Religiões e Seitas
– Combatendo as Heresias

TEOLOGIA
PASTORAL
Bacharelado em
Religiões e Seitas – 2
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SUMÁRIO
1 – O QUE É HERESIA?…………………………………………………………………………………4
2 – CATOLICISMO ROMANO…………………………………………………………………………..5
2.1. RESUMO HISTÓRICO…………………………………………………………………………………….5
2.2. PAGANIZAÇÃO DA IGREJA ROMANA……………………………………………………………………6
2.3. É PEDRO O FUNDAMENTO DA IGREJA? ………………………………………………………………8
2.4. O PURGATÓRIO…………………………………………………………………………………………..9
2.5. A TRADIÇÃO E A BÍBLIA……………………………………………………………………………….12
2.6. A VIRGEM MARIA………………………………………………………………………………………13
2.7. A MISSA…………………………………………………………………………………………………15
3 – O ESPIRITISMO …………………………………………………………………………………… 16
3.1. RESUMO HISTÓRICO…………………………………………………………………………………..17
3.2. SUBDIVISÕES DO ESPIRITISMO ………………………………………………………………………17
3.3. A TEORIA DA REENCARNAÇÃO……………………………………………………………………….19
3.4. UMA TEORIA ABSURDA ……………………………………………………………………………….20
3.5. A INVOCAÇÃO DOS MORTOS………………………………………………………………………….21
3.6. SAUL E A MÉDIUN DE EN-DOR………………………………………………………………………22
3.7. VOCABULÁRIO ESPÍRITA ………………………………………………………………………………23
3.8. O ESPIRITISMO E AS SUAS CRENÇAS ……………………………………………………………….24
4 – O EVOLUCIONISMO………………………………………………………………………………. 26
4.1. CONCEITO DA ORIGEM DO HOMEM …………………………………………………………………27
4.2. ARGUMENTOS CONTRA O EVOLUCIONISMO………………………………………………………..27
4.3. O HOMEM FOI CRIADO POR DEUS ………………………………………………………………….28
5 – O HOMEM, IMAGEM E SEMELHANÇA DE DEUS …………………………………………. 30
5.1. O HOMEM, IMAGEM DE DEUS……………………………………………………………………….30
5.2. O HOMEM, SEMELHANÇA DE DEUS ………………………………………………………………..31
6 – O NEOMODERNISMO TEOLÓGICO…………………………………………………………… 31
6.1. A TEOLOGIA DE KARL BARTH………………………………………………………………………..32
6.2. A DOUTRINA NEOMODERNISTA………………………………………………………………………32
7 – UMA SOLENE ADVERTÊNCIA …………………………………………………………………. 35
7.1. EVITANDO OS FALSOS TEÓLOGOS …………………………………………………………………..36
8 – COMUNISMO MARXISTA ……………………………………………………………………….. 36
8.1. A RADICAL MUDANÇA …………………………………………………………………………………37
8.2. VÍTIMA DA FALSA TEOLOGIA………………………………………………………………………….38
8.3. O QUE PREGA O MARXISMO …………………………………………………………………………38
8.4. O MARXISMO E O PROBLEMA DA LIBERDADE……………………………………………………..39
8.5. MARXISMO VERSUS IGREJA…………………………………………………………………………..39
9 – OPÇÃO PELA DEMOCRACIA E PELA LIBERDADE……………………………………….. 41
9.1. A DEMOCRACIA GARANTE A LIBERDADE DE CULTO………………………………………………41
9.2. PORQUE PREFERIR A DEMOCRACIA …………………………………………………………………42
10 – O RACIONALISMO CRISTÃO ……………………………………………………………….. 42
10.1. A PROPOSTA DO RACIONALISMO CRISTÃO …………………………………………………………43
10.2. A DOUTRINA RACIONALISTA ………………………………………………………………………….43
10.3. PROPAGAÇÃO DO RACIONALISMO CRISTÃO ………………………………………………………..44
10.4. AS SEÇÕES DE LIMPEZA PSÍQUICA ………………………………………………………………….44
10.5. DOUTRINA RACIONALISTA …………………………………………………………………………….44
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10.6. O RACIONALISMO CRISTÃO DESMASCARADO ……………………………………………………..48
11 – O ECUMENISMO……………………………………………………………………………….. 53
11.1. PROPÓSITO DO ECUMENISMO………………………………………………………………………..53
11.2. ALCANCE DO ECUMENISMO ………………………………………………………………………….54
11.3. OBJEÇÕES AO CMI E AO ECUMENISMO ……………………………………………………………54
12 – PENTECOSTALISMO………………………………………………………………………….. 55
12.1. CONGREGAÇÃO CRISTÃ NO BRASIL …………………………………………………………………56
12.2. ASSEMBLÉIA DE DEUS………………………………………………………………………………..56
12.3. EVANGELHO QUADRANGULAR ……………………………………………………………………….56
12.4. DEUS É AMOR ………………………………………………………………………………………….56
12.5. CRISTÃOS INDEPENDENTES…………………………………………………………………………..56
13 – PROTESTANTISMO……………………………………………………………………………. 57
13.1. PROTESTANTISMO HISTÓRICO ……………………………………………………………………….58
13.2. LUTERANOS …………………………………………………………………………………………….58
13.3. METODISTAS ……………………………………………………………………………………………58
13.4. PRESBITERIANOS ………………………………………………………………………………………59
13.5. BATISTAS………………………………………………………………………………………………..59
14 – SEITAS……………………………………………………………………………………………. 59
14.1. O QUE É UMA SEITA?…………………………………………………………………………………59
14.2. TÉCNICAS DE RECRUTAMENTO ………………………………………………………………………61
14.3. POR QUE ALGUÉM SEGUIRIA UMA SEITA?…………………………………………………………61
14.4. COMO AS PESSOAS SÃO MANTIDAS NA SEITA? ……………………………………………………62
14.5. COMO PODEMOS TIRAR ALGUÉM DE UMA SEITA? ………………………………………………..62
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1 – O QUE É HERESIA?
Heresia deriva da palavra grega háiresis e significa: “escolha”, “seleção”,
“preferência”. Daí surgiu a palavra seita, por efeito de semântica.
Do ponto de vista cristão, heresia é o ato de um indivíduo ou de um grupo
afastar-se do ensino da Palavra de Deus e adotar e divulgar suas próprias idéias, ou
as idéias de outrem, em matéria de religião. Em resumo, é o abandono da verdade.
O termo háiresis aparece no original em Atos 5.17; 15.5; 24.5; 26.5; 28.22. Por
sua vez, “heresia” aparece em Atos 24.11; 1 Coríntios 11.9; Gálatas 5.20 e 2 Pedro
2.1.
O estudo da heresiologia é importante, sobretudo pelo fato de os ensinos
heréticos e o surgimento das seitas falsas serem parte da escatologia, isto é, um dos
sinais dos tempos sobre os quais falaram Jesus e seus apóstolos.
O apóstolo Paulo, por exemplo, nos dois primeiros versículos do capítulo
quatro da sua primeira epístola a Timóteo, escreve:
“Mas o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos alguns
apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de
demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras, e que têm cauterizada a própria
consciência”.
O apóstolo Pedro escreve também:
“Assim como no meio do povo surgiram falsos profetas, assim também haverá
entre vós falsos mestres, os quais introduzirão dissimuladamente heresias
destruidoras, até ao ponto de negarem o Soberano Senhor que os resgatou,
trazendo sobre si mesmos repentina destruição. E muitos seguirão as suas práticas
libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade; também,
movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias; para eles o juízo
lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme” (2 Pe 2.1-3).
Uma seita é identificada, em geral, por aquilo que ela prega a respeito dos
seguintes assuntos:
• A Bíblia Sagrada
• A Pessoa de Deus
• A queda do homem e o pecado
• A Pessoa e a obra de Cristo
• A salvação
• O porvir
Se o que uma seita ensina sobre estes assuntos não se coaduna com as
Escrituras, podemos estar certos de que estamos diante duma seita herética.
Entre as muitas razões para o surgimento de seitas falsas no mundo, hoje,
destacam-se as seguintes:
• A ação diabólica no mundo (2 Co 4.4).
• A ação diabólica contra a Igreja (Mt 13.25).
• A ação diabólica contra a Palavra de Deus (Mt 13.19).
• O descuido da Igreja em pregar o Evangelho completo (Mt 13.25).
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• A falsa hermenêutica (2 Pe 3.16).
• A falta de conhecimento da verdade bíblica (1 Tm 2.4).
• A falta de maturidade espiritual (Ef 4.14).
Esperamos, pois, que material possa de alguma forma ajudar àqueles que
estão à procura da verdade libertadora, Jesus Cristo (Jo 8.38).
2 – CATOLICISMO ROMANO
Até há bem pouco tempo, os melhores livros escritos sobre seitas e heresias
não incluíam a Igreja Católica Romana no seu esquema de estudos, talvez devido ao
fato de grande parte deles terem sido escritos em países onde essa igreja não
exercia suficiente influência para ser notada como tal. Não é esse o caso do Brasil,
onde a grande maioria dos membros de nossas igrejas, teoricamente, veio do
catolicismo romano, já que essa igreja é majoritária (pelo menos nominalmente) em
nossa pátria desde o seu descobrimento, em 1500.
2.1. Resumo Histórico
A Igreja Católica menciona o ano 33 d.C. como a data da sua fundação. Isto
vem do fato de que toda ramificação do Cristianismo costuma ligar a sua origem à
Igreja fundada por Jesus Cristo. Porém, quanto ao desenvolvimento da organização
eclesiástica e doutrinária da Igreja Romana, é muito difícil fixar com exatidão a data
de sua fundação, porque o seu afastamento das doutrinas bíblicas deu-se
paulatinamente.
A. Começo da Degeneração. Durante os primeiros três séculos da Era Cristã, a
perseguição à Igreja verdadeira ajudou a manter a sua pureza, preservando-a de
líderes maus e ambiciosos. Nessa época, ser cristão significava um grande desafio, e
aqueles que fielmente seguiam a Cristo sabiam que tinham suas cabeças a prêmio,
pois eram rejeitados e perseguidos pelos poderosos. Só os realmente salvos se
dispunham a pagar esse preço.
Graças à tenacidade e coragem dos Pais da Igreja e dos famosos apologistas
cristãos, o combate da Igreja às heresias que surgiram nessa época resultou numa
expressão mais clara da teologia cristã. Quando os imperadores propuseram-se a
exterminar a Igreja Cristã, só os que estavam dispostos a renunciar o paganismo e
a sofrer o martírio declaravam sua fé em Deus.
Logo no início do século IV, Constantino ascendeu ao posto de imperador. Isso
parecia ser o triunfo final do Cristianismo, mas, na realidade, produziu resultados
desastrosos dentro da Igreja. Em 312, Constantino apoiou o Cristianismo e o fez
religião oficial do Império Romano. Proclamando a si mesmo benfeitor do Cristianismo,
achou-se no direito de convocar um Concilio em Nicéia, para resolver certos
problemas doutrinários gerados por determinados segmentos da Igreja. Nesse
Concilio foi estabelecido o chamado “Credo dos Apóstolos”.
B. Causas da Decadência da Igreja. A decadência doutrinária, moral e
espiritual da Igreja começou quando milhares de pessoas foram por ela batizadas e
recebidas como membros, sem terem experimentado uma real conversão bíblica.
Verdadeiros pagãos que eram, introduziram-se no seio da Igreja trazendo consigo os
seus deuses, que, segundo eles, eram o mesmo Deus adorado pelos cristãos.
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Nesse tempo, homens ambiciosos e sem o temor de Deus começaram a buscar
posições na Igreja como meio de obter influência social e política, ou para gozar dos
privilégios e do sustento que o Estado garantia a tantos quantos fizessem parte do
clero. Deste modo, o formalismo e as crenças pagas iam-se infiltrando na Igreja até
o nível de paganizá-la completamente.
C. Raízes do Papado e da Mariolatria. Desde o ano 200 a.C. até o ano 276 da
nossa Era, os imperadores romanos haviam ocupado o posto e o título de Sumo
Pontífice da Ordem Babilônica. Depois que o imperador Graciano se negara a
liderar essa religião não-cristã, Dâmaso, bispo da Igreja Cristã em Roma, foi
nomeado para esse cargo no ano 378. Uniram-se assim numa só pessoa todas as
funções dum sumo sacerdote apóstata e os poderes de um bispo cristão.
Imediatamente depois deste acontecimento, começou-se a promover a
adoração a Maria como a Rainha do Céu e a Mãe de Deus. Daí procederam todos os
absurdos romanistas quanto à humilde pessoa de Maria, a mãe do Salvador.
Enquanto se desenvolvia a adoração a Maria, os cultos da Igreja de Roma
perdiam cada vez mais os elementos espirituais e a perfeita compreensão das
funções sobrenaturais da graça de Deus. Formas pagas, como a ênfase sobre o
mistério e a magia, influenciaram essa igreja. O sacerdote, o altar, a missa e as
imagens de escultura assumiram papel de preponderância no culto. A autoridade
era centralizada numa igreja dita infalível e não na vontade de Deus, conforme
expressada pela sua Palavra.
D. O Cisma Entre o Oriente e o Ocidente. O cisma entre o Oriente e o Ocidente
logo tornou-se evidente. O rompimento final aconteceu, em 1054, com a Igreja
Ocidental, ou Romana, sediada em Roma, então Capital do Império, por parte da
Igreja Oriental, ou Ortodoxa, que assim separou-se da Igreja Romana, ficando
sediada em Constantinopla, hoje Istambul, na Turquia. A Igreja Oriental guardou a
primazia sobre os patriarcados de Jerusalém, Antioquia e Alexandria.
Desde então, a Igreja Romana, nitidamente desviada dos princípios ensinados
por Jesus no seu Evangelho, esteve como um barco à deriva, sem saber onde
aportar. Até que veio a Reforma Protestante, liderada por Martinho Lutero. Foi mais
um cisma na já combalida Igreja Romana.
2.2. Paganização da Igreja Romana
Note a seguir o processo da gradual paganização da Igreja Católica Romana,
desde que ela começou a abandonar a simplicidade do Evangelho de Cristo, até os
nossos dias:
Ano Dogma ou Cerimônia
33-196 Nesse período da História, a Igreja não aceitou nenhuma doutrina antibíblica.
197 Zeferino, bispo de Roma, começa um movimento herético contra a
divindade de Cristo.
217 Calixto se torna bispo de Roma, pondo-se à frente da propaganda
herética e levando a Igreja de Roma para mais longe do caminho de
Cristo.
270 Origem da vida monástica no Egito, por Santo Antônio.
370 Culto dos santos professado por Basílio de Cesaréia e Gregório de
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Nazianzo. Primeiros indícios do turíbulo (incensário), paramentos e
altares nas igrejas, usos esses introduzidos pela influência dos pagãos
convertidos.
400 Orações pelos mortos e sinal da cruz feito no ar.
431 Maria é proclamada a “Mãe de Deus”.
593 O dogma do Purgatório começa a ser ensinado.
600 O latim passa a ser usado como língua oficial nas VI
celebrações litúrgicas.
609 Começo histórico do papado.
758 A confissão auricular é introduzida na igreja por religiosos do Oriente.
789 Início do culto das imagens e das relíquias.
819 A festa da Assunção de Maria é observada pela primeira vez.
880 Canonização dos santos.
998 Estabelecimento do Dia de Finados.
998 Quaresma.
1000 Cânon da Missa.
1074 Proíbe-se o casamento para os sacerdotes.
1075 Os sacerdotes casados devem divorciar-se, compulsoriamente, cada um
de sua esposa.
1095 Indulgências plenárias.
1100 Introduzem-se na igreja o pagamento da missa e o culto aos anjos.
1115 A confissão é transformada em artigo de fé.
1025 Entre os cônegos de Lião aparecem as primeiras idéias da Imaculada
Conceição de Maria.
1160 Estabelecidos os 7 sacramentos.
1186 O Concilio de Verona estabelece a “Santa Inquisição”.
1190 Estabelecida a venda de indulgências.
1200 Uso do rosário por São Domingos, chefe da inquisição.
1215 A transubstanciação é transformada em artigo de fé.
1220 Adoração à hóstia.
1226 Introduz-se a elevação da hóstia.
1229 Proíbe-se aos leigos a leitura da Bíblia.
1264 Festa do Sagrado Coração.
1303 A Igreja Católica Apostólica Romana é proclamada como sendo a única
verdadeira, e somente nela o homem pode encontrar a salvação…
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1311 Procissão do Santíssimo Sacramento e a oração da Ave-Maria.
1414 Definição da comunhão com um só elemento, a hóstia. O uso do cálice
fica restrito ao sacerdote.
1439 Os 7 sacramentos e o dogma do Purgatório são transformados em
artigos de fé.
1546 Conferida à Tradição autoridade igual a da Bíblia.
1562 Declara-se que a missa é oferta propiciatória e confirma-se o culto aos
santos.
1573 É estabelecida a canonicidade dos livros apócrifos.
1854 Definição do dogma da Imaculada Conceição de Maria.
1864 Declaração da autoridade temporal do papa.
1870 Declaração da infalibilidade papal.
1950 A assunção de Maria é transformada em artigo de fé.
2.3. É Pedro o Fundamento da Igreja?
A Igreja Católica Romana considera o apóstolo Pedro como a pedra
fundamental sobre a qual Cristo edificou a sua Igreja. Para fundamentar esse
ensino, apela, principalmente, para a passagem de Mateus 16.16-19: “E Simão
Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo. E Jesus,
respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não
revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus. Pois também eu te
digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do
inferno não prevalecerão contra ela; e eu te darei as chaves do Reino dos céus; e
tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra
será desligado nos céus”.
Dessa passagem, a Igreja Romana deriva o seguinte raciocínio:
• Pedro é a rocha sobre a qual a Igreja está edificada.
• A Pedro foi dado o poder das chaves, portanto, só ele detém o poder de abrir
a porta do Reino dos céus.
• Pedro tornou-se o primeiro bispo de Roma.
• Toda autoridade foi conferida a Pedro até nossos dias, através da linhagem
de bispos e papas, todos vigários de Cristo na Terra.
A. Uma Interpretação Absurda. Partindo deste raciocínio, o padre Miguel
Maria Giambelli põe o versículo 19 de Mateus 16 nos lábios de Jesus, da seguinte
maneira: “Nesta minha Igreja, que é o reino dos céus aqui na terra, eu te darei
também a plenitude dos poderes executivos, legislativos e judiciários, de tal
maneira que qualquer coisa que tu decretares, eu a ratificarei lá no Céu, porque tu
agirás em meu nome e com a minha autoridade” (A Igreja Católica e os Protestantes,
p. 68).
Numa simples comparação entre a teologia vaticana e a Bíblia, a respeito do
apóstolo Pedro e sua atuação no seio da igreja nascente, descobre-se quão absurda
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é a interpretação romanista a respeito da pessoa e ministério desse apóstolo do
Senhor. Mesmo numa despretensiosa análise do assunto, conclui-se que:
• Pedro jamais assumiu no seio do Cristianismo nascente a posição e as
funções que a teologia católico-romana procura atribuir-lhe.
O substantivo feminino petra designa do grego uma rocha grande e firme. Já o
substantivo masculino petros é aplicado geralmente a pequenos blocos rochosos,
móveis, bem como a pedras pequenas, tais como a pedra de arremesso. Pedro é
petros = bloco rochoso e móvel e não petra = rocha grande e firme. Portanto, uma
igreja sobre a qual as portas do inferno não prevaleceriam não poderia repousar
sobre Pedro.
• De acordo com a Bíblia, Cristo é a pedra. “Estavas vendo isso, quando uma
pedra foi cortada, sem mão, a qual feriu a estátua nos pés de ferro e de
barro e os esmiuçou” (Dn 2.34).
“Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus
Cristo é a principal pedra da esquina” (Ef 2.20).
Nestes versículos, “pedra” se refere a Cristo e não a Pedro.
Diz o apóstolo Pedro: “Este Jesus é a pedra rejeitada por vós, os construtores,
a qual se tornou a pedra angular” (At 4.11, cf. Mc 12.10e 11). (Se desejar leia ainda
Romanos 2.20; 9.33; 1 Coríntios 10.4 e 1 Pedro 2.4.)
B. O Testemunho dos Pais da Igreja. Dos oitenta e quatro Pais da Igreja antiga,
só dezesseis crêem que o Senhor se referia a Pedro quando disse “esta pedra”. Dos
outros Pais da Igreja, uns dizem que esta expressão se refere à pessoa de Cristo
mesmo, outros, à confissão que Pedro acabara de fazer, e outros, ainda, a todos os
apóstolos. Portanto, se apelarmos para os Pais da Igreja dos primeiros quatro
séculos, as pretensões da Igreja Romana com referência a Pedro, redundam em
sofismas.
Só a partir do século IV começou-se a falar a respeito da possibilidade de
Pedro ser a pedra fundamental da Igreja, e isto estava intimamente relacionado com
a pretensão exclusivista do bispo de Roma.
À luz das palavras do próprio apóstolo Pedro, Cristo é apetra (= rocha grande e
firme): “Chegando-vos para ele, a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas
para com Deus eleita e preciosa” (1 Pe 2.4).
Todos os crentes são petros = blocos rochosos e moveis, “…vós mesmos, como
pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a
fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por intermédio de
Jesus Cristo” (1 Pe 2.5).
2.4. O Purgatório
A idéia do Purgatório tem suas raízes no budismo e em outros sistemas
religiosos da antigüidade. Até a época do papa Gregório I, porém, o Purgatório não
havia sido oficialmente reconhecido como parte integrante da doutrina romanista.
Esse papa adicionou o conceito de fogo purificador à crença, então corrente,
de que havia um lugar entre o céu e o inferno, para onde eram enviadas as almas
daqueles que não eram tão maus, a ponto de merecerem o inferno, mas também,
não eram tão bons, a ponto de merecerem o céu. Assim, surgiu a crença de que o
fogo do Purgatório tem poder de purificar a alma e todas as suas escórias, até fazêla
apta a se encontrar com Deus.
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A. Alegadas Razões Desse Dogma. Buscando provar a existência do
Purgatório, a Igreja Romana apela para algumas passagens bíblicas, das quais
extrai apenas falsas inferências, e nada mais. Entre os versículos preferidos, destacam-
se os seguintes:
• “Se alguém proferir alguma palavra contra o Filho do homem ser-lhe-á isso
perdoado; mas se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será isso
perdoado, nem neste mundo nem no porvir” (Mt 12.32).
• “Digo-vos que toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão
conta no dia de juízo” (Mt 12.36).
• “…se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será
salvo, todavia, como que através do fogo” (1 Co 3.15).
B. Uma Descrição do Purgatório. De acordo com a teologia romanista, o
Purgatório, além de ser um lugar de purificação, é também um lugar onde a alma
cumpre pena; pelo que o fogo do Purgatório deve ser temido grandemente. O fogo do
Purgatório será mais terrível do que todo o sofrimento corporal reunido. Um único
dia nesse lugar de expiação poderá ser comparado a milhares de dias de
sofrimentos terrenos.
O escritor católico Mazzarelli faz seus cálculos à base de trinta pecados veniais
por dia, e, para cada pecado, um dia no Purgatório, perfazendo um total de mil e
oitocentos anos, caso o pecador tenha sessenta anos de vida na Terra, devendo-se
acrescentar aos veniais os pecados mortais absolvidos, mas não plenamente
expiados.
C. Quem Vai Para o Purgatório? A pergunta: Que espécie de gente vai para o
Purgatório? — responde o papa Pio IV: “1. Os que morrem culpados de pecados
menores, que costumamos chamar veniais, e que muitos cristãos cometem — e
que, ou por morte repentina, ou por outra razão, são chamados desta vida, sem que
se tenham arrependido destas faltas ordinárias. 2. Os que, tendo sido formalmente
culpados de pecados maiores, não deram plena satisfação deles à justiça divina” (A
Base da Doutrina Católica Contida na Profissão da Fé).
D. Oração Pelos Mortos. E de se supor que a prática romanista de interceder
pelos mortos tenha-se gerado da falsa interpretação às seguintes palavras de Paulo:
“Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões,
ações de graça, em favor de todos os homens” (1 Tm2.1).
E. Missas. As missas são tidas como os principais recursos empregados em
benefício das almas que estão no Purgatório, pois, segundo o ensino romanista, a
missa beneficia não só a alma que sofre no Purgatório, como também acumula
méritos àqueles que as mandam dizer.
F. Esmolas. Dar esmolas com a intenção de aplicá-las nas necessidades da
alma que pena no Purgatório “é jogar água nas chamas que a devoram”. Pretende a
Igreja Romana que, “exatamente como a água apaga o fogo mais violento, assim a
esmola lava o pecado”.
Ainda sobre o Purgatório, o Concilio de Trento declarou: “Desde que a Igreja
Católica, instruída pelo Espírito Santo nos sagrados escritos e pela antiga tradição
dos Pais, tem ensinado nos santos concílios, e ultimamente, neste Concilio
Ecumênico, que há o Purgatório, e que as almas nele retidas são assistidas pelos
sufrágios das missas, este santo concilio ordena a todos os bispos que,
diligentemente, se esforcem para que a salutar doutrina concernente ao Purgatório
— transmitida a nós pelos veneráveis pais e sagrados concílios — seja crida,
sustentada, ensinada e pregada em toda parte pelos fiéis de Cristo” (Seção XXV).
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Refutação do Purgatório
O Purgatório não é somente uma fábula engenhosamente montada, mas a sua
doutrina se constitui num vergonhoso sacrilégio à honra de Deus e num
desrespeito à obra perfeita efetuada por Cristo na cruz do Calvário. Essa doutrina,
além de absurda e cruel, supõe os seguintes disparates e blasfêmias:
• Não obstante Deus declare que já nenhuma condenação há para os que
estão em Cristo Jesus (Rm 8.1), contudo, Ele se contradiz a si mesmo
quando lança o salvo no Purgatório, para expiar os pecados já purgados.
• Deus não queima os seus filhos no Purgatório para satisfazer à sua justiça
já satisfeita pelo sacrifício de Cristo, mas para satisfazer a si mesmo!
• Ao lançar seus filhos no Purgatório, Deus está com isto dizendo que o
sacrifício do seu Filho foi imperfeito e insuficiente!
• Jesus, que dos céus intercede pelos pecadores, vê-se impossibilitado de
livrar as almas que estão no Purgatório, porque só o papa possui a chave
daquele cárcere!
• Dizer que as almas expiam suas faltas no Purgatório é atribuir ao fogo o
poder do sacrifício de Jesus, e ignorar completamente a obra que Cristo
efetuou no Gólgota!
• Que o castigo do pecado fica para depois de perdoado!
Estes disparates provêm dum erro da teologia vaticana, segundo o qual a obra
expiatória de Cristo satisfez a pena devida aos pecados cometidos antes do batismo,
e não daqueles que foram cometidos posteriormente.
Todas estas incoerências sobre o dogma do Purgatório estão em contradição
com as seguintes afirmações bíblicas:
• Quanto à perfeita libertação do pecado (Jo 8.32,36).
• Quanto ao completo livramento do juízo vindouro (Jo 5.24).
• Quanto à completa justificação pela fé (Rm 5.1,2).
• Quanto à intercessão de Cristo (1 Jo 2.1).
• Quanto ao atual estado dos salvos mortos (Lc 23.43;Ap 14.13).
• Quanto à bem-aventurada esperança do salvo (Fp 1.21,23;2Co5.8).
O que a Igreja Católica Romana chama “Purgatório”, a Bíblia chama
“Gehenna”, ou “Inferno”, lugar de suplício eterno, de onde aqueles que nele são
lançados, jamais sairão (leia Lucas 16.19-31 e veja que nada poderá ser feito em
favor daqueles infelizes que são lançados nesse lugar de terrível suplício). A esses
está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois disto o juízo (Hb 9.27), quando
serão julgados e condenados ao Lago de Fogo.
A salvação oferecida por Cristo é uma salvação perfeita e total, pois ela é o
resultado da misericórdia de Deus e do sangue do seu amado Filho.
“Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns
com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado. Se
confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e
nos purificar de toda injustiça” (1 Jo 1.7,9).
O purgatório do crente é o sangue de Jesus.
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2.5. A Tradição e a Bíblia
Em 1929, sobre a Bíblia, escreveu o padre Bernhard Conway: “A Bíblia não é a
única fonte de fé, como Lutero ensinou no século XVI, porque, sem a interpretação
de um apostolado divino e infalível, separado da Bíblia, jamais poderemos saber,
com certeza, quais são os livros que constituem as Escrituras inspiradas, ou se as
cópias que hoje possuímos concordam com os originais. A Bíblia, em si mesma, não
é mais do que letra morta, esperando por um intérprete divino; ela não está
arranjada de forma sistemática; é obscura, e de difícil entendimento, como São
Pedro diz de certas passagens das Cartas de Paulo (2 Pe 3.16, cf. At 8.30,31); como
ela é, está aberta à falsa interpretação. Além disso, certo número de verdades
reveladas têm chegado a nós, somente por meio da Tradição divina” (The Question
Box).
No Compêndio do Vaticano II, lê-se o seguinte: “Não é através da Escritura
apenas que a Igreja deriva sua certeza a respeito de tudo que foi revelado. Por isso
ambas (Escritura e Tradição) devem ser aceitas e veneradas com igual sentido de
piedade e reverência” (p. 127).
A. Estabelecida a Tradição. Desde que muitas inovações anticristãs
começaram a ser aceitas pela Igreja Romana, esta começou a ter dificuldades em
como justificá-las à luz das Escrituras. Desse modo, em vez de deixar o paganismo
e voltar-se para a Bíblia, o clero fez exatamente o contrário: no Concilio de Tolosa,
em 1229, tomaram a medida extrema de proibir o uso da Bíblia pelos leigos.
Até a Reforma Protestante, a Igreja Católica Romana não havia ainda tomado
nenhuma posição no sentido de conferir à Tradição autoridade igual à da Bíblia
Sagrada. Isto devido à generalizada ignorância do povo a respeito das Escrituras.
Porém, com o advento da Reforma Protestante no século XVI, o valor da Bíblia,
como única regra de fé e prática do cristão, foi exaltado, e a sua mensagem pregada
onde quer que se fizesse sentir a influência desse evento. Como a maioria dos
dogmas da Igreja Romana não tivesse o apoio da Bíblia, o clero em mais uma
demonstração de rejeição das Escrituras, foi levado a estabelecer a Tradição como
autoridade para apoiar os seus dogmas e enganos.
A ênfase bíblica da mensagem reformada forçou o clero da Igreja Romana a
reavaliar a decisão do Concilio de Tolosa, e passou a permitir a leitura da Bíblia
pelos leigos, desde que satisfeitas as seguintes exigências:
• Que a Bíblia fosse editada ou autorizada pelo clero;
• Que os leigos não formassem juízo próprio dos seus ensinos;
• Que os leigos só aceitassem a sua interpretação quando feita pelo clero.
Impedidos de interpretar a Bíblia por si mesmos, os leigos estavam privados
da possibilidade de ver quão desrespeitosos à Bíblia são os dogmas acobertados
pela Tradição. Só dessa forma, os dogmas fundamentados na Tradição estariam
resguardados de julgamento e a Bíblia reduzida, assim, a um livro ininteligível e
destituído de autoridade.
“A questão da autoridade na Igreja Romana foi sempre uma dolorosa questão,
mas a História revela que a sua tendência sempre foi de flutuar de um para outro
ponto, com propensão para fincar-se no papado. Esta foi a evolução da autoridade:
das Escrituras para a Tradição, desta para a Igreja, da Igreja para o clero e deste
para o papado que, em 1870, diria: A tradição sou eu” (Fé e Vida, maio de 1943).
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B. Tradição – Traição ao Evangelho. A Tradição da Igreja Romana é, sem
dúvida alguma, um “outro evangelho” (Gl 1.8); antítese do Evangelho do Senhor
Jesus Cristo. Ela não tinha lugar na igreja primitiva. O Evangelho só, contém “todo
o conselho de Deus” (At 20.27), dispensando, portanto, a tradição vaticana.
Paulo, o maior escritor e doutrinador do Novo Testamento, cujo ministério
estava fundamentado no Evangelho, falou sobre a suficiência deste quando
escreveu: “Antes de tudo vos entreguei o que também recebi; que Cristo morreu
pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e ressuscitou ao
terceiro dia, segundo as Escrituras” (1 Co 15.3,4, ênfase do autor).
A Tradição não pode resistir a uma análise por parte de famosos cristãos da
antigüidade, tampouco diante das Escrituras.
Cipriano, no século III, disse: “A tradição, sem a verdade, é o erro envelhecido”.
Tertuliano afirmou: “Cristo se intitulou a Verdade, mas não a tradição… Os
hereges são vencidos com a Verdade e não com novidades”.
No ano 450, disse Venâncio: “Inovações são coisas de hereges e não de crentes
ortodoxos”.
Jerônimo, o tradutor da “Vulgata”, tradução oficial da Bíblia usada pela Igreja
Romana, escreveu: “As coisas que se inventam e se apresentam como tradições
apostólicas, sem autoridade e testemunho das Escrituras, serão atingidas pela
Espada de Deus”.
A Confissão de Fé de Westminster traz num dos seus decretos algo que os
católicos deveriam ler e não esquecer, que diz: “O Supremo Juiz, pelo qual todas as
controvérsias de religião são determinadas e todos os decretos de concílios, opiniões
de escritores antigos, doutrinas de homens e espíritos privados serão examinados e
cujas sentenças devemos acatar, não pode ser outro senão o Espírito Santo, falando
através das Escrituras.”
2.6. A Virgem Maria
A essência da adoração na Igreja Católica Romana gira não em torno do Pai,
do Filho e do Espírito Santo, mas da pessoa da Virgem
Maria. No decorrer dos séculos as mais diferentes e absurdas crendices têm
sido criadas em torno da humilde mãe do Salvador.
A. A Teologia Mariana. Decreta o Concilio Vaticano II: “Os fiéis devem venerar
a memória primeiramente da gloriosa sempre Virgem Maria, Mãe de Deus e de
nosso Senhor Jesus Cristo”.
Dentre as muitas declarações em torno de Maria, destacam-se as seguintes:
• Concebida sem pecado. “Daí não admira que nos Santos Padres prevalece o
costume de chamar a Mãe de Deus toda santa, imune de toda mancha de
pecado, como que plasmada pelo Espírito Santo e formada nova criatura”
(Compêndio Vaticano II, p. 105).
• Sempre Virgem. “Maria sempre foi virgem: Esta é doutrina tradicional da
Igreja Católica. No entanto a grande maioria das Igrejas Protestantes afirma
que Maria não guardou a sua virgindade e teve outros filhos além de Jesus”
(A Igreja Católica e os Protestantes, p. 88).
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• Medianeira e Intercessora. “A Bem-aventurada Virgem Maria é invocada na
Igreja sob os títulos de Advogada, Auxiliadora, Adjutriz, Medianeira” (Compêndio
Vaticano II, p. 109).
B. O Cúmulo do Absurdo. Há alguns anos foi publicado na imprensa de uma
capital latino-americana um discurso de um cardeal católico-romano. O eminente
prelado recorda este sonho. Ele sonhou que estava na cidade celestial. Ouviu-se
bater à porta. Foi comunicado a Deus que um pecador da Terra estava pedindo
entrada. “Cumpriu ele as condições?” foi a pergunta. A resposta foi: “Não!” “Então
não pode entrar”, foi o veredicto. Nesse ponto, a virgem Maria, que estava sentada à
direita do seu Filho, falou: “Se esta alma não entrar eu me ponho fora”. A porta
abriu-se e o pecador entrou.
Refutação da Teologia Mariana
• Maria não foi concebida sem pecado. O que a Bíblia declara é que “todos
pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3.23). Só a respeito de Cristo é
que pode ser dito: “Com efeito nos convinha um sumo sacerdote, assim
como este, santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores, e feito
mais alto do que os céus” (Hb 7.26).
• Maria teve outros filhos. Além de João 2.12, o Novo Testamento se refere
aos irmãos de Jesus, ainda em Mateus 12.46; 13.55,56; Marcos 3.31; Lucas
8.19; João 7.3,5,10; Atos 1.14; 1 Coríntios 9.5 e Gálatas 1.19. Os
ensinadores romanistas dizem que aqueles a quem o Novo Testamento
chama de irmãos de Jesus, na realidade são seus primos. Esta
interpretação é errônea e visa fortalecer o dogma da perpétua virgindade de
Maria (leia Lucas 1.36, e veja que irmãos e primos são distintos no Novo
Testamento).
• O fato de Maria ter sido virgem no ato da concepção de Jesus é ponto
pacífico nas Escrituras, porém, afirmar que ela continuou virgem após o
parto é antítese de Mateus 1.25: “Contudo, não a conheceu, enquanto não
deu à luz um filho, a quem pôs o nome de Jesus”.
• Maria não exerce mediação a favor do pecador. “Porque há um só Mediador
entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1 Tm 2.5). “Se, todavia,
alguém pecar, temos um Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo” (1 Jo
2.1).
• Só Cristo intercede pelo pecador. “Por isso também pode salvar totalmente
os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles”
(Hb 7.25).
o Epifânio, grande apologista cristão do século IV, diz o seguinte aos
católicos de hoje: “Não se devem honrar os santos além do que é justo,
mas deve-se honrar o Senhor deles. Maria, de fato, não é Deus nem
recebeu do céu o seu corpo, mas de uma concepção de um homem e
de uma mulher. Santo é o corpo de Maria; ela é virgem e digna de
muita honra mas não foi dada para adoração, antes, ela adora aquele
que nasceu da sua carne. Honre-se Maria, mas adore-se o Pai, o Filho
e o Espírito Santo. Ninguém adore a Virgem Maria”.
o Ao mesmo tempo, disse Ambrósio de Milão: “Maria era o templo de
Deus, não o Deus do templo. Deve-se adorar então somente aquele
que opera no templo”.
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2.7. A Missa
Dentre os muitos chamados “sacramentos” da Igreja católica Romana,
destaca-se a missa.
O que a missa é no contexto do Catolicismo Romano é definido pelo padre
Miguel Maria Giambelli:
“O que nós, católicos, chamamos ‘missa’, os primeiros cristãos de Jerusalém
chamavam de ‘partir do pão’, porque foi exatamente isto o que fez Jesus na última
ceia: ‘Tomou o pão, deu graças e partiu…'” S. Paulo lembra aos coríntios que todas
as vezes que eles se reúnem para comer deste pão e beber deste cálice, anunciam a
morte do Senhor, isto é, eles renovam o sacrifício do Calvário.
“O apóstolo Paulo alerta os coríntios de que aquele pão e aquele vinho, após as
palavras consagradas, não são mais pão e vinho comuns, mas são algo de
misterioso que esconde o corpo sagrado de Jesus, e quem, portanto, se atrever e
comer deste pão e beber deste vinho sem as devidas condições espirituais, comete
uma profanação tão sacrílega que o torna réu de um crime contra o corpo e o
sangue do Senhor Jesus. Daí porque São Paulo continua alertando os coríntios a
tomarem muito a sério o ato de comer deste pão e beber deste cálice consagrado na
eucaristia, porque quem os come e bebe sem crer firmemente que são corpo vivo de
Cristo, e, portanto, sem fazer distinção entre o pão comum da padaria e pão
consagrado ‘come e bebe sua própria condenação!'” (A Igreja Católica e os
Protestantes, p. 27).
Deste ensino deduz-se que Giambelli afirma:
• Missa e santa ceia do Senhor são a mesma coisa.
• A missa renova o sacrifício do Calvário.
• O pão e o vinho usados na missa são transubstanciados no próprio corpo
de Cristo no momento da celebração.
• Quem não diferençar o pão que é servido na missa do que é vendido na
padaria, “come e bebe sua própria condenação”.
Refutação da Missa
Esse ensino é errado, portanto, contrário àquilo que as Escrituras Sagradas
ensinam.
O recurso que a Igreja Romana usa para confundir o significado da expressão
“… em memória…” com a palavra “… renovar”, se constitui numa incoerência,
primeiro à luz da Bíblia, e depois à luz da gramática. No Dicionário da Língua
Portuguesa, de Augusto Miranda, a expressão “em memória” tem como sinônimo a
expressão “em lembrança”; enquanto a palavra “renovar” tem como sinônimo a
palavra “recompor”. Portanto, uma nada tem a ver com a outra.
Se a morte de um amigo nos vem à memória, isto não é a mesma coisa que
renová-la. Existem vários versículos na Bíblia que falam da impossibilidade de se
renovar o sacrifício de Cristo, entre os quais se destacam: Hebreus 7.26,27; 10.12-
14; 1 Pedro 3.18 e Romanos 6.9.
A. Transubstanciação. Não há um só versículo nas Escrituras em apoio à tese
do Concilio de Trento de que o pão e o vinho usados na missa, ao serem
consagrados, tornam-se, ou transubstanciam-se, em Jesus, física e
espiritualmente, assim como Ele está no céu. Veja, por exemplo:
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• Mesmo após a ressurreição, não obstante gozando do privilégio de um corpo
espiritual, Jesus não bilocou-se, isto é, Ele não esteve em dois lugares ao
mesmo tempo. Se estava em Emaús, não estava em Jerusalém. Ele estava
num só lugar de cada vez. Como pretende, pois, a teologia vaticana provar
que Jesus esteja fisicamente, tanto no céu como nas hóstias espalhadas
nos sacrários dos templos católicos por todo o mundo?
• Quando Jesus diz: “E eis que estou convosco todos os dias até a
consumação dos séculos” (Mt 28.10), Ele não sugere que estaria fisicamente
através do pão e do vinho da missa, mas espiritualmente, assim como
esteve com Paulo, conforme Atos 18.9,10.
• O corpo de Cristo hoje na Terra não é o pão e o vinho usados na celebração
da missa, mas a sua Igreja, conforme mostram as seguintes passagens
bíblicas: 1 Coríntios 10.16,17; 12.27; Efésios 1.22,23; 4.15,16; 5.30.
Outra prova de que missa e santa ceia do Senhor são cerimônias diferentes, é
que na missa os comungantes só tomam um elemento (a hóstia) enquanto o vinho é
tomado exclusivamente pelo padre celebrante, quando a ordem novitestamentária é:
“Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma do pão e beba do cálice” (1
Co 11.28).
IX. OS LIVROS APÓCRIFOS
Muitas perguntas têm sido feitas e muitas questões têm sido levantadas
quanto aos livros apócrifos. Os católicos chegam mesmo a afirmar que a Bíblia
usada pelos evangélicos (aos quais chamam “protestantes”) é incompleta e falha por
faltarem nela os livros apócrifos. Muitos evangélicos, por sua vez, perguntam por
que a nossa Bíblia não contém tais livros.
9.1. DEFINIÇÃO DE “APÓCRIFO”
Empregamos aqui o termo apócrifo num sentido restrito, forçando um pouco o
sentido original da palavra, e pondo de parte o caráter de certos escritos, aos quais
o referido termo se aplica. A palavra “apócrifo”, literalmente, significa “oculto”.
Porém, no decorrer dos tempos e em razão do uso, o termo já não tem o sentido de
“oculto”, mas de “espúrio”, isto é, “não-puro”.
No tempo da Reforma, o termo “apócrifo” foi definitivamente aplicado a esses
livros não-canônicos contidos na Vulgata, pois não faziam parte do cânon hebraico.
Seu significado oposto ao termo “canônico” acarretou, para esses livros, o desprezo
que se sentia pela literatura apocalíptica e oculta, tanto judaica como cristãjudaica.
3 – O ESPIRITISMO
O espiritismo é, sem dúvida, uma das heresias que mais cresce no mundo
hoje. O Brasil, particularmente, detém o triste recorde de ser o maior reduto
espiritista do mundo. O seu crescimento se dá, em grande parte, devido ao fascínio
que os seus ensinos exercem sobre as mentes das pessoas desprovidas do verdadeiro
conhecimento, e alienadas de Deus.
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Alheio à Palavra de Deus, e divorciado de toda a verdade, o espiritismo tem se
constituído numa espécie de “profundezas de Satanás”, pronto a tragar pessoas
incautas que estão a buscar a Deus em todos os lugares e por todos os meios.
3.1. Resumo Histórico
O espiritismo constitui-se no mais antigo engano religioso já surgido. Porém,
em sua forma moderna como hoje é conhecido, o seu ressurgimento se deve a duas
jovens norte-americanas, Margaret e Kate Fox, de Hydeville, Estado de Nova Iorque.
Em dezembro de 1847, Margaret e Kate, respectivamente de doze e dez anos,
começaram a ouvir pancadas em diferentes pontos da casa onde moravam. A
princípio julgaram que esses ruídos fossem produzidos por camundongos e ratos
que infestavam a casa. Contudo, quando os lençóis começaram a ser arrancados
das camas por mãos invisíveis, cadeiras e mesas tiradas dos seus lugares, e uma
mão fria tocou no rosto de uma das meninas, percebeu-se que o que estava
acontecendo eram fenômenos sobrenaturais. A partir daí, as meninas criaram um
meio de comunicar-se com o autor dos ruídos, que respondia às perguntas com um
determinado número de pancadas.
Partindo desse acontecimento, que recebeu ampla cobertura dos meios de
comunicação da época, sessões espíritas propagaram-se por toda a América do
Norte. Na Inglaterra, porém, a consulta aos mortos já era muito popular entre as
camadas sociais mais elevadas. Por conseguinte, os médiuns norte-americanos encontraram
ali solo fértil onde a semente do supersticionismo espiritista haveria de
ser semeada, nascer, crescer, florescer e frutificar. Na época, outros países da
Europa também foram visitados com sucesso pelos espíritas norte-americanos.
Na França, a figura de Allan Kardec é a principal dos arraiais espiritistas. Léon
Hippolyte Rivail (o verdadeiro nome de Allan Kardec), nascido em Lião, em 1804,
filho de um advogado, tomou o pseudônimo de Allan Kardec por acreditar ser ele a
reencarnação de um poeta celta com esse nome. Dizia ter recebido a missão de
pregar uma nova religião, o que começou a fazer a 30 de abril de 1856. Um ano
depois, publicou O Livro dos Espíritos, que muito contribuiu na propaganda
espiritista. Dotado de inteligência e inigualável sagacidade, estudou toda a
literatura afim disponível na Inglaterra e nos Estados Unidos, e dizia ser guiado por
espíritos protetores. Notabilizou-se por introduzir no espiritismo a idéia da
reencarnação. De 1861 a 1867, publicou quatro livros: Livro dos Médiuns, O
Evangelho Segundo o Espiritismo, Céu e Inferno e Gênesis.
Homem dotado de características físicas e mentais de grande resistência, Allan
Kardec foi apóstolo das novas idéias que haveriam de influir na organização do
espiritismo. Fundou A Revista Espírita, periódico mensal editado em vários idiomas.
Ele mesmo assentou as bases da “Sociedade Continuadora da Missão de Allan
Kardec”. Morreu em 1869.
3.2. Subdivisões do Espiritismo
Embora consideremos o espiritismo igual em toda a sua maneira de ser, os
próprios espíritas admitem haver diferentes formas de espiritismo, assim
designadas:
A. Espiritismo Comum. Dentre as muitas práticas dessa classe de espiritismo,
destacam-se as seguintes:
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• Quiromancia – Adivinhação pelo exame das tinhas das mãos. O mesmo que
“quiroscopia”.
• Cartomancia – Adivinhação pela decifração de combinações de cartas de
jogar.
• Grafologia – Estudo dos elementos normais e principalmente patológicos de
uma personalidade, feito através da análise da sua escrita.
• Hidromancia – Arte de adivinhar por meio da água.
• Astrologia – Estudo e/ou conhecimento da influência dos astros,
especialmente dos signos, no destino e no comportamento dos homens;
também conhecida como “uranoscopia”.
B. Baixo Espiritismo. O baixo espiritismo, também conhecido como espiritismo
pagão, inculto e sem disfarce, identifica-se pelas seguintes práticas:
• Vodu – Culto de negros antilhanos, de origem animista, e que se vale de
certos elementos do ritual católico. Praticado principalmente no Haiti.
• Candomblé – Religião dos negros ioruba, na Bahia.
• Umbanda – Designação dos cultos afro-brasileiros, que se confundem com
os da macumba e dos candomblés da Bahia, xangô de Pernambuco,
pajelança da Amazônia, do catimbó e outros cultos sincréticos.
• Quimbanda – Ritual da macumba que se confunde com os da umbanda.
• Macumba – Sincretismo religioso afro-brasileiro derivado do candomblé,
com elementos de várias religiões africanas, de religiões indígenas
brasileiras e do catolicismo.
C. Espiritismo Científico. O espiritismo científico é também chamado “Alto
Espiritismo”, “Espiritismo Ortodoxo”, “Espiritismo Profissional” ou “Espiritualismo”.
Ele se manifesta, inclusive, como “sociedade”, como, por exemplo, a LBV (Legião da
Boa Vontade), fundada e presidida por muitos anos pelo já falecido Alziro Zarur.
Esta classe de espiritismo tem sido conhecida também como:
• Ecletismo – Sistema filosófico dos que não seguem sistema algum,
escolhendo de cada um a parte que lhe parece mais próxima da verdade.
• Esoterismo – Doutrina ou atitude de espírito que preconiza que o
ensinamento da verdade deve reservar-se a um número restrito de
iniciados, escolhidos por sua influência ou valor moral.
• Teosofismo – Conjunto de doutrinas religioso-filosóficas que têm por objetivo
a união do homem com a divindade, mediante a elevação progressiva do
espírito até a iluminação. Iniciado por Helena Petrovna Blavastky, mística
norte-americana (1831-1891), fanática adepta do budismo e do lamaísmo.
D. Espiritismo Kardecista. O espiritismo Kardecista é a classe de espiritismo
comumente praticada no Brasil, e tem, como principais, entre as suas muitas teses,
as seguintes:
• Possibilidade de comunicação com os espíritos desencarnados.
• Crença da reencarnação.
• Crença de que ninguém pode impedir o homem de sofrer as conseqüências
dos seus atos.
• Crença na pluralidade dos mundos habitados.
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• A caridade é virtude única, aplicada tanto aos vivos como aos mortos.
• Deus, embora exista, é um ser impessoal, habitando um mundo longínquo.
• Mais perto dos homens estão os “espíritos-guias”.
• Jesus foi um médium e reformador judeu, nada mais que isto.
Evidentemente, o diabo é um demagogo muito versátil e maleável, capaz de
muitas transformações. Aos psicólogos, ele diz: “Trago-vos uma nova ciência”. Aos
ocultistas, assevera: “Dou-vos a chave para os últimos segredos da criação”. Aos
racionalistas e teólogos modernistas, declara: “Não estou aí. Nem mesmo existo”.
Assim faz o espiritismo: muda de roupagem, como o camaleão muda de cor, de
acordo com o ambiente, ainda que, na essência, continue sempre o mesmo:
supersticioso, fraudulento, mau e diabólico.
3.3. A Teoria da Reencarnação
A teoria da reencarnação se constitui no cerne de toda a discussão espiritista.
Destruída esta teoria, o espiritismo não poderá subsistir.
Sobre o assunto, escreveu Allan Kardec: “A reencarnação fazia parte dos
dogmas judaicos sob o nome de ressurreição… A reencarnação é a volta da alma,
ou espírito, à vida corporal, mas em outro corpo novamente formado para ele que
nada tem de comum com o antigo” (O Evangelho Segundo o Espiritismo, pp. 24,25).
Refutação Bíblica da Reencarnação
A Bíblia jamais faz qualquer referência à palavra “reencarnação”, tampouco
confunde-a com a palavra “ressurreição”. Segundo o dicionário Escolar da Língua
Portuguesa, de Francisco da Silveira Bueno, “reencarnação” é o ato ou efeito de
reencarnar, pluralidade de existências com um só espírito; enquanto a palavra
“ressurreição”, no grego, é anástasis e égersis, ou seja, levantar, erguer, surgir, sair
de um local ou de uma situação para outra.
No latim, “ressurreição” é o ato de ressurgir, voltar à vida, reanimar-se.
Biblicamente, entende-se o termo “ressurreição” como o mesmo que ressurgir dos
mortos, e, em linguagem mais popular, união da alma e do espírito ao corpo, após a
morte física.
No decorrer de toda a narrativa bíblica, são mencionados oito casos de
ressurreição, sendo sete de restauração da vida, isto é, ressurreição para tornar a
morrer, e um de ressurreição no sentido pleno, final — o de Jesus. Este foi
diferente, porque foi ressurreição para nunca mais morrer, não somente pelo fato
de Ele ser Jesus, mas porque, ao ressurgir, tornou-se Ele o primeiro da ressurreição
real (1 Co 15.20,23).
A expressão “ressurreição dentre os mortos”, como em Lucas 20.35 e
Filipenses 3.11, implica uma ressurreição da qual somente os justos participarão.
Os participantes da verdadeira ressurreição não mais morrerão (Lc 20.36). A
referida expressão e tradução correta do original. A palavra “dentre” indica que os
mortos ímpios continuarão sepultados quando os santos ressurgirem.
Os sete outros casos de ressurreição na Bíblia, por ordem, são: o filho da viúva
de Serepta (1 Rs 17.19-22); o filho da sunamita (2 Rs 4.32-35); o defunto que foi
lançado na cova de Eliseu (2 Rs 13.21); a filha de Jairo (Mc 5.21-23,35-43); o filho
da viúva de Naim (Lc 7.11-17); Lázaro (Jo 11.1-46); Dorcas (At 9.36-43).
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O caso da ressurreição de Jesus, que, como já dissemos, é diferente, acha-se
registrado em Mateus 28.1-10; Marcos 16.1-8; Lucas 24.1-12; João 20.1-10 e 1
Coríntios 15.4,20-23.
Quanto à ressurreição propriamente dita, escreve Allan Kardec: “A
ressurreição implica a volta da vida ao corpo já morto — o que a ciência demonstra
ser materialmente impossível, sobretudo quando os elementos desse corpo foram,
depois de muito tempo, dispersos e absorvidos”.
E evidente que esta teoria de Allan Kardec não pode prevalecer, uma vez que
se baseia em conceitos de homens e não nas Escrituras, que declaram a
possibilidade da ressurreição dos mortos. Não é relevante citarmos aqui os casos de
mortos que foram ressuscitados antes de serem levados à sepultura. Vamos citar
apenas dois casos de mortos que foram levantados dentre os mortos após quatro e
três dias de sepultados: Lázaro e Jesus.
Lázaro. O testemunho de João capítulo 11 é que Lázaro:
• estava morto (vv.14,21,32,37);
• estava sepultado já havia quatro dias (vv. 17,39);
• já cheirava mal (v.39);
• ressuscitou ainda amortalhado (v.44);
• ressuscitou com o mesmo corpo e com a mesma aparência que possuía
antes de morrer (v.44).
Jesus. O testemunho das Escrituras quanto à morte e ressurreição de Jesus
Cristo, é que:
• Os soldados romanos testemunharam que Cristo estava morto (Jo 19.33).
• José de Arimatéia e Nicodemos sepultaram-no (Jo 19.38-42).
• Ele ressuscitou no primeiro dia da semana (Lc 24.6).
• Mesmo após ressuscitado, Ele ainda portava as marcas dos cravos nas
mãos, para mostrar que seu corpo, agora vivo, era o mesmo no qual sofrerá
a crucificação, porém, glorificado (Lc 24.39; Jo 20.27).
3.4. Uma Teoria Absurda
Procurando dar sentido bíblico à absurda teoria da reencarnação, Allan
Kardec lança mão do capítulo 3 de João para dizer que Jesus ensinou sobre a
reencarnação. Os tradutores da obra de Allan Kardec, O Evangelho Segundo o
Espiritismo, usaram a versão bíblica do padre Antônio Pereira de Figueiredo como
texto base de sua tradução, grifando o versículo 3 do citado capítulo de João: “Na
verdade te digo que não pode ver o reino de Deus senão aquele que renascer de
novo” (ênfase minha), quando o versículo naquela versão é escrito da seguinte
forma: “Na verdade, na verdade, te digo, que não pode ver o reino de Deus, senão
aquele que nascer de novo” (ênfase minha).
“Renascer” já significa nascer de novo, enquanto “renascer de novo” constituise
numa intolerável redundância, mas não sem propósito por parte do espiritismo,
que por tudo procura provar que a absurda teoria da reencarnação tem fundamento
na Bíblia.
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3.5. A Invocação dos Mortos
Reencarnação e invocação de mortos são as duas principais estacas de
sustentação de toda a fraude espiritista. Se ambas puderem ser removidas, o
espiritismo ruirá irremediavelmente.
Refutação Bíblica da Invocação dos Mortos
Aos hebreus que saíram do Egito e se aproximavam de Canaã, por intermédio
de Moisés, disse o Senhor Deus:
“Quando entrares na terra que o Senhor, teu Deus, te der, não aprenderás a
fazer conforme as abominações daquelas nações. Entre ti se não achará quem faça
passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador,
nem agoureiro, nem feiticeiro, nem encantador de encantamentos, nem quem
consulte um espírito adivinhante, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois
todo aquele que faz tal coisa é abominação ao Senhor, e por estas abominações o
Senhor, teu Deus, as lança fora de diante de ti. Perfeito serás, como o Senhor, teu
Deus. Porque estas nações, que hás de possuir, ouvem os prognosticadores e os
adivinhadores; porém a ti o Senhor, teu Deus, não permitiu tal coisa” (Dt 18.9-14).
Com base nestas palavras de Moisés, no seu livro O Céu e o Inferno, aduz Allan
Kardec: “… Moisés devia, pois, por política, inspirar nos hebreus aversão a todos os
costumes que pudessem ter semelhança e pontos de contato com o inimigo”.
Alegar que Moisés se opunha aos costumes pagãos dos cananeus baseado em
razões simplesmente políticas, como afirma Allan Kardec, atesta a completa
ignorância do espiritismo quanto às Escrituras Sagradas.
A proibição divina de consultar os mortos não prova que havia comunicação
com os mortos. Prova apenas que havia a consulta aos mortos, o que não significa
comunicação real com eles. Era apenas uma tentativa de comunicação. Na prática
de tais consultas aos mortos, sempre existiram embustes, mistificações, mentiras,
farsas e manifestações de demônios. É o que acontece nas sessões espíritas, onde
espíritos demoníacos, espíritos enganadores, manifestam-se, identificando-se como
pessoas amadas que faleceram. Alguns desses espíritos têm aparecido,
identificando-se com os nomes de grandes homens, ministrando ensinos e até
apresentando projetos éticos e humanitários, que terminam sempre em destroços.
São espíritos que se prestam ao serviço do pai da mentira, Satanás.
O povo de Deus, porém, possui a inigualável revelação de Deus pela qual
disciplina a sua vida: “Quando vos disserem: Consultai os que têm espíritos
familiares e os adivinhos, que chilreiam e murmuram entre dentes; — não recorrerá
um povo ao seu Deus? A favor dos vivos interrogar-se-ão os mortos? À lei e ao
testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, nunca verão a alva” (Is
8.19,20).
O testemunho geral das Escrituras é que os mortos, devido ao estado em que
se encontram, não têm parte em nada do que se faz e acontece na Terra. Consulte
os seguintes textos: Eclesiastes 9.5,6; Salmos 88.10-12; Isaías 38.18,19; Jó 7.9,10.
Nenhum dos textos bíblicos mencionados contradiz a esperança bíblica da
ressurreição dos mortos, uns para a vida eterna, outros para vergonha e perdição
eterna. Os citados textos mostram, sim, que o homem após a morte, na sepultura,
jamais poderá voltar à vida de outrora, e que na sepultura nada poderá fazer por si
mesmo e muito menos pelos vivos que ainda estão na Terra.
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3.6. Saul e a Médiun de En-Dor
(Antes de prosseguir, tome a sua Bíblia, abrindo-a no capítulo 28 de 1 Samuel.
Leia todo esse capítulo e em seguida volte à leitura deste livro.)
Concluída a leitura desta porção das Escrituras, vêm à mente perguntas, tais
como: É ou não possível comunicar-se com os espíritos de pessoas falecidas? Foi ou
não Samuel quem apareceu na sessão espírita de En-Dor? Muitas respostas
poderiam ser dadas aqui, como por exemplo: A assembléia judaica sempre
acreditou que Samuel realmente apareceu naquela ocasião. Essa também era a
opinião de alguns dos mais destacados líderes da Igreja dos primeiros séculos,
entre eles, Justino Mártir e Origenes. Já Tertuliano, Jerônimo, Lutero e Calvino
acreditavam que um demônio apareceu em forma de pessoa, personificando
Samuel.
Até mesmo uma despretensiosa análise de 1 Samuel 28 mostra com clareza
meridiana que um espírito de engano, e não Samuel, foi quem apareceu na sessão
espírita de En-Dor. Dentre as muitas provas contra a opinião de que Samuel
apareceu naquela ocasião, destacam-se as seguintes:
• Nem a médium nem o seu espírito de mediunidade exerciam qualquer poder
sobre a pessoa de Samuel. Só Deus exercia esse poder; pelo que não iria
permitir que seu fiel servo viesse a se tornar parte de uma prática que o
próprio Deus condenou (Dt 18.9-14).
• Após informar a Saul que Deus o tinha rejeitado, Samuel nunca mais disse
coisa alguma a esse rei.
• Se fosse Samuel quem aparecera na ocasião, ele não teria mentido, dizendo
que Saul perturbara seu descanso, se Deus, e não Saul, lhe tivesse
ordenado; nem dizendo que Saul e seus filhos estariam com ele no dia
seguinte (vv.15,16).
• O próprio Saul disse que Deus já não lhe respondia nem pelo ministério dos
profetas e nem por sonhos (vv. 6,15), pelo que Deus, no último momento,
o não teria cedido ao desejo de Saul de receber outra revelação;
o não teria entrado em contradição com a sua Palavra, que nega a
possibilidade de vivos terem contato com os mortos (Jó 7.9,10; Ec
9.5,6; Lc 16.31);
o não teria criado a impressão de que tentar entrar em contato com os
mortos não é tão mau como antes Ele mesmo dissera ser (Dt 18.9-14);
o não teria afirmado que Saul deveria morrer por causa da consulta
feita à médium (1 Cr 10.13).
• Saul disse à médium a quem deveria chamar.
o De acordo com o estudo dos fenômenos psíquicos, a médium teria lido
na mente de Saul qual seria a aparência de Samuel, e a descrevera
como Saul costumava vê-lo.
• A médium temeu porque:
o em seu transe ela reconheceu Saul (v. 12), que era conhecido como
inimigo das práticas espiritistas; ou,
o ela viu um espírito adejando por cima da aparição, que com “prodígios
de mentira” se fazia passar por Samuel.
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• O próprio Saul não viu Samuel. De acordo com a descrição da médium, ele
mesmo supôs que a personagem descrita era Samuel.
• Quanto à profecia abordada durante a sessão em En-Dor, J.K. Van Baalen,
no seu livro O Caos das Seitas, dá as seguintes possibilidades:
o a mulher percebeu o medo de Saul, de que o seu fim era iminente, e
isso ela predisse;
o a mulher tomou conhecimento da profecia feita antes por Samuel (1
Sm 15.16,18), que vinha perseguindo Saul (1 Sm 16.2; 20.31, etc),
pelo que lhe disse o que ele esperava ouvir;
o se um demônio se fazia passar por Samuel e falou por meio da
médium, então a mulher ter-se-ia lembrado da profecia de Samuel,
fazendo uso dela.
• Não era necessário que alguém fosse perito ou estrategista em guerras para
prever a derrota de Saul e de Israel diante dos filisteus. Em todos os
tempos, o salário do pecado é a morte. No capítulo 15 de 1 Samuel, a
questão dessa guerra já havia sido levantada bem antes de Saul consultar a
médium.
• A parte final do vaticínio da médium não foi verdadeira no seu
cumprimento, pois nem Saul morreu no dia seguinte, nem morreram nesse
dia todos os seus filhos.
3.7. Vocabulário Espírita
Assim como a pessoa é conhecida pelo vocabulário que usa, de igual modo o
espiritismo é mais bem identificado por seu vocabulário, usado para comunicar os
seus enganos. É evidente que muitas das palavras seguintes, usadas no linguajar
espiritista, podem ter diferentes sentidos, por exemplo, de acordo com a ciência.
Porém, na relação a seguir, vamos dar o significado de cada palavra, de acordo com
a interpretação dada pelo próprio espiritismo.
Do grande universo de termos usados pelo espiritismo, destacam-se os
seguintes:
• Médium – Pessoa a quem se atribui o poder de se comunicar com espíritos
de pessoas mortas.
• Mediunidade – E o fenômeno em que uma pessoa recebe um outro espírito,
supostamente de uma pessoa falecida, sendo que esse espírito recebido
passa a dominar a mente do médium que recebe o controle e o domínio do
seu próprio corpo.
• Clarividência e Clariaudiência – Fenômenos segundo os quais uma pessoa
pode sentir, observar e ver os espíritos que a rodeiam, servindo de elo de
ligação e comunicação entre o mundo visível e o invisível.
• Levitação – Força psíquica gerada por uma ou mais mentes na imposição de
mãos, onde um objeto ou uma pessoa pode elevar-se do solo. E muito
praticada na parapsicologia, que é uma falsa ciência.
• Telepatia – Comunicação por via sensorial entre duas mentes à distância;
transmissão de pensamento.
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• Criptestesia – E o fenômeno da sensação do oculto, ou seja, o conhecimento
de um fato transmitido por um morto, sem conhecimento de nenhum vivo.
• Premonição – Sensação, pressentimento do que vai suceder.
• Metagnomia – É a resolução de problemas matemáticos, obras artísticas que
se produzem e línguas desconhecidas que se decifram (lembre-se de que
isto nada tem a ver com nenhum dos dons do Espírito Santo).
• Telecinesia – Movimentos de objetos, toque de instrumentos musicais,
alterações de balanços sem o toque de mãos.
• Idioplastia – É a alteração do corpo físico em virtude do pensamento.
3.8. O Espiritismo e as Suas Crenças
Já dissemos que as duas principais estacas de sustentação do espiritismo são
o dogma da reencarnação e a alegada possibilidade de os vivos se comunicarem
com os espíritos dos mortos. Mas a doutrina espiritista é muito mais que isto, como
é mostrado a seguir.
O conjunto de doutrinas do espiritismo é grande e complexo. Na verdade
constitui-se num esquema de negação de toda a doutrina bíblica cristã. Veja, por
exemplo, o que crê o espiritismo acerca dos seguintes temas da doutrina cristã.
A. Deus. “Abrogamos a idéia de um Deus pessoal” (The Physical Phenomena in
Spiritualism Revealed).
“Deve-se entender que existem tantos deuses quantas são as mentes que
necessitam de um deus para adorar; não apenas um, dois, ou três, mas muitos”
(The Banner of Light, 03.02.1866).
B. Cristo. “Qual é o sentido da palavra Cristo! Não é, como se supõe
geralmente, o Filho do Criador de todas as coisas? Qualquer ser justo e perfeito é
Cristo” (Spiritual Telegraph, nº 37).
“Não obstante, parece que todo o testemunho recebido dos espíritos avançados
mostra apenas que Cristo era um médium e um reformador da Judéia, e que agora
é um espírito avançado na sexta esfera” (Palavras do Dr. Weisse, citado por Hanson,
em Demonology or Spiritualism).
“Cristo foi um homem bom, mas não poderia ter sido divino, exceto no sentido,
talvez em que todos somos divinos” (Mensagem por um “espírito”, citado por
Raupert em Spiritist Phenomena and Their Interpretatiorí).
C. A Expiação. “A doutrina ortodoxa da Expiação é um remanescente dos
maiores absurdos dos tempos primitivos, e é imoral desde o âmago… A razão dessa
doutrina é que o homem nasce neste mundo como pecador perdido, arruinado,
merecedor do inferno. Que mentira ultrajante!… — Porventura o sangue não ferve
de indignação ante tal doutrina?” (Médium and Daybreak).
D. A Queda. “Nunca houve qualquer evidência de uma queda do homem” (A.
Conan Doyle).
“Precisamos rejeitar o conceito de criaturas caídas. Pela queda deve-se
entender a descida do espírito à matéria” (The True Light).
E. O Inferno. “Posso dizer que o inferno é eliminado totalmente, como há
muito tem sido eliminado do pensamento de todo homem sensato. Essa idéia
odiosa, tão blasfema em relação ao Criador, originou-se do exagero de frases
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orientais, e talvez tenha tido sua utilidade em uma era brutal, quando os homens
eram assustados com chamas, como as feras são espantadas pelos viajantes” (A.
Conan Doyle, em Outlines of Spiritualism).
F. A Igreja. “Passo a passo avançou a Igreja Cristã, e ao fazê-lo, passo a passo
a tocha do espiritismo foi retrocedendo, até que quase não se podia mais perceber
uma fagulha brilhante em meio às trevas espessas… Por mais de mil e oitocentos
anos a chamada Igreja Cristã se tem imposto entre os mortais e os espíritos,
barrando toda oportunidade de progresso e desenvolvimento. Atualmente, ela se
ergue como completa barreira ao progresso humano, como já fazia há mil e
oitocentos anos” (Mmd and Matter, 08.05.1880).
“Se o Cristianismo sobreviver, o espiritismo deve morrer; e se o espiritismo
tiver de sobreviver, o Cristianismo deve desaparecer. São a antítese um do outro…”
(Mmd and Matter, junho de 1880).
G. A Bíblia. “Asseverar que ela [a Bíblia] é um livro santo e divino, e que Deus
inspirou os seus escritores para tornar conhecida a vontade divina, é um grosseiro
ultraje e um logro para com o público” (Outlines of Spiritualism).
“Gostamos pouco de discutir baseados na Bíblia, porque, além de a
conhecermos mal, encontramos nela, misturados com os mais santos e sábios
ensinamentos, os mais descabidos e inaceitáveis absurdos” (Carlos lmbassahy, O
Espiritismo Analisado).
Refutação Bíblica
A Bíblia Sagrada, a espada do Espírito Santo, lança a doutrina espiritista por
terra, e declara em alto e bom som, que:
A. Deus.
• é um ser pessoal (Jo 17.3; SI 116.1,2; Gn 6.6; Ap 3.19);
• é um ser único (Dt 6.4; Is 45.5,18; 1 Tm 1.17; Jd 25).
B. Jesus Cristo.
• foi superior aos homens (Hb 7.26);
• é apresentado na Bíblia como profeta, sacerdote e rei, e nunca como
médium (At 3.19-24; Hb 7.26,27; Fp 2.9-11).
C. A Expiação.
• foi um ato voluntário de Cristo (Tt 2.14);
• é alcançada como conseqüência da fé (At 10.43);
• é adquirida pelo sangue de Cristo, segundo a riqueza da sua graça (Ef 1.7).
D. A Queda.
• sobreveio como conseqüência da desobediência de Adão (Rm 5.12,15,19);
• decorreu da tentação do diabo (Gn 3.1-5; 1 Tm 2.14).
E. O Inferno.
• foi preparado para o diabo e seus anjos (Mt 25.41);
• fica embaixo (Pv 15.24; Lc 10.15);
• será a habitação final e eterna dos perversos (SI 9.7; Mt 25.41).
F. A Igreja.
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• foi fundada por Jesus Cristo (Mt 16.18);
• jamais será vencida (Mt 16.18);
• é guardada pelo Senhor (Ap 3.10).
G. A Bíblia.
• é a Palavra de Deus (2 Sm 22.31; SI 12.6; Jr 1.12);
• foi escrita sob inspiração divina (1 Pe 2.20,21);
• é absolutamente digna de confiança (SI 111.7);
• é descrita como pura (SI 19.8), espiritual (Rm 7.14), santa, justa e boa (Rm
7.12), ilimitada (SI 119.96), perfeita (SI 19.7, Rm 12.2), verdadeira (SI
119.142), não pesada (1 Jo 5.3).
Disse Henrique Heine, o famoso poeta lírico alemão: “Depois de haver passado
tantos e tantos longos anos de minha vida e correr as tabernas da filosofia, depois
de me haver entregue a todas as politiquices do espírito e ter participado de todos
os sistemas possíveis, sem neles encontrar satisfação, ajoelho-me diante da Bíblia”.
4 – O EVOLUCIONISMO
A Bíblia ensina claramente a doutrina de uma criação especial, ou seja, que
Deus criou cada criatura “conforme a sua espécie” (Gn 1.24). Isto quer dizer que
cada criatura, seja homem ou animal, foi criada como a conhecemos hoje.
No decorrer dos séculos, mais precisamente no século passado e no atual,
muitas vãs filosofias, falsos ensinos e teorias insustentáveis têm procurado lançar
dúvida sobre o relato bíblico da Criação.
Entre as teorias que se têm insurgido contra a doutrina criacionista, destacase
a da evolução, concebida e largamente difundida pelo naturalista inglês Charles
Darwin, que viveu entre 1809e 1889.
De dezembro de 1831 a outubro de 1836, Darwin viajou como naturalista a
bordo do “Beagle”, um navio de pesquisas, em expedição científica. Ao longo dessa
expedição visitou as ilhas do Cabo Verde e outras ilhas do Atlântico, e bem assim
as costas da América do Sul, as ilhas Galapagos, perto do Equador, a Ilha Tarti,
Nova Zelândia, Austrália, Tasmânia, a Ilha Keeling, as ilhas Falkland (Malvinas), as
ilhas Mauricias, as ilhas de Santa Helena e Ascensão, e o Brasil.
Foi o estudo dos bancos de corais que de modo especial o interessou e o levou
a formular a sua teoria da transmutação de espécies e a “seleção natural” pela qual
ficou famoso.
Em novembro de 1859, Darwin publicou seu livro A Origem das Espécies, ou A
preservação das raças favorecidas na luta pela vida. Desde então este livro veio a se
tornar a Bíblia da causa evolucionista.
Não obstante Darwin, antes de morrer, tenha abandonado essa teoria por ele
pregada ao longo de sua vida, ainda hoje ela é aceita e disseminada, principalmente
nos círculos acadêmicos e universitários.
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4.1. Conceito da Origem do Homem
A teoria evolucionista tem como ponto de partida a afirmação de que o homem
e os animais em geral procedem de um mesmo tronco, e que hoje, homem e animal
são um somatório de mutações sofridas no decorrer de milênios. Em suma: o
homem de hoje não é o homem do princípio. Desse conceito surgiu o ensino
estúpido de que o homem de hoje é um macaco em estágio mais desenvolvido. E,
para produzir maior confusão, a teoria da evolução coloca o início da vida humana
na Terra a milhões de anos antes do tempo indicado pala Bíblia.
É bom lembrar que, quando tratamos da evolução, estamos lidando com uma
teoria, com suposições, e não com uma ciência.
Se você ler um compêndio sobre evolução, há de encontrar com muita
freqüência chavões, tais como: “crê-se que…”, “admite-se que…”, “talvez…”,
“possivelmente…”, “mais ou menos…”, etc. Assim tão vulnerável e falha,
conseqüentemente o sistema que ela advoga não há de subsistir diante do
argumento das Escrituras (Gn 2.7).
De acordo com a Bíblia, o homem já foi feito homem. O chamado “Homem de
Neanderthal” ou o “Homem de Heidelberg” não têm em si nenhum elemento, por
menor que seja, capaz de provar que o homem, no princípio, tivesse as
características de um macaco encurvado. O africano de elevada estatura, o pigmeu,
o asiático de nariz achatado, o negro com suas características distintivas — todos
são o resultado de variações comuns dentro da família humana. Assim, também o
homem da antigüidade variava de um para o outro, e também se diferenciava de
nós, hoje em dia.
4.2. Argumentos Contra o Evolucionismo
O argumento bíblico, a partir do primeiro capítulo de Gênesis, é que a raça
humana descende de um só casal, Adão e Eva (Gn 1.28), criado por Deus no
princípio. A narrativa subseqüente ao capítulo 1 de Gênesis mostra claramente que
as gerações que surgiram até o Dilúvio permaneceram em contínua relação genética
com o primeiro casal, de maneira que a raça humana constitui não somente uma
unidade específica, uma unidade no sentido de que todos os homens participam da
mesma natureza, mas também uma unidade genética e genealógica. Este fato é
cristalino em Atos 17.26.
Muitos argumentos se somam em apoio à idéia bíblica da unidade da raça
humana, dentre os quais se destacam os seguintes:
A. Argumento Teológico. Romanos 5.12,19 e 1 Coríntios 15.21,22 indicam a
unidade orgânica da raça humana, tanto na primeira transgressão como na
provisão de Deus para a salvação da raça humana na Pessoa de Jesus Cristo.
B. Argumento Científico. A ciência tem confirmado, de diferentes maneiras, o
testemunho da Escritura com respeito à unidade da raça humana. Evidentemente,
nem todos os homens de ciência crêem nisso.
Por exemplo, os antigos gregos tinham teoria autoctonista, segundo a qual os
homens surgiram da Terra por meio de uma classe de gerações espontâneas. Como
essa teoria não possuía fundamentos sólidos, logo foi desacreditada. Agassis, por
sua vez, propôs a teoria dos coadamitas, segundo a qual existiram diferentes
centros de criação. No ano de 1655, Peirerius desenvolveu e defendeu a teoria
preadamita, que tem como origem a suposição de que havia homens na Terra antes
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que Adão fosse criado. Esta teoria foi aceita e difundida por Winchell, que, ainda
que não negasse a unidade da raça humana, contudo considerava Adão como o
primeiro homem só da raça hebraica, em vez de cabeça de toda a raça humana.
Em anos mais recentes, Fleming, sem ser dogmático sobre o assunto, disse
haver razões para se aceitar que houve raças inferiores ao homem antes da
aparição de Adão no cenário mundial, pelos idos do ano 5500 a.C. Segundo
Fleming, essas raças, não obstante inferiores aos adamitas, já tinham faculdades
distintas dos animais, enquanto o homem adamita foi dotado de faculdades maiores
e mais nobres, e provavelmente destinado a conduzir todo o restante da raça à
lealdade ao Criador. Falhando Adão em conservar sua lealdade a Deus, Deus o
proveu de um descendente, que, sendo homem, era muito mais do que homem,
para cumprir aquilo que Adão não foi capaz de cumprir. Na verdade, Fleming nunca
pôde oferecer provas da veracidade dessa sua teoria.
C. Argumento Histórico. As tradições mais antigas da raça humana apontam
decididamente para o fato de que os homens tiveram uma origem comum.
A história das migrações do homem, por exemplo, tendem a demonstrar que
tem havido uma distribuição de populações primitivas partindo de um só centro,
isto é, de um mesmo lugar.
D. Argumento Filológico. Os estudos feitos acerca das línguas da humanidade
indicam que elas tiveram origem comum. Por exemplo, as línguas indo-germânicas
encontram sua origem em uma língua primitivamente comum, na qual existem
resquícios do sânscrito. Também há evidências que demonstram que o antigo Egito
é o elo entre as línguas indo-européias e as semíticas.
E. Argumento Psicológico. A alma é a parte mais importante da natureza
constitutiva do homem, e a psicologia revela claramente o fato de que as almas dos
homens, sem distinção de tribo e nação a que pertençam, têm essencialmente as
mesmas características. Possuem em comum os mesmos apetites, instintos e
paixões, as mesmas tendências, e, sobretudo, as mesmas qualidades, as
características que só existem no homem.
F. Argumento da Ciência Natural. Os mestres de filosofia comparativa
formulam juízo comum quanto ao fato de que a raça humana constitui-se numa só
espécie, e que as diferenças entre as diversas famílias da humanidade são
consideradas como variedades de uma espécie original. A ciência não afirma
categoricamente que a raça humana procedeu de um só casal, mas a Palavra de
Deus afirma isso com toda clareza em Atos 17.26.
4.3. O Homem Foi Criado por Deus
A Bíblia nos apresenta um duplo relato da origem do homem, harmônicos
entre si. Ambos estão em Gênesis 1.26,27 e 2.7. Partindo desses textos e de todo o
contexto que trata da obra da criação, conclui-se que:
A. A Criação do Homem foi Precedida por um Solene Conselho Divino. Antes
de Moisés tratar da criação do homem com maiores detalhes, ele nos leva a
conhecer o decreto divino quanto a essa criação, nas seguintes palavras: “Façamos
o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança…” (Gn 1.26).
A Igreja geralmente tem aceitado o verbo façamos, no plural, para provar a
autenticidade da doutrina da Trindade. Alguns eruditos, porém, são de opinião que
esta palavra expressa o plural majestático; outros a tomam como plural de
comunicação, no qual Deus inclui os anjos em diálogo com Ele; e outros a
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consideram como o plural de auto-exortação. Tem-se verificado, porém, que estas
três últimas opiniões são contrárias àquilo que pensam e expressam os pensadores
e teólogos mais conservadores. Esses, como a Igreja, crêem que o plural façamos é
uma alusão direta à Trindade Divina em conselho para a formação do homem.
B. A Criação do Homem é um Ato Imediato de Deus. Algumas das expressões
usadas no relato da criação do homem mostram que isso aconteceu de uma forma
imediata, ao contrário do que aconteceu na criação dos demais seres e coisas da
criação em geral. Por exemplo, leia Gênesis 1.11,20 e compare com Gênesis 1.27.
Qualquer indício de mediação na obra da criação que se acha contida nas
primeiras declarações, referentes à criação das aves dos céus e dos seres marinhos,
inexiste na declaração da criação do homem. Isto é, Deus planejou a criação do
homem, levando-a a efeito imediatamente. Note que isto é contrário ao que ensina o
evolucionismo, que o homem é o resultado de uma série de transformações de
outros elementos.
C. O Homem foi Criado Segundo um Tipo Divino. Com respeito aos demais
seres vivos, lemos que Deus os criou ‘segundo a sua espécie”. Isto quer dizer que
eles possuem formas tipicamente próprias de suas espécies. O homem não foi
criado assim. Pelo contrário, Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem,
conforme a nossa semelhança…” (Gn 1.26). Assim, em todo o relato bíblico, o
homem surge como um ser que recebeu de Deus cuidados especiais na sua criação.
D. Os Elementos da Natureza Humana se Distinguem. Em Gênesis 2.7, vemos
a distinção clara entre a origem do corpo e da alma, elemento espiritual do homem.
O corpo foi formado do pó da terra, material preexistente. Na criação da alma, no
entanto, não foi necessário o uso de material preexistente, mas sim a formação de
uma nova substância. Isto quer dizer que a alma do homem foi uma nova criação
de Deus. A Bíblia diz que Deus soprou nas narinas do homem, e “o homem foi feito
alma vivente” (Gn 2.7).
• O Espírito do Homem. O espírito é o âmago e a fonte da vida humana,
enquanto a alma possui essa vida e lhe dá expressão por meio do corpo. Assim,
a alma é o espírito encarnado. A alma sobrevive à morte porque o
espírito a dota de capacidade; por isso alma e espírito são inseparáveis.
• A Alma do Homem. A alma é a entidade espiritual, incorpórea, que pode
existir dentro de um corpo ou fora dele (Ap 6.9).
• O Corpo do Homem. Dos três elementos que formam o ser humano, o
corpo é aquele sobre o qual a Bíblia menos fala. Sabe-se, no entanto, que o
corpo humano é o instrumento, o tabernáculo, a oficina do espírito (2 Co
5.1-4; 1 Co 6.9). Ele é o meio pelo qual o espírito se manifesta e age no
mundo visível e material. O corpo é o órgão dos sentidos e o laço que une o
espírito ao universo material.
Os filósofos pagãos falavam do corpo com desprezo, e consideravam-no um
empecilho ao aperfeiçoamento da alma, pelo que almejavam o dia quando a alma
estaria livre de suas complicadas roupagens. Porém as Escrituras tratam do corpo
do homem como uma obra de Deus, o qual deve ser apresentado como oferta a
Deus (Rm 12.1). O corpo dos salvos alcançará a sua maior glória na ressurreição,
na vinda de Jesus (Jo 19.25-27; 1 Co 15; 1 Jo 3.2).
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5 – O HOMEM, IMAGEM E
SEMELHANÇA DE DEUS
Um dos ensinos cardeais da Bíblia é que o homem foi criado à imagem e à
semelhança de Deus, para obedecer-lhe, amá-lo, e segui-lo. Vestígios desta verdade
encontram-se nos escritos de grandes vultos, até mesmo da literatura gentílica.
“Homem” vem do latim homo, palavra que, segundo opinião de alguns filólogos,
vem de húmus (terra). No hebraico, língua original do Antigo Testamento, adam,
nome dado ao primeiro homem, Adão, é traduzido por “aquele que tirou sua vida da
adamah”, da terra.
Em abril de 1985, a professora Lélia Coyne, pesquisadora da NASA (Agência
Espacial dos Estados Unidos) e docente da Universidade de San José, na Califórnia,
surpreendeu o mundo científico com a afirmação da descoberta de que a vida
humana na Terra começou em estratos de uma argila muito fina e branca, o
caulim, usado na indústria como branqueador de papel e isolante térmico.
“Avançamos muito nesse terreno”, disse a pesquisadora. “Falta-nos ainda a prova
definitiva, mas já conseguimos o bastante para saber que estamos no caminho
certo”, acrescentou a doutora Coyne. “Se tivesse de apostar uma resposta ficaria
com a teoria da argila”, escreveu o astrônomo americano Carl Sagan, autor do
“best-seller” Cosmos. “A argila pode ser comparada a uma fábrica de vida”, acrescentou
em Glasgow, na Escócia, o bioquímico Graham Cairns-Smith.
Aquilo que para os cientistas e pesquisadores, mesmo os mais moderados,
ainda é uma incerteza, para o crente, na Bíblia, é plena certeza. O homem foi
formado do pó da terra (Gn 2.7).
5.1. O Homem, Imagem de Deus
O termo “imagem de Deus” relacionado ao homem, fala da indelével
constituição do homem como um ser racional, e como um ser moralmente
responsável. A imagem natural de Deus gravada no homem consiste nos seguintes
elementos: o poder de movimento próprio, o entendimento, a vontade e a liberdade.
Neste particular está a diferença marcante entre o homem e os animais irracionais.
O primeiro ponto de distinção entre o homem, como imagem de Deus, e os
animais irracionais é a consciência própria. Das criaturas terrenas só o homem tem
o dom de fixar em si mesmo o pensamento, e isto o faz consciente da sua própria
personalidade. A faculdade que ele tem de proferir o pronome EU abre um abismo
intransponível entre ele e os animais irracionais. Nenhum animal, mesmo o
macaco, jamais pronunciou EU, e a razão é que eles não têm consciência própria.
Como imagem de Deus que é, o homem se distingue dos irracionais ainda no
seguinte:
• pelo poder de pensar em coisas abstratas;
• pela lei moral que se evidencia no seu comportamento em busca de uma
perfeição maior;
• pela natureza religiosa que, em potencial, existe em cada ser humano;
• pela capacidade de fixar um alvo maior a ser alcançado no tempo e na
eternidade;
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• pela consciência da intensidade da vida humana;
• pela multiplicidade das atividades humanas, que, conjuntas, somam o bem
comum daquele que as desenvolve.
5.2. O Homem, Semelhança de Deus
Intelectualmente, o homem assemelha-se a Deus, porque, se não houvesse
essa conformidade mental, seria impossível a comunicação de um com o outro, e o
homem não poderia receber a revelação de Deus. Esta semelhança está
grandemente prejudicada por causa do pecado. O simples fato de Deus se
manifestar ao homem prova que o homem pode receber e compreender esta
manifestação.
Há ainda a semelhança moral, porque assim foi o homem criado por Deus.
Essa semelhança consiste nas qualidades morais inerentes ao caráter de Deus.
Eclesiastes 7.29 diz que “Deus fez o homem reto…” Isto quer dizer que o homem foi
criado bom e dotado de relativa justiça. Todas as suas tendências eram boas. Todos
os sentimentos do seu coração inclinavam-se para Deus, e nisto consistia a sua
semelhança moral com o Criador. Devido ao pecado, a semelhança moral entre
Deus e o homem enfraqueceu mais e mais. Por isso Cristo morreu, com o propósito
de restaurar esta semelhança entre o homem e Deus, o que começa a partir da
conversão.
Como ficou patente, o evolucionismo é uma teoria inspirada no inferno, com o
propósito de desacreditar as Escrituras, principalmente no que diz respeito à
criação como um ato soberano de Deus. Porém, o crente arraigado na Bíblia
Sagrada, e não em teorias humanas, pela fé entende “que os mundos pela palavra
de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é
aparente” (Hb 11.2).
6 – O NEOMODERNISMO
TEOLÓGICO
“Modernismo” ou “Neomodernismo Teológico” são expressões mui conhecidas,
largamente usadas no mundo da teologia nos dias modernos. Em linhas gerais,
designam o desvio teológico da linha de compromisso com a verdade divina, no ato
de interpretar e comunicar as Escrituras.
O Modernismo Teológico, de acordo com estudiosos da teologia em nossos
dias, está mais vinculado ao complexo sistema teológico e doutrinário de Karl
Barth, teólogo suíço, nascido em 1886, e falecido em 1968, aos 82 anos de idade.
É sabido, porém, que o neomodernismo abriu fronteiras, rompendo os limites
da teologia barthiana. Deste modo, este sistema teológico se faz presente no
movimento ecumênico, levado a efeito por determinados segmentos do cristianismo,
e, mais recentemente, na chamada “Teologia da Libertação”, que tanta confusão
está causando.
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6.1. A Teologia de Karl Barth
Karl Barth foi, sem dúvida, um teólogo culto e um escritor prolifero. Dentre as
principais obras que escreveu, destacam-se: A Palavra de Deus e a Teologia, A
Teologia e a Igreja, O Novo Mundo da Bíblia, Questões Bíblicas, Necessidades e
Promessas da Pregação Cristã, A Palavra de Deus como Dever da Teologia, Doutrina
Reformada – Sua Essência e Dever e Fundamentos Dogmáticos. Mas, foi com a
publicação do seu livro Comentários Sobre Romanos que ele tornou-se
mundialmente conhecido.
São duas as razões por que tomamos a pessoa de Karl Barth como ponto de
partida da especulação da teologia neomodernista: Primeiro, grande número de
teólogos mais conservadores da atualidade o consideram assim. Segundo, sua
teologia tem contribuído para que determinados setores da teologia, nos dias
hodiernos, dêem uma guinada, passando do verdadeiro e lógico para o absurdo e
anti-bíblico.
A teologia barthiana tem influenciado tanto o pensamento teológico dos dias
modernos, que muitos teólogos consideram Barth uma espécie de “profeta” e
“reformador”. Porém, não há como esconder o erro embutido em suas conclusões
teológicas, que infelizmente estão se infiltrando em vários seminários em nosso país
e sendo adotadas por muitos ministros evangélicos brasileiros.
6.2. A Doutrina Neomodernista
Dentre os muitos pontos controversos da teologia barthiana e modernista
liberal, destacam-se os seguintes:
A. A Bíblia. A Bíblia é “de capa a capa palavras humanas e falíveis… Segundo
o testemunho das Escrituras sobre os homens, que também se refere a eles (isto é,
aos profetas e apóstolos), eles podiam errar, e também têm errado, em toda
palavra… mas, precisamente com essa palavra humana, falível e errada
pronunciaram a palavra de Deus” (Fundamentos Dogmáticos, vols. I, II, pp.
558/588).
Segundo Barth, a infalibilidade da Bíblia é uma fantasia, só aceita por crentes
ignorantes. Para ele, nem mesmo as palavras de Cristo, relatadas nos Evangelhos,
são infalíveis. Ele vai mais além e afirma que os ensinamentos de Jesus, conforme
dados no Evangelho, são tão afastados da verdade acerca de Deus como as mais
cruéis idéias da primitiva religião.
Portanto, conclui ele, a Bíblia não é a divina e inspirada Palavra de Deus, a
não ser que Deus resolva usá-la como meio de sua revelação, o que, segundo Barth,
só se sucede quando ela é pregada pela Igreja.
B. O Pecado e a Queda. A pergunta: “Como o homem se tornou pecador?”
responde Barth: “Não por uma queda do primeiro homem. A entrada do pecado no
mundo, por Adão, não é um evento físico-histórico em qualquer sentido”
(Comentário Sobre Romanos, p. 149). Isso, naturalmente, significa que o pecado não
começou por uma livre escolha pela qual o homem preferiu desobedecer à lei divina.
De fato, segundo Barth, o pecado pertence à natureza do homem como um ser
criado. Desse modo, na qualidade de homem, até mesmo nosso Senhor Jesus Cristo
foi carne pecaminosa — afirma Barth irreverentemente.
Se o pecado pertence à natureza do homem, na qualidade de ser criado, pode
ele, nesse caso ser perdoado e salvo do seu pecado? Evidentemente Barth fala de
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perdão de pecado, mas “perdão” não significa, para ele, que o homem seja
transformado e se torne uma nova criatura. Tudo quanto é criado é pecaminoso, e o
crente é tão pecaminoso quanto o mais iníquo dos homens. Segundo Barth, “o
pecado habitou, habita e habitará no corpo mortal enquanto o tempo for tempo, o
homem for homem e o mundo for mundo”.
Não vemos esperança de real salvação para os neomodernistas, uma vez que
crêem na Bíblia e em Deus ao seu próprio modo. Na realidade, eles mutilam a Bíblia
e descrêem de Deus.
C. A Pessoa de Cristo. Quem lê o livro Credo, de Barth, tem a impressão de
que ele crê no nascimento virginal de Jesus Cristo, o que não corresponde à
verdade, à luz do contexto geral da teologia barthiana.
De acordo com Barth, na história tudo é relativo e incerto. Isso,
evidentemente, aplica-se à vida terrena de Cristo. Por conseguinte, ele pode falar
sobre o nascimento virginal de Cristo, mas como um “mito”.
D. A Morte de Cristo. Barth ensina que Cristo morreu em desespero, e que isso
é a indicação mais clara de que o homem não tem meios de chegar a Deus por sua
religião! Em um de seus sermões, disse ele acerca de Cristo crucificado: “Ele se
tornou humilhado, derrotado e sacrificado, pois não queria outra coisa senão
vencer o eu humano e dar tudo nas mãos do Pai”. O significado da morte de Jesus,
dessa forma, é apenas que Ele se sacrificou, e nada mais.
E. A Ressurreição de Cristo. No seu livro Comentários Sobre Romanos, Barth
chega a dizer que o ateu D. F. Strauss talvez tivesse razão em explicar a
ressurreição de Cristo como “um embuste histórico”. Mas é Barth mesmo quem
afirma: “A ressurreição de Cristo, ou o que dá no mesmo, a sua vida, não é um
acontecimento histórico”.
F. A Escatologia. Ensina o barthianismo que a escatologia nada tem a ver com
o futuro, e que a segunda vinda de Cristo não é um acontecimento vindouro.
Ensina que esperar pela vinda do Senhor é acrescentar ansiedade à nossa situação
real.
G. A Ressurreição dos Mortos. Segundo a teologia neomodernista, a palavra
“ressurreição” na Bíblia nada tem a ver com a ressurreição do homem da morte
física. De fato, Barth ensina que a ressurreição já aconteceu.
H. O Céu. Barth destaca em seu ensino que a esperança que o crente nutre de
ir para o céu é uma prova do cristianismo egoísta que está vivendo. Por isso, diz ele
que o verdadeiro crente não necessita da imortalidade da alma, nem do julgamento
final e nem do céu.
Refutação Bíblica das Doutrinas Neomodernistas
Ao refutar o neomodernismo ou barthianismo, a Bíblia nega toda e qualquer
possibilidade de salvação aos neomodernistas aprisionados nos seus próprios erros.
Veja o que dizem as Escrituras a respeito dos temas abordados:
A. A Bíblia. A Bíblia é a Palavra de Deus, e, portanto, é:
• o Livro infalível e imutável dos séculos (SI 119.89);
• divinamente inspirada (2 Pe 1.21);
• absolutamente digna de confiança (1 Rs 8.56; Mt 5.18);
• pura (SI 19.8);
• santa, justa e boa (Rm 7.12);
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• perfeita (SI 19.7; Rm 12.2);
• verdadeira (SI 119.142).
B. O Pecado. Deus não é autor nem cúmplice do pecado, pois:
• Ele não pratica perversidade, nem comete injustiça (Jó 34.10);
• Ele fez o homem reto (Ec 7.29);
• o homem foi advertido de não pecar (Gn 2.16,17);
• o homem caiu em pecado por sua própria escolha (Gn 3.6,7);
• aquele que confessa o seu pecado e o deixa, alcança do Senhor misericórdia
e perdão (Pv 28.13; 1 Jo 1.9).
C. A Pessoa de Cristo. Cristo era uma Pessoa real:
• Ele nasceu duma virgem (Is 7.14; Lc 1.27);
• Ele foi isento de pecado (Hb 7.26);
• Ele foi visto por João Batista (Jo 1.29), Anás (Jo 18.12,13), Pilatos (Jo
18.28,29) e Herodes (Lc 23.8).
D. A Morte de Cristo. A morte de Cristo foi um fato histórico e real:
• foi testemunhada pelo centurião romano (Lc 23.45-47);
• foi testemunhada pelos soldados romanos (Jo 19.32,33);
• José de Arimatéia e Nicodemos tomaram seu corpo, embalsamaram-no e o
enterraram (Jo 19.38-42).
E. A Ressurreição de Cristo. A ressurreição de Cristo foi um fato histórico e
real. Após ressurreto Ele foi visto:
• pelos guardas do sepulcro (Mt 28.11-23);
• por Maria Madalena (Jo 20.16);
• por dez dos seus discípulos (Jo 20.19-23);
• por Tome (Jo 20.26-29);
• por sete dos seus discípulos (Jo 21.1-14);
• por Simão Pedro (Jo 21.15-19);
• por mais de quinhentos irmãos (1 Co 15.6).
F. Escatologia. A escatologia bíblica é clara, e, segundo ela, os acontecimentos
finais obedecerão à seguinte ordem:
• O arrebatamento da Igreja (1 Ts 4.17).
• O comparecimento dos crentes ao tribunal de Cristo, nos céus (2 Co 5.10),
enquanto na Terra ocorrerá a Grande Tribulação (Mt 24.15-28).
• A manifestação de Cristo em glória acompanhado dos seus santos e anjos
(Mt 24.30).
• A batalha do Armagedom (Ap 16.16).
• O julgamento das nações (Mt 25.32).
• A prisão de Satanás por mil anos (Ap 20.1-3).
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• A inauguração do reino milenar de Cristo na Terra (Is 2.2-4; 65.18-22).
• A soltura de Satanás por um breve espaço de tempo, para logo ser preso
para sempre (Ap 20.7-10).
• O juízo do Grande Trono Branco (Ap 20.11-15).
• O estabelecimento dos novos céus e da nova Terra (Ap 21.1).
G. A Ressurreição dos Mortos. A ressurreição dos mortos é um assunto
tratado de forma abundante e inequívoca em toda a Escritura, sobre a qual
falaram:
• Jó (Jó 19.25-27);
• Davi (SI 17.15);
• Jesus (Mt 22.31; Lc 14.14; 20.35,36; Jo 5.29);
• Marta (Jo 11.24);
• Paulo (At 23.6; 24.21; 1 Co 15.13);
• O autor da Epístola aos Hebreus (Hb 6.2);
• João (Ap 20.5,6).
H. Acerca do Céu. O céu existe, ele é real. Por que o crente o deseja e espera
nele morar? Dentre outras razões sobressaem-se as seguintes:
a. No céu está a habitação e o trono de Deus (At 7.49).
b. Do céu foi derramado o Espírito Santo (Mt 3.16; At 2.33).
c. No céu está a nossa pátria (Fp 3.20).
d. Do céu virá Jesus (Mt 24.30).
e. O verdadeiro crente aguarda o estabelecimento dos novos céus e da nova
Terra, onde habita a justiça de Deus (2Pe3.13).
7 – UMA SOLENE ADVERTÊNCIA
Escrevendo a Timóteo, e, em extensão, a nós hoje, diz o apóstolo Paulo: “Se
alguém ensina alguma outra doutrina, e se não conforma com as sãs palavras de
nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade, é soberbo, e
nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais
nascem invejas, porfias, blasfêmias, ruins suspeitas, contendas de homens
corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade seja
causa de ganho; aparta-te dos tais. Mas é grande ganho a piedade com
contentamento” (l Tm 6.3-6).
De acordo com 1 Timóteo 4.1, abandonar a verdade e disseminar o erro é
muito mais que uma preferência pessoal. Aquele que assim age está “dando ouvidos
a espíritos enganadores, e a doutrina de demônios”. É aqui que se enquadram os
neomo-dernistas. Mas como detectá-los? De acordo com 1 Timóteo 6.3-5, o falso
teólogo é alguém que: a) ensina outra doutrina que não aquela ensinada pelo
Senhor Jesus Cristo, que é segundo a piedade; b) é soberbo, dado a discussões
fúteis que não levam a nenhum proveito.
Num ultrajante desrespeito à Escritura, os liberais ou teólogos modernistas
fazem a interpretação que bem lhes convém. Chamam a isto emprego de “palavras
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conotativas”, uma forma de “contextualizar” a Escritura à realidade moderna.
Exemplo: já não empregam a palavra “reconciliação” no sentido bíblico de o homem
reconciliar-se com Deus. “Redenção” já não é empregada no sentido bíblico de o
homem ser salvo do pecado e do castigo eterno. Em vez disso, dão-lhe diferente
“conotação”, e opinam que esta tem a ver com a melhoria social e cultural da
sociedade. “Missões” foi substituída por “diálogo”; e “conversão” passou ser um
conceito inaceitável.
7.1. Evitando os Falsos Teólogos
Os teólogos comprometidos com o neomodernismo são pessoas que se
deixaram enredar pela astúcia do diabo, o pai da mentira. Por lhes faltar genuína
conversão, falta-lhes também a visão de Deus quanto ao real estado do homem sem
Cristo. Um boletim publicado pelo Concilio Mundial de Igrejas, em uma grande
cidade, para orientação de pregadores de rádio, ilustra este ponto:
“Os temas devem difundir amor, alegria, coragem, esperança, fé, confiança,
boa vontade. Em geral, evite críticas e controvérsias. Na realidade, estamos
‘vendendo religião’. Portanto, preparar os cristãos para levarem a sua cruz,
sacrificarem-se e servirem, ou convidar os pecadores ao arrependimento está fora
de moda. Porventura não podemos, como apóstolos, convidar o povo a gozar dos
nossos privilégios, fazer bons amigos e ver o que Deus pode fazer por ele?”
Alguém comparou os teólogos liberais ou neomodernistas a um comerciante
que tem de reserva sob seu balcão toda espécie de artigos. Quando um liberal à
moda antiga lhe vem pedir liberalismo, o neomodernista estende a mão sob o balcão
e diz: “Mas é exatamente o artigo que vendemos aqui”. E se um cristão bíblico entra
na loja, o neomodernista com o mesmo gesto, responde: “Mas é exatamente o artigo
que vendemos aqui”.
Eis uma real descrição do neomodernismo, capaz de adequar a sua linguagem
e o seu comportamento de maneira a agradar a quem quer que seja.
Ao crente fiel, porém, recomenda o Espírito Santo, através de Paulo, que se
afaste dos falsos teólogos e seus ensinos, milite a boa milícia da fé, tome posse da
vida eterna, e obedeça ao mandamento do Senhor, mandamento esse sem mácula e
irrepreensível (lTm 6.5,12,14).
8 – COMUNISMO MARXISTA
Um dicionário comum definiria o marxismo como o conjunto das doutrinas
filosóficas, políticas e econômicas de Karl Marx e seus continuadores, que, reagindo
às filosofias idealistas e dualistas, pregam o advento do socialismo alcançado
através da luta de classes e da ditadura do proletariado, o mesmo que materialismo
dialético.
Porém, à luz das Escrituras e das ciências que tratam do comportamento
humano, haveremos de notar que o marxismo é bem diferente daquilo que os
marxistas ou comunistas dizem ser. Se não, vejamos.
Karl Friedrich Marx, pai intelectual do marxismo, nasceu em Treves, na
Alemanha, em 1818, e morreu em 1883. Seus pais eram judeus, convertidos ao
Cristianismo. Marx mesmo, quando criança, fora batizado numa igreja protestante
na Alemanha. Após se formar em Filosofia, ingressou no jornalismo e na política.
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Quando muito jovem, Marx se confessava cristão. Nessa época, em sua tese:
“O Jovem e a Escolha de Sua Carreira”, advertia a juventude a tomar em
consideração a vontade de Deus, antes de cada um se decidir sobre a grande obra
de sua vida. Escreveu ele: “A própria religião ensina-nos que o Ideal que todos
lutam para alcançar, sacrificou-se a si próprio pela humanidade, e quem ousará
contradizer tal afirmação? Se escolhermos a posição na qual podemos realizar o
máximo por ele, então não poderemos nunca ser esmagados pelas
responsabilidades, porque elas são apenas sacrifícios feitos em favor de todos”.
A certa altura do seu curso ginasial, respondendo à prova: “Sobre a União dos
Crentes com Cristo”, ele escreveu:
“… o zelo pela virtude é abafado pela voz tentadora do pecado, e se transforma
em escárnio, assim que sentimos o pleno impacto da vida. A luta pelo entendimento
é posta de lado por uma vulgar concupiscência pelos bens terrenos.
“O anseio pela verdade é amortecido pela força doce e lisonjeadora da mentira.
E assim o homem permanece como a única criatura, em toda a natureza, que não
cumpre o seu propósito, o único membro do Universo que é indigno do Deus que o
fez.
“Todavia, o gracioso Criador é incapaz de odiar a obra de suas mãos. Deseja
erguê-la até onde Ele mesmo está, e, assim sendo, enviou o seu Filho, e agora nos
chama através destas palavras: ‘Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho
falado; permanecei em mim, e eu permanecerei em vós…’ (Jo 15.3,4).
“E onde Cristo expressa com maior clareza a necessidade de união com Ele do
que na bela parábola da vinha e seus ramos, na qual Ele se compara com a vinha e
a nós com os ramos?
“Os nossos corações, a razão, a história, a Palavra de Deus, tudo nos faz
apelos em altas vozes, convincentemente, dizendo-nos que a união com Ele é
absolutamente necessária; que sem Ele seríamos rejeitados por Deus; que somente
Ele é capaz de libertar-nos… “Uma vez que um homem tenha atingido essa virtude,
essa união com Cristo esperará calma e tranqüilamente os golpes da desventura.
Opor-se-á bravamente às tempestades da paixão e resistirá impavidamente aos
rugidos dos iníquos; pois quem poderia arrebatá-lo de seu Redentor?”
8.1. A Radical Mudança
Aconteceu em 1835. Haviam-se passado apenas dois anos depois de ter escrito
tão belo depoimento, quando Karl Marx declarou-se um ateu convicto. Oito anos
mais tarde, diz: “O homem é que faz a religião; a religião não faz o homem… a
religião é o ópio do povo… o povo não poderá sentir-se realmente feliz enquanto não
for privado da felicidade ilusória mediante a superstição da religião!”
Por essa época, num de seus poemas, Marx escreveu o seguinte: “Desejo
vingar-me daquele que governa lá em cima”.
Mas o que aconteceu na vida de Karl Marx, para que, da noite para o dia, se
transformasse num declarado inimigo de Deus e do Cristianismo? No seu livro Era
Karl Marx um Satanista?, Richard Wurmbrand não descarta a possibilidade de um
envolvimento de Marx com o satanismo, forma de culto muito em voga hoje em dia.
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8.2. Vítima da Falsa Teologia
Antes de se ligar à Economia e tornar-se um comunista de renome, Marx foi
um humanista. Hoje, cerca de um terço do mundo é marxista. Nesse meio estão
muitos pseudo-cristãos, que, sem a experiência genuína e sobrenatural da
conversão e sem a orientação da Bíblia, caem vítimas das doutrinas infames do
marxismo ateu e materialista. É aqui que se enquadram os teólogos da Libertação
como “tolos úteis”, a serviço do marxismo.
Apesar da decisão marxista de destruir a religião e de opor-se a tudo quanto
tem relação com Deus, desde o princípio o marxismo tem encontrado fiéis aliados
nos teólogos modernistas e liberais. Por exemplo, foi lendo um livro do teólogo
liberal Bruno Bauer, que Engels, na época um cristão professo, passou a descrer
dos valores eternos registrados na Bíblia, vindo a se aliar a Marx logo depois. E que
tipo de pessoa era Bruno Bauer, que contribuiu decisivamente na destruição da fé
de Engels e apoiou Marx em seus intentos anticristãos? É possível conhecê-lo um
pouco lendo parte de uma carta que ele encaminhou ao seu amigo Arnould Ruge,
também amigo pessoal de Karl Marx e Engels:
“Faço conferências aqui na Universidade ante um grande auditório… Não me
reconheço a mim mesmo, quando pronuncio minhas blasfêmias do púlpito. Elas
são tão grandes, que estas crianças, a quem ninguém deveria escandalizar, ficam
com os cabelos em pé. Enquanto profiro as blasfêmias, lembro-me de como
trabalho piedosamente em casa, escrevendo uma apologia das Sagradas Escrituras
e do Apocalipse. De qualquer modo, é um demônio muito cruel que se apossa de
mim, sempre que subo ao púlpito, e sou forçado a render-me a ele… Meu espírito
de blasfêmia somente será saciado se estiver autorizado a pregar abertamente como
professor do sistema ateísta”.
8.3. O Que Prega o Marxismo
Em síntese, o marxismo prega os seguintes temas:
A. A Guerra de Classes. Segundo o marxismo, há no Universo inteiro um
estado de oposição, de sorte que tudo o que há no mundo é fruto de forças que se
opõem. Exemplo: a morte se opõe à vida, o bem ao mal, etc. É este conflito que dá
dinamismo à vida. Em tudo há sempre duas forças que se opõem; a força principal
chama-se “tese”, e a secundária que reage chama-se “antítese”. Na luta entre as
duas, a tese prevalece e vence a antítese. A isto o marxismo chama “ponto crítico”.
O ponto crítico transforma a quantidade em qualidade, resultando daí a “síntese”.
O marxismo aplica a guerra de classes à humanidade, observando o seguinte
raciocínio: A humanidade está dividida em duas forças que se opõem: operários e
patrões ou chefes e subordinados. O operário é a força chamada “tese”; enquanto os
patrões são a força reacionária, a “antítese”. Há guerra eterna entre estas duas
classes. O resultado final será a tese vencer a antítese, isto é, a classe trabalhista
destruir o sistema capitalista.
B. O Conceito de Paz. Os marxistas sempre falam em paz. Mas o que
entendem eles por paz? Para o marxismo a paz só é possível com a destruição do
povo capitalista pelo operariado, ou como dizem eles: “A vitória do proletariado
sobre a burguesia”.
Quando um marxista fala em paz, refere-se à vitória total do comunismo.
Deste modo, o que chamamos de “paz” é para o marxismo um ato de guerra.
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C. Proletariado e Capitalismo. Na dialética materialista do marxismo, a classe
operária é chamada proletariado; todos os demais compõem a burguesia ou capitalismo.
O que o marxismo chama capitalismo não são somente os ricos,
comerciantes e industriais, mas o sistema democrático, todas as religiões, igrejas e
organizações religiosas.
Segundo Marx, a religião é uma espécie de travesseiro sobre o qual o crente
está a dormir, a fim de não se engajar na luta contra os exploradores, na esperança
de ter uma vida num além, que nunca chegará. Portanto, é ensino básico do
marxismo que o homem, para viver bem e dirigir seus destinos, precisa destruir
primeiramente a religião e a propriedade privada.
D. O Conceito de Propriedade. O marxismo caracteriza-se pela sistemática
oposição à propriedade privada, à liberdade econômica, e à livre iniciativa. Marx e
Engels declararam em 1848 aquilo que hoje é um diapasão do marxismo: “Os
Comunistas podem resumir sua teoria nesta única expressão: ‘abolição da
propriedade privada'”. Para o marxismo, “a propriedade privada é um roubo”. Deste
modo, o alvo do marxismo é que toda propriedade seja administrada pelo Estado
(pelo Estado comunista, evidentemente), inclusive no que diz respeito às
necessidades individuais. Isto acarreta um totalitarismo absoluto em que o
indivíduo fica absorvido pela coletividade.
8.4. O Marxismo e o Problema da Liberdade
Um dos sinais de enfraquecimento da fé e da democracia em nosso país é o
entusiasmo simplista de alguns cristãos pelas teses marxistas. Para tanto aventam
as mais estranhas interpretações dos textos bíblicos na vã esperança de uma
legitimação de atitudes inaceitáveis a um autêntico seguidor de Jesus Cristo.
A. Os Riscos do Comprometimento. Aos ouvidos de cristãos incautos, soam,
com doçura angelical, as seguintes palavras:
“Os cristãos devem optar definitivamente pela revolução, e especialmente no
nosso continente, onde a fé cristã é tão importante entre a massa popular. Quando
os cristãos se atreverem a dar um testemunho revolucionário integral, a revolução
latino-americana será invencível, já que até agora os cristãos permitiram que sua
doutrina fosse instrumentalizada pelos reacionários” (Che Guevara).
“Sugerimos uma aliança entre o Cristianismo e o marxismo. Os objetivos
humanos de Cristo e Marx, cada qual com sua própria filosofia, são os mesmos.
Não podemos falar sobre o outro mundo, mas neste mundo podemos ter completa
concordância, com fraternidade e solidariedade” (Fidel Castro).
Ao receber uma Bíblia, no Chile, Fidel observou: “Aqui lemos muitos exemplos
de conduta tipicamente comunista… Cristo, multiplicando os peixes e os pães para
alimentar o povo, é um belo exemplo… Nós não temos a resposta de Cristo. Mas,
baseados na sua doutrina, tentamos fazer a mesma coisa: dar pães e peixes a
todos!”
8.5. Marxismo versus Igreja
O marxismo considera a Igreja, na melhor das hipóteses, irrelevante, e, na
pior, como instituição econômica e, politicamente, opressora. Descreve a concepção
cristã do mundo e da vida como algo anquilosado nas esferas de uma hierarquia
estática, em uma concepção medieval do mundo que se esforça por impor como
válida.
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O marxismo é uma filosofia do homem que, conforme diz H. Bass, “pretende
oferecer-nos uma resposta ao problema do homem…, sua origem…, seu destino
histórico…; uma resposta ao problema da existência e da possibilidade de exercício
de uma liberdade do homem”. O marxismo, que pretende ser uma doutrina de
salvação, só se satisfaz quando exerce um controle sobre todo o homem, em seu ser
e seu operar, num delírio de universalidade dominante.
Bardiaeff, profundo conhecedor do marxismo, em cujas fileiras formou
durante vários anos, escreve: “Pretende o marxismo ser universal, quer impor-se
sobre toda a experiência, e não só sobre alguns de seus movimentos”. Por isso, o
marxismo é uma filosofia do homem, totalitária em sua ambição. Nos poucos países
ainda sob governo marxista ou comunista, o Estado exerce controle sobre tudo. O
cidadão é vigiado e a delação é uma tradição, quase um dever. O Estado comunista,
assim como “O Grande Irmão”, principal personagem do livro 1984, de George
Orwell, a todos vê, patrulha e controla.
A. Patrulhamento Ideológico. A revista Veja, de 25 de junho de 1986, mostrou
que durante uma recente estada no Ocidente, Yelena Bonner, mulher do físico e
dissidente soviético Andrei Sakharov, declarou que se sentia como um micróbio
numa lâmina sob um microscópio, tal a vigilância a que ela e seu marido eram
submetidos na cidade de Gorki, a 400 quilômetros de Moscou, para onde foram
banidos por suas críticas ao regime comunista.
Prosseguindo na sua matéria, diz a Veja: “No apartamento de Gorki, o casal
vive em completo isolamento dos amigos e impedido de ouvir rádio, por causa de
interferências provocadas pela polícia. Para sintonizar estações ocidentais, Yelena
revelou, recentemente, que eles vão até o cemitério local, onde a recepção é melhor.
Para ambos, parece haver poucas esperanças de libertação a curto prazo”.
Durante o regime comunista na extinta União Soviética, ao manter Sakharov
confinado, os soviéticos exerciam uma prerrogativa típica das tiranias — a de
libertar os adversários a seu critério, como fez o Kremlin, ao autorizar, em 1986, a
emigração de Anatoly Sharansky para Israel, mas mantendo sempre um preso
notável como símbolo de resistência a pressões externas e uma advertência interna
para a força da repressão.
B. Marxismo, o Apogeu do Humanismo. O marxismo não se dá por satisfeito
em formular uma determinada crença sobre o homem, mas procura impô-la,
fazendo uma sondagem nas profundidades do homem para obrigá-lo a tomar
consciência de suas potencialidades inimagináveis; induz o homem à crença de
poder ser um deus antes mesmo de atingir a dignidade que o faça humano; quer
dirigir, como um fanal seguro, o desenvolvimento, a realização do homem em seu
caminho pelo mundo. Tudo isso não é alguma coisa que o marxismo murmura
debilmente e oferece como opção; é um urgente “imperativo categórico” que brada
dos lábios do seu fundador. O marxismo se propõe transformar o homem, o grande
sol do Universo, em torno do qual tudo gravita.
Como pode uma filosofia arrogar-se um império sobre o homem? Como pode
pretender ter prerrogativas que incidem sobre toda a dimensão humana, cujo
santuário não se abria a não ser para a potestade da religião e da fé? A resposta é a
seguinte: O marxismo é uma religião, uma religião do homem. Afirmá-lo não é
imprudência nossa, mas declaração de Marx: “A religião dos trabalhadores é sem
Deus, porque procura restaurar a divindade do homem”.
Com razão disse Bochenski: “O conceito de valor absoluto do comunismo é um
valor religioso. A dialética é o infinito e a infinita plenitude de valores. A atitude
diante dela, e em conseqüência, ante o partido, é uma postura sacral…” Ignácio
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Leep, convertido do marxismo, apresenta a mesma opinião a partir da sua própria
experiência: “O marxismo não se contenta em combater as igrejas. Quer
desempenhar, na vida social e na consciência do indivíduo, o papel que
anteriormente se atribuía às religiões”.
9 – OPÇÃO PELA DEMOCRACIA E
PELA LIBERDADE
Dizer aqui que a Igreja é perseguida nos países comunistas, para alguns
simpatizantes do marxismo, não passa de sensacionalismo e mentira veiculados
pela imprensa ocidental, principalmente a imprensa norte-americana. Note, porém,
que não eram jornalistas ocidentais que afirmavam haver perseguição por motivos
religiosos na extinta União Soviética. Há mais de quinze anos o dissidente russo
Alexander Solgnytzem, no seu famoso livro Arquipélago Gulag, descreve a Rússia
como uma grande prisão. Anatoly Sharansky, outro dissidente russo, em
depoimento no Congresso Americano em 1986, disse existir na época nada menos
que quatrocentos mil prisioneiros na extinta União Soviética, por dissidência
política ou por perseguição religiosa.
9.1. A Democracia Garante a Liberdade de Culto
A garantia democrática da liberdade de culto não pertence à ordem das
concessões, mas à dos reconhecimentos. E o reconhecimento, pelo Estado, de que o
espírito se eleva às regiões do Infinito, regiões que se acham muito acima daquela
em que vegetam os cobradores de impostos. Como disse Tomas Paine, um dos grandes
propugnadores da liberdade americana, o Estado não tem autoridade alguma
para determinar ou conceder ao homem a liberdade de adorar a Deus, assim como
não poderia conceder a Deus a liberdade de aceitar essa adoração.
Por reconhecermos a dignidade da pessoa humana, criada à imagem e
semelhança de Deus, esperamos que o Estado assegure a seus cidadãos o direito de
viver livres de toda e qualquer coação, ou acepção, em matéria de religião. Este e
qualquer outro direito inerente à dignidade do homem devem ser cuidadosamente
resguardados, porque, uma vez feridos, todas as liberdades sofrem agravo.
Toda interpretação da liberdade religiosa inclui o direito de render culto a
Deus conforme a consciência individual, de criar os filhos na crença de seus pais;
de mudar de religião, de publicar literatura e fazer obra missionária, de associar-se
a outras pessoas, de adquirir e possuir bens de raiz para estes fins.
Para salvaguardar a ordem pública e fomentar o bem-estar do povo, tanto o
Estado, ao reconhecer a liberdade religiosa, como o povo, no usufruto deste direito
que se lhe reconhece, devem cumprir com obrigações recíprocas. O Estado deve
proteger todos os grupos, tanto as minorias como as maiorias, jamais permitindo
qualquer limitação de direitos legais por motivos religiosos. O povo, por sua vez,
deve exercer seus direitos sentindo plenamente sua responsabilidade e vivendo
numa atitude de respeito aos direitos dos outros. Estas são peculiaridades
exclusivas dos Estados democráticos.
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9.2. Porque Preferir a Democracia
O povo brasileiro, principalmente o cristão, deve precaver-se diante do perigo
de se deixar enfeitiçar pelo canto da sereia do comunismo. As soluções dos nossos
problemas políticos e sociais não dependem da adoção do modelo político cubano
em nosso país. Um modelo político que falhou em Cuba e que também fracassou na
Nicarágua jamais terá melhor sorte no Brasil. Parte das soluções de nossos
problemas sociais depende fundamentalmente do fortalecimento e aperfeiçoamento
das instituições democráticas em nosso país.
A democracia é preferível ao marxismo comunista, por vários motivos, dentre
os quais se destacam os seguintes:
• O comunismo tem como bandeira a decisão de desarraigar o sentimento
divino do coração dos homens, transformando homens como Marx, Lenin,
Stalin, Fidel Castro, etc, em deuses.
• O comunismo se propõe não apenas a abolir a fé e a crença em Deus, mas
também persegue a Igreja, enquanto prega o ateís-mo como forma de
religião do Estado.
• A pretexto de distribuir a riqueza em parcelas iguais a todos, o que o
comunismo tem feito mesmo é distribuir equitativamente a pobreza.
• O comunismo anula a posse da propriedade privada, enquanto tolhe o
sonho dos que nada têm de algum dia possuírem alguma coisa mais.
• A tese do “Novo Homem” (do qual Che Guevara é apontado como modelo),
propugnado pelo comunismo como resultado da manipulação feita pela
dialética marxista e pelas lutas de classe, constitui-se num anti-evangelho,
uma vez que, de acordo com a mensagem do Evangelho, o único meio
através do qual o homem pode ser feito uma nova criatura é através da
aceitação do senhorio de Jesus Cristo sobre sua vida (Jo 3.1-8).
O cristão deve opor-se ao marxismo comunista não do ponto de vista do
capitalismo, seja ele de que linha for, mas do ponto de vista do Reino de Deus que,
ao contrário do marxismo, prega o amor entre os homens, a compreensão e a
solidariedade entre os povos, pontifica a necessidade da conversão do pecado a um
estado de graça diante de Deus, e enfatiza o senhorio de Cristo e o governo divino
sobre o homem e a História.
Como bem disse Rui Barbosa: “O comunismo não é fraternidade, é a invasão
do ódio entre as classes. Não é reconciliação dos homens, é a sua exterminação
mútua. Não arvora a bandeira do Evangelho; bane Deus das almas e das
reivindicações populares. Não dá tréguas à ordem. Não conhece a liberdade cristã.
Dissolveria a sociedade. Extinguiria a religião. Desumanaria a humanidade.
Everteria, subverteria, inverteria a obra do Criador”.
10 – O RACIONALISMO CRISTÃO
O Racionalismo Cristão é um movimento religioso de feições nitidamente
sincretistas. Quanto à sua concepção, diz-se filosófico-cristão. Quanto às suas
crenças, é uma mistura de espiritismo, humanismo e panteísmo. E, acima de tudo,
hostil ao Cristianismo e à Bíblia.
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Segundo o panfleto O Que E o Racionalismo Cristão, distribuído pela sede da
entidade na cidade do Rio de Janeiro, “o Racionalismo Cristão trata do
espiritualismo racional e científico e explica os porquês da vida, dentro da razão, da
ciência, da filosofia e do bom senso. É a própria doutrina explanada por Cristo (daí
o motivo de chamar-se Racionalismo Cristão).”
Crendo que essa concepção do homem, da vida e do Universo, é tão antiga
quanto a própria existência da humanidade, os historiadores do Racionalismo
Cristão dizem que este foi “re-implantado” na Terra em 1910, pelo brasileiro Luiz de
Mattos, na cidade de Santos, Estado de São Paulo.
Com sede na cidade do Rio de Janeiro, o movimento possui templos e adeptos
em outros grandes centros, como São Paulo e Campinas. Suas sessões públicas
acontecem nas segundas, quartas e sextas-feiras, geralmente das 20 às 21 horas.
Além das sessões normais noturnas, os templos racionalistas estão abertos de
segunda a sexta-feira, inclusive feriados, para prestar orientação e esclarecimento
doutrinário a quem interessar.
10.1. A Proposta do Racionalismo Cristão
A doutrina dita racionalista cristã alega ter como proposta e finalidade a
espiritualização e a humanização dos povos, esclarecendo o ser humano sobre a
vida fora da matéria e sobre sua composição astral e física, ou seja, como força e
matéria (espírito e corpo).
A oposição do Racionalismo Cristão ao Cristianismo, e a qualquer outro
sistema religioso organizado, é demonstrada no seguinte trecho extraído do folheto
O Que E o Racionalismo Cristão:
“Vale salientar aqui alguns pontos fundamentais que distinguem e diferenciam
o Racionalismo Cristão das seitas e religiões, bem como das demais correntes
espiritualistas e do próprio espiritismo. O principal deles, isto é, a sua concepção
(nova para a maioria da humanidade) da composição do Universo e do homem, logo
chama a atenção do observador e estudioso da doutrina. Assim, Força e Matéria são
os dois únicos princípios fundamentais de que se compõe o Universo. A Força é o
agente ativo, inteligente, transformador; a Matéria é o elemento passivo, inerte,
plasmável, o qual é utilizado pela Força como condição ou meio para a sua
evolução. Tudo no Universo está indissoluvelmente ligado à ação da Força sobre a
Matéria, sendo esta ação permanente a própria definição da vida. A compreensão de
Força e Matéria situa-se, pois, dentro da lógica dos fenômenos psíquicos divulgados
pelo Racionalismo Cristão. E nestes dois princípios se resume e se explica toda a
ciência, que é o conhecimento da Verdade.”
O Racionalismo Cristão é a complicação e confusão do homem contrapondo-se
à simplicidade da mensagem de Cristo e da Bíblia!
10.2. A Doutrina Racionalista
A doutrina racionalista, dita cristã, se diz apenas uma filosofia de cunho
exclusivamente espiritualista, sem nenhuma conotação de caráter religioso, místico
e sobrenatural. Nega a existência de mistérios, a validade dos dogmas e a
possibilidade da ocorrência de milagres, pois, segundo crêem os racionalistas, tudo
no Universo, tudo na vida, tem explicação racional e científica. Tanto os fenômenos
que obedecem às leis do plano físico, como os que obedecem às leis do plano
psíquico, espiritual, e invisível, são exteriorizações da Força e se enquadram,
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igualmente, nas leis que regem o Universo. Logo, nada há de sobrenatural, mas
simplesmente manifestações da Força, em suas numerosas aplicações. Desse modo,
o que foge ao entendimento humano e mesmo à ciência, no plano terreno, torna-se
compreensível em uma esfera mais elevada, onde a inteligência e a evolução dos
seres está muito à frente da nossa.
A doutrina racionalista ensina ainda que quando a criatura chega à
compreensão de que o espírito é força, luz, inteligência e poder, que dispõe de
atributos para vencer racionalmente quaisquer situações, que faz parte integrante
do Todo, como partícula da Força Universal, “caem por terra as idéias primitivas de
um deus protetor, ilusório, corpóreo, irreal e fictício. Desaparecem as concepções de
caráter divino, que trazem o espírito sob o jugo do sobrenatural do mistério e do
milagre, compreendendo-se que a Verdade não está nessa concepção deísta, divinal,
de sentido adoratório” (Do folheto O Que É o Racionalismo Cristão).
10.3. Propagação do Racionalismo Cristão
Até onde nos é possível saber, o “Racionalismo Cristão”, conforme concebido
no Brasil, não chegou a atravessar as nossas fronteiras. Apesar disto, os seus
adeptos aceitam como satisfatório o crescimento do movimento em nosso país.
A disseminação do Racionalismo Cristão se deve, basicamente, ao zeloso
proselitismo levado a efeito por seus membros e à literatura que a entidade produz,
destacando-se aqui dois livros, intitulados: Racionalismo Cristão e A Vida Fora da
Matéria.
Apesar de alegarem clareza de linguagem, ausência de sofis-mas e
subterfúgios, os escritos racionalistas são confusos e obscuros. São lidos, parece,
pelo simples fato de o ser humano gostar de se ver envolvido com assuntos
complicados.
10.4. As Seções de Limpeza Psíquica
As chamadas “sessões de limpeza psíquica”, mui comuns nos cultos
racionalistas, são espécies de sessões de exorcismo. “Através destas, o Astral
Superior arrebata para fora da atmosfera da Terra os espíritos perturbadores que
assistem e obsedam os seres humanos, produzindo, com sua assistência maléfica e
fluidos deletérios, doenças e outros males de ordem física, moral, espiritual e social.
“Tal ação benéfica de saneamento e higienização astral processa-se
principalmente através do fenômeno psíquico do desdobramento. O trabalho das
Forças Superiores feito deste modo, através do Racionalismo Cristão, com
segurança e eficácia, é uma das revelações mais notáveis de que tem ciência o ser
humano, no campo do psiquismo, e seus resultados são inegavelmente benéficos
para a humanidade” (O Que É o Racionalismo Cristão).
10.5. Doutrina Racionalista
Já dissemos que o Racionalismo Cristão, apesar do complemento “Cristão”,
constitui-se num movimento religioso nitidamente anticristão e averso à Bíblia. As
diferenças básicas entre o chamado Racionalismo Cristão e o Cristianismo são
detectadas na crença racionalista acerca dos seguintes temas:
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A. A Bíblia Sagrada. O desprezo e desrespeito do Racionalismo Cristão pela
Bíblia são revelados na seguinte manifestação racionalista:
“Na Bíblia, todos sabem, foram alterados diversos textos originais, com o fim
de favorecer a um vantajoso sistema capaz de propiciar fundos suficientes para
sustento das legiões que mantém.
“Somente a palavra ‘perdão’, habilmente introduzida naquele livro, tem
proporcionado imensa, incalculada renda.
“Durante muitos séculos, as religiões propugnaram pela ignorância dos seres.
Essa ignorância convinha aos interesses dos orientadores religiosos. Isto porque
ricos e ignorantes sempre viveram às mil maravilhas com as seitas religiosas que
introduziram na Bíblia este versículo repleto de malícia: “Bem-aventurados os
pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus'” (Racionalismo Cristão, p. 55).
Segundo a opinião do Racionalismo Cristão, conclui-se que a Bíblia Sagrada:
• teve o seu texto interpolado e alterado para satisfazer interesses humanos;
• é objeto de lucros financeiros por parte dos líderes religiosos que a usam
como fonte doutrinária;
• é usada como forma de manter os seus leitores na ignorância espiritual.
B. Deus. A mesquinhez do conceito racionalista quanto ao Ser de Deus é
evidente no seguinte raciocínio:
“Grupos afins se reúnem para adorar, de um certo modo, um certo deus. Cada
povo, cada raça, criou a imagem desse deus à sua própria semelhança.
“Um chinês, por exemplo, jamais admitiria um deus com feições ocidentais,
assim como um ocidental acharia absurda, e até ridícula, a idéia da divindade de
rosto asiático.
“Os deuses possuem, invariavelmente, os caracteres físicos e mentais dos
seres que os conceberam…
“Na Bíblia, no Velho Testamento — livro sagrado e intocável para tantos
adoradores — existem várias referências ao deus de temperamento iracundo e
vingativo da época.
“Esse vergonhoso sentimento, especialmente em um deus, nada mais é do que
o reflexo do sentimento do próprio povo que o imaginou” (Racionalismo Cristão, pp.
50,51).
Segundo um documento racionalista,” a expressão ‘deus’ acha-se
profundamente desmoralizada pelo sentido mesquinho, materialista e animalizado
que lhe emprestaram, através dos tempos, os adoradores e as religiões; e esteado
nessa verdade básica da composição do Universo, o Racionalismo Cristão
substituiu a palavra ‘deus’ por termos mais condizentes e adequados à realidade,
tais como a Força Universal, a Inteligência Universal, a Força Criadora ou o Grande
Foco, do qual fazemos parte integrante como partículas em evolução, possuindo, em
estado latente, todos os atributos, poderes e dons dessa Força, dessa Inteligência
Universal.
“O Grande Foco ou Força Universal ocupa todo o espaço infinito, não existindo
um só ponto no Universo que não acuse a sua presença vital, inteligente e criadora.
Assim, o Racionalismo Cristão, evidentemente, não admite a idéia de Deus como
terceiro elemento no Universo, além da Força e Matéria” (O Que É o Racionalismo
Cristão).
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O Racionalismo Cristão cai no velho engano panteísta de confundir Deus com
a Criação.
C. Jesus Cristo. O Racionalismo Cristão reinterpreta a Pessoa e obra de Jesus
Cristo, a princípio, dizendo que Ele não foi um “milagreiro”, mas que apenas
utilizou-se das leis naturais e imutáveis que regem o Universo.
Diz o Racionalismo que grandes espíritos movidos por ideais reformadores
baixaram à Terra, encarnando, com enorme sacrifício, para ver se conseguiam a
desbrutalização da mente humana, que se deixara empolgar pelo sentimento do
gozo e dos prazeres apenas materiais.
Segundo o Racionalismo Cristão, esses valorosos espíritos, porém, além de
não haverem sido compreendidos, acabaram divinizados pela massa ignorante,
como aconteceu com Jesus, Buda, Confúcio e Maomé.
Na doutrina racionalista, Jesus Cristo perde a posição singular de Filho eterno
de Deus, conforme documentam as Escrituras e crêem os cristãos, sendo reduzido
à posição de um espírito valoroso e evoluído, ao nível de fundadores de religiões
pagas como Buda, Confúcio e Maomé.
D. O Homem. Contestando a crença universal da criação do homem como obra
de Deus, declara o racionalismo: “Não importa que estes, invertendo a realidade dos
fatos, afirmem que foi Deus que criou o homem à sua imagem. A verdade é bem
outra, e não é preciso ter grande imaginação para descobrir o logro multissecular
de que tem sido vítima a humanidade” (Racionalismo Cristão, p. 50).
Negando o relato bíblico da criação do homem, o racionalismo acolhe a
absurda teoria espiritista da reencarnação. Deste modo, divide os espíritos
desencarnados em trinta e três classes, espalhadas em mundos diferentes,
dezessete delas no nosso planeta.
Distribuídos na série de trinta e três classes, de acordo com o grau de
desenvolvimento de cada um, os espíritos fazem a sua evolução partindo da
seguinte ordem de mundos:
• mundos materializados — espíritos da 1a à 5a classe
• mundos opacos — espíritos da 6a à 11a classe
• mundos brancos — espíritos da 12a à 17a classe
• mundos diáfanos — espíritos da 18a à 25a classe
• mundos de luz puríssima — espíritos da 26a à 33a classe.
O mundo dividir-se-ia, ainda, em duas grandes categorias: mundo de estágio e
mundo de escolaridade. Para o primeiro, iriam os espíritos que desencarnam e
deixam a atmosfera da Terra, cada um ascendendo ao mundo correspondente à sua
própria classe, pois neles não estagiam espíritos de classes diferentes.
Crê o Racionalismo que a Terra é um mundo de escolaridade em que as
dezessete primeiras classes da série de trinta e três promovem a sua evolução,
partindo da primeira e chegando à décima sétima em períodos que variam muito, de
espírito para espírito, mas que se elevam, sempre, a milhares e milhares de anos.
E. O Pecado e o Perdão. O Racionalismo Cristão nega a realidade do pecado e
a possibilidade do perdão, quando assevera:
“Quando o indivíduo se convencer de que se praticar o mal terá,
inapelavelmente, de resgatá-lo, sem possibilidade de perdão; que numa encarnação
se prepara para a encarnação seguinte; que esta será mais ou menos penosa
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consoante o uso que tenha feito do seu livre arbítrio, na prática do bem ou do mal;
que as ações boas revertem em seu benefício e as más em seu prejuízo; que não
pode contar com o auxílio de ninguém para libertá-lo das conseqüências das faltas
que cometer e que terá de resgatar com ações elevadas — qualquer que seja o
número de encarnações para isso necessárias — por certo pensará mais
detidamente, antes de praticar um ato indigno.
“Os que sabem avaliar o peso da responsabilidade que arrastam com os
próprios atos, fazem todo o possível para se firmarem nos ensinamentos reais que
transmitem o conhecimento da Verdade, rompendo com as entorpecentes mentiras
religiosas” (Racionalismo Cristão, p. 58).
O que a Bíblia considera pecado, primeiro como um estado herdado, e em
segundo lugar como um ato resultante da escolha pessoal, e a necessidade de
arrependimento para confissão, o racionalismo considera fatos normais inevitáveis
dentro do processo evolutivo do homem.
F. A Salvação. Quanto à questão da salvação, escreve Luiz de Mattos, fundador
do Racionalismo:
“Martelando a idéia da ‘salvação’ na mente da criança, vai-se essa fantasia
impregnando no seu perispírito, até criar raízes profundas. Mais tarde, quando
adulta, repete, maquinavelmente, o que se habituara a ouvir, sem querer submeter
o caso ao raciocínio por sentir um desagradável choque entre o falso, por tanto
tempo armazenado no subconsciente, e o verdadeiro, latente no sentido consciente.
“Além de absurdo, é o dogma da ‘salvação’ um estímulo ao comodismo. O
trabalho, a luta que o ser humano precisa travar, o esforço a que se não pode
deixar de entregar para conseguir a evolução espiritual e o progresso material, não
são entendidos pelos sectaristas que melhor confiam na ‘graça’, nos ‘favores’, na
proteção da suposta divindade, do que em tudo mais.
“Ainda mesmo que se trate de vadios, parasitas e malandros, isso não modifica
a sua imunidade celestial se vierem ao mundo como eleitos de ‘deus’ e a salvo,
portanto, das conseqüências dos pecados terrenos. De qualquer maneira, não estão
aí os representantes da divindade para conceder aos delinqüentes as absolvições e,
com elas, o passaporte para o céu?” (Racionalismo Cristão, pp. 139,140).
G. O Juízo Final. O Racionalismo Cristão ab-roga a possibilidade do juízo final
propugnado pelas Escrituras como uma coisa só concebida por uma mentalidade
atrofiada.
Quanto a isto, pontifica o racionalismo: “Céus beatíficos e paradisíacos,
purgatórios estagiários e infernos e demônios e caldeiras incandescentes são
imaginosas criações que o próprio bom senso repele. O mesmo acontece com
relação a um suposto julgamento divino. E pura invencionice. Não existem deuses
para julgar os que desencarnam” (Racionalismo Cristão, p. 104).
O Racionalismo Cristão admite possuir uma vocação messiânica e
exclusivista. Admite estar engajado na nobre e árdua tarefa de esclarecer, despertar
e transformar as consciências do século XXI. Diz esposar uma doutrina
revolucionária, no sentido moral e espiritual, de caráter essencialmente racional e
científico, condizente com a evolução dos tempos, capaz de pregar e conduzir, com
segurança, uma nova humanidade pelos caminhos do futuro, da supercivilização do
próximo milênio. Civilização esta esteada no avanço da ciência e da tecnologia, mas
esclarecida e humanizada pela filosofia espiritualista, baseada em Força e Matéria.
O Racionalismo Cristão diz que, em obediência ainda às leis evolutivas que a
tudo presidem, tendo passado pelas fases de implantação e consolidação, está
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agora iniciando uma nova etapa de expansão e divulgação. E nesta conjuntura, diz
constituir-se mais do que nunca, em mensagem e veemente apelo dirigido às criaturas
espiritualmente independentes e livres. De modo especial aos jovens e à
infância, porque deles depende, evidentemente, o futuro da humanidade.
“Sobretudo, por serem espíritos de evolução adiantada e ávidos de saber, mais
susceptíveis, nessa idade, de se desfazerem e se libertarem, à luz da razão, de
seculares erros, preconceitos, crenças e crendices, fanatismos e sectarismos religiosos,
enfim de todas as místicas, aceitando as verdades transmitidas e explanadas
pelo Racionalismo Cristão” (O Que E o Racionalismo Cristão).
10.6. O Racionalismo Cristão Desmascarado
As teorias do Racionalismo Cristão, com feições inequivocadamente
tupiniquins, são demasiadamente frágeis. Eivadas de erros como são, são incapazes
de suportar uma contra-argumentação da Bíblia, da fé e mesmo da razão. Para
provar isto, vamos alinhar a nossa refutação às teorias racionalistas, tomando os
mesmos temas na ordem em que foram abordados anteriormente.
A. A Bíblia Sagrada. O Racionalismo diz que a Bíblia está cheia de erros, que
ela nada tem a ver com o livro sagrado que diz ser, porém, é incapaz de provar
teológica e cientificamente onde está sequer um erro das Escrituras.
Independentemente do arrazoado dos racionalistas, toda a Bíblia “é
divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir,
para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente
preparado para toda boa obra” (2 Tm 3.16,17).
Vozes autorizadas de grandes mestres das letras levantam-se em defesa da
Bíblia como um livro singular. Dentre esses destacam-se:
• Pedro Calmom, magnífico Reitor da antiga Universidade do Brasil: “Livro
dos livros, a Bíblia é o fundamento de uma cultura que se fez com a palavra
— no princípio era o verbo — a promessa, a divina promessa da justiça, que
pacifica os homens; que os incorpora na sociedade; que lhes abre as portas
da sobrevivência. Alicerce de uma civilização eminentemente moral, a Bíblia
é o eterno documento do espírito, mensagem de comunhão do homem com
Deus”.
• Coelho Neto, polígrafo — homem de fé: “O livro de minha alma, a Bíblia, não
o encerro na biblioteca entre os livros de meus estudos. Conservo-a sempre
à minha cabeceira, à mão. E dela que tiro a água para a minha sede da
verdade; é dela que tiro o bálsamo para as minhas dores nas horas de
agonia. E vaso em que cresce a verdade. Nela vejo sempre a verde esperança
abrindo-se na flor celestial, que é a fé. Eis o livro que é a valise com que
ando em peregrinação pelo mundo”.
• J.J. Rousseau, filósofo francês: “Eu confesso que a majestade das
Escrituras Sagradas me abisma, e a santidade do Evangelho enche o meu
coração. Os livros dos filósofos com toda a sua pompa, quanto são
pequenos à vista deste! Pode-se crer que um livro tão sublime e, às vezes,
tão simples, seja obra dos homens?!”
• Erasmo Braga, teólogo: “Considerando a Bíblia pelo seu aspecto literário,
não se compreende como intelectuais podem permanecer indiferentes à
grande fonte em que se abeberaram os que fizeram a nossa literatura —
eminentemente bíblica —, e deram maciez, tom suave, e caminho ao nosso
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meigo idioma. Como se pode ler Bernard, Frei Luiz, e Vieira, e não possuir o
veio de onde lhes saiu o ouro de lei — Deus?”
• Tobias Barreto, escritor: “A Bíblia é um modelo de tudo quanto é bom e
belo, e, se outras razões não determinassem sua leitura, bastaria o gosto, o
simples instinto literário, para levar-nos a folhear, a admirar as palavras
sublimes, as lavras petrificadas que brotaram daquelas bocas abrasadas
como crateras do céu”.
• Victor Hugo, escritor francês: “Há um livro que, desde a primeira letra até a
última, é uma emanação superior; um livro que contém toda a sabedoria
divina, um livro que a sabedoria dos povos chamou de Bíblia. Espalhai
evangelhos em cada aldeia: uma Bíblia em cada casa!”
• César Cantu, historiógrafo: “A Bíblia é o livro de todos os povos, de todos os
séculos, e para todas as idades”.
• Werner Keller, arqueólogo, autor do laureado livro E a Bíblia Tinha Razão…,
nos dois últimos parágrafos da introdução ao citado livro, escreve: “Nenhum
livro de história da humanidade jamais produziu um efeito tão
revolucionário, exerceu uma influência tão decisiva no desenvolvimento de
todo o mundo ocidental e teve uma difusão tão universal como o ‘Livro dos
livros”, a Bíblia. Ela está hoje traduzida em mil cento e vinte línguas e
dialetos e, após dois mil anos, ainda não dá qualquer sinal de que haja
terminado a sua triunfal carreira. Durante a coleta e o estudo do material,
que de modo algum pretendo seja completo, ocorreu-me a idéia de que era
tempo de os leitores da Bíblia e seus opositores, os crentes e os incrédulos,
participarem das emocionantes descobertas realizadas pela sóbria ciência
de múltiplas disciplinas. Diante da enorme quantidade de resultados de
pesquisas autênticas e seguras, convenci-me, apesar da opinião da crítica
cética, de que desde o século do Iluminismo até os nossos dias tentava-se
diminuir o valor documentário da Bíblia, do que a Bíblia tinha razão!”
Todos estes testemunhos corroboram com a declaração dos Gideões
Internacionais na apresentação do seu Novo Testamento de bolso, segundo a qual,
a Bíblia contém a mente de Deus, a condição do homem, o caminho da salvação, a
condenação dos pecadores e a felicidade dos crentes. Suas doutrinas são santas,
seus preceitos são justos, suas histórias verdadeiras e suas decisões imutáveis.
Leitor, leia-a para ser sábio, creia nela para estar seguro e pratique o que nela
está escrito, para ser santo. Ela contém luz para dirigi-lo, alimento para sustê-lo, e
consolo para animá-lo.
A Bíblia é o mapa do viajor, o cajado do peregrino, a bússola do piloto, a
espada do soldado e o mapa do cristão. Por ela o Paraíso é restaurado, os céus
abertos e as portas do inferno descobertas.
Cristo é o seu grande tema, e a glória de Deus a sua finalidade. A Bíblia deve
encher a mente, governar o coração e guiar os nossos pés.
Leia-a leitor, lenta e freqüentemente, e em oração. É uma mina de riqueza, um
paraíso de glória e um rio de prazer. É-lhe dada em vida, será aberta no dia do
julgamento e lembrada para sempre. Ela envolve a mais alta responsabilidade,
recompensará o mais árduo labor e condenará a todos quantos menosprezam seu
sagrado conteúdo.
B. Deus. O Racionalismo Cristão nega a existência de Deus como revela a
Bíblia, para esposar a crença em um deus impessoal. Chega às raias do absurdo
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panteísta de ensinar que, no Universo, Deus é tudo e tudo é Deus. Isto é, Deus é
não só parte do Universo, Ele se confunde com o próprio Universo.
Apesar de o racionalismo negar a existência de Deus como um Ser pessoal,
distinto da Criação, são muitos os argumentos racionais, além dos elementos
oferecidos pela Bíblia, a favor da existência de Deus. Dentre esses destacam-se os
seguintes:
O Argumento Ontológico. O argumento ontológico tem sido apresentado de
diversas formas por diferentes pensadores. Em sua mais refinada forma, foi
apresentado por Anselmo, teólogo e filósofo agostinista italiano. Seu argumento é
que o homem tem imanente em si a idéia de um ser absolutamente perfeito e, por
conseguinte, deve existir um Ser absolutamente perfeito. Este argumento admite
que existe na mente do próprio homem o conhecimento básico da existência de
Deus, posto lá pelo próprio Criador.
O Argumento Cosmológico. Este argumento tem sido apresentado de várias
formas. Em geral encerra a idéia de que tudo o que existe no mundo deve ter uma
causa primária ou razão de ser. Emanuel Kant, filósofo alemão, indicou que se tudo
que existe tem uma razão de ser, isto deve ter um ponto de origem em Deus. Assim
sendo, deve haver um Agente único que equilibra e harmoniza em si todas as
coisas.
O Argumento Teleológico. Este argumento é praticamente uma extensão do
anterior. Ele mostra que o mundo, ao ser considerado sob qualquer aspecto, revela
inteligência, ordem e propósito, denotando assim a existência de um ser
sumamente sábio. Por exemplo, o homem, para viver, consome o ar, do qual retira
todo o oxigênio, resultando disso o dióxido de carbono, inútil ao ser humano. As
plantas, por sua vez, consomem o dióxido como elemento essencial, e produzem daí
o oxigênio, que será novamente consumido pelo homem.
O Argumento Moral. Este, como os outros argumentos, também tem diversas
formas de expressão. Kant partiu do raciocínio que deduz a existência de um
Supremo Legislador e Juiz, com absoluto direito de governar e corrigir o homem.
Esse filósofo era da opinião de que este argumento era superior a todos os demais.
No seu intuito de provar a existência de Deus, ele recorria a este argumento. A teologia
moderna utiliza este mesmo argumento, afirmando que o reconhecimento por
parte do homem de um Bem Supremo e do seu anseio por uma moral superior
indicam a existência de um Deus que pode converter esse ideal em realidade.
O Argumento Histórico. A exposição principal deste argumento é a seguinte:
entre todos os povos e tribos da Terra é comum a evidência de que o homem é
potencialmente religioso. Sendo universal este fenômeno, deve ser parte constitutiva
da natureza do homem. E se a natureza do homem tende à prática religiosa, isto só
encontra explicação em um Ser superior que originou uma natureza tal que sempre
indica ao homem um Ser superior. É aqui que milhões, inclusive os racionalistas,
por ignorarem o único e verdadeiro Deus, enveredam pelo caminho das heresias. É
o anseio da alma na busca do Criador que ignoram, por ter dEle se afastado.
A Bíblia registra vários nomes referentes a Deus, mas jamais o designa como:
Inteligência Universal, Força Criadora ou Grande Foco, como presunçosamente faz
o Racionalismo Cristão.
C. Jesus Cristo. A Bíblia diz que “ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e
ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mt
11.27). Ora, uma vez que o Racionalismo Cristão ignora a Deus, o Pai, como
esperar que conheçam a Deus, o Filho e zelem pelo seu Santo Nome?
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Conhecer a Jesus como o Cristo, o Filho enviado de Deus, é uma prerrogativa
exclusiva daqueles que, a exemplo do apóstolo Pedro, foram iluminados pelo
Espírito Santo (Mt 16.16,17).
Jesus Cristo é o personagem principal da História Universal. A humanidade
não pode esquecer-se de Cristo enquanto se lembrar da História, pois a História é a
História de Cristo. Omiti-lo seria como omitir da astronomia as estrelas ou da
botânica as flores. Como apropriadamente afirma Bushnell: “Seria mais fácil
separar todos os raios de luz que atravessam o espaço e deles remover uma das
cores primárias, do que retirar do mundo o caráter de Jesus”.
Um autor desconhecido escreveu que poderá haver outro Homero, ou outro
Virgílio, ou outro Dante, ou outro Milton, mas jamais haverá outro Jesus. Sejam
quais forem as surpresas que possam estar reservadas para o mundo, Jesus jamais
será ultrapassado ou superado. Ele é o alvo de toda a bondade, o ápice de todo o
pensamento, a coroa de todo o caráter e a perfeição de toda a beleza. Ele é a
encarnação de toda a ternura, a focalização do vigor, a manifestação da força, a
personificação do poder, a concentração do caráter, a materialização do
pensamento e a ilustração viva de toda a verdade. Ele é a profecia da possibilidade
do homem.
Olhamos para Ele e vemos nEle a realização de todas as expectativas
humanas: um líder maior que Moisés, um sacerdote maior que Arão, um rei maior
que Davi, um comandante maior que Josué, um filósofo maior que Salomão e um
profeta maior que Elias. Ele anda como um homem. Fala como Deus. Suas palavras
são oráculos. Seus atos, milagres. A coroa da divindade repousa em sua fronte. O
cetro do domínio universal está firme em sua mão; o brilho da eternidade, em seus
olhos. A retidão eterna está escrita em sua face; o sorriso de Jeová transforma sua
aparência.
Ele é a imagem expressa de seu Pai. As crianças se agrupam aos seus pés. Em
sua fronte está a coroa da pureza. Os ventos lhe obedecem. Um olhar seu e as
águas cristalinas se transformam em vinho cor de âmbar. Os mortos esquecem-se
de si mesmos e vivem. Os coxos pulam de alegria. Ouvidos que nunca ouviram
anseiam pelo próprio som de sua voz e olhos sem visão negam seu passado e
descerram suas palpebras abatidas para a beleza de sua presença. A dor se
desvanece sob seu toque.
Todas as bênçãos espirituais, por meio das quais a Igreja é enriquecida, estão
em Cristo e são concedidas por Cristo. Nossa redenção e remissão de pecados são
ambas mediante Ele. Todas as transações graciosas entre Deus e seu povo
realizam-se através de Cristo. Deus nos ama por meio de Cristo. Ele ouve as nossas
orações mediante Cristo. Ele nos perdoa todos os pecados por meio de Cristo.
Mediante Cristo Ele nos justifica, santifica, sustem e aperfeiçoa. Todas as suas
relações conosco são por meio de Cristo; tudo o que temos vem de Cristo; tudo o
que esperamos ter, depende dEle. Cristo é a dobradiça dourada sobre a qual gira a
nossa salvação.
O nome de Cristo permanece sozinho. Deus lhe deu um nome que está acima
de todo nome. Nenhum credo pode contê-lo, nenhum catecismo pode explicá-lo. A
Ele, pois, seja a glória, o domínio e o poder para todo o sempre.
D. O Homem. A crença racionalista quanto à origem do homem constitui-se
declarado desrespeito às Escrituras e afronta à mente inteligente. Suas teorias, seja
quanto à reencarnação, seja quanto à evolução, já foram refutadas na análise das
doutrinas do espiritismo e do evolucionismo.
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O duplo relato da criação do homem (Gn 1.26,27; 2.7) leva os estudiosos do
assunto às seguintes conclusões irrefutáveis:
• A criação do homem foi precedida por um solene conselho divino: “E disse
Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança…”
(Gn 1.26).
• A criação do homem é um ato imediato de Deus: “E disse Deus: Produza a
terra erva verde, erva que dê semente, árvore frutífera que dê fruto segundo
a sua espécie, cuja semente esteja nela sobre a terra. E assim foi… E disse
Deus: Produzam as águas abundantemente répteis de alma vivente; e voem
as aves sobre a face da expansão dos céus” (Gn 1.11,20). Compare estas
declarações com a que se segue: “… criou Deus o homem…” (Gn 1.27). Não
há aqui qualquer idéia de mediação na criação do homem.
• O homem foi criado segundo um tipo divino: “Façamos o homem à nossa
imagem, conforme a nossa semelhança…” (Gn 1.26).
• Os elementos da natureza humana se distinguem: “E formou o Senhor
Deus o homem… e o homem foi feito alma vivente” (Gn 2.7).
• O homem foi feito coroa da criação divina: “Contudo, pouco menor o fizeste
do que os anjos, e de glória e de honra o coro-aste. Fazes com que ele tenha
domínio sobre as obras das tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus pés”
(SI 8.5,6).
Deus, e não o homem, é o responsável pela criação, sustentação e futuro da
humanidade.
E. O Pecado e o Perdão. Assim como a simples negação de uma moléstia não
cura um doente, a simples negação da realidade do pecado e da necessidade de
perdão não resolvem o problema espiritual do homem.
Creia ou não o Racionalismo Cristão, “todos pecaram e destituídos estão da
glória de Deus” (Rm 3.23). E ainda: Cristo “nos mandou pregar ao povo, e testificar
que Ele é o que por Deus foi constituído juiz dos vivos e dos mortos. A este dão
testemunho todos os profetas, de que todos os que nele crêem receberão o perdão
dos pecados pelo seu nome” (At 10.42,43).
A própria história das religiões pagas testifica da universalidade do pecado. A
pergunta de Jó 25.4: “Como, pois, seria justo o homem perante Deus, e como seria
puro aquele que nasce de mulher?” é uma pergunta feita tanto por aqueles que
conhecem a revelação especial de Deus, como por aqueles que a ignoram.
Quase todas as religiões dão testemunho de um conhecimento universal do
pecado e da necessidade de reconciliação com um Ser superior. Há um sentimento
geral de que os deuses estão ofendidos e de que algo deve ser feito para apaziguálos.
A voz da consciência acusa o homem diante do seu fracasso em alcançar o ideal
da vida perfeita, dizendo que ele está condenado aos olhos de alguém que possui
um poder superior.
Os altares banhados de sangue e as freqüentes confissões de agravo, feitos por
pessoas que buscam livrar-se do mal, apontam em conjunto para o conhecimento
do pecado e da sua gravidade. Onde quer que os missionários cristãos se
encontrem, apodera-se deles a certeza de que o pecado é um flagelo universal para
a humanidade.
Os mais antigos filósofos gregos, na sua luta contra o problema do mal, foram
levados a admitir a universalidade do pecado, ainda que incapazes de explicar esse
fenômeno.
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A maior prova em favor da universalidade do pecado é a própria obra realizada
por Cristo na cruz, que no seu escopo apresenta-se como uma obra de alcance
universal, e como remédio único para a doença espiritual de toda a criatura.
Compreendendo a realidade do pecado e a necessidade do perdão, é
simplesmente impossível negar a possibilidade de salvação oferecida por Cristo, e o
julgamento divino dos ímpios e de todas as gentes que se esquecem de Deus (SI
9.17).
Enoque incluiu os racionalistas, quando, falando acerca do iminente juízo de
Deus, disse: “Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos, para fazer
juízo contra todos e condenar dentre eles todos os ímpios, por todas as suas obras
de impiedade que impiamente cometeram, e por todas as duras palavras que ímpios
pecadores disseram contra ele. Estes são murmuradores, queixosos da sua sorte,
andando segundo as suas concupiscências, e cuja boca diz coisas mui arrogantes,
admirando as pessoas por causa do interesse” (Jd vv. 14-16).
11 – O ECUMENISMO
O movimento ecumênico é um dos movimentos mais comentados da atual fase
da história eclesiástica. Por isso, faz-se necessário estudá-lo, para podermos
confiadamente tomar posição.
A palavra “ecumenismo” é de origem grega (oikoumene) e significa: “a terra
habitada”, isto é, a parte da terra habitada pelo homem e organizada em
comunidades sistemáticas, a saber: vilas, fazendas, cidades, escolas, instituições,
etc. Com este significado, a palavra “ecumenismo” aparece nas seguintes passagens
do Novo Testamento:
• “… levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos
os reinos do mundo [=oikoumene]. E disse-lhe o diabo: Dar-te-ei a ti todo
este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem
quero” (Lc 4.5,6).
• “E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo [=oikoumene],
para testemunho de todas as nações. Então virá o fim” (Mt 24.14).
No decorrer dos séculos, três diferentes segmentos do Cristianismo têm se
apropriado desta palavra, reivindicando ecumenicidade:
• A Igreja Católica Romana afirma ser ecumênica por abranger todo o mundo.
• As igrejas ortodoxas do Oriente alegam sua ecumenicidade, apontando sua
ligação com a igreja primitiva.
• Certas igrejas protestantes, estimuladas pelo “Ecumenismo de Genebra”,
desenvolvem atividades no sentido de unir as igrejas de todo o mundo para
com isso fazer visível a união da cristandade.
11.1. Propósito do Ecumenismo
Não obstante possuírem elementos distintos, as igrejas Católica Romana,
Ortodoxa e protestantes vêm-se esforçando no afã de alcançar um ecumenismo
amplo e sem fronteiras, e que culmine com a união de toda a cristandade. E com o
propósito de tornar isso possível, duas medidas foram tomadas:
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• Por iniciativa de algumas igrejas protestantes, em 1938 foi fundado o
Concilio Mundial de Igrejas (CMI), visando colocar sob uma mesma
bandeira todos os segmentos do Protestantismo.
• A realização do Concilio Vaticano II, no período 1962/65, em que foi
largamente tratada a questão dos “irmãos separados” (uma referência aos
protestantes) e sugeridos métodos para reuni-los num só rebanho.
Devemos reconhecer que a proposta ecumenista da Igreja Católica Romana,
feita pelo Concilio Vaticano II, tem um alcance bem maior do que as medidas
ecumenistas propostas pelo Concilio Mundial de Igrejas, pois visa congregar num
só rebanho toda a cristandade. O ponto mais alto da questão ecumenista, proposta
pela Igreja Romana, consiste num problema de duplo aspecto: 1) as igrejas
protestantes e ortodoxas devem lembrar-se de ter deixado o catolicismo, decidindose
voltar ao seio da “Igreja-Mãe”; 2) devem submeter-se à orientação do papa de
Roma como o “único pastor”.
Evidentemente, para os protestantes e para a Igreja Ortodoxa, aceitar a
política ecumênica do Vaticano significa a perda de identidade e a renúncia de
muitos séculos de luta contra o predomínio católico-romano, a adoração das
imagens de escultura, a pretensa infalibilidade papal e demais hábitos e crenças
pagas do catolicismo romano.
11.2. Alcance do Ecumenismo
Após vários anos de relutância contra o ecumenismo proposto pelo Concilio
Mundial de Igrejas, as igrejas ortodoxas da Rússia, Bulgária, Romênia e Polônia
fizeram-se membros efetivos do Concilio, pelo qual a Igreja Católica Romana, até
então indiferente e até mesmo suspeita, passou a demonstrar um profundo
interesse.
Na assembléia do Concilio Mundial de Igrejas, reunida em Upsala, em 1968,
os quinze observadores oficiais da Igreja Romana foram recebidos com uma
calorosa salva de palmas. Inclusive um deles chegou a dizer que esperava o dia em
que sua igreja viesse a ser um dos membros efetivos do citado Concilio.
Por todo o mundo onde o Concilio Mundial de Igrejas tem as suas filiais, os
católico-romanos e protestantes estão se aproximando cada vez mais, unindo-se em
muitos dos seus projetos e atividades da igreja. Hoje é muito comum ouvir de cultos
e outros eventos religiosos, celebrados por pastores protestantes e sacerdotes
católicos, ou vice-versa.
No Brasil, o ecumenismo tem lançado suas bases através do Concilio Nacional
de Igrejas, e dele já fazem parte a Igreja Luterana, a Episcopal do Brasil, a Cristã
Reformada e a Católica Romana.
11.3. Objeções ao CMI e ao Ecumenismo
O reverendo Alexander Davi, da Igreja Reformada, e professor do Seminário
Teológico da Fé, de Gujranwala, Paquistão, abandonou o Concilio Mundial de
Igrejas, e justificou a sua decisão com as seguintes palavras:
“O Concilio Mundial de Igrejas está nos levando para a Igreja Católica
Romana. O seu programa expresso é conseguir a união de todas as denominações
protestantes em primeiro lugar; depois a união com a Igreja Ortodoxa Grega, e
finalmente a Igreja Católica Romana.
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“Essa união com a Igreja Católica Romana será uma grande tragédia para as
igrejas protestantes, porque, em conseqüência, destruirá o testemunho distintivo do
protestantismo. A Igreja Católica Romana não modificou a sua doutrina desde os
dias da Reforma do século XVI, pelo contrário, tem acrescentado muitas tradições e
superstições ao seu credo. Portanto, no caso de uma união, as igrejas protestantes
serão, em última instância, absorvidas em uma igreja católica monolítica” (O
Presbiteriano Bíblico, dezembro de 69 e maio de 70).
Isto posto, é a seguinte a nossa posição diante do Concilio Mundial de Igrejas
e de suas pretensões ecumenistas:
• A unidade sobre a qual Cristo falou em João 17.19-23 tem o próprio Cristo,
e não qualquer outra pessoa (mesmo que seja o papa), como centro de
convergência.
• Insistimos na absoluta necessidade de o homem nascer de novo (Jo 3.3),
condição única para a salvação, enquanto o ecumenismo proposto pelo CMI
procura congregar num “só rebanho”, salvos e ímpios, como se nenhuma
diferença existisse entre ambos.
• Insistimos na necessidade do cumprimento da ordem missionária de Jesus,
o que só será possível se virmos os homens como Cristo os viu, pecadores
perdidos, sujeitos ao inferno, não importando a que religião pertençam (Lc
19.10).
• Insistimos na unidade da Igreja invisível em torno de Jesus Cristo, mas sob
a orientação do Espírito Santo, independentemente do que os esforços e a
política humana possam fazer.
• Cremos que o Concilio Mundial de Igrejas, com a sua política ecumenista,
está sendo instrumento de Satanás para levantar na Terra uma superigreja
que, após o arrebatamento da verdadeira e triunfante Igreja, dará suporte
espiritual ao governo do Anticristo, da Besta e do Falso Profeta, durante a
Grande Tubulação.
Por estas e tantas outras razões, repudiamos o Concilio Mundial de Igrejas e a
sua política ecumenista.
12 – PENTECOSTALISMO
Herdeiro do protestantismo, distingue-se dele em alguns pontos. Um dos
principais é a questão da contemporaneidade dos dons do Espírito Santo. Os
integrantes do movimento pentecostal, que nasceu nos Estados Unidos, em 1901,
crêem que o Espírito Santo continua a se manifestar nos dias de hoje, da mesma
forma que em Pentecostes, na narrativa do Novo Testamento (Atos 2). Nessa
passagem, o Espírito Santo manifestou-se aos apóstolos por meio de línguas de fogo
e fez com que eles pudessem falar em outros idiomas para serem entendidos pela
multidão heterogênea que os ouvia. Para eles, sobressaem os dons da glossolalia (o
de falar línguas desconhecidas), da cura e da profecia
O pentecostalismo chega ao país em 1910, com a fundação da Congregação
Cristã no Brasil, na cidade de São Paulo. Atualmente, existem centenas de igrejas, e
as principais, além da Congregação Cristã no Brasil, são: Assembléia de Deus
(Pará, 1911), Evangelho Quadrangular (São Paulo, 1953), O Brasil para Cristo (São
Paulo, 1955), Deus é Amor (São Paulo, 1962) e Igreja Universal do Reino de Deus –
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IURD (Rio de Janeiro, 1977). De acordo com o censo de 1991, os pentecostais
representam 5,6% da população brasileira.
12.1. Congregação Cristã no Brasil
Primeira igreja pentecostal instituída no país. Surge em 1910 por iniciativa do
italiano Luigi Francescon, de origem presbiteriana, que vem dos Estados Unidos
para ensinar imigrantes na América Latina. Começa a pregar em Santo Antônio da
Platina (PR) e na capital paulista. Nos primeiros 20 anos, a igreja restringe-se aos
imigrantes italianos e a seus descendentes. Está concentrada no Sudeste,
principalmente em São Paulo. Durante os cultos nos templos, homens e mulheres
sentam-se separados.
12.2. Assembléia de Deus
É a maior igreja evangélica da América Latina e a segunda a surgir no Brasil.
É fundada em Belém (PA) em 1911, pelos suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren, exbatistas
oriundos dos Estados Unidos. No início dos anos 20, cria-se a Assembléia
de Deus do Rio de Janeiro, que passa a ser a sede do grupo. Em 1991, a igreja
contava com 2,4 milhões de fiéis. Marca presença em todo o território nacional e
continua em ritmo crescente.
12.3. Evangelho Quadrangular
Fundada em 1953 na capital de São Paulo pelos missionários norteamericanos
Harold Williams e Raumond Boatright. Um ano antes eles haviam
conduzido a Cruzada Nacional de Evangelização e pregado em todo o país. Em
1991, a Igreja do Evangelho Quadrangular contava com 360 mil fiéis. Sua presença
é mais forte nas regiões sul e sudeste, principalmente no Estado de São Paulo.
Enfatiza o dom da cura e a capacidade de falar idiomas desconhecidos (glossolalia).
12.4. Deus é Amor
Criada por David Miranda em 1962, tem sede na cidade de São Paulo. Em
1991 contava com quase 170 mil fiéis. Predomina nos estados do sul e sudeste,
principalmente São Paulo e Paraná. É bastante rígida quanto aos costumes morais
e ressalta os cultos exorcistas.
12.5. Cristãos Independentes
As igrejas dessa corrente pregam a Teologia da Prosperidade, pela qual o
cristão está destinado à prosperidade terrena, e rejeitam os tradicionais usos e
costumes pentecostais. Também são mais liberais em questões morais. As
principais igrejas são as neopentecostais, que se instalam no país na segunda
metade da década de 70.
Fundada por brasileiros, a Universal do Reino de Deus (Rio de Janeiro, 1977),
a Internacional da Graça de Deus (Rio de Janeiro, 1980), a Comunidade Evangélica
Sara Nossa Terra (Goiás e Distrito Federal, 1976) e a Renascer em Cristo (São
Paulo, 1986) estão entre as principais. Encabeçado pela Igreja Universal, o
neopentecostalismo constitui a vertente cristã que mais cresce.
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Atualmente, segundo o sociólogo Ricardo Mariano, autor do livro
Neopentecostais, Sociologia do Novo Pentecostalismo no Brasil (Editora Loyola), o
neopentecostalismo expande-se principalmente entre os mais pobres e os menos
escolarizados da população. No Brasil, o crescimento vertiginoso dos cristãos
independentes está associado ao uso intensivo da mídia eletrônica e ao método
empresarial de funcionamento. Por causa de sua grande ascensão em todo o
mundo no século XIX, o fenômeno já é considerado por alguns como “a maior
revolução do cristianismo depois de Lutero”.
A. Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). Fundada pelo bispo Edir Macedo
em 1977, é a principal igreja neopentecostal brasileira e a que mais cresce no país.
Após as reuniões, caracterizadas por muito canto, os obreiros ouvem as queixas dos
fiéis. De acordo com os últimos números disponíveis, a Igreja Universal do Reino de
Deus já possui mais de 500 templos em 90 (noventa) países, inclusive na Rússia
(Federação Russa) e mais de 2.000 no Brasil. Está espalhada em todos os estados
brasileiros e possui grandes investimentos no ramo das comunicações, detém o
controle da TV Record, Rede Mulher, diversas emissoras de rádios, além de
emissoras internacionais de televisão, como a TV Record International com sede em
Miami. Possui ainda o controle da segunda maior associação brasileira de
emissoras de rádios e tvs (ABRATEL) com participação ativa no cenário político
brasileiro e uma grande bancada no Congresso Nacional, comandada pelo Bispo
Carlos Rodrigues (PL/RJ). Em 2002, tornou Senador da República, o Bispo Marcelo
Crivella – um dos idealizadores do projeto denominado Fazenda Canaã, no nordeste
brasileiro -, desbancando nomes famosos como Arthur da Távola e Leonel Brizola. É
uma grande força na mídia, na política e na religião.
B. Igreja Renascer em Cristo. Fundada em 1986 pelo casal Estevam e Sonia
Hernandes, começa numa pizzaria da Zona Sul de São Paulo e hoje tem mais de
200 templos, inclusive no exterior. É a responsável pela moda da música gospel no
país. Tem milhares de jovens entre seus adeptos e é a igreja neopentecostal que
mais agrega pessoas da classe média, cerca de 20%, entre seus membros.
C. Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra. Com sede atualmente em
Brasília, tem como principal dirigente o bispo Róbson Rodovalho. Em fase de
grande crescimento possui adeptos de peso, como o recém-eleito Senador da
República, o mega-empresário da construção civil, Paulo Octávio de Oliveira (Paulo
Octávio Engenharia) e milhares de jovens. Possui templos em vários estados, mas
sua atuação mais marcante é no Centro-Oeste brasileiro. Possui também uma
emissora de rádio e de televisão em canal fechado.
13 – PROTESTANTISMO
O termo “evangélico” na América Latina, designa as religiões cristãs originadas
ou descendentes da Reforma Protestante Européia do século XVI. Está dividido em
duas grandes vertentes: o protestantismo tradicional ou histórico, e o
pentecostalismo. Os evangélicos que hoje representam 13% dos brasileiros, ou mais
de 23 milhões de pessoas, vem tendo um crescimento notável (no Censo de 1991
eram apenas 9% da população – 13,1 milhões). As denominação pentecostais são as
responsáveis por esse aumento.
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13.1. Protestantismo Histórico
Esse grupo surge no Brasil de duas formas: uma decorre da imigração e a
outra, do trabalho missionário. O protestantismo de imigração, forma-se na
primeira metade do século XIX, com a chegada de imigrantes alemães ao Brasil, em
especial à Região Sul, onde fundam, em 1824, a Igreja Evangélica de Confissão
Luterana do Brasil. As igrejas do protestantismo de missão são instituídas no país
na segunda metade do século XIX, por missionários norte-americanos vindos
principalmente do sul dos Estados Unidos e por europeus. Em 1855, o escocês
Robert Reid Kelley funda, no Rio de Janeiro, a Igreja Congregacional do Brasil.
Segundo o Censo de 1991, os protestantes tradicionais são 3% da população
brasileira e estão concentrados, em sua maioria, no sul do país. Nas últimas
décadas, com exceção da Batista, as igrejas protestantes brasileiras ou estão
estagnadas, apenas em crescimento vegetativo, ou em declínio. Seus integrantes
têm, em média, renda e grau de escolaridade maiores que os dos pentecostais.
13.2. Luteranos
As primeiras comunidades luteranas de imigrantes alemães se estabelecem no
Brasil a partir de 1824, nas cidades de São Leopoldo (RS), Nova Friburgo (RJ), Três
Forquilhas (RS) e Rio de Janeiro (RJ). O primeiro templo é construído em 1829, em
Campo Bom (RS), e os pastores europeus chegam depois de 1860. Em 1991, há 1
milhão de membros, localizados principalmente no Rio Grande do Sul, e 1,1 milhão
em 1995. Até 2000, o número de luteranos, bem como dos demais protestantes
históricos, não sofre alteração significativa. Os luteranos, como os anglicanos, estão
mais próximos da teologia professada pela Igreja Católica. Em 1999 chegam a
assinar um documento histórico em que colocam fim às suas divergências sobre a
salvação pela fé. Das correntes luteranas, a maior e mais antiga no Brasil é a Igreja
Evangélica de Confissão Luterana do Brasil, com 410 paróquias espalhadas por
todos os estados brasileiros, segundo dados da própria igreja. Posteriormente,
surgem outras correntes luteranas, como a Igreja Evangélica Luterana do Brasil,
vinda dos Estados Unidos no início do século XX.
13.3. Metodistas
Primeiro grupo de missionários protestantes a chegar ao Brasil, os metodistas
tentam fixar-se no Rio de Janeiro em 1835. A missão fracassa, mas é retomada por
Junnius Newman em 1867, que começa a pregar no oeste do estado de São Paulo.
A primeira igreja metodista brasileira é fundada em 1876, por John James Ranson,
no Rio de Janeiro. Concentrados sobretudo na Região Sudeste, os metodistas
reúnem 138 mil fiéis e 600 igrejas em 1991, conforme censo do IBGE. De acordo
com o livro Panorama da Educação Metodista no Brasil, publicado pelo Conselho
Geral das Instituições Metodistas de Ensino (Cogeime), atualmente são 120 mil
membros, distribuídos em 1,1 mil igrejas. Entre os ramos da igreja metodista, o
maior e o mais antigo é a Igreja Metodista do Brasil. Sobressaem também a Igreja
Metodista Livre, introduzida com a imigração japonesa, e a Igreja Metodista
Wesleyana, de influência pentecostal, estabelecida no Brasil em 1967. Os
metodistas participam ativamente de cultos ecumênicos. Na educação têm atuação
de destaque no ensino superior, com 23 mil alunos matriculados em 2000.
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13.4. Presbiterianos
A Igreja Presbiteriana do Brasil é fundada em 1863, no Rio de Janeiro, pelo
missionário norte-americano Ashbel Simonton. Maior ramo da igreja presbiteriana
do país, possui 150 mil membros, 600 pastores e 700 igrejas. Em 1903 surge a
Igreja Presbiteriana Independente, com cerca de 50 mil membros. Há ainda outros
grupos, como a Igreja Presbiteriana Conservadora (1940) e a Igreja Presbiteriana
Unida do Brasil (1966), que somam 5 mil membros. Esta última é a igreja
protestante brasileira mais aberta ao ecumenismo. Um de seus fundadores, o
reverendo Jaime Wright (1927-1999), foi um dos religiosos que se destacaram na
luta contra a tortura durante o regime militar de 1964. Na década de 70 surgem
grupos com características pentecostais, como a Igreja Cristã Presbiteriana, a Igreja
Presbiteriana Renovada e a Igreja Cristã Reformada. Pelo censo de 1991, têm 498
mil membros. Os presbiterianos mantêm na capital paulista uma das mais
importantes universidades do Brasil, a Mackenzie.
13.5. Batistas
Os batistas chegam ao Brasil após a Guerra Civil Americana e se estabelecem
no interior de São Paulo. Um dos grupos instala-se em Santa Bárbara d’Oeste (SP) e
funda, em 1871, a Igreja Batista de Santa Bárbara d’Oeste, de língua inglesa. Os
primeiros missionários desembarcam no Brasil em 1881 e criam no ano seguinte,
em Salvador, a primeira Igreja Batista brasileira. Em 1907 lançam a Convenção
Batista Brasileira. Em meados do século, surgem os batistas nacionais, os batistas
bíblicos e os batistas regulares, que somam 233 mil membros. Em 1991, o censo do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, registra 1,5 milhão de
membros em todo o país.
14 – SEITAS
14.1. O Que é Uma Seita?
A. Geralmente é um grupo não-ortodoxo, esotérico (do grego esoterikós, que
significa conhecimento secreto, ao alcance de poucos). Podem ter uma devoção a
uma pessoa, objeto, ou a um conjunto de idéias novas. As seitas costumam fazer
uso das seguintes práticas:
• Freqüentemente isolacionistas – para facilitar o controle dos membros
fisicamente, intelectualmente, financeiramente e emocionalmente.
• Freqüentemente apocalípticas – dão aos membros um enfoque no futuro e
um propósito filosófico para evitar o apocalipse.
• Fornecem uma nova filosofia e novos ensinos – revelados pelo seu líder.
• Fazem doutrinação – para evangelismo e reforço das convicções de culto e
seus padrões.
• Privação – quebrando a rotina do sono normal e privação de comida,
combinados com a doutrinação repetida (condicionamento), para converter
o candidato a membro.
B. Muitas seitas contém sistemas de convicção “não-verificáveis”. Por exemplo,
algumas ensinam algo que não pode ser verificado: Uma nave espacial que vem
atrás de um cometa, para resgatar os membros. Ou, Deus, um extraterrestre ou
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anjo apareceram ao líder e lhe deram uma revelação Os membros são anjos vindos
de outro mundo, etc.Freqüentemente, a filosofia da seita só faz sentido se você
adotar o conjunto de valores e definições que ela ensina. ]
Com este tipo de convicção, a verdade fica inverificável, interiorizada, e
facilmente manipulada pelos sistemas filosóficos de seu(s) inventor(es).
C. O Líder de uma Seita é freqüentemente carismático e considerado muito
especial por razões variadas:
• O líder recebeu revelação especial de Deus.
• O líder reivindica ser a encarnação de uma deidade, anjo, ou mensageiro
especial.
• O líder reivindica ser designado por Deus para uma missão
• O líder reivindica ter habilidades especiais
• O líder está quase sempre acima de repreensão e não pode ser negado nem
contradito.
D. Como se comportam as Seitas?
• Normalmente buscam fazer boas obras, caso contrário ninguém procuraria
entrar para elas.
• Parecem boas moralmente e possuem um padrão de ensino ético.
• Muitas vezes, quando usam a Bíblia em seus ensinos, utilizam também
“escrituras” ou livros complementares.
• A Bíblia, quando usada, é sempre distorcida, com interpretações próprias,
que vão de encontro à filosofia da seita.
• Muitas seitas “recrutam” o Senhor Jesus como sendo um deles, redefinindoo
adequadamente.
E. Algumas seitas podem variar grandemente…
• Do estético ao promíscuo.
• Do conhecimento esotérico aos ensinamentos muito simples.
• Da riqueza e poder à pobreza e fraqueza.
F. Aspectos comuns entre as seitas. Existem muitos aspectos comuns entre as
seitas que têm se disseminado pelo mundo. É importante que nós saibamos
reconhecer suas características, a fim de que não sejamos enganados ou até mesmo
desviados da verdadeira fé cristã.
As seitas subestimam o valor do Senhor Jesus ou colocam-no numa posição
secundária, tirando-lhe a divindade e os atributos divinos como conseqüência:
• Crêem apenas em determinadas partes da Bíblia e admitem como
“inspirados” escritos de seus fundadores ou de pessoas que repartem com
eles boa parte daquilo que crêem;
• Dizem ser os únicos certos;
• Usam de falsa interpretação das escrituras;
• Ensinam o homem a desenvolver sua própria salvação, muitas vezes, sob
um conceito totalmente naturalista;
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• Costumam buscar suas presas em outras religiões, conseguindo
desencaminhar para o seu meio, inclusive, muitos bons cristãos.
G. Quem é vulnerável a entrar para uma seita?
• Todas as pessoas são vulneráveis. Rico, pobre, educado, não-educado,
velho, jovem, religioso, ateu, etc.
• Perfil geral do membro em potencial de uma seita:
o Desiludido com estabelecimentos religiosos convencionais.
o Intelectualmente confuso em relação a assuntos religiosos e
filosóficos.
o Às vezes desiludido com toda a sociedade.
o Tem uma necessidade por encorajamento e apoio.
o Emocionalmente carente.
o Necessidade de uma sensação de propósito, um objetivo na vida.
o Financeiramente necessitado.
14.2. Técnicas de Recrutamento
A. As seitas encontram uma necessidade e a preenchem. As táticas mais
usadas são:
• “Bombardeio de Amor – Love Bombing ” – que é a demonstração constante
de afeto, através de palavras e ações.
• Às vezes há muito contato físico como abraços, tapinhas nas costas, toques
e apertos de mão.
• Emprestam apoio emocional a alguém em necessidade.
• Ajuda de vários modos, onde for preciso. Desta maneira, a pessoa fica em
débito então com a seita e procura de algum modo retribuir.
• Elogios que fazem a pessoa pensar que é o centro das atenções.
B. Muitas seitas usam a influência da Bíblia ou mencionam Jesus como sendo
um deles; dando validade assim ao seu sistema.
• Escrituras distorcidas
• Usam versículos tirados da Bíblia fora do contexto
• Então misturam os versículos mal interpretados com a filosofia aberrante
delas.
C. Envolvimento gradual. Alterando lentamente o processo de pensamento e o
sistema de convicção da pessoa, através da repetição dos seus ensinos
(condicionamento). As pessoas normalmente aceitam as doutrinas de uma seita um
ponto de cada vez. Convicções novas são reforçadas por outros membros da seita.
14.3. Por Que Alguém Seguiria Uma Seita?
A. A seita satisfaz várias necessidades:
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• Psicológica – Alguém pode ter uma personalidade fraca, facilmente
manipulável.
• Emocional – A pessoa pode ter sofrido um trauma emocional recente ou no
passado
• Intelectual – O membro tem perguntas que este grupo responde.
B. A seita dá a seus membros a aprovação, aceitação, propósito e uma
sensação de pertencer a algum grupo.
C. A seita pode ser atraente por algumas razões. Podem ser. . .
• Rigidez moral e demonstração de pureza
• Segurança financeira
• Promessas de exaltação, redenção, “consciência mais elevada” ou um
conjunto de outras recompensas.
14.4. Como as Pessoas são Mantidas na Seita?
A. Dependência. As pessoas querem freqüentemente ficar porque a seita vai de
encontro às suas necessidades psicológicas, intelectuais e espirituais.
B. Isolamento. O contato com pessoas de fora do grupo é reduzido e cada vez
mais a vida do membro é construída ao redor da seita. Fica muito mais fácil então
controlar e moldar o membro.
C. Reconstrução cognitiva (Lavagem cerebral). Uma vez que a pessoa é
doutrinada, os processos de pensamento deles/delas são reconstruídos para serem
consistentes com a seita e ser submisso a seus líderes. Isto facilita o controle pelo(s)
líder(es) da seita.
D. Substituição. A Seita e os líderes ocupam freqüentemente o lugar de pai,
mãe, pastor, professor etc. Freqüentemente o membro assume as características de
uma criança dependente, que busca ganhar a aprovação do líder ou do grupo.
E. Obrigação. O membro fica endividado emocionalmente com o grupo, às
vezes financeiramente, etc.
F. Culpabilidade. É dito para a pessoa que sair da seita é trair o líder, Deus, o
grupo, etc. É dito também que deixar o grupo é rejeitar o amor e a ajuda que o
grupo deu.
G. Ameaça. Ameaça de destruição por “Deus” por desviar-se da verdade. Às
vezes ameaça física é usada, entretanto não freqüentemente. Ameaça de perder o
apocalipse, ou ser julgado no dia do julgamento, etc.
14.5. Como Podemos Tirar Alguém de uma Seita?
A. A melhor coisa é não tentar um confronto direto no primeiro encontro, o
que pode assustar o membro e afastá-lo de você.
B. Se você é um Cristão, então interceda em oração pela pessoa primeiro.
C. Para tirar uma pessoa de uma seita é necessário tempo, energia, e apoio.
D. Ensine a verdade:
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• Dê-lhe a verdadeira substituição para o sistema de convicção aberrante que
ela aprendeu, ou seja, o Evangelho da Graça de Jesus Cristo.
• Mostre as inconsistências da filosofia do grupo, à luz da Bíblia.
• Estude a seita e aprenda sua história, buscando pistas e informações
E. Tente afastá-lo fisicamente da seita por algum tempo, para quebrar o laço
de isolamento.
F. Dê o apoio emocional de que ele precisa.
G. Alivie a ameaça de que se ele deixar o grupo, estará condenado ou em
perigo.
H. Geralmente, não ataque o líder do grupo, deixe isso para depois.
Freqüentemente o membro da seita tem lealdade e respeito para com o fundador ou
líder.
I. Confronte outros membros da seita ao mesmo tempo, somente quando for
inevitável.
Introdução Bibliográfica – 64
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QUADRO COMPARATIVO DAS PRINCIPAIS RELIGIÕES MUNDIAIS
Nome do grupo Fundador Mensagem Igreja Deus Jesus Salvação Ressurreição
de Jesus
Escrituras
Cristianismo
Bíblico
(Protestantismo)
Jesus Cristo Jesus morreu
para salvar
pecadores
Aqueles que são
salvos
Trindade – três
pessoas em um
Deus
Deus em carne.
2ª pessoa da
Trindade
Pela Graça,
através da Fé
somente
Jesus elevou-se
no mesmo corpo
em que Ele
morreu
A Bíblia
somente (66
livros)
Catolicismo
Romano
Jesus, sobre a
pedra que é
Pedro
(considerado
como primeiro
Papa)
Sacramentos,
caridade, culto a
Maria e aos
“Santos”
Os membros da
Igreja Católica
Apostólica
Romana
Trindade – três
pessoas em um
Deus
Deus em carne.
2ª pessoa da
Trindade
Fora da Igreja
Católica
Apostólica
Romana não há
Salvação
Sim A Bíblia (+ 7
livros apócrifos)
+ a Tradição
(Dogmas)
Legião da Boa
Vontade – LBV
Alziro Zarur (04-
03-1949)
Assim como
Jesus, todos
poderão
alcancar a
perfeição após
muitas
reencarnações.
Todos são
cristãos
independente da
religião
Impessoal Não é Deus nem
teve corpo
humano
Através da
caridade e
reencarnações
sucessivas
Não Livros da LBV
Espiritismo
Kardecista
Dr. Hippolyte
Léon Denizard
Rivail, vulgo
Allan Kardec
(1857)
Assim como
Jesus, todos
poderão
alcancar a
perfeição após
muitas
reencarnações.
O Espiritismo é
a Igreja
restaurada e o
Consolador
prometido por
Jesus
Impessoal Não é Deus e
teve corpo
humano
Através da
caridade e
reencarnações
sucessivas
Não Livros de Allan
Kardec e outros
Testemunhas de
Jeová
Charles Taze
Russell (1852-
1916) Fundada
em 1881
Jesus abriu a
porta para
conquistarmos
nossa salvação
144.000 ungidos
que irão para o
céu
Jeová, que é
uma só Pessoa
Não é Deus; é o
Arcanjo Miguel,
a primeira e
única criatura
de Jeová
Obedecendo as
ordens da
Sociedade Torre
de Vigia
Não Bíblia deles
(Tradução do
Novo Mundo) +
literaturas dos
líderes
Maçonaria Anderson e
Desagulliers
(Londres, 1717
Buscar o próprio
aperfeiçoamento
— Impessoal como
força superior
Um grande
mestre
semelhante a
Buda, Maomé, e
etc.
“Erguer templos
à virtude e cavar
masmorras aos
vícios”
Não Rituais e
manuais
secretos
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Adventistas do
Sétimo Dia
Ellen Gould
White -1860
Crer em Jesus e
observar a Lei
Somente os
adventistas
Trindade três
pessoas em um
Deus
Deus em carne.
2ª pessoa da
Trindade
Guardando o
sábado e os
mandamentos
Sim Bíblia e livros de
Ellen White
Mormonismo Joseph Smith
(1805-1844)
fundado em
1830
Alcançar a
divindade pelas
ordenanças do
evangelho
mórmon
Membros da
Igreja de Jesus
Cristo dos
Santos dos
Últimos Dias
Tríade – 3
deuses
Não é Deus. É
irmão de Lúcifer
e dos homens
Salvação pelas
boas obras da
igreja mórmon
Sim A Bíblia, Livro
de Mórmon,
Doutrina e
Convênios,
Pérola de
Grande Valor
Teosofia Madame Helena
Blavatsky
(1831-1891)
fundada em
1875
— — Deus é um
princípio
Um grande
Mestre
— Não A Doutrina
Secreta, Isis
sem Véu, A
Chave para a
Teosofia e A Voz
do Silêncio
Ciência Cristã Mary Baker
Eddy (1821-
1910
Crenças
religiosas
extraídas dos
ensinos de
Jesus. Rejeitam
a expiação
Uma coletânea
de idéias
espirituais
Presença
Impessoal
Universal
Um homem
afinado com a
consciência
divina
Pensamento
correto
Não Ciência e Saúde
com Chave para
as Escrituras,
Miscelânea
Unitarismo Charles
Filmore(1854-
1948) fundado
1889
Os princípios
gerais do
Unitarismo
Uma coleção de
idéias
espirituais
Força Universal
Impessoal
Um homem, não
o Cristo
Adotando a
correta Unidade
através de
principios
Não Revista
Unitarista,
Dicionário
Bíblico de
Metafísica
Moonismo Sun Myung
Moon(1920)
Moon é o Rei
dos reis, e
Senhor dos
senhores, e o
Cordeiro de
Deus.
Igreja da
Unificação
Deus é tanto
positivo como
negativo. Não há
Trindade. Deus
precisa de Moon
para fazê-lo feliz
Jesus foi um
homem perfeito,
não Deus. Jesus
falhou em sua
missão. Moon
vai completar
sua obra
Obediência e
aceitação dos
verdadeiros pais
(Moon e sua
esposa)
Jesus não
ressuscitou
fisicamente
Princípio divino
por Sun Myung
Moon, Esboço
do Princípio,
Nível 4 e a
Bíblia
Cientologia Ron
Hubbard(1954)
Todos são
“thetans”,
espíritos
imortais com
poderes
ilimitados
— Rejeita o Deus
revelado na
Bíblia.
Raramente
mencionado.
Jesus não
morreu pelos
pecados de
ninguém
Salvação é a
libertação da
reencarnação
— Dianética: A
Ciência
Moderna da
Saúde Mental, e
outros de
Hubbard, e A
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Chave para a
Felicidade
Meninos de
Deus
Daniel Brandt
Berg (1968)
Desistir de tudo
para seguir a
Jesus. Já
usaram a
prostituição
para atrair
novos adeptos
Família do Amor Pai, Filho e
Espírito Santo,
mas não
Trindade
Foi uma criação
de Deus.
— — Cartas MO –
cartas escritas
por David
“Moses” Berg.
Mesmo nível de
inspiração do
Antigo e Novo
Testamentos
Nova Era — Todos são
deuses e só
precisam se
conscientizar
disso
— Deus é uma
força impessoal
ou princípio,
não uma
pessoa. Tudo e
todos são Deus.
Não é o
verdadeiro Deus
nem Salvador,
mas um mestre
elevado
O mau carma
tem que ser
compensado
com bom carma
Jesus não
ressuscitou
fisicamente, mas
subiu a um
nível espiritual
mais alto
Escritos I Ching,
hindus,
budistas,
taoístas,
crenças
americanas
nativas e magia
em geral
Hinduísmo — O homem deve
se conformar
com sua
condição para
alcançar uma
vida melhor na
próxima
encarnação
— O Absoluto. Um
espírito
universal
(Brahman).
Vários deuses
são
manifestações
dele
É um mestre ou
avatar (uma
encarnação de
Vishnu). Sua
morte não foi
expiatória
Libertação dos
ciclos de
reencaranção, e
absorção em
Brahman
alcançadas
através da Yoga
e meditação.
— Vedas,
Upanishads,
Bhagavad Gita
Budismo Buda (Siddartha
Gautama em
525 a.C.)
O alvo da vida é
o Nirvana para
escapar do
sofrimento
— Não existe.
Buda é
considerado por
alguns como
uma consciência
universal
iluminada
— O Nirvana
(inexistência)
que pode ser
alcançado
seguindo-se o
Caminho das
Oito Vias
— A Tripitaka (Três
Cestos),que têm
mais de100
volumes
Islamismo Maomé (610
d.C.)
Só Allah é Deus
e Maomé o seu
profeta
— Alá, um juiz
severo. Não é
descrito como
amoroso
É um dentre
mais de 124 mil
profetas
enviados por
Deus a várias
culturas. Não é
Deus, não foi
O equilíbrio
entre as boas e
más obras
determina o
destino eterno
no paraíso ou no
Não ressuscitou,
porque não
morreu
Corão e Hadith.
A Bíblia é
aceita, mas
considerada
corrompida
Religiões e Seitas – 67
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crucificado,
voltará para
viver e morrer
inferno
Judaísmo Deus (o Eterno),
através de
Abraão, formou
o povo escolhido
O Eterno é o
único Deus
— O Eterno,
chamado de
Jeová ou Iavé
Simples judeu Obediência à Lei
e aos
Mandamentos
Negam Tanach (o Velho
Testamento),
dividido em Lei,
Profetas e
Escritos
Umbanda — Solução de
problemas
imediatos com a
ajuda dos
espíritos
— Zambi é único,
onipotente,
irrepresentável,
adorado sob
vários nomes
Oxalá novo Prática de
caridade
material e
espiritual como
meio de
evolução
cármica
— Tradição oral
Candomblé Primeiro templo
erguido na
Bahia, na
primeira metade
do século XIX
Dança religiosa
de origem
africana através
da qual as
pessoas
homenageiam
seus orixás
— Olodumarê,
criador de todas
as coisas, eterno
e todo-poderoso
— Ao morrer o
candomblecista
vai para o
Orum( nove
céus sob o
comando de
Iansã)
— Tradição oral
Ateísmo — A evolução é um
fato científico,
portanto ética e
moral são
relativas
— Não há Deus ou
diabo, uma vez
que não podem
ser provados
cientificamente
Jesus foi um
mero homem
Não há vida
após a morte
Não há
ressurreição,
pois não existem
milagres

Introdução Bibliográfica – 68
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