Evangelismo
– Uma Colheita Poderosa

TEOLOGIA
PASTORAL
Bacharelado em
Evangelismo e Missões – 2
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SUMÁRIO
1 – INTRODUÇÃO AO EVANGELISMO ………………………………………………………………3
1.1. DEFININDO EVANGELISMO……………………………………………………………………………..3
2 – INTRODUÇÃO AO EVANGELISMO PESSOAL…………………………………………………4
2.1. O ALVO DO EVANGELISMO PESSOAL …………………………………………………………………4
2.2. VANTAGENS DO EVANGELISMO PESSOAL…………………………………………………………….5
2.3. O MANUAL DO OBREIRO NO EVANGELISMO PESSOAL ……………………………………………..5
2.4. COMO DEVEMOS ESTUDAR A BÍBLIA …………………………………………………………………6
2.5. DICAS PRÁTICAS E ÚTEIS NO ESTUDO BÍBLICO …………………………………………………….8
3 – O EVANGELHO NO ANTIGO TESTAMENTO…………………………………………………..9
3.1. O EVANGELHO PRÉ-ANUNCIADO (GN 12.3) …………………………………………………………9
3.2. O EVANGELHO É UMA BÊNÇÃO………………………………………………………………………..9
3.3. O EVANGELHO É PARA TODOS ………………………………………………………………………..9
3.4. É ORDEM COM PROMESSAS………………………………………………………………………….10
3.5. LOCAIS PARA TESTEMUNHO………………………………………………………………………….11
4 – UMA IGREJA VIVA EVANGELIZA …………………………………………………………….. 12
4.1. O VERDADEIRO CRESCIMENTO É DINÂMICO ………………………………………………………13
5 – O MÉTODO DE CRISTO …………………………………………………………………………. 13
6 – UM EXAME NA OBRA DO EVANGELISMO PESSOAL…………………………………….. 15
6.1. PORQUE DEVEMOS EVANGELIZAR…………………………………………………………………..16
6.2. QUANDO DEVEMOS EVANGELIZAR ………………………………………………………………….17
6.3. ONDE DEVEMOS EVANGELIZAR ……………………………………………………………………..18
6.4. COMO DEVEMOS EVANGELIZAR……………………………………………………………………..19
7 – MOBILIZANDO A IGREJA PARA O CRESCIMENTO………………………………………. 23
7.1. A NATUREZA DO CRESCIMENTO……………………………………………………………………..23
7.2. O CRESCIMENTO DEVE SER PROPORCIONAL ……………………………………………………..24
7.3. A PROPORÇÃO DO CRESCIMENTO NA IGREJA DE JERUSALÉM ………………………………….24
7.4. A METODOLOGIA DO CRESCIMENTO………………………………………………………………..25
8 – GANHANDO ALMAS ATRAVÉS DE CRUZADOS EVANGELÍSTICAS…………………… 26
8.1. EVANGELIZAÇÃO EM MASSA………………………………………………………………………….27
8.2. O QUE SIGNIFICA CRUZADA EVANGELÍSTICA ……………………………………………………..27
8.3. O LUGAR DAS CRUZADAS EVANGELÍSTICAS NA IGREJA ………………………………………….27
8.4. COMO REALIZAR CRUZADAS EVANGELÍSTICAS ……………………………………………………28
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1 – INTRODUÇÃO AO
EVANGELISMO
O mensageiro era “evanguélos”, que queria dizer: “o mensageiro sagrado”.
Evangelizar é a missão suprema que Cristo confiou à igreja.
A. Evangelização é a ação de evangelizar, que consiste em levar os perdidos a
Jesus, para serem salvos por Ele.
1. É falar da Salvação em Cristo.
2. É publicar a Salvação.
3. É proclamar o louvor do Senhor.
4. É empenhar-se apaixonadamente na propagação do Evangelho.
Veja Lc 4.18; At 8.25, 40; Ef 2.17; I Pe 1.25.
Evangelismo – a partícula “ismo” denota sistema
Se queremos pregar o Evangelho temos que nos preparar ( I Tm 2.15).
Evangelismo – Envolve princípios bíblicos, métodos bíblicos, estratégias e
técnicas empregadas na ação de evangelizar.
• Evangelizar – É apresentar Cristo no poder do seu Espírito Santo, para que
homens possam colocar-se debaixo de Sua autoridade e confiar em Deus
através dEle, aceitá-lO como Salvador e serví-lO como Rei no seio de Sua
Santa Igreja.
• Evangelismo – É a arte de fazer discípulos … Mt 28.19, 20
• Evangelismo – ‘’E o sistema baseado em princípios, métodos, técnicas e
estratégias tirados do Novo Testamento, pelos quais se comunica o
Evangelho de Cristo a todo pecador, sob a liderança e no poder do Espírito
Santo, visando persuadi-lo a aceitar a Cristo como seu Salvador pessoal, de
acordo com o comissionamento de Jesus dado a todos os seus discípulos,
levando, ao final, os que crerem, a se integrarem à igreja pelo batismo,
preparando-os para a volta de Cristo.
1.1. Definindo Evangelismo
A. Segundo Willian Hall:
• “É o soluço de Deus”.
• “É o brado angustiado de Jesus que chora sobre uma cidade condenada”.
• “É o brado de Paulo: Eu desejaria ser anátema, separado de Cristo, por
amor de meus irmãos, meus patriotas segundo a carne”.
• “É a súplica de Moisés: O povo cometeu grande pecado… agora, pois,
perdoa-lhe o pecado; ou, se não, risca-me, peço-te, do livro que escreveste”.
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• “É o brado de John Knox: Dá-me a Escócia ou morrerei”.
• “É o brado de John Wesley: O mundo é a minha paróquia”.
• “É o soluço, altas horas da noite, da mãe, do pai, pelo filho perdido”.
• “’E o segredo de uma grande igreja”.
• “É o segredo do grande pregador – do grande cristão”.
B. Segundo D. T. Niles;
• “Evangelismo é a missão suprema da Igreja”.
• “Evangelismo é fazer a Palavra de Deus chegar ao conhecimento do povo”.
• “Evangelismo é a Igreja que vai”.
• “Evangelismo é a Igreja que ataca”.
• “Evangelizar é um mendigo dizer a outro mendigo onde pode conseguir
alimento”.
O episódio dos leprosos na porta de Samaria, que entraram no arraial dos
siros, encontrando grande fartura, numa época de fome na cidade, é realmente uma
ilustração viva do que é evangelizar (II Reis 7.9).
C. Definição de Evangelismo Pessoal. Evangelismo Pessoal é a obra de fatos de
Cristo aos perdidos individualmente; é levá-los a Cristo, o Salvador. ( Jo 1.41, 42;
At 08.35 ) At 15.35.
2 – INTRODUÇÃO AO
EVANGELISMO PESSOAL
A Importância vê-se no fato de que a evangelização dos pecadores foi o último
assunto de Jesus aos seus discípulos antes de ascender ao céu. Nessa ocasião Ele
ordenou à igreja a evangelização do mundo. (Mc 16.15, Rm 10.14,15, 19; At 1.8,9).
Megadumes – quer dizer grande poder, terrível poder.
2.1. O Alvo do Evangelismo Pessoal
O alvo é tríplice: salvar os perdidos, restaurar os desviados e edificar os
crentes. O irmão já experimentou o gozo que há em ganhar uma alma para Jesus?
É uma benção e uma experiência inesquecível … Há um gozo inexplicável em
vermos alguém no caminho para o céu, eu já na glória, por nosso intermédio…
Ganhar almas foi a suprema tarefa do Senhor Jesus aqui na terra. (Lc 19.10; I Tm
1.15 ). Paulo, o grande homem de Deus no Novo Testamento tinha o mesmo alvo e
visão ( I Co 9.20 ). Uma grande parte dos crentes pensa que a obra de ganhar almas
para Jesus está ligada exclusivamente aos pregadores, pastores e obreiros em geral.
Costuma-se em comodamente sentados, os sermões culto após culto, enquanto os
campos estão brancos para ceifa, como disse o Senhor da seara em João 4.35. O
“Ide” de Jesus para IRMOS aos perdidos ( Mc 16.15 ), não é dirigido a um grupo
especial de salvos, mas a todos indistintamente, como bem revela o texto citado.
Portanto a evangelização dos pecadores pertence a todos os salvos indistintamente.
Cada crente pode e deve ser um ganhador de almas. Nada pode o impedir de
ganhar almas para Jesus, se propuseres isto agora em teu coração.
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O Evangelismo Pessoal, como já vimos acima, vai além do pecador perdido; ele
alcança também o desviado e o crente necessitado de conforto, direção, ânimo,
auxílio e vitória. Ele reaviva a fé e a esperança nas promessas das Santas
Escrituras.
2.2. Vantagens do Evangelismo Pessoal
Aqui estão algumas:
A. Adapte-se às condições espirituais de qualquer pessoa. O que o sermão não
consegue fazer no auditório, na evangelização coletiva, o evangelismo pessoal faz.
Na evangelização em massa, a pregação não satisfaz a todos porque cada pecador
tem problemas espirituais diferentes. No Evangelismo Pessoal, a mensagem é
direta, incisiva. Muitas vezes, a pregação apenas inicia a evangelização que será
completada com o contato pessoal do ganhador de almas.
B. Promove o crescimento da igreja. A Igreja nos dias primitivos cresceu tão
depressa porque os crentes cheios do Espírito Santo evangelizavam sem parar ( At
5.42; 8.4). O resultado foi o maravilhoso crescimento, conforme registra o livro de
Atos dos Apóstolos. Hoje também, a igreja que tiver um número regular de
ganhadores de almas, seu crescimento será notório. A semeadura da palavra de
Deus promove o crescimento e edificação da igreja, cf. At 2.41,47; 4.4; 5.14; 9.31.
A maior e melhor maneira de ajudar o pastor no crescimento do rebanho de Deus, é
ganhar almas individualmente. O irmão tem feito assim? Está fazendo assim? Se
hoje, na igreja, cada um ganhasse outro qual seria o resultado?
Elementos fundamentais da Pregação:
N – Novidade
N – Necessidade
C. Vence a todos os preconceitos. Há casos e ocasiões que somente o
evangelismo pessoal alcança o pecador. Há pessoas que jamais assistiram reuniões
evangelísticas em templos ou seja onde for, devido preconceitos, falsas concepções,
ignorância, ordens recebidas, imposições religiosas, falsas informações, falsas
idéias, etc. E aí o Evangelismo Pessoal presta seu serviço de modo ímpar. Há
inúmeras grandes por toda parte que começarem através do Evangelismo Pessoal. A
origem foi uma alma ganha, cultos em sua casa e em seguida uma congregação
formada. O pioneirismo missionário na América Latina e o estabelecimento da obra
das Sociedades Bíblicas também foi assim – através do evangelismo pessoal.
2.3. O Manual do Obreiro no Evangelismo Pessoal
É a Bíblia, é evidente. Ela é a Palavra de Deus, e, dEle temos a extraordinária
promessa: “Porque assim será a palavra que sair da minha boca: ela não voltará
vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei.” ( Is 55.11
). Vide também Tg 1.21b; Sl 126.5, 6; Rm 1.10.
Sabemos nós que a Bíblia é o manual do Evangelismo Pessoal, é evidente que
para termos o êxito nesta obra, duas coisas precisamos considerar por enquanto:
Na obra de ganhar almas emprega-se a Palavra de Deus (Rm 10.17; IPe 1.23;
Jo 3.5 ).
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Para empregar a Palavra de Deus é preciso empregá-la devidamente II Tm
2.15. A expressão maneja bem neste v., significa que de fato dissecar, dividir ou
cortar corretamente, como por exemplo, no preparo das vítimas para os diversos
sacrifícios. Refere-se principalmente à correta aplicação do texto e mensagem de
toda Bíblia.
É fato reconhecido que é muito mais fácil falar a Palavra de Deus a uma
multidão do que a uma só pessoa. Quem fala a um auditório não é interrompido
para perguntas, a partes, argumentação etc; já quem fala a uma só pessoa poderá
vir a enfrentar tudo isso. Há pecadores que aceitam a mensagem da salvação sem
objeções e argumentações, mas outros apresentam excusas tais que se o crente não
conhecer devidamente as Escrituras ficará em situação vexatória. É verdade que p
espírito Santo guia e inspira na obra de ganhar almas, mas, no tocante às
Escrituras, Ele só pode lembrar-nos daquilo que conhecemos antes ( Jo 14.26 ).
Como poderia o Espírito Santo lembrar-me daquilo que não sei? Que não ouvi? Que
não li? Que não aprendi? Por sua vez, o pregador ou ganhador de almas não é
adivinhador de versículos… Muitos, a essa altura, firmam-se em Mt 10.19, 20 para
declararem que na hora precisa o Espírito Santo dará tudo; mas é bastante ver o
contexto da referida passagem (v. 18), para ver à que ocasião Jesus está se
referindo. Leia também quanto a isto I Pe 3.15; Pv 9.9; I Tm 4.13; II Tm 4.13. A
Bíblia é a “espada do Senhor”, mas também de “Gideão” ( Jz 7.20 ). Isto é, ela é a
arma que o Espírito Santo usa, mas o elemento que a conduz é o crente. Portanto é
imperioso que o crente aprenda manejar bem o Livro de Deus. Há crentes que até
evitam falar de Jesus, sabendo do seu pouco ou nenhum conhecimento das
Escrituras.
No Evangelismo Pessoal, a doutrina principal é a salvação da alma. É preciso
que o crente conheça cem os textos para apresentá-los à medida que a necessidade
for exigindo. Não é um texto qualquer que vamos citar, mas aquele apropriado para
o momento, pois a Bíblia tem uma mensagem adequada para cada caso, cada
coração, cada circunstância. Não é abrir a Bíblia em qualquer lugar e dizer “vou ler
esta passagem que o Senhor me deu” quando, geralmente o Senhor não deu coisa
nenhuma… O que é preciso é conhecer a Bíblia e depender do Espírito Santo.
Assim sendo, Deus abre a porta, guia e dá mensagem adequada e ungida pelo seu
Espírito.
É oportuno lembrar aqui que o Espírito Santo e a Palavra de Deus jamais se
contradizem. Quem se julga espiritual deve conhecer e amar a Bíblia, e quem seguir
a Bíblia deve andar segundo o Espírito. A razão porque muitos crentes chamado
espirituais são cheios de meninices, escandalosos e extremistas é porque não
estudam a Palavra, conduz ao fanatismo; conhecer a Palavra e não ter o Espírito,
conduz ao fanatismo. Se você deseja que o Espírito Santo lhe use, inclusive na obra
de ganhar almas, procure Ter o instrumento que Ela emprega – a Palavra de Deus (
Ef 6.17 ).
O maior incentivo à santidade não é preceitos, mas sim exemplos,
especialmente o exemplo daquele com o qual nos associamos intimamente.
2.4. Como Devemos Estudar a Bíblia
Aqui estão algumas maneiras:
A. Leia a Bíblia conhecendo seu Autor. O primeiro passo para entender as
Escrituras é conhecer seu autor – Deus. Assim sendo, ele no-lo explicará. ( Jo
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16.13; Lc 24.32-45; Sl 119.18, 125. A melhor maneira de estudar a Bíblia é fazer
como Maria: Jogar-se aos pés do Autor (Lc 10.39).
B. A leitura diária, seguida e total. É a leitura sistemática e constante da
Bíblia anos após anos. É o contato direto e pessoal com a Palavra de Deus. Nada
pode substituir este aspecto de vida devocional do cristão. Vide Dt 17.19; Is 34.16;
Ap 1.3. A leitura ocasional, irregular , não consta. Há crentes que só se alimentam
espiritualmente quando põem comida em sua boca. É a colher do pastor, do
professor da Escola Dominical etc., etc. Não comem por si próprio. Quando mudam
de igreja, às vezes morrem de fome espiritual. É muito bom ler bons livros, mas o
máximo de tempo deve ser da Bíblia. Os livros são bons, mas não substituem a
Bíblia. Nos livros, muitas vezes, prevalece o individualismo do autor, na Bíblia não
este particular. Leiamos livros, mas tendo sempre a Bíblia como autoridade
principal e final. Ninguém fique preocupado pensando que por ler muito a Bíblia
vai esgotar seu conteúdo… Ela vem sendo lida por milhões de leitores através de
milênios e nunca ficou esgotada. Seu conteúdo é inesgotável! Não há ninguém
formado na Bíblia. Isto é uma das grandes evidências de sua origem divina.
C. Leia a Bíblia com a melhor atitude para com ela. É de máxima importância
que o estudante da Bíblia estude o Santo Livro reverenda atitude mental, tendo-a
como a Palavra de Deus e não como uma obra literária comum. O autor da Bíblia é
Deus. Seu assunto central é Cristo. Seu real intérprete é o Espírito Santo.
Considerando-a sob esses pontos de vista, ela é o único livro cujo autor está sempre
presente quando o lemos. Estude-a com espírito sequioso, devocional, receptivo
aberto, buscando conhecer mais de Deus e seu amor.
D. Leia a Bíblia com meditação e oração. Assim fez Davi, no que foi
grandemente abençoado por Deus (Sl 119.12, 40, 64, 68 ). E na presença do Senhor
em oração, que as coisas secretas de Deus são reveladas ( Sl 73.16, 17 ). Daniel
orou e as Escrituras lhe foram reveladas (Dn 9). Não convém ler depressa sem
prestar atenção ao sentido que às vezes é bem claro, nas outras vezes demanda de
uma meditação mais demorada e profunda. Também é infrutífero fazer concorrência
para estabelecer recorde de leitura. E melhor ler pouco meditando, do que ler às
pressas sem meditar. Quem lê às pressas, não pode dizer como Samuel: Fala
porque teu servo ouve. ( I Sm 3.10 ),
E. Aplica a leitura da Bíblia primeiro a ti mesmo. Nunca leias somente para
instruir o próximo. Toma a Bíblia primeiro para tua edificação. Há pessoas que tudo
que é benção, conforto, promessa, elas aplicam a si; tudo que é ameaça, exortação,
aviso, repreensão, castigo, aplicam aos outros. Quando leres a Bíblia pergunte
sempre a Deus, como fez Josué diante do mensageiro celestial: “Que diz meu
Senhor ao seu servo?” ( Js 5.14 ).
F. Leia a Bíblia toda. A Bíblia é a revelação progressiva da verdade. Isto é,
nada é dito de uma só vez nem uma vez por todas. É comum um assunto começar
num livro e daí prosseguir através de muitos outros até que o assunto complete,
Por exemplo: a doutrina da Redenção, vai do livro de Gênesis ao Apocalipse. Não
podemos entender uma carta recebida, lendo-a um pouco aqui, um pouco ali, mas
de modo completo. A Bíblia é a carta de Deus à humanidade. Estudando-a toda,
conhecemos todo plano divino através dos séculos.
• Não esperes compreender a Bíblia toda. Lêde Dt 29.29; I Co 13.12. Na
Bíblia há dificuldades e mistérios insondáveis isto porque sendo ela a
Palavra de Deus, é inesgotável. E de se esperar que Deus saiba mais que o
homem… Um Deus sobrenatural deve ter um livro sobrenatural. Uma
mente finita de Deus ( Rm 11.33, 34 ). Muitos deixam de ler a Bíblia e
outros perdem interesse nela só porque não compreendem tudo o que lêem.
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Ora, quando na refeição encontramos isso, deixamos isso de lado e
continuamos a comer. Façamos assim no tocante a Bíblia. Deixemos a
dificuldades de lado e continuemos a comer. Quanto a este particular,
tenha-se em mente Sl 25.14; I Co 2.9-14
2.5. Dicas Práticas e Úteis no Estudo Bíblico
A. Apontamentos individuais. Habitua-se a tomar notas de suas meditações
na Palavra de Deus. A memória falha com o tempo. Distribua seus apontamentos
por assuntos.
B. Aprenda a ler e escrever referências bíblicas. O sistema mais simples e
rápido para escrever referências bíblicas é adotado pela Sociedade Bíblica do Brasil:
duas letras abreviativas, sem ponto, para cada livro da Bíblia. Esse sistema consta
do índice da Bíblia editadas pela referida Sociedade. Entre o capítulo e o versículo
põe-se um ponto. Exemplos: Jo 2.4 ( João 2.4); Jó 2.4; I Pe 5.5 ( I Pedro 5.5); Fp
1.29 ( Filipenses 1.29 ); Fm v.14 ( Filemom v.14 ); etc.
C. Diferença entre o texto e a referência. TEXTO: são palavras contidas numa
passagem. REFERÊNCIA: é a indicação de livro, capítulo e versículo.
Uma referência pode levar indicações como:
• “a” – indicando a parte inicial do versículo: Rm 1.17.
• “b” – indicando a parte final do versículo: Rm 1.17b.
• “ss” – indicando os versículos que se seguem até o fim ou não do capítulo:
Rm 1.17 ss.
• “qv” – Que veja, recomendação para não deixar de ler o texto indicado: Rm
1.17qv.
• “cf” – compare, confira: i.e. – isto é. São expressões latinas.
• Sigla das diferentes versões da Bíblia em vernáculo. Isso poupa tempo e
trabalho.
o ARC = Almeida Revisada e Corrigida. É o texto da Almeida antiga,
impressa e distribuída pela Imprensa Bíblica Brasileira.
o ARA = Almeida Revisada e Atualizada. É o texto da Almeida revisada
por uma comissão de eruditos brasileiros e estrangeiros, e editada
pela Sociedade Bíblica do Brasil. Começou a ser publicada completa
em 1958.
o Fig = Antônio Pereira Figueiredo. Atualmente é impressa e distribuída
pela Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, Londres.
o M. Soares = Matos Soares. Versão popular dos católicos brasileiro.
o Rhoden = Humberto Rhoden. Versão particular desse padre brasileiro.
• O tempo antes e depois de Cristo. É indicado pelas letras:
o AC = Antes de Cristo. É uma sigla de expressão portuguesa.
o AD = Depois de Cristo. É uma língua de expressão latina.
• Contexto. É a parte que fica antes e depois da passagem que estudamos
lendo. Pode ser IMEDIATO ou REMOTO. Este pode ser um versículo,
capítulo, e até um livro todo.
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D. Manuseio do volume sagrado. Obtenha completo domínio no manuseio do
volume sagrado, a fim de encontrar com rapidez qualquer referência bíblica. Jesus
fazia assim. Veja Lucas 4.17, onde está escrito que Ele “achou o lugar onde estava
escrito…” Ora, isso era muito mais difícil do que hoje quando dispomos de papel,
tipografia e livros…
3 – O EVANGELHO NO ANTIGO
TESTAMENTO
3.1. O Evangelho Pré-anunciado (Gn 12.3)
“…em ti serão abençoados todos os povos…”.
Todos os povos são benditos, abençoados, quando recebem o Evangelho de
Jesus Cristo.
Em ti serão abençoados todos os povos – Isto fala do Evangelho de Deus.
Veja Gl 3.8,9 “…anunciou primeiro o evangelho a … Abraão, dizendo: Todas as
nações serão benditas em ti…”.
Só no Gênesis, Deus repete 5 vezes as palavras “todos os povos”:
• “… e em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3b).
• “… e nele serão benditas todas as nações da terra” (Gn 18.18b).
• “… e em tua semente serão benditas todas as nações da terra” (Gn
22.17,18).
• “… serão benditas todas as nações da terra” (Gn 26.4b).
• “… em ti e na tua semente serão benditas todas as famílias da terra” (Gn
18.14b).
3.2. O Evangelho é uma Bênção
O EVANGELHO É UMA BENÇÃO
Abençoar todas as nações com a pregação do Evangelho é uma verdade Neotestamentária.
• “… ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15).
• “… ide a todas as nações” (Mt 28.19).
• “… em todas as nações” (Lc 24.47).
• “… trazendo salvação a todos os homens” (Tt 2.11).
3.3. O Evangelho é Para Todos
Abençoar deve ser anunciado tanto aos que estão perto como aos que estão
longe (Ef 2.17), para isso é preciso enviar (Rm 10.14,15).
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3.4. É Ordem com Promessas
“Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-meeis
testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até os
confins da Terra (At 1.8).
A. “Recebereis poder”. Missões começa no poder do Espírito Santo. É Ele o
comandante de Missões – Dirigindo, motivando, impulsionando e levando a Igreja a
cumprir sua tarefa missionária.
Igrejas que dizem ter o poder do Espírito Santo, mas não têm visão
missionária estão enganadas – É impossível que tenham o poder do Espírito Santo,
porque se de fato tivessem, teriam visão missionária.
Há também aqueles que querem fazer a obra de missões sem o poder do
Espírito Santo – o resultado e um fracasso total.
O Senhor da seara conhece nossa fraqueza e incapacidade para cumpri-mos
Sua ordem; por esse motivo, todas as vezes que Ele nos ordenou o “ide por
todo o mundo”, pregando o Evangelho a toda criatura, deu-nos também a
promessa de nos capacitar com o poder do Espírito Santo.
Por isso ordenou: “…ficai em Jerusalém até que do alto sejais revestidos de
poder” (Lc 24.49).
Olhando para a história da igreja, veremos que todas as vezes em que houve
um derramamento do Espírito Santo, o resultado final foi um grande movimento de
Missões Mundiais.
O Espírito Santo é o guia das missões, e prova disto é o que aconteceu no Dia
de Pentecostes, quando Ele agiu de tal forma que estavam presentes a este grande
evento representantes de todas as nações debaixo do céu
(At 2.5).
Cerca de 16 nações presentes no Dia de Pentecostes, representaram todas as
nações conhecidas da época:
“E em Jerusalém estavam habitando judeus, varões religiosos, de todas as
nações que estão debaixo do céu” (At 2.5).
“Partos e medas, elamitas e os que habitam na Mesopotâmia, e Judéia, e
Capadócia, Ponto e Ásia, e Frígia e Panfélia, Egito e partes da Líbia, junto a Cirene,
e forasteiros romanos, tanto judeus como prosélitos, crentenses e árabes…” (At 2.9-
11).
O resultado do derramamento do Espírito Santo no Dia de Pentecostes foi a
salvação de quase três mil almas (At 2.41).
Pouco depois, cerca de cinco mil (At 4.4).
Houve também um grande movimento missionário (At 17.6).
Na história dos avivamentos, há sempre um paralelo de grandes movimentos
missionários.
Se quisermos ver nossas igrejas crescendo através da pregação do Evangelho,
precisamos do poder do Espírito Santo (Mt 28.18-20; Mc 16.15-18; Lc 24.47-49; Jo
20.21, 22).
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O diabo não quer a igreja cheia do Espírito Santo, por que sabe que uma igreja
cheia de poder evangeliza e semeia em todos os lugares, arrebatando as almas que
estão em suas mãos.
B. “… E ser-me-eis testemunhas…”. A testemunha (grego “martyrion”), tem o
conceito do sofrimento em dar testemunho da fé até o ponto da morte.
Ser testemunha (martyrion) é ser entregue ao açoite por
causa de Cristo (Mt 10.17, 18).
“Martyrion” – Caminho da rejeição, do sofrimento, e, possivelmente, até da
morte.
Estêvão, a testemunha fiel (At 22.20).
“…E quando o sangue de Estevão, tua “testemunha” se derramava…”.
“Martyrion” – Ato de dar testemunho (testificar) até ao ponto da morte, mas,
sim, pela plena proclamação da mensagem de Cristo. É não ter a própria vida por
preciosa por amor ao Evangelho de Cristo.
“Diamartyreõ enõpion tou theo” – “Testifico na presença de Deus” (I Tm.5.21; II
Tm. 2.14; 4.1). Disse Jesus: “…Para isso vim ao mundo, afim de dar testemunho da
verdade” (Jo.18:37).
Jesus é especificamente chamado “Ho Martys Ho Pistos” (“A testemunha fiel”)
(Ap. 1:5).
Os homens que têm os sinais (marcas) dos martírios da fé obtêm testemunho,
e são reconhecidos por Deus. É de acordo com este fato que, estes que foram
reconhecidos por causa de sustentarem de modo firme a esperança da sua fé, são
chamados em Hb 12.1 “…nuvem de testemunhas…” em prol da Igreja do tempo
presente.
Cristo, “a testemunha fiel e verdadeira” que serve de arquétipo para o grupo
fiel de crentes que devem manter o mesmo testemunho, ate mesmo ao custo do
sacrifício da própria vida (I Tm 6.12, 13).
O Espírito Santo é derramado sobre crente sempre para uma finalidade
proveitosa.
Interpretando Atos 1:8, podemos reescrevê-la da seguinte forma: “mas quando
o Espírito Santo descer sobre vocês, então recebereis poder para testemunhar com
grande efeito ao povo de sentir-se-ão encorajados, destemidos, forjados como aço,
sem medo e se necessário for, não terão as suas vidas por preciosas”.
3.5. Locais Para Testemunho
Neste versículo, Jesus apresenta-nos quatro locais onde devemos ser
testemunhas: Jerusalém, Judéia, Samaria e até os confins da Terra.
A. Jerusalém. Era a cidade onde os discípulos estavam quando receberam
esta ordem. A nossa “Jerusalém” deve ser a cidade onde vivemos – devemos ser
testemunhas em nossa cidade, no trabalho, na escola, na vizinhança, na rua,
falando de Cristo, distribuindo folhetos, convidando pessoas para participar dos
cultos da Igreja, jejuando por elas, realizando programas radiofônicos, colocando
mensagens nos jornais e cartazes nas lojas, nos transportes coletivos, adesivos nos
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vidros dos nossos veículos… Enfim, fazendo tudo para que Cristo seja conhecido na
nossa Jerusalém!
B. Judéia. Era a província que tinha Jerusalém como capital. Quando Cristo
diz que devemos ser testemunhas em toda a Judéia. Ele quer que evangelizemos o
nosso estado.
Há crentes que se dizem portadores de uma chamada para Missões
Transculturais (exterior), todavia nunca trabalhou na sua Jerusalém e Judéia.
C. Samaria. Era uma região mais afastada, com “conotações transculturais”. A
nossa Samaria é o Brasil.
Devemos ser testemunhas do que Cristo fez e está fazendo em nossas vidas no
Brasil. O Brasil é um país de dimensões extraordinárias. Cabem no Brasil vários
países da Europa.
O Brasil continua sendo um grande desafio missionário, pois mais de cento e
vinte milhões de habitantes estão servindo a Baal, escravizados pelo pecado,
amarrados pelos demônios, submergidos em toda sorte de corrupção.
Há também no Brasil muitas colônias estrangeiras – um verdadeiro desafio
para Missões Transculturais.
D. Confins da Terra. Jesus quer que sejamos Suas testemunhas em todas as
nações da Terra. O desejo de Deus é implantar Seu Reino em todas as tribos, povos,
línguas e nações (Ap 5.9).
Para realizar este desejo, Deus quer usar homens que estejam comprometidos
com o seu Reino.
4 – UMA IGREJA VIVA
EVANGELIZA
O crescimento deve ser “integral” – não um crescimento unicamente
“numérico”.
As igrejas locais deixaram de ser um organismo vivo, cuja única cabeça é
Jesus, para serem uma organização (uma organização tem muitas cabeças).
A. Igrejas de crescimento numérico organizam um departamento só para
cuidar do trabalho evangelístico. Elaboram no papel as funções e cargos a serem
distribuídos entre alguns membros, procuram responsabilizar este grupo por todo o
evangelismo da comunidade.
B. Igrejas de crescimento numérico estão cheias de planos e evangelistas de
gabinetes, missionários de escritórios e muitas reuniões. Reunião para eleger a
diretoria; reunião para a posse da diretoria; reunião para escolher o local de
trabalho; reunião para elaborar o orçamento da obra evangelística; reunião para …
marcar a próxima reunião !
Na próxima reunião, estarão decidindo uma provável conferência nacional de
Evangelismo, e depois haverá outra para convidar os doutores fulano e beltrano
para serem os preletores da “Badalada Conferência Nacional”, mesmo que os tais
doutores nunca tenham ganhado uma alma sequer para o Senhor!
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São inúmeras as idéias que existem, passando pelas cabeças ilustres que
não se cansam de enfatizar que a Igreja “precisava evangelizar”, embora os que
mais exortam sejam os que menos evangelizem, e, enquanto planejam e criam
novas brilhantes idéias, o diabo vai invadindo os arraiais evangélicos, levando o
desânimo e a falta de fé nesta obra maravilhosa que é o evangelismo.
No mundo, os pobres pecadores vão se perdendo, enquanto os planos não
são executados.
O diabo não perde tempo com reuniões. Ele está muito ocupado em destruir o
homem!
Deus não usa planos de homens; Ele usa homens em seus planos.
95% dos membros das maioria de nossas igrejas nunca ganhou uma só alma
para Jesus durante toda sua vida!
O Plano de Deus é para toda Igreja – “Ovelha gera ovelha”. Quando apenas um
pequeno grupo trabalha na evangelização, é porque a igreja está enferma; é uma
igreja gorda, inchada e seu crescimento é apenas lateral.
4.1. O Verdadeiro Crescimento é Dinâmico
• A igreja viva cresce, espiritual e numericamente.
• Ela cresce debaixo do manto ungido do Espírito Santo.
• As pessoas experimentam de fato uma nova vida em Cristo.
A. Tudo o que está vivo em todo o universo possui três característica por
criação do próprio Senhor Deus:
• Se movimento.
• Se reproduz.
• Se multiplica.
B. Tudo (ou todos) o que não apresenta estas características: ESTÁ MORTO!
5 – O MÉTODO DE CRISTO
Jesus identificou-se com as pessoas a quem se dirigiu.
Jesus entregou a sua mensagem na linguagem comum do povo que o escutava
e de forma que todas as classes e condições de homens a compreendiam.
Era Ele que ia em busca das pessoas – pelas suas estradas lares, cidades e
aldeias.
Jesus obedeceu às leis do seu país e ensinou o respeito e obediência às
autoridades.
Jesus escolheu doze homens e preparou-os para continuarem a obra que Ele
lhes ordenara.
Jesus e os seus discípulos pregaram o Evangelho do Reino, vivendo uma vida
de fé em todo o sentido da palavra.
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Depois de três anos de ministério, os seus discípulos que tanta evidência de
fraqueza e falta de compreensão tinham revelado iriam continuar a obra, sob a
liderança do Espírito Santo.
Jesus não fez qualquer tentativa para reformar a religião o governo ou a
sociedade.
Jesus pregou o Evangelho, que deveria, pelo seu próprio e evidente poder
dinâmico, criar uma situação completamente nova.
Jesus não empregou meios humanos para atrair os homens.
Jesus dependeu inteiramente da pregação e ensino simples do Evangelho
feitos no poder do alto.
Jesus sempre rendeu absoluta obediência e submissão à Palavra e à Vontade
do Pai!
Os apóstolos não tinham outra mensagem de salvação, a não ser o Cristo
crucificado.
Pedro no Dia de Pentecostes (At 2.14, 36).
Pedro no Templo (At 3.8-26).
Pedro e João no Sinédrio (At 4.8-12).
Os apóstolos novamente no Sinédrio (At 5.29-32).
Paulo em Antioquia da Pisídia (At 13.14-41).
Paulo numa praça de Atenas (At 17.17).
Pregar o Evangelho sem falar na pessoa de Cristo é como o dar um tiro de
canhão com cartucho de festim – é só barulho.
A. Mateus – O Evangelho do Rei. O Espírito Santo usou Mateus para escrever
as Boas-Novas aos judeus, apresentando Jesus como o Rei dos Reis.
• Mt 5.35 – Jerusalém, a cidade do Grande Rei.
• Mt 19.28 – Jesus fala do Trono da Sua Glória.
• Mt 25.31 – Jesus fala do Seu Trono Eterno.
• Mt 12.23 – Toda a multidão gritava: “Jesus, Filho de Davi”.
• Mt 15.22 – A mulher cananéia clamou: “Filho de Davi”.
• Mt 20.30 – Os cegos de Jericó clamaram: “Filho de Davi”.
Mateus era o homem certo para escrever aos judeus, porque conhecia o
idioma hebraico mais do que os outros evangelistas.
B. Marcos – O Evangelho do Grande Servo de Deus (Mc 10.45). O Espírito
Santo usou a instrumentalidade de Marcos para apresentar as Boas-Novas aos
Romanos, pregando a Jesus como servo (como servo, não houve necessidade de
genealogia).
Quando Deus olhou para os Romanos, viu um povo valente, corajoso e ousado
na guerra, mas que eram como crianças nas coisas espirituais.
A instrumentalidade de Marcos era norteada pela simplicidade, apresentando
16 capítulos de milagres de Jesus.
Marcos descreve Jesus, um servo de Deus ativo em seu ministério público.
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O profeta Isaías apresenta as características do servo (Is 42.1; 53.4-7).
C. Lucas – O Evangelho do Filho do Homem. O Espírito Santo usou a Lucas
para apresentar Jesus aos gregos – descrevendo-O como homem em Sua
humanidade perfeita, sem pecado.
Lucas registra a genealogia de Jesus até “Adão”.
Os gregos procuravam o homem perfeito – Jesus o era.
Os gregos eram a maior elite cultural no mundo da época e a prova disto foi
que enquanto Roma dominava o mundo militarmente, os gregos o dominavam
“idiomaticamente”.
Lucas era o homem certo, pois além de ser médico e erudito era também
grego. Eis aqui uma prova incontestável de que Deus quer usar a nossa
instrumentalidade.
IMPORTANTE! Se queres ser um missionário, conheça, estude o costume,
tradição e cultura do povo com quem vai trabalhar. E em especial o idioma,
pois o Evangelho só é vivo se pregado numa língua viva!
D. João – O Evangelho do Filho de Deus. O Espírito Santo usou o evangelista
João para apresentar Jesus aos “gentios em geral”, escrevendo-O como O Filho de
Deus.
João 1:1: “No princípio era o verbo, e o verbo estava com Deus, e o verbo era
Deus”.
• Gênesis 1:1: “No princípio”:
o Princípio de Tempo.
o Princípio de Eternidade.
• “era o verbo, e o verbo estava com Deus”:
o “verbo” – No grego é “logos”, que para João é uma pessoa que
comunica a realidade de Deus aos homens pela Sua encarnação e
sacrifício na cruz
o “logos” (ou verbo de Deus) – Refere-se a Jesus Cristo e à Sua vida na
Terra.
João era o homem certo para escrever o Evangelho de Jesus Cristo aos
gentios, porque a instrumentalidade de João era o amor. João seguia o exemplo de
Jesus, amando os seus amados.
Veja a linguagem de João: Amados… Meus filhos… Filhinhos…
• João, o discípulo amoroso (Jo 13.25).
• João, o discípulo amado (Jo 13.23; Jo 19.26; Jo 21.20).
6 – UM EXAME NA OBRA DO
EVANGELISMO PESSOAL
Tendo em vista a obra de ganhar almas para Jesus mediante a evangelização
pessoal, vamos considerar este assunto sob os cincos pontos seguintes:
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• Porque devemos evangelizar
• Quando devemos evangelizar
• Onde devemos evangelizar
• Como devemos evangelizar
• Resultados do evangelizar
6.1. Porque Devemos Evangelizar
A. Porque o nosso Senhor ordenou (Mc 16.15). Para muitos cristãos, Jesus é
apenas o salvador de suas almas, mas não Senhor e Rei de suas vidas. O evangelho
integral apresenta Jesus não só como Salvador, mas também como Senhor (At
16.31). A ordem de evangelizar, vem do Senhor para os Seus súditos. Não é um
convite; é um mandamento do nosso Senhor.
Vejamos as desculpas mais comuns dos crentes quanto a esta ordem do
Senhor.
• “Estou muito ocupado.” “Não tenho tempo.” Entretanto o Senhor Jesus não
estava tão ocupado a ponto de não poder vir morrer em nosso lugar. Aqui
no mundo Ele sempre cumpria na hora o programa do Pai, mesmo sabendo
que o final seria o Calvário, ( Jo 2.4; 13.1; 17.1; Lc. 22.14; Mt 26.45). Ele
não andava tão ocupado a ponto de não ouvir o clamor das almas aflitas,
(Lc 18.40; Mc 5.30).
• “Estou muito cansado.” Jesus no sol de meio dia, junto à Fonte de Jacó, não
estava tão cansado a ponto de não poder atender à Samaritana perdida ( Jo
4.6, 7 ).
• “Não sei falar.” “Não dou para nada na igreja.” “Não tenho capacidade.”
Outros também já deram as mesmas desculpas, mas ao obedecerem a
ordem do Senhor, foram maravilhosamente usados por Ele. Estude os
exemplos de:
o Moisés (Ex 3.11)
o Gideão (Jz 6.15)
o Isaías (Is 6.5)
o Jeremias (Jr 1.6)
o Amós (Am 7.14)
Portanto, entrega ao Senhor o que tens. Ele transformará o pouco no muito (
Jo 6.9-13). Ele dará a capacidade necessária (Mt 4.19; II Co 3.5).
A missão de evangelizar o mundo, entregue por Jesus à Sua igreja, implica em
dever e responsabilidade (Rm 1.14; I Co 9.16; Ez 33.8, 9). Uma das razões da
inatividade de igrejas e crentes na obra de evangelização, vem do seu descuido
quanto a vinda de Jesus. Os cristãos primitivos foram ativos na evangelização, não
só porque foram cheios do Espírito Santo, mas também porque esperava a volta de
Jesus em seus dias.
B. Porque temos recebido de Deus talentos, e assim temos uma mordomia
para dar conta (Mt 25.14-30; Lc 16.2; 19.13). O dia da prestação de contas com o
nosso Senhor está perto ( Rm 14.10; II Co 5.10; I Co 3.13-15).
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C. Porque Deus nos concedeu o privilégio de participar do Seu trabalho. Servir
ao Senhor não é apenas um dever cristão, é também um grande privilégio. Deus
podia usar outros meios para levar a mensagem de salvação ao pregador. Ele assim
faz quando lhe apraz, mas isto não é regra geral, é exceção. Seu método é usar
homens para falar a homens. O trabalho de ganhar almas para Deus é um
privilégio que Ele nos concede para obtermos galardões no dia de Cristo ( Fp 2.16 ).
Há neste sentido uma solene declaração da Bíblia em Pv 11.30. A salvação é dádiva
de Deus, mas galardão é recompensa que o crente obtém mediante sua atividade na
obra do Senhor.
D. Porque o pecador sem Jesus está perdido (Rm 5.12). A palavra perdido,
significa perdido mesmo, isto é, sem solução, desenganado, extraviado, desgarrado,
arruinado. Jesus usou esta palavra em Lc 19.10. Precisamos compreender que esta
é a situação atual do pecador não-salvo. Jesus não usou termos menores nem
arrodeios. Aqui entre nós, quando desaparece um avião, um navio, uma expedição
ou mesmo uma pessoa, todos os recursos disponíveis são mobilizados para salvar o
que está perdido. Vamos nós fazer menos ou cruzar os braços ante o perdido
pecador, que se não aceitar a Jesus como seu Salvador, irá para o inferno?
Se, como parte deste curso de Evangelismo Pessoal, tivéssemos que passar 24
horas no Inferno para ver o que se passa lá entre os perdidos, de volta, toda nossa
vida giraria em torno da obra de evangelizar e ganhar almas perdidas, também
desviados, e jamais por tropeço na vida de alguém.
Uma alma vale mais do que todo o mundo (Mc 8.36, 37). O amor que Jesus
demonstrou por nós no Calvário, deve nos constranger ( II Co 5.14). A visão deste
sublime amor de Jesus torna-se mais real quando meditamos a respeito do Seu
suor de sangue, a traição de Judas, as vergastadas, o esbofeteamento, os pregos
nas mãos e pés, a sede, a zombaria, seu coração rasgado de dor, Seu rosto
desfigurado pelos maltratos, o brado pugente nas trevas e a cabeça pendente na
cruz!… Na mensagem ao profeta Isaías, Deus dirige-se a todos nós: “A quem
enviarei eu? E quem irá por nós?” (Is 6.8). Irmão, já tiveste a visão horrível das
almas condenadas, agora salvo porque alguém duma maneira ou de outra te levou
a Cristo. Queremos somente receber e não dá?
6.2. Quando Devemos Evangelizar
A única resposta é: AGORA! Como os pecadores crerão agora, se eu não falar
agora? ( Hb 3.7; At 17.30; Ml 1.9). As almas precisam ser ganhas para Jesus agora,
porque:
• Agora estamos vivos. Em Lc 16 há a história de um homem que interessouse
pela salvação dos outros, depois de morto, quando nada mais podia
fazer.
• Agora porque temos pouco tempo. Jesus não tarda a vir. Se no tempo do
Apóstolo João, Sua vinda já estava próxima ( Ap 22.20), que diremos nós
hoje? Urge atentar para Jo 9.4. Nosso tempo também pode ser pouco no
sentido da liberdade religiosa ser cercada ou mesmo cassada, como já
aconteceu e está acontecendo em certos países.
Quanto a idade; quando devemos evangelizar? A resposta sempre será agora.
Crianças, jovens e velhos podem ser ganhos para Jesus agora. Na igreja, um dos
grandes setores de evangelização das crianças é a Escola Dominical tanto pode
levar as mesmas a Cristo, como também ensiná-las a viver para Ele. Quem ganha
uma criança para Jesus ganha uma vida inteira. Quem ganha um adulto salva
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apenas meia vida, pois a outra metade o mundo levou. Cuidado, pois. Uma
oportunidade perdida pode nunca mais voltar. Um coração hoje aberto, pode
amanhã estar fechado… E sempre!
6.3. Onde Devemos Evangelizar
Nem em todos os locais podemos fazer cultos de pregação, mas ganhar almas
individualmente, sim. Vejamos alguns locais onde podemos ganhar almas
individualmente.
• Nos cultos. Os crentes ganhadores de almas devem ficar alerta nos cultos de
pregação, especialmente quando estes chegam ao término. Há pecadores
que mesmo depois de convencidos pelo Espírito Santo, precisam de ajuda
para fazer sua decisão. Muitos têm dúvidas, temores e dificuldades
internas. Nessas horas uma palavra de encorajamento da parte de Deus é
decisiva. Há pessoas que nunca entraram num templo. Acham tudo
estranho. Uma voz amiga vence tais barreiras. Quanto milhares de
pecadores fizeram sua decisão porque alguém os conduziu à frente. Não
convém insistir demais, nem também forçar. Deixe o Espírito Santo dirigir
as coisas. Muitas almas se extraviam por falta de uma palavra amiga,
portanto, dê atenção pessoal. Nos cultos ao ar-livre, o tratamento pessoal
com os circunstantes é valiosíssimo. Muitos frutos têm sido colhidos assim.
• Nos lares. O lar pode ser o nosso. Muitas vezes o campo de trabalho não é o
interior do país, o exterior, mas a nossa própria casa, isto é, os pais,
irmãos, filhos, parentes. Jesus disse que o campo é o mundo (Mt 13.38);
ora o mundo começa à nossa porta. Os crentes primitivos evangelizavam de
casa em casa (At 20.20; Mc 5.19). muitas grandes igrejas de hoje,
começaram em casas particulares. O lar foi a primeira instituição divina, e
Deus tem em mira a salvação de todos no lar ( Gn 19.12; Ex 12.3; Js 6.23-
25; At 11.114;16.31).
• Em público. O apóstolo Paulo fez assim (At 17.17). Na parábola das bodas,
p Senhor Jesus fez menção disso (Lc 14.21). Há pessoas de tal
temperamento, formação, superstições e preconceitos, que jamais entrarão
num templo evangélico. Muitas vezes há também proibição. Tais pessoas só
poderão ser atingidas pelo evangelismo pessoal em público. Evangelizar é ir
ao encontro do povo. Jesus não disse: “Vinde todo o povo ouvir a pregação
do Evangelho”, mas “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda
criatura.”
• Nos trabalhos, industrias, profissões. Jesus chamou vários discípulos,
quando ocupados em seus trabalhos habituais (Mc 1.16-19; Mt 9.9). O
grande evangelista D. L. Moody foi salvo quando trabalhava no interior
duma sapataria. Há ocasiões em que a melhor maneira de falar de Jesus
em tais lugares é através da própria vida, vivendo diante dos patrões,
empregados e colegas como um verdadeiro filho de Deus, deixando a luz
brilhar nas trevas. Uma vida assim, as lêem é a vida de um crente (D.V.
Hurst). É preciso prudência para falar nos locais acima mencionados, de
modo que não haja violação de rotinas, quebra de instruções etc. A hora de
almoço e o tempo de descanso podem ser as ocasiões apropriadas. Não é
preciso um sermão. Muita gente pode ser alcançada em público: barbeiro,
ascensoristas, engraxates, comerciantes, comerciários, empregados em
geral, balconistas etc. O irmão R.A. Torrey dava cinco característicos de
uma boa oportunidade em público. Ei-las:
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o Quando a pessoa está só.
o Desocupada.
o De bom humor.
o Comunicativa.
o Em atitude série.
• Nos transportes em geral. Trens, navios, aviões, ônibus, bondes etc. Em
viagem, normalmente as pessoas estão dispostas e desocupadas; gostam de
conversar e ler. Outras ficam apreensivas. O transporte em que viajamos
diariamente pode ser o meio de ganharmos muitas almas para o reino de
Deus. Pede ardentemente ao Senhor que te dirija para falar aos pecadores.
Às vezes quando não é possível falar, podemos entregar um folheto
apropriado. (Quanto a isto, estudaremos melhor mais adiante).
• Nas instituições públicas. Hospitais, prisões, abrigos, penitenciarias,
institutos etc. Aqui, a primeira providência é obter a devida permissão para
o serviço que se pretende fazer. É um ato nobre e cristãos levar alegria e
prazer aos internos de tais instituições. Muitos deles, dalí não voltarão mais
ao convívio dos seus. A ‘’única oportunidade que terão de ouvir o Evangelho
será pelo testemunho pessoal, pelo rádio ou pela página impressa. “Estando
infermo e na prisão, não me visitastes.” (Mt 25.43). Paulo ganhou o
carcereiro, dentro da prisão (At 16.23-34). Há pessoas que em são estado de
saúde e em plena liberdade, jamais ouviram o Evangelho, mas nas
instituições de internamento podem ouvir de boa mente. O campo é vasto
nas organizações deste tipo. Milhares têm aceitado a Cristo nas prisões,
sanatórios, abrigos, etc. Outros estão a espera que alguém lhes leve a
mensagem da salvação. Lêde Hb 13.3.
• Aproveitando ocasiões. Pessoas atingidas pelo infortúnio, desgraças,
catástrofes, etc., ouvindo do poder salvador de Cristo, poderão render-se a
Ele. Quando uma pessoa acha-se no centro de tais acontecimentos, esvaise-
lhe toda a vaidade, egoísmo, pontos de vista, preconceitos etc. Numa
situação assim, o evangelho deve ser indicado como a felicidade eterna. Há
pessoas que em situações normais não dão qualquer importância ao
assunto da salvação, mas atingidas pela adversidades, torna-se receptivas.
Muitos têm sido salvo em tais circunstâncias. Por exemplo: ali está um
homem morrendo sem salvação. Ele treme ao enfrentar a eternidade sem
Deus. Em tais momentos o testemunho de Jesus pode ser vital e decisivo.
Quantos já estão na glória, tendo sido de Cristo, foi salvo assim (Lc 23.42,
43). Momentos de decisões importantes também são ocasiões próprias para
se falar de Jesus.
6.4. Como Devemos Evangelizar
Para começar, o ganhador de almas tem que ter experiências própria da
salvação. É um paradoxo alguém conduzir um pecador a Cristo, sem ele próprio
conhecê-lo. Isto é, aponta o caminho sem conhecê-lo. Quem fala de Jesus deve ter
experiência própria da salvação. Cf II Tm 1.12 e Sl 34.8.
A. O uso da Palavra de Deus e seu estudo constante. II Tm 2.15. Este é um dos
fatores do crescimento espiritual e da prática de ganhar almas. Estando nosso
coração cheio da Palavra de Deus, nossa boca falará dela (Mt 12.34). É evidente que
o ganhador de almas precisa de um conhecimento prático da Bíblia; conhecimento
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esse não só quanto a mensagem do Livro, mas também quanto ao volume em si,
suas divisões, estrutura em geral etc.
Aquilo que a eloquência, o argumento e a persuasão humana não pode fazer, a
Palavra de Deus faz quando apresentada sob a unção do Espírito Santo. Ela é qual
espelho. Quando você fala a Palavra, está pondo um espelho diante do homem.
Deixe o pecador mirar-se neste maravilhoso espelho! Assim fazendo, ele aborrecerse
a si mesmo ao ver sua situação deplorável. Está escrito que “Pela lei vem o
conhecimento do pecado”. ( Rm 3.20). Através da poderosa Palavra de Deus o
homem vê seu retrato sem qualquer retoque, conforme Is 1.6.
No estudo da obra de ganhar almas, há muito proveito no manuseio de livros
bons e inspirados sobre a referida obra. Há livros deste tipo que focalizam métodos
de ganhar almas; outros focalizam experiência adquiridas, o desafio, o apelo e a
paixão que deve haver no ministério em apreço.
B. Uma vida correta. Paulo evangelizando pessoalmente a Felix, o governador
da Judéia, disse: “Procuro sempre ter uma consciência sem ofensa, tanto para com
Deus como para com os homens.” (At 24.16). A consciência nos seus dois lados –
para com Deus e para com os homens – deve estar limpa. Muitos crentes têm sido
desaprovados por Deus por falharem nesta parte. Trabalham à toda força e frutos
não há. Perguntam “Por que não há frutos no meu trabalho?” As Escrituras
respondem em Is 52.11. Davi compreendia que o pecado é um impedimento à
seguintes textos:
• I Pe 1.15: Aqui a santidade é requerida em todas as maneiras de viver.
• Fp 1.27: Nossa conduta deve ser conforme o evangelho.
• Rm 12.1,2: O ensino aqui é que não devemos ter uma vida conformada com
o mundo.
O povo de Deus deve caminhar o mais possível distante do mundo. Certo
patrão estava examinando um grupo de motoristas a fim de selecionar um deles
para ficar como empregado de sua firma. À certa altura do teste surgiu a seguinte
pergunta dele: “Se vocês fossem por uma estrada beirando um precipício, qual seria
a menor distância à que chegariam da beira do abismo, respeitando os limites de
segurança?” Os motoristas querendo demonstrar habilidade e experiência, foram
dizendo: “um metro”, “menos de um metro”, “meio metro”. Nenhuma resposta
agradava ao patrão até que um deles disse: “Eu caminharia tão longe quanto
possível do precipício.” Este candidato foi aceito para o emprego. Assim deve ser
também na vida espiritual.
C. Aprendendo com o Supremo Ganhador de Almas – Jesus (Mt 4.19). Em
sacrifício, amor, serviço e métodos na obra de ganhar almas, Jesus é o nosso
perfeito exemplo. Entre os diversos casos de evangelização pessoal do Senhor Jesus
abordaremos um – o da Mulher Samaritana em João cap. 4. Se seguirmos os
passos de Jesus ao ganhar a samaritana, ,muito aprendemos quanto a
evangelização pessoal. Em seu ministério, inúmeras vezes Jesus pregou à milhares
de ouvintes, entretanto, um dos seus mais belos sermões – o de João cap. 4 – , foi
proferido perante uma só alma. Isto revela também a importância do testemunho
pessoal. Sigamos, pois os passos do Senhor ao ganhar a samaritana (João 4):
• Ter amor, espírito de sacrifício (vv. 4, 6, 8). O v. 4 fala de sacrifício; o v. 6 de
cansaço; e v. 8, de necessidade (fome). Tudo por causa duma alma perdida.
É interessante notar que Jesus estava cansado da viagem (v.6), mas não do
trabalho. O ganhador de almas deve estar possuindo de ardente amor e
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compaixão pelos perdidos. O apóstolo Paulo tinha a mesma paixão (Rm 9.2,
3).
• Ir ao encontro do pecador (v. 5). Notai como o Senhor Jesus foi do geral ao
particular: primeiro, a província de Samaria (v.4), depois a cidade de Sicar
(v.5), e por último a fonte de Jacó, para onde a mulher deveria vir (v.6).
Jamais deveremos esperar que os pecadores venham ao nosso encontro.
Jesus mostrou em Mt 4,19, que a obra de ganhar almas é comparada a
uma pescaria espiritual. O pescador tem que colocar-se no local da pesca se
quiser apanhar peixes. Noutras passagens da Bíblia encontramos o mesmo
ensino, como em Lc 15.4.
• Paciência (v. 6). Diz o texto: “Assentou-se” Assim fez, esperando pelo
pecador.
• Entrar logo no assunto da salvação (v. 7). Há sempre uma porta aberta para
falar-se da salvação. No caso da samaritana o assunto do momento era
água e sede, e logo Jesus falou da água da vida que estanca a sede da alma.
Vemos um caso idêntico em Atos cap. 8. Aí o assunto era leitura e logo o
servo de Deus iniciou a conversa com uma pergunta também sobre leitura
(v. 30).
• Ficar à sós com quem está falando (v. 8). Quando alguém estiver falando
com um pecador a respeito da salvação, evite pertubá-lo a menos que seja
convidado.
• Deixar os preconceitos raciais ou sociais (vv. 9,10). Jesus veio desfazer
todas as barreiras que impedem as perfeitas relações entre Deus e o
homem, e entre este e seu semelhante. Os preconceitos têm causado
grandes males na sua ação destruidora de separar, ao passoque Jesus veio
unir ( Ef. 2.11-22).
• Não se afastar do assunto da salvação (vv. 9-13). No v.9 a mulher alega o
problema do preconceito. No v.10, Jesus volta ao assunto inicial: salvação.
Resultado: no v.15 já há na pecadora um certo grau de interesse.
• Faze ver ao ouvinte que ele é pecador (v. 16). Jesus sabia que a samaritana
não tinha marido, mas para motivar uma declaração da mesma, disse-lhe
“Chama o teu marido e vem cá.”Muitos pecadore não podem se salvar
porque não querem reconhecer que são pecadores e muito menos perdidos.
• Não atacar defeitos nem condenar (v. 18). Isto não quer dizer que vamos
bajular alguémou concordar com sua vida ímpia e pecaminosa.
• Evitar discussão (vv. 20-24). Não permitir que a conversa degenere em
discurssão. No v,20 a mulher aponta o fato dos judeus desacreditavam na
religião dos samaritanos. É costume também o pecador apontar faltas nas
igrejas e nas vidas de certas pessoas crentes. Isto mostra que tais ouvintes,
em lugar de olhar para Cristo, estão atrás de igrejas e pessoas. O alvo
perfeito é Cristo (Hb 12.2). Crentes errados darão conta de si mesmos (Rm
14.12). Diz uma autoridade em Relações Humanas: “VocÊ nunca vencerá
numa discurssão. Se perder, perdeu mesmo, e se ganhar perdeu também,
porque um homem convencido contra a vontade conserva sempre a opinião
anterior. Quem perde um discurssão fica sempre ferido no seu amor
próprio.”
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• O sexo influi às vezes (v. 27). O ideal é falar com pessoas do mesmo sexo,
sem contudo fazer disso uma lei. É provável que se uma mulher falasse à
samaritana, talvez não prendesse sua atenção.
• Outros exemplos de Jesus evangelizando pessoalmente:
o Jesus e Nicodemos (Jo 3.1-21).
o Zaqueu, o Publicano (Lc 19.1-28).
o O cego Bartimeu ( Mc 10.46-52)
o O malfeitor na cruz ( Lc 23.39-43 )
o O doutor da Lei ( Lc 10.25-37 )
o O jovem rico ( Mt 19.16-30 )
o A mulher adúltera (Jo 8.1-11 )
o A mulher inferma (Mc 5.25-34 )
o A mulher siro-fenícia ( Mc 7.24-30 ).
o O paralítico de Capernaum ( Mc 2.1-12 )
D. Ser cheio do Espírito Santo. Nos negócios puramente humanos, o homem
pode ter êxito e promover o progresso. Isto acontece nas construções, industrias,
comércio, artes, ciências etc., mas no tocante a obra de Deus só pode de fato haver
avanço quando a mesma é acionada pelo Espírito de Deus. Ele dá vida. Quando o
trabalho do Senhor passa a ser dirigido exclusivamente pelo homem, torna-se em
organização mecânica, fria e estéril. A igreja de Deus quando dinamizada pelo
Espírito Santo é de fato um organismo vivo que cresce sempre para a glória de
Deus. A ordem de Jesus à igreja para pregar o evangelho está intimamente ligada à
ordem para receber o poder do alto, como se vê em Lc 24.49; At 1.8. O poder de
Deus faz a diferença. O apóstolo Pedro, fraco e tímido antes do Pentecostes, tornouse
um coluna após o revestimento de poder. Todo crente nascido de novo tem em si
o Espírito Santo (I Co 3.16), mas o poder glorioso para o testemunho e serviço de
Cristo vem com toda plenitude ao sermos batizados com o Espírito Santo (At 1.4, 5,
6; 2.1-4). Após ter sido cheio do Espírito Santo é preciso permanecer cheio sempre
(Ef 5.18). Aí não se trata de um convite divino, mas uma ordem?
E. É preciso orar sempre. A oração abre porta e remove barreiras. Ela é o meio
de comunicar com Deus. A Igreja nasceu quando em oração, e é nesse ambiente
que ela cresce e se desenvolve (At 1.14). Pedro estava orando quando Deus o usou
para a salvação de Cornélio, seus parentes e amigos (At 10). Cf Sl 126.6; At 20.31).
F. Fé na operação da Palavra de Deus. Quando falamos a Palavra de Deus
precisamos confiar no Seu Autor. A nós crentes compete anunciar a Palavra; a
Deus, operar. Aquele que disse “Ide por todo o mundo”, também disse “Eis que
estou convosco.” Devemos falar a palavra com plena convicção de que é poder de
Deus para salvação de todo o que crê (Rm 1.16). Há pecadores que aceitam a
mensagem da salvação com toda simplicidade, outros não. Se estás procurando
levar uma alma a Cristo, nunca desanimes. Certo irmão sueco orou 50 anos para
Jesus salvar certa pessoa, e viu-a aceitar ao Salvador. O Dr. R.A. Torrey, célebre
ganhador de almas, orou 15 anos por certa pessoa, e esta veio a crer em Jesus. Os
homens que conduziam o paralítico de Lucas cap. 5, só conseguiram chegar à
presença de Jesus subindo ao eirado, o que não era muito fácil. Não desanimaram.
Isto é, perseverança. Às vezes é preciso um esforço assim. Qualquer caso, mesmo os
piores, acham solução no Senhor Jesus. Para Deus nunca houve impossíveis. Ele é
especialista nisso! Portanto, é preciso anunciar a Palavra com plena confiança na
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sua divina ação. Quando estiverdes falando de Jesus, ora em espírito para que
Deus honre a Sua Palavra e manifeste Seu poder salvador.
7 – MOBILIZANDO A IGREJA PARA
O CRESCIMENTO
“E, crescia a Palavra de Deus em Jerusalém e multiplicava muito o número
dos discípulos, e grande parte dos sacerdotes obedecia à fé” (At 6.7).
O crescimento da igreja só terá repercussões positivas na sociedade mediante
a eficácia da fé dos que estão empreendendo (At 5.11-14, 42).
O crescimento da igreja é conseqüência direta da evangelização. Se esta for
relegada a segundo plano, a tendência a princípio é a obra estagnar-se para depois
decrescer. Grandes trabalhos do passado são hoje apenas pequenas igrejas porque
faltou a visão correta do crescimento. É indispensável entender-mos o que significa
mobilizar para o crescimento, para que possamos praticar um “Evangelismo de
Resultado” que seja efetivo na vida das igrejas dos últimos dias.
7.1. A Natureza do Crescimento
O crescimento se dá verticalmente. Antes de partir para qualquer ação
evangelística, a igreja deve crescer na comunhão para com Deus. É o que
determinado autor identifica como crescimento vertical (I Co 1.7). COMUNHÃO em
seu sentido restrito, significa identidade de objetivos, ter os mesmos interesses ou
participar das mesmas idéias. Cada crente, em particular, ao tornar-se participante
do corpo místico de Cristo – A IGREJA – passa a estar ligado com o Senhor e vai,
por conseguinte, identificar-se com os seus propósitos. Assim como no corpo
humano os membros se harmonizam entre si e são comandados exclusivamente
pela cabeça, através de elos comunicantes, de igual forma a igreja deve voltar-se
para o crescimento na comunhão com aquele de quem depende para apresentar-se
ao mundo com uma mensagem coerente, bíblica e de salvação.
O crescimento se dá horizontalmente. O mesmo autor acima citado identifica
este crescimento como de natureza horizontal. Quando se fala neste tipo de
crescimento, o propósito é realçar a importância da unidade da igreja para a
realização de um trabalho evangelístico produtivo. Uma igreja local terá pouco ou
nenhum sucesso em seu trabalho de evangelização se estiver fragmentada por
sentimentos, desinteresse pelo próximo, facciosismo, vaidade pessoal, etc. Outro
ponto extremamente prejudicial é a departamentalização exagerada em que cada
órgão da igreja se acha proprietário de uma “capitania hereditária”, sem ter que
prestar contas a ninguém. A visão bíblica não é bem essa, os departamentos locais
devem estar integrados à igreja, assim como os órgãos do corpo, porque são
interdependentes e trabalham em favor do mesmo objetivo – O CRESCIMENTO DA
IGREJA.
Comunhão, na visão neotestamentária, é “alegrar-se com os que se alegram e
chorar com os que choram” (Rm 12.15). Numa linguagem mais atual significa ter
“empatia”, que, segundo o Aurélio, é “sentir o que se sentiria caso estivesse na
situação e circunstâncias experimentadas por outra pessoa”. Para que a igreja
tenha êxito em sua mensagem salvífica, é preciso que, antes de tudo, ela se sinta
responsável por seus membros individualmente, seja no aspecto espiritual, social e
até mesmo físico. É a KOINONIA de Atos dos Apóstolos.
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O crescimento é de natureza quantitativa. Aqui entra o aspecto mais visível do
crescimento, que é a constituição numérica da igreja, pela real conversão dos que, a
cada dia, a ela se agregam. A meta final de toda a atividade da Igreja é esta, e não
pode ser redirecionada para outro objetivo, a busca de novos crentes em todos
segmentos da sociedade deve constituir-se na prioridade absoluta dos salvos.
Se ao final de cada ano o censo da igreja não revela novos progressos, alguma
coisa está errada. É obvio que há uma série de fatores externos que devem ser
levados em conta, principalmente em se tratando de trabalho pioneiro, cujos
resultados nem sempre podem ser mensurados pelos padrões normais de
crescimento. Todavia, a lei bíblica da semeadura implica em colheita. (Ec 11.1; Sl
126.6; II Co 9.10; Gl 6.7). Se não há colheita, não houve semeadura ou esta foi feita
de modo errado.
7.2. O Crescimento Deve Ser Proporcional
A. Proporcionalidade ao trabalho realizado. O resultado da semeadura será
proporcional ao que foi semeado. “Porque semearam ventos, e segarão tormentas”(
Os 8.7 ). Uma grande colheita dependerá, antes de tudo, da quantidade de
sementes plantadas. Mas o bom lavrador deverá, também, conhecer todas as
técnicas capazes de produzir o maior resultado possível da semeadura, que jamais
poderá ser aleatoriamente. A semente, no nosso caso, é a Palavra de Deus mas o
modo de semeá-la, bem como o instrumento para fazê-lo podem ser diferentes, de
acordo com as circunstâncias.
B. Proporcionalidade ao tamanho da terra. Se o lavrador possui uma grande
área cultivável, onde pretende desenvolver determinada cultura, a semeadura terá
de levar em conta o tamanho da área. O princípio da proporcionalidade está
implícito na Bíblia, quando por exemplo, Jesus identifica o crente como “sal da
terra e luz do mundo”. A parábola do semeador ( Mt 13.1-9 ), também traz o mesmo
ensino. Quatro tipos de terra receberam a semente. Na Bíblia o número 4 é símbolo
de totalidade; portanto, toda área sob a influência da Igreja local deve ser cultivada,
independentemente de alguns segmentos serem ou não férteis, não pode haver
preconceitos na evangelização. O rico e o pobre. O intelectual e o analfabeto, o
profissional liberal e o lavrador, todos, sem distinção, devem receber a Palavra de
Deus.
C. Proporcionalidade ao tamanho da fé. A Bíblia fala de “pouca fé” (Mt 6.30);
“tanta fé” (Mt 8. 10); “fé como um grão de mostarda” (Mt 17.20 ); “Homem cheio de
fé” (At 6.5) e sobre a “medida de fé (Rm 12.6). Isto significa que o trabalho de cada
um será, também, mediante o tamanho de sua fé.
Só fará grandes coisas para Deus quem tiver fé abundante e assentada nas
promessas do Altíssimo. O crescimento da Igreja só terá repercussões positivas de
acordo com a eficácia da fé dos que o estão empreendendo.
7.3. A Proporção do Crescimento na Igreja de
Jerusalém
O ritmo de crescimento na igreja de Jerusalém pode ser acompanhado nos
Atos dos Apóstolos. De um grupo inicial de quase 120 pessoas (1.15), o número
alcança no capítulo 4.4, quase 5 mil, isto em um período curto de tempo. Levando
em consideração que o livro faz questão de ressaltar, do princípio ao fim o volume
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de pessoas que se agregavam à Igreja, chega-se então a seguinte pergunta: Quantos
membros tinha, então, a Igreja de Jerusalém? Há informações históricas de que a
população de Jerusalém naquela época era de 200 mil pessoas, das quais a metade
constituía-se de cristãos. Como se explica este avanço?
• O crescimento se deu pela multiplicação (At 6.7). Na obra do crescimento não
posem existir as operações de diminuir ou dividir. Só há lugar para a
multiplicação. O versículo destaca que o “número dos discípulos se
multiplicava muito”. Isto dá idéia de que o crescimento se dava além das
expectativas normais.
• O crescimento se deu pela implantação de novas igrejas ( At. 9.31). Mais uma
vez o verbo “multiplicar” é usado com ênfase para ressaltar a
descentralização do trabalho. Onde quer que os crentes chegassem uma
nova Igreja era implantada.
• O crescimento se deu pela evangelização através dos lares (At 5.42). Aqui
está o ponto de maior importância relacionado com a expansão da Igreja.
Numa época em que os templos ainda não existiam (a não ser o de culto
judaico), pois estes só vieram a aparecer na história eclesiástica por volta do
segundo século, como os crentes de então se reuniam para receber
edificação e evangelizar? As casas eram o local apropriado para isto.
7.4. A Metodologia do Crescimento
Há dois pensamentos extremos que devem ser evitados quando se fala na
realização da obra de Deus. O primeiro coloca sobre o Espírito Santo toda a
responsabilidade, excluindo qualquer participação humana, como se não nos
coubesse nenhuma ação planificada. O segundo dá ênfase demasiada à
organização, aos métodos humanos, como auto-suficientes na obra de
evangelização
Do ponto de vista bíblico, o Espírito Santo deve ter a primazia na vida da
igreja, como se observa em todo o livro de Atos, com destaque especial para o
concílio realizado em Jerusalém (cap. 15), onde o texto esclarece que a decisão
tomada “pareceu bem ao Espírito Santo”. Todavia, a mesma Bíblia não anula a
organização, que é encontrada até mesmo nos atos criativos de Deus descrito no
Gênesis. Afinal, Deus não criou o mundo de uma maneira desordenada, mas nos
primeiros capítulos da Bíblia há uma descrição lógica e ordenada, de como as
coisas vieram à existência. Para exemplificar, bastam apenas mais alguns
exemplos:
• A descentralização administrativa do povo de Is (Ê 18.15-27).
• A numeração das tribos de Israel (Nm 1.1-4).
• A designação dos 70 anciãos para ajudar Moisés (Nm 11.16-17).
• A ordem na multiplicação dos pães (Mc 6.30-44)
A igreja que deseja realizar a obra do crescimento de modo dinâmico e efetivo
terá de contar primordialmente com o Espírito Santo e a metodologia certa para
canalizar suas ações evangelísticas.
A. Mobilizando para o crescimento através de alvos pré-definidos. O
estabelecimento de alvos é peça básica na organização das atividades de qualquer
empresa a cada ano. Eles ajudam a que todos os envolvidos no processo tenham
idéia clara do que se deseja, ensejando a planificação de caminhos para alcançáEvangelismo
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los. Não basta dizer: “Vamos ganhar muitas almas para Jesus nos próximos
meses”. É preciso que os objetivos sejam claramente estabelecidos e também os
métodos, a fim de que o trabalho seja produtivo e não se desperdicem tempo e
recursos que poderiam ser melhor canalizados.
B. Mobilizando para o crescimento através da integração dos novos crentes. A
integração dos novos crentes é um dos pontos mais desprezados no trabalho
cotidiano da igreja, não obstante sua importância na fixação do novo convertido em
sua nova realidade espiritual. Esse trabalho começa, em certo sentido, com os
introdutores, cuja função é recepcionar principalmente os não salvos que visitam a
igreja, procurando acomodá-los nos melhores lugares para ouvir a Palavra de Deus.
Mas às vezes, esses irmãos sendo verdadeiros carrascos espirituais, pelo modo
carrancudo com que tratam os visitantes.
C. Mobilizando para o crescimento através da integração da igreja. Integração
da igreja quer dizer, em outras palavras, envolver todos os crentes nos mesmos
objetivos. Aqui entra mais uma ação planificada, se possível de caráter anual, de
modo que cada departamento cumpra o seu papel dentro dos objetivos gerais. A
ausência desta planificação tem gerado distorções agudas, como o excesso de
festas, a superposição de programas departamentais e o trabalho isolado de órgãos
que competem entre si. Porque não planejar anualmente as atividades locais, tendo
como meta maior o crescimento da igreja? Quais são os alvos da sua igreja? As
estratégias já foram estabelecidas para alcançá-los? Quais serão as atividades
previstas para cada departamento? Se Deus não é um ser anárquico, porque nós,
seus filhos, seremos desorganizados?
São perguntas que devemos responder, se queremos, de fato, mobilizar a igreja
para o crescimento.
8 – GANHANDO ALMAS ATRAVÉS
DE CRUZADOS
EVANGELÍSTICAS
“E as multidões unanimemente prestavam atenção ao que Filipe dizia, porque
ouviam e viam os sinais que fazia” (At 8.6)
A realização de cruzadas, ou evangelismo em massa, é uma estratégia que tem
o seu valor na obra da evangelização porque permite falar de Jesus, ao mesmo
tempo, para milhares de pessoas.
• Jesus e o evangelismo em massa (Mt 14.13-15).
• Os apóstolos e o evangelismo em massa (At 2.14-41; 6.11)..
• O senso de urgência e o evangelismo em massa (Jo 9.4; Jl 3.13-14).
• O evangelismo em massa e a tarefa da igreja (Mc 16.15-20).
• O evangelismo em massa na igreja primitiva (At 5.14-16).
• O evangelismo em massa atrai multidões (Mc 6.31-34).
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8.1. Evangelização em Massa
A Evangelização em Massa, usualmente conhecida como cruzada
evangelística, teve seu lugar de destaque nos primeiros dias do cristianismo e
acompanhou a trajetória em todos os tempos. Quem ainda não ouviu falar, por
exemplo, de Moody, Fnney, Wesley e Whitefield, entre outros grandes pregadores do
passado, que reuniram multidões imensas para lhes falar do amor de Jesus Cristo?
Ainda hoje a mesma estratégia continua sendo uma arma eficiente para se
anunciar o Evangelho, ao mesmo tempo, para milhares de pessoas.
8.2. O Que Significa Cruzada Evangelística
Definindo o tempo. Cruzada, na definição de Aurélio, e “campanha ou defesa de
certos interesses, princípios ou idéias”. No sentido bíblico é sinônimo de evangelizar
em massa, que resulta do empenho da Igreja na promoção do reino de Deus de
forma específica, utilizando-se de todos os meios ao seu dispor para levar o povo,
em eventos específicos, ao conhecimento da salvação.
Já que a Bíblia nos considera pescadores de homens (Mt 4.19), não é ousado
afirmar que a pesca de anzol simboliza o evangelismo pessoal, com o qual se ganha
almas uma a uma. Já a pesca de arrastão, muito comum nas regiões praianas, e
que envolve mais pessoas para puxar a rede, tipifica a evangelização em massa,
trabalho que, além do pregador, depende do envolvimento de toda a igreja para
atrair as multidões a um local apropriado onde elas possam conduzidas a Cristo.
O apoio escriturístico. Cristo pregou às multidões e o seu exemplo foi seguido
pelos apóstolos. No episódio da multidão dos pães, por exemplo, não poucas
pessoas estavam no deserto para ouvi-los. Diz o texto que pelo menos cinco mil
homens estavam presentes, sem contar mulheres e crianças. Talvez este número
tenha chegado a mais de 15 mil pessoas, onde quer que Jesus estivesse, lá estava o
povo.
O texto bíblico básico, por sua vez, afirma que as “multidões unanimemente
prestavam atenção ao que Filipe dizia e conclui que havia “grande alegria naquela
cidade”. Ora, o que é isto senão evangelização em massa, ou segundo a expressão
mais conhecida, cruzada evangelística? Outro ponto que chama a atenção é que
havia milagres e estes eram “ouvidos “vistos”. Ou seja, eram legítimos. Numa
cruzada evangelística, a igreja precisa estar preparada para a manifestação dos
sinais; eles não precedem à salvação, mas a acompanham (“estes sinais seguirão
aos que crerem”) e servem para legitimar a pregação.
O que não pode ocorrer é a igreja privilegiar um método em detrimento de
outro, pois cada situação exige estratégia correspondente. O perfeito equilíbrio no
uso das estratégias é a melhor maneira de equipar os crentes para a evangelização.
8.3. O Lugar das Cruzadas Evangelísticas na Igreja
A. A concepção errada. Nem sempre as cruzadas evangelísticas são bem
aceitas em algumas igrejas. Um argumento muito usado para combatê-las é que
produz poucos resultados, isto é, dos muitos que se decidem poucos permanecem.
Mas isto acontece por algumas razões que nem sempre vêm à tona.
Ei-las:
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• A Cruzada evangelística é usada como movimento para “esquentar” a igreja.
Isto quer dizer que, em alguns casos, quando a igreja cai na rotina da frieza
espiritual, a cruzada é vista como uma solução para tirá-la do seu
indiferentismo. O que ocorre então? Durante os dias do evento a
temperatura eleva, mas quando tudo termina e o evangelista regressa a
cidade, os crentes voltam à rotina anterior, isto é, nada muda; a cruzada
evangelística não deve ter como fim “esquentar”, mas ser o resultado de
uma igreja já “quente”.
• A cruzada evangelística é realizada sem nenhum apoio de retaguarda, em
outras palavras, significa que em razão do comodismo a igreja não dispõe
de pessoal, os crentes não estão acostumados a orar sistematicamente, a
distribuição de folhetos é escassa, a liderança local não acompanha o ritmo
e a pregação do evangelho, quando há, resume-se aos cultos domingueiros,
já tradicionais no sentido mais rígido da palavra, com muita cantoria e
nenhum louvor, além da pouca ênfase à presença dos pecadores; a cruzada
neste caso, acaba sendo um fato isolado, como tal, não produz resultados.
• O trabalho de integração de novos crentes fica esquecido, após o
encerramento da cruzada. Ou seja, por falta de visão e em conseqüência da
rotina, a igreja não esta preparada para receber os novos convertidos e
integrá-los à sua nova vida em Cristo. Os cartões de decisão são
preenchidos mas acabam esquecidos no fundo da gaveta, ou, quando
muito, alguns decididos recebem uma só visita e tudo se encerra por aí; se
há integração, os frutos são poucos.
B. A concepção correta. Uma análise de perspectiva no livro de Atos deixa
claro que a igreja primitiva tinha uma vida dinâmica e fazia uso equilibrado de
todas as estratégias, como parte de seu metabolismo espiritual. Quando se diz,
todas, não é figura de retórica, são todas mesmo. A evangelização era, portanto,
prioridade absoluta. Não havia lugar para a rotina, pois a cada dia um fato novo
acontecia que sacudia as estruturas da igreja, que vivia em constante avivamento.
Uma igreja que vive em oração, está acostumada a evangelizar, a liderança
sempre vai à frente, preocupa-se com a integração do novo crente e procura tornar
os cultos um fator de vida para os crentes e não é uma mera rotina formal, essa
igreja está preparada para realizar cruzadas evangelísticas que serão parte de um
processo vivo e não apenas “muleta” para tentar manter-se em pé. Aí os resultados
vão aparecer.
8.4. Como Realizar Cruzadas Evangelísticas
A. A preparação de uma cruzada. A realização de uma cruzada exige algum
tempo para a preparação. Por ser um evento de grande porte, talvez não seja
conveniente realizar mais do que uma por ano. Esta fase envolve, entre, outras
decisões, a escolha de um local adequado e de fácil acesso para abrigar o povo e o
convite ao pregador, deve ser pessoa de reconhecida maturidade e não aventureiros
que vivem de igreja em igreja visando lucros pessoais. E também, um período em
que a batalha do clamor a Deus precisa ser intensificada, mesmo que a igreja já
cumpra um programa permanente de oração envolvendo todos os crentes, pois a
cruzada será uma guerra direta contra as hostes espirituais da maldade.
B. A divulgação cruzada. A divulgação deve ser feita em todos os meios de
comunicação disponível, como a mídia eletrônica e a mídia empresa, nos 15 dias
que antecedem à realização do evento, enquanto a igreja já terá feito distribuição
farta de literatura específica em todos os bairros, de casa em casa, convidando os
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pecadores para a cruzada. É interessante que os irmãos participem durante uma
semana de um curso intensivo de evangelismo pessoal e depois saiam de forma
organizada para a visitação. Faixas e outdoors podem ser também espalhados pela
zona urbana, se permitido pelas autoridades.
C. Os introdutores e conselheiros. Os introdutores são os responsáveis pela
recepção aos convidados, devem ser pessoas de fino trato e que entendem o que
significa ter compaixão pelas almas. A moda gentil de receber os não crentes vai
contribuir, de início, para quebrar algumas barreiras e deixar os visitantes bem à
vontade. Os conselheiros, por sua vez, devem observar as reações dos visitantes
durante o culto e acompanhar os decididos à frente na hora do apelo. São os
auxiliares direto do pregador, na hora de puxar a rede na grande pesca de arrastão.
Por isso devem ser profundamente espirituais e estar atentos para buscar aquelas
pessoas que, durante a mensagem, foram tocadas pelo senhor. Na hora anunciada
pelo evangelista, após a confissão se fé para a conversão, terão também a
incumbência de anotar nomes e endereços dos novos crentes. Outra
responsabilidade dos conselheiros é observar, no momento da oração pelos
inferimos, aqueles que foram de fato curados para encaminha-los à plataforma,
caso o pregador decida tomar os seus testemunhos para estímulo dos demais.
D. A realização da cruzada. Normalmente a cruzada tem a duração de uma
semana, mas pode também ser de Quinta à Domingo. O programa deve constar de
muita adoração e muito louvor, participações musicais, do coral, a banda de
música e mais cantores convidados, pois o evento pretende atingir o maior número
de pessoas possível. A mensagem deve ser marcante e o apelo deve ser envolvente e
objetivo.
As pessoas que vão ter algum tipo de participação, principalmente os
introdutores e conselheiros, precisam chegar meia hora mais cedo para receberem
as instruções diárias da coordenação e estar postas. A equipe de som também é
fundamental nesta hora. Um equipamento de má qualidade, com defeito e utilizado
de maneira errada pode por tudo a perder. Por outro lado, ficar diminuindo ou
aumentando o volume a todo momento, em especial durante a mensagem, é um
comportamento desastroso, assim como afinar ou tocar instrumentos alguns
minutos durante o culto.
E. A integração dos novos convertidos. Este é o momento decisivo, após o
encerramento da cruzada, para tornar o novo crente integrado à vida da igreja. Não
basta apenas uma visita de pouca importância e, pronto, tudo está feito. Cultivar a
nova planta é tarefa que exige, espiritualmente, a arte de um jardineiro.

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