Filosofia da Religião
– O que é, afinal, a Religião?

TEOLOGIA
PASTORAL
Bacharelado em
Filosofia da Religião – 2
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SUMÁRIO
1 – A FILOSOFIA DA RELIGIÃO………………………………………………………………………3
1.1. MÉTODO ………………………………………………………………………………………………….3
1.2. DESENVOLVIMENTO DA FILOSOFIA DA RELIGIÃO……………………………………………………3
2 – RELIGIÕES PRIMITIVAS…………………………………………………………………………..4
3 – RELIGIÕES SUPERIORES …………………………………………………………………………4
4 – XAMANISMO………………………………………………………………………………………….5
5 – O CULTO AFRO-BRASILEIRO…………………………………………………………………….5
5.1. XANGÔ…………………………………………………………………………………………………….6
5.2. TAMBOR-DE-MINA ………………………………………………………………………………………6
5.3. CANDOMBLÉ-DE-CABOCLO…………………………………………………………………………….6
5.4. BABAÇUÊ …………………………………………………………………………………………………6
5.5. UMBANDA…………………………………………………………………………………………………6
5.6. PAJELANÇA ……………………………………………………………………………………………….6
5.7. CATIMBÓ ………………………………………………………………………………………………….7
6 – ANIMISMO NA CULTURA AFRICANA …………………………………………………………..7
6.1. O ANIMISMO ENTRE OS BAKONGOS SE CONFUNDE COM A PESSOA DE DEUS …………………7
6.2. AS FONTES DA DIVULGAÇÃO DO ANIMISMO ENTRE OS BAKONGOS ……………………………..8
6.3. LUGARES E OBJETOS VENERADOS……………………………………………………………………8
7 – CLASSIFICAÇÃO, CARACTERÍSTICAS E SIGNIFICAÇÃO DE RELIGIÃO ……………..9
7.1. O POLITEÍSMO……………………………………………………………………………………………9
7.2. O PANTEÍSMO…………………………………………………………………………………………….9
7.3. O DEÍSMO ………………………………………………………………………………………………..9
7.4. O MONOTEÍSMO …………………………………………………………………………………………9
8 – ELEMENTOS CARACTERÍSTICOS DOS SISTEMAS RELIGIOSOS ……………………. 10
9 – O SIGNIFICADO DE “FILOSOFIA DA RELIGIÃO” ………………………………………… 11
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1 – A FILOSOFIA DA RELIGIÃO
É uma das disciplinas que se constitui numa das divisões da filosofia. Tem por
objeto o estudo da dimensão espiritual do homem desde uma perspectiva filosófica
(metafísica, antropológica e ética), indagando e pesquisando sobre a essência do
fenômeno religioso: “O que é, afinal, a Religião?”.
1.1. Método
Para o estudo da Filosofia da Religião são usados os métodos histórico-crítico
comparativo, o filológico e o antropológico. O primeiro deles compara as várias
religiões no tempo e no espaço, em busca de seus aspectos mais comuns e suas
diferenças, para verificar o que constitui a essência do fenômeno religioso. O
segundo faz o estudo comparativo das línguas, visando encontrar as palavras
utlizadas para descrever e expressar o sagrado e suas raízes comuns e o terceiro
método procura reconstruir o passado religioso tendo por base a etnologia (estudo
dos povos primitivos e atuais, suas instituições, crenças, rituais e tradições). A
Filosofia da Religião deve fazer uma adequada conjugação desses métodos “para
obter a melhor soma de elementos para chegar à conclusão mais correta sobre a
essência da religião e suas características universais.”
1.2. Desenvolvimento da Filosofia da Religião
Até o século XX, a história do pensamento filosófico ocidental encontrava-se
intimamente associada às tentativas de esclarecer certos aspectos do paganismo,
do judaísmo e do cristianismo, enquanto que em tradições como o hinduísmo, o
budismo ou o taoísmo, há uma distinção ainda menor entre a investigação filosófica
e a religiosa.
O problema clássico de conceber um objeto apropriado para a crença religiosa
consiste em compreender se é possível lhe atribuir algum termo: fará sentido dizer
que esse objeto cria e conhece coisas, que deseja certos acontecimentos, que é bom
ou providencial, que é uma ou muitas coisas?
Na teologia da via negativa afirma-se que Deus só pode ser conhecido quando
negamos que os termos vulgares possam ser-lhe aplicados; outra sugestão influente
é a de que os termos vulgares só se lhe aplicam metaforicamente, não existindo
qualquer esperança de eliminar essas metáforas. Mas mesmo que se chegue a uma
descrição do Ser Supremo, continuamos com o problema de encontrar um motivo
para se supor que exista algo correspondente a essa descrição.
A época medieval foi a mais fértil em pretensas demonstrações da existência
de Deus, como as cinco vias de Santo Tomás de Aquino, ou o argumento ontológico
de Santo Anselmo. Essas provas deixaram de ter ampla aceitação desde o século
XVIII, embora ainda convençam muitas pessoas e alguns filósofos.
De uma maneira geral, até os filósofos religiosos (ou talvez estes em especial)
têm sido cautelosos em relação às manifestações populares da religião. Kant, um
simpatizante da fé religiosa, distinguiu várias perversões dessa fé: a teosofia (uso de
concepções transcendentais que confundem a razão), a demonologia (favorecimento
de concepções antropomórficas do Ser Supremo), a teurgia (ilusão fanática de que
esse ser pode nos comunicar sentimentos ou de que podemos exercer influência
sobre Ele) e a idolatria ou a delusão supersticiosa de que podemos nos tornar
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aceitáveis perante o Ser Supremo através de outros meios que não o de ter a lei
moral no coração (Crítica da faculdade do juízo, II.28).
No entanto, essas tendências para o contato arrebatado têm se tornado cada
vez mais importantes na teologia moderna. Desde Feuerbach há uma tendência
crescente na filosofia da religião em se concentrar nas dimensões sociais e
antropológicas da crença religiosa (ver também jogo de linguagem, magia), ou para
a conceber como uma manifestação de várias necessidades psicológicas explicáveis.
Outra reação consiste numa fuga para o elogio do comprometimento
existencial puramente subjetivo (ver também existencialismo, Kierkegaard). No
entanto, o argumento ontológico continua a atrair a atenção, e as tendências
antifundacionalistas (ver fundacionalismo) da epistemologia moderna não são
inteiramente hostis às pretensões cognitivas que se baseiam na experiência
religiosa.
2 – RELIGIÕES PRIMITIVAS
O homem primitivo, a partir da experiência do sonho e do fenômeno da
respiração, concebeu a existência de uma alma ou princípio vital imaterial que
habitava todos os seres dotados de movimento e vida. O temor diante dos
fenômenos naturais ou a necessidade de obter seus benefícios impeliu-o a renderlhes
veneração e culto.
O deus sol, a divindade lunar, o trovão, a montanha sagrada, os espíritos da
água, do fogo, do vento… A crença de que os fenômenos e forças da natureza são
capazes de intervir nos assuntos humanos constitui o fundamento de todas as
idéias religiosas dos povos primitivos, que viviam em harmonia com a natureza e
sentiam em todas as suas manifestações a presença do sagrado.
3 – RELIGIÕES SUPERIORES
À medida que o homem passou a organizar sua existência numa base
racional, a multiplicidade poderes divinos e sobre-humanos da religião primitiva
não conseguiu mais satisfazer a necessidade de estabelecer uma relação coerente
com as múltiplas forças espirituais que povoaram o universo. Surgiram assim as
religiões politeístas e monoteístas, expressões das condições sociais e culturais de
cada época e das características dos povos em que surgiram. As religiões politeístas
afirmam a existência de vários deuses, aos quais rendem culto. O politeísmo reflete
a experiência humana de um universo no qual se manifestam diversas formas de
poder sobre-humano; no entanto, nas religiões politeístas ocorre com freqüência
uma hierarquia, com um deus supremo que reina e que, em geral, pode ser a
origem dos demais deuses. O problema do politeísmo seria delimitar o que se
entende como deus ou como algo algo sobre-humano.
Politeístas foram a religião grega e a romana.
As religiões monoteístas professam a crença num Deus único, transcendente –
distinto e superior ao universo – e pessoal. Um dos grandes problemas do
monoteísmo é a explicação da existência do mal no mundo, o que levou diversas
religiões a adotarem um sistema dualista, fundado nos princípios supremos do bem
e do mal.
As grandes religiões monoteístas são o judaísmo, o cristianismo e o islamismo.
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4 – XAMANISMO
A mais pura expressão do Xamanismo se encontra entre os povos do Ártico
e da Ásia central, mas o fenômeno aparece também no Sudeste Asiático, na
Oceania e mesmo entre os povos indígenas da América do Norte.
Xamanismo é uma experiência mística própria de religiões primitivas, centrada
na pessoa do xmã, que se acredita capaz de curar e de se comunicar com os
espíritos. Aparece em algumas religiões como ideologia principal e em outras
como fenômeno suplementar. Seus poderes se devem à técnica do êxtase, que
domina, e que consiste em poder abandonar o corpo quando em estado de transe.
O xamã exerce as funções de curandeiro, sacerdote e condutor de almas. Os
povos que admitem o xamanismo acreditam que a doença é provocada pela
perda da alma. Assim, o xamã deve de início descobrir onde se encontra a
alma perdida ou seqüestrada por algum espírito do mal. Empreende, em
seguida, uma difícil e perigosa viagem ao outro mundo para resgatar a alma e
devolvê-la, saudável, ao corpo do enfermo.
O indivíduo pode se tornar xamã por decisão própria ou por escolha da
comunidade – o que é raro -, por hereditariedade ou por vocação espontânea. O
escolhido é preparado por um mestre que lhe ensina a técnica do êxtase, a
genealogia e a mitologia da tribo, os nomes e as funções dos espíritos, os meios de
cura, o domínio do fogo e o tratamento que deve dispensar aos deuses, aos
demônios, às almas dos mortos e aos espíritos da natureza. Em geral, o xamanismo
participa das religiões de povos que têm na caça a base de sua economia e
acreditam na existência da alma da natureza e de animais, assim como na
sobrevivência dos espíritos dos antepassados.
5 – O CULTO AFRO-BRASILEIRO
Inicialmente restritos aos escravos e seus descendentes, os cultos afrobrasileiros,
especialmente a umbanda, ganharam adeptos da classe média urbana.
O candomblé das diversas “nações” africanas é a religião afro-brasileira que mais
fielmente preserva as tradições dos antepassados e a menos permeável às
transformações sincréticas, embora cultue secundariamente entidades assimiladas,
como os caboclos e os pretos velhos. Predomina na Bahia e tem muitos seguidores
no Rio de Janeiro. A umbanda é francamente sincrética com o cristianismo e o
espiritismo kardecista. O culto afro-brasileiro toma o nome de pajelança na
Amazônia, babaçuê no Pará, tambor-de-mina no Maranhão, xangô em Alagoas,
Pernambuco, Paraíba, e batuque no Rio Grande do Sul. Candomblé: Paradigma dos
cultos de origem africana em todo o país, o ritual do candomblé pode ser
considerado, do ponto de vista musical, um oratório dançado. Cada entidade –
orixá, exu ou erê – tem suas cantigas e suas danças específicas. O canto é puxado,
um solo, pelo pai ou mãe-de-santo e é seguido por um coro em uníssono, formado
pelos filhos-de-santo.
Da cerimônia participam três instrumentos básicos: o atabaque, o agogô e o
piano-de-cuia (aguê); a estes se acrescentam um adjá (no candomblé das nações do
grupo jeje-nagô) e um caxixi (nos ritos do grupo angola-congo). Tal como se
encontra na Bahia, esse candomblé, que pode ser considerado mais ou menos
ortodoxo, na realidade já se apresenta como um resumo de várias religiões trazidas
pelos negros da África e incorpora ainda elementos ameríndios, do catolicismo
popular e do espiritismo.
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5.1. Xangô
Ainda que com características próprias, o xangô é a versão local, em
Pernambuco, Paraíba e Alagoas, do candomblé baiano. Xangô é também a
denominação, em língua africana, do orixá jeje-nagô das tempestades, raios e
trovões, cultuados em vários estados do Brasil. O ritmo do xangô é fortemente
marcado por instrumentos percussivos. A dança se caracteriza pelo aspecto
guerreiro, com os braços em ângulo reto e as mãos viradas para cima.
5.2. Tambor-de-Mina
Manifestação própria do Maranhão, cuja procedência é o ritual angola-congo
do candomblé, mesclado a outras sobrevivências litúrgicas, o tambor-de-mina ou
tambor-de-crioulo caracteriza-se por uma série de cantos acompanhados por três
tambores, uma cabaça e um triângulo de ferro.
5.3. Candomblé-de-Caboclo
Manifestação própria de Salvador e municípios vizinhos, na Bahia, o
candomblé-de-caboclo é uma espécie de candomblé nacionalizado, que toma por
base a ortodoxia do candomblé jeje-nagô. Trata-se de exemplo nítido do sincretismo
religioso popular no Brasil. Registram-se nele influências indígenas e mestiças,
resumindo-se os hinos especiais de cada encantado ou caboclo, cantados em
português, a uma declaração de seus poderes sobrenaturais.
5.4. Babaçuê
Versão local, em Belém PA, do rito jeje-nagô do candomblé baiano, o babaçuê
se assemelha em muitos pontos ao candomblé-de-caboclo. Canta-se e dança-se ao
ritmo de três abadãs (tambores), um xequeré (cabaça) e um xeque (chocalho de
folha-de~flandes). Os hinos denominam-se doutrinas e podem ser cantados em
língua africana ou em português, segundo os espíritos com que se relacionam. Uma
variedade desse rito, o batuque, tem suplantado o babaçuê nos dias atuais.
5.5. Umbanda
Religião sincrética própria do estado do Rio de Janeiro, a umbanda é praticada
em terreiros encabeçados por um pai ou mãe-de-santo, que preside ás cerimônias,
auxiliado por um cambono (acólito). Os cânticos denominam-se pontos e, como no
candomblé, têm a função de chamar o santo, que se incorpora nos filhos-de-santo,
ou cavalos. Como no candomblé, os orixás se comunicam diretamente com as
pessoas em poucas oportunidades; preferem fazê-lo por intermédio de entidades
intermediárias, os pretos velhos.
5.6. Pajelança
No caso da pajelança (Amazonas, Pará, Piauí, Maranhão), o elemento gerador é
genuinamente ameríndio. As curas são levadas a efeito pelos pajés, verdadeiros
xamãs indígenas. O instrumento básico de pajelança é o maracá, instrumento
sagrado do pajé. As cerimônias acompanham-se sempre de cantos e danças para
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divertir os espíritos. Os cantos são melodias folclóricas conhecidas; as danças,
exercícios mímicos, com rugidos e uivos imitativos dos animais invocados. Uma
versão da pajelança amazônica é a encanteria ou encantaria piauiense, fortemente
aculturada com o catolicismo popular. Na encantaria, os crentes repetem várias
vezes certa quadra rogatória de purificação, após o que o pai-de-santo dança em
volta da guna (forquilha central da sala), no centro de um círculo formado por todos
os dançantes, que giram sobre si mesmos da direita para a esquerda. em torno do
mestre, que entoa cantos (aié) para que algum moço (espírito) se aposse de seu
aparelho (filho ou filha-de-santo) e cante sua doutrina, dançando em transe.
5.7. Catimbó
A origem do catimbó, cuja prática pode ser encontrada em todo o Nordeste,
parece ser a magia branca européia, chegada via Portugal, aculturada com
elementos negros, ameríndios, do espiritismo e do baixo catolicismo. Nele se
registram cantos de linhas, mas sem nenhum instrumento musical nem bailado
votivo.
6 – ANIMISMO NA CULTURA
AFRICANA
Tenho lido muitos artigos de estudos missiológicos e de religiões sobre
animismo. Falando mais no campo missiológico, o animismo é classificado como a
sexta religião presente e crescente (2,88% da população), o que leva os missiólogos
a classificá-la como religião menor.
Os mesmos estudos indicam que essa religião, aparentemente menor no
contexto mundial, acaba sendo a terceira religião da África, praticada por 20% da
população do continente.
Não quero afirmar categoricamente que estas estatísticas estão corretas,
devido até às dificuldades de se fazer um senso exato das religiões hoje, em razão
do crescimento e dificuldades geopolíticas mundiais, em particular, da África.
Vou limitar-me a falar do animismo na cultura dos bakongos, isto é, os povos
do norte de Angola, Brazavile, e República do Congo (ex-Zaire).
6.1. O Animismo Entre os Bakongos se Confunde
Com a Pessoa de Deus
Existe uma característica comum entre os Bakongos, que os leva a uma
prática animista. É o conflito da alma e do divino. Acredita-se que a alma é
pecadora até a morte. Depois da morte toda alma é pura e se torna intercessora dos
parentes em vida, ganhando então o conceito divino.
Há crença tradicional que tenta apontar para o seguinte: que a alma de quem
morre se ajunta aos ancestrais no céu, atuando ao mesmo tempo na região da
origem da tribo. Ao mesmo tempo, tais ancestrais se tornam objetos de preces e
invocações para ajudarem na saúde, economia, governo. São-lhes atribuídos
poderes de promover a vida ou a morte.
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A partir daí surge o conceito religioso que me leva a acreditar na existência do
animismo e fazer a afirmação do primeiro subtítulo.
6.2. As Fontes da Divulgação do Animismo Entre
os Bakongos
A. A Fonte Oral e Religiosa. São contos orais recheados de testemunhos
passados de geração a geração, sobre acontecimentos bons ou ruins, que se deram
na tribo, clã, ou certa região, com a intervenção de espíritos. Tal conto vira crença
religiosa, ganha símbolos, gestos e ocupa espaço no tempo para sacríficio.
B. A Fonte Mística. Sabemos que em toda a cultura semítica, até mesmo no
Ocidente, os sonhos têm um peso psicológico e religioso muito forte.
Entre os bakongos, sonhos de idoso ou “ancião” e de juvenis têm uma
consideração profética, como meio pelo qual Deus e os Espíritos se comunicam com
os vivos. O ancião não é só respeitado, mas também em certas situações,
reverenciado, principalmente quando é chefe de clã ou um orador pacifista. Juvenis
são considerados puros, sem malícia.
Para além dos sonhos, são considerados também fenômenos de aparições
espirituais, que na maioria se dão com mulheres e lavradores.
C. A Fonte Psicológica “Medo”. Por nascer numa família cristã, ofereceu-me o
conhecimento da cultura e a base do argumento de atribuir ao medo outra fonte de
difusão do animismo na cultura Africana “bakongos”. É o medo que leva a apontar
lugares com assombrações ou com manifestações de fantasmas. Quando isso
acontece, os animistas vão oferecer sacrifícios orientados por seus líderes, ou
invocam tal espírito para se manifestar através de médium, para informação do que
querem Assim surgem preceitos animistas que suscitam grandes oposições entre
cristãos, animistas e muitas vezes intelectuais que não acreditam nestas coisas, e
essa situação gera confrontos espirituais terríveis.
6.3. Lugares e Objetos Venerados
Esta fonte tem três vertentes na cultura dos kikongos, por ser uma cultura
oral e conseqüentemente cheia de segredos.
A. Existem (lugares como) árvores, por exemplo: os anciãos não deixam
contar, não por crença espiritual Às vezes são lugares onde eles se encontram para
conversar assim como as praças e clubes do Ocidente.
B. Pode ser aquela árvore uma divisão territorial de fazenda, ou aldeias de
clãs, que fizeram aliança e começaram morar juntos. Tem mais uma conotação de
“documento”.
C. Pode representar um túmulo de um personagem, ou ali se esconderam
coisas de um partido político, armamento, farda, bijuterias, por falta de Banco em
determinados lugares.
Acontece que o jovem, africano para ter acesso a essas informações, precisa
idade; a posição da tribo etc. Logo, o que é difundido para a juventude ou o
estrangeiro é: aquele lugar ou tal objeto é sagrado. Com o passar de alguns anos,
cria-se aquele enigma que ninguém desvenda, e aquilo vira santuário.
Posso concluir parcialmente este artigo afirmando que ética e o catecismo
animista consistem na força do obscurantismo espiritual que forma um sistema de
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terror psicológico espiritual, que abre portas para uma atuação de Satanás na vida
dos homens em todas as esferas. Tenho-me apercebido de muitas crenças
brasileiras no espiritismo ou baixo- espiritismo. Para mim tudo é do diabo. No
Brasil nada mais é senão fruto de lendas animistas já desvendadas na África, que
deixaram de ser objetos de holocausto e adoração. Com isso concluímos: O medo é
a fé do diabo; o obscurantismo é o seu catecismo, e a mentira é a sua cruz.
7 – CLASSIFICAÇÃO,
CARACTERÍSTICAS E
SIGNIFICAÇÃO DE RELIGIÃO
7.1. O Politeísmo
As religiões politeístas afirmam a existência de vários deuses, aos quais
rendem culto. Existem duas teorias contraditórias sobre a origem do politeísmo:
para alguns, é a forma primitiva da religião, que mais tarde teria evoluído até o
monoteísmo; para outros, ao contrário, é uma degeneração do monoteísmo
primitivo. O politeísmo reflete a xperiência humana de um universo no qual se
manifestam diversas formas de poder sobre-humano; no entanto, nas religiões
politeístas ocorre com freqüência uma hierarquia, com um deus supremo que reina
e que, em geral, pode ser a origem dos demais deuses. O problema do politeísmo
seria delimitar o que se entende como deus ou como algo sobre-humano. Politeístas
foram a religião grega e a romana.
7.2. O Panteísmo
O panteísmo é uma filosofia que, por levar a extremos as noções de absoluto e
de infinito, próprias do conceito de Deus, chega a considerá-lo como a única
realidade existente e, portanto, a identificá- lo com o mundo. É clássica a
formulação do filósofo Baruch Spinoza, no século XVII: Deus sive natura (Deus ou
natureza). Alguns filósofos gregos e estóicos foram panteístas, doutrina que também
é a base fundamental do budismo.
7.3. O Deísmo
Também uma corrente filosófica, o deísmo reconhece a existência de Deus
enquanto constitui um ser supremo de atributos totalmente indeterminados. Essa
doutrina funda-se na religião natural, que nega a revelação. O que o homem
conhece a respeito de Deus não decorre apenas das deduções da própria razão
humana. Se o universo físico é regulado por leis segundo a vontade de Deus, as
relações entre Deus e o mundo moral e espiritual devem ser similares, reguladas
com a mesma precisão e, portanto, naturais. O período do Iluminismo (séculos
XVII-XVIII) proclamou o culto à deusa razão e a revolução francesa ajudou a
organizá-lo.
7.4. O Monoteísmo
As religiões monoteístas professam a crença num Deus único, transcendente –
– distinto e superior ao universo — e pessoal. Um dos grandes problemas do
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monoteísmo é a explicação da existência do mal no mundo, o que levou diversas
religiões a adotarem um sistema dualista, o maniqueísmo, fundado nos princípios
supremos do bem e do mal.
As grandes religiões monoteístas são o judaísmo, o cristianismo — que
professa a existência de um só Deus, apesar de reconhecer, como mistério, três
pessoas divinas – e o islamismo.
8 – ELEMENTOS
CARACTERÍSTICOS DOS
SISTEMAS RELIGIOSOS
Os princípios elementares comuns à maioria das religiões conhecidas na
história podem agrupar-se nos seguintes capítulos: crenças, ritos, normas de
conduta e instituições.
Toda religião pressupõe algumas crenças básicas, como a sobrevivência depois
da morte, mundo sobrenatural etc., ao menos como fundamento dos ritos que
pratica. Essas crenças podem ser de tipo mitológico — relatos simbólicos sobre a
origem dos deuses, do mundo ou do próprio povo; ou dogmático — conceitos
transmitidos por revelação da divindade, que dá origem à religião revelada e que são
recolhidos nas escrituras sagradas em termos simbólicos, mas também conceituais.
Os conceitos fundamentais organizam-se, de modo geral, em um credo ou
profissão de fé; as deduções ou explicações de tais conceitos constituem a teologia
ou ensinamento de cada religião, que enfoca temas sobre a divindade, suas relações
com os homens e os problemas humanos cruciais — a morte, a moral, as relações
humanas etc. Entre as crenças destaca-se, em geral, uma visão esperançosa sobre
a salvação definitiva das calamidades presentes, que pode ir desde a mera ausência
de sofrimento até a incógnita do nirvana ou a felicidade plena de um paraíso.
A manifestação das próprias crenças e anseios mediante ações simbólicas é
inerente à expressividade humana. Da mesma forma, as crenças e sentimentos
religiosos têm se manifestado através dos ritos, ou ações sagradas, praticados nas
diferentes religiões. Até no budismo, contra o ensinamento de Buda,
desenvolveram-se desde o começo diversas classes de rituais. Toda religião que seja
mais do que uma filosofia gera uma série de ritos ao ser vivida pelo povo. Existem
ritos culturais em honra à divindade, ritos funerários, ritos de bênçãos ou de
consagração e muitos outros.
Observa-se em geral, nas diversas religiões, a existência de ministros ou
sacerdotes encarregados de celebrar os principais rituais e, em especial, o culto à
divindade. Os atos mais importantes desse culto são oferendas e sacrifícios
praticados em conjunto, com invocações e orações. Com freqüência celebram-se os
ritos em lugares e épocas considerados sagrados, especialmente dedicados à
divindade, e observados com escrupulosa exatidão através dos tempos.
O terceiro elemento característico de toda religião é o estabelecimento, mais ou
menos coercitivo, de normas de conduta do indivíduo ou do grupo no que se refere
a Deus, a seus semelhantes e a si mesmo. O primeiro comportamento exigido é a
conversão ou mudança para um novo modo de vida. Com relação a Deus,
destacam-se as atitudes de veneração, obediência, oração e, em algumas religiões, o
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amor. Na conduta no âmbito da esfera humana entra, em maior ou menor medida,
um sistema de normas éticas.
Quase todas as religiões cristalizam-se em algumas instituições dogmáticas
(doutrinárias) e cultuais (sacerdócio, hierarquia). Muitas delas chegam a
institucionalizar a conduta, com a criação até mesmo de tribunais de justiça e
sanções e a organizar administrativamente as diversas comunidades de crentes e
suas propriedades. Essas instituições dão forma e coesão aos crentes como um
grupo social — religião, povo, igreja, comunidade; a elas somam-se outras
instituições voluntárias de tipo assistencial ou de plena dedicação religiosa, que
correspondem a grupos informais dentro do grupo institucionalizado. As
instituições consideram imprescindível a forma externa, enquanto que a fé
considera o espírito interno como essencial à religião.
9 – O SIGNIFICADO DE
“FILOSOFIA DA RELIGIÃO”
A filosofia, tal como a religião, como um sistema, começou como uma defesa
das crenças religiosas, através do raciocínio filosófico. Assim, temos as provas
racionais da existência da alma e de Deus, como exemplos desse tipo de atividade.
Porém, uma verdadeira filosofia da religião não é especialmente defensiva, e nem
especificamente negativa. Antes, é a consideração de assuntos religiosos mediante a
crítica analítica e avaliação feitas pela filosofia. O propósito disso não é, em
primeiro lugar, aceitar ou rejeitar as crenças religiosas e, sim, compreender e
descrever as mesmas de formas mais exatas e abrangente. “A filosofia da religião é o
estudo lógico dos conceitos religiosos e dos conceitos, argumentos e expressões
teológicos: o escrutínio de várias interpretações da experiência e das atividades
religiosas. O filósofo que pratica a mesma não precisa dedicar-se a religião que
estiver estudando… A filosofia da religião deve ser destinguida da apologética.
Novamente, não é idêntica à teologia natural, visto que o filósofo da religião também
pode ocupar-se na avaliação de alegadas revelações”.

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