Psicologia da Religião
– O Íntimo do Homem e sua Fé

TEOLOGIA
PASTORAL
Bacharelado em
Psicologia da Religião – 2
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SUMÁRIO
1 – INTRODUÇÃO A PSICOLOGIA DA RELIGIÃO ………………………………………………..3
2 – PSICOLOGIA, RELIGIÃO E CRISTIANISMO…………………………………………………..3
3 – SÍMBOLO ………………………………………………………………………………………………5
3.1. DIFERENCIANDO SIGNO, SINAL E SÍMBOLO………………………………………………………….5
4 – DEUS ……………………………………………………………………………………………………6
5 – O CRISTIANISMO……………………………………………………………………………………7
6 – AQUISIÇÃO DO CONHECIMENTO RELIGIOSO ………………………………………………8
6.1. VIVÊNCIA DA REVELAÇÃO ………………………………………………………………………………8
7 – CONCLUSÃO ……………………………………………………………………………………….. 13
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1 – INTRODUÇÃO A
PSICOLOGIA DA RELIGIÃO
A Psicologia, como área da ciência vem se desenvolvendo na história desde
1875, quando Wilhelm Wundt (1832-1926) criou o primeiro Laboratório de
Experimentos em Psicofisiologia, em Leipzig, na Alemanha. Esse marco histórico
significou o desligamento das idéias psicológicas de idéias abstratas e espirituais
que defendiam a existência de uma alma nos homens, a qual seria a sede da vida
psíquica. A partir daí, a história da Psicologia é de fortalecimento de seu vínculo
com os princípios e métodos científicos. A idéia de um homem autônomo, capaz de
se responsabilizar pelo seu próprio desenvolvimento e pela sua vida, também vai se
fortalecendo a partir desse momento.
Hoje, a Psicologia ainda não consegue explicar muitas coisas sobre o homem,
pois é uma área da Ciência relativamente nova (com pouco mais de cem anos). Além
disso, sabe-se que a Ciência não esgotará o que há para se conhecer, pois a
realidade está em permanente movimento e novas perguntas surgem a cada dia, o
homem está em movimento e em transformação contínua, colocando também novas
perguntas para a Psicologia.
A psicologia da religião é um tema bastante abrangente e complexo, pois trata
de questões relacionadas ao que há de mais íntimo no ser humano, sua vida
psíquica e sua fé ou religiosidade. São questões muitas vezes difíceis de serem
comprovadas cientificamente, a não ser pela observação de seus efeitos revelados
no comportamento das pessoas. A psicologia da religião se interessa pelo estudo
das funções psíquicas que intervêm na vida psíquica religiosa, como o sentimento, o
desejo, à vontade, o pensamento e a representação mental ou imagem, e também
pelos modos unitários de funcionamento das vivências religiosas e a atitude diante
do sagrado, tal como aparecem em múltiplas formas da atividade religiosa.
A psicologia da religião é uma ciência relativamente jovem. O seu tema central
é a vivência religiosa, suas causas e seus efeitos. Trata-se de um estudo
fenomenológico, levando em consideração as diversas manifestações de
religiosidade. Utiliza-se de exemplos bíblicos para explicar diversas situações, pois
existem profundas observações sobre a vida religiosa interior no Livro Sagrado;
temas de psicologia religiosa podem ser dali extraído. Entretanto, apenas
recentemente a investigação da vida interior religiosa tem sido feita de forma
metódica, baseando-se na observação empírica.
2 – PSICOLOGIA, RELIGIÃO E
CRISTIANISMO
O que é a verdade? “Quid est veritas”? Todas as filosofias têm procurado a
resposta a esta pergunta fundamental para a religiosidade humana. As pessoas têm
apresentado a sua verdade em contraposição àquilo que consideram falsidade; cada
uma possui a sua verdade em matéria de religião. Por isso se diz que religião não se
discute. A alternativa verdade-falsidade é uma das medidas mais primordiais e da
qual o ser humano não pode prescindir nem tampouco a consegue definir.
Outro conceito difícil de definir, mas que importa para a discussão da
religiosidade, é a realidade. O que é real? O que é ilusório? As descobertas
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científicas têm trazido a lume algumas realidades. Entretanto, quando são feitas
novas descobertas, aquelas já se consideram apenas aparências e não realidade.
Hoje não existem respostas científicas absolutas, pois os cientistas sempre estão
descobrindo novas realidades.
Os psicólogos, por sua vez, confrontam-se com outro problema: subjetividade
ou objetividade? Subjetivo seria aquilo que é diretamente vivido e que está, de certo
modo, confinado à própria pessoa. Objetivo seria tudo aquilo que pode ser
comprovado e observado também por outras pessoas. Nem sempre os fatos
objetivos interferem do mesmo modo na vida das pessoas, pois cada uma reage de
certa forma aos mesmos fatos; daí o subjetivo. Em matéria de percepção, todos
concordam que varia conforme a luminosidade, as substâncias, o ângulo da
observação, de modo que cada pessoa pode perceber a realidade de determinada
forma.
Por isso, a Psicologia se limita a estabelecer em que condições e de acordo com
que relações ocorrem um determinado fato psíquico, mas não pode estabelecer se
tal fato ocorre ou não realmente: a percepção do movimento ou da causalidade pode
ocorrer com movimentos e relações causais tanto reais quanto aparentes. Um
sonho se distingue da realidade, mas apenas quando estamos acordados, pois
quando estamos dormindo, o sonho parece realidade.
O comportamento emotivo é muito importante para valorizarmos uma
situação, pois podemos nos comportar levados pelos sentimentos e não pela
realidade em si. Jung afirmou que a realidade é tudo aquilo que atua: “es ist
wirklich, was wirkt”. O que está carregado de significado emotivo isso é o real. Daí,
o psicólogo não poder afirmar se há ou não uma realidade distinta da realidade
psíquica; ele se limita a estabelecer como se constrói o real na realidade psíquica.
Isso marca os limites das possibilidades do psicólogo como estudioso dos fatos
psíquicos.
Para a Psicologia, todos os fatos religiosos são explicáveis em termos
psicológicos e na concatenação psicológica deles não há lacunas que exijam outras
causas além das psicológicas. Essa afirmativa acaba excluindo a possibilidade de
causas extra-psicológicas ou extra-subjetivas. A religião, neste caso, apenas
expressa necessidades humanas. Entretanto, a religião não é apenas uma realidade
subjetiva; é uma instituição social. Além disso, no ato religioso se estabelece a
comunicação com algo ou alguém que está fora do sujeito.
A experiência religiosa é vivenciada como ação de algo estranho, que a pessoa
admira e com o qual trata de estabelecer comunicação. Não se trata de objetos aos
quais se dirijam atos psíquicos ou tendências, e sim de um objeto distinto daqueles
aos quais se dirigem atos ou tendências, que se apresenta como o fundamento de
todos os objetos, ao qual não pode escapar nem mesmo o sujeito. Na religião há
indicações que não devem ser subestimadas:
• Sua exigência de dirigir-se a algo real, independente e não fantástico,
fictício;
• A nota de presença de algo nitidamente distinto da experiência comum;
• A posição receptiva, não ativa, diante desse algo operante;
• O esforço de comunicar-se com ele e de compreendê-lo racionalmente;
• A relação com o mistério, imediata, misteriosa, regozijante, terrível, para
alguns, e imperceptível, doce e persuasiva, para outros.
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Portanto, a religiosidade não pode ser avaliada apenas do ponto de vista
psicológico, mas também deve considerar as observações da Filosofia, da História,
das ciências da natureza e das diversas religiões existentes, que mostrarão uma
possibilidade a mais: a revelação. A religião não pode ser avaliada apenas
objetivamente, mas também subjetivamente. Há a presença de um mistério e a
necessidade de uma participação nele. Por isso, constroem-se os símbolos que
significam a substituição da realidade por um sinal. O mundo religioso não se apresenta
com a frieza do mundo da ciência, mas com o fervor dramático e até mesmo
trágico do mundo humano.
3 – SÍMBOLO
A realidade que nos circunda está intimamente ligada ao símbolo.
Conhecemos determinada fruta e a denominamos de maçã, que é um símbolo para
aquela fruta. A palavra é o representante do objeto; não preciso do objeto para
referir-me ao mesmo, pois existe uma palavra, um símbolo que o representa.
Quanto nos referimos à altura, profundidade, luz, indicamos condições que não
existem isoladamente, mas sim em relação aos objetos; são qualidades abstratas.
Essas qualidades abstratas também podem ser atribuídas a pessoas.
3.1. Diferenciando Signo, Sinal e Símbolo
Há diferença entre signo, sinal e símbolo. O signo ou sinal indica a presença
de algo, sem revelar a natureza desse algo. A bandeira indica uma nação, mas, não
revela as características do país; o toque de trombeta indica um acontecimento sem
explicar seu sentido. Para os animais, a compreensão dos signos e sinais é inata ou
adquirida. No ser humano, os sinais podem ser convencionais ou variáveis e,
portanto, aprendidos. Quando aprendemos um idioma, mudamos os sinais, mas
mantemos o significado. O sinal apenas indica o que já conhecemos, seja por
capacidade inata seja adquirida. Entre o sinal e o símbolo corre a linha divisória
entre as capacidades dos animais e as capacidades próprias do ser humano.
O símbolo é menos direto do que o sinal, implicando um valor cognoscível e
emotivo em razão do que simboliza. A linguagem poética e religiosa somente é
possível através de símbolos. Há símbolos convencionais, que variam de cultura
para cultura ou interesse para interesse: o branco para os europeus simboliza a
paz; para os chineses, o luto. Segundo Ernst Cassierer, sinais e símbolos pertencem
a dois mundos diferentes: o sinal, ao mundo físico; o símbolo, ao mundo intelectual.
Os sinais, quando são compreendidos e adotados como tais, têm um tipo de
existência física e substancial; os símbolos têm somente um valor funcional. Assim,
o símbolo é um meio de expressão do mito e da alegoria. Por isso existe a
desmitologização do mito, que significa uma interpretação existencial do mesmo.
O simbolismo é importante na vida do ser humano porque, sem ele, apenas
restariam às necessidades físicas e os interesses práticos. Não haveria o mundo
ideal apresentado pela religião, pela arte, pela filosofia ou pela ciência. O
simbolismo se torna difícil e embaraçoso para o psicólogo, primeiro porque pode
cair no erro de tratar seus próprios símbolos como objetos concretos. Por outro
lado, a psicologia talvez seja a ciência em que a heterogeneidade dos símbolos seja
mais abundante e complexa. Alguns termos utilizados em outras áreas de estudo,
são utilizados pela psicologia de um modo diferente, simbólico. Por exemplo: da
matemática chegaram à psicologia os seguintes termos: quantidade, gradiente e
outros; da física: ação, reação, campo, energia; da química: reativo, sublimação; da
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biologia: valor de sobrevivência, instinto; e assim por diante. A luz e a escuridão,
dois acontecimentos fisicamente definidos, adquirem uma conotação simbólica de
liberdade e alegria (a luz) e de isolamento e temor (a escuridão), que penetram na
experiência subjetiva de maneira profunda.
Assim, tanto o psicólogo como o homem religioso precisa falar de coisas que
somente podem ser expressas simbolicamente. O símbolo religioso expressa uma
experiência vivida, à qual faltam referências sensoriais apropriadas e que brotou de
um estado afetivo profundo: a experiência do sagrado. O psicanalista, por sua vez,
trabalha com o inconsciente simbólico para chegar à realidade psicológica própria.
O ser humano, diferente dos animais, consegue distinguir o símbolo do seu
significado. Assim, quando as diversas religiões possuem uma concepção de um
Deus pessoal, reconhecem que isto é uma forma de compreendê-lo dentro de suas
limitações humanas.
Paul Tillich explica o aparente caos do simbolismo religioso: “A chave que
coloca ordem neste caos é relativamente simples: qualquer coisa na realidade pode
imprimir-se como símbolo de uma especial relação da mente humana com seu
último fundamento e seu último significado. Assim, para abrir a porta,
aparentemente fechada, desse caos de símbolos religiosos, basta perguntar: Qual é
a relação última que se simboliza nestes símbolos? Então deixam de ser sem
sentido e se convertem nas criações mais reveladoras da mente humana, as mais
genuínas, as mais poderosas, as que controlam a consciência e acaso também o
inconsciente, e têm, portanto, a tremenda tenacidade que é característica dos
símbolos religiosos na história das religiões”. Enquanto que tornar o símbolo em
absoluto leva à idolatria, o reconhecimento de seu significado coloca em
comunicação com a Realidade última.
4 – DEUS
Foi Deus quem criou o homem à sua imagem e semelhança ou foi o ser
humano quem criou Deus à sua própria imagem? O que o ser humano denomina
Deus apresenta simbolicamente características tipicamente humanas. As diferentes
concepções de Deus nas diversas religiões, bem como dentro de uma mesma
religião, demonstram que Deus é uma elaboração, uma projeção da atividade
psíquica do ser humano, que se mantém e transmite pela tradição. À primeira vista,
parece que o psicólogo e o teólogo se tornam antagônicos. Entretanto, o psicólogo
não nega a divindade, mas alerta o ser humano para que não se perca na multidão
de deuses que tem criado. Neste sentido o teólogo é um aliado do psicólogo, pois
também rejeita todas as projeções, sublimações, criações dos sonhos, dos temores,
dos desejos; rejeita todos os deuses inventados pelas necessidades humanas. A
inteligência humana incentiva o ser humano a buscar o Ser Último, Supremo.
Para o teólogo, Deus é diferente do que pensamos acerca dele; quando
acreditamos que o definimos completa e seguramente, ou que estabelecemos um
princípio universal e absoluto, justamente não é dEle que falamos, mas de nossa
pobre imaginação de um Ser que sempre nos transcende e acerca de quem nossas
definições e símbolos são inadequados. Deus corre o perigo de converter-se em
ídolo. Por isso, existe a exortação na tradição judaico-cristã: “Eu sou o Senhor
Deus; não terás outros deuses diante de mim”.
Uma das afirmações religiosas mais discutidas pelos cientistas é a do Deus
pessoal. Por que se fala de um Deus pessoal? Justamente para acentuar seu
caráter de superioridade como “pessoa”. “Deus pessoal” quer dizer que é pessoa
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“supra-pessoal”, não “infra-pessoal”, como se entende no monismo e no panteísmo,
nos quais se destrói a relação em “tu a tu”, que une Deus ao homem. Se a fantasia
mitológica pode criar deuses, não pode elaborar a idéia de Deus, que transcende a
todos os elementos de experiência, que formam a mitologia. O conceito de
onipotência expressa à convicção religiosa de que nada nem ninguém podem evitar
a ação de Deus sobre os homens e o mundo. Para Tillich, o verdadeiro cientista
“adota a humilde atitude diante da grandiosidade da razão encarnada na existência,
que, em seu abismo mais profundo, é inacessível ao homem”. Por causa da
superioridade de Deus, o ser humano busca na religião constituída uma revelação
de Deus.
5 – O CRISTIANISMO
O Cristianismo é uma religião institucional, que se apresenta como religião
revelada por Deus, com todas as exigências de verdade, realidade, mistério,
incondicionalidade, que são próprias de Deus. Seus começos históricos remontam à
fé de um pequeno povo nômade num Ser único, o Deus verdadeiro, em sua
majestade inacessível, mas inexoravelmente presente nos incidentes e na história
dos seres humanos. Segundo a história bíblica, a afirmação de um Deus único e
soberano é contínua e categórica, diante da proliferação de divindades. O
monoteísmo bíblico é diferente do monoteísmo greco-romano; este é proveniente da
admissão de um poder soberano, misterioso, acima dos deuses singulares. Essa
afirmação continuará no Judaísmo e no Islamismo. O Cristianismo afirma ser a
continuação da revelação do Deus único, do Deus dos patriarcas, de Moisés e dos
profetas, que culmina na revelação plena, na Encarnação, em Jesus, Deus e
homem. Jesus, com sua doutrina e vida, é Deus invisível feito homem. O mistério
de Deus se acentua com esta comunicação à humanidade, pois, se nos permite
aproximarmos dEle, não nos consente compreendê-lo. A comunicação de Deus à
humanidade continua com a constituição de uma comunidade íntima entre os
crentes: a Igreja.
A história bíblica é a história da revelação de Deus, que não se compara a um
tratado científico, filosófico ou histórico. Entretanto, a Igreja defende o valor da
razão, capacidade mais elevada do ser humano que lhe permite conhecer Deus. A
Bíblia não se assemelha aos mitos e utopias de outras religiões, pois apresenta toda
realidade da raça humana, com seus altos e baixos, suas capacidades, qualidades e
seus defeitos. Do Gênesis ao Apocalipse, aparece um simbolismo insistente e
hermético, muitas vezes difícil de ser compreendido; entretanto, sempre demonstra
a luta entre o bem e o mal, sob a soberania de Deus Redentor, triunfando
definitivamente o bem.
O Cristianismo apresenta uma doutrina e uma conduta, com uma ordem
imutável: Deus criador e criatura “feita à imagem e semelhança de Deus”, com
capacidade de compreender e de reger-se a si mesma, de forma autônoma. O
conhecimento e a liberdade são as qualidades divinas do ser humano, que
justamente lhe conferem a autonomia de adorar a Deus ou de rebelar-se contra Ele.
Entretanto, assim como Deus criou o ser humano, no princípio, criou-o novamente
em Jesus Cristo, fazendo-o filho, à imagem e semelhança de seu Filho Jesus. O
Cristianismo anuncia, pois, um humanismo pleno, íntimo e perfeito.
A redenção possibilita a aproximação e a comunicação, a comunhão com Deus
(1 Jo 4.10-13). Em sua missão carismática, a Igreja transmite o dom de Deus, a
graça, que é comunhão com Deus e comunhão dos cristãos. Convencido de que a
Igreja agrupa os crentes e os filhos de Deus, o cristão deve olhar com respeito às
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outras religiões, nas quais admira a aspiração comum para Deus, que se manifesta
ali de forma desordenada, caótica e contraditória. A Igreja está cheia de
imperfeições; não obstante, está caminhando e procurando a plenitude perfeita.
6 – AQUISIÇÃO DO
CONHECIMENTO
RELIGIOSO
No conjunto da vida psíquica, os modos vivenciais, diferenciados
conceitualmente das funções da percepção sensorial, da representação mental, do
pensamento, do sentimento, do impulso e da vontade, correspondem a qualidades
nucleares simples, que não podem referir-se a outra qualidade vivencial. Para as
ações da vontade, isto somente é certo com respeito à sua direção ao objetivo, e não
a respeito da atualização, mais ou menos ampla, das possibilidades funcionais psíquicas,
provocadas por esta orientação. Por isso, é necessário estudar as formas de
aquisição de conhecimento complexas, as mais importantes para a psicologia da
religião, por seu papel na formação da esfera de representações e convicções
religiosas.
Estas formas são as seguintes: apropriação psíquica, relações de
comportamento com o ambiente, experiência e vivência da revelação.
6.1. Vivência da Revelação
A vivência de revelação constitui um ato de aquisição do conhecimento
religioso de categoria única. Com freqüência, adquire as dimensões de uma grande
vivência religiosa de qualidades numinosas. Não significa a decisão de abrir-se à fé,
converter-se a Deus. Significa uma manifestação extraordinária de Deus. Esta
manifestação ou anúncio acontece na forma de uma comunicação, uma aparição ou
um ato poderoso. Esta experiência de revelação não pode ser comparada ao mero
aparecimento de uma idéia esclarecedora ou inspiradora, na mente do cientista, do
pensador ou do artista, mesmo que a idéia seja religiosa.
A. Características. Para que a vivência seja considerada revelação, deve
possuir determinadas características. As principais são: seu caráter extraordinário
e sua origem divina. Sua manifestação e/ou seu conteúdo excedem as
possibilidades da ordem natural das coisas. Se não houver o efeito da ação divina
com o caráter de manifestação sobrenatural não se pode falar de vivência de
revelação. A manifestação pode ser vivida por uma pessoa a partir de um deus ou
de vários deuses. Na revelação, a comunicação é essencial, isto é, a transmissão de
conhecimento, a relação entre um que pensa e possui a capacidade de adotar
resoluções e outro que é capaz de compreender e querer compreender. Isto quer
dizer que a comunicação é de pessoa a pessoa; e mais, pessoa divina e pessoa. Sem
a relação com Deus não será revelação. Como exemplos, estão à experiência de
Moisés e a sarça ardente e a de Paulo, no caminho de Damasco.
A comunicação, entretanto, não precisa ser dialógica, isto é, não prescinde do
diálogo, a exemplo da escada no sonho de Jacó (Gn 28.11-17) e o batismo de Jesus
Cristo (Mc 1.11). Como respostas à vivência de revelação podemos colocar o
assombro, o arrependimento, a realização da tarefa ordenada.
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A revelação pode ser dada a um grupo de pessoas ou a uma determinada
pessoa. São consideradas revelações simplesmente pessoais àquelas que dizem
respeito às suas relações com Deus, como a fé, a oração, a fidelidade. Neste caso, a
consciência de ser objeto de uma especial e única comunicação de Deus produz
uma profunda impressão, uma atenção redobrada, uma viva atividade intelectual e
emoções e tendências bastante intensas, em geral positivas. A transmissão de
conhecimento é percebida, mais ou menos claramente, como infalível. O objetivo da
revelação é percebido, bem corno os modos de conduta e o cumprimento das ordens
dadas. Esta conscientização acontece como penetrante intuição ou como resultado
de reflexão ou exame.
O conteúdo da comunicação divina diz respeito aos seguintes aspectos: atos
de poder e salvação, ensinamentos e preceitos, coisas novas ou recordação de
coisas conhecidas, estímulos e advertências, elogios e censuras, promessas e
ameaças, prêmios e castigos, júbilo e queixas. Esta temática pode ser encontrada
na revelação dada aos profetas do Antigo Testamento. É importante aqui
estabelecermos a diferença entre visões místicas e visões proféticas; aquelas se
referem unicamente à vida religiosa pessoal e à perfeição do visionário; as proféticas
estabelecem a difusão da mensagem.
B. Consciência na Revelação. Para a psicologia da religião é importante
compreender o grau de consciência na vivência da revelação. Quando recebe a
revelação, a pessoa está consciente? É necessário, primeiro, definir consciência.
Diversos autores, como Geyser, Lersch e Willwoll, dentre outros, fornecem valiosas
contribuições a respeito, mas suas idéias não podem ser expostas num espaço
reduzido e não são necessárias para o nosso propósito. Nas pessoas, sem dúvida,
há um estado de consciência simples, imediata, e um estado de consciência
reflexiva. A primeira é o mero conhecimento da vivência atual. A outra significa uma
consciência sobre si mesmo, sobre seu estado de ânimo, suas intenções e atos.
Além dessas há a consciência de direção, que permite o pleno conhecimento da
direção própria do eu nas decisões de todo tipo. O sonho, o sonambulismo, o
hipnotismo, a concentração, o êxtase, a experiência mística – cada qual apresenta
um estado de consciência. A concentração é uma fase preparatória para as formas
especiais de consciência extática e mística.
A concentração se inicia mediante um autêntico ato de vontade, de uma clara
decisão consciente, com fixação do objetivo e determinação de alcançá-lo. Necessita
de uma separação do meio ambiente e calma do espírito. A concentração leva ao
êxtase, em que a distinção entre o eu e o objeto se perde quase totalmente; a perda
total da consciência do eu está mais além da consciência extática. Todos os êxtases
não devem ser considerados de natureza mística, indiscriminadamente, porque fora
do âmbito místico também pode haver êxtase. A consciência mística, por sua vez,
acontece quando o “totalmente outro”, situado além do cognoscível, intervém.
Mesmo assim, nas revelações experimentadas em consciência mística, pela
narrativa dos místicos, comprova-se que a revelação acontece com bastante
claridade da consciência. Isto se percebe no cumprimento ou realização das ordens
reveladas.
Nos sonhos, o estado de consciência é simples, pois a pessoa tem plena
consciência do significado do sonho; às vezes, a revelação acontece já em estado de
vigília, logo após o sonho. Assim ocorreu nos sonhos de José do Egito (Gn
37.40,41), de Samuel, a respeito do castigo aos filhos de Eli (1 Sm 3) ou de José no
Novo Testamento (Mt 1.20; 2.30). Jacó, logo após despertar do sonho da escada,
sentiu medo e expressou em palavras sua numinosa vivência (Gn 28.17).
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C. Autenticidade da Revelação. Quando a pessoa recebe uma revelação,
preocupa-se a respeito do autêntico sentido da comunicação divina. Este pode ser
único, mas também pode ter várias interpretações. Como exemplo de significado
único foi a instrução dada a José, em relação a Jesus e Maria: “Dispõe-te, toma o
menino e sua mãe, foge para o Egito e permanece lá até que eu te avise” (Mt 2.13). A
comunicação divina pode ter diversos sentidos quando se efetuam em forma de
metáforas, símbolos e alegorias. Muitas vezes a própria metáfora fica mais gravada
na mente do que o seu significado, como no caso da parábola das dez virgens:
recordamos mais a própria alegoria do que a advertência de estarmos vigilantes
para a volta do Senhor (Mt 25.1-13). A comunicação divina em metáfora é completamente
compreendida quando vem acompanhada da explicação, como no caso da
parábola do semeador (Lc 8.11) ou das mensagens às sete igrejas (Ap 1.20).
É necessário ressaltar ainda que uma comunicação experimentada por uma
pessoa não pode ser qualificada de revelação somente porque seu conteúdo referese
ao âmbito religioso. A comunicação pode referir-se a escapar de um perigo,
vencer os inimigos, achar um bom caminho, encontrar algo perdido etc. A vivência
de revelação acontece de um modo sobrenatural e seu conteúdo também é sobrenatural.
O caráter do sobrenatural pode ser em primeiro grau quando o próprio
Deus se revela (Dt 31.15; Ex 20.2), isto é, quando há um auto-testemunho de Deus.
Isto também ocorre de forma implícita, como no caso de Abraão (Gn 11.18).
O caráter do sobrenatural pode ser também em segundo grau, quando Deus
utiliza um mediador que transmite a Palavra de Deus. Nos livros dos profetas
repetidamente se lê: “Assim diz o Senhor”. Nos tempos do Antigo Testamento era
muito comum a forma de revelação em sonhos; nos dias do Novo Testamento, esta
forma diminuiu em quantidade. Nos dias de hoje, apenas excepcionalmente se
aceita o caráter de revelação de algum sonho. Para que o sonho e seu conteúdo
sejam considerados revelação, é necessário que existam outras características,
como o testemunho de si mesmo de Deus ou de sua mensagem, ou um conteúdo
sobrenatural, ou uma grande vivência de conversão.
A origem sobrenatural da comunicação pode ser percebida no caráter
extraordinário do conteúdo, como no caso do anúncio da ruína dos povos da
antiguidade, do nascimento de um filho, num casamento de anciãos (Lc 1.13), o
pagamento das dívidas com o azeite das vasilhas (2 Re 4.7). Uma característica
marcante da revelação é a certeza de que se dirige àquela pessoa específica; isto
pode acontecer através de uma prova (Gideão e o novelo de lã), de uma certeza
(Filipe e o eunuco), ou pode acontecer de um modo físico, como no Sinai (Ex
19.16ss). A escolha da pessoa a receber a revelação também pode ser de forma
expressa, como o chamamento de Samuel, à noite (1 Sm 3.3ss). A revelação pode
ser o anúncio de uma missão, ou de coisas futuras, ou de algo referente a Deus ou
a um de seus santos.
Por isso, pode-se afirmar que se distinguem dois tipos de forma em que é
transmitida a comunicação sobrenatural: o primeiro tipo refere-se às comunicações
efetuadas mediante atos extraordinários do poder de Deus, que modificam de
maneira ostensiva o curso natural das coisas (os milagres); o segundo tipo refere-se
às manifestações de Deus. No primeiro há uma vivência de revelação em atos ou em
modificações; no segundo, há a vivência de revelação de aparição.
As modificações extraordinárias ou milagres podem acontecer na esfera
pública ou pessoal; em ambos os casos podem se tratar de modificações psicoespirituais
ou material-corporais. Na esfera pública, podemos mencionar a salvação
diante do exército inimigo; ficar incólume em meio a desastres econômicos ou
políticos; escapar de terremotos ou vendavais; a conversão de uma cidade inteira
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como no caso de Nínive; etc. Na esfera pessoal, pode-se mencionar a transformação
de pessoas em seu caráter e temperamento, ao converterem-se a Jesus Cristo;
curas as mais diversas; etc. O termo milagre precisa ser definido, principalmente
por causa da crítica teológica. Tomás de Aquino denominava de milagre a tudo que
procedesse de Deus e se produzisse fora das causas conhecidas por nós. Nos estudos
modernos, destaca-se o caráter distintivo do conceito de milagre, afirmando que
é um fato extraordinário “cujo significado intrínseco consiste em servir de objetivo
da perfeição sobrenatural do homem”.
As revelações de aparição podem ser vivências sensoriais, imaginativas ou
puramente intelectivas. As sensoriais acontecem com a presença dos seres, como
no caso de Jesus ressuscitado. As imaginativas e as intelectivas são as
representações mentais vividas como inspiradas por Deus ou como anúncio divino.
D. Fenômenos de Vivência. Finalizando, vamos ainda considerar as vivências
de revelação em suas manifestações ou fenômenos. Existe uma série de fenômenos
milagrosos que proporcionam vivências de revelação, como: curas, exorcismo,
profecias de coisas futuras, conhecimento de fatos íntimos e ocultos, visões e
audições. Os progressos da investigação psiquiátrica, psicológica profunda e parapsíquica
têm demonstrado a possibilidade e a certeza científica de que a causa
destes fenômenos se encontra na própria natureza psicofísica do indivíduo. Pode-se
afirmar que uma vivência de revelação não pode ser considerada verdadeira quando
pode ser explicada totalmente como fenômeno psicológico.
Não compete à psicologia indagar sobre a causa da vivência; entretanto,
compete-lhe investigar as premissas e as circunstâncias empiricamente
determináveis que fosse requeridas para que exista uma vivência de revelação. O
primeiro fenômeno a considerar, que proporciona a vivência de revelação, são as
curas. As curas milagrosas dizem respeito a um processo curativo no qual houve
uma intervenção decisiva de cunho sobrenatural. Benedito XIV estabeleceu alguns
critérios para reconhecer as curas milagrosas: a enfermidade era grave sem
perspectivas de melhoras; a cura veio repentinamente; não houve retrocessos na
cura; não se aplicaram medicamentos. Quando existe o convencimento pessoal de
que se poderá obter a cura, acrescentado da fé na onipotência e misericórdias
divinas e fortalecido com as manifestações das instituições religiosas e com a fé dos
cristãos – a cura pode acontecer, se assim for da vontade de Deus.
Outro fenômeno, que proporciona a vivência de revelação, são os exorcismos.
A possessão demoníaca é o estado em que as funções corporais e psíquicas da
pessoa se acham submetidas de modo extraordinário ao despótico governo dos
demônios. A realidade da possessão demoníaca é garantida pela tradição sagrada e
pela prática ritual das religiões. Os seguintes sinais podem ser apontados: pensamentos
e imagens extremamente contrários a Deus e à religião; palavras e frases
blasfemas, contra a vontade pessoal; conduta escandalosa oposta a seu modo de
ser anterior. Na possessão se alternam três fases: repouso, posse e crise. No
repouso, o indivíduo afetado apenas se dá conta do domínio exercido pelo demônio;
na posse, a atividade do conhecimento e da vontade está diminuída, e o tormento
psíquico e o poder sobre o corpo são vivamente sentidos; na crise acontece um
transe, com pouca sensibilidade a dores físicas. Segundo Oesterreich, o estado ele
possessão se caracteriza exteriormente por uma alteração do rosto, com expressão
de terror e repulsão; a voz se modifica; o comportamento se torna grosseiro e
asqueroso; os movimentos são excêntricos e efetuados com grande força.
Vários grupos religiosos empregam rituais diversos para realizar o exorcismo:
orações, invocação de nomes divinos, citações de passagens de livros sagrados,
gestos simbólicos, emprego ele água benta e objetos sagrados. Durante o ritual de
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exorcismo, o demônio confessa o seu nome e os atos que obrigou a pessoa a
cometer; é chamado o “sermão do demônio”, em que se manifesta o seu poder sobre
os possessos. No ato da expulsão do demônio, acontecem movimentos convulsivos,
que denotam a resistência do demônio em deixar o corpo. Quando é expulso, há
penetrantes gritos e o corpo se agira violentamente. Logo a seguir, a pessoa
permanece completamente quieta e sua mente volta funcionar livremente.
A psicologia pode explicar numerosos casos pela ação de causas naturais; a
crença na possessão demoníaca é produzida pela influência do ambiente, do povo,
da religião e resulta em medo dos seres diabólicos. Tudo tem a ver com a história
pessoal e com a anormalidade de seu estado psíquico. Algumas reações podem ser
explicadas pelo estado psicótico. Quando se realiza um ritual de exorcismo, as
condições da pessoa perturbada psiquicamente podem melhorar, mesmo que o seu
caso não seja de possessão. É preciso haver discernimento para reconhecer quando
é um problema psíquico e quando é realmente possessão demoníaca, para que seja
efetuada a expulsão e haja uma vivência de revelação autêntica. Winkhofer afirma:
“Aquele que tem o dom do discernimento de espíritos (l Co 12.10) descobre com
muito maior freqüência a oculta e terrível presença de Satanás numa alma”.
Os efeitos do exorcismo é que vão comprovar a sua veracidade. A cura deve ser
imediata e duradoura. O paciente reconhece que foi curado porque tem a
consciência de possuir novamente a liberdade no uso de suas faculdades e que
desapareceram as formas de expressão diabólicas. Qualquer coisa que acontece na
vida de uma pessoa que não pode ser explicada pela psicologia certamente
comprova a presença demoníaca, como por exemplo, a expulsão de areia, pedaços
de vidro, ferro, alfinetes e agulhas, como aconteceram com uma mulher atendida
pelo padre J. Chr. Blumhardt, durante um ano e meio. Na verdade, quanto mais
contrárias e prejudiciais à salvação sejam as manifestações, mais fundamentada é
a interpretação de que sua origem é diabólica.
Outro fenômeno, que proporciona a vivência de revelação, são as profecias. As
profecias, as adivinhações de fatos desconhecidos, especialmente os futuros,
influem consideravelmente no mundo de representações e pensamentos religiosos.
Sabemos que as profecias têm originado grandes movimentos religiosos, têm
determinado a formação de grupos religiosos, têm impulsionado a sacrifícios e empreendimentos
e também têm trazido abatimento e desespero. As profecias que nos
interessam são as confirmadas pelos fatos e a possibilidade de terem causas
psíquicas naturais. Devemos considerar se o acerto das predições se deve à
intervenção divina ou demoníaca.
Como possíveis causas de predições acertadas devemos considerar alguns
fenômenos parapsíquicos: a telepatia, a clarividência e a precognição, que são
percepções paranormais ou extrasensoriais, isto é, não são sentidas com os órgãos
dos sentidos. São produzidas em estado de transe, isto é, com a consciência
diminuída. O transe pode ser conseqüência do desequilíbrio afetivo ou fisiológico;
pode surgir espontaneamente ou ser sugerido mediante o uso de técnicas, químicas
ou do tipo mágico. O conteúdo pode ser exteriorizado em palavras inconscientes,
escrita automática ou sacudidelas de objetos. Telepatia é a transmissão ou
captação de processos psíquicos de uma pessoa a outra, sem a intervenção dos
sentidos. Clarividência é a percepção de fatos ou coisas espaço-temporais sem a
intervenção das funções sensoriais; geralmente se relaciona a fatos terríveis e
alarmantes. Para Amadou, em concordância com a maioria dos investigadores, a
telepatia pode ser melhor comprovada cientificamente do que a clarividência. A
precognição é um fenômeno bem próximo à profecia, mas não tem o mesmo caráter
sobrenatural.
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Podemos admitir, mediante pesquisas feitas pelos estudiosos, que não se pode
excluir a possibilidade de existirem faculdades paranormais em pessoas altamente
religiosas, mas não estão relacionadas com o nível de valor moral e religioso. Há a
possibilidade, então, de fenômenos psíquicos intervirem nas vivências de revelação.
Apesar de algumas semelhanças e concordâncias entre as autênticas vivências
de revelação e as vivências devidas à sugestão ou de origem anormal ou patológica,
existe uma independência das primeiras fenomenologicamente manifesta e
psicologicamente comprovável. Isto é certo em especial nas vivências místicas, mas
também é válido para as profecias, visões e audições e inclusive nas curas
milagrosas, enquanto se incluem em tais vivências elementos estruturais da
consciência mística. Na consciência mística todo o conteúdo da vivência se orienta
ao divino-sagrado.
Se existe valor relativo nos critérios psicológicos para avaliar a autenticidade
mística das vivências de revelação, por outro lado, os critérios reconhecidos pelos
místicos se baseiam nos efeitos da vivência: piedade religiosa, pureza, amor e
liberdade de alma. K. Rahner assinala, como critérios característicos da
autenticidade de uma visão, determinadas modalidades da relação do sujeito com a
visão: que predominem nele a fé, o amor e demais atitudes cristãs morais
sobrenaturais; que receba a visão com espírito de humildade e gratidão, sem
incorrer em exageros, sabendo guardar silêncio; finalmente, que não apareça como
um fenômeno isolado e sim em conexão com o estado de graça mística daquele que
experimenta a vivência.
7 – CONCLUSÃO
A psicologia da religião trata das questões íntimas que ocorrem na vida
religiosa da pessoa. Isto não quer dizer que não se preocupe, também, com os
relacionamentos interpessoais, pois não há pessoa normal que viva completamente
isolada dos outros e esse contato traz suas vantagens e desvantagens para cada
uma. No primeiro tópico, então, foram tratados os temas da psicologia da religião
como o símbolo, Deus e religião, destacando-se o Cristianismo. Abordaram-se as
implicações do subjetivo e do objetivo, da percepção religiosa, da relação entre
psicólogo e teólogo, da importância da religião na vida da pessoa. Finalizando,
foram feitas pinceladas na história bíblica e na redenção oferecida por Deus,
através de Jesus Cristo, enfatizando seu significado para a psique da pessoa.
O tópico segundo versou sobre a aquisição do conhecimento religioso em suas
formas mais complexas, como: apropriação psíquica, relações de comportamento,
experiência e vivência de revelação. Aprendemos que há fatores que prejudicam e
fatores que favorecem a apropriação psíquica do conteúdo religioso. Destacamos
alguns aspectos: o relacionamento da pessoa com o ambiente pode ser objetivo e
pessoal; influencia nas opiniões e nas formas de conduta; o meio pode ser corretivo
sobre o conjunto do pensamento religioso e pode atuar sobre o convencimento ou
firmeza da crença; a experiência religiosa supera as demais, pois inclui o contato
com Deus e com a realidade psíquica interior; o mundo vivencial e o religioso são
correspondentes entre si; os não crentes são mais influenciáveis religiosamente por
vivências perturbadoras que pelas favoráveis. Foram mencionadas as vivências de
revelação de Moisés (sarça ardente), Paulo (caminho de Damasco), Jacó (escada no
sonho) e Jesus (batismo).

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