Discipulado
– Integrando o Novo Convertido –
TEOLOGIA
PASTORAL
Bacharelado em
Discipulado – 2
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SUMÁRIO
1 – INTRODUÇÃO…………………………………………………………………………………………3
2 – O PERFIL DOS ALUNOS……………………………………………………………………………3
2.1. SÃO CRIANÇAS …………………………………………………………………………………………..3
2.2. PRECISAM DE ATENÇÃO ESPECIAL ……………………………………………………………………4
2.3. REQUEREM CUIDADOS ESPECIAIS ……………………………………………………………………5
3 – O PERFIL DO PROFESSOR ……………………………………………………………………….5
3.1. PRÉ-REQUISITOS GERAIS ………………………………………………………………………………6
3.2. PRÉ-REQUISITOS ESPECÍFICOS………………………………………………………………………..6
4 – O MÉTODO DE ENSINO ……………………………………………………………………………7
4.1. O ENSINO DEVE FOCAR OS RESULTADOS …………………………………………………………..7
4.2. O ENSINO DEVE SER ESPECÍFICO ……………………………………………………………………8
4.3. PLANEJAMENTO ………………………………………………………………………………………….9
5 – FAZER DISCÍPULOS, NÃO MERAMENTE CONVERTIDOS ……………………………… 10
5.1. O SENTIDO DA ORDEM ……………………………………………………………………………….10
5.2. O EFEITO ESTRATÉGICO ……………………………………………………………………………..13
6 – MENOR ABANDONADO NÃO É NEGÓCIO…………………………………………………… 13
7 – O EXEMPLO DE CRISTO E DE PAULO………………………………………………………. 14
8 – COMO FUNCIONA O DISCIPULADO………………………………………………………….. 15
9 – A IMPLEMENTAÇÃO DA ESTRATÉGIA ……………………………………………………… 17
9.1. COMO SER DISCÍPULO? ………………………………………………………………………………17
10 – FAZER DISCÍPULOS DE QUEM? …………………………………………………………… 19
11 – COMO FAZER DISCÍPULOS? ……………………………………………………………….. 20
11.1. E AGORA? ………………………………………………………………………………………………22
11.2. IMPLICAÇÕES …………………………………………………………………………………………..23
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1 – INTRODUÇÃO
A classe de novos convertidos na Escola Dominical é uma expressão ou
extensão do amplo Ministério do Discipulado.
O Discipulado é um ministério pessoal, ilimitado e flexível. É uma das formas
mais rápidas de aumentar o número de batismos e aprofundar a qualidade de vida
dos que são alcançados para Cristo.
Antes de conhecer as peculiaridades de sua classe e os métodos mais
adequados a serem adotados, o ensinador de Novos Crentes precisa saber de
antemão o que significa ser discípulo. Quem não é discípulo não pode fazer
discípulos!
A palavra “discípulo”, mathetés, é usada 269 vezes nos Evangelhos e em Atos.
Significa pessoa “ensinada” ou “treinada”, aluno, aprendiz. (Texto-base: Mt
28.19,20.)
Nos Evangelhos, Jesus define a palavra discípulo de cinco maneiras:
• Discípulo é um crente que está envolvido com a Palavra de Deus de maneira
contínua (Jo 8.31).
• Discípulo é aquele que ama sacrificialmente, sem medir esforços (Jo 13.35;
1 Jo 3.16).
• Discípulo é alguém que permanece diariamente em união frutífera com
Cristo (Jo 15.8). 4) Discípulo é aquele que assume a sua cruz e segue a
Cristo (Lc 14.27).
• Discípulo é aquele que renuncia tudo que tem (Lc 14.33).
2 – O PERFIL DOS ALUNOS
Quem são seus alunos? Naturalmente são novos convertidos. A diferença e a
ênfase está justamente nisto: não são alunos comuns.
2.1. São Crianças
São como crianças recém-nascidas em Cristo que precisam ser identificadas
logo após o nascimento.
O pecador se arrepende; o Espírito Santo o regenera (novo nascimento) =
conversão.
Devem ser recepcionados imediatamente após a conversão e identificados,
através da “Ficha de identificação e triagem”.
Na triagem:
• Oferece literatura;
• Orienta sobre os principais trabalhos da igreja;
• Orienta quanto a matrícula na EBD: ideal orientadores para cada faixa
(crianças, adolescentes, jovens e adultos).
Qual a finalidade da identificação?
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• Ter como localizá-los.
• Conhecer a realidade de seus alunos.
• Sondagem, Coleta de dados, Conhecimento da realidade, Diagnóstico,
Estratégia de Trabalho, (Nome, endereço, data de nascimento, data da
decisão, origem religiosa, sua relação com a comunidade, histórico familiar,
nível sócio- econômico, cultura, necessidades pessoais, limitações físicas;
perguntas dos tipo: É a primeira vez que está se decidindo? Está vindo de
outra igreja? Qual? Quanto tempo esteve por lá?).
• Elaborar programa de assistência.
• Formar comissões de visitadores (que atendam as peculiaridades dos
decididos: idade, sexo, formação etc.)
“A salvação é de graça, mas o discipulado custa tudo o que temos.” Billy
Graham
Você precisa conhecê-los realmente! Vamos fazer um teste? Pense em três
novos convertidos de sua igreja.
• Sabe o nome deles?
• Pode lembra-se onde eles moram?
• Sabe a data do aniversário deles?
• Sabe como vão indo nos estudos ou no trabalho?
• Mantém boas relações com suas famílias?
• Conhece algum problema em particular?
• O que poderia dizer sobre seu testemunho cristão?
• Há alguma coisa especial de que necessitam?
• Quando foi que aceitaram a Cristo?
2.2. Precisam de Atenção Especial
São pessoas especiais que requerem atenção especial.
A. São Totalmente Dependentes Espiritualmente. Só conseguem digerir os
aspectos mais simples das verdades espirituais. “Com leite vos criei e não com
manjar, porque ainda não podíeis, nem tão pouco ainda agora podeis” (1 Co 3.1-3).
• Precisam ser alimentadas por outrem.
• Têm dificuldade em falar (de explicarem a razão da fé).
B. Falta-lhes um Senso Adequado de Valores. Agarram-se a detalhes sem
importância, em vez de aprenderem o que tem realmente valor.
(Eles se escandalizam facilmente; se apegam a rudimentos de doutrinas;
podem criar dogmas).
O professor deve apresentar a Cristo como Senhor e não apenas como
Salvador (senhorio de Cristo Mt 16.24). Muitos querem as bênçãos do Salvador,
mas não o aceitam como Senhor. Precisamos aceitar o senhorio de Cristo.
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O professor deve apresentar a real proposta do evangelho. Livrar o homem da
perdição eterna (diferente do Evangelho da Prosperidade).
2.3. Requerem Cuidados Especiais
São pessoas carentes que requerem cuidados especiais.
A. “Alimentação” Adequada (Leite Racional). Não haverá crescimento espiritual
independente da Palavra de Deus.
“Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos o leite racional,
não falsificado, para que por ele vades crescendo” (1 Pe 2.2).
Quando o homem aceita a Cristo torna-se nova criatura, ou seja, nasce de
novo. Não se pode administrar à criança recém-nascida alimentos sólidos, antes, o
leite materno. O novo convertido precisa conhecer as doutrinas básicas da salvação.
Portanto, inicialmente, deve afastar-se de assuntos complexos e especulativos.
A princípio, a criança é alimentada pelos outros; mais tarde, começa a
alimentar-se por conta própria e finalmente, quando adulta, passa a alimentar
outros.
Um dos alvos do fazedor de discípulos é ensinar o discípulo a alimentar-se, de
forma que ele possa, mais tarde alimentar também outros.
B. “Meio-ambiente” Propício (Lar Espiritual). Não haverá crescimento espiritual
fora do contexto da comunhão cristã.
“Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de
Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Ef 4.13).
Observando as palavras de Paulo em Efésios 4.13 “Até que todos
cheguemos…” verificamos que o meio ambiente propício ao crescimento espiritual é
encontrado no contexto da comunhão cristã (lar espiritual, família espiritual).
Não é suficiente o contato que o professor tem com o aluno durante a aula na
Escola Dominical. O professor deve proporcionar um meio-ambiente propício para
um inter-relacionamento com outros crentes onde se compartilham idéias, verdades
aprendidas na Palavra, aspirações, e onde haja compreensão.
C. Precisam de um Referencial no Novo Grupo de Convivência. Geralmente a
primeira referência do novo convertido na igreja é o professor (discipulador) de sua
classe na Escola Dominical.
3 – O PERFIL DO PROFESSOR
Em linhas gerais, o professor da classe de novos convertidos precisa ser um
crente fiel, espiritual e seguro conhecedor das doutrinas bíblicas, além de ter
comprovada capacidade para ensinar.
Conhecimentos teológicos mínimos: Deus, Jesus Cristo, Espírito Santo,
Trindade, homem, pecado, soteriologia: (regeneração, redenção, expiação,
propiciação, justificação, santificação).
Formação pedagógica, se possível.
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3.1. Pré-requisitos Gerais
A. Vocação Autêntica. A vocação floresce no próprio cerne da personalidade.
Significa a propensão fundamental do espírito, sua inclinação geral predominante
para um determinado tipo de vida e de atividade, no qual encontrará plena
satisfação e melhores possibilidades de auto-realização.
B. Sociabilidade. A educação e o ensino são fenômenos de interação
psicológica e social; temperamentos egocêntricos, fechados, incapazes de abrir e
manter contatos sociais comum certo calor e entusiasmo, não estão talhados para a
função do magistério; este exige comunicabilidade e dedicação à pessoa dos
educandos e aos seus problemas.
C. Amor Paedagogicus. Simpatia e interesse natural pelos alunos e desejo de
auxiliá-los nos seus problemas e anseios. Geralmente a escolha de um professor
favorito se baseia num relacionamento pessoal e não na capacidade para ensinar.
Os alunos se lembram dos professores que mostraram interesse especial e cuidam
delas antes de se lembrarem daqueles que tinham bons dotes de oratória.
Apreço e interesse pelos valores da inteligência e da cultura. O professor que
realmente tem vocação para o magistério é naturalmente um estudioso, um leitor
assíduo, com sede de novos conhecimentos capaz de se entusiasmar pelo progresso
da ciência e da cultura.
D. Aptidões Específicas. São atributos ou qualidades pessoais que exprimem
certa disposição natural ou potencial para um determinado tipo de atividades ou de
trabalho. Saúde, equilíbrio mental e emocional, órgãos de fonação, visão e audição
em boas condições; boa voz: firme, agradável, convincente; linguagem fluente, clara
e simples; autoconfiança e presença de espírito; naturalidade e desembaraço;
firmeza e desembaraço; imaginação, iniciativa e liderança; habilidade de criação;
boas relações humanas.
D. Preparo Especializado. O conhecimento amplo e sistemático da matéria ou
da respectiva área de estudo é condição essencial e indispensável para a eficiência
do magistério cristão.
3.2. Pré-requisitos Específicos
A. Ser chamado por Deus para o ministério do ensino (Ef 4.11,12). Os
professores da EBD são freqüentemente escolhidos pelos líderes e não vocacionados
por Deus. Os vocacionados têm esmero (dedicação): “…se é ensinar, haja dedicação
ao ensino” (Rm 12.7b).
Esmero significa integralidade de tempo no ministério estar com a mente, o
coração e a vida nesse ministério. Ser professor é diferente de ocupar o cargo de
professor.
B. Ter um Relacionamento Vital e Real com Jesus Cristo. O que representa
este relacionamento?
Cristo é seu salvador pessoal; salvo-o de todo o pecado e é também Senhor e
dono da sua vida.
C. Esforçar-se em seguir o exemplo de Jesus. Jesus é o maior pedagogo de
todos os tempos; usou todos os métodos didáticos disponíveis para ensinar.
D. Reconhecer a importância da sua tarefa e encará-la com seriedade. Qual
importância?
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Quando um investimento espiritual é feito em outra vida, você participa de
toda a glória das recompensas espirituais que serão colhidas através da vida, para
sempre.
O apóstolo Paulo disse aos tessalonicenses: “Vós sois a nossa glória e nosso
gozo” (1 Ts 2.20).
Por que seriedade? Por causa do juízo: “…meus irmãos, muitos de vós não
sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo” (Tg 3.1).
E. Lealdade. No apoio ao pastor; na assistência aos cultos; na participação no
sustento financeiro.
F. Disposição de Aprender. O homem é um ser educável e nunca acaba de
aprender. Aprendemos com os livros; com nossos alunos; aprendemos enquanto
ensinamos. “Não há melhor maneira de aprender do que tentar ensinar outra
pessoa.” Quando não sabe uma resposta, é melhor ser honesto e dizer que não
sabe.
G. Saber Planejar Suas Aulas. Ter objetivos claros e definidos em cada etapa
do ensino.
• O que pretendo alcançar (Objetivos)
• Como alcançar (Métodos e recursos)
• Em quanto tempo (cronograma)
• O que fazer e como fazer (Procedimentos de ensino)
• Como avaliar o que foi alcançado (Avaliação)
H. Entender o Processo de Aprendizagem. Até o século XVI, a prender era
memorizar.
Século XVII. Fórmula de “Comenius”: compreensão, memorização, aplicação.
Hoje, a aprendizagem é um processo: lento, gradual e complexo. Aprender é
modificar o comportamento.
I. Conhecer variados métodos de ensino.
J. Ensinar com Motivação. O professor não motiva, incentiva. Deve saber e
dominar o que vai ensinar. Conhecer bem a Palavra, o currículo e a lição daquele
dia. Este conhecimento deve fazer parte de sua experiência.
L. Despertar o aluno para a salvação e o crescimento espiritual. “Ele está se
tornando semelhante a Cristo?”
M. Viver o que ensina.
N. Ser crente integrado à sua igreja: presença nos cultos e atividades da igreja;
dizimista; manter-se distante dos ventos de doutrinas; eticamente correto.
4 – O MÉTODO DE ENSINO
4.1. O Ensino Deve Focar os Resultados
O ensino deve, em primeiro lugar, objetivar um plano de cultivo de resultados,
ou seja, a integração dos novos crentes.
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A. Levar o novo convertido a alcançar a certeza de salvação. Três passos para
levar o novo convertido a ter certeza de salvação:
• Levar o convertido a confiar no caráter de Deus. Deus não pode mentir (Tt
1.2). O caráter de Deus é o fundamento para que a pessoa alcance a certeza
de vida eterna.
• Levar o convertido a compreender com clareza as promessas de salvação
feitas por Deus (Jo 5.24; Ap 3.20).
• Levar o convertido a entender claramente as condições estabelecidas por
Deus para alguém ser salvo.
o O pecador precisa se arrepender (Is 55.7).
o O pecador precisa confessar seus pecados (1 Jo 1.9).
o O pecador precisa crer em Jesus (Jo 5.24).
o O pecador precisa invocar o nome do Senhor (Rm 10.13).
B. Doutrinar o novo crente para que seja batizado conscientemente.
• Necessidade do batismo.
• Valor e significado.
• Forma bíblica do batismo (imersão).
• Ceia, finalidade.
• Para quem foi instituída a ceia.
• Igreja (origem, natureza, missão e destino).
C. Doutrinar o novo batizado para que adquira firmeza doutrinária e se integre
na comunhão da igreja.
• Crente e sua nova natureza.
• Comportamento do cristão.
• Vida devocional.
• Mordomia cristã.
• Testemunho.
4.2. O Ensino Deve Ser Específico
O ensino deve atender às dificuldades de compreensão peculiares ao novo
convertido.
A. Linguagem. A linguagem deve ser comum entre o professor e o aluno. O
novo convertido não está familiarizado com a linguagem evangélica.
B. Comunicação. Quais são os principais problemas de comunicação entre
professores e alunos?
O método é definido através de padrões de comunicação: unilateral, bilateral e
multilateral.
• O professor está mais preocupado em expor a matéria (transmitir
conhecimento).
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• O professor utiliza conceitos ou termos que ainda não existem na
experiência dos alunos novos convertidos.
• O professor não se preocupa em aumentar o vocabulário de seus alunos.
• O professor coloca tantas idéias em cada exposição que somente algumas
delas são compreendidas e retidas.
• Alguns professores falam rápido demais ou articulam mal as palavras.
Outros, em voz baixa e tom monótono.
• O professor não utiliza meios visuais para comunicar conceitos ou relações
que exigem apresentação gráfica.
• O professor tem suas idéias tão mal ou perfeitamente organizadas, que não
há lugar para a imaginação criativa dos alunos.
C. Cultura Bíblica. O conhecimento que possuem a respeito de Deus
geralmente é alheio às Escrituras. Não compreendem a história, a geografia, os
costumes dos personagens bíblicos e sua aplicação para os nossos dias.
D. Temas Teológicos e Doutrinários da Bíblia. O novo convertido não está
habituado a expressões como: Regeneração, Justificação, Redenção, Expiação,
Arrebatamento da Igreja, Milênio, Escatologia etc.
E. Noções de tempo, espaço e circunstância no plano bíblico. Neste aspecto
quais providências o professor deve tomar em relação a ministração do conteúdo da
matéria?
4.3. Planejamento
O ensino deve ser planejado e não improvisado. O professor deve preparar-se
profundamente para a aula (2 Tm 2.15).
A. Através da Oração. A oração é o segredo do poder no ensino (Mc 1.35; Lc
5.16).
B. Com Propósito Preestabelecido. O professor deve estabelecer os objetivos da
lição.
C. Através de Estudo Diário. O professor deve preparar suas lições com
antecedência. Ou seja, diariamente, do início ao término da semana.
D. Material de estudo mínimo necessário.
• A Bíblia. Se possível, todas as legítimas versões em português.
• Dicionário Bíblico.
• Gramática da Língua Portuguesa.
• Concordância Bíblica.
• Chave Bíblica (resumo dos livros).
• Manuais de Doutrina.
• Comentários.
• Atlas Bíblico.
• Didática Aplicada.
• Apontamentos individuais.
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5 – FAZER DISCÍPULOS, NÃO
MERAMENTE CONVERTIDOS
Agora vamos atentar para as palavras do Senhor Jesus que encontramos em
Mateus 28:18-20, a chamada Grande Comissão de Cristo. A primeira coisa que nos
chama a atenção é a declaração feita no verso 18: “É-me dado todo o poder no céu e
na terra.” (Outra versão diz “autoridade” que resulta na mesma coisa, pois não há
autoridade sem poder.) Em outras palavras Jesus se declara como Soberano do
universo, O Maior. Esta declaração tem pelo menos dois reflexos para os seguidores
de Cristo.
Primeiro, é condição básica de êxito sabermos que nosso Chefe é o Maior. É
esta certeza inabalável que nos dará as condições de enfrentar o inimigo e as
circunstancias adversas sem temer e sem vacilar.
Segundo, qualquer ordem dada pela Autoridade Máxima do universo exige
atenção e respeito total. Para começar, tal atenção e respeito tem que se manifestar
numa exata atenção prestada ao exato sentido da ordem. Precisamos definir o
conteúdo semântico da ordem de forma completa e perfeita, se possível. Pois ao
proferir uma ordem nosso Chefe obviamente quer ser obedecido, e de forma certa e
completa. Então, vejamos agora o conteúdo semântico da ordem.
5.1. O Sentido da Ordem
Uma tradução rigorosa seria mais ou menos a seguinte: “Ao irem, discipulai
todas as etnias, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo,
ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado.” (Também
poderíamos traduzir “fazei discípulos em todas as etnias”.) Constatamos que só
tem um verbo no imperativo, a saber “discipulai”. Daí se vê que teremos que
procurar a essência da ordem nesse verbo. Sei que nossas principais versões
traduzem o verbo “ir” como se também estivesse no imperativo, mas não está – está
no particípio passado. Portanto não pode representar a ação principal; é uma
circunstância. Creio que pensando um pouco fica claro que o ir não passa de
circunstância. A gente “vai” para chegar no lugar onde deve trabalhar. Alguém
poderia passar o tempo todo indo e nada fazer, um eterno turista. O Senhor Jesus
faz de conta que já estaremos indo, ou já teremos ido (ao pé da letra a tradução
seria “tendo ido”). Em outras palavras, onde quer que cada um esteja, conforme a
vontade de Deus para cada qual, a ordem é fazer discípulos.
A ordem é, fazer discípulos. Infelizmente a versão “Corrigida” nos despista ao
traduzir “ensinai” – o verbo ensinar está, sim, no começo do verso seguinte, mas
não no verso 19. (Observe-se de passagem que a maioria esmagadora dos
manuscritos gregos que contêm este trecho [95%] não tem a palavra “portanto”,
razão porque não coloquei na minha tradução.) Já que a ordem é fazer discípulos,
antes de mais nada precisamos entender a acepção exata que Jesus tinha do
vocábulo “discípulo”, pois aí está o cerne da ordem.
Pois então, que entendia Jesus por “discípulo”? O contexto imediato fornece
um bom subsídio, pois o verso 20 diz: “ensinando-os a guardar todas as coisas que
vos tenho ordenado”. Quer dizer que fazer discípulo implica em ensinar (não
meramente pregar). Mas ensinar o quê? Ensinar a guardar, isto é, obedecer todas
as coisas que Jesus mandou. Mas obviamente ninguém pode obedecer coisa que
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ignora; daí teremos que ensinar as próprias coisas que Jesus mandou, e todas elas.
Será exatamente isso que estamos a fazer nas nossas igrejas?
Convido a atenção do leitor para Lucas 14:25-33, única passagem onde se
preserva nas próprias palavras de Jesus uma definição de discípulo, e onde Ele
emprega a palavra “discípulo” de sorte que não há como não entender (é claro que
discipulado é abordado em outras passagens, mas como a palavra “discípulo” não
se encontra poderia haver discussão a respeito). Três vezes encontramos a frase
“não pode ser meu discípulo”. A expressão é enfática, principalmente no Texto
original. Trata-se de condições absolutas que o Senhor coloca – quem não
preencher não tem jeito. Vamos, pois, às condições.
A. “Aborrecer”. A primeira se encontra no verso 26. “Se alguém vem a mim e
não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda também
a sua própria vida, não pode ser meu discípulo.” Mas que palavra difícil! Será que
tenho mesmo é de aborrecer (o verbo grego é “odiar”) inclusive aos entes mais
queridos? Como pode? Deus não manda amar as pessoas? Que será que Jesus quer
com essa palavra tão dura? Deve ser entendida de forma comparativa, assim como
está na passagem paralela, Mateus 10:37: “Quem ama o pai ou a mãe mais do que
a mim não é digno de mim”.
Em outras palavras, Jesus exige de mim, caso me proponha segui-lo como
discípulo, que eu coloque meu relacionamento com Ele acima de todos os demais
relacionamentos na vida, quer seja com pai, com mãe, com mulher, com filhos ou
com o próprio “eu”. Jesus exige o primeiro lugar, sem concorrência. Agora, quem
sustentar um relacionamento assim com o Senhor Jesus se verá, vez por outra,
obrigado (pelo próprio Jesus) a se comportar de uma maneira que as pessoas que
estão do lado de fora de um tal relacionamento com Jesus não irão entender. Não
saberão interpretar corretamente. Vão interpretar como descaso, desprezo,
aborrecimento, ódio até. Senão, vejamos.
Mais de uma vez já houve quem me dissesse bem objetivamente, bem “na
cara” que eu certamente aborrecia minha esposa e minhas filhinhas por carregá-las
selva adentro a fim de morarmos em plena aldeia de índios, como fiz, com efeito.
Pois tais pessoas não conseguiam entender meu comportamento. Não dava para
entender que um chefe de família com as minhas condições iria expor essa família à
vida difícil, primitiva, até perigosa de plena selva amazônica, inclusive dentro de
aldeia indígena, privando-a assim do conforto e das vantagens da cidade. Só
podiam interpretar meu procedimento como falta de responsabilidade, no mínimo.
E quantos missionários, cujos pais não compartilhavam o ideal do filho, na
hora difícil da despedida, prestes a zarparem para outra terra, não têm ouvido dos
lábios dos próprios pais palavras mais ou menos assim: “Mas meu filho, você odeia
a gente, você vai abandonar a gente, vai se lascar sabe lá aonde, não faça isso meu
filho!”. Naquela hora de angústia os pais lançam mão de exatamente esse tipo de
linguagem – interpretam o procedimento do filho como descaso, desprezo, ódio até.
Daí se vê que ao fazer uso da palavra “aborrecer” Jesus não estava exagerando, não
estava sendo ridículo. É isso mesmo – aborrecer.
No entanto, gostaria de avaliar a questão da responsabilidade. Será que agi de
forma irresponsável ao levar minha família selva adentro morar com índio? Qual
seria melhor, a selva com Jesus ou a cidade sem Ele? Se levo a família para a selva
obedecendo a ordem de Jesus quem responde pelas conseqüências é Ele. Se
permaneço na cidade contra Sua vontade aí quem responde sou eu. Sei que a
questão é tanto séria como prática, pois conheço homens que sabiam perfeitamente
ter um chamado missionário mas não atenderam, alegando a esposa – não poderia
expor a mulher a esse tipo de vida.
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Aliás, o Antigo Testamento nos traz o relato de certos homens que fizeram
opção semelhante – refiro-me aos guerreiros de Israel em Cades-Barnéia. No
cronograma de Deus estava na hora de invadir a terra prometida, mas dez dos doze
espias desanimaram a turma e se rebelaram contra a ordem de Deus, ordem já
dada e conhecida. Como justificativa alegaram que se obedecessem seriam mortos
e aí como seria o caso das mulheres e das crianças. Não bastasse, ainda fizeram
uma contraproposta a Deus – seria até melhor morrer por ali. (É muito perigoso
fazer contraproposta a Deus, pois Ele é capaz de aceitá-la, como no caso em pauta.)
Como resultado passaram mais 38 anos vagando no deserto (ver Dt. 2:14) até que
todos os homens que votaram contra Deus em Cades-Barnéia morressem. Não ficou
um sequer para atravessar o Rio Jordão. Já as mulheres e crianças, a suposta
justificativa pela desobediência, Deus fez entrar na terra prometida.
Meus irmãos, enfrentemos qualquer perigo menos desobedecer a vontade
conhecida de Deus. Fazer contraproposta nem se pense! Nosso Chefe se
responsabiliza pelas conseqüências das suas ordens, quando obedecidas. Privar a
família da proteção de Deus, expondo-a às conseqüências da nossa desobediência –
isso sim é ser irresponsável. Discípulo verdadeiro de Cristo deve sempre preferir
“aborrecer” a família, e sua própria pessoa, antes de desobedecer. É isso mesmo.
B. “Levar a Cruz”. A segunda condição se encontra no verso 27 (Lc. 14).
“Qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode ser meu
discípulo.” Que será que o Senhor entende pela palavra “cruz”? Seria o adorno que
alguém leva no pescoço? Algum problema na vida ou aquele vizinho que você não
agüenta? Não. Há dois mil anos cruz significava uma só coisa – morte.
Representava maneira de matar, aliás a mais melindrosa da época. Creio que em
Lucas 9:23 temos uma palavra que versa sobre o mesmo assunto. Jesus disse a
todos: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua
cruz, e siga-me.” O próprio conteúdo semântico do verbo “levar” (Lc. 14:27) dá a
idéia de uma ação contínua. Já aqui em Lucas 9:23 temos que “tomar cada dia” a
nossa cruz – parece ser uma morte diária.
Aliás, o Apóstolo Paulo usa exatamente essa expressão em 1 Coríntios 15:31,
dizendo que ele morria cada dia. Mas como entender essa expressão? Obviamente
não se trata de morte física. Como então? Creio que o “negar-se a si mesmo” (Lc.
9:23) nos aponta o caminho certo. É uma morte para si, para as próprias idéias,
ambições, desejos e quereres; é um abrir mão do meu suposto direito de mandar na
própria vida. E esta atitude tem que ser renovada cada dia, e quem sabe cada hora.
Parece-me ser o efeito da expressão que achamos em Romanos 12:1 onde fala em
apresentarmos os nossos corpos em “sacrifício vivo”.
Mas essa expressão não lhe parece um pouco estranha? No Antigo
Testamento, no meio de tantos animais sacrificados, tantos holocaustos, houve
alguma vez sacrifício vivo? Como e quando passava um animal a ser sacrifício? Não
era no momento da degola, vertendo seu sangue? Logo, só teria sacrifícios mortos.
Mas Paulo fala de sacrifício “vivo”. Creio ser exatamente o “levar da cruz” que já
notamos – é uma morte contínua, viver morrendo. É negar-se a si mesmo a cada
passo. E Jesus declara que sem esta disposição é impossível ser discípulo dEle.
C. “Renunciar Tudo”. A terceira condição se encontra no verso 33 (Lc. 14).
“Assim, pois, qualquer de vós que não renuncia a tudo quanto tem não pode ser
meu discípulo.” O “assim pois” liga este verso às duas ilustrações dadas nos versos
28 a 32. Creio que essas ilustrações dizem mais respeito ao ato de entrar na
condição de discípulo, que iremos examinar daqui a pouco, mas interessa observar
aqui que se trata duma decisão consciente e estudada, um ato do arbítrio. E não
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pode ser diferente, pois aqui Jesus exige uma renúncia completa, uma entrega sem
reservas – enfim, “tudo quanto tem”.
Avaliando as três condições juntas, podemos constatar que de certa forma são
três maneiras diferentes de dizer a mesma coisa. Embora uma condição focalize os
relacionamentos, outra as ambições e a terceira as coisas, são expressões de uma
realidade básica. Nosso Senhor Jesus Cristo exige compromisso total! Agora
podemos afirmar a definição que o Senhor deu à idéia de “discípulo”. Para Jesus,
discípulo é alguém que tem (e mantém) compromisso total com Ele.
Voltando a Mateus 28:19, vamos ver se entendemos melhor a ordem. A ordem
é, fazer discípulos – discípulos, não meramente “crentes” ou convertidos –
discípulos, na acepção da palavra que o Senhor Jesus tinha, e tem – discípulos,
pessoas cujas vidas efetivamente giram em torno da Causa e da Vontade de Cristo,
pessoas que vivem em função do Reino, no duro, para valer!
5.2. O Efeito Estratégico
Que estão a fazer as nossas igrejas, em geral? O enfoque, quase exclusivo, é
no evangelismo – será que não? Estamos a fim de “ganhar almas”, de ver as pessoas
convertidas. (Isso nas igrejas que ainda têm compromisso com a Bíblia; certas
outras não passam de clubes sociais e já estão nas mãos do inimigo.) Nas igrejas
“tradicionais” ou “históricas” o novo convertido deve freqüentar os cultos e
participar da vida da igreja; querendo ser bom mesmo passa a ser dizimista. Já nas
igrejas “pentecostais” ou “renovadas” o novo convertido deve também procurar “a
segunda benção”; sendo “batizado no Espírito” aí chegou mesmo. Mas quem está
fazendo discípulos no sentido que Jesus mandou?
Qual será o resultado prático desse enfoque nosso? É exatamente aquele
quadro calamitoso que já comentamos: meio mundo sem ouvir uma vez o
Evangelho de Cristo; um terço das etnias sequer tem porta-voz de Cristo ainda. É
claro. O enfoque de apenas ganhar almas enche as igrejas de crianças, crianças
espirituais (não tem nada a ver com a faixa etária da pessoa). Pois bem, e daí? Daí,
criança trabalha? Criança não trabalha, dá trabalho (e como!). Amados irmãos,
estamos diante duma questão do tamanho do mundo, literalmente. Embora possa
doer, precisamos avaliar objetiva e corajosamente este assunto – o destino eterno do
mundo está em jogo.
6 – MENOR ABANDONADO NÃO É
NEGÓCIO
Que devemos pensar de um homem que no âmbito físico anda gerando filhos
sem ter a menor preocupação com a alimentação, o abrigo, a educação, enfim o
cuidado desses filhos? Com toda justiça tacharemos esse homem de irresponsável,
de inimigo da nossa sociedade. Sim, porque ele está introduzindo menores
abandonados na sociedade, e estatisticamente muitos deles (provavelmente a
maioria) passarão a ser marginais e criminosos. Menor abandonado não é negócio!
Gostaria de sugerir para a reflexão cuidadosa do leitor que existe uma analogia
quase perfeita entre o âmbito físico e o âmbito espiritual nesta área.
Quando trazemos à luz filhos espirituais (por assim falar), mas não os
discipulamos, não os levamos a fazer uma entrega sem reservas a Jesus, não os
levamos à condição de adultos na fé, então acarretamos uma série de
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conseqüências negativas. Que é que mais faz pastor envelhecer antes da hora? São
os incrédulos lá fora, ou é a criancice dentro da igreja? É claro que é a criancice
espiritual na igreja. (Observar de passagem que às vezes a justiça se faz, pois
quando o pastor só prega mensagens evangelísticas o maior culpado é ele mesmo,
pois não apascenta as ovelhas. Comida de bode não serve para ovelha.)
Ao fazer evangelismo pessoal, qual a desculpa que mais se ouve quando
alguém quer se livrar? Ele não apela para a vida de crente Fulano, Beltrano ou
Cicrano? É a criancice espiritual na igreja. E depois tem os “gatos escaldados” – são
aqueles que dizem, “já fui crente”. Que será que aconteceu com ele?
Presumivelmente ouviu a pregação, atendeu ao apelo, seguiu as instruções dadas e
deu sinais de vida, participando nas atividades da igreja. Mas aí Satanás deu em
cima dele, a vida de crente não foi aquele “mar de rosas”, houve mais problemas do
que bênçãos. E como ninguém explicou a razão das coisas, como ninguém o
discipulou aí ele começou a desanimar, ficar perplexo, se sentir iludido e
abandonado. Daí ele vai se distanciando e quando menos espera já está longe.
Agora é “gato escaldado” pois já foi vacinado. Reconquistar uma pessoa assim dá
mão de obra, sem comentar todos os reflexos negativos que se espalham pela
vizinhança.
Quando pensamos nos povos não alcançados o problema da criancice
espiritual nas igrejas se faz sentir de forma bem aguda. Precisamos de soldados, e
para tanto criança não serve. Via de regra nem vai se oferecer (ainda bem). Mas
acontece que nem todos os que se apresentam, e que acabam sendo enviados aos
campos missionários, são discípulos – alguns deles pouco passam de criança. E se
criança pega em serviço de homem, por acaso o serviço vai sair bem feito?
Dificilmente. A criança, coitada, está fazendo por onde, mas não tem a força, o
saber, a experiência e a capacidade dum homem. É criança. O mundo perdido está
à espera de adultos, gente grande, discípulos.
Amados irmãos, sejamos pais responsáveis! é simplesmente uma falta de
responsabilidade terrível trazer à luz filhos (no ^âmbito espiritual também) sem
assumir as conseqüências naturais e necessárias – alimentar, proteger, educar e
levar os mesmos à condição de adulto. Menor abandonado não é negócio. Creio que
vem muito ao caso o exemplo do nosso Mestre.
7 – O EXEMPLO DE CRISTO E DE
PAULO
Como fez o Senhor Jesus durante seus três anos de ministério público aqui na
terra? Com quem Ele gastou a maior parte do tempo? Não foi com doze homens?
Andaram juntos, comeram juntos, dormiram no mesmo lugar, e estavam a ouvir e
observar tudo que o Mestre fazia, durante uns dois anos. E Jesus jogou tudo
naquele “time”, naqueles homens. Quando Ele voltou para o Céu o futuro da Igreja
estava nas mãos deles. Se tivessem fracassado de uma vez a Igreja acabava por lá
mesmo, logo no início. Mesmo quando Jesus lidava com o povo, como fazia? Ele
promovia campanha evangelística? Não consta. O que o Texto Sagrado registra é
que o que Ele fazia mais era ensinar o povo, às vezes o dia inteiro. Pois Jesus queria
discípulos. Em qualquer época o bem-estar da Igreja depende dos discípulos que
existirem.
Parece que o Apóstolo Paulo, pelo menos, entendeu o exemplo e a estratégia de
Cristo, pois também cuidou de fazer discípulos. Ao despedir-se da igreja de Éfeso
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ele afirmou, “nada que útil seja deixei de vos anunciar e ensinar, publicamente e de
casa em casa” (Atos 20:20), e novamente, “nunca deixei de vos anunciar todo o
conselho de Deus” (Atos 20:27). Paulo não se detinha numa mensagem meramente
evangelística – queria discípulos. Tudo indica que a motivação maior ao escrever
suas cartas era levar os convertidos à condição de discípulos. Só para exemplificar
podemos citar Colossenses 1:28. Falando de Cristo, Paulo escreve: “A quem
anunciamos, admoestando a todo homem e ensinando a todo homem em toda a
sabedoria, para que apresentemos todo homem perfeito em Jesus Cristo.”
Efésios 4:12-13 é ainda mais interessante nesse sentido, pois Paulo atribui o
intuito ao próprio Cristo. Foi Ele mesmo que deu apóstolos, profetas, evangelistas,
pastores e mestres à Igreja, “visando o aperfeiçoamento dos santos para a obra do
ministério, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade
da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da
estatura da plenitude de Cristo.” Em outras palavras, Cristo quer discípulos, na
acepção da palavra que já explicamos. Em 2 Timóteo 2:2 Paulo deixa claro que
devem surgir gerações sucessivas de discípulos, presumivelmente até a volta de
Cristo.
E qual foi o resultado da aplicação desta estratégia pelos Apóstolos?
Alcançaram seu mundo na sua geração. E se recuperarmos o mesmo enfoque, será
que não podemos também alcançar o nosso mundo nesta geração? Creio que sim.
Senão, vejamos.
8 – COMO FUNCIONA O
DISCIPULADO
Fazer discípulo leva tempo e pode ser incômodo, mas é a maneira mais rápida,
certa e segura de efetivamente alcançarmos o mundo. À primeira vista, pensando
superficialmente, pode parecer que não. Aliás, a visão que parece prevalecer no
mundo evangélico atual é de evangelismo em massa—temos de ganhar almas e em
número maior possível. Quanto mais almas em quanto menos tempo, melhor. Só
que não resolve. Pode dar um crescimento rápido aparente a curto prazo, mas
acaba ruindo por não existir o alicerce e a infra-estrutura para agüentar tamanho
peso. Criança não trabalha; dá trabalho.
Para fazer discípulo é preciso gastar tempo com ele, assim como fez Jesus. E é
preciso “abrir o jogo”; não pode fingir ser um super-crente que não tem problemas,
nunca peca, nunca é atacado por Satanás, etc. (É possível chegar a ser um
discípulo sozinho, mas costuma ser um processo demorado e dolorido, exatamente
por falta de assessoria.) É preciso explicar a razão das coisas, dar assessoria efetiva,
fundamentar mesmo.
Parece ser demorado, mas acaba sendo mais rápido. Imaginemos que eu seja o
único discípulo verdadeiro de Cristo no mundo hoje [é claro que não é verdade, e
graças a Deus por isso], só para efeito de raciocínio, só para ver até onde a
brincadeira leva. Digamos que neste ano eu consiga fazer mais um discípulo – não
somente ganho a alma, mas seguro, fundamento, doutrino, levo a uma entrega sem
reservas a Jesus, enfim discípulo. Aí no final do ano seremos dois. Certo?
(Talvez alguém esteja duvidando da possibilidade de fazer um discípulo dentro
dum ano. O segredo maior está na entrega sem reservas a Jesus. Enquanto alguém
não fizer essa entrega, seu crescimento espiritual será paulatino, quando tem. É
aquele quadro tão costumeiro – três passos para frente e dois e meio para trás,
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quando não são três ou três e meio para trás. A entrega total dá ao Espírito Santo o
direito de agir livremente na vida da pessoa e com isso ela pode crescer
rapidamente, alcançando patamares espirituais que a maioria dos crentes sequer
chega a vislumbrar.)
Muito bem. Durante o próximo ano cada um faz mais um discípulo – ganha e
segura, fundamenta, doutrina, enfim discipula. Aí seremos quatro (dois mais dois).
Certo? Durante o terceiro ano repetimos a façanha – cada um ganha mais um, e
discipula. Aí seremos oito. (Você não tem que ser um evangelista de renome
internacional; você não tem que ganhar 300 almas por ano; basta ganhar uma,
desde que segure, discipule mesmo.) Durante o quarto ano dobramos de novo e aí
seremos 16. Repetindo a dose, ano por ano, chegaremos ao final do décimo ano com
nada menos que 1.024 discípulos! Já pensou? Haverá algum pastor que não se
daria por satisfeito se durante dez anos de ministério conseguisse criar uma igreja
com 1.000 membros? Mas vamos em frente, vamos ver a segunda década.
Prosseguindo no mesmo ritmo, terminaríamos o décimo primeiro ano com
2.048 discípulos. Dobrando cada ano terminaríamos a segunda década com nada
menos que 1.048.576 discípulos! Pois bem, aí terminaríamos o vigésimo primeiro
ano com 2.097.152 discípulos, e assim por diante até completar a terceira década
com 1.073.741.824 discípulos. É isso mesmo, mais de um bilhão como resultado de
apenas trinta anos de fazer discípulos, na base de um por ano! Se continuássemos
assim por mais quatro anos, alcançaríamos a cifra de mais de 17 bilhões de
discípulos. Sucede que temos menos que seis bilhões de pessoas no mundo hoje, de
sorte que poderíamos perder a metade a caminho e ainda alcançar o mundo inteiro
dentro de 34 anos! Que tal, vamos lá?
Mas, espera aí. Isso tudo começando com apenas um; mas não sou o único.
Será que existem um milhão de discípulos verdadeiros (não meros crentes) no
mundo hoje? Creio que sim, e até mais. Muito bem, nesse caso podemos subtrair
vinte anos dos 34 que seriam necessários para alcançar o mundo. É claro, pois
segundo o modelo sugerido levaria vinte anos para chegar à casa de um milhão. Se
já somos mais de um milhão poderemos terminar de alcançar o mundo dentro de
14 anos! Será que não?
Sei que várias objeções já se apresentaram a seu pensamento. Esse quadro é
muito idealizado; não leva em conta as barreiras diversas que existem: barreiras
ideológicas, políticas e religiosas, barreiras geográficas e de língua e cultura, a
barreira da fraqueza humana com manifestações várias, e principalmente a barreira
da atuação satânica e demoníaca no mundo. E agora, “José”, como fica? Bem,
reconheço existirem todas essas barreiras, e de fato são grandes, mas nosso Chefe é
maior. As barreiras de ideologia, política e religião poderemos destruir usando as
armas segundo 2 Coríntios 10:4-5, ao passo que a atuação de Satanás e os
demônios poderemos vencer fazendo uso dessas e das outras armas espirituais que
o Senhor Jesus coloca à nossa disposição (ver capítulo IV). Não esquecer também
da “chave de Davi” (Apoc. 3:7). Já as barreiras de geografia, língua e cultura
deverão ceder diante da tecnologia moderna – temos ferramentas cada vez melhores
para fazer frente a esses problemas. E as fraquezas humanas? Bem, aí vem ao caso
exatamente o discipulado e o poder e a capacitação do Espírito de Deus.
Um alerta se faz necessário aqui: por “discipulado” refiro-me ao processo de
sermos e fazermos discípulos de Jesus, não de nós mesmos. Muitas vezes os
“grilos” dum discipulador ou do fundador dum movimento passam a ser “doutrina”
para os seguidores, e com isso vão parar no “brejo”, mais dia menos dia. Façamos
discípulos de Jesus; levemos as pessoas a dependerem diretamente do Espírito
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Santo e da Palavra de Deus, e não de nós; com isso os nossos discipulandos
poderão se livrar dos nossos erros, pois todos os temos.
E ainda há algumas outras considerações que merecem menção. Por exemplo,
o modelo visa fazer só um discípulo por ano, mas de fato podemos fazer mais –
pensamos imediatamente nos muitos milhões de crentes que poderiam ser
discipulados com alguma rapidez. A estratégia apresentada no capítulo II vai ao
encontro da má distribuição geográfica dos discípulos atuais. É bom lembrar
também que nunca iremos ganhar todo mundo—sempre existirão as pessoas que
conscientemente rejeitam o Evangelho de Jesus Cristo. Jesus não manda ganhar
todo mundo (seria violar o arbítrio das pessoas), e sim garantir que cada um ouça e
tenha opção consciente. O modelo falou em ganhar o mundo inteiro dentro de 14
anos, o que não será o caso. Segundo as ordens em Mateus 28:19 e Marcos 16:15 o
alvo é ver discípulo verdadeiro em cada etnia e cada pessoa com a opção consciente
de abraçar o Evangelho. Então, com essas ressalvas todas será que não podemos
assumir o desafio de fazer por onde cumprir as ordens do nosso Mestre dentro de
poucos anos? Vamos que vamos!
9 – A IMPLEMENTAÇÃO DA
ESTRATÉGIA
Agora vamos atentar para a implementação da estratégia. Existem pelo menos
três questões que devem ser consideradas, mas primeiro quero voltar à ordem em
Mateus 28:19: “Fazei discípulos em todas as etnias”. A partir do que constatamos
ao considerar o exato sentido da ordem, entendo duas coisas. Primeiro, a ordem é
fazer discípulos, nada mais e nada menos. Segundo, parece-me óbvio que para
poder fazer discípulo é necessário primeiro ser discípulo (ou será que não?). Acaso
eu teria condições de levar outrem a entregar-se sem reservas a Jesus se eu me
recuso a fazê-lo? E como poderei assessorar alguém no discipulado se nunca andei
por lá? Assim sendo, enquanto eu não for discípulo fico marginalizado – dificilmente
poderei ter ação efetiva no cumprir da Grande Comissão de Cristo. E você também.
Daí a primeira coisa que devemos verificar é se somos de fato discípulos. E isso nos
leva à primeira questão: como ser discípulo?
9.1. Como Ser Discípulo?
A questão se divide naturalmente em duas partes: como ingressar na condição
de discípulo e como manter em pé essa condição. Como, então, ingressar na
condição de discípulo? Se podemos comparar o discipulado a um caminho a ser
trilhado (diariamente) então ingressar seria como que passar pelo portão que dá
acesso ao caminho.
Entendo que ingressar na condição de discípulo depende de uma entrega
deliberada, um ato do arbítrio. Imagino ser possível alguém se converter quase por
impulso, tipo pulo no escuro. Está desesperado; alguém chega perto e explica por
alto o plano da salvação e ele aceita, sem entender muito. Já ingressar na condição
de discípulo é diferente. Creio que as duas ilustrações que estão em Lucas 14:28-32
vêm ao caso.
Lembrem-se que no verso 33, dando início à terceira condição, Jesus disse,
“assim, pois”. Ele referia-se aos dois casos que acabava de relatar. Uma pessoa
queria construir uma torre. Um rei ouviu dizer que o vizinho já vinha contra ele
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com 20 mil soldados e ele só tinha 10 mil. Que fizeram os dois? Em ambos os casos
a pessoa estuda a situação, avalia suas próprias condições, calcula quanto deverá
custar, procura antever as prováveis conseqüências. Feito tudo, toma sua decisão;
finca o pé. Ou vai construir, ou não vai; ou vai guerrear, ou não vai. Em qualquer
das hipóteses ele tem que arcar com as conseqüências da sua decisão. É assim com
o discipulado – o ingresso tem que ser um ato pensado, uma tomada de posição.
Creio que é disso que Paulo escreve em Romanos 12:1 quando fala em apresentar
os nossos corpos em sacrifício vivo. A palavra “corpos” deve ser um caso de
sinédoque, onde o corpo representa a vida (se dou o corpo acaso a alma pode ficar
para trás?). O “apresentar” deve ser a entrega consciente, sem reservas. Meu irmão,
você já se entregou sem reservas a Jesus? Senão, não é discípulo dEle, e nem pode
fazer discípulo.
Sei que esta discussão pode suscitar alguma inquietação no leitor. Parece que
estou sendo um tanto radical. Reconheço. É que estou partindo duma definição
radical de “discípulo”, exatamente a definição dada pelo Senhor Jesus conforme
constatamos em Lucas 14:25-33. “Discípulo” tem compromisso total com Ele.
Gostaria de enfatizar novamente que a entrega absoluta é a chave do
crescimento espiritual. Sem essa entrega o crente permanece criança
(espiritualmente) e tem um crescimento paulatino (se é que tem). A entrega, que
deve ser renovada cada dia, permite ao Espírito Santo ação livre na sua vida, e com
isso ele pode crescer rapidamente. Tudo depende da entrega, pois Deus respeita o
nosso arbítrio. Essa entrega sem reservas é também o fator principal no
enchimento e capacitação do Espírito, indispensáveis para que possamos
efetivamente alcançar o mundo perdido.
Ingressar na condição de discípulo é uma coisa, mantê-la em pé é outra. Não
é nada automático. Nem o “batismo no Espírito” garante. Já comentamos o tomar
da cruz cada dia e o sacrifício vivo. É totalmente necessário renovarmos cada dia
nossa disposição de abraçar a vontade de Deus em tudo. É uma atitude a ser
renovada cada hora – enfim, sempre que preciso. Agora, escrever estas palavras é
fácil, mas fazer é outra coisa! A luta diária do discípulo está justamente aí, manter
em pé o relacionamento. O fato é que a gente precisa de ajuda. Um dos maiores
benefícios de compartilhar o discipulado com outros é o exemplo e estímulo que os
participantes recebem mutuamente. O compartilhar tem um efeito fiscalizador que
ajuda. E quando “abrimos o jogo” os outros podem interceder especificamente pela
gente – outra ajuda importante. Ser discípulo sozinho é possível, mas é difícil.
Contudo, além dos benefícios do compartilhar existe um ingrediente indispensável
ao discipulado.
Em João 8:31 Jesus disse a uns que haviam crido nEle: “Se vós
permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos.” E se
não permanecer? (E como permanecer se não existe, na língua da gente?) Em 2
Timóteo 3:16-17 lemos assim: “Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o
ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de
que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.”
Um homem de Deus perfeito e perfeitamente habilitado só pode ser um discípulo
que está levando a sério mesmo. A expressão “a fim de que” nos faz entender que é
o uso da Escritura Sagrada que leva a essa condição. 1 Pedro 2:2 nos ensina que a
Palavra é nosso alimento; precisamos dela assim como nenê precisa de leite. Salmo
1:2-3 deixa claro que nossa saúde espiritual depende da “lei do SENHOR”; é nossa
água espiritual e necessitamos dela todos os dias. Aliás, devemos mesmo é meditar
nela. Em Josué 1:8 o próprio Deus recomenda a Josué meditar no livro da lei dia e
noite, e promete o resultado seguinte: “então farás prosperar o teu caminho e serás
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bem sucedido”. Enfim, é impossível ser discípulo de Cristo sem acesso efetivo à
Palavra de Deus.
Novamente estou sendo radical; por “ser discípulo” refiro-me ao manter em pé
da condição. Mas será mesmo necessário meditar na Palavra cada dia? Bem, aí
estão vários textos relevantes, entre outros. Se devemos nos exhortar cada dia, “por
causa do pecado que engana” (Heb. 3:13), quanto mais não devemos olhar em
nosso “espelho” (Tiago 1:22-25) e nos expor à “espada do Espírito” (Heb. 4:12, Ef.
6:17) cada dia?
Mas como poderia o Apóstolo Paulo discipular, e como ficaria a situação dos
justos do Antigo Testamento? Devemos lembrar que Salmo 1:2-3 e Josué 1:8 (e
Deut. 32:47) são do Antigo Testamento, mas creio que as “regras do jogo” mudam
um pouco com a progressão da Revelação. Temos mais que os justos do Antigo
Testamento, e certamente Deus vai nos cobrar mais. Para exemplificar, o padrão da
graça é mais elevado que o padrão da lei. A lei exigia o dízimo, a graça exige 100%
(Lc. 14:33). A Lei exigia amar ao próximo como a si mesmo, a graça exige amar ao
irmão assim como o Pai ama o Filho (João 13:34 e 15:9)! E temos o Espírito Santo
que habita em nós. Creio também que a geração dos Apóstolos foi de certa forma
uma época de transição. Mesmo assim, Paulo se empenhou no sentido de escrever o
que faltava, complementando o material neotestamentário que já existia e que vinha
aparecendo. Despedindo-se dos efésios ele não deixou por menos, dizendo:
“encomendo-vos a Deus e à palavra da sua graça que é poderosa para vos edificar e
dar herança entre todos os santificados” (Atos 20:32). Sei que embora os padrões
que a Bíblia coloca sejam absolutos, ou pelo menos apresentados em termos
absolutos, o nosso viver não é absoluto. Sei. Mas o alvo aí está e não me atrevo a
diminuí-lo. Vamos agora à segunda questão.
10 – FAZER DISCÍPULOS DE QUEM?
Para começar, toda e qualquer pessoa se enquadra no âmbito das ordens de
Cristo, e portanto é alvo legítimo da tentativa de discipular. Claro. Isto posto, no
entanto, gostaria de voltar à ordem em Mateus 28:19, “fazei discípulos em todas as
etnias”. Através dos séculos e milênios Deus tem demonstrado sua preocupação
com o bem estar de todas as etnias do mundo. A primeira declaração aberta dessa
preocupação está na aliança abraâmica: “em Ti serão benditas todas as famílias da
terra” (Gen. 12:3). Podemos vislumbrar a importância que Deus dá ao assunto pelo
fato inédito dEle repetir essa afirmação quatro vezes mais, a saber em Gênesis
18:18, 22:18, 26:4 e 28:14! Hebreus 6:13-18 explica que ao jurar por si mesmo (ver
Gen. 22:16-18) Deus deu a garantia máxima ao propósito declarado. Todas as
famílias da terra terão que ser abençoadas. Tanto Pedro (ver Atos 3:25) como Paulo
(ver Gal. 3:8) ligam o Evangelho de Cristo à promessa divina de abençoar todas as
famílias da terra. No Novo Testamento várias passagens reafirmam esse propósito
de Deus: Mateus 12:21 e 24:14, Marcos 13:10, Lucas 2:32 e 24:47. Grande parte de
Atos e do ministério de Paulo de forma geral tem a ver com as nações. Apocalipse
5:9 (onde todos os manuscritos gregos menos um dizem: “com o teu sangue nos
compraste para Deus de toda a tribo, e língua, e povo, e etnia”), 7:9 e 14:6 são
enfáticos, e para terminar, Apocalipse 22:2.
Muito bem, o Senhor Jesus quer discípulos em cada etnia. Já no primeiro
capítulo explicamos que devem existir pelo menos 6.000 etnias no mundo, das
quais umas 200 no Brasil. E boa parte delas, tanto no Brasil como no mundo, não
tem porta-voz de Cristo ainda. Pior ainda, dois terços das etnias do mundo (e do
Brasil) não têm sequer um versículo da Palavra de Deus na sua língua. Como já
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demonstramos, sem a Palavra é impossível manter em pé a condição de discípulo;
de modo que, no momento, estamos sem jeito de fazer discípulos junto a 4.000
etnias. Dá para agüentar isso?
Quando falamos em 2.000 etnias sem obreiro, ou 4.000 etnias sem Escritura,
creio que devemos esclarecer um detalhe. As etnias ainda não alcançadas são povos
minoritários. Embora a maioria dessas etnias sejam compostas por milhares e
dezenas de milhares de pessoas (e até centenas de milhares), existem etnias com
menos de mil pessoas. No Brasil (e na Austrália) têm muitas etnias bem reduzidas,
às vezes com menos de cem pessoas. Imediatamente uma indagação invade a
mente. Será que vale a pena tentar alcançar um povo assim? (Lembrar que trabalho
transcultural pioneiro é pelo menos dez vezes mais difícil que evangelismo na sua
própria língua e cultura—pode levar anos para conseguir discípulo.)
Tamanho importa? Jesus mandou fazer discípulo só nas etnias com pelo
menos mil pessoas, ou dez mil? Jesus não mandou pregar a cada pessoa? (Uma
etnia reduzida a um único sobrevivente ainda estaria dentro do âmbito da ordem.)
Aqui eu gostaria de fazer umas perguntas aparentemente simplórias. Alguém
escolheu quem viria a ser seu pai ou sua mãe, onde viria nascer, de que cultura
viria fazer parte? Não escolhi nascer de pais seguidores do Senhor Jesus, para uma
língua que tem a Bíblia há séculos, numa cultura que me permite escolher
qualquer carreira que o mundo atual oferece. Não escolhi, nem mereci; Deus me
deu. De igual modo, nenhum índio catauixi escolheu nascer em plena selva
amazônica, para um povo reduzido, desprezado, perseguido, explorado e quase
acabado, com uma língua que sequer tem forma escrita (ainda), numa cultura que
o condena a morrer na selva sem nenhum conhecimento do Evangelho após uma
vida de luta contra os demônios e o “inferno verde” (quem chamou a selva de
“inferno verde” certamente andou por lá uma vez, pois acertou). Também ele não
escolheu.
Agora eu gostaria que você pensasse em tudo quanto Jesus representa na sua
vida, não só agora mas no porvir. Pronto? Agora vou pedir uma ginástica da
imaginação. Procure imaginar que nada disso você tem, que de repente você trocou
lugar com um catauixi e você está lá sem Cristo, sem esperança e sem saída, e é ele
que está aqui. Nessa hipótese você não gostaria que alguém achasse que valesse a
pena chegar até você com a luz do Evangelho?
Dito isso, quero deixar bem claro que não estou aqui para fazer um apelo
emocionante. Não quero que todo mundo saia correndo selva adentro para ver se
acha um índio para evangelizar. Antes, eu diria “não vá!”, a não ser que tenha
certeza que é a vontade de Deus para sua vida. Trabalho transcultural é muito
difícil e não se faz na base de apelo emocionante, e nem na base de romantismo,
mas sim na certeza inabalável da vontade específica de Deus para sua vida. Não há
emoção nem idéia romântica que agüente a realidade.
Irmãos, temos que levar a sério o desafio das etnias não alcançadas. No
momento que assim fizermos vamos enfrentar várias implicações, mas antes de
comentá-las vejamos a terceira questão.
11 – COMO FAZER DISCÍPULOS?
O primeiro passo é ser discípulo. Vem ao caso tudo que já se expôs a esse
respeito. Tudo o mais está resumido em Mateus 28:20: “ensinando-os a guardar
todas as coisas que vos tenho ordenado”. Discipular implica em ensinar. Ensinar o
quê? Ensinar a guardar, isto é, obedecer. Obedecer o quê? Obedecer todas as coisas
Discipulado – 21
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que Jesus ordenou. Como ninguém vai obedecer coisa que ignora, é necessário
primeiro ensinar as próprias coisas que Jesus ordenou – nada melhor nesse sentido
do que seguir o exemplo de Paulo, ensinando “todo o conselho de Deus” (Atos
20:27).
Será que se faz assim na maioria das nossas igrejas? Não é mais mensagens
evangelísticas que se ouvem? Mas pregação evangelística é praticamente inútil para
crente. Ele vai fazer o quê, salvar-se de novo cada domingo? Ali está um crente que
tem freqüentado a igreja dominicalmente durante vinte anos; mais uma vez ele vai e
escuta o quê – ele ouve pela milésima vez como é que se salva. Mas ele já está salvo!
Essa pregação é sem valor para ele; entrou com fome e sai com fome do mesmo
jeito. Que tragédia! Comida de bode não serve para ovelha! (Refiro-me a crente e
incrédulo, assim como em Mateus 25:33.) No entanto, se têm 300 ovelhas e três
bodes num culto, já viu! A pregação vai em cima dos três bodes. E se têm 300
ovelhas e nenhum bode – a pregação vai em cima dos bodes que não estão! É ou
não é? Meus amados irmãos, comida de bode não serve para ovelha. Agora, comida
de ovelha bode também pode comer. Se o pastor oferece uma refeição farta, bem
preparada e temperada, pode dar vontade de comer em qualquer bode. Será que
não? Mas o principal é que as ovelhas saiam bem alimentadas. Afinal, o negócio é
fazer discípulos, e é esse o enfoque que deveria dominar os nossos cultos.
Até aqui eu vinha pressupondo a existência da Bíblia na língua do povo. Para
ensinar a Palavra ela tem que existir. Certo? Quando Jesus disse em João 8:31, “se
permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos,”
fatalmente estava pressupondo a existência dessa Palavra, pois como permanecer
numa coisa que não existe? Quer dizer, tem que existir para a pessoa; a pessoa tem
que ter acesso efetivo à Palavra. Então, se Deus te mandar para uma das 4.000
etnias que nada têm da Bíblia ainda, como você vai fazer?
Mesmo que você ache que basta evangelizar, com que autoridade vai falar se
não existe Palavra de Deus na língua? E não estaria esquecendo da verdade que
encontramos em Romanos 10:17, “a fé é pelo ouvir e o ouvir pela Palavra de Deus”?
E se você conseguir algum convertido mesmo assim, onde está o alimento para essa
criança recém-nascida? Como poderá chegar a ser discípulo? Se alguém não
providenciar a Palavra de Deus nessa língua, esse convertido fica condenado a ser
sempre criança. Está bom? Condenar um povo a ser sempre criança? Essa não!
Entre as ordens de Cristo não há nenhuma que mande traduzir a Bíblia. Só
tem a Grande Comissão que manda fazer discípulos. Mas no momento que
entendemos que é impossível ser discípulo sem acesso efetivo às Escrituras, o
fornecer das mesmas torna-se logicamente necessário. Não há como cumprir a
Grande Comissão junto às 4.000 etnias sem sequer um verso da Bíblia enquanto
alguém não traduz a Palavra para suas línguas. É por isso, diga-se de passagem,
que o grupo Wycliffe para tradução da Bíblia, a nível internacional, e a missão
brasileira ALEM (Associação Lingüística Evangélica Missionária) fazem questão de
ver a Palavra de Deus traduzida para cada língua que se fala no mundo (isso
levando em consideração fatores como bilingüismo e extinção de língua).
Onde a Bíblia já existe mas há crentes analfabetos devemos montar cursos de
alfabetização nas igrejas para que cada um possa se alimentar em casa. Creio
existir uma analogia bastante estreita entre os âmbitos físico e espiritual no que diz
respeito à alimentação. Já pensou, comer só aos domingos? Quem agüentaria fazer
assim no âmbito físico? Mas multidões de crentes fazem exatamente assim no
âmbito espiritual. Tem jeito? Crente que sabe ler e possui Bíblia passa fome porque
quer – poderia ler e meditar na Palavra em casa. Já crente analfabeto está quase
sem jeito, a não ser que alguém leia para ele em voz alta, ou a viva voz ou mediante
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uma gravação. Mas nesse caso como poderá estudar a Palavra, e meditar nela à
vontade? Parece-me claro que a melhor opção é levar as pessoas a ler por conta
própria, sempre que possível. Sei que existem missiólogos que vão discordar da
ênfase que estou dando à alfabetização e à leitura, principalmente para povos cujos
idiomas eram ágrafos até há pouco e que estão acostumados a fazerem tudo
oralmente. Respeito as opiniões contrárias, mas por todos os argumentos já
apresentados mantenho a posição aqui esboçada. Vamos ver se levamos todo
mundo a meditar na Palavra em casa, diariamente.
No que diz respeito a trabalho transcultural creio que só conseguiremos fazer
discípulos se respeitarmos a língua e cultura do povo – assim como fez Jesus. Ele
se encarnou na língua e cultura dos judeus da época (João 1:14). No dia de
Pentecostes o Espírito Santo respeitou a língua materna de cada qual ao ponto de
fazer milagre para garantir que cada um ouvisse mediante ela (Atos 2:4-11).
Enquanto um missionário não vestir a língua e cultura do povo, e (mais importante
ainda) enquanto a Palavra de Deus não for vertida para essa língua, o Evangelho
fica condenado a ser sempre uma coisa estrangeira, uma coisa de fora. Será que
qualquer porta-voz de Cristo não deveria se interessar por tornar seu ministério o
mais eficiente possível?
Não é difícil encontrar pessoas que andam ministrando através de intérprete.
Mas eu gostaria que refletíssemos um pouco na seguinte pergunta: é possível fazer
discípulos mediante intérprete? Quem falar através de intérprete não tem como
fiscalizar as alterações que o intérprete fatalmente vai introduzir. Fatalmente.
Quando o intérprete é servo de Cristo, está por dentro do assunto da mensagem e é
tranqüilamente bilíngüe então o recado poderá ser entregue de forma adequada
(embora quase nunca tão bem como se o preletor dominasse a língua dos ouvintes).
Mesmo com um intérprete assim, no entanto, numa tentativa de discipular alguém,
não seria o intérprete que discipula em vez do missionário? Agora, quando o
intérprete nem é convertido, a mensagem será fatalmente deturpada, muitas vezes
de forma irreconhecível. O intérprete vai filtrar a mensagem por sua própria
cosmovisão, inescapavelmente, mesmo inconscientemente. Se o missionário
pudesse entender o que o intérprete realmente está dizendo ficaria horrorizado e
arrasado! Dificilmente se faz discípulo mediante intérprete.
E cuidado com o bilingüismo. Muitos missionários se contentam em ministrar
através duma língua franca ou nacional, mesmo quando lidando com pessoas que
têm outra língua materna. Creio que raramente se conseguirá fazer discípulo
através de uma segunda língua (quer dizer, não a língua materna), por mais
bilíngüe que o evangelizando pareça ser (para comprar e vender ou tratar de
assuntos corriqueiros ele pode até ser fluente na língua franca), pois quase sempre
a vida espiritual de uma pessoa se processa na língua materna. Aqui eu poderia
relatar vários exemplos dentro da minha própria experiência e do próprio
conhecimento. Quando alguém é tão bilíngüe que tem praticamente duas línguas
maternas (por assim dizer), ou se chegou até o nível superior (universidade) numa
segunda língua, então essa língua poderá servir – é que aí ele já conseguiu o
domínio de idéias abstratas e filosóficas nessa língua. Mas tais casos são muito
poucos diante dos 350 milhões de pessoas que compõem as 4.000 etnias sem um
versículo da Palavra de Deus. É claro que devemos traçar os planos e as táticas a
fim de enfrentar e resolver o grosso, não as exceções. Cuidado com o bilingüismo!
11.1. E Agora?
Quem for fazer trabalho transcultural deve se esforçar para dominar a língua e
a cultura do povo para o qual for enviado. Se não existe Escritura na língua ainda,
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deve fazer por onde providenciá-la. Onde já tem a Bíblia devemos incentivar o seu
uso, por todos os meios. Enfim, devemos ensinar a obedecer todas as coisas que
Jesus ordenou. E nós temos que dar o exemplo, pois para fazer discípulo é preciso
ser discípulo. Vários ministérios e missões têm preparado material que fornece
instruções detalhadas acerca do discipulado. Qualquer livraria evangélica terá
livros sobre o assunto, à disposição do interessado.
11.2. Implicações
Encerrando este capítulo gostaria de tecer umas rápidas observações sobre
algumas implicações de tudo isso. Primeiro, sua compreensão da ordem e estratégia
de Cristo vai determinar seu procedimento, sua maneira de trabalhar, fatalmente.
Se alguém quer fazer uma barraca de palha, vai seguir um procedimento e utilizar
material apropriado para tal. Se outrem quer edificar um prédio de vinte andares, aí
o procedimento e o material vão ser bem diferentes. É evidente que nem todo
mundo tem condições de construir um prédio de vinte andares – requer preparo
adequado. Similarmente, nem todo obreiro tem condições de alimentar as ovelhas.
Muitos não sabem estudar, não sabem como analisar e interpretar o Texto Sagrado.
Não sabem preparar comida para ovelha – falta preparo. (Comida para bode
qualquer um faz; bode come quase tudo.) Quando um pastor trabalha oito horas
por dia numa atividade secular, será que vai ter tempo e energia para preparar
refeições boas? Parece-me ser uma questão que merece ser estudada. Se vamos
levar a sério a estratégia de fazer discípulos poderemos enfrentar a necessidade de
fazer algumas modificações nas nossas vidas. Fazer discípulo é uma coisa;
meramente ganhar alma é outra.
Por favor, não me entendam mal! Não estou combatendo o ganhar almas; não
sou contra o evangelismo. É claro que temos de ganhar as almas—ninguém pode
crescer sem nascer! Os problemas aparecem quando ficamos só nisso, quando não
criamos nossos filhos. Também não estou propondo desprezo para com o dom de
evangelista. Se você tem esse dom, graças a Deus! Só gostaria de sugerir que ao
exercitar o dom tenha o cuidado de não deixar um rasto de menor abandonado.
Deve se associar a quem tenha o dom de ensino para que juntos possam fazer um
serviço melhor.
Quando enfatizamos as 2.000 etnias sem porta-voz de Cristo, ou as 4.000
línguas sem versículo da Bíblia, não é para sugerir que todos devam ir a outro povo,
absolutamente. Imagino que se todo crente estivesse igualmente disponível na mão
de Deus Ele não mandaria mais do que 10% para outros povos. Primeiro, trabalho
transcultural é muito difícil e nem todos têm capacidade para tanto. Segundo, é
preciso que alguém fique discipulando por aqui. Terceiro, trabalho transcultural
pioneiro exige tempo integral e portanto os obreiros que enfrentarem esse serviço
precisarão de sustento integral – alguém tem que trabalhar para produzir esse
sustento. Nem todos devem ir, mas todos têm obrigação perante a Grande
Comissão de Cristo. Todos devemos interceder, contribuir, divulgar e incentivar.
Tudo que fazemos deve ser em prol do reino de Cristo aqui na terra.
Já disse, nem todo mundo deve ser obreiro transcultural, mas todos devem
ser discípulos e fazer discípulos, cada um no lugar e na função que Deus
determinar. Entendo que Jesus quer seus discípulos atuando em todas as áreas e
profissões honestas da nossa sociedade – sendo discípulo e fazendo discípulo.
Qualquer um pode vestir a fachada de “santinho” aos domingos, na igreja, mas
refletir adequadamente o caráter de Deus no “batente” durante os dias úteis, aí a
coisa muda de aspecto. A dona de casa faz discípulos dos próprios filhos, das
vizinhas e das crianças delas. Professor e aluno fazem discípulos na escola.
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Carpinteiro, motorista, advogado, bancário, comerciante, político, etc., etc., cada
um sendo discípulo e fazendo discípulos no seu ambiente. Penso que é assim que
devemos fazer nosso evangelismo. Em vez de levar bode à igreja para ser
evangelizado, devemos ganhá-lo primeiro e então levar o novel cordeiro à igreja para
ser alimentado e discipulado. Penso que o ministério da Palavra em nossas igrejas
deve girar em torno das ovelhas, não dos bodes.
Resumindo, a ordem (e estratégia) de Cristo é fazer discípulos, não meramente
ganhar almas. Criança não trabalha; dá trabalho. Aqui termina a exposição do
primeiro quesito colocado no final do capítulo anterior. Por tudo que acabamos de
ver, torno a afirmar que é imprescindível que candidato a missionário seja um
discípulo genuíno de Jesus Cristo. Caso contrário há de fracassar. Mas ainda mais
importante, se possível, é o segundo quesito: tem de saber como conduzir a guerra
espiritual.

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