando com o que a Palavra de Deus revela, e
ela revela que Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.
6 – O ESPIRITO SANTO
Em toda discussão sobre Deus não se pode deixar de fora o tema do Espírito
Santo. Espírito é a tradução da palavra hebraica ruach e da palavra grega pneuma.
Estes termos derivam de raízes cujo significado é respirar. Por isso as palavras
também podem ser traduzidas por vento (Ez. 37: 5-6; Jo.3: 8). Vamos então
procurar nas Escrituras a revelação sobre o Espírito do Senhor, isto para desfazer
alguns enganos de grupos tais como: Testemunhas de Jeová, Judeus Messiânicos,
e grande parte dos Adventistas do Sétimo Dia, que se apresentam contra a
personalidade do Espirito Santo e contra a Triunidade divina.
Sobre quem é o Espírito Santo, R. C. Sproul escreve:
“A Bíblia revela o Espírito Santo não como uma força abstrata, um poder ou
uma coisa, mas como “ele”. O Espírito Santo é uma pessoa. Uma
personalidade inclui inteligência, vontade e individualidade. Uma pessoa age
por intenção. Nenhuma força abstrata pode tencionar fazer qualquer coisa.
Boas ou más intenções são limitadas aos poderes dos seres pessoais.
As Escrituras apóiam esta declaração do Espírito Santo como uma pessoa
divina.
• Em Jo. 14:26;15:26; 16:13-14, o Espírito Santo é tratado pelo pronome
pessoal masculino “aquele” (ekeinos), isto não seria de se esperar pois a
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palavra espírito em grego (pneuma) é uma palavra neutra, e exigiria um
pronome neutro (ekeino) para combinar.
• Em At. 15:28, o Espírito Santo é colocado lada a lado com os apóstolos; em
Jo. 16:14 com Jesus Cristo; e em Mt. 28: 19; 2Co. 13:13; 1Pd. 1:1-2; Jd.
20,21, com o Pai e com o Filho. Isto requer a plena personalidade do
Espírito Santo senão Ele não poderia ser tratado como uma pessoa.
Nas Escrituras encontramos várias características de uma pessoa aplicadas ao
Espírito Santo. Observe:
• Consolo (Jo. 14: 26;15:26;16:7);
• Intercessão (Rm. 8: 26-27);
• Pode-se mentir a Ele (At. 5:3-4);
• Tristeza (Is. 63:10; Ef. 4:30);
• Poder (Rm.15:13; Lc.4:14, em grego dúnamis que significa força, poder),
salienta-se aqui que o Espírito Santo tem poder, não é um poder;
• Amor (Rm.15:30);
• Ofende-se (Hb. 10:29);
• Decide (At. 15:28);
• Escolhe (At. 13:2);
• Conhece (1Co. 2:10, inteligência);
• Envia (Is. 48:16; At. 10:19-20);
• Conduz as pessoas à glorificação de Cristo (Jo. 16:14);
• Concede os dons a quem quer (vontade própria, individualidade) (1Co. 12:1-
11).
Aqui temos no Espírito Santo todas as características essenciais de uma
personalidade; vontade própria, inteligência e individualidade, assim não se têm
base escriturística nenhuma para despersonalizá-Lo.
Além disso, o Espírito Santo é apresentado em uma unidade intrínseca com o
Pai e o Filho em toda a Bíblia. Veja estes exemplos:
• Porque o Espírito Santo habita na Igreja, ela é chamada de templo de Deus
(1Co.3:17; 6:19; 2Co.6:16);
• O Espírito é criador com o Pai e com o Filho (Gn. 1:1-2; Hb.1:2,10;
Gn.1:2;Jó 26:13; 33:4; Sl.104:30);
• O Espírito é Deus com o Pai e com o Filho (Jo. 17:3; Rm. 9:5; At:3-4);
• O Espírito é Senhor com o Pai e com o Filho (At. 17:24; 2Co. 3:17; Fp.2:11);
• O Espírito é eterno com o Pai e com o Filho (Sl. 90: 2; Is. 9:6; Mq. 5:2; Hb.
9:14);
• O Espírito é justificador com o Pai e com o Filho (Rm. 3:21-24; 1Co.6:11);
• O Espírito é onisciente com o Pai e com o Filho (1Cr. 28:9; Mt. 9:3-4; Jo.
16:30,31; Ez. 11:5; 1Co. 2:10-11);
• O Espírito é onipresente com o Pai e com o Filho (Hb. 4:13; Sl. 139: 7-8; Mt.
18: 20; 28:20).
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Conclui-se inevitavelmente que a Bíblia não apresenta três deuses, mas uma
só essência divina, que se nos mostra como Pai, Filho e Espírito Santo. Importante
notar que na revelação não se pode confundir as funções. Ao Pai pertence à vontade
divina, a formação dos propósitos. Ao Filho a mediação e a execução do plano do
Pai. E ao Espírito pertence à revelação, a preparação para toda a obra do Filho (Vd.
Ef. 1:11; 1Tm.2:5; Jo. 16:8-11). Sproul escreve sobre o caso:
Vemos, pois, que quando a Igreja cristã confessa sua fé em um Deus triúno,
ela tenciona transmitir a idéia de que existe uma só essência ou ser e não três;
mas que existem três personalidades subsistentes distintas na deidade. Os
nomes Pai, Filho e Espírito Santo indicam distinções pessoais na deidade, mas
não divisões essenciais em Deus.
7 – DISTORÇÕES HISTÓRICAS
SOBRE A DOUTRINA DA
TRIUNIDADE
Na tentativa de racionalizar este mistério que é esta doutrina surgiram
algumas distorções, ou heresias cristológicas ao longo da história da Igreja.
A. Sabelianismo/ Modalismo/ Monarquianismo. Doutrina popularizada por
um bispo chamado Sabélio (186-250 d.C.). Ele afirmava que Jesus e o Espírito
Santo não eram pessoas distintas, mas apenas manifestações de Deus temporárias
e sucessivas. Seu ensino foi condenado pela Igreja como heresia em 261 d.C.
Esta doutrina erra porque faz de Jesus e do Espírito Santo apenas
manifestações de Deus, e não pessoas individuais. Assim, a Igreja teria sido salva
por uma manifestação/ aparição apenas. O próprio Cristo destrói esta idéia ao
afirmar sua personalidade distinta do Pai (Jo. 8: 16-18). E as Escrituras
apresentam os três ao mesmo tempo (Mt. 3:13-17). Assim, deve-se considerar as
distinções das pessoas, salientando-se que quando se usa o termo pessoa aqui,
apenas se faz por não ter um termo melhor. Quando se diz que em Deus há três
pessoas, não se quer dizer que existem três indivíduos, mas que existem distinções
pessoais dentro da essência divina, que é uma só em gênero e número.
B. Arianismo. Esta doutrina foi popularizada por um presbítero chamado Ário,
de Alexandria, entre fins do terceiro e inicio do quarto século de nossa era. Ele
afirmava que Jesus e o Espírito Santo eram criaturas de Deus. Por suas afirmações
heréticas Ário foi excomungado pelo seu bispo por volta de 320 a.C. Que Jesus é
apenas uma criatura de Deus também é ensinado modernamente pelas
“Testemunhas de Jeová”. As idéias de Ário foram condenadas no Concílio de Nicéia
(325 d.C.), onde foi aprovado o credo que afirmava que Jesus Cristo era da mesma
substância de Deus Pai.
Dizia o Credo de Nicéia:
“Cremos em um só Deus, Pai, Todo-poderoso, Criador de todas as coisas
visíveis e invisíveis. E em um só Senhor Jesus Cristo, o unigênito Filho de
Deus, gerado pelo Pai antes de todos os séculos, Luz da Luz, verdadeiro Deus
de verdadeiro Deus, gerado não criado, de uma só substância com o Pai, pelo
qual todas as coisas forma feitas…”
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A controvérsia com Ário estava baseada em duas palavras que terminaram
ficando famosas na História da Teologia: homoousios (da mesma natureza) e
homoiousios (de natureza semelhante, mas não a mesma). Ário aceitava Cristo
como apenas semelhante ao Pai, mas não de mesma natureza. Os concílios de
Nicéia (325) e Constantinopla (381) confessaram que Cristo não apenas semelhante,
mas igual ao Pai, da mesma natureza. 1 Isto porque a Bíblia confirma a eternidade
de Jesus e do Espírito Santo, logo sendo eternos, são iguais (Is. 9:6; Jo. 1:1-3;
Hb.9:14).
C. Adocianismo. Este ensino concebia Jesus como um homem até seu batismo
depois disso Deus o teria adotado como Filho, e lhe concedido poderes
sobrenaturais. Jesus não era eterno, mas apenas um homem sublime. Foi
condenado no Concílio de Constantinopla (381 d.C).
D. Subordinacionismo. Orígenes (c.185-254 d.C.), um escritor do começo do
cristianismo, advogava que o Filho era de alguma forma inferior ao Pai. Ele dizia
que o lado físico de Cristo foi progressivamente absorvido pelo divino, de modo que
ele deixou de ser homem. Seu método não foi muito consistentemente explicado e
terminou desembocando no Arianismo. 2
E. A controvérsia em torno da palavra FILIOQUE. Esta controvérsia se deu em
1054 d.C, sobre a colocação da expressão “filioque” no Credo de Nicéia, isso acabou
gerando uma divisão entre o cristianismo Ocidental (Católico Romano) e o
cristianismo Oriental (Hoje em várias ramificações como Igreja Ortodoxa Grega,
Igreja Ortodoxa Russa). “Filioque” é uma expressão latina que significa “e do Filho”.
Até então o Credo de Nicéia da primeira versão (325) e da segunda (381), diziam
apenas que o Espírito Santo procedia do Pai. Mas, em um Concílio regional, na
cidade de Toledo, Espanha, acrescentou-se a frase: “e do Filho” (filioque) baseada
em Jo.15:26 e 16:7. Muitas lutas políticas dentro da Igreja complicaram a disputa
entre os que aceitavam e os que não esta expressão. Chegou-se assim a divisão
ocorrida entre a Igreja Ocidental e a Igreja Oriental, em 1054 d.C.
Sobre o tema a posição correta parece ser a dos que aceitavam a expressão
“filioque”, pois os textos citados mostram que o Espírito Santo tanto procede do Pai
como do Filho.
8 – TEXTOS DIFICEIS – E
EXPLICADOS
A. Jo. 14:28. Cristo faz uma declaração que aparentemente lhe coloca numa
posição inferior ao Pai. Mas, não é isso o que acontece. Quando Cristo faz uma
afirmação assim, Ele está falando em sua condição humana assumida por Ele
livremente no mistério da encarnação (Fp. 2:6-11). Na terra, o Senhor tinha todas
as limitações da encarnação, para levar ao cabo o seu propósito de morrer como
substituto do ser humano. Portanto, ele tinha que ser humano, não apenas parecer
com um humano. Após sua ressurreição, Jesus reassumiu todo seu poder (Mt.
28:18), e é Deus Todo-Poderoso (Ap. 1:8). Se essa afirmação tirasse a divindade de
Cristo e o fizesse inferior ao Pai, a afirmação de Hb. 2:9 o colocaria em inferioridade
aos anjos, e Lc. 2:51, o colocaria em inferioridade aos seus pais. Mas, sabemos que
1 Ibid, pp. 179-180.
2 Para uma discussão detalhada sobre a doutrina da Trindade e sua história, vd. BRAATEN, Carl E. e JENSON,
Robert W. (eds) Dogmática Cristã, v.1. (São Leopoldo: Sinodal, 1999), pp. 103-174. HÄGLUND, Beng. pp. 57-
88. BERKHOF, L. Teologia Sistematica 3ª ed. (Grand Rapids: T.E.E.L., 1976), pp. 96-98.
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não é assim, essas são afirmações feitas dentro de um contexto (o da humanidade
de Jesus) que deve ser observado para a correta interpretação de todas as
passagens que parecem colocar Jesus como inferior.
B. Mt. 3:11; At. 2:14; Tt. 3:5-6. Às vezes estes textos são citados para tentar
despersonalizar o Espírito Santo. Mas, o que temos aqui é um a linguagem figurada
aplicada a pessoa do Espírito. Veja os exemplos:
• Lc. 22:3 – Satanás é uma pessoa espiritual, mas entrou em Judas e encheu
o coração de Ananias (At. 5:3). Cristo é uma pessoa, mas é dito que Ele
enche o universo (Ef. 1:20-23).
• Mt. 3:11 – O Espírito é uma pessoa e os crentes podem ser batizados nele
não existe problema com isso, pois Moisés era uma pessoa e Paulo diz que
os judeus no deserto foram batizados nele (1Co. 10:2). Como também a
Bíblia fala que os salvos foram batizados em Cristo (Rm. 6:3; Gl. 3:27). Mais
uma vez o que se usa aqui é linguagem figurada.
• Tt. 3: 5-6- O fato de o Espírito ser derramado não tira sua personalidade,
pois Paulo era uma pessoa e diz que “estava sendo derramado” (Fp. 2:17;
2Tm. 4:6).

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