Missiologia
– Alcançando os Distantes

TEOLOGIA
PASTORAL
Bacharelado em
Missiologia – 2
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SUMÁRIO
1 – MISSIOLOGIA…………………………………………………………………………………………4
1.1. ETIMOLOGIA………………………………………………………………………………………………4
1.2. QUADRO ETIMOLÓGICO…………………………………………………………………………………4
1.3. DEFINIÇÃO………………………………………………………………………………………………..4
1.4. APLICAÇÃO DA MISSIOLOGIA …………………………………………………………………………..4
1.5. DONALD MC GAVRAN – O PAI DA MISSIOLOGIA …………………………………………………….5
2 – A BÍBLIA E MISSÕES……………………………………………………………………………….5
2.1. A BÍBLIA NA EVANGELIZAÇÃO DO MUNDO …………………………………………………………..5
2.2. O MANDATO DA EVANGELIZAÇÃO MUNDIAL …………………………………………………………6
2.3. A MENSAGEM DA EVANGELIZAÇÃO MUNDIAL ……………………………………………………….6
2.4. O PODER PARA A EVANGELIZAÇÃO MUNDIAL ……………………………………………………….7
2.5. ANÁLISE EXEGÉTICA…………………………………………………………………………………….7
2.6. DIFERENÇA ENTRE MISSÃO CENTRÍPETA E MISSÃO CENTRÍFUGA ……………………………….9
2.7. PRINCÍPIOS GERAIS DE MISSÕES ……………………………………………………………………10
2.8. EXTENSÃO DO PLANO DE MISSÕES …………………………………………………………………10
3 – HISTÓRIA DE MISSÕES…………………………………………………………………………. 11
3.1. COMEÇA O TRABALHO MISSIONÁRIO………………………………………………………………..11
3.2. O PRIMEIRO DECLÍNIO MISSIONÁRIO……………………………………………………………….11
3.3. O PRIMEIRO DESPERTAMENTO MISSIONÁRIO ……………………………………………………..12
3.4. SURGEM NOVAS IGREJAS MISSIONÁRIAS…………………………………………………………..13
3.5. AS 10 ONDAS DE PERSEGUIÇÕES…………………………………………………………………..13
3.6. O SEGUNDO DECLÍNIO MISSIONÁRIO……………………………………………………………….14
3.7. O SEGUNDO DESPERTAMENTO MISSIONÁRIO……………………………………………………..15
3.8. O PAPEL DA IGREJA MORAVIANA ……………………………………………………………………16
3.9. O TERCEIRO DECLÍNIO MISSIONÁRIO ………………………………………………………………17
3.10. PRINCIPAIS SOCIEDADES E SEUS MISSIONÁRIOS …………………………………………………17
3.11. PREOCUPAÇÃO SOCIAL OCUPA O LUGAR DE MISSÕES …………………………………………..19
3.12. O TERCEIRO DESPERTAMENTO MISSIONÁRIO……………………………………………………..19
3.13. CONFERÊNCIAS NACIONAIS E MUNDIAIS……………………………………………………………20
4 – MISSÕES TRANSCULTURAIS ………………………………………………………………….. 20
4.1. O QUE É CULTURA? …………………………………………………………………………………..21
4.2. TRANSCULTURAÇÃO……………………………………………………………………………………21
4.3. ETNOCENTRISMO ………………………………………………………………………………………21
4.4. ACULTURAÇÃO………………………………………………………………………………………….22
4.5. CHOQUE CULTURAL …………………………………………………………………………………..25
4.6. O MISSIONÁRIO TRANSCULTURAL E O SEU PREPARO…………………………………………….26
4.7. TIPOLOGIA DA EVANGELIZAÇÃO ……………………………………………………………………..27
4.8. A TEORIA DO EVANGELISMO DE VIZINHANÇA ……………………………………………………..28
5 – ANTROPOLOGIA MISSIONÁRIA……………………………………………………………….. 29
5.1. DEFININDO ANTROPOLOGIA ………………………………………………………………………….29
5.2. ANTROPOLOGIA FÍSICA………………………………………………………………………………..29
5.3. ANTROPOLOGIA CULTURAL …………………………………………………………………………..29
5.4. O QUE A ANTROPOLOGIA NOS ENSINA?…………………………………………………………….30
5.5. A CULTURA E SUAS DIVISÕES ……………………………………………………………………….30
5.6. O PROBLEMA DO RELATIVISMO CULTURAL ………………………………………………………..32
6 – JANELA 10/40…………………………………………………………………………………….. 33
6.1. CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES ……………………………………………………………………33
6.2. RAZÕES PARA FOCALIZARMOS A JANELA 10/40 …………………………………………………33
6.3. DEFINIÇÕES IMPORTANTES …………………………………………………………………………..34
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6.4. “OS TRÊS MUNDOS”…………………………………………………………………………………..35
6.5. TRADUÇÃO DA BÍBLIA – UM GRANDE DESAFIO!…………………………………………………..35
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1 – MISSIOLOGIA
1.1. Etimologia
Missiologia origina-se dos termos Logia (estudo) e Missio (vem do substantivo
“missione”), o qual, por sua vez, vem do verbo “mittere” que significa enviar.
“Enviar” (português) ou “Mittere” (latim) é igual a “Apostellô” (grego). Tanto
“Mittere” (latim) quanto “Apostellô” significam “Enviar”.
O quê significa exatamente o verbo Enviar?
Enviar é “1. Expedir, remeter; 2. Encaminhar, conduzir; 3. Mandar (alguém)
numa missão” (Aurélio).
Apóstolo 􀃆 Missionário 􀃆 Enviado
Grego 􀃆 Latim 􀃆 Português
1.2. Quadro Etimológico
Língua Verbo Substantivo Significado Equivalente
Grego Apostellô Apóstolo Enviar Apóstolo
Latim Mittere Missione Enviar Missio
Português Enviar Enviado Enviar Missionário
Na Bíblia, o vocábulo Missionário, aparece na forma grega Apóstolo
1.3. Definição
Missiologia é o estudo das missões.
1.4. Aplicação da Missiologia
A missiologia aplica-se ao estudo de missões nos seus mais variados aspectos.
A saber: Cultura, Geografia, Pesquisar, Estratégias, Análise, Antropologia,
Definições, Etc.
A. Diferença entre Missiólogo e Missionário.
• Missiólogo. Aquele que copila, organiza, analisa, interpreta a realidade dos
movimentos de evangelização e cria estratégias e métodos para que o
mundo seja alcançado pelo Evangelho. Isto é bem mais do que
simplesmente dizer: “missiólogo é aquele que se aplica ao estudo e pesquisa
de missões”.
• Missionário. Aquele que é enviado para plantar igrejas onde ainda não há
testemunhas, com todas as suas funções: pregação, ensino, assistência
social, e adoração; e para tal, ele irá atravessar barreiras lingüísticas,
culturais e/ou geográficas.
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1.5. Donald Mc Gavran – O Pai da Missiologia
Nasceu na Índia em 1897. Filho e neto de missionário, Mc Gravan iniciou sua
carreira em Harda, na Índia, como Superintendente de uma escola de missões, na
Sociedade Missionária Cristã Unida.
Mais tarde serviu em outros cargos como na Educação e Saúde.
Nos anos 30 voltou para os E.U.A. onde cursou o Doutorado em Filosofia, na
Universidade de Colúmbia. Mc Gravan percebera de há muito que a obra realizada
pelos missionários estava seguindo bem pouco do sentido de alcançar o alvo de
evangelização mundial, e ansiava para que fossem feitas pesquisas a fim de se
desenvolver novos métodos e estratégias missionárias.
Em 1961 fundou o Instituto de Crescimento da Igreja. Mc Gravan estudou as
atividades evangelísticas, a fim de descobrir princípios e metodologias que
resultassem no melhor crescimento da Igreja.
Sua tese é que as ciências sociais podem se associar à tarefa missionária. A
pesquisa e análise têm condições de remover obstáculos ao crescimento da Igreja.
Para Donald Mc Gravan e seus discípulos, a real incorporação dos convertidos
na Igreja (e não necessariamente o número de decisões) era o fator-chave na
avaliação da metodologia missionária.
Ele definiu 2 Estágios do Cristianismo:
1. Discipulado. Que abrange os passos a serem dados para a pessoa se tornar
cristã
2. Aperfeiçoamento. Sendo o crescimento na vida cristã.
A pesquisa tornou-se o principal instrumento de Gravan. Baseado nela
concluiu que os métodos tradicionais de evangelização em massa contribuem muito
pouco para o crescimento real da Igreja.
Em virtude de seus escritos e suas idéias inovadoras, Mc Gravan tem estado
no centro dos debates a respeito da estratégia missionária.
Ele “perturbou” completamente a antiga, tradicional e grandemente
improdutiva metodologia missionária que dominou todas as missões, antes de
1955.
Em muitos aspectos, sua importância não se encontra tanto na exatidão de
suas respostas, mas nas questões significativas que levantou e na maneira como
(mais que qualquer outro!) ele levou o estudo das missões de simples cursos
introdutórios em algumas escolas cristãs para um nível de estudo profissional
abrangente, em todo o Mundo.
2 – A BÍBLIA E MISSÕES
2.1. A Bíblia na Evangelização do Mundo
Sem a Bíblia a evangelização dos povos seria inconcebível. A Bíblia coloca
sobre nós a responsabilidade de evangelizar o mundo, dá-nos um evangelho a
proclamar, diz-nos como faze-lo e declara-se o poder de Deus para cada crente.
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Além disso, e fato notável na História, tanto na passada como na
contemporânea, que o grau de compromisso da igreja com a evangelização do
mundo é proporcional ao grau de sua convicção sobre a autoridade da Bíblia.
Sempre que o cristão perde sua confiança na Bíblia, eles também perdem o
seu zelo pelo evangelismo. Inversamente, sempre que estão convencidos sobre a
Bíblia, estão determinados sobre o evangelismo.
Vejamos três razões porque a Bíblia é indispensável à evangelização do
mundo.
2.2. O Mandato da Evangelização Mundial
Em primeiro lugar a Bíblia nos dá o mandato da evangelização. Há
aproximadamente 4.000 anos atrás, Deus chamou a Abraão e fez uma aliança com
ele, prometendo não apenas abençoá-lo, mas também abençoar através da sua
posteridade, todas as famílias da Terra (Gn 12.1-4). Este texto é uma das principais
bases da missão cristã; pois os descendentes de Abraão (através de quem, todas as
famílias da Terra estão sendo abençoadas) são: Cristo e o povo de Cristo! Se pela fé
pertencemos à Cristo, somos filhos espirituais de Abraão (Gl 3.7) e temos uma
responsabilidade com a humanidade. Deste modo, os profetas vetereotestamentário
profetizam como Deus faria deste Cristo, o Herdeiro e a Luz das nações (SL 2.8; Is
42.6; 49.6).
Quando Jesus veio, ele endossou estas promessas. É certo que durante o seu
ministério terreno ficou restrito às “ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt 10.6;
15.24) mas, Ele profetizou que muitos viriam “do Ocidente e do Oriente e tomariam
lugares à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no reino dos céus” (Mt 8.11; Lc 13.29).
Mas ainda, em antecipação de Sua ressurreição e ascensão Ele fez tremenda
reivindicação de que “toda a autoridade no céu e na Terra” LHE fora dada (Mt
28.18). Foi em conseqüência de Sua autoridade universal que Ele ordeno aos seus
seguidores que fizessem discípulos de todas as nações, batizando-as em sua nova
comunidade e ensinando a todos a Sua doutrina (Mt 28.19). Isto os cristãos
primitivos começaram a fazer depois de o Espírito Santo haver descido sobre eles;
tornaram-se verdadeiras “testemunhas” de Jesus, entronizando a Sua direita e
concedendo-lhe a mais alta posição, a fim de que toda a língua confessasse o Seu
senhorio (Fp 2 ). Eles desejaram que Jesus recebesse a honra devida ao Seu nome.
Além disso, Ele retornaria em glória, para salvar, julgar e reinar. Portanto, o que
deveria preencher os espaços em sua vida? A missão mundial da Igreja! O fim da
história ao virá depois que o Evangelho alcançasse o fim da Terra (Veja Mt 24.14;
28.20; At 1.8).
2.3. A Mensagem da Evangelização Mundial
Em segundo lugar, a Bíblia nos dá a mensagem para a evangelização do
mundo. Evangelizar é divulgar a Boas Novas de que Jesus morreu pelos nossos
pecados e ressuscitou entre os mortos, segundo as Escrituras. E como Senhor e
Rei, Ele oferece perdão dos pecados e dom libertador do Espírito a todos que crêem
e se arrependem.
A nossa mensagem vem da Bíblia. Não a inventamos. Ela nos foi confiada
como um depósito e nós, como bons “despenseiros”, devemos distribuí-la (1 Co 4).
Os apóstolos expressaram este único evangelho de diversos modos: ora
sacrifical (o derramamento e a aspersão do sangue de Cristo), ora messiânico (o
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surgimento do governo prometido por Deus), ora legal (o juiz pronunciado a
justificação do injusto), ora pessoal (o Pai reconciliando seus filhos desviados) e ora
salvifico (o libertador celestial vindo para resgatar os desamparados).
Assim como a Ordem, a Mensagem nos foi dada pelo próprio Cristo. Ele nos
disse: “Ide e pregai o meu evangelho”…
2.4. O Poder Para a Evangelização Mundial
Em terceiro lugar, a Bíblia nos dá o Poder para a evangelização do mundo.
Leia cuidadosamente Lc 24.49 e At 1.8.
Sabemos que nossos recursos humanos são fracos em comparação com a
magnitude da Tarefa. Sabemos também, quão blindadas são as barreiras do
coração do homem. Pior ainda, conhecemos a realidade, a maldade e o poder
pessoal do diabo, e dos demônios sob seu comando. A Bíblia diz-nos que “o mundo
jaz no maligno” (I Jo 5.19), assim, até que sejam libertados e transportados para o
Seu reino, todos os homens e mulheres são escravos de Satanás. Além disso vemos
seu poder no mundo contemporâneo-nas trevas da idolatria, na devoção de deuses
vãos, no materialismo, na violência, agressão, etc… E ainda mais, Paulo escrevendo
aos Coríntios (II Co 4.4) ele afirma que “o deus deste século cegou o entendimento
dos incrédulos para que não lhes resplandeça a luz do evangelho da glória de
Cristo, o qual é a glória de Deus”.
Se Satanás está dominando a mente das pessoas, se as mentes humanas
estão cegas como poderão chegar à verdade? Somente pela Palavra de Deus! Pois
Ele mesmo disse que “de trevas resplandecerá a luz” que brilhou em nossos
corações para a iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo (II
Co 4.6).
Se Satanás cega as mentes das pessoas, e Deus ilumina seus corações, em
que podemos nós contribuir para esse encontro? Paulo chega a conclusão entre os
versículos 4 e 6 que descrevem as atividades de Deus e de Satanás, o verso 5
descreve a obra do evangelista: “pregamos a Cristo Jesus como Senhor”.
Considerando que a luz que o diabo quer evitar que as pessoas vejam e que Deus
faz brilhar nelas é o evangelho, então é melhor que preguemos!
É a pregação do Evangelho o meio estabelecido por Deus para que o príncipe
das trevas seja derrotado e a luz jorre nos corações das pessoas. Há poder no
evangelho de Deus! Poder para salvação de vidas. Confira Rm 1.16; 10. 13,14;
Sem a Bíblia a evangelização do mundo é impossível. Pois, sem a Bíblia não
temos nenhum evangelho para levar às nações. A Bíblia é a base de missões, assim
como missões é a base da Bíblia. É a Bíblia Sagrada que nos dá o Mandato, a
Mensagem e o Poder que precisamos para a evangelização mundial. Leia Mt 28. 18-
20; Mc 16.15-18; Lc 24.45-48; At 1.8; e Jo 15.16; 20.21.
Façamos nossas as palavras de Paulo: “…ai de mim se não anunciar o
Evangelho!”
2.5. Análise Exegética
Analisemos Mt 28.19,20 exegeticamente. No original grego estes versículos
estão assim: poreuthentes oun Matheutésate panta ta ethne. Vejamos agora, os
respectivos significados destas palavras.
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POREUTHENTES. Deveis ir! Ou Ide! Note o imperativo. É uma ordem. Este é o
verdadeiro sentido do que lemos. Foi assim que soou aos ouvidos dos discípulos.
Hoje, porém, muitos tratam estas palavras de Jesus, como se fossem um
“pedido de favor” que Ele nos fez, ou então, como se estas palavras tivessem
importância somente no passado, para os primeiros comissionados. É exatamente
por isso que a evangelização dos povos está tão atrasada. Falta reconhecimento da
ordem e pronta obediência!
Por que os muçulmanos, que começaram a pregar cerca de 600 anos depois
do Apóstolo Paulo, já alcançaram 1/5 da população mundial, enquanto nós
evangélicos, temos apenas 550 milhões aproximadamente? Será erro de cálculo?
Ou de Estratégia? Será falta de dinheiro?
Não! É falta de Fé! De Amor! De Obediência! De Compromisso com Deus e com
Sua Palavra. Obediência, vêm antes de estratégias, métodos ou dinheiro. Ao ouvir
Jesus falar, seus discípulos não receberam suas palavras com o sentido de: “Olha,
talvez seja bem que vocês comecem a pregar, primeiro em Jerusalém e depois em
todo o mundo”. Não! Foram palavras fortes como de um general, passando ordens
aos seus subalternos, os quais não podem questionar, senão simplesmente
obedecer.
Foi assim que Paulo recebeu esta ordem, pois ele respondeu: “Porque, se
anuncio o Evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta esta
obrigação, e ai de mim se não anunciar o Evangelho.” (I Co 9.16).
OUN. Portanto ou Pois. É uma palavra de ligação.
MATHEUTÉSATE. Fazei discípulos, ou seguidores, ou aprendizes. (Também
imperativo).
PANTA–TA. A todos. De modo que, até agora, este versículo fica assim: “Ide, e
fazei discípulos de todos os ethne”. A palavra ethne merece atenção especial.
ETHNE. “Nação”. Desde os séc. XV e XVI, a palavra ETHNE vem sendo
traduzida para algumas línguas ocidentais apenas com o significado de NAÇÃO. O
que não é errado. Todavia, a palavra ETHNE deriva-se de “ETHNOS”, que é um
termo grego usado para designar o vocábulo “povo” ou “gente”.
POVO ou GENTE. O vocábulo Ethne é geratriz da palavra “Etnia”. Etnia é um
grupo humano que se relaciona entre si por fatores como língua, religião, raça,
moradia, ocupação, classe social, modo de vida, modo de vestir, ou não. Ou seja,
um povo!
Sendo assim, o versículo fica bem traduzido deste modo: “Ide, pois, e fazei
discípulos de todos os povos.”
A origem das raças, deu-se na confusão das línguas na Torre de Babel (Gn
1.7,8). Se o propósito de Jesus é restaurar todas as coisas (Cl 1.20); então é natural
que a maldição de Babel também seja, de certa forma, desfeita espiritualmente. A
divisão de raças tem sido motivo de orgulho, inimizade e guerras entre os povos. O
único caminho para que as nações voltem a falar a “mesma língua”, é Jesus, pois, a
Palavra de Deus torna-se um “idioma Internacional”, uma vez que é um elo de
ligação espiritual que rompe os laços de divisão e proporciona a verdadeira paz.
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2.6. Diferença entre Missão Centrípeta e Missão
Centrífuga
Existe grande diferença entre os métodos que Deus deu a Israel e os que Ele
deu à Igreja para o cumprimento de suas respectivas missões.
A. Missão Centrípeta. Israel devia ser como um “Imã” e atrair para Deus os
outros povos e nações. Os filhos de Israel deviam ser sacerdotes santos que
revelassem Jeová, o Único Deus Verdadeiro, a todas as nações, e mediadores que
levassem a Deus. Em outras palavras, os povos deveriam se convergir à Israel para
conhecerem o seu Deus. A natureza da missão de Israel era centrípeta. Observe a
figura abaixo.
NAÇÕES NAÇÕES NAÇÕES
􀃂 􀂾 􀃁
NAÇÕES 􀂼 ISRAEL 􀂻 NAÇÕES
􀃀 􀂽 􀂿
NAÇÕES NAÇÕES NAÇÕES
B. Missão Centrífuga. A igreja também tem um chamado para o ministério
sacerdotal (II Co 5.16-19; I Pe 2.9,10). Contudo, a natureza de sua missão é
centrífuga.
Diferentemente de Israel, não se requer da Igreja que esteja parada, quieta, e
simplesmente “atraia” os outros povos Ao seu Deus. Requer-se que vá a outras
gentes e as ganhe para Cristo. Depois de ganhas, estas, por sua vez, devem formar
extensões da Igreja em seu próprio país. A seguir, esse povo mesmo levará a cabo
missões centrífugas, saindo a pregar. É isto que manda a Grande Comissão. É
assim que ensina a Geografia Missionária de Jesus. Veja Mt 28.18,19 e At 1.8.
Observe o diagrama abaixo:
JERUSALÉM
“Tanto quanto”
􀂽
JUDÉIA
“Simultaneamente” 􀂻 IGREJA 􀂼 SAMARIA
“Ao mesmo tempo”
􀂾
CONFINS DA TERRA
“Concomitantemente”
Antes de ser assenso ao Céu, Jesus disse aos seus discípulos que ele (após
receberem o Espírito Santo) seriam suas testemunhas tanto quanto em Jerusalém,
assim como na Judéia, Samaria e nos confins da Terra. Jesus não disse que só
depois de alcançarem um lugar é que deveriam passar para o outro. Ele disse
“tanto quanto”, ou seja, ao mesmo tempo; simultaneamente; concomitantemente.
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Esta é uma descrição perfeita da natureza centrífuga da missão da Igreja!
2.7. Princípios Gerais de Missões
Missões é tão antiga quanto à existência do homem. Missões nasceu no
“coração de Deus”. Missões nasceu no ÉDEN. Missões nasceu no AMOR DE DEUS!
• Deus é amor (1 Jo 4.16);
• Deus nos ama (Jo 3.16);
• Deus nos ama porque é sustentador de tudo e de todas as coisas (Sl
42.1,2);
• Deus nos ama porque é Criador (Gn 1 e 2).
A. A Origem de Missões. O Jardim do Éden foi o palco da:
• Criação (Gn 1 e 2).
• Tentação (Gn 3.1-5).
• Queda do Homem (Gn 3.6,7).
• Vergonha e separação (Gn 3.8b)
• Juízo de Deus (Gn 3.9-23).
Mas o Éden também foi o palco de:
• Missões (Gn 3.15)
O versículo 15 contém a primeira promessa implícita do plano salvífico de
Deus para a redenção da humanidade. É uma profecia que contém duas predições:
1. Prediz o conflito espiritual entre a “semente da mulher” (isto é, Jesus
Cristo) e a “semente da serpente” (isto é, Satanás); Confira em Is 7.14; Mt
1.1-16; Ap 12.9 e 20.2. Deus promete aqui, que Cristo nasceria de uma
mulher; que seria “ferido” (ao ser crucificado); mas que ressuscitaria dentre
os mortos para destruir completamente (“ferir”) a Satanás, o pecado e a
morte, bem como, para salvar a humanidade (Veja Is 53.5; Mt 1.20-23; Rm
5.18,19; I Jo 3.8 e Ap 20.10).
2. Prediz a vitória final de Deus (e do povo de Deus!) contra Satanás e o mal
(Jo 12.33; At 26.18; e Rm 16.20).
Esta promessa de Gn 3.15 é chamada de “Promessa Messiânica”. Aqui está a
origem de Missões.
O homem pecou, e conseqüentemente, distanciou-se de Deus. O homem
tornou-se o “Objeto de Missões”. Para que ele pudesse ser reconciliado novamente
com Deus, era necessário que Jesus fosse “enviado” ao Mundo. Confira em II Co
5.17; Lc 22.53; Jo 1.1-14; 3.16; e Hb 2.14,15.
2.8. Extensão do Plano de Missões
O ponto culminante do plano salvífico e de redenção é a morte vicária de
Cristo, e a extensão deste plano é a Grande Comissão.
Após sua ressurreição, Jesus comissionou seus discípulos (e a nós também!) a
continuarem a propagação do Evangelho (Jo 20.19-23). Isto é a Grande Comissão.
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3 – HISTÓRIA DE MISSÕES
Na história da Igreja, há uma linha de progressão na atividade missionária que
vem desde o seu início no ano 30 d.C. Linha esta, que é desenhada pela ausência e
presença de iniciativas missionárias na Igreja de Cristo na proporção em que o
tempo foi de passado.
3.1. Começa o trabalho Missionário
Os dois últimos mandamentos de Jesus aos seus discípulos: a) Ficar em
Jerusalém até serem batizados no Espírito Santo; b) Ir por todo o mundo pregando
o Evangelho.
Ao colocarem estes mandamentos em práticas, os 120 discípulos que estavam
em Jerusalém por volta do anos 30 d.C., deram o INÍCIO TERRENAL de Missões, ou
seja, o início Humano, Histórico e Geográfico.
O Apóstolo Pedro, após o Pentecostes, evangelizou com poder os estrangeiros
que estavam na cidade naquele dia (At 2.14);
João e Pedro, pregaram no Sinédrio e no Templo para todos os religiosos da
época e às autoridades (At.3.12; 4.8);
Estevão, um Diácono, também marcou o início da Igreja Primitiva com suas
poderosas mensagens e os sinais que se seguiam e, principalmente, com o seu
testemunho face ao martírio a que foi vítima.
Por fim, a Igreja de modo geral, pregava o Evangelho (At. 6.7);
A. Resultado do Trabalho. “Alguns dos Pardos, Medas, Elamitas e outros
povos que viviam para além de Jerusalém, nas terras orientais do Império Romano
e que ouviam no dia de Pentecostes a primeira mensagem pregada por Pedro, se
converteram ao Evangelho e levaram as boas novas aos seus conterrâneos. As
evidências para que tal tenha ocorrido é a constatação de que em períodos
posteriores podiam ser encontradas igrejas estabelecidas nos lugares de origem
daqueles povos (At 2.9, 10, 11 e 41)”.
“Alguns dos prosélitos, pessoas não descendentes de judeus, mas que
renunciavam ao paganismo, aceitavam a lei judaica, recebendo o rito da circuncisão
e vivendo em outras províncias romanas, ouviram e aceitaram a mensagem do
Evangelho pregada por Pedro e tornaram-se portadores das boas novas entre seus
irmãos usando como púlpito a sinagoga, principal foco religioso dos judeus fora de
Israel (At. 2.14 e 41).
“Todos estes discípulos fizeram o primeiro instante da atividade missionária da
Igreja”
3.2. O Primeiro Declínio Missionário
Motivo: Falta de zelo missionário.
Aparentemente estava tudo certo com a primeira igreja. Havia conversões em
massa Perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e
nas orações. Havia temos em cada crente. Havia sinais e prodígios. (…) A Igreja era
respeitada e admirada pelo povo. Mas apesar de tudo isso, havia algo errado com a
Igreja de Jerusalém: “Era poderosa na fé e no testemunho, pura no seu caráter e
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abundante no amor. Entretanto, o seu singular defeito era a falta de zelo
missionário. Permaneceu em seu território, quando devia ter saído para outras
terras e outros povos. Veja At.1.8.
3.3. O Primeiro Despertamento Missionário
A. A perseguição leva a Igreja a fazer a Obra Missionária. Ao serem dispersos,
os cristãos pregavam por todos os lugares que passavam. A dispersão, por causa da
perseguição, deu-se exatamente, pelos lugares que Jesus falara, ou seja, pela
geografia missionária de Jesus.
B. O Resultado do Despertamento. Segundo historiadores, a igreja iniciou
realmente por Jerusalém, Judéia, Samaria, depois por Cessaréia, etc. Vejamos:
1. Leste. Foram por Damasco e Edessa, entrando na Mesopotâmia.
2. Sul. Foram por Bostra e Petra, entrando na Arábia.
3. Oeste. Foram por Alexandria e Cartago, entrando no Norte da África.
4. Norte. Foram por Antioquia, entrando na Armênia e Bitina.
Alcançaram ainda a Espanha, Galácia (sul da França) e Grã-Bretanha e depois
os confins.
C. Evidências do Despertamento. “Os novos crentes iam formando igrejas
locais e ao mesmo tempo tornavam-se missionários entre o seu povo e de outros
lugares”.
A propagação do Evangelho aumentava a cada dia. O total de crentes por volta
do segundo século é estimado em meio milhão de pessoas.
A eficácia do trabalho evangelístico se deu a partir de 3 fatores, somados, é
claro, com o poder do Espírito Santo, a saber:
1. O testemunho informal.
2. A capacidade intelectual de alguns crentes.
3. A morte dos cristãos.
O testemunho informal se manifesta a partir da vida diária dos crentes,
caracterizada pelo amor.
A capacidade intelectual de alguns crentes que defendiam a fé com
argumentos racionais e bem desenvolvidos foi algo incontestável, pois o
Cristianismo não era como as demais religiões cheias de ritos e mágicas; é claro,
substancial, profundo e tem a ver com a realidade existencial do ser humano.
Ganham destaque pessoas como Paulo, Orígenes, Tertuliano, Justino Mártir e
outros.
A morte de alguns cristãos, praticada pelos imperadores romanos somou para
aumento do Cristianismo, pois, a coragem dos crentes ante a execução consistia
num poderoso testemunho Tertuliano disse: “O sangue dos mártires é a semente da
Igreja.”
D. O Trabalho dos Primeiros Missionários. Além de Pedro, Paulo, Apolo, Filipe,
Barnabé, Silas, Marcos, Lucas e muitos outros crentes que desempenharam
atividades missionárias, a tradição judaica conta que…
• Mateus foi para a Etiópia.
• André, para a região dos citas, ao norte da Europa.
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• Bartolomeu, para a Arábia e Índia.
• Tomé, para a Índia.
• Paulo, Barnabé e equipe, foram trabalhar entre os gentios e nos lugares
mais distantes do império romano como por exemplo Galácia, Macedônia,
Acaia e Ásia.
• Edésio e Frumentio (no 4º Séc.), sobreviventes de um naufrágio no Mar
Vermelho, perto da Etiópia, foram levados escravos para a corte real
daquele país e logo conseguiram liberdade para pregar o evangelho e houve
conversões.
• Gregório (213) evangelizou a Capadócia e se tornou líder da Igreja local
(dizem que quando assumiu a igreja só havia 17 crentes na cidade, mas
quando morreu só tinha 17 pagãos!).
A MORTE DE POLICARPO
Policarpo, pastor de Esmirna, desenvolveu um ministério evangelístico tão
intenso que foi acusado de ser “o destruidor dos deuses pagãos”, por isto foi
queimado em praça pública. Sua igreja constava de escravos, aristocratas
locais e membros do quadro de assistentes do procônsul.
A morte de policarpo sensibilizou a sociedade da Ásia Menor a ponto de
provocar um abrandamento das perseguições por algum tempo, permitindo
que os menos corajosos declarassem abertamente sua fé em Cristo e os nãocrentes
se convertessem.
Havia também o trabalho de muitos outros pregadores anônimos que
constituíam um grande exército que marchavam em todas as direções pregando a
Palavra (At. 8.4)
3.4. Surgem Novas Igrejas Missionárias
A Igreja de Jerusalém deixou de ser a ÚNICA. Cada nova igreja ou congregação
formada pelos primeiros missionários, era também uma igreja missionária.
Destacamos: Antioquia, Éfeso, Roma, Alexandria e Cartago, todavia, há outras.
3.5. As 10 Ondas de Perseguições
Era de se esperar que o intenso trabalho missionário resultasse um aumento
de perseguições. Registramos, dessa época, o mais doloroso período.
Imperador Época (d.C.)
Nero 64
Trajano 64
Adriano 117-138
Antônio 138-211
Marco Aurélio 161-180
Sétimo Severo 193-211
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MÁXIMO 235-238/9
DÉCIO 249-251
VALERIANO 253-260
DIOCLESIANO 234-305
3.6. O Segundo Declínio Missionário
Motivo: Discussões teológicas, disputas e aceitação do acordo romano.
Questões doutrinárias existiram na Igreja desde o início. Aconteceram por
várias razões: por causa de conceitos do judaísmo diferentes do Cristianismo; por
causa de elementos gregos na Igreja muito voltados à contemplação filosófica, etc.
A Igreja enredou-se em complicadas questões que obscureciam a simplicidade
do Evangelho. Os crentes começaram a se ocupar mais com questões doutrinárias e
filosóficas do que com o Evangelho. A Igreja internamente estava envolvida com
discussões teológicas e disputas de poder, e ainda vivendo sob um clima de
perseguições.
Enquanto isso, por volta do terceiro séc., o Império Romano começou a
declinar. As constantes invasões dos povos bárbaros ameaçavam-no em muito.
Foi dentro deste contexto que em 313 d.C., o Imperador Constantino disse ter
visto no céu uma cruz sobre a qual estava escrito a seguinte frase em latim “IN HOC
SIGNO VINCES”, que quer dizer: “por este sinal vencerás”. Imediatamente adotou a
cruz como o seu estandarte e publicou em decreto tornando o Cristianismo como a
Religião Oficial do Império Romano.
Na verdade, a intenção de Constantino era utilizar o ímpeto cristão para ir até
os “povos bárbaros”, convertê-los ao Cristianismo e assim ficarem sob o domínio
romano!
O ACORDO
Se a Igreja aceitasse a proposta do imperador, ela ganharia a proteção do
Imperador e acabariam as perseguições. A igreja seria protegida pelo Estado.
Ela ganharia ainda a Prosperidade do Império. Em contrapartida, a fé seria
usada para “amansar” os povos bárbaros e consolidar o império romano.
Depois do acordo assinado, foi instituído o culto ao imperador. Agora a Igreja
venerava mais ao homem do que a Deus. Que acordo infeliz!
Quanto aos povos, eram dominados pela força do exército romano e
“amansados” pela religião cristã. Tornavam-se cristãos à força; e a Igreja
“abençoava a tirania dos imperadores”. O resultado foram as conversões em
massa. Por exemplo, Alemanha, Hungria, Suécia, Islândia, Groelândia,
Tchecoslováquia, Polônia, Índia, etc.
Assim a Igreja de Roma consolidara-se a Igreja Católica Universal. Mas, na
verdade, a Igreja desviou-se do caminho que deveria seguir.
Durante 5 séculos a Igreja utilizou os mosteiros para objetivos missionários.
Nasceram várias ORDENS de Franciscanos, Dominicanos, Benetidinos, Jesuítas e
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outros. No séc. 17 foi criada a SAGRADA CONGREGAÇÃO para propagação da
fé.
A. Principais Missionários Católicos. Úfilas, Martinho de Tours, Patrício,
Columba, Niniamo, Agostinho, Bonifácio, Metódio, Domingos, Francisco de Assis,
Las Casas, Francisco Xavier, etc.
B. Remanescente. Nem todos estavam de acordo com o rumo que a Igreja
tomava. Aconteceram vários movimentos de reforma, por exemplo, na França em
1110, 1155 e 1170, na Inglaterra em 1324 com João Wyclif, na Tchecoslováquia
com João Huss (1369-1445), na Itália com Jerônimo Savonarola (1452), com os
anabatistas por toda a Idade Média e com Erasmo (1466 –1536).
C. Os Reformadores. Nomes como Calvino, Melanchton, Zwinglio e Martinho
Lutero, são comuns quando o assunto é Reforma Protestante.
Foi Martinho Lutero quem liderou a maior Reforma Protestante no séc. XVI.
Contudo, pouco se falava de missões estrangeiras, por 3 razões básicas:
1. Os cristãos ainda lutavam pela conservação de suas vidas (por causa das
perseguições). O Protestantismo só teve sua sobrevivência assegurada em
1648, com o Tratado de WESTFÁLIA.
2. Divergências Teológicas e controvérsias infindáveis por parte dos
Protestantes;
3. Ensinamentos contrários à pregação do Evangelho em todo o mundo. John
Gerhard (1637), pregava que a ordem da Grande Comissão era exclusiva
dos Apóstolos. Quem tentasse agir contra o pensamento geral deparava-se
com a reprovação da liderança da Igreja, como é o caso de Von Welz, da
Áustria, em 1664, cognominado “agitador missionário”.
D. Iniciativas Missionárias dos Protestantes. Em meio a ausência de uma
atividade missionária estruturada e permanente, os protestantes fizeram algumas
tentativas, vejamos:
• Na Suécia, em 1559, o rei Gustavo Vasa incentivou o evangelismo aos povos
lapões, ainda pagãos, que viviam em seu território;
• Igrejas Holandesas e Inglesas mandavam missionários capelães nas suas
Companhias;
• Um livro cristão escrito por Hugo Grotius (1583 –1645), foi usado por
marinheiros holandeses para evangelizarem o extremo oriente da Ásia;
• Hans Ungnad Sonneck, um crente alemão esperava um grupo que tentou
penetrar entre os muçulmanos;
• Venceslau Budowitz conseguiu converter um turco em Constantinopla;
• Um cristão chamado Justiniano Von Welz foi ao Suriname, América do Sul,
sem o apoio de nenhuma Igreja;
• Em 1555, quando a França tentava dominar o Brasil, Calvino mandou 2
missionários e 14 seminaristas no grupo de franceses hunguenotes que
vieram para o Rio de Janeiro. Entretanto, a missão deles fracassou por
causa da forte perseguição do Almirante católico Villegnon.
3.7. O Segundo Despertamento Missionário
Movimentos Espirituais Impulsionaram as Missões.
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A. O Puritanismo. Surgiu entre os protestantes da Inglaterra, a partir de 1657.
Pregavam contra o sistema anglicano da Rainha Elisabete, contra os aparatos
cerimoniais, conservados do catolicismo e o estilo de governo eclesiástico. Eram
estudiosos da Bíblia, buscavam viver uma vida dedicada a Deus e dando
testemunho aos homens.
B. O Pietismo. O movimento pietista surgiu com grande intensidade na
Universidade de Halle, na Alemanha. Foi liderado por Filipe Spener (1635-1705) e
Augusto Francke (1663-1727).
C. Principais Missionários. Adoniran Judson (enviado para a Birmânia); John
Taylor Jones (Tailândia); George Dana Boardmam (Birmânia); Issacher Robert
(China-1846); Lottie Moon (China-1873), Wullian Bagby e esposa (Brasil –1881),
Zacarias e Kate Taylor (Brasil-1882).
D. Outras Iniciativas Missionárias.
• Sociedade Missionária De Basiléia, fundada em 1815, na Suíça
• Em 1821 fundou-se a Missão Da Dinamarca.
• Na França foi formada em 1822 a Sociedade Missionária De Paris.
• Em 1842 surgiu na Alemanha, a Sociedade Missionária De Berlim.
• Em 1828 formou-se a Sociedade Missionária Renana.
• Em 1842, a Missão Norueguesa.
• Em 1877, entre os presbiterianos foi fundada a Sociedade De Evangelização
Chinesa. Um dos missionários mais famosos foi Hudson Taylor (foi ele
quem criou o conceito de CONTEXTUALIZAÇÃO); depois de muitos anos na
China, criou sua própria missão, estando muito doente na Inglaterra, a
Missão Do Interior Da China, considerada posteriormente, a maior missão
do mundo.
• Inúmeras sociedades, grupos e organizações missionárias surgiram no
mundo nesse período, em conseqüência, quase todas as igrejas protestantes
até 1914, participavam da causa missionária.
3.8. O Papel da Igreja Moraviana
Na antiga Morávia (Tchecoslováquia), havia um movimento espiritual que
envolvia mais de 400 igrejas. Depois de muito sofrer com a perseguição da igreja
católica, um nobre chamado Conde ZINZENDORF (1700-1760), começou a
incentivar os irmãos ao trabalho missionário, principalmente depois de saber que a
missão estava prestes a ser abandonada. No dia 21 de agosto de 1732 começou o
célebre trabalho missionário dos irmãos Moravianos. “Sob a direção de Zinzendorf,
esta igreja foi tomada de uma paixão missionária que jamais a abandonaria. A
igreja chegou a ter um missionário no estrangeiro para cada 92 membros. Entre os
anos 1732 e 1760, 226 missionários morávios entraram em países estrangeiros,
estabelecendo igrejas.”
A. Evangelistas percorrem o Mundo. “Quando a idade da razão despontava no
séc 18 e o fervor cristão declinava, Deus utilizou determinados homens que, através
de suas poderosas mensagens, conduziram os crentes a um novo movimento do
Espírito Santo que os impulsionaram a realizar a obra missionária.”
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Homens comuns, como nós, porém, homens que fizeram renúncias,
experimentaram privações, sofreram danos, percas, dores… contudo, não foram
“desobedientes à visão celestial”.
Homens como João Wesley, George Whitefild, Jomathan Edwards, e outros.
Estes homens deixaram “rastro de fogo” em seus países e no exterior, além de
serem espelhos para outros evangelistas itinerantes de séculos seguintes. Nomes
como o de Charles A. Spurgeon, Charles Finney, Dwight L Moody, Billy Sunday, e
no século vinte, Billy Grahan e Luis Palau, etc.
O trabalho destes evangelistas itinerantes atravessou o grande século
missionário, em quase todos (se não em todos!) os Continentes.
Os resultados destes movimentos foram maravilhosos para as missões pois,
serviram para amadurecer o conceito de salvação individual e da conversão pessoal
de cada indivíduo, ao contrário das “conversões em massa”, realizada pela Igreja
Católica em séculos anteriores.
A formação de Sociedades Missionárias (quase todas as igrejas de então, se
envolveram com Missões Transculturais) e o extraordinário trabalho da Igreja da
Morávia (os moravianos realizaram uma vigília ininterrupta de oração por quase
100 anos).
3.9. O Terceiro Declínio Missionário
Motivo: Liberalismo cristão e preocupação social.
A. Alguns líderes de Igrejas Evangélicas nos EUA e Europa, começaram a fazer
uma concepção liberal de Cristianismo, no início do séc. 20. Deu-se, então, o
começo de um novo desenvolvimento teológico e eclesiástico que viria a trazer
grandes conseqüências no futuro.
No aspecto missionário, o liberalismo gerou o seguinte quadro:
1. O liberalismo não tinha mais certeza que Jesus era a última Palavra de
Deus ao homem;
2. O fato de se ter o título de missionário não significava que a pessoa cria na
interpretação da Bíblia e que corajosamente defendia as doutrinas
principais da fé.
3. O liberal não aceitava a proclamação exclusiva da salvação através de
Jesus. Era mais simpático com as outras religiões, sugerindo até uma
síntese das religiões.
4. Esta nova concepção teológica mandava completamente a compreensão da
Grande Comissão.
5. Havia mudança e redução na propaganda missionária, tão aceitável no séc.
19. Pietismo gerou uma grande influência missionária, tornando-se o berço
do primeiro esforço genuíno missionário da reforma.
3.10. Principais Sociedades e Seus Missionários
A primeira foi a Sociedade Para Propagação do Evangelho, fundada em 1649,
na Nova Inglaterra, (EUA), pelo Pr. congregacional John Eliot, que fora enviado pela
Igreja Congregacional da Inglaterra para evangelizar os índios da América do Norte.
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A Sociedade Para a Promoção do Conhecimento Cristão (SPCK), liderada por
Thomas Bray, foi fundada em 1698 pela Igreja Anglicana da Inglaterra.
Marcou o início das “missões inglesas”, estabeleceu bases na Índia; um dos
seus principais missionários foi Christian Friedrich Schwartz (1724-1798), serviu
48 anos na Índia.
Pelos idos de 1700, foi fundada a Sociedade Escocesa Para Propagação do
Conhecimento Cristão.
David Brainerd (1718-1877) foi enviado para trabalhar entre as tribos de
índios nômades nos EUA.
Alexander Duff foi para a Índia em 1830 (levou 18 anos para ganhar 33
indianos para Cristo).
Em 1701, anglicanos e outras igrejas evangélicas da Inglaterra se uniram e
formaram a Sociedade Para Propagação do Evangelho em Terras Estrangeiras
(SPG).
Objetivo: Prestar apoio aos missionários na América do Norte e Índias
Ocidentais. Em pouco tempo enviaram mais de 350 missionários.
Em 1705, em Halle, Alemanha, os pietistas criaram a Missão DANISH-HALLE,
cujo líder foi Franz Lutkens.
Destacam-se Bartholomeu Ziegenbald e Henry Plutschau, enviados para
Tranquebar, Índia.
Os anglicanos ingleses formaram em 1799 outra missão, a Sociedade
Missionária da Igreja (CMS).
William (Guilherme) Carey contribuiu muito para que, em 1792, na Inglaterra,
um grupo de pastores fundassem a Sociedade Batista Missionária.
O primeiro missionário comissionado foi John Thomas, que era um médico da
esquadra real e que permaneceu na Índia depois de seu pedido de serviço, a fim de
trabalhar como médico-missionário. Wuillian Carey voluntariou-se para auxilia-lo, e
foi para lá em 1793 e trabalharam juntos por 41 anos.
Em Londres, os Congregacionais, fundaram em 1795 a Sociedade Missionária
De Londres.
Principais missionários: Roberto Moffat (África do Sul-1816); David Livingstone
(África do Sul-1871), Robert Morrison foi o 1º missionário protestante enviado à
China; (Chegou em Cantão em 1807).
Em 1797 foi fundada a Sociedade Missionária Holandesa. Evangelizaram
basicamente na Indonésia e, como em nenhuma outra parte do mundo,
conseguiram a conversão de muçulmanos.
Em 1810, os congregacionais e presbiterianos norte-americanos formaram a
Junta América Para As Missões Estrangeiras (AMERICAN BOARD).
No ano de 1817, os batistas norte-americanos fundaram a Junta Americana
Dos Missionários Batistas.
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3.11. Preocupação Social Ocupa o Lugar de
Missões
Este assunto provocou muito impacto no final do séc. 19 e início do séc 20. A
questão social passou a ser mais enfatizada do que a relação individual entre o
crente e Deus. Muitos líderes cristãos aderiram ao chamado “Evangelho Social”.
A maior expressão deste tipo de “Evangelho” veio à tona anos mais tarde, na
América Latina com a Teologia da Libertação.
3.12. O Terceiro Despertamento Missionário
A. Cristãos Voluntários X Liberais. Em reação ao liberalismo, surgiu nos EUA
uma nova geração de missionários profundamente determinados a manter uma fé
pura e confiar na dependência total de Deus. Eles partiram para um intenso
tablado de evangelismo, até mesmo aos próprios cristãos nominais, em seu país e
também na Europa e América Latina.
Depois disso, os Estados Unidos passaram a ser nação com o maior número
de missionários atuando em todo o mundo. Estes novos missionários, na maioria,
eram formados em Institutos Bíblicos e Faculdades Cristãs. Apareceram nos fins do
séc 19 e limiar do séc 20.
B. Nasce o Movimento Voluntário Estudantil. “Foi nessa nova onda
missionária que nasceu nos EUA o Movimento Voluntário Estudantil em 1886.
Perdurou por 50 anos e enviou mais de 20 mil estudantes para o campo
missionário no exterior, a maioria norte-americanos. Os mais conhecidos desses
estudantes foram Carlos T Studd, J.E.K. Studd, Robert Wilder, Joseph H. Oldham,
Robert E. Speer, W. Tempe Cairdener, Samuel Zwemer, William Pacon, Fletcher
Brockmam e E. Stanley Jones.”
C. Nasce a Aliança Bíblica Universitária (ABU). Quem criou a ABU foi C.
Stacey Woods, em 1943, nos EUA. O objetivo da ABU é promover missões nos
“campus” das Universidades.
Na UFJF, funciona um núcleo da ABU que está ligada a ABU da Região
Centro-Oeste.
D. Nasce a Associação Evangélica das Missões Estrangeiras. Esta associação
foi fundada depois da 2ª G.G.M, nos EUA. Contrária ao liberalismo, recebeu o apoio
da maioria das missões da sua época.
E. Novas Sociedades e Agências Missionárias. Nessa época muitas outras
organizações missionárias começaram a surgir no mundo, tais como: a Missão para
o Interior do Sudão (SIM); a Cruzada de Evangelização Mundial; O Ministério de
Cruzadas Além-Mar e etc.
Em conseqüência do movimento estudantil e destas novas agências
missionárias, muitos países outrora fechados ao Evangelho, foram alcançados.
F. O Movimento Pentecostal. Nos idos de 1910, aconteceram em diferentes
lugares dos EUA movimentos de renovação espiritual entre igrejas protestantes
tradicionais: presbiterianos, congregacionais, batistas, metodistas, etc. Esse
movimento ficou sendo chamado de Movimento Pentecostal.
As igrejas protestantes que haviam aceitado o Batismo no Espírito Santo, não
podendo mais permanecer no seio de suas denominações e possuindo vários
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missionários no campo, razão pela qual necessitavam de uma autoridade executiva
e organização, formaram em 1914 as Assembléias de Deus norte-americanas.
Dentro desse entusiasmo missionário do Movimento Pentecostal destacam-se
os suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren, que vieram dos EUA para o Brasil em
1910, e se instalaram na cidade de Belém do Pará. Ali, em 1911, logo após a não
aceitação do batismo no Espírito Santo pela Igreja Batista (como aconteceu nos
EUA), formaram, juntamente com um grupo de irmãos, a Missão de Fé Apostólica,
que em 1918, veio a se chamar Assembléia de Deus.
3.13. Conferências Nacionais e Mundiais
A partir do século 19 em quase todos os países onde havia trabalhos
missionários protestantes aconteceram conferências missionárias com a
participação de diferentes sociedades missionárias que motivaram a realização de
Conferências Missionárias Nacionais e a formação de Comitês e Missões.
Depois da primeira realizada na Índia em 1855, cada vez mais foram sendo
realizadas conferências, agências e sociedades missionárias a realizarem juntas
grandes conferências mundiais de missões, hoje chamadas de Congressos Mundiais
de Evangelização. Já foram realizados 13 desses Congressos Mundiais. Os que
foram considerados mais importantes são: o de Edimburgo, na Escócia, em 1910, e
o de Lausanne, na Suíça, em 1974.
A nível regional, os envolvidos com a tarefa missionária também têm-se unido
em conferências. Como é o caso do Congresso sobre Evangelismo no Pacífico Sul,
em 1968; o Congresso Missionário para Estudantes de toda a Ásia, em 1973; a
Consulta sobre Missões em toda a Ásia em 1973; a Associação de Missões n Ásia,
em 1975; e o COIBAM (Congresso Latino –Americano sobre Missões) realizado em
São Paulo, em 1987.
Muitas outras Consultas Globais, reuniões denominacionais e regionais com o
objetivo de tratar de assuntos missionários estão planejadas ao redor do mundo.
Nos últimos 50 anos da História de Missões, pôde-se constatar que naquelas
áreas do mundo tidas como “campo missionário”, a Igreja tem florescido, e hoje,
estão se tornando “base de envio de missionários”.
“Trabalhemos enquanto é dia, pois a noite vem, quando ninguém mais pode
trabalhar…”
4 – MISSÕES TRANSCULTURAIS
O prefixo “trans” deriva-se do Latim e significa “movimento para além de”, ou
“através de. Sendo assim, em linhas gerais, missões transculturais é transpor uma
cultura para levar a mensagem do universal do Evangelho.
Segundo Larry Patê, missões transculturais, “é a proclamação do amor de
Deus, que ultrapassa fronteiras culturais, raciais e lingüísticas”.
A mensagem do Evangelho não pode se restringir a uma só cultura, mas ter
alcance abrangente, em todos os quadrantes da Terra, onde quer que haja uma
etnia que ainda não a tenha ouvido.
O Evangelho está acima de nossas concepções humanas e deve valer-se dos
elementos étnicos de cada cultura para ser proclamado. É preciso descobrir o
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“approach” de cada cultura, ou sejam os seus pontos de aproximação, para
comunicar de maneira adequada as verdades do Evangelho.
Não é o Evangelho que se curva a cultura, mas esta se curva ao Evangelho.
Isto é fazer missões transculturais.
4.1. O Que é Cultura?
Para muitos, a palavra “cultura” significa o grau de estudos de uma pessoa.
Por isso, é comum ouvirmos alguém falar: “Fulano de Tal tem muita cultura”.
Quase todas as pessoas fazem esta associação da cultura com o nível intelectual ou
de instrução de alguém. Mas cultura não é isto.
Cultura é, segundo a definição do dicionário Aurélio, “o complexo de
comportamento, das crenças, das instituições e doutros valores espirituais e
materiais transmitidos coletivamente e característicos de uma sociedade”.
Na Antropologia, o termo cultura é visto sempre em associação com outro
termo, a saber: sociedade.
Para um antropólogo, cultura “é o conjunto de comportamentos e idéias
característicos de um povo, que se transmite de uma geração a outra e que resulta
da socialização e aculturação verificadas no decorrer de sua história”. Assim sendo,
cultura “é o modo de agir”, e o termo sociedade designa o “grupo de indivíduos que
compartilham de um mesmo modo de agir”.
Precisamos entender bem claramente que cada povo tem o seu próprio
“Padrão de Cultura”, que é a amalgama de todos os valores passados de geração a
geração em cada sociedade desde os seus primórdios.
É o padrão cultural de cada povo que determina qual a “orientação cultural”
que cada povo segue. Ou seja, a orientação cultural é que norteia o modo de viver
de cada indivíduo dentro de sua etnia.
4.2. Transculturação
Transculturação “é o processo de transformação cultural caracterizado pela
influência de elementos de outra cultura, com a perda ou alteração dos já
existentes” M. Dicionário Aurélio).
Note, na definição do termo, o seguinte “… é a influência de elementos de
outra cultura, com a perda ou alteração dos já existentes”.
O missionário transcultural deve tomar muito cuidado para não exercer este
papel. O papel do missionário não é alterar ou mudar os valores de uma cultura. O
seu compromisso é com os Princípios Bíblicos. Estes, sim, podem exercer influência
e até mesmo alterar situações contrárias à fé cristã, que deverão ser resolvidas no
próprio contexto cultural, sem que seja necessário “importar” ou “adaptar” modelos
de outros padrões de culturas.
4.3. Etnocentrismo
Etnocentrismo é “uma tendência a ver a nossa própria cultura como maneira
universal de comportamento”.
O missionário não pode se deixar levar por esta atitude. Entretanto, isso às
vezes acontece; acontece, porque somos tão inconscientes de como nossas vidas são
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guiadas pela nossa cultura e idioma, que de repente, descobrimos que é mais difícil
do que pensávamos aceitar uma outra cultura. Embora, reconhecendo o que possa
ser considerado comportamento apropriado em outra cultura, apegamo-nos ao que
consideramos “normal” e “natural”. Achamos que a nossa maneira de fazer as
coisas é “superior” e “correta”. Quando isto acontece com um missionário no seu
campo de trabalho, é reflexo de que ele não teve uma boa aculturação.
4.4. Aculturação
Já vimos que cada povo tem o seu próprio padrão de cultura, e também que as
culturas diferem na língua, na forma de ver o mundo, na valorização da conduta e
em muitos outros aspectos. Quando alguém tenta comunicar uma mensagem a
uma pessoa de outra cultura, um emaranhado de coisas impede que esta
mensagem seja bem compreendida. É como se houvesse um bloqueio entre a fonte
e o receptor. Este bloqueio realmente existe e é chamado de barreira, ou rede
cultural.
A solução eficaz para o problema da “rede-cultural”, é o missionário
intercultural “passar pela rede”, ou seja, ele deve assimilar a cultura do povo onde
missiona; Ele deve se esforçar ao máximo em aprender o idioma local e comunicar,
na língua desse povo, a mensagem do Evangelho; E para isso, ele deve usar as
normas de conduta deste povo, bem como seu sistema de símbolos.
O missionário tem que deixar a sua dimensão e entrar na dimensão do povo
em que atua utilizando os próprios recursos deles para se fazer compreendido.
Este processo é chamado de aculturação.
A. Estratégia de Aculturação.
A Cosmovisão
Para atravessar uma “rede cultural” e alcançar uma cultura de forma eficaz
com o Evangelho, é importante desenvolver uma estratégia funcional.
O missionário deve saber em que pontos as culturas se diferem. Tem de
reconhecer os princípios a serem aplicados, mas deve saber como aculturar-se no
grupo que deseja alcançar. Para conseguir isso, deve saber que o centro de toda
cultura e seu gerador primário, é a COSMOVISÃO.
Cosmovisão é o conjunto de princípios, símbolos e valores que um povo tem
como verdades para a sua realidade.
Esses valores, por sua vez, hão de gerar um conjunto de normas aceitas como
condutas normais desse povo. A ilustração abaixo exemplifica isto:
Certo missionário perguntou ao chefe de uma tribo africana se podia levar sua
família para viver nessa aldeia. O chefe perguntou o motivo. Então o missionário lhe
disse que tinha uma mensagem importante para o povo.
– Qual a mensagem?-perguntou o chefe.
– Eu lhe contarei a mensagem se permitir que minha família e eu vivamos com
o seu povo durante dois anos.-respondeu o missionário.
O chefe concordou. Nesses dois anos o missionário e sua família aprenderam a
língua do povo, aprenderam a cultivar a terra, cozinhar, comer e comportar-se como
o povo dessa aldeia. Por outro lado, todos observavam os estrangeiros com grande
curiosidade, especialmente no princípio. Viam-nos orar. Percebiam como amavam
os filhos e como faziam amigos entre o povo.
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Passados os dois anos, a aldeia toda decidiu dar uma festa especial para que o
missionário comunicasse a sua importante mensagem. O povo havia aprendido a
amá-lo e a respeita-lo. Estava realmente desejoso de saber porque ele havia deixado
sua própria terra para viver entre eles durante esses dois anos.
Quando o missionário se levantou e começou a falar na língua do povo, todos
ficaram atentos à verdade. Ele começou pelo princípio, exatamente como os anciãos
faziam à noite, ao contarem suas histórias em volta das fogueiras. Contou-lhes a
história de um homem especial enviado por Deus. Hora e meia mais tarde, o
missionário acabou de apresentar sua mensagem, e ficou esperando que o chefe
falasse, como de costume. O chefe fez algumas perguntas sobre os espíritos
malignos para o missionário, o qual respondeu a cada uma delas usando a Palavra
de Deus. O povo resolveu voltar na noite seguinte para ouvir mais. E assim foi por
quatro noites consecutivas. No final da mensagem da quarta noite. O chefe se pôs
se pé e declarou que queria seguir o modo de vida de Cristo. O chefe foi o primeiro a
ser batizado. Em pouco tempo, a aldeia inteira aceitou “o modo de vida de Cristo”!
O êxito deste missionário se deu porque ele conseguiu penetrar na cosmovisão
do povo. Ou seja, ele construiu uma plataforma na mentalidade deste povo, de onde
ele podia verdadeiramente falar e ser ouvido. E por causa do seu proceder todos os
naturais chegaram a ser cristãos.
Se o missionário tivesse começado a pregar logo assim que chegou, sem antes
atravessar a “rede cultural”, ou seja, sem aculturar-se; sem entender qual era o
conjunto de valores do povo, sem entrar na cosmovisão do povo, para aí então,
compreender quais as normas de conduta deste povo e assim poder pregar o
evangelho, ele não teria bem sucedido. Talvez depois desses dois anos ele tivesse
apenas um pequeno grupo de convertidos, ou nenhum.
Observe a figura abaixo:
COSMOVISÃO
SISTEMA DE VALORES
NORMAS DE CONDUTA
A Cosmovisão de certo povo é a sua percepção básica de como as coisas são e
de como chegaram a ser assim.
A cosmovisão é o coração de uma cultura!
B. Princípios de Aculturação. Através de bons princípios de aculturação o
missionário transcultural, pode diminuir muito o choque cultural. No próximo
ponto falaremos sobre este choque, agora vejamos alguns destes princípios de
aculturação.
Seguir as Normas de Conduta da Cultura Hóspede. Em geral, o processo de
aculturação requer de 2 a 5 anos. Para o missionário, quanto mais tempo puder
passar com o povo adotado, melhor. Quando um obreiro transcultural entre pela
primeira vez noutra cultura, o faz no nível das “normas de conduta”. Sua
compreensão do “sistema de valores” e da “cosmovisão” dessa cultura é mínima.
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O missionário precisa aprender a comer, vestir, dormir, viajar, receber visitas e
fazer muitas outras coisas exatamente como o povo da cultura local faz. Agindo da
maneira do povo, logo o missionário compreenderá os valores em que se baseiam
essas normas de conduta. Aprenderá não somente a compreendê-los, mas também
ele próprio começará a adotar muitos desses valores, que começarão a ter sentido
para ele.
Quanto mais o missionário adotar as normas de conduta do povo, tanto mais
se convencerão de que ele os respeita e se interessa por eles.
Contribuir para que o Evangelho Transforme a Cosmovisão do Povo. Não é
suficiente mudanças apenas nas “normas de conduta” do povo. A pregação do
Evangelho precisa atingir a sua “cosmovisão” e seu “sistema de valores”. Enquanto
isso não acontecer, o Evangelho não terá penetrado realmente na sociedade.
É possível o missionário conseguir persuadir algumas pessoas a se
comportarem de acordo com o exemplo que lhes dá. Podem até ir à Igreja e
participar das atividades cristãs, contudo, quando se encontram enfermas, ou
atemorizadas por maus espíritos, recorrem à feitiçaria, ao espiritismo ou a outras
atividades não cristãs.
A esse tipo de conduta dá-se o nome de Sincretismo, que é uma mistura de
Cristianismo com outras religiões. O povo inclui o Cristianismo em suas formas de
culto, suas crenças religiosas; não o segue como o único caminho verdadeiro.
A única maneira de vencer o sincretismo é fazer com que o Evangelho penetre
na cosmovisão e no sistema de valores da sociedade. O povo precisa crer no
Evangelho de tal maneira que alcancem uma perspectiva cristã e não mais
pratiquem suas antigas formas de cultos e sacrifícios.
Traçar o perfil dos Valores básicos da Cultura Hospedeira. Tendo
aprendido a maior parte das normas de conduta da cultura que o hospeda, o
missionário começará a entender os valores básicos do povo. Isto lhe dará um
quadro mais claro de como comunicar o evangelho a esse povo.
Julgar a Própria Conduta Social, Moral e Religiosa Segundo as Normas da
Cultura Hospedeira. O missionário tem que evitar o Etnocentrismo a todo custo.
Não deve julgar as normas de conduta da cultura local segundo suas normas
culturais. Antes, deve aprender a ver sua própria conduta de acordo com o sentido
que lhe dá, a cultura local.
Aguardar o Momento Certo para Começar a Pregar. Um dos erros mais
comuns que os missionários cometem é começar a pregar logo que chegam na cova
cultura.
Certo missionário enviado ao Japão, logo que chegou lá, contratou um
intérprete e deu início a uma campanha de evangelização. Ao fazer o primeiro apelo
no final do culto, todos levantaram as mãos indicando aceitar a Jesus. No segundo
culto aconteceu o mesmo. O missionário concluiu que tanta gente estava se
convertendo que não podia dar tempo à aprendizagem da língua japonesa.
Pregou durante um ano inteiro através do mesmo intérprete antes de saber a
verdade do fato. Cada vez que ele pedia que as pessoas que quisessem aceitar a
Cristo levantassem as mãos, o intérprete simplesmente mandava que todos
levantassem as mãos! De modo que os ouvintes levantavam as mãos não para
aceitarem a Jesus, mas sim, para que o pregador não perdesse o prestígio e
também porque o intérprete lhes dizia que o fizessem.
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Podemos concluir que, enquanto o processo de aculturação não estiver bem
avançado, o missionário não poderá comunicar a mensagem de maneira que o povo
possa recebe-lo.
4.5. Choque Cultural
Se o missionário usar como seu “guia” os princípios e a estratégia de
aculturação apresentadas no ponto anterior, ele conseguirá superar bem o choque
cultural.
O choque cultural é um sentimento de confusão e desorientação que a pessoa
enfrenta quando se muda para outra cultura.
A causa desse choque é exatamente a mudança de normas culturais.
A intensidade do choque dependerá, da diferença entre a cultura de origem e a
cultura hóspede do missionário. Dependerá também, da personalidade e do preparo
do missionário. (Assunto do próximo ponto!).
Já vimos o que é o choque cultural, sua causa e intensidade, agora veremos
alguns sintomas deste choque.
A. Sintomas do Choque Cultural.
Sensação de Desorientação. É comum a pessoa sentir certo incômodo e certa
sensação de desorientação, bem como ansiedade nervosa. Principalmente se ela não
entende a língua local.
Desejo de Isolar-se. Dada a dificuldade de comunicação com o natural, e a
não possibilidade de se comunicar com pessoas de sua cultura, então surge uma
vontade de ficar só.
Comparação das Culturas. O iniciado constantemente nota diferenças entre a
sua cultura e a que o hospeda deve cuidar-se para não se exceder em freqüentes
comparações, pois as pessoas que o cerca podem se sentir ofendidas.
Menosprezo pelas Normas Culturais.
Sensação de Estar Preso.
Sentimento de Hostilidade.
Sensação de Autodesprezo.
Sensação de Fracasso.
Perda da Visão Espiritual.
A lista de sintomas apresentada não é necessariamente progressiva. Mas é um
conjunto de reações normais que ocorrem quando uma pessoa entra numa nova
cultura. O missionário pode não sentir todos estes sintomas, nesta mesma
seqüência e intensidade, mas certamente há de experimentar pelo menos um deles.
Quanto mais o missionário transcultural compreender a cultura em questão e
a tarefa que tem pela frente, menos será o efeito que o choque cultural terá sobre
ele e sua família.
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4.6. O Missionário Transcultural e o Seu Preparo
O missionário transcultural precisa receber um treinamento específico antes
de sair para o campo. Não significa o envio de alguém, sem que este alguém não
tenha recebido um preparo (o mínimo que seja), nas seguintes áreas:
A. Preparo Lingüístico. missionário precisa saber pelo menos, qual o idioma
falado no seu “campo-alvo”. O ideal é que ele saiba falar antes mesmo da partida. E
não apenas o idioma, mas também as peculiaridades da língua do país que vai
trabalhar.
Este preparo exige tempo, estudo e determinação; antes e depois da ida do
missionário para o campo, pois ele não termina com a chegada do mesmo, pelo
contrário, deve ser intensificado; porque o missionário vai precisar de um domínio
completo da língua, bem como de uma boa fluência e também conhecimento de
expressões idiomáticas e regionalismos (e neste caso, quanto mais ele souber,
melhor).
Quando se faz uma tradução de um idioma para outro, nem sempre há
palavras correspondentes entre esses idiomas. O missionário que tem um bom
conhecimento do idioma para o qual se faz a tradução, saberá, então, nesta
ocasião: valer-se da “equivalência dinâmica” para poder transmitir a sua mensagem
de maneira inteligível aos seus ouvintes. Por isso que o missionário necessita de um
bom preparo lingüístico, para poder dar “contemporaneidade” à Bíblia, no país onde
missiona.
B. Preparo Teológico. Importante frisar, quando mencionamos “preparo
teológico”, que não basta ao missionário, ter meros conhecimentos de conceitos
sistemáticos da Bíblia e querer transporta-los de uma realidade para outra. É
preciso que estes conceitos tenham correspondências práticas na vida de quem os
ensina, especialmente no campo missionário; onde poderá haver circunstâncias que
exigirão “provas” daquilo que se prega. Em outras palavras, o missionário deve viver
o que prega e pregar o que vive.
Toda boa teoria que não for aprovada, não passa de uma “boa teoria”. O
ensino bíblico não pode ficar apenas no campo teórico. Se não for acompanhado de
evidências terá pouco resultado. Leis Tg 1.22; etc.
Não basta ao missionário ter conhecimento teológico. Este preparo deve
reverstir-se da visão transcultural para que ele possa encontrar em cada etnia o
instrumento próprio para aplicar os ensinos na vida do povo. Para o missionário
ensinar as verdades bíblicas em outra cultura, ele precisa contar com o momento
adequado e a estratégia certa.
C. Preparo Transcultural. Costumes são mutáveis e diferem de uma região
para a outra. O missionário precisa conhecer os costumas do povo que vai
trabalhar, para que o choque cultural não gere efeitos negativos.
Uma questão séria é a do vestuário. O quadro muda de país para país; e de
região para região. O missionário precisa ter bastante equilíbrio para não exportar
costumes de sua cultura para a do povo adotado; nem tão pouco quando retornar à
sua pátria, importar costumes do campo onde missiona para i seu país de origem
que sejam incompatíveis com o seu “modus vivendi”.
A área de costumes inclui também, hábitos alimentares, ética à mesa,
convivência familiar, etc; que diferem de uma cultura para a outra.
Os costumes mudam, mas os princípios bíblicos são imutáveis.
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4.7. Tipologia da Evangelização
“Nosso mundo hoje, é muito mais complexo do que o mundo dos crentes da
Igreja Primitiva. Atualmente há mais línguas, mas países, mais grupos étnicos do
que quando a Igreja Primitiva foi tão eficaz na evangelização intercultural. Nessa
época não era preciso passaporte, nem vistos, e o grego era um idioma comum
falado por muita gente. Hoje, as distâncias entre as cidades, são muito maiores,
tanto geográfica quanto culturalmente. Se desejamos ser “missionários” eficazes,
devemos aprender tudo quanto podemos acerca das diferenças e de como superar
as barreiras que se apresentam para uma comunicação eficaz do evangelho”.
Buscando criar meios e estratégias para a evangelização mundial, o estadista
de missões Ralf Winter (U.S. Center), criou um esquema com base nas distâncias
culturais entre o missionário e seus ouvintes.
“O homem precisa criar formas de controlar sua realidade para compreendê-la
e modificá-la. Exemplo: Metro-Distância; Hora-Tempo.” Com Missões também é
assim.
É de grande valia para nós, compreender-mos o conceito de “Distância
Cultural”; ou seja, o quanto uma cultura é “distante” (diferente) da outra!
Ralf Winter separou a Evangelização em três etapas: E-0, E-1, E-2, E-3.
A. E-0. Evangelização E-0, significa uma evangelização com barreira cultural
0! Isto é, sem nenhuma distância cultural entre o emissor e o receptor. Isto ocorre
quando um verdadeiro cristão ganha para Cristo “cristão nominais”. Neste caso não
existem barreiras culturais, nem religiosas, nem geográfica, nem de tipo algum.
B. E –1. Evangelização E-1 é ganhar para Cristo pessoas da própria cultura do
evangelista, mas que ainda não “nasceram de novo”. Por exemplo, quando um
crente pentecostal leva ao Senhor alguém de sua própria cultura que é católico
romano. A cultura é igual, mas a religião é diferente.
C. E-2. Evangelização E-2 é ganhar para Cristo pessoas que pertencem a
culturas diferentes, mas similares à do evangelista. As culturas desses povos não
são exatamente iguais, porém, podem ser bastante aproximadas, até o ponto de
falarem a mesma língua materna.
Temos dois exemplos bíblicos. O primeiro, são os samaritanos. Embora fossem
à semelhança dos judeus, inclusive na língua, pois falavam o aramaico, contudo,
havia profundos preconceitos históricos e culturais que eram verdadeiras barreiras,
entre esses dois grupos étnicos, a ponto de não se comunicarem um com o outro
(Jo 4).
De maneira que, quando Filipe começou um avivamento entre os samaritanos,
ele estava fazendo E-2!
O segundo exemplo, é quando os judeus helenitas começaram a estabelecer
igrejas entre os gregos (At. 19.20). Eles cruzaram uma barreira de grande
preconceito religioso e racial para ganhar os gregos para Jesus, e o fizeram numa
língua diferente da sua.
A evangelização do tipo E-2 é uma evangelização intercultural. Quando a
barreira idiomática ou a cultural, ou ambas, são suficientemente grandes que
requeiram uma igreja em meio ao povo evangelizado, então temos uma
evangelização intercultural. Uma grande parte da evangelização intercultural
registrada na Bíblia é do tipo E-2.
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D. E-3. Evangelização E-3 é ganhar para o Senhor, membros de uma cultura
muito distante. Neste caso não existe nenhuma semelhança cultural entre o
emissor e o receptor. Isto é, entre o evangelista e o povo evangelizado.
O fator chave a ser considerado é a distância cultural.
4.8. A Teoria do Evangelismo de Vizinhança
Alguns pensam que a evangelização de certa parte do mundo é de
responsabilidade única dos crentes dessas regiões. Os que assim pensam, não são
favoráveis à evangelização do tipo E-3 (ou seja, não são favoráveis a missões
transculturais!). Há até mesmo quem considera E-3 desnecessária. Isto porque
acreditam (às vezes até inconscientemente) no pensamento conhecido como “teoria
do evangelismo da vizinhança”.
As pessoas que acreditam no evangelismo de vizinhança deduzem que, uma
vez que há alguns crentes em determinada região do mundo, basta que estes
“evangelizem seus vizinhos” (evangelização do tipo E-0 e E-1) uma vez que estão
culturalmente próximos, assim, não se faz necessário o envio de missionários (para
se fazer E-3!) e em pouco tempo o mundo todo terá sido evangelizado. Entretanto,
estas pessoas se esquecem que para se fazer E-1 é necessário que antes se faça E-
3! Foi assim com Jesus. Ele realizou E-0, E-1 e também E-2 (no caso de Jo 4!),
antes porém, realizou E-3, porque foi ENVIADO de um outro “País” e precisou
aculturar-se à cultura judaica antes de começar a pregar o Evangelho!
Como vimos anteriormente, o missionário precisa transpor uma barreira
cultural, geográfica ou lingüística para poder ministrar o Evangelho. Foi
exatamente isto que Jesus fez… é por esta razão que David Livingstone disse a frase
que já citamos anteriormente, mas que vem a propósito: “Deus tinha um único filho
e fez dele um missionário”.
Seguindo estes padrões de evangelização, concluímos que se um evangelista
sair fazendo E-1, em um determinado momento ele vai encontrar uma barreira (seja
ela geográfica, cultural ou lingüística), ao transpor esta barreira estará fazendo E-2
e mesmo E-3. Exemplificando:
Suponhamos que eu queira divulgar o Evangelho em todo o mundo, mas sem
sair da minha cidade natal, Juiz de Fora; sem fazer missões transculturais. Então,
eu evangelizo o meu “vizinho” e dou-lhe a incumbência de ganhar o seu e de
passar-lhe a mesma tarefa. Logo, logo teremos evangelizado todos os bairros de Juiz
de Fora e o último “vizinho”, ganhou alguém do estado do Rio de Janeiro. E lá no
Rio o evangelho foi passando de “vizinho a vizinho” até chegar em São Paulo, depois
no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Até aqui só houve E-1. Então, o
“vizinho” da última cidade do Rio Grande do Sul, que faz fronteira com o Uruguai,
vai da mesma forma como foi feito até agora, tenta evangelizar o seu vizinho. Só que
este seu “vizinho” uruguaio fala outra língua, tem outros costumes, enfim, tem
outra cultura e pertence a outro grupo étnico, diferente do Brasil. Isto que dizer que
o “vizinho” crente se deparou com uma barreira cultural, geográfica e lingüística. Se
ele pretende realmente ganhar o uruguaio para Jesus, então terá de transpor estas
barreiras e a única maneira é fazendo Missões Transculturais! (Neste caso E-2).
Outro exemplo que pode ser dado é o caso da Igreja do Paquistão. É composta,
na sua maioria, de ex-hindus, os quais não conseguem testemunhar para seus
vizinhos muçulmanos (97%) geograficamente próximos, porém, muito distantes
culturalmente. Neste caso também, o “evangelismo de vizinhança” não funciona.
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Poderia ter citado ainda o caso de uma Igreja no Sul da Índia (País que sofre
com a desigualdade social por causa da sua divisão em “Castas!”), ou o da Igreja de
Batak, na Indonésia, entretanto creio que já ficou bem claro que só se faz E-1 se
antes, for feito E-3.
“A igreja saudável e no centro da vontade de Deus é aquela que segue seu
Senhor e faz tal qual ele fez…”
5 – ANTROPOLOGIA MISSIONÁRIA
5.1. Definindo Antropologia
Você sabe o que é Antropologia?
Há várias definições desta palavra: “É a ciência natural cujo objeto é o estudo
e a classificação dos caracteres físicos dos grupos humanos”. Krober a define como
“a ciência dos grupos humanos, seu comportamento e as suas produções”. Há
quem diga que é “a ciência da cultura humana”. Em linhas gerais, “Antropologia é o
estudo do ser humano”.
A Antropologia abrange uma esfera de estudo muito ampla. Divide-se em duas
grandes áreas: Antropologia Física e Antropologia Cultural.
5.2. Antropologia Física
É o seguimento da Antropologia que estuda os primatas, a genética, a
evolução, as mudanças do corpo e as descrições das características dos povos.
A Antropologia Física, no estudo da espécie humana, registra a evolução e a
diferenciação dos tipos raciais. A raça humana pode ser dividida em três grupos
étnicos principais: negróide, mongolóide e causóide. Para uma investigação exata
dos tipos raciais e sua classificação desenvolveu –se uma técnica de mensuração.
No que diz respeito à aplicação dessa técnica ao esqueleto e ao homem vivo, usa-se
também o termo Antropometria.
O estudo do homem fóssil ou pré-histórico representa uma especialização
paleontológica no vasto no campo da Antropologia Física.
5.3. Antropologia Cultural
O seguimento da Antropologia que estuda as culturas pré-históricas, a
etnologia, folclore, a organização social, a cultura e a personalidade, a aculturação e
a aplicação da Antropologia aos problemas humanos.
Na análise dos modelos padrões de vida e do comportamento humano nas
diversas culturas, o antropólogo deve procurar respostas para três perguntas
principais:
1. Quais as funções dos vários aspectos duma cultura, isto é, comida, abrigo,
transporte, organização da família, crenças religiosas, línguas, valores,
etc.?
2. O que faz um membro de uma sociedade agir como age? Em outras
palavras, por que todos não agem da mesma maneira? Quais são as
normas que determinam a conduta dos membros de uma sociedade?
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3. Quais os fatores que determinam a conservação de certos aspectos
culturais e a substituição de outros com o decorrer do tempo?
Como podemos perceber, não é suficiente apenas analisar os tipos de
vestimenta ou comida de um povo, mas precisamos analisar também quem usa
esta ou aquela roupa e porque a usa.
5.4. O Que a Antropologia nos Ensina?
A Antropologia tem feito muitas contribuições ao conhecimento de nós
mesmos e de outros seres humanos. Podemos resumir algumas dessas
contribuições básicas da seguinte maneira:
1. O comportamento humano não é ilógico ou efetuado ao acaso, mas segue
modelos culturais definidos.
2. As partes que formam o padrão de comportamento de uma cultura são
interligados.
3. A maneira como os diferentes povos seguem e pensam pode tomar formas
bastante variadas de cultura para cultura.
“Pede-me, e eu te darei as nações por herança e as extremidades da Terra por
tua possessão” (Sl 2.8).
5.5. A Cultura e Suas Divisões
Relembremos a definição de Cultura, segundo o dicionário Aurélio: Cultura é
“o complexo de comportamento, das crenças, das instituições e doutros valores
espirituais e materiais transmitidos coletivamente e característicos de uma
sociedade”.
Há muitas partes da nossa cultura que supomos serem tão lógicas, tão
naturais e até mesmo universais, que nem estamos conscientes delas, realizando-as
automaticamente. Devemos, todavia, lembrarmo-nos de que outros povos têm
diferentes maneiras, (e às vezes bem diferentes!) de considerar um mesmo assunto.
Podemos classificar a cultura em diferentes seguimentos:
• Material;
• Social;
• Religiosa;
• Lingüística;
• Estética;
• Musical;
• Artística, etc.
Interessante traçarmos um paralelo entre estes seguimentos da Cultura para
analisa-los cuidadosamente. Vejamos alguns casos:
A. A Cultura Material em Relação à Cultura Social. O dinheiro e a riqueza são
desejados pelo homem, não só porque possuem valor em si, mas também porque
proporcionam um status diferente diante de uma sociedade. Um homem rico é um
homem importante, respeitado. A riqueza proporciona segurança, poder e prestígio
(a não ser se foi adquirida de forma ilícita!)
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A tendência natural do homem de querer possuir tal status produz uma
influência inevitável da cultura material sobre a cultura social. Veja que exemplo
interessante, de um fato ocorrido entre os índios do Canadá.
Na tribo dos índios “Atapascam”, no norte do Canadá, antigamente, quando o
clima era muito frio e a vida, conseqüentemente, muito difícil, uma mulher tinha
dois ou três maridos. A escassez de alimentos e a difícil economia não
proporcionavam condições para um homem sustentar numa pessoa e a respectiva
prole. Mas aconteceu um fato que mudou radicalmente este sistema. Os homens
daquela tribo adquiriram espingardas, e se tornou bem mais fácil conseguir caça.
Então podiam matar animais maiores, e houve abundância de alimentos. A partir
de então, os homens podiam sustentar suas respectivas famílias e eles é que
passaram a ter duas ou três esposas. Concluindo, a espingarda, que é um bom
material, mudou a cultura social.
B. A Cultura Material em Relação à Cultura Religiosa. A influência do material
é forte, até mesmo na vida religiosa. Isso nos traz mais uma vez à revelação da
verdadeira essência da natureza humana.
Na Suíça (o “Banco do Mundo”), eles dizem não “precisar” de Deus, afinal, têm
uma economia estabilizada, etc. Já, no Brasil, muitos vão aos centros espíritas com
o propósito de conseguir êxito nos negócios ou mesmo para ganhar na Loteria
Papa–tudo, Tele-Sena, etc., e quiçá, num jogo de futebol. A razão dessa procura
religiosa é meramente econômica!
Em contrapartida, observamos que pessoas que possuem poucos recursos
financeiros, ou que já tiveram muito e perderam tudo, são mais abertas para uma
experiência genuinamente religiosa.
C. A Cultura Material e a Missão Cristã. Nós sabemos que Deus está
interessado no indivíduo inteiro, tanto na sua parte espiritual como na física. No
entanto, acontece que, não poucas vezes, temos separado estas duas partes
essenciais do ser humano, pensando que Deus só está interessado na parte
espiritual. Essa não é a mensagem que a Bíblia nos transmite. Vemos em toda a
Palavra de Deus a importância que é dada ao homem total. Por isso, é dever das
missões transmitir essa mensagem, de um modo que penetre na vida toda do
homem e da sociedade.
Uma segunda razão por que deve ser assim, é o fato comprovado de que a
cultura de um homem convertido vai mudando e melhorando dentro do seu
pensamento e da sua sociedade.
O missionário tem o dever de levar o homem à expressão mais perfeita possível
de sua fé em Jesus Cristo, numa nova vida nele. Os costumes e a Cultura do
missionário são irrelevantes e sem sentido para um homem de outra cultura, mas o
missionário, mesmo assim, deve ajudar o novo homem em Cristo e avaliar sua vida
e buscar uma expressão certa do Cristianismo. O Espírito Santo e um estudo
profundo da Bíblia, mostrarão o que os novos cristãos devem rejeitar e o que devem
reter e/ou melhorar para a glória de Deus, na sua própria cultura.
A cultura não é simplesmente um aglomerado de traços e características, nem
tão pouco um amontoado de conhecimentos. Cada parte distinta da cultura se
interliga às demais de forma que resulta num funcionamento sistemático da
sociedade-a sociedade organizada.
O poder salvador do Evangelho manifesta-se pelas boas obras e não pelos
costumes, especialmente numa experiência transcultural. Acima de tudo, está o
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amor, que deverá ser expresso de maneira prática e convincente, o único meio de
atrair homens para Cristo.
Pense nisso, caro aluno: se você diz para alguém (de qualquer cultura que
seja!), que Jesus salva, o seu interlocutor quererá saber como e quererá provas
disso na sua própria vida.
“… e entoavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrirlhes
os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus, os que
procedem de toda tribo, língua, povo e nação, e para o nosso Deus os constituíste
reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra.” (Ap 5.9,10)
5.6. O Problema do Relativismo Cultural
Em decorrência dos estudos antropológicos efetuados até o momento presente,
alguns antropólogos estão dizendo que há relativismo cultural. “Se os esquimós
matam os velhos que não podem mais trabalhar, por que não fazer o mesmo
também?” “Se pode haver liberdade sexual em algumas tribos da África, por que
não podemos tê-la também?” “Tudo é relativo”.
A Bíblia tem muito a dizer sobre isso. Deus conhece os diferentes valores de
cada cultura. Ele reconhece também as oportunidades de casa povo, a revelação
que este tem recebido de Deus. Ele mesmo se revela de diferentes maneiras, em
diferentes culturais. Sobre isso, Don Richardson fala em seu livro “O Fator
Melquisedeque”. Recomendo-o para sua leitura!
Em Lc 12.48 também se diz: “Mas o que não a soube, e fez coisas dignas de
açoites, com poucos açoites será castigado. “A qualquer que muito foi dado, muito
se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou muito mais se lhe pedirá”.
Paulo também sabia que os valores de cada cultura eram diferentes e que
alguns costumes eram relativos e outros não (I Co 16.3). Ele exigiu que Timóteo se
circuncidasse (At. 16.3) e deixou Tito sem circuncisão (Gl 2.3). Não foi incoerência
na conduta do apóstolo, mas um reconhecimento bíblico de que há níveis de valores
de uma cultura para outra e mesmo dentro de uma mesma cultura.
A Bíblia deixa muitos costumes e regras em aberto para que a própria pessoa,
dentro da sua respectiva cultura, escolha, escolha o melhor. Outros mandamentos
são fixos para todas as pessoas na face da Terra. A Bíblia diz que não podemos
matar, nem por atos nem por pensamento. Em todas as culturas isto é pecado
(mesmo na dos esquimós!). A Bíblia também proíbe a vaidade, que é um sentimento
íntimo manifesto de maneiras diferentes em cada cultura. E assim por diante. Há
outros atos que são meros costumes (como maneira de se vestir-que varia de
cultura para cultura-de se saudar, etc.) e, portanto, são deixados à livre decisão de
cada um, dentro do seu “padrão cultural”, sem que a Bíblia os regulamente.
Talvez o discernimento sobre estas coisas seja uma das tarefas mais
importantes e difíceis do missionário. Por isso ele tem de, em primeiro lugar,
conhecer profundamente a Bíblia e o que ela realmente ensina sobre tais coisas. Ele
tem de conhecer também a sua própria cultura para poder compreender as razões
básicas das suas próprias reações e pensamentos. Além disso, ele tem de conhecer
de maneira “êmica” (isto é, de dentro da cultura –não de fora) a cultura dentro da
qual vai trabalhar, para poder transmitir o verdadeiro ensino da Palavra de Deus,
separando-o das práticas da sua própria cultura.
Temos de levar a Palavra de Deus aos outros povos, não a nossa cultura e
nossos costumes!
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6 – JANELA 10/40
6.1. Considerações Preliminares
É provável que você já tenha ouvido ou lido alguma coisa sobre a janela
10/40. Mas, você sabe exatamente o que é? Sabe porque ela é assim chamada? Ou
quais os países que a compõem?
Dada a importância do assunto, não poderíamos terminar esta apostila sem
falarmos a respeito. Todavia, daremos apenas uma pincelada. Incentivamos aos
alunos que prossigam na pesquisa e na atualização de informações alusivas ao
tema proposto.
A. Quanto ao Nome. A pronúncia correta do nome é “JANELA 10/40” (dezquarenta)
E não “dez-por-quarenta”.
Antigamente era chamada de “Cinturão de resistência”.
B. Quanto à Localização. Está localizada entre as LATITUDES 10º e 40º norte
do Equador. Abrange desde o Norte da África, Oriente Médio e Ásia.
C. Realidades da Janela. A janela tem em vista a maior parte das áreas do
mundo com necessidades físicas e espirituais. A maioria dos países do “Mundo A”
estão aqui localizados, e também, a maioria dos governos que se opõem ao
Cristianismo, e ainda, os três maiores blocos religiosos do Mundo: Islamismo,
Hinduísmo e Budismo.
6.2. Razões Para Focalizarmos a Janela 10/40
Vejamos quais as três razões básicas pelas quais devemos focalizar a
evangelização nesta área.
A. Primeira Razão. A Primeira Razão é fundamental razão pela qual devemos
enfatizar a evangelização na Janela 10/40 é por causa do significado bíblico e
histórico desta área.
A Bíblia começa com a explicação que Adão e Eva foram colocados por Deus
no “Jardim do Éden”, lugar onde é hoje o “coração da Janela 10/40”.
O plano de Deus expresso em Gn 1.26 é que o homem teria domínio sobre a
terra e deveria preenchê-la. Mas quando Adão e Eva pecaram contra Deus,
perderam seu domínio sobre a terra.Com o comportamento pecaminoso do homem
sempre crescente. Deus resolveu intervir e julgou a terra com o “Dilúvio”. Depois, os
homens vieram estabelecer seu novo intento para dominar: construíram a “Torre de
Babel”. Essa obra também ocorreu no “coração da Janela 10/40”, e foi feita como
uma provocação a Deus (Gn 11.3). Novamente, Deus estendeu sua mão como
julgamento. O resultado foi a introdução de línguas, separação de povos, e,
formação de nações.
Cristo nasceu em Israel, país que compõe a Janela 10/40. Viveu uma vida
perfeita, morreu sacrificialmente na cruz e ergueu-se triunfante sobre a morte.
A Igreja primitiva anunciou isto, mas foi somente após as viagens missionárias
do Apóstolo Paulo que a proclamação ocorreu mais além da Janela 10/40.
Sem dúvida, é uma área de significado bíblico e histórico.
B. Segunda Razão. A Segunda razão, é porque ali vive o maior número de
povos não-alcançados do mundo.
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Dentro da Janela 10/40 está 1/3 da área total da Terra, 2/3 da população
mundial; cerca de 3 bilhões de pessoas.
Nesta área estão, estatisticamente, as pessoas mais pobres do mundo,
vivendo, ou melhor, sobrevivendo, em estado de absoluta miséria.
Sessenta e dois países formam a Janela 10/40. Dos quais, 37 estão totalmente
dentro do “retângulo” da Janela 10/40. Dos 62 países 18 são completamente
“fechados” ao Evangelho. Isto representa um total de 97% dos povos inalcançados.
C. Terceira Razão. A Terceira Razão, é a presença das três maiores religiões de
grande domínio no mundo. A maioria dos adeptos do Islamismo, Hinduísmo e
Budismo, vive na Janela 10/40.
A presença Islã é desde o Norte da África até o Oriente-Médio, perfazendo um
total de 700 milhões de pessoas.
Nós devemos fazer o máximo possível para mostrar aos muçulmanos que o
grande profeta descrito ao Alcorão, não é Maomé, mas sim Jesus Cristo.
No meio da Janela 10/40 está a Índia, e o hinduísmo também constitui um
total de 700 milhões de pessoas.
À direita da Janela 10/40, temos a China que é o mundo budista.
Há 1,2 bilhões de chineses que estão precisando desesperadamente de Jesus.
Eles representam o maior bloco “identificável” da Janela 10/40.
Na verdade, todo o Mundo necessita do Evangelho. Mas, em nenhum outro
lugar é tão gigante esta necessidade.
6.3. Definições Importantes
Há algumas definições que nos ajudam a melhor entendermos a matéria.
Povo. Povo é o conjunto de indivíduos sujeitos às mesmas leis;
País. É o território ocupado por uma determinada população. É o espaço
geográfico que uma população habita.
Estado. É “uma sociedade organizada sob a forma de governantes e
governados, com território delimitado e dispondo de poder próprio para promover o
bem de seus membros, isto é, o bem público”.
População. Sentido quantitativo; abrange todos os que residem num território,
além da chamada “população flutuante”, isto é, pessoas que estão de passagem
pelo país, ou que nele reside temporariamente.
Nação. É o povo socialmente organizado e consciente de seus objetivos
comuns. É o povo e o conjunto de suas instituições sociais, línguas, usos e
costumes.
Pátria. É o país onde nascemos e ao qual estamos emocionalmente ligados.
Tudo o que vimos até agora são definições da Sociologia.
Mas ainda falta definir um termo muito importante: Povo não-alcançado ou
“inalcançado”.
Também são empregados os termos, “povo-fronteiriço”, ou “povo-escondido”.
Esta terminologia serve para designar um povo etnolingüístico sem nenhuma
comunidade nativa de cristãos com número e recursos suficientes para evangelizar
seu próprio povo sem nenhuma assistência externa (transcultural).
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Segundo os pesquisadores, existem cerca de 11.286 grupos étnicos, ou seja,
povos, na Terra. E a Bíblia diz que o Evangelho precisa ser pregado a cada um
deles.
6.4. “Os Três Mundos”
MUNDO A. Não Evangelizado (1%). São nações e povos no mundo menos
evangelizado. Aquelas nações e povos que são menos de 50% evangelizados.
MUNDO B. Não Cristão, porém Evangelizado (8,5%). São nações e povos no
mundo não-cristão evangelizado. Aquelas nações que são mais de 50%$
evangelizadas e menos de 60% cristãos.
MUNDO C. Mundo Cristão (incluindo nominais) (90,1%). São nações e povos
no mundo cristão. Aquelas nações e povos que são mais do que 60% cristãos
professos. Isto inclui todos os cristãos nominais e filiados de todas as tradições
eclesiológicas e não somente os protestantes.
A grande maioria dos países do Mundo A, estão na Janela 10/40.
6.5. Tradução da Bíblia – Um Grande Desafio!
Segundo os pesquisadores, existem no Planeta cerca de 6528 línguas.
• 4% (cerca de 276) possuem a Bíblia Inteira.
• 10% (cerca de 676) possuem o Novo Testamento.
• 19% (cerca de 1199) possuem Porções da Bíblia.
• 5% (cerca de 336) são línguas quase extintas.
• 62% (cerca de 4041) não possuem nem um versículo da Bíblia traduzido.
Uma grande parte destas línguas são de países da Janela 10/40.
Dos 24.000 povos do Mundo, cerca de 12.000 ainda são povos nãoalcançados.
Uma grande parte também está na Janela 10/40.

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