Escatologia
– Doutrina das Últimas Coisas

TEOLOGIA
PASTORAL
Bacharelado em
Escatologia – 2
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SUMÁRIO
1 – A HERMENÊUTICA E A ESCATOLOGIA ……………………………………………………….4
1.1. O ALEGORISMO ………………………………………………………………………………………….4
1.2. O LITERALISMO ………………………………………………………………………………………….5
2 – O DISPENSACIONALISMO E SUAS ALIANÇAS……………………………………………….9
2.1. AS ALIANÇAS E A ESCATOLOGIA……………………………………………………………………….9
2.2. ALIANÇA ABRAÂMICA ……………………………………………………………………………………9
2.3. A ALIANÇA PALESTÍNICA………………………………………………………………………………11
2.4. ALIANÇA DAVÍDICA…………………………………………………………………………………….12
2.5. NOVA ALIANÇA …………………………………………………………………………………………13
2.6. O FIM DA ATUAL DISPENSAÇÃO……………………………………………………………………..15
3 – DEFINIÇÃO DOS TERMOS ARREBATAMENTO E VINDA……………………………….. 15
3.1. ARREBATAMENTO………………………………………………………………………………………16
3.2. VINDA ……………………………………………………………………………………………………16
4 – ESCOLAS ESCATOLÓGICAS……………………………………………………………………. 18
4.1. ESCOLA IDEALISTA …………………………………………………………………………………….18
4.2. ESCOLA PRETERISTA ………………………………………………………………………………….19
4.3. A ESCOLA FUTURISTA…………………………………………………………………………………20
4.4. A ESCOLA HISTÓRICA …………………………………………………………………………………21
4.5. AS MELHORES FERRAMENTAS DE INTERPRETAÇÃO ………………………………………………23
5 – O TEMPO DO FIM…………………………………………………………………………………. 24
5.1. MATEUS 24 …………………………………………………………………………………………….24
5.2. OS SINAIS DO TEMPO DO FIM………………………………………………………………………..27
6 – TEORIAS SOBRE O ARREBATAMENTO…………………………………………………….. 29
6.1. TEORIA DO ARREBATAMENTO PARCIAL……………………………………………………………..29
6.2. TEORIA DO ARREBATAMENTO MESO OU MIDI TRIBULACIONISMO………………………………30
6.3. TEORIA DO ARREBATAMENTO PÓS-TRIBULACIONISTA ……………………………………………32
7 – TEORIA DO ARREBATAMENTO PRÉ-TRIBULACIONISTA ……………………………… 34
7.1. O PRÉ-TRIBULACIONISMO E A HISTÓRIA……………………………………………………………35
7.2. A DOUTRINA DA IMINÊNCIA…………………………………………………………………………..36
7.3. PORQUE O ARREBATAMENTO DEVE SER PRÉ-TRIBULACIONISTA? ……………………………..37
8 – SOBRE O ARREBATAMENTO………………………………………………………………….. 39
8.1. PROPÓSITOS DO ARREBATAMENTO………………………………………………………………….39
8.2. QUEM SERÁ ARREBATADO?………………………………………………………………………….40
8.3. O MOMENTO DO ARREBATAMENTO …………………………………………………………………41
9 – A IGREJA APÓS O ARREBATAMENTO………………………………………………………. 41
9.1. O TRIBUNAL DE CRISTO ………………………………………………………………………………42
9.2. COMO SERÁ O TRIBUNAL DE CRISTO……………………………………………………………….43
9.3. BODAS DO CORDEIRO…………………………………………………………………………………44
10 – A GRANDE TRIBULAÇÃO ……………………………………………………………………. 44
10.1. TERMOS UTILIZADOS PARA TRIBULAÇÃO …………………………………………………………..45
10.2. O DIA DO SENHOR …………………………………………………………………………………….46
10.3. AS SETENTA SEMANAS DE DANIEL ………………………………………………………………….47
10.4. O PROPÓSITO DA GRANDE TRIBULAÇÃO……………………………………………………………52
10.5. A ESTRUTURA DA GRANDE TRIBULAÇÃO …………………………………………………………..53
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11 – A BESTA………………………………………………………………………………………….. 53
11.1. SEU REINO E SUA CHEGADA AO PODER……………………………………………………………54
11.2. O DETENTOR …………………………………………………………………………………………..57
11.3. O FIM DO ACORDO DE PAZ …………………………………………………………………………..58
11.4. A BERTA QUE SURGIU DA TERRA …………………………………………………………………..59
12 – A INVASÃO NA PALESTINA …………………………………………………………………. 59
12.1. OS INIMIGOS DO NORTE………………………………………………………………………………60
12.2. O MOMENTO DA INVASÃO…………………………………………………………………………….63
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1 – A HERMENÊUTICA E A
ESCATOLOGIA
Sendo a hermenêutica a responsável pelo estudo das regras de interpretação
bíblica não seria possível deixa-la de fora de um trabalho como este, já que a
escatologia trabalha em meio a muitas profecias e passagens de difícil
compreensão, por isso precisaremos conhecer os dois principais métodos de
interpretação para que tomemos um caminho coerente nas Escrituras, e acima de
tudo não a deturpemos para provar teorias infundadas.
O alegorismo e o literalismo são hoje, os métodos mais utilizados sendo que o
primeiro vem ganhando mais espaço entre os teólogos, espaço este antes
dominado, quase em totalidade, pelo método literal.
1.1. O Alegorismo
O alegorismo tem suas raízes no platonismo e no alegorismo judaico, dois de
seus defensores são Orígenes (185-254) escritor, teólogo e professor e Clemente de
Alexandria que faziam parte da escola de Alexandria. Orígenes defendia que a
interpretação era dividida em três aspectos o literal, ao nível do corpo, o moral, ao
nível da alma, e o alegórico, ao nível do espírito. Clemente por outro lado defendia
cinco pontos a serem usados para interpretação de um texto: o histórico, o
doutrinário, o profético, o filosófico e o místico. Agostinho de Hipona reformulou os
sentidos do alegorismo e os transformou em quatro: o sentido literal, o que o texto
realmente quer dizer; o sentido moral, uma visão do texto que retratasse um
ensinamento sobre conduta; sentido alegórico, como crer e em quem crer e de que
maneira; o sentido anagógico, o que o texto promete ou representa para o futuro.
Assim vemos que agostinho ao ler um texto tinha consciência de seu sentido
literal, mas empregava outros mecanismos para que o texto dissesse mais que o
que estava escrito.
Para definirmos o alegorismo podemos dizer que este método é aquele
que em lugar de reconhecer o texto como naturalmente se apresenta,
perverte-o dando um sentido secundário anulando a intenção primária do escritor,
um exemplo deste tipo de interpretação está em Apocalipse 20 quando João fala a
respeito de um período de mil anos em que a teocracia seria instituída e o próprio
Jesus reinaria sobre a terra, os alegoristas ou espiritualizadores de textos dizem
que este período está sendo cumprido agora pela igreja, e os mil anos não
são literais, mas sim espirituais. Grandes perigos rondam a alegorização já
que esta não interpreta as Escrituras, mas dá um novo sentido a ela baseados na
imaginação do intérprete, sendo que, como diz a regra fundamental da
hermenêutica, a Bíblia deve explicar-se por si mesma.
Por muitos motivos a interpretação das Escrituras por alegorização deve ser
rejeitada, no entanto é importante que fique claro que num sermão usa-se de
alegorias para trazer um ensino à igreja dentro de um texto que às vezes foge do
seu sentido literal, porém isso é permitido, pois se trata apenas da aplicação de
conceitos contidos no texto em uso, o que não se permite é estabelecer doutrinas
baseadas em textos alegorizados como o exemplo acima citado que perverte um
ensino bíblico com uma interpretação mística de um texto que não poder ser
compreendido de outra maneira senão literalmente. É importante ressaltar que o
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método alegórico trata-se de um sistema usado para interpretar a bíblia e nada tem
a ver com alegorias existentes nas Escrituras.
1.2. O Literalismo
Também conhecido como método histórico-gramatical o literalismo difere do
alegorismo por interpretar as palavras e frases de uma maneira natural como elas
se apresentam; o Dr J.D. Pentecost define o método literal da seguinte maneira:
“O método literal de interpretação é o que dá a cada palavra o mesmo sentido
básico e exato que teria no uso costumeiro, normal, cotidiano empregada de modo
escrito oral ou conceitual”.
Com certeza este é o único método que satisfaz as exigências bíblicas no
sentido de trazer uma interpretação equilibrada e dentro de um contexto correto,
ou seja, ele não modifica a idéia inicial que o autor procurou transmitir, mas a
explica de maneira coerente. A bíblia foi elaborada por Deus para que o homem
conhecesse seus propósitos e mandamentos e, portanto não permitiria que este
mesmo homem interpretasse seus ensinos literais dando a eles um novo sentido,
portanto Deus espera que suas palavras sejam entendidas da maneira como
ele as disse, é certo que temos linguagens figuradas, simbólicas e alegorias
nos textos bíblicos, no entanto o fato deles existirem não obriga ao interprete usar
outros métodos, pois por trás das parábolas, tipos, figuras e símbolos estão
verdades literais, sabemos também que, não podem ser interpretados ao pé
da letra, mas deve-se sempre buscar dentro do contexto, em passagens
paralelas, tipos paralelos que tenham a explicação contida na bíblia, a compreensão
correta do texto.
Um exemplo de alegoria se vê em João 15:5 quando Jesus diz que Ele é uma
videira e seus discípulos os ramos, ou em João 6:51-58 onde diz:
“Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá
eternamente;… Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do
Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tendes vida em vós mesmos.
Quem comer a minha carne e beber o meu sangue tem a vida eterna, e eu o
ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeira comida, e o meu
sangue é verdadeira bebida. Quem comer a minha carne e beber o meu sangue
permanece em mim, e eu, nele”.
É obvio que Jesus não é uma videira ou um pão, nem também ele
gostaria que literalmente sua carne fosse comida, no entanto o que os
textos expressam é o fato da comunhão, a ligação que o homem precisa ter com
Cristo. Mesmo sendo uma alegoria o texto traz uma verdade literal e absoluta que
não aceita outra interpretação senão a que o texto sugere.
Vejamos um exemplo de um texto que tem uma linguagem figurada que não
pode ser levada ao pé da letra, mas que traz uma verdade literal. Lucas 19:40:
“Mas ele lhes respondeu: Asseguro-vos que, se eles se calarem, as próprias pedras
clamarão”. Nos é claro que as pedras não falariam, porém usa esta expressão para
advertir aos que se incomodavam com o clamor do povo.
A. Os judeus e o Literalismo. Os muitos mandamentos e advertências de Deus
para seu povo necessitavam de que fossem passados a eles seja pelo profeta, juiz ou
sacerdote e isto fazia com que este interpretasse as palavras de Deus para
então serem transmitidas, quando estas mensagens eram escritas pelos
receptores também careciam de interprete para que o ensino fosse
totalmente entendido, mas qual método era usado para esta interpretação?
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Quando Deus falava, suas palavras eram entendidas literalmente? A resposta é
sim. O método usado pelos Judeus para interpretar todos os oráculos do Senhor
era o literal. Quando Deus disse para Adão e Eva que se comessem o fruto da
arvore do conhecimento morreriam ele queria que assim como falou fosse
entendido, e comendo o fruto o casal provou do castigo da literal advertência de
Deus.
Quanto às profecias, os judeus aguardavam delas um cumprimento literal, as
que falavam da vinda do Messias (Gn 3:15; Nm 24:17; Gn 49:10; Is 9; Mq 5:2 etc)
alimentavam a esperança da nação que aguardava um cumprimento literal de todas
elas.
B. O Literalismo e o Novo Testamento. Não só Jesus, mas também os
discípulos sempre interpretaram os livros do antigo testamento de maneira literal.
Jesus em Mt 12:17 ao mencionar a si mesmo, disse que nele se cumpriria a
profecia de Isaias que está em Is 42:1-4, ou seja, o que disse o profeta, Jesus
interpretou como literal não alegorizando seu sentido; outro versículo interessante
que mostra a interpretação literal está em Lc 18:31.
Tomando consigo os doze, disse-lhes Jesus: Eis que subimos para Jerusalém,
e vai cumprir-se ali tudo quanto está escrito por intermédio dos profetas, no tocante
ao Filho do Homem;
Os apóstolos procediam da mesma maneira, João 19:24, 28, 36 demonstram
que o apóstolo via na crucificação e morte de cristo, o cumprimento literal de
profecias do antigo testamento.
C. O Literalismo na História da Igreja. Por toda a história da igreja, mesmo
com o surgimento de outros métodos de interpretação os grandes nomes do
cristianismo verdadeiro sempre interpretaram as Escrituras da mesma forma
que Jesus ensinou e os apóstolos praticaram, o que segue são breves
comentários referentes ao uso do literalismo no decorrer da história da igreja de
Cristo.
Na igreja primitiva. Grandes nomes da igreja primitiva criam nas Escrituras
assim como elas ensinavam, como exemplo, temos Papias que viveu entre 70 e 140
d.C que ao escrever sobre a profecia de Apocalipse que menciona a existência do
reino milenial ele diz:
“Haverá dias em que nascerão vinhas que terão, cada uma, dez mil videiras;
cada videira terá dez mil ramos; cada ramo terá mil galhos; cada galho terá dez mil
cachos e cada cacho terá dez mil uvas e cada uva espremida renderá vinte e cinco
metretes de vinho. E quando um dos santos pegar um dos cachos, o outro
cacho gritará: ‘pega-me porque sou o melhor e, por meu intermédio, bendize
o Senhor’. Da mesma forma, um grão de trigo produzirá dez mil espigas e
cada espiga dará dez mil grãos; cada grão dará dez libras de farinha branca
e limpa.
Também os outros frutos, sementes e ervas produzirão nessa mesma
proporção. E todos os animais que se alimentam dos alimentos dessa terra se
tornarão pacíficos e viverão em harmonia entre si, submetendo-se aos homens sem
qualquer relutância”.
Isso quer dizer que enquanto hoje, muitos teólogos ensinam que o milênio
nunca existirá literalmente, os cristãos primitivos acreditavam piamente em sua
existência.
Outro texto antigo que nos informa como os cristãos antigos viam as
promessas de Jesus, é uma frase extraída da “Apologia de Aristides” que foi
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escrita por volta do século II, onde o autor fala da vinda de Cristo, “A glória de sua
vinda poderás ó Rei conhecê-la, se lerdes o que entre eles (os cristão) se chama
Escritura Evangélica”. Aqui Aristides não só defende o ensino da volta de Cristo
como fala de sua referência nas Escrituras.
Atanásio, teólogo do século quatro, em sua carta a Marcelino, a respeito da
interpretação dos Salmos, faz ligação entre os acontecimentos verídicos do
Pentatêuco e Juizes com os Salmos interpretando-os de maneira literal, como sendo
narrativas dos eventos passados e não trazendo novos sentidos a eles como fazem
os alegoristas.
Os fatos concernentes a Josué e aos Juízes como o referem brevemente o
Salmo 106 com as palavras: “Fundaram cidades para habitar nelas, semearam
campos e plantaram vinhas” (Sal 106, 36-37). Pois foi sob Josué que se lhes
entregou a terra prometida. Ao repetir reiteradamente no mesmo Salmo: “Então
gritaram ao Senhor em sua atribulação, e Ele os livrou de todas suas angústias” (Sal
106,6), está indicando o livro dos Juizes. Já que quando eles gritavam os
suscitavam juízes a seu devido tempo para livrar a seu povo daqueles que o
afligiam. O referente aos reis se canta no Salmo 19 ao dizer: “Alguns se vangloriam
em carros, outros em cavalos, porém, nós, no nome do Senhor nosso Deus. Eles
foram detidos e caíram; porem nós nos levantamos e mantivemo-nos em pé. Senhor,
salva ao Rei e escuta-nos quando te invocamos!” (Sal 19,8-10). E o que se refere a
Esdras, o canta no Salmo 125 (um dos salmos graduais): “Quando o Senhor trocou o
cativeiro de Sião, ficamos consolados” (Sal 125,1); e novamente no 121: “Me
alegrei quando me disseram: ‘Vamos à casa do Senhor’. Nossos pés
percorreram teus palácios, Jerusalém; Jerusalém está edificada qual cidade
completamente povoada. Pois ali sobem as tribos, as tribos do Senhor, como
testemunho para Israel” (Sal 121,1-4). (A numeração dos Salmos é referente ao texto
original Católico Romano)
Teodoro de Mopsuéstia, grande teólogo e pensador cristão do século IV e V
perseguiu de maneira voraz o método alegórico de interpretação, e ao comentar
disse:
“Há pessoas que se empenham em distorcer os sentidos das Escrituras divinas
e fazem tudo quando está escrito servir a seus próprios fins… Eles arquitetam
algumas fábulas tolas em sua própria mente e dão à sua tolice o nome de alegoria.
Usam mal o termo do apóstolo como uma autorização em branco para suprimir
todos os sentidos da Escritura divina”.
Mesmo com o início da ascensão do alegorismo o método literal foi defendido
pelos mais ilustres teólogos e mestres da história, um exemplo destes é
Tertuliano, tido por muitos, como o maior depois do apóstolo Paulo.
Entre os Reformadores. Durante quase toda a idade média a igreja Católica
Romana teve o domínio da interpretação bíblica atribuindo a si mesma, como a
única capaz de fazê- lo corretamente:
“Pois tudo o que concerne à maneira de interpretar a Escritura, está
sujeito em última estância ao juízo da igreja, que exerce o mandato e
ministério divino de guardar e interpretar a palavra de Deus”. (Bíblia Ave Maria,
Constituição dogmática Dei Verbum sobre a revelação divina).
Com a reforma protestante, o método literal volta com grande força por ser
este o método usado por seus líderes. Weldon E. Viertel em seu artigo sobre os
“Princípios Hermenêuticos de João Calvino”, escreve:
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“Calvino doutrinava que a primeira responsabilidade de um intérprete é deixar
que o autor diga aquilo que de fato diz, em vez de atribuir a ele o que nós
pensamos que ele deveria dizer. É tarefa do intérprete mostrar a mente do
escritor. Considerou como sacrilégio o uso da Escritura à mercê do prazer
de cada um. Ele recusou apresentar seus pontos de vista teológicos em
conjunto com sua interpretação da Escritura. Os princípios de Calvino sobre a
interpretação incluíam o sentido literal (princípio gramático-histórico) (…)”.
Sabemos que parece um pouco contraditório o fato de Calvino ser literalista e
espiritualizar vários textos, principalmente escatológicos, para que seus ensinos
sejam fundamentados, porém o que nos importa é seu reconhecimento quanto ao
uso indispensável do método literal.
Todo o movimento reformista aderiu ao método literal, a declaração de fé de
Westminster tem o seguinte parágrafo:
“A regra infalível de interpretação da Escritura é a mesma Escritura;
portanto, quando houver questão sobre o verdadeiro e pleno sentido de
qualquer texto da Escritura (sentido que não é múltiplo, mas único), esse
texto pode ser estudado e compreendido por outros textos que falem mais
claramente”.
Este foi incluído também, na declaração de fé Batista de 1689.
Paulo R. B. Anglaba em seu artigo faz comentário sobre o rompimento com o
alegorismo medieval:
John Colet (1467-1519) foi um dos primeiros reformadores a romper com o
método alegórico medieval, ao expor em 1496, em Oxford, as cartas do apóstolo
Paulo em seu sentido literal e no seu contexto histórico. Três anos depois, em
1499, ele já sustentava o princípio de que as Escrituras não podem ter senão um
único significado: o mais simples.
Lutero também rejeitou a interpretação alegórica. Defendeu que ‘‘nós devemos
nos ater ao sentido simples, puro e natural das palavras, como requerido pela
gramática e pelo uso do idioma criado por Deus entre os homens.’’
Quanto a Calvino, sua aversão à interpretação alegórica era de tal ordem que
ele chegou a afirmar ser satânica, por desviar o homem da verdade das Escrituras.
‘‘É uma audácia próxima do sacrilégio’’, escreveu ele, ‘‘usar as Escrituras ao nosso
bel-prazer e brincar com elas como com uma bola de tênis, como muitos antes de
nós o fizeram’’.
Muitos outros nomes poderiam ser citados, porém os destacados falam por
todo o grupo, que mesmo divergindo em questões doutrinárias tinham comum
parecer quanto ao método de interpretação.
A conclusão que chegamos, tendo em vista que a igreja moderna e a
contemporânea seguiram os passos da reformada quanto à hermenêutica, é que
não há outro método de interpretar a palavra de Deus, que não seja o de respeitar
e não deturpar o seu sentido original, ou seja, levar em consideração aquilo que o
escritor realmente queria dizer. O fato é que na escatologia lidamos com textos de
difícil elucidação, no entanto não temos o direito de dar-lhe outro sentido apenas
baseando-se em nossos pensamentos e raciocínios e é justamente o que tem
acontecido em nossos dias. Sobre os que brincam com o sentido das Escrituras,
Teodoro de Mopsuéstia disse “agem como se toda a narrativa histórica da Escritura
divina de nenhum modo diferisse de sonhos à noite”.
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2 – O DISPENSACIONALISMO E
SUAS ALIANÇAS
É de suma importância nos determos, por breve momento, no estudo das
dispensações já que esta está ligada fortemente a escatologia. Os pactos realizados
por Deus durante determinado tempo da história permanecem até hoje e as
promessas inclusas nestes pactos esperam cumprimento total.
Dispensações são períodos de tempo em que Deus estabelece diferentes
maneiras de tratar com seu povo, sendo que em cada uma delas há a pactos
estabelecidos por Deus em que são feitas promessas que foram ou serão cumpridas
e também exigências como condições para que as alianças ou parte delas sejam
concluídas. É interessante ressaltar que as alianças ou pactos tinhas
características diferentes relativas ao seu cumprimento, algumas eram totalmente
condicionais, onde, aquela pessoa ou nação com quem foi feita a aliança, deveria
cumprir alguns pormenores para sua realização. As incondicionais ao contrário,
não estavam dependentes da pessoa ou grupo com que a aliança era feita, Deus
prometia e independente de qualquer coisa ele se comprometia a fazer.
O dispensacionalismo apresenta todo o plano de Deus através dos séculos por
períodos, como se fossem capítulos de um livro, embora sejam distintos têm o
mesmo contexto, ou seja, mesmo as dispensações sendo diferentes estão
interligadas e elas tratam do mesmo contexto, que é a revelação de Deus ao
homem e também o desenvolvimento deste relacionamento.
2.1. As Alianças e a Escatologia
Encontramos nas alianças: Abraâmica, Mosaica, Palestínica e Davídica,
implicações escatológicas que resolvem e explicam grandes discussões em várias
áreas da doutrina. O que estudaremos a seguir serão estas implicações e o que
cada uma delas representa para a igreja, para os gentios e para Israel.
A aliança com Abraão é a raiz das demais, Deus prometeu ao patriarca a posse
da terra e isto foi confirmado pela aliança palestina. A promessa também inclui a
formação de uma numerosa nação e o estabelecimento de um reinado eterno
confirmado na aliança Davídica. Através de sua descendência todas as nações
seriam abençoadas o que é confirmado na Nova Aliança.
2.2. Aliança Abraâmica
A cronologia bíblica mais aceitável apresenta o nascimento de Abraão no ano
2166 a.C., na era do baixo bronze IV. Filho de Terá morava na cidade Sumeriana,
Ur dos Caldeus que ficava às margens do rio Eufrates, neste tempo a cidade havia
sido conquistada por povos bárbaros ocasionando a saída de seu pai juntamente
com filhos e noras para a cidade de Harã, onde Deus se revela a ele. Seu chamado
está registrado em Gênesis 12:1-3:
“Ora, disse o SENHOR a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de
teu pai e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te
abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção! Abençoarei os que te
abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as
famílias da terra”.
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Em outros textos encontramos complementos desta aliança:
• Gênesis 12:6-7 Atravessou Abrão a terra até Siquém, até ao carvalho de
Moré. Nesse tempo os cananeus habitavam essa terra. Apareceu o SENHOR
a Abrão e lhe disse: Darei à tua descendência esta terra. Ali edificou Abrão
um altar ao SENHOR, que lhe aparecera.
• Gênesis 13:14-17 Disse o SENHOR a Abrão, depois que Ló se separou dele:
Ergue os olhos e olha desde onde estás para o norte, para o sul, para o
oriente e para o ocidente; porque toda essa terra que vês, eu ta darei, a ti e à
tua descendência, para sempre. Farei a tua descendência como o pó da
terra; de maneira que, se alguém puder contar o pó da terra, então se
contará também a tua descendência. Levanta-te, percorre essa terra no seu
comprimento e na sua largura; porque eu ta darei. (leia também 15:1-21;
17:1-14)
Podemos numerar as promessas da seguinte forma:
• De Abraão sairia uma grande nação.
• Ele seria abençoado;
• Seu nome seria engrandecido;
• Ele mesmo seria uma grande bênção;
• Deus promete abençoar os que o abençoassem e amaldiçoar os que o
amaldiçoassem;
• Através dele e de sua descendência todas as nações seriam abençoadas;
• Canaã seria de sua descendência;
• A possessão da terra seria eterna;
• Seria o patriarca de vários reis;
• A aliança permaneceria perpetuamente em sua descendência.
Qualquer aliança feita por Deus com os homens pode ter ou não uma
condição, ou seja, se a pessoa ou o povo tiver que fazer algo para que o pacto venha
a ser cumprido é uma aliança condicional, se for ao contrário é uma aliança
incondicional.
A aliança de Deus com Abraão tem uma condição inicial que é “Sai da tua
terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei”.
Ao cumprir esta parte todo o restante era de caráter incondicional, Deus iria
cumprir. Eugene H. Merril ao comentar sobre o caráter da aliança diz:
A divina promessa da terra e as outras bênçãos (Gn 12:1-3; 15:18-21; 17:1-8)
estão registradas numa forma de aliança tecnicamente conhecida nos estudos do
antigo oriente Médio como sendo um “concerto da graça”. É uma iniciativa que parte
daquele que concede o favor, e quase sempre sem que para isso exista quaisquer
pré-requisito ou qualificação.
No Novo Testamento vemos claramente a imutabilidade da aliança Abraâmica
em Hebreus 6:13-17
Pois, quando Deus fez a promessa a Abraão, visto que não tinha ninguém
superior por quem jurar, jurou por si mesmo, dizendo: Certamente, te abençoarei
e te multiplicarei. E assim, depois de esperar com paciência, obteve Abraão a
promessa. Pois os homens juram pelo que lhes é superior, e o juramento, servindo
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de garantia, para eles, é o fim de toda contenda. Por isso, Deus, quando quis mostrar
mais firmemente aos herdeiros da promessa a imutabilidade do seu propósito, se
interpôs com juramento,(…)
As promessas a Abraão eram definitivas, pois dele surgiria uma grande nação,
e para sua posteridade seria dada a terra de Canaã como posse eterna; seu nome
seria grande e quem ele abençoasse seria abençoado, se amaldiçoasse seria
amaldiçoado; através dele todas as nações seriam abençoadas e a aliança que
Deus estabelecia com ele seria eterna. As promessas da aliança têm caráter literal e
não figurado, se Deus o prometeu iria cumprir cabalmente todas elas. É notório
que as promessas não foram, ainda, realizadas em sua totalidade já que Israel
nunca possuiu a terra de maneira definitiva, o reinado literal ainda não existe,
porém, como veremos adiante, estas promessas encontrarão cumprimento no
milênio.
2.3. A Aliança Palestínica
Após a aliança Mosaica ser decididamente desobedecida, e chegar o momento
de transição de liderança, Deus fala a Moisés e renova a aliança estabelecida com
o pai Abraão, o caso é que devido à desobediência não se tinha mais esperança de
entrar na terra prometida e esta revitalização da promessa trazia consigo uma
nova esperança ao povo de Israel. Esta aliança é encontrada em Deuteronômio
30:1-10:
“Quando, pois, todas estas coisas vierem sobre ti, a bênção e a maldição que
pus diante de ti, se te recordares delas entre todas as nações para onde te lançar
o SENHOR, teu Deus; e tornares ao SENHOR, teu Deus, tu e teus filhos, de todo o
teu coração e de toda a tua alma, e deres ouvidos à sua voz, segundo tudo o que
hoje te ordeno, então, o SENHOR, teu Deus, mudará a tua sorte, (…) O SENHOR,
teu Deus, te introduzirá na terra que teus pais possuíram, e a possuirás; e te fará
bem e te multiplicará mais do que a teus pais. O SENHOR, teu Deus, circuncidará
o teu coração e o coração de tua descendência, para amares o SENHOR, teu Deus,
de todo o coração e de toda a tua alma, (…) pois, darás ouvidos à voz do
SENHOR;(…) O SENHOR, teu Deus, te dará abundância em toda obra das tuas
mãos, no fruto do teu ventre, no fruto dos teus animais e no fruto da tua terra(…)
se deres ouvidos à voz do SENHOR, teu Deus(…)”.
O ponto central desta aliança é a possessão da terra que havia sido prometida
à descendência de Abraão, e perdida devido a desobediência de Israel (Dt 28:63-
68), no entanto o novo pacto traria não só o restabelecimento da promessa mais
sua reafirmação. Vejamos os pontos desta aliança:
• Deus tirará Israel do cativeiro (v.3-4)
• Seria-lhes restituída a terra por posse eterna; (v.5)
• Teriam grande prosperidade (v.5,9)
• Deus converterá toda a nação para si (v.6)
• É-lhes garantida proteção contra os inimigos (v.7)
A promessa de Deus para Israel permanece firme e inabalável. Claramente se
vê uma repetição do que foi prometido a Abraão de maneira também
incondicional, o fato de a conversão de Israel ser aparentemente a condição para
que Deus cumpra sua promessa não torna a aliança condicional, pois o Senhor
disse que converteria seu povo, veja bem, ele seria o autor da conversão:
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SENHOR, teu Deus, (ele) circuncidará o teu coração e o coração de tua
descendência, para amares o SENHOR, teu Deus, de todo o coração e de toda a
tua alma, para que vivas. De novo, pois, darás ouvidos à voz do SENHOR;
cumprirás todos os seus mandamentos que hoje te ordeno.
O único fator que adiaria ou atrasaria o cumprimento da promessa seria,
quando; ou seja, o tempo em que Israel desse ouvido ao Senhor (Dt 28:2), isto não
condiciona a promessa porque o tempo desta conversão será determinado por
Deus “porém o SENHOR não vos deu coração para entender, nem olhos para ver,
nem ouvidos para ouvir, até ao dia de hoje” (Dt 29:4). E esta “abertura de ouvidos”
ocorrerá no fim da grande Tribulação.
E sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém derramarei o
espírito da graça e de súplicas; olharão para aquele a quem traspassaram;
pranteá-lo-ão como quem pranteia por um unigênito e chorarão por ele como se
chora amargamente pelo primogênito. Naquele dia, será grande o pranto em
Jerusalém, como o pranto de Hadade-Rimom, no vale de Megido.(Zc 12:10-11)
2.4. Aliança Davídica
A aliança com Davi também está ligada diretamente a Abraâmica, porém com
pormenores que se referiam a Davi e seus descendentes. Sua apresentação por
parte de Deus através do profeta Natã se encontra em 2Sm 7:12-16:
“Quando teus dias se cumprirem e descansares com teus pais, então, farei
levantar depois de ti o teu descendente, que procederá de ti, e estabelecerei o seu
reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e eu estabelecerei para sempre o trono
do seu reino. Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; se vier a transgredir,
castigá-lo-ei com varas de homens e com açoites de filhos de homens. Mas a minha
misericórdia se não apartará dele, como a retirei de Saul, a quem tirei de diante de
ti. Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono
será estabelecido para sempre.”
Davi havia colocado em seu coração o desejo de construir um templo ao
Senhor (2Sm 7:2), Deus não permitiu, porém fez com ele esta aliança onde podemos
observar que:
• Deus lhe daria um filho (Salomão);
• Após sua morte o reino seria entregue a este filho;
• Seu filho edificaria o templo do Senhor;
• Deus amaria esse filho;
• Deus promete ter misericórdia de seu filho mesmo diante de suas
transgressões;
• Sua casa (descendência), seu reino (nação) e seu trono seriam estabelecidos
para sempre.
Deus deixa claro para Davi que ninguém, a não ser de sua descendência,
sentaria no trono (Sl 89:3-4) e esta promessa como todas as outras é de caráter
incondicional, Deus se compromete a fazer. Só nos resta saber quem será este
descendente que sentará no trono, uma vez que Israel está novamente em sua
terra e formando novamente uma nação, sobre isto o apóstolo Pedro em Atos 2:30-
31:
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“Sendo, pois, profeta e sabendo que Deus lhe havia jurado que um dos seus
descendentes se assentaria no seu trono, prevendo isto, referiu-se à ressurreição
de Cristo, que nem foi deixado na morte, nem o seu corpo experimentou
corrupção.”
Lucas 1:31-33 esclarece:
“Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de
Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe
dará o trono de Davi, seu pai ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu
reinado não terá fim.”
Aos amilenistas (os que não crêem na existência de um milênio literal) tem
lutado para provar que este reino é espiritual e que a igreja cumpre esta
promessa, onde Jesus, o descendente de Davi, reina soberano, no entanto para tal
interpretação é necessário espiritualizar demasiadamente o texto e seu
cumprimento, não observando que desde o início os eventos prometidos como: o
nascimento de Salomão, a construção do templo, seu reinado, seus pecados e
castigo divino, como também a permanência da misericórdia do Senhor em sua
vida, que foram cumpridos literalmente. Estes acontecimentos literais, indicam o
caráter da promessa, o fato é que os amilenistas argumentam que estes cumprem
apenas a parte literal da aliança, permanecendo a parte espiritual cumprida por
Cristo ao longo de seu reinado sobre a igreja.
O reino prometido a Davi era totalmente literal, o próprio Jesus pregou o reino
dessa forma em Mt 25:31-33.
“Quando vier o Filho do Homem na sua majestade e todos os anjos com ele,
então, se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas em
sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as
ovelhas; e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos, à esquerda.”
Não há a menor base para um reino espiritual cumprir este aspecto da
aliança, o fato de em apocalipse Jesus ser apresentado num trono não permite
ligação ao trono de Davi, apenas indica a majestade de Cristo. O profeta Ezequiel
também fala da permanência literalmente perpétua do trono de Davi em 37:24:
O meu servo Davi reinará sobre eles; todos eles terão um só pastor, andarão
nos meus juízos, guardarão os meus estatutos e os observarão.
Jesus é o grande rei “que veio para os seus, mas os seus não o receberam”,
porém retornará e estabelecerá seu trono. Deus tem providenciado a preservação
da casa de Davi, isto é, a nação de Israel, a qual irá, no final da grande tribulação,
ter seu trono ocupado através de seu “descendente”, Jesus que virá para instituir
seu reino eterno.
2.5. Nova Aliança
Esta com certeza é das quatro a que traz mais dúvidas e questionamentos, no
entanto quando averiguamos as Escrituras todos desencontros se dissipam. Deus
havia estabelecido uma aliança com Moisés (Ex. 19:1-25), nela foram prometidos
benefícios exclusivos à nação de Israel, entretanto esta aliança era temporária, e
assim é chamada em Hebreus 8:13, por isso em Jeremias 31:31-33, Deus promete
uma nova e definitiva aliança, chamada de eterna em Is 61:8, na qual eram
prometidas bênçãos materiais e espirituais definitivas para Israel. O texto de
Jeremias 31:31-40 diz o seguinte:
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“Eis que dias vêm, diz o SENHOR, em que farei um concerto novo com a casa
de Israel e com a casa de Judá. Não conforme o concerto que fiz com seus pais,
no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito, porquanto eles
invalidaram o meu concerto, apesar de eu os haver desposado, diz o
SENHOR. Mas este é o concerto que farei com a casa de Israel depois daqueles
dias, diz o SENHOR: porei a minha lei no seu interior e a escreverei no seu
coração; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. E não ensinará alguém
mais a seu próximo, nem alguém, a seu irmão, dizendo: Conhecei ao SENHOR;
porque todos me conhecerão, desde o menor deles até ao maior, diz o SENHOR;
porque perdoarei a sua maldade e nunca mais me lembrarei dos seus pecados.
Assim diz o SENHOR, (…) esta cidade será reedificada para o SENHOR, desde a
Torre de Hananel até à Porta da Esquina.(…) Esta Jerusalém jamais será
desarraigada ou destruída.”
• O resumo desta promessa de aliança é:
• A promessa de uma nova e futura aliança;
• Esta promessa é exclusiva a Israel e a casa de Judá;
• Uma conversão real e definitiva;
• Comunhão eterna entre Deus e Israel;
• Perdão dos pecados e esquecimento dos mesmos por parte de Deus;
• Jerusalém será reedificada e eternizada.
Encontramos uma repetição desta aliança em Ezequiel 37:21-28, os termos
são os mesmos, porém destacamos os versos 26 e 27 que dizem:
“Farei com eles aliança de paz; será aliança perpétua. Estabelecê-los-ei, e os
multiplicarei, e porei o meu santuário no meio deles, para sempre. O meu
tabernáculo estará com eles; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.”
O escritor de Hebreus defende o sacerdócio de Cristo como sendo o mediador
da nova aliança (Hb 8:6) e diz que a primeira aliança era ineficaz, falando da
mosaica, que, portanto, deveria ser substituída por uma eficaz e eterna (Hb 8:7,13).
O escritor continua no capítulo 9 a discorrer o assunto dizendo que Moisés ao
receber a lei (aliança) aspergiu sangue sobre o povo, sobre o tabernáculo e os vasos
do ministério (v.19-21) “dizendo: Este é o sangue da aliança, a qual Deus
prescreveu para vós outros”. E complementa dizendo que “quase todas as coisas,
segundo a lei, se purificam com sangue; e, sem derramamento de sangue, não há
remissão”. O fato é que ano após ano haveria de fazer novos sacrifícios para se
alcançar o “perdão” dos pecados, tornando esta aliança incompleta, ou, como diz o
escritor, ”uma sobra de bens futuros”. Jesus sendo o próprio sacrifício aceitável
diante de Deus, (Hb 9: 11-17) tornou-se o mediador desta aliança, tornado-a
perfeita e completa.
Um problema surge quando observamos que esta, como todas as outras,
foram feitas com Israel e a Casa de Judá e não com a igreja, isso quer dizer que
esta não pode cumprir a aliança pois apenas Israel e Judá o poderiam fazer. Vemos
na proclamação da aliança Deus dizer “Eis que dias vêm, diz o SENHOR, em que
farei um concerto novo com a casa de Israel e com a casa de Judá”. O caso é que os
amilenistas dizem que a igreja hoje cumpre esta aliança tornando desnecessário
um milênio literal, no entanto é impossível, pois, aqueles que crêem no sacrifício de
Jesus pela fé, são, como diz o apóstolo Paulo, enxertados (Rm 11:24), não são
ramos naturais, a relação que existe entre a igreja e a nova aliança, é apenas de
beneficiamento por parte da igreja, esta participa de suas bênçãos, porém, não
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pode cumpri-la. Nos pontos da aliança vistos anteriormente fica claro que na nova
aliança, Deus estabeleceria um novo relacionamento com Israel, devolvendo-lhe
Jerusalém, permitindo sua reedificação definitiva e prometendo estar no meio deles.
Todos os pontos desta aliança são também definitivos e eternos, e isto, até hoje
nunca se viu acontecer na nação de Israel, o porque tem resposta simples, a aliança
é futura para eles.
João em seu Evangelho fala da oportunidade que a nação teve em estabelecer
a nova aliança e com ela o reino messiânico, dizendo que Jesus “Veio para o que
era seu, e os seus não o receberam”, a questão é que Deus tinha um propósito
específico que era o de incluir os gentios em seu plano de salvação. “Eu, o
SENHOR, te chamei em justiça, tomar-te-ei pela mão, e te guardarei, e te farei
mediador da aliança com o povo (Israel) e luz para os gentios (igreja) (Is 42:6). Estes
gentios se tornaram a igreja, sendo então, participantes das bênçãos espirituais da
aliança através da fé no mediador dela, Jesus Cristo”.
Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de
Deus, a saber, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue,
nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.(Jo 1:12)
A conclusão é que o milênio é literal, ao contrario do que dizem os amilenistas,
e necessário, pois nele a nova aliança será estabelecida em Israel e Deus cumprirá
todos os desígnios desta aliança, como também das outras. Os pormenores
referentes ao milênio serão abordados mais adiante.
2.6. O Fim da Atual Dispensação
Das sete dispensações, cinco já foram concluídas: inocência consciência,
governo humano, patriarcal e lei, e estamos vivendo a dispensação da graça que
dará lugar a milenial. O que é necessário percebermos é que Deus tendo dividido a
história da humanidade em dispensações deu para cada uma delas um propósito
ou missão e todas elas deveriam ter um inicio e um fim, portanto esta era atual, ou
este período de tempo chamado graça em que vivemos terá um fim, o que marcará
este fim? Dois grandes eventos marcarão o fim, o arrebatamento da igreja e a volta
visível de Jesus para inaugurar o milênio. Nos capítulos seguintes estudaremos
detalhes dos eventos como também tudo o que os envolve.
3 – DEFINIÇÃO DOS TERMOS
ARREBATAMENTO E VINDA
Neste capítulo buscaremos uma definição esclarecedora quanto à idéia
principal que cada termo usado no original quer dizer, pois temos muitos
escritores nomeando o arrebatamento e a vinda em glória usando palavras gregas
que, como veremos não permitem tal nomeação de modo definitivo.
Os dois eventos, principalmente o primeiro, são esperados ansiosamente pela
igreja, pois trarão consigo a consumação de uma expectativa viva e que deve ser
alimentada com as palavras de Jesus que disse em João 14:2-3.
“Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria
dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e
vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também.”
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No entanto existem teorias que negam sua existência ou que mesmo
reconhecendo a realidade do arrebatamento o colocam em posição errada
quanto ao tempo de seu acontecimento, é preciso então definir o evento de uma
forma decisiva para romper com as dúvidas.
3.1. Arrebatamento
O termo arrebatamento é encontrado em seu sentido escatológico em I Ts
4:17, quando o apóstolo Paulo explica acerca da situação dos mortos em Cristo na
sua vinda e ao dizer com relação ao momento da retirada da igreja diz que os
mortos ressurgirão primeiro e:
“… Depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente
com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos
para sempre com o Senhor.”
A. Harpádzo (é o termo que é traduzido para arrebatamento), este tem um
significado abrangente, em Mateus 11:12 é traduzido como “apoderaram-se” no
sentido de tomar para si; já em Mateus 13:19 a idéia é de “roubo” como também em
João 10:28; uma tradução menos comum nos encontramos em João 10:12,
“atacar” no sentido de investida. É derivado de haireomai (que significa tomar para
ii, preferir, escolher, escolher pelo voto, eleger para governar um cargo público). De
qualquer forma arrebatamento significa tomar para si, roubar, raptar, capturar;
qualquer uma é valida desde que esteja de acordo com o contexto, por isso
“harpadzo” em I Ts 4:17 ficaria melhor como:
…depois, nós os que estivermos vivos, juntamente com eles (os mortos
ressurretos) seremos levados por Jesus até as nuvens para nos
encontrarmos com ele nos ares, e assim, estaremos para sempre com o Senhor.
Alguns comentaristas sugerem roubo ou rapto da igreja como possível
tradução, no entanto, a igreja não vai ser tomada indevidamente, pois Jesus a
comprou com seu sangue (At 20:28) a obtenção da igreja é legitima. Portanto
arrebatamento é o evento em que Jesus vem até as nuvens buscar para si a sua
igreja, Paulo adverte a igreja a esperar em santidade e vigilância.
1 Ts 5:23 O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito,
alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso
Senhor Jesus Cristo.
3.2. Vinda
Três palavras são usadas para referir-se à vinda de Cristo e estas são
utilizadas nos textos originais de várias maneiras, no entanto precisaremos
conhece-las para que tenhamos uma compreensão melhor sobre seus significados e
se podemos utilizá-las ou não para nomear a vinda gloriosa de Cristo.
A. Parousia (Sua tradução segundo o dicionário grego de Willian Carey é:
presença, vinda, chegada, volta; “visita real, chegada de um rei”) (Souter); “a
futura visível volta de Jesus, o messias, do céu para ressuscitar os mortos,
realizar o juízo final, e estabelecer formal e gloriosamente o reino de Deus”
(Thayer)
Parusia é derivado de pareimi (que significa estar perto, estar a mão, ter
chegado, estar presente estar pronto, em estoque, às ordens (Strong).
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Seu sentido é abrangente, tanto pode se referir ao arrebatamento
quanto à volta gloriosa de Jesus. Em 2Co 10:10 e Fp 2:12 parusia refere-se
a presença pessoal de qualquer pessoa; em 1Co 16:17 trata da vinda pessoal de
alguém, que no caso é Estéfanas, Fortunato e Acaico, como em Fp 2:12 onde
Paulo fala de sua parusia (presença) entre os filipenses em contraste com sua
apousia (usência); em 2Ts 2:9 trata do aparecimento do anticristo; em 1Co 15:23,
1Ts 2:19, 4:15 e 5:23 entre outros referem-se ao arrebatamento; e em Mt 24:3, 27,
37, 39, 1Ts 3:13, 2Pe 1:16 entre outros, tratam da vinda gloriosa de Jesus a
terra. Concluímos então que parusia não tem condições de ser usada para
definir decisivamente e exclusivamente como sendo a vinda no
arrebatamento, já que pode significar qualquer vinda. Parusia expressa na língua
portuguesa o sentido da palavra “presença”, e esta presença pode ser de qualquer
coisa ou pessoa.
O fato é que este termo tem sido usado por vários escritores como sendo a
palavra que define o arrebatamento como a “parusia de Cristo”, e isto é um erro,
pois o termo , como vimos, pode significar vários tipos de vinda.
B. Epifhanéia. Manifestação, aparecimento, “vinda”; literalmente significa
“brilho à frente” (Vine). É usada por vários escritores para designar a volta
gloriosa de Jesus após a grande tribulação.
Sua raiz epifa sempre está ligada a aparição e manifestação, outra forma é
epifhaino (que significa: aparecer, fazer uma aparição, mostrar-se, como em Lc
1:79, At 27:20 e Tt 2:11; e ainda epifhaísco: aparecer, surgir, como em Ef 5:14).
Epifhanéia é usado para de referir a volta gloriosa de Jesus em 2Tm 4:1
“Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua
manifestação e pelo seu reino”, e Tt 2:13 “aguardando a bendita esperança e a
manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus” neste
versículo encontramos os dois eventos aguardados pela igreja de Cristo, a
expressão “bendita esperança” refere-se ao arrebatamento, enquanto
“manifestação da glória” trata da vinda gloriosa de Jesus. Em 1Tm 6:14 e 2Tm 4:8 o
contexto indica que se trata do arrebatamento e em 2Tm 1:10 o contexto indica
claramente se tratar da encarnação de Jesus Cristo; em Mt 24:27 revela o brilho da
glória do Senhor Jesus. A conclusão é simples: devido o fato se tratar de vários
tipos de vinda e “aparições”, e não definir claramente qual, não pode ser
estabelecido que quando se fala da vinda gloriosa e visível de Cristo use-se o termo
“a epifhanéia de Cristo”.
C. Apokalupsis. Revelação, exposição, manifestação. Mesma raiz de
apokalupto (revelo, descubro).
Seu uso é freqüente para designar a revelação de Jesus Cristo, ou seja, a sua
vinda, no entanto, também não consegue por si só definir qual das vindas está se
referindo. Em Lc 17:30, 2Ts 1:7, 1Pe 4:13 nitidamente indica a vinda visível de
Cristo; em 1Co 1:7, Cl 3:4 e 1Pe 1:7, 13 refere-se ao arrebatamento. Devido seu
significado e uso abrangente também é usado nas Escrituras para referir-se a
descobrimento e revelação da palavra de Deus na alma entre outros usos. Em Lc
12:32 fala da revelação da palavra aos gentios; Rm 16:25 e Ef 3:3 falam da
revelação do “mistério” que é o plano de Deus para esta era; Ef 1:17 o termo
retrata a questão da revelação do conhecimento de Deus à alma do homem e etc…
Portanto, fica difícil provar que este termo indique claramente que evento ele se
refere já que alem, de ser utilizado para relatar os dois, tem outros usos.
D. Phanerósis. Existe ainda uma palavra usada por alguns escritores para
designar a volta gloriosa de Cristo, que é Phanerósis, no entanto, esta não é usada
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nos textos que falam da vinda de Cristo, este termo aparece em 1Co 12:7 “A
manifestação (phanerósis) do Espírito é concedida a cada um visando a um fim
proveitoso”, não indicando a manifestação de Cristo na sua vinda, mas uma
manifestação do Espírito Santo, no sentido simples de demonstração. O verbo que
está relacionado ao termo em questão é phaneró (revelar, mostrar, fazer conhecido,
como em Mc 4:22; Jo 7:4; 17:6; 21:14; Rm 1:19; 3:21; 2Co 2:14; Ef 5:13; 1Tm
3:16; Tt 1:3; Hb 9:8; 9:26; 1Jo 1:2 e 2:28). Nunca e em nenhuma de suas formas
(phanerós-adjetivo, phanerôs-advérbio ou phaneró-verbo) o termo se refere à
manifestação de Cristo.
A conclusão final a que chegamos é que cada palavra dessas não foi
introduzida no texto com a intenção de classificar qual das vindas o escritor se
referia, mas sim para deixar claro o ensino sobre o retorno do Senhor, cada uma
delas revela características marcantes sobre sua volta; Parusia expressa que a
vinda manifestará sua presença; epiphanéia trata da volta como algo glorioso
devido seu aparecimento e apokalupsis fala da manifestação completa no sentido
de se revelar, tornar-se conhecida sem qualquer obscuridade, perante o mundo,
como Rei dos reis.
4 – ESCOLAS ESCATOLÓGICAS
A maioria das diferentes escolas de interpretação pode ser entendida na forma
em que seu método explica o tempo. Os preteristas afirmam que a maior parte do
Apocalipse tem sua principal referência no passado. Os futuristas declaram que a
maior parte do livro ainda deverá ter cumprimento futuro. Os historicistas estão
seguros de que o livro foi cumprido parcialmente no passado, está ainda
tendo cumprimento no presente, e somente se cumprirá plenamente no
futuro.
A escola Idealista rejeita todas essas três escolas. O idealista diz que essas três
escolas são por demais específicas ao interpretar os símbolos proféticos. O
idealista busca um método de interpretação mais espiritual, filosófico ou poético.
4.1. Escola Idealista
A escola idealista de interpretação julga que o livro de Apocalipse é um
desdobrar de princípios em figuras. O propósito do livro de Apocalipse não é falar
de eventos específicos a virem. É somente para ensinar verdades espirituais que
podem ser aplicadas a todas as situações (ou serem delas derivadas).
Contudo, é difícil ver um propósito no livro de Apocalipse se for somente um
retrato detalhado de princípios encontrados noutras partes. Se tais princípios já
foram ensinados claramente alhures, por que agora se apresentam em forma tão
misteriosa?
Erdman indaga:
“os princípios não se tornam até mais impressionantes quando incorporados
em eventos que o autor viu, e em eventos ainda mais momentosos que nas visões
proféticas ele contemplou no horizonte de uma era mais luminosa que deveria
ainda raiar?” (Chrles R. Erdman, Revelation, p. 25)
Incoerências do Idealismo
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Absoluta coerência é impossível para o Idealismo, tanto quanto para todas as
outras escolas. O Apocalipse descreve a segunda vinda de Cristo. Se esse for um
evento histórico real, por que alguns dos retratos dos eventos do Apocalipse antes
disso também são históricos?
É impossível divorciar qualquer livro de sua ambientação histórica. Isso é
duplamente verdadeiro com respeito ao livro do Apocalipse porque é o exemplo
máximo de literatura apocalíptica. Todo esse gênero literário trata com história. Não
está interessado em abstrações.
4.2. Escola Preterista
O preterismo é a metodologia mais popular para o exame do Apocalipse entre
os eruditos críticos. Essa escola é também conhecida como a contemporâneahistórica.
Essa escola inclui exegetas tão brilhantes quanto Beckwith, Swete,
Ramsay, Simcox, Moses Stuart, e F. F. Bruce.
Esses escritores entendem que as principais profecias do livro do Apocalipse
cumpriram-se na destruição de Jerusalém (em 70 AD) e na queda do Império
Romano.
A força do Preterismo é que se baseia em considerável montante de verdade. O
livro de Apocalipse de João deve ter feito sentido para os seus primeiros leitores,
seus contemporâneos. Que pastor escreveria uma carta para o seu rebanho que
não tivesse imediato significado para essas ovelhas?
Protesto Contra o Preterismo
O principal defeito do Preterismo é que parece deixar a igreja ao longo das era
sem direção específica. Milligan declara:
“o livro [de Apocalipse] apresenta distintamente em sua aparência o fato de
que não está confinado ao que o Vidente contemplou imediatamente ao seu redor.
Trata de muito do que devia acontecer até o pleno cumprimento da luta da Igreja, a
completa conquista de sua vitória, e o integral alcance de seu descanso. A Vinda
do Senhor tão freqüentemente referida certamente não se esgotou naquela
destruição da política judaica que agora sabemos que devia preceder por muitos
séculos o encerramento da Dispensação presente; e os inimigos de Deus descritos
continuam a sua oposição à verdade não meramente num ponto determinado e
próximo, quando são contidos, mas ao final, quando são derrotados
derradeiramente e para sempre. Há uma progressão no livro que é somente detida
com o advento final do Juiz de toda a Terra; e nenhum sistema justo de
interpretação nos permitirá considerar as diferentes pragas dos Selos, Trombetas,
e Taças como simbólicos somente de guerras que o Vidente havia contemplado em
seus princípios, e que sabia que terminariam com a destruição de Jerusalém e
Roma. Contra a idéia de que São João estava limitado aos acontecimentos de seu
próprio tempo o tom e espírito do livro são um contínuo protesto. Nem se pode
alegar que ele combine isso com o que se daria por fim, deixando, por razões
inexplicadas da parte dele, um longo intervalo de tempo sem notícia. Não há
evidência de um intervalo. Os relâmpagos e trovões se desencadeiam em sucessão
próxima desde o princípio até o fim do livro. Julgado mesmo por seu caráter geral,
o Apocalipse não pode ser interpretado segundo esse sistema moderno.” (W.
Milligan, Lectures, págs. 141, 142).
O Preterismo Ignora o Futuro
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Deixamos o Preterismo com as palavras do profeta João ecoando em nossos
pensamentos: “Sobre para aqui, e te mostrarei o que deve acontecer depois destas
coisas”. Apocalipse 4:1. Tenney escreveu:
A fraqueza desse ponto de vista [o Preterismo] é sua limitação terminal.
Obviamente os juízos preditos não se cumpriram, e conquanto figurativamente se
possa interpretar a conquista do mundo por Cristo e o retrato de um juízo final,
nada disso ainda apareceu. O preterista tem uma interpetação que possui um
firme pedestal, mas que não dispõe de uma escultura acabada para nela ser
firmada. (M. C. Tenney, Revelation, pág. 144).
4.3. A Escola Futurista
O futurismo situa-se no outro extremo da interpretação, com relação ao
preterismo. O futurismo acredita que o livro de Apocalipse, com a possível exceção
dos três primeiros capítulos, aplica-se totalmente ao futuro. O Futurismo aponta à
tribulação final da igreja e é, portanto especialmente dirigido aos crentes nos
primeiros últimos anos da história. Digo “especialmente” porque nenhum futurista
nega o valor presente das promessas e princípios achados na profecia.
Diz Todd sobre o Apocalipse:
“Não devemos, destarte, procurar o cumprimento de suas predições nem nas
primeiras perseguições e heresias da igreja nem na longa série de séculos desde a
primeira pregação do Evangelho até agora, mas nos eventos que devem
imediatamente preceder, acompanhar e seguir-se ao Segundo Advento de nosso
Senhor e Salvador.” (J. H. Todd, Six Discourses on the Apocalypse, quoted by W.
Milligan, Lectures, p. 135).
Futurismo e Literalismo
Os futuristas tendem a ser literalistas. Seguem a regra de que “todas as
declarações proféticas devem ser interpretadas literalmente a menos que evidência
contextual, ou o bom senso, tornem esse procedimento impossível”. A maioria dos
expositores (outros que não os futuristas) dizem que essa regra devia ser revertida
quando interpretando-se o Apocalipse.
As objeções ao Futurismo são semelhantes àquelas contra o Preterismo. O
Futurismo torna o livro de Apocalipse de pouco valor para a maioria dos cristãos
no que se refere ao desenrolar da maior parte da história. A maioria dos cristãos
são ignorados ao longo da história. Dirige-se somente aos que vivem nos últimos
momentos da história. O Futurismo estreita demasiadamente a perspectiva da
Revelação.
A Igreja Sobre a Terra
Uma posição básica assumida por futuristas dispensacionalistas é de que
após Apocalipse 4:1 a igreja nunca é vista sobre a Terra. Alegam que os capítulos 6
ao 19 somente retratam um remanescente judaico.
A resposta a isto é que o livro de Apocalipse representa a igreja no céu
misticamente. Isto se dá por causa da união da igreja com o Seu assunto Senhor.
Outros versos do Novo Testamento encaram a igreja nessa forma mística (Efés.
2:6; Fil. 3:20, Col. 3:1). Os membros da igreja que originalmente leram esses
versos de que a igreja estava no céu o fizeram enquanto fisicamente sobre a Terra!
Apocalipse 7, 11 e 12 retratam a igreja cristã sobre a Terra. Certamente esses
capítulos o fazem sob o simbolismo do antigo povo do concerto de Deus. Contudo,
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qualquer método de interpretação que admite o simbolismo judaico da
revelação literalmente torna o livro sem sentido. O próprio estofo da
literatura apocalíptica é pictórico e emblemático, não o literal.
O livro de Apocalipse inteiro é dirigido aos servos de Cristo, ou seja, às igrejas
cristãs. Aqueles que foram mortos por confessarem o evangelho de Cristo são
mencionados sob o quinto selo. Apocalipse 8 fala das orações de todos os santos
(“santos”, no Novo Testamento significa somente cristãos ou anjos).
4.4. A Escola Histórica
O historicismo é o método de interpretação da profecia que declara que o livro
do Apocalipse é um histórico profético da igreja e do mundo, desde o tempo de
João até o segundo advento.
As predições dadas no livro do Apocalipse não são somente movimentos gerais
na história, declara o Historicismo. Mesmo eventos específicos são preditos.
Isso inclui a identificação de datas reais do calendário.
Historicistas destacados incluem Begel, Mede, Newton, Elliott, e Guinness. O
livro Prophetic Faith of Our Fathers [A fé profética de nossos pais], de L. E. Froom,
é um esplêndido compêndio do Historicismo e sua apologia. Alista os nomes e
posições expositórias de centenas de intérpretes.
Hoje, somente um pequeno número de eruditos protestantes são conhecidos
como historicistas. Esses eruditos se acham somente em grupos isolados. Os mais
conhecidos dentre tais grupos são os membros da denominação adventista do
sétimo dia.
Três Problemas do Historicismo
M.C. Tenney fez sua crítica ao historicismo:
Há várias objeções a uma interpretação do Apocalipse segundo um
ponto de vista completamente historicista. Primeiramente, a exata
identificação dos eventos da história com sucessivos símbolos nunca foi
finalmente empreendida, mesmo após os acontecimentos terem-se dado. É
razoável supor que durante o lapso de 1.900 anos pelo menos uma porção das
predições teriam tido cumprimento. Se tivessem de ter algum valor para o leitor do
Apocalipse como uma indicação de seu lugar dentro do processo histórico, deviam
ser identificáveis com certeza. Tal, contudo, parece não ser o caso. Os pontos de
interpretação sobre o qual a maioria dos intérpretes doutrinários concorda que
podem ser interpretados como tendências tanto quanto eventos. Uma vez que as
tendências podem ser evidentes em qualquer período da história, tais profecias não
apontam a nenhuma época.
Em segundo lugar, os intérpretes históricos não têm explicado
satisfatoriamente porque uma profecia geral deva confinar-se às fortunas do
Império Romano ocidental. A interpretação histórica destaca principalmente o
desenvolvimento da igreja na Europa ocidental; pouca atenção dá ao Oriente.
Contudo, nos primeiros séculos da era cristã a igreja aumentou tremendamente
no Oriente, e difundiu-se até alcançar a Índia e China, embora não tenha
conseguido uma base permanente em todas as regiões desses países. Se um
método contínuo-histórico deva ser seguido, deve ter um escopo mais amplo.
Em terceiro lugar, se o método contínuo-histórico for válido, suas predições
teriam sido suficientemente claras desde o princípio para dar ao leitor alguma
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pista do que significavam. Se o fogo e a saraiva da primeira trombeta (8:7)
realmente se referiam às invasões dos godos, é difícil ver como qualquer cristão do
primeiro século poderia ter entendido a predição de tal modo a ter qualquer valor de
sua parte para sua reflexão. (M. C. Tenney, Revelation, pp. 138, 139).
O Historicismo Não Tem Aplicação aos Primitivos Cristãos
Notem também a queixa de Hendriksen contra um livro historicista de
orientação de esquerda:
“Sobre minha mesa jaz um comentário recentemente publicado sobre o
Apocalipse. É um livro muito “interessante”. Considera o Apocalipse como um tipo
de história escrita em antecipação. Descobre nesse último livro da Bíblia copiosas
e detalhadas referências a Napoleão, às guerras balcânicas, à grande guerra
européia de 1914-1918, ao ex-imperador germânico Guilherme, Hitler, e Mussolini,
N.R.A., etc. nosso veredito? Essas explicações e coisas desse tipo devem ser
descartadas imediatamente. . . . Diga-me, caro leitor, que benefício os cristãos
severamente perseguidos e sofredores do tempo de João obteriam de predições
específicas e detalhadas concernentes às condições européias que
prevaleceriam cerca de dois mil anos depois?” (W., Hendriksen, More Than
Conquerors, p. 14).
O Historicismo Ignora os Ciclos da História
Os filósofos da escola historicista percebem que a história é cíclica. (O cristão
entende que esses ciclos têm lugar dentro da linha reta da história que se estende
da Criação à Segunda Vinda).
Em todas as eras, Deus e Satanás seguem princípios apropriados ao caráter
que possuem. É por tal razão que a história se “repete”, conquanto em diferentes
graus de desenvolvimento. A luta entre o bem e o mal produz situações
semelhantes durante diferentes épocas da história. Se o historicista estrito devesse
reconhecer essa natureza obviamente cíclica da história, deixaria de ser um
historicista estrito.
O Historicismo é Demasiado Extra-Bíblico
Outra objeção ao historicismo é que requer muito conhecimento extrabíblico.
O estudante da Bíblia deve depender de historiados, como Gibbon, D’Aubigné ou
Wylie. Moisés, os profetas, os evangelhos e as epístolas não seriam suficientes?
O Historicismo Ignora a Iminência
Nossa última crítica é a mais forte. Os historicistas criam cuidadosos
esquemas ou gráficos de cálculos de longo prazo. Mas esses esquemas negam a
clara evidência do Novo Testamento de que nunca foi ideal de Deus que muitos
séculos dividissem os dois adventos de Cristo.
De uma forma ou de outra, o pensamento de que os vários eventos
preditos no livro de Apocalipse devessem ter lugar num futuro não distante
é especificamente declarado sete vezes-“coisas que em breve devem acontecer”
(caps. 1:1; 22:6), “o tempo está próximo” (cap. 1:3), e “Venho sem demora” (cap.
3:11; 22:7; 12, 29). Referências indiretas à mesma idéia aparecem nos caps. 6:11;
12:2; 17:10. A resposta pessoal de João a essas declarações do breve
cumprimento dos propósitos divinos foi, “Vem, Senhor Jesus!” (cap. 22:20).
Em qualquer um dos vários pontos críticos da história deste mundo, a justiça
divina poderia ter proclamado, “Está feito!” e Cristo poderia ter vindo para
inaugurar o Seu reino de justiça. Há muito tempo atrás poderia ter posto em
execução os Seus planos para a redenção deste mundo. Assim como Deus
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ofereceu a Israel a oportunidade de preparar o caminho para o Seu reino eterno
sobre a Terra, quando se estabeleceram na Terra Prometida e novamente quando
retornaram de seu cativeiro babilônico, assim Ele deu à igreja dos tempos
apostólicos o privilégio de completar a comissão evangélica.
Embora o fato de que a segunda vinda de Cristo não se baseie em quaisquer
condições, a repetida asserção das Escrituras de que a vinda está iminente era
condicionada à resposta da igreja ao desafio de concluir a obra do evangelho em
sua geração. A Palavra de Deus, que séculos atrás declarou que o dia de Cristo
“vem chegando” (Rom. 13:12), não falhou. Jesus teria vindo muito rapidamente se a
igreja tivesse realizado sua obra designada. . . .
Assim, a declaração do anjo do Apocalipse a João com respeito à iminência do
retorno de Cristo para terminar o reino de pecado deve ser entendida como uma
expressão da vontade e propósito divinos. Deus nunca teve o propósito de delongar
a consumação do plano da salvação, mas sempre expressou Sua vontade de que o
retorno de nosso Senhor não se retardasse demasiado.
Essas declarações não devem ser entendidas em termos da presciência de
Deus de que ocorreria um atraso tão grande, nem mesmo à luz da perspectiva
histórica do que realmente teve lugar na história do mundo desde aquele tempo
(SDA Bible Commentary [Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia], vol. IV,
pp. 728-729).
Eu concordo. Não que Deus Se tenha frustrado. Não, por momento
algum. Deus sempre oferece um ideal que é capaz de ser alcançado por
completa dependência nEle. Lamentavelmente, isso é raramente reconhecido.
Que concluiremos a respeito das várias escolas de interpretação? Somos
gratos a Deus por elas todas! Mas nós mesmos praticamos o ecletismo. Todas as
escolas têm a verdade, bem como problemas. Obtemos a verdade de cada uma
dessas escolas.
Devemos ver essas várias escolas e metodologias como reflexões fragmentadas
da verdade integral. Vejamos novamente a necessidade de “afirmar o que é
afirmado, mas negar as negações”.
4.5. As Melhores Ferramentas de Interpretação
Devemos sempre começar nossa exegese (ou interpretação) da Escritura
considerando as pessoas e tempos a que sua mensagem se dirigia. Para entender o
que lhes foi escrito devemos entender o que para eles significava.
Juntamente com isso, reconheçamos a sabedoria de Deus, cujos anos não têm
fim e que prometeu nunca esquecer a igreja. Este é Aquele que declarou através
de Amós: “Certamente, o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem primeiro revelar
o seu segredo aos seus servos, os profetas”. (Amós 3:7).
Certamente Este pode ser digno de confiança quanto a que manterá a sua
promessa.
Em vista de que Deus nunca muda os Seus justos caminhos, Ele será
o mesmo em todas as épocas. As obras de Deus sempre refletirão o mesmo
selo, conquanto estejam em diferentes estágios de desenvolvimento.
O princípio apotelesmático vê sucessivos cumprimentos da profecia.
Esses cumprimentos atingem o clímax nos últimos dias. É provavelmente a
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melhor ferramenta interpretativa de todas quando a ligamos com os princípios
contextuais gramaticais, históricos e hermenêuticos.
Ferramenta Espiritual de Interpretação
Finalmente, é verdade que somente os puros de coração verão a Deus (Mat.
5:8). É verdade que os perversos prosseguirão agindo impiamente e nenhum
desses perversos entenderá (Daniel 12:10).
Portanto, todo exegeta, todo estudante da Bíblia deve dizer: “Como vai a minha
alma”?
Devemos perguntar: “Já compreendi o evangelho eterno que mudou nosso
mundo no primeiro século? Que novamente o mudou no século dezesseis? Que é o
único fator que pode transformar o nosso triste e lamentável tempo? Esse
evangelho já me transformou?”
Quando está bem a minha alma, aceitarei com equanimidade seja o que os
tempos (na providência divina) me reservem. Continuamente ajustarei o meu
pensamento segundo a luz progressiva.
Mesmo nossas deficiências como intérpretes das profecias cooperarão para o
bem! Elas nos situarão em humildade perante Deus, que somente é a Verdade.
Deus somente pode fortalecer-nos a caminhar nessa verdade.
5 – O TEMPO DO FIM
Muitos estudiosos têm buscado nas Escrituras sinais evidentes que marquem
efetivamente o tempo da volta de Cristo, o fato é que muitos destes argumentos
são apenas especulações infundadas. Grande é a diversidade de pensamentos
quanto aos sinais da vinda de Cristo ou mesmo do arrebatamento da igreja, o que
procuraremos tratar neste capítulo serão pontos chave que marcam e denunciam o
tempo do fim, ou seja, fatos e características que indicam, biblicamente, como
estaria a sociedade, a igreja e até o meio político no tempo próximo à vinda do
Senhor.
5.1. Mateus 24
Um dos grandes problemas teológicos a respeito dos sinais da vinda de Cristo,
se encontra em Mateus 24 e suas passagens paralelas, Marcos 13 e Lucas 21,
neste texto os discípulos fazem uma pergunta a Jesus: “Dize-nos quando sucederão
estas coisas e que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século”. (Mt
24:3), a mesma pergunta é feita em Lucas e Marcos, porém, de maneira diferente:
“Mestre, quando sucederá isto? E que sinal haverá de quando estas coisas
estiverem para se cumprir?” (Mc 13:4 e Lc 21:7). A diferença na pergunta se dá
devido o interesse do autor do evangelho, no caso de Mateus, seu evangelho foi
escrito para judeus que conheciam as promessas messiânicas e aguardavam
ansiosamente seu cumprimento, sendo necessário incluir a parte originalmente
feita pelos discípulos a Jesus onde era perguntado quando seria sua volta para
inaugurar o reino messiânico, isto também demonstra que os discípulos viam
Jesus como o messias esperado. No caso de Marcos e Lucas, seus evangelhos foram
escritos para gentios, estes não conheciam as profecias referentes a um reino
messiânico, portanto era desnecessário incluir esta parte evitando dúvidas por
parte dos futuros leitores, é importante ressaltar que nunca o Espírito Santo
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deixou de estar no controle da inspiração de todos os textos sagrados, se estas
aparentes diferenças existem o Espírito Santo as permitiu.
Os discípulos fizeram uma pergunta dupla: 1) quando sucederão estas coisas
2) e que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século. Alguns escritores
entendem que a pergunta foi tripla, dizendo que quando perguntaram que sinal
haveria da consumação do século, desvinculavam esta consumação de sua volta,
no entanto, a frase não permite isso, pois eles perguntaram de uma forma que
demonstra claramente que os discípulos associavam seu retorno ao fim desta era.
Existe, também um grande problema em várias traduções com relação
“consumação do século”, o caso é que em algumas bíblias encontramos uma
tradução mal aplicada de (sinteléias tú aiônos) que é traduzido por “fim do mundo”,
sinteléias segundo o dicionário grego de Carey, significa consumação, fim,
acabamento, completamento e aiõn (os), significa: ciclo, era, época, eternidade;
também pode ser traduzido por mundo, porém, apenas na questão temporal,
espaço de tempo. O mundo físico, o planeta, no original grego é(kosmos). Sobre a
tradução do termo Strong faz a seguinte o seguinte comentário:
“Freqüentemente traduzem aion (por mundo, dessa forma obscurecendo a
distinção entre esta e kosmos). Aion é geralmente melhor traduzida como geração,
é o mundo num dado momento, um período particular na história mundial”.
A tradução de fim do mundo não tem apoio do texto original nem do contexto,
já que os discípulos aguardavam Jesus para governar a terra como rei, portanto
ao perguntarem não se referiam ao término da humanidade, ou a destruição do
planeta, mas sim o fim de um tempo, para dar-se início a outro, que no caso era o
reino messiânico.
Devido o que Jesus havia dito referente à destruição do templo, veio dúvida,
quando isto acontecerá? Diante também de outros ensinos sobre um futuro
retorno para reinar e julgar a terra eles perguntaram, que sinal haveria para
identificar a destruição do templo como também o seu retorno.
O Problema dos Sinais
Existe uma grande dificuldade para qualquer que se deter a estudar Mateus
24, pois este capítulo trata de assuntos de acontecimentos breves, mas também de
acontecimentos mais distantes, Jesus faz comentário de sua volta a terra e também
de juízos vindouros, todos os assuntos se misturam no decorrer do discurso
trazendo dificuldade de interpretação. O que nos cabe é buscar a melhor
harmonização possível dos textos sem ferir o contexto, numa busca das verdades
escatológicas. Existem basicamente três teorias a respeito dos sinais de Mateus 24
1:15, que são:
A. Os sinais apontam apenas para a destruição de Jerusalém. Esta é
defendida pelos amilenistas que dizem ser os sinais, a resposta de Jesus a respeito
da destruição do templo e da cidade, a qual se cumpriu no ano 70d.C.
Os fato de Jesus iniciar sua resposta aos discípulos dando-lhes sinais, isso
não indica que estes se referiam a destruição do templo, já que a pergunta
também era com respeito a sua volta. Também podemos destacar que predições
feitas por Jesus não se cumpriram naquele tempo, como, por exemplo,
terremotos em grande escala, guerras mundiais (v.7), e muito menos a
pregação do evangelho em todo o mundo vindo após isso o fim (v.14). Portanto é
impossível afirmar que os sinais indicam a destruição de Jerusalém.
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B. Os sinais apontam para o arrebatamento da igreja, estes vem se
cumprindo ao longo dos anos, porém tendo se intensificado nos últimos
tempos.
Esta teoria é defendida por uma parte dos pré-milenistas, estes acreditam que
os sinais estão ligados diretamente ao arrebatamento.
Esta possibilidade é grande, porém, tem alguns problemas já que, 1
Segundo Jesus não haveria sinais diretos e específicos que marcariam o
arrebatamento da igreja (Mt 24:36-44), 2 O texto de Mt 24:3-15 não é especifico e
trata de um longo período de tempo, temos ainda o versículo 14 e 15 que se
referem diretamente ao período tribulacional, seguido pela volta visível de Cristo.
C. Não existem sinais diretos para marcar o arrebatamento, estes sinais
descritos em Mateus acontecerão após o arrebatamento marcando o retorno
glorioso de Cristo e o fim da grande tribulação.
Uma parcela dos pré-milenistas pré- tribulacionistas, pensam desta forma. O
Dr Ryrie, comentarista da Bíblia Anotada, é um dos grandes defensores da teoria.
De todas, esta parece ser a mais lógica, o que não quer dizer que seja a
correta. Ryrie faz um paralelo entre os sinais de Mateus e os quatro primeiros selos
de apocalipse no qual encontramos certa harmonia entre os eventos descritos em
Mateus com os descritos em Apocalipse. A teoria apresenta os sinais como ligados
ao retorno visível de Cristo, não permitindo que haja sinais diretos ao
arrebatamento, e isto tem fundamento bíblico.
Os selos de Ap 6: 1-7 Os sinais de Mateus 24
V.4) E saiu outro cavalo, vermelho; e
ao seu cavaleiro, foi-lhe dado tirar a
paz da terra para que os homens se
matassem uns aos outros; também lhe
foi dada uma grande espada.
V.6) E, certamente, ouvireis falar de
guerras e rumores de guerras;
V.5) Então, vi, e eis um cavalo preto e o
seu cavaleiro com uma balança na
mão.(…) Uma medida de trigo por um
denário; três medidas de cevada por um
denário;
V.7) Porquanto se levantará nação
contra nação, reino contra reino, e
haverá fomes e terremotos em vários
lugares;
V.8) E olhei, e eis um cavalo amarelo e
o seu cavaleiro, sendo este chamado
Morte;
V.9) Então, sereis atribulados, e vos
matarão. Sereis odiados de todas as
nações, por causa do meu nome.
A fim de completar este raciocínio podemos utilizar o quinto selo que fala dos
mártires do período tribulacional, em especial o v.9, comparando-o a predição de
Cristo onde se refere a morte de seus discípulos por causa de seu nome (Mt 24:9-
10). Também se pode utilizar o sexto selo onde são vistos sinais no céu (v.12-14) e
compará-los a Lucas 21:25. O Sétimo selo, que marca o inicio da segunda metade
da grande tribulação onde se inicia o período de maior terror sobre Israel, como
também a investida da Besta sobre a nação, entra em harmonia com o cerco de
Jerusalém profetizado na passagem de dupla referencia de Mt 24:15-21, que
também se refere ao inicio desta segunda fase.
É importante ressaltar que independente destes sinais não estarem ligados
diretamente ao arrebatamento sua preparação pode servir de indicador para
demonstrar a sua proximidade, é como Jesus disse em Mt 24: 31-32.
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“Aprendei, pois, a parábola da figueira: quando já os seus ramos se renovam e
as folhas brotam, sabeis que está próximo o verão. Assim também vós: quando
virdes todas estas coisas, sabei que está próximo, às portas.”
5.2. Os Sinais do Tempo do Fim
Independente dos sinais de Mateus serem ou não indicadores do
arrebatamento temos outros sinais nas Escrituras que apontam para o tempo do
fim, muito mais que identificar a proximidade da volta de Jesus, revelam aspectos
sociais, morais e religiosos que aconteceriam justamente no tempo em que o
Senhor voltaria. Buscaremos nas epístolas referencias de como estaria a igreja e
mundo no tempo de sua manifestação. É certo que estes sinais não estão apenas
no tempo do fim, mas sim por todo o decorrer da história da igreja, o que os
escritores queriam deixar claro é que no fim dos tempos estes sinais se tornariam
evidentes e corriqueiros.
A. Apostasia. “Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos,
alguns apostatarão da fé” (ITm 4:1).
O apóstolo Paulo é enfático ao dizer isto, o fato é que o inicio do cristianismo
foi marcado por alguns movimentos locais que traziam variações ao cristianismo
recém inaugurado. As comunidades cristãs que se formavam eram lideradas muitas
vezes por pessoas que tinham um conhecimento muito limitado a respeito de
Cristo, não havia a palavra escrita, portanto muito do que se dizia não era bem
verdade. No entanto o que Paulo quer dizer a Timóteo é referente aos últimos
tempos, é claro que Timóteo não necessitava desta advertência, isto porque ela era
para o tempo do fim, ou melhor, para a igreja que viveria esta época.
A tradução de apostasia no grego é, revolta, rebelião, afastamento doutrinário
e religioso. Podemos dizer que no sentido de fé significa o desvio ou afastamento
de um propósito definido, que é o de servir a Deus, podemos encarar o apóstata
com desertor da fé. A palavra traduzida por divórcio no grego é uma palavra
derivada de apostasia, daí então, da para nos termos uma idéia mais clara do que é
apostatar da fé, é divorciar-se de Deus.
Esse grande mal que assola o meio cristão tem se desenvolvido rapidamente. A
igreja de Laodicéia (Ap 3:14-22) que é uma representação da igreja atual traz
consigo a evidente marca da apostasia espiritual, “Conheço as tuas obras, que nem
és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente!”.
B. A Generalização de Desvios Doutrinários. “Por obedecerem a espíritos
enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que
tem cauterizada a própria consciência”
Paulo dá o motivo da apostasia: os desvios doutrinários. Hoje o estado de
frieza e indiferentismo toma conta das igrejas que se tornam a cada dia mais
politizadas e menos espirituais, mais humanistas e menos cristocêntricas. O uso de
filosofias e práticas espíritas, a criação de doutrinas que giram em torno da
prosperidade plena, ensinos sobre a obrigatoriedade de Deus abençoar seus servos
etc, formam o novo quadro teológico de muitas igrejas, a verdade é que virou um
bom negócio. Todo esse desvio doutrinário vem criando uma geração de cristãos
puramente místicos, avessos à sã doutrina. Nunca a igreja de Jesus Cristo esteve
numa situação como a atual, onde se perdeu o padrão bíblico para o cristão, isto se
torna uma evidencia marcante, pois o apostolo diz que nos últimos tempos a igreja
estaria como está hoje.
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C. Degradação Moral Generalizada. Sabe, porém, isto: nos últimos dias,
sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos,
arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes,
desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do
bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de
Deus (IITm 3:1-4)
Este texto da epístola a Timóteo tem uma relação muito estreita com Rm 1:28-
32 onde o contexto fala da condição pecaminosa em que se encontra a humanidade,
também no texto acima a questão é: como estará a condição moral no fim dos
tempos? Paulo responde a pergunta de maneira completa e dura, referindo-se a este
tempo como “tempos difíceis”. Não é preciso entrar em detalhes para termos a
certeza de estarmos vivendo um tempo final, como o descrito por Paulo. O
discurso do apóstolo quando analisado no texto original parece trazer uma
seqüência de atitudes que vão causando uma progressão negativa na moral da
humanidade, ou seja, uma atitude que desencadeia outras.
Paulo começa com a base de toda a degradação moral, o amor a si mesmo e o
amor ao dinheiro. Em muitas Bíblias nos encontramos a tradução; egoístas e
avarentos ou egoístas e gananciosos, porém Paulo é mais claro que as traduções
parecem apresentar, pois o que ele quer dizer é que os homens serão amantes do
ego e amantes de dinheiro como encontrado apenas na versão em inglês. O que
segue são conseqüências do egoísmo e da ganância.
Traduzindo o texto de uma maneira mais clara, ficaria assim:
“Saiba disto, nos últimos tempos virão tempos difíceis, pois os homens amarão
a si próprio e amarão ao dinheiro, terão um coração vaidoso, arrogantes, falarão
mentiras contra Deus, desobedientes a pais e mães, ingratos, não cumpridores da
religião, terão um coração duro e frio, serão difíceis de entrar em acordo pois não
honrarão sua palavra, falarão mentiras contra os outros, sem domínio de seus
sentimentos e ações, selvagens, sem amor para com os bons, traidores, agirão sem
pensar, orgulhosos, amarão os prazeres da carne mais do que a Deus”.
D. Desenvolvimento da Ciência e Transportes. Temos também, em Daniel um
indicador muito importante sobre o tempo do fim. “Tu, porém, Daniel, encerra as
palavras, e sela o livro, até o tempo do fim; muitos correrão duma para outra parte,
e a ciência se multiplicará”.(Dn 12:4)
O tempo do fim também seria marcado por um avanço tecnológico sem
precedentes, este seria também estendido aos meios de transporte. Deus revela a
Daniel que as pessoas esquadrinhariam a terra, ou seja, iriam de uma parte à
outra, também lhe é dito sobre uma multiplicação da ciência, tudo isto temos
visto desde o inicio do século XX, pois antes disso não havia muita diferença do
meio de transporte no século primeiro ao utilizado no século XIV; as pessoas
andavam em carros de boi, as engrenagens dos maquinários eram extremamente
rudimentares, não havia equipamentos eletrônicos e etc.
Em nossos dias a ciência já procura criar clones de humanos, e há aqueles
que dizem que já conseguiram fazê-los nascer. O fato é que tudo vem indicando
que o tempo do fim mencionado por Deus a Daniel tem todas as características de
nosso tempo. Quanto à profecia em Apocalipse sobre o uso de um numero (666)
para uma identificação mundial já é totalmente possível, temos meios que
possibilitam hoje sua existência, como por exemplo, o sistema de código de barras,
aliás, este já está sendo descartado, pois já está sendo produzido o biochip, que
pode conter quantas informações forem necessárias sobre seus usuários.
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E. Restauração de Israel. No texto de Ezequiel 37:1-14, vemos a profecia
referente a restauração nacional, moral e espiritual de Israel , também em Lucas
21:20-24 Jesus profetiza sobre a dispersão de Israel, o qual seria dominado pelos
gentios.
Quando, porém, virdes Jerusalém sitiada de exércitos, sabei que está próxima
a sua devastação. Então, os que estiverem na Judéia, fujam para os montes; os
que se encontrarem dentro da cidade, retirem-se; e os que estiverem nos campos,
não entrem nela. Porque estes dias são de vingança, para se cumprir tudo o que
está escrito. Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias!
Porque haverá grande aflição na terra e ira contra este povo. Cairão a fio de
espada e serão levados cativos para todas as nações; e, até que os tempos dos
gentios se completem, Jerusalém será pisada por eles.
Este tempo em que os gentios dominariam sobre Israel é representado pela
estátua vista em sonho por Nabucodonozor no capítulo 2 de Daniel, esta sucessão
de governos gentios tinham um tempo para dominar sobre todo o Israel e é durante
este tempo que os israelitas deveriam ser exilados de sua terra, entretanto Deus
prometia que seriam restabelecidos à sua pátria em tempo oportuno.
Porque não quero, irmãos, que ignoreis este mistério (para que não sejais
presumidos em vós mesmos): que veio endurecimento em parte a Israel, até que
haja entrado a plenitude dos gentios. E, assim, todo o Israel será salvo, como está
escrito: Virá de Sião o Libertador e ele apartará de Jacó as impiedades. Esta é a
minha aliança com eles, quando eu tirar os seus pecados. Rm 11:25-27
No ano 70 d.C. o general Tito filho do imperador Vespaziano invadiu
Jerusalém, destruindo o templo e exilando toda a nação. No entanto a profecia
começa a tomar sua forma de cumprimento no ano de 1897 quando Teodoro Herzl
inicia o movimento sionista, ou seja, um movimento para a criação de um estado
autônomo em Israel, fazendo com que houvesse um grande retorno de Judeus a
sua terra natal. Em 14 de Maio de 1948, Sir Alain Cunningham, assina o fim da
intervenção britânica na terra santa. Neste mesmo dia o pai do Israel restaurado,
David Ben Gurion, lê a declaração de independência do mais novo país do mundo.
ÉRETZ-ISRAEL (Terra de Israel).
Hoje Israel está restaurado como estado e terra independente, restando
apenas sua restauração espiritual que ocorrerá no final da grande tribulação.
6 – TEORIAS SOBRE O
ARREBATAMENTO
Este é o evento mais esperado pela igreja, no entanto esta não é unânime em
sua crença, ou seja, não vê da mesma maneira como e quando será o
arrebatamento. Neste capitulo serão apresentadas três das quatro teorias a seu
respeito, é importante mencionar que esta discussão só existe em meio aos prémilenistas
já que os amilenistas e pós-milenistas não crêem que existirá
arrebatamento.
6.1. Teoria do Arrebatamento Parcial
Das quatro teorias a serem apresentadas apenas a do arrebatamento parcial
não discute quando será o evento referente a grande tribulação, ou seja, se antes,
Escatologia – 30
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no meio ou depois, o que ela traz a discussão é que participará dele. Para o
parcialista não são todos os crentes, mesmo sendo autênticos, que serão
arrebatados, mas somente um grupo formado por aqueles que estão ansiosamente
aguardando seu retorno e são dignos de participar.
Quanto ao tempo os parcialistas são pré-tribulacionistas, crêem que o
arrebatamento será antes da grande tribulação, fazendo com que os salvos que
não esperavam com ansiedade a volta do senhor passem por ela a fim de
aguardarem o retorno visível de Cristo.
Toda a estrutura desta teoria está baseada nas seguintes referências
bíblicas: Mateus 25:1-13; Lucas 21:36 “Vigiai, pois, em todo o tempo, orando, para
que sejais havidos por dignos de evitar todas essas coisas que hão de acontecer e
de estar em pé diante do Filho do Homem”; Tito 2:13 “aguardando a bemaventurada
esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor
Jesus Cristo”; Hebreus 9:28 “assim também Cristo, oferecendo-se uma vez, para
tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o
esperam para a salvação.” e I João 2:28 “E agora, filhinhos, permanecei nele, para
que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança e não sejamos confundidos por
ele na sua vinda.” Em todas estas referências há uma exortação a vigilância, no
entanto não há o menor indicio de que só serão salvos os “havidos por dignos” até
porque este grupo não existe; ninguém é digno.
Para uma sustentação viável desta teoria o parcialista precisa negar pontos
fundamentais da doutrina cristã como:
• A eficácia do sacrifício de Cristo (Hb 10:11-12)
• A adoção divina através de Jesus (Rm 8:15-16)
• A unidade da verdadeira igreja de Cristo sob a qual ele é a cabeça (Ef 4: 4-6)
• A eficácia da graça de Deus (Rm 3:24)
• O fato de que nenhuma parte da verdadeira igreja de Jesus irá passar pela
grande tribulação (Ap 3:10)
O apóstolo Paulo nos dá a resolução final em I Coríntios 15:51-52:
Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos
seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a
última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis,
e nós seremos transformados.
Paulo nos informa que “todos” os que estiverem em Cristo serão
transformados, isto se baseia na Justiça divina e não na humana, seguidos por
aqueles que morreram em Cristo que também foram justificados e isto sim nos
torna dignos.
Por tudo isso fica totalmente descartada a possibilidade de um arrebatamento
parcial.
6.2. Teoria do Arrebatamento Meso ou Midi
Tribulacionismo
Diferente do parcialista este grupo entende que todos os que estiverem em
Cristo serão arrebatados, sua discussão é referente ao tempo do arrebatamento,
isto é, quando ele acontecerá. Para o meso-tribulacionista ocorrerá em meio a
grande tribulação. Veja no gráfico o pensamento meso- tribulacionista:
Escatologia – 31
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O Meso-tribulacionismo tem suas bases firmadas em interpretações figuradas
ou alegorizadas de passagens que deveriam ser interpretadas literalmente. Vejamos
quais são seus argumentos.
A. A Grande Tribulação é Dividida em Duas Fases Distintas. Quanto à
duração do período tribulacional surge o primeiro problema, que é referente a uma
suposta divisão em duas fases distintas, no entanto ao olharmos para Daniel 9:27
não encontramos nenhuma divisão na septuagésima semana, é certo que Jesus
disse em Mateus 24:21 que na segunda metade do período as coisas iriam se
agravar, porém isto não permite dizer que existirão duas partes independentes a
ponto de caracterizarmos apenas a segunda metade como sendo a verdadeira
grande tribulação. Segundo Daniel o pacto com Israel dará inicio a semana
profética, sendo que no meio desta o anticristo rompera’ este pacto (Dn 9:27)
trazendo dura perseguição aos israelenses (Ap 12:6). Este agravamento da situação
é devido o fim da falsa paz instituída pelo anticristo (Ap 6:2) que agora revela sua
verdadeira face e não devido o inicio de um outro período distinto.
B. O Capitulo 11 de Apocalipse Revela a Ocasião do Arrebatamento. Para
sustentar um arrebatamento em meio a grande tribulação utilizam o capitulo 11 de
apocalipse com sendo um fato incontestável da ocasião em que este ocorrerá,
porém isto também só é possível se desprezamos uma interpretação cuidadosa de
todo o livro quanto à sua cronologia. Os defensores da teoria afirmam que do
capitulo 4 ao 11 temos a primeira parte de grande tribulação seguindo o raciocínio,
afirma que do capitulo 12 ao 19 temos a segunda parte. Tendo capitulo 11 bem no
meio da semana profética usam o seguinte versículo para afirmarem o momento do
arrebatamento: “E ouviram uma grande voz do céu, que lhes dizia: Subi cá. E
subiram ao céu em uma nuvem; e os seus inimigos os viram.” (Ap 11:12). Se usarmos
de analogias com certeza chegaremos á mesma conclusão, no entanto se
interpretarmos o texto de maneira coerente e de acordo com uma exegese perfeita
veremos que tudo não passa de um mal entendido. Vejamos alguns pontos que
não se encaixam quando interpretamos corretamente:
• Deduzem por analogia que as duas testemunhas apresentadas no capitulo
11 são figuras, sendo assim representam os dois grupos a serem
arrebatados, os vivos e os mortos. O texto, mesmo lido sem muita atenção
deixa claro que as duas testemunhas não são tipos ou símbolos, mas
pessoas literais.
• Essas duas testemunhas não poderiam representar a igreja já que são
enviados para o povo de Israel, isto é claramente visto através dos vs. 3 e 4
onde o texto fala de oliveira e candeeiro. Também o ministério das
testemunhas demonstra similaridade com o ministério profético do velho
testamento.
• Alegam que a nuvem em que as testemunhas subiram ao céu (v.12)
representa o arrebatamento. Como vimos as duas testemunhas são
representantes de Israel e não da igreja, sendo assim nuvem para o Judeu
simboliza a presença de Deus, até por que não existe promessa de
arrebatamento para a nação de Israel.
C. A Trombeta de ICo 15:52 e I Ts 4:16 é a Mesma de Ap 11:15. Outro ponto
complicado para ser sustentado pelos meso-tribulacionistas é o fato de afirmarem
que as trombetas de I Co 15:52, onde diz: “num momento, num abrir e fechar de
olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão
incorruptíveis, e nós seremos transformados”; I Ts 4:16 ”Porque haverá o grito de
comando, e a voz do arcanjo, e o som da trombeta de Deus, e então o próprio Senhor
descerá do céu” e Ap 11:15 “E tocou o sétimo anjo a trombeta, e houve no céu
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grandes vozes,” são a mesma coisa. Em I Coríntios Paulo fala de uma trombeta de
vitória, um chamado à presença de Deus, algo ansiosamente esperado pela igreja,
o mesmo vemos em I Ts 4:16; enquanto que, em apocalipse a trombeta é de
apresentação à chegada do Rei dos Reis que vem para julgar.
E iraram-se as nações, e veio a tua ira, e o tempo dos mortos, para que sejam
julgados, e o tempo de dares o galardão aos profetas, teus servos, e aos santos, e
aos que temem o teu nome, a pequenos e a grandes, e o tempo de destruíres os que
destroem a terra.
Um outro detalhe que não pode passar desapercebido é que em I Ts 4:16 a
trombeta é de Deus ao passo que em apocalipse a trombeta é de um anjo.
Existe ainda um ponto a ser mencionado que é o fato de acreditarem que “a
grande voz do céu” de Ap 11:12 é uma referencia ao chamado de Deus, como em I
Ts 4:16 ”Porque haverá o grito de comando”. Isto, devido às questões de diferença
entre Israel e igreja, se torna impossível.
Estes são os pontos principais da teoria, no entanto não são os únicos, os
meso-tribulacionistas ainda têm que negar pontos doutrinários muito sérios para
alicerçar sua teoria. Como segue:
• A eminência do arrebatamento. Já que uma vez conhecido o inicio
da primeira metade do período tribulacional, saberemos com certeza o
momento do arrebatamento em meio à mesma.
• Para tornar coerente a teoria é preciso ferir a cronologia do livro de
apocalipse e tirar capítulos inteiros do contexto.
• É preciso sobrepor dois planos distintos. O da igreja, já que esta estaria na
terra durante o inicio da grande tribulação, e o plano de Israel, que
também estaria em plena execução durante o mesmo período. É bom
lembrar que Deus nunca administrou dois planos de uma só vez.
6.3. Teoria do Arrebatamento Pós-Tribulacionista
A terceira teoria a ser discutida é a do arrebatamento após a grande
tribulação, ensinam que o arrebatamento será seguido imediatamente pela volta
gloriosa de Jesus; Jesus vem, arrebata a igreja e rapidamente vai ao céu retornado
imediatamente à terra com a igreja arrebatada para instituir o milênio. Esta é a
que mais cresce em nossos dias e que se torna mais resistente, no entanto ao
estudá-la veremos que biblicamente, não há como sustentá-la. Veja no gráfico o
pensamento pós-tribulacionista. O pós-tribulacionismo desenvolveu argumentos
para defenderem sua teoria, que são no mínimo improváveis, já que se baseiam
em uma interpretação alegórica e espiritualizada das Escrituras não observando os
contextos das passagens bíblicas, ainda que insistam em dizer que são literalistas,
o negam na prática. Vejamos os principais argumentos pós-tribulacionistas:
A. Daniel 9:24-27 Já Teve Seu Cumprimento Histórico Concluído. O primeiro
grande argumento a respeito do assunto é referente ao cumprimento da profecia de
Daniel, dizem todo o plano ali determinado já teve seu cumprimento concluído no
ano 70 a.C. com a destruição de Jerusalém. No entanto vamos observar algumas
questões que provam que a profecia ainda aguarda seu cumprimento, baseados
numa interpretação literal e cuidadosa do texto.
• Todo o plano das setenta semanas (v.24) inclui seis bênçãos: 1) extinguir a
transgressão, 2) dar fim aos pecados, 3) expiar a iniqüidade, 4) trazer a
justiça eterna, 5) selar a visão e a profecia, 6) ungir o Santo dos santos.
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Entendemos que estas bênçãos em sua totalidade ainda não foram
cumpridas, até porque as três últimas só serão estabelecidas com a
instituição do milênio.
• O texto fala de uma aliança por parte “do príncipe que há de vir” que seria
estabelecida com o Israel apóstata, a qual seria desfeita na metade da
semana (v.27). Nunca na história houve qualquer tipo de aliança que
restabelecesse o culto judeu, até por que isto só será possível quando
Deus iniciar seu plano de restauração espiritual com Israel, e isto será no
período tribulacional.
• Erram ao dizer que Jesus morreu na ultima semana restante, dizendo que
sua morte vicária é esta “aliança com muitos” a qual seria quebrada.
Julgam que o “Ele” do v.27 é Jesus, porém se olharmos no verso anterior,
veremos que se trata do “Príncipe que há de vir”, o qual é o anticristo.
Dessa maneira a septuagésima semana não pode ter ocorrido pois só
quando o anticristo estivesse em ação poderíamos dizer que este período
seria a ultima semana de Daniel.
B. A Igreja Tem Promessa de Tribulação. Um dos principais argumentos póstribulacionista
com certeza é o de que a igreja deverá cumprir as profecias com
respeito a passar pela tribulação para isso usam Lucas 23:27-21.
“E seguia-o grande multidão de povo e de mulheres, as quais batiam nos
peitos e o lamentavam. Porém Jesus, voltando-se para elas, disse: Filhas de
Jerusalém, não choreis por mim; chorai, antes, por vós mesmas e por vossos filhos.
Porque eis que hão de vir dias em que dirão: Bem-aventuradas as estéreis, e os
ventres que não geraram, e os peitos que não amamentaram! Então, começarão a
dizer aos montes: Caí sobre nós! E aos outeiros: Cobri- nos! Porque, se ao madeiro
verde fazem isso, que se fará ao seco?”
Também Mateus 24:9-11; Marcos 13:9-13, além de passagens como João
15:18-19; 16:1-2,33.
Para provar biblicamente que a igreja deve passar pela tribulação é necessário:
• Esquecer-se que existem vários tipos de tribulação, e que esta pode ser
referente às lutas e dificuldades em se viver uma vida cristã frente a um
mundo dominado pelo pecado. João 15:18-19; 16:1-2,33.
• Esquecer-se que existem passagens que falam a respeito do sofrimento que
o povo Judeu passará durante a grande tribulação. Lucas 23:27-21;
Mateus 24:9-11; Marcos 13:9-13.
• Esquecer-se que um dos propósitos da grande tribulação é a purificação do
povo de Israel, e sendo já a igreja purificada pelo sangue de Jesus não
existe a menor razão para ela ser purificada novamente, se assim fosse o
sacrifício de Cristo seria insuficiente.
• Interpretar por analogia e não de maneira coerente o capitulo 4 de
apocalipse onde vemos a referência aos 24 anciãos, que para alguns
simboliza 12 representantes do velho testamento com 12 representantes da
nova aliança, o fato é que não cabe outra interpretação que não seja de
que os 24 anciãos são representantes da igreja arrebatada, os motivo são
claros:
o O capitulo 4 refere-se a uma visão do céu enquanto na terra se inicia
a grande tribulação, portanto não pode haver representantes de Israel
no céu já que Deus está os purificando na terra.
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o Estão usando uma coroa (que no grego de uma forma geral traz a
idéia de recompensa (2Tm 4:8) ninguém a essa altura do plano
escatológico de Deus, a não ser a igreja arrebatada poderia usar uma
coroa de vitória (Ap 2:10).
o As promessas para igreja vitoriosa, expressas nas sete cartas as
igrejas da Ásia menor encaixam-se com a aparência, posição local e de
honra em que os 24 anciãos estão.
C. A Ressurreição em Ap 20:4 Revela o Momento do Arrebatamento. Um
argumento que os pós-tribulacionistas tem por forte é o da ressurreição, porém não
é necessário muito para provar o contrário. O texto usado para sua afirmação é Ap
20:4-5 onde lemos:
“E vi tronos; e assentaram-se sobre eles aqueles a quem foi dado o poder de
julgar. E vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus e
pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta nem a sua imagem, e não
receberam o sinal na testa nem na mão; e viveram e reinaram com Cristo durante
mil anos. Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram.
Esta é a primeira ressurreição.”
Somente desconhecendo ou ignorando a doutrina da ressurreição para se
afirmar essa interpretação pois o fato do versículo conter “primeira ressurreição”
não confirma a suposição de esta ser literalmente “primeira”, querendo indicar que
anteriormente não houve outra. Os motivos são claros:
• A primeira ressurreição não se trata de primeira em numero, mas em
gênero, já que dois tipos de ressurreições são mencionados por Jesus,
uma para a vida e outra para condenação (Jo 5:29), as quais não podem ser
colocadas em mesmo espaço de tempo, porque a ressurreição da vida é
seguida pelas bodas do cordeiro e o tribunal de Cristo, como também a
ressurreição para condenação é imediatamente seguida pelo juízo.
• O galardão dos arrebatados (Ap 4;19:1-10) é antes da vinda em
glória de Cristo (Ap11:15-19;19:11-21), e isto pode ser confirmado
pela cronologia do livro de apocalipse, provando assim que não existe
relação entre a ressurreição no momento do arrebatamento da igreja e a
ressurreição de Ap 20:4-6.
• Outro fato pode ser visto em Ap 20:4 é que o texto fala da
ressurreição “daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus
e pela palavra de Deus”, ou seja, o texto narra a ressurreição dos mártires
da grande tribulação que é o ultimo grupo dos que “são de Cristo” (ICo
15:22-23). Fechado o grupo, Ap 20:5-6 encerra o assunto sobre primeira
ressurreição.
Por tudo o que foi apresentado podemos concluir que o pós-tribulacionismo,
ainda que tenha argumentos favoráveis, estes são insuficientes para que sua
teoria seja aceita, e no que se refere aos seus argumentos acima citados e
discutidos nenhum dele é capaz de servir como base para um arrebatamento após
a grande tribulação.
7 – TEORIA DO ARREBATAMENTO
PRÉ-TRIBULACIONISTA
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Não foi por acaso que esta teoria foi separada das demais. Por ser a mais
aceita e mais coerente, é a que de um modo geral, é ensinada nas igrejas
pentecostais, neopentecostais como também em muitas igreja históricas. Por isso
merece uma atenção melhor para que aprendamos de uma maneira mais
profunda e esclarecedora, já que muitos conhecem a escatologia superficialmente
estando inabilitados a defender o ponto de vista pré-tribulacionista.
Para o pré-tribulacionista o arrebatamento será antes da grande tribulação,
trazendo aos crentes em Jesus o livramento dos sofrimentos vindouros (Ap 3:10).
Veja no quadro gráfico abaixo o pensamento pré-tribulacionista:
7.1. O Pré-Tribulacionismo e a História
Os pós-tribulacionistas usam o argumento de que o pré-tribulacionismo é
uma doutrina nova e estranha para a igreja primitiva como também para a igreja
no decorrer de toda a história. O fato é que isso não pode ser dito sem uma
averiguação em documentos da igreja primitiva como também no contexto bíblico.
O pré-tribulacionista repousa em argumentos sadios e coerentes com a
interpretação correta das Escrituras, e também está baseado na chamada
“doutrina da iminência”, ou seja, a palavra de Deus sempre nos exorta a estarmos
vigilantes pelo fato de não sabermos a que horas, dia, ano ou século Jesus virá
“Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor”.(Mt
24:42), e isto demonstra que sua vinda é algo inesperado. Veja o que diz
Clemente, bispo de Roma (séc I) aos Coríntios:
Que nunca se aplique a nós a passagem da Escritura que diz: “Infelizes os que
hesitam no coração e desconfiam na alma; aqueles que dizem: ‘Tais promessas já
escutamos na época de nossos pais e eis que envelhecemos e nada disso
aconteceu”.
“Ó insensatos, comparai-vos à uma árvore; reparai na videira que, primeiro
perde as folhas e então brota, a seguir vêm a folha, então a flor e, depois disso, a
uva verde é seguida da uva madura”. Considerai como, em pouco tempo, o fruto da
árvore se torna maduro. É bem assim que a vontade de Deus se cumpre, em ritmo
veloz e inesperado, como a própria Escritura nos atesta: “Virá logo e não tardará.
Subitamente o Senhor entrará no seu santuário, o Santo a quem esperais”.
Malaquias 3:1
Podemos perceber que desde a igreja primitiva, se esperava uma vinda a
qualquer momento, o que é contrário ao pós-tribulacionismo já que, segundo eles,
o arrebatamento vem após a grande tribulação; sendo assim, saberemos
exatamente quando este ocorrerá. Desta forma todo o processo de espera dos
crentes é alterado, pois terão como identificar claramente não só a proximidade,
mas também o exato momento, descartando as advertências referentes a
vigilância contidas em todo o novo testamento. Isto demonstra que a igreja
desde os primórdios era pré-tribulacionista, ou seja, esperava que o
arrebatamento fosse antes da grande tribulação, pois acreditava que não passaria
por ela.
Quanto a dizerem que é uma doutrina nova, é uma grande irresponsabilidade,
pois o fato de não ser bem explicada por todo decorrer da história da igreja não
quer dizer que não esteja correta, também é exigirmos demais que desde aqueles
tempos já tivesse este nome, que, aliás, tornou-se necessário para identificar a
“teoria” diante das outras. Se seguirmos este raciocínio, a doutrina da
salvação só tem quinhentos anos, pois esta foi discutida e definitivamente
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estabelecida no período da reforma, a verdade é que algo não pode ser considerado
novo por apenas não ter sido detalhado no passado.
7.2. A Doutrina da Iminência
O pré-tribulacionismo se destaca das outras teorias por ser a única baseada
numa interpretação literal, que, como já vimos, é o método usado pela própria
escritura para se explicar. Outro ponto importante é o fato de respeitar a doutrina
da iminência como também reafirma-la.
Esta doutrina trata da condição em que está a igreja quanto à volta de Jesus
para arrebata-la, ou seja, Jesus disse que seria a qualquer momento. A promessa
de buscar sua igreja foi feita por ele mesmo: “Na casa de meu Pai há muitas
moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E,
quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para
que, onde eu estou, estejais vós também”. ( Jo 14:2-3). Porém, quanto ao tempo em
que isto ocorrerá, Jesus disse que: “daquele Dia e hora ninguém sabe” (Mt 24:36a),
logo, sua vinda é repentina.
Mesmo não havendo sinais específicos que indiquem o arrebatamento, o
prenuncio da grande tribulação já nos serve como “sombra de sinal”, contudo não
devemos atentar cegamente para estes aparentes sinais e nos esquecermos
que sua vinda é iminente. A igreja é constantemente exortada a vigiar
“aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande
Deus e nosso Senhor Jesus Cristo” (Tt 2:13); “Mas considerai isto: se o pai de
família soubesse a que vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria
minar a sua casa”. (Mt 24:43); “Mas vós, irmãos, já não estais em trevas, para que
aquele dia vos surpreenda como um ladrão” (I Ts 5:4).
O pós-tribulacionismo como também o meso-tribulacionismo, negam este fato,
que é o da vinda a qualquer momento. Seus argumentos, em suma, são:
• Jesus disse que para que ele pudesse retornar o evangelho deveria ser
pregado em todo o mundo (Mt 24:14), sendo assim sua vinda dependia de
um longo espaço de tempo sinalizando seu retorno e descartando a
doutrina da iminência.
o O equivoco está na interpretação, pois “este evangelho do reino”,
acima citado não são as boas novas, ou seja, o evangelho que Jesus
pregava e que hoje a igreja prega. O contexto é claro, trata-se das
boas novas pregada aos Judeus durante a grande tribulação,
possivelmente pelo remanescente (Ap 7), pelas duas testemunhas (Ap
11:3-13).
• Devido o desdobramento de acontecimentos da história, sofrimento dos
apóstolos e declinio da vida espiritual dos cristãos no fim dos tempos,
indicam que antes de tudo isso acontecer, Jesus não poderia retornar,
sendo assim não existe um retorno iminente, pois, supostos sinais que o
antecedem devem ser cumpridos cabalmente.
o Isto pode ser verdadeiro se não levarmos em consideração que o curso
da história pode ser interrompido a qualquer momento, ao se
comparar com um ladrão disse: “se o pai de família soubesse a que
vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria”, um ladrão não se limita
a roubar apenas de noite, mas a qualquer momento. Existem
sinais que de maneira secundária indicam o arrebatamento, e é
importante perceber que estes, primariamente indicam a
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preparação para grande tribulação, sendo assim Jesus não está preso
a cumprimento de supostos sinais ou ocorrências na historia para
arrebatar sua igreja.
Por todas as referências bíblicas, (e isto fala mais alto que qualquer
argumentação), e pelos pontos acima discutidos, fica, sem qualquer sombra de
dúvida, confirmada a doutrina da iminência.
7.3. Porque o Arrebatamento Deve ser Pré-
Tribulacionista?
Alguns pontos devem, necessariamente ser observados para que tenhamos
uma compreensão clara e sustentável referente ao pré-tribulacionismo, e para isto
estudaremos alguns pontos que afirmam e sustentam um arrebatamento antes da
grande tribulação.
A. A Igreja Não Necessita de Mais Uma Purificação, Pois Esta já Foi
Consumada na Cruz. “Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também
eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para
experimentar os que habitam sobre a terra” (Ap 3:10)
Numa promessa à igreja de Filadélfia, Jesus diz que não permitiria que a igreja
fiel, ou salva passasse pela “provação” que haveria de vir sobre o mundo. No
original grego o termo usado neste versículo é peirasmos, de um modo geral
significa: experimento, tentativa, teste, prova; tentação da fidelidade do homem,
integridade, virtude, constância; de acordo com o contexto, significa: adversidade,
aflição, aborrecimento: enviado por Deus e servindo para testar ou provar o
caráter, a fé, ou a santidade de alguém. (Strong).
O caráter da grande tribulação é de purificação como também de juízo, quanto
a isso aqueles que realmente são servos de Cristo e verdadeiramente “lavaram
suas vestiduras no sangue do cordeiro” estão isentos. Perceba bem, purificação
aqui, não se refere a santificação. Como já visto anteriormente a igreja foi
justificada (Rm 3:19-26); regenerada (IICo 5:17); adotada (Rm 8:15-16) e aguarda
apenas sua completa redenção (Rm 8:23; Ef 4:30).
B. A Igreja Precisa Ser Retirada da Terra Para Que se Inicie a Grande
Tribulação. “Agora, vós sabeis o que o detém, para que a seu próprio tempo seja
manifestado. Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que, agora,
resiste até que do meio seja tirado; e, então, será revelado o iníquo, a
quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca e aniquilará pelo
esplendor da sua vinda;”
Nesta referência o iníquo ou profano que é o anticristo, não poderá iniciar seu
governo sem que aquele que o impede de agir seja retirado da terra, e sobre a
identidade deste, existe muita especulação, no entanto podemos concluir que não
se trata de outro a não ser o Espírito Santo, e sendo a igreja templo do Espírito
Santo (ICo 3:16), quando esta partir ele irá também. Podemos declarar então
que, para que o anticristo possa iniciar sua atuação é necessário que o
Espírito Santo juntamente com sua habitação sejam retirados da terra, o que em
termos de tempo só pode ser antes de iniciar a grande tribulação, deixando então
o “caminho livre” para a besta. É preciso não confundir; a igreja não é a detentora
pelo fato de ser a habitação do Espírito Santo, ela apenas age por meio dele, no
entanto o agente do poder espiritual que impede a manifestação da besta é o
Espírito Santo, a igreja será beneficiada com o arrebatamento porque o Espírito
não pode estar desvinculado dela.
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Este fato torna impossível que a igreja passe pela grande tribulação deixando
claro que o arrebatamento é pré-tribulacionista.
C. É Necessário que Hajam Salvos no Fim da Grande Tribulação Para
Ingressarem no Milênio. Com o retorno vivível de Cristo a terra, o milênio
será instituído; se o arrebatamento acontecesse neste momento, como
pensam os pós- tribulacionistas, não restaria nenhum santo para reinar com
Cristo no milênio, sendo que a bíblia nos ensina que neste tempo as pessoas terão
uma vida humana, ou seja, vão gerar filhos, se alimentar, trabalhar, terão
prosperidade, paz etc… Como está registrado em Is 65:20-25; se assim fosse, isto
não seria possível.
Outra questão muito importante é o fato de que Jesus disse em Mateus 24:14
que o “evangelho do reino” seria pregado, evangelho este que não pode ser
anunciado pela igreja, pois esta anuncia o evangelho da graça (At 20:24), chamado
por Paulo de evangelho de Deus (Rm 1:1), evangelho de Cristo (ICo 9:12). Com
exceção de Mateus, nenhum dos escritores do Novo Testamento o identificou como
evangelho do reino, o que é explicado pelo fato de Mateus ter sido escrito para os
Judeus que devido o sofrimento causado pelo império romano, aguardam a vinda
do messias para instituir seu reino.
Este evangelho do reino anunciará, durante a grande tribulação, a
vinda do messias para inaugurar este reino literal, e através dele muitos se
converterão (Ap 7:13-17).
D. Os Tipos no Velho Testamento Indicam um Arrebatamento Prétribulacional.
Quanto aos tipos é importante ressaltar que eles serão
introduzidos neste trabalho apenas por serem largamente usados como
símbolos do arrebatamento, no entanto eles são apenas uma suposta alusão
ao arrebatamento, teologicamente não pode ser provada devida não haver
menção da igreja, especificamente, no velho testamento, contudo os tipos são:
• Enoque, bisavô de Noé, é o primeiro suposto tipo da igreja
arrebatada, teve um relacionamento de obediência com Deus, e por
isso foi arrebatado para não morrer no dilúvio (Gn 5:24; Hb 11:5).
• Bisneto de Enoque, Noé foi salvo pela arca, do terrível dilúvio que se
aproximava (Gn 7:1,7). O tipo tem grande semelhança com o fato de que
Deus os livrava do dilúvio para posteriormente os colocar na terra
novamente; da mesma forma com o arrebatamento, a igreja será poupada
da grande tribulação, retornando novamente a terra na manifestação de
Cristo, para juntos entrarem na terra milenial. É interessante ressaltar que
a expectativa do arrebatamento, como também seu repentino
acontecimento, foi comparada por Jesus aos dias de Noé (Mt 24:37-39).
• O juízo sobre Sodoma veio após a saída de Ló, desta maneira ele representa
a igreja que após ser retirada virá o Juízo na terra com a grande tribulação
(Lc17:28-30).
Os tipos por mais parecidos com a realidade que sejam não servem para se
estabelecer doutrina, porém revelam o cuidado de Deus com aqueles que lhe
servem fielmente, por isso podemos crer que por seu amor incondicional a igreja ele
não a deixará perecer na grande tribulação.
Por todos os motivos citados fica claro que o arrebatamento não pode
ser localizado em outro tempo, senão antes da grande tribulação, sabemos,
no entanto que os argumentos pós-tribulacionistas tem certa lógica e base bíblica,
mas isso não é o suficiente para que consigam provar suas teorias, o que não
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acontece com o pré-tribulacionismo que mesmo não resolvendo todos os
problemas que existem devido passagens de difícil interpretação, consegue
harmonizar os textos de maneira correta e dentro do contexto, trazendo-nos o
ensino sobre o arrebatamento mais completo e coerente do todas as teorias
existentes, não é à toa que os maiores mestres, doutores e escolas teológicas no
mundo inteiro, são pré-tribulacionistas; porém nunca devemos crer em algo
apenas porque uma maioria crê, mas o testemunho das Escrituras deve sempre
prevalecer.
8 – SOBRE O ARREBATAMENTO
O arrebatamento possui alguns pormenores que não podem ser deixados
para trás. Afim de que tenhamos a melhor visão possível referente ao
evento, estudaremos alguns detalhes importantes como: o propósito do
arrebatamento; quem será arrebatado e o momento do arrebatamento.
8.1. Propósitos do Arrebatamento
A. Glorificar a Igreja. No capítulo anterior pudemos observar que a igreja deve
ser arrebatada antes da grande tribulação, e este é o propósito do arrebatamento. A
bíblia apresenta a igreja como sendo a noiva de Cristo:
“Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a
si mesmo se entregou por ela, Para a santificar, purificando-a com a lavagem da
água, pela palavra, Para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem
ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível.” (Ef 5:25-27)
No casamento judeu, após os pais do noivo terem pago o dote pela
noiva (Gn 24:53; 34:12), era marcado o dia do casamento e esta não sabia
o momento da chegada deste, que era anunciado por um grito; ao encontrar a
noiva, o noivo e os parentes da noiva a elogiavam, seguindo-se o banquete de
comemoração, e este deveria ser na casa do noivo. Neste mesmo esquema de ritual,
Jesus fará com sua noiva, a igreja; ele a buscará para estar com ele; no céu será
galardoada através do tribunal de Cristo (Rm 14:10; II Co 5:10), seguido pelo
banquete das bodas do cordeiro (Ap 19:7, 9).
Para que todo o propósito espiritual que existe entre Cristo e Sua igreja
possam se cumprir, é necessário que haja um arrebatamento, ou seja, que o noivo
venha buscar sua noiva para consumar esta união, de outro modo outros ensinos
como os mencionados acima perderiam todo o valor. Portanto o arrebatamento é
necessário para que a igreja seja glorificada
B. Galardoar os Crentes em Jesus que já Morreram. Uma característica
importante do arrebatamento é o fato de nele estarem incluídos os crentes que já
morreram “porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis” (I Co
15:52). Com certeza estes poderiam ser ressuscitados com os demais na grande
tribulação (Ap 20:4), porém receberão um galardão diferenciado juntamente com
toda a igreja viva.
C. Livrar a Igreja do Sofrimento da Grande Tribulação. No capítulo anterior
observamos alguns pontos que demonstram que o arrebatamento será antes da
grande tribulação, isto porque não é aceito pelas Escrituras que a igreja passe por
este juízo. Existem três juízos a que o cristão é submetido:
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• Seu juízo mediante a morte de Jesus na cruz do calvário (João 12:31-32).
Ao crer na morte vicária de Cristo, a pessoa é submetida a juízo, e porque
agora tem a Cristo como seu advogado (I João 2:1) é absolvido de todos os
pecados, sendo perdoado todo seu passado de incredulidade.
• O juízo diário em que o Espírito Santo opera através do processo da
santificação. A este processo podemos chamá-lo de auto-julgamento, ou
seja, sendo uma habitação do Espírito Santo o crente em Jesus não
consegue ter uma vida dissoluta sem que se sinta culpado; sobre isto
Paulo diz que: “Porque, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não
seríamos julgados. Mas, quando somos julgados, somos repreendidos pelo
Senhor, para não sermos condenados com o mundo”. (I Co 11:31-32).
• Este não é propriamente um juízo, no sentido de ser salvo ou não,
representa um juízo onde os crentes serão submetidos para serem
galardoados, cada um conforme as suas obras. (II Co 5:10).
Se tivermos esta visão percebemos claramente que não resta outro juízo para a
igreja, vemos em Ap 3:10, justamente este aspecto, de que a igreja será poupada
de qualquer juízo que será estabelecido com a vinda da grande tribulação, como
vimos anteriormente a igreja aguarda seu noivo para que ela não sofra as aflições
vindouras.
8.2. Quem Será Arrebatado?
“Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão
vivificados em Cristo. Mas cada um por sua ordem: Cristo, as primícias;
depois, os que são de Cristo, na sua vinda” (I Co 15:22-23).
Através da afirmação de Paulo temos a certeza de que somente os “os que são
de Cristo” serão arrebatados, ou seja, sua igreja. Ao tratar do assunto I
Tessalonicenses 4:16-17 ele diz:
“Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de
arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo
ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados
juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim
estaremos sempre com o Senhor.”
Apenas dois grupos, na igreja, que podem ser detectados como sendo
participantes do arrebatamento estes são “os que morreram em cristo” e “os que
ficarmos vivos”.
Existem muitas especulações quanto a este fato, pois muitos pensam
que pelo fato de pertencerem a uma igreja isto faz dele um participante do
arrebatamento seja vivo ou morto, o fato é que nos coloca em posição de futuros
arrebatados, é a nossa condição “estar em Cristo”, ter uma vida de Cristão
autêntico, cultivando seu relacionamento com Jesus. Sobre isto Paulo nos diz:
Pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da terra; porque já estais
mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a
nossa vida, se manifestar, então, também vós vos manifestareis com ele em glória.
(Cl 3:2-4)
Outro fato importante a ser mencionado é quanto à ressurreição ou não dos
salvos do Antigo Testamento, no entanto devemos separar as coisas, o
arrebatamento é para “os que são de Cristo” e os Judeus não se encontram nessa
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condição, mesmo estando salvos os que viveram antes de Jesus só serão
ressuscitados na ressurreição que está expressa em Ap 20:4 entendemos que o
arrebatamento é um tratar de Deus para com a igreja e difere do plano que Deus
tem para Israel. Voltaremos a tratar do assunto com mais detalhes em momento
oportuno.
8.3. O Momento do Arrebatamento
Jesus em sua primeira encarnação esteve por volta de trinta e três anos na
terra, sendo que apenas três, realizando a sua obra, após sua morte e ressurreição
a igreja inicia uma nova expectativa, a do aparecimento do Senhor para arrebatar a
igreja da terra. Uma pergunta nos vem, como será este momento? Paulo nos
explica que seremos chamados por ele “Porque o mesmo Senhor descerá do céu com
alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus” (I Ts 4:16), neste
momento os mortos em Cristo ressurgirão “e os mortos ressuscitarão
incorruptíveis” (I Co 15:52), seguindo os mortos que ressuscitaram, nós “os
que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a
encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” (I Ts 4:17).
Quanto à duração deste evento, em I Co 15:52 Paulo diz que “será num
momento, num abrir e fechar de olhos” no original grego é: én atomo én ripe
oftalmou, o termo átomo significa algo que não pode ser dividido, muito bem
traduzido por “um momento”, ripe significa pulsação, batida, uma batida de olho
ou um piscar de olho. Aqui vemos que o tempo necessário para que tudo o que
envolve o arrebatamento aconteça é mínimo, não há como medir senão
comparando a um piscar de olhos. Daí o motivo de devermos estar sempre em
comunhão com o Senhor.
Paulo nos informa que o arrebatamento em si é o grito de vitória da igreja, que
agora não sofrerá mais o dano da morte nem da dor, pois o noivo veio consumar a
vitória da igreja sobre a morte e o inferno.
Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade e que
isto que é mortal se revista da imortalidade. E, quando isto que é corruptível se
revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então,
cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória. I Co 15:53-
54.
9 – A IGREJA APÓS O
ARREBATAMENTO
No capítulo anterior observamos os principais pontos referentes ao
arrebatamento, neste veremos o que acontecerá com os crentes que agora estão no
céu com Jesus.
Dois eventos aguardam a igreja arrebatada ao céu, o Tribunal de Cristo e as
Bodas do Cordeiro. Enquanto na terra acontece a grande tribulação a igreja tem
um período de núpcias com seu noivo.
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9.1. O Tribunal de Cristo
Porque ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual
é Jesus Cristo. E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro,
prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará;
na verdade, o Dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará
qual seja a obra de cada um. Se a obra que alguém edificou nessa parte
permanecer, esse receberá galardão. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá
detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo. I Co 3:11-15
Também chamado de Tribunal de Deus em Rm 14:10 (ARA), o tribunal de
Cristo será o próximo acontecimento para a igreja após o arrebatamento. O texto
acima detalha como será o Tribunal, porém com este titulo é somente encontrado
em Romanos 14:10 (RC) e II Co 5:10.
Existem dois termos gregos usados no Novo Testamento para se referir a um
tribunal:
A. kriterion (krithrion): O primeiro nome para tribunal encontrado no novo
testamento é kriterion (krithrion), que significa: instrumento ou meios usados para
julgar algo; critério ou regra pela qual alguém julga; 2) lugar onde acontece o
julgamento; tribunal de um juiz; assento dos juízes; 3) assunto julgado, coisa a ser
decidida, processo, caso. (Strong).
Kritérion é usado em I Co 6:2, 4 e Tg 2:6, para se referir julgamento, avaliação
para possível condenação ou absolvição, este termo, como também o traduzido por
Juiz, krites (krithv), têm como raiz a palavra krino (krinw) que significa:
• separar, colocar separadamente, selecionar, escolher;
• aprovar, estimar, preferir;
• ser de opinião, julgar, pensar;
• determinar, resolver, decretar;
• julgar.
A conclusão a que chegamos é que nas referências em que são usados estes
termos acima citados, não podem descrever ou ser utilizados para se referir ao
Tribunal de Cristo.
B. Bema (bhma): este termo é usado em Rm 14:10 e II Co 5:10 para designar o
tribunal de Cristo, Strong define assim:
“um degrau, um passo, o espaço que um pé cobre; 2) um lugar elevado no
qual se sobe por meio de degraus, plataforma, tribuna; assento oficial de um juiz;
o lugar de julgamento de Cristo; Herodes construiu uma estrutura semelhante a
um trono na Cesaréia, do qual ele via os jogos e fazia discursos para o povo.”
Diferente do primeiro, Bema fala do tribunal em si, ou seja, do lugar onde o
julgamento é feito e não do julgamento propriamente dito, também retrata um
lugar de honra, uma tribuna de honra. Sale-Harrison ao comentar sobre o bema,
diz:
“Nos Jogos gregos de Atenas, a velha arena tinha uma plataforma elevada na
qual na qual se assentava o presidente ou juiz da arena. Dela ele recompensava
todos os competidores; e lá ele recompensava todos os vencedores. Era chamado
bema ou assento de recompensa. Nunca foi usado em referencia a um assento
judicial”.
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Concluímos que o tribunal de Cristo não se trata de um julgamento onde os
réus correm o risco de serem condenados, mas sim um “grande evento” onde os
crentes em Jesus receberão suas recompensas.
Não podemos cair no mesmo erro que os Católicos Romanos, usaram esta
passagem para criar o ensino sobre purgatório crendo, então, que este é um
tribunal de juízo. Ao lerem o que Paulo fala a respeito de “salvos como pelo fogo”,
dizem que os que não fizeram o bem necessário para serem salvos, nem o mal
necessário para serem condenados, irão para o purgatório esperar um julgamento
posterior que poderá lhes dar uma segunda chance. Para amenizar sua pena no
purgatório e ir mais rápido para o céu, o réu pode contar com ajuda dos vivos
através de velas, missas, orações, indulgências etc.
9.2. Como Será o Tribunal de Cristo
Quando em II Co 5:10 Paulo diz que “todos devemos comparecer” diante deste
tribunal, e este “comparecer” no grego é phaneroo (fanerow), que significa :tornar
manifesto ou visível ou conhecido o que estava escondido ou era desconhecido,
manifestar, seja por palavras, ou ações, ou de qualquer outro modo. (Strong) Isto
quer dizer muito mais que comparecer, nós seremos manifestos. Cristo revelará
publicamente a essência de nossas obras, “a obra de cada um se manifestará” (I
Co 3:13), e isto de maneira individual, um por um.
De um modo geral divide-se as obras em dois grupos, de acordo com os
materiais usados por Paulo em I Co 3:12-13:
“Se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras
preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará: na verdade o
dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra
de cada um”.
A. O Grupo das Obras Destrutíveis: Madeira, Feno e Palha. Todos este
materiais apresentados por Paulo são totalmente destruídos quando lançados ao
fogo, e o paralelo que ele faz é justamente esse, pois ele mesmo nos diz que “o fogo
provará qual seja a obra de cada um”.Obras feitas sem a devida sinceridade,
praticadas para a própria glória, nunca passarão pelo fogo revelador, porém é
importante ressaltar que a avaliação do tribunal não julgará as obras como sendo
boas e más, mas sim como sendo úteis e inúteis, também é bom lembrarmos que
o propósito central do bema de Cristo não é humilhar ou envergonhar os salvos, e
sim galardoa-los.
B. O Grupo das Obras Indestrutíveis: Ouro, Prata e Pedras Preciosas. O
fundamento do edifício é o próprio Jesus Cristo, e por isso mesmo se deve usar
materiais, que condigam com este fundamento. Este grupo fala das obras
produzidas pela direção do Espírito de Deus, feitas com sinceridade e sem
nenhuma pretensão de vanglória, o fogo trará a tona o que realmente é verdadeiro
em nossas obras, e é sobre o que restar, e se restar algo, que seremos galardoados.
Quanto à recompensa, parece-nos sensato pensar que ela será uma coroa,
devido a representação da igreja pelos 24 anciãos em Ap 4, estes usavam coroas
que no grego é stephanos, este termo era usado para se referir as coroas ou
guirlandas que os vitoriosos em jogos olímpicos recebiam como prêmio (I Co 9;24-
25).
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9.3. Bodas do Cordeiro
“Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória, porque vindas são
as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou. (…) disse-me:
Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro.
E disse-me: Estas são as verdadeiras palavras de Deus.” (Ap 19:7, 9).
Uma das mais importantes metáforas a respeito da igreja com certeza é a de
apresenta-la como “noiva”. Existem outras muito usadas e importantes que
apresentam como “corpo de Cristo” e “rebanho”, porém a metáfora de noiva nos
parece ser a mais atraente e define melhor o relacionamento entre Cristo e sua
igreja. João batista apresentou Jesus como o noivo e ele sendo apenas o amigo que
se alegrava em ver a sua alegria (João 3:29). Paulo também usa a metáfora para
falar a respeito da vida conjugal, fortalecendo seu ensino com o exemplo de Jesus,
que amou sua igreja (noiva) e deu a vida por ela (Ef 5:21-29). Nos versículos acima
vemos o João, o apóstolo, usando para falar do momento da celebração da união de
Cristo com sua amada igreja.
“As bodas do Cordeiro” serão realizadas no céu, já que é lá que a igreja se
encontra após o arrebatamento, será também após o tribunal de Cristo, e isto
pode ser visto pelas vestes que a “igreja usa” quando é apresentada ao noivo (Jesus)
representando a justiça confirmada pela avaliação do tribunal (Ap 19:8).
Vemos que esta união no céu revela a importância deste evento, pois,
para um judeu, existem três acontecimentos significativos na vida, que são:
o nascimento, o casamento e o dia da morte, sendo que dentre todos o casamento
é o mais importante, já que para um judeu um homem só realmente é considerado
como tal, quando se casa e forma uma família. Por isso vemos o casamento
ser usado com abundância no Velho Testamento, falando do relacionamento
entre Deus e Israel (Jr 3:20; Ez 16:32, 45; Os 2:2, 16); no Novo Testamento, Jesus
usa para falar sobre a rejeição dos judeus ao evangelho (Mt 22:1-14), para alertar
quanto à vigilância devido sua futura vinda (Mt 25:1-13) entre outros, porque era
algo que os Judeus entendiam muito bem e sabiam a responsabilidade que era ser
noiva, seja esta noiva Israel ou a igreja.
10 – A GRANDE TRIBULAÇÃO
A grande tribulação com certeza é o assunto mais discutido na doutrina da
escatologia bíblica, é também o que apresenta maiores dificuldades de
interpretação com respeito a acontecimentos e profecias que devem ser cumpridas
no período tribulacional; portanto devemos ter grande atenção, devido sua
importância dentro das Escrituras, tanto no Velho quanto no Novo Testamento.
Como já vimos, a igreja estará isenta de passar por este período de sofrimento
nunca visto na Terra; enquanto no céu a igreja se regozija com o tribunal de Cristo
e com as Bodas do Cordeiro, na terra acontece a grande tribulação.
Devemos saber distinguir os vários tipos de tribulações existentes na
bíblia, pois nem todos falam a respeito do período tribulacional. Segundo o
Dr.Duffiede e Van Cleave, existem nas Escrituras três tipos de tribulação diferentes:
• Aplicada às provações e perseguições que os cristãos sofrerão através de
toda a era da igreja como resultado de sua identificação com Cristo (João
16:33)
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• Aplicada a um período especial de tribulação para Israel, profetizado por
Daniel (Dn 9:24-27)
• Aplicada à ira final de Deus sobre o anticristo e as nações gentias que o
seguem, (Ap 6:12-17), chamada de “grande dia da ira deles”.
10.1. Termos Utilizados Para Tribulação
Diante dos três aspectos de tribulação apresentados, se faz necessário
definirmos os termos utilizados nas Escrituras para se referir à tribulação.
Encontramos quatro substantivos que podem ser traduzidos por tribulação e
aflição entre outros.
A. kakopatheia (kakopayeia): sofrimento que procede do mal, aborrecimento,
angústia, aflição (Strong). Este substantivo é formado de kakos “mau”, e paschõ
“sofrer” (Vine), foi traduzido por “aflição” em Tg 5:10: “Meus irmãos, tomai por
exemplo de aflição e paciência os profetas que falaram em nome do Senhor”. Neste
caso o sentido é de aflições sofridas, sejam angústias, perseguições,
aborrecimentos, etc. Somente é usado neste versículo, e nunca para se referir à
grande tribulação.
B. kakosis (kakwsiv): opressão, aflição, maltrato. Somente utilizado em Atos
7:34 “Tenho visto atentamente a aflição do meu povo que está no Egito, e ouvi os
seus gemidos, e desci a livrá-los. Agora, pois, vem, e enviar-te-ei ao Egito”.Aqui indica
os maltrates sofrido por Israel enquanto estava cativo no Egito, também nunca é
usado para indicar a grande tribulação.
C. pathema (payema): aquilo que alguém sofre ou sofreu externamente;
sofrimento, infortúnio, calamidade, mal. Aflição dos sofrimentos de Cristo,
também as aflições que cristãos devem suportar pela mesma causa que Cristo
pacientemente sofreu. Este substantivo geralmente é usado para descrever
sentimentos causados por infortúnios externos, seja a perseguição ou qualquer
outra circunstância. É utilizado em Rm 7:5; 8:18; 2 Co 1:5-7; Cl 1:24; 2 Tm 3:11;
Hb 2:9-10; 10:32; I Pe 1:11;4:13; 5:1; 5:9.
Todos os termos descritos falam de sofrimentos diversos, sejam externos ou
internos, e retratam apenas as aflições numa esfera meramente humana e
cotidiana num sentido geral, diferente do termo a seguir que é o utilizado para se
referir à grande tribulação.
D. thlipsis (yliqiv): literalmente, ato de prensar, imprensar, pressão;
metaforicamente: opressão, aflição, tribulação, angústia, dilemas (Strong). Vine
define como sendo “qualquer coisa que sobrecarrega o espírito”. Thlipsis é derivado
de thlibo (ylibw) que significa: prensar (como uvas), espremer, pressionar com
firmeza; caminho comprimido.
Este é o termo utilizado em Ap 7:14 para se referir à grande tribulação. “E eu
disse-lhe: Senhor, tu sabes. E ele disse-me: Estes são os que vieram de grande
tribulação, lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do
Cordeiro”.Também é usado por Jesus em Mt 24:21, numa referência ao período
tribulacional: “porque nesse tempo haverá grande tribulação, como desde o princípio
do mundo até agora não tem havido e nem haverá jamais”.
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10.2. O Dia do Senhor
A doutrina da grande tribulação tem sido discutida em vários ramos da
escatologia bíblica, seja por milenistas ou amilenistas. Nas Escrituras
encontramos não poucas passagens falando de um período de tempo em que Deus
traria juízo sobre Israel e os gentios; este período é chamado de grande tribulação.
Para entendermos melhor este ensino é necessário identificar este período não
só no Novo Testamento, mas também, e principalmente, no Velho Testamento, já
que um dos propósitos é trazer os judeus a uma conversão definitiva.
São fartas a passagens que mencionam o dia do Senhor como também outros
nomes dados ao mesmo acontecimento, onde a principal idéia é de juízo contra o
Israel impenitente. Vejamos alguns nomes dados à grande tribulação no Velho
Testamento:
• Isaías 13:9 Eis que o dia do SENHOR vem, horrendo, com furor e ira
ardente, para pôr a terra em assolação e destruir os pecadores dela.
• Ezequiel 13:5 Não subistes às brechas, nem reparastes a fenda da casa de
Israel, para estardes na peleja no dia do SENHOR.
• Joel 2:1 Tocai a buzina em Sião e clamai em alta voz no monte da minha
santidade; perturbem-se todos os moradores da terra, porque o dia do
SENHOR vem, ele está perto.
• Isaías 10:3 Mas que fareis vós outros no dia da visitação e da assolação que
há de vir de longe? A quem recorrereis para obter socorro e onde deixareis
a vossa glória,(…)?
• Jeremias 46:10 Porque este dia é o dia do Senhor JEOVÁ dos Exércitos, dia
de vingança para se vingar dos seus adversários; e a espada devorará, e
fartar-se-á, e embriagar-se-á com o sangue deles; porque o Senhor JEOVÁ
dos Exércitos tem um sacrifício na terra do Norte, junto ao rio Eufrates.
• Isaías 13:13 Pelo que farei estremecer os céus; e a terra se moverá do seu
lugar, por causa do furor do SENHOR dos Exércitos e por causa do dia da
sua ardente ira.
• Isaías 17:11 No dia em que as plantares, as cercarás e, pela manhã, farás
que a tua semente brote; mas a colheita voará no dia da tribulação e das
dores insofríveis.
• Ezequiel 7:7 vem a tua sentença, ó habitante da terra. Vem o tempo;
chegado é o dia da turbação, e não da alegria, sobre os montes.
O dia do Senhor não se trata literalmente do espaço de vinte e quatro horas,
mas sim de um período, como em Gn 2:4; Is 22:5 e Hb 3:8. Este período será entre
as vindas de Jesus, ou seja, o arrebatamento e seu retorno em glória.
“Dia” no hebraico, yôm, significa: luz do dia, dia, tempo momento, ano. Como
vemos seu significado é abrangente, pode significar “luz do dia” como em Gn 8:22:
“Enquanto durar a terra, não deixará de haver sementeira e ceifa, frio e calor, verão e
inverno, dia e noite.”; período de vinte quatro horas como em Gn 39:10: “Falando
ela a José todos os dias, e não lhe dando ele ouvidos, para se deitar com ela e estar
com ela,”; em Gn 2:17 yôm refere-se a um momento: “mas da árvore do
conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres,
certamente morrerás.”; sua forma plural, yãmîm, aparece em Ex13:10, significando
ano: “Portanto, guardarás esta ordenança no determinado tempo, de ano em ano.”
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Finalmente yôm com referencia a espaço de tempo, encontramos em Gn 2:3 “E
abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra
que, como Criador, fizera.” É acordo entre a maioria dos teólogos que este
sétimo dia não trata de um dia literal, mas de um período que vai desde a
criação até a vinda de Cristo. (Adaptação do dic.Vine).
No novo Testamento também temos referências ao “dia do Senhor”:
• 1 Ts 5:2 Pois vós mesmos estais inteirados com precisão de que o Dia do
Senhor vem como ladrão de noite.
• 2 Ts 2:2 A que não vos demovais da vossa mente, com facilidade, nem vos
perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como se
procedesse de nós, supondo tenha chegado o Dia do Senhor.
• 2 Pedro 3:10 Virá, entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor, no qual os
céus passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão
abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas.
Não devemos confundir com o “dia de Cristo”, como está expresso em
Filipenses 1:6; 1:10; 2:16, com o dia do Senhor, este dia refere-se não ao
tempo de juízo, e nunca está ligado a isso, mas sim, a recompensa que os
crentes em Jesus receberão, e isto é claramente declarado por Paulo em
Filipenses 2:16, onde lemos: “preservando a palavra da vida, para que, no
Dia de Cristo, eu me glorie de que não corri em vão, nem me esforcei
inutilmente”.
Tanto o Velho como o Novo Testamento apresenta o dia do Senhor como tempo
de juízo, dia cruel, com ira e ardente furor (Is 13:9); dia da vingança (Is 34:8); dia
nublado (Ez 30:3) grande é o Dia (…) e mui terrível! (Jl 2:11); dia de trevas e não de
luz (Am 5:18); dia da ira (Sf 2:2). No Novo testamento as referencias ao dia do
Senhor têm uma ligação mais próxima ao advento de Cristo, ou seja, os
escritores neotestamentários usavam este termo como referencia à volta de
Jesus e não diretamente à grande tribulação, ainda que um estivesse ligado ao
outro.
A certeza deste “dia” ser de juízo derruba de uma vez por todos os
argumentos pós-tribulacionistas, que acreditam que a igreja passará por este
período, como também os amilenistas que não aceitam a existência do “dia do
Senhor” como um período de extrema tribulação sobre os judeus e gentios. Este
período é real e futuro.
A conclusão em que chegamos é que a grande tribulação será um
período de juízo e sofrimento nunca experimentado pela humanidade. Numa
passagem de dupla referencia em Mateus, Jesus nos revela a severidade deste
tempo “porque nesse tempo haverá grande tribulação, como desde o princípio do
mundo até agora não tem havido e nem haverá jamais” (Mt 24:21).
10.3. As Setenta Semanas de Daniel
A duração do período tribulacional tem suas bases em Daniel 9:24-27:
“Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa
cidade, para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar a
iniqüidade, para trazer a justiça eterna, para selar a visão e a profecia e para ungir
o Santo dos Santos. Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para
edificar Jerusalém, até ao Ungido, ao Príncipe, sete semanas e sessenta e duas
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semanas; as praças e as circunvalações se reedificarão, mas em tempos
angustiosos. Depois das sessenta e duas semanas, será morto o Ungido e já não
estará; e o povo de um príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário, e o
seu fim será num dilúvio, e até ao fim haverá guerra; desolações são determinadas.
Ele fará firme aliança com muitos, por uma semana; na metade da semana,
fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; sobre a asa das abominações
virá o assolador, até que a destruição, que está determinada, se derrame sobre
ele.”
Nesta passagem encontramos um esboço de todo o plano messiânico de
Deus para Israel, como também seu juízo e dos gentios, no entanto
dificuldades surgem quando os pontos de vista escatológicos se chocam, ou seja,
pré-milenistas dispensacionalistas encaram e interpretam esta profecia de
maneira que os amilenistas ou os contra o dispensacionalismo, chamam de
fantasiosa. Antes de observarmos a interpretação dispensacionalista, daremos a
oportunidade de defesa a uma teoria defendida por grande parte de teólogos e
professores. A interpretação defendida por Edward J. Young, entre outros, diz
que toda a profecia já foi cumprida, e isto pode ser comprovado por suas próprias
palavras.
Esta notável seção (Dn 9:24-27) declara que um período definido de tempo
havia sido decretado por Deus para a realização da restauração de Seu povo da
escravidão (…) Pode-se assim ver que os seis objetivos que seriam realizados
são todos messiânicos, e pode-se notar que, quando nosso Senhor ascendeu
ao céu, cada um desses propósitos tinha sido cumprido.
Young luta bravamente para provar algo impossível. Ao dizer que toda
a profecia estaria cumprida na ascensão de Cristo parece se esquecer que
aspectos apresentados no texto, nunca encontraram cumprimento na história
de Israel, e isso se prova facilmente. Veremos na posição em que nos
baseamos e defendemos neste livro, a interpretação correta que, além de
responder a questões complicadas a respeito da escatologia, nos dá a defesa
diante de teorias infundadas e o entendimento necessário quanto ao texto referido.
Para se tornar clara a profecia precisamos desmembrá-la de maneira que se
veja a vontade de Deus revelada ao profeta.
A. “Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa
cidade” (v.24). Deus determinou o espaço de setenta semanas sobre o teu
povo (Judeus) e sobre a tua santa cidade (Jerusalém), para que seis
objetivos fossem alcançados. A primeira questão que surge é quanto a estas
setenta semanas que de forma alguma podem ser de dias, mas de anos. A
palavra hebraica traduzida por “semana” é shãbûa, que literalmente significa
“sete”, este substantivo aparece cerca de vinte vezes por todo o Velho Testamento.
Este “sete” se refere a um período que pode ser de dias ou de anos como em Gn
29:27: “Decorrida a semana (sete) desta, dar-te-emos também a outra, pelo trabalho
de mais sete anos que ainda me servirás”.(também Lv 25:8 Ez 4:4,5), neste
versículo a palavra semana,ou “sete”, refere-se a um período de sete anos, como o
próprio verso explica. Encontramos na septuaginta, (versão grega do Velho
Testamento), tendo o mesmo sentido que o apresentado no hebraico,
ebdomekonta ebdomades, “setenta setes”, devido ser um período de sete dias ou
anos foi usado “semana” na tradução para melhor compreensão.
Para chegarmos ao total de anos que Deus determinara multiplicamos as
setenta semanas por sete que são a quantidade de dias/anos que cada uma tem
(70×7), chegando ao numero de 490 anos.
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Os seis objetivos mencionados no v. 24, que deveriam ser concluídos nestes
490 anos são:
• cessar a transgressão;
• dar fim aos pecados;
• expiar a iniqüidade;
• trazer a justiça eterna;
• para selar a visão e a profecia e
• ungir o Santo dos Santos.
O próprio Deus nos deu todas as diretrizes necessárias para
compreendermos seu plano, e isto se vê claramente através da divisão feita
em três períodos distintos: 1) sete semanas, 2) sessenta e duas semanas e 3) uma
semana. Em cada destes períodos estão determinados acontecimentos, como o
próprio texto explica.
B. “desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao
Ungido, ao Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas”. Para uma melhor
compreensão podemos colocar o texto da seguinte forma: “desde a saída da ordem
para restaurar e para edificar Jerusalém, sete semanas; até ao Ungido, ao
Príncipe, sessenta e duas semanas”, isto quer dizer que desde a saída pra a
reconstrução de Jerusalém foram 49 anos, concluídos os 49 anos; conta-se mais
434 anos para então chegarmos ao messias, ao príncipe. “Depois das sessenta e
duas semanas, será morto o Ungido”, com isso sabemos que as primeiras 69
semanas têm seu fim com a morte do messias; resta-nos saber quando foi seu
início, pois é fundamental para que Jesus Cristo seja confirmado como aquele
que cumpriria esta profecia. O texto nos diz “desde a saída da ordem para restaurar
e para edificar Jerusalém”, temos nas Escrituras três editos que tratam da
restauração judaica após anos de cativeiro na Babilônia. O primeiro é encontrado
em 2Cr 36:22-23, quando Ciro, rei da Pérsia, decretou a reconstrução do templo
em Jerusalém, conforme Deus lhe havia ordenado, e agora era confirmado por suas
próprias palavras: “O SENHOR, Deus dos céus, me deu todos os reinos da terra e
me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém”, a repetição deste mesmo
decreto vemos em Ed 1:1- 3. Outro decreto encontra-se em Ed 6:3-8, onde o rei
Dário reafirma o decreto de Ciro. Em Ed 7:7 Artaxerxes em seu sétimo ano de
reinado, decretou auxílio a Esdras e Neemias dando-lhes autoridade,
mantimentos, ouro e prata para o Templo.
É necessário observarmos um detalhe vital em todos estes decretos; eles dizem
respeito à reconstrução do templo, e não da cidade de Jerusalém, condição esta
que torna estes decretos incapazes de serem tomados como datas iniciais para se
contar o período de 69 semanas, pois o v. 25 nos diz que o que marcaria o seu
inicio seria uma ordem, um decreto para a reconstrução da cidade: “desde a saída
da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém”, e isto nos leva ao decreto de
Artaxerxes em Ne 2:1-8, onde finalmente encontramos a ordem para edificar
Jerusalém
No mês de nisã, no ano vigésimo do rei Artaxerxes,(…) O rei me disse: Por que
está triste o teu rosto, se não estás doente? (…) Como não me estaria triste o rosto
se a cidade, onde estão os sepulcros de meus pais, está assolada e tem as portas
consumidas pelo fogo? (…) Disse-me o rei: Que me pedes agora? (…) peço-te que
me envies a Judá, à cidade dos sepulcros de meus pais, para que eu a
reedifique.(…) Aprouve ao rei enviar-me.
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A data deste decreto torna-se o ponto inicial das 69 semanas. Todas as
cronologias sérias apontam o ano de 445 a.c. como sendo o vigésimo ano de
reinado de Artaxerxes , o texto nos revela que este decreto se deu no mês de nisã
(também chamado Abib), mês da páscoa judaica (em nosso calendário está
localizado entre o mês de março e abril). Como a profecia diz que a partir desta data
seriam contadas as 69 semanas, devemos atentar para a data em que Jesus
morreu para então confirmarmos se sua morte cumpriu a profecia.
Jesus morreu durante a comemoração da páscoa que se iniciava com a lua
nova, que no ano 32, de acordo com o calendário gregoriano, teve início dia 11 de
março as 19:08h (calendário de eventos astronômicos na história), e este horário
marca 1:08h do dia seguinte no calendário judaico; 12 de março em nosso
calendário.
A tradição demonstra que aquele que estivesse fora da cidade deveria ir
comemorar a páscoa, chegando pelo menos seis dias antes, sendo assim Jesus
chegou dia 6 de março do ano 32 em Jerusalém, provavelmente numa sexta feira.
(Outras datas são utilizadas para a páscoa do ano 32 d.C. Porém, esta foi
utilizada neste trabalho devido ser fruto de pesquisa do autor e não uma simples
cópia de estudos já escritos. É importante ressaltar que a diferença entre as datas
propostas é mínima). Concluindo assim, podemos calcular da seguinte maneira: 69
semanas multiplicados por 7 anos de 360 dias (quantidade de dias dos anos
bíblicos), chegamos a 173 880 dias. Isto nos revela um intervalo de 476 anos e
alguns dias, multiplicando esses anos por 365 dias de acordo com o calendário
gregoriano, somando a isso 119 dias dos anos bissextos chegamos a 173 859,
apenas faltando 21 dias para que a soma seja redonda. Se levarmos em conta que
não sabemos o dia correto do mês em que foi feito o decreto em 445 Ac., e que pode
haver falha de alguns dias nos cálculos, chegamos a um resultado muito
satisfatório que prova que a morte de Jesus ocorreu após o fim das 69 (7+62)
semanas como predito por Daniel “Depois das sessenta e duas semanas, será
morto o Ungido e já não estará”. Para se provar o contrário é necessário negar não
só a narrativa Bíblica como também a história secular.
C. “para a fazer cessar transgressão, para dar fim aos pecados, para
expiar a iniqüidade, para trazer a justiça eterna, para selar a visão e a profecia
e para ungir o Santo dos Santos”. Já foi dito que Deus designou seis
acontecimentos, e estes deveriam ser concluídos durante as setenta semanas.
Com a morte de Jesus, os três primeiros cessar transgressão, dar fim aos
pecados e expiar a iniqüidade, foram cumpridos por Cristo através de sua morte
vicária, um problema aparece quando percebemos que os Judeus, como nação,
não se beneficiaram disto, necessitando então do período tribulacional para que
Deus venha a tratar com Israel de maneira que se apropriem de um bem já
oferecido por Deus, ou seja o sacrifício necessário para perdão de seus pecados. Os
três últimos tratam do reinado do messias, que obviamente será no milênio, e isto
pode ser visto claramente quando lemos “para trazer a justiça eterna”, o reinado
messiânico daria fim à validade das Escrituras, pois o próprio Deus habitará com
os seus, e para concluir quando o lugar santíssimo no templo milenial for ungido, a
glória de Deus habitará em meio a seu povo, tendo Jesus assentado em seu trono.
D. “Depois das sessenta e duas semanas, será morto o Ungido e já não estará;
e o povo de um príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário, (…) Ele
fará firme aliança com muitos, por uma semana”. Passadas as 69 semanas,
resta-nos uma. Os versículos 26 e 27, falam desta última semana. O que
estaremos focalizando agora será apenas concernente ao período destes sete
anos e não o que, em detalhes acontecerá nele, isto veremos quando for oportuno.
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Uma questão bastante debatida é a que se refere ao suposto espaço que existe
entre as 69 e a ultima semana, e é suma importância analisarmos este ponto, pois
só assim poderemos ir adiante no estudo da grande tribulação. Uma conclusão que
se tem defendido, conforme já foi dito, é que todo o período das setenta semanas já
foi concluído, no entanto percebemos que isto não é possível.
Este espaço entre as 69 semanas e a ultima, torna o assunto discutível, pois
os defensores de que todo o período das setenta semanas já foi cumprido não
aceitam este intervalo nem como suposição. Veremos que este espaço não é algo
novo, mas as Escrituras estão repletas de profecias que dentro de seu
cumprimento existem intervalos, também, alguns pontos que exigem um intervalo
entre os períodos.
• Intervalo em Is 61:2 “… a apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da
vingança do nosso Deus…”. Entre o ano aceitável do Senhor e o dia da
vingança, temos um intervalo de quase dois mil anos, que é a dispensação
da igreja.
• Os apóstolos demonstram que existe um intervalo entre a inclusão dos
gentios no plano da salvação e o cumprimento das profecias referentes a
Israel. “Cumpridas estas coisas, voltarei e reedificarei o tabernáculo caído de
Davi; e, levantando-o de suas ruínas, restaurá-lo-ei”. (At 15:13-21)
• Se não houvesse um intervalo entre a sexagésima nona e a septuagésima
semana, Jesus já deveria ter retornado já que todo o período de setenta
semanas foi concluído sete anos após sua morte.
• No próprio texto, se observarmos cuidadosamente perceberemos um
intervalo entre o v.26 e o 27, pois o primeiro diz: E, depois das sessenta e
duas semanas, será tirado o Messias e não será mais; e o povo do príncipe,
que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma
inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas assolações.
Vemos que o texto apresenta duas seqüências de fatos, 1) após a morte do
messias “o povo do príncipe” destruirá Jerusalém e o templo e o fim deste
será como uma inundação, 2) “e até ao fim” haveria guerras, e terrores
estariam determinados.A primeira seqüência está ligada a morte do
Messias, porém a segunda funciona como um parêntese, um intervalo
entre a destruição de Jerusalém e do templo e a septuagésima
semana, isto se pode ver por se tratar de um espaço de tempo que se iniciou
após os primeiros fatos, resumindo, após a destruição determinada, seria
iniciado um período de guerras e desolações sobre Israel, e este tempo
perduraria até que fosse firmado um acordo de (falsa) paz entre Israel e as
nações, que supostamente duraria uma semana, mas… “na metade da
semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; e sobre a asa das
abominações virá o assolador”
Com certeza os motivos apresentados são suficientes para deixar claro que
realmente existe este intervalo, e mais, ele é necessário para que a profecia tenha
coerência com o plano de Deus estabelecido no v.24.
E. “E ele firmará um concerto com muitos por uma semana; e, na metade da
semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; e sobre a asa das
abominações virá o assolador”. Uma segunda questão a ser observada, é quanto ao
início da septuagésima semana, e isto pode ser claramente visto no próprio texto,
pois este fala de um “príncipe que há de vir” e este quando firmar este acordo de
paz com Israel estará inaugurada a grande tribulação. Temos, na verdade, um sinal
gritante que marcará seu inicio, que é o arrebatamento da igreja.
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Fica concluído, então que a septuagésima semana de Daniel é futura,
tendo como base este intervalo entre a sexagésima nona semana e a
septuagésima, e os fatos concernentes à profecia que aguardam seu cumprimento.
Outro aspecto que fica claro é que a grande tribulação terá um período literal e
definido, de sete anos.
10.4. O Propósito da Grande Tribulação
Já foi discutido anteriormente o caráter da grande tribulação e observamos
que Deus estabeleceu um tempo de aflição nunca vista pela humanidade, porém
isto tem propósitos específicos, e é o que veremos agora.
A. Purificar os Judeus para receberem a Jesus como Messias. Deus havia
prometido a Israel, através de alianças, que daria bênçãos eternas, o fato é que este
tempo dependeria de um outro tempo. Ezequiel 20:33- 38 encontramos o resumo
do plano de Deus para Israel:
“Vivo eu, diz o Senhor JEOVÁ, que, com mão forte, e com braço estendido, e
com indignação derramada, hei de reinar sobre vós; e vos tirarei dentre os povos e
vos congregarei das terras nas quais andais espalhados, com mão forte, e com
braço estendido, e com indignação derramada. E vos levarei ao deserto dos povos
e ali entrarei em juízo convosco face a face. Como entrei em juízo com vossos pais,
no deserto da terra do Egito, assim entrarei em juízo convosco, diz o Senhor
JEOVÁ. E vos farei passar debaixo da vara e vos farei entrar no vínculo do concerto;
e separarei dentre vós os rebeldes e os que prevaricaram contra mim; da terra das
suas peregrinações os tirarei, mas à terra de Israel não voltarão; e sabereis que eu
sou o SENHOR.”
Após séculos de exílio profetizados antecipadamente neste texto, Israel
retornou a sua terra e aguarda agora, justamente este tempo, o tempo em que
Deus diz: “entrarei em juízo convosco face a face”, e mais, “farei entrar no vínculo do
concerto; e separarei dentre vós os rebeldes e os que prevaricaram contra mim;”.
Aqui vemos a natureza do “dia do Senhor” discutido anteriormente. Neste tempo
haverá a preparação necessária para que a nação de Israel se converta ao Senhor.
B. Julgar a nações gentílicas. Toda infidelidade e descrença serão julgadas na
grande tribulação, os judeus receberão o tratamento devido, como também os
infiéis e suas nações. Jesus relata em Ap 3:10 um tempo de “provação que
há de vir sobre os moradores da terra”, entendemos aqui que um juízo
sobre a humanidade está previsto, Paulo aos tessalonicenses diz que “por isso,
Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira, para que sejam
julgados todos os que não creram a verdade; antes, tiveram prazer na iniqüidade.”
(2Ts 2:11-12). Durante o governo do anticristo as nações o apoiarão e serão
influenciadas por ele. Os gentios afrontaram a Deus “pisarão a Cidade Santa por
quarenta e dois meses”.(Ap 11:2); ao serem mortas a duas testemunhas enviadas
por Deus “povos, e tribos, e línguas, e nações verão seu corpo morto (…) não
permitirão que o seu corpo morto seja posto em sepulcros”.(Ap 11:9); as
nações se deliciaram com o pecado, “as nações beberam do vinho da ira da sua
prostituição”, como também seus governantes, “Os reis da terra se prostituíram” (Ap
18:3); rebelaram-se contra Deus praticando tudo o que ele abomina “porque
todas as nações foram enganadas pelas tuas feitiçarias.”(Ap 18:23); sendo
merecedores da fúria do rei dos reis, “da sua boca saía uma aguda espada, para
ferir com ela as nações”(Ap 19:15).
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10.5. A Estrutura da Grande Tribulação
Já sabemos que a grande tribulação é a septuagésima semana de Daniel, e
que este período é de sete anos. O que veremos agora é quanto à sua estrutura, ou
seja, como será seu desenrolar quanto ao tempo. Observe o gráfico abaixo, e em
seguida serão dadas a s devidas explicações.
Com o estabelecimento do acordo de paz entre o anticristo e Israel, inicia-se a
grande tribulação. A igreja já foi arrebatada, restando na terra os gentios e os
Judeus. No meio da semana, segundo Daniel, o anticristo “fará cessar o sacrifício e
a oferta de manjares; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à
consumação”, este fato fará com que, a partir da metade da semana, ou seja, após
os primeiros três anos e meio, se dê inicio ao período descrito em Daniel 7:25 “E
proferirá palavras contra o Altíssimo, e destruirá os santos do Altíssimo, e cuidará em
mudar os tempos e a lei; e eles serão entregues nas suas mãos por um tempo, e
tempos, e metade de um tempo”. Este mesmo período é mencionado em Ap 11:2 e
13:5 como 42 meses; também aparece como 1260 dias em Ap 11:3 e 12:6, todos
tratam do mesmo espaço de tempo como também do mesmo período. Em Daniel
observamos que ele apresenta os três anos e meio finais da grande tribulação
como: um tempo (um ano), e tempos (dois anos), e metade de um tempo (meio
ano).1260 dias, correspondem a 42 meses de 30 dias cada.
Após os sete anos de grande tribulação, Jesus retornará novamente para
julgar os inimigos de Israel, inclusive satanás, o anticristo e o falso profeta.
Concluímos então, que o período tribulacional durará sete anos, porém tendo
duas fazes, a primeira está em torno de uma falsa paz determinada através de um
acordo entre o anticristo e Israel; com o rompimento deste, desencadeia-se um
ataque violento contra Israel e todos moradores da terra, que termina com a volta
gloriosa de Jesus Cristo. O fato de o período tribulacional ter duas fazes, não dá
margem para que se ensine que somente os últimos três anos meio sejam a
grande tribulação, se assim fosse, não existiria a septuagésima semana, mas sim,
meia semana de Daniel.
11 – A BESTA
O anticristo, depois de Jesus, é a figura mais marcante do período
tribulacional. O seu título denuncia seu caráter e suas intenções.
Anticristo vem do grego antichristos, e seu sentido é óbvio, adversário de
Cristo ou contra Cristo. Alguns escritores apresentam este título como sendo de
alguém que quer se passar pelo Cristo e não necessariamente contra ele, talvez
esteja em mente o uso paralelo de “antipapa”, que se refere a alguém que se
intitula papa mesmo não sendo reconhecido pela igreja romana e na história são
vários os exemplos a esse respeito. A questão é que neste caso isto não pode ser
admitido, pois todos os textos que o apresentam falando de sua postura, atitudes e
intenções, sempre estão voltadas à destruição de Cristo e seus propósitos, se
assim fosse Jesus ou outro escritor neotestamentário o intitularia de pseudocristo,
como em Mateus 24:24.
O termo anticristo é emprestado de 1ª João 2:18, 22; 4:3 e 2ª João 7 à
primeira besta de Apocalipse 13, porque este termo define muito bem seu caráter
e propósito, e esta é a única relação que existe entre os dois. No livro de Apocalipse
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a besta nunca é chamada de anticristo, porém nada impede que a chamemos
desta maneira, já que de uma maneira ou outra ele é um anticristo.
11.1. Seu Reino e Sua Chegada ao Poder
“E eu pus-me sobre a areia do mar e vi subir do mar uma besta que tinha sete
cabeças e dez chifres, e, sobre os chifres, dez diademas, e, sobre as cabeças, um
nome de blasfêmia”.(Ap 13:1).
A Bíblia traz com abundancia textos que se referem à pessoa do
anticristo. Ap 13:1 relata seu surgimento, e o fato de ser do mar pode ser
forte indicação que será um gentio (Ap 17:15). Um governo mundial será criado, e
é através deste sistema político que ele vai governar o mundo. Veremos em alguns
pontos como será esta escalada do anticristo ao poder.
A. A Estátua de Nabucodonosor. Em Daniel capítulo 2, vemos a interpretação
dada por Deus a Daniel, do sonho que o rei havia tido, neste era apresentada uma
estátua, “A cabeça era de fino ouro, o peito e os braços, de prata, o ventre e os
quadris, de bronze; as pernas, de ferro, os pés, em parte, de ferro, em parte, de
barro”. (Dn 2:32-33).
• Cada uma destas partes representa um império, como segue:
• Cabeça de ouro: império Babilônico
• Peito e braços de prata: império Medo-Persa
• Ventre e quadris de bronze: império grego
• Pernas de ferro, e pés parte ferro, parte barro: império Romano.
Cada império representado teve seu fim, sendo seguido pela ordem
apresentada na estátua.
Daniel nos versos 41-44, faz uma observação referente ao ultimo
império, o Romano, segundo Daniel, o fato de serem duas pernas com dois
pés indicam que seria um reino divido, o que realmente aconteceu em 395 d.C.
Ainda é mencionada a questão mais importante a respeito deste último, o fato de
ter pés que eram parte ferro e parte barro, e é o próprio profeta que nos dá a
explicação referente a esta mistura “Como os artelhos dos pés eram, em parte, de
ferro e, em parte, de barro, assim, por uma parte, o reino será forte e, por outra, será
frágil”.
Procuremos agora entender que relação tem este texto com o anticristo. A
interpretação dada por Deus a Daniel revela que o império Romano seria dividido,
e que este mesmo império surgiria numa forma diferente, representada pelos
dez dedos, estes representam dez reis que formariam uma confederação.
Daniel fala desta junção dizendo que “misturar-se-ão mediante casamento, mas não
se ligarão um ao outro, assim como o ferro não se mistura com o barro.” Isto
representa um governo unido por um acordo, permanecendo porém a
individualidade de cada um, e isto só é possível com um líder para fazer com que a
confederação não se dissolva por falta de um mediador. Um fato muito importante
acerca destes dez reis e deste líder nos o encontramos em Ap 17:12-13 “Os dez
chifres que viste são dez reis (…) Têm estes um só pensamento e oferecem à besta o
poder e a autoridade que possuem”, Aqui vemos que estes dez reis entregarão a
liderança desta confederação a um homem, a besta. Esta é a forma de governo que
será estabelecido no fim dos tempos, um império saído do antigo, não um outro,
mas o mesmo sob um novo aspecto.
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O fim deste império também é declarado por Deus, “Mas, nos dias destes reis,
o Deus do céu suscitará um reino que não será jamais destruído; (…) como viste que
do monte foi cortada uma pedra, sem auxílio de mãos, e ela esmiuçou o ferro, o
bronze, o barro, a prata e o ouro.” (vs. 44-45).Quando esta confederação estiver em
pleno poder, o próprio Deus vai intervir. A pedra cortada e lançada contra as forças
hostis é o próprio Jesus Cristo que vem destruí- los e inaugurar o “reino que
jamais será destruído”. O milênio.
B. A visão dos quatro animais. Esta surpreendente visão no capítulo 7, revela
o mesmo simbolismo já representado na estátua, porém é ainda mais clara quanto
aos acontecimentos relacionados a esta ultima forma do império Romano.
Daniel vê quatro animais (v. 3), e assim como cada parte da estátua
simbolizava um império, também cada animal representa os mesmos impérios,
vejamos a apresentação feita por Daniel:
• “O primeiro era como leão e tinha asas de águia; enquanto eu olhava, foramlhe
arrancadas as asas, foi levantado da terra e posto em dois pés, como
homem; e lhe foi dada mente de homem.”: Império Babilônico
• “o segundo animal, semelhante a um urso, o qual se levantou sobre um dos
seus lados; na boca, entre os dentes, trazia três costelas”: Império Medo-
Persa
• “e eis aqui outro, semelhante a um leopardo, e tinha nas costas quatro asas
de ave; tinha também este animal quatro cabeças”: Império Grego
• “o quarto animal, terrível, espantoso e sobremodo forte, o qual tinha grandes
dentes de ferro; (…) e tinha dez chifres.”: Império romano
Os atributos de cada animal têm total relação com as características de
cada império, porém o que nos interessa neste estudo é o quarto animal,
símbolo do império Romano. Daniel se interessa em particular por este último
(v.19), e vê algumas características neste animal que distingue ele dos outros e o
torna terrível, era um animal:
• muito forte;
• tinha grandes dentes de ferro;
• unhas de metal;
• devorava e destruía tudo que estava em seu caminho;
• tinha dez chifres;
• do meio destes dez chifres surge um menor com olhos;
• este surgimento causa a queda de outros três.
Aqui temos uma simbologia diferente para o mesmo assunto retratado na
estátua do capítulo 2. Este quarto animal, com seus atributos, ele representa o
império Romano (v. 23), e segundo a revelação dada ao profeta, estes dez chifres
representam os mesmos reis simbolizados pelos dez dedos da estátua (v. 24), a
diferença é que nesta visão, lhe é mostrado o surgimento de um “chifre menor”, este
representando o líder da confederação de dez reinos, que em sua ascensão
derrubará três reis (v. 20).
O caráter maligno do anticristo é mencionado no texto “tinha olhos e uma boca
que falava com insolência (…) e eis que este chifre fazia guerra contra os santos” (v.
20-21), como também suas atitudes profanas, “Proferirá palavras contra o Altíssimo”
(v. 25). Todo o período de ataque do anticristo durará três anos e meio (um tempo,
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dois tempos e metade de um tempo), que serão a segunda parte da grande
tribulação. Após o tempo ser cumprido, virá o “Ancião de dias”, que é a mesma
pedra que destrói a estátua; Jesus Cristo. Destruirá este império e instituirá seu
reino (v. 22).
C. A besta que emergiu do mar. Outro texto magnífico das Escrituras que vem
confirmar as revelações dadas a Daniel sobre a besta e seu governo se encontra em
Ap 13:1-10. Faremos um breve estudo do texto para entender esta revelação que
vem num processo de desenvolvimento dentro das Escrituras, ou seja, na estátua
foram dadas algumas informações, a visão dos quatro animais soma alguns dados
não encontrados na estátua, como também este texto de Apocalipse que, mesmo
tendo menos versículos, contém mais informações sobre a besta que todos os
outros, ainda assim precisaremos recorrer a Ap. 17 onde são revelados os símbolos
mencionados no cap. 13. Vejamos as informações que contém neste texto.
“Vi emergir do mar uma besta que tinha dez chifres e sete cabeças e, sobre os
chifres, dez diademas e, sobre as cabeças, nomes de blasfêmia”. (Ap. 13:1)
“Vi emergir do mar uma besta”. Muitos estudiosos do assunto afirmam, por
esta informação, que o anticristo será um gentio, já que o mar freqüentemente
simboliza as nações (Ap 17:15)
“Tinha dez chifres (…) e, sobre os chifres, dez diademas”. Ap 17:12-13
esclarece: “Os dez chifres que viste são dez reis, os quais ainda não receberam
reino”. Assim como os dedos da estátua e como os chifres do animal terrível.
Estes reis receberão sua autoridade no tempo designado por Deus para que todo
seu plano seja estabelecido. O fato de terem diademas sobre os chifres demonstra
essa futura autoridade, pois diadema significa, de um modo geral, ornamento real
para a cabeça, coroa.
Uma característica importante aqui revelada, se refere a duração deste
governo: “recebem autoridade como reis, com a besta, durante uma hora”; este
período de domínio será muito curto. O v. 13 nos informa que devido serem uma
confederação “Têm estes um só pensamento”, e isto faz com que elejam um líder “e
oferecem à besta o poder e a autoridade que possuem”… Esta escolha obviamente
está ligada à permissão de Deus já que seu propósito é completar seu plano com
Israel e os gentios.
“E sete cabeças (…) e, sobre as cabeças, nomes de blasfêmia”. O fato de o
anticristo ter sete cabeças é porque ele está relacionado a sete governos “As sete
cabeças são sete montes, (…). E são também sete reis: cinco já caíram, e um existe;
outro ainda não é vindo; e, quando vier, convém que dure um pouco de tempo”.(Ap
17:9-10). Os sete montes se referem a Roma; chamada “a cidade das sete
colinas” . Os sete reis e seus respectivos reinos são representados pelas sete
cabeças, são objetos de controvérsia entre os especialistas em escatologia;
alguns entendem como sendo fazes do império Romano, no entanto a visão
dispensacionalista crê que os cinco reis que “já caíram” representam os impérios
que dominaram o mundo, que são: 1) Egípcio, 2) Assírio, 3) Babilônico, 4) Medo-
Persa e o 5) Grego. O que “existe” no tempo de João é o Romano, e o que é futuro é
justamente sob o qual o anticristo reinará. Uma observação interessante é quanto à
descrição feita por João, onde são demonstradas características de suas atitudes
enquanto governo “A besta que vi era semelhante a leopardo, com pés como de urso
e boca como de leão” (comparar com Dn. 7:3-6) com isso o anticristo parece
representar uma confluência dos impérios já existentes que, com seu poder,
assolaram o mundo.
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“E deu-lhe o dragão o seu poder, o seu trono e grande autoridade”. O
dragão é Satanás (Ap 12:9) e este dará poder e autoridade á besta. Paulo diz que
seu aparecimento é segundo a “energeia”, ou seja, seu trabalhar, sua força
sobrenatural, isto demonstra que o anticristo tem sua origem em satanás, sua
habilidade política vem das trevas (Dn 8:25), sua prosperidade é de procedência
maligna (Dn 11:36), e toda esta relação com satanás o constituirá inimigo de Deus,
“abriu a boca em blasfêmias contra Deus, para lhe difamar o nome e difamar o
tabernáculo, a saber, os que habitam no céu” (Ap 13:6). Mais uma vez é indicado o
período em que a besta governará, que é de quarenta e dois meses (Ap 13:5), ou
1260 dias (Ap 12:6). Dominará o mundo e perseguirá todo aquele que se recusar a
adorá-lo uma vez que são servos de Deus (Ap 13:7-8), perseguirá Israel e este será
preservado pelo próprio Deus (Ap 12:6).
Nunca o mundo teve um governo desta maneira como também um líder desta
conjuntura, por mais que se tente associar estas profecias a qualquer fase da
história será um esforço sem êxito, agora, quando olhamos para o quadro Europeu
atual vemos todo o sistema governamental sendo preparado para o surgimento de
um líder. Esta União Européia é:
Organização supranacional européia dedicada a incrementar a integração
econômica e a reforçar a cooperação entre seus estados-membros. A União
Européia (UE) nasceu no dia 1º de novembro de 1993, quando os doze
membros da Comunidade Européia (CE) — Bélgica, Dinamarca, França,
Alemanha, Grã-Bretanha, Grécia, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Holanda,
Portugal e Espanha — ratificaram o tratado da União Européia (Enciclopédia
Microsoft® Encarta®).
Algo relevante é o fato destes paises fazerem parte do mesmo território que o
antigo império Romano, e isto demonstra que a possibilidade da união Européia
ser a confederação que dará ao anticristo o poder de governar é muito grande,
quase impossível de ser de outra maneira. Características como uma só língua,
uma só moeda, livre comércio, conselho unificado etc… são idênticos ao sistema
Romano antigo.
11.2. O Detentor
E, agora, sabeis o que o detém, para que ele seja revelado somente em ocasião
própria. Com efeito, o mistério da iniqüidade já opera e aguarda somente que seja
afastado aquele que agora o detém; (2 Ts 2:6-7)
Eis aqui uma questão muito importante, que é referente à identidade deste
“que detém” a manifestação do anticristo, é certo que existem alguns problemas a
respeito desta identidade, mas buscaremos soluciona-los.
Uma das teorias bastante aceita é a de que o império Romano era o que
impedia o surgimento do anticristo, para F.F. Bruce, não poderia ser de outra
maneira quando escreve:
O apóstolo é intencionalmente vago quando escreve sobre o assunto, (…) Isto
apóia a interpretação de o Império Romano ser o agente retentor, (…) Paulo tinha
razão em mostrar-se constantemente grato pela proteção das autoridades imperiais,
que reprimiam as forças mais hostis ao evangelho. Quando essa proteção fosse
retirada, as forças do anticristo poderiam exercer, livremente, a sua própria
vontade.
Para isto se baseiam na questão de Paulo se preocupar em ser
discreto, não mencionado a identidade do detentor, o que parece ser uma
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grande contradição, pois, já que ele se sentia grato ao império, porque não
menciona-los como sendo seus “amigos”, tornando o relacionamento entre igreja e
Roma mais próximo ainda? A questão é que este relacionamento nunca existiu.
Outra teoria aponta a igreja como sendo “aquele que detém”, o que também
não pode ser possível devido à natureza da igreja, pois esta é apenas habitação do
Espírito de Deus, embora seja o meio que Deus usa para deter as forças espirituais
malignas, não pode ser a detentora já que é passível de acusação.
Neste caso é necessário um detentor que seja um ser espiritual, tenha
poder infinito, seja inculpável e possua autoridade suprema, e tudo isto só
encontramos na trindade, e devido ser algo que impede a manifestação terrena do
anticristo concluímos que o Espírito Santo é o único que pode atender a estes
requisitos, já que Ele foi enviado para habitar no crente em Jesus, sendo a força
vital da igreja, ou seja, é o próprio Deus na terra, morando conosco e em nós e
impedindo que o anticristo venha a se manifestar antes da hora definida por Deus.
E isto só não parece razoável como é a única possibilidade que consegue explicar
de maneira coerente à questão “deste que detém”.
Sendo o Espírito Santo o detentor fica ainda mais confirmado o arrebatamento
antes da grande tribulação, é onde está a explicação de tudo, pois sendo a igreja
seu templo será retirada juntamente com “aquele que detém”, deixando o caminho
livre para que se manifeste o “iníquo”, e não permitindo que a igreja redimida sofra
com o terror de sua ira.
11.3. O Fim do Acordo de Paz
Nos primeiros três anos meio de governo do anticristo, sabemos que haverá
um acordo que introduzirá no mundo uma paz aparente, porém Daniel diz que “na
metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; sobre a asa das
abominações virá o assolador, até que a destruição, que está determinada, se
derrame sobre ele” (Dn 9:27). O versículo nos diz que devido este rompimento, a
besta cessará todos os sacrifícios judaicos que haviam retornado com o acordo de
paz, agora tendo sido desfeito, ele se revela como o terrível assolador, que com toda
a fúria busca destruir Israel.
Em Apocalipse 12 temos um retrato da fúria de satanás contra Israel na
segunda metade da grande tribulação, por isso se faz necessário observarmos
alguns pontos do texto.
O texto fala de uma mulher (v. 1) e esta não pode ser outra coisa a não ser um
símbolo que representa Israel, alguns interpretam como sendo Maria mãe de
Jesus, outros como sendo a igreja, porém nenhuma das duas merece atenção pois
estão totalmente fora de cogitação, e para que houvesse algum paralelo, teríamos
que espiritualizar o texto demasiadamente. A interpretação de que a mulher é
símbolo de Israel torna-se clara, pois vemos que: 1) ela está vestida sol, símbolo
sempre ligado a Israel (Ml 4:2); 2) tem uma coroa de doze estrelas na cabeça,
numero que além de simbolizar as doze tribos, simboliza governo. Estas estrelas
não poderiam ser ligadas aos apóstolos, pois estes foram mais que doze. 3) A
mulher grávida (v. 2) não poderia ser a igreja, já que não foi a igreja quem
concebeu a Jesus, mas Jesus concebeu a igreja, também não pode ser Maria,
porque os fatos descritos no v. 6 e 14 nunca aconteceram a ela. 4) o v. 17 indica
fortemente se tratar de Israel, pois vendo que não conseguiu destruir a Jesus se
voltou contra a nação. Tanto Maria quanto à igreja não se enquadram neste
versículo, a não ser que o texto fosse violentamente alegorizado. Por tudo isto fica
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claro que neste caso João está falando de Israel e a luta de satanás para destruir
aquele que nasceria para governar o mundo (v. 5).
Do v. 7 ao 9 vemos o motivo da fúria de satanás. Alguns interpretam
estes versículos com sendo uma tentativa de Satanás em subir ao céu para
contender com Deus, os midi tribulacionistas acham que se trata de uma luta para
impedir o arrebatamento da igreja, há quem diga que se trata de uma tentativa
em subir ao céu para impedir o nascimento de Jesus. Ao que parece
nenhuma das conjecturas serve para explicar o texto. Existe ainda uma
interpretação que coloca o texto como sendo a queda de Lúcifer o motivo do ódio
pela nação que Deus escolheu para revelar o messias ao mundo; torna-los
sacerdotes messiânicos e fundar seu reino teocrático; fúria esta que acontece de
maneira terrível a partir da segunda metade do período tribulacional (esta parece
ser a menos improvável). Todo o capítulo 12 tem a intenção de mostrar a crescente
perseguição de satanás a Israel tendo o seu momento máximo na segunda metade
da grande tribulação (v. 10-18). E para isto faz surgir um instrumento, um
messias (Ap 13:1-10) pelo qual derramará sua ira após o rompimento do
acordo instituído com Israel.
11.4. A Berta Que Surgiu da Terra
“E vi subir da terra outra besta, e tinha dois chifres semelhantes aos de um
cordeiro; e falava como o dragão” (Ap 13:11)
A primeira besta tem um aliado, este é conhecido como o falso profeta, (Ap
19:20 e 20:10) este caráter religioso pode ser visto pelos seus “dois chifres
semelhantes aos de um cordeiro”, cordeiro sempre está ligado a algo religioso, neste
caso, poder religioso. Outro ponto interessante é que ele surge da terra, e assim
como o mar simboliza as nações, a “terra” simboliza Israel, portanto o falso profeta
será um judeu.
A segunda besta tornará obrigatório o culto ao anticristo “e faz que a terra e os
que nela habitam adorem a primeira besta” (v. 12), e fará uma imagem de
escultura deste, para que todos adorem (v. 14), com seu poder satânico dará vida à
estátua e todo aquele que não prestar culto á besta será morto (v. 15). Será
instituído um sinal, “E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e
servos, lhes seja posto um sinal na mão direita ou na testa”, (v. 16), sem este sinal
ninguém poderá comprar, vender etc…(v. 17), o número é 666. Este número parece
personificar o anticristo, ou seja, satanás em sua tentativa de ser deus enviará
seu messias, e assim como o número 7 indica perfeição o 6 indica
imperfeição, digamos que se Deus tivesse um numero seria 777, qualquer
tentativa de sê-lo seria imperfeita, 666.
Se pensássemos nesta marca a pouco mais de cinqüenta anos, não
admitiríamos outra possibilidade a não ser que ela seria feita com um ferro em
brasa, e assim como um animal é marcado seriamos também. Logo depois veio a
possibilidade de se tratar do código de barras, mas esta já foi substituída pelo
biochip, que pode ser até menor que um grão de arroz e conter todas as
informações que forem necessárias. De qualquer forma, o falso profeta instituirá
este sistema como sendo obrigatório a todos não por força, mas por persuasão. Seu
fim será o mesmo que o do anticristo (Ap 19:20).
12 – A INVASÃO NA PALESTINA
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Já sabemos que a grande tribulação será um período de juízo contra Israel, e
que o propósito de Deus para esta nação é que se convertam ao Senhor e o sirvam
com sinceridade. Para isto meios serão utilizados, e um deles é uma invasão de
confederações a Terra Santa.
O que iremos estudar neste capítulo está relacionado à confederação que
invadirá Israel durante o período tribulacional, é bom deixar claro que estes
conflitos não são especificamente a guerra do Armagedom, esta acontecerá no fim
da grande tribulação, marcando o momento da vinda gloriosa de Jesus para
inaugurar seu reino messiânico.
12.1. Os Inimigos do Norte
Para sabermos quem são estes inimigos buscaremos no livro do profeta
Ezequiel, que nos capítulos 38 e 39, falam a respeito de uma confederação de
vários reinos que se juntarão sob uma liderança para invadir o território de Israel,
afim de destruí-lo.
No cap 38:1-6, são mencionadas as nações que se juntarão para
formarem esta confederação. Todas estas estarão sob o comando de um
líder, chamado Gogue. Vejamos o texto.
Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Filho do homem, volve o rosto
contra Gogue, da terra de Magogue, príncipe de Rôs, de Meseque e Tubal; profetiza
contra ele e dize: Assim diz o SENHOR Deus: Eis que eu sou contra ti, ó Gogue,
príncipe de Rôs, de Meseque e Tubal. Far-te-ei que te volvas, porei anzóis no teu
queixo e te levarei a ti e todo o teu exército, cavalos e cavaleiros, todos vestidos de
armamento completo, grande multidão, com pavês e escudo, empunhando todos a
espada; persas e etíopes e Pute com eles, todos com escudo e capacete; Gômer e
todas as suas tropas; a casa de Togarma, do lado do Norte, e todas as suas tropas,
muitos povos contigo. (Em itálico estão os nomes das nações que se unirão.)
Para conhecermos os detalhes sobre a invasão, precisaremos, anteriormente,
identificar que são atualmente estes paises, a começar pelo líder desta
confederação.
A. Gogue príncipe de Magogue. Gogue será o líder das forças do norte, este
não se trata de Gogue filho de Semaías, mas um nome simbólico. O que realmente
nos importa é quanto a sua terra, e esta é chamada Magogue, formada por Rôs,
Meseque e Tubal.
Magogue é o segundo filho de Jafé, neto de Noé (Gn 10:2), com a distribuição
das terras, cada um dos filhos de Noé juntamente com suas famílias, povoaram
cada região da terra. Magogue, foi para a região da Caucásia, esta que é uma:
• Região que se localiza no extremo sudeste da Europa, entre o mar Negro e o
mar Cáspio, divide-se em duas regiões pela cordilheira do Cáucaso. A zona
norte, situada no interior da Federação Russa e conhecida como
Cáucaso,(…) A parte mais meridional e extensa, Transcaucásia,(…). Essa
região compreende a Geórgia, Armênia e o Azerbaijão.
A Caucásia é conhecida como o “berço da raça branca”, portanto, Magogue é a
raiz dos Caucasóides, que é uma classificação, em termos de raças humanas, aos
povos de pele, olhos e cabelos claros.
Desde a antiguidade estes povos eram chamados de citas. Flávio Josefo,
historiador do século I, identifica os descendentes de Jafé como sendo a
origem dos Citas, Gregos e Romanos (é claro que estes povos se dividiram e hoje
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compreendem até certo ponto, os latinos). Josefo indica Magogue como o pai da
raça Cita “Magogue fundou a (colônia) dos Magogianos a que eles (os gregos)
chamam de citas” (Primeiro livro Cap 6:18). A Enciclopédia Encarta define assim
os Citas:
• Cita, nome dado pelos escritores gregos clássicos a um grupo de tribos
nômades que ocuparam a Europa central e a Ásia durante o século VIII a.C.
• Esta denominação abrange os habitantes da zona de Cítia, ao norte do mar
Negro, entre os Cárpatos e o rio Don, no que são atualmente a Moldávia, a
Ucrânia, o leste da Rússia, e todas as tribos nômades que habitaram as
estepes entre a Hungria e as montanhas do Turquestão.
Gogue é o príncipe desta região, que é formada a, principio, por três
territórios, Rôs, Meseque e Tubal.
Ao iniciarmos o reconhecimento de cada um deles nos deparamos com um
problema que é o fato de muitas versões omitirem o território de “Rôs”, traduzindo
este termo por “chefe”, portanto se faz necessário averiguarmos essa tradução antes
de continuarmos.
Rôs vem da palavra hebraica ro’sh (var), e significa: cabeça, topo, cume, parte
superior, chefe, total, soma, altura, fronte, começo (Strong). De um modo geral é
traduzido por cabeça em seu sentido literal (Gn 3:15; 40:16), outra vezes é
traduzido por cume ou topo de um monte, torre ou escada (Nm 14:40; Gn 11:4;
gn 28:12), também é traduzida por capitão no sentido de chefe (Nm 14:4;
Ex 6:14). Seu sentido é abrangente. No texto de Ezequiel 38:2, várias
traduções empregam a Ro’sh, o sentido de chefe “Gogue, terra de Magogue, príncipe
e chefe de Meseque e de Tubal,” (RC), a tradução na linguagem de Hoje diz “Gogue,
o principal governador das nações de Meseque e Tubal, na terra de Magogue.”.
Estas traduções estariam corretas se, neste caso, “ro’sh” fosse um
substantivo, assim como é apresentado em outras referências, no entanto o
contexto do versículo como também a oração em hebraico não permitem que seja
dessa forma, obrigando “ro’sh” a ser um nome próprio. Isso pode ser visto através
de seu precedente, nasiy’ que significa: pessoa elevada, chefe, príncipe, capitão,
líder; ou seja, Ro’sh quando usado no sentido de chefe, príncipe ou capitão,
torna-se sinônimo de nasiy’, o que torna ro’sh, enquanto substantivo,
totalmente desnecessário, até porque príncipe no hebraico tem sentido
completo e suficiente para qualificar Gogue como príncipe, chefe, líder etc. O
fato de ro’sh ser seguido Meseque e Tubal, torna mais convincente sua
tradução como nome próprio que como algumas Bíblias apresentam. A Septuaginta
(versão grega do Velho Testamento Séc.III a.C.) traduz ro’sh como nome próprio,
pois a oração em grego não permite ser de outra maneira, já que príncipe no grego
archon, tem o mesmo significado que no hebraico.
Algo que marca ro’sh como sendo a “cidade cabeça ou chefe”, pode ser o fato
dela ser um tipo de capital ou metrópole da terra de Magogue. De qualquer
maneira este nome pode ser, inicialmente um adjetivo que veio a ser
definitivamente um nome próprio da “cidade”.
Resolvido este problema, nos resta saber quem são, atualmente estas cidades.
O que sabemos a respeito da terra de Magogue é que fica na região da Rússia e
adjacências. Desde o século XVI , os intérpretes da palavra de Deus ligam Rôs à
Rússia, e esta interpretação tem permanecido firme e sustentável até hoje.
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Meseque é a segunda “cidade” que faz parte do território magogiano.
Este nome veio de Meshek (Kvm), (transliterado para o português como
Meseque) sexto filho de Jafé.
A descendência de Jafé, como já visto, foi a que deu origem aos citas,
como também outros povos daquela região, dessa forma, Meseque é
considerado como o que deu origem aos russos.
A descendência de Meseque se dirigiu à região que fica entre o mar
Negro e o Cáspio, e ali foram chamados de “Moschi”. Mais tarde, durante o
período de domínio Babilônico e Persa na Ásia ocidental, boa parte deles
cruzaram o Cáucaso, espalhando-se pela região mais ao Norte, onde foram
conhecidos como “Muscovs”, uma forma primitiva de Moscou, atual capital Russa.
Em inscrições assírias são mencionados como “Muski”.
Tubal, irmão de Meseque, quinto filho de Jafé. Tubal sempre é visto,
nas Escrituras, juntamente com Meseque (Gn 10:2; 1 Cr 1:5;), ambos eram
mercadores de escravos; sua fama era de serem um povo cruel que traziam
destruição onde passavam (Ez 27:13; 32:26), o que vem confirmar o motivo da ira
de Deus contra eles.
Tubal é mencionado em documentos assírios como sendo os “Tibareni”, o
historiador grego, Heródoto (484?-425 a.C.), também dá o mesmo nome aos
descendentes de Tubal. Este povo vivia também na região do Cáucaso, e hoje seu
nome é Tobolsk, cidade Siberiana, que é a parte oriental da região asiática Russa.
Concluímos que a terra de Magogue trata-se do território, hoje conhecido como
Federação Russa. Meseque é Moscou e Tubal é Tobolsk.
B. Os Aliados de Gogue. Por mais breve que pretendamos ser neste
estudo, é necessário um esforço em identificar quem são estes aliados que
juntamente com a Rússia invadirão Israel na grande tribulação, portanto
conheceremos quem são para podermos iniciar nossa pesquisa.
Ez 38:5-6 relaciona os aliados dessa forma: Persas, etíopes, Pute, Gômer e a
casa de Togarma.
A região Pérsia foi resumida ao território do atual Irã, e isto pode ser
observado facilmente em qualquer livro de história.
Os etíopes são os descendentes de Cuxe, primeiro filho de Cam e neto de Noé.
Alguns historiadores não vêem os etíopes mencionados por Ezequiel como sendo
os mesmos da atual África, isto não se deve ao fato de ser uma região
impossibilitada de ter um exército com condições de guerra de grande proporção,
mas sim a uma questão de evidência histórica. Foram descobertas inscrições
assírias que apresentam um povo com características semelhantes aos
descendentes de Cuxe que habitaram mais ao norte da Arábia (a Etiópia da África
fica ao sul da Arábia), chamados Cassitas, estes parecem representar melhor,
devido a posição geográfica, os etíopes mencionados por Ezequiel.
O terceiro aliado é apresentado como Pute, esta nação leva o nome do terceiro
filho de Cam , também de fácil identificação, é a atual Líbia. Josefo no século
primeiro escreveu “Pute (…) povoou a Líbia e chamou a estes povos
Puteenses”. Alguns historiadores colocam Pute como sendo outro povo que
habitava nas cercanias da Pérsia (atual Irã).
Gômer, quarto do grupo, primeiro filho de Jafé, irmão de Magogue, Tubal e
Meseque. É indicado categoricamente como o que originou os Cimerios e os Celtas.
Ambos eram povos arianos que viviam em sistema nômade; no século VIIa.C. foram
para a região da Ásia Menor, de onde foram expulsos. A maior parte rumou para
Escatologia – 63
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o norte, mais precisamente para a região da atual Alemanha, o que
confirma a indicação encontrada no Tamulde judeu, onde os descendentes de
Gomer são chamados de “Germanis”. Alguns historiadores reconhecem Gomer
como sendo a Capadócia, atual Turquia; isto parece difícil devido não haver
ligação étnica entre os povos Celtas e os atuais turcos.
O quinto poder confederado é chamado de “casa de Togarma”. Togarma era o
filho mais velho de Gômer; é reconhecido, por um consenso majoritário que se
trata da atual Armênia.
A bíblia ainda nos revela que estes terão consigo “muitos povos”; não podemos
identifica-los, mas sabemos que muitas nações têm interesse na região da
Palestina e por isso se unirão na intenção de conquista-la. Um ponto relevante está
em que todos este paises já combateram de forma direta ou indireta contra Israel.
12.2. O Momento da Invasão
Quanto à época da invasão da confederação do Norte à Palestina, temos
algumas divergências; existem os que pensam que será nesta dispensação, os que
acham que será após o milênio, no final da grande tribulação, no começo da grande
tribulação, enfim, os pensamentos são variados, no entanto a Bíblia não nos
permite “filosofar” mas sim observar seus textos e extrair deles o que realmente
pode nos direcionar a um caminho correto.
Sem perder tempo refutando cada pensamento, iremos direto à interpretação
adotada neste trabalho, a qual entende que esta invasão será em meio a grande
tribulação. Alguns pontos que confirmam esta invasão na grande tribulação, e mais
precisamente na metade do período.
• Alguns posicionam esta invasão durante o milênio baseado em Ez 38:
8;11-12; entretanto esta paz descrita refere-se ao período inicial da
grande tribulação onde Israel estará sendo “protegido” pela besta devido o
acordo firmado no inicio da semana profética.

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