História da Igreja
– Da Origem ao Século XX

TEOLOGIA
PASTORAL
Bacharelado em
Introdução Bibliográfica – 2
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SUMÁRIO
1 – INTRODUÇÃO…………………………………………………………………………………………3
2 – A PRÉ-EXISTÊNCIA DA IGREJA…………………………………………………………………3
2.1. A ORIGEM DA IGREJA …………………………………………………………………………………..3
2.2. A FUNDAÇÃO DA IGREJA ……………………………………………………………………………….3
2.3. O NASCIMENTO DA IGREJA …………………………………………………………………………….4
2.4. A PLENITUDE DOS TEMPOS…………………………………………………………………………….4
3 – A IGREJA APOSTÓLICA……………………………………………………………………………4
3.1. O CRESCIMENTO DA IGREJA …………………………………………………………………………..5
3.2. A EXPANSÃO DA IGREJA………………………………………………………………………………..5
3.3. A ERA SOMBRIA …………………………………………………………………………………………5
4 – AS PERSEGUIÇÕES IMPERIAIS …………………………………………………………………6
5 – A IGREJA IMPERIAL ……………………………………………………………………………….9
6 – A IGREJA MEDIEVAL ……………………………………………………………………………. 11
6.1. PROGRESSO PAPAL…………………………………………………………………………………….11
6.2. ORIGEM E DESENVOLVIMENTO DO PAPADO ……………………………………………………….12
6.3. A COROAÇÃO DE CARLOS MAGNO ………………………………………………………………….13
6.4. CONCÍLIO DE ROMA EM 1059 ……………………………………………………………………….14
6.5. DECLÍNIO DO PODER PAPAL ………………………………………………………………………….14
6.6. AS CRUZADAS ………………………………………………………………………………………….15
6.7. O DESENVOLVIMENTO DA VIDA MONÁSTICA ………………………………………………………16
7 – INÍCIO DA REFORMA RELIGIOSA……………………………………………………………. 17
8 – A IGREJA REFORMADA ………………………………………………………………………… 18
8.1. A REFORMA NA ALEMANHA…………………………………………………………………………..19
8.2. A CONTRA-REFORMA………………………………………………………………………………….21
9 – A IGREJA ATUAL …………………………………………………………………………………. 22
10 – AS ASSEMBLEIAS DE DEUS NO BRASIL ………………………………………………… 25
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1 – INTRODUÇÃO
A História da Igreja tem sido sempre, desde o seu nascimento até o presente, a
história da graça de Deus para com o homem.
Antes de adentrarmos no estudo dos vinte séculos em que a igreja de Cristo
tem estado em atividade, veremos os grandes acontecimentos, os quais servem
como divisória, e cada um deles assinala o término e início de uma época.
Considerando cada um destes acontecimentos, sete ao todo, veremos que eles
indicam os grandes períodos da História da Igreja.
1. A pré-existência da Igreja
2. A Igreja apostólica
3. As Perseguições Imperiais
4. A Igreja Imperial
5. A Igreja medieval
6. A Igreja Reformada
7. A Igreja atual
2 – A PRÉ-EXISTÊNCIA DA IGREJA
2.1. A Origem da Igreja
A igreja de Cristo sempre existiu na mente e coração do Pai, desde antes da
fundação do universo.
Efésios 1:4 – “Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo,
para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor;”
I Pedro 1:20 – “O qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes
da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós;”
O plano de Salvação estava traçado por Deus desde o eterno passado. O
sacrifício fora feito antes da fundação do universo, isto é, antes mesmo de ser
efetuado no calvário, o cordeiro já era conhecido pelo Pai.
Em uma ordem lógica, podemos admitir que : Deus fundou a Igreja, Jesus
Cristo formou a Igreja e o Espírito Santo confirmou a Igreja. Assim, o projeto no
coração de Deus, a formação pelo ministério de Cristo e a confirmação, no dia de
Pentecostes, pelo poderoso derramamento do Espírito Santo.
2.2. A Fundação da Igreja
Efésios 3 : 9 E demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que
desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou por meio de Jesus Cristo;
A Igreja que antes era um mistério “oculta em Deus” fora revelada em Cristo,
tornando-se o “segredo de Deus” conhecido aos homens. A expressão “oculto em
Deus” indica que a igreja esteve sempre na mente de Deus, e vindo a ser conhecida
pelo ministério terreno de Jesus Cristo e o Espírito Santo.
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A Igreja de Deus, começou a formar e revelar-se no tempo, quando João
Batista disse; Eis o Cordeiro de Deus. João 1:36.
2.3. O Nascimento da Igreja
A Igreja de Cristo iniciou sua história com um movimento de âmbito mundial,
no dia de Pentecostes, cinqüenta dias após a ressurreição, e dez dias depois da
ascensão do Senhor Jesus Cristo.
A. Na manhã do dia de Pentecostes.
• 120 seguidores de Jesus oravam reunidos
• Línguas de fogo desceram sobre eles
• Falaram em outras línguas
B. O tríplice efeito do Pentecostes.
• Iluminou a mente dos discípulos
• Compreenderam que o Reino não era político
• Deveriam estar totalmente na dependência do espírito Santo
2.4. A Plenitude dos Tempos
Gálatas 4:4 – “Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho,
nascido de mulher, nascido sob a lei,”
A Palestina onde o cristianismo deu seus primeiros passos ocupava uma
posição geográfica privilegiada pois ocupava uma área onde era a encruzilhada das
grandes rota comerciais que uniam o Egito à Mesopotâmia, e a Arábia com a Ásia
Menor. Por isso vemos na história descrita no Velho Testamento, esta área tão
cobiçada sendo invadida por vários impérios.
A língua predominante na época era o grego. Uma língua universal, apesar do
império dominante ser o império Romano, que unia em um só governo boa parte do
mundo conhecido. Era um governo pacífico e próspero e suas cidades estavam em
progresso e viajar não era mais difícil pois muitas estradas foram construídas.
Apesar de haver muitas religiões e filosofias ( A política dos romanos era, em
geral, tolerante em relação a religião e aos costumes dos povos conquistados. ) o
mundo estava vazio espiritualmente, Assim o mundo estava pronto para a recepção
de uma nova religião.
A “plenitude do tempo” não quer dizer que o mundo estivesse pronto a se
tornar cristão, mas quer dizer que, nos desígnios de Deus, havia chegado o
momento de enviar o seu filho ao mundo.
3 – A IGREJA APOSTÓLICA
Desde a Ascensão de Cristo, 30 AD até o final do século (100 AD).
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3.1. O Crescimento da Igreja
Atos 5:14 – “E a multidão dos que criam no Senhor, tanto homens como
mulheres, crescia cada vez mais.”
Atos 6:7 – “E crescia a palavra de Deus, e em Jerusalém se multiplicava muito
o número dos discípulos, e grande parte dos sacerdotes obedecia à fé.”
A arma usada pela igreja, através da qual a igreja crescia demasiadamente,
era o testemunho de seus membros. Enquanto aumentava o número de membros
aumenta o número de testemunhas, pois cada membro era um mensageiro de
Cristo.
Os motivos desse crescimento foram:
• Perseveravam na doutrina dos apóstolos
• Perseveravam na comunhão e partir do pão
• Perseveravam na oração
• Possuíam temor
• Muitos sinais e maravilhas se faziam
• Muita alegria e sinceridade (Atos 2:41-47).
A Igreja Pentecostal era uma igreja poderosa na fé e no testemunho, pura em
seu caráter, e abundante no amor. Entretanto, o seu defeito era a falta de zelo
missionário. Foi necessário o surgimento de severa perseguição, para que se
decidisse a ir a outras regiões.
3.2. A Expansão da Igreja
Atos 8:4 – “Mas os que andavam dispersos iam por toda a parte, anunciando a
palavra.”
Na perseguição iniciada com a morte de Estevão, a igreja em Jerusalém
dispersou-se por toda a terra. Alguns chegaram até Damasco e outros até a
Antioquia.
Por qual motivo sobreveio então as perseguições?
Marcos 16:15 – “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda
criatura.”
A partir desta perseguição, os cristãos fugiam, porém pregavam o evangelho e
testemunhavam das maravilhas que Jesus operava.
3.3. A Era Sombria
A última geração do primeiro século, a que vai do ano 60 ao 100 AD,
chamamos de “Era Sombria”, em razão de as trevas da perseguição estarem sobre a
igreja, e a falha de muitas informações sobre este período.
A. Perseguição sob Nero. Nero chegou ao poder em 54, todos os que se
opunham à sua vontade, ou morriam ou recebiam ordens de se suicidar.
Assim estavam as coisas quando em 64 AD aconteceu o incêndio em Roma.
Diz-se que foi Nero, quem ateou fogo à cidade, Contudo essa acusação ainda é
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discutível. Entretanto a opinião pública responsabilizou Nero por esse crime. Afim
de escapar dessa responsabilidade, Nero apontou os cristãos como culpados do
incêndio de Roma, e moveu contra eles tremenda perseguição. O fogo durou seis
dias e sete noites e depois voltou a se acender em diversos lugares por mais três
dias.
• Milhares de cristãos foram torturados e mortos.
• Muitos serviram de iluminação para a cidade, amarrados em postes e
ateado fogo.
• Muito foram vestidos com peles de animais e jogados para os cães.
• Nesta época morreram :
• Pedro – Crucificado em 67
• Paulo – Decapitado em 68
• Tiago – Apedrejado depois de ser jogado do alto do templo
Além de matá-los fê-los servir de diversão para o público.
B. A Perseguição sob Domiciano. No ano 81 Domiciano sucedeu ao imperador
Tito que invadira destruíra Jerusalém no ano 70. Com a destruição de Jerusalém
Domiciano ordenou que todos os judeus deviam enviar à Roma as ofertas anuais,
que eram enviadas a Jerusalém, estes, por sua vez não obedeceram, o que
desencadeou a segunda perseguição, não somente aos judeus mas também aos
cristãos.
Durante esses dias milhares de cristão foram mortos, especialmente em Roma
e em toda a Itália. Nesta época o apóstolo João, que vivia em Éfeso, foi preso e
exilado na ilha de Patmos, foi quando recebeu a revelação do Apocalipse.
4 – AS PERSEGUIÇÕES IMPERIAIS
Este período vai da morte do Apóstolo João, ano 100 AD até o Edito de
Constantino, ano 313 AD.
O fato de maior destaque na História da Igreja neste período foi, sem dúvida,
as perseguições realizadas pelos Imperadores Romanos. Estas perseguições
duraram até o ano 313 AD, quando Constantino, o primeiro Imperador Romano, “
cristão “, fez cessar todos os propósitos de destruir a Igreja.
A de ressaltar que durante este período houve épocas em que as perseguições
foram mais amenas.
No início do segundo século, os cristãos já estavam radicados em todas as
nações e em quase todas as nações, e alguns crêem que se estendia até a Espanha
e Inglaterra. O número de membros da comunidade cristã subia a muitos milhões.
A famosa carta de Plínio ( Governador da Bitínia – hoje Turquia ) ao Imperador
Trajano, declara que os templos dos deuses estavam quase abandonados, enquanto
os cristãos em toda parte formavam uma multidão, e pertenciam a todas classes ,
desde a dos nobres, a até a dos escravos.
A. Os Motivos das Perseguições.
• O Paganismo em suas práticas aceitava as novas formas e objetos de
adoração que iam surgindo, enquanto o Cristianismo rejeitava qualquer
forma ou objeto de adoração.
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• A adoração aos ídolos estava entrelaçada com todos os aspectos da vida. As
imagens eram encontradas em todos os lares, e até em cerimônias cívicas,
para serem adoradas. Os cristãos, é claro, não participavam dessas formas
de adoração. Por essa razão o povo considera os cristãos como “ Anti-social
e ateus que não tinham deuses.
• A adoração ao Imperador era considerada como prova de lealdade. Havia
estátuas dos imperadores reinantes nos lugares mais visíveis para o povo
adorar. Os cristãos recusavam-se a prestar tal adoração.
• As reuniões secretas dos cristãos despertaram suspeitas. De praticarem
atos imorais e criminosos, durante a celebração da Santa Ceia, eram vetada
a entrada dos estranhos.
• O Cristianismo considerava todos os homens iguais. Não havia distinção
entre seus membros, nem em suas reuniões, por isso foram considerados
como “niveladores da sociedade”, portanto anarquistas, perturbadores da
ordem social.
B. Os Perseguidores.
Imperador Trajano 98 a 117 AD – Estabeleceu a Lei, que sendo cristão
acusado de qualquer coisa e não negar fé, será castigado, não tendo acusação estão
livres. Mandava crucificar e lançar às feras.
Imperador Adriano 117 a 138 AD – Morreu em agonia, gritando, “Quão
desgraçado é procurar a morte e não encontrar”.
Imperador Marco Aurélio 161 a 180 AD – Mandava decapitar e lançar às
feras. Apesar de possuir boas qualidades como homem e governante justo, contudo
foi acérrimo perseguidor dos cristãos. Opunha-se, pois, aos cristãos por considerálos
inovadores. Milhares foram decapitados e devorados pelas feras na arena. Os
Imperadores acima mencionados, foram considerados como os “bons imperadores”,
nenhum cristão podia podia ser preso sem culpa definida e comprovada. Contudo,
quando se comprovava acusações e os cristãos se recusavam a retratar-se, os
governantes eram obrigados, a por em vigor a lei e ordenar a execução.
Imperador Severo 193 a 211 AD – Mandava decapitar e lançar às feras.
Iníciou uma terrível perseguição que durou até à sua morte em 211 AD. Possuía
uma natureza mórbida e melancólica; era muito rigoroso na execução da disciplina.
Tão cruel fora o espírito do imperador, que foi considerado por muitos como o
anticristo.
Imperador Décio 249 a 251 AD – Décio observava com inveja o poder
crescente dos cristãos, e determinou reprimi-lo. Via as igrejas cheias enquanto os
templos pagãos desertos. Por conseqüencia, mandou que os cristãos tinham que se
apresentar ao Imperador para comunicar e religião. Quem renunciava recebia um
certificado, que não renunciava era considerado criminoso e conduzidos às prisões
e sujeitos às mais horrorosas torturas.
Imperador Diocleciano 305 a 310 – A última, a mais sistemática e a mais
terrível de todas as perseguições deu-se neste governo. Em uma série de editos
determinou-se que : – Todos os exemplares da Bíblia fossem queimados. – Todos os
templos construídos em todo o império durante meio século, fossem destruídos. –
Todos os pertencentes as ordens clericais fossem presos. – Ninguém seria solto sem
negar o Cristianismo. – Pena de morte para quem não adorasse aos deuses.
Prendiam os cristãos dentro dos templos e depois ateva fogo. Consta que o
imperador erigiu um monumento com esta inscrição “ Em honra ao extermínio da
superstição cristã “.
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C. Os Principais Mártires
Inácio Provável discípulo de João, bispo em Antioquia, foi condenado no ano
107 AD por não adorar a outros deuses. Foi morto como mártir, lançado para as
feras no anfiteatro romano, no ano 108 ou 110 enquanto o povo festejava. Ele
estava disposto a ser martirizado, pois durante a viagem para Roma escreveu cartas
às igrejas manifestando o desejo de não perder a honra de morrer por seu Senhor
Policarpo Bispo em Esmirna, na Ásia Menor, morreu no ano 155. Ao ser
levado perante o governador, e instado para abandonar a fé e negar o nome de
Jesus, assim respondeu: “ Oitenta e seis anos o servi, e somente bens recebi
durante todo o tempo, Como poderia eu agora negar ao meu Salvador ? Policarpo foi
queimado vivo.
Justino Mártir Era um dos homens mais competente de sue tempo, e um dos
principais defensores da fé. Seus livros, que ainda existem, oferecem valiosas
informações acerca da vida da igreja nos meados do segundo século. Seu martírio
deu-se em Roma, no ano 166.
D. Os Efeitos Produzidos pelas Perseguições.
As perseguições produziram uma igreja pura pois conservava afastados todos
aqueles que não eram sinceros em sua confissão de fé. Ninguém se unia à igreja
para obter lucros ou popularidade. Somente aqueles que estavam dispostos a ser
fiéis até a morte, se tornavam publicamente seguidores de Cristo.
A Igreja multiplicava-se. Apesar das perseguições ou talvez por causa delas, a
igreja crescia com rapidez assombrosa. Ao findar-se o período de perseguição, a
igreja era suficientemente numerosa para constituir a instituição mais poderosa do
império.
Apesar de considerarmos as perseguições o fato mais importante da História
da Igreja, no segundo e terceiro séculos, contudo, fatos interessantes aconteceram
neste período que devem ser observados. Vejamos :
E. O Cânon Bíblico.
Os escritos do Novo Testamento foram terminados, entretanto a formação do
Novo Testamento com os livros que o compõem, como cânon, não foi imediata.
Algumas Igreja aceitavam somente alguns livros como inspirados e outra igrejas
livros diferentes.
Gradualmente os livros do Novo Testamento, tal como usamos hoje,
conquistaram a proeminência de escritura inspirada.
F. O Crescimento e a Expansão da Igreja. O crescimento e a expansão da
Igreja foi a causa da organização e da disciplina. A perseguição aproximou as
Igrejas e exerceu influência para que elas se unissem e se organizassem. O
aparecimento da heresias impôs, também, a necessidade de se estabelecerem
alguns artigos de fé, e, com eles, algumas autoridades para executá-las.
Outra característica que distingue esse período é sem dúvida, o
desenvolvimento da doutrina. Na era apostólica a fé era do coração, uma entrega
pessoal a vontade de Cristo. Entretanto no período que agora focalizamos, a fé
gradativamente passara a ser mental, era uma fé do intelecto, fé que acreditava em
um sistema rigoroso e inflexível de doutrinas. O credo Apostólico, a mais antiga e
mais simples declaração da crença cristã, foi escrito durante esse período.
Nesta época surgiram três escolas teológicas. Uma em Alexandria, outra na
Ásia Menor e outra na África. Os maiores vultos da historia do Cristianismo
passaram por essas escolas: Orígenes, Tertulianao e Cipriano
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G. Seitas e Heresias. Juntamente com o desenvolvimento da doutrina
teológica, desenvolviam-se também as seitas, ou como lhes chamavam, as heresias
na igreja cristã. Os cristãos não só lutam contra as perseguições , mas contra as
heresias e doutrinas corrompidas.
Os Gnósticos Do grego “Gnósis = Sabedoria, Conhecimento” Acreditavam que
Deus Supremo é espírito absoluto e causa de todo bem, enquanto a matéria é
completamente má criada por um ser inferior que é Jeová. O propósito é então
escapar deste corpo que aprisiona o espírito. Afim de chegar a libertação, é
necessário que venha um mensageiro do reino espiritual. Cristo. Cristo portanto
não era matéria, possuía somente a natureza divina.
Os Ebionitas Do hebraico que significa “Pobre” eram judeus-cristãos que
insistiam na observância da lei e dos costumes judaicos. Rejeitavam as cartas
escritas por Paulo. Eram considerados como apostatas pelo Judeus não
convertidos.
Os Maniqueus De origem persa, foram chamados por esse nome, em razão de
seu fundador Ter o nome de Mani. Acreditavam que o universo compõe-se do reino
das trevas e da luz e ambos lutam pelo domínio do homem. Rejeitavam a Jesus,
porém criam em um “Cristo celestial”.
5 – A IGREJA IMPERIAL
Desde o Edito de Constantino, 313 AD até à queda de Roma em 476 AD.
No ano 305, quando Diocleciano abdicou o trono imperial, a religião cristã era
terminantemente proibida, e aqueles que a professassem eram castigados com
torturas e morte. Logo após a abdicação de Diocleciano, quatro aspirantes à coroa
estavam em guerra.
Os dois rivais mais poderosos eram Majêncio e Constantino. Constantino
afirmou ter visto no céu uma cruz luminosa com os seguintes dizeres: “Por este
sinal vencerás”. Constantino ordenou que seus soldados empregassem para a
batalha o símbolo que se conhece como “Labarum”, e que consistia na superposição
de duas letras gregas, X e P.
Em batalha travada sobre a ponte Mílvio, Constantino venceu o exercito de
Majêncio e este morreu afogado caindo nas águas do rio. Após este vitoria
Constantino fez aliança com Licínio e posteriormente com Maximino os outros dois
pretendentes a coroa.
Em 323 AD, Constantino alcançou o posto supremo de Imperador, e o
Cristianismo foi então favorecido. Os templos das Igrejas foram restaurados e
novamente abertos em toda parte. Em muitos lugares os templos pagãos foram
dedicados ao culto cristão. Em todo o império os templos pagãos eram mantidos
pelo Estado, mas, com, a conversão de Constantino, passaram a ser concedido às
Igrejas e ao clero cristão.
O Domingo foi proclamado como dia de descanso e adoração. Como se vê, do
reconhecimento do Cristianismo como religião preferida surgiram alguns bons
resultados, tanto para o povo como para a igreja:
• As perseguições acabaram
• A crucificação foi abolida
• Templos restaurados e muitos construídos
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• O infanticídio foi reprimido
• As lutas de gladiadores foram proibidas
Apesar de os triunfos do Cristianismo haverem proporcionado boas coisas ao
povo, contudo a sua aliança com o Estado, inevitavelmente devia trazer, como de
fato trouxe, maus resultados para a igreja.
• As Igrejas eram mantidas pelo Estado e seus ministros privilegiados, não
pagavam impostos, os julgamentos eram especiais.
• Iniciou-se as perseguições aos pagãos, ocorrendo assim muitas conversões
falsas.
• Todos queriam ser membros da Igreja e quase todos eram aceitos. Homens
mundanos, ambiciosos e sem escrúpulos, todos desejavam postos na Igreja,
para, assim obterem influência social e política.
• Os cultos de adoração aumentaram em esplendor, é certo, porém eram
menos espirituais e menos sinceros do que no passado.
Aos poucos as festas pagãs tiveram seus lugares na Igreja, porém com outros
nomes. A adoração a Venus e Diana foi substituída pela adoração a virgem Maria.
As imagens dos mártires começaram a aparecer nos templos, como objeto de
reverência.
No ano 363 AD todos os governadores professaram o Cristianismo e antes de
findar o quarto século o Cristianismo, foi virtualmente estabelecido como religião do
Império.
A. A Fundação de Constantinopla. O Imperador Constantino compreendeu
que a cidade de Roma estava intimamente ligada à adoração pagã, cheia de templos
e estátuas pagãs. Ele desejava uma capital sob os auspícios da nova religião. Na
nova capital, a igreja era honrada e considerada, não havia templos pagãos.
Logo depois da fundação da nova capital, deu-se a divisão do império. As
fronteiras eram tão grande que um imperador sozinho não podia defender seu
vastíssimo território.
B. As Controvérsias.
A Primeira Controvérsia Apareceu por causa da doutrina da Trindade. O
Presbítero Ario de Alexandria defendia a tese de que Jesus era superior aos homens
porém inferior ao Pai, não admitia a existência eterna de Cristo. Seu principal
opositor foi Atanásio também de Alexandria afirma a unidade de cristo com o Pai e
sua divindade.
Constantino não teve êxito em resolver a questão por isso convocou o concílio
de Nicéia em 325 AD onde a doutrina de Ário foi condenada.
A Controvérsia de Apolinário Apolinário era Bispo em Laodicéia quando
declarou que a natureza divina tomou lugar da natureza humana de Cristo. Este
Heresia foi condenada no Concílio de Constantinopla em 381 AD.
A Controvérsia de Nestor Nestor era sacerdote em Antioquia quando se opôs
a aplicação do termo “ Mãe de Deus “, a Maria, afirmou que as duas natureza de
Cristo agiam em harmonia. No Concílio de Éfeso em 433 Nestor foi banido e suas
obras foram queimadas e aprovado o termo “ Mãe de Deus “
C. O Desenvolvimento do poder na Igreja Romana. Roma reclamava para si
autoridade apostólica. A Igreja de Roma era a única que declara poder mencionar o
nome de dois apóstolo como fundadores, isto é, Pedro e Paulo. A organização da
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Igreja de Roma e bem assim seus dirigentes defendiam fortemente estas afirmações.
Neste ponto há um contraste notável entre Roma e Constantinopla. Roma havia
feito os imperadores, ao passo que os imperadores fizeram Constantinopla.
Além disso Roma apresentava um Cristianismo prático. Nenhuma outra igreja
a sobrepujava no cuidado para com os pobres, não somente com os seus membros ,
mas também entre os pagãos. Foi assim que em todo o ocidente o bispo de Roma,
começou a ser considerado como autoridade principal de toda a igreja.
Foi dessa forma que o Concílio Calcedônia, na Ásia Menor, no ano 451 AD,
Roma ocupou o primeiro lugar e Constantinopla o segundo lugar.
D. O Cristianismo Vivo. O Cristianismo dessa época decadente ainda era vivo e
ativo. Devemos mencionar aqui alguns bispos e dirigentes da igreja nesse período
que contribuíram para manter vivo o Cristianismo.
Atanásio (296 – 373) Foi ativo defensor da fé no início do período. Ja vimos
como ele se levantou e se destacou na controvérsia de Ário; foi escolhido bispo de
Alexandria. Cinco vezes exilado por causa da fé, mas lutou fielmente até o fim.
Ambrósio (340 – 397) Foi eleito bispo enquanto ainda era leigo e nem mesmo
batizado. Converteu-se posteriormente, repreendeu o próprio imperador (Teodósio)
por causa de um ato cruel e mais tarde o próprio imperador o tratou com alta
distinção. Foi autor de vários livros.
João Crisóstomo (345 – 407) “Boca de ouro” em razão de sua eloqüência
inigualável, foi o maior pregador desse período. Chegou a ser bispo em
Constantinopla. Entretanto, sua fidelidade, zelo reformador e coragem, não
agradava à corte. Foi exilado e morreu no exílio.
Jerônimo (340 – 420) Foi o mais erudito de todos. Estudou literatura e
oratória em Roma. De seus numerosos escritos, o que teve maior influência foi a
tradução da Bíblia para o latim, obra que ficou conhecida como Vulgata Latina, isto
é, a Bíblia em linguagem comum, até hoje usada pela Igreja católica Romana.
Agostinho (354 – 430) O nome mais ilustre desse período, bispo em Hipona
na África. Escritor de vários livros sobre o Cristianismo e sobre a própria vida.
Porém a fama e a influência de Agostinho estão nos seus escritos sobre a teologia
cristã, da qual ele foi o maior expositor, desde o tempo de Paulo.
6 – A IGREJA MEDIEVAL
Este período vai desde a queda de Roma em 476 AD até a queda de
Constantinopla, 1453 AD.
6.1. Progresso Papal
O termo “papa”, significa simplesmente “papai”, sendo, portanto, um termo de
carinho e respeito, este termo era usado para qualquer bispo, sem importar se ele
era de Roma. Como Roma era, pelo menos de nome, a capital do Império, a igreja e
o bispo desta cidade logo se viram em posição de destaque.
Quando os bárbaros invadiram o Império, a igreja de Roma começou a seguir
um rumo bem diferente Constantinopla. No Ocidente, o Império desapareceu, e a
igreja veio a ser a guardiã do que restava da velha civilização. Por isto, o papa,
chegou a Ter grande prestígio e autoridade.
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Porém, enquanto que no Oriente duvidava-se de sua autoridade, em Roma e
vizinhanças esta autoridade se estendia até além dos assuntos religiosos. Tudo isto
nops mostra que em uma época em que a Europa estava em caos, o papado
preencheu o vazio, proporcionando certa estabilidade.
O período de crescimento do poder papal começou com o pontificado de
Gregório I, o Grande, e teve o apogeu no tempo de Gregório VII, mais conhecido por
Hildebrando. Hildebrando reformou o clero que se havia corrompido, elevou as
normas de moralidade de todo o clero, exigiu celibato dos sacerdotes, libertou a
igreja da influência do estado, podo fim à nomeação de papas pelos reis e
imperadores. Hildebrando impôs a supremacia da igreja sobre o Estado.
6.2. Origem e Desenvolvimento do Papado
A autoridade monárquica do papa, é fruto de um longo processo. De um bispo
igual aos outros, o de Roma passa a ser o primeiro entre os demais e finalmente
cabeça incontestável da Igreja. Vários papas de grande envergadura, dos quais
devemos citar: Inocêncio (402-417); Celestino (422-432); Leão I (440-461); e
Gregório I (590-604).
A. Até Constantino. Os antigos autores católicos tenham insistido que a Igreja
de Roma foi fundada por Pedro e que tenha tido uma linha de papas, vigários de
Cristo, desde então. Oscar Cullmann, teólogo protestante, examina detalhadamente
a questão de Pedro ter estado em Roma. Conclui que estava lá e lá foi martirizado.
Nega entretanto que tenha fundado a Igreja ou passado seus direitos aos bispos
subsequentes.
A lista dos primeiros bispos consta destes nomes: Lino, Cleto ou Anacleto,
Clemente (91-100), Evaristo, Alexandre(109-119), Sixto I (119-127), Telesforo (127-
138), Higino (139-142), Pio I (142-157), Aniceto (157-168), Soter (168-177), Eleutero
(177-193). Estas datas são aproximadas e temos poucas informações do seu
pontificado.
Vitor (193 – 202). Parece ser o primeiro a procurar estabelecer a autoridade
papal além das fronteira de sua igreja.
Cipriano. Bispo em Cartago durante o pontificado de Cornêlio e Estevão,
contribuiu bastante para fortalecer a autoridade do bispo de Roma. Defendeu as
reivindicações petrinas (Mt:16:18) sem entretanto colocar o papa sobre os demais
bispos.
Estevão (253-257). Procurou forçar as demais igrejas a seguir o costume
romano quanto ao cálculo da data da páscoa.
Um outro elemento que contribuiu para fortalecer a posição de Roma neste
período foi a crescente prática das igrejas rurais ou de pequenas cidades serem
relacionadas a alguma igreja em cidade grande ou incorporadas num sistema
diocesano. Esta prática começou no II século como resultado do sistema
missionário das igrejas mães.
B. De Constantino a Gregório Magno. A oficialização da Igreja trouxe em seu
bojo rápido desenvolvimento hierárquico. Constantino se considerava bispo e até
bispo dos bispos em coisas formais e até doutrinárias. Sem sua permissão não se
pode reunir um sínodo.
Roma surge como árbitro entre as igrejas. No conflito entre os arianos e
Atanásio, este contribuiu para fortalecer Júlio por ter recorrido ao bispo de Roma,
pedindo que convocasse um concílio. Esta e outras questões entre as igrejas do
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leste e da África foram exploradas pelos papas para fortalecer suas próprias
posições. Assim questões religiosas seriam resolvidas pelo “sumo-pontífice” de
religião e não pelos magistrados civis.
Siricius (354 – 398). Conseguiu que um concílio realizado em Roma
decretasse que nenhum bispo deve ser consagrado sem o conhecimento e
consentimento do bispo de Roma. Mesmo que seja um decreto falso, é muito antigo
e exerceu grande influência.
Inocêncio I (402 – 417). Demonstrou grande ousadia em explorar as
reivindicações de Roma, exigindo submissão universal a sua autoridade. Insistia
que era a obrigação de todas as igrejas ocidentais se conformarem aos costumes de
Roma.
Celestino (422 – 432). Durante o exercício do seu papado foi resolvido a mui
agitada questão do direito de apelar a Roma decisões nas províncias. Celestino
manipulou as questões de uma maneira que sempre saía ganhando o prestígio de
Roma, até o ponto de dispensar os cânones de um concílio geral.
Leão I (440 – 461). Homem humilde, insistia que era sucessor de Pedro e que
não se pode infringir a autoridade deste. Conseguiu do jovem e fraco imperador
Valentino III um edito em que este reconhece a primazia da sé de Pedro e insiste
que ninguém pode agir sem a permissão desta sé.
Gregório I (589 – 604). Possivelmente o maior papa deste período. filho de um
senador, adotou o costume monástico. Pretendia ser missionário aos ingleses
quando foi consagrado papa aos 49 anos de idade. Reclamou que Máximo foi eleito
patriarca de Constantinopla no lugar de seu candidato e suspendeu todos os bispos
que o consagraram sob pena de anátema de Deus e do apóstolo Pedro. Repreendeu
o patriarca de Constantinopla por ter assumido o título de bispo ecumênico.
6.3. A Coroação de Carlos Magno
Abriu a história política e eclesiástica da Europa um novo período, no qual os
dois poderes o civil e o papal aparecem intimamente ligados, em busca de ideal
comum de poderio e domínio.
Leão III (795-816). O período começa com Leão III assentado na cadeira
pontificial. Foi ele quem colocou Carlos Magno como imperador no ano 800.
Estevão IV (816-817). Este papa coroou o Rei Luiz o Pio, em Roma ato que
elevou ainda mais a posiçao do papa.
Gregório IV (827-844). Foi nos dias desse papa que apareceram falsos
documentos a favor da prerrogativa papal. Gregório defendeu Roma contra os
sarracenos.
Nicolau I (858-867). Ascendeu a cadeira papal num momento de agitação e
desordens, aproveitando-se dos documentos falsos a favor da absoluta soberania e
irresponsabilidade do papado, procurou firmar os direitos de supremacia do papa e
de sua juridiçao suprema.
Adrião II (867-872). Trabalhou principalmente à sombra a influencia atingida
pelo seu antecessor.
João VIII (872-882). O maior problema durante o papado de João VIII foi a
ameaça sarracena, forçando-o a pedir ao novo imperador Carlos a sua proteção,
mas Carlos e o papa aceitou o tratado humilhante com os sarracenos.
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O período de 882 a 903 caracteriza-se pela torpe degradação do poder papal.
O poder papal enfraqueceu-se notadamente. As eleições pontificiais feitas nesse
período são memoráveis pela torpeza que as acompanhou. O papa Formoso subiu
ao poder em 891 e, dois anos depois de sanguinolento pontificado, morreu,
provavelmente envenenado.
Estevao VI, foi aprisionado e morto. E depois foi eleito o Papa Marino, cujo
pontificado durou apenas meses. João X, feito papa, procurou abrogar os atos de
Estevão, e de fato abrogou muitos deles. Leão V, depois de um breve pontificado, foi
morto por seu próprio capelão seu sucessor, Mas ao assassino coube o mesmo fim
trágico, decorrido apenas oito meses.
No período de 903 a 963 Com Sergio III, começa a influência perniciosa de
uma aventureira de alta linhagem sobre o governo papal. De 936 a 956 o papado
esteve sob inf1uência de Alberico que nomeou quatro papas. Um filho do mesmo,
sob o nome de João XIII, assumiu o ofício papal sendo o seu pontificado havido
como um dos mais imorais e licenciosos. Este papa morreu assassinado,
Otão, O Grande, fez sentir a sua interferência no papado em 983, com a
convocação de um sínodo para depor o imoral João XIII e substituí-lo por Leão VIII.
Duante este período, até 1073, foram nomeados vário papas e os imperadores
ficaram no direito de nomear e controlá-los para evitar a dissolução completa do
clero.
Hildebrando (1073). Foi inquestionavelmente o maior estadista eclesiástico da
Idade Media. Seu objetivo foi tornar um fato o domínio universal e absoluto do
papado, e sua política subordinou-se completamente a este propósito. Este papa
tomou o nome de Gregório VII.
6.4. Concílio de Roma em 1059
• A nomeação do papa pelos bispos cardeais sancionada pelo clero cardeal e
depois aprovada pelo clero inferior e os leigos.
• Nenhum oficial da igreja, sob pretesto algum, pode aceitar benefício algum
de qualquer leigo ou ser chamado a contar ou dar conta a jurisdição.
• Nenhum cristão pode, assistir a missa rezada por padre de quem se sabia
ter concumbina, apesar da renhida oposição, Hildebrando executou a risco
esses decretos. No entanto a vitoria de Hildebrando, nunca foi completa e
permanente.
Inocêncio III (1198-1216), aproveitou as prerrogativas papais fimando umas
e alargando outras. Foi durante seu papado que o poder papal, que evoluia
gradativamente através dos séculos chegou ao auge. Ele foi o maior papa do século.
6.5. Declínio do Poder Papal
Do século treze em diante começa o suave declínio do poder papal para o que
concorreram fatos e circunstâncias históricas diferentes:
• Com o século XIII desapareceu completamente o gosto pelas cruzadas.
• A corrupção constante na corte de Roma, o favoritismo e o mercantilismo
que presidiam as decisões do Papa e da Curia, igualmente estimulava a
dissidência.
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• Á imoralidade dominava o clero.
• A cadeira papal era objeto de ambição mais desenfreada.
• A influência adquirida pelos franceses na Itália e Sicília após queda dos
imperadores germânicos foi sobremodo prejudicial ao papado.
Bonifácio VII (1294-l303), subiu a cadeira pontífica no meio destas condiçoes
tão favoráveis ao papado, mas sem se adaptar a elas conservou aquele espírito de
arrogância e mandonismo, muito característico de seus antecessores.
Em 1305, foi eleito um francês, Clemente V, como papa. Este não foi a Roma,
mas estabeleceu sua corte Papal em Avignon e tornou se subservinte de Felipe rei
da frança. Aqui, ele e seus sucessores todos franceses serviram durante setenta
anos. Tão notório se tornaram as condições que os historiadores católicos
estigmatizaram o período de cativeiro babilônico do papado.
Em virtude da presença da corte papal de Roma em Avignon, na França, a
Europa conseguiu muitas inimizades. O catolicismo dividiu-se, ficando uma parte
com a França e outra com a Itália. Aparecem então dois papas um lançando
maldições sobre o outro e cada qual julgando-se legítmo chefe da cristandade.
Em1408, houve uma conferência em Livorno, entre representantes dos dois
papas e um ano depois reunia-se um concílio geral em Pisa. Discutida largamente a
questão, ambos os papas foram declarados heréticos e excomungados. O concílio
elegeu então a Papa, o cardeal de Milão que tomou o nome de Alexandre V.
A questão não ficou resolvida, pois, três papas levantarar-se disputando a
cadeira pontificia, cada um formando em torno de si um considerado número de
admiradores.
O pontificado de Nicolau V (l448-1455) foi notável, tendo sido construído nesse
tempo o Vaticano e a Basílica de São Pedro, considerados como duas magnificas
obras de arte. Talves nesta época tenha-se resolvido o problema dos três papas.
Inocêncio VIII (l484-l492). para melhorar a fortuna de seus filhos ilegítimos,
pelejou contra Napoles e recebia tributo anual de Sultão, por manter seu irmão e
rival na prisão em vez de envia-lo como cabeça de um exercito contra os inimigos da
cristandade.
Isto se deu numa epoca de ignorância, senão no período do renascimento
literário e quando a Europa tinha entrado numa era de invenções e descobrimentos
destinados a transformar a civilizaçao. O estado de desmoralização em que a Igreja
Romana se achava na vespera da reforma era um fato geralmente reconhecido.
6.6. As Cruzadas
Um grande movimento da Idade Média, sob a inspiração e mandado da igreja,
foram as Cruzadas, que se iniciaram no fim do século onze.
A primeira cruzada foi anunciada pelo papa Urbano II, era composta de
275000 dos melhores guerreiros, para combater os Sarracenos que tinham invadido
Jerusalém. Após grande batalha Jerusalém foi reconquistada. A
A Segunda Cruzada foi convocada em virtude das invasões dos Sarracenos às
províncias adjacentes ao reino de Jerusalém. Sob a influência de Luiz VII da França
e Conrado III da Alemanha, um grande exército foi conduzido em socorro dos
lugares reconhecido como santos. Enfrentara grandes dificuldades, mas obtiveram
vitória.
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A terceira Cruzada foi dirigida por Ricardo I “ Coração de Leão”, da Inglaterra e
outros como; Frederico Barbarroxa, Filipe Augusto. Barbarroxa morrerá afogado e
Filipe desentendeu-se com Ricardo I e voltou para França. A coragem de Ricardo I,
sozinho, não foi suficiente para conduzir seu exército para Jerusalém. Contudo fez
um acordo para que os cristãos tivessem direito a visitar o santo sepulcro.
A Quarta Cruzada foi um completo fracasso, porque causou grande prejuízo a
igreja cristã. Os cruzados, se afastaram do propósito de conquistar a Terra Santa e
fizeram guerra a Constantinopla, conquistaram-na e saquearam-na. Constantinopla
ficou, posteriomente, a mercê dos inimigos.
Na Quinta Cruzada, Frederico II, conduziu um exército até a Palestina e
conseguiu um tratado no qual as cidades de Jerusalém, Haifa, Belém e Nazaré,
eram cedidas aos cristãos. Porém 16 anos depois a cidade de Jerusalém foi tomada
pelos maometanos.
A Sexta Cruzada foi empreendida por São Luiz. Invadiu a Palestina através do
egito, mas não obteve êxito, foi derrotado pelos maometanos e libertado por uma
grande soma .
A sétima Cruzada teve também a direção de São Luiz juntamente com
Eduardo I. A rota escolhida foi novamente a África, porém São Luiz morreu e
Eduardo I voltou para ocupar o trono na Inglaterra e a cruzada teve um fracasso
total. Esta foi considerada a última Cruzada, porém houve outras de menor vulto.
6.7. O Desenvolvimento da Vida Monástica
Este movimento desenvolveu-se grandemente na Idade Média entre homens e
mulheres, com resultados bons e maus. Com o crescimento dessas comunidades,
tornava-se necessária alguma forma de organização, de modo que nesse período
surgiram quatro grandes ordens.
A Ordem dos Beneditinos Fundada por por São Bento em 529, em Monte
Cassino. Essa ordem tornou-se a maior de todas as ordens monásticas da Europa.
Suas regras exigiam obediência ao superior do mosteiro, a renúncia a todos os bens
materiais, e bem assim a castidade pessoal.
Cortava bosques, secava e saneava pântanos, lavrava os campos e ensinava ao
povo muitos ofícios úteis.
A Ordem dos Cistercienses Surgiram em 1098, com objetivo de fortalecer a
disciplina dos Beneditinos, que se relaxava. Seu nome deve-se a cidade francesa de
Citeaux, fundada por São roberto. Deu ênfase às arte, arquitetura e especialmente
à literatura, copiando e escrevendo livros.
A Ordem dos Franciscanos fundada em 1209 por São Francisco de Assis.
Tornou-se a mais numerosa de todas as ordens. Por causa da cor que usavam,
tornaram-se conhecido como os “frades cinzentos”.
A Ordem dos Dominicanos Ordem esponhola fundada por São Domingos, em
1215. Os Dominicanos e os Franciscanos diferenciavam-se das outras ordens, pois
eram pregadores, iam por toda parte a fortalecer a fé dos crentes.
No início, cada ordem monástica era um benefício para a sociedade. Vamos ver
alguns bons resultados.
• Os mosteiros davam hospedagem aos viajantes, aos enfermos e aos pobres.
Serviam de abrigo e proteção aos indefesos, principalmente às mulheres e
crianças.
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• Guardavam em suas bibliotecas muitas obras antigas da literatura clássica
e cristã. Sem as obras escritas nos mosteiros, a Idade média teria passado
em branco.
• Os monges serviram como missionários na expansão do evangelho, até
mesmo entre os bárbaros.
Apesar dos bons resultados que emanaram do sistema monástico, também
houve péssimos resultados.
• O monacato apresentava o celibato como a vida mais elevada, o que é
inatural e contrário às Escrituras.
• Impôs a adoção da vida monástica a milhares de pessoas das classes
nobres da época.
• Os lares e as famílias foram, assim, constituídos não pelos melhores, mas
pelos de ideais inferiores, já que os melhores, não participavam da família,
nem da vida social, nem da vida cívica nacional.
• O crescimento da riqueza dos mosteiros levou a indisciplina, ao luxo, à
ociosidade e até a imoralidade.
No início do século dezesseis, os mosteiros estavam tão desmoralizados no
conceito do povo, que foram suprimidos, e os que neles habitavam foram obrigados
a trabalhar para se manterem.
7 – INÍCIO DA REFORMA
RELIGIOSA
Cinco grandes movimentos de reformas surgiram na igreja; contudo, o mundo
não estava preparado para recebê-los, de modo que foram reprimidos com
sangrentas perseguições.
Os Albigenses “Puritanos” surgiram em 1170 no sul da França. Eles
rejeitavam a autoridade da tradição, distribuíam o Novo Testamento e opunham-se
às doutrinas romanas do purgatório, à adoração de imagens e às pretensões
sacerdotais. O papa Inocêncio III, promoveu uma grande perseguição contra eles, e
a seita foi dissolvida com o assassinato de quase toda a população da região.
Os Valdenses Apareceram ao mesmo tempo, em 1170, com Pedro Valdo, que
lia, explicava e distribuía as Escrituras, as quais contrariavam os costumes e as
doutrinas dos católicos romanos. Foram cruelmente perseguidos e expulsos da
França; apesar das perseguições, eles permaneceram firmes, e atualmente
constituem uma parte do pequeno grupo de protestante na Itália.
João Wyclif Nascido em 1324, Recusava-se a reconhecer a autoridade do
papa e opunha-se a ela. Era contra a doutrina da transubstanciação, considerando
o pão e o vinho meros símbolos. Traduziu o Novo testamento para o Inglês e seus
seguidores foram exterminados por Henrique V.
João Huss Nascido em 1369 foi um dos leitores de Wyclif, pregou as mesmas
doutrinas, e especialmente proclamou a necessidade de se libertarem da autoridade
papal. Foi excomungado pelo papa, e então retirou para algum esconderijo
desconhecido. Ao fim de dois ano voltou a convite da igreja para participar de um
concílio católico-romana de Constança, sob a proteção de um salvo-conduto.
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Entretanto, o acordo foi violado sob o pretexto de que “Não se deve ser fiel a
hereges”. Assim João Huss foi condenado e queimado.
Jerônimo Savonarola Nascido em 1452 foi monge Dominicano, em Florença.
A grande catedral enchia-se de multidões ansiosas, não só de ouví-lo, mas também
para obedecer aos seus ensinos. Pregava contra os male sociais, eclesiásticos e
político de seu tempo. Foi preso, condenado e enforcado e seu corpo queimado na
praça de Florença em 1498.
A. A Queda de Constantinopla. A queda de Constantinopla, em 1453, foi
assinalada como linha divisória entre os tempos medievais e os tempos modernos.
Província após província do grande império foi tomada, até ficar somente a cidade
de Constantinopla, que finalmente, em 1453, foi tomada pelos turcos sob as ordens
de Maomé II. O templo foi transformado em mesquita. Constantinopla ( Istambul )
tornou-se a capital do Império Turco e assim terminou também o período da Igreja
Medieval.
B. Resumo da Apostasia. Mencionaremos algumas das doutrinas que não tem
apoio nas Escrituras Sagradas, e quando foram implantadas na igreja.
Ano Doutrina
310 Reza pelos defuntos
320 Uso de Velas
375 Culto dos santos
431 Culto à virgem Maria
503 Obrigatoriedade de se beijar os pés do papa
850 Uso da água benta
993 Canonização dos Santos
1073 Celibato Sacerdotal
1184 Instituição da Santa Inquisição
1190 Venda de Indulgências
1200 Substituição do pão pela hóstia
1215 Dogma da transubstanciação
1229 Proibição da leitura da Bíblia
1316 Instituição da reza à Ave Maria
1546 Introdução dos livros apócrifos
1870 Dogma da infabilidade papal
1950 Ascenção de Maria
8 – A IGREJA REFORMADA
Desde a Queda de Constantinopla, 1453 Até ao Fim da Guerra dos Trinta
Anos, 1648.
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8.1. A Reforma na Alemanha
Neste periodo de duzentos anos, o grande acontecimento foi a Reforma;
iniciada na Alemanha, e teve como resultado o estabelecimento de igrejas nacionais
que não prestavam obediência nem fidelidade a Roma. Anotemos algumas das
forças que conduziram à Reforma e ajudaram o seu progresso. Uma dessas forças
foi, o movimento conhecido como Renascença, ou despertar da Europa para um
novo interesse pela literatura, pelas artes e pela ciência, isto é, a transformação dos
médodos e propósitos medievais em métodos modernos.
A maioria dos estudiosos italianos desse período eram homem destituídos de
vida religiosa; até os próprios papas dessa época destacavam-se mais por sua
cultura do que pela fé. No norte dos Alpes, na Alemanha, na Inglaterra, e na França
o movimento possuía sentimento religioso, despertando novo interesse pelas
Escrituras, pelas línguas grega e hebraica, levando o povo a investigar os
verdadeiros fundamentos da fé, independente dos dogmas de Roma. Por toda parte,
de norte a sul, a Renascença solapava a igreja católica romana.
A invenção da imprensa veio a ser um arauto e aliado da Reforma que se
aproximava. A imprensa possibilitou o uso comum das Escrituras, e incentivou a
tradução e a circulação da Bíblia em todos os idiomas da Europa. As pessoas que
liam a Bíblia, prontamente se convenciam de que a igreja papal estava muito
distanciada do ideal do Novo Testamento. Os novos ensinos dos Reformadores, logo
que eram escritos, também eram logo publicados em livros e folhetos, e circulavam
aos milhões em toda a Europa.
O patriotismo dos povos começou a manifestar-se, mostrando-se
inconformados com a autoridade estrangeira sobre suas próprias igrejas nacionais;
resistindo à nomeação de bispos, abades e dignitários da igreja feitas por um papa
que vivia em um pais distante.
Não se conformava, o povo, com a contribuição do “óbolo de S. Pedro”, para
sustentar o papa e para a construção de majestosos templos em Roma. Havia uma
determinação de reduzir o poder dos concílios eclesiásticos, colocando o clero sob o
poder das mesmas leis e tribunais que serviam para os leigos.
Enquanto o espírito de reforma e de independência despertava a Europa, a
chama desse movimento começou a arder primeiramente na Alemanha, no
eleitorado da Saxônia, sob a direção de Martinho Lutero, monge e professor da
Universidade de Wittenberg.
O papa reinante, Leão X, em razão da necessidade de avultadas somas para
terminar as obras do templo de S. Pedro em Roma, permitiu que um seu enviado,
João Tetzel, percorresse a Alemanha vendendo bulas, assinadas pelo papa, as
quais, dizia, possuíam a virtude de conceder perdão de todos os pecados, não só
aos possuidores da bula, mas também aos amigos, mortos ou vivos, em cujo nome
fossem as bulas compradas, sem necessidade de confissão, nem absolvição pelo
sacerdote. Tetzel fazia esta indagação ao povo: “Tão depressa o vosso dinheiro caia
no cofre, a alma de vossos amigos subirá do purgatório ao céu.” Lutero, por sua vez,
começou a pregar contra Tetzel e sua campanha de venda de indulgências,
denunciando como falso esse ensino.
A data exata fixada pelos historiadores como início da grande Reforma foi
registrada como 31 de outubro de 1517. Na manhã desse dia, Martinho Lutero
afixou na porta da Catedral de Wittenberg um pergaminho que continha noventa e
cinco teses ou declarações, quase todas relacionadas com a venda de indulgências;
porém em sua aplicação atacava a autoridade do papa e do sacerdócio. Os
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dirlgentes da igreja procuravam em vão restringir e lisonjear Martinho Lutero. Ele,
porém, permaneceu firme, e os ataques que lhe dirigiam, apenas serviram para
tornar mais resoluta sua oposição às doutrinas não apoiadas nas Escrituras
Sagradas.
Após longas e prolongadas controvérsias e a publicação de folhetos que
tornaram conhecidas as opiniões de Lutero em toda a Alemanha, seus ensinos
foram formalmente condenados. Lutero foi excomungado por uma bula do papa
Leão X, no mês de junho de 1520. Pediram então ao eleitor Frederico da Saxônia
que entregasse preso Lutero, a fim de ser julgado e castigado. Entretanto, em vez de
entregar Lutero, Frederico deu-lhe ampla proteção, pois simpatizava com suas
idéias. Martinho Lutero recebeu a excomunhão como um desafio, classificando-a de
“bula execrável do anticristo”. No dia 10 de dezembro, Lutero queimou a bula, em
reunião pública, à porta de Wittemberg, diante de uma assembléia de professores,
estudantes e do povo. Juntamente com a bula, Lutero queimou também cópias dos
cânones ou leis estabelecidas por autoridades romanas. Esse ato constituiu a
renúncia defínitiva de Lutero à igreja católica romana.
Em 1521 Lutero foi citado a comparecer ante a do Concílio Supremo do Reno.
O novo imperador Carlos V concedeu um salvo-conduto a Lutero, para comparecer
a Worms. Apesar de advertido por seus amigos de que poderia ter a mesma sorte de
João Huss, que nas mesmas circunstâncias, no Concílio de Constança, em 1415,
apesar de possuir um salvo-conduto, foi morto por seus inimigos, Lutero
respondeu-hes: “Irei a Worms ainda que me cerquem tantos demônios quantas são
as telhas dos telhados.” Finalmente, no dia 17 de abril de 1521 Lutero
compareceuao Concílio. Em resposta a um pedido de que se retratasse, e renegasse
o que havia escrito, após algumas considerações respondeu que não podia retratarse,
a não ser que fosse desaprovado pelas Escrituras e pela razão, e terminou com
estas palavras: “Aqui estou. Não posso fazer outra coisa. Que Deus me ajude.
Amém.” Instaram com o imperador Carlos para que prendesse Lutero,
apresentando como razão, que a fé não podia ser confiada a hereges. Contudo,
Lutero pôde deixar Worms em paz.
Enquanto viajava de regresso à sua cidade, Lutero foi cercado e levado por
soldados do eleitor Frederico para o castelo de Wartzburg. Ali permaneceu durante
um ano, enquanto as tempestades de guerra e revoltas rugiam no império.
Entretanto, durante esse tempo, Lutero não permaneceu ocioso; nesse período
traduziu o Novo Testamento para a lingua alemã, obra que por si só o teria
imortalizado, pois essa versão é considerada como o fundamento do idioma alemão
escrito. Isto aconteceu no ano de 1521. O Antigo Testamento só foi completado
alguns anos mais tarde. Ao regressar do castelo de Wartzburg a Wittenberg, Lutero
reassumiu a direção do movimento a favor da igreja Reformada, exatamente a
tempo de salvá-la de excessos extravagantes.
Em 1529 a Dieta reuniu-se na cidade de Espira, com o objetivo de reconciliar
as partes em luta. Nessa reunião da Dieta os governadores católicos, que tinham
maioria, condenaram as doutrinas de Lutero. Os principes resolveram proibir
qualquer ensino do luteranismo nos estados em que dominassem os católicos. Ao
mesmo tempo determinaram que nos estados em que governassem luteranos, os
católicos poderiam exercer livremente sua religião. Os príncipes luteranos
protestaram contra essa lei desequilibrada e odiosa. Desde esse tempo ficaram
conhecidos como protestantes, e as doutrinas que defendiam também ficaram
conhecidas como religião protestante.
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8.2. A Contra-Reforma
Logo após haver-se iniciado o movimento da Reforma, um poderoso esforço foi
também iniciado pela igreja católica romana no sentido de recuperar o terreno
perdido, para destruir a fé protestante e para enviar missões a países estrangeiros.
Esse movimento foi chamado Contra-Reforma.
Tentou-se fazer a reforma dentro da própria igreja por via do Concílio de
Trento, convocado no ano de 1545 pelo papa Paulo III, principalmente com o
objetivo de investigar os motivos e pôr fim aos abusos que deram causa à Reforma.
O Concílio era composto de todos os bispos e abades da igreja, e durou quase vinte
anos, durante os governos de quatro papas, de 1545 a 1563. Todos esperavam que
a separação entre católicos e protestantes teria fim, e que a igreja ficaria outra vez
unida. Contudo, tal coisa não sucedeu. Fizeram-se, porém, muitas reformas na
igreja católica e as doutrinas foram definitivamente estabelecidas. Os próprios
protestantes admitem que depois do Concílio de Trento os papas se conduziram
com mais acerto do que os que governaram antes do Concílio. O resultado dessa
reunião pode ser considerado como uma reforma conservadora dentro da igreja
católica romana.
De ainda maior influência na Contra-Reforma foi a Ordem dos Jesuítas,
fundada em 1534 pelo espanhol Inácio de Loyola. Era uma ordem monástica
caracterizada pela combinação da mais severa disciplina, intensa lealdade à igreja e
à Ordem, profunda devoção religiosa, e um marcado esforço para arrebanhar
prosélitos. Seu principal objetivo era combater o movimento protestante, tanto com
métodos conhecidos como com formas secretas. Tornou-se tão poderosa a Ordem
dos Jesuítas, que teve contra ela a oposição mais severa, até mesmo nos países
católicos; foi suprimida em quase todos os países da Europa, e por decreto do papa
Clemente XIV, no ano de 1773, a Ordem dos Jesuítas foi proibida de funcionar
dentro da igreja. Apesar desse fato, ela continuou a funcionar, secretamente
durante algum tempo, mais tarde abertamente, e foi reconhecida pelo papa em
1814. Hoje é uma das forças mais ativas para divulgar e fortalecer a igreja católica
romana em todo o mundo.
A perseguição ativa foi outra arma poderosa usada para impedir o crescente
espírito da Reforma. É Certo que os protestantes também perseguiram, e até
mataram, porém geralmente isso aconteceu por sentimentos politicos e não
religiosos. Entretanto, no continente europeu, todos os governos católicos
preocupavam-se em extirpar a fé protestante, usando para isso a espada. Na
Espanha estabelceu-se a Inquisição, por meio da qual inumerável multidão sofreu
torturas e muitas pessoas foram queimadas vivas. Nos Países-Baixos o governo
espanhol determinou matar todos aqueles que fossem suspeitos de heresias. Na
França o espírito de perseguição alcançou o climax, na matança da noite de São
Bartolomeu, 24 de agosto de 1572, e que se prolongou por várias semanas.
Segundo o cálculo de alguns historiadores, morreram de vinte a setenta mil
pessoas. Essas perseguições nos países em que o governo não era protestante não
só retardavam a marcha da Reforma, mas, em alguns países, principalmente na
Boêmia e na Espanha, a extinguiram.
Os esforços missionários da igreja católica romana devem ser reconhecidos,
também, como uma das forças da Contra-Reforma. Esses esforços eram dirigidos
em sua maioria pelos jesuítas, e tiveram como resultado a conversão das raças
nativas da América do Sul, do México e de grande parte do Canadá. Na India e
países circunvizinhos estabeleceram-se missões por intermédio de Francisco Xavier,
um dos fundadores da sociedade dos jesuítas. As missões católicas, nos países
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pagãos, iniciaram-se séculos antes das missões protestantes e conquistaram
grande número de membros e bem assim poder para a respectiva igreja.
Como resultado inevitável de interesses e propósitos contrários dos estados da
Reforma e católicos na Alemanha, iniciou-se então uma guerra no ano de 1618, isto
é, um século depois da Reforma. Essa guerra envolveu quase todas as nações
européias. Na história ela é conhecida como a Guerra dos Trinta Anos. As
rivalidades políticas e religiosas estavam ligadas a essa guerra. Ás vezes estados
que professavam a mesma fé, apoiavam partidos contrários. A luta estendeu-se
durante quase. uma geração, e toda a Alemanha sofreu ou seus efeitos terríveis.
Finalmente, em 1648, a guerra terminou, com a assinatura do tratado de paz
de Westfália, que fixou os limites dos estados católicos e protestantes, que duram
até hoje. O periodo da Reforma pode ser considerado terminado nesse ponto.
9 – A IGREJA ATUAL
Nos últimos três séculos, nossa atenção dirigir-se-á especialmente para as
igrejas que nasceram da Reforma. Pouco depois da Reforma apareceram três grupos
diferentes na igreja inglesa:
• Os elementos romanistas que procuravam fazer amizade e nova união com
Roma;
• O anglicanismo, que estava satisfeito com as reformas moderadas
estabelecidas nos reinados de Henrique VIII e da rainha Elisabete;
• E o grupo protestante radical que desejava uma igreja igual às que se
estabeleceram em Genebra e Escócia. Este último grupo ficou conhecido,
cerca do ano de 1654, como “os puritanos”, e opunha-se de modo firme ao
sistema anglicano no governo de Elisabete, e por essa razão muitos de seus
dírigentes foram exilados.
Os puritanos também estavam divididos entre si: uma parte mais radical, era
favorável à forma presbiteriana; a outra parte desejava a independência de cada
grupo local, conhecidos como “independentes” ou “congregacionais”. Apesar dessas
diferenças, continuavam como membros da igreja inglesa.
Na luta entre Carlos I e o Parlamento, os puritanos eram fortes defensores dos
direitos populares. No início o grupo presbiteriano predominava. Por ordem do
Parlamento, um concílio de ministros reunido em Westminster, em 1643, preparou
a “Confissão de Westminster” e os dois catecismos, considerados durante muito
tempo como regra de fé por presbiterianos e congregacionais. Após a Revolução de
1688, os puritanos foram reconhecidos como dissidentes da igreja da Inglaterra e
conseguiram o direito de organizarem-se independentemente.
Do movimento iniciado pelos puritanos surgiram três igrejas, a saber, a
Presbiteriana, a Congregacional, e a Batista.
Nos primeiros cinquenta anos do século dezoito, as igrejas da Inglaterra, a
oficial e a dissidente, entraram em decadência. Os cultos eram formalistas,
dominados por uma crença intelectual, mas sem poder moral sobre o povo. A
Inglaterra foi despertada dessa condição, por um grupo de pregadores sinceros
dirigidos pelos irmãos João e Carlos Wesley e Jorge Whitefield. Dentre os três,
Whitefield era o pregador mais poderoso, que comovia os corações de milhares de
pessoas, tanto na Inglaterra como na América do Norte. Carlos Wesley era o poeta
sacro, cujos hinos enriqueceram a coleção hinológica a partir de seu tempo. João
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Wesley foi, sem dúvida alguma, o indiscutível dirigente e estadista do movimento.
Na idade de trinta e cinco anos, quando desempenhava as funções de clérigo
anglicano, João Wesley encontrou a realidade da religião espiritual entre os
morávios, um grupo dissidente da igreja Luterana.
Em 1739 Wesley começou a pregar “o testemunho do Espírito” como um
conhecimento pessoal interior, e fundou sociedades daqueles que aceitavam seus
ensinos. A princípio essas sociedades eram orientadas por dirigentes de classes,
porém mais tarde Wesley convocou um corpo de pregadores leigos para que
levassem as doutrinas e relatassem suas experiências em todos os lugares, na Grã-
Bretanha e nas colônias norte-americanas. Os seguidores de Wesley foram
chamados “metodistas”, e Wesley aceitou sem relutância esse nome. Na inglaterra
foram conhecidos como “metodistas wesleyanos”, e antes da morte de seu fundador,
contavam-se aos milhares.
Apesar de haver sofrido, durante muitos anos, violenta oposição da igreja de
Inglaterra, sem que lhe permitissem usar o púlpito para pregar, Wesley afirmava
considerar-se membro da referida igreja; considerava o movimento que dirigia como
uma sociedade não separada, mas dentro da igreja da Inglaterra. Contudo após a
revolução norte-americana, em 1784, organizou os metodistas nos Estados Unidos
em igreja independente, de acordo com o modelo episcopal, e colocou
“superintendentes”, titulo que preferiu ao de “bispo”. Nos Estados Unicos o nome
“bispo” teve melhor aceitação e foi por isso adotado. Nesse tempo os metodistas na
América eram cercade 14.000.
O movimento wesleyano despertou clérigos e dissidentes para um novo poder
na vida cristã. Também contribuiu para a formação de igrejas metodistas sob várias
formas em muitos países. Na América do Norte, presentemente a igreja metodista
conta com aproximadamente onze milhões de membros. Nenhum dirigente na igreja
cristã conseguiu tantos seguidores como João Wesley.
A Igreja da Inglaterra (Episcopal), foi a primeira religião protestante a
estabelecer-se na América do Norte. Em 1579 realizou-se um culto sob a direção de
Sir Francis Drake, na Califórnia. O estabelecimento permanente da igreja inglesa
data de 1607, na primeira colônia inglesa em Jamestown, na Virgima. A Igreja da
Inglaterra era a única forma de adoração reconhecida no início, na Virgínia e em
outras colônias do sul.
A igreja, nos Estados Unidos, tomou o nome oficial de Igreja Protestante
Episcopal. O crescimento da igreja Episcopal desde então tem sido rápido e
constante. Atualmente conta quase três milhões e meio de membros.
A igreja Episcopal reconhece estas três ordens no ministêrio: bispos,
sacerdotes e diáconos, e aceita quase todos os trinta e nove artigos da Igreja da
Inglaterra, modificados para serem adaptados à forma de governo norte-americano.
Sua autoridade legislativa está concentrada em uma convenção geral que se reúne
cada três anos. Trata-se de dois corpos, uma câmara de bispos e outra de delegados
clérigos e leigos eleitos por convenções nas diferentes dioceses.
Uma das maiores igrejas existentes na América do Norte é a denominação
Batista, a qual conta com mais de vinte milhões de membros. Seus princípios
distintivos são dois: (1) Que o batismo deve ser ministrado somente àqueles que
confessam sua fé em Cristo; por conseguinte, as crianças não devem ser batizadas.
(2) Que a única forma bíblica do batismo é a imersão do corpo na água, e não a
aspersão ou derramamento.
Os batistas são congregacionais em seu sistema de governo. Cada igreja local
é absolutamente independente de qualquer jurisdição externa, fixando suas
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próprias regras. Não possuem uma Confissão de Fé nem catecismo algum para
instruir jovens acerca de seus dogmas. Contudo, não há no país igreja mais unida
em espírito, mais ativa e empreendedora em seu trabalho e mais leal aos seus
princípios, do que as igrejas batistas.
Surgiram os batistas pouco depois da Reforma, na Suíça, e espalharam-se
rapidamente no norte da Alemanha e na Holanda. No princípio foram chamados
anabatistas, porque batizavam novamente aqueles que haviam sido batizados na
infância. Na Inglaterra, a princípio, estavam unidos com os independentes ou
congregacionais, mas pouco a pouco tornaram-se um corpo independente. Com
efeito, a igreja de Redford, da qual João Bunyan era pastor, cerca do ano 1660, e
que existe até hoje, considera-se tanto batista como congregacional.
Na América do Norte a denominação batista iniciou suas atividades com Roger
Williams, clérigo da Igreja da Inglaterra expulso de Massachusetts porque se
recusou a aceitar as regras e opiniões congregacionais. Roger fundou a colônia de
Rhode Island, em 1644. Ali todas as formas de adoração religiosa eram permitidas,
e os membros de religiões perseguidas em outras partes eram bem-vindos. De
Rhode Island os batistas espalharam-se rapidamente por todo o continente.
Depois da Reforma iniciada por Martinho Lutero, as igrejas nacionais que se
organizaram na Alemanha e nos países escandinavos tomaram o nome de
luteranas. No início da história da colonização holandesa da Nova Amesterdã, hoje
Nova lorque, que se supôe haja sido em 1623, os luteranos, ainda que da Holanda,
chegaram a essa cidade. Em 1652, solicitaram licença para fundar uma igreja e
contratar um pastor. Entretanto, as autoridades da Igreja Reformada da Holanda
opuseram-se a esse desejo, e fizeram com que o primeiro ministro luterano voltasse
à Holanda, em 1657. Os cultos continuaram a ser realizados, embora não
oficialmente. Contudo, em 1664, quando a Inglaterra conquistou Nova Amsterdã, os
luteranos conseguiram liberdade de culto.
Em 1638, alguns luteranos suecos estabeleceram-se próximo ao rio Delaware,
e construíram o primeiro templo luterano na América do Norte, perto de Lewes.
Porém a imigração sueca cessou até ao século seguinte. Em 1710, uma colônia de
luteranos exilados do Palatinado, na Alemanha, estabeleceu a sua igreja em Nova
Iórque e na Pensilvânia. No século dezoito os protestantes alemães e suecos
emigraram para a América do Norte, aos milhares. Isso deu motivo à organizaçãodo
primeiro Sínodo Luterano na cidade de Filadélfia, em 1748. A partir daí as igrejas
luteranas cresceram, não só por causa da imigração, mas também pelo aumento
natural, sendo que atualmente há aproximadamente nove milhões e meio de
membros nas igrejas luteranas.
Uma das primeiras igrejas presbiterianas dos Estados Unidos foi organizada
em Snow Hili, Marvland, em 1648, pelo Rev. Francis Makemie, da Irlanda. Makemie
mais seis ministros reuniram-se em Filadélfia, em 1706 e uniram suas igrejas em
um presbitério. Em 1716, as igrejas e seus ministros, havendo aumentado em
numero, e bem assim penetrado em outras colônias, decidiram organizar-se em
sínodo, dividido em quatro presbitérios incluindo dezessete igrejas.
As igrejas metodistas do Novo Mundo existem desde o ano de 1766, quando
dois pregadores wesleyanos locais, naturais da Irlanda, se transferiram para os
Estados Unidos e começaram a realizar cultos segundo a ordem metodista. Não se
sabe ao certo se Filipe Embury realizou o primeiro culto em sua própria casa em
Nova lorque ou se foi Roberto Strawbridge, em Fredrick County, Maryland. Esses
dois homens organizaram sociedades, e, em 1768, Filipe Embury edificou uma
capela na Rua João, onde funciona ainda um templo metodista episcopal. O
número de metodistas na América do Norte cresceu. Por essa razão, em 1769, João
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Wesley enviou dois missionários, Ricardo Broadman e Tomás Pilmoor, a fim de
inspecionarem a obra e cooperarem na sua extensão. Outros pregadores, sete ao
todo, foram enviados da Inglaterra, dentre os quais se destacou Francisco Asbury,
que chegou aos Estados Unidos em 1771. A primeira Conferência Metodista nas
colônias foi realizada em 1773, presidida por Tomás Rankin. Porém, em razão do
início da Guerra de Independência, todos os pregadores deixaram o país; exceto
Asbury, e a maior parte do tempo, até que a paz foi assinada em 1783, ele esteve
afastado.
Quando o governo dos Estados Unidos foi reconhecido pela Grã-Bretanha, os
metodistas da América do Norte alcançavam o número de quinze mil.
10 – AS ASSEMBLEIAS DE DEUS NO
BRASIL
De 1910 até os dias atuais.
A maior igreja pentecostal de todos os tempos foi fundada a 18 de junho de
1911 na cidade brasileira de Belém, capital do estado do Pará. Toda a sua história
está marcada por fatos sobrenaturais, acontecimentos evidenciadores da presença
do Espírito Santo, o que a coloca como fiel e digna sucessora da igreja nascida no
Dia do Pentecoste.
Os missionários Daniel Berg e Gunnar Vingren, este ex-pastor da Swedish
Baptist Church, (Igreja Batista Sueca), de Menominee, Michigan, EUA, foram os
apóstolos tomados por Deus para o lançamento das primeiras sementes, o Senhor
os aproximou por ocasião de uma convençáo de igrejas batistas reavivadas, em
Chicago, quando sentiram o chamado para terras distantes. Em mensagem
profética, o Senhor lhes falou, mais tarde, na cidade de South Bend, quando pela
primeira vez ouviram o nome “Pará”. Consultaram um mapa e souberam, então,
que se tratava de uma “Província” (estado) do Brasil. Empreenderam uma jornada
em que muitos acontecimentos surpreendentes se verificaram, constituindo todos
eles evidentes provas de que Deus lhes testava a fé. A 5 de novembro de 1910, os
dois suecos deixavam Nova lorque, a bordo do navio “Clement”, oportunidade em
que promoveram a evangelização dos tripulantes e passageiros, registrando-se
algumas decisões para Cristo. A chegada a Belém do Pará deu-se a 19 de
novembro.
Alojados no porão da Igreja Batista, na rua Balby n.0 406, permaneciam
muitas horas em orações, suas vidas no altar de Deus. E, tão logo começaram a
falar em língua portuguesa, iniciaram trabalho evangelístico, enquanto
doutrinavam a respeito do batismo como Espírito Santo. Na pequena igreja
opunham-se alguns com grande resistência, aos ensinos dos dois missionários.
A 8 de junho de 1911, Celina Albuquerque recebia o batismo com o Espírito
Santo e, no dia seguinte Maria Nazaré, sua irmã, tinha a mesma experiência
espiritual. Juntamente com elas, outros membros e congregados foram expulsos do
templo e organizavam, a 18 de junho de 1911, na residência de Henrique
Albuquerque, no bairro da Cidade Velha, Belém, a primeira igreja no mundo a
adotar a denominação de Assembléia de Deus. Gunnar Vingren foi, então, aclamado
pastor da igreja. Sucederam-no os pastores Samuel Nystron, Nels Julius Nelson,
Francisco Pereira do Nascimento, José Pinto Menezes, Alcebíades Pereira
Vasconcelos e Firmino Assunção Gouveia.
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Da igreja pioneira de Belém irradiou-se a obra pentecostal a todas as regiões
do Brasil, vindo a corresponder, a partir de 1960, a 70% no quadro do evangelismo
nacional. As Assembléias de Deus congregam 50 por cento dos evangélicos
brasileiros, predominando nas zonas rurais e no interior, procurando alcançar,
sobretudo, as classes sociais mais humildes.
Durante algumas décadas solitárias na aceitação da doutrina pentecostal, as
Assembléias de Deus constitmam uma minoria cruelmente perseguida. Nas
pequenas cidades, o clero católico romano, dominante e implacável, contava sempre
com o apoio de autoridades arbitrárias que fechavam templos e agrediam e
aprisionavam os membros da igreja. Muitas vezes eram os crentes alvo de
pistoleiros, que feriam e matavam, ocasiõesem que costumavam ocorrer
impressionantes interferências divinas. Estas levaram muitos inimigos a se
curvarem a Cristo, aceitando a mensagem da Biblia Sagrada. Fazendeiros,
pequenos comerciantes, operários hostis ao Evangelho foram sendo tocados pelo
poder de Deus e hoje predominam, ao lado dos primeiros profissionais liberias,
militares e funcionários públicos que passam a aceitar que a concessão dos dons
espirituais não se circunscreve aos dos dias apostólicos, mas alcança os homens de
todos os séculos, depois que Jesus prometeu enviar o Consolador.
Dezenas de milhares de membros das igrejas conservadoras (batistas,
presbiterianas, metodistas e outras) buscam atualmente o batismo com o Espírito
Santo e experimentam um avivamento sem precedentes. Enquanto as
denominações tradicionais em sua maioria, estacionam ou decrescem em número
de fiéis e de templos, os pentecostais inclusos os avivados, (como são conhecidos os
não integrantes das Assembléias de Deus) crescem em todos os sentidos. As igrejas
que crêem nos dons espirituais, e os buscam, constroem dezenas e dezenas de
templos, alguns com capacidade para milhares de pessoas. As Assembléias de Deus
se deslocam dos subúrbios e das fazendas para o centro das grandes cidades.
A obra missionária é também enfatizada em várias igrejas. A Assembléia de
Deus em São Cristóvão, Rio de Janeiro, destaca-se neste trabalho. É responsável
pelo envio de missionários a vários países da América do Sul e à Africa. Outras
igrejas, como a de Madureira, RJ; Belém e Brás, bairros da cidade de São Paulo;
Santo André, SP; Belém, PA, de estados do Sul e alguns da região nordeste,
também participam do esforço missionário, que se torna a paixão de muitos
homens e mulheres.
Na literatura, destacam-se os nomes de Emilio Conde, que durante vários
anos dirigiu, como jornalista, os órgãos de divulgação das Assembléias de Deus no
Brasil e representou a igreja em congressos internacionais, e de O.S. Boyer, o mais
prolífero autor pentecostal radicado em terras brasileiras.
Fato novo e altamente significativo que se registra no meio pentecostal, nos
últimos anos, é o despertamento para o aprendizado, para o estudo sistemático da
Palavra de Deus. Alguns institutos passaram a funcionar e outros se organizam e
neles jovens de todo o Pais, ao lado de obreiros veteranos, que também se
despertam para o estudo, capacitam-se a prosseguir, acompanhando a igreja no
seu progresso e nos desafios que se lhe apresentam na hora presente. Mantendo
fidelidade às suas origens de igreja que reconhece ser imprescindível a direção do
Espírito Santo, as Assembléias de Deus conscientizam-se da extraordinária
responsabilidade que passaram a ter como a maior comunidade pentecostal de todo
o mundo.
Segundo informação da Secretaria da Junta Executiva das Deliberações da
Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil, as Assembléias de Deus no
Brasil reúnem 3 milhões de membros e 2 milhões de congregados (1980).
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A forma de governo das Assembléias de Deus é congregacional, isto é, cada
assembléia governa-se a si mesma e age de forma independente, ao mesmo tempo
que mantém comunhão com as demais assembléias. As igrejas locais unem-se
umas às outras por meio de doutrinas e práticas mutuas que as levam a cooperar
em favor dos interesses gerais e do Distrito.
Os dirigentes da assembléias locais, dos Concílios Distritais e do Concílio
Geral têm poderes limitados na esfera da administração e são considerados como
servidores da organização. Eles exercem funções eficientes de assessoramento dos
ministros e das igrejas. As assembléias locais têm certa dependência da
organização, até que alcancem o crescimento suficiente que justifique seu
reconhecimento como assembléias independentes. Recebem, então, auxílio para
organizarem seus estatutos, e podem dispor de assessores experimentados por
parte dos dirigentes do Distrito, quando isso for necessário.
O caráter da organização das Assembléias de Deus foi descrito por um
ministro presbiteriano, o qual declarou que na organização predomina o mesmo
espírito que predominava na primitiva igreja wesleyana. Contudo, existe alguma
diferença, pois as Assembléias de Deus não só ensinam a necessidade do novo
nascimento e a santificação pessoal, mas também ensinam o privilégio de se
receber o batismo pessoal do Espírito Santo, a plenitude pentecostal. Esse batismo
é acompanhado pelos mesmos sinais mencionados no livro dos Atos dos Apóstolos,
isto é, o falar em outras línguas, segundo o Espírito. Possivelmente noventa por
cento dos membros afirmam haver recebido a promessa do Novo Testamento, e os
dez por cento restantes crêem nela firmemente.

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