CURSO DE TEOLOGIA

DOUTRINA DE DEUS
BIBLIOLOGIA , י
GEOGRAFIA BÍBLICA PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO METODOLOGIA CIENTÍFICA (matéria suplementar»
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faculdade teológica Detesda
Mudando vccacionadE
Digitalizado por: Presbítero
CURSO DE TEOLOGIA
MÓDULO 1
DOUTRINA DE DEUS BIBLIOLOGIA GEOGRAFIA BÍBLICA PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO METODOLOGIA CIENTÍFICA (matéria suplementar)
faculdade teológica betesda
Moldando vocacionados
DOUTRINA DE DEUS
Teologia
SUMARIO
INTRODUÇÃO……………………………………………………………………………………………………………………………….12
1. DEFINIÇÃO DE TERMO…………………………………………………………………………………………………….14
2. A EXISTÊNCIA DE DEUS……………………………………………………………………………………………………15
EVIDÊNCIAS QUE PROVAM A EXISTÊNCIA DE DEUS ………………………………………………………15
REVELAÇÃO GERAL………………………………………………………………………………………………………..16
A REVELAÇÃO ESPECIAL……………………………………………………………………………………………….16
3. A POSSIBILIDADE DE CONHECER DEUS…………………………………………………………………………18
4. FORMAS DE NEGAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE DEUS…………………………………………………………19
ATEÍSMO ……………………………………………………………………………………………………………………………..19
AGNOSTICISMO ………………………………………………………………………………………………………………….19
MATERIALISMO ………………………………………………………………………………………………………………….19
PANTEÍSMO …………………………………………………………………………………………………………………………20
POLITEÍSMO………………………………………………………………………………………………………………………..20
DEÍSMO……………………………………………………………………………………………………………………………….20
DUALISMO…………………………………………………………………………………………………………………………..20
5. OS ATRIBUTOS DE DEUS…………………………………………………………………………………………………..21
ATRIBUTOS INCOMUNICÁVEIS………………………………………………………………………………………….21
ATRIBUTOS MORAIS OU COMUNICÁVEIS…………………………………………………………………………25
6. NOMES DE DEUS………………………………………………………………………………………………………………..28
NOMES GENÉRICOS DE DEUS……………………………………………………………….. 28
NOMES ESPECÍFICOS DE DEUS NA BIBLIA………………………………………………………………………31
NOMES COMPOSTOS DE DEUS ………………………………………………………………………………………..32
NOMES DE DEUS NO NOVO TESTAMENTO ……………………………………………………………………..33
7. TRINDADE ……………………………………………………………………………………………………………………….35
A UNIDADE COMPOSTA DE DEUS……………………………………………………………………………………35
EVIDÊNCIAS NO ANTIGO TESTAMENTO…………………………………………………………………………35
EVIDÊNCIAS NO NOVO TESTAMENTO……………………………………………………………………………36
8. CADA PESSOA É PLENAMENTE DEUS…………………………………………………………………………..37
DEUS PAI…………………………………………………………………………………………………………………………..37
DEUS FILHO………………………………………………………………………………………………………………………38
DEUS ESPÍRITO SANTO…………………………………………………………………………………………………….39
9. QUADRO COMPARATIVO ………………………………………………………………………………………………41
10. DISTORÇÕES E CONSEQUÊNCIAS………………………………………………………………………………..42
MODALISMO ……………………………………………………………………………………………………………………42
SUBORDINACIONISMO ……………………………………………………………………………………………………42
TRITEÍSMO ………………………………………………………………………………………………………………………43
11. CREDOS ……………………………………………………………………………………………………………………………44
CREDO DE NICÉIA……………………………………………………………………………………………………………44
CREDO NICENO-CONSTANTINOPOLITANO…………………………………………………………………….44
CREDO DE ATANÁSIO……………………………………………………………………………………………………….45
REFERÊNCIAS ………………………………………………………………………………………………………………………46
AVALIAÇÃO……………………………………………………………………………………………………………………………48
MÓDUL01 ן DOUTRINA DE DEUS
INTRODUÇÃO
נ
Como podemos conhecer a Deus? Somente podemos conhece-lo à medida que Ele entra em contato com o homem e se revela. “Porventura, desvendarás os arcanos de Deus ou penetrarás até à perfeição do Todo-Pode- roso? Como as alturas dos céus é a sua sabedoria; que poderás fazer? Mais profunda é ela do que 0 abismo; que poderás saber? A sua medida é mais longa do que a terra e mais larga do que o mar” (Jó 11.7-9).
O uso mais antigo do termo teologia ocorre na filosofia grega, onde é usado primariamente no discurso dos poetas sobre coisas divinas. Strictu sensu, teologia é a doutrina que diz respeito a Deus e seu Reino, sua natureza e vontade, também à sua relação com homem e com o mundo.
A doutrina cristã é ímpar, fundamentalmente diferente de todos os outros tipos de doutrina, devido à realidade com a qual ela se sustenta – Deus e sua revelação. Entretanto, essa revelação está aquém da nossa razão, visto que transcende todas as doutrinas humanas. O conhecimento de Deus existe na medida em que há uma auto- revelação, uma automanifestação de Deus, isto é, na medida em que há “revelação”. Sendo assim, somente há uma doutrina de Deus (teologia), no sentido exato da palavra, na medida em que 0 próprio Deus se manifesta e ensina algo sobre si mesmo.
E isto que faz a doutrina cristã ser diferente de todas as outras doutrinas, pois a origem e o conteúdo deste “ensino” divino (ou doutrina), como também a maneira como é ensinada a manifestação, ou autocomunicação, partiram do próprio Deus.
Deste modo, a doutrina de Deus é encontrada tanto no Antigo como no Novo Testamento, não sendo duas revelações, mas apenas uma complementando a outra, como registrou o profeta: “Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez 0 universo” (Hebreus 1.1-2). Jesus, o filho de Deus, é 0 centro da revelação, é 0 centro da manifestação divina, para a qual todo ensino deve convergir.
O Antigo Testamento, em sua totalidade, “projeta” Jesus Cristo e testemunha esse modo preparatório. Já no Novo Testamento, Deus se revelou por meio palpável: “O verbo se fez carne (…) vimos a sua glória (…)” (João 1.14). Aquele de quem os profetas predisseram tomou-se manifesto – Emanuel, Deus conosco. O próprio Deus, não apenas uma palavra sobre ele, agora está aqui, Ele mesmo presente, falando e agindo.
Esta é a principal e a mais profunda mudança ocorrida em todos os tempos, que dividiu os tempos, a história, sendo 0 tema da mensagem do Novo Testamento apresentada no prólogo joanino: “O verbo se fez came…”. Isso significa que aquele que apenas podería ser previamente profetizado em linguagem humana por meio de palavras proféticas agora está presente “em pessoa”. Ele mesmo testifica dizendo: “O que era desde o princípio, 0 que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, 0 que contemplamos, e as nossas mãos apalpa- ram…” (1 João 1.1). Portanto, a revelação não é mais uma “palavra”, mas uma “pessoa” que está além e acima de todos os conceitos intelectuais.
Em nossos dias há muitos sistemas de pensamentos religiosos e seculares que disputam nossa devoção. Entre as opções religiosas há um grande número de seitas e cultos, além de uma enorme variedade de denominações cristãs. Sendo assim, não basta dizer que “cremos”, mas sim “em que devemos crer”.
A Bíblia dá grande enfoque à doutrina corno substância da fé, e dela provém o material para seu conteúdo. Ela é enfática em sua condenação contra 0 que é falso. Adverte contra as “doutrinas dos homens” (Colossenses 2.2), contra a “doutrina dos fariseus” (Mateus 16.12); contra os “ensinos de demônios” (1 Timóteo 4.1), contra
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aqueles que ensinam “doutrinas que são preceitos de homens” (Marcos 7.7) e contra os que são “levados ao redor por todo vento de doutrina” (Efésios 4.14).
Assim como condena 0 que é falso, a Bíblia também aconselha a verdadeira doutrina, reputando-a como “boa”(l Timóteo 4.6), “sã” (1 Timóteo 1.10), “segundo a piedade” (1 Timóteo 6.3), “de Deus” (Tito 2.10) e “de Cristo” (2 João v. 9).
A crença correta é essencial e influencia nosso relacionamento com Deus. O escritor aos Hebreus escreveu: “Sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se toma galardoador dos que 0 buscam” (Hebreus 11.6 ).
O estudo sistemático da Palavra de Deus é importante tendo em vista que hoje se valoriza mais a experiên- cia do que a verdade. Quantos hoje estão distantes da verdade divina por crer incondicionalmente em um líder religioso. Resistem a qualquer comentário corretivo ou cauteloso, deleitando-se com sentimentos subjetivos produzidos por clichês ou lendas, recusando-se a submeter suas crenças a uma avaliação. A característica prin- cipal aqui é 0 apego a tradições orais sem substâncias. Há uma enorme diferença entre ouvir falar de alguém e conhecê-lo pessoalmente. Ouvir falar de alguém é apenas saber que ele existe, entretanto conhecer alguém pessoalmente significa muito mais.
Sendo assim, reconhecemos a necessidade de conhecer um pouco mais sobre teologia sistemática. Buscare- mos entender o que é a doutrina de Deus, partindo do principio básico de que Deus existe, que Ele se revelou e tem deixado sua revelação à disposição da raça humana, principalmente por meio de sua Palavra, a Bíblia. Vamos tratar da Divindade de Deus, de suas qualidades divinas, que separam Deus dos homens e marcam a diferença e a distância entre o Criador e suas criaturas, como sua existência própria, sua infinitude, sua eternidade, sua imutabilidade. Trataremos dos poderes de Deus: sua onisciência, onipotência e onipresença. Estaremos envolví- dos com a perfeição de Deus, os aspectos de seu caráter moral que se manifestam em seus atos e palavras; sua santidade, amor, misericórdia, verdade, fidelidade, bondade, paciência e justiça. Descobriremos aquilo que é do seu agrado, o que 0 ofende, 0 que desperta sua ira, 0 que lhe dá satisfação e alegria.
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DEFINIÇÃO DE TERMO
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Como já dizia o maior orador romano, Marco Túlio Cícero: “Quando se quer pôr ordem e método numa discussão, é preciso dar início definido à coisa que se debate para se ter dela uma idéia clara e precisa”.1 Assim principiaremos nosso estudo.
O que é a verdadeira teologia? Como 0 próprio nome indica, a palavra teologia tem origem em dois termos gregos: theos, “Deus”, e logia, “estudo”; portanto, teologia é o estudo ou raciocínio sobre Deus.
Perguntamos, por conseguinte, se a Igreja pode prescindir do conhecimento de Deus e da sua obra e ainda ser Igreja de Deus. É quase certo que aqueles que negam a necessidade da teologia na vida da Igreja não diriam, conscientemente, que alguém pode ser cristão sem conhecer a Deus. O que lhes falta é um bom conhecimento do que é teologia e de suas implicações.
Assim, como podemos conhecer a Deus sem estudar a revelação que Ele fez de si mesmo? Como saber quem Ele é, quem somos nós em relação a Ele, 0 que Ele requer de nós etc., se não investigarmos o que Ele deixou revelado para nosso conhecimento? Esse é 0 trabalho da teologia, que parte de três pressupostos: primeiro, que Deus existe; segundo, que Ele pode ser conhecido, embora não de modo exaustivo e completo; terceiro, que Ele tem se revelado tanto por meio de suas obras (criação e providência – Revelação Geral – Salmos 19.12־; Atos
14.17) como, principalmente, pela Sagrada Escritura (Revelação Especial – Hebreus 1.1-2; 1 Pedro 1.20-21).
Portanto, se Deus se revelou, podemos conhecê-lo. Entretanto, nosso conhecimento de Deus não é intuitivo, nem natural, mas comunicado por Ele mesmo através dos meios que soberanamente escolheu. Estudar “teolo- gia”, portanto, não é inventar teorias a respeito de Deus e de suas obras, nem mesmo “descobrir” a Deus, mas conhecer e compreender a revelação que Ele próprio deu de si. Por isso, qualquer estudo de Deus que não tiver a sua revelação como base, meio e princípio regulador não é “teologia”.
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 1
1) O que disse 0 maior orador romano?
2) A palavra teologia tem origem em que termos gregos?
3) Quais são os três pressupostos para conhecer Deus? *
‘ CÍCERO, Marca Túlio. Da$ deveres. São Paulo: Martin Claret, 2002. p. 33.
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T ״ NA DE DEUS
A EXISTÊNCIA DE DEUS
Desde que Immanuel Kant escreveu sua Crítica da razão pura, tem sido comum para as pessoas insistir que é impossível provar a existência de Deus. Na verdade, essa afirmação tem se elevado como um dogma na cultura ocidental. Disse certo filósofo: “Ninguém afirma ‘Deus não existe’ sem antes ter desejado que Ele não exista”. Esta frase tem um fundo de verdade. O pecador que não quer deixar o pecado passa a negar a existência de Deus. Infelizmente, não são poucos os que, do alto de sua sandice, professam não acreditar no Criador.
A existência de Deus é algo não somente provado como é inerente à alma humana. Nosso alvo não é dissecar Deus, mas registrar 0 que as Escrituras ensinam acerca de sua natureza e atributos. A existência de Deus é uma premissa fundamental das Escrituras, que não tecem argumentos para afirmá-la ou comprová-la. O cristão aceita a verdade da existência de Deus primeiramente pela fé, que não é cega, mas baseada em provas, e estas se acham, primariamente, nas Escrituras como a Palavra de Deus inspirada e, secundariamente, na revelação de Deus na natureza. Muito sabiamente, Severino Pedro escreveu: “A idéia de Deus não é uma idéia reservada aos filósofos e aos sábios, nem uma noção moderna, nem um elemento da civilização ocidental. E uma idéia universal, no tempo e no espaço”.2 Assim, todas as afirmações que fizermos concernentes a Deus terão como fundamento não a vã filosofia, mas a Bíblia Sagrada.
As Escrituras pressupõem a existência de Deus em sua declaração inicial: “No princípio criou Deus os céus e a terra” (Gênesis 1.1). Ela descreve a Deus não somente como Criador, mas também como sustentador de todas as coisas. Ele revelou gradativamente seu grandioso propósito de redenção através da escolha e direção do povo de Israel na antiga aliança, registrada no Antigo Testamento, e de sua culminação final na pessoa e obra de Jesus Cristo, consumada no Novo Testamento.
Desde 0 primeiro livro da Bíblia até 0 último, Deus se revelou em atos e palavras, sendo que esta revelação constitui para todos os cristãos a base da crença na existência de Deus, tomando a fé inteiramente razoável.
EVIDÊNCIAS QUE PROVAM A EXISTÊNCIA DE DEUS
O fato de os seres humanos serem limitados, tanto no tempo quanto no espaço, e Deus ilimitado já deixa trans- parecer a distância entre ambos. Portanto, ninguém poderá conhecer a Deus a menos que Ele se revele, ou seja, a menos que Ele se manifeste aos seres humanos de tal forma que estes possam conhecê-lo e ter comunhão com Ele. Antevendo a dureza do coração do homem, o Criador inspirou o salmista a declarar: “Diz o néscio no seu coração: não há Deus” (Salmos 14.1) e ainda: “Por causa do seu orgulho, 0 ímpio não investiga; todas as suas cogitações são: Não há Deus” (Salmos 10.4).
A incredulidade rejeita, sem investigar, qualquer possibilidade de haver revelação divina, pois o néscio rejeita a Bíblia como revelação divina e, por conseguinte, não aceita as verdades que ela estabelece.
Embora a Bíblia não apresente argumentos em favor da existência de Deus, existem algumas evidências para os que buscam ter certeza de que há um Deus verdadeiro que se revelou ao mundo. Deus se revelou de maneira progressiva e diversificada, isto é, na medida do tempo. Para nosso estudo podemos dividir a revelação de Deus em geral e especial.
2 SILVA, Severino Pedro da. Quem é Deus? Conhecendo melhor 0 Criador. 2° ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1997. p. 10.
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REVELAÇÃO GERAL é aquela de modo não proposital que Deus faz às pessoas, por meio de várias ma- nifestações, mediante as quais elas podem chegar ao seu conhecimento. Essa revelação se dá de duas maneiras: pelo testemunho interno e pelo testemunho externo.
Pelo testemunho intemo, o espírito do homem testifica a crença na existência de um ser divino superior, fazendo com que 0 ser humano seja um ser religioso por natureza. Em todas as culturas, em todos os tempos e lugares, os ho- mens vêm crendo na existência de uma realidade superior a si mesmos e até em algo superior à raça humana.
Pelo testemunho extemo, a revelação geral apresenta os atributos invisíveis de Deus, porém isso não é su- ficiente para a salvação. Entretanto, ela alerta 0 homem quanto a sua necessidade de crer em Deus, servindo conjuntamente para condená-lo caso rejeite essa revelação.
A revelação geral pode ser percebida por meio da:
a) Natureza – O tamanho da Terra e a sua gravidade correspondente sustêm uma camada fina de nitrogênio e oxigênio que se estende, em sua maioria, até uns 80 quilômetros acima da superfície da Terra. Se a Terra fos- se menor, a existência de uma atmosfera seria impossível, como ocorre no planeta Mercúrio; se fosse maior, sua atmosfera conteria hidrogênios livres, como em Júpiter. A Terra é 0 único planeta conhecido que é provi- do de uma atmosfera com a mistura na medida exata de gases para sustentar vida humana, animal e vegetal. Ela fica a uma distância ideal do sol, a fim de evitar o calor escaldante e o frio extremo. Sua inclinação de 23° é exata. Se a Terra fosse um pouco mais distante do sol, nós todos congelaríamos; um pouco mais perto e nós nos queimaríamos. Até mesmo uma variação fracionária da posição da Terra em direção ao sol tomaria a vida impossível no planeta. A Terra mantém sua distância perfeita do sol enquanto gira em tomo dele numa velocidade de aproximadamente 107.825 km/h. Também gira em tomo de seu próprio eixo, permitindo que toda a superfície seja apropriadamente aquecida e refrescada todos os dias.
Nossa lua tem 0 tamanho perfeito e está à distância exata da Terra por causa da força da gravidade. A lua cria movimentos importantes nas marés para que as águas não estagnem e ainda impede que os nossos oceanos massivos não inundem os continentes.
Outra substância comum é a água. A maior parte das outras substâncias toma-se mais densa quando baixa a temperatura. A água, felizmente, se expande e se toma menos densa quando congelada. Na forma de gelo, a água flutua sobre a superfície de lagos, rios e mares. Se a água, quando em seu estado sólido, se tomasse mais densa e afundasse, muitos rios, lagos e mares jamais se descongelariam, e grande parte da Terra se tomaria glacial e inabitável.
b) História – Milhares de pessoas conhecem a dramática história dos judeus. Alguns dos eventos mais tristes da história da humanidade ocorreram com esse povo; perseguições, privações e vexações fizeram parte do seu cotidiano. Entretanto, esses “heróis” vêm sobrevivendo ao longo dos séculos em ambientes basicamente hostis, muitas vezes em face de severa oposição. Alguém podería perguntar: por que tudo isso? A resposta se encontra nas Escrituras. A este povo Deus se revelou, estabelecendo alianças, começando com o patriarca Abraão, passando por Moisés, pelos profetas e consumando-se com a vinda do Messias. Portanto, a história dos judeus nem sempre é uma leitura agradável, mas é um grande testemunho da revelação de Deus na his- tória. A Bíblia é o principal acesso à história do antigo Israel, e para alguns períodos até mesmo o único.
AREVELAÇÃO ESPECIAL é aquela por meio da qual o homem reconhece e aceita a revelação que Deus fez de si mesmo, através da Bíblia, por meio do seu Espírito Santo na pessoa de Jesus Cristo. “E, mesmo depois de Deus ter- se revelado objetivamente, não é a razão humana que descobre Deus, mas é Ele que se descerra aos olhos da fé.”3
3 FALCÃO, Márcio. Como conhecer uma seita. São Paalo: 0 Arado, 2006. p. 68.
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VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 2
1) Como 0 cristão aceita a verdade da existência de Deus?
2) Onde as Escrituras pressupõem a existência de Deus?
3) O que é revelação geral?
4) Como se dá a revelação geral?
5) A revelação geral pode ser percebida por dois meios. Quais são?
6) O que é revelação especial?
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A POSSIBILIDADE DE CONHECER DEUS
A Bíblia declara que “o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1 Corintios 2.14). Portanto, o homem natural conhece somente aquilo que a razão lhe proporcionou acerca de Deus, não possuindo uma idéia completa de todos os seus planos e desígnios. Por sua vez, as Escrituras afirmam que se pode conhecer a Deus, pois, “havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez 0 universo. Ele, que é 0 resplendor da glória e a expressão exta do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas” (Hebreus 1.1-3). Deus se oculta dos altamente sábios e cultos, mas isso somente porque são orgulhosos e não querem conhecê-lo; ele se revela aos “pequeninos”, isto é, às pessoas suficientemente humildes para acolher a revelação que Ele fez de si mesmo (Mateus 11.25-26).
O apóstolo João declara em seu evangelho: “Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigénito, que está no seio do Pai, este o fez conhecer” (João 1.18). Embora o homem, sem ajuda, não possa vir a conhecer o Deus infinito, fica evidente que Deus se revelou e pode ser conhecido até o ponto que chega a sua auto-revelação. Com efeito, é essencial que 0 homem conheça a Deus a fim de experimentar a redenção e ter a vida eterna: “E a vida eterna é esta: que conheçam a ti só por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (João 17.3). Durante esta vida podemos e devemos conhecer Deus até 0 ponto necessário para a salvação, confraternização, serviço e maturidade, mas na glória passaremos a conhecê-lo mais plenamente: “Porque, agora, vemos por espelho em enigma; mas, então, veremos face a face; agora, conheço em parte, mas, então, conhecerei como também sou conhecido” (1 Corintios 13.12).
Como disse Agostinho de Hipona, o grande pensador do Ocidente: “Todo aquele que ler estas explanações, quando tiver certeza do que afirmamos, caminhe ao nosso lado; quando duvidar como nós, investigue conosco; quando reconhe- cer que foi seu 0 erro, venha ter conosco; se 0 erro for nosso, chame nossa atenção”.4 Nada alargará mais o intelecto, nada expandirá mais a alma do homem do que a investigação dedicada, ansiosa e contínua do grande tema da Divindade.
Antes de iniciar a subida de nossa montanha, precisamos parar e fazer a seguinte pergunta a nós mesmos: qual é o motivo de eu estar ocupando minha mente com essas coisas? O que pretendo fazer com o conhecimento de Deus que irei adquirir? Se procurarmos obter conhecimentos teológicos como um fim em si mesmos, isso provavelmente só nos irá prejudicar, tomando-nos orgulhosos, convencidos e arrogantes ao ponto de nos acharmos superiores aos demais cristãos pelo nosso interesse e compreensão do assunto. É nesse sentido que este sentimento se harmoniza com as palavras do apóstolo Paulo: “O saber ensoberbece, mas o amor edifica” (1 Corintios 8.1). Que o nosso desejo supremo seja aprender a verdade de Deus com a finalidade de melhor servi-lo e viver de acordo com essa verda- de, não com um fim em si mesmo, mas como meios práticos de aperfeiçoamento da vida e da santidade.
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 3
1) O que a Bíblia declara com relação ao homem natural?
2) O que disse o grande pensador do Ocidente Agostinho de Hipona?
3) Qual é o motivo de eu estar ocupando minha mente com a teologia?
,AGOSTINHO. A Trindade. 2° ed. São Paulo: Paulus, 1994. p. 28.
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M Ó D U L 0 1 I DOUTRINA DE DEUS
FORMAS DE NEGAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE DEUS
A história da teologia cristã, resumidamente falando, é a história da reflexão sobre a natureza de Deus e da revelação que Ele fez de si mesmo, na pessoa de seu filho Jesus Cristo, e sobre muitas outras crenças ligadas à salvação. Contudo, isso não quer dizer que não existam pessoas que negam completamente sua existência como revela a Bíblia. Dentre as mais variadas formas de negação da existência de Deus destacam-se as seguintes:
ATEÍSMO
O termo ateísmo vem do prefixo grego a, “não”, e de theos, “Deus”. O ateu não acredita na existência de qualquer divindade. Ao contrário do teísta, que acredita que Deus existe além do e no mundo, e do panteísta, que acredita que Deus é 0 mundo, 0 ateu crê que não há Deus neste mundo nem no além. Apregoa que o Universo surgiu por acaso, ou que sempre existiu, sustentado por leis inerentes e impessoais. O ateísmo é comumente classificado em duas classes: ateísmo teórico e ateísmo prático.
a) O ateísmo teórico ou filosófico, mais intelectual, nega a existência de Deus fundamentando-se num pro- cesso de raciocínio;
b) O ateísmo prático não reconhece a existência de Deus, e seus adeptos vivem como se Ele de fato não existisse.
Vários pensadores iluministas eram ateus militantes, entre eles os filósofos franceses Voltaire e Jean-Paul Sar- tre. Os ateus e críticos da religião mais articulados e conhecidos do século XIX foram os filósofos alemães Lu- dwig Feuerbach, Karl Marx, Arthur Schopenhauer e Friedrich Nietzsche. O filósofo britânico Bertrand Russel, 0 psicanalista austríaco Sigmund Freud e Jean-Paul Sartre estão entre os ateus mais influentes do século XX.
AGNOSTICISMO
A palavra agnóstico provém de duas palavras gregas {a, “não” + gnostikós, “que conhece”), ou seja, “não conhecimento”. Este termo foi criado pelo professor T. H. Huxley (1825-1895), inspirado em David Hume (1711-1776) e Immanuel Kant (1724-1804).5
O agnóstico não nega a existência de Deus, mas sim a possibilidade do conhecimento de Deus. É o sistema que ensina que não sabemos, nem podemos saber, se Deus existe ou não. Seus simpatizantes dizem acreditar unicamente no que se pode ver e tocar.
MATERIALISMO
O materialismo não acredita na existência do espirito ou de seres espirituais. Para seus adeptos, toda a reali- dade é simplesmente matéria ou redutível a ela. Assim, afirmam que não existe vida pós-morte, 0 céu e 0 inferno, que são apenas estados terrenos de prazer ou sofrimento, sucesso ou fracasso, nada mais. Para os materialistas, quando 0 corpo morre, a alma também morre, decompondo a matéria; a mente estaria destruída. Portanto, para eles não existe juízo superior ao nível humano; o pecado é apenas imperfeição da natureza humana.
5 Baseada em Atos 17.23, que no idioma original grego tinha a inscrição Agnosto Theo (0 deus desconhecida), ele interpretou erroneamente essa passagem das Escrituras.
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PANTEÍSMO
Panteísmo (do grego pan, “tudo”, “todas as coisas”, e theos, “Deus”) é a doutrina que afirma a identidade substancial de Deus e do universo, os quais formariam uma unidade e constituiríam um todo indivisível. Para os panteístas, Deus não é transcendente ao universo e dele não se distingue nem se separa. Pelo contrário, é-lhe imánente; todas as coisas estão de alguma forma identificadas com Deus. A conclusão seria: 0 mundo é Deus e Deus é 0 mundo.
Os filósofos Spinoza e Hegel, foram os panteístas mais conhecidos da modernidade. Spinoza identifica Deus com a natureza {Deus sive natura), enquanto Hegel identifica Deus com a História.
POLITEÍSMO
Este termo deriva-se do grego poly, “muito”, e theos, “deus”. Politeísmo é a cosmovisão que afirma a exis- tência de vários deuses e deusas. Nega a existência de uma divindade absoluta como ensina a Bíblia. É uma das crenças mais antigas que existe. Segundo Geisler, “o politeísmo grego entrou em declínio com a ascensão do teísmo filosófico de Platão e Aristóteles. O politeísmo romano praticamente morreu com a ascensão do cristia- nismo no ocidente”.6
DEÍSMO
É a crença em uma divindade que fez 0 mundo e tudo que nele há, mas deixou que sua criação fosse regida pelas leis naturais, sem sua interferência. É um teísmo sem milagres, além de rejeitar a inspiração divina das Escrituras. Assim, o deísmo “é a religião natural baseada no raciocínio puramente humano”.7
DUALISMO
O dualismo é 0 sistema filosófico que admite a existência de dois reinos, dois princípios co-etemos em conflito um com 0 outro, tais como matéria e espírito ou bem e mal. O platonismo é 0 exemplo do primeiro e 0 zoroastrismo, o gnosticismo e o maniqueísmo são exemplos do segundo.
Grande parte das seitas orientais é dualista. Crêem que existem duas forças cósmicas, duas energias opostas que formam o universo e tudo que nele há. Essas duas energias recebem o nome de Yin e Yang. A força positiva do bem, da luz e da masculinidade é o Yang; a essência negativa do mal, da morte e da feminilidade é o Yin.
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 4
1) Qual a crença do ateu?
2) Quais as duas classes de ateus?
3) Quem foram os ateus e críticos de religião mais articulados e conhecidos do século XIX?
4) De onde provém a palavra agnóstico?
5) Em que crê 0 materialista?
6) Quem foram os filósofos panteístas mais conhecidos da modernidade?
7) O que significa o termo politeísmo?
8) O que é deísmo?
1 GEISLER, Norman. Enciclopédia de apologética – respostas aos críticos da fé cristã. São Paulo: Vida, 2002. p. 707.
7 OLIVEIRA, Raimundo. As grandes doutrinas da Bíblia. 9° ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. p. 50.
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M Ó D U L 0 1 1 DOUTRINA DE DEUS
OS ATRIBUTOS DE DEUS
O homem não pode extrair 0 conhecimento de Deus como faz com outros objetos de estudo. Entretanto, Deus, por meio de sua Palavra, bondosamente transmitiu as informações necessárias ao homem, de modo que este somente pode aceitá-las e assimilá-las. Penetrar nos atributos de Deus é uma tarefa seriíssima, devido ao termo “atributo” não ser ideal para retratar suas características.8 Sendo Deus um ser infinito, faz com que seja impossível que qualquer criatura o conheça exatamente como Ele é, mas por meio das Escrituras Ele revelou as perfeições e excelências da sua natureza que considera essenciais para nossa redenção, adoração e comunhão. Portanto, é nas Escrituras inspiradas e somente nelas que encontramos registradas as características qualitativas e quantitativas próprias de seu ser.
Desta maneira podemos dizer que os atributos de Deus são aquelas características essenciais, permanentes e distintivas que podem ser afirmadas a respeito do seu Ser, encontradas nas Escrituras, inseparáveis de sua natu- reza e que condicionam seu caráter.
Várias denominações têm sido propostas quanto às divisões dos atributos. Uns falam de atributos naturais e atributos morais. Os primeiros, como auto-existência, simplicidade, infinidade etc.; os últimos, como verdade, bondade, misericórdia, justiça, santidade etc. Outros preferem falar de atributos absolutos e relativos. Os pri- meiros estão relacionados à auto-existência, imensidade e eternidade; os últimos são representados pela onipre- sença e onipotência. Outros ainda falam de atributos imanentes ou intransitivos e emanentes ou transitivos. Os primeiros referem-se à imensidade, simplicidade, eternidade etc.; os últimos são representados pela onipotência, benignidade, justiça etc. Por fim, a mais usada é a divisão entre atributos incomunicáveis e comunicáveis. Os primeiros são aqueles que Deus não compartilha com suas criaturas, como asseidade, imensidade, eternidade etc.; os últimos são aqueles que Deus compartilha em parte com suas criaturas, como poder, bondadé, retidão etc., todavia tais discrepâncias são irrelevantes, não alteram o propósito final, a salvação. Adotaremos esta última classificação, sem desconsiderar as demais, por motivo de conveniência e de fácil assimilação.
ATRIBUTOS INCOMUNICÁVEIS
Os atributos incomunicáveis são aquelas características qualitativas do Supremo Ser que Ele não compartilha com nenhuma de suas criaturas.
a) Auto-existência
Consiste naquele atributo divino fundamental e exclusivo, segundo 0 qual o Deus Eterno não depende de nada, fora de si, para existir. Deus não precisa de ninguém para nada! Ele é auto-existente. Segundo Berkhof, a idéia de auto-existência “era geralmente expressa pelo termo aseitas (asseidade), significando auto-originado, mas os teólogos reformados em geral 0 substituíram pela palavra independentia (independência), expressando com ela não somente que Deus é independente em seu Ser, mas também que é independente em tudo mais…”. 9 Como Deus auto-existente, Ele não é apenas independente, mas também faz tudo depender dele.
A Bíblia declara por toda a parte que Deus é um Ser absoluto, no sentido de ser existente em si mesmo, independente, imutável, eterno e sem limitação nem relação necessária com algo fora dele mesmo (Êxodo 3.14; João 5.26).
Na qualidade de Ser infinito, absolutamente independente e eterno, Deus está acima da possibilidade de
,BERKHOF, Louis. Teologia sistemática. 4° ed. Campinas: Luz para 0 Caminho, 1996. p. 54.
,Idem, 1996, p.61.
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mudanças. Ele não depende de nada que lhe seja alheio, mas faz todas as coisas dependerem dele, sendo auto- existente, tendo existência própria.
b) Único
Deus é único, não existe ninguém igual a ele, fora dele. A Bíblia Sagrada diz explícitamente que existe um único Deus: “Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é 0 único SENHOR” (Deuteronômio 6.4). Entretanto, este único Deus subsiste eternamente manifesto em três pessoas, distintas, mas iguais em poder, glória e majestade.10 * Os termos ortodoxo usado para descrever tal magnitude foram ousía e hypostasis, o primeiro para denotar a na- tureza da divindade, e 0 outro as propriedades dos três.
c) Imutabilidade
A imutabilidade de Deus é a perfeição pela qual não há mudança em seu Ser, em seus planos e propósitos, em seu discurso e em suas promessas.Tudo debaixo do sol muda e passa; Deus, porém, não muda. Ele é e há de ser eternamente 0 mesmo, pois é infinitamente perfeito, e sua perfeição infinita não só impede como também elimina toda alteração. Assim, Deus é absolutamente imutável em sua essência e atributos, “ele é exaltado acima de tudo quanto há, e é imune de todo acréscimo ou diminuição e de todo desenvolvimento ou decadência em seu Ser e em Suas perfeições”.11
Seu conhecimento e poder nunca podem ser maiores nem menores. Ele nunca pode ser mais sábio ou mais santo, nem mais justo ou mais misericordioso do que sempre foi e sempre será. A imutabilidade de Deus é clara- mente ensinada em passagens da Escritura como:
“Disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós outros” (Êxodo 3.14).
“Eles perecerão, mas tu permaneces; todos eles envelhecerão como uma veste, como roupa os mudarás, e serão mudados” (Salmos 102.26).
“Quem fez e executou tudo isso? Aquele que desde 0 princípio tem chamado as gerações à existência, eu, o SENHOR, 0 primeiro, e com os últimos eu mesmo” (Isaías 41.4).
“Dá-me ouvidos, ó Jacó, e tu, ó Israel, a quem chamei; eu sou o mesmo, sou o primeiro e também o último” (Isaías 48.12).
“Porque eu, 0 SENHOR, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos” (Malaquias 3.6).
“Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança” (Tiago 1.17).
d) Eternidade
Não estamos acostumados com este termo eternidade, pois medimos nossa existência pelo tempo. A forma usada pela Bíblia para descrever a eternidade de Deus ultrapassa nossa capacidade de conhecimento. Ele não teve princípio nem terá fim, “de eternidade a eternidade, tu és Deus” declaram as Escrituras (Salmos 90.2). Nun- ca houve um tempo em que Ele não existisse. É impossível dar um exemplo de ser eterno porque não há nada nem ninguém como Ele no universo. Ele criou tudo. O Antigo e o Novo Testamento são ricos em palavras que
10 Trataremos sobre a doutrina da Trindade em um capítulo à parte.
״ Idem, 1996, p.61.
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descrevem o tempo e a eternidade. Será útil ao estudante averiguar seus termos correspondentes (hb. qedmah, olam; gr. arché, chronos, pleroma, teleioo, hora).
As Escrituras declaram sua eternidade:
“O Deus eterno é a tua habitação e, por baixo de ti, estende os braços eternos…” (Deuteronômio 33.27).
“Ao Rei eterno, imortal, invisível, Deus único, honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém!” (1 Timóteo 1.17).
“O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da vida (e a vida se manifestou, e nós a temos visto, e dela damos testemunho, e vo-la anunciamos, a vida eterna, a qual estava com o Pai e nos foi manifestada)… “ (1 João 1.1-2).
“Também sabemos que 0 Filho de Deus é vindo e nos tem dado entendimento para reconhecermos o verdadeiro; e estamos no verdadeiro, em seu Filho, Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” (1 João 5.20).
e) Onipresença
Essa palavra denota a imensidade de Deus em todo o Universo. A palavra “onipresença” deriva dos vocábulos latinos, omnis, “tudo”, e praesum, “estar próximo ou presente” em qualquer lugar. Através desse atributo Deus está presente em todos os lugares ao mesmo tempo. Severino Pedro declara que “Deus é infinito, sem fronteiras ou limites tanto quanto ao seu Ser como quanto aos seus atributos, e cada aspecto e elemento de sua natureza é infinito. Essa natureza infinita, em relação ao tempo, é chamada eternidade, e em relação ao espaço é chamada onipresença”.12
Deus tem presença infinita (onipresença) conforme declaram as Escrituras:
“Acaso sou Deus apenas de perto, diz o Senhor, e não também de longe? Ocultar-se-ia alguém em escon- derijos, de modo que eu não o veja? Diz o Senhor; porventura não encho eu os céus e a terra? Diz o Senhor” (Jeremias 23.23-24).
“Mas, de fato, habitaria Deus na terra? Eis que os céus e até o céu dos céus não te podem conter” (1 Reis 8.27).
“Quem seria capaz de lhe edificar a casa, visto que os céus e até os céus dos céus o não podem conter?” (2 Crônicas 2.6).
“Os olhos do SENHOR estão em todo lugar, contemplando os maus e os bons” (Provérbios 15.3).
“Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mateus 18.20).
”O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santu- ários feitos por mãos humanas. Nem é serv ido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais; de um só fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação; para buscarem a Deus se, porventura, tateando, o possam achar, bem que não está longe de cada um de nós” (Atos 17.24-27).
״ SILVA, Severino Pedro da. Op. cit., p. 77.
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f) Onisciêttcia
A palavra “onisciência” se deriva das palavras latinas omnis, “tudo”, e scientia, conhecimento. Por meio desse atributo Deus torna evidente sua infinita sabedoria, todavia ninguém jamais pode sondar “a profundi- dade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus” (Romanos 11.33).
As Escrituras ensinam que Deus detém toda compreensão e sabedoria. Quão consolador é para o cristão ter a convicção de que seu Deus sabe de tudo, toda ocorrência que envolva alegria e tristeza, dor ou prazer, adversi- dade ou prosperidade, sucesso ou fracasso, vitória ou derrota.
Deus tem conhecimento infinito (onisciência), conforme declaram as Escrituras:
“Grande é o Senhor nosso e mui poderoso; o seu entendimento não se pode medir” (Salmos 147.5).
“…ouve tu nos céus, lugar da tua habitação, perdoa, age e dá a cada um segundo todos os seus cami- nhos, já que lhe conheces o coração, porque tu, só tu, és conhecedor do coração de todos os filhos dos homens…” (1 Reis 8.39).
“Ai dos que escondem profundamente o seu propósito do SENHOR, e as suas próprias obras fazem às es- curas, e dizem: Quem nos vê? Quem nos conhece? Que perversidade a vossa! Como se o oleiro fosse igual ao barro, e a obra dissesse do seu artífice: Ele não me fez; e a coisa feita dissesse do seu oleiro: Ele nada sabe” (Isaías 29.15-16).
“Porque os meus olhos estão sobre todos os seus caminhos; ninguém se esconde diante de mim, nem se en- cobre a sua iniqüidade aos meus olhos” (Jeremias 16.17).
g) Onipotência
A palavra “onipotência” deriva dos termos latinos omnis e potentia, que juntas significam “todo poder”. Esse atributo significa que seu poder é ilimitado, que Ele pode fazer qualquer coisa que esteja em harmonia com sua natureza sábia, justa e santa. Este atributo não significa que Deus fará aquilo que é incoerente; Deus não é deus de coisas absurdas, mas Deus das coisas impossíveis (Mateus 19.26; Marcos 10.27).
Este atributo também é outra fonte de consolação para os cristãos, saber que não existe ninguém acima dele, a quem Ele possa se reportar. Não tendo ninguém superior a Ele, quando fez a promessa a Abraão, “visto que não tinha ninguém superior por quem jurar, jurou por si mesmo” (Hebreus 6.13).
Deus tem poder infinito (onipotência), conforme declaram as Escrituras:
“Eis que eu sou 0 SENHOR, 0 Deus de todos os viventes; acaso, havería coisa demasiadamente maravilhosa para mim?” (Jeremias 32.27).
“Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado” (Jó 42.2).
“Pois quem nos céus é comparável ao SENHOR? Entre os seres celestiais, quem é semelhante ao SENHOR? Deus é sobremodo tremendo na assembléia dos santos e temível sobre todos os que o rodeiam. Ó SENHOR, Deus dos Exércitos, quem é poderoso como tu és, SENHOR, com a ma fidelidade ao redor de ti?!” (Salmos 89.6-8).
“Ninguém há semelhante a ti, ó SENHOR; tu és grande, e grande é o poder do teu nome. Quem te não temería a ti, ó Rei das nações? Pois isto é a ti devido; porquanto, entre todos os sábios das nações e em todo o seu reino, ninguém há semelhante a ti. Mas o SENHOR é verdadeiramente Deus; ele é o Deus vivo e o Rei eterno; do seu furor treme a terra, e as nações não podem suportar a sua indignação. O SENHOR fez a terra pelo seu poder; estabeleceu o mundo por sua sabedoria e com a sua inteligência estendeu os céus” (Jeremias 10.6-7, 10, 12).
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h) Perfeito
Segundo o dicionário Aurélio, perfeito é o que “reúne todas as qualidades concebíveis”. É quase impossível pensar no Criador, que é ao mesmo tempo justo e amoroso, santo e misericordioso, juiz eterno, onisciente, oni- presente e onipotente, como outra coisa além de perfeito. Ele não precisa aperfeiçoar-se; ele é a perfeição das perfeições. Há passagens nas Escrituras que fortalecem esse conceito de “completo”, “pleno”. Por exemplo, Je- sus nos diz: “Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai, que está nos céus” (Mateus 5.48). Não resta dúvida de que Deus possui de forma completa todos os atributos inerentes ao seu Ser.
i) Espírito
“Deus é Espírito” foi a declaração que Jesus deu à mulher samaritana quando esta lhe perguntou onde seria o melhor local para adorar a Deus. Com essa resposta Ele demonstrou claramente a personalidade do Espírito de Deus, contrariando a opinião de alguns que imaginavam que 0 Espírito de Deus fosse apenas alguma influência ou emanação divina. Como 0 espírito não está sujeito à matéria, não possui um corpo de carne e osso, portanto não sofre as limitações do corpo físico (Lucas 24.39). Paulo declarou que “o Deus que fez o mundo e tudo 0 que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas” (Atos 17.24). A Bíblia dá alguns aspectos sobre “espírito”, sem defini-lo, como imortal, invisível, eterno (1 Timóteo 1.7).
ATRIBUTOS MORAIS OU COMUNICÁVEIS
Assim como os atributos incomunicáveis distinguem 0 absoluto Ser de Deus, os atributos comunicáveis tomam visível sua natureza pessoal. E por meio dos atributos comunicáveis que Deus se manifesta como ser moral, consciente, inteligente e livre, como ser pessoal no mais alto sentido da palavra. Muitas características do Deus único e verdadeiro, especialmente seus atributos morais, têm certa similitude com as qualidades humanas; porém, é evidente que todos os seus atributos existem em grau infinitamente superior aos humanos.
Por terem sido compartilhados até certo ponto com o homem remido e se referirem ao caráter e à conduta, preferimos aqui denominá-los de atributos morais mais compartilhados. Todos eles falam da bondade de Deus e de seu relacionamento com o homem. Dentre os atributos morais de Deus, os mais conhecidos são:
a) Sabedoria
Deus conhece o fim das coisas, ou seja, suas decisões são perfeitas. Ele é infinitamente sábio, e sua sabedoria é em algum grau compartilhada aos homens, mas nunca plenamente. Podemos pedir sabedoria a Deus porque ele prometeu em sua Palavra: “E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não o lança em rosto; e ser-lhe-á dada” (Tiago 1.5). Essa sabedoria, ou habilidade vinda dos céus, é para o me- lhor desempenho na vida espiritual. A Bíblia afirma a sabedoria de Deus em diversos lugares:
“Ele é sábio de coração e grande em poder; quem porfiou com ele e teve paz?” (Jó 9.4).
“Com Deus está a sabedoria e a força; ele tem conselho e entendimento” (Jó 12.13).
“Que variedade, SENHOR, nas tuas obras! Todas com sabedoria as fizeste; cheia está a terra das tuas rique- zas” (Salmos 104.24).
b) Santidade
A santidade de Deus proporciona 0 padrão a ser imitado. Ele é absolutamente isento de pecado e perfeitamen- te justo. Sua santidade comprova sua absoluta pureza moral; ele não pode pecar nem tolera 0 pecado. Por meio deste atributo, elimina qualquer possibilidade do panteísmo, haja vista que ele está no céu e 0 homem na terra; ele é perfeito e 0 homem imperfeito; ele é divino e o homem é humano. Entretanto, foi Ele e não o homem que desejou reatar a comunhão que se havia interrompida.
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Além disso, “a palavra hebraica para ‘ser santo’, qadash, deriva da raiz qad, que significa cortar ou separar. E uma das palavras religiosas mais proeminentes do Velho Testamento, e é aplicada primariamente a Deus. A mesma idéia é comunicada pelas palavras hagiazo e hagios, no Novo Testamento”.13 Concluímos então que a santidade é atributo que mantém a distinção entre 0 Criador e suas criaturas.
A Bíblia está repleta de descrições de Deus em sua santidade, bem como de exortação para que todo aquele que dele se aproxime seja santo:
“Eu sou 0 SENHOR, vosso Deus; portanto, vós vos consagrareis e sereis santos, porque eu sou santo” (Levítico 11.44).
“Fala a toda a congregação dos filhos de Israel e dize-lhes: Santos sereis, porque eu, 0 SENHOR, vosso Deus, sou santo” (Levítico 19.2).
“Não podereis servir ao SENHOR, porquanto é Deus santo, Deus zeloso, que não perdoará a vossa transgressão nem os vossos pecados” (Josué 24.19).
“Pois tu não és Deus que se agrade com a iniqüidade, e contigo não subsiste o mal” (Salmos 5.4).
c) Amor
Na sua santidade Deus é inacessível; no seu amor Ele se aproxima de nós. Na sua santidade Deus é transcen- dente, enquanto que em seu amor ele é imánente. Por transcendência de Deus se entende que Ele está separado de toda sua criação como ser independente e auto-existente. Já por sua imanência se entende sua presença difun- dida, ou seja, Ele entrando em relação pessoal com aqueles que possuem sua imagem e semelhança, em especial com aqueles que foram purificados pelo sangue de Jesus.
O Novo Testamento é categórico ao afirmar que “Deus é amor” (1 João 4.8). A Bíblia é clara ao expressar a maneira pela qual Deus decidiu buscar “aquele que havia se perdido” (Mateus 18.11). O amor de Deus pode ser definido como aquele atributo divino pelo qual Ele se dá para benefício de outros. E foi isso o que aconteceu. “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou 0 seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (1 João 4.10). Paulo escreveu: “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5.8).
Para descrever 0 amor, o grego antigo usava quatro palavras diferentes: eros, que é o amor físico e sensual; phileo, que é o amor expresso em amizade, afeição, fraternidade; stergo, que é o amor conjugal, o amor em fa- mília; e, finalmente, ágape, que é o amor sublime, o amor de Deus.
Diga-se desde já que o Antigo Testamento grego usa só duas vezes a palavra eros, enquanto o Novo Testa- mento nunca a usa; das três palavras gregas relacionadas com o amor, os escritos neotestamentários privilegiam a última, para falar do relacionamento entre Deus e o homem.
‘“Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. Nisto se manifestou o amor de Deus para co- nosco: em que Deus enviou o seu Filho unigénito ao mundo, para que por meio dele vivamos. Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou, e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados. Amados, se Deus assim nos amou, nós também devemos amar uns aos outros” (1 João 4.8-11).
d) Justiça (retidão)
Na língua portuguesa esses dois termos possuem significados diferentes, entretanto no hebraico do Antigo Testamento e no grego do Novo Testamento não divergem. A palavra hebraica para justiça é צדקה (tsedaqah),
definida como “justiça, retidão”. O termo correspondente no grego é δικαιοσύνη (dikaiosune). Ambas as pala- vras conotam a conformidade a um padrão ético ou moral.
13 BERKHOF, Louis. Op. cit., p. 75.
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MODULO 1 i DGül klíNA DE DEUS
Ambos os termos estavam relacionados à timçâo de juiz. Todos os pronunciamentos e decisões deles devem ocorrer de acordo com a verdade e sem nenhuma parcialidade (Levítieo 19.15). Era aplicada também a pesos e medidas (Levítico 19.36). Nesses dois usos vê-se o sentido básico de “não se desviar do padrão”. Quando aplicado a Deus, tsedaqah tem 0 sentido de retidão, sendo que as características divinas se tomam então um padrão defi- nitivo da conduta humana. Deus é um Deus reto, porque age sempre em absoluta conformidade com sua santa natureza e vontade, sendo 0 padrão do que é certo. Portanto, “como resultado da retidão de Deus, é necessário que ele trate as pessoas de acordo com 0 que elas merecem. Assim, é necessário que Deus puna o pecado, porque 0 pecado não merece recompensa; é errado e merece punição”.14
A Bíblia está repleta de descrições da retidão de Deus. bem como de exortações para que todos sejam retos;
“Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio; que o justo seja como 0 ímpio, longe de ti esteja. Não fará justiça o Juiz de toda a terra?” (Gênesis 18.25).
“Suas obras são perfeitas, porque todos os seus caminhos são juízo; Deus é fidelidade, e não há nele injustiça; é justo e reto” (Deuteronômio 32.4).
“Não falei em segredo, nem em lugar algum de trevas da terra; não disse à descendência de Jacó; Buscai-me em vão; eu, 0 SENHOR, falo a verdade e proclamo 0 que é direito” (Isaías 45.19).
e) Fidelidade
A fidelidade é uma característica que se descobre com o tempo, no relacionamento, em momento de adversidade, de sofrimento etc. Quando as Escrituras afirmam que Deus é fiel, isso significa que Ele é confiável e fiel em suas palavras. Deus jamais irá prometer 0 que não pretender cumprir, porque “não é homem, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa. Porventura, tendo ele prometido, não o fará? Ou, tendo falado, não 0 cumprirá?” (Números 23.19). Entretanto, devemos compreender que certas promessas são condicionais, ou seja, fica subordina à obediência da parte receptora; se descumprida, Deus não será infiel; “…se somos infiéis, ele permanece fiel, pois de maneira nenhu- ma pode negar-se a si mesmo” (2 Timóteo 2.13).
A prova cabal de sua fidelidade são suas promessas que se cumpriram de forma literal pronunciadas pelos profetas que falaram em seu nome e hoje por meio de Seu filho.15
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 5
1) O que são atributos de Deus?
2) Cite duas denominações diferentes propostas para atributos.
3) O que são atributos incomunicáveis?
4) O que significa a auto-existência de Deus?
5) O que significa dizer que Deus é único?
6) O que significa a imutabilidade de Deus?
7) O que denota a palavra onipresença?
8) De onde deriva a palavra onisciência?
9) O que significa onipotência?
10) O que são atributos comunicáveis?
11) Por meio do atributo santidade que heresia é eliminada?
12) O que se entende por transcendência de Deus?
13) Qual é a prova cabal de sua fidelidade de Deus? * 11
M GRUNDEM, Wayne. Manual de teologia sistemática: uma introdução aos princípios da fé cristã. São Paulo:, 2001. p. 97.
11 Ver no capítula 6, sobre inspiração, as profecias realizadas na pessoa de Jesus.
CURSO DE TEOLOGIA
M Ó D U L 0 1 I DOUTRINA DE DEUS
NOMES DE DEUS
O nome integra a personalidade por ser o sinal exterior pelo qual se designa, se individualiza e se reconhece a pessoa no seio da família e da sociedade. Desde o tempo em que o homem passou a verbalizar seus conceitos, começou a dar denominação às coisas e a seus semelhantes.
Nas sociedades rudimentares um único nome era suficiente para distinguir 0 indivíduo no local. A medida que a civilização toma-se mais aprimorada e aumenta o numero de indivíduos, passa a existir a necessidade de complementar o nome individual com algum restritivo que melhor identifique as pessoas.
Os hebreus, a princípio, usavam um único nome, como Moisés, Jacú, Ester, mas já era costume acrescentar outro a esse nome primitivo, lembrando que o próprio Jesus era conhecido como “Jesus de Nazaré”. O segundo nome era acrescentado pelo costume, com alusão à profissão ou localidade de nascimento, por exemplo, quando não ligado ao nome do genitor. Para eles os nomes eram como uma revelação, encerrando algum atributo ou característica da pessoa nomeada. Por exemplo, 0 nome Adão significa “da terra”, ou “tirado da terra vermelha”; seu nome revela sua origem.
Diante de tamanha importância que o nome possui na sociedade Oriental, podemos, através dos nomes de Deus encontrados nas Escrituras, conhecê-lo melhor. O estudo dos nomes de Deus irá ajudar-nos signi- ficativamente a compreendermos a manifestação mais expressiva de sua personalidade.
NOMES GENÉRICOS DE DEUS
Ao contrário dos nomes específicos, são assim designados por não serem exclusivos da divindade. Os nomes genéricos tanto podem ser usados pelo Deus verdadeiro quanto por uma divindade falsa, por isso recebe essa denominação. Sendo assim, os nomes genéricos de Deus encontrados nas Escrituras são:
Elohim (plural □ אל הי ) e Eloah (singular הולא ) – Deus
Elohim é 0 primeiro nome de Deus que aparece nas Escrituras. Em Gênesis, no início da criação, está escrito que “no princípio criou Deus ( אל הי ם – Elohim) os céus e a terra” . “ Essa palavra (Elohim) emprega-se sempre
que sejam descritos ou implícitos o poder criativo e a onipotência de Deus.”16 O singular de Elohim é Eloah הולא) ), que também é usualmente traduzido por Deus. Esse nome no singular ocorre 57 vezes no Antigo Testamento, ao passo que no plural ocorre 2.498 vezes.17 Esse substantivo vem do verbo hebraico Alá, e significa “ser adorado, ser excelente, temido e reverenciado”.18
Elohim é um nome genérico que tanto pode ser usado para 0 Deus verdadeiro quanto para as divindades fal- sas, tanto masculinas como femininas.19 O nome Elohim aparece 2.555 vezes no Antigo Testamento hebraico, e somente em 245 lugares não se refere ao Deus verdadeiro, 0 Deus de Israel. Aparece relacionando-se com divindades pagãs individuais apenas 22 vezes:
16 PEAR1MAN, Myer. Conhecendo as doutrinas da Bíblia. 27“ ed. São Paulo: Vida, 1999. p. 41.
” HARRIS, R. laird; ARCHER JR., Gleason L; WALTKE, Bruce K. Dicionário internacional de teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1998. p. 72.
” SILVA, Esequias Soares da. Como responder às Testemunhas de Jeová. 3°. ed. São Paulo: Candeia, 1995. p. 128. vol. 1.
‘Ver ־Nomes específicos de Deus”.
28 CURSO DE TEOLOGA
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a) Com relação a Baal, 4 vezes (Juizes 6.31; 1 Reis 18.24,25.27):
“Porém Joás disse a todos os que se puseram contra ele: Contendereis vós por Baal? Livrá-lo-eis vós? Qual- quer que por ele contender, ainda esta manhã, será morto. Se é deus [□ אלהי – Elohim] que por si mesmo contenda; pois derribaran! o seu altar” (Juizes 6.31).
b) Com relação a Baal Berit, 1 vez (Juizes 8.33):
“Morto Gideão, tomaram a prostituir-se os filhos de Israel após os baalins e puseram Baal-Berite por deus אלהים] – Elohim]”.
c) Com relação a Quemos, 2 vezes (Juizes 11.24; 1 Reis 11.33):
“Não é certo que aquilo que Quemos, teu deus [□, אלה – Elohim], te dá consideras como tua possessão?”
(Juizes 11.24).
d) Com relação a Milcom, 1 vez (1 Reis 11.33):
“Porque Salomão me deixou e se encurvou a Astarote, deusa [□, אלה – Elohim] dos sidônios, a Quemos,
deus [ אלהים – Elohim] de Moabe, e a Milcom, deus [□, אלה – Elohim] dos filhos de Amom; e não andou nos
meus caminhos para fazer o que é reto perante mim, a saber, os meus estatutos e os meus juízos, como fez Davi, seu pai”.
e) Com relação a Dagom, 5 vezes (Juizes 16.23; 1 Samuel 5.7):
“Então, os príncipes dos filisteus se ajuntaram para oferecer grande Dagom e para se alegrarem; e diziam: Nosso deus [□ אלהי – Elohim]
inimigo” (Juizes 16.23).
f) Com relação a Astarote, 2 vezes (1 Reis 11.5, 33):
“ Salomão seguiu a Astarote, deusa [□ אלהי – Elohim] dos sidônios, e a Milcom, abominação dos amonitas” .
g) Com relação a Baal Zebube, 4 vezes (2 Reis 1.2-3,6,16):
“E caiu Acazias pelas grades de um quarto alto, em Samaria, e adoeceu; enviou mensageiros e disse-lhes: Ide e consultai a Baal-Zebube, deus [ אלהים – Elohim) de Ecrom. se sararei desta doença” .
h) Com relação a Adrameleque, 1 vez (2 Reis 17.31):
“…os aveus fizeram Nibaz e Tartaque; e os sefarvitas queimavam seus filhos a Adrameleque e a Anameleque, deuses [ אלהים – Elohim] de Sefarvaim” .
i) Com relação a Nisroque. 2 vezes (2 Reis 19.37; Isaías 37.38):
“ Sucedeu que, estando ele a adorar na casa de Nisroque, seu deus [□ אלה״ – Elohim]…” (2 Reis 19.37).
sacrifício a seu deus [ אל הי ם — Elohim]
nos entregou nas mãos a Sansão, nosso
CURSO DE TEOLOGIA 29
M Ó D U L 0 1 1 DOUTRINA DE DEUS
El ( א ל ) – Deus
El ( אל ) é o nome mais conhecido entre os povos de língua semita para se referir à divindade. Esse nome se
encontra no singular, ocorre cerca de 250 vezes na Bíblia e parece significar “aquele que vai adiante ou começa as coisas”.20 Na maioria das vezes aparece sozinho, porém também foi combinado com outras palavras para formar um termo composto com 0 significado de deidade, ou para de alguma maneira identificar a natureza e ofício de “Deus”.
Os significados principais deste termo El ( אל ), conforme apresentados nas Escrituras, são “ deus” , para divindades falsas, “Deus”, para o verdadeiro e único Deus, e de modo menos freqüente “o poderoso”, referindo-se aos homens ou anjos.
El é o nome mais usado na Bíblia para mencionar as divindades pagãs, mas aparece também com relação ao Deus de Israel e também com seus atributos, a saber:
a) El Berit- Deus que faz aliança ou pacto (Gênesis 31.13; 35.1-3);
b) El Olan – Deus Eterno. Foi com este nome que Abraão invocou seu Deus em Berseba (Gênesis 21.33).
É também com esse nome que 0 profeta Isaías denomina o Deus de Israel (Isaías 40.28);
c) El Sale’¡ – Deus é minha rocha, 0 meu refúgio (Salmos 42.9-10);
d) El Ro Ί – Deus da vista. Assim foi Deus chamado por Agar, e é também mais um nome de Deus
(Gênesis 16.13);
e) El Nosse – Deus de compaixão (Salmos 99.8);
f) EL Qana – Deus zeloso (Êxodo 20.5; 34.14);
g) ElNe’eman – Deus de graça e misericórdia (Deuteronômio 7.9).
El-Elyon (] א ל עליו ) – Deus Altíssimo
O nome Elyon (Nwyle) é um adjetivo que se deriva do verbo hebraico Aláh, que significa “subir, mais ele- vado, superior, no ponto mais alto”. É usado para coisas: “Que está na outra extremidade do aqueduto do açude superior (] עליו – Elyon), junto ao caminho do campo do lavandeiro” (Isaías 7.3); para Israel, favorecido acima de
outras nações: “Para, assim, te exaltar ( עליון – Elyon) em louvor, renome e glória sobre todas as nações que fez
e para que sejas povo santo ao SENHOR, teu Deus, como tem dito” (Deuteronômio 29.16); e quando aplicado para Deus, designa-0 como o alto, o excelente, o Deus Glorioso.21
Ocorre sozinho (Deuteronômio 32.8) ou em combinação com outros nomes de Deus, mais freqüentemente com EI (Gênesis 14.18; Salmos 78.35), mas também com Yahweh (Salmos 7.17; 97.9), ou com Elohim (Salmos 56.2). Sua primeira aparição foi no encontro de Melquisedeque com Abraão (Gênesis 14.18).
El Olam (□ אל על ) – o Deus Eterno
Para demonstrar sua fé no Deus verdadeiro, Abraão jura a Abimeleque, rei de Gerar, em Berseba, invocando “ ali 0 nome do SENHOR, Deus Eterno (22.’ ״(אל על ם Segundo o dicionário Vine, o termo significa “Deus da
Eternidade, Deus eterno, Deus para sempre”.23 Gênesis 21.33 é o único lugar no Antigo Testamento onde 0 título Deus Eterno (Mie la) ocorre.
significado exegético e expositivo das palavras do Antigo e do
,0SUVA, Esequias Soares da. Op. cit., p. 127.
21 Idem, p. 128.
21Gênesis 21.33.
23 VINE, W. E.; UNGER, Merril F.; WHITE JR., William. Dicionário Vine: 0 Novo Testamento. 5° ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005. p. 95.
30 CURSO DE TEOLOGIA
M Ó D U LO 1 i D O U ! KiNA DE DEUS
NOMES ESPECÍFICOS DE DEES
Se os nomes genéricos podem ser usados tanto para o Deus verdadeiro como também para as divindades falsas, os nomes específicos de Deus jamais serão invocados para outras divindades. Os nomes específicos de Deus são aqueles que ñas Escrituras só aparecem aplicados ao Deus verdadeiro. Portanto, os nomes específicos de Deus tra- zem por si só temor, reverência, devoção. São eles: El shadday, Adonay, YHWH e YHWH dos Exércitos.
Shadday ( שיי ) – Todo-poderoso
Este termo aparece sozinho ( שדי – Poderoso), como em Génesis 49.24, como também na forma composta
אל שדי) – Deus Todo-Poderoso), sendo o mais predominante. A Septuaginta traduziu shadday por pantokrator
e a Vulgata por omnipotens. Várias hipóteses têm sido levantadas com relação ao termo shadday. Uma delas defende que ele está associado com o verbo hebraico shadad, “destruir”, sugerindo a idéia de “meu destruidor”. Outra corrente entende que se deve identificá-lo com o vocábulo acadiano sadu, “montanha”. Sendo assim, a tradução de El Shadday seria “Deus de montanha”. Para Esequias Soares, “o nome hebraico Shadday é derivado de Shadad, que significa ‘ser poderoso, forte e potente’; mas há quem afirme que essa palavra seja derivada do verbo hebraico Shadá que quer dizer: ‘alimentar’. Tanto a primeira quanto a segunda são inerentes à natureza divina: Deus é o Todo-poderoso e também dá a vida, alimenta e toma frutuoso”.24
Como título divino, shadday aparece 48 vezes no Antigo Testamento. Na maioria das vezes aparece no livro de Jó (31 vezes). Dessas 48 vezes, shadday ( שדי ) é antecedido por El ( אל – Deus) em sete ocasiões: Gênesis 17.7;
28.3; 35.11; 43.14; 48.3; Êxodo 6.3; Ezequiel 10.5. No restante das vezes, shadday ( שדי ) aparece sozinho.
Adonai – Senhor
Com a chegada da Lei, 0 tetragrama ΠΊΓΡ era de tal maneira reverenciado que os judeus deixaram de pronun- ciá-lo. A Lei era explícita: “Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão, porque 0 SENHOR não terá por inocente 0 que tomar o seu nome em vão” (Êxodo 20.7); “Aquele que blasfemar o nome do SENHOR será morto; toda a congregação o apedrejará; tanto 0 estrangeiro como o natural, blasfemando o nome do SENHOR, será mor- to” (Levítico 24.16). Para que ninguém corresse 0 perigo de blasfemar do nome divino, todas as vezes que hou- vesse necessidade de pronunciar esse nome,os judeus poderíam pronunciar de outra forma, ou seja, poderíam usar Adonay ou hashem (□ דש ), nunca 0 tetragrama. Portanto, todas as vezes que aparece nas Escrituras o nome divino
impronunciável י הו ד , ele é trocado por Adonai nos serviços religiosos e hashem nas conversas informais.
A Septuaginta traduziu Adonai e 0 tetragrama pela palavra grega kuriov (karios). que é “Senhor”, 0 nome divino.
YHWH – traduzido por Senhor
O tetragrama é o nome divino que ocorre com mais freqüência no Antigo Testamento, 5.321 vezes, sendo escrito por quatro consoantes: yod, he. vav, he (o alfabeto hebraico não possui vogal).25 Não sabemos realmente como os judeus pronunciavam o nome, pois este tomou-se impronunciável pelos hebreus desde o período inter- testamentário, devido à ordem divina proibindo que se tomasse 0 nome do Senhor (YHWH) em vão. Assim, os judeus temiam e temem pronunciar 0 tetragrama, substituindo-o na leitura pela palavra Adonai ou “O Nome”, há ’Shem em hebraico.
24 SILVA, Esequias Soares da. Op. cit., p. 133.
15HARRIS, R. Laird; ARCHER JR., Gleason L.; WALTKE, Bruce K. Op. cit., p. 345.
CURSO DE TEOLOGIA
M Ó D U L 0 1 I DOUTRINA DE DEUS
NOMES COMPOSTOS DE DEUS
Nas Escrituras encontramos o nome de Deus ligado a outros termos que o identificam e tomam específica essa relação. Quando assim procedia revelava algum aspecto a mais do seu caráter, fornecendo frases ou locuções descritivas em conexão com seus vários nomes.
YHWH Elohim (□, אלה ΓΠΓΡ)
“Esta é a gênese dos céus e da terra quando foram criados, quando 0 SENHOR Deus os criou” (Gênesis 2.4, grifo nosso). Este nome identifica 0 SENHOR como criador de todas as coisas.
YHWH Jireh (ΓΗ ־ ΓΠΓΡ) – O Senhor Proverá
“E pôs Abraão por nome àquele lugar — O SENHOR Proverá. Daí dizer-se até ao dia de hoje: No monte do SENHOR se proverá” (Gênesis 22.14, grifo nosso). Assim como ele providenciou um substituto para Isaque, ele também já proveu para os fiéis um substituto – Jesus, o cordeiro de Deus que tira 0 pecado do mundo (João 1.29).
YHWH Rafa ( יהוה רפה ) – o Senhor que te sara
“Se ouvires atento a voz do SENHOR, teu Deus, e fizeres o que é reto diante dos seus olhos, e deres ouvido aos seus mandamentos, e guardares todos os seus estatutos, nenhuma enfermidade virá sobre ti, das que enviei sobre os egípcios; pois eu sou 0 SENHOR, que te sara” (Êxodo 15.26, grifo nosso). Este nome revela que se seu povo andar em obediência à sua revelação, saberá que Ele é 0 Deus dos milagres, das curas, das causas impossíveis.
YHWH Nissi ( יהוה נסי ) – o Senhor é minha bandeira
“E Moisés edificou um altar e lhe chamou: O SENHOR É Minha Bandeira” (Êxodo 17.15, grifo nosso). Um dos símbolos da pátria é a bandeira, que deve ser respeitada por todos os cidadãos. São os símbolos nacionais que nos identificam como nação, como pessoas que compartilham uma mesma terra e uma mesma língua. Não pode- ria ser diferente para os habitantes dos céus. O Senhor como nossa bandeira deixa evidente que não somos daqui (somo peregrinos e forasteiros) e que possuímos uma linguagem dos céus (falamos a linguagem de Deus).
YHWH Shalom (□ יהרה שלו ) — o Senhor épaz
“Então, Gideão edificou ali um altar ao SENHOR e lhe chamou de O SENHOR É Paz” (Juízes 6.24, grifo nosso). Somente ele pode trazer a paz que todos desejam, porque ele é a paz.
YHWH Raah ( י רו ה רעה ) – o Senhor é o meu pastor
“O SENHOR é o meu pastor; nada me faltará” (Salmos 23.1, grifo nosso). Quão bom é saber que ele é o pas- tor, que provê pastos verdejantes para suas ovelhas.
YHWH Tsidikenu (1 י רו ה צהקנ ) – Senhor justiça nossa
“Nos seus dias, Judá será salvo, e Israel habitará seguro; será este o seu nome, com que será chamado: SE- NHOR, Justiça Nossa” (Jeremias 23.6, grifo nosso). É Ele quem justifica os seus, por meio de seu filho Jesus. “Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção”(! Corintios 1.30).
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YHWH Sabaoth ( צבאה ΓΠΓΓ) – o Senhor dos Exércitos
“Quem é esse Rei da Glória? O SENHOR dos Exércitos, ele é o Rei da Glória” (Salmos 24.10, grifo nosso). Ele possui milhares de milhares de soldados celestiais à sua disposição para cumprir seus desígnios.
YHWH Shammah ( י הו ה שמה ) — o Senhor está ali
“Dezoito mil côvados em redor; e o nome da cidade desde aquele dia será: O SENHOR Está ΑΙΓ (Ezequiel 48.35, grifo nosso). É consolador saber que o Deus transcendente que criou tudo que há é também imánente, presente com seu povo.
NOMES DE DEUS NO NOVO TESTAMENTO
Entre os gregos existiam vários deuses. O filósofo Aristóteles, para demonstrar a fragilidade da religião grega, afirmava: “O homem fez os deuses à sua semelhança e lhes deu seus costumes”. O panteão grego, que, etimolo- gicamente, deriva de pan (todo) e théos (deus), significa, literalmente, o templo dedicado a todos os deuses. Por sua vez, os judeus sempre foram monoteístas, exortados a permanecerem distantes dos ídolos dos homens. Nesse clima foi que surgiu a primeira tradução da Bíblia hebraica para 0 grego, chamada de Septuaginta. Portanto, é nessa tradução das Escrituras que os rabinos demonstrarão seu zelo pela religião. Por meio dela descobrimos os equivalentes gregos dos nomes usados para Deus no Antigo Testamento, como El, Elohim, Elyon e YHWH.
Θεός (theosj – Deus
“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus (Θεός – theos), e 0 Verbo era Deus (Θεός – theos) ״
(João 1.1, grifo nosso).
Dos nomes aplicados a Deus no Novo Testamento, Θεός {theos) é 0 mais comum. Assim como as palavras hebraicas el, eloah, elohim no Antigo Testamento, theos no Novo Testamento pode significar “Deus” ou “deuses”.
KÚp 1ος (Kuriosj – Senhor
“…e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor (κύριος – kurios), para glória de Deus Pai (πατήρ – pater) ״ (Filipenses 2.11, grifo nosso).
A Septuaginta traduziu Adonai e 0 tetragrama YHWH pela palavra grega κύριος {kurios), “Senhor”, exata- mente como fizeram no Antigo Testamento para o nome divino impronunciável. A idéia básica de kurios/Adonai é a da soberania de Deus, da suprema posição do Criador, em todo o Universo que criou. Tanto o Pai quanto o Filho são chamados pelo termo grego kurios·.
“O sétimo anjo tocou a trombeta, e houve no céu grandes vozes, dizendo: O reino do mundo se tomou de nosso Senhor (κυρ I oç – kurios) e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos” (Apocalipse 11.15, grifos nossos).
“Por isso, vos faço compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus afirma: Anátema, Jesus! Por outro lado, ninguém pode dizer: Senhor Jesusl (κύριος – kurios), senão pelo Espírito Santo” (1 Corintios 12.3, grifo nosso).
CURSO DE TEOLOGIA 33
M ÓDULO f I DOUTRINA DE DEUS
πατήρ (Pater) – Pai
“Portanto, vós orareis assim: Pai (πατήρ – Pater) nosso, que estás nos céus, santificado seja 0 teu nome…” (Mateus 6.9).
Dentre as três grandes religiões monoteístas, somente 0 cristianismo mantém um relacionamento de Pai para filho com seu Deus. O islamismo rejeita a idéia de Deus ser Pai, 0 judaísmo afirma que Deus jamais teve algum filho. De quão grande privilégio desfrutam os cristãos ao invocar Deus como seu Pai celestial!
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 6
1) O que significa nomes genéricos?
2) Qual é o primeiro nome de Deus que aparece na Bíblia?
3) Qual é 0 singular de Elohirrft
4) Qual é nome de Deus mais conhecido entre os povos de língua semita?
5) Quais as três maneiras de usar 0 nome El-Elyon?
6) O que significa nomes específicos?
7) Como título divino, shadday aparece quantas vezes no Antigo Testamento?
8) A Septuaginta traduziu Adonai e 0 tetragrama por qual palavra grega?
9) O tetragrama era substituído na leitura por qual nome?
10) O que revela os nomes compostos de Deus?
11) O que fica evidente para 0 cristão o nome YHWHNissfi
12) O filósofo Aristóteles, para demonstrar a fragilidade da religião grega, afirmava 0 quê?
13) Quais os três nomes de Deus no Novo Testamento?
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MÓDULO ו I DOUTRINA DE DEUS
TRINDADE
O estudo da natureza de Deus por si só desafia a nossa inteira compreensão, entretanto a doutrina da trindade é a maior revelação que 0 Deus Todo-poderoso trouxe à compreensão humana. Não podemos rejeitar de imediato tal investigação só porque a palavra trindade não se encontra nas Escrituras. Cabe ao pesquisador averiguar os fatos para chegar a uma sentença. Portanto, partiremos do princípio de que a doutrina da trindade é uma verdade até que se prove o contrário.
Os pensadores cristãos têm usado 0 termo trindade para designar a coexistência de três pessoas distintas (o Pai, 0 Filho e 0 Espírito Santo) coexistindo em natureza divina. Foi empregada pela primeira vez por Tertuliano de Cartago, na África,26 já no final do século II d.C., sob a denominação de “trinnitas”.
Os grandes volumes comentados das Escrituras (excluída a literatura herética) da qual temos a oportunidade de manusear, que examinaram a doutrina da Trindade, concluíram que essa doutrina está em conformidade com as Escrituras, pois o Pai, o Filho e 0 Espírito Santo perfazem a unidade divina pela inseparável igualdade de uma única e mesma substância.
A UNIDADE COMPOSTA DE DEUS
A palavra trindade não é das melhores para expressar a revelação progressiva que Deus fez de si mesmo nas Escrituras. Portanto, como bem expressou o professor Stanley Rosenthal, “a palavra trindade foi cunhada a fim de referir-se à pluralidade que há em Deus, ao mesmo tempo em que manteria 0 pensamento da unidade divina. Foi uma escolha bem intencionada, mas infeliz”.27 A partir desse momento, utilizaremos à expressão tri-unidade de Deus, ou seja, que Deus é um só em seu Ser e substância eternamente subsistente em três pessoas distintas, revelados como Pai, Filho e Espírito Santo.
Muitos acham que a doutrina da tri-unidade de Deus somente é ensinada no Novo Testamento e não no Antigo Testamento. Inúmeras passagens, na lei e nos profetas, convergem a fim de prover-nos uma irrefutável evidência de pluralidade, dentro da unidade de Deus.
EVIDÊNCIAS NO ANTIGO TESTAMENTO
O Antigo Testamento traz uma revelação progressiva da tri-unidade de Deus. Não sabemos o motivo pelo qual o Cria- dor não se manifestou explícitamente ao seu povo, entretanto, desde 0 primeiro momento em que Ele toma-se manifesto, principalmente por seu nome (Elohim), a tri-unidade já começa a desabrochar.
No livro de Gênesis, em sua primeira manifestação no mundo dos mortais, Ele se apresenta com 0 nome Elohim אלהים) ) no plural: “No princípio, criou Deus (Elohim – □ אלהי ) os céus e a terra” . Aqui, o verbo apresenta-se no singular (criou) e o sujeito no plural (Deus), sendo que o nome Elohim no original hebraico é plural, insinuando assim a uni- dade composta de Deus. Esse nome no plural ocorre 2.498 vezes em todo o Antigo Testamento, enquanto o seu correlato singular Eloah ( אלה ) apenas 57 vezes.
Na criação do homem a unidade composta estava presente: “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, con- forme a nossa semelhança…” (Gênesis 1.26, grifos nossos). As três pessoas da tri-unidade estão presentes na criação: 0 Filho criou todas as coisas (João 1.1-3; Colossenses 1.16), assim como o Espírito Santo (Jó 33.4; Salmos 104.30) e 0 Pai (Provérbios 8.22-30). O que tomaria diferente Gênesis 1.1,2? Ainda nesse mesmo livro lemos: “Então, disse o SENHOR Deus: Eis que 0 homem é como um de nós, sabendo o bem e 0 mal…” (Gênesis 3.22, grifo nosso); da mesma
26 SILVA, Esequias Soares da. Op. cit., p. 158.
27 ROSENTHAL, Stanley. A tri-unidade de Deus. São Paulo: Fiel, p. 1.
CURSO DE TEOLOGIA 35
MÓDULO ן ן DOUTRINA DE DEUS
forma encontramos em Génesis 11.7: “Eia. desçamos e confundamos ali a sua língua, para que não entenda um a língua do outro”. Essas passagens demonstram a unidade composta de Deus; rejeitá-las é rejeitar a revelação de Deus.
EVIDÊNCIAS NO NOVO TESTAMENTO
Com a vinda do Filho de Deus à Terra, seria de esperar que esse grande evento fosse acompanhado do ensino mais explícito a respeito da natureza trinitária de Deus, e foi o que de fato aconteceu. É no Novo Testamento que ocorre a revelação mais completa da unidade composta de Deus. As pessoas da tri-unidade divina surgem sepa- radas, dissipando toda e qualquer dúvida que existia. A tri-unidade, que era ensinada por implicação no Antigo Testamento, se toma explícita no Novo Testamento. O Pai, o Filho e o Espírito Santo manifestam-se distintamen- te no Novo Testamento como o Deus universalmente reconhecido entre os fiéis.
No Novo Testamento podemos simplesmente relacionar diversas passagens onde as três pessoas da tri-uni- dade divina aparecem juntas:
No batismo de Jesus
“E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus des- cendo como pomba e vindo sobre ele. E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mateus 3.16-17).
Deus Paí fala do céu, ouvindo-se a sua voz; Deus Filho é batizado; e o Deus Espírito Santo desce do céu para pousar em Jesus.
Na grande comissão
“Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensi- nando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém!” (Mateus 28.19-20).
Na bênção apostólica
“A graça do Senhor Jesus Cristo, e 0 amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com vós todos. Amém!” (2 Corintios 13.13).
Wayne Grudem faz uma distinção merecedora de apreciação ao expor que “os autores do Novo Testamento geralmente usam 0 nome ‘Deus’ [grego: theos] para referir-se a Deus Pai e o nome ‘Senhor’ [grego: kurios] para referir-se a Deus Filho”.28
Sendo assim, em 1 Corintios 12.4-6 temos evidências da doutrina da tri-unidade: “Ora, há diversidade de dons, mas 0 Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é 0 mesmo Deus que opera tudo em todos”. Semelhantemente, em Efésios 4.4-6 se evidencia a distinção das três pessoas da divindade: “Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos, e em todos”.
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 7
1) Qual é a maior revelação que Deus trouxe à compreensão humana?
2) O que disse 0 professor Stanley Rosenthal sobre a trindade?
3) Onde ocorre a revelação mais completa da unidade composta de Deus?
4) Cite três passagens no Novo Testamento onde as três pessoas da tri-unidade divina aparecem juntas.
” GRUNDEM, Wayne. Op. cit ״ p. 111.
36 CURSO DE TEOLOGIA
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CADA PESSOA É PLENAMENTE DEUS
Além de as Escrituras demonstrarem que as três pessoas são distintas, o testemunho abundante que elas for- necem é que cada pessoa também é plenamente Deus. Vejamos:
DEUS PAI
Sendo o Eterno um ser infinito, é impossível que qualquer criatura o conheça exatamente como Ele é. No entanto, Ele revelou aquelas perfeições e excelências da sua natureza que considera essenciais para nossa redenção, adoração e comu- nhão. E nas Escrituras inspiradas que temos a revelação de Deus para nós. O homem não pode extrair o conhecimento de Deus como faz com outros objetos de estudo, mas Deus bondosamente transmite o conhecimento de si ao homem, e este pode apenas aceitá-lo e assimilá-lo.
O cristão aceita a verdade da existência de Deus primeiramente pela fé. Mas esta fé não é cega, mas baseada em provas, e estas se acham, primariamente, nas Escrituras como a Palavra de Deus inspirada e, secundariamen- te, na revelação de Deus na natureza. A Bíblia pressupõe a existência de Deus em sua declaração inicial: “No princípio criou Deus os céus e a terra” (Gênesis 1.1). Ela não somente descreve a Deus como Criador de todas as coisas, mas também como sustentador de todas elas. Ele revelou gradativamente seu grandioso propósito de redenção através da escolha e direção do povo de Israel na antiga aliança, registrada no Antigo Testamento, e de sua culminação final na pessoa e obra de Cristo, consumada no Novo Testamento. Em quase todas as páginas das Escrituras Sagradas Deus se revela em atos e palavras, sendo que esta revelação constitui para todos os cristãos a base da crença na existência de Deus, tornando a fé inteiramente razoável.
O finito não pode compreender o infinito. Só conhecemos a Deus na medida em que Ele entra em relação conosco. Deus entrou em relação conosco em suas revelações de si próprio e, precipuamente, em Jesus Cristo.
A incredulidade rejeita, sem pensar, qualquer possibilidade de haver revelação divina, pois 0 descrente rejeita a Bíblia como revelação divina e, por conseguinte, não aceita aquilo que ela revela e se recusa a crer no Deus da Bíblia. Sendo os seres humanos finitos e Deus infinito, não podemos conhecê-lo, a menos que Ele se revele a nós, ou seja, a menos que Ele se manifeste aos seres humanos de tal forma que estes possam conhecê-lo e ter comunhão com Ele.
Desde que o início dos tempos o homem tem procurado descrever ou retratar Deus por meio de figuras, da pintura e da palavra descritiva, mas sempre tem falhado, ficando muito distante de seu alvo. Todavia, Deus nos revelou o necessá- rio de sua natureza essencial para podermos servi-lo e adorá-lo. Sem a revelação o homem nunca seria capaz de adquirir qualquer conhecimento de Deus. E, mesmo depois de Deus ter-se revelado objetivamente, não é a razão humana que descobre Deus, mas é Ele que se descerra aos olhos da fé. Contudo, pela aplicação da razão humana santificada pelo estudo da Palavra, o homem pode, sob a direção do Espírito Santo, obter um sempre crescente conhecimento de Deus.
Por fim concluímos com as precisas e preciosas palavras do professor Israel Januário da Fonseca:
Ressaltamos que 0 homem não foi feito à imagem de Deus, em aspecto físico, e sim em caráter e personalidade, capaz de se emocionar, se entristecer, raciocinar, exercer inteligência etc., o que não acontece com o animal irracional, pois tudo quanto faz não 0 faz por inteligência e sim por instinto. Ainda vale salientar que o que caracteriza que o homem não foi feito à imagem e semelhança de Deus em aspecto físico é o fato de que a mulher também consequentemente foi feita à imagem e semelhança de Deus.29
” Teologia sistemática – Estuda sobre o homem. São Paulo: 0 Arado, 2006, p.13.
CURSO DE TEOLOGIA 37
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DEUS FILHO
Saber quem é Jesus Cristo é algo tão importante quanto o que Ele fez. Muitos acreditam que Ele esteve na Terra, fez muitos milagres e muitas outras coisas. A dificuldade para alguns é: quem é Cristo? Que tipo de pessoa Ele é? A Bíblia afirma que ela é a autoridade final na determinação de questões doutrinárias (2 Timóteo 3.16-17). A Palavra de Deus não permite novos ensinamentos que possam alterar seu conteúdo ou fazer-lhe acréscimos. O apóstolo Paulo disse: “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos anunciamos, seja anátema” (Gálatas 1.8). Ao considerar a divindade de Cristo, a questão não reside em “se é fácil crer nessa di- vindade, ou mesmo compreendê-la”, mas se ela é ensinada na Palavra de Deus. A Bíblia ensina que Deus não pode ser compreendido pela mente humana (Jó 11.7; 42.2-6; Salmos 145.3; Isaías 40.13; 55.8-9; Romanos 11.33). Sendo assim, devemos permitir que Deus dê a última palavra a respeito de si mesmo, quer possamos ou não compreendê-la inteiramente. A Bíblia ensina que Jesus é Deus: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por meio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (João 1.1-3; 20.28; Tito 2.13; 1 João 5.20). Jesus Cristo conferiu para si os nomes e títulos dados a Deus no Antigo Testamento e também permitiu que outros assim o chamassem. Quando Jesus reivindicou esses títulos divinos, os principais dos judeus ficaram tão irados que tentaram matá-lo por blasfêmia. Ele reivindicou para si o nome mais respeitado pelos judeus, tido como tão sagrado que eles nem o pronunciavam: YHWH.
Deus revelou pela primeira vez o significado desse nome ao seu servo, depois de haver-lhe perguntado por qual nome deveria chamá-lo: “Disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós” (Êxodo 3.14). “EU SOU” não é a tradução de YHWH. Todavia, trata-se de um derivado do verbo “ser”, do qual também deriva o nome divino YAHWEH (YHWH) em Êxodo 3.14. Portanto, o título “EU SOU O QUE SOU” indicado por Deus a Moisés é a expressão mais plena de seu ser eterno, abreviado no versículo 15 para 0 nome divino YHWH. A Septuaginta traduziu o primeiro uso da expressão “EU SOU” em Êxodo 3.14 por ego eimi no grego.
Em várias ocasiões Jesus empregou o termo ego eimi referindo-se a si mesmo, na forma unicamente usada para Deus. Um exemplo claro está em João 8.57-58: “Perguntaram-lhe, pois, os judeus: Ainda não tens cinqüenta anos e viste Abraão? Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade eu vos digo: antes que Abraão existisse, EU SOU [ego eimi]. Então, pegaram em pedras para atirarem nele; mas Jesus se ocultou e saiu do templo” (João 8.57-59). Jesus atribuiu esse título a si mesmo também em outras ocasiões. Neste mesmo capítulo Ele declarou: “Por isso, eu vos disse que morrereis nos vossos pecados; porque se não credes que EU SOU [ego eimi], morre- reis nos vossos pecados” (João 8.24). Disse ainda: “Quando levantardes o Filho do Homem, então sabereis que EU SOU [ego eimi] e que nada faço por mim mesmo; mas falo como 0 Pai me ensinou” (João 8.28). Quando os guardas do templo, juntamente com os soldados romanos, foram prendê-lo na noite anterior à crucificação, Jesus perguntou-lhes: “A quem buscais? Responderam-lhe: A Jesus de Nazaré. Disse-lhes Jesus: Sou eu [ego eimi], Quando Jesus lhes disse: Sou eu [ego eimi], recuaram e caíram por terra” (João 18.4-6). Não resta dúvida quanto a quem os líderes judaicos pensavam que Jesus estava proclamando ser. Fica, portanto, bem claro que, na mente daqueles que ouviram essa afirmação, não havia qualquer dúvida de que Jesus tivesse dito perante eles que Ele era Deus. Essas afirmações foram consideradas blasfêmias pelos líderes religiosos, e resultaram em sua crucificação “porque se fez filho de Deus” (João 19.7).
Diante do exposto, o estudo da pessoa de Cristo se reveste de congruência por causa da relação vital que Ele sustém com o cristianismo. Concluímos que durante esta vida podemos e devemos conhecer Deus até o ponto necessário para a salvação, confraternização, serviço e maturidade, mas na glória do céu passaremos a conhecê- 10 mais plenamente…30 Assim, pois, de forma bem real, o estudo da vida de Jesus Cristo e sua importância é, ao mesmo tempo, uma sondagem na significação da nossa existência e uma previsão de nosso destino. Por certo todos nós deveríamos nos interessar nessa inquirição.
10 FALCÃO, Márcio. Manual de teologia sistemática. São Paulo: 0 Arado, s.d.
38 CURSO DE TEOLOGIA
M Ó D U LO 1 ! DOUTRINA DE DEUS
DEUS ESPÍRITO SANTO
O Espírito Santo é identificado na Bíblia como a terceira pessoa da tri-unidade, igual ao Pai e ao Filho. Ele é eterno, onipotente, onisciente e onipresente (Mateus 28.19). Várias referências ao Espírito Santo são intercam- biáveis com referências a Deus.
Nas Escrituras toma-se manifesto que o Espírito Santo é uma pessoa com atributos divinos, e portanto Deus. Ao atribuir-lhe personalidade, verificamos que Ele não é uma força ou influência exercida por Deus, mas um ser pessoal, inteligente, com vontade e determinação própria.
Esses atributos não se referem às mãos, pés ou olhos, pois essas coisas denotam corporeidade. Entretanto, Deus é Espírito, sem necessidade de corpo material. Identifica-se como pessoa alguém que manifesta qualidades como conhecimento, sentimento e vontade, que indicam personalidade. As atribuições que a Palavra de Deus lhe dá evidenciam que o Espírito Santo é uma pessoa:
– Ele sonda as coisas profundas de Deus Pai: “O Espírito sonda todas as coisas, até mesmo as coisas mais profundas de Deus” (1 Corintios 2.10);
– Ele fala: “.. .pois não serão vocês que estarão falando, mas o Espírito do Pai de vocês falará por intermédio de vocês” (Mateus 10.20; Atos 8.39; Atos 10.19-20; Atos 13.2; Apocalipse 2.7);
– Ele ensina: “Quando vocês forem levados às sinagogas e diante dos governantes e das autoridades, não se preocupem com a forma pela qual se defenderão, ou com o que dirão, pois naquela hora o Espírito Santo lhes ensinará 0 que deverão dizer” (Lucas 12.12; João 14.26; 1 Corintios 2.13);
– Ele conduz e guia: “Mas quando 0 Espírito da verdade vier ele os guiará a toda a verdade. Não falará de si mesmo; falará apenas o que ouvir, e lhes anunciará o que está por vir” (João 16.13; Romanos 8.14);
– Ele intercede: “Da mesma forma 0 Espírito nos ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos como orar, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações conhece a intenção do Espírito, porque 0 Espírito intercede pelos santos de acordo com a vontade de Deus” (Romanos 8.26-27);
– Ele dispensa dons: “A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito, visando ao bem comum. Pelo Espírito, a um é dada a palavra de sabedoria; a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra de conhecimento; a outro, fé, pelo mesmo Espírito; a outro, dons de curar, pelo único Espírito; a outro, poder para operar milagres; a outro, profecia; a outro, discernimento de espíritos; a outro, variedade de línguas; e ainda a outro, interpretação de lín- guas. Todas essas coisas, porém, são realizadas pelo mesmo e único Espírito, e ele as distribui individualmente, a cada um, como quer” (1 Corintios 12.7-11);
– Ele chama homens para o seu serviço: “Enquanto adoravam 0 Senhor ejejuavam, disse 0 Espírito Santo: Separem-me Bamabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado” (Atos 13.2; Atos 20.28);
– Ele se entristece: “Não entristeçam o Espírito Santo de Deus, com o qual vocês foram selados para o dia da redenção” (Efésios 4.30);
– Ele dá ordens: “Paulo e seus companheiros viajaram pela região da Frigia e da Galácia, tendo sido im- pedidos pelo Espírito Santo de pregar a palavra na província da Ásia. Quando chegaram à fronteira da Mísia, tentaram entrar na Bitínia, mas o Espírito de Jesus os impediu” (Atos 16.6-7);
– Ele ama: “Recomendo-lhes, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito, que se unam a mim em minha luta, orando a Deus em meu favor” (Romanos 15.30);
– Ele pode ser resistido: “Povo rebelde, obstinado! De coração e de ouvidos! Vocês são iguais aos seus ante- passados: sempre resistem ao Espírito Santo!” (Atos 7.51).
A palavra hebraica para Espírito é mach. que pode ser traduzida por “Espírito de Deus”, “Espírito de YAHWEH”, “teu Espírito”, “Espírito Santo”, “espírito do homem”, “vento”, “sopro” e “respiração”. A Septuaginta traduziu ruach pela palavra grega pneuma, que é um substantivo neutro. Logo, Ele não pode ser considerado uma mulher como afirma o Reverendo Moon. Ele é revelado com sua própria individualidade (2 Corintios 3.17-18; Hebreus 9.14; 1 Pedro 1.2). O Espírito Santo é uma pessoa divina como o Pai e o Filho, como afirmam as Escrituras: “…para que mentiste ao EspiCURSO
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rito Santo, retendo parte do preço da propriedade?… Por que formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus” (Atos 5.3-4). Logo, não é mera influência ou força ativa.
E mais ainda, há certos atributos que pertencem somente a Deus. Esses atributos divinos são conferidos tam- bém ao Espírito Santo. Como Deus Pai e Deus Filho, 0 Espírito Santo é membro da divindade. Historicamente os arianos, sabelianos e socianos consideravam como uma força que vem do Deus eterno, mas esses grupos sempre foram condenados pela Igreja primitiva. Mais recentemente, Schleiermacher, Ritschl, os unitários, os modemis- tas e todos os sabelianos modernos rejeitam a personalidade do Espírito Santo. Vejamos os atributos da divindade no Espírito Santo, revelados nas Escrituras:
a) E onipotente (Zacarias 4.6; Romanos 15.19);
b) É onipresente (Salmos 139.7-8);
c) É onisciente (1 Corintios 2.10-11);
d) É eterno (Hebreus 9.14);
e) É criador (Jó 26.13; 33.4; Salmos 104.30);
f) É a verdade (1 João 5.6);
g) É o Senhor da Igreja (Atos 20.28);
h) É chamado de Yahweh (Juizes 15.14 comparado com 16.20; Êxodo 17.7 comparado com Hebreus 3.7-9);
i) Dá vida eterna (Gálatas 6.8);
j) É o santificador dos fiéis (Romanos 15.16; 1 Pedro 1.2);
k) Habita nos fiéis (João 14.17; Romanos 8.11; 1 Corintios 3.16; 6.19; 2 Timóteo 1.14).
É vital para a fé de todo crente estudar o que ensina a Bíblia sobre o Espírito Santo e as suas obras, conforme revelado nas Escrituras e experimentado na vida da Igreja hoje. A questão não é, portanto, saber como podemos possuir mais do Espírito Santo para fazermos o nosso trabalho, mas, ao contrário, como o Espírito Santo pode possuir mais de nós para realizar a sua obra de transformação do mundo.
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 8
l) De que modo o cristão aceita a verdade da existência de Deus?
2) O homem tem procurado descrever ou retratar Deus de vários meios. Quais são eles?
3) Ao considerar a divindade de Cristo, qual é a questão principal?
4) Qual o nome que Jesus reivindicou para si mais respeitado pelos judeus?
5) Quais atribuições que a Palavra de Deus faz ao Espírito Santo?
6) Cite pelo menos cinco atributos da divindade no Espírito Santo revelados nas Escrituras.
40 CURSO DE TEOLOGIA
MÓDUL011 DOUTRINA DÈ DEUS
QUADRO COMPARATIVO
• Atributos
• Pai
• Filho
• Espírito Santo
• Onipresença
• Jeremias 23.24
• Efésios 1.20-23
• Salmos 139.7
• Onipotência
• Gênesis 17.1
• Apocalipse 1.8
• Romanos 15.19
• Onisciência
• Atos 15.18
• João 21.17
• 1 Corintios 2.10
• Capacidade de Criar
• Gênesis 1.1
• João 1.3
• Jó 33.4
• Eternidade
• Romanos 16.26
• Apocalipse 22.13
• Hebreus 9.14
• Santidade
• Apocalipse 4.8
• Atos 3.14
• 1 João 2.20
• Santificador
• João 10.36
• Hebreus2.11
• 1 Pedro 1.2
• Fonte de vida eterna
• Romanos 6.23
• João 10.28
• Gálatas 6.8
• Inspirador dos profetas
• Hebreus1.1
• 2 Corintios 13.3
• Marcos 13.11
• Deus
• Êxodo 20.2
• João 20.28
• Atos 5.34־
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 9
1) Quais passagens das Escrituras demonstram a onisciência de Deus?
2 Quais passagens das Escrituras declaram a divindade das três pessoas da tri-unidade?
CURSO DE TEOLOGIA 41
M Ó D U L 0 1 I DOUTRINA DE DEUS
DISTORÇÕES E CONSEQUÊNCIAS
Ainda nos primeiros séculos, a Igreja precisou se posicionar contra o montañismo, 0 sabelianismo, o dona- tismo, o pelagianismo, 0 arianismo, a iconoclastia e outros movimentos considerados heréticos e contrários à sã doutrina. Com relação à doutrina da tri-unidade se levantaram várias vozes contra esta revelação de Deus. Podemos dividir didaticamente em três escolas principais:
MODALISMO
O modalismo, também conhecido por sabelianismo é a idéia de que 0 Pai, 0 Filho e o Espírito Santo não são três pes- soas distintas – hypostaseis -, mas três modos diferentes da revelação ou manifestação da única pessoa que é Deus.
De acordo com 0 modalismo trinitariano, as três pessoas confundem-se em uma pessoa, portanto Deus seria uma única pessoa que se manifestou em três modos diferentes e em três tempos diferentes, ou seja, “as pessoas” do Pai, do Filho e do Espírito Santo são somente máscaras usadas por Deus – como um ator de teatro grego desempenhava mais de um papel em uma peça, ao entrar em cena usando máscaras diferentes. Ao invés de três pessoas na tri-unidade, os modalistas declaram que há somente uma pessoa (Deus) que se manifesta sob diferen- tes títulos e aspectos em épocas históricas diferentes. Tal ensinamento é uma variação de uma heresia do segundo século chamada sabelianismo (tendo sido propagada por Sabélio, no terceiro século) ou monarquianismo (uma das variações do modalismo), ou ainda patripassianismo (a doutrina de que foi o Deus Pai que sofreu e morreu na cruz, já que Pai, Filho e Espírito Santo são somente manifestações ou máscaras usadas pela mesma pessoa). O modalismo hoje é representado pelos unicistas, como a igreja local de Witness Lee, Conjunto Voz da Verdade, Tabernáculo da Fé etc.
O credo de Atanásio combateu essas heresias fazendo referência específica ao modalismo e ao triteísmo. Ele declara: “Ninguém confunda as pessoas [modalismo]; nem divida as substâncias [triteísmo]”.31
SUBORDINACIONISMO
O subordinacionismo começa pelo monoteísmo rígido, identificando Deus como o Pai e subordinando o Filho e o Espírito Santo a Deus. Declaram que Jesus pode ser semelhante (homoioúsios) a Deus, jamais igual (homooú- sios) ao Pai. Ele é a primeira criatura, o protótipo de todas as criaturas, mas não Deus.
Ario foi o teólogo mais influente que defendeu esta doutrina. Ele e seus discípulos enfatizavam o fato de que Jesus foi um ser humano perfeitíssimo, porque ele estava cheio do Espírito. Nota-se uma influência muito grande do pensamento filosófico grego em Ario. Para ele o Logos de João não é Deus, pois Deus não pode se comunicar com o mundo, Ele é um mistério indecifrável e transcendente. Sua natureza é incomunicável. Portanto, para ser conhecido, Ele tem de se servir de um mediador, o Logos. Este Logos não é Deus, mas pertence à esfera divina. Jesus, cheio do Espírito, alcançou a perfeição a ponto de merecer um nome divino. Foi adotado pelo Pai como seu filho. O filho permanece sempre subordinado ao Pai, porque foi criado ou gerado pelo Pai. Também é chamado de subordinacionismo adocianista ou monarquismo dinâmico, porque, para eles, Jesus mereceu ser adotado pelo Pai.
Ele é a criatura mais semelhante ao Pai que se possa conceber (homoioúsios), sem, entretanto chegar à igual- dade de natureza com o Pai (homooúsios).
Esta corrente pretendia fazer justiça a unidade de Deus, pois não há ninguém igual a Ele, e, ao mesmo tempo, Ele possui um Primogênito, perfeito, divino, porquanto foi adotado por Deus e proposto como mediador, salva-
” Veja o capítulo 11.
42 CURSO DE TEOLOGIA
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dor e caminho exclusivo de acesso ao Pai. No século 20 esta doutrina reapareceu como doutrina oficial entre as Testemunhas de Jeová.
O Concilio de Nicéia (325) refutou a doutrina de Ário e afirmou que Jesus Cristo é o único Filho de Deus. “Cremos em um só Senhor Jesus Cristo, Filho Unigénito de Deus, gerado desde a eternidade do Pai: Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado, não criado, consubstanciai ao Pai.”
TRITEÍSMO
O triteísmo afirma as três pessoas divinas. Acredita na divindade do Filho, na pessoa do Espírito como Deus em igualdade. Mas são três substâncias independentes e autônomas. Não se afirma a relação entre elas nem a comunhão como constitutivo da pessoa divina. A tri-unidade transforma-se em três deuses. Somam-se os três divinos, como se atrás de cada pessoa não houvesse um Único. Existem então três absolutos e não um, três seres eternos e não um, e três criadores e não um.
A afirmação trinitária destaca a existência objetiva de um único Deus, subsistente em três pessoas dis- tintas, ou seja, o Pai, 0 Filho e o Espírito Santo, mas não os vê separados e não-relacionados. Crê que as pessoas da tri-unidade estão eternamente relacionadas em comunhão infinita. Pode-se dizer, há três pPes- soas de uma única comunhão.
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 10
1) O que ensina 0 modalismo?
2) O que ensina o subordinacionismo?
3) O que ensina o triteísmo?
CURSO DE TEOLOGIA 43
M Ó D U L 0 1 I DOUTRINA DE DEUS
CREDOS
CREDO DE NICÉIA
Cremos em um só Deus, Pai onipotente, criador de todas as coisas visíveis e invisíveis; e em um só Senhor, Jesus Cristo, 0 Filho de Deus, gerado pelo Pai, unigénito, isto é, sendo da mesma substância32 do Pai, Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro do Deus verdadeiro, gerado não feito, de uma só substância33 com o Pai, peló qual foram feitas todas as coisas, as que estão no céu e as que estão na terra; o qual, por nós homens e por nossa salvação, desceu, se encarnou e se fez homem34, e sofreu e ressuscitou ao terceiro dia, subiu ao céu, e novamente deve vir para julgar os vivos e os mortos; e no Espírito Santo. E a todos que dizem: “Ele era quando não era”, e “antes de nascer, Ele não era”, ou que “foi feito do não existente”,35 bem como aqueles que alegam ser o Filho de Deus “de outra substância ou essência”, ou “feito”, ou “mutável”,36 ou “alterável”37 a todos esses a Igreja Católica e Apostólica anatematiza.38
CREDO NICENO-CONSTANTINOPOLITANO
Cremos em um Deus, Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis; e em um Senhor Jesus Cristo, o unigénito Filho de Deus, gerado pelo Pai antes de todos os séculos, Luz de Luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus, gerado, não feito, de uma só substância com o Pai, pelo qual todas as coisas foram feitas; 0 qual, por nós homens e por nossa salvação, desceu dos céus, foi feito carne do Espírito Santo e da Virgem Maria, e tomou-se homem, e foi crucificado por nós sob 0 poder de Pôncio Pilatos, e padeceu, e foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia conforme as Escrituras, e subiu aos céus, e assentou-se à direita do Pai, e de novo há de vir com glória para julgar os vivos e os mortos, e seu reino não terá fim; e no Espírito Santo, Senhor e Vivificador, que procede do Pai,39 que com 0 Pai e 0 Filho conjuntamente é adorado e glorificado, que falou através dos profetas; e na Igreja una, santa, católica e apostólica; confessamos um só batismo para remissão dos pecados. Esperamos a ressurreição dos mortos e a vida no século vindouro.40
32 Ek tes aysías toy patrós – “do mais intimo ser do Pai” – unido insoparavolmonto.
33 Homooysion to patrí – ser único intimamente com 0 Pai; embora distintos em existência, estão essencial mente unidos.
34 Enanthôpésanta – tomando sobre si tudo aquilo que faz homem ao homem, alargando sarkãthénta, “fez-se carne”; ou, talvez, “viveu como homem entre os homens”, alargando e salvaguardando 0 credo de Cesaréia “viveu entre os homens”, em anthrãpis politeysámenon. Mas isto parece menos provável.
39 Eks oyk óntôn – “do nada”.
* Isto é, moralmente mutável.
*7 Isto é, moralmente mutável.
3* BETTENSON, H. Documentos da igreja cristã. 3″ ed. São Paulo: Aste, 1998. p. 62.
34 As adições “Deus de Deus” (do Credo de Nicéia) e “(do Pai) e do Filho” ocorrem, pela primeira vez, no “credo de Constantinople”, como foi recitado no III Concilio de Toledo, em 589.. A última frase, a “cláusula filioque”, já tinha sido usada num anterior Concilio de Toledo, em 477. Ela cresceu em popularidade no Ocidente e foi incluída em muitas versões do credo, excluindo-se 0 da Igreja de Roma, onde Leão III, em 809, recusou inseri-la. Mas, em 867, Nicolau I fai excomungado por Fócio, Bispo de Constantinople, por ter corrompido 0 credo ao adicioná-la.
40 BETTENSON, H. Op. cit., p. 63-64.
kk CURSO DE TEOLOGIA
MÓDUL011 DOUTRINA DE DEUS
CREDO DE ATANÁSIO
Quem quiser salvar-se deve antes de tudo professar a fé católica.
Porque aquele que não a professar, integral e inviolavelmente, perecerá sem dúvida por toda a eternidade.
A fé católica consiste em adorar um só Deus em três Pessoas e três Pessoas em um só Deus.
Sem confundir as Pessoas nem separar a substância.
Porque uma só é a Pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo.
Mas uma só é a divindade do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, igual a glória, coetema a majestade.
Tal como é 0 Pai, tal é o Filho, tal é 0 Espírito Santo.
O Pai é incriado, 0 Filho é incriado, 0 Espírito Santo é incriado.
O Pai é imenso, 0 Filho é imenso, 0 Espírito Santo é imenso.
O Pai é eterno, o Filho é eterno, 0 Espírito Santo é eterno.
E contudo não são três eternos, mas um só eterno.
Assim como não são três incriados, nem três imensos, mas um só incriado e um só imenso.
Da mesma maneira, o Pai é onipotente, 0 Filho é onipotente, 0 Espírito Santo é onipotente.
E contudo não são três onipotentes, mas um só onipotente.
Assim o Pai é Deus, o Filho é Deus, 0 Espírito Santo é Deus.
E contudo não são três deuses, mas um só Deus.
Do mesmo modo, 0 Pai é Senhor, o Filho é Senhor, 0 Espírito Santo é Senhor.
E contudo não são três senhores, mas um só Senhor.
Porque, assim como a verdade cristã nos manda confessar que cada uma das Pessoas é Deus e Senhor, do mesmo modo a religião católica nos proíbe dizer que são três deuses ou senhores.
O Pai não foi feito, nem gerado, nem criado por ninguém.
O Filho procede do Pai; não foi feito, nem criado, mas gerado.
O Espírito Santo não foi feito, nem criado, nem gerado, mas procede do Pai e do Filho.
Não há, pois, senão um só Pai, e não três Pais; um só Filho, e não três Filhos; um só Espírito Santo, e não três Espíritos Santos.
E nesta Trindade não há nem mais antigo nem menos antigo, nem maior nem menor, mas as três Pessoas são coetemas e iguais entre si.
De sorte que, como se disse acima, em tudo se deve adorar a unidade na Trindade e a Trindade na unidade. Quem, pois, quiser salvar-se, deve pensar assim a respeito da Trindade.
Mas, para alcançar a salvação, é necessário ainda crer firmemente na Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo.
A pureza da nossa fé consiste, pois, em crer ainda e confessar que Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, é Deus e homem.
E Deus, gerado na substância do Pai desde toda a eternidade; é homem porque nasceu, no tempo, da substân- cia da sua Mãe.
Deus perfeito e homem perfeito, com alma racional e carne humana.
Igual ao Pai segundo a divindade; menor que 0 Pai segundo a humanidade.
E embora seja Deus e homem, contudo não são dois, mas um só Cristo.
É um, não porque a divindade se tenha convertido em humanidade, mas porque Deus assumiu a humanidade. Um, finalmente, não por confusão de substâncias, mas pela unidade da Pessoa.
Porque, assim como a alma racional e 0 corpo formam um só homem, assim também a divindade e a huma- nidade formam um só Cristo.
Ele sofreu a morte por nossa salvação, desceu aos infernos e ao terceiro dia ressuscitou dos mortos.
Subiu aos Céus e está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos. E quando vier, todos os homens ressuscitarão com os seus corpos, para prestar conta dos seus atos.
E os que tiverem praticado 0 bem irão para a vida eterna, e os maus para 0 fogo eterno.
Esta é a fé católica, e quem não a professar fiel e firmemente não se poderá salvar.
CURSO DE TEOLOGIA 45
M Ó D U L 0 1 1 DOUTRINA DE DEUS
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46 CURSO DE TEOLOGIA
M Ó D U L 0 1 I DOUTRINA DE DEUS
HORTON, Stanley M. Teologia sistemática. Rio de Janeiro: CPAD, 1997.
_______. O que a Bíblia diz sobre 0 Espírito Santo. Rio de Janeiro: CPAD, 1994.
HOUSE, Paul. Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Vida, 2005.
JOSEFO, Flávio. História dos hebreus. Obra completa. Rio de Janeiro: CPAD, 1990.
KELLY, J. N. D. Doutrinas centrais da fé cristã. São Paulo: Vida Nova, 1994.
LADD, George Eldon. Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Exudus, 1997.
LANGSTON, A. B. Esboços de teologia sistemática. Rio de Janeiro: Juerp, 1999.
MENZIES, William W.; HORTON, Stanley M. Doutrinas bíblicas. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.
MYER, Pearlman. Através da Bíblia livro por livro. São Paulo: Vida, 1996.
________. Conhecendo as doutrinas da Bíblia. São Paulo: Vida, 1999.
OLIVEIRA, Raimundo de. As grandes doutrinas da Bíblia. 9a ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
PAROSCHI, Wilson. Crítica textual do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1999.
SHANKS, Hershel. Para compreender os manuscritos do Mar Morto. Rio de Janeiro: Imago, 1993.
SILVA, Esequias Soares da. Como responder às Testemunhas de Jeová. São Paulo: Candeia, vol. 1, 1995. SILVA, Severino Pedro da. Quem é Deus? Conhecendo melhor 0 Criador. 2a ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1997. STEIN, Robert. Guia básico para interpretação da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.
THOMPSON, Frank Charles. Bíblia de Referências Thompson. São Paulo: Vida, 1990.
TONINI, Enéas; BENTES, João Marques. Janelas para o Novo Testamento. São Paulo: Louvores do Coração, 1992.
________. O período interbíblico. 7a ed. São Paulo: Louvores do Coração, 1992.
WALKER, John. A Igreja do século XX a história que não foi contada. São Paulo: Worship, 2001.
CURSO DE TEOLOGIA *7
faculdade teológica betesda
Moldando vocacionados
AVALIAÇÃO – MÓDULO I TEOLOGIA
1) Como o termo teologia era usado entre os gregos? E em relação aos cristãos?
2) Faça um breve comentário sobre a existência de Deus.
3) Qual é a diferença entre ateu prático e ateu teórico?
4) Diferencie os atributos comunicáveis de Deus dos incomunicáveis?
5) Por que Elohim e Eloah são chamados de nomes genéricos?
6) Relacione os nomes de Deus no grego e escolha um entre eles e o contextualize com uma passagem bíblica.
7) Dê uma breve definição da Trindade.
8) O cristão é triteísta ou trinitariano? Qual é a diferença entre ambos?
9) O que se entende por transcendência de Deus?
10) Cite cinco atributos que pertencem somente a Deus.
CARO{a) ALUNO(a):
י Envíenlos as suas respostas referentes a cadq QOfSTÃOaáma. Dêpreferêitdapordigitá-las em
folha de papel sulfite, sendo objetívala) e claro(a).
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DOUTRINA DA BÍBLIA
Bibliología
SUMARIO
INTRODUÇÃO …………………………………………………………………………………………………………………………….52
1. A BÍBLIA……………………………………………………………………………………………………………………………..54
OUTROS NOMES …………………………………………………………………………………………………………………55
FATOS E PARTICULARIDADES DA BÍBLIA…………………………………………………………………………55
2. A ESTRUTURA DA BÍBLIA………………………………………………………………………………………………..57
ANTIGO TESTAMENTO ………………………………………………………………………………………………………57
ESTRUTURADO ANTIGO TESTAMENTO CONFORME O JUDAÍSMO…………………………………58
ESTRUTURA DO ANTIGO TESTAMENTO CONFORME O PROTESTANTISMO…………………..59
ESTRUTURA DO ANTIGO TESTAMENTO CONFORME O CATOLICISMO ROMANO………….60
NOVO TESTAMENTO………………………………………………………………………………………………………….61
3. O CANON DAS ESCRITURAS…………………………………………………………………………………………….63
4. TESTES USADOS PARA DETERMINAR A CANONICIDADE…………………………………………….65
5. LIVROS APÓCRIFOS OU DEUTEROCANÔNICO…………………………………………………………….67
PSEUDEPÍGRAFOS ………………………………………………………………………………………………………………71
6. A INSPIRAÇÃO DAS ESCRITURAS…………………………………………………………………………………..73
7. TEORIAS DA INSPIRAÇÃO DA BÍBLIA…………………………………………………………………………….83
TEORIA DA INSPIRAÇÃO DINÂMICA …………………………………………………………………………….83
TEORIA DO DITADO OU MECÂNICA ……………………………………………………………………………..83
TEORIA DA INSPIRAÇÃO NATURAL OU INTUIÇÃO ……………………………………………………..83
TEORIA DA INSPIRAÇÃO MÍSTICA OU ILUMINAÇÃO …………………………………………………..83
TEORIA DA INSPIRAÇÃO DOS CONCEITOS E NÃO DAS PALAVRAS ……………………………84
TEORIA DA INSPIRAÇÃO VERBAL PLENÁRIA ……………………………………………………………….84
PROVA DA INSPIRAÇÃO DA BÍBLIA…………………………………………………………………………………..84
8. O SURGIMENTO DA ESCRITA………………………………………………………………………………………….85
CUNEIFORME E HIERÓGLIFOS………………………………………………………………………………………….85
AS ORIGENS DO ALFABETO ……………………………………………………………………………………………..86
OS IDIOMAS DA BÍBLIA……………………………………………………………………………………………………..87
9. MATERIAIS USADOS……………………………………………………………………………………………………….89
PEDRA……………………………………………………………………………………………………………………………….89
TABUINHA DE BARRO OU ARGILA………………………………………………………………………………….89
MADEIRA………………………………………………………………………………………………………………………….89
PAPIRO………………………………………………………………………………………………………………………………90
VELINO, PERGAMINHO E COURO……………………………………………………………………………………90
10. MANUSCRITOS………………………………………………………………………………………………………………..91
NOMENCLATURA DOS DOCUMENTOS TEXTUAIS…………………………………………………………..92
CLASSIFICAÇÃO ………………………………………………………………………………………………………………92
OS GRANDES CÓDICES UNCIAIS…………………………………………………………………………………….92
Manuscrito Sinaítico……………………………………………………………………………………………….92
Manuscrito Vaticano……………………………………………………………………………………………….93
Manuscrito Alexandrino………………………………………………………………………………………….93
Manuscrito Ephraemi Rescriptus……………………………………………………………………………93
Manuscrito Bezae……………………………………………………………………………………………………93
MANUSCRITOS CURSIVOS ………………………………………………………………………………………………96 11
11. TRADUÇÕES…………………………………………………………………………………………………………………….95
DEFINIÇÃO E DISTINÇÃO………………………………………………………………………………………………..95
OS TARGUNS…………………………………………………………………………………………………………………….95
A SEPTUAGINTA……………………………………………………………………………………………………………….95
PENTATEUCO SAMARITANO……………………………………………………………………………………………96
TRADUÇÕES SIRÍACAS…………………………………………………………………………………………………….96
A TRADUÇÃO LATINA………………………………………………………………………………………………………96
AS TRADUÇÕES PARA O PORTUGUÊS…………………………………………………………………………….97
PERÍODO DAS TRADUÇÕES COMPLETAS………………………………………………………………………..98
TRADUÇÃO DE FIGUEIREDO…………………………………………………………………………………………..98
A BÍBLIA NO BRASIL ………………………………………………………………………………………………………99
REFERÊNCIAS……………………………………………………………………………………………………………………………101
103
AVALIAÇÃO
M Ó D ULO 1 : D O U T R IN A D A BIBLIA
INTRODUÇÃO
כ
A Bíblia é um livro singular. Sem sombra de dúvida, não há nenhum que se compare a ela. E um livro de respostas, não de perguntas. Ela nos guia em questões em que a mente não pode penetrar, nas quais o raciocínio humano nos deixa insatisfeitos. Muitas bênçãos são dadas aos que começam uma busca sincera, prontos a seguir a trilha da verdade para onde quer que os leve.
Este livro, intitulado Bíblia Sagrada, nos conduz ao mundo metafísico (que está além de nossos sentidos), onde a mente humana, sozinha, não tem capacidade de penetrar. Na realidade este livro nos traz informações privilegiadas sobre Deus e seu relacionamento com o mundo e principalmente de seu plano e propósito para a salvação.
Judeus e cristãos certificam que Deus revelou verdades a respeito de si mesmo que nenhum profeta, por mais iluminado que seja, jamais podería descobrir. E na Bíblia que se encontra a manifestação do Eterno Deus, fazendo- se conhecer pessoalmente, firmando pactos e alianças, usando a linguagem humana para trazer a verdade imutável. Embora outros livros afirmem ser a revelação de Deus, não podem, no entanto, demonstrar provas de tal afirmação. A Bíblia, ao contrário, não só demonstra ser a Palavra de Deus ao mundo como também traz provas infalíveis, tanto pelos fatos narrados como pela influência que exerce sobre as pessoas ou nações que a ela se apegam.
Porém estamos vivendo dias tenebrosos, em que se crê na mentira de que o cristianismo não provê mais o consenso para nossa sociedade. As liberdades que o cristianismo conquistou estão sendo destruídas diante de nossos olhos. Estamos vivendo um período em que 0 pensamento humanista está se infiltrando na moral, na educação e na lei. Se vamos enfrentar um furioso ataque, precisamos estar convencidos de que temos uma men- sagem de Deus, uma palavra certa que “brilha nos lugares tenebrosos”.
O presente século é caracterizado pela dúvida, principalmente quando se trata de questões religiosas. Nossa cultura pós-modema apresenta uma série de idéias sobre a verdade. Ela ensina que a verdade e a moralidade são relativas, que não existe a verdade absoluta.
Os céticos afirmam que os livros da Bíblia não são confiáveis no que se refere à objetividade porque foram escritos por pessoas religiosas baseadas em suas crenças. Afirmam que ela é um livro tendencioso, escrito por pessoas tendenciosas, por isso não é digno de confiança. A avaliação dessas pessoas pode ser verdadeira para alguns livros sobre religiões, mas não é verdadeira para todos eles.
A Bíblia, em meio a tais sistemas, sempre sofre grandes ameaças. Nossa crença na Bíblia deve ser sólida, convicta e inalterável, estando “…sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (1 Pedro 3.15).
Isso demonstra que não existe unidade verdadeira senão em tomo da verdade; e não há unidade na verdade fora da Palavra de Deus, que é a verdade (João 17.17). Elá muitas provas convincentes que garantem a confiabili- dade da Bíblia, a sua autoridade como Palavra de Deus inspirada e a perfeição do registro dos eventos históricos que retrata, incluindo a vida terrena de Jesus Cristo. Além dessas provas, existem outras mais que testificam que 0 cristianismo é a única religião verdadeira, que o Deus trino que se revela em suas páginas é 0 único Deus do universo e que Cristo morreu pelos nossos pecados para que pudéssemos ter a vida eterna. Por causa dessas e de outras tantas verdades, o cristianismo sempre foi rejeitado pelos que se dizem “intelectuais”.
O estudo sério, apologético não desrespeita a fé; ao contrário, enfatiza-a, qualifica, reforça e renova. Como disse Agostinho de Elipona: “Todo aquele que ler estas explanações, quando tiver certeza do que afirmamos, caminhe ao nosso lado; quando duvidar como nós, investigue conosco; quando reconhecer que foi seu o erro,
52 CURSO DE TEOLOGIA
MÓDULO 1 I DOUTRINA DA BÍBLIA
venha ter conosco; se o erro for nosso, chame nossa atenção. Assim haveremos de palmilhar juntos o caminho da caridade em direção àquele de quem está dito: Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes’”
(Tiago 4.6).
Sendo assim, apresentaremos neste volume algumas provas incontestáveis da origem divina das Escrituras, as quais evidenciam esse livro como a Palavra do Deus vivo.
CURSO DE TEOLOGIA 53
MÓDULO ן ן DOUTRINA D A BÍBLIA
A BÍBLIA
Até o ano de 1499, havia 35 traduções das Escrituras Sagradas; em 1799 surgiram mais 59; em 1899 mais 446; em 1949 outras 667, totalizando 1.207 idiomas. Atualmente a Bíblia está traduzida para 2.403 línguas, que representam 95% da população mundial.1 Mesmo com tamanha divulgação, muitos não têm intimidade com esse livro, ainda que professem alguma religião. Este livro bendito traz a revelação de Deus e, porque inspirado, é verdadeiramente a Pala- vra de Deus; por isso seja 0 estudo das Sagradas Páginas (sacra pagina) feito com reverência e santo temor.
Primeiramente, é necessário dizer que esse nome (Bíblia) não se acha no texto das Sagradas Escrituras. O frontis- pício, ou folha de rosto, apresenta geralmente um título como “Bíblia Sagrada”, no singular, ou “Sagradas Escrituras”, no plural. A expressão “Sagradas Escrituras” carrega a idéia de que todos os seus elementos, mesmo os mais materiais, revestem-se de caráter sacro.
Derivada do termo grego biblos ou da forma diminutiva biblion (plural tà biblia), mais utilizado na Septuaginta (LXX) e no Novo Testamento, significava a princípio qualquer tipo de documento escrito, rolo, códice, carta etc.
Na versão da LXX e nas fontes judaicas o termo “livro sagrado”, ou 0 plural hierai bíbloi, designava o Pen- tateuco ou o conjunto do Antigo Testamento (Tanak). Os cristãos utilizavam-se desde o início do termo grego plural tà biblia e do derivado em latim bíblia para designar a fusão entre 0 Antigo e 0 Novo Testamento.
No evangelho segundo Mateus, primeiro livro do Novo Testamento, lemos: “Livro (βίβλος – biblos) da gene- alogia de Jesus Cristo” (Mateus 1.1). A forma diminutiva biblion significa ”pequeno livro” e encontra-se em vá- rios textos do Novo Testamento, como, por exemplo, em Apocalipse 1.11: “O que vês escreve em livro (βιβλίον – biblion) e manda às sete igrejas: Éfeso, Esmima, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia”.
O termo biblos vem do nome dado à polpa interna da planta aquática chamada cyperus papyrus em que se escreviam os livros sagrados. Assim, os gregos chamavam um pequeno livro de biblion e os romanos de líber, de onde vem a nossa palavra “livro”.
A conclusão a que chegamos é que a Bíblia não é apenas um livro no sentido comum do termo, mas um conjunto de seleções de uma biblioteca de escritos religiosos e nacionalistas produzidos ao longo de um período de cerca de mil anos. A Bíblia é uma biblioteca! Com a invenção do papel, desapareceram os rolos, e a palavra biblos deu origem a “livro”.
Neste introito, é necessário fazer uma breve observação preliminar sobre 0 termo “Bíblia”. Falaremos ao longo deste livro, por razões de conveniência, de “a Bíblia”, embora não haja uma única Bíblia, mas pelo menos seis, a saber: a Bíblia Elebraica, a Septuaginta (LXX), a Católica do Ocidente (de Roma), a Católica do Oriente, a Protestante, a das Testemunhas de Jeová (com inúmeras adulterações). Designamos em geral pelo termo “Bíblia” apenas o que a maioria das pessoas quer dizer quando fala da Bíblia: o volume que é lido em ofícios religiosos. Quando distinções se fizerem necessárias, referiremos específicamente ao volume em apreço.
1 Palestra proferida por Bill Mitchell, Consultor de Tradução da Área das Américas das Sociedades Bíblicas Unidas e doutor em Teologia, no II Fórum de Ciências Bíblicas, realizado na cidade de Osasco, São Paulo, em 8 de junho de 2006.,
54 CURSO DE TEOLOGÍA
M O M E 0 1 i D O U TR IN A D A BIBLIA
OUTROS NOMES
Os primeiros cristãos herdaram dos judeus um cânon já existente de escritos sagrados, as Escrituras Hebraicas do judaísmo. Sendo assim, precisamos entender que quando os escritos do Novo Testamento se referem às “Escri- turas” estão se referindo aos escritos do Antigo Testamento, que não eram denominados por este termo, sendo 0 mais próximo paralelo do “Antigo Testamento” nos escritos neotestamentários 0 uso da expressão “antiga aliança” (cf. 2 Corintios 3.14).
Essa coleção de pequenos livros foi chamada de “Escritura”, palavra derivada do latim scriptura (cf. Marcos 12.10; 15.28; Lucas 4.21; João 2.22; 7.38; 10.35; 20.9; Romanos 4.3; Gaiatas 3.22; 4.30; 1 Pedro 2.6; 2 Pedro 1.20) e de “Escrituras” (cf. Mateus 22.29; Marcos 12.24; Lucas 24.27; João 5.39; Atos 17.11; Romanos 1.2; 1 Corintios 15.3-4; 2 Timóteo 3.15; 2 Pedro 3.16), “Santas Escrituras” (cf. Romanos 1.2; 2 Timóteo 2.15), “Lei e os Profetas” (Mateus 5.17; 7.12; 22.40), ou ainda “Lei de Moisés e os Profetas e os Salmos” (cf. Lucas 24.44). Esses nomes eram bem conhecidos entre aqueles a quem se dirigiam e significam “escritos sagrados”.
O apóstolo Paulo usou os nomes “sagradas letras” (2 Timóteo 3.15) e “oráculos de Deus” (Romanos 3.2). Um dos nomes descritivos mais satisfatórios é “Palavra de Deus” (Marcos 7.13; Romanos 10.17; 2 Corintios 2.17; 1 Tessalonicenses 2.13; Hebreus 4.12).
O historiador Flávio Josefo corrobora esse entendimento ao afirmar que os judeus não têm em sua biblioteca sagrada um número indeterminado de livros, porém uma relação mais limitada, “justificadamente acreditada”. Era tão reverenciada, acrescenta ele, que apesar da passagem de “longas extensões do tempo, ninguém já se aventurou a adicionar, remover ou alterar um sílaba sua”; com efeito, “é instintivo em cada judeu, desde o dia de seu nascimen- to, considerá-las decretos de Deus, viver de acordo com elas e, se necessário morrer alegremente por elas”.2
Mas quem foi 0 primeiro a usar o nome “Bíblia” em relação aos Textos Sagrados? Os apóstolos e os Pais da Igreja designavam estes textos de Escrituras Sagradas, Escrituras dos profetas e dos apóstolos, as Escrituras etc. A forma que utilizamos hoje, “Bíblia Sagrada”, foi aplicada primeiramente por João Crisóstomo, patriarca e grande reformador de Constantinopla (354 – 407).־*
FATOS E PARTICULARIDADES DA BÍBLIA
A Bíblia não era dividida em capítulos e versículos. A divisão em capítulos foi feita no ano de 1250 pelo car- deal Hugo de Saint Cher, abade dominicano e estudioso das Escrituras. A divisão em versículos foi feita e duas partes. O Antigo Testamento em 1445, pelo rabí Nathan; o Novo Testamento em 1551, por Robert Stevens, um impressor de Paris. A primeira Bíblia a ser publicada inteiramente dividida em versículos foi a Bíblia de Gene- bra, em 1560. E de suma importância que 0 estudante compreenda que essas divisões não faziam parte dos textos originais, não foram inspiradas.
ABíblia toda contém 1.189 capítulos e 31.173 versículos. Destes, 929 capítulos e 23.214 versículos ocorrem no Antigo Testamento; 260 capítulos e 7.959 versículos, no Novo Testamento. O número de palavras e letras de- pende do idioma e da versão. O maior capítulo é 0 salmo 119, e 0 menor 0 salmo 117.0 maior versículo está em Ester 8.9; 0 menor, em Êxodo 20.13 (isso nas versões portuguesas e com exceção da chamada “Tradução Brasi- leira”, onde 0 menor é Lucas 20.30). Durante muito tempo se afirmou que 0 nome sagrado de Deus (YHHW) nao está presente nos livros de Cantares e Ester. No entanto, encontramos 0 nome na sua forma contraída (Yah) em Cantares 8.6, e na forma de acróstico em Ester – porém a presença de Deus é evidente nos fatos neles desenrola- dos, principalmente em Ester. Há na Bíblia 8.000 menções de Deus sob vários nomes divinos, e 177 menções do Diabo, sob seus vários nomes. O nome de Jesus consta do primeiro e do último versículo do Novo Testamento. As traduções da Bíblia (toda ou em parte) até 1984 atingiram 1.796 línguas e dialetos. Restam ainda cerca de 1.000 línguas para as quais ela precisa ser traduzida. * 3
1JOSEFO, Flávio. História dos hebreus – Contra Apion. Rio de Janeiro: CPAD, 2001.1, 38-41.
3 SOARES, Esequias. Visão panorâmica do Antigo Testamento – a formação, inspiração, cânon e conteúdo de seus livros. Rio de Janeiro: CPAD, 2003. p. 22.
CURSO DE TEOLOGIA 55
MÓDULO ן ן DOUTRINA DA BIBLIA
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 1
1) Atualmente a Bíblia está traduzida em quantas línguas?
2) De onde deriva 0 termo Bíblia?
3) De onde vem 0 termo biblosl
4) Cite três outros nomes dado à Bíblia.
5) Quem foi o primeiro a usar 0 nome “Bíblia” em relação aos Textos Sagrados?
6) Qual foi a primeira Bíblia a ser impressa inteiramente em versículos?
7) Qual é o maior versículo da Bíblia?
8) Qual é 0 menor versículo da Bíblia?
9) Em quais livros não aparece o nome divino de Deus (YHWH)?
56 CURSO DE TEOLOGIA
MGiüilO i . !/λ íja tilbüA
A ESTRUTURA DA BIBLIA
A Bíblia é composta de duas grandes seções, conhecidas como Antigo e Novo Testamento, totalizando 66 livros, sendo 39 no Antigo Testamento e 27 no Novo Testamento. Essa pequena coleção de livros (biblioteca) foi escrita num período de aproximadamente 1.500 anos, por mais de 40 autores, das mais variadas profissões e atividades, que viveram e escreveram em países, regiões e continentes afastados uns dos outros, em períodos e condições diversas, mas seus escritos formam uma harmonia inigualável.
ANTIGO TESTAMENTO
O Antigo Testamento é a primeira parte da Bíblia, que contém 39 livros, divididos em três grupos para os judeus (Torah, Neviím, Ketuvím) e em quatro para os cristãos (Lei, Históricos, Poéticos e Proféticos), sendo que esta seqüència é ainda alterada em outros cânones, como os católicos romanos, ortodoxos, armênios, etíopes, cópticos etc.
Segundo a tradição judaica, a estrutura em que se encontram os livros do Antigo Testamento está intimamente ligada à história do Templo e das instituições sacerdotais de Jerusalém. O estabelecimento do cânon veterotesta- mentário foi resultado de um longo processo, no qual intervieram fatores intemos e extemos ao judaísmo.
Para os estudiosos, tanto judeus como cristãos, a estrutura do Antigo Testamento se divide em dois grandes períodos: o período do “primeiro Templo”, desde a construção do Templo por Salomão (950 a.C.) e sua destrui- ção pelos babilônios em 586 a.C., e o período do “segundo Templo”, desde sua reconstrução por volta dos anos 529-515, época de Zorobabel, até sua destmição, no ano 70 d.C., pelos romanos.
Antes da destmição do primeiro Templo, a Bíblia hebraica, antes de se tomar o livro que conhecemos, era um conjunto de coleções de “livrinhos”, lido em peças soltas e nunca como um texto seguido e completo. A Torah e outros escritos apareceram entre os israelitas pré-exílicos e no judaísmo pós-exílico. A Torah, segundo a crítica clássica, não era, nos tempos pré-exílicos, canônicos e obrigatórios para a nação. A literatura que iria ser incorpo- rada à Torah existia em vários documentos e versões; um único livro ainda não havia sido cristalizado. Segundo Kaufmann, “os livros da tradição mais antiga eram testemunhos e memoriais (cf. Êxodo 17.14); as tábuas de pedra são um ‘testemunho’ (31, 18; etc.) e são guardadas na arca (25, 16; etc.). Só os sacerdotes conheciam as leis sacerdotais e as ‘manuseavam’”.4 Acredita-se, embora não seja opinião unânime, que foi somente no ano 90 d.C., em Jâmnia (Jahneh ou lavne), uma pequena localidade a oeste de Jerusalém, perto da moderna Jope, em Israel, onde se estabeleceu um conselho de estudiosos e líderes religiosos judaicos, sob a presidência de Yohanan ben Zakai, que se reconheceu e se fixou quais textos tomavam uma pessoa impura por havê-los tocado.
Flávio Josefo, historiador judeu (37 – 100 d.C.), contemporâneo do apóstolo Paulo, declarou:
Porque não temos entre nós uma quantidade enorme de livros, que discordam e se contradizem entre si (como acontece com os gregos), mas apenas vinte e dois livros, que contêm os registros de todos os tempos passados, que cremos justamen- te serem divinos… e quão firmemente damos crédito a esses livros de nossa própria nação fica evidente pelo que fazemos; porque durante tantos séculos que já se passaram, ninguém teve ousadia suficiente para acrescentar nada a eles. cancelar qualquer coisa, nem fazer neles qualquer modificação; tendo-se tomado natural a todo judeu desde seu nascimento estimar esses livros como contendo doutrinas divinas, e perseverar nelas; e. caso necessário, morrer voluntariamente por elas.5 * 1
4KAUFMANN, Yehezhel. A religião de Israel: do início ao exílio babilónico. São Paulo: Perspectiva, 1989. p. 174.
1 Veja 0 capitulo 5, Livros apócrifos.
CURSO DE TEOLOGIA 57 Ü
M Ó D U L 0 1 I DOUTRINA DA BÍBLIA
Conclui-se que a estrutura da Bíblia hebraica reproduz a provável ordem em que seus livros foram canoni- zados, formando a Tanak: primeiramente a Lei escrita, em hebraico Torah, antes do exílio babilónico, depois os profetas (ou Neviín), no retomo deste e, finalmente, os Escritos (Ketuvím) ou Hagiógrafos, possivelmente só depois da destruição do Segundo Templo. Corroborando esta assertiva, Trebolle Barrera nos informa que
…nos tempos de Josias, alguns anos antes do Exílio e da destruição do Templo de Salomão, descobre-se no mesmo Templo, 0 livro do (proto) Deuteronômio: na volta do Exílio, com 0 Templo destruído, Neemias recolhe ‘os livros sobre os reis, os escritos dos profetas e de Davi e as cartas dos reis sobre as ofertas’. Fi- nalmente, depois da profanação do Templo e antes de celebrar sua reconsagração, Judas Macabeu recolheu ‘todos os livros dispersos por causa da guerra’.5 6
ESTRUTURADO ANTIGO TESTAMENTO CONFORME O JUDAÍSMO
A Bíblia hebraica dos judeus é o Antigo Testamento, conhecido por Tanak, sigla que vem das iniciais da divisão (Torah, Neviím, Ketuvím). A disposição em que se encontram os livros do Antigo Testamento hebraico é diferente das outras versões, pois se constitui de 24 livros; todavia, são exatamente iguais aos 39 das Bíblias protestantes, pois os profetas menores são um único livro, assim como são os dois livros de Samuel, dos Reis, das Crônicas e Esdras-Neemias, perfazendo um total de 24, conforme a disposição abaixo:
KETUVÍM (Os Escritos) – contém 0 restante dos livros: Salmos Jó
Provérbios Rute
Cântico dos Cânticos Eclesiastes Lamentações Ester Daniel
Esdras e Neemias Crônicas
TORAH (Lei)7 – comumente chamada de Penta- teuco. São cinco livros:
Gênesis
Êxodo
Levítico
Números
Deuteronômio
NEVIÍN (Os Profetas) – desdobra-se em duas subdivi- sões: os “Primeiros Profetas” e os “Últimos Profetas”: Josué Juizes Samuel Reis Isaías Jeremias Ezequiel
O livro dos Doze
Oséias
Joel
Amós
Obadias
Jonas
Miquéias
Naum
Habacuque
Sofon ias
Ageu
Zacarias
Malaquias
5 Op. cít., I, 8.
‘ BARRERA, Julio Trebolle. A Bíblia judaica e a Bíblia cristã – introdução à história da Bíblia. 2° ed. Rio de Janeiro: Vozes, 1999. p. 185.
7 A palavra Torah, em valores numéricos, significa 611, ou seja, tav, 400; vav, 6; resh, 200; he, 6.
58 CURSO DE TEOLOGIA
M Ó D U L 0 1 I DOUTRINA DA BÍBLIA
ESTRUTURA DO ANTIGO TESTAMENTO CONFORME O PROTESTANTISMO
O Antigo Testamento das Bíblias protestantes é o mesmo da Bíblia hebraica dos judeus, conhecido por Ta- nak. A diferença é a disposição em que se encontram os livros, pois 0 protestantismo não os uniu como a Bíblia hebraica, constituindo־o de 39 livros assim dispostos:
PROFÉTICOS – estão subdivididos em: Profetas Maiores:
Isaías
Jeremias
Lamentações de Jeremias
Ezequiel
Daniel
LEI (Torah) – comumente chamado de Pentateu- co. São cinco livros:
Gênesis
Êxodo
Levítico
Números
Deuteronômio
Profetas Menores:
Oséias
Joel
Amós
Obadias
Jonas
Miquéias
Naum
Habacuque
Sofonias
Ageu
Zacarias
Malaquias
HISTÓRICOS – relatam a caminhada da nação israelita, sendo compostos de 12 livros:
Josué
Juizes
Rute
1 Samuel
2 Samuel
1 Reis
2 Reis
1 Crônicas
2 Crônicas Esdras Neemias Ester
POÉTICOS – são chamados assim devido ao seu gênero, sendo compostos de 5 livros:

Salmos Provérbios Eclesiastes Cantares de Salomão
CURSO DE TEOLOGIA 59
M Ó D U L 0 1 I DOUTRINA DA BÍBLIA
ESTRUTURADO ANTIGO TESTAMENTO CONFORME O CATOLICISMO ROMANO
O Catolicismo Romano seguiu a mesma estrutura da Bíblia traduzida do hebraico para 0 grego, conhecida como Septuaginta (LXX) ou Cânon Alexandrino, que acrescentou os livros conhecidos como apócrifos,8 totalizando 46 livros. Portanto sua estrutura difere da Bíblia hebraica e da Bíblia protestante, conforme esquema abaixo:
POÉTICOS – compostos de 7 livros:

Salmos
Provérbios
Eclesiastes
Cantares de Salomão
Sabedoria
Eclesiástico
PROFÉTICOS – estão subdivididos em: Profetas Maiores:
Isaías
Jeremias
Lamentações de Jeremias
Baruque
Ezequiel
Daniel
Profetas Menores:
Oséias
Joel
Amós
Obadías
Jonas
Miquéias
Naum
Habacuque
Sofonias
Ageu
Zacarias
Malaquias
LEI (Torah) – comumente chamado de Penta- teuco. São cinco livros:
Gênesis
Êxodo
Levítico
Números
Deuteronômio
HISTÓRICOS – compostos de 12 livros mais 4 apócrifos (Tobias e Judite; 1 e 2 Macabeus), as- sim dispostos:
Josué
Juizes
Rute
1 Samuel
2 Samuel
1 Reis
2 Reis
1 Crônicas
2 Crônicas Esdras Neemias Tobias Judite Ester
1 Macabeus
2 Macabeus
60 CURSO DE TEOLOGA
MÓDUL01 I D O U TRINA DA BÍBLIA
Os sete livros em negrito só estão contidos nas Bíblias católicas. Costumam ser denominados de livros apó- crifos ou “deuterocanônicos”.
Existem outras Bíblias que se estruturam de forma diferente dessas, como, por exemplo, os cânones siríaco, armênio, eslavônico, cóptico e etíope, que acrescentam outros livros além dos apócrifos adotados pelos católicos romanos, que nem sequer constam na Septuaginta.
NOVO TESTAMENTO
As palavras registradas no Antigo Testamento foram o meio pelo qual Deus se revelou, no passado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas. Entretanto, no Novo Testamento ocorre uma profunda mu- dança que será o tema central e a mensagem do Novo Testamento, apresentada no prólogo joanino: “E o Verbo se fez came…”. Aquele que era profetizado em linguagem humana por meio de palavras proféticas agora está presente em forma humana, palpável: “O verbo se fez came… e vimos a sua glória…” (João 1.14).
0 Novo Testamento é o registro da história e dos ensinos sobre Jesus. E nele que ocorre o clímax da revelação de Deus; é por meio dele que temos a história de Jesus, da sua vida e do seu ensino, dos seus sofrimentos, morte e ressurreição.
Antes de terminar o primeiro século, todos os livros do Novo Testamento estavam escritos. O que tardou foi o reco- nhecimento canônico, isto devido ao cuidado que as igrejas tinham em preservar a sã doutrina. Neste tempo surgiram muitos escritos heréticos e espúrios com pretensão apostólica. Muitas doutrinas heréticas, tais como as defendidas pe- los gnósticos, que negavam a encarnação de Cristo, pelos céticos, que negavam a realidade da humanidade de Cristo, e pelos monofisistas, que rejeitavam a dualidade da natureza de Cristo, eram encontradas nesses escritos.
Composto de 27 livros escritos em grego koiné (a linguagem do povo comum, diferente do grego clássico dos eruditos), 0 Novo Testamento está classificado em 4 grupos, conforme 0 assunto a que pertencem:
BIOGRAFICOS (os quatro evangelhos) – Mateus, Marcos, Lucas e João. Descrevem a vida terrena do Senhor Jesus e sua gloriosa mensagem de salvação. Os três primeiros são chamados Sinópticos, devido às seme- lhanças impressionantes entre os conteúdos.
HISTÓRICO (Atos dos Apóstolos) – Também podería ser chamado de “Atos do Espírito Santo” devido à intensa manifestação do Espírito Santo na vida dos fiéis. Registra 0 desenvolvimento da Igrejà primitiva desde a ascensão de Cristo até 0 encarceramento do apóstolo Paulo em Roma.
EPÍSTOLAS (21 cartas) – Epístola era um modelo de carta formal muito utilizado na antiguidade. Os au- tores bíblicos se valeram desse meio de comunicação para propagar a fé cristã. No Novo Testamento vão de Romanos a Judas, sendo que:
9 são dirigidas às igrejas (de Romanos a 2 Tessalonicenses);
4 são dirigidas a indivíduos (de 1 Timóteo a Filemon);
1 é dirigida aos hebreus cristãos:
7 são dirigidas a todos os cristãos, indistintamente (de Tiago a Judas).
PROFÉTICO (Apocalipse ou Revelação) – É 0 livro da consumação, da vitória do bem contra 0 mal. “Peca- do, tristeza, lágrimas, maldição – tudo começa em Gênesis e tudo desaparece em Apocalipse.”9
’ PHILLIPS, John. Explorando as Escrituras – uma visão geral de todos os livros da Bíblia. 2° ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005. p.278.
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VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 2
1) A Bíblia é composta de duas grandes seções. Quais são elas?
2) Quantos livros contém e como está dividida a primeira parte da Bíblia?
3) O que é Tanak? Comente.
4) Os Profetas desdobram-se em duas subdivisões. Quais são elas?
5) Quais são os livros que compõem 0 Antigo Testamento do cânon católico?
6) Qual é o tema central e a mensagem do Novo Testamento apresentada no prólogo joanino?
7) Os livros do Novo Testamento estão classificados em 4 grupos. Quais são eles?
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M Ó D U L 0 1 I DOUTRINA DA BIBLIA
O CANON DAS ESCRITURAS
O termo latino “cânon” teria vindo por meio da palavra grega kanwn {kanori), que significa “cana” ou “vara de medir” e indica uma regra, uma lista, um padrão de medida. Seu correspondente em hebraico קנה (kaneh)
significa “vara ou cana de medir” (Ezequiel 40.3), ou seja, o instrumento que se utilizava para medir. Norman Geisler diz que “mesmo em época anterior ao cristianismo, essa palavra era usada de modo mais ampio, com o sentido de padrão ou norma, além de cana ou unidade de medida”.10 *
O cânon designa, portanto, aquilo que foi medido e a respeito do qual se estabeleceu um padrão ou norma. Com relação aos livros da Bíblia, 0 cânon consiste naqueles livros considerados divinamente inspirados (que satisfizeram 0 padrão) para serem incluídos nas Sagradas Escrituras. Na época de Jesus, os 39 livros do Antigo Testamento já eram plenamente aceitos pelo judaísmo como divinamente inspirados. Os rabinos utilizavam a ex- pressão “manchar as mãos” para designar os livros que hoje conhecemos como canônicos. Todavia, foi somente no ano 90 d.C., em Jâmnia, perto da moderna Jope, em Israel, que os rabinos, num concilio sob a presidência de Yohanan ben Zakkai, reconheceram e fixaram o cânon do Antigo Testamento. Por isso, não houve canonização de livros em Jâmnia. O trabalho desse concilio foi somente ratificar aquilo que já era aceito por todos os judeus através dos séculos.
Flávio Josefo mencionou 0 cânon judaico de sua época ao declarar:
Porque não temos entre nós uma quantidade enorme de livros, que discordam e se contradizem entre si (como acontece com os gregos), mas apenas vinte e dois livros, que contêm os registros de todos os tempos passados, que cremos justamente serem divi- nos… e quão firmemente damos crédito a esses livros de nossa própria nação fica evidente pelo que fazemos; porque durante tantos séculos que já se passaram, ninguém teve ousadia suficiente para acrescentar nada a eles, cancelar qualquer coisa, nem fazer neles qualquer modificação; tendo-se tomado natural a todo judeu desde seu nascimento estimar esses livros como contendo doutrinas divinas, e perseverar nelas; e, caso necessário, morrer voluntariamente por elas.11
Já com relação ao Novo’Testamento, antes de terminar 0 primeiro século, todos os seus livros estavam escri- tos. O que demorou foi o processo de canonização, isto devido ao cuidado que as igrejas tinham em preservar a sã doutrina. Muitos escritos heréticos e espúrios circulavam entre os cristão advogando pretensão apostólica. Muitas doutrinas heréticas, tais como as defendidas pelos gnósticos, que negavam a encarnação de Cristo; pelos céticos, que negavam a realidade da humanidade de Cristo; e pelos monofisistas, que rejeitavam a dualidade da natureza de Cristo, eram encontradas nestes livros.
Muitos livros do Antigo e do Novo Testamento foram duramente debatidos antes de serem finalmente reco- nhecidos como canônicos. Houve muita relutância quanto aos livros de Eclesiastes e Cântico dos Cânticos e às epístolas de Pedro, João, Judas bem como ao Apocalipse.. Tudo isso revela 0 cuidado que os rabinos e a Igreja tinham, bem como a responsabilidade que envolvia a canonização.
O Novo Testamento foi definitivamente reconhecido e fixado seu cânon no ano de 397 d.C., no Concilio de Cartago. Antes do ano 400 d.C., todos os livros estavam aceitos como regra de fé para os cristãos.
Atualmente a Bíblia constitui o “cânon” ou “vara de medir”, pelo qual tudo mais deve ser medido ou avalia- do, pelo fato de ter a autoridade concedida por Deus.
10GEISLER, Nõrman; NIX, William. Introdução bíblica – como a Bíblia chegou até nós. São Paulo: Vida, 1997. p.61.
״ Op. cit., I, 8.
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VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM CAPÍTULO 3
1) O que significa o termo cânon?
2) Qual a expressão que os rabinos usavam para designar os livros que hoje conhecemos como canônicos?
3) Em que ano reconheceram e fixaram o cânon do Antigo Testamento? Qual 0 nome do rabino que presidiu o concilio?
4) Houve muita relutância em aceitar como canônicos alguns livros do Antigo e do Novo Testamento. Quais são esses livros?
64 CURSO DE TEOLOGIA
MÓDULO ! I DOUTRINA DA BÍBLIA
TESTES USADOS PARA DETERMINAR A CANONICIDADE
Em toda história houve falsos livros e falsas mensagens. No final da era apostólica ocorreram algumas mudan- ças nítidas, em especial com 0 Novo Testamento, que estava em processo de ser reconhecido como Escritura. A relação entre 0 Novo Testamento e 0 Antigo Testamento era a questão suscitada pelos gnósticos e que confrontava a Igreja do século II. Marcião e os gnósticos abandonaram 0 Antigo Testamento como livro cristão e recriaram os textos do Novo Testamento da maneira que lhes fosse mais apropriada.12 O elemento motivador, colocado em dis- cussão entre os cristãos ortodoxos, era a idéia gnóstica de que 0 Deus do Antigo Testamento era incompatível com o Deus revelado em Cristo no Novo Testamento. A medida que o’s textos eram contestados, alterados e até mesmo abandonados, a Igreja tinha de demonstrar, com fundamentos sólidos e convincentes, que o mesmo Deus era reve- lado em ambos os Testamentos, e, portanto, os fiéis não deveríam abandonar o Antigo Testamento.
Assim como ocorreu com o Novo Testamento, 0 mesmo já havia ocorrido com 0 Antigo. Já vinha de longa data as diferentes opiniões acerca dos livros que deveríam ser utilizados como padrão, como regra de fé. Nos tempos pré-cristãos, os samaritanos rejeitavam todos os livros do Antigo Testamento, exceto o Pentateuco. Por volta do século II a.C. em diante, obras com nomes falsos, em sua maioria de caráter apocalíptico, reivindicavam para si a condição de Escritura inspirada e encontravam aceitação em alguns grupos de pessoas.
O processo de canonização dos livros sagrados costuma estender-se por vários séculos, antes que as auto- ridades religiosas cheguem a uma decisão final. Portanto, um cânon jamais pode ser estabelecido de uma idéia previamente estabelecida. Assim, os livros costumam adquirir caráter de sacralidade por meio de um processo histórico, no qual interferem tanto fatores de ordem literária como de ordem social e, naturalmente, também teológica. Foi 0 que aconteceu com ambos os Testamentos.
Depois da destruição do templo, no ano 70 d.C., Jâmnía tomou-se a sede do Sinédrio – o Supremo Tribunal dos judeus. Foi no ano 90 d.C., nesta cidade, que os rabinos reconheceram e fixaram o cânon do Antigo Testa- mento. Dois fatores foram fundamentais no critério de inclusão de um livro na Bíblia hebraica: o de livro canôni- co, ou seja, de livro autorizado para a prática e 0 ensinamento religioso do povo judeu, e o de livro inspirado, ou seja, aquele que teria sido escrito por inspiração divina. Note-se, porém, que o trabalho desse concilio foi apenas ratificar aquilo que já era aceito por todos os judeus através de séculos.
Já com relação ao Novo Testamento, o desenvolvimento canônico foi bem diferente, gradual e contínuo. “Não havia comunidade profética fechada que recebesse os livros inspirados e os coligasse em determinado lugar”,13 0 que facilitava a entrada de outros livros no meio dos fiéis. Por um lado, esse fator aumentou a pres- são para que a Igreja primitiva se posicionasse com relação aos livros que deveríam ser lidos, de acordo com a orientação apostólica (1 Tessalonicenses 5.27); por outro lado, existia também o ardor missionário. Sendo assim, quais livros deveríam ser traduzidos para as línguas estrangeiras? Sem uma lista dos livros reconhecidos, apro- vados, seria difícil cumprir seu chamado: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século” (Mateus 28.18-19). Outro fator preponderante se relacionava com a doutrina. A orientação apostólica era que “toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para 11
11 Marcião publicou uma lista bem resumida dos livros que considerava canônico, abarcando apenas 0 evangelho de tucas e dez das cartas do apóstolo Paulo (com omissão de 1 e 2 Timóteo e de Tito).
‘,GEISLER, Norman; NIX, William. Op. cit., p.99.
CURSO DE TEOLOGIA 65
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o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2 Timoteo 3.16-17).
Portanto, a necessidade de saber quais livros deveríam ser usados para ensinar a doutrina com autoridade di- vina foi outro fator decisivo para a formação do cânon do Novo Testamento, haja vista a multiplicidade de livros heréticos que reivindicavam a autoridade divina.
Como 0 Antigo Testamento estava estabelecido como Palavra de Deus, fez-se necessário que a Igreja de Deus administrasse diligentemente sua coleção de livros sagrados após a morte dos apóstolos. Os seguintes princípios foram usados para determinar a posição de um livro no cânon:
1. Apostolicidade. O livro foi escrito por um apóstolo ou por alguém associado aos apóstolos? Esta questão
tinha especial importância com respeito a Marcos, Lucas, Atos e Hebreus, já que Marcos e Lucas não se en-
contravam entre os doze e a autoria de Hebreus era desconhecida.
2. Conteúdo espiritual. O livro estava sendo lido nas igrejas e seu conteúdo era meio de edificação espiritual?
Este era um teste muito prático.
3. Exatidão doutrinária. O conteúdo do livro era doutrinariamente correto? Qualquer livro contendo heresia,
ou contrário aos livros canônicos já aceitos, era rejeitado.
4. Uso. O livro fora universalmente reconhecido nas igrejas, sendo amplamente citado pelos Pais da Igreja?
5. Inspiração divina. Ele dava verdadeira evidência de inspiração divina?
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 4
1) Qual era o elemento motivador, colocado em discussão entre os cristãos ortodoxos?
2) Houve muitos debates acerca da aprovação de certos livros do Antigo Testamento. Quais eram eles?
3) Nos tempos pré-cristãos, os samaritanos rejeitavam quais livros das Escrituras?
4) Quais foram os princípios usados para determinar a posição de um livro no cânon do Novo Testamento?
66 CURSO DE TEOLOGIA
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! LIVROS APÓCRIFOS OU
; DEUTEROCANÔNICOS
Várias foram as definições que 0 termo apócrifo recebeu ao longo da história. Esse termo não era usado entre os primeiros cristãos. Os livros apócrifos eram designados de “não-canônicos”, “contestados”, “livros que não podem ser lidos na igreja”. No grego clássico a palavra apocrypha significava “oculto” ou “difícil de entender”, isto em referência a livros que tratavam de coisas secretas, misteriosas, ocultas. Nos séculos III e IV, na época de Irineu e Jerónimo, o vocábulo apocrypha veio a ser aplicado aos livros não-canônicos do Antigo Testamento. Posteriormente, tomou o sentido de esotérico, ou algo que somente os iniciados podiam entender, jamais os de fora. Orígenes foi o primeiro a se pronunciar sobre quais Escrituras possuíam autoridade eclesiástica, e com este fundamento pôde-se deduzir as diversas classes de textos eclesiásticos.
A Septuaginta (LXX), tradução do Antigo Testamento hebraico para o grego, feita em 280 a.C. e 180 a.C., foi a primeira a incluir os quinze livros apócrifos em seu conteúdo. Jerónimo, no ano de 405 d.C., incluiu-os também em sua tradução latina do Antigo Testamento chamada Vulgata, porque lhe fora ordenado, mas recomendou que esses li- vros não fossem usados como base doutrinária.14 Por esse motivo, judeus e cristãos que falavam o grego usavam esses livros, juntamente com o Antigo Testamento canônico, em suas liturgias. Os apócrifos incluídos na Septuaginta são:
1. Terceiro Livro de Esdras;
2. Quarto Livro de Esdras;
3. Tobias;
4. Judite;
5. Adições ao Livro de Ester;
6. A Sabedoria de Salomão;
7. A Sabedoria de Jesus o Filho de Siraque, ou Eclesiástico;
8. A segunda parte de Baruque é conhecida como a Epístola de Jeremias;
9. Acréscimos ao livro de Daniel;
10. A oração dos Três Moços;
11. Susana;
12. Bel e o dragão;
13. A oração de Manassés;
14. O Primeiro Livro dos Macabeus;
15. O Segundo Livro dos Macabeus.
Os reformadores foram em parte os grandes responsáveis pela eliminação dos apócrifos da Bíblia, por haver neles elementos inconsistentes com a doutrina protestante. Entretanto, em 1546, no Concilio de Trento, a Igreja Católica Romana proclamou alguns livros apócrifos como canônicos, detentores de autoridade espiritual para seus fiéis, excluindo apenas os dois livros de Esdras e a Oração de Manassés.
Os apócrifos mais conhecidos da Bíblia católica são: 1 e 2 Macabeus, Tobias, Judite, Sabedoria de Salomão, Eclesiástico e Baruque. Os quatro primeiros são históricos; Sabedoria de Salomão e Eclesiástico são poéticos, mas também chamados de Sapienciais; Baruque é profético. Sintéticamente tratam dos seguintes assuntos:
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Macabeus – ambos os livros contam a história da revolta contra a opressão síria, liderada pela família dos Hasmoneus no período da história conhecido como Interbíblico.
Tobias – é um conto histórico que revela o misticismo juntamente com uso da mágica. O autor se refere ao emprego do fel, do fígado e do coração do peixe para influenciar a Deus ou entidades espirituais, o que é do domínio da magia.
Judite – narra a história de uma destemida viúva judia que se serviu dos artifícios de sua beleza para assassi- nar Holofemes, general do exército inimigo.
Sabedoria de Salomão – este livro jamais foi formalmente citado, nem mesmo os escritores do Novo Tes- tamento se referem a ele, porém tanto a linguagem como as correntes de pensamento do seu livro encontram paralelos no Novo Testamento (Sab. 5.18-20 e Ef 6.14-17; Sab. 7.26 e Hb 1.2-6; Sab. 14.13-31 e Rm 1.19-32).
Eclesiástico – em grego era chamado de “Sabedoria de Jesus, Filho de Siraque”. O texto original se perdeu, todavia, desde 1896, conhecemos alguns fragmentos de cinco manuscritos descobertos na genizah do Cairo, contendo cerca de dois terços do texto hebraico. Suas máximas sapienciais provavelmente se inspiraram no livro de Provérbios e estão agrupadas por ordem de assuntos, sem divisão perceptível.
Baruque – ao que parece, tena sido amanuense do profeta Jeremias nas regiões babilónicas.
Diante de tais testemunhos, surge a seguinte pergunta: por que a Igreja Católica continua a se apegar a estes escritos não inspirados? A razão não podería ser outra: esses livros contêm as doutrinas espúrias que confirmam os falsos ensinos dessa igreja, como, por exemplo, as orações pelos mortos, as curas falsas, haver virtude em queimar o coração de um peixe para espantar os maus espíritos (curandeirismo), dar esmolas para libertar da morte e do pecado (justificação pelas obras) e a intercessão pelos mortos.
• Ensino da magia
Tobias 6.5-8: “O anjo disse-lhe: Pega-0 pelas guelras e puxa-0 para ti. Tobias assim o fez. Arrastou o peixe para a terra, 0 qual se pôs a saltar aos seus pés. O anjo então disse-lhe: Abre-o, e guarda o coração, o fel e o fígado, que servirão para remédios muito eficazes. Ele assim o fez. A seguir ele assou uma parte da carne do peixe, que levaram consigo pelo caminho. Salgaram 0 resto, para que lhes bastasse até chegarem a Ragés, na Média. Entretanto, Tobias interrogou o anjo: Azarias, meu irmão, peço-te que me digas qual é a virtude curativa dessas partes do peixe que me mandaste guardar. O anjo respondeu-lhe: Se puseres um pedaço do coração sobre brasas, a sua fumaça expulsará toda espécie de mau çspí- rito, tanto do homem como da mulher, e impedirá que ele volte de novo a eles. Quanto ao fel, pode-se fazer com ele um ungüento para os olhos que têm uma belida, porque ele tem a propriedade de curar” (grifos nossos).
Tal ensino não se encontra em nenhuma parte das Escrituras Sagradas. Em Êxodo 22.17 e em Deuteronômio 18.10 encontramos a proibição de práticas mágicas e divinatórias. O coração de um peixe ou qualquer outra parte não possui poder mágico ou sobrenatural para espantar “toda a espécie de demônios”. Não se encontra em nenhum lugar das Escrituras exemplo similar, onde o Deus Todo-Poderoso tivesse mandado a um de seus anjos aconselhar Tobias ou a algum outro homem a praticar aquilo que ele condenou por meio de seus profetas.
Satanás, 0 príncipe das trevas, não pode ser expulso por algum truque. Qualquer pessoa que pretenda usar alguma das artes aludidas para executar coisas sobrenaturais não procede de acordo com os Escritos Sagrados. A única maneira de expulsar Satanás e seus demônios é pelo nome doce de Jesus: “Estes sinais hão de acompa- nhar aqueles que crêem: em meu nome, expelirão demônios ׳, falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se
alguma coisa mortífera beberem, não lhes fará mal; se impuserem as mãos sobre enfermos, eles ficarão curados” (Marcos 16.17, grifo nosso). O apóstolo Paulo sabia do poder desse nome e mandou que 0 espírito maligno saísse da mulher em nome de Jesus Cristo. E ele, na mesma hora, saiu (Atos 16.18). 14
14 MILLER, John W. As origens da Bíblia. São Paulo: Loyola, 2004. p. 184.
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• Dar esmolas purifica pecados
Tobias 12.8-9: “Boa coisa é a oração acompanhada de jejum, e a esmola é preferível aos tesouros de ouro es- condidos, porque a esmola livra da morte: ela apaga os pecados e faz encontrar a misericórdia e a vida eterna”.
O plano de salvação de Deus inclui as boas obras, mas não para salvação e sim para os que já são salvos. Os cristãos devem praticar sim a obras, como testemunho de terem sidos alcançados pela misericórdia de Deus. Portanto, se ofer- tas caridosas pudessem expiar pecados, não necessitaríamos do sangue de Jesus Cristo para purificar nossos pecados (1 João 1.7, 9). O apóstolo Pedro conclui: “…sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, 0 sangue de Cristo, conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por amor de vós” (1 Pedro 1.18-20, grifo nosso).
• Pecados perdoados pela oração
Eclesiástico 3.4: “Quem amar a Deus, receberá perdão de seus pecados pela oração”.
Os pecados não se perdoam pela oração. Oração é 0 meio e não 0 fim; por meio dela nos achegamos a Deus, com 0 coração quebrantado e contrito, confessando nossos pecados e pelo nome de Jesus somos perdoados: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 João 1.9). Qualquer outra maneira não é 0 método eficaz para se reconciliar com Deus. E mais, todos os reli- giosos fazem orações, entretanto continuam ainda em seus pecados por não reconhecerem a maneira apropriada revelada por Deus: “…o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (1 João 1.7).
• Oração pelos mortos
2 Macabeus 12.42-46: “…e puseram-se em oração, para implorar-lhe 0 perdão completo do pecado cometido. O nobre Judas falou à multidão, exortando-a a evitar qualquer transgressão, ao ver diante dos olhos 0 mal que havia sucedido aos que foram mortos por causa dos pecados. Em seguida, fez uma coleta, enviando a Jerusalém cerca de dez mil dracmas, para que se oferecesse um sacrifício pelos pecados: belo e santo modo de agir, decorrente de sua crença na ressurreição, porque, se ele não julgasse que os mortos ressuscitariam, teria sido vão e supérfluo rezar por eles. Mas, se ele acreditava que uma bela recompensa aguarda os que morrem piedosamente, era esse um bom e religioso pensamento; eis por que ele pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres de suas faltas” (grifos nossos).
Este é o texto que a Igreja Católica Apostólica Romana se utiliza para fundamentar sua crença na doutrina do purgatório. Orações e missas pelos mortos são aceitas, e o devoto católico crê nelas. Excede a imaginação a quantidade de dinheiro que afiui todos os anos aos cofres da igreja pelas missas em favor dos mortos, sem fun- damento nenhum na Bíblia protestante.
• Existência do purgatório
Sabedoria 3.1-4: “Mas as almas dos justos estão na mão de Deus, e nenhum tormento os tocará. Aparentemente estão mortos aos olhos dos insensatos: seu desenlace é julgado como uma desgraça. E sua morte como uma destruição, quando na verdade estão na paz! Se aos olhos dos homens suportaram uma correção, a esperança deles era portadora de imortali- dade, e por terem sofrido um pouco, receberão grandes bens, porque Deus, que os provou, achou-os dignos de si”.
A Igreja Católica fundamenta sua crença na doutrina do purgatório nestes versículos citados. Interpreta que os “tormentos” nos quais se acham os “justos” referem-se ao fogo do purgatório, onde os pecados estão sendo ex- piados. Ensina seus fiéis que após suficiente tempo de sofrimento no meio do fogo, poderão ir para o céu. Perceba que o texto não diz isso (eisegese); ocorre uma deturpação do próprio texto do livro apócrifo. Desse modo, a Igreja Católica demonstra que é capaz de qualquer desonestidade textual para manter suas heresias.
CURSO DE TEOLOGIA 69
MÓDULO ז I DOUTRINA DA BIBLIA
Observe atentamente os seguintes textos das Escrituras, que mostram a impossibilidade do purgatorio: Salmos 49.7-8; Eclesiastes 12.7;Lucas 23.40-43; 16.19-31; Atos 10.43; 1 Corintios 15.55-58; Filipenses 1:23; 1 Tessaloni- censes 4.12-17; Elebreus 9.22; 2 Timoteo 2.11-13; 1 João 1.7; Apocalipse 14.13.
Portanto, esse ensino aniquila completamente a expiação de Cristo. Se o pecado pudesse ser extinto pelo fogo, então Cristo teria morrido debalde, vã seria nossa fé e permaneceriamos em nossos pecados (1 Corintios 15.17).
• O anjo mente
Tobias 5.15-19: Então o anjo disse-lhe (a Tobias): Eu 0 levarei até lá e to reconduzirei. Tobias então perguntou-lhe: Rogo-te que me digas de que família e de que tribo és tu? O anjo respondeu: Que é que procuras: a raça do servo, ou o próprio servo para acompanhar teu filho? Mas, para tranqüilizar-te: eu sou Azarias, filho do grande Ananias. Es de família distinta, respondeu Tobias. Rogo-te que não me queiras mal por ter querido conhecer tua origem”.
Neste texto Tobias encontra-se com Rafael, um suposto anjo de Deus, que demonstra ser mentiroso e herege. Ele se identifica como um dos filhos de Israel (5.5). Se um anjo de Deus mentisse acerca de sua identidade, tor- nar-se-ia culpado de violação do nono mandamento: “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo” (Êxodo 20.16). Nas Escrituras encontramos duas espécies de anjos: os fiéis e os infiéis. A primeira espécie é submissa ao seu Criador obedecendo às suas ordens e cumprindo seu mandato. A segunda, na qual se encontra o diabo e seus anjos, vive para desonrar e desobedecer aos mandamentos de Deus. Portanto, jamais um anjo íntegro men- tiria sobre sua identidade. E mais: esse mesmo anjo ensina curandeirismo a Tobias, afirmando que a fumaça do coração ou do fígado de certo peixe, quando queimado, afugenta demônios para sempre e o fel cura determinado tipo de cegueira (Tobias 6.7-9).
• Uma mulher jejuando toda sua vida
Judite 8.5-6: “Ela tinha feito no andar superior de sua casa um quarto reservado para si. no qual se conserva- va retirada com suas criadas. Trazia um cilicio sobre os rins e jejuava todos os dias, exceto nos sábados, nas luas novas e nas festas do povo israelita” (grifo nosso).
Esta passagem é parecida a outras lendas católicas romanas, com respeito a seus santos canonizados. Uma mulher dificilmente jejuaria toda sua vida, com exceção de um dia da semana e algumas outras ocasiões durante o ano. A Bíblia nos informa que Jesus Cristo jejuou quarenta dias, porém não toda a sua vida (Mateus 4.2).
• A imaculada conceição
Sabedoria 8.19-20: “E eu era filho entendido e recebí uma boa alma. E, sendo que era mais entendido, che- guei a um corpo incontaminado”.
Os católicos se baseiam neste texto para sustentar a doutrina que Maria nascera sem pecados (imaculada). A Bíblia é transparente em mostrar a doutrina da universalidade do pecado. Adão, o progenitor do gênero humano, pecou, e pelas leis da herança ele transmitiu a todos os seus descendentes a natureza pecaminosa e as conseqüên- cias nefastas da transgressão. O salmista declarou: “Eis que eu nascí em iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe” (Salmos 51:5). Da mesma maneira, todos antes e depois dele, depois da desobediência de Adão, foram concebidos em pecado, com exceção de nosso Salvador (João 8.46).
Os escritores bíblicos foram unânimes em declarar: “Pois não há homem justo sobre a terra, que faça o bem, e nun- ca peque” (Eclesiastes 7.20); “porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3.23; 5.12).
As passagens citadas não declaram a isenção de Maria; logo, ela, como descendente de Adão, participou não somente das conseqüências da queda como também do pecado original. Suas palavras registradas em seu cântico confirmam esta tese quando exclama: “A minha alma engrandece ao Senhor; e meu espírito exulta em Deus, meu Salvador” (Lucas 1.46-55). Por que Maria chamou a Deus seu Salvador? Porque ela, da mesma maneira que todos os homens, necessitava de um Salvador para ter seus pecados apagados e obter a vida eterna pelo ar- rependimento e pela fé.
70 CURSO DE TEOLOGIA
M Ó D U L0 1 1 DOUTRINA DA BÍBLIA
• Ensinos de crueldade e egoísmo
Eclesiástico 12.6: “Faze o bem ao homem humilde, e nada dês ao ímpio; impede que se lhe dê pão, para não suceder que ele se tome mais poderoso do que tu”.
Será que 0 Deus verdadeiro teria tal atitude? São esses os ensinos que encontramos na sua revelação aos homens? As Escrituras, versando sobre o amor ao próximo, deixam evidente 0 amor de Deus para com todos. Salomão, que recebeu a sabedoria de Deus, escreveu: “Lança 0 teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias 0 acharás. Reparte com sete e ainda com oito, porque não sabes que mal sobrevirá à terra” (Eclesiastes 11.1- 2, grifo nosso).
O clímax da revelação se encontra na pessoa do Filho, que é Deus, ao ensinar: “Eu porém vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos tomeis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos. Porque, se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publícanos também o mesmo? E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os gentios também o mesmo?” (Mateus 5.44-47).
PSEUDEPÍGRAFOS
O termo deriva-se de duas palavras gregas: pseudo (falso) e epígrafe (escrito), significando “falsos escritos”. Embora tenham surgido na mesma época dos apócrifos, os pseudepígrafos não foram plenamente recepcionados pela comunidade judia e cristã, devido a não gozarem do mesmo favor que os livros do cânon. Esta literatura foi conservada pela Igreja ocidental da Idade Média, bem como pelos abissínios, os coptas e as igrejas da Síria, com a denominação de extracanónicos. O número de pseudepígrafos é bem maior do que a Bíblia canônica, podendo ser classificados em:
EVANGELHOS – Evangelho segundo os Hebreus; Evangelho de Maria Madalena; Evangelho dos Egípcios; Evangelho dos Ebionitas; Evangelho de Pedro; Protoevangelho de Tiago; Evangelho de Tomé; Evangelho de Filipe; Evangelho de Bartomeu; Evangelho de Nicodemos; Evangelho de Gamaliel; Evangelho da Verdade.
ATOS – Atos de Tecla e Paulo; Atos de Pilatos; Atos dos Doze Apóstolos; Atos de Paulo; Atos de Pedro; Atos de João; Atos de André; Atos de Tomé.
EPÍSTOLAS – de Pilatos a Herodes, de Pilatos a Tibério, dos Apóstolos, de Pedro a Felipe, de Paulo aos La- odicenses, Terceira Epístola aos Corintios, de Aristeu, I Clemente, As Sete Epístolas de Inácio; aos Efésios, aos Magnésios; aos Trálios, aos Romanos, aos Filadélfios, aos Esmimenses e a Policarpo; a Epístola de Policarpo, aos Filipenses; a Epístola de Bamabé.
APOCALIPSES – Apocalipse de Tiago, Apocalipse de João, Apocalipse de Estevão, Apocalipse de Pedro, Apocalipse de Elias, Apocalipse de Esdras, Apocalipse de Baruc, Apocalipse de Sofonias; Apocalipse do Pastor de Hermas; Apocalipse de Paulo; Apocalipse de Tomé.
TESTAMENTOS – de Abraão, de Isaac, de Jacó, dos 12 Patriarcas, de Moisés, de Salomão, de Jó.
OUTROS – A Filha de Pedro, Descida de Cristo aos Infernos, Declaração de José de Arimatéia, Vida de Adão e Eva, Jubileus, 1,2 e 3 Henoque, Salmos de Salomão, Oráculos Sibilinos.
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VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 5
1) No grego clássico a palavra apocrypha significava 0 quê?
2) Quem foi o primeiro a se pronunciar sobre quais escrituras possuíam autoridade eclesiástica?
3) Como estão classificados os livros apócrifos?
4) Qual foi a primeira tradução a incluir os apócrifos?
5) Quais são os apócrifos incluídos na Septuaginta?
6) Sintéticamente, de que tratam os livros de Macabeus, Judite e Baruque?
7) Por que a Igreja Católica continua a se apegar aos escritos não inspirados?
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A INSPIRAÇÃO DAS ESCRITURAS
Muitos livros reivindicam autoridade divina para sua autoria. A concepção de livros vindo dos céus é antiga. O livro hindu Bhagavad Gita (“Cântico do Senhor”), escrito em sánscrito, é altamente prezado pelos budistas e venerado como escritura sagrada pelos brâmanes, que freqüentemente o citam como autoridade no que se refere à religião hindu. E representado como uma árvore cósmica: as raízes eternas adentram 0 céu enquanto os ramos e as folhas crescem na terra em forma de textos e cantos sagrados. As culturas antigas do Oriente e do Mediterrâ- neo conheciam a existência de um livro ou de Tábuas celestes. Na Mesopotâmia o rei recebia no momento da co- roação as Tábuas e a vara, como sinal de que era representante da revelação divina e possuía um saber oculto.
As religiões nascidas da Bíblia (judaísmo, cristianismo e islamismo) também reivindicam autoridade divina para seus escritos. Os mulçumanos reconhecem que estes povos possuem livros de origem divina, todavia fica- ram totalmente obsoletos com o surgimento do “Livro” (al-Kitab) enviado por Deus a Maomé, o Alcorão.
O que toma a Bíblia diferente ou distinta desses livros? Ela proclama ser a Palavra de Deus, uma revelação divina! E inquestionável que a Bíblia seja amplamente aceita como a Palavra de Deus, um livro divinamente inspirado. Mas qual evidência existe para apoiar esta crença? Seria sem fundamento esta fé? O que podemos oferecer à pessoa que tem dúvidas sobre a inspiração da Bíblia?
A questão da inspiração da Bíblia é fundamental. Se for simplesmente um produto dos homens, então ela não passa de um livro comum; entretanto, se ela for 0 que diz ser, a Palavra de Deus, então o padrão moral que ela apresenta é a expressão da autoridade de Deus.
Primeiramente vamos analisar a etimologia do termo. Paulo, ao escrever a seu filho na fé, Timóteo, declarou que “toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça” (2 Timóteo 3.16, grifo nosso).15 A palavra grega traduzida por inspirada é theópneustos. Este termo é a junção de duas palavras gregas: theos, “Deus”, e pneo, “respirar”, de “onde vem a palavra ‘teopneustia ‘, que significa ‘inspiração divina’”.16
Por inspiração das Escrituras entendemos a influência sobrenatural do Espírito Santo sobre seus autores, que converteu seus escritos em um registro preciso da revelação ou fez com que seus escritos fossem realmente a Pa- lavra de Deus. E importante distinguir revelação, inspiração e iluminação. A revelação é o ato de Deus mediante 0 qual Ele comunica diretamente a verdade antes desconhecida para a mente humana – verdade que não poderia ser conhecida de qualquer outra maneira. A inspiração está ligada à comunicação da verdade.
Nem todo conteúdo da Bíblia foi diretamente revelado aos homens. Ela contém registros históricos e muitas observações pessoais. Porém estamos seguros de que esses registros são verídicos. O Espírito Santo dirigiu e influenciou os escritores, a fim de que, por inspiração, não cometessem qualquer erro de verdade ou doutrina. A Bíblia registra as palavras e os atos de Deus, dos homens e do diabo. E de suma importância verificarmos cuida- dosamente quem está falando. Alguns confundem inspiração com iluminação. A iluminação se refere à influência do Espírito Santo, comum a todos os cristãos, que os ajuda a entender as coisas de Deus. “Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1 Corintios 2.14). Pedro cita um exemplo interessante em que os profetas receberam inspiração para registrar grandes verdades, mas não lhes foi outorgada iluminação para compreender o sentido exato do que profetizaram. “Da qual salvação inquiriram e trataram diligentemente os profetas que
ls Edição Revista e Corrigida da Sociedade Bíblica do Brasil.
י‘ SOARES, Esequias. Op. cit., p. 52.
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profetizaram da graça que vos foi dada, indagando que tempo ou que ocasião de tempo o Espirito de Cristo, que estava neles, indicava, anteriormente testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir e a gloria que se lhes havia de seguir. Aos quais foi revelado que, não para si mesmos, mas para nós, eles ministravam estas coisas que, agora, vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espirito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho, para as quais coisas os anjos desejam bem atentar” (1 Pedro 1.10-12).
A iluminação admite graduação, a inspiração não. Quanto à iluminação, algumas pessoas possuem um maior grau de discernimento do que outras, mas no caso da inspiração, no sentido bíblico, 0 indivíduo é ou não inspirado.
Toda Escritura foi divinamente inspirada, mas nem toda ela foi dada por revelação. Moisés, por exemplo, sempre escreveu inspirado, porém ora por iluminação, ora por revelação, como os primeiros capítulos de Gê- nesis. Temos trechos das Escrituras que nos dão exemplos de revelação: José interpretando os sonhos de Faraó (Gênesis 40.8; 4 1 . 1 5 3 8 – 3 9 ,16־ ); Daniel declarando ao rei Nabucodonosor o sono que este havia esquecido, e em
seguida interpretando-o (Daniel 2.2-7,19,28-30); os escritos do apóstolo Paulo (Gálatas 1.11-12).
“Deus não é homem, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa; porventura, diría ele e não 0 faria? Ou falaria e não o confirmaria?” (Números 23.19). A Bíblia não mente, mas registra mentiras que outros profe- riram. Nesses casos, não é a mentira do registro que foi inspirada, e sim o registro da mentira. A Bíblia registra decía- rações de Satanás, todavia suas declarações não foram inspiradas por Deus, e sim o registro delas (Jó 1.7; 2.1).
Há, naturalmente, muitas evidências da origem divina da Bíblia, mas a mais forte é a profecia cumprida, que é, em essência, a assinatura de Deus em seu livro, uma indicação inigualável de que ela é sua obra. “Nem o Alcorão, nem 0 Livro de Mórmon, nem a Tripitarka, nem os Vedas ou qualquer outro livro que reivindica autoridade espíritu- al contém profecias.” 1 A Bíblia é 0 livro de profecia por excelência, cerca de um quarto dela é profética. O Etemo declarou que a capacidade de predizer o futuro era um sinal de verdadeira divindade: “Apresentai a vossa demanda, diz o SENHOR; alegai as vossas razões, diz o Rei de Jacó. Trazei e anunciai-nos as coisas que hão de acontecer; relatai-nos as profecias anteriores, para que atentemos para elas e saibamos se se cumpriram ׳, ou fazei-nos ouvir
as coisas futuras. Anunciai-nos as coisas que ainda hão de vir, para que saibamos que sois deuses; fazei bem ou fazei mal, para que nos assombremos, e juntamente 0 veremos” (Isaías 42.21-23, grifo nosso).
Henry Ward Beecher disse: “A Bíblia é 0 mapa divino para você pilotar, para evitar que você vá parar no fundo do mar, e para lhe mostrar onde fica o porto, e como chegar lá sem bater nas rochas e nos baixos”. 17 18
Através da profecia bíblica, fica evidente que Deus sabe e controla 0 futuro; ele não é mero telespectador, tudo está sob seu controle! Portanto, resta-nos averiguar a exatidão das profecias existentes na Bíblia.
Em Ezequiel 26 Deus predisse o fim de Tiro: muitas nações viríam contra ela (Ezequiel 26.3); a Babilônia seria a primeira a atacá-la (v. 7); os muros e torres de Tiro seriam derrubados (vv. 4, 9); as pedras, as madeiras e as ruínas da cidade seriam jogadas ao mar (v. 12); 0 local se tomaria uma rocha nua e lugar para pescadores secarem suas redes (vv. 4-5, 14); e a cidade de Tiro jamais seria reconstruída (v. 14).
Tiro não era uma insignificante vila de pescadores. Era uma grande cidade da Fenicia e uma capital mundial notável durante mais de dois mil anos. Mas no auge do seu poder, o profeta Ezequiel teve a audácia de predizer o violento futuro e o fim ignominioso para a grandiosa cidade de Tiro. Sua queda aconteceria por causa da flagrante perversidade da cidade e por causa de sua arrogância.
O tempo e a História comprovaram as palavras do profeta Ezequiel. Muitas nações levantaram-se contra Tiro: primeiro os babilónicos, depois os gregos, os romanos, os muçulmanos e os cruzados. Depois de um cerco de treze anos, Nabucodonosor. da Babilônia, derrubou os muros e as torres de Tiro e massacrou todos os seus ha- hitantes, exceto aqueles que escaparam para uma fortaleza, numa ilha, distante cerca de 2,2 quilômetros, no mar Mediterrâneo. Muito tempo depois de Ezequiel haver profetizado, Alexandre, o Grande, conquistou a fortaleza da ilha de Tiro, construindo uma passagem em aterro do continente para a ilha, utilizando o enorme volume de detritos abandonados pela cidade destruída. Em 1291 a.C., Tiro foi totalmente destruída, e nunca mais foi recons- truída, exatamente como Ezequiel predisse.
17 Idem, 2003, p. 54.
“BEECHER apud HAGGE, 1997, p. 61.
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Muitas outras profecias foram fielmente cumpridas, tanto na antiguidade quanto na atualidade. Os profetas predisseram a queda da Babilônia (Isaías 13.19-21), a fundação do Estado de Israel (Isaías 66.8) e principalmente a vinda do Messias. Desde seu nascimento, obra, ministério e ascensão ao céu, tudo estava previsto nas Escri- turas. Vejamos algumas profecias:
1. O Messias nascería de uma mulher
Profecia: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gênesis 3.15).
Cumprimento: “…vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei…” (Gálatas 4.4).
2. O Messias nascerá de uma virgem
Profecia: “Portanto, o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel” (Isaías 7.14).
Cumprimento: “No sexto mês, foi 0 anjo Gabriel enviado, da parte de Deus, para uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com certo homem da casa de Davi, cujo nome era José; a virgem chamava-se Maria. E, entrando o anjo onde ela estava, disse: Alegra-te, muito favorecida! O Senhor é contigo. Ela, porém, ao ouvir esta palavra, perturbou-se muito e pôs-se a pensar no que significaria esta saudação. Mas o anjo lhe disse: Maria, não temas; porque achaste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e 0 seu reinado não terá fim. Então, disse Maria ao anjo: Como será isto, pois não tenho relação com homem algum? Respondeu-lhe o anjo: Descerá sobre ti 0 Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também 0 ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus. E Isabel, tua parcnta, igualmente concebeu um filho na sua ve- lhice, sendo este já 0 sexto mês para aquela que diziam ser estéril. Porque para Deus não haverá impossíveis em todas as suas promessas. Então, disse Maria: Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra. E o anjo se ausentou dela” (Lucas 1.26-38).
3. O Messias será Filho de Deus
Profecia: “Proclamarei o decreto do SENHOR: Ele me disse: Tu és meu Filho, eu, hoje, te gerei” (Salmos 2.7).
Cumprimento: “E eis uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mateus 3.17).
“Também os espíritos imundos, quando 0 viam, prostravam-se diante dele e exclamavam: Tu és o Filho de Deus!” (Marcos 3.11).
4. O Messias será da semente de Abraão
Profecia: “Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gênesis 12.3).
“Nela [na semente de Abraão] serão benditas todas as nações da terra, porquanto obedeceste à minha voz” (Gênesis 22.18).
Cumprimento: “Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão” (Mateus 1.1).
“Ora, as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. Não diz: E aos descendentes, como se falando de muitos, porém como de um só: E ao teu descendente, que é Cristo” (Gálatas 3.16).
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5. O Messias será da tribo de Judá
Profecia: “O cetro não se arredará de Judá, nem o bastão de entre seus pés, até que venha Silo; e a ele obe- decerão os povos” (Gênesis 49.10).
Cumprimento: “Judá gerou de Tamar a Perez e a Zera; Perez gerou a Esrom; Esrom, a Arão (…) E Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama 0 Cristo” (Mateus 1.3, 16).
6. O Messias será da linhagem de Jessé
Profecia: “Do tronco de Jessé sairá um rebento, e das suas raízes, um renovo” (Isaías 11.1).
Cumprimento: “Jessé gerou ao rei Davi; e o rei Davi, a Salomão, da que fora mulher de Urias (…) E Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama o Cristo” (Mateus 1.6, 16).
7. O Messias será da Casa de Davi
Profecia: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; 0 governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz; para que se aumente 0 seu governo, e venha paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e o firmar mediante o juízo e a justiça, desde agora e para sempre. O zelo do SENHOR dos Exércitos fará isto” (Isaías 9.6-7).
Cumprimento: “Jessé gerou ao rei Davi; e 0 rei Davi, a Salomão, da que fora mulher de Urias (…) E Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama o Cristo” (Mateus 1.6, 16).
8. O Messias nascerá em Belém
Profecia: ’Έ tu, Belém-Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá 0 que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade” (Miquéias 5.2).
Cumprimento: “Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, em dias do rei Herodes, eis que vieram uns magos do Oriente a Jerusalém” (Mateus 2.1).
9. Uma estrela anunciará seu nascimento
Profecia: “Vê-lo-ei, mas não agora; contemplá-lo-ei, mas não de perto; uma estrela procederá de Jacó, de Israel subirá um cetro que ferirá as têmporas de Moabe e destruirá todos os filhos de Sete” (Números 24.17).
Cumprimento: “Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, em dias do rei Herodes, eis que vieram uns magos do Oriente a Jerusalém. E perguntavam: Onde está o recém-nascido Rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos para adorá-lo” (Mateus 2.1-2).
10. Herodes matará as crianças
Profecia: “Assim diz o SENHOR: Ouviu-se um clamor em Ramá, pranto e grande lamento; era Raquel cho- rando por seus filhos e inconsolável por causa deles, porque já não existem” (Jeremias 31.15).
Cumprimento: “Vendo-se iludido pelos magos, enfureceu-se Herodes grandemente e mandou matar todos os meninos de Belém e de todos os seus arredores, de dois anos para baixo, conforme o tempo do qual com pre- cisão se informara dos magos” (Mateus 2.16). 11
11. O Messias preexistia
Profecia: ”E tu, Belém-Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade” (Miquéias 5.2).
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Cumprimento: “Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste” (Colossenses 1.17).
12. O Messias era chamado “Senhor”
Profecia: ”Disse o SENHOR ao meu senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés” (Salmos 110.1).
Cumprimento: “Jesus, ensinando no templo, perguntou: Como dizem os escribas que o Cristo é filho de Davi? O próprio Davi falou, pelo Espírito Santo: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés. O mesmo Davi chama-lhe Senhor; como, pois, é ele seu filho? E a grande multidão o ouvia com prazer” (Marcos 12.35-37).
13. O Messias será chamado de Emanuel (Deus Conosco)
Profecia: ”Portanto, o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel” (Isaías 7.14).
Cumprimento: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco)” (Mateus 1.23).
14. O Messias será um profeta
Profecia: “Suscitar-lhes-ei um profeta do meio de seus irmãos, semelhante a ti, em cuja boca porei as minhas palavras, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar” (Deuteronômio 18.18).
Cumprimento: “E as multidões clamavam: Este é 0 profeta Jesus, de Nazaré da Galiléia” (Mateus 21.11).
15. O Messias será um sacerdote
Profecia: “O SENHOR jurou e não se arrependerá: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Mel- quisedeque” (Salmos 110.4).
Cumprimento: “Por isso, santos irmãos, que participais da vocação celestial, considerai atentamente 0 Após- tolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão, Jesus” (Hebreus 3.1).
“Ele, Jesus, nos dias da sua came, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a quem 0 po- dia livrar da morte e tendo sido ouvido por causa da sua piedade, embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu e, tendo sido aperfeiçoado, tomou-se 0 Autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem, tendo sido nomeado por Deus sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque” (Hebreus 5.7-10).
16. O Messias será um juiz
Profecia: “Porque 0 SENHOR é 0 nosso juiz, 0 SENHOR é 0 nosso legislador, 0 SENHOR é 0 nosso Rei; ele nos salvará” (Isaías 33.22).
Cumprimento: “Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifes- tação e pelo seu reino” (2 Timóteo 4.1). 17
17. O Messias será rei
Profecia: “…para que se aumente 0 seu governo, e venha paz sem fim sobre 0 trono de Davi e sobre 0 seu reino, para 0 estabelecer e 0 firmar mediante 0 juízo e a justiça, desde agora e para sempre. O zelo do SENHOR dos Exércitos fará isto” (Isaías 9.7).
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Cumprimento: “Então, lhe disse Pilatos: Logo, tu és rei? Respondeu Jesus: Tu dizes que sou rei. Eu para isso nascí e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz” (João 18.37).
18. O Messias será ungido pelo Espírito Santo
Profecia: “Repousará sobre ele o Espírito do SENHOR, o Espírito de sabedoria e de entendimento, o Espírito de conselho e de fortaleza, 0 Espírito de conhecimento e de temor do SENHOR” (Isaías 11.2).
Cumprimento: “Batizado Jesus, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba, vindo sobre ele. E eis uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mateus 3.16-17).
19. O Messias será precedido por um mensageiro
Profecia: “Voz do que clama no deserto: Preparai 0 caminho do SENHOR; endireitai no ermo vereda a nosso Deus” (Isaías 40.3).
Cumprimento: “Naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judéia e dizia: Arrependei- vos, porque está próximo 0 reino dos céus. Porque este é 0 referido por intermédio do profeta Isaías: Voz do que clama no deserto: Preparai 0 caminho do Senhor, endireitai as suas veredas” (Mateus 3.1-3).
20. O Messias ministrará na Galiléia
Profecia: “Mas para a terra que estava aflita não continuará a obscuridade. Deus, nos primeiros tempos, tomou desprezível a terra de Zebulom e a terra de Naftali; mas, nos últimos, tomará glorioso o caminho do mar, além do Jordão, Galiléia dos gentios” (Isaías 9.1).
Cumprimento: “Ouvindo, porém, Jesus que João fora preso, retirou-se para a Galiléia; e, deixando Nazaré, foi morar em Cafamaum, situada à beira-mar, nos confins de Zebulom e Naftali; para que se cumprisse o que fora dito por intermédio do profeta Isaías: Terra de Zebulom, terra de Naftali, caminho do mar, além do Jordão, Galiléia dos gentios! O povo que jazia em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região e sombra da morte resplandeceu-lhes a luz. Daí por diante, passou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus” (Mateus 4.12-17).
21.0 ministério do Messias incluirá milagres
Profecia: “Então, se abrirão os olhos dos cegos, e se desimpedirão os ouvidos dos surdos; os coxos saltarão como cervos, e a língua dos mudos cantará; pois águas arrebentarão no deserto, e ribeiros, no ermo” (Isaías 35.5-6).
Cumprimento: “E percorria Jesus todas as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas, pregando o evan- gelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades” (Mateus 9.35).
22. O Messias falará em parábolas
Profecia: “Abrirei os lábios em parábolas e publicarei enigmas dos tempos antigos” (Salmos 78.2).
“Então, disse ele: Vai e dize a este povo: Ouvi, ouvi e não entendeis; vede, vede, mas não percebeis. Toma insensível o coração deste povo, endurece-lhe os ouvidos e fecha-lhe os olhos, para que não venha ele a ver com os olhos, a ouvir com os ouvidos e a entender com o coração, e se converta, e seja salvo” (Isaías 6.9-10).
Cumprimento: “Todas estas coisas disse Jesus às multidões por parábolas e sem parábolas nada lhes dizia; para que se cumprisse o que foi dito por intermédio do profeta: Abrirei em parábolas a minha boca; publicarei coisas ocultas desde a criação do mundo” (Mateus 13.34-35).
“E os seus discípulos o interrogaram, dizendo: Que parábola é esta? Respondeu-lhes Jesus: A vós outros é
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dado conhecer os mistérios do reino de Deus; aos demais, fala-se por parábolas, para que, vendo, não vejam; e, ouvindo, não entendam” (Lucas 8.9-10).
23. O Messias entrará no templo
Profecia: “Eis que eu envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim; de repente, virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais, o Anjo da Aliança, a quem vós desejais; eis que ele vem, diz 0 SE- NHOR dos Exércitos” (Malaquias 3.1).
Cumprimento: “Tendo Jesus saído do templo, ia-se retirando, quando se aproximaram dele os seus discípu- los para lhe mostrar as construções do templo. Ele, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada” (Mateus 24. 1-2).
24.0 Messias entraria em Jerusalém sobre um jumentinho
Profecia: “Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém: eis aí te vem o teu Rei, justo e salva- dor, humilde, montado em jumento, num jumentinho, cria de jumenta” (Zacarias 9.9).
Cumprimento: “Quando se aproximaram de Jerusalém e chegaram a Betfagé, ao monte das Oliveiras, en- viou Jesus dois discípulos, dizendo-lhes: Ide à aldeia que aí está diante de vós e logo achareis presa uma jumenta e, com ela, um jumentinho. Desprendei-a e trazei-mos. E, se alguém vos disser alguma coisa, respondei-lhe que 0 Senhor precisa deles. E logo os enviará. Ora, isto aconteceu para se cumprir o que foi dito por intermédio do profeta: Dizei à filha de Sião: Eis aí te vem o teu Rei, humilde, montado em jumento, num jumentinho, cria de animal de carga. Indo os discípulos e tendo feito como Jesus lhes ordenara, trouxeram a jumenta e o jumentinho. Então, puseram em cima deles as suas vestes, e sobre elas Jesus montou” (Mateus 21.1-7).
25. O Messias seria traído por um amigo
Profecia: “Até o meu amigo íntimo, em quem eu confiava, que comia do meu pão, levantou contra mim o calcanhar” (Salmos 41.9).
Cumprimento: “Não falo a respeito de todos vós, pois eu conheço aqueles que escolhí; é, antes, para que se cumpra a Escritura: Aquele que come do meu pão levantou contra mim seu calcanhar. Desde já vos digo, antes que aconteça, para que, quando acontecer, creiais que EU SOU. Em verdade, em verdade vos digo: quem recebe aquele que eu enviar, a mim me recebe; e quem me recebe recebe aquele que me enviou. Ditas estas coisas, angustiou-se Jesus em espírito e afirmou: Em verdade, em verdade vos digo que um dentre vós me trairá” (João 13.19-21)
“Simão, 0 Zelote, e Judas Iscariotes, que foi quem o traiu” (Mateus 10.4).
26. O Messias seria traído por trinta moedas de prata
Profecia: “Eu lhes disse: se vos parece bem, dai-me 0 meu salário; e, se não, deixai-o. Pesaram, pois, por meu salário trinta moedas de pratá” (Zacarias 11.12).
Cumprimento: “Então, um dos doze, chamado Judas Iscariotes, indo ter com os principais sacerdotes, pro- pôs: Que me quereis dar, e eu vo-lo entregarei? E pagaram-lhe trinta moedas de prata. E, desse momento em diante, buscava ele uma boa ocasião para 0 entregar” (Mateus 26.14-16).
27. O dinheiro da traição seria jogado na Casa de Deus
Profecia: “Então, o SENHOR me disse: Arroja isso ao oleiro, esse magnífico preço em que fui avaliado por eles. Tomei as trinta moedas de prata e as arrojei ao oleiro, na Casa do SENHOR” (Zacarias 11.13).
CURSO DE TEOLOGIA 79
M Ó D U LO 1 1 DOUTRINA DA BÍBLIA
Cumprimento: “Então, Judas, atirando para 0 santuário as moedas de prata, retirou-se e foi enforcar-se” (Mateus 27.5).
28. O Messias será abandonado por seus discípulos
Profecia: “Desperta, ó espada, contra 0 meu pastor e contra 0 homem que é 0 meu companheiro, diz o SENHOR dos Exércitos; fere 0 pastor, e as ovelhas ficarão dispersas; mas volverei a mão para os pequeninos” (Zacarias 13.7).
Cumprimento: “Então, lhes disse Jesus: Todos vós vos escandalizareis, porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas ficarão dispersas… Então, deixando-o, todos fugiram” (Marcos 14.27,50).
29. O Messias será acusado por falsas testemunhas
Profecia: “Levantam-se iníquas testemunhas e me argúem de coisas que eu não sei” (Salmos 35.11).
Cumprimento: “Ora, os principais sacerdotes e todo 0 Sinédrio procuravam algum testemunho falso contra Jesus, a fim de o condenarem à morte. E não acharam, apesar de se terem apresentado muitas testemunhas falsas. Mas, afinal, compareceram duas, afirmando…” (Mateus 26.59-60).
30. O Messias ficará em silêncio diante de seus acusadores
Profecia: “Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca” (Isaías 53.7).
Cumprimento: “E, sendo acusado pelos principais sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu” (Mateus 27.12).
31. O Messias será açoitado e ferido
Profecia: “Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; 0 castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Isaías 53.5).
Cumprimento: “Então, Pilatos lhes soltou Barrabás; e, após haver açoitado a Jesus, entregou-o para ser crucificado” (Mateus 27.26).
32. O Messias seria esbofeteado e cuspido
Profecia: “Oferecí as costas aos que me feriam e as faces, aos que me arrancavam os cabelos; não escondí o rosto aos que me afrontavam e me cuspiam” (Isaías 50.6).
Cumprimento: “Então, uns cuspiram-lhe no rosto e lhe davam murros, e outros o esbofeteavam, dizendo…” (Mateus 26.67).
33. O Messias será alvo de zombarias
Profecia: “Todos os que me vêem zombam de mim; afrouxam os lábios e meneiam a cabeça: Confiou no SENHOR! Livre-0 ele; salve-o, pois nele tem prazer” (Salmos 22.7-8).
Cumprimento: “E foram crucificados com ele dois ladrões, um à sua direita, e outro à sua esquerda. Os que iam passando blasfemavam dele, meneando a cabeça e dizendo: O tu que destróis o santuário e em três dias o reedificas! Salva-te a ti mesmo, se és Filho de Deus, e desce da cruz! De igual modo, os principais sacerdotes, com os escribas e anciãos, escarnecendo, diziam: Salvou os outros, a si mesmo não pode salvar-se. E rei de Isra- el! Desça da cruz, e creremos nele. Confiou em Deus; pois venha livrá-lo agora, se, de fato, lhe quer bem; porque
80 CURSO DE TEOLOGIA
MÓDULO 1 I DOUTRINA DA BIBLIA
disse: Sou Filho de Deus. E os mesmos impropérios lhe diziam também os ladrões que haviam sido crucificados com ele” (Mateus 27.38-44).
34. O Messias será objeto de escárnio
Profecia: “De tanto jejuar, os joelhos me vacilam, e de magreza vai mitrando a minha carne. Tomei-me para eles objeto de opróbrio; quando me vêem, meneiam a cabeça” (Salmos 109-24-25).
Cumprimento: “Os que iam passando, blasfemavam dele, meneando a cabeça e dizendo: Ah! Tu que des- tróis 0 santuário e, em três dias, o reedificas! Salva-te a ti mesmo, descendo da cruz!” (Marcos 15.29-30).
35. As mãos e os pés do Messias seriam perfurados
Profecia: “Cães me cercam; uma súcia de malfeitores me rodeia; traspassaram-me as mãos e os pés” (Salmos 22.16).
Cumprimento: “Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram, bem como aos malfei- tores, um à direita, outro à esquerda” (João 20.25-27).
36. O Messias intercederá por seus perseguidores
Profecia: “…contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu” (Isaías 53.12).
Cumprimento: “Contudo, Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. Então, repartindo as vestes dele, lançaram sortes” (Lucas 23.34).
37. O Messias será odiado sem motivos
Profecia: “São mais que os cabelos de minha cabeça os que, sem razão, me odeiam…” (Salmos 69.4).
Cumprimento: “Isto, porém, é para que se cumpra a palavra escrita na sua lei: Odiaram-me sem motivo” (João 15.25).
38. As pessoas menearão a cabeça diante do Messias
Profecia: “Tomei-me para eles objeto de opróbrio; quando me vêem, meneiam a cabeça” (Salmos 109.25).
Cumprimento: “Os que iam passando blasfemavam dele, meneando a cabeça e dizendo…” (Mateus 27.39).
39. O Messias terá sede no sofrimento
Profecia: “Por alimento me deram fel e na minha sede me deram a beber vinagre” (Salmos 69.21).
Cumprimento: “Depois, vendo Jesus que tudo já estava consumado, para se cumprir a Escritura, disse: Te- nho sede!” (João 19.28).
40. Nenhum dos ossos do Messias seria quebrado
Profecia: “Preserva-lhe todos os ossos, nem um deles sequer será quebrado” (Salmos 34.20).
Cumprimento: “…chegando-se, porém, a Jesus, como vissem que já estava morto, não lhe quebraram as pernas” (João 19.33).
CURSO DE TEOLOGIA 81
M Ó D U L01 1 DOUTRINA DA BÍBLIA
As profecias relacionadas demonstram que a Bíblia é um livro perfeito e, acima de tudo, profético. Jamais qualquer mente humana conseguiría projetar tamanha precisão em atos e fatos que se cumpriram perfeitamente na vida de uma única pessoa que se tomou 0 salvador do mundo, exatamente como Deus predisse.
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 6
1) Como é representado o livro hindu Bhagavad Gitat
2) Quais são as religiões nascidas da Bíblia?
3) O que toma a Bíblia diferente ou distinta dos vários livros existentes?
4) O que significa a palavra grega theópneustos traduzida por inspirada ?
5) Há, naturalmente, muitas evidências da origem divina da Bíblia, mas qual é a mais forte?
6) O que disse o Dr. Henry Ward Beecher?
7) Cite cinco profecias e seus cumprimentos.
82 CURSO DE TEOLOGIA
M Ó D U L 0 1 i DOUTRINA DA BÍBLIA
TEORIAS DA INSPIRAÇÃO DA BÍBLIA
Devido à relevância do tema tratado, os homens desenvolveram várias teorias falsas acerca da inspiração das Escrituras que o estudante não deve ignorar. Algumas são antiguíssimas, outras têm surgido recentemente e ou- tras ainda irão aparecer. Na sua maioria, a verdade vem junto com o erro, e muitos têm se deixado enganar. Apre- sentaremos algumas das teorias falsas acerca da inspiração da Bíblia e por fim a aceita pelos cristãos genuínos.
Podemos ter revelação sem inspiração (Apocalipse 10.3-4), e podemos ter inspiração sem revelação, como quando os escritores registram 0 que viram com seus próprios olhos e descobriram pela pesquisa (1 João 1.1-4; Lucas 1.1 -4). Aqui nós temos a forma e o resultado da inspiração. A forma é o método que Deus empregou na inspiração, enquanto 0 resultado indica a consequência da inspiração. Portanto, as chamadas teorias da intuição, da iluminação, da dinâmica e a do ditado descrevem a forma de inspiração, enquanto a teoria verbal plenária indica o resultado.
1) Teoria da Inspiração Dinâmica: Afirma que Deus concedeu uma revelação gradual que não difere em essência, mas em grau, ou seja, que alguns livros não seriam inspirados na mesma medida que seriam os livros doutrinários.19 Isto os tomou infalíveis em questões de fé e prática, mas não nas coisas que não são de natureza imediatamente religiosa, isto é, a inspiração atinge apenas os ensinamentos e preceitos doutrinários, as verdades desconhecidas dos autores humanos. Esta teoria tem muitas falhas: ela não explica como os escritores bíblicos poderíam mesclar seus conhecimentos sobrenaturais ao registrarem uma sentença, e serem rebaixados a um nível inferior ao relatarem um fato de modo natural. Ela não fornece a psicologia daquele estado de espírito que de- veria envolver os escritores bíblicos ao se pronunciarem infalivelmente sobre matérias de doutrina, enquanto se desviam a respeito dos fatos mais simples da história. Ela não analisa a relação existente entre a mente divina e a humana, que produz tais resultados. Ela não distingue entre coisas que são essenciais à fé e à pratica e aquelas que não são. Erasmo, Grotius, Baxter, Paley, Doellinger e Strong compartilham desta teoria.
2) Teoria do Ditado ou Mecânica: Afirma que os escritores bíblicos foram meros instrumentos (amanuen- ses) do Espírito Santo, registrando seus pensamentos em palavras que ele escolhia.20 Sendo assim, Deus simples- mente ditava 0 que os autores humanos dos livros da Bíblia deviam escrever.
Se Deus tivesse ditado as Escrituras, o seu estilo seria uniforme. Teria a dicção e o vocabulário do divino Au- tor, livre das idiossincrasias dos homens (Romanos 9.1-3;2־ Pedro 3.15-16). Na verdade, o autor humano recebeu
plena liberdade de ação para a sua autoria, escrevendo com seus próprios sentimentos, estilo e vocabulário, mas garantiu a exatidão da mensagem suprema com tanta perfeição como se ela tivesse sido ditada por Deus. Não há nenhuma insinuação de que Deus tenha ditado qualquer mensagem a um homem além daquela que Moisés trans- creveu no monte santo, pois Deus usa e não anula as suas vontades. Esta teoria, portanto, enfatiza sobremaneira a autoria divina ao ponto de excluir a autoria humana.
3) Teoria da Inspiração Natural ou Intuição: Afirma que a inspiração é simplesmente um discernimento superior das verdades moral e religiosa por parte do homem natural. Assim como tem havido artistas, músicos e poetas excepcionais, que produziram obras de arte que nunca foram superadas, também em relação às Escrituras houve homens excepcionais com visão espiritual que, por causa de seus dons naturais, foram capazes de escrever as Escrituras. Esta é a noção mais baixa de inspiração, pois enfatiza a autoria humana a ponto de excluir a autoria divina. Esta teoria foi defendida pelos pelagianos e unitarianos.
4) Teoria da Inspiração Mística ou Iluminação: Afirma que inspiração é simplesmente uma intensificação e elevação das percepções religiosas do crente. Cada crente tem sua iluminação até certo ponto, mas alguns têm
״ OLIVEIRA, Raimundo de. As grandes doutrinas da Bíblia. 9° ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. p. 21.
20 Idem, p. 20.
״ Idem, p. 21-22.
CURSO DE TEOLOGIA 83
M Ó D U L0 1 I DOUTRINA DA BIBLIA
mais do que outros. Se esta teoria fosse verdadeira, qualquer cristão em qualquer tempo, através da energia divi- na especial, poderia escrever as Escrituras. Schleiermacher foi quem disseminou esta teoria. Para ele inspiração é “um despertamento e excitamento da consciência religiosa, diferente em grau e não em espécie da inspiração piedosa ou sentimentos intuitivos dos homens santos”. Lutero, Neander, Tholuck, Cremer, F. W. Robertson, J. F. Clarke e G. T. Ladd defendiam esta teoria, segundo Strong.
5) Inspiração dos Conceitos e não das Palavras: Esta teoria ensina que Deus inspirou apenas as idéias da Bíblia, mas não suas palavras, estas ficaram por conta dos escritores. Ora, na lógica, uma idéia ou pensamento inspirado só pode ser expresso por palavras inspiradas. A inspiração da Bíblia, além de ser pensada, foi falada, isto é, Deus inspirou os ho- mens a escreverem, pela inspiração do Espírito Santo, sua idéia pensada através das faculdades mentais, que registraram por estilo próprio os desígnios de Deus. Portanto, essa teoria é considerada falaciosa.
6) Inspiração Verbal Plenária: E 0 poder inexplicado do Espírito Santo agindo sobre os escritores das Sagradas Es- crituras, para orientá-los (conduzi-los) na transcrição do registro bíblico. “Deus os usou tal qual, com seu caráter e tem- peramento, seus dons e talentos, sua educação e cultura, seu vocabulário e estilo; iluminou suas mentes, os impulsionou a escrever, excluindo a influência do pecado sobre suas atividades literárias”,21 preservando, desse modo, a inerrancia das Escrituras e dando a ela autoridade divina.
Esta teoria é seguida pela maioria dos estudiosos, sendo a mais correta em relação à inspiração da Bíblia. Ensina que todas as partes da Bíblia são igualmente inspiradas; que os escritores não funcionaram como máquinas inconscien- tes, mas houve uma cooperação vital entre eles e o Espírito de Deus que os capacitava. Esses homens escreveram a Bíblia com as palavras de seu vocabulário, porém sob uma influência tão poderosa do Espírito Santo, que o que eles es- creveram foi a Palavra de Deus. A inspiração plenária cessou ao ser escrito o último livro do Novo Testamento. Depois disso, nem mesmo escritores, nem qualquer servo de Deus, podem ser chamados de inspirado no mesmo sentido.
PROVA DA INSPIRAÇÃO DA BÍBLIA
Dentre as mais variadas provas da inspiração da Bíblia, a mais contundente é 0 testemunho de Jesus sobre ela. Ele também afirmou que as Escrituras são a verdade (João 17.17). Ele viveu e procedeu em conformidade com elas (Lucas 18.31). Declarou que 0 escritor Davi falou pelo Espírito Santo (Marcos 12.35-36). Venceu o diabo no deserto com a Palavra de Deus (Mateus 4.9-10). Ele declarou que “aquele Consolador, o Espírito Santo, que 0 Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo que vos tenho dito” (João 14.26). No mesmo evangelho 0 Senhor Jesus disse ainda que 0 Espírito Santo os guiaria “em toda verdade”. Portanto, no Novo Testamento temos a essência da revelação divina.
Jesus, nos seus ensinos, citou pelo menos quinze livros do Antigo Testamento e fez alusão a muitos outros. Tanto no modo de falar quanto nas declarações específicas, demonstrava com clareza a sua estima pelas Escritu- ras do Antigo Testamento como Palavra de Deus. Era a Palavra e 0 mandamento de Deus (Marcos 7.6-13).
O mestre da Galiléia reivindicava a autoridade divina, não somente para as Escrituras do Antigo Testamento como também para seus próprios ensinos. O que ouve as suas palavras e as pratica é sábio (Mateus 7.24), porque os seus ensinos provêm de Deus (João 7.15-17; 8.26-28; 12.48-50; 14.10).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 7
1) O que é a forma e 0 resultado da inspiração?
2) Defina a Teoria da Inspiração Dinâmica.
3) Defina a Teoria do Ditado ou Mecânica.
4) Defina a Teoria da Inspiração Natural ou Intuição.
5 Defina a Teoria da Inspiração Mística ou Iluminação.
6) Defina a Inspiração dos Conceitos e não das Palavras.
7) Defina a Inspiração Verbal Plenária.
8) Dentre as mais variadas provas da inspiração da Bíblia, qual é a mais contundente?
84 CURSO DE TEOLOGIA
MÓDULO ־ ־ . ־ ,NA DA BIBLIA
0 SURGIMENTO DA ESCRITA
O surgimento da escrita — no quarto milênio antes de Cristo — significou o advento de uma tecnologia fun- damental para o desenvolvimento do ser humano na face da Terra. Ao preservar seus pensamentos, técnicas e emoções numa série de traços, o homem foi capaz de acumular e produzir conhecimentos que, mais tarde, dariam origem à filosofia, às ciências e às artes e principalmente transmitir a revelação de Deus aos homens.
O que se sabe, hoje, é que entre os sumérios a escrita surgiu a partir da necessidade de se registrar os bens materiais e as transações comerciais dos templos administrados pelos sacerdotes. A escrita era fundamental para a contabilidade do templo. Deveríam ser registrados, por exemplo, quantas ovelhas foram fornecidas a um pastor ou quantos jarros de sementes haviam sido entregues. Esta contabilidade era feita em tabuinhas de argila onde eram traçados caracteres (figuras ou sinais como um jarro, uma cabeça de touro, triângulos) e números.
No início, os desenhos tinham apenas um significado específico, porém essas figuras (ou pictogramas) so- freram alterações ao longo do tempo e se transformaram. Os sinais foram simplificados e abreviados e já não podiam mais ser reconhecidos como a imagem de um objeto específico. A figura que representa um jarro, por exemplo, já não tinha mais semelhança com 0 desenho de um jarro. Os sinais adquiriram significados mais am- pios, transformando-se em ideogramas e sendo usados para representar sons (fonogramas).22
A escrita deixou de ser apenas uma convenção restrita a um grupo de sacerdotes; ela tinha de ser ensinada e aprendida, tomando-se um sistema aceito pela sociedade sumeriana como um todo. Surgiram então pessoas que tinham como função fazer o trabalho de anotação, que tinham de conhecer o sistema de escrita, conhecidas como escribas (podemos dizer que são os primeiros funcionários públicos, exercendo funções burocráticas).
Assim, a escrita pictográfica sumeriana do período Uruk foi reduzida a formas angulares mais convenientes para imprimir nas tabuinhas de argila úmida com o auxílio de um pequeno junco. A escrita cuneiforme, como passou a ser denominada, foi desenvolvida originariamente para escrever a língua suméria, porém foi adotada por outros povos como os acadianos, eblaitas, elamitas, hititas etc.
CUNEIFORME E HIERÓGLIFOS
A Mesopotâmia — a região entre os rios Tigre e Eufrates, no Oriente Médio —, segundo os pesquisadores, teria sido 0 lugar em que surgiram os primeiros rudimentos da escrita. A História nos informa que o mais antigo sistema de escrita nasceu por volta do ano de 3100 a.C., no sul da Mesopotâmia, como resultado do processo de assimilação entre os sumérios e os povos semitas da Arábia.
Em conformidade com o que já havíamos dito anteriormente, o processo teve início a partir de uma imagem simples, a qual evoluiu para um símbolo pictográfico fonetizado, para só mais tarde se constituir numa palavra.
Segundo os achados arqueológicos, as mais antigas inscrições descobertas até hoje foram achadas em Uruk — a atual cidade de Warka, no sul do Iraque — e datam de 3.300 antes de Cristo. Como os sinais eram formados por um junco ou cabo de madeira que deixava um traçado semelhante a uma cunha, esse tipo de escrita recebeu o nome de cuneiforme — derivado do termo latino cuneus, que significa “cunha”.
Usado para controlar as mercadorias que entravam e saíam dos palácios e templos mesopotâmicos, 0 cunei- forme era inicialmente uma escrita pictográfica: a idéia de boi, por exemplo, era representada por sinais que lembravam a cabeça desse animal, enquanto o desenho do sol surgindo no horizonte significava 0 dia.
No segundo milênio antes de Cristo, a escrita cuneiforme tomou-se corrente em todo o Oriente Próximo,
22 SOARES, E$equia$. Op. cit., p. 12.
CURSO DE TEOLOGIA 85
M Ó D U L 0 1 I D O U T R IN A D A BÍBLIA
tanto que passou a gravar não apenas a língua dos sumérios — os primeiros habitantes da região —, mas também a dos semitas, assírios e babilônios.
Não só as placas de argila, mas também peças de marfim e pequenas tábuas de madeira eram utilizadas para a transmissão de seus pensamentos. Inicialmente concebido para responder a propósitos administrativos (leis, édi- tos, contabilidade dos comerciantes e dos Estados), a escrita depressa extravasou seu primeiro objetivo passando a ser utilizada para outros fins e principalmente para transmitir a revelação de Deus aos homens.
AS ORIGENS DO ALFABETO
Quando falamos da passagem da escrita ideográfica para a escrita alfabética, em que cada letra representa um som numa linguagem de letras que se combinam para formar palavras, nâo devemos falar de uma descoberta, mas antes de um lento processo evolutivo.
Muito embora não haja datas precisas, existem vestígios que apontam que as primeiras tentativas de criar uma nova forma de escrever, mais rápida e fácil de aprender, tenham ocorrido entre 0 povo de Ugarit (Síria), que desenvolveu um alfabeto composto por vinte e cinco a trinta signos cuneiformes, e também entre uma população da costa siro-palestina (os fenicios), que compuseram um alfabeto com vinte e duas letras.
Entretanto, há vestígios de uma escrita alfabética anterior ao sistema desenvolví- I do por aqueles povos. Essa escrita é denominada proto-sinaítica. Os únicos exemplos dela conhecidos são cerca de 30 inscrições datadas do ano de 1500 a.C., encontradas i no Templo de Serabit el Khadim, na península do Sinai, “região em que viveu Moisés, 0 grande legislador do povo hebreu, e a data coincide com a que viveu Moisés”.23
A escrita de Ugarit — descoberta nas ruínas da cidade de Ugarit — representa 0 início do processo de democratização do saber. Explica-se: os sistemas que precede- ram essa forma de escrita utilizavam um sinal para cada palavra ou sílaba — o que j tomava necessária uma quantidade imensa de sinais, acessíveis apenas a iniciados nessa técnica.
A escrita de Ugarit — que é gravada na forma de cuneiformes e por isso é ί vista como um “cuneiforme alfabético” — facilitou as coisas. Ela tem 30 sinais, cada um deles designando uma letra, como nos alfabetos modernos. Os escribas ! de Ugarit conheciam 0 alfabeto proto-sinaítico e aplicaram o seu princípio usan- do cuneiformes, que se tomaram assim muito mais simples do que os primeiros cuneiformes mesopotâmicos. O ugarítico — datado do século 14 antes de Cristo
— é 0 mais antigo alfabeto completo conhecido.
Entretanto, foi, de fato,
com os fenicios que 0 al- fabeto se expandiu. Além J de ter sido amplamente di- vulgado pelo mundo antigo
— e servido para gravar lín- guas como 0 aramaico e 0 hebreu antigos, por exemplo —, 0 alfabeto fenicio inspirou outros povos a criar seus próprios alfabetos, entre eles os gregos. O mais famoso resultado desse processo é 0 alfabeto grego, em grande parte devedor da invenção fenicia. Com 22 sinais, 0 alfabeto fenicio foi utilizado por volta do final do século 12 antes de Cristo.
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Alfabeto cuneiforme de Ugarit
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Homs
n
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Damasco
Biblo
Beirut ׳
Sidoj|£
Tir*
n
Haifa
Jerusalem
Mapa de Ugarit e redondezas.
!3 Idem, p. 12.
86 CURSO DE TEOLOGIA
MÓDULO! I D O U T R IN A DA BÍBLIA
OS IDIOMAS DA BÍBLIA
Burmes
Siamés
Javanés
Singales
Tibetano
Kashmir
Gujarati
Marathi
Bengali
Malaio
J Tamel Lcanares
Hebraico
Siriaco
Mongol
Árabe
Pahlevi
Armenio
Georgio
Etíope ^ Amharico Pali
Saboean <
Nagan
Grego
Latin
Russo
sCopta
Fenicio <
Os judeus são conhecidos como o “povo do Livro”, devido ao seu zelo em preservar as revelações do único Deus.
Assim a história da língua hebraica, que é uma língua semítica (da______________________________________
família affo-asiática de idiomas), é a crônica de milhares de anos.
Quando os hebreus chegaram a Canaã, pelo relato bíblico, já havia na terra certo desenvolvimento literário, como, por exemplo, 0 alfa- beto fenicio (do qual se derivou o hebraico), que já existia no século XV a.C. Os judeus chegaram lá por volta do século XIII a.C.
Um documento desta época é 0 calendário de Gezér, que data mais ou menos do ano 1000 a.C. Este calendário é 0 mais antigo registro do hebraico escrito, encontrado na Pa- lestina. Foi descoberto nas escavações conduzidas por R. A.
S. Macalister de 1902 a 1905 e de 1907 a 1909. É uma indi- cação de datas para uso dos agricultores.
Outro documento muito antigo é o sarcófago do Rei Airam, ______
que contém uma inscrição datada dos séculos XIV ou XV a.C., em Biblos. em Ugarit (em 1929), onde estão escritos alguns poemas semelhantes aos XV a.C.
Há ainda umas tabuletas encontradas salmos, datando dos séculos XIV ou
Quase todos os 39 livros do Antigo Testamento foram escritos em hebraico, exceto algumas passagens de Esdras, Jeremias e Daniel, que foram escritas em aramaico. A mais extensa é em Daniel, que vai de 2.4 a 7.28. A língua hebraica é chamada no Antigo Testamento “língua de Canaã” (Isaías 19.18) e “língua judaica” ou “judai- co” (2 Reis 18.26,28; Isaías 36.13). Como a maior parte das línguas do ramo semítico, 0 hebraico lê-se da direita para a esquerda. O alfabeto compõe-se de 22 letras, todas consoantes.
A atual escrita hebraica (chamada “hebraico quadrado”) é cópia do aramaico e entrou em uso pouco antes da nossa era, em substituição ao hebraico arcaico. Os Targuns 0 denominam de “língua de Canaã” (Isaías 19.18),
Alfabeto hebraico
e no Antigo Testamento é chamado “judaico” (Isaías 36.13, 2 Reis 18.26-28).
O idioma “aramaico”, segundo a tradição judaica, teria vindo de Arã, filho de Sem e neto de Noé. Arã foi o pai da antiga civilização dos arameus, que falavam 0 aramaico. A língua aramaica, junta- mente com 0 acádico árabe e fenicio, constitui a família de língua semítica dos habitantes das tribos nômades da Mesopotâmia e de todo 0 Oriente Médio.
Muito parecido com 0 hebraico, 0 aramaico tomou-se a língua comum na Palestina depois do cativeiro babilónico. A influência do aramaico foi tão grande sobre o hebraico que depois do cativeiro do reino de Israel, em 722 a.C., a nação israelita começou a sentir a influência do idioma corrente das potências mundiais. Em 536 a.C., quando Israel começou a regressar do exílio, já havia adotado 0 ara- maico como língua nacional.
Encontramos algumas palavras aramaicas preservadas no Novo
Evolução das letras do nome “Davi” ■ David Dalet Vav □alet
ATA Fenicio
i I 1
Proto-hebraico
i
Hebraico
atual (escrita assina)
ד
i 1׳
ר ז
Aramaico
CURSO DE TEOLOGIA 87
M Ó D U L 0 1 1 DOUTRINA DA BÍBLIA
Testamento: Talitá cumi (menina, levanta-te), em Marcos 5.41; Efatá (abre-te), em Marcos 7.34; Eli, Eli lamá sabactâni (Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?), em Mateus 27.46. Em Romanos
8.15 e Gálatas 4.6 o apóstolo Paulo usou abba (Pai). O aramaico é também chamado “siríaco”, no Norte (2 Reis 18.26; Esdras 4.7; Da- niel 2.4 ARC), e também “caldaico”, no Sul (Daniel 1.4).
Devido aos hebreus terem adotado o aramaico como língua nació- nal, no Novo Testamento esta passou a chamar-se “hebraico”, confor- me se lê em Lucas 23.38; João 5.2; 19.13,17,20; Atos 21.40; 26.14.
0 nome de Jesús em aramako ־ língua falada por ele.
GREGO
O alfabeto grego baseia-se no alfabeto fenicio desenvolvido por volta de 1050 a.C., tanto que os antigos gregos chamavam as letras de “letras dos fení- cios” (γρ. τών Φοινίκων τά γράμματα). Os gregos tiveram muitos contatos comerciais com os fenicios, especialmente durante o séculoΊΧ, na região siro- palestina.
Durante o Período Helenístico, os gregos já falavam um dialeto “comum”, conhecido por koi- né (gr. κοινή διάλεκτος), derivado do dialeto ático. Segundo 0 professor Trebolle Barrera, “é preciso advertir que era koiné a língua vulgar do povo como a língua culta dos escritores da época (Políbio, Estrabão, Filón, Josefo e Plutarco)”.24 O dialeto comum, às vezes chamado de dialeto alexandrino, tomou-se a lín- gua comum de todo 0 mundo mediterrâneo, helenizado pelas conquistas de Ale- xandre III da Macedonia, e foi utilizado durante muitos séculos, inclusive durante 0 Período Bizantino. O grego moderno deriva dele.
αβγδεζ
ηθικλμ
νξοπρσ
τυφχψω
Alfabeto grego minúsculo
Fragmento do evangelho de João
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 8
1) Quando surgiu a escrita?
2) Quem eram os escribas?
3) Onde surgiram os primeiros mdimentos da escrita?
4) Onde foram encontradas as mais antigas inscrições descobertas até hoje?
5) O que veio representar a escrita de Ugarit?
6) Qual é 0 mais antigo alfabeto completo conhecido?
7) Com quem 0 alfabeto se expandiu?
8) O hebraico, língua semítica, é membro de qual família?
9) Quase todos os 39 livros do Antigo Testamento foram escritos em hebraico, exceto…
10) O idioma “aramaico”, segundo a tradição judaica, teria vindo de quem?
11) Quais palavras aramaicas encontramos preservadas no Novo Testamento?
12) Como os antigos gregos chamavam as letras? 14
14 BARRERA, Julio Trebolle. Op. cif., p. 84.
88 CURSO DE TEOLOGIA
M Ó D U L 0 1 I DOUTRINA DA BÍBLIA
MATERIAIS USADOS
Os sistemas de escrita, do hieróglifo e cuneiforme até os alfabetos fenicio, grego, latino, formaram-se, aper- feiçoaram-se e difundiram-se lenta e trabalhosamente. Os materiais utilizados para a difusão da escrita foram dos mais variados, de blocos de barro a ossos, pedras, tijolos de barro, couro, metais, tabuinhas cobertas de cera ou gesso, óstraco (cacos de vasos de barro), papiros e pergaminhos.
Vários desses objetos foram encontrados no Egito e na Mesopotâmia, e últimamente ao derredor do mar Morto. Graças a essas descobertas, hoje se conhece em detalhes a evolução da escrita dos diversos alfabetos da região siro-palestina e, em concreto, a evolução da escrita do alfabeto hebraico. Aqui destacaremos alguns dos materiais usados nesse processo de conhecimento:
Pedra – foi empregada no Egito, Síria, Mesopotâmia, Israel e outros países. Os caracteres – cuneiformes ou hieróglifos – eram gravados, por exemplo, o Código de Hamurábi, sobre a pedra.
O Código de Hamurábi expõe leis e punições caso estas não sejam respeitadas. A ênfase é dada ao roubo, agricultu- ra, criação de gado, danos à propriedade, direitos da mulher, direitos da criança, direito do escravo, assim como assassi- nado, morte e injúria. A punição ou pena é diferente para diferentes classes de ofensores e vítimas. As leis não tole- ram desculpas ou explicações para erros ou falhas: o código era exposto livremente à vista de todos, de modo que ninguém pudesse alegar ignorância da lei como desculpa.
Tabuinha de barro ou argila – devido ao seu baixo valor econômico, a argila …
… , , . _ Placa de barro com escritas
tomou-se um tipo de material muito usado para a escrita. Este material influenciou
. _ . .. , . .. ^ . cuneiforme dos súmenos
na evolução da escrita pictográfica ate chegar aos sinais cuneiformes. Foi usado
pelo profeta Jeremias (17.13) e pelo profeta Ezequiel (4.1). Dois tipos de cerâmica têm sido encontrados pelos arqueólogos: seca ao sol e seca ao fomo Segundo o pesquisador Trebolle Barrera, seu “uso estendeu- se por todo o Oriente. A tabuleta converteu-se num instrumento do correio internacional, como mos- tram as cartas de Tell-Amarna”.23
!Madeira – este material era bastante usado pelos antigos. Al- guns estudiosos acreditam que esse tipo de material foi usado pelo pro- feta Isaías (30.8), Habacuque (2.2) e por Zacarias, pai de João ׳Batista
(Lucas 1.63).
Tablete de argila de Ebla
Fragmento de uma tábua cuneiforme de Ugarit
״ Idem, p. 103.
CURSO DE TEOLOGIA 89
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Manuscrito em papiro
Fragmento de Jó 42.
Papiro – grande planta da família das ciperáceas (Cyperus papyrus), própria das margens alagadiças do rio Nilo, na África, cujos talos compri- dos forneciam hastes das quais se obtinha 0 papiro, material sobre 0 qual se escrevia. Cortavam-se seus talos em tiras finas, sobrepostas umas às outras em sentidos cruzados, e depois de levadas ao sol eram raspadas e polidas tomando-se material propício para a escrita. Devido ao baixo custo, tor- nou-se um material muito utilizado.
Foi 0 material que 0 apóstolo João usou para escrever 0 livro de Apocalipse (5.1) e suas cartas (2 João 12). As obras gravadas em papiro eram dispostas na forma de rolos, uma prática que reinou absoluta até 0 início da era cristã, e 0 surgimento dos códices, que, com suas páginas superpostas e por vezes encadernadas, foram os avós dos livros como nós os conhecemos.
Velino, pergaminho e couro – estes termos são usados intercambia- velmente para 0 mesmo produto, diferenciando apenas o tipo de material. O velino era preparado originalmente com pele de bezerros e antílopes, enquanto o pergaminho era de pele de ovelhas e cabras. O uso do couro remonta ao início do terceiro milênio a.C. Durante 0 século II a.C., sua técnica de preparação adquiriu grande perfeição na cidade de Pérgamo, da qual tomou seu nome.
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 9
1) Quais foram os materiais utilizados para a difusão da escrita?
2) Onde foi empregada a pedra para a escrita?
3) Por que a argila tomou-se um tipo de material muito usado para a escrita?
4) Quais profetas usaram a madeira para escrever?
5) As obras gravadas em papiro eram dispostas de que forma?
6) A técnica de preparação do pergaminho adquiriu grande perfeição na cidade de…
90 CURSO DE TEOLOGIA
. ^ U i 0 I : DOUTRINA DA BÍBLIA
MANUSCRITOS
Alguns escritos originais, tanto do Antigo quanto do Novo Testamento, se perderam ao longo dos séculos por vários motivos. Os textos que temos hoje são cópias tiradas de outras cópias até chegarem à formatação que temos atualmente.
O termo manuscrito vem do latim manus, “mão”, e scriptus, “escrita”, a saber, um documento escrito à mão. Essa palavra, como é usada hoje, está restrita àquelas cópias da Bíblia feitas no mesmo idioma em que foram originalmente escritas.
Os escritos originais, autênticos, saídos das mãos de um profeta ou apóstolo, ou de um amanuense (sempre sob a direção do homem de Deus), eram chamados de autógrafos. Devido às perseguições que houve antes e depois de Cristo, os escritos sagrados originais desapareceram. Entretanto, existiam várias cópias e também tra- duções das Escrituras que sobreviveram aos muitos ataques.
Devido ao seu zelo, os estudiosos judeus (escribas, zugot, tanaítas etc.) conseguiram preservar inacreditável- mente suas tradições textuais. Os milhares de manuscritos hebraicos, com sua confirmação pela Septuaginta e pelo Pentateuco samaritano, e as várias outras comparações de fora e de dentro do texto, dão apoio surpreendente à confiabilidade do texto do Antigo Testamento.
Da mesma maneira, a fidelidade do texto do Novo Testamento é um fato, contando com evidências esmaga- doras para apoiar sua confiabilidade.
Contando apenas as cópias gregas, o texto do Novo Testamento é preservado em aproximadamente 5.686 porções manuscritas parciais e completas que foram copiadas a mão a partir do século I até o século XV. Além dos manuscritos gregos, há várias traduções do grego, sem mencionar citações do Novo Testamento. Contando com as principais traduções antigas em aramaico, copta, árabe, latim e outras línguas, há 9 mil cópias do Novo Testamento. Isso dá um total de mais de 14 mil cópias do Novo Testamento. Além disso, se compilarmos as milhares de citações dos pais da igreja primitiva dos séculos 11 a IV, pode-se reconstruir todo o Novo Testâmento com exceção de onze versículos.26 27
Analisando as causas do desaparecimento dos manuscritos originais, 0 professor Antonio Gilberto relacionou as seguintes causas:
1. O costume dos judeus de enterrar todos os manuscritos estragados pelo uso ou qualquer outra coisa, para evitar mutilação ou interpolação espúria.
2. Os reis idólatras e ímpios de Israel podem ter destruído muitos ou contribuído para isso (veja 0 episódio de Jeremias 36.20-26).
3. O monstro Antíoco Epifânio. rei da Síria (175-164 a.C.). dominou sobre a Palestina durante seu reinado. Foi extremamente cruel, sádico, tinha prazer em aplicar torturas. Decidiu exterminar a religião judaica. Assolou Jerusalém em 168, profanou o Templo e destruiu todas as cópias que achou das Sagradas Escrituras.
4. Nos dias do feroz imperador Diocleciano (284-305 d.C.), os perseguidores dos cristãos destruíram quan- tas cópias acharam das Escrituras. Durante dez anos, Diocleciano mandou vasculhar o Império para des- truir todos os escritos sagrados. Ele chegou a julgar que tivesse destruído tudo, pois mandou cunhar uma moeda comemorando tal “vitória”.2
26 GEISLER, Norman. Enciclopédia de apologética – respostas aos críticos da fé cristã. São Paulo: Vida, 2002, p. 645.a
27 GILBERTO, Antonio. A Bíblia através dos séculos. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, p. 77.
CURSO DE TEO LO GIA
M ÓDUL01 I DOUTRINA DA BÍBLIA
NOMENCLATURA DOS DOCUMENTOS TEXTUAIS
O primeiro a introduzir uma classificação e uma nomenclatura sistemática dos documentos textuais neotes- tamentários foi Johann Jakob Wettstein, em 1751-1752. Diferenciou entre manuscritos maiusculos (designados com letras maiúsculas: A = Codex Alexandrinos, B = Codex Vaticanus), minúsculos (contagem com números arábicos) e lecionários (contagem como nos minúsculos).
O sistema, até hoje em vigor, de contagem e denominação dos manuscritos do Novo Testamento foi introdu- zido em 1908 pelo aluno de Tischendorf, C. R. Gregory. De acordo com ele, os papiros são caracterizados por uma letra P anteposta ao número (ex.: P4Í), os maiúsculos por um “ 0” anteposto (ex.: 01 א), os minúsculos e
lecionários de forma contínua, sendo a letra/colocada antes dos números dos lecionários (f 13).
Os manuscritos do Novo Testamento podem ser classificados de acordo com seu conteúdo, com a forma de sua letra ou com 0 material com que foram escritos.
CLASSIFICAÇÃO
Os manuscritos estão classificados, segundo a forma em que estão escritos, em duas categorias:
Uncíais (do latim uncia, polegada) – são designados assim por serem escritos em caracteres maiúsculos, em velino e pergaminho, sem separação de palavras, como se escrevéssemos JESUSFILHODEDAVI. Constituem os escritos mais importantes do Novo Testamento, por serem os mais antigos, que perduraram até o século IX. Segundo 0 apologista Norman Geisler, “existem 274 manuscritos uncíais” atualmente conservados, dentre os quais mencionaremos alguns adiante.28
Cursivos – são escritos em letra minúscula, predominantemente no grego, também com palavras ligadas entre si. Dos 4.500 manuscritos existentes, cerca de 300 são uncíais e o restante cursivo. A partir do século IX, preva- leceram em face dos uncíais, sendo catalogados em número de 2.795 cópias.29
OS GRANDES CÓDICES UNCIAIS
Até 0 século IX os manuscritos uncíais eram os únicos utilizados nos manuscritos do Novo Testamento. Foram catalogados 268 manuscritos uncíais do Novo Testamento, diz Barrera.30 Por serem os mais antigos, são considerados as fontes mais importantes no estudo do Novo Testamento. Quanto mais antiga a cópia, mais pró- xima da composição original ela está e menos erros dos copistas apresenta. A maior parte do Novo Testamento é preservada em manuscritos feitos menos de duzentos anos após o original (P45, P46, P47), sendo alguns livros do Novo Testamento de pouco menos de cem anos após a sua composição (P66), e um fragmento (P52) datado de apenas uma geração após o século I.
O número de manuscritos do NT, de traduções antigas dele e de citações dele nos autores mais antigos da igreja
é tão grande que é praticamente garantido que a leitura correta de toda passagem duvidosa é preservada em uma
ou outra dessas autoridades antigas. Não se pode dizer isso sobre nenhum outro livro antigo no mundo.31
Os manuscritos uncíais mais importantes são os seguintes:
Manuscrito Sinaítico – Códice Alef (X/2
Escrito na primeira metade do século IV, 0 Códice Sinaítico (S) foi descoberto em 1844 pelo Dr. Lobegott Friedrich Constantine von Tischendorf (1815-1874), na biblioteca do convento de Santa Catarina, no Sinai. Nesse
״ BARRERA, Julio Trebolle. Op. (it., p. 644.
” Idem, p. 644.
30 Idem, p. 407.
31 KENYON apud GEISLER, op. (it., p. 644-645.
31 Códke, segundo 0 dkionário Aurélio, é a forma (arasterístka do manus(rito em pergaminho, semelhante à do livro moderno, e assim denominada por oposição à forma do rolo.
92 CURSO DE TEOLOGIA
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mesmo ano, ele descobriu 43 folhas de velino contendo porções da Septuaginta (1 Crônicas, Jeremias, Neemias e Ester). Este pesquisador percebeu que as páginas desse manuscrito eram utilizadas pelos monges para acender fogo. Adquiriu esse material e os levou para a Biblioteca da Universidade de Leipzig, na Alemanha, onde se en- contra, sendo conhecido como Códice Frederico-Augustano. Quinze anos mais tarde, prestes a retomar para sua casa, o dirigente do mosteiro mostrou-lhe uma cópia quase completa das Escrituras e alguns outros livros.
Escrito em grego, ele contém grande parte do Antigo Testamento (LXX) e todo Novo Testamento (com ex- ceção de Marcos 16.9-20 e João 7.58-8.11), juntamente com os apócrifos, mais a Carta de Barnabé e Pastor de Hermas. É 0 único que contém o Novo Testamento completo. Desde 1933 encontra-se no museu Britânico. É considerado a testemunha mais importante do texto por sua antiguidade, precisão e ausência de omissão.
Manuscrito Alexandrino – Códice A
Este manuscrito data do século V (cerca de 450 d.C.). Embora contenha tanto o Antigo como 0 Novo Testa- mento, faltam algumas passagens de Mateus, João e 2 Corintios, mas é 0 melhor testemunho existente do texto de Apocalipse. Em 1078 esse códice foi dado de presente ao patriarca de Alexandria, que lhe deu a designação que ostenta até hoje. Encontra-se na Biblioteca Nacional do Museu Britânico em Londres, na Inglaterra. Não chega a alcançar 0 elevado padrão dos manuscritos Vaticano e Sinaítico.
Manuscrito Vaticano – Códice B
Este famoso uncial em velino, datado do início do século IV (350, possivelmente 325 d.C.), está escrito em grego e contém 0 texto completo da Septuaginta. com exceção dos livros dos Macabeus e da Oração de Manas- sés. No Antigo Testamento está faltando Gênesis 1.1 – 46.28, 2 Reis 2.5-7, 10.13 e Salmos 106.27 – 136.6. No Novo Testamento faltam Marcos 16.9-20. João 7.53-8.11, de 1 Timóteo a Filemon, Hebreus 9.14 até o final do Novo Testamento.
Não era conhecido pelos estudiosos textuais até 1475, quando foi catalogado na Biblioteca do Vaticano, em Roma, pertencente à Igreja Católica Romana. Contém 759 folhas, sendo 617 no Antigo Testamento e 142 no Novo Testamento.
Manuscrito Ephraemi Rescriptus – Códice C
Também conhecido como códice palimpsesto. Este manuscrito continha todo o Antigo e o Novo Testamento. Conservam-se atualmente somente os textos de Jó. Provérbios, Eclesiastes, Sabedoria, Eclesiástico e Cântico dos Cânticos, e do Novo Testamento ainda preservam-se parte de todos os livros, exceto 2 Tessalonicenses e 2 João. Suspeita-se que se originou de Alexandria, no Egito, e é datado do início do século V (por volta de 450).
Este manuscrito foi raspado, por isso é chamado de palimpsesto. O texto sagrado foi apagado para que nesses pergaminhos se escrevessem os sermões de Ephraem (299-378), pai da igreja do século IV. Por esta razão foi chamado de Manuscrito Ephraemi Rescriptus.
Por meio de solução química, o Dr. Tischendorf foi capaz de decifrar as escritas quase invisíveis dos perga- minhos. Esse manuscrito está conservado na Biblioteca Nacional de Paris.
Manuscrito Bezae – Códice D
Também chamado de Códice de Cambridge, datado por volta do século V ou VI. Este é 0 mais antigo ma- nuscrito conhecido escrito em dois idiomas: é um códice greco-latino. A página esquerda é em grego, enquanto 0 texto correspondente em latim fica do lado oposto, à direita. Foi descoberto em 1562, por Teodoro de Beza, teólogo francês, no Mosteiro Santo Irineu. Lyon. na França. Com algumas omissões, contém os Evangelhos e Atos, os primeiros na ordem chamada ocidental: Mateus. João. Lucas. Marcos. Em 1581, Beza o entregou à Universidade de Cambridge.
CURSO DE TEOLOGIA
M Ó DULO 1 1 DOUTRINA DA BÍBLIA
MANUSCRITOS CURSIVOS
O maior número de manuscritos neotestamentários é formado por minúsculos, surgidos no século IX e cujo exemplar mais antigo passível de ser datado é do ano de 835.33 O termo cursivo designa os manuscritos confec- cionados em escrita cursiva (minúscula), a partir do século IX, com o início da reforma da escrita, perdurando até o século XV, com a invenção da impressão.
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM CAPÍTULO 10
1) 0 termo manuscrito vem de que idioma e 0 que significa?
2) O que eram os autógrafos?
3) Quem foi o primeiro a introduzir uma classificação e uma nomenclatura sistemática dos documentos
textuais neotestamentários?
4) Os manuscritos do Novo Testamento podem ser classificados?
5) O que são manuscritos uncíais?
6) O que são manuscritos cursivos?
7) Quantos manuscritos uncíais do Novo Testamento foram catalogados?
8) Cite dois manuscritos uncíais mais importantes.
9) O termo cursivo designa o quê?
“ Cf. KÜMMEl, Werner Georg. Introdução ao Novo Testamento. 3’ ed. São Paulo: Paulus, 2004, p. 693.
94 CURSO DE TEOLOGIA
M ÓDULO 1 1 DOUTRINA DA BÍBLIA
TRADUÇÕES
As traduções têm origem nas necessidades do culto. Originalmente eram feitas leituras dos textos bíblicos, na maior parte das vezes improvisadas, e destinavam-se a esclarecer para os ouvintes 0 sentido original dos textos da Escritura. Com 0 tempo, passaram a ser escritas e organizadas em livros completos correspondendo às gran- des unidades bíblicas.
A transmissão da revelação da parte de Deus para os homens gira em tomo de três fases históricas significad- vas: a invenção da escrita antes de 3000 a.C.; o início das traduções antes de 200 a.C.; 0 surgimento da impressão antes de 1600 d.C.
Depois dos manuscritos, a próxima forma mais importante das Escrituras, que dá testemunho da sua antiguidade, são as versões. A versão é uma tradução do idioma original de um manuscrito em outro idioma. Existem inúmeras versões, mas apenas algumas serão consideradas como exemplos para este estudo. Antes, todavia, de seguirmos em frente, é necessário que entendamos com clareza certos termos técnicos da história da tradução da Bíblia.
DEFINIÇÃO E DISTINÇÃO
Em cada ramo da ciência existem termos técnicos usados para designar seu significado, e jamais devem ser confundidos, podendo causar ambígua interpretação.
Assim acontece quando 0 assunto é tradução, e em especial das Escrituras. Aquele que traslada de uma lín-‘ gua para outra deve evitar contusão desses termos. Por exemplo, tradução, tradução literal e transliteração. Esses três termos estão intimamente correlacionados. Tradução é o processo de converter uma linguagem em outra. Por exemplo, do inglês para 0 francês, esse trabalho se chamaria tradução. A tradução literal é a tentativa de expressar, com toda a fidelidade possível e 0 máximo de exatidão, 0 sentido das palavras originais do texto em que está sendo traduzido. Trata-se de uma transcrição textual, palavra por palavra. A transliteração é a versão das letras de um texto em certa língua para as letras correspondentes de outra língua. Passemos então às versões mais conhecidas.
OS TARGUNS
Targum é uma palavra de origem hitita e significa “explicar” ou “traduzir”. Após o cativeiro, o povo judeu deixou de falar 0 hebraico como língua oficial e passou a se comunicar por meio do aramaico. Então, quando as Escrituras nessa língua eram lidas em público, havia necessidade de alguém explicá-las em aramaico para que 0 povo entendesse. Essas explicações foram denominadas targuns, e mais tarde passaram da forma oral para a escrita. Devido a seu caráter, os targuns não podem ser considerados como traduções stricto sensu. Tratava-se mais de interpretação, quando muito de paráfrases.
A SEPTUAGINTA
A Septuaginta foi a primeira tradução da Bíblia hebraica para a língua grega, traduzida no reinado de Ptolo- meu II Filadelfo na cidade de Alexandria, Egito (284 – 247 a.C.). Sua importância é enorme, pois além de serum reflexo do judaísmo helenístico, também foi fonte de inspiração para os escritores do Novo Testamento e para os escritos teológicos dos Pais da Igreja.
Conta-se que setenta e dois eruditos procedentes da Palestina (seis de cada uma das doze tribos de Israel) que viajaram para Alexandria traduziram o Pentateuco do Antigo Testamento hebraico para o grego em setenta e dois dias. E necessário salientar que com 0 tempo essa palavra viría denotar a tradução para o grego de todo o Antigo Testamento hebraico.
Septuaginta significa “setenta”. A abreviação desta versão é LXX, sendo às vezes chamada de “Versão Ale-
CURSO DE TEOLOGIA 95
MÓDULO I I DOUTRINA DA BIBLIA
xandrina”. Esta é talvez a mais importante das versões, por sua data antiga e influencia sobre outras traduções. Além dos 39 livros do Antigo Testamento, ela contém os livros conhecidos como apócrifos.
Sem exceção, todas as traduções latinas da Bíblia tomaram por base a Septuaginta, sendo ela referência básica para a Igreja, perdendo essa qualidade a partir da tradução de Jerónimo.
PENTATEUCO SAMARITANO
Descoberto em Damasco, na Síria, o Pentateuco Samaritano não é uma versão do texto bíblico, mas sim um dos tipos textuais existentes no período do Segundo Templo ao lado do texto hebraico da LXX e do tipo hebraico do Texto Massorético.
Sua história está umbilicalmente ligada à história dos samaritanos, um dos habitantes mais antigos de Israel desde a destruição do reino do Norte. Atualmente seu centro religioso se encontra na cidade de Nablus (Siquém), na região da antiga Samaria.
Sua existência era desconhecida pelo mundo ocidental até 1616, quando foi descoberto em Damasco, na Síria, por Pietro della Valle. Após essa descoberta, seu texto foi incluso na Poliglota de Paris (1629*1645) e na Poliglota de Londres (1654-1657).34
As descobertas dos manuscritos de Qumran, auxiliadas pelos estudos paleográficos, textuais e históricos, provaram que 0 tipo textual do Pentateuco Samaritano não é anterior ao período hasmoneu (século II a.C.).
O Pentateuco Samaritano foi traduzido para 0 grego e 0 aramaico. A versão grega é conhecida como Samari- ticon, “citada dessa forma por Orígenes, de Alexandria (séc. III) e por S. Jerónimo (séc. IV)”.35
TRADUÇÕES SIRÍACAS
Segundo os pesquisadores, Teodoro, bispo de Cyrrhus, em 423 d.C., junto com um grupo de estudiosos, teria organizado uma versão da Bíblia em língua siríaca denominada de Antigo Siríaco. O texto do Antigo Testamento desta versão se baseia principalmente nos Targuns e os evangelhos de fontes gregas, provavelmente dos manus- critos Codex Alexandrinus e Bezae. As principais versões siríacas do Novo Testamento são as seguintes:
1. Siríaco Antigo. São conhecidos dois manuscritos principais desta obra:
a) O Syra Curetonianus é um pergaminho do século V, que se encontra no Museu Britânico. Recebeu este nome em homenagem ao Dr. Curretan, que o editou.
b) O Syra Sinaiticus é um palimpsesto do século IV, descoberto no monastério de Santa Catarina, no Sinai, em 1892.
2. Versão Peshitta. A palavra vem do siríaco “peshita”, que significa “simples” ou “comum”, tendo um mesmo correspondente no hebraico: P’shat (com o mesmo sentido). É mais conhecida como Vulgata Siríaca. Tem apenas vinte e dois livros do Novo Testamento, faltando-lhe 2 Pedro, 2 e 3 João, Judas e Apocalipse. Según- do 0 professor Russel Norman Champlin, “0 peshitto é representado por 350 manuscritos existentes, alguns dos quais recuam até aos séculos V e VI”.36
A TRADUÇÃO LATINA
Nos primordios da igreja cristã, as literaturas predominantes entre os cristãos eram em grego, embora fosse o latim 0 idioma oficial do Império Romano. A situação vai mudar a partir do segundo século no norte da África, na pessoa de Tertuliano, devido às suas obras escritas em latim.
Antes do aparecimento da Vulgata Latina, os Pais da Igreja se utilizavam da Vetus Latina (literalmente Anti- gas [Versões] Latinas), que não era uma versão latina específica, mas um conjunto de textos bíblicos latinos que os Pais latinos usavam antes da Vulgata Latina ser produzida.
31Idem, p. 348.
3s FRANCISCO, Edson de Faria. Manual da Bíblia hebraica – introdução ao Texto Massorético. São Paulo: Vida Nova, 2003. p. 174.
36 CHAMPLIN, R. N. 0 Novo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Candeia, 1995. p. 95. vol. 1.
96 CURSO DE TEOLOGIA
M Ó D U L 0 1 I DOUTRINA DA BÍBLIA
A Bíblia traduzida por Sofronius Eusebius Hieronymus (Jerónimo), a partir do texto original hebraico, ara- maico e grego para o latim é um dos principais patrimônios da cultura ocidental. No princípio, sua tradução completa da Bíblia não foi logo aceita e seus contemporâneos continuaram a utilizar os velhos textos latinos (a Vetus Latina) ainda por muito tempo.
Por volta do século III d.C., 0 latim começou a substituir o grego como língua de ensino no vasto mundo romano. Um texto uniforme e confiável era extremamente necessário para uso teológico e litúrgico. Havia muita confusão a respeito dos textos latinos da Bíblia, atochado de heresias e controvérsias. E dessa época 0 Concilio de Nicéia (325), o de Constantinopla I (381) e o de Éfeso (431).
Devido à diversidade de versões, traduções, revisões bíblicas no século IV, Damaso, bispo de Roma (366- 384), inconformado com essa situação, providenciou uma tradução do texto da Antiga Latina, encarregando Jerónimo, eminente erudito no latim, grego e hebraico, de fazer a tradução, que se denominou Vulgata Latina.
Jerónimo começou seu trabalho com uma tradução da Septuaginta em grego. Logo desistiu de seu intento, visto que a Septuaginta era considerada, inclusive por Agostinho, verdadeiramente a Palavra de Deus inspirada, inerrante, da parte de Deus, em vez de mera tradução não-inspirada baseada em originais hebraicos.
Mais tarde, sob forte oposição e com a saúde precária, voltou-se para 0 texto hebraico que estava em uso na Palestina, como texto base para sua tradução, concluindo completamente, em 405, sua tradução latina do Antigo Testamento hebraico, que não recebeu calorosa recepção de imediato.
Após a sua morte em 420, sua tradução do Antigo Testamento sobressaiu sobre as demais traduções, servindo de base para a maioria dos tradutores da Bíblia anteriores ao século XIX.
AS TRADUÇÕES PARA O PORTUGUÊS*
Segundo os registros históricos, D. Diniz (1279-1325), rei de Portugal, foi o primeiro a traduzir partes da Bíblia para 0 português. Familiarizado com 0 latim clássico, D. Diniz deliberop enriquecer sua língua materna traduzindo as Sagradas Escrituras para 0 português tomando a Vulgata como base.
Embora lhe faltasse perseverança, traduziu do latim, do próprio punho, vinte capítulos do livro de Gênesis, antes mesmo da tradução inglesa de João Wycliffe, que somente em 1380 traduziu as Escrituras para 0 inglês.
Femão Lopes afirmou, em seu curioso estilo de cronista do século XV, que D. João (1385-1433), um dos su- cessores de D. Diniz ao trono português, fez grandes letrados traduzirem os Evangelhos, os Atos dos Apóstolos e as epístolas do apóstolo Paulo, para que aqueles que ouvissem fossem mais devotados a Deus. Esses “grandes letrados’’ eram vários padres que também se utilizaram da Vulgata Latina em seu trabalho de tradução.
Enquanto esses padres trabalhavam, D. João I, também conhecedor do latim, traduziu o livro de Salmos, que foi reunido aos livros do Novo Testamento traduzidos pelos padres. Seu sucessor, D. João II, outro grande defen- sor das traduções bíblicas, mandou gravar no seu cetro a parte final do versículo 31 de Romanos 8: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?”, atestando assim quanto os soberanos portugueses reverenciavam a Bíblia.
Como nessa época a impressão ainda não havia sido inventada, os livros eram produzidos em forma manus- crita fazendo-se uso de folhas de pergaminho. Isso tomava sua circulação extremamente reduzida. Por ser tra- balho lento e caro, era necessário que ou a Igreja Romana ou alguém muito rico assumisse os custos do projeto. Ninguém mais indicado para isso que os nobres e os reis.
Outras figuras da monarquia de Portugal também realizaram traduções parciais das Escrituras. A neta do rei D. João I e filha do infante D. Pedro, a infanta Dna. Filipa, traduziu do francês para 0 português os evangelhos. No século XV foram publicados em Lisboa o evangelho de Mateus e trechos dos demais evangelhos, trabalho realizado pelo frei Bernardo de Alcobaça, que pertenceu à grande escola de tradutores portugueses da Real Aba- dia de Alcobaça. Ele baseou suas traduções na Vulgata Latina.
A primeira harmonia dos evangelhos em língua portuguesa, preparada em 1495 pelo cronista Valentim Fer- nandes e intitulada De Vita Christ¡, teve seus custos de publicação pagos pela rainha Dna. Leonora, esposa de D. João II. Cinco anos após 0 descobrimento do Brasil, Dna. Leonora mandou também imprimir 0 livro de Atos dos
* Este capítulo foi extraído da Bíblia de Referências Thompson, publicada pela Editora Vida, com algumas adaptações. 0 texto é de autoria de Jefferson Magno Costa e Abraão de Almeida.
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M ÓDUL01 I DOUTRINA DA BÍBLIA
Apóstolos e as epístolas universais de Tiago, de Pedro, de João e de Judas, que haviam sido traduzidos do latim vários anos antes por frei Bernardo de Brinega.
Em 1566 foi publicada em Lisboa uma gramática hebraica para estudantes portugueses. Ela trazia em portu- guês, como texto básico, o livro de Obadias.
No início do século XIX, o padre Antônio Ribeiro dos Santos traduziu os Evangelhos de Mateus e de Marcos, ainda hoje inéditos.
É fundamental salientar que todas essas obras sofreram, ao longo dos séculos, implacável perseguição da Igreja Romana, e de muitas delas só escaparam um ou dois exemplares, hoje raríssimos. A Igreja Romana também amaldi- çoou a todos os que conservassem consigo essas “traduções da Bíblia em idioma vulgar”, conforme as denominava.
PERÍODO DAS TRADUÇÕES COMPLETAS
Coube a João Ferreira de Almeida a grandiosa tarefa de traduzir pela primeira vez para o português o Antigo e o Novo Testamento. Nascido em 1628, em Torre de Tavares, nas proximidades de Lisboa, João Ferreira de Almeida, quando tinha doze anos de idade, mudou-se para 0 sudeste da Ásia. Após viver dois anos na Batávia (atual Jacarta), na ilha de Java, Indonésia, Almeida partiu para Málaca, na Malásia, e pela leitura de um folheto em espanhol acerca das diferenças da cristandade converteu-se do catolicismo à fé evangélica. No ano seguinte começou a pregar o evangelho no Ceilão (hoje Sri Lanka) e em muitos pontos da costa de Malabar.
Não tinha ele dezessete anos de idade quando iniciou o trabalho de tradução da Bíblia para o português, mas lamen- tavelmente perdeu seu manuscrito e teve de reiniciar a tradução em 1648.
Por conhecer 0 hebraico e o grego, Almeida pôde utilizar-se dos manuscritos dessas línguas, calcando sua tradução no chamado Textus receptus, do grupo bizantino. Durante esse exaustivo e criterioso trabalho, ele também se serviu das traduções holandesa, francesa (tradução de Beza), italiana, espanhola e latina (Vulgata).
Em 1676 João Ferreira de Almeida concluiu a tradução do Novo Testamento, e naquele mesmo ano remeteu o manuscrito para ser impresso na Batávia: todavia, 0 lento trabalho de revisão a que a tradução foi submetida levou Almeida a retomá-lo e enviá-lo para ser impressa em Amsterdã, na Holanda. Finalmente, em 1681 surgiu o primeiro Novo Testamento em português, trazendo no frontispicio os seguintes dizeres, que transcrevemos literalmente:
O Novo Testamento, isto he, Todos os Sacro Sanctos Livros e Escritos Evangélicos e Apostólicos do Novo Concerto de Nosso Fiel Salvador e Redentor Iesu Cristo, agora traduzido em português João Ferreira de Almeida, ministro pregador do Sancto Evangelho. Com todas as licenças necessárias. Em Amsterdam, por Viúva de J. V. Someren. Anno 1681.
Milhares de erros foram detectados nesse Novo Testamento de Almeida, muitos deles produzidos pela comissão de eruditos que tentou harmonizar o texto em português com a tradução holandesa de 1637. O próprio Almeida identificou mais de dois mil erros nessa tradução, e outro revisor, Ribeiro dos Santos, afirmou ter encontrado número bem maior.
Logo após a publicação do Novo Testamento, Almeida iniciou a tradução do Antigo Testamento, e, ao falecer, em 6 de agosto de 1691, havia traduzido até Ezequiel 41.21. Em 1748, o pastor Jacobus op den Akker, da Batávia, reiniciou o trabalho interrompido por Almeida, e cinco anos depois, em 1753, foi impressa a primeira Bíblia completa em português, em dois volumes. Estava, portanto, concluído o inestimável trabalho de tradução da Bíblia por João Ferreira de Almeida.
Apesar dos erros iniciais, ao longo dos anos estudiosos evangélicos têm depurado a obra de João Ferreira de Almeida, tomando-a a preferida dos leitores de fala portuguesa.
TRADUÇÃO DE FIGUEIREDO
Nascido em 1725, em Tomar, nas proximidades de Lisboa, o padre Antônio Pereira de Figueiredo, partindo da Vulgata Latina, traduziu integralmente o Novo Testamento, gastando dezoito anos nessa laboriosa tarefa. A primeira edição do Novo Testamento saiu em 1778 em seis volumes. Quanto ao Antigo Testamento, os dezessete volumes de sua primeira edição foram publicados de 1783 a 1790. Em 1819 veio à luz a Bíblia completa de Fi-
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MÓDULO 1 I DOUTRINA DA BIBLIA
gueiredo, em sete volumes, e em 1821 ela foi publicada pela primeira vez em um só volume.
Figueiredo incluiu em sua tradução os chamados livros apócrifos que o Concilio de Trento havia acrescentado aos livros canônicos em 8 de abril de 1546. Esse fato tem contribuído para que sua tradução seja ainda hoje apreciada pelos católicos romanos nos países de fala portuguesa.
Na condição de exímio filólogo e latinista, Figueiredo pôde utilizar-se de um estilo sublime e grandiloqüente, resul- tando seu trabalho em um verdadeiro monumento da prosa portuguesa. Porém, por não conhecer os idiomas originais e ter-se baseado tão-somente na Vulgata, sua tradução não tem suplantado em preferência popular 0 texto de Almeida.
A BÍBLIA NO BRASIL
Em 1847 publicou-se, em São Luís do Maranhão, o Novo Testamento, traduzido pelo frei Joaquim de Nossa Senhora de Nazaré, que se baseou na Vulgata. Esse foi, portanto, o primeiro texto bíblico traduzido no Brasil. Essa tradução tomou-se famosa por trazer em seu prefácio pesadas acusações contra as “Bíblias protestantes”, que, se- gundo os acusadores, “estariam falsificadas” e falavam “contra Jesus Cristo e contra tudo quanto há de bom”.
Em 1879 a Sociedade de Literatura Religiosa e Moral do Rio de Janeiro publicou o que ficou conhecida como A pri- meira edição brasileira do Novo Testamento de Almeida. Essa versão foi revista por José Manoel Garcia, lente do Colégio D. Pedro II, pelo pastor M. P. B. de Carvalhosa, de Campos, Rio de Janeiro, e pelo primeiro agente da Sociedade Bíblica Americana no Brasil, pastor Alexandre Blackford, ministro do evangelho no Rio de Janeiro.
Em 1898 o notável hebraísta P. R. dos Santos Saraiva publicou sua tradução dos Salmos, intitulada Harpa de Israel.
Em 1909 0 padre Santana publicou sua tradução do Evangelho de Mateus, vertida diretamente do grego. Três anos depois, J. Basilio Teles publicou a tradução do livro de Jó, com sangrias poéticas. Em 1917 foi a vez de J. L. Assunção publicar 0 Novo Testamento, tradução baseada na Vulgata Latina.
Em 1917, traduzido do velho idioma etíope, surgiu isoladamente no Brasil o livro de Amós, traduzido por Esteves Pereira. Seis anos depois, J. Basilio Pereira publicou a tradução do Novo Testamento e do Livro dos Salmos, ambos baseados na Vulgata. Por essa época surgiu no Brasil (infelizmente sem indicação de data) a Lei de Moisés (Pentateuco), edição bilingüe hebraico-portugués, preparada pelo rabino Meir Masiah Melamed.
O padre Humberto Rohden foi 0 primeiro católico a traduzir no Brasil o Novo Testamento diretamente do grego. Publicada pela instituição católica romana Cruzada Boa Esperança, em 1930, essa tradução, por estar baseada em textos considerados inferiores, sofreu severas críticas.
Todos esses anteriormente mencionados fizeram traduções parciais das Sagradas Escrituras, entretanto, pa- raídamente, a partir do ano de 1902, as sociedades bíblicas empenhadas na disseminação da Bíblia no Brasil patrocinaram nova tradução das Escrituras para o português, baseada em manuscritos melhores que os utilizados por Almeida. A comissão constituída para tal fim, composta de especialistas nos vernáculos originais, entre eles 0 gramático Eduardo Carlos Pereira, fez uso de ortografia correta e vocabulário erudito. Publicado em 1917, esse trabalho ficou conhecido como Tradução Brasileira. Apesar de ainda hoje apreciadíssima por grande número de leitores, essa Bíblia não conseguiu firmar-se no gosto do grande público.
Coube ao padre Matos Soares realizar a tradução mais popular da Bíblia entre os católicos na atualidade. Publicada em 1930 e baseada na Vulgata, essa tradução possui notas entre parênteses defendendo os dogmas da Igreja Católica Romana. Por esse motivo recebeu apoio papal em 1932.
A primeira revisão da Bíblia em português feita pela Trinitarian Bible Society (Sociedade Bíblica Trinitaria- na) foi iniciada no dia 16 de maio de 1837. Essa decisão foi tomada seis anos após a formação da Sociedade. O primeiro projeto escolhido para a publicação da Bíblia numa língua estrangeira pela Sociedade foi o português. O reverendo Thomas Boys, do Trinity College, Cambridge, foi encarregado de liderar o empreendimento. No ano de 1969, em São Paulo, foi fundada a Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, com o objetivo de revisar e publicar a Bíblia de João Ferreira de Almeida como Edição corrigida e revisada fiel ao texto original.
Em 1943 as Sociedades Bíblicas Unidas encomendaram a um grupo de hebraístas, helenistas e vemaculistas competentes uma revisão da tradução de Almeida. A comissão melhorou a linguagem, a grafia de nomes próprios e 0 estilo da Bíblia de Almeida.
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Em 1948 organizou-se a Sociedade Bíblica do Brasil, destinada a “dar a Bíblia à Pátria”. Essa entidade fez duas revisões no texto de Almeida, uma mais aprofundada, que deu origem à Edição revista e atualizada no Brasil, e uma menos aprofundada, que conservou o antigo nome Corrigida.
Em 1967 a Impresa Bíblica Brasileira, criada em 1940, publicou a sua Edição revisada de Almeida, compara- da com os textos em hebraico e grego. Essa edição foi posteriormente reeditada com ligeiras modificações.
Mais recentemente, a Sociedade Bíblica do Brasil traduziu e publicou a Bíblia na linguagem de hoje (1988). O propósito básico dessa tradução tem sido o de apresentar o texto bíblico numa linguagem comum e corrente.
Em 1990 a Editora Vida publicou a sua Edição contemporânea da Bíblia de Almeida. Essa edição eliminou arcaísmos e ambiguidades do texto quase tricentenário de Almeida e preservou, sempre que possível, as excelên- cias do texto que lhe serviu de base.
Em 2000 uma comissão constituída de especialistas em grego, hebraico, aramaico e português, coordenada pelo Rev. Luiz Sayão, sob o patrocínio da Sociedade Bíblica Internacional, agraciou o publico brasileiro com a Nova Versão Internacional, mais conhecida comoNVI.
Durante a última ou as duas últimas décadas tem havido uma grande quantidade de novas traduções, nume- rosas demais para serem mencionadas aqui. Algumas se empenharam em ser interpretações literais dos originais, enquanto outras são definitivamente paráfrases.
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 11
1) As traduções têm origem em quê?
2) A transmissão da revelação da parte de Deus para os homens gira em tomo de três fases históricas signi- ficativas. Quais são elas?
3) O que é tradução?
4) O que é tradução literal?
5) O que é transliteração?
6) O que é Targum?
7) Qual a importância da Septuaginta?
8) Onde foi descoberto o Pentateuco Samaritano?
9) Quais são as principais versões siríacas do Novo Testamento?
10) Antes do aparecimento da Vulgata Latina, os Pais da Igreja utilizavam qual texto latino?
11) Com quantos anos João Ferreira de Almeida iniciou 0 trabalho de tradução da Bíblia para o português?
100 CURSO DE TEOLOGIA
MÓDUL01 ן DOUTONA DA BÍBLIA
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CURSO DE TEOLOGIA 101
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102 CURSO DE TEOLOGIA
faculdade teológica betesda
Moldando vocacionados
AVALIAÇÃO – MÓDULO I BIBLIOLOGIA
1) Quais são os seis tipos de Bíblias?
2) De onde procede o termo biblos?
3) Quem foi o primeiro a usar o nome “Bíblia” em relação aos textos sagrados?
4) Quais são os dois livros da Biblia que não aparecem 0 nome divino YHWH?
5) Quais foram os três fatores que influenciaram na formação do cânon?
6) O que diferencia a Bíblia dos demais livros:
( ) Iluminação
( ) Revelação
( ) Inspiração
( ) NDA
7) Qual é a diferença de apócrifos para pseudepígrafos?
8) Qual é a diferença da teoria do ditado para a teoria da inspiração natural? Entre aquelas apresentadas, qual é a verdadeira?
9) Quais foram os materiais usados para a escrita? Explique a diferença entre papiro e pergaminho.
10) O que são manuscritos e qual a diferença entre uncíais e cursivos?
CARO ALUNO (a),
Envie-nos as suas respostas referentes a cada QUESTÃO acima. Dê preferência por digitá-las em folha de papel sulfite, sendo objetivo e claro.
CAIXA POSTAL 12025 · CEP 02013-970 · SÃO PAULO/SP
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SUMARIO
O INICIO DE TUDO …………………………….
OS GRANDES IMPERIOS ANTIGOS……….
EGITO ……………………………………………………
ASSÍRIA …………………………………………………..
BABILONIA ……………………………………………
MEDO-PERSAS………………………………………..
GREGOS ………………………………………………….
ROMANOS……………………………………………….
A TERRA DE CANAÃ…………………………….
HETEUS …………………………………………………..
AMORREUS……………………………………………..
CANANEUS……………………………………………..
FEREZEU………………………………………………….
HEVEUS…………………………………………………..
GIRGASEUS …………………………………………….
JEBUSEUS ……………………………………………….
FILISTEUS………………………………………………..
MOABITAS ………………………………………………
AMONITAS………………………………………………
RELIGIÃO DOS HABITANTES DE CANAÃ
RELEVO DA PALESTINA …………………..
VALES …………………………………………………….
VALE DO JORDÃO………………………………….
VALE DE JESREEL…………………………………..
VALE DE ACOR………………………………………..
VALE DE AIJALON………………………………….
VALE DE ESCOL……………………………………..
VALE DE HEBROM………………………………….
VALE DE SIDIM………………………………………
VALE DE SIQUÉM…………………………………..
VALE DE BASA……………………………………….
VALE DE MOABE……………………………………
6. PLANALTOS …………………………………………………………………………………………………………………..122
PLANALTO CENTRAI……………………………………………………………………………………………………….122
PLANALTO ORIENTAL ……………………………………………………………………………………………………122
7. MONTANHAS E MONTES ……………………………………………………………………………………………123
8. HIDROGRAFIA DA PALESTINA …………………………………………………………………………………..126
9. CLIMA E VEGETAÇÃO…………………………………………………………………………………………………128
10. PRINCIPAIS CIDADES……………………………………………………………………………………………………129
JERUSALÉM ……………………………………………………………………………………………………………………129
TELAVIV…………………………………………………………………………………………………………………………129
HAIFA………………………………………………………………………………………………………………………………129
SAFEDE …………………………………………………………………………………………………………………………..129
TIBERÍADES ……………………………………………………………………………………………………………………129
BERSEBA…………………………………………………………………………………………………………………………129
EILAT ………………………………………………………………………………………………………………………………129
JERICÓ…………………………………………………………………………………………………………………………….129
BELÉM ……………………………………………………………………………………………………………………………129
HEBROM ………………………………………………………………………………………………………………………..129
NAZARÉ ………………………………………………………………………………………………………………………..130
SAMARIA………………………………………………………………………………………………………………………..131
CESARÉIA……………………………………………………………………………………………………………………….131 11
11. PALESTINA NO NOVO TESTAMENTO…………………………………………………………………………132
GALILÉIA ……………………………………………………………………………………………………………………….132
SAMARIA ……………………………………………………………………………………………………………………….133
JUDÉIA ……………………………………………………………………………………………………………………………133
DECAPÓLIS……………………………………………………………………………………………………………………..134
REFERÊNCIAS………………………………………………………………………………………………………………………….135
AVALIAÇÃO ……………………………………………………………………………………………………………………………..136
M O D U L 0 1 1 GEOGRAFIA
0 INÍCIO DE TUDO
Quando surgiram os primeiros seres humanos? A Bíblia diz que Deus criou Adão e Eva e os colocou num paraíso. Devido à sua desobediência, foram postos fora desse paraíso. Ali se desenvolveram, tiveram filhos que vieram a povoar a Terra até que sua maldade atingiu os céus e Deus resolveu pôr cabo aos habitantes da Terra por meio do dilúvio. Entretanto, Deus achou graça na família de um homem justo chamado Noé e resolveu con- tar-lhe seu intento de destruir toda a Terra, orientando-lhe para que construísse uma enorme embarcação a fim de se salvarem. Assim obedeceu Noé fazendo como lhe fora determinado. O dilúvio chegou e destruiu todos os habitantes da Terra, restando somènte a família de Noé.
_____________________________Devido à impossibilidade de determinar com precisão 0 tempo decor-
rido entre a criação e 0 dilúvio, restringiremos nossas pesquisas ao tempo pós-diluviano. Portanto, seguindo a narrativa bíblica, a única família que sobrevive ao dilúvio é a família de Noé. As Escrituras dizem que a arca aportou no monte Ararate, que hoje é uma região montanhosa no leste da Armênia, entre os lagos Vã e Urmia.
Pouco tempo depois de estabelecidos neste local, segundo nos informa Gênesis 11.1-2, os descendentes de Noé abandonaram a região onde habí- tavam e rumaram em direção ao Ocidente, parando nas férteis planícies da Mesopotâmia.
A Mesopotamia é uma região de planícies no Oriente Médio, locali- ‘ zada entre os rios Tigre e Eufrates. Era muito difícil sobreviver ali, pois não havia florestas e em certas épocas quase não chovia. Entretanto, a situação mudava de figura por causa dos rios. Todos os anos o Tigre e 0 Eufrates transbordavam, e a água invadia uma extensa área. Quando as águas baixavam, surgia uma grande região coberta de lodo. Esse lodo fertilizava as terras das margens dos rios, tornando-se muito boa para a agricultura e para desenvolver pastos. Os povos que viviam na região sobreviviam plantando e criando ani- mais nas margens fertilizadas. Foi nessa região que os filhos de Noé se instalaram.
Dizem as Escrituras que os descendentes de Noé, nes- ta nova terra, intentaram um meio de se protegerem de um novo dilúvio e deram início a um projeto grandioso que chegasse até os céus. Iniciada a obra e não concluída, Deus confundiu a língua de toda a terra e os espalhou dali sobre a face de toda a Terra. Por isso, aquele lugar chamou-se Babel (Gênesis 11.7-9). Assim, a Mesopotâ- mia foi habitada por vários povos.
A pesquisa arqueológica tem feito grandes descober- tas, e inúmeros detalhes da Mesopotâmia que eram cata-
Localização do monte Ararate, onde a arca aportou.
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Gomer -Celtas
Madai – Medos e Persa!
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Canaa · Cananeus
Arfaxade · Caldeus
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Meseque – Russos
108 CURSO DE TEOLOGIA
M Ó D U L01 1 G EO G RA FIA
logados como mitos são agora aceitos. Há fortes indicios, tanto arqueológicos quanto antropológicos, de que o Jardim do Éden estava localizado ali.
Os mais antigos habitantes da Mesopotâmia foram os sumé- ríos (a Biblia chama de terra de Sinar), que construíram as pri- meiras cidades da região. Cada uma tinha sua própria adminis- tração e governo, sendo por isso chamadas de cidades-estados.
Havia várias cidades-estados poderosas e independentes que se concentravam em Eridu. Dentre elas, com a ajuda da arqueo- logia, temos conhecimento de: Quis, Laraque, Acade, capital do Grande Sargão I (Gênesis 10.10), Lagas, Ereque (Génesis 10.10) e Ur dos caldeus, cidade natal do patriarca Abraão, ao sul da Mesopotâmia. Essas cidades-estados eram habitadas por uma população idiomaticamente afim, miscigenada e de múlti- pias origens, que durante algum tempo foi de grande importán- cia cultural dentro do ambiente semita do Crescente Fértil.
Espalhada por toda a Mesopotâmia, essas “grandes metrópo- les” viviam em conflito; aquela que fosse a mais forte e vencesse levava a riqueza e as terras dos vencidos, e os derrotados sobreviventes eram transformados em escravos. Mas a cortina da História propriamente só se abre por volta do terceiro milênio. A partir daí, as superpotências da época brigam pelo domínio sobre essa faixa de terra. Incessantemente, confrontaram-se pelo domínio dessa região os impérios do Egito, de um lado, e os de Sumer, Acade, Assíria e Babilônia, de outro.
CURSO DE TEOLOGIA 109
M Ó D U L 0 1 1 G EO G R A FIA
OS GRANDES IMPÉRIOS ANTIGOS
De acordo com a descrição bíblica, Ninrode foi o primeiro grande líder depois do dilúvio. “O princípio do seu reino foi Babel, Ereque, Acade e Calné, na terra de Sinar. Daquela terra saiu ele para a Assíria e edificou Nínive, Reobote-Ir e Cala” (Gênesis 10.10). Os povos mais eminen- tes, produtos dessa dispersão, foram os acádios, os sumérios, os mitânios e os hiteus. Em tomo dessas raças gira toda a vida social e política dos primeiros séculos pós-dilúvio.
EGITO
A civilização egípcia surgiu no meio do de- serto há mais de cinco mil anos. Um deserto terrível no norte da África. A única explicação para se desenvolver uma civilização debaixo de um sol escaldante é a existência do Nilo. Ele nasce na África Central e vai atravessando todo 0 deserto até desaguar no mar Mediterrâneo. Todos os anos, na mesma época, ele enche e transborda, e suas águas alagam vastas áreas, ocorrendo o milagre da natureza naquelas partes inundadas. Ali fica depositada uma espessa camada de húmus (matéria orgânica), formada por folhas e plantas que caem naturalmente no rio. Quando esses vegetais se decompõem, transformam-se em húmus, fertilizando toda a terra e tomando-a excelente para o plantio. Por esta razão, 0 vale do Nilo tomou-se uma das regiões mais férteis do mundo.
Os egípcios foram grandes construtores, erguendo casas e palácios com tijolos e madeira, recursos técnicos que talvez tenham sido trazidos da Mesopotâmia. Eram hábeis na arte de esculpir em pedras, na fabricação de jóias em ouro, pedras semipreciosas e esmaltes, além de descobrirem 0 papiro (cyperus papirus), que servia para a escrita. Desenvolveram co- nhecimentos e a medicina e iniciaram investigações matemáticas, mais tarde desenvolvidas pelos gregos. Porém, onde os egípcios mais se destacaram foi na construção de pirâmides, que em geral eram túmulos em honra dos faraós. Contando com materiais rudimentares, porém com fartura de mão-de-obra, construíram verdadeiros monumentos de arquitetura, como as pirâmides de Quéfren, Quéops e Miquerinos, que ficam na cidade de Gizé.
O deserto tinha uma vantagem: ajudava a defender os egípcios. Durantes séculos nenhum povo estrangeiro teve coragem de atravessar aquelas centenas de quilômetros de areia debaixo do sol tórrido para invadir o Egito.
Os reis egípcios eram chamados de faraós e considerados verdadeiros deuses na terra. O rei era incontestável, rico e servido por milhares de pessoas. Abaixo dele havia uma espécie de primeiro-ministro, que ele mesmo nomeava e administrava o reino e comandava os exércitos.
׳ Os historiadores dividem a história do Egito antigo em três períodos: 0 Antigo Império (que vai de 3200 a
2200 a.C.), o Médio Império (de 2200 a 1750 a.C.) e o Novo Império (de 1580 a 1085 a.C.).
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No Antigo Império, os faraós que sucederam Menés reforçaram o poder real. Cada faraó se tornava mais poderosos que 0 anterior. Nessa época foram construídas as grandes pirâmides no deserto de Gizé.
Apesar dos esforços para manterem a hegemonia, os faraós não conseguiram submeter totalmente os nobres que governavam as províncias debaixo de sua autoridade. Por isso viviam em constantes conflitos internos que levaram 0 país ao enfraquecimento, tornando-o vulnerável aos ataques externos. Nenhum faraó conseguia impor sua vontade sobre todo o império.
O Médio Império começou com a restauração do poder do faraó sobre todo 0 Egito. Nesse período os hebreus estavam subordinados aos egípcios. Segundo alguns historiadores, o Egito teria sido invadido por um povo asi- ático, possuidores de cavalos e carros de guerra, elementos desconhecidos pelos egípcios, por volta do ano 1900 ou possivelmente antes, talvez cerca de 2000 a.C., chamado de hicsos. Não sabemos com precisão quando os hicsos se apoderaram do poder egípcio, mas podemos concluir que nesse período, quando José foi vendido pelos seus irmãos para os mercadores midianitas e comercializado no Egito, os reis pastores estavam estabelecidos na terra dos faraós. Durante muitos anos uma parte importante do Egito foi dominada por esses invasores.
O Novo Império teve início com a expulsão dos hicsos. Foi uma fase de expansão territorial, alcançando a Síria e a Palestina. O declínio aconteceu após a morte do faraó Ramsés II, devido à luta entre os nobres pelo poder que enfraqueceu o Império, que acabou sendo invadido pela Assíria em 670 a.C.
ASSÍRIA
Antigo país da Ásia, localizado ao norte da Mesopotâmia, a partir da fronteira norte do atual Iraque. Suas conquistas se estenderam aos vales dos rios Tigre e Eufrates. A parte ocidental do país era uma estepe adequada apenas a uma população nômade. Entretanto, a parte oriental era apropriada para a agricultura, com colinas cheias de bosques e férteis vales banhados por pequenos rios. A leste da Síria se encontram os montes Zagros; ao norte, um escalão de platôs conduz ao maciço armênio; a oeste se estende a planície da Mesopotâmia; ao sul se encontrava 0 país conhecido primeiro como Sumer, depois Acade e, mais tarde, Babilônia.
Os Assírios são descendentes diretos de Assur, filho de Sem, neto de Noé (Gênesis 10.11). Assur deixou a terra de Sinar e foi estabelecer-se em uma faixa de terra ao norte da Mesopotâmia, mais para o oriente, isto é, pró- xima ao rio Tigre, que passou a levar seu nome. A cidade de Assur floresceu à margem do grande rio Tigre, não possuindo fronteiras definidas, entretanto suas dimensões, dependendo da época, variavam de acordo com suas vitórias e derrotas. Seus habitantes eram guerreiros ferozes; possuíam armas de ferro que os tornavam superiores na arte da guerra. Eram famosos pela crueldade com que tratavam os adversários derrotados nas batalhas. Captu- ravam seus inimigos e em seguida cortavam suas cabeças com um machado; vazavam os olhos dos prisioneiros. Os que não morriam eram transformados em escravos e postos para trabalhar duramente. Os povos subjugados pelos assírios tinham de pagar altos impostos.
Salmaneser V (726-722 a.C.), filho de Tiglate-Pileser III, atacou Samaria, capital de Israel, 0 reino do norte, até sua rendição total em 722 a.C.
Código de Hamurábi
BABILONIA
Era uma das cidades mais importantes da antiguidade, cuja localização é assinalada, atualmente, por uma região de minas a leste do rio Eufrates, a 90 km ao sul de Bagdá, no Iraque. Babilônia foi a capital do Império Babilónico durante os milênios II e I a.C. Na antiguidade, a cidade se beneficiava de sua posição na importante rota comercial terrestre que ligava 0 golfo Pérsico ao Mediterrâneo.
O rei mais importante da Babilônia foi Hamurábi. Esse monarca conquistou todas as cidades e tribos ao redor e dirigiu sabiamente seu reino. Essas cidades passaram a ser governadas por homens de confiança de Hamurábi. Todas pagavam impostos para a Ba- bilônia, que se tornou a cidade mais importante da Mesopotâmia. Uma das coisas mais notáveis da civilização babilónica foi a criação do Código de Hamurábi. O código era uma lista de leis que determinavam como deveríam viver os habitantes do reino.
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Depois da morte de Hamurábi, a Babilônia foi conquistada sucessivamente por muitas tribos; seu segundo perío- do de grandeza não foi atingido senão no ano de 600 a.C. Pouco antes disso, os assírios (que dominaram com cruel- dade grande parte da região) foram derrotados por uma tribo de caldeus, cujo chefe se tomou rei da Babilônia.
MEDO-PERSAS
No passado a atual planície iraniana foi ocupada por tribos árias (por volta de 1500 a.C.), das quais as mais importantes eram a dos medos, que ocuparam a parte noroeste, e a dos parsas (persas). Estes foram dominados pelos medos até a ascensão ao trono persa, em 558 a.C., de Ciro o Grande.
Este monarca derrotou os governantes medos, conquistou 0 reino da Lídia, em 546 a.C., e 0 da Babilônia, em 538 a.C., tomando 0 Império Persa o poder dominante na região. Ciro morreu em 530 a.C., e seu filho Cambises assumiu 0 colosso do império Medo-Persa.
O rei Cambises conquistou 0 Egito, e logo os persas dominaram toda a Mesopotâmia, a Fenicia, a Palestina e vastas áreas que se esten- diam até a índia. Cambises II marcha com 0 intento de tomar Cartago, mas fracassa, vindo a falecer no regresso dessa batalha. Não havendo herdeiros diretos, Dario I subiu ao trono em 521 a.C., ampliou as fron- teiras persas, reorganizou todo 0 império e exterminou várias revoltas.
Ciente da imensa dificuldade de governar sozinho um vasto império, dividiu em 20 províncias chamadas de satrapías. Cada satrapía tinha um governador com 0 título de sátrapa, escolhido pelo próprio rei.
Seu filho Xerxes I também tentou invadir a Grécia, mas foi derrotado na batalha naval de Salamina, em 480
a.C., assim como na batalha terrestre de Platea e na naval de Micala (ou Micale), em 479 a.C.
Durante 0 reinado de Artaxerxes I, segundo filho de Xerxes, os egípcios se rebelaram com a ajuda dos gregos. Embora a revolta fosse contida em 446 a.C., ela representou 0 primeiro ataque importante contra o Império Persa e 0 início de sua decadência. Apesar da boa organização, os persas não conseguiram controlar todo o gigantesco império. Os povos dominados viviam se revoltando, e as rebeliões foram dividindo e enfraquecendo 0 império. Em 331 a.C. os gregos e macedônios, comandados por Alexandre 0 Grande, invadiram e destruíram o Império Persa.
GREGOS
Por volta dos séculos VII a.C e V a.C. acontecem várias migrações de povos gregos a vários pontos do mar Mediterrâneo, como conseqüência do grande crescimento populacional, dos conflitos internos e da necessidade de novos territórios para a prática da agricultura. Na região da Trácia, os gregos fundam colônias, na parte sul da península itálica e na região da Ásia Menor (atual Turquia). Os conflitos e desentendimentos entre as colônias da Ásia Menor e o Império Persa ocasionam as famosas Guerras Médicas ou Púnicas (492 a.C. – 448 a.C.), das quais os gregos saem vitoriosos.
Esparta e Atenas envolvem-se na Guerra do Peloponeso (431 a.C. a 404 a.C.), vencida por Esparta. No ano de 359 a.C., as cidades (polis) gregas são dominadas e controladas pelos macedônios.
A Macedonia se localizava ao norte da Grécia. Enquanto os espartanos e atenienses e seus respectivos aliados guerreavam entre si, disputando a hegemonia da Grécia, durante um período de dez anos, que ficou conhecido como Guerra do Peloponeso, a Macedonia, governada por Filipe, foi consolidando sua unidade e força.
O desejo de Filipe era se tomar rei de toda Grécia e para isso se empenhou nas guerras. Devido às debilidades das cidades-estados gregas, uma a uma foi se rendendo aos avanços de Filipe. Em 338 a.C. os macedônios der- rotaram os tebanos e os atenienses. Como conseqüência, Filipe foi coroado rei da Grécia.
Dois anos depois da vitória, Filipe morreu, e seu filho Alexandre assumiu seu lugar. Este jovem teve uma educação notável. Seu professor foi um dos maiores gênios da história da humanidade: o filósofo Aristóteles. Além de rei da Grécia, era também comandante do exército real. Foi um dos maiores generais da história. Em
Este relevo em pedra representa Dario 1,0 Grande (à direita), e seu filho e sucessor, Xerxes I.
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334 a.C. começou a construir um grandioso império. Tomou a Ásia Menor e ocupou 0 império persa. Dominou a Fenicia, a Palestina e o Egito, alcançando partes da índia.
Alexandre 0 Grande se engrandeceu, mas, como profetizado por Daniel, 0 chifre grande quebrou-se, ou seja, expirou depois de ter vencido os persas e tratado Jerusalém de modo brando; dez anos depois deste evento, quatro chifres menores saíram em seu lugar. As quatro pontas do texto em foco compreendem também as quatro “asas” que 0 “leopardo” trazia em suas costas (Daniel 7.6). Seu Estado-Maior era composto de quatro generais, que na visão são representados pelas quatro pontas pequenas. Já não existindo o general, todos queriam tomar seu lugar, mas nenhum tinha poderio militar para isso. Depois de muitas lutas, decidiram dividir em quatro partes o império conquistado por Alexandre, a saber: Macedonia, Trácia, Síria e Egito, cabendo cada uma a um general. Ptolomeu , teve o Egito; Seleuco, a Síria; Antípater, a Macedonia; e Filétero, a Ásia Menor. Destes quatro, os que mais direta- mente interessam à história dos israelitas foram os que se dirigiram para 0 Egito (Ptolomeu) e Síria (Seleuco).
ROMANOS
Diz a lenda que Roma foi fundada no ano 753 a.C. por Rômulo e Remo, filhos gêmeos do deus Marte e da mortal Rea Sílvia. Ao nascer, os dois irmãos foram abandonados junto ao rio Tibre, na Itália. Resgatados por uma loba, que os amamentou e os protegeu, foram criados posteriormente por um casal de pasto- res, que lhes deram os nomes de Rômulo e Remo. Depois de matar Remo numa discussão, Rômulo deu seu nome à cidade.
Deixando as lendas de lado, após dominar toda a península itálica, os ro- manos partiram para as conquistas de outros territórios. Com um exérci- to bem-preparado e muitos recursos, venceram os cartagineses nas Guer- ras Púnicas (século III a.C). Esta vitória foi muito importante, pois garantiu a supremacia romana no mar Mediterrâneo. Os romanos passaram a chamar 0 Mediterrâneo de Mare Nostrum. Após dominar Cartago, Roma ampliou suas conquistas, dominando a Grécia, 0 Egito, a Macedonia, a Gália, a Ger- mânia, a Trácia, a Síria e a Palestina.
Com as conquistas, a vida e a estrutura de Roma passaram por significativas mudanças. O Império Romano passou a ser muito mais comercial do que agrário. Povos conquistados foram escravizados ou passaram a pagar impostos para 0 império. As províncias (regiões controladas por Roma) renderam grandes recursos para Roma. A capital do Império Romano enriqueceu, e a vida dos romanos mudou.
Principais imperadores romanos: Augusto (27 a.C. – 14 d.C.), Tibério (14-37), Caligula (37-41), Nero (54- 68), Marco Aurélio (161-180), Comodus (180-192).
Estátua de Rômulo e Remo, filhos gêmeos do deus Marte e da mortal Rea Sílvia.
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A TERRA DE CANAÃ
Os habitantes de Canaã estão referenciados como os descendentes de Cam, neto de Noé. Canaã gerou Sidom, seu primogênito, e a Hete, e aos jebuseus, aos amorreus e aos girgaseus, aos heveus, aos arqueus, aos sineus, aos arvadeus, aos zamareus e aos hamateus (Gênesis 10.15-18). Esses povos aparentados com os israelitas estavam estabelecidos em Canaã juntamente com os filisteus e os caftorins, formando pequenos reinos organizados. A Bíblia determina o termo dos cananeus: “…foi desde Sidom, indo para Gerar, até Gaza, indo para Sodo- ma, Gomorra, Admá e Zeboim, até Lasa” (Gênesis 10.19).
A terra de Canaã será o cenário onde ocorrerá grande parte da história de Is- rael. Esta região, ao norte, é cercada de montanhas cobertas por neve no inverno; ao sul, ao contrário, um deserto causticante, que se estende sob um sol implacá- vel até 0 mar Vermelho; a oeste, recebe das ondas a brisa do mar Mediterrâneo; a leste, 0 rio Jordão, que nasce das águas degeladas do monte Hermon, passando pelo vale de Ula, formando o lago de Tiberíades, antigamente chamado de mar da Galiléia, e desembocando no mar Morto, o ponto mais baixo do planeta Terra,
400 metros abaixo do nível do mar. Do Mediterrâneo ao Jordão são aproxima- damente 80 quilômetros, e por volta de 450 quilômetros se estendem do sul ao norte. No meio, morros aprazíveis e vales verdejantes se estendem.
Canaã foi habitada pelo neto de Noé, descendentes de Canaã, filho de Cam. Canaã foi pai dos cananeus, dos fenicios e muitos outros pequenos povos que foram destruídos pelos semitas. Gênesis 10.15 alinha nove nações na terra de Canaã e mais os filisteus, todos debaixo do cognome de habitantes de Canaã. No tempo da conquista, sob a liderança de Josué, apenas sete nações são mencionadas em Canaã (Josué 3.10). Os fi- listeus, devido ao seu desenvolvimento social e político, não eram contados como nação, mas sim como um grande império. Faremos um breve relato das sete nações cananéias que, junto com os filisteus, povoavam a terra que Deus prometera a Abraão e seus descendentes.
HETEUS (hb. חתי – C h ittiy )
De acordo com as Escrituras, Hete foi o segundo filho de Canaã. De Hete descendem os heteus; em algumas obras de ar- queologia têm-se denominados esses povos como heteus e hititas. Até pouco tempo atrás, os heteus eram considerados povo lendário ou apenas bíblico, pois nada se sabia dele, a não ser suas influências esporádicas de algumas narrativas bíblicas e arqueológicas. Com o avanço da arqueologia, muita luz se fez sobre este povo antigo e, agora, sua língua e literatura foram decifradas; os heteus deixaram de ser um mistério histórico. “Formavam um poderoso império e eram senhores de vasta cultura e apuradíssima civilização”.1 Foi dos filhos de Hete que o patriarca Abraão comprou a caverna de Macpela, em Hebrom (Gêne- sis 23.10). Esaú, irmão de Jacó, casou-se com duas mulheres hetéias (Gênesis 26.34-35). Durante a peregrinação dos hebreus, quando Moisés enviou os doze espias para o reconhecimento da terra que haviam de ocupar, os heteus são citados entre outros povos presentes nas montanhas do sul da Palestina (Números 13.29); também fizeram parte de uma aliança contra os hebreus
1TOGNINI, Enéas. Geografia da Terra Santa. 3° ed. São Paulo: Louvores do Coração, 1987. p. 19. vol. 1
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sob o comando de Josué a leste de Jerusalém (Josué 9.1 -2). Davi possuía um oficial em seu exército também heteu, o marido de Bate-Seba (2 Samuel 11.13). Quando da volta do cativeiro, nos dias de Esdras, os israelitas encontram os heteus na Palestina e casam-se com suas filhas, cometendo abominação contra o Senhor (Esdras 9.1-2).
AMORREUS (hb. א מיי – E m o r iy )
A terra que Deus prometera a Abraão e seus descendentes era conhecida na antiguidade como terra dos amorreus, situada no lado ocidental do mar Morto: “Assim, Israel habitou na terra dos amorreus” (Números 21.31). Porém eles apa- recem em várias cidades: em Hebrom (Gênesis 14.13), em Siquém (Gênesis 48.22), em Gileade e Basã (Deuteronômio 3.8-10) e nas imediações do monte Hermom (Deuteronômio 3.8).
Segundo os pesquisadores, o significado da palavra AMORREU é uma transliteração do babilónico AMARRU (singu- lar e plural), de origem caldaica. Sendo assim, os amorreus teriam estendido seu domínio na Babilônia e também em toda a Arábia, Palestina, Sinai e norte da Palestina. Em Gênesis 14 temos registrado um grande combate entre cinco reis contra quatro. O Anrafel desse texto seria 0 Hamurábi das inscrições, famoso pelo código que leva seu nome.
Em 1887 foram descobertas umas tabuinhas de argila em Tel el Amama (hoje Et-Tell), no Egito, uma cidade fundada, segundo a cronologia de Maneto, em 1370 a.C. por Amenófis IV (Akhenaton) para ser a sua capital, à qual deu o nome de Akhetaton, tendo este faraó reinado de 1387 a 1366 a.C. Logo após sua morte, esta cidade foi abandonada e se transfor- mou em ruína soterrada. As tabuinhas escritas em cuneiforme acadiano, a linguagem diplomática internacional naquela época, eram parte dos arquivos reais, cartas dirigidas pelos reis e governadores dos países vassalos da Síria e da Palestina ao faraó. Em uma dessas cartas os faraós chegaram a reconhecer todo 0 Oriente como a terra dos Amurrus.2
CANANEUS (hb. כנעני – K a n a a n i y )
Os cananeus são descendentes de Canaã, filho de Cam, filho de Noé (Gênesis 10.6). O termo significa tanto um povo quanto a região em que habitavam, a Cananéia. Ocuparam uma grande faixa de terra no vale do Jordão e se estenderam pela orla do Mediterrâneo (Números 13.29; 14.15). Era um povo guerreiro, que tinha a seu favor os carros de ferro e fortes cavalos.
Habitavam em uma localização estratégica. Sua localização geográfica servia tanto como uma ponte entre os vários impérios regionais como uma arena para lutas e conflitos entre os habitantes de Canaã. Em conseqüência disso, os cananeus nunca puderam estabelecer um estado forte e unificado, e suas organizações políticas toma- ram a forma de cidades independentes dotadas de governos ligados por relações federativas. Entre as cidades costeiras mais proeminentes dos filisteus, cananeus e fenicios que habitaram a área da atual Palestina estavam Megido, Hebrom, Dor, Sidom, Tiro, Acre, Asquelom e Gaza. As cidades cananéias do interior incluíam Jerico, Nablus e Jerusalém (Jebus). A religião dessas primeiras civilizações da Palestina era centrada na natureza.
f e r e z e u s ( פ רזי – P e r i z z i y j
Descendentes de Canaã, filho de Cam (Gênesis 15.20), que aparecem conmínente ligados aos cananeus. Es- palharam-se por toda a terra de Canaã. Na contenda que tiveram os pastores de Abraão com os pastores de Ló, os ferezeus já se encontravam em parceria com os cananeus (Gênesis 13.7). Josué se defrontou com eles nas abas do monte Carmelo (Josué 17.15) e também nos territórios ocupados por Judá (Juizes 1.4-5). Encontramos resquícios deles ainda no reinado de Salomão: “Quanto a todo o povo que restou dos amorreus, heteus, ferezeus, heveus e jebuseus, e que não eram dos filhos de Israel, a seus filhos, que restaram depois deles na terra, os quais os filhos de Israel não puderam destruir totalmente, a esses fez Salomão trabalhadores forçados, até hoje” (1 Reis 9.20).
HEVEUS (hb. חוי – C h iv v iy )
Como os outros povos, estes também eram descendentes de Canaã, filho de Cam (Gênesis 10.17; 2 Crônicas 1.15). Habitavam as montanhas do Líbano próximo ao monte Hermom até a entrada de Hamate (Juizes 3.3).
,MESQUITA, Antonia Neves de. Povos e nações do mundo antiga. 6° ed. Ria de Janeiro: Juerp, 1995. p. 73.
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Foi com este povo que os filhos de Jaco se indignaram por causa de sua irmã Diná, que fora deflorada; como conseqüência, passou a fio de espada a cidade inteira (Gênesis 34). Na época da conquista, eles usaram de “estra- tagema, e foram, e se fingiram embaixadores…” (Josué 9.4); ao serem descobertos, foram reduzidos a escravos, Tachadores de lenha e tiradores de água para a casa de Deus.
GIRGASEUS (hb. גרגשץ – G ir g a s h iy )
Era urna das tribos que ocupavam a terra de Canaã. O território dos girgaseus ficava ao ocidente do rio Jordão. Eram conhecidos na antiguidade pelo seu profundo rancor para com outros povos. Dados bíblicos nos informam que este povo resistiu terrivelmente a Josué e suas tropas na conquista de Canaã, entretanto foram vencidos pelos exércitos de Josué (Deuteronômio 7.1; Josué 3.10).
JEBUSEUS (hb. יבוסי – Y e b u w c iy )
São os descendentes de Canaã, os quais colonizaram a região em volta de Jerusalém (Gênesis 10.16). Não se sabe se foram eles os primitivos habitantes ou se substituíram outro povo ainda mais antigo. Os espias, quando averiguavam a terra, encontraram lá os “amalequitas que habitam na terra do Neguebe; os heteus, os jebuseus e os amorreus habitam na montanha; os cananeus habitam ao pé do mar e pela ribeira do Jordão” (Josué 13.29). Eles constituíam uma forte e vigorosa tribo, sendo prova disso 0 fato de conservarem 0 seu poder na forte cida- dela de Jebus até 0 tempo de Davi (2 Samuel 5.6). O seu rei Adoni-Zedeque foi morto na batalha de Bete-FIorom (Josué 10.1, 5, 26). A própria fortaleza de Jebus foi posta a saque pelos homens de Judá (1 Crônicas 11.5). To- davia, estes contínuos desastres não puderam pô-los fora do seu território, visto como os achamos numa época posterior habitando ainda as terras de Judá e Benjamim (Josué 15.8, 63 – Esdras 9.1).
f i l i s t e o (hb. פל שתי ־ Pelishtiy)
Por volta do século XIII chegaram à Palestina sucessivas vagas de imigrantes ou invasores vindos do norte e do noroeste, das ilhas ou do outro lado do Mediterrâneo. Os historiadores costumam designá-los com a expressão “Povos do Mar”. Esses povos parecem ter-se fixado sobretudo ao longo da costa. Os mais conhecidos entre eles são os filisteus, que se fixaram no sudoeste, na costa oeste do Neguebe e Sefalá (vale de Sarom). Aí fundaram vários pequenos reinos: Gaza, Asdode, Asquelom, Gate e Ecrom (Josué 13.3). O território ocupado pelos filisteus era chamado de Filístia (hb. פלשת – Pelesheth), de onde deriva o nome Palestina, que vai do sul do monte Carme-
10 até o sul da Palestina, na direção do Egito. Belicosos, eram guerreiros valentes e perigosos. Não deve ter sido por acaso que o seu nome foi dado a toda a região conhecida posteriormente por Palestina, isto é, terra dos filisteus.
Procedentes dos Casluim, filho de Mizraim (Egito), entre os antigos povos da Palestina, os filisteus foram talvez os que maior influência exerceram sobre os descendentes de Jacó. Praticamente tudo 0 que se sabe ou se pensa saber sobre os filisteus se baseia nas Escrituras e em parte nas inscrições egípcias. Sansão lutou contra eles e antes dele Sangar (Juizes 3.31). No final do período dos juizes, os filisteus venceram os israelitas, matando Fio- fni e Finéias, causando a morte de Eli (1 Samuel 4). Jônatas, filho de Saul, venceu uma guarnição filistéia entre Micmás e Geba (1 Samuel 14). Quando Davi foi proclamado rei sobre todo Israel, desfechou pesado golpe nos filisteus, expulsando-os da região “montanhosa” e pondo fim ao seu domínio sobre Israel (2 Samuel 5). Depois da morte de Davi, os filisteus voltaram a atacar Israel conforme os relatos bíblicos (1 Reis 15.27; 16.15). No rei- nado de Josafá “alguns dos filisteus traziam presentes a Josafá e prata como tributo” (2 Crônicas 17.11). A última referência bíblica aos filisteus e suas cidades se encontra no livro do profeta Zacarias, que traz uma mensagem de juízo aos filisteus: “Asquelom 0 verá e temerá; também Gaza e terá grande dor; igualmente Ecrom, porque a sua esperança será iludida; 0 rei de Gaza perecerá, e Asquelom não será habitada” (Zacarias 9.5).
MOABITAS (hb. מואב – M o w ’a b )
Os moabitas são descendentes de Ló, sobrinho de Abrão, com sua filha primogênita. Estabeleceram-se na Transjordânia, território entre 0 mar Morto e 0 deserto da Arábia, anteriormente ocupado pelos emins, conhe-
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cidos também como refains ou enaquins (Deuteronômio 21.10-11). Muitas vezes faziam incursões predatórias em Israel; em “bandos costumavam invadir a terra, à entrada do ano” (2 Reis 13.20). Combatidos por juizes e por Saul foram definitivamente submetidos por Davi. Tinham religião politeísta e um regime monárquico. Seus deuses principais eram Quemos, Atar e Baal-Peor.
AMONITAS (hb. עמוני – A m m o w n iy )
Os amonitas descendem de Amon. Assim como os moabitas, os amonitas também são fruto do relacionamen- to incestuoso de Ló com sua filha mais nova (Gênesis 19.38). Era uma tribo aramaica estabelecida perto do curso superior do rio Jaboque, além do lago de Tiberíades, num território que pertencia antes aos refaitas, chamados também zamzumins (Deuteronômio 2.20). Tinham regime monárquico. A capital do reino era Rabat-Amon, hoje Amã, capital da Jordânia. Na época dos juizes tiveram muitos conflitos com Israel (Juizes 3.13; 10.7,9,17; 11.4, 32). Mais tarde foram derrotados por Saul e dominados por Davi (2 Samuel 10.14).
Adoravam como deus Moloque, estátua de bronze oca por dentro, e também a Milcom (1 Reis 11.5,7). Em seus braços estendidos e incandescentes eram ofertadas as vítimas humanas, principalmente crianças. As Escrituras re- gistram muitos episódios em que o povo de Deus se envolveu com os amonitas, sendo o mais expressivo a devoção de Salomão a essa divindade a ponto de mandar construir vários altares a Moloque em Jerusalém (1 Reis 11.1-8).
RELIGIÃO DOS HABITANTES DE CANAÃ
As Escrituras nos informam muita coisa a respeito da religião dos cananeus. Enquanto a divindade principal para os cananeus era Baal, filho de El, para os filisteus era Dagom. Havia entre os cananeus muitas manifestações locais de Baal como deus da fertilidade, deus da tempestade etc. Tanto Baal quanto Dagon tinham um templo em Ugarite. Atar era a divindade que substituía Baal, quando este resolvia excursionar pelo submundo dos espíritos. Atar era filha de Aterate com El. Havia muitas deusas, como Anate, Aserá e Astarte (ou Astarote), deusas do sexo, da fertilidade e da guerra. Anate era invocada para uma boa colheita (deusa da agricultura). Os deuses Shahru (estrela matutina) e Yarbu (deus lua), bem como Resebe, deus da pestilência e da morte, também eram adorados em Canaã.
Os cananeus tinham como prática religiosa comum 0 sacrifício de crianças. Em escavações feitas por Ma- calister em Gezer, 1904-1909, foram encontradas ruínas de um “Lugar Alto”, que tinha sido um templo, no qual ocorria a adoração de Baal e Astarote. Sob os detritos, neste local, foi encontrada uma grande quantidade de jarros contendo despojos de crianças recém-nascidas, que haviam sido sacrificadas a Baal. A área inteira se revelou como um cemitério de crianças. Em Megido, Jerico e Gezer as escavações revelaram que era comum o “sacrifício dos alicerces”: quando se ia construir uma casa, sacrificava-se uma criança, cujo corpo era colocado num alicerce, a fim de trazer felicidade para o resto da família.
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M Ó D U LO ! I G EO G R A FIA
RELEVO DA PALESTINA
Atualmente os estudiosos de Israel dividem seu território em quatro regiões geográficas: três faixas paralelas que correm de norte a sul e uma vasta zona, quase toda árida, na metade sul do país. A área de Israel, dentro das frontei- ras e linhas de cessar-fogo, inclusive os territórios sob o auto-govemo palestino, é de 27.800 km2. Com sua forma longa e estreita, o país tem cerca de 470 km de comprimento e mede 135 km em seu ponto mais largo. Limita-se com 0 Líbano ao norte, a Síria a nordeste, a Jordânia a leste, o Egito a sudoeste e o mar Mediterrâneo a oeste.
A distância entre montanhas e planícies, campos férteis e desertos pode ser coberta em poucos minutos. A largura do país, entre o mar Mediterrâneo a oeste e 0 mar Morto a leste, pode ser cruzada de carro em cerca de 90 minutos; e a viagem desde Metula, no extremo norte, a Eilat, o ponto mais meridional, leva em tomo de seis horas. Devido a sua importância na história bíblica, é de vital importância o conhecimento sobre esses lugares.
A planície do Acre ou Aco, também chamada de planície costeira, corre paralela ao Mediterrâneo e é formada por uma costa arenosa junto ao mar rodeada por férteis campos agrícolas que se esten- dem por 40 quilômetros em direção ao interior do país. No norte, extensões de praia arenosa são às vezes pontuadas por calcário entalhado e rochedos de arenito. Esta costa vai do noroeste da costa palestina, ao sul da Fenicia, e se estende até o monte Carmelo, bordejando a baía do Acre. A planície costeira abriga mais da metade dos habitantes de Israel. Lá se encontram importantes centros urbanos, portos de águas profundas, a maior parte das indústrias e grande parte de sua agricultura e instalações turísticas.
Várias cadeias montanhosas recortam 0 país. No nordeste as paisagens basálticas das alturas do Golã, formadas por erupções vulcânicas, dominam o vale de Hula. Os montes da Galiléia, principal- mente compostos de pedra, alcançam a altura de 500 a 1.200 metros acima do nível do mar. Pequenas correntes de águas permanentes com uma precipitação pluvial alta mantêm a zona verde durante todo ano. Os habitantes da Galiléia e das colinas de Golã, aproximadamente 17 % da população, se dedi- cam à agricultura, a empresas relacionadas com 0 turismo e à indústria oliveira. O vale de Jezreel, que separa as montanhas da Galiléia das de Samaria, é a zona agrícola mais rica de Israel, cultivada por várias comunidades cooperativas (Kibutzim e moshavim). As colinas onduladas da Judéia e da Sarna- ria apresentam um mosaico de cumes rochosos e vales férteis, pontilhados por centenárias oliveiras. A população se concentra em pequenos centros urbanos e grandes povoados.
O Negueve, que constitui aproximadamente metade da superfície do país, é habitado somente por 8 % da população, que em sua maioria vive na parte norte e se baseia numa economia agrícola e in- dustrial. Mais ao sul o Negueve passa a ser uma zona árida caracterizada por montes baixos de pedra arenosa, cortada por várias gargantas nas quais as chuvas hibernais causam freqüentemente súbitas torrentes. Prosseguindo para o sul, a paisagem dá lugar a uma área de cumes rochosos desnudos, era- teras, elevados platos de clima seco e altas montanhas. Três crateras erosivas, a maior das quais com 8 km de largura e 35 km de comprimento, cortam profundamente a crosta terrestre, apresentando rica variedade de cores e tipos de rochas. Na ponta sul do Negueve, próximo a Eilat e ao mar Vermelho, agudas elevações de granito cinza e vermelho são cortadas por gargantas secas e rochedos íngremes, cujas camadas de arenito resplandecem à luz do sol.
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M ÓDUL01 1 GEOGRAFIA
O vale do Jordão e o Arabá, que acompanham o comprimento do país na fronteira oriental, são partes da fenda siro-africana, que dividiu a crosta terrestre há milhões de anos. Sua área setentrional é extremamente fértil, ao passo que 0 sul é semi-árido. Agricultura, pesca, indústria leve e turismo são as principais atividades econômicas da região. O rio Jordão, que corre de norte a sul através dessa fenda, desce mais de 700 metros no seu curso de 300 km. Alimentado por regatos que descem do monte Hermon, ele atravessa o fértil vale do Huía até 0 lago Kineret (mar da Galiléia), continuando a serpentear através do vale do Jordão até desembocar no mar Morto. Embora se avolume durante a es- tação chuvosa, no inverno o rio é, de modo geral, estreito e pouco profundo. O lago Kineret, aninhado entre as montanhas da Galiléia e o planalto do Golã, situa-se a 212 metros abaixo do nível do mar, tendo 8 km de largura e 21 km de comprimento. É o maior lago de Israel e seu principal reservatório de água potável. Ao longo da costa do Kineret há locais de importância histórica e religiosa, assim como colônias agrícolas, empresas de pesca e pontos de atração turística. O Arabá, a savana de Israel, inicia-se ao sul do mar Morto e se estende até 0 golfo de Eilat. Apesar de suas condições climáticas – um índice pluviométrico médio de menos de 25 mm e temperaturas que chegam a 40° no verão -, aí são cultivados frutas e verduras fora da estação, sobretudo para exportação, graças ao uso de sofisticadas técnicas agrícolas. O golfo subtropical de Eilat é famoso por suas águas azuis profundas, seus recifes de coral e a exótica fauna marítima.
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M ÓDUL01 1 GEOGRAFIA
VALES
A Palestina é a terra de muitos vales, conforme havia dito Moisés: “Porque a terra que passais a possuir não é como a terra do Egito, donde saístes, em que semeáveis a vossa semente e, com 0 pé, a regáveis como a uma horta; mas a terra que passais a possuir é terra de montes e de vales; da chuva dos céus beberá as águas” (Deute- ronômio 11.10-11), sendo os principais:
VALE DO JORDÃO
Este é 0 maior vale da Palestina. Começando no sopé do monte Hermom, no extremo norte, corta 0 país longitudinalmente até 0 mar Morto, no extremo sul. No seu ponto inicial é muito estreito, cerca de 100 metros, alargando-se para 3 km logo abaixo do mar da Galiléia, chegando a 15 km na região de Jerico e tomando a es- treitar-se pouco antes de chegar ao mar Morto, seu ponto final. Por este vale corre 0 célebre rio Jordão, que lhe empresta 0 nome. É 0 vale que chega à maior profundidade de toda a face da Terra, 426 metros abaixo do nível do mar Mediterrâneo, numa distância de 215 km em linha reta desde 0 Hermom até 0 mar Morto.
VALE DE JEZREEL
Não se deve conflitar este vale com a planície do mesmo nome, confusão que ocorre íreqüentemente pelo fato de alguns autores chamarem a planície também de vale de Esdrelom. O vale de Jezreel tem 0 seu começo na cabeceira do ribeiro de Jalud, que serpenteia por ele e termina no vale do Jordão na altura de Bete-Seã.
VALE DE ACOR
Este fica entre as terras de Judá e Benjamim, ao sul de Jerico, no qual se deu o apedrejamento e queima de Acã e toda a sua família.
VALE DE AIJALON
Situa-se na região de Sefetá, a 24 km a noroeste de Jerusalém, onde se deu a célebre batalha de Josué com os amorreus, quando o sol parou sobre Gibeão e a lua sobre 0 vale de Aijalon. Sua extensão é de 18 km de compri- mento na direção do Mediterrâneo por 9 km de largura.
VALE DE ESCOL
Localizado a oeste de Hebrom, é famoso pela sua fertilidade, especialmente a dos vinhedos. Segundo as Es- crituras, foi deste vale que os espias levaram a Moisés um cacho de uvas tão pesado que foram necessários dois homens para carregá-lo (Números 13:22-27).
VALE DE HEBROM
Localizado a cerca de 30 km a sudoeste de Jerusalém, no qual se levanta a célebre cidade de Hebrom, em cujas cercanias fixou-se por longo tempo a família de Abraão.
VALE DE SIDIM
Conforme os registros bíblicos, tudo faz crer que este é o vale onde se encontra 0 mar Morto, especialmente a sua parte sul, provável região de Sodoma e Gomorra (Gênesis 14:3-10).
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MÓDUL011 GEOÍÍIaFIÁ
VALE DE SIQUÉM
Situado no centro de Canaã, entre os montes Gerizim ao sul e Ebal ao norte, tem aproximadamente 12 km de comprimento, estendendo-se na direção noroeste da cidade de Siquém, chamada atualmente Nablus. Neste vale encontra-se o famoso poço de Jaco, à beira do qual Jesus falou à mulher samaritana.
VALE DE BASÃ
Não é citado na Bíblia, mas se encontram referências na literatura profana. Provavelmente se trata do vale por onde corre o rio Yarmuque, no nordeste da Palestina.
VALE DE MOABE
É o vale mais largo dos três vales que desembocam na planície de Moabe, a nordeste do mar Morto. Nessa região foi encontrada a Pedra Moabita.
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M ÓDUL01 1 GEOGRAFIA
PLANALTOS
Como o nome diz, planalto é uma grande extensão de terra plana ou pouco ondulada, elevada, cortada por vales nela encaixados. Em Israel há dois grandes planaltos: o Central e o Oriental. As altitudes de ambos os pía- naltos variam de 700 a 1.400 metros.
PLANALTO CENTRAL
O planalto central compreende três planaltos: Naftali, Efrairn e Judá.
Naftali – Região norte do planalto central, na Galiléia.
Efraim – Região central do planalto central, na Samaria.
Judá – Região sul do planalto central, entre Betei e Hebrom.
PLANALTO ORIENTAL
De igual modo, também possui três planaltos: Basã, Gileade e Moabe.
Basã – Desde o sul do monte Hermom até o vale por onde corre o rio Yarmuque. Região fértil, onde se plan- tam trigo e pastagem.
Gileade – Entre Yarmuque e Hesbon, cortado por Jaboque. Boa fertilidade.
Moabe – A leste da última parte do curso do Jordão e mar Morto até o rio Amom. Região rochosa, cortada de
prados com exuberantes pastagens.
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M ÓDUL01 1 GEOGRAFIA
MONTANHAS E MONTES
A b a rim ( עברים – Abarim) – significa “regiões dalém de” .
Uma montanha ou cadeia de montanhas ao leste do Jordão, na terra de Moabe, oposta a Jerico, da qual o monte Nebo faz parte (Deuteronômio 32.49).
Ara ra te ( אררט – Araraté) – significa “a maldição invertida: precipitação da maldição” .
Uma região montanhosa no leste da Armênia, entre os lagos Vã e Urmia, nascente dos rios Eufrates e Tigre e também 0 lugar onde a arca de Noé aportou.
Basã ( בשן – Bashari) – significa “ frutífero” .
Estende-se de Gileade, ao sul, até 0 monte Hermon, ao norte, onde começa. Conhecido por sua fertilidade, foi dado à meia tribo de Manassés. Moisés registra que as cidades ali existentes, cerca de sessenta, “eram fortificadas com altos muros, portas e ferrolhos; tomamos também outras muitas cidades, que eram sem muros” (Deuteronômio 3.4-5).
Carmelo ( כרמל – KarmeX) – significa “campo fértil” , “ lugar bem coberto de vegetação” .
E uma cadeia de montanhas situada na parte da Palestina central (Samaria), logo abaixo de Haifa.
E b a l ( עיבל – Eybal) – significa “pedra” ou “montanha sem vegetação” .
Monte rochoso, com muitas escarpas e destituído de vegetação, próximo do monte Gerizim e da cidade de Siquém (atual Nablus).
Gerizim (□ גרזי – Geriziym) – significa “cortes” .
Localiza-se ao sul de Siquém, é árido e escarpado, com apenas 230 metros acima do vale (940 metros do Mediterrâneo). No tempo do cativeiro babilónico, os samaritanos construíram um templo rival ao de Jerusalém, constituindo Manassés seu sumo sacerdote. Até hoje os samaritanos divergem dos judeus, indo celebrar suas fes- tas nesse monte, tendo somente o Pentateuco como Palavra de Deus. O poço de Jacó fica no sopé desse monte.
Güboa ( גלבע ־ Gilboa) – significa “monte inchado” .
Este monte fica a sudoeste da planície de Jezreel e tem forma alongada, medindo 13 km de comprimento e 5 a 8 de largura por 543 metros de altitude. Neste monte ocorreu a morte do rei Saul e de seu filho Jônatas na batalha contra os filisteus.
Hermom ( חרמון – Chermown) – significa “um santuário” .
Uma montanha junto à fronteira nordeste da Palestina e do Líbano, com vista para a cidade fronteiriça de Dã. Fica coberto de neve; de seu degelo nasce o rio Jordão.
Hor ( ה ר – Hor) – significa “montanha” .
Existem dois montes com esse nome: um localiza-se no lado oriental do vale de Arabá, 0 mais alto de toda cadeia de montanhas de arenito, na fronteira da terra de Edom, onde Arão morreu; o outro ao norte da Palestina, entre o Mediterrâneo e Hamate (Números 34.7).
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Horebe ( חרב – Choreb) – significa “deserto” , “terra seca” .
Os estudiosos não são unânimes quanto à relação entre Horebe e Sinai. O mais provável é que se trate de dois picos diferentes da mesma cadeia de montanhas. Acredita-se que Horebe é a cordilheira enquanto Sinai é o pico mais proeminente. Contudo, isso é apenas uma conjectura, embora pareça ser a melhor explicação para as duas designações desse lugar. Entretanto, existem intérpretes que pensam que ambos os nomes são trocadilhos para o mesmo pico. O historiador judeu Flávio Josefo se refere a essa montanha usando ambos os nomes alternadamente (ver Josefo, Antiq. 1,2, cap. 12 e seção 1). Foi ali que Moisés viu a sarça ardente, onde recebeu as tábuas da lei.
Líbano ( לבנון – Lebanown) – significa “brancura” .
Fica ao norte da Palestina e também fica recoberto de neve permanente. É famoso pelos seus cedros (Deute- ronômio 1.1; 1 Reis 5.6; 2 Reis 19.23; Esdras 3.7; Ezequiel 27.5; Oséias 14.5; Zacarias 11.1). Os muitos olivais, vinhas, fontes de água cristalina, vales férteis e o aroma agradável das árvores justificam as Escrituras ao chamá- 10 de “a glória do Líbano” (Isaías 35.2). O vale do Jordão é uma continuação do vale do Líbano.
M o riá ( מריה – Moriyah) – significa “escolhido por Yahweh” .
Localiza-se a leste de Sião, separado deste pelo vale de Tiropeon. E de forma alongada e pende na direção norte-sul, sendo que a parte sul, mais baixa, chama-se de Ofel. Foi neste monte que Abraão levantou um altar para sacrificar seu único filho Isaque (Gênesis 22.9-10). Neste lugar Salomão construiu 0 famoso templo.
Nebo (1 נב – Nebow) – significa “profeta” .
Localizado a leste do Jordão em frente a Jerico, monte onde Moisés viu a Terra Prometida e teria morrido.
Das Oliveiras (ορος έλαια – oros elaia) – seu nome vem das árvores de azeitona plantadas em suas elevações.
A cordilheira onde está 0 monte das Oliveiras tem cerca de 3 km de comprimento. O monte mais baixo da cordi- lheira tem 820 metros de altura em relação ao nível do mar, que é o chamado monte das Oliveiras. Na sua base fica o jardim do Getsêmani e nos seus flancos há abundância de oliveiras. Jesus por várias vezes foi a esse monte para orar, discursar, ensinar e chorar, como quando do sermão profético de destruição de Jerusalém (Lucas 19.28-44).
Pisga ( פסגה – Picgah) – seu nome significa “ fenda” .
E uma cordilheira perto do extremo noroeste do mar Morto, cujo pico mais alto é o monte Nebo. Foi nesse monte que estiveram Balaão e Balaque, que edificou sete altares.
Seir ( שעיר – Se ‘iyr) — significa “ cabeludo” ou “peludo” .
Cordilheira da terra de Edom, habitada pelos horeus (Gênesis 14.6). Esaú habitou em Seir, sendo conhecida no Novo Testamento por Iduméia.
Sião (]! צי – Tsiyown) – significa “ lugar escalvado” .
Colina onde foi construído o grande templo. É chamada de a cidade de Deus, a cidade do grande Rei, o monte Santo, o santuário de Deus, lugar de louvor e adoração onde habita o Senhor, onde Davi construiu sua casa e onde foi enterrado.
Sinai ( סיני – Ciynay) – significa “espinhoso” .
A localização exata desse monte é desconhecida, porém está situado em uma região árida que possui uma ca- racterística marcante: é cercado por deserto. A vegetação escassa nessa região assinala os mais íngremes penhas- cos. Em algumas referências bíblicas, o monte Sinai é mencionado em conexão com Seir, Edom, Parã e Temã (Deuteronômio 33.2; Juizes 5.4-5; Habacuque 3.3). Uma tradição antiga tem identificado o monte Sinai com o monte atualmente chamado Jebel Musa (monte de Moisés). Esse monte se localiza na cadeia de montanhas na
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ponta sul da península do Sinai. No século IV d.C., a mãe de Constantino mandou construir um pequeno templo nas faldas do Jebel Musa, conhecido como Mosteiro de Santa Catarina.
Tabor ( תבור – Tabowr) – significa “colina”.
Localiza-se na Galiléia, na parte nordeste da planície de Jezreel ou Esdrelom. Tem 615 metros de altitude e um platô de mais de um quilômetro. No Antigo Testamento ocorreram muitas batalhas, como a de Baraque e Débora contra Sisera (Juizes 4.6,14) e de Gideão contra os reis midianitas (Juizes 8). É chamado de monte da Transfiguração, onde Jesus se transfigurou diante de Pedro, Tiago e João (Mateus 17.1-5).
montes do Líbano
MONTE HERMOM
MONTES / DA
BÍBUA À
MONTE BASA
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HIDROGRAFIA DA PALESTINA
Localizado às margens de um cinturão desértico. Israel sempre sofreu por causa da escassez de água. Deseo- bertas arqueológicas no Negueve e em outras partes do país revelam que os seus habitantes, há milhares de anos, já se preocupavam com a conserv ação de água, conforme se evidencia por uma variedade de sistemas, destinados tanto a recolher e armazenar a água das chuvas como para levá-la de um lugar para outro.
O total anual de recursos hídricos renováveis de Israel é de 1,7 bilhão de metros cúbicos, 75% dos quais são usados para irrigação e o restante para fins urbanos e industriais. Os recursos de água do país incluem o rio Jor- dão, o lago Kineret e alguns rios menores. Também são utilizados fontes naturais e lençóis de água subterrâneos, canalizados em quantidades controladas para evitar a exaustão e a salinização. Como já se chegou à utilização máxima de todas as fontes de água doce existentes, estão sendo desenvolvidos os métodos para aproveitar recur- sos alternativos, como a reciclagem de água de esgotos, as chuvas artificiais e a dessalinização de água salobra.
VALE DE HULA
O vale de Hula era pequeno e pouco profundo. Tinha cerca de 4 km e foi drenado pelo atual Israel, pois pro- vocava muitas doenças, especialmente a malária. Quem ia da Palestina para a Síria precisava atravessar o Jordão ao sul pelo vale de Huía. Por isso foi construída aí uma fortaleza, Hazor, que se tomou a principal cidade do norte da Palestina.
JORDÃO
Significa aquele que desce ou também lugar onde se desce (bebedouro). Nome bem adaptado ao maior rio da Palestina, pois realmente ele nasce acima do nível do Mediterrâneo, atravessa o lago de Hule, ainda a 80 me- tros acima do nível do mar, forma a 16 km ao sul o lago de Genezaré, que já está a 210 metros abaixo do nível marítimo e tem sua foz no mar Morto, 110 km abaixo, situado nada menos que a 390 metros abaixo do nível do Mediterrâneo.
Entre o lago de Huía e 0 lago de Genezaré, o Jordão corre violentamente no fundo de uma garganta de 350 metros de profundidade. Perto da desembocadura do Jordão no lago de Genezaré estão as minas de Corazim, mencionada em Mateus 11.21.
MAR DA GALILÉIA
O mar da Galiléia também é conhecido por lago de Genezaré (do hebraico Kinneret = harpa) e chamado tam- bém de lago de Tiberíades. E um grande lago medindo 21 km de comprimento por 8 de largura, rico em peixes. Cidades como Cafamaum, Betsaida, Magdala, Tiberíades estavàm na suas margens.
MAR MORTO
O mar Morto tem 75 km de comprimento por 16 de largura e é 0 ponto mais baixo da superfície terrestre: está a cerca de 400 metros abaixo do nível do mar (Mediterrâneo). Nada vive nas suas águas, que contêm um alto teor de sal, aproximadamente 25%. Entretanto, devido ao clima seco e à atmosfera rica em oxigênio, sua região é indicada para o tratamento de doenças das vias respiratórias. A 9 km ao norte do mar Morto está Jerico, uma das mais antigas cidades do mundo, e também Gilgal, santuário cananeu e depois israelita.
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M Ó D U LO 1 1 GEOGRAFIA
O CONDUTO NACIONAL
Atualmente, para superar desequilíbrios regionais de disponibilidade de água, a maioria dos recursos hídri- eos potáveis de Israel está reunida numa rede integrada. Sua artéria principal, o Conduto Nacional, concluido em 1964, traz água do norte e do centro do país ao sul semi-árido, através de um sistema de canos gigantescos, aquedutos, canais abertos, reservatórios, túneis, represas e estações de bombeamento.
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MÓDULO ו I GEOGRAFIA
CLIMA E VEGETAÇÃO
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CLIMA
O clima de Israel varia do temperado ao tropical, com muito sol. Há duas estações distintas predominantes: um in- vemo chuvoso, de novembro a maio, e um verão seco nos seis outros meses. As chuvas são relativamente abundantes no norte e centro do país, bem mais raras no norte do Negueve e quase inexistentes no extremo sul. As condições regionais são bastante variadas, com verões úmidos e invemos amenos na região costeira; verões secos e invemos moderadamente frios nas montanhas; verões quentes e secos e invernos agradáveis no vale do Jordão; e condições de clima semi-desértico 0 ano todo no Negueve. A situação do clima varia desde a neve ocasional nas regiões elevadas, no inverno, a dias de tem- peratura extremamente alta, por causa de ventos secos e quentes, que sopram periodicamente no outono e na primavera.
FLORA E FAUNA
A vida animal e vegetal de Israel é rica e diversificada, em parte devido à localização geográfica do país, na junção de três continentes. Mais de 2.800 tipos de plantas foram identificados, desde espécies alpinas nas encos- tas das montanhas setentrionais a espécies do Saara, no Arabá, ao sul. Israel é o ponto extremo setentrional para a presença de plantas como 0 papiro e 0 limite meridional de outras, como a peônia vermelho-coral brilhante.
Florestas naturais, principalmente de carvalhos, cobrem partes da Galiléia, do monte Carmelo e de outras regiões montanhosas. Na primavera, cistos baixos e giestas espinhosas predominam, com suas variações de bran- co, rosa e amarelo. Madressilvas trepam sobre os arbustos e grandes plátanos proporcionam sombra ao longo dos córregos de água fresca da Galiléia. Nos planaltos do Negueve, massivas pistaceiras atlânticas acrescentam uma nota espetacular ao longo dos leitos dos rios secos, e tamareiras crescem onde quer que haja bastante água subterrânea.
Muitas flores cultivadas, como a íris, a açucena, a tulipa e o jacinto, são aparentadas a algumas das flores silvestres de Israel. Imediatamente após as primeiras chuvas, em outubro-novembro, 0 país se cobre de um tapete verde que dura até a chegada do verão seco. Ciclames brancos ou cor-de-rosa e anémonas vermelhas, brancas e cor-de-púrpura florescem de dezembro a março; as tremoceiras azuis e as margaridas amarelas surgem pouco depois. Muitas das plantas nativas, como o açafrão e a cila, são litófilas, isto é, armazenam seus nutrientes em bulbos ou tubérculos e florescem no fim do verão. Pairando sobre os campos, há aproximadamente 135 varieda- des de borboletas, de matizes e padrões brilhantes.
Mais de 380 espécies diferentes de pássaros podem ser vistas em Israel. Algumas, como 0 rouxinol oriental comum, residem permanentemente no país; outros, como o galeirão e o estorninho, passam aqui 0 inverno, rega- lando-se com o alimento encontrado nos campos e lagos piscosos. Centenas de milhares de pássaros atravessam Israel duas vezes por ano, em suas migrações, fornecendo excelentes oportunidades aos ornitólogos. Bútios, pelicanos e outras aves migratórias, grandes e pequenas, enchem os céus do país em março e outubro. Várias espécies de aves de rapina, como águias, falcões e gaviões, assim como minúsculos pássaros canoros, como a toutinegra e o pintassilgo, nidificam em Israel.
Delicadas gazelas correm sobre as colinas; raposas, gatos selvagens e outros mamíferos vivem nos bosques. Cabritos monteses da Núbia de chifres majestosos saltam sobre os rochedos no deserto; camaleões, cobras e lagartos de todos os tipos contam-se entre as 80 espécies nativas de répteis.
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PRINCIPAIS CIDADES
JERUSALÉM
Situada nas colinas da Judéia, é a capital de Israel, a sede do governo e o centro histórico, espiritual e nacional do povo judeu desde que o rei Davi tomou-a capital de seu reino há 3.000 anos. Santificada pela religião e pela tradição, pelos lugares santos e santuários, ela é reverenciada por judeus, cristãos e muçulmanos de todo o mundo. Até 1860, Jerusalém era uma cidade murada, formada por quatro quarteirões – judeu, muçulmano, armênio e cristão. Naquela época os judeus, que constituíam a maioria da população da cidade, começaram a construir novos bairros fora dos limites da muralha, formando 0 núcleo da Jerusalém moderna. Durante a administração britânica (1918-48), ela gra- dualmente se transformou, e a cidadezinha provincial abandonada na época do Império Otomano (1518-1918) tomou- se uma florescente metrópole, com novos bairros residenciais, cada um refletindo 0 caráter do grupo específico que nele vivia. Após o ataque árabe desfechado contra 0 recém-fimdado Estado de Israel, a cidade ficou dividida, sendo administrada por Israel e a Jordânia; durante 19 anos uma parte estava herméticamente separada da outra por muros de concreto e arame farpado. Após o ataque a Jerusalém, desencadeado na Guerra dos Seis Dias, em 1967, a cidade foi reunificada. Jerusalém, hoje a maior cidade de Israel, conta com mais de meio milhão de habitantes. Ao mesmo tempo antiga e moderna, é uma cidade de diversidades, e seus habitantes representam uma mistura de culturas e nacionali- dades e de estilos de vida que vão desde 0 estritamente religioso ao secular. É uma cidade que preserva seu passado e constrói para o futuro, com locais históricos cuidadosamente restaurados, áreas de paisagem verde, zonas comerciais modernas, parques industriais e bairros em expansão, que atestam sua continuidade e vitalidade.
TELAV1V
Cidade moderna na costa mediterrânea, é o centro comercial e financeiro de Israel, assim como o foco de sua vida cultural. Nela estão sediadas as mais importantes organizações industriais e agrícolas, a Bolsa de Valores, os principais jornais, periódicos e editoras. Tel Aviv, a primeira cidade exclusivamente judaica dos tempos modernos, foi fundada em 1909 como um subúrbio de Iafo, uma das mais antigas cidades do mundo. Em 1934 Tel Aviv foi elevada à catego- ria de município e, em 1950, foi fundida com Iafo, absorvendo a antiga cidade. A área em tomo do antigo porto de Iafo (Jafa) tomou-se uma colônia de artistas e um centro turístico, com galerias, restaurantes e clubes noturnos.
HAIFA
Na costa do Mediterrâneo, sobe pelas encostas do monte Carmelo. Foi construída em três níveis topográficos: a cidade baixa, cujos terrenos foram parcialmente recuperados do mar, é o centro comercial e a zona portuária; o nível intermediário é a área residencial antiga; e o nível mais elevado consiste de bairros modernos em rápida expansão, com mas arborizadas, parques e bosques de pinheiros, que contemplam a zona industrial e as praias da ampla baía lá embaixo. Importante porto de grande calado, Haifa é um foco de comércio internacional, além de ser o centro administrativo da região norte de Israel.
Seu porto está situado no golfo de Haifa e faz parte da cidade na planície costeira abaixo da serra do Carme- 10. A cidade possui duas universidades, diversos museus com atrações pré-históricas, arqueológicas, artísticas e navais, bem como um instituto oceanógrafico. Em Haifa é possível apreciar lugares históricos desde tempos pré-históricos até o período otomano. Haifa é também um centro religioso, o templo da fé Bahai e o monastério dos carmelitas.
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M ÓDUL01 1 GEOGRAFIA
SAFEDE
Aninhada entre as montanhas da Galiléia, é um local popular de férias de verão e centro turístico, com um quarteirão de artistas e várias sinagogas centenárias. No século XVI, Safed era 0 mais importante centro de criatividade e de estudos judaicos – ponto de encontro de rabinos, eruditos e místicos que estabeleceram leis e preceitos religiosos, muitos dos quais seguidos até hoje pelos judeus observantes.
TIBERÍADES
Às margens do lago Quineret, é famosa por suas fontes termais medicinais. Hoje a cidade é um movimentado centro turístico, onde vestígios arqueológicos do passado misturam-se a modernos edifícios e hotéis. Fundada no século I, a cidade deve seu nome ao imperador romano Tibério. Mais tarde, tomou-se um centro de erudição judaica e a sede de uma academia rabínica famosa.
BERSEBA
No norte do Negueve, situa-se na interseção das estradas que levam ao mar Morto e a Eilat. É uma cidade nova construída num local já conhecido no tempo dos Patriarcas, há 3.500 anos. Chamada ‘a capital do Neguev’, Berseba é um centro administrativo e econômico, sede de repartições governamentais regionais e instituições de saúde, educação e cultura que prestam serviços a toda a região sul do país.
EILAT
A cidade mais meridional do país é a saída de Israel para 0 mar Vermelho e o oceano Índico. Seu porto mo- demo, que se acredita estar localizado onde se erguia 0 antigo porto no tempo do rei Salomão, é a via comercial de Israel com a África e 0 Extremo Oriente. Seus invemos cálidos, um espetacular cenário submarino, as belas praias, os esportes aquáticos, seus luxuosos hotéis e a facilidade de acesso da Europa através de vôos charter fazem de Eilat uma próspera cidade turística durante todo o ano. Desde 0 estabelecimento da paz entre Israel e a Jordânia (1994) foram iniciados projetos conjuntos de desenvolvimento com a cidade vizinha Ácaba, para incrementar 0 turismo na região.
JERICÓ
Jerico era conhecida como “cidade das Palmeiras” (Juizes 3.13). Esta cidade encontra-se a 13 km a nordeste do mar Morto. Tomada por Josué e seus homens no século XIII a.C., possuía muralhas que serviam para defender a cidade do assalto de populações vizinhas que vinham em busca de alimento. Ela é retratada na Bíblia como a primeira cidade atacada por Josué e os israelitas quando eles entraram na terra prometida (Josué 6.127־).
BELÉM
Belém de Efrata, cidade na parte montanhosa de Judá, está localizada a alguns quilômetros de Jerusalém e situada no alto da colina. O nome Belém tem dois significados: casa do pão, do hebraico Beit Lehem, e casa da carne, do árabe Beit Lahm. Também chamada de cidade de Davi (Lucas 2.4 e 2.11), foi 0 lugar onde nasceu o Messias (Miquéias 5.2; Mateus 2.6).
HEBROM
No passado Hebrom se chamava Quiriate-Arba, que significa cidade dos quatro (isto é, dos quatro clãs entre os quais estava dividida). Localiza-se na colina da Judéia, a 35 km de Jerusalém. Esta cidade é profundamente marcada pela história bíblica. Foi nessa cidade que 0 patriarca Abraão enterrou sua esposa Sara; foi aqui também que Davi reinou por sete anos.
NAZARÉ
Localizada na baixa Galiléia, é outra cidade sagrada para os cristãos. Incrustada em montanhas cobertas de
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ciprestes, Nazaré foi 0 local onde Jesus passou a juventude. Ali viveu com Maria e José até iniciar seu ministério. Até hoje pode-se visitar os locais tradicionais da marcenaria de José na igreja de São José, o Poço de Maria e a Basílica da Anunciação, que comporta a gruta onde o anjo Gabriel pronunciou as palavras: “Eis que conceberás e darás à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus” (Lucas 1.31). A nove quilômetros ao norte de Nazaré situa- se Kfar Kanna, aldeia pitoresca, presumivelmente Caná da Galiléia, onde Jesus operou seu primeiro milagre mudando a água em vinho.
SAMARIA
A cidade de Samaria, capital das dez tribos do Reino do Norte, era uma praça forte, semelhante à de Jerusa- lém. Foi edificada por Onri, rei de Israel, sobre o monte de Samaria, “nome oriundo de Semer, dono do monte” (1 Reis 16.24). Distante cerca de 50 km ao norte de Jerusalém.
CESARÉIA
Era um porto da costa do mediterrâneo, sendo uma das maiores cidades da Palestina durante o período roma- no. Foi ali que Pedro pregou a Palavra a Comélio (Atos 10.1-8). Cesaréia foi reconstruída e nela encontram-se um anfiteatro, um hipódromo, grandes estátuas, uma antiga sinagoga com pisos de mosaicos e um aqueduto.
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PALESTINA NO NOVO TESTAMENTO
Roma começou a se destacar mais ou menos na mesma época em que a cidade-estado de Atenas assumiu a hege- monia na Grécia, ou seja, no século V a.C. Naquela época Roma foi reforçando seu exército e dominando áreas cada vez maiores. Depois de submeter seus vizinhos mais próximos, derrotou os etruscos. Mais tarde expulsou as tribos do povo gaulês, que atacavam pelo norte da península. Em pouco tempo, quase toda a Itália pagava tributos a Roma.
Depois de derrotar os cartagineses, Roma passou a atacar outros povos. Os objetivos romanos nessas guerras continuavam os mesmos: dominar territórios, cobrar impostos dos povos dominados e escravizar os prisioneiros de guerra. Depois da Grécia, os romanos conquistaram a Ásia Menor. Foi assim que em 63 a.C. os judeus perde- ram sua independência quando Pompeu, mais uma vez, os submeteu ao “jugo dos pagãos”.
O poder estava nas mãos do imperador; ele é quem mandava nas forças armadas, ele é quem governava e tinha 0 poder de legislar não só em causa própria como também alheia. Ele era também 0 chefe religioso. O imperador nomeava as pessoas para os cargos de destaque, como os prefeitos de uma cidade ou governador (chamado procónsul) de uma província. A Palestina foi governada por um procónsul romano que residia na Síria. Seus limites abrangiam a Judéia, Peréia, Samaria, Galiléia, Decápolis. Em cada uma dessas regiões havia um governador que era indicado pelo imperador, sendo cada qual independente e autônoma.
Foi assim que Herodes 0 Grande foi indicado pelo imperador Augusto para exercer 0 governo da Palestina. Ele ime- diatamente recuperou economicamente a Judéia com suntuosas construções, como também fortificou as cidades com muros ou contingentes militares. Seu governo perdurou de 37 a.C. a 4 d.C. Herodes retalhou 0 país por testamento entre três dos seus filhos, que milagrosamente conse- guiram sobreviver, sendo assim repartida a Palestina:
Herodes Arquelau recebe a parte central: Judéia, Samaria e Iduméia. Gover- nou por seis anos, até que foi exilado pelos romanos. Com este fato, sua região passou a ser governada por procuradores, nomeados, como de costume, direta- mente pelo imperador. Não muito tempo depois os romanos entregaram sua re- gião para ser governada por Herodes Agripa I.
Herodes Antipas ganhou a Galiléia e a Peréia – a parte da Transjordânia habitada por judeus, do mar Morto até perto do mar da Galiléia.
Herodes Felipe II ficou com as terras entre o mar da Galiléia e a Síria, ou seja, cinco distritos: Gaulanitis, Betânia, Auranitas, Ituréia e Traconites.
Herodes Agripa I recebeu parte das terras do Líbano. Depois da morte de Herodes Antipas, foi incorporada à sua jurisdição as regiões da Galiléia, Peréia e a Judéia. Foi em sua administração que foi morto Tiago (Atos 12.1-4) e tam- bém preso o apóstolo Pedro. Esse Herodes é o que foi comido por bichos por não ter dado glória a Deus (Atos 12.23).
GALILÉIA
O termo vem do hebraico ׳) גלילה Galiylah), que significa “ circuito” , “distrito” , “região” . Está situada na
região do norte de Israel situada entre o mar Mediterrâneo, o lago de Tiberíades e 0 vale de Jezreel. E uma região de colinas, entre elas o célebre monte Tabor, local em que, segundo os Evangelhos, ocorreu a transfiguração de Jesus Cristo.
Nos tempos de Cristo a região incluía a parte setentrional da Palestina, a oeste do Jordão e ao norte de Sa-
Palestina na época de Jesus
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MÓDULO ן I GEOGRAFÍA
maria. Dividia-se em Alta e Baixa Galiléia. Os galileus usavam um dialeto e uma pronúncia peculiares. Nas Escrituras o termo “galileu” (gr. galilaiov – Galilaios) usado durante 0 processo de Jesus bem como na boca de uma criada do Sumo Sacerdote, que morava em Jerusalém, toma-se significativo. Tudo indica um leve tom de desprezo na observação que as pessoas faziam a Pedro na mesma ocasião: “Verdadeiramente, és um deles, porque também tu és galileu” (Marcos 14.70).
Os evangelistas não encobriram as origens e atividades galiléias de Jesus; ao contrário, as narrativas evangé- licas sobre Jesus contêm mais de sessenta referências à região. Chamar alguém de “galileu”, porém, tinha impli- cações claramente pejorativas, pelo menos do ponto de vista da ortodoxia de Jerusalém no século I. A melhor prova disso se vê no evangelho de João: os fariseus de Jemsalém tentam desacreditar um componente de seu grupo, Nicodemos, que procura um processo justo para Jesus; zombam dele dizendo: “Dar-se-á o caso de que também tu és da Galiléia?” (João 7.52). No contexto, isso equivale a “ignorante da lei e maldito” ou samaritano, igualmente desprezível (João 8.48).
SAMARIA
A época da invasão da terra por parte dos israelitas esta região era habitada pelos ferezeus e cananeus. Coube como herança às tribos de Efraim, Issacar e Benjamim. Com a divisão do reino entre Roboão e Jeroboão, a faixa de terra que se estendia desde Betei até Dã, e desde 0 mar Mediterrâneo até a Síria e Amom, ficou conhecida como província de Samaria. Essa área de terra foi primeiramente ocupada pelas dez tribos lideradas por Jeroboão. Esse território foi diminuído pelas conquistas de Hazael, rei da Síria, conforme relato bíblico: “Naqueles dias, começou o SENHOR a diminuir os limites de Israel, que foi ferido por Hazael em todas as suas fronteiras, desde o Jordão para o nascente do sol, toda a terra de Gileade, os gaditas, os rubenitas e os manassitas, desde Aroer, que está junto ao vale de Amom, a saber, Gileade e Basã” (2 Reis 10.32). Depois foi a vez de Pul e Tiglate-Pileser diminuírem a extensão da província (2 Reis 15.29; 1 Crônicas 5.26), e finalmente pelas vitórias de Salmaneser, que “passou por toda a terra, subiu a Samaria e a sitiou por três anos” (2 Reis 17.5-6). Depois deste último, Samaria ficou em completa desolação (2 Reis 17.23 – 21.13), sendo depois repovoada por estrangeiros durante os anos do cativeiro (2 Reis 17.24; Esdras 4.10).
A capital da província de Samaria era a cidade que tinha o mesmo nome: Samaria. Onri, pai de Acabe, com- prou, de um cidadão de nome Semer, um monte onde construiu uma bela cidade. Em homenagem a seu antigo proprietário, Onri deu a esta cidade 0 nome de Samaria (1 Reis 16.24).
Estava situada a meio caminho do Jordão ao Mediterrâneo, ao oriente da planície de Sarom, no alto de um monte alongado e íngreme. Os reis empreenderam muitas obras na cidade de Samaria para a tomarem forte, bela e rica. Acabe construiu uma casa de marfim (1 Reis 22.39) e também mandou cercar a cidade com grossas mura- lhas, tomando-a invencível. Construiu ainda, a gosto de sua esposa, um monumental templo dedicado a Baal.
Foi ali que os profetas Elias e Eliseu exerceram seus ministérios (1 Reis 17. 1; 18.1; 19.1; 2 Reis 2.1). Porcau- sa de seus constantes pecados, foi tomada mais tarde, depois de um cerco de três anos. O assédio, principiado por Salmaneser IV, foi concluído por Sargão no ano 722 a.C. (2 Reis 17.5-6). Os habitantes sofreram horrivelmente durante esse tempo, e esses sofrimentos acham-se descritos pelos profetas Oséias (10.5, 8-10) e Miquéias (1.6). Este último havia predito que a cidade seria reduzida a um montão de pedras. Subjugada a cidade, Sargão man- dou seus habitantes para longe, estabelecendo-os em territórios que ficavam muito longe do país de origem. Em contrapartida trouxe outros povos para habitar as terras despovoadas, e foi assim que surgiram os samaritanos.
JUDÉIA
O nome Judéia veio do patriarca que recebeu essa faixa de terra como herança, Judá. A Judéia era a porção no extremo sul das três principais divisões da Terra Santa (conforme mapa). Também denotava 0 reino de Judá, para distingui-10 do reino de Israel (Norte). Toda a região é montanhosa, e os picos mais altos estão em Jerusalém. Essas montanhas se estendem para o sul, passando por Belém, alcançando Hebrom, formando de- pois as famosas cadeias de montanhas da Judéia. A leste dessa região ficava o rio Jordão e seu vale; mais para oeste a região montanhosa; e mais para oeste, Sefalá ou colinas baixas. Ao norte, a Judéia fazia fronteira com
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a Samaria; ao sul encontrava-se o grande deserto. Três estradas partem de Jerico e seguem na direção noroeste, até Ai e Betel, a sudoeste de Jerusalém, e para 0 sul e para o sudoeste, até 0 baixo Cedrom ou até Belém.
O coração da Judéia sempre foi a região montanhosa, um planalto que se estende desde Betel até Ber- seba, onde estão localizadas as cidades de Jerusalém, Belém e Hebrom. Esse planalto tem vertentes que descem na direção do ocidente até chegar à planície marítima com margens no mar Mediterrâneo. No lado oposto, oriental, desce em direção do mar Morto e do rio Jordão. Nessa localização se encontra o deserto da Judéia. A cidade mais importante dessa região era Jericó.
DECÁPOLIS
Decápolis é 0 nome dado na Bíblia e por escritores antigos a uma região na Palestina que se encontra ao leste e ao sul do mar da Galiléia. Seu nome é dado devido à confederação das dez cidades que dominaram sua exten- são, unidas por certos costumes e por certa população. Localiza-se entre a planície de Esdrelon, dirigindo-se para 0 vale do Jordão, ocupando o leste deste rio. Era formada pelas cidades de Hipos (na margem oriental do mar da Galiléia), Damasco (ao norte), Canata (no extremo leste), Diom, Gadara, Citópolis (no extremo oeste), Pela, Filadélfia e Gerasa (no extremo sul).
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MÓDULO 11 GEOGRAFIA
REFERÊNCIAS
ANDRADE, Claudionor de. Geografia bíblica. 6a ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1998.
BALL, Charles Ferguson. A vida e os tempos do apóstolo Paulo. Rio de Janeiro: CPAD, 1998.
BELL JR., Albert. Explorando 0 mundo do Novo Testamento. Minas Gerais: Atos, 2001.
ELWELL, Walter A. Manual bíblico do estudante. Rio de Janeiro: CPAD, 1997.
HALLEY, Henry Hampton. Manual bíblico de Halley. São Paulo: Vida, 2001.
JENKINS, Simon. Atlas da Bíblia. São Paulo: Abbapress, 1998.
JOSEFO, Flávio. História dos hebreus. 5a ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2001.
MESQUITA, Antonio Neves de. Povos e nações do mundo antigo. 6a ed. Rio de Janeiro: Juerp, 1995. MILLARD, Alan. Descobertas dos tempos bíblicos. São Paulo: Vida, 1999.
MONEY, Netta Kemp de. Geografia bíblica. 10a ed. São Paulo: Vida, 1999.
NALBANDIAN, Garó; SARAGOSA, Alessandro. A Terra Santa. Itália: Casa Editrice Bonechi, 1991. QUEIROZ, Eliseu. Israel por dentro. Rio de Janeiro: CPAD, 1987.
TOGNINI, Enéas. Geografia da Terra Santa. São Paulo: Louvores do Coração, Vol. 1, 1987. ________. Geografia das terras bíblicas. São Paulo: Louvores do Coração, Vol. 2, 1987.
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faculdade teológica betesda
Moldando vocacionados
AVALIAÇÃO – MÓDULO I GEOGRAFIA BÍBLICA
1) Faça um breve comentário sobre a Mesopotâmia.
2) A partir do terceiro milênio, quais serão as grandes potências que hão de lutar para dominar a Mesopotâmia?
3) Os historiadores dividem a história do Egito antigo em três períodos. Quais são esses períodos?
4) Qual é a importância do Hamurabi para a Babilônia?
5) Como ficou dividido 0 império grego depois da morte de Alexandre?
6) Como era delimitada a terra de Canaã?
7) Usando os textos das Escrituras, relacione os habitantes de Canaã.
8) Em que vale ocorreu a célebre batalha de Josué com os amorreus, ocasião em que o Sol parou sobre Gibeão? Identifique esse vale na Bíblia.
9) Faça um desenho das fontes hidrográficas da Palestina, identificando-as nas Escrituras.
10) Como a Palestina era dividida na época do Novo Testamento?
CARO(a) ALUNO(a):
• Envie-nos as suas respostas referentes a cada QUESTÃO acima. Dê preferência par digitá-las em folha de papel sulfite, sendo objetivóla) e daro(a).
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• De preferência, envie-nos as 5 avaliações juntas.
PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO _
SUMARIO
INTRODUÇÃO ……………………………………………………………………………………………………………………………139
GÊNESIS ………………………………………………………………………………………………………………………………..140
ÊXODO…………………………………………………………………………………………………………………………………….141
LEVÍT1CO…………………………………………………………………………………………………………………………………142
NÚMEROS ……………………………………………………………………………………………………………………………..144
DEUTERONÔMIO……………………………………………………………………………………………………………………145
JOSUÉ……………………………………………………………………………………………………………………………………..147
JUÍZES …………………………………………………………………………………………………………………………………….149
RUTE …………………………………………………………………………………………………………………………………….150
PRIMEIRO LIVRO DE SAMUEL………………………………………………………………………………………………151
SEGUNDO LIVRO DE SAMUEL……………………………………………………………………………………………….153
PRIMEIRO LIVRO DE REIS …………………………………………………………………………………………………….155
SEGUNDO LIVRO DOS REIS……………………………………………………………………………………………………156
PRIMEIRO E SEGUNDO LIVRO DAS CRÔNICAS……………………………………………… 158
ESDRAS-NEEMIAS ………………………………………………………………………………………………………………..159
ESTER …………………………………………………………………………………………………………………………………….161
JÓ ……………………………………………………………………………………………………………………………………………163
SALMOS …………………………………………………………………………………………………………………………………165
PROVÉRBIOS ………………………………………………………………………………………………………………………….167
ECLESIASTES …………………………………………………………………………………………………………………………168
CANTARES DE SALOMÃO………………………………………………………………………………………………………169
ISAÍAS …………………………………………………………………………………………………………………………………….171
JEREMIAS……………………………………………………………………………………………………………………………….172
LAMENTAÇÕES ……………………………………………………………………………………………………………………..174
EZEQUIEL……………………………………………………………………………………………………………………………….175
DANIEL ……………………………. 177
OSÉIAS ………………………………………………………………………………………………………………………………….179
JOEL ……………………………………………………………………………………………………………………………………….179
AMÓS ……………………………………………………………………………………………………………………………………..182
OBADIAS ………………………………………………………………………………………………………………………………..182
JONAS………………………………………………………………………………………………………………………………………182
MIQUÉIAS ………………………………………………………………………………………………………………………………184
NAUM……………………………………………………………………………………………………………………………………..185
HAB ACUQUE………………………………………………………………………………………………………………………….186
SOFONIAS ………………………………………………………………………………………………………………………………187
AGEU………………………………………………………………………………………………………………………………………189
ZACARIAS………………………………………………………………………………………………………………………………190
MALAQUIAS…………………………………………………………………………………………………………………………..191
REFERÊNCIAS …………………………………………………………………………………………………………………………..192
194
AVALIAÇÃO
M Ó D U L01 1 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
INTRODUÇÃO
A redação do Antigo Testamento tomou mais de mil anos, considerando como de autoria Mosaica os livros mais antigos. Entre esses escritos encontramos poesias, cânticos, e relatos muito antigos, cuja conservação provavelmente tenha sido feita por transmissão oral, segundo algumas linhas teóricas a respeito das fontes bíblicas, ou por documentos escritos, mais antigos, que se perderam (ou, pelo menos, não foram encontrados até o momento). Não cabe aqui discutir a forma de transmissão dessas mensagens, pois fugiria aos objetivos deste trabalho. Desejamos oferecer de modo sistemático informações sobre a data, o autor, 0 contexto histórico e o conteúdo de cada livro que compõem esta coleção denominada de Antigo Testamento.
A datação dos textos bíblicos é um trabalho difícil ma importante. Trata-se de uma pesquisa da maior impor- tância, que vem elucidar questões lingüísticas e amparar a compreensão dos significados. Nesse sentido, vem sendo enormemente auxiliada pelos estudos da arqueologia e da própria lingüística.
A pluralidade de autores muito contribuiu para a riqueza do próprio texto, o qual deixa de apresentar o ponto de vista de um indivíduo ou grupo, e passa a representar as crenças de um povo ao longo de muitos séculos.
Assim sendo, por meio de uma abordagem concisa e objetiva, apresentaremos uma síntese do Antigo Testa- mento, abrangendo em volumes específicos cada um dos livros que compõem esse grande monumento espiritual. Ao estudante, em seus primeiros contatos com a matéria, a síntese, se fazem, igualmente, de indiscutível utili- dade, proporcionando uma visão geral de todo Antigo Testamento, oferecendo uma visão geral apta a norteá-lo em seus estudos futuros e, ao mesmo tempo, específica 0 suficiente para propiciar a compreensão imediata dos tópicos tratados.
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M Ó D U L 0 1 1 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
GÊNESIS
Gênesis é 0 primeiro livro da Torá. Faz parte do Pentateuco, que são os cinco primeiros livros da Bíblia. Gênesis, significa “principo, origem; nascimento” foi dado este nome pela Septuaginta (tradução grega da Bíblia hebraica), ao passo que seu título hebraico é Bereshit (no princípio), primeira palavra no livro hebraico. Ao contrário de muitas teorias, este livro trata da origem do mundo, do homem, do pecado e, principalmente, a promessa de um redentor, etc.
Autor: O livro de Gênesis não identifica seu autor, entretanto outros livros das Escrituras vinculam Moisés à sua com- posição (Êxodo 17.14;24.4-7; 34.27; Números 33.1-2; Deuteronômio 31.9; Josué 1.7-8; 8.32,34; 22.5; 1 Reis 2.3; 2 Reis 14.6; 21.8; Esdras 3.2; 6.18; Neemias 8.1; Daniel 9.1113־ ). As antigas tradições hebraicas e cristãs quase que unânimes
atribuem a Moisés a autoria do Pentateuco (Mateus 19.8; Marcos 12.26; João 5.46A7; 7.19; Romanos 10.5).
Tema. As origens de tudo. Pelo seu título já dá para perceber do que tratará. Conta do começo de tudo menos de Deus. Segundo 0 escritor Myer Pearlman, este livro “tem sido chamado ‘viveiro’ das gerações da Bíblia, pelo fato de nele se encontrarem todos os começos de todas as grandes doutrinas referentes a Deus, ao homem, ao pecado e à salvação”.1 Sem medo de errar, poderiamos chamá-lo de a sementeira da Bíblia. Neste livro consta 0 princípio do céu e da terra, o princípio dos mares, dos peixes, dos animais, do homem, da mulher, do primeiro casamento, do pri- meiro homicídio, da queda, do primeiro sacrifício, da redenção, das nações, e de Israel, o povo escolhido de Deus.
Gênesis também aborda temas teológicos importantes como: a doutrina do Deus vivo e pessoal; a doutrina do homem criado a imagem de Deus; e depois do homem sujeito ao pecado; a promessa inicial de um Redentor (3.15); e as promessas da aliança feitas à nação de Israel (12.1-3; 15.18-21).
Esfera de ação. Da criação até à morte de José, abrangendo um período de 2.315 anos, de cerca de 4004 a 1689 antes de Cristo.
Pessoas-chave: Adão, Eva, Noé, Sem, Abraão, Sara, Isaque, Rebeca, Jacó e José.
Esboço de Gênesis
I. A história primitiva do ser humano (1.1- 11.32)
II. As narrativas da criação (1.1-2.5)
a) Criação dos céus, da terra, e da vida sobre a terra (1.1-2.3)
b) Criação do ser humano (2.4-25)
c) A queda do ser humano (3.1 -24)
III. O mundo anterior ao dilúvio (4.1-5.32)
a) Noé e o dilúvio (6.1 -9.29)
b) A tabela das nações (10.1 -32)
c) A confusão das línguas (11.1-9)
d) Genealogia de Abraão (11.10-32) IV.
IV. Os patriarcas escolhidos (12.1-50.26)
a) Abrão (Abraão) (12.1-23.20)
b) O chamado de Abraão (12.1-23.20)
c) A batalha dos reis (14.1-24)
d) O concerto de Deus com Abraão (15.1-21.34)
e) O teste de Abraão (22.1 -24)
‘ PEARIMAN, Myer. Através da Bíblia Livro por Livro. São Paulo: Editora Vida, 1999, p. 13.
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M Ó D U L0 1 1 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
V. Isaque (24.1-26.35)
a) A noiva de Isaque vem da Mesopotâmia (24.1-67)
b) A morte de Abraão (25.1 -11)
c) Ismael, Esaú e Jacó (25.12-34)
d) Deus confirma seu concerto com Isaque (26.1-35)
VI. Jacó (27.1-35,29)
a) Jacó engana 0 seu pai (27.1-46)
b) A fuga de Jacó para Harã (28.1-10)
c) Deus confirma 0 concerto com Jacó (28.11-22)
d) O casamento de Jacó em Harã (29.1- 30.43)
e) O retomo de Jacó para Canaã (31.1-35.29)
VII. Esaú (36.1-43)
VIII. José (37.1-50.26)
a) A venda de José (37.1-40.23)
b) A exaltação de José (41.1-57)
c) José e os seus irmãos (42.1-45.28)
d) Jacó muda para 0 Egito (46.1-48.22)
e) A benção de Jacó e 0 seu sepultamento (49.1-50.21)
f) Os últimos dias de José (50.22-26)
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) O que significa 0 nome Gênesis?
2) Qual 0 tema de Gênesis?
3) Qual a esfera de ação do livro de Gênesis?
EXODO
Por volta dos anos 1400 a.C., toda a parte ocidental do Fértil Crescente estava sob 0 domínio dos egípcios: Palestina, Fenicia, Síria. Num primeiro momento para os filhos de Israel isso era vantajoso. Faraó havia concedí- do a eles 0 privilégio de morarem no melhor do Egito, na terra de Gósen (Gênesis 45.10). Entretanto, não muito tempo depois, essa vantagem se tomou em um grande problema. Levantou-se um Faraó que não conheceu José e começou a afligir os filhos de Israel. Deus levantou um libertador, um remidor para tirar seu povo do Egito com mão forte: Moisés. Assim sendo, Êxodo é 0 livro da redenção; registra os acontecimentos da libertação de Israel do Egito e seu desenvolvimento como nação, segundo 0 pacto feito por Deus com Abraão em Gênesis 15 e 17.
Autor. Moisés.
Título. O nome do segundo livro do Pentateuco, da lei de Moisés, provém da Septuaginta que 0 chama de Êxodos, que significa “saída” ou “partida”. O título é lógico, pois retrata a saída da nação eleita do Egito, sendo 0 tema predominante do livro. Tudo em cumprimento à promessa feita em Gênesis 15.13-14.
Tema. Libertação. A saída de Israel do Egito é 0 ponto culminante da redenção do Antigo Testamento aliada à promulgação da Lei no Sinai constituem 0 auge da história da salvação. A revelação de Deus é patente em todo 0 livro. Ele é quem controla a história (Êxodo 1); Ele se revelou através de seu nome (Êxodo 3.14); Ele é 0 sobe- rano de toda a terra (Êxodo 19.5); Ele é 0 redentor seguro (Êxodo 6.6); Ele é 0 reto Juiz (4.14; 20.5; 32.27-28).
Esfera de ação. O livro registra acontecimentos desde o nascimento de Moisés até a conclusão e dedicação do
CURSO DE TEOLOGIA 141
M Ó D U L 0 1 1 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
tabernáculo no Sinai no primeiro mês do segundo ano após a saída do Egito (v.1.1; 2.1-14; 19.1; 40.17). Assim sendo, é possível que 0 livro de Êxodo tenha sido compilado na caminhada pelo deserto em aproximadamente 40 anos.
O grande dilema para os estudiosos foi determinar o século em que os fatos associados à saída do Egito realmente sucederam. Segundo Paul Hoffi “há duas opiniões principais a respeito desta questão. De acordo com a primeira. 0 êxodo dataria, mais ou menos, por volta do ano de 1440 a.C. Conforme a segunda opinião, ocorreu no reinado de Ramsés II, entre 1260 e 1240 a.C”. Conclui esse autor afirmando que “não há duvida alguma de que os israelitas saíram do Egito no lapso compreendido entre 1450 e 1220 a.C”.2 Pessoas-chave: Moisés, Minã, Faraó, Filha de Faraó, Jetro, Arão, Josué, Bezalel.
Esboço de Êxodo
I. A libertação miraculosa de Israel (1.1-13.16).
a) A opressão dos israelitas no Egito (1.1 -22).
b) O nascimento e a primeira parte da vida de Moisés (2.1-4.31)
c) O processo de libertação (5.1-11.10)
d) O episódio do êxodo (12.1-13.16).
II. A jornada miraculosa até 0 Sinai (13.17-18.27).
a) A Libertação junto ao mar Vermelho (13.17-15.21).
b) A provisão para 0 povo (15.22-17.7).
c) A proteção contra os amalequitas (17.8-16).
d) O estabelecimento dos anciões supervisores (18.1-27).
III. As revelações miraculosas junto ao Sinai (19.1- 40.38).
a) A chegada ao Sinai e a manifestação de Deus (19.1-25).
b) Os dez mandamentos (20.1-21).
c) O Livro da Aliança (20.22-23.19).
d) A proteção do Anjo de Deus (23.20-33).
e) Israel confirma 0 concerto (24.1-18).
f) Orientação a respeito do tabernáculo (25.1-31.18).
g) O bezerro de ouro (32.1-35).
h) Arrependimento e renovação do concerto (33.1-35.3).
i) A construção do tabernáculo (35.4-40.33).
j) A glória do Senhor enche o tabernáculo (40.34-38).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) O que significas o nome Êxodo?
2) Quando foi compilado 0 livro de Êxodo?
3) Como Deus se revelou nesse livro?
LEVITICO
Levítico é 0 manual de regras e deveres sacerdotais e de instruções que prescreve a “vida santa”. As palavras sacrifício, sacerdote, sangue, santo, expiação aparecem com muita freqüência, enfatizando a santidade corporal bem como a espiritual. “Em êxodo vemos como Deus tira seu povo do Egito; em Levítico vemos como Deus tira o ‘Egito’ do povo. Êxodo inicia com pecadores; Levítico com santos”.3
Autor. Como nos livros anteriores, o autor também é Moisés. A expressão “o Senhor disse a Moisés” aparece mais de 56 vezes no texto (pelo menos uma vez por capítulo exceto 2, 3, 9,10 e 26).
2HOFF, Paul. 0 Pentateuco. São Paulo: Ed. Vida, 1993, p.104.
3 PHILLIPS, John. Explorando as Escrituras – Uma Visão Geral de Todos os Livros da Bíblia. 2° ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p.27.
1 « CURSO DE TEOLOGIA
M Ó D U L0 1 1 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
Título. Como nos precedentes, esse nome, Levítico, também veio da antiga tradução grega, a Septuaginta, que 0 intitulou como Leuitikon, ou seja, “pertinente aos levitas”.
Tema. O viver santo. Neste livro, encontra-se revelado 0 meio pelo qual a nação de Israel haveria de manter a comunhão com seu Deus. Israel fora chamado para ser uma testemunha viva do Deus vivo, em meio às nações pagãs, portanto teriam que se manter separados do modo e costumes das nações que os cercavam. Deus forneceu instruções especificas para a adoração que lhe era agradável. Assim 0 propósito do livro era comunicar a sanfi- dade do Deus de Israel e delimitar os meios pela qual 0 povo teria acesso a ele. Deus é intrínsecamente santo e chama o seu povo para ser santo, dando-lhe o padrão de obediência pelo qual pode manter a santidade.
O livro pode ser dividido em cinco seções:
Esfera de ação. O livro se origina na revelação de Deus dada ao seu servo Moisés na tenda da congregação, no original “tenda do encontro” (1.1) durante os onze meses que permaneceram no Sinai (Êxodo 19.1; 40.17; Números 10.11), portanto menos de um ano.
Pessoas-chave: Moisés, Arão, Nadabe, Abiu, Eleazar e Itamar.
Esboço de Levítico
I. A descrição do sistema de sacrifícios (1.1-7.38).
a) Os holocaustos (1.1-17).
b) As ofertas de manjares (2.1-6).
c) Os sacrifícios de paz ou das graças (3.1.17).
d) A Expiação do pecado (4.1-5.13).
e) O sacrifício pelo sacrilégio (5.14-6.7).
f) Outras instruções (6.8-7.38).
II. O serviço dos sacerdotes no santuário (8.1-10.20).
a) A ordenação de Arão e seus filhos (8.1-36).
b) Os sacerdotes tomam posse (9.1-24).
c) O pecado de Nadabe e Abiú (10.1-11).
d) O pecado de Eleazar e Itamar (10.12-20)
III. As leis das impurezas (11.1-16.34)
a) Imundícias dos animais (11.1 -47).
b) Imundícias do parto (12.1-8).
c) Imundícias da pele (13.1-14.57).
d) Imundícias de emissão (15.1-33).
e) Imundícias morais (16.1-34).
IV. O código de Santidade (17.1-26.46).
a) Matando por alimento (17.1-16).
b) Sobre ser sagrado (18.1-20.27).
c) Leis para sacerdotes e sacrifícios (21.1- 22.33).
d) Dias santos e festas religiosas (23.1-44).
e) Leis para elementos sagrados de louvor (24.1-9).
f) Punição para blasfêmia (24.10-23).
g) Os Anos do Descanso e do Jubileu (25.1-55).
h) Bênçãos por obediência e punição por desobediência (26.1-46).
V. Ofertas para 0 santuário (27.1-34).
w CURSO DE TEOLOGIA
M Ó D U LO 1 1 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Quais são as palavras que aparecem com mais freqüência nesse livro?
2) Como pode ser dividido o livro?
3) Quem são as pessoas chaves em Levítico?
NÚMEROS
Números é livro da peregrinação pelo deserto, da caminhada rumo à terra prometida, mas também da prova- ção quanto à obediência. Ele reflete o censo das tribos de Israel no inicio do livro e no final, demonstrando que nem sempre quem começa bem, termina bem. A geração enumerada no começo do livro não é igual a enumerada no final. Devido ao trágico acontecimento em Cades-Barnéia muito tiveram seu fim no deserto.
Autor. Tradicionalmente, a autoria é atribuída a Moisés, a personalidade central do livro. Números 33.2 faz uma referência especifica a Moisés, registrando pontos sobre a viagem no deserto.
Título. O título hebraico do livro (bemidbar) significa “no deserto”. Números é 0 nome dado pela Septua- ginta, reflexo dos dois recenseamentos dos hebreus descritos nos capítulos 1 e 26. O livro destaca a provação no deserto e a rebelião do povo da aliança durante sua jornada rumo a terra prometida.
Tema. O fracasso de Israel. Podería ser chamado de o ־־diário” dos primeiros dias do relacionamento da
aliança entre Deus e Israel. O livro narra a jornada de Israel desde o monte Sinai até as planícies de Moabe. As peregrinações pelo deserto foram frutos da desobediência. A maior parte da geração que havia presenciado os sinais operados no Egito, por não confiarem nas promessas de Deus. não entrou na Terra prometida, e, conse- qüentemente, pereceram no deserto. “O livro, portanto ensina às gerações posteriores que a conformidade com a aliança traz benção, mas a rejeição da aliança acarreta tragédia e sofrimento”.4 O Novo Testamento usa ários acontecimentos do livro de Números para lembrar aos crentes a seriedade do pecado (compare João 3.14 com Números 21.9; 1 Corintios 10.5-11 com Números 14.29-35; 16.41-50; 20.1-13; 2 Pedro 2.15-16 com Números 22.24; Apocalipse 2.14 com Números 22.24; Judas 11 com Números 16).
Esfera de ação. De acordo com as datas apresentadas no Pentateuco, 0 livro de Números abrange aproxima- damente um período de quase trinta e nove anos.
Pessoas-chave: Moisés, Arão, Miriã, Josué, Calebe, Eleazar, Cora e Balaão.
Esboço de Números
I. Instruções para a viagem do Sinai (1.1-10.10).
A. Relato sobre a tomada do censo (1.1-4.9).
a) Censo militar (1.1-2.34).
b) Censo não militar: levitas (3.1-4.49).
B. Instruções e relatos adicionais (5.1-10.10).
a) Cinco instruções (5.1-6.27).
b) Ofertas dos líderes (7.1-89).
c) Levitas dedicados (8.1-26).
d) Segunda Páscoa (9.1-14).
e) Direção pela nuvem e fogo (9.15-23).
1) As trombetas de prata (10.1-10).
II. Relato da viagem do Sinai (10.11-36.13).
4 DOCKERY, David $. Manual Bíblico Vida Nova. São Paulo: Edições Vida Nova, 2001, p.196.
144 CURSO DE TEOLOGIA
M O D U L 0 11 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
A. Rebelião e punição da primeira geração (10.11-25.18).
a) Relato da primeira marcha do Sinai (10.11-36).
b) Queixas do povo (11.1-3).
c) Ansiando por carne (11.4-35).
d) Desafio para Moisés (12.1-16).
e) Recusa a entrar na Terra Prometida (13.1-14.45).
f) Instruções relacionadas às ofertas (15.1-41).
g) Desafios à autoridade de Arão (16.1-18.32).
h) Leis da purificação (19.1-22).
i) A morte de Miriã e Arão (20.1-29).
j) Do monte Hor às planícies do Moabe (21.1-35).
k) Balaque e Balaão (22.1-25.18).
B. Preparo da nova geração (26.1-36.13).
a) Um novo censo (26.1-65).
b) Instruções relacionadas à herança, ofertas e votos (27.1-30.16).
c) Vingança sobre os midianitas (31.1-54).
d) As tribos da Transjordânia (32.1-42).
e) Itinerário do Egito até Moabe (33.1-49).
f) Instruções para a ocupação de Canaã (33.50-36.13).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
l) O que reflete 0 livro de Números?
2) Como podería ser chamado 0 livro de Números?
3) Quanto tempo abrange a esfera de ação?
DEUTERONÔMIO
Moisés contava agora com aproximadamente 120 anos, estando bem próximo da Terra Prometida. Ele traz a lembrança de como Deus tirou os israelitas da escravidão no Egito e os guiou pelo deserto para receber a lei de Deus no monte Sinai. Entretanto, por causa da desobediência de Israel em se recusar a entrar na Terra Prometí- da, eles perambularam sem destino no deserto por quase quarenta anos. Agora acampados na fronteira oriental de Canaã, no vale defronte de Bete-Peor, na região montanhosa do Moabe, de vista para Jerico e a planície do Jordão, prestes a entrarem na Terra Prometida, depararam-se com um momento crucial em sua história – novos inimigos, novas tentações e nova liderança. Moisés reuniu 0 grupo para lembrá-los da fidelidade do Senhor e para encorajá-los a serem fiéis e obedientes ao seu Deus quando possuíssem a Terra Prometida. Deus lembrou a seu povo que, para ratificar a aliança, Israel precisava optar pela obediência. A decisão de obedecer traria muitos benefícios, a rebelião acarretaria severas calamidades.
Autor. Deuteronômio identifica 0 conteúdo do livro com Moisés: “Estas são as palavras que Moisés falou a todo 0 Israel” (1.1). O nome de Moisés aparece quase quarenta vezes, e o livro reflete claramente a personalidade de Moisés. O uso corrente da primeira pessoa do singular em todo 0 livro apóia ainda mais a autoria mosaica. Tanto a tradição judaica quanto a samaritana são unânimes em identificar Moisés como 0 autor. Assim como Cristo, Pedro e Estevão também reconhecem Moisés como 0 autor do livro (Mateus 19.7,9; Marcos 10.3-4; Atos 3.22; 7.37). O último capítulo, que contém 0 relato da morte de Moisés, foi escrito, provavelmente, por seu amigo íntimo, Josué.
Titulo. Deuteronômio também provém da Septuaginta que significa “segunda lei”, ou “repetição da lei” de- vido ao fato de registrar a repetição das leis dadas no Sinai.
CURSO DE TEOLOGIA 145
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Tema. Aliança com Deus. Deuteronômio é um chamado a obediência; é uma ordem para que 0 povo ao chegar à terra prometida não se esqueça de seus benefícios recebidos e deixem de servir seu Deus. A obediência às leis de seu Deus traria bênçãos enquanto que a desobediência causaria desgraças. Nesse sentido, Paul HofF afirma que Deuteronômio é, uma exortação viva e opressiva recordando as graves conseqüências de esquecer os benefícios do Senhor e apartar-se de seu culto e de sua lei”.5 Esfera de ação. Dois meses nas planícies de Moabe.
Pessoas-chave: Moisés e Josué.
Esboço de Deuteronômio
I. O primeiro discurso de Moisés (1.1-4.43).
a) Introdução (1.1-5).
b) O passado recordado (1.6-3.29).
c) Um chamado à obediência (4.1-40).
d) Cidades de refúgio nomeadas (4.41-43).
II. O segundo discurso de Moisés (4.44-26.19).
a) Exposição dos Dez Mandamentos (4.44- 11.32).
b) Exposição das leis cerimoniais (12.1-16.17).
c) Exposição da lei civil (16.18-18.22).
d) Exposição das leis criminais (19.1-21.9).
e) Exposição das leis sociais (21.10- 26.19).
III. O terceiro discurso de Moisés (27.1- 30.20).
a) Cerimônia de retificação (27.1-26).
b) Sanções do concerto (28.1-68).
c) O juramento do concerto (29.1-30.20).
IV. As palavras finais e a morte de Moisés (31.1- 34.12).
a) Perpetuação do concerto (31.1-29).
b) O cântico do testemunho (31.30-32.47).
c) A bênção de Moisés sobre Israel (32.48—33.29).
d) A Morte e a sucessão de Moisés (34.1-12).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Onde se encontravam os israelitas quando este livro foi escrito?
2) Quem é o autor deste livro?
3) Deuteronômio é um chamado para que?
s HOFF, Paul. 0 Pentateuco. São Paulo: Ed. Vida, 1993, p.226.
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JOSUÉ
O livro começa com Israel às portas de entrada da Terra Prometida. Politicamente, Canaã se dividia em vá- rias cidades-estados, cada uma com seu governo autocrático e todas hostis umas com as outras. Moralmente, as pessoas eram corruptas; a anarquia e a brutalidade eram comuns. A religião Cananéia enfatizava a fertilidade, o sexo, a adoração à serpente, o sacrifício de crianças e o sincretismo religioso. Estes eram alguns dos males pelos quais Deus ordenou aos israelitas a destruição completa dos cananeus. O cenário estava estabelecido e a terra propícia para a conquista.6
Em contrapartida, o povo de Israel estava animado com a direção de Josué embora imperfeitamente, conti- nuavam fiéis ao único e verdadeiro Deus e se apegavam à promessa que ele tinha feito aos seus antepassados: Abraão, Isaque e Jacó. Séculos antes, Deus havia prometido transformar Abraão e seus descendentes em uma grande nação e dar-lhes Canaã como pátria sob a condição de que eles continuassem fiéis e obedientes a ele (Gê- nesis 17). Agora, eles estavam prestes a vivenciar o cumprimento dessa promessa.
Calebe e Josué foram os únicos, dentre aqueles que se encontrava com mais de vinte anos a entrarem na terra prometida. Josué foi escolhido como sucessor de Moisés. Este livro registra seu sucesso e sua submissão a Deus.
Autor. O autor é anônimo, entretanto a tradição judaica atribui a Josué a paternidade da maior parte do livro. Algumas passagens desse livro não poderíam ter sido escritas por Josué. Sua morte é registrada no capítulo final (24.29-32), bem como vários outros acontecimentos que ocorreram após a sua morte são mencionados: A con- quista de Hebrom por Calebe (14.6-15); a vitória de Otniel (15.13-17); e a migração para Dã (19.47). Passagens paralelas em Juizes 1.10-16 e Juizes 18 confirmam que esses acontecimentos ocorreram após a morte de Josué. Portanto, é mais provável que o livro tenha sido composto em sua forma final por um escriba ou editor posterior, mas foi baseado em documentos escritos por Josué.
Tema. A conquista da Terra prometida. Após a morte de Moisés, Deus comissionou Josué para continuar sua promessa que havia feito aos patriarcas, ou seja, de conquista e ocupação da terra prometida. O povo que acabara de sair do exílio é recordado da responsabilidade pela “herança” que recebeu de Deus. Portanto os israelitas não deviam se acovardar-se, mas avançar com coragem para tomar posse daquilo que lhes pertencia por herança. Josué recebeu a garantia do êxito de sua missão, condicionado com 0 cuidado de seguir as instruções contidas no livro da lei que lhes haviam sido entregue por Moisés. O livro relata a fidelidade de Deus em cumprir suas promessas. Josué é livro de vitória e de possessão, ensina na prática que um povo que outrora era rebelde, pode ser transformado num grande exército vitorioso por tão somente seguir a liderança teocrática do Senhor.
Esfera de ação. Cobre um período de aproximadamente 24 anos, que vai desde a morte de Moisés até a morte de Josué.
Pessoas-chave: Josué, Raabe, Acã, Finéias e Eleazar.
Esboço de Josué
I. Preparação da herança (1.1-5.15).
A. Mediante a escolha do líder do exército (1.1-18).
a) Josué ouve o chamado (1.1 -9).
b) Josué dá o mandamento (1.10-15).
c) Josué recebe estímulo (1.16-18).
B. Mediante 0 preparo do exército para a batalha (2.1-5.15).
a) Procurando a moral do inimigo (2.1-24).
b) Posicionando o povo para a batalha (3.1-5.1).
c) Fortalecendo as tropas para a guerra (5.2-12).
d) Convencendo um líder a servir (5.13-15).
‘ Veja Geografia Bíblica: 0$ Cananeus.
CURSO DE TEOLOGIA 147
M Ó D U L0 1 1 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
II. Possuindo a herança (6.1-12.24).
A. O território central (6.1-8.35).
a) A obediência traz a conquista (6.1-27).
b) O pecado traz a derrota (Acã 7.1-26).
c) O arrependimento traz a vitória (8.1-29).
d) A lei traz a bênção (8.30-35).
B. O território do Sul (9.1-10.43).
a) O engano traz o cativeiro (9.1-27).
b) Os milagres trazem a liberação (10.1-43).
C. O território do Norte (11.1-15).
D. Revisando os territórios conquistados (11.16—12.24).
a) Os territórios (11.16-23).
b) Os reis (12.1-24).
III. Compartilhando a herança (13.1-22.34).
A. Distribuindo a herança (13.1-21.45).
a) Partes ainda não conquistadas (13.1-7).
b) Partes para Ruben, Gade e Manassés (13.8-33).
c) Dividindo as partes a oeste da Jordânia (14.1-5).
d) Uma parte para Calebe (14.6-15).
e) Uma parte para Judá (15.1-63).
í) Uma parte para Efraim e Manassés (16.1-17.18).
g) Partes para as tribos restantes (18.1-19.48).
h) Uma parte para Josué (19.49-51).
i) Cidades de refugio e para os levitas (20.1-6.21.42).
))Epílogo (22.1-34).
B. Discutindo o futuro (22.1-34).
a) Uma benção para as tribos do Leste (22.1-9).
b) Uma explicação para 0 altar (22.10-34).
IV. O discurso final de Josué e sua morte (23.1—24.33).
a) Josué aconselha os líderes (23.1-16).
b) Josué desafia o povo (24.1-28).
c) Josué morre (24.29-33).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Quem foram os únicos acima de vinte anos a entrar na terra prometida?
2) Quais são os outros acontecimentos que ocorreram após a morte de Josué que são mencionados nesse livro?
3) O que relata 0 livro?
148 CURSO DE TEOLOGIA
MÓDULO 11 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
JUÍZES
Os israelitas estavam de posse da terra que Deus lhes havia prometido, eles por outro lado formalizaram seu compromisso de permanecerem fiéis a Ele com uma aliança firmada em Siquém (Josué 24). Sob a liderança de Josué, Israel conquistou e ocupou de forma geral a terra de Canaâ, mas grandes áreas ainda permaneceram por ser conquistadas pelas tribos individualmente. Depois da morte de Josué, houve decadência generalizada e Israel au- mentou consideravelmente aquilo que era mau aos olhos do Senhor, de modo que “não havia rei em Israel, porém cada um fazia o que parecia reto aos seus olhos” (21.25). Ao serv irem de forma deliberada a deuses estranhos, o povo de Israel quebrava continuamente a sua aliança com o Senhor seu Deus. Em conseqüência, Deus os entrega- va nas mãos dos opressores, como uma forma de castigo por não ouvirem a sua voz. Porém, cada vez que o povo clamava ao Senhor, este, com fidelidade, levantava um juiz a fim de prover libertação ao seu povo. Estes juizes, a quem o Senhor escolheu e ungiu com o seu Espírito, eram os porta-vozes de Deus na terra, enquanto eles viviam, havia paz na terra, mas era só eles morreram para o povo voltar ao seu estado de desobediência. A conclusão que temos do livro é que enquanto Josué é um livro de vitórias, juizes é um livro de derrotas.
Autor. O livro é anônimo, entretanto, a tradição judaica o atribui a Samuel, mas ninguém o sabe com cer- teza. O que se sabe é que foi escrito depois da coroação de Saul, pois se encontra quatro vezes a expressão; “naqueles dias não havia rei em Israel…” (17.6; 18.1; 19.1; 21.25).
Tema. Semeando e colhendo. A lei da semeadura é real, aquilo que plantamos colhemos. Assim se sucedeu depois da morte de Josué. Deixaram de observar a palavra de Deus e eram guiados pela razão, “Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada um fazia 0 que achava mais reto” (Juizes 21.25). Que tragédia! Dois males comete- ram o povo escolhido: deixaram seu Deus, “0 manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas” (Jeremias 2.13). .Portanto a mensagem central do livro é que 0 problema não foi causado pelo Senhor, mas pela desobediência insistente de Israel, como é caracterizado pelos constantes refrãos: “Então, fizeram os filhos de Israel 0 que era mau perante o SENHOR…” (2.11; 3.7, 12; 4.1; 6.1; 10.6; 13.1). Duas histó- rias são acrescentadas ao Livro de Juizes (17.1—21.15) na forma de um epílogo. O propósito desses apêndices não és estabelecer um final ao período dos juizes, mas descrever a corrupção religiosa e moral existente nesse pe- ríodo. A primeira história ilustra a corrupção na religião de Israel. Mica estabeleceu em Efraim uma forma pagã de culto ao Senhor, a qual foi adotada pelos danitas quando estes abandonaram o território que lhes coube por herança e migraram para o norte de Israel. A segunda história no epílogo ilustra a corrupção moral de Israel ao relatar a infeliz experiência de um levita em Gibeá, no território de Benjamim, e a conseqüente guerra benjamita. Aparentemente, 0 propósito desta seção final do livro é ilustrar as conseqüências da apostasia e anarquia nos dias em que “não havia rei em Israel”. Com suas precisas e preciosas palavras, Myer Pearlman conclui que “a história do livro pode resumir-se em quatro palavras: Pecado, Servidão, Arrependimento, Salvação”. 7
Esfera de ação. Abrange o período que vai da morte de Josué â magistratura de Samuel, sendo um período de aproximadamente 300 anos, de 1400 a 1100.8
Pessoas-chave: Otniel, Eude, Débora, Gideão, Abimeleque, Jefté, Sansão, e Dalila.
Esboço de Juizes
I. Prólogo: As condições em Canaâ após a morte de Josué (1.13.6־).
a) Continuação das conquistas pelas tribos de Israel (1.1-26)
b) Conquista incompletas da terra (1.27-36).
c) A aliança do Senhor é quebrada (2.1-5).
d) Introdução ao período dos juizes (2.6 -3.6).
II. História de opressões e libertações durante 0 período dos juizes (3.7-16.31). *
7PEARLMAN, Myer. Através da Bíblia livro por livro. São Paulo: Editora Vida, 1999, p. 45.
*HAILEY, Henry Hampton. Manual Bíblico de Halley. São Paulo: Editora Vida, 2001, p.162.
m CURSO DE TEOLOGIA
a) Opressão mesopotâmica por meio de Otniel (3.7-11).
b) Opressão moabita por meio de Eúde (3.12-30).
c) Opressão filistéia e libertação por meio de Sangar (3.31).
d) Opressão cananita e libertação por meio de Débora e Baraque (4.1-5.31).
e) Opressão midianita e libertação por meio de Gideão (6.1- 8.35).
Breve reinado de Abimeleque (9.1-57).
a) Carreira de Tola como Juiz (10.1-2).
b) Carreira de Jair como Juiz (10.3-5).
c) Opressão amonita e libertação por meio de Jefté (10.6 -12.7).
d) Carreira de Ibsã como juiz (12.8-10).
e) Carreira de Elom como juiz (12.11,12).
f) Carreira de Abdom como juiz (12.13-15).
g) Opressão filistéia e libertação por meio de Sansão (13.1-16.31).
I. Epílogo: Condições que ilustram 0 período dos juizes (17.1-21.25).
a) Apostasia: A idolatria de Mica e a migração dos danitas (17.1-18.31).
b) Imoralidade: Atrocidade em Gibeá e a guerra benjamita (19.1-21.15).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Quem é o autor deste livro?
2) Quais os dois males cometidos pelo povo escolhido?
3) Quais são as duas histórias acrescentadas nesse livro em forma de epílogo?
M ÓDUL011 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
RUTE
Foi escrito no tempo dos juizes, num período de desobediência, idolatria e violência. Conta à história de uma mulher viúva que decide seguir 0 povo de Deus que se toma a bisavó de Davi e ancestral do Messias.
Autor. A autoria do livro é desconhecida. Devido à genealogia no capítulo 4 que vai até Davi, mas não até Salomão, alguns têm sugerido que este livro tenha sido escrito depois de Davi ser ungido rei, mas antes de ele subir ao trono, quando Samuel ainda era vivo, sendo assim uma tradição judaica posterior atribui a Samuel a autoria desse livro.
Tema. Providência divina. Se de um lado, Deus em seus profundos desígnios, permite que os justos soffam para trazer 0 bem em seu favor. Por outro, deixa evidente a recompensa daqueles que frente às adversidades da vida, permanece fiel. Diante da tragédia ocorrida na família de Elimeleque, Deus recompensou amplamente a piedade de Noemi e a lealdade de Rute.
Esfera de ação. Os episódios relatados no Livro de Rute se passam durante o período dos juizes. Segundo Pearlman “0 livro abrange um período de dez anos, provavelmente durante a época de Gideão”.9
Pessoas-chave: Rute, Noemi, Boaz.
י PEARIMAN, Myer. Através da Bíblia livro por livro. São Paulo: Editora Vida, 1999, p. 49.
150 CURSO DE TEOLOGIA
M Ó D U L 0 1 1 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
Esboço de Rute
I. Uma família hebraica em Moabe 1.1-22
a) Sofrimento de Noemi (1.1-5).
b) Dedicação e promessa de Rute (1.6-18).
c) Retomo a Belém (1.19-22).
II. Uma mulher humilde no campo da colheita (2.1-23).
a) Rute no campo de Boaz (2.1-3).
b) Generosidade e proteção de Boaz (2.4-17).
c) Noemi reconhece a bondade de Deus (2.18-23).
III. Um matrimônio planejado (3.1-18).
a) Orientação de Noemi (3.1-5).
b) Obediência de Rute (3.6-13).
c) Recompensa pela obediência (3.14-18).
IV. Parente e remidor (4.1-22).
a) Boaz, o remidor escolhido por Deus (4.1-12).
b) Casamento de Boaz com Rute (4.13).
c) Benção de Deus sobre Noemi (4.14-17).
d) Genealogia de Davi (4.18-22).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Quando foi escrito 0 livro?
2) Qual o tema do livro?
PRIMEIRO LIVRO DE SAMUEL
Israel havia sido governado por juizes que Deus levantou em momentos cruciais da história da nação; no entanto, a nação havia se degenerado moralmente e politicamente. Havia estado sob a investida violentas e de- sumana dos filisteus. O templo de Siló estava profanado e 0 sacerdócio se mostrava corrupto e imoral. Em meio a essa confusão política e religiosa surge Samuel, 0 milagroso filho de Ana. De uma forma notável, a renovação e a alegria que esse nascimento trouxe à sua mãe prefiguran! o mesmo para a nação.
Os próprios filhos de Samuel não refletiam seu caráter piedoso. O povo não tinha confiança nos seus filhos; mas a medida em que Samuel envelhecia, pressionavam-no para que lhes desse um rei. Com relutância, ele acaba cedendo. Saul, homem vistoso e carismático, é escolhido para tomar-se o primeiro rei. O seu ego era tão grande quanto a sua estatura. Pela sua impaciência, exerceu funções sacerdotais, em vez de esperar por Samuel. Depois de desprezar os mandamentos de Deus, foi rejeitado por ele. Depois dessa rejeição, Saul tomou-se uma figura trágica, consumida por ciúme e medo, perdendo gradualmente a sua sanidade. Gastou os seus últimos anos numa incansável perseguição a Davi através das regiões montanhosas e desérticas do seu reino, num desesperado es- forço para eliminá-lo. Davi, no entanto, encontrou um aliado em Jônatas, filho de Saul. Ele advertiu Davi sobre os planos do seu pai para matá-lo. Finalmente, depois que Saul e Jônatas são mortos em batalha, o cenário está pronto para que Davi se tome 0 segundo rei de Israel.
CURSO DE TEOLOGIA 151
M Ó D U L0 1 1 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
Na Bíblia hebraica esses dois livros constituem um só volume, compreendendo o período de transição dos juizes à instituição da monarquia, incluindo os reinados de Saul e Davi. O longo período de desordem nacional vai terminar com Samuel, que era ao mesmo tempo juiz e profeta.
Autor. Tanto o primeiro quanto 0 Segundo livros de Samuel são de autoria desconhecida. Segundo a tradição rabínica, ambos os livros teriam saído das mãos do profeta Samuel, sendo completados posteriormente pelos profetas Natã e Gade, por serem mencionados juntamente com Samuel em 1 Crônicas 29.29.
Tema. A monarquia em Israel. Os acontecimentos descritos nos dois livros cobrem 0 período do nascimento de Samuel até o fim do reinado de Davi. Samuel exerceu a grande função transicional entre o período dos juí- zes e a monarquia, quando a nação deixa de ser governada por juizes e passa a ser governada por reis. Até aqui tudo normal, entretanto a nação escolhida por Deus para ser seu representante na terra decide trocar o governo teocrático (governo de Deus) pelo governo dos homens. Foi o que aconteceu em Israel! “O povo podia escolher reis, como escolheu Saul, mas Deus escolhe dinastias”. 10 O principal assunto de 1 Samuel é a ascensão de Saul ao poder e a sua subseqüente rejeição.
Esfera de ação. Inicia-se com 0 nascimento Samuel terminado com a morte de Saul, perfazendo mais ou menos 115 anos.
Pessoas-chave: Ana, Samuel, Saul, Jônatas e Davi.
Esboço de Io Samuel
I. Renovação sob Samuel (1.1-7.17).
A. Nascimento e infância de Samuel (1.1-2.36).
a) Nascimento e dedicação de Samuel (1.1-2.11).
b) Crescimento de Samuel e a corrupção dos filhos de Eli (2.12-36).
B. Começo do ministério profético de Samuel (3.1-4.1).
a) Seu chamado por Deus (3.1-9).
b) Sua palavra para Eli (3.10-18).
c) Seu ministério a todo Israel (3.19-4.1).
II. O ministério de Samuel como juiz (4.2-7.17).
a) A captura da arca pelos filisteus (4.2-11).
b) A morte de Eli (4.12-22).
c) Recuperação da arca por Israel (5.1-7.1).
d) Samuel exorta ao arrependimento (7.2-6).
e) Derrota dos filisteus (8.1- 15.35).
III. O reinado de Saul (8.1 -15.35).
A. Estabelecimento de Israel por um rei (8.1-12.25).
a) A Exigência de Israel por um rei (8.1-22).
b) Saul é escolhido e ungido rei (9.1-12.25).
c) As guerras de Saul (13.1-14.52).
d) Saul é rejeitado por Deus (15.1 -35).
10 H ill, Andrew I; WAITON, J. H. Panorama do Antigo Testamento. São Paulo: Editora Vida, 2006, p.228-229.
CURSO DE T E O L O G A 152
M Ó D U LO 1 1 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
IV. Declínio de Saul e ascensão de Davi (16.1-31.13).
A. A crescente proeminência de Davi (16.1 -17.58).
a) Sua unção por Samuel (16.1-13).
b) Sua música diante de Saul (16.14-23).
c) O conflito de Davi com os filisteus e os amelequitas (29.1-30.31).
d) A morte de Saul (31.1-13).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) O que ocorria no templo em Silo?
2) Quem é 0 autor deste livro?
3) Quem são as pessoas-chave?
SEGUNDO LIVRO DE SAMUEL
O livro está enfoca ascendência de Davi ao trono e dos quarenta anos do seu reinado. Inicia-se com a morte de Saul e Jônatas na batalha do monte Gilboa. Davi é, então, ungido rei sobre Judá, sua própria tribo. Há uma disputa pelo poder entre a casa de Saul representada por Isbosete, filho de Saul em maquinação com Abner comandante- chefe dos exércitos de Saul (2 Samuel 2.8).. Embora a rebelião tenha sido sufocada, esse relato sumário descreve os sete anos e meio anteriores à unificação do reino por Davi. “E houve uma longa guerra entre a casa de Saul e a casa de Davi; porém Davi se ia fortalecendo, mas os da casa de Saul se iam enfraquecendo” (2 Samuel 3.1).
Davi unifica tanto a vida religiosa quanto política da nação ao trazer a arca do Testemunho da casa de Abina- dabe, onde havia estado deste que fora recuperada das mãos do filisteus (6.1-7.1). Davi derrota com sucesso os inimigos de Israel, e inicia-se um período de estabilidade e prosperidade. Tristemente, porém, a sua vulnerabi- lidade e fraqueza 0 levam ao pecado com Bate-Seba e ao assassinato de Urias, esposo dela. Apesar do arrepen- dimento de Davi depois de confrontado com 0 profeta Natã, as conseqüências da sua ação são declaradas com todas as letras: “Agora, pois, não se apartará a espada jamais de tua casa” (12.10).
Absalão, filho de Davi, depois de uma longa separação de seu pai, instiga uma rebelião contra o rei, e Davi foge de Jerusalém. A rebelião termina quando Absalão, pendurado numa árvore pelos cabelos, é morto por Joabe (2 Samuel 18.9-14).
O livro termina com dois belos poemas, uma lista dos valentes de Davi e com o pecado de Davi em fazer o censo dos homens de guerra de Israel. Davi se arrepende, compra a eira de Araúna e apresenta oferendas ao Senhor no altar que constrói.
Autor. Sua autoria é desconhecida. Segundo a tradição rabínica, ambos os livros teriam saído das mãos do profeta Samuel, sendo completados posteriormente pelos profetas Natã e Gade, por serem mencionados junta- mente com Samuel em 1 Crônicas 29.29.
Tema. O ungido de Deus. O autor deixa evidente 0 estabelecimento da aliança davídica por Deus. Davi ao ser coroado como rei, não usurpou o trono, antes preferiu sofrer a ser considerado um usurpador. Da sua unção em 1 Samuel 16 à entronização em 2 Samuel 5, a preocupação do narrador era demonstrar que mesmo destinado pelo Senhor a governar Israel, Davi soube esperar com paciência no Senhor. Poeta, músico, guerreiro valente e estadista nacional, Davi se destacou como um dos maiores homens de Deus. Nas decisões julgou com sabedoria e eqüidade. Na solidão, escreveu com transparente vulnerabilidade e confiança. Na amizade foi fiel até o fim. Quer como pastor humilde ou como rei de Israel, Davi permaneceu fiel e digno de confiança. Através do reinado de Davi, Deus consolidou 0 reino, unificando tanto a vida religiosa quanto a política da nação.
Esfera de ação. Desde a morte de Saul até a compra do local do templo – a eira de Araúna, abrangendo um período de 37 anos.
Pessoas-chave: Davi, Joabe, Bate-Seba, Natã e Absalão.
CURSO DE TEOLOGIA 153
M Ó D U L01 1 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
Esboço de 2o Samuel
I. Os triunfos de Davi (1.1-10.19).
A. Os triunfos políticos de Davi (1.1-5.25).
a) O reino de Davi em Hebrom (1.1-4.12).
b) O reino de Davi em Jerusalém (5.1-25)
B. Os triunfos espirituais de Davi (6.1-7.29)
a) Mudando a arca (6.1-23).
b) Aliança de Deus com Davi (7.1-29).
C. Os triunfos militares de Davi (8.1-10.19).
a) Triunfos sobre os seus inimigos (8.1-12).
b) O governo Justo de Davi (8.13- 9.13).
c) Triunfos sobre Amom é Síria (10.1-19).
II. As transgressões de Davi (11.1-27).
a) O pecado do adultério (11.1 -5).
b) O pecado do Assassinato (11.6-27).
c) Lealdade de Urias a Davi (11.6-13).
d) Ordem de Davi para assassinar Urias (11.14-25).
e) Casamento de Davi com Bate-Seba (11.26,27).
III. Os problemas de Davi (12.1-13.36).
A. Problemas na casa de Davi (12.1-13.36).
a) Profecia de Natã (12.1-14).
b) Morte do filho de Davi (12.15-25).
c) Lealdade de Joabe a Davi (12.26-31).
d) Incesto na casa de Davi (13.1-20).
e) Absalão mata Amom (13.21-36).
B. Problemas no reino de Davi (13.37—24.25).
a) Rebelião de Absalão (13.37—17.29).
b) Joabe mata Absalão (18.1-33).
c) Restauração de Davi como rei (19.1- 20.26).
d) Comentários sobre o reino de Davi (21.1—24.25).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Qual é o enfoque desse livro?
2) Quem são os profetas que concluíram esse livro?
3) Qual a esfera de ação desse livro?
154 CURSO DE TEOLOGIA
M Ó D U L 0 1 i PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
PRIMEIRO LIVRO DE REIS
Os dois livros de Reis documentam a história da aliança de Israel desde a morte do rei Davi e a sucessão de Salomão até a destruição dos reinos de Israel e Judá. Os acontecimentos descritos nesse primeiro livro abrangem um período de aproximadamente 120 anos. Recorda as turbulentas experiências do povo de Deus desde a morte de Davi até ao reinado de Josafá (o quarto rei do Reino de Judá) e o reinado de Acazias (o nono rei do Reino de Israel). Esse foi um período muito difícil para o povo eleito, marcado por muitas transformações e rebeliões. Havia luta interna e pressão externa. O resultado foi um momento tenebroso, em que um reino estável, dirigido por um líder forte, dividiu-se em dois: Judá (Sul) e Samaria (Norte).
Autor. Como a maioria dos livros históricos do Antigo Testamento, os autores dos registros dos Reis são des- conhecidos. A tradição judaica atribui ao profeta Jeremias a autoria dos livros, devido a semelhança encontrada entre Jeremias 52 e 1 Reis 24 e 25.” Entretanto, tem sido ainda atribuída a autoria a Ezequiel, enquanto outros apontam para Isaías e ainda a um profeta desconhecido do cativeiro babilónico^
Tema. A divisão do reino. Em seu leito de morte, Davi aconselha seu filho: “Coragem, pois, e sê homem! Guarda os preceitos do SENHOR, teu Deus, para andares nos seus caminhos, para guardares os seus estatutos, e os seus mandamentos, e os seus juízos, e os seus testemunhos, como está escrito na Lei de Moisés, para que prosperes em tudo quanto fizeres e por onde quer que fores…” (1 Reis 2.2-3). Davi morre tranquilamente e seu filho Salomão herdou o reino que seu pai havia consolidado. Salomão expande com extraordinária sagacidade comercial o império que Davi construiu com manu militari. Foi no seu reinado que se construiu um suntuoso palácio para si, outro para a filha de faraó e o mais importante de todos: o templo para Deus. A construção do templo leva sete anos e a dos palácios reais, treze. Em face disso, ele não consegue custear tamanho programa de obras públicas e mais a opulência da corte – 700 esposas e mais 300 concubinas. O descontentamento cresce. Seu filho Roboão assume a monarquia, e não atende o clamor público para que os impostos fossem reduzidos culminando. Sua inexperiência combinada com a arrogância destrói assim, irremediavelmente a obra de Saul, Davi e Salomão, monarcas que durante um século, tinham reinado sobre uma nação unida. Inconformados, Norte e Sul aclamam, uns, Jeroboão, rei de Israel, enquanto outros confirmam, Roboão, rei de Judá.
Esfera de ação. Ocorre desde a morte de Davi até 0 reinado de Jorão sobre Israel, cobrindo um período de 120 anos.
Pessoas-chave: Davi, Salomão, Roboão, Jeroboão, Elias, Acabe e Jezabel.
Esboço de 1° Reis
I. O reino unido (1.1-11.43).
a) O estabelecimento de Salomão como rei (1.1.-2.46).
b) A consagração de Salomão como rei (3.1-8.66)
c) O erro de Salomão como rei (9.1 -11.43).
II. O reino dividido (12.1-22.53).
A. A revolta e 0 reinado de Jeroboão em Israel (12.1-14.20).
a) O reinado de Roboão em Judá (14.21-31).
b) O reinado de Abdias em Judá (15.1-8).
c) O reinado de Asa em Judá (15.9-24).
d) O reinado de Nadabe em Israel (15.25-32).
e) O reinado de Baasa em Israel (15.33-16.7).
f) O reinado de Elá em Israel (16.8-14).
” BORGER, Hans. Uma História do Povo Judeu. Vol. 1. São Paulo: Editora Sefer, 1999, p.71.
CURSO DE TEOLOGIA 1S5
M Ó D U L01 1 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
g) O reinado de Zinri em Israel (16.15-20).
h) O reinado de Onri em Israel (16.21-28).
i) O reinado de Acabe em Israel (16.29-22.40).
j) O reinado de Josafé em Judá (22.41-50).
k) O reinado de Acazias em Israel (22.51-53).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) O que documenta os dois livros de Reis?
2) A quem tem sido atribuído a autoria desse livro?
3) O que foi construído nesse tempo pelo rei Salomão?
SEGUNDO LIVRO DOS REIS
Este livro é uma continuação do primeiro, prossegue relatando a história da monarquia unida e dividida em ”desobediência a aliança”. Depois da divisão, ambos os reinos começaram a se envolver com idolatria e cor- rupção. Este livro relata as sórdidas histórias dos reis que vieram depois de acazias – total de 12 reis – do reino do Norte (chamado de Israel) e dos últimos 16 reis do Reino do Sul (chamado Judá), abrangendo um período de aproximadamente 300 anos. Alguns desses 28 governantes são mencionados em apenas poucos versículos, enquanto que capítulos inteiros são dedicados a outros. A atenção maior é dirigida àqueles que ou serviram de modelo de integridade ou que ilustram por que essas nações finalmente entraram em colapso.
O livro em si, recorda as turbulentas experiências do povo de Deus desde o reinado de Acazias (o nono rei Israel) ao redor de 853 a.C., incluindo a queda de Israel para a Assíria em 722 a.C., passando pela deportação de Judá para a Babilônia em 586 a.C., e terminando com a libertação do rei Joaquim.
Autor. Assim como no primeiro livro, os autores dos registros dos Reis são desconhecidos. A tradição judaica atribui ao profeta Jeremias a autoria do livro. 12 Entretanto, tem sido ainda atribuída a autoria a Ezequiel, enquan- to outros apontam para Isaías e ainda a um profeta desconhecido do cativeiro babilónico.
Tema. O reino dividido. O reino do Sul ficou composto pelos territórios de Judá mais o de Benjamim. O Rei- no do Norte é formado pelas tribos setentrionais e as assentadas nas terras férteis do além-jordão, desde o Mar Morto até 0 Mar da Galiléia. A rivalidade entre esses dois reinos por vezes os conduz a lutas fratricidas, outras vezes os leva a se unirem contra algum inimigo comum. Em meio a tanta idolatria, apostasia e corrupção, este período foi marcado pela presença dos profetas, sendo Elias e Eliseu os mais conhecidos entre os precursores do profetismo clássico. Durante 130 anos Israel sofreu uma sucessão de governantes ímpios até ser conquistada por Salmanasser, da Assíria e ter seu povo levado cativo em 722 a.C. (2 Reis 17.6). Por causa de sua obediência a Deus, o Reino do Sul permaneceu por mais 136 anos até a sua queda em 586 a.C.
Esfera de ação. Ocorre desde 0 reinado de Jorão, abrangendo m período de 308 anos.
Pessoas-chave: Elias, Eliseu, a sunamita, Naamã, Jezabel, Ezequias, Senaqueribe, Isaías, Manassés, Josias, Zedequias e Nabucodonosor.
״ Idem, 1999, p. 71.
156 CURSO DE TEOLOGIA
M Ó D U L 0 1 1 PANORAMA DO ANTIGO TESTA M EN TO
Esboço de 2o Reis
I. O reino dividido (1.1-17.41).
a) O reinado de Acazias em Israel (1.1-18).
b) O reinado de Jorão em Israel (2.1-8.15).
c) O reinado de Jeorão em Judá (8.16-24).
d) O reinado de Acazias em Judá (8.25-9.29).
e) O reinado de Jeú em Israel (9.30-10.36).
í) O reinado da rainha Atalia em Judá (11.1-16).
g) O reinado de Joás em Judá (11.17-12.21).
h) O reinado de Jeocaz em Israel (13.1-9).
i) O reinado de Jeoás em Israel (13.10-25).
j) O reinado de Amazias em Judá (14.1-22).
k) O reinado de Jeroboão II em Israel (14.23-29).
l) O reinado de Azarias em Judá (15.1-7).
m) O reinado de Zacarias, Salum, Menaém, Pecaías e Peca em Israel (15.8-31). η) O reinado de Jotão em Judá (15.32-38).
0) O reinado de Acaz em Judá (16.1-20).
p) O reinado de Oséias em Israel (17.1-5).
q) O cativeiro de Israel para a Assíria (17.6-41).
II. Somente o reino de Judá 18.1-25.30
a) O reinado de Ezequias (18.1-20.21).
b) O reinado de Manassés (21.1-18).
c) O reinado de Amon (21.19-26).
d) O reinado de Josias (22.1-23.30).
e) O reinado de Joacaz (23.31-34).
f) O reinado de Jeoaquim (23.35-24.7).
g) O reinado de Joaquim (24.8-16).
h) O reinado de Zedequias (24.17-20).
1) A queda de Jerusalém (25.1-7).
j) O cativeiro de Judá pra a Babilônia (25.8-26).
k) A libertação de Joaquim (25.27-30).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) O que relata esse livro?
2) Quem foi o autor?
3) Quanto tempo durou a esfera de ação desse livro?
CURSO DE TEOLOGIA 157
PRIMEIRO E SEGUNDO LIVRO DAS CRÔNICAS
M Ó D U L01 1 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
Estes livros eram originalmente um único volume na Bíblia hebraica. Para fins de análise, eles serão conside- rados juntos. Crônicas é um complemento dos registros de Samuel e Reis, repetindo a história de Israel desde os patriarcas (por meio de genealogias) até a derrota do Reino do Sul para a Babilônia, ou seja, abrange o mesmo período coberto pelos primeiros 10 livros do Antigo Testamento, de Gênesis até 2 Samuel. Durante essa época, o mundo antigo estava sob o controle do poderoso Império Persa. Tudo o que restou dos gloriosos reinados de Davi e Salomão foi à pequena província de Judá. Os persas substituíram o rei por um governador provincial. Apesar de que 0 povo de Deus tenha recebido licença pra voltar para Jerusalém e reconstruir o templo, a sua situação era muito diferente da dos anos dourados de Davi e Salomão.
Autor. Os autores dos livros de Samuel, Reis e Crônicas não fizeram como os profetas, que deram seus nomes aos livros de sua autoria, portanto não se sabe ao certo quem foi o autor de Crônicas. A tradição judaica atribui a Esdras, o escriba a autoria dos livros. 13
Tema. O retomo do exílio. Como cumprimento da profecia de Jeremias, Crônicas é uma testemunha viva da palavra de Deus por meio de seus servos, os profetas (Jeremias 29.10). Escrito depois do cativeiro, o livro recor- da a história de Israel, nas genealogias e as histórias dos reis do ponto de vista da aliança, desde Adão até Davi, com atenção especial nos patriarcas e nos doze filhos de Jacó. Portanto, “os livros de Crônicas, foram escritos para explicar às pessoas o significado da história, levando em conta o presente e 0 futuro’’. 14
Esfera de ação. Registra um longo período da história que se estende desde a morte de Saul até 0 decreto de Ciro, abrangendo um período de 520 anos.
Pessoas-chave: Davi e Salomão.
Esboço de Io Crônicas
I. As raízes do povo de Deus (1.1- 9.44).
a) A herança dos filhos de Jacó (1.1 -2.2).
b) A herança da linhagem de Davi em Judá (2.3-3.24).
c) A herança das doze tribos (4.1-8.40).
d) A herança do remanescente (9.1-34).
e) A herança do rei Saul em Benjamim (9.35-44).
II. O reinado do rei Davi (10.1-29.30).
a) A confirmação de Davi como rei (10.1-12.40).
b) A aquisição da arca por Davi (13.1-17.27).
c) Progressos militares de Davi (18.1-20.8).
d) Preparativos de Davi para a construção do templo (21.1-27.34).
e) Últimas declarações de Davi (28.1 -29.30).
Esboço de 2o Crônicas
I. O período de governo do rei Salomão (1.1-9.31).
a) A ascensão de Salomão como rei (1.1 -17).
b) A realização da construção do tempo (2.1-7.22).
c) A riqueza de Salomão (8.1-9.31).
<3 Talmude Babilónico: Baba Bathra 15a.
14 PHILLIPS, John. Explorando as Escrituras – Uma Visão Geral de Todos os Livros da Bíblia. 2° ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p. 84.
158 CURSO DE TEOLOGIA
MÓDULO t !PANORAM A DO ANTIGO TESTAMENTO
II. Os governos dos reis de Judá (10.136.16־).
a) O reinado de Roboão (10.1-12.16).
b) Abias (13.1-22).
c) Asa (14.1-16.14).
d) Josafá (17.1-20.37).
e) Jeorão (21.1-20).
f) Acazias (22.1-9).
g) Ataba (22.10-23.15).
h) Joás (23.16-24.27).
i) Amazias (25.1-28).
j) Uzias (26.1-23).
k) Jotão (27.1-9).
l) Acaz (28.1-27).
m) Ezequias (29.1-32.33).
n) Manassés (33.1-20).
o) Amon (33.21-25).
p) Josias (34.1-35.27).
q) Joacaz (36.1-3).
r) Jeoaquim (36.4-8).
s) Joaquim (36.9-10).
t) Zedequias (36.11-16).
u) Cativeiro e retomo de Judá (36.17-23).
v) O cativeiro de Judá por Babilonia (36.17-21).
w) O decreto de Ciro para o retomo de Judá (36.22-23).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Durante a época em que esse livro foi escrito quem era a potencia mundial que dominava toda essa região?
2) Qual 0 tema desse livro?
3) Quem são as pessoas-chave?
ESDRAS-NEEMIAS
O retomo dos israelitas para sua pátria ocorreu em três fases. Em 538 a.C., Ciro, o persa, emitiu decreto que deu liberdade aos judeus para regressarem a Jerusalém e reconstruir 0 templo, liderados por Zorobabel. Em 458 a.C., outro grupo voltou sob liderança de Esdras para reconstruí a Casa do Senhor (Esdras 7.27). Por fim, em 445 a.C., Neemias, alto funcionária da corte persa, recebeu permissão par reconstruir os muros da cidade (Neemias
2). Esdras, escriba hábil, versado no conhecimento das Escrituras e zeloso entregou-se à sublime tarefa de ensi- nar à Lei ao povo. Ele foi 0 primeiro sofer (sofer é uma palavra hebraica que significa escriba).
Autor. Esdras e Neemias formam um só volume no Antigo Testamento hebraico. Uma grande maioria dos estudiosos atribui os livros de Esdras-Neemias ao cronista pós-exílico Esdras. Embora não se possa afirmar com certeza absoluta se foi o próprio Esdras quem escreveu o livro ou se foi um autor compilador anônimo. A tradição judaica considera Esdras, o escriba, o cronista da história narrada em 1 e 2 Crônicas e Esdras-Neemias.15
Tema. A reconstrução do templo. O livro registra como Deus cumpriu as promessas feitas aos profetas, ao fazer regressar seu povo do cativeiro. Relata a restauração material, moral e religiosa da nação depois do cati- veiro. A fidelidade de Deus é contrastada com a infidelidade do povo. Pouco tempo depois de terem regressado à sua pátria, cercados de várias promessas divinas, 0 povo se deixou influenciar pelos inimigos e interromperam temporariamente a reconstrução da Casa de Deus (4.24). Para animar 0 povo, Deus levantou Ageu e Zacarias
CURSO DE TEOLOGIA 159
MÓDULO ז I PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
(520-518 a.C.), aquele vaticinando-lhes que “A gloria desta última casa será maior do que a da primeira…” (2.9). Mesmo assim a obra é embargada só retomando a construção com a vinda de Esdras em 458 a.C.
Esfera de ação. O livro de Esdras registra dois períodos distintos. Do capítulo 1 ao 6 transcorre cerca de 23 anos, iniciando pelo decreto de Ciro, rei da Pérsia (538 a.C.) permitindo 0 retomo do primeiro grupo de exilados à Jerusalém sob a liderança de Zorobabel para a reedificação do templo. Há um intervalo de quase sessenta anos entre os fatos narrados nos caps. 6 e 7. sessenta anos depois, em 458 a.C., outro grupo de exilados, liderados pelo escriba Esdras retoma a Jerusalém. Em linhas gerais, os livros relatam a história pós-exílica desde, aproximada- mente, 538 a.C., até depois de 433 a.C. – um período de cerca de cem anos.
Pessoas-chave: Ciro, Zorobabel, Ageu, Zacarias, Dario, Artaxerxes e Esdras.
Esboço de Esdras
I. O retorno sob a liderança de Zorobabel (1.1-2.70).
a) Ciro proclama 0 retomo de Israel (1.1-4).
b) O povo se prepara para 0 retomo (1.5-11).
c) Os nomes e a numeração dos primeiros que voltaram (2.1-67).
d) Ofertas voluntárias dos que retomaram (2.68-70)
II. O processo de reconstrução do templo (3.1 -6.22).
a) A reconstrução do altar e 0 começo dos sacrifícios (3.1-7).
b) Os alicerces são colocados em meio a choro e louvor (3.8-13).
c) Os inimigos desencorajam 0 projeto do templo (4.1-5).
d) Bislão e seus companheiros se queixam a rei Artaxerxes (4.6-16).
e) Artaxerxes ordena a interrupção da obra (4.17-24).
f) Tetenai tenta para a construção do templo (5.1-17).
g) Dario assegura a Tatenai que 0 projeto é legal (6.1-12).
h) Conclusão e dedicação do templo (6.13-18).
i) Celebração da Páscoa (6.19-22).
III. O retorno sob a liderança de Esdras (7.1-8.36).
a) Esdras parte da Babilônia com outro grupo de exilados (7.1-10).
b) Artaxerxes escreve uma carta de apoio a Esdras (7.11-28).
c) Os nomes e a numeração do segundo grupo que retomou (8.1-20).
d) Retomo dos exilados para Jerusalém (8.21-36).
IV. A reforma de Esdras (9.1-10.44).
a) Esdras confessa as transgressões de Israel (9.1-15).
b) Os líderes de Israel concordam com a reforma (10.1-44).
Esboço de Neemias
I. Neemias: do exílio à reconstrução das muralhas de Jerusalém (1.1-7.73)
a) Autorização de Artaxerxes para reconstruir as muralhas (1.1-2.8).
b) Planejando o trabalho, motivando e organizando os trabalhos (2.9-3.32).
c) Oposição e defesa (4.1-23).
d) Rechaço contra a extorsão e usura pelo exemplo piedoso de Neemias (5.1-9).
e) As muralhas são completadas apesar das intrigas maldosas (6.1-7.3).
f) Restabelecimento dos cidadãos de Jerusalém (7.3-73). 15
15 Talmude Babilónico: Baba Bathra 15a.
160 CURSO DE TEOLOGIA
M Ó D U L0 1 1 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
II. Esdras e Neemias trabalham juntos para estabelecer 0 povo (8.1-10.39).
a) Lendo a Bíblia (8.1-12).
b) Celebração da Festa dos Tabernáculos (8.1318־).
c) Confissão de pecado pessoal e coletivo (9.1-37).
d) Compromisso de guardar a lei e manter o templo (9.38- 10.39).
III. Verdadeiro arrependimento produz justificação (11.1 -12.26).
a) Censo de Jerusalém e vilas vizinhas (11.1 -12.26).
b) Dedicação das muralhas e provisão para as finanças do templo (12.27-13.3).
c) Segundo período de governo de Neemias, incluindo reformas posteriores e uma oração final (13.4-31).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Como ocorreu 0 retomo dos israelitas?
2) Quem é 0 autor?
3) Õ que registra esse livro?
ESTER
O Livro de Ester relata a história de uma moça judia que saiu da condição de exilada e desconhecida para a posição de rainha e mulher mais influente do reino da Pérsia. É a história da libertação dos judeus pela rainha Es- ter do complô de Hamã, o homem mais importante depois do rei, deseja a aniquilação dos judeus. Ele manipula 0 rei para que execute os judeus. Ester é introduzida em cena e Deus faz uso dela para salvar seu povo. Hamã é enforcado; e Mardoqueu, líder dos judeus no Império Persa, se toma primeiro ministro. A festa de Purim é ins- tituída para marca a libertação dos judeus. O nome da festa advém da palavra persa “pur”, que significa “sorte” Nesse livro que relata com detalhes a história de Purim explica: “Por isso, àqueles dias chamam Pur (sortes)” poi causa da sorte que Hamã havia lançado, determinando o dia em que os judeus seriam aniquilados.
Um aspecto peculiar no Livro de Ester é que o nome de Deus (YHWH) não é mencionado. No entanto, ves- tígios de Deus e seus caminhos transparecem em todo o livro, especialmente na vida de Ester e Mardoqueu. Da perspectiva humana, Ester e Mardoqueu foram as duas pessoas do povo menos indicadas pras desempenhar fim- ções importantes na formação da nação. Ele era um judeu benjamita exilado; ela era prima órfã de Mardoqueu, adotada por este (2.7). A maturidade espiritual de Ester se percebe na virtude dela saber esperar pelo momento que Deus julgou adequado, para, então, pedir ao rei a salvação do povo e denunciar Hamã (5.6-8; 7.3-6). Mar- doqueu também revela maturidade para aguardar que Deus lhe indicasse a ocasião correta e lhe orientasse. Em conseqüência, ele soube o tempo certo de Ester desvendar sua identidade judaica (2.10). Esta espera divinamente orientada provou se crucial (6.1-14; 7.9,10) e comprova a base espiritual do livro.
Autor. O livro não dá indício de sua autoria, porém Mordecai tem sido considerado como possível autor do livro, bem como Esdras e Neemias. Entretanto há poucas evidências para promover quaisquer teorias.
Tema. O cuidado de Deus. O livro de Ester é uma demonstração da soberania e do cuidado amoroso de Deus para com seu povo. Este é 0 único livro da Bíblia que não aparece qualquer menção ao nome de Deus, entretanto sua influência é, contudo, indiscutível.
Esfera de ação. Houve um intervalo de quase sessenta anos entre os caps. 6 e 7. Nesse período, Ester tor- nou-se rainha da Pérsia, por volta de 478 a.C.
Pessoas-chave: Assuero, Vasti, Hamã, Mordecai, Ester
CURSO DE TEOLOGIA 161
MÓDULO 1 1 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
Esboço de Ester
I. Uma nova rainha é escolhida (1.1-2.17).
a) O rei Assuero mostra seu poder e celebra uma festa (1.1-8).
b) A rainha Vasti e deposta (1.9-22).
c) Ester é escolhida para ser rainha (2.1-18).
II. Avida do rei é salva (2.19-23).
a) Mardoqueu descobre uma conspiração (2.19-21).
b) Ester informa o rei (2.22-23).
III. É feito um plano contra os judeus (3.1-4,17).
a) Hamã planeja destruir os judeus (3.1-15).
b) Mardoqueu persuade Ester a intervir (4.1-14).
c) Ester solicita a ajuda de Mardoqueu (4.15-17).
IV. Mardoqueu é exaltado (5.1-6.14).
a) Ester prepara um banquete (5.1 -8).
b) Hamã planeja destruir Mardoqueu (5.9-14).
c) Hamã é forçado a honrar Mardoqueu (6.1-14).
V. Hamã é enforcado (7.1-10).
a) Ester revela sua identidade e expõe Hamã (7.1-6).
b) Hamã e enforcado na forca preparada para Mardoqueu (7.7-10)
VI. Os judeus são salvos (8.1 -9.17).
a) Ester leva seu pedido ao rei (8.1-6).
b) O rei emite um decreto a favor dos judeus (8.7-17).
c) Os judeus derrotam seus inimigos (9.1-17).
VII. A Festa de Purim é estabelecida (9.18-10.3).
a) Os judeus celebram o primeiro Purim (9.18-32).
b) O rei eleva Mardoqueu (10.1-3).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) O que relata esse livro?
2) Qual festa judaica foi instituída e comemorada por meio do livramento que os judeus tiveram?
3) Qual é a peculiaridade do livro de Ester?
162 CURSO DE TEOLOGIA
M Ó D U L0 1 1 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO

O livro de Jó centraliza-se sobre um dos maiores mistérios para a razão humana: o problema do sofrimento. Que o pecador sofra, todos entendemos! Mas o justo? Aquele que faz de tudo para agradar a Deus? Jo nao euten- de as causas dessas calamidades, mas consola-se com o pensamento de que Deus envia aos homen!> tanto o be ! quanto o mal. E sob esta ótica que o livro vai se desenvolver o problema do sofrimento humano.
Os dois primeiros capítulos descrevem o cenário da história. O mundo espiritual é descortinado e aparece S3■ tanás na presença de Deus a desafia a piedade de Jó, dizendo: “Porventura, teme Jó a Deus debalde?” (1.9). v>11 · > não bastasse, vai mais longe, sugere que se Jó fosse privado de tudo o que possuía ele amaldiçoaria a Deus. Deus consentiu (e só assim ele pode agir na vida de Jó) a satanás para provar a fidelidade de Jó, privando-o de sua riqueza, da sua família e, finalmente, da sua saúde. Mesmo com tamanha “maldição” o refrão é que mesmo assim, “em tudo isto não pecou Jó com os seus lábios” (2.10). Depois destes eventos, Jó, recebe a visita de trés amigos—Elifaz, 0 temanita; Bildade, 0 suíta e Zofar, o naamatita; que ficam impressionados com o estado em que Jó se encontra, permanecendo calados com Jó durante sete dias sem dizer uma só palavra (Jó 2.13).
O restante do livro desenrola-se por meio de diálogos entre eles com o intuito de responder a pergunta: “Por que sofre Jó?”
Autor. Várias são as hipóteses levantadas quanto à autoria do livro de Jó. A tradição judaica (Baba Baikra 14b e 15a) declara que 0 autor foi Moisés, outros estudiosos atribuem a autoria do livro a Moisés, outros a Ehú e ainda outros a Salomão e por fim 0 próprio Jó.
Data da Escrita. Existem várias datas propostas:
a) Na época de Salomão: Keil, Delitzsch, Haevemick
b) No séc. VIII (antes de Amós): Hengstenberg
c) No princípio do séc. VII: Ewald Riehm
d) Primeira metade do séc. VII: Staehelin, Noeldeke
e) Na época de Jeremias: Koenig, Gunkel, Pfeiffer
f) No exílio babilónico: Cheyne, Dillmann
g) No séc. V: Moore, Driver, Gray, Dhorme
h) No séc. IV: Eissfeldt, Voltz
i) No séc. Ill: Comill
Tema. O sofrimento humano. O livro de Jó trata de um dos maiores mistérios da vida – o do sofrimento. A pergunta que ressoa por todo 0 livro é: Por que sofrem os justos? O livro de Jó descortina o mundo espiritual. Satanás apresenta-se ao Senhor, juntos com os filhos de Deus, e desafia a piedade de Jó, dizendo: “Porventura, teme Jó a Deus debalde?” (1.9). Vai mais longe e sugere que se Jó perdesse tudo o que possuía, amaldiçoaria a Deus. Então, Deus permite que Jó tenha a sua fé provada, privando-o de sua riqueza, de sua família e, finalmente, de sua saúde. Mesmo assim, “Em tudo isto não pecou Jó com os seus lábios” (2.10). O livro de Jó ensina que Deus “tem um propósito ao enviar o sofrimento aos homens; que ele castiga 0 homem com a intenção de trazê-lo mais perto de si mesmo. Deus usou as aflições para experimentar o caráter de Jó e como um meio de revelar-lhe um pecado do qual até então não se tinha dado conta: autojustiça”.16
Esfera de ação. E desconhecida a data em que foi escrito o livro, entretanto várias datas têm sido sugeridas pelos estudiosos como: no período interbíblico, na época de Salomão, no período mosaico etc. Pessoas-chave: Jó, Elifaz, Bildade, Zofar e Eliú.
,‘PEARLMAN, Myer. Através da Bíblia Livro por Livro. São Paulo: Editora Vida, 1999, p. 91.
CURSO DE TEOLOGIA 163
M Ó D ULO ! I PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
Esboço de Jó Introdução (1.1-2.13).
a) Jó é consagrado e rico (1.1-5).
b) Satanás desafia 0 caráter de Jó (1.6-12).
c) Satanás destrói as propriedades e os filhos de Jó (1.13-22).
d) Satanás ataca a saúde de Jó (2.1-8).
e) Reação da esposa de Jó (2.9-10).
f) A visita dos amigos de Jó (2.11-13).
I. Diálogo entre Jó e os seus três amigos (3.1-26.1).
a) Clamor de desespero de Jó (3.1-26).
b) Primeiro diálogo (4.1-14.22).
c) Segundo diálogo (15.1-21.34).
d) Terceiro diálogo (22.1-26.14).
II. Discurso final de Jó aos seus amigos (27.1-31.40).
III. Eliú desafia Jó (32.1-37.24).
IV. Deus responde de um remoinho (38.1-41.34).
V. A resposta de Jó (42.1-6).
VI. Parte histórica final (42.7-17).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Sobre 0 que centraliza 0 livro de Jó?
2) Qual seu tema?
3) O que ensina o livro de Jó?
164 CURSO DE TEOLOGIA
M Ó D U L01 1 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
SALMOS
A nação judaica usa os Salmos tanto como um livro de orações como um livro de cânticos. O nome hebraico para 0 livro de Salmos é sepher tehillim, que significa “livro de louvores”. Este é um título apropriado, pois refe- re־se de um livro de cânticos e de orações, profundamente associado ao culto, contendo 150 poemas, destinado&
ao canto, à devoção pessoal ou usado em ajuntamentos solenes. As versões gregas levam os títulos Psalmoi e Psalterios, de onde tiramos nossos títulos Salmos e Saltério.
Falam da grandeza de Deus, Sua bondade, de Seu poder e de Sua justiça. Muitos dos salmos são preces e súplicas a Deus, alguns contêm bons conselhos, indicando o caminho da verdadeira felicidade através da virtude e do cumprimento dos mandamentos de Deus. Deste modo, eles refletem todos os incidentes que podem ocorrer na vida, tanto ao indivíduo quanto da coletividade.
Os Salmos refletem tanto o caráter histórico como devocional. Muitos acontecimentos da História são apre- sentados; a criação do homem (8.5), a aliança estabelecida com Abraão e seus descendentes (105.9-11), 0 sacer ״
dócio de Melquisedeque (110.4), Isaque, Jacó, José, Moisés e Arão (105.9-45), a libertação do Egito e a herança Cananéia (78.13; 105.44). Muitos outros exemplos poderíam ser citados.
Por fim, os salmos retratam a mais intima expressão de dor, angústia, coragem, louvor e confiança em Deus Eles representam 0 clamor de corações aflitos em busca do auxílio divino a fim de aliviar o pranto amargo que muitas vezes a vida provoca como bem expressou Myer Pearlman: “nos livros históricos da Bíblia, Deus fala acercado homem; nos livros proféticos, Deus fala ao homem, e nos Salmos, o homem fala a Deus”. 17
Autores. Os próprios títulos dos salmos em sua maioria indicam sua autoria. Dos 150 Salmos, diversos são anônimos. Dos 116 restantes, 100 indicam o autor e, destes 100, 73 são atribuídos ao rei Davi – poeta e cantor de Israel. Outros autores mencionados são: Moisés (90), Salomão (72, 127), Asafe (50, 73-83), Hemã (88), Etã (89) e os filhos de Coré (42,44-49, 84,85, 87). O saltério foi completado na história israelita na época pós-exílio, abrangendo uma variedade de temas, inclusive revelações concernentes a Deus, à criação, à raça humana, ao pecado, ao mal, à justiça, à santidade, à adoração, ao louvor, ao juízo.
Tema. Louvores a Deus. Os Salmos são cânticos de louvor a Deus como sublime criador, sustentador e redentor. O louvor consiste em reconhecer, apreciar e expressar a grandeza de Deus. Foi organizado em cinco livros, delimitados por uma formula conclusiva, em correspondência com os cinco livros do Pentateuco (I, 1-41; II, 42-72; III, 73-89; IV, 90-106; V, 107-150). Assim sendo, os Salmos refletem o culto, a vida devocional e 0 sentimento religioso da nação de Israel.
Os Títulos dos Salmos. Os títulos são indicadores da natureza literária de cada Salmo. Alguns títulos se referem ao uso litúrgico dos salmos a serem cantados em certas ocasiões. Há títulos descritivos da característica poética.
a) 57 salmos são chamados de Mizmor. Referem-se à música que deve ser cantada acompanhada de instru- mentos de cordas.
b) Shir, cântico de qualquer qualidade ou espécie, ocorre 30 vezes (46, 120-134).
c) Mashkil, um cântico de especial qualidade, ocorre em 13 salmos, podendo significar vários tipos de cânti- cos: meditativos, didáticos (32).
d) Miktam, salmo com idéia de lamentação pessoal (16, 56-60);
e) Shiggayon só ocorre uma vez (7).
f) Tephillah, significa “oração” (17, 86, 90, 102, 142);
g) Tehillah, somente ocorre uma vez (145), significa “louvor”.
17PEARLMAN, Myer. Salmos – Orando com os Filhos de Israel. Rio de Janeiro: CPAD, 1996, p. 5.
CURSO DE TEOLOGIA 165
M Ó D U L01 1 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
Títulos que indicam a direção musical:
a) Lamnatseach é a palavra que vem ao titulo de 55 salmos. A Vulgata traduz “in finem”, e a Versão Almeida “para 0 cantor mor” (IBB), e “ao mestre de canto” (SBB).
b) Neginoth, aparece em 6 títulos, sempre combinado com Lamnatseach. O termo significa “instrumentos de cordas”. Quatro dos títulos em que aparece, vem associado ao termo Mizmor.
c) Al hashsheminith, ocorre duas vezes, nos Salmos 6 e 12, significa “sobre a oitava”.
d) Al ‘alamoth, se encontra no título do Salmo 46, significa “instrumentos de cordas”.
e) Gittith aparece em três títulos, podendo significar “canção de vindima”.
f) Nehiloth, só ocorre no Salmo 5, é traduzido pela Sociedade Bíblica do Brasil “para flautas”.
g) Mahalath, literalmente significa “doença, aflição”, possivelmente, indicava um salmo fúnebre. No título do Salmo 88 aparece como Mahalath Leannnoth, que a Sociedade Bíblica do Brasil traduziu por “para ser cantado com citara”.
h) Selah esta palavra não aparece nos títulos, mas no fim de algumas seções (Salmo 46.7). Esta palavra chama a atenção por ocorrer 71 vezes no Livro I, 30 vezes no Livro II, 20 no Livro III, e 4 no Livro V.18 E uma in- dicação musical, não para ser lida, mas significando uma pausa no cântico, para um interlúdio instrumental,
ou, uma elevação de som (forte).
Esfera de ação. Entre a época de Moisés (aproximadamente 1440 a.C.) e o cativeiro babilónico (586 a.C.). Pessoa-chave: Davi
Esboço de Salmos
I. Livro I (1 – 41).
a) Cânticos introdutórios (1.1-2.12).
b) Cânticos de Davi (3.1-41.12).
c) Doxologia (41.13).
II. Livro II (42-72).
a) Cânticos dos filhos de Corá (42.1-49.20).
b) Cânticos de Asafe (50.1-23).
c) Cânticos de Davi (51.1-71.24).
d) Cânticos de Salomão (72.1-17).
e) Doxologia (72.18,19).
í) Versículo de conclusão (72.20).
III. Livro III (73-89).
a) Cânticos de Asafe (73.1-83.18).
b) Cânticos dos filhos de Corá (84.1-85.13).
c) Cânticos de Davi (86.1-17).
d) Cânticos dos filhos de Corá (87.1-88.18).
e) Cânticos de Etã (89.1-51).
f) Doxologia (89.52).
” ELLISEN, Stanley A. Conheça melhor 0 Antigo Testamento. São Paulo: Editora Vida, 1999, p. 166.
166 CURSO DE TEOLOGIA
M Ó D U L0 1 1 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
IV. Livro IV (90-106).
a) Cânticos de Moisés (90.1-17).
b) Cânticos anônimos (91.1 -92.15).
c) Cânticos “O Senhor Reina” (93.1-100.5).
d) Cânticos de Davi (101.1-8; 103.1-22).
e) Cânticos anônimos (102.1-28; 104.1-106.47).
f) Doxologia (106.48).
V. Livro V (107- 150).
a) Cânticos de ação de graças (107.1-43).
b) Cânticos de Davi (108.1-110.7).
c) Hallel Egípcio (111.1-118.29).
d) Cânticos Alfabético sobre a lei (119.1-176).
e) Cânticos dos degraus (120.1-134.3).
f) Cânticos anônimos (135.1-137.9).
g) Cânticos de Davi (138.1-145.21).
h) Cânticos “Louvai ao Senhor” (146.1-149.9).
i) Doxologia (150.1 -6).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Como a nação judaica usa 0 livro de salmos?
2) O que retrata esse livro?
3) Quem são seus autores?
4) Como está dividido esse livro?
PROVÉRBIOS
Pelo fato do Rei Salomão ter sido autor da maioria dos capítulos, os Provérbios são conhecidos como Provér- bios de Salomão. A mensagem de Provérbios se alicerça na crença de que a sabedoria pode ser ensinada e passa- da de uma geração para outra (4.1-9). O tema central do livro é ”0 temor do Senhor”, ou seja, ensina 0 caminho da sabedoria, a partir do conhecimento de Deus; apontam os perigos da vida, orientando por caminhos seguros e ajudando a firmar valores, tanto adquiridos quanto os obtidos por esforço próprio.
Autores. Nem todos os provérbios foram escritos por Salomão, apesar de ter composto “três mil provérbios, e foram os seus cânticos mil e cinco”, somente uma grande quantidade desses se encontram nas Escrituras. Outros autores mencionados por nome em provérbios são Agur (30.1-33) e Lemuel (31.1-9), autores que a Bíblia não menciona em outra parte e mais, os que não são citados os nomes, como os sábios (22.17) e os homens de Ezequias (25.11). A tradição judaica no Talmude (Baba Bathra 15a) afirma que “Ezequias e seus companheiros escreveram os Provérbios”. Provavelmente־que esta declaração talmúdica refira-se a “Ezequias e seus companheiros” não como
autores, mas como compiladores que ajuntaram e editaram 0 livro, acrescentando outros provérbios.
Tema. A verdadeira sabedoria. O livro de Provérbios é farto em expressões concisas que tem a finalidade de ensinar as pessoas a viver em retidão. O propósito do livro é esclarecido em seus versos iniciais: “Para aprender a sabedoria e 0 ensino; para entender as palavras de inteligência; paia obter o ensino do bom proceder, a justiça, 0 juízo e a eqüidade; para dar aos simples prudência e aos jovens, conhecimento e bom siso” (1.2-4). Dois tipos de pessoas retratam dois caminhos de vida contrastantes: o tolo é a pessoa ímpia e obstinada que odeia e ignora a Deus; 0 sábio busca conhecer e amar ao Senhor.
Esfera de ação. A referência dos escribas de Ezequias na compilação da obra indica que 0 livro ainda não estava pronto no final do seu reinado sobre Judá (final do século VIII). Assim sendo, os estudiosos tem sugerido que este livro foi escrito entre o reinado de Salomão e a atividade dos escribas de Ezequias.
CURSO DE TEOLOGIA 167
M Ó D U LO 1 1 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
Esboço de Provérbios
I. Introdução (1.1-7).
a) Título, propósito e introdução (1.1-6).
b) Tema ou lema (1.7).
II. Avisos de um pai e advertências da Sabedoria (1.8-8.36).
a) Avisos de um pai, parte um (1.8-19).
b) Advertências da Sabedoria, parte um (1.20-33).
c) Avisos de um pai, parte dois (2.1-7.27).
d) Advertências da Sabedoria, parte dois (8.1-36).
III. O caminho da Sabedoria em oposição ao caminho da Loucura (9.1-18).
IV. Provérbios de Salomão e palavras do sábio (10.1-29.27).
a) Provérbios de Salomão— primeira coleção (10.1 -22.16).
b) Palavras do sábio— primeira coleção (22.17-24.22).
c) Palavras do sábio— segunda coleção (pelos homens de Ezequias (25.1-29.27).
V. Provérbios de Agur (30.1-33).
a) A vida de moderação temente a Deus (30.1-14).
b) As maravilhas da vida observadas sobre a terra (30.15-31).
c) A insensatez do orgulho e da ira (30.32,33).
VI. Provérbio do rei Lemuel (31.1-31).
a) Conselhos de uma mãe para um filho nobre (31.1-9).
b) Um poema acróstico sobre a esposa perfeita (31.10-31).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Como também é conhecido esse livro?
2) Quantos provérbios e cânticos escreveu Salomão?
3) O que ensina os provérbios?
ECLESIASTES
O livro de Eclesiastes contém uma análise das experiências adquiridas por seu autor ao longo de sua vida e uma conclusão sobre 0 verdadeiro significado da mesma: longe de Deus tudo é vazio, oco, sem sentido, enfim, “tudo é vaidade”. O tom pessimista que impregna 0 livro talvez seja um efeito do estado espiritual de Salomão na época (cf. 1 Reis 11). Embora não especificado, 0 autor se identifica como “… filho de Davi, rei em Jerusalém” (1.1). Encontramos alusão à sabedoria (1.16), à riqueza (2.8), aos servos (2.8), aos prazeres (2.3) e a atividade de edifi- cação espalhadas por todo 0 livro. O pregador demonstra que 0 dia-a-dia retrata uma condição miserável em que a humanidade se encontra, onde a injustiça parece predominar. Enfaticamente, cerca de 30 vezes19, alerta que está relatando sua observação nas eventualidades sob o sol, excluindo, portanto, a realidade além do céu ou soil
Autor. Tradicionalmente têm-se atribuído a Salomão a autoria desse livro devido à informação oferecida nos dois primeiros versículos do capítulo inicial. A tradição judaica é pacífica em atribuir ao rei Salomão sua autoria.20 Stanley Ellisen afirma que “caso Salomão não fosse seu autor, a falsa personificação do mais sábio de todos os
‘9A expressão debaixo do sol, aparece 27 vezes em Eclesiastes nos seguintes textos: 1.3,9,14; 2.11,17,18,19,20,22; 3.16; 4.1,3,7,15; 5.13,18; 6.1,12; 8.9,15,17; 9.3,6,9,11,13; 10.5. A expressão debaixo do céu aparece 3 vezes em: 1.13; 2.3; 3.1.
20 Eclesiastes/ Rei Salomão Ben David. São Paulo: Ed. Maayanot, 1998, prefácio.
168 CURSO DE TEOLOGIA
homens sábios teria sido descoberta há muito tempo pelos rabinos de Israel, e esses não permitiríam a inclusão do livro no Cânon”.21 Note 0 seguinte:
a. O autor afirma “venho sendo rei em Jerusalém” (1.12 ARA).
b. A descrição de Eclesiastes 2:1-11 confere com as riquezas que Salomão possuiu e construiu (2 Crônicas 8:1-9.28).
c. O autor identifica-se como aquele que reuniu e organizou muitos provérbios (12.9).
d. Ninguém possuiu tanta sabedoria, prosperidade e expressão mundial no período monárquico, quanto Sa- lomão, de fato, ele se tomou uma referência em muitos sentidos para seus posteriores.
Tema. O sentido da vida. O livro argumenta que não há nada “sob o sol” capaz de dar sentido à vida. O cerne da vida está em Deus. Os prazeres não satisfazem de forma duradoura, Salomão procurou a felicidade nos bens materiais e, quando conseguiu tudo que desejou seus olhos, concluiu que “tudo era vaidade e correr atrás du vento, e nenhum proveito havia debaixo do sol” (2.10-11). Se esta declaração fosse pronunciada por um homem pobre, poder-se-ia chamá-lo de leviano, porém advinda de um homem que tudo possuía, de um homem a quem nada faltava, toma-se uma máxima verdadeira. A felicidade se encontra no ato de agradar a Deus.
Os judeus lêem este livro na Festa dos Tabernáculos. O rabino David Gorodovits explica a razão desta prática entre os judeus “sendo Sucót considerado Zeman Simchatênu, ou seja, ‘época de nossa alegria’, quando, em i: r:> el, os celeiros estão abarrotados com os frutos da colheita, seria fácil entregar-se a futilidades e lazer, esquecendo de onde veio a benção que resultou no sucesso do trabalho. E exatamente quando a leitura do Cohelét, com suas mensagens profundas, conscientiza-nos da bondade e da justiça do Eterno, sem as quais nenhum sucesso pode ser alcançado pelo ser humano”. 22
Esfera de ação. Alguns datam o livro do século III ou IV a.C., alegando que a linguagem do livro tem características do hebraico pós-bíblico, entretanto a corrente mais conservadora tem data o livro na época de Salomão, por volta dos séculos VIII ou VII a.C.
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Qual a conclusão que 0 autor Salomão teve com esse livro?
2) Como é identificado 0 autor desse livro?
3) Onde se encontra 0 cerne da vida?
CANTARES DE SALOAAÃO
MÓDULO ו I PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
Dos textos que compõem 0 Antigo Testamento poucos são tão fascinantes – e enigmáticos – quanto 0 Cânti- co dos Cânticos. Este interlúdio lírico, e não raro sensual, contrasta fortemente com as narrativas severas que o precedem e seguem. Cânticos dos cânticos é um poema de amor, onde o nome de Deus (YHWH) nem sequer é mencionado e no qual não há referência à oração ou ao louvor a Deus. Entretanto, o Cântico foi incluído entre os cinco rolos de festa (meguilloth) do cânon hebraico e, no judaísmo posterior, foi designado para ser lido na Páscoa; isso por ser interpretado como representação do amor divino por Israel.
Autor. Tradicionalmente tem sido atribuído ao rei Salomão a autoria deste livro. Aos que defendem esta tese. há no poema evidências internas que apoiam tal atribuição, a começar pelo próprio título onde está dito que se trata do mais belo Cântico de Salomão (1.1). Salomão é mencionado explícitamente em várias partes do poema (1.1,5; 3.7, 9,11; 8.11-12). Há claras referencias à riqueza, ao luxo, à presença de bens importados (3.6-11).
Título. O título do poema em hebraico contém a cláusula asher lishlomóh que pode ser lida tanto como “que é de Salomão”, indicando sua autoria, como “que diz respeito a Salomão”, indicando, neste caso, que dele trata ou a ele concerne.
21 ELLISEN, Stanley A. Conheça melhor 0 Antiga Testamento. São Paulo: Editora Vida, 1999, p. 191.
22 MELAMED, Meir Matzliah. Taró a Lei de Moisés. São Paula: Sefer, p. 669.
CURSO DE TEOLOGA 169
M Ó D U L01 1 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
Tema. O amor verdadeiro. Cantares é uma história de amor, que glorifica o amor puro e natural e focaliza a simplicidade e a santidade de uma pessoa que busca o seu amado. Até os dias de hoje os judeus interpretam 0 livro de Cantares como sendo “símbolo do amor de Deus pela Congregação de Israel, sendo o dia de sábado seu intermediário”. 23 Em outro lugar, o comentarista faz a seguinte observação “apesar das expressões de amor e nostalgia parecerem referir-se ao amor humano e à beleza física feminina, seu objetivo não é outro senão descre- ver alegóricamente as virtudes do povo de Israel e sua fidelidade ao Criador e a Seus preceitos, como também o amor de Deus a Seu povo predileto”.24
Esfera de ação. Várias teses têm se levantado com relação à datação do poema, entretanto a mais ampla- mente recolhida pelos estudiosos, defende uma datação remota, em tomo dos meados do século X a.C., pouco depois da morte de Salomão.
Esboço de Cantares
I. Cenas de abertura (1.1-2.7).
a) Lembrando o amor do rei de bom nome (1.1-4).
b) A morena e agradável guarda de vinhas (1.5-6).
c) Procurando amor nas pisadas do rebanho (1.7-8).
d) Removendo as marcas da escravidão (1.9-11).
e) A linguagem do amor (1.12-17).
f) O espírito e a árvore (2.1-6).
g) A primeira súplica (2.7).
II. A busca por abertura (2.8-3.5).
a) Começando a busca (2.8-15).
b) A alegria do amor no frescor do dia (2.16-17).
c) A procura determinada pelo objetivo principal (3.1-4).
d) A segunda súplica (3.5).
III. A busca por mutualidade (3.6-5.8).
a) A carruagem matrimonial real do amor da aliança (3.6-11).
b) Conhecendo sulamita (4.1-7).
c) Uma visão sobre a terra de cima do monte Hermom (4.8).
d) Uma vida de união íntima num banquete no jardim (4.9-5.1).
e) A queda da sulamita (5.2-7).
f) A terceira súplica (5.8).
IV. A busca por unidade (5.9 -8.4).
a) Conhecendo Salomão (5.9-6.3).
b) A glória triunfante da sulamita (6.4-10).
c) O nobre povo da sulamita (6.11-12).
d) A dança memorial de Maanaim (6.13-7.9).
e) O início do novo amor de iguais (7.9 -8.3).
f) A quarta súplica (8.4).
11MELAMED, Meir Matzliah. Torá a Lei de Moisés. São Paulo: Sefer, p. 648.
14 Idem, p. 655
170 CURSO DE TEOLOGIA
M Ó D U LO 1 1 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
V. Últimas cenas com resumo de realizações (8.5-14).
a) alcançando 0 objetivo principal (8.5).
b) Alcançando 0 amor autêntico (8.6-7).
c) Alcançando ao maternidade e a paz (8.8-10).
d) Obtendo uma vinha igual a de Salomão (8.11-12).
e) Obtendo a herança (8.13-14).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Quando é lido esse livro entre os judeus?
2) Qual 0 tema de Cantares?
3) Como os judeus interpretam o livro de Cantares?
ISAÍAS
Isaías viveu no turbulento período assírio, presenciando 0 cativeiro de seu povo. Ambos os reinos (Norte Israel e Sul/Judá) haviam experimentado poder e prosperidade. Israel, governado por Jeroboão e outros seis reis de menor importância, haviam aderido ao culto pagão; Judá, no período de Uzias, Jotão e Ezequias permaneceram em confor- midade com a aliança mosaica, porém, gradualmente, o rigor foi diminuindo causando um sério declínio moral e es- piritual (3.8-26). Lugares secretos de culto pagãos passaram a serem tolerados; o rico oprimia o pobre; as mulheres negligenciavam suas famílias na busca do prazer carnal; muitos dos sacerdotes e falsos profetas buscavam agradar os homens (5.7-12,18-23; 22.12-14). Tudo isso deixava claro e patente aos olhos do profeta Isaías que a aliança re- gistrada por Moisés em Deuteronômio 30.11-20 havia sido inteiramente violada, portanto a sentença divina estava proferida, o cativeiro e 0 julgamento eram inevitáveis para Judá, assim como 0 era para Israel.
Autor. Isaías teria sido 0 autor do livro que leva seu nome, embora seja contestada esta afirmação na atuali- dade. O Talmude afirma que Amoz, pai de Isaías era irmão do rei Uzias e que este profeta teria sido serrado ao meio pelo iníquo rei Manassés.25 É considerado o maior de todos os profetas da últimá metade do oitavo século, conhecido como profeta messiânico. Filho de Amoz, teria nascido por volta de 760 a.C., de família nobre de Judá. Recebeu a vocação de profeta em 740 a.C., e profetizou em Jerusalém durante os reinados de Uzias, Jotão, Acaz, Ezequias e, provavelmente Manassés.
Tema. O juízo de Deus. Isaías conclamava o povo a abandonar a vida de pecado e ao mesmo tempo os adver- tia do julgamento e da punição futura como castigos divinos. Sua mensagem se destina a Judá, Israel e às nações pagãs vizinhas. Contém vários oráculos ou mensagens constituídas de acusações, condenações, julgamentos e também de consolação, e ainda algumas passagens apocalípticas, tudo escrito num estilo nobre e clássico. O profeta foi cauteloso em mostrar que o juízo de Deus revela não sua arbitrariedade, mas sua justiça. Devido à idolatria e imoralidade, o povo de Deus havia se tomado como as demais nações em seu orgulho e egoísmo. Por outro lado o livro está repleto de promessas de restauração e redenção, do advento garantido do Messias, de salvação para todas as nações e do triunfo dos propósitos de Deus.
Esfera de ação. Tudo indica que ele escreveu seu livro durante os reinados de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias, e a parte final do seu livro (40-66) durante o reinado do tirano Manassés. Portanto, os acontecimentos históricos registrados em Isaías abrangem um período de mais ou menos 60 anos. Foi contemporâneo de Oséias, Amós e Miquéias (Oséias 1.1; Amós 1.1; Miquéias 1.1).
Pessoa-chave: Isaías
” H0RT0N, Stanley M. Isaías – 0 profeta messiânico. Rio de Janeiro: CPAD, 2002, p. 52.
CURSO DE TEOLOGIA 171
M Ó D U L 0 1! PANORAMA DO A N T IG O TESTAM ENTO
Esboço de Isaías
I. Profecía de denuncia e convite (1.1-35.10).
a) Mensagem de Julgamento e promessas (1.1-6.13).
b) Mensagem concementes ao Emanuel (7.1-12.6).
c) Mensagem de Julgamento sobre as nações (13.1-24.23).
d) Mensagem de Julgamento, louvor, promessa (25.1-27.13).
e) Os infortúnios dos descrentes imorais em Israel (28.1- 33.24). Resumo 34.1-35.10
II. O procedimento de Deus com Ezequias (36.1-39.8).
a) Deus liberta Judá (36.1-37.38).
b) Deus cura Ezequias (38.1-22).
c) Deus censura Ezequias (39.1-8).
III. Profecia de consolo e paz (40.1-66.24).
a) A garantia de consolo e paz (40.1 -48.22).
b) O Servo do Senhor, 0 Autor do consolo e da paz (49.1 -57.21).
c) A realização do consolo e da paz (58.1-66.24).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Qual foi a sentença divina para os reinos do Norte e do Sul?
2) O que afirma o Talmude com relação a autoria?
3) Sobre 0 reinado de quais reis foi escrito esse livro?
JEREMIAS
Jeremias iniciou seu ministério num dos períodos mais difíceis da história de Israel, no reinado de Josias, um rei bom que adiou temporariamente o juízo de Deus prometido por causa do governo terrível de Manassés. Presenciou a sucessão de cinco reis no trono de Davi em Jerusalém: Josias, Jeoacaz, Jeoaquim, Joaquim e Zedequias. Josias fez uma reforma, a qual incluiu a destruição dos lugares altos pagãos em Judá e Samaria. Entretanto, a reforma teve um efeito pouco duradouro sobre o povo. Além disso, Josias conseguiu expandir seu território para o norte. Nessa época, a Babilônia, era governada por Nabopolasar, e o Egito, por Faraó Neco, sendo que ambos disputavam o espaço em que estava localizado 0 reino de Judá.
Em 609 a.C., Josias foi morto em Megido ao tentar impedir o Faraó Neco de ir contra o que restava da Assíria. Seus três filhos, Joacaz, Jeoaquim e Zedequias e um neto, Joaquim, sucederam-no no trono. Jeremias presen- ciou a insensatez dessa linhagem real, advertindo-os sobre os planos de Deus para Judá, mas nenhum deles deu atenção à sua voz. Jeoaquim foi abertamente hostil a Jeremias e destruiu um rolo enviado a ele, cortando-o em pedaços, logo após queimando-o. Zedequias foi um governante fraco e vacilante, buscando às vezes os conselhos de Jeremias, outras vezes permitindo que os inimigos de Jeremias o maltratassem e 0 aprisionassem.
Foi assim que o profeta Jeremias presenciou o do fim do reino de Judá, com a destruição da cidade e templo de Jerusalém e do exílio do povo judeu para Babilônia, findando sua vida no Egito, contra sua vontade (43.4-7). Tudo isso ocorreu porque seus melhores conselhos foram ignorados, seus escritos rasgados em pedaços por um rei tirano, seu nome denegrido, sua vida perseguida e suas profecias cumpridas horrivelmente diante dos seus olhos cheio de lágrimas. Quão triste fim da nação escolhida.
Autor. Jeremias é um dos poucos livros do Antigo Testamento que apresenta informações sobre sua compo- sição. Ele mesmo registrou parte de suas profecias (36.1-3), como também se valeu de um amanuense, Baruque, para escrever suas palavras (36.4). Portanto, a autoria do livro de Jeremias é fato provado, tanto internamente
172 CURSO DE TEOLOGIA
(seu nome como 0 de Baruque são constantemente citados) como externamente, 0 livro é atribuído a Jeremias pelo profeta Daniel (9.2) como por Esdras (1.1) e também pela tradição judaica.
Tema. A hora do juízo. A decadência e 0 desastre que se abateram sobre Judá viram pela falta de sensibili- dade, desconsideração e desobediência da nação a Deus. O profeta Jeremias confrontou muitos israelitas que pecavam contra Deus, listou os pecados de Judá, predisse o juízo de Deus e rogou que a nação se arrependesse. Entretanto enquanto a mensagem de Jeremias era de destruição e de tristeza, os falsos profetas anunciavam li- vramentos, paz e prosperidade (14.11-16; 23.9-40; 28.1-17).
Devido a sua predição foi considerado traidor da sua nação, pelo povo, pelos nobres como também pelo mo- narca. Porém, viveu para ver muitas de suas profecias se cumprirem, em especial as que se referem à destruição do centro religioso – 0 templo.
Nem só de juízo falou o profeta, trouxe também mensagens de esperança para a nação. Anunciou que uma nova aliança seria estabelecida para substituir a mosaica, realizada no Sinai (31.32). Referiu-se ao Messias como o “Renovo justo”, “Renovo de justiça” que reinará no trono de Davi e executará julgamento e justiça na terra (23.5-6; 33.14-17).
Esfera de ação. Proclamou a Palavra de Deus, em Jerusalém desde o reinado de Josias até o inicio do primei- ro cativeiro, aproximadamente 40 anos.
Pessoa-chave: Jeremias, Baruque, Ebede-Meleque, Nabucodonosor.
Esboço de Jeremias
I. O chamado de Jeremias (1.1-9).
II. Coleção de discursos (2.1-33.26).
A. Primeiro oráculos (2.1-6.30)
a) Sermão do templo e abusos no culto (7.1-8.3).
b) Assuntos diversos (8.4-10.25).
c) Eventos na vida de Jeremias (11.1-13.27).
d) Seca e outras catástrofes (14.1-15.21).
e) Advertência e promessas (16.1-17.18).
f) A santificação do sábado (17.19-27).
g) Lições do oleiro (18.1-20.18).
h) Oráculos contra leis, profetas e povo (21.1-24.10).
i) O exílio babilónico (25.1-29.32).
j) O livro de consolação (30.1-35.19)
III. Apêndice histórico (34.1-35.19).
a) Advertência a Zedequias (34.1 -7).
b) Revogada a libertação de escravos (34.8-22).
c) O exemplo dos recabitas (35.1-19).
IV. Julgamentos e sofrimentos de Jeremias (36.1-45.5).
a) Jeoaquim e os rolos (36.1-32).
b) Cerco e queda de Jerusalém (37.1-40.6).
c) Gedalias e o seu assassinato (40.7-41.18).
d) A fuga para o Egito (42.1-43.7).
e) Jeremias no Egito (43.8-44.30).
f) Oráculos para Baruque (45.1-5).
M Ó D U L 0 1 1 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
CURSO DE TEOLOGA 173
M Ó D U L 0 1 1 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
V. Oráculos contra nações estrangeiras (46.1-51.64).
a) Contra o Egito (46.1-28).
b) Contra os filisteus (47.1-7).
c) Contra Moabe (48.1-47).
d) Contra os amonitas (49.1-6).
e) Contra Edom (49.7-22).
f) Contra Damasco (49.23-27).
g) Contra Quedar e Hazor (49.28-33).
h) Contra Helão (49.34-39).
i) Contra a Babilônia (50.1-3).
VI. Apêndice histórico (52.1-34).
a) O reinado de Zedequias (52.1-3).
b) Cerco e queda de Jerusalém (52.4-27).
c) Sumário de três deportações (52.28-30).
d) Libertação de Joaquim (52.31-34).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) O que presenciou o profeta Jeremias?
2) Como está provado a autoria do profeta Jeremias?
3) Como ele se referiu ao Messias?
LAMENTAÇÕES
É um poema fúnebre relatando as misérias e desolações de Jerusalém, resultantes de seu estado de sítio e posterior destruição. O profeta expressa seu profundo pesar sobre aquele evento calamitoso na história do povo escolhido de Deus, a destruição de Jerusalém, em 586 a.C., por Nabucodonosor, rei de Babilônia. O livro é 0 terceiro dos cinco livros que compõem as meguillot ou “rolos das Festas” (i.e., Cântico dos Cânticos, Rute, La- mentações, Eclesiastes e Ester), usados em determinadas festas judaicas. Esse triste cântico de Jeremias foi ado- tado pela nação judaica.26 Os judeus cantam este livro todas às sextas-feiras junto ao Muro das Lamentações, em Jerusalém, e 0 lêem nas sinagogas, em jejum, no nono dia de^v, o dia destinado à lamentação das cinco grandes calamidades que sobrevieram à nação.
Autor. Embora 0 livro não mencione 0 nome do autor, a Septuaginta como a tradição judaica, bem como os cristãos atribui Lamentações ao profeta Jeremias.
Tema. A fidelidade de Deus. Na mais extrema angústia e esmagadora derrota, sem haver absolutamente esperança de conforto de alguma fonte humana, 0 profeta aguarda a salvação da mão do grande Senhor do universo. Lamenta- ções deve gerar em todos os verdadeiros adoradores a obediência e integridade, dando ao mesmo tempo aviso temível concemente àqueles que desconsideram a revelação de Deus por meio de sua Palavra. Não há registro na história de outra cidade armiñada que tenha sido lamentada em tal linguagem patética e comovente. É, certamente, proveitoso em descrever a severidade de Deus para com os que continuam a ser rebeldes, obstinados e impenitentes.
Pessoa-chave: Jeremias e a nação de Jerusalém
26 0 santuário foi totalmente consumido pelo fogo, no ano 70 d.C, pelo calendário judaico 0 dia 9 de Av, igual data em que 656 anos antes o primeiro Templo fora destruído por Nabucodonosor. Josefo lamentou: “não poderiamos, porém, nos não admirarmos assaz, de que a destruição desse incomparável Templo, tenha acontecido no mesmo mês e no mesmo dia em que os babilónicos outrora o haviam também incendiado. Esse segundo incêndio aconteceu no segundo ano do reinado de Vespasiano, mil cento e trinta anos, sete meses e quinze dias depois que 0 rei Salomão 0 havia construído pela primeira vez; seiscentos e trinta e nove anos, quarenta e cinco dias depois que Ageu o tinha feito restaurar, no segundo ano do reinado de Ciro” (JOSEFO, Flávio. História dos Hebreus. Rio de Janeiro: CPAD. p. 679).
174 CURSO DE TEOLOGIA
M Ó D U L 0 1 ! PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
Esboço de Lamentações
I. O primeiro poema: a miséria, 0 pecado e a oração de Jerusalém (1.1-22).
a) A derrota, humilhação, sofrimento e pecado de Jerusalém (1.1-11).
b) Falando ao mundo descuidado sobre seu castigo (1.12-19).
c) Uma oração por ajuda em grande aflição (1.20-22).
II. O segundo poema: a destruição mandada por Deus e a reação do profeta (2.1-22).
a) Como o próprio Deus destruiu Israel (2.1-10).
b) O sofrimento do profeta, desesperança e exortação à oração (2.11-19).
c) A oração angustiada de Judá 2.20-22
III. O terceiro poema: a severidade e misericórdia de Deus; a submissão e a oração do povo (3.1-66).
a) A severidade do castigo conduz a pensamentos de misericórdia (3.1-24).
b) Submissão e humildade trazem misericórdia (3.35-39).
c) O arrependimento deles chega tarde demais (3.40-47).
d) O profeta e o povo confiam em Deus pra vindicação no fim (3.48-66).
IV. O quarto poema: devastação, 0 resultado da desobediência (4.1-22).
a) A devastação do povo e de seus líderes (4.1-11).
b) A desobediência e seus resultados (4.12-20).
c) Edom será castigado e Israel será ajudado (4.21.22).
V. O quinto poema: uma oração registrando 0 sofrimento e apelos finais de Jerusalém (5.1-22).
a) Uma lembrança de seu estado lamentável (5.1-10).
b) Ninguém está isento do sofrimento (5.11-14).
c) Todo o orgulho e a alegria se foram (5.15-18).
d) O apelo final desesperado (5.19-22).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) O que relata este poema?
2) O que deve gerar nos verdadeiros adoradores a leitura desse livro?
EZEQUIEL
Na sua segunda vinda a Jerusalém (598-597 a.C.), Nabucodonosor deportou para a Babilônia, o rei e a família real, junto com outros dez mil membros da elite (2 Reis 24.12-14). Ezequiel estava entre eles. Era contemporâneo do profeta Jeremias, porém, mais jovem, enquanto um profetizava em Jerusalém (Jeremias) o outro anunciava a mesma mensagem aos que estavam cativos na Babilônia, no meio dos exilados, junto ao rio Quebar. Era também conhecido de Daniel e, se mantinham relações mais estreitas, não sabemos (14.20; 28.3).
Autor. Desde longa data tem sido’ atribuída a autoria a Ezequiel, filho de Buzi, o sacerdote. Entretanto, muitos estudiosos atuais sugerem que o livro tenha sido composto em quatro fases (oral, literária, editoria e final), sem que ninguém jamais conseguiu distinguir as diversas linhas literárias.
Tema. A destruição de Jerusalém e sua restauração. Como os habitantes de Jerusalém, os exilados apegados aos falsos profetas, acreditavam obstinadamente que a cidade de Jerusalém não seria invadida e que logo eles retomariam a sua terra. Já que Deus havia escolhido Jerusalém para sua morada e já que ele mesmo a defendeu
CURSO DE TEOLOGIA 175
M ÓDULO 1 1 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
no passado, não seria diferente dessa vez. Entretanto, o profeta Ezequiel os advertiu que o castigo era certo, por causa de suas transgressões, e que o exilio babilónico fora usado por Deus para corrigir os rebeldes e afastá-los de sua vil maneira de viver. Muitos não deram crédito em suas palavras, e em pouco tempo viram e ouviram que a cidade do grande rei (Jerusalém) fora destruída e 0 restante do povo foi levado cativo. Cumprida a profecia, a mensagem profética toma outro rumo, 0 profeta passa a consolar os desterrados dando-lhes promessas de liber- tação futura e retomo a terra de seus pais. Dois temas teológicos agem como um equilíbrio no pensamento do profeta. Na doutrina do homem em Ezequiel, ele colocou a ênfase no dever pessoal (18.4: “a alma que pecar, essa morrerá”). Por outro lado, ele enfatizou a graça divina no renascimento da nação. O arrependimento do remanes- cente fiel entre os exilados resultaria na recriação de Israel a partir dos ossos secos (37.11-14).
Esfera de ação. Ele recebeu seu chamado profético em 593 e profetizou entre 593 e 571, como indicam treze datas específicas fornecidas no livro (1.1; 8.1; 20.1; 24.1; 26.1; 29.1; 29.17; 30.20; 31.1; 32.1; 32.17; 33.21; 40.1). Pessoa-chave: Ezequiel, os líderes de Jerusalém e Nabucodonosor.
Esboço de Ezequiel
I. O início da visão e chamada de Ezequiel (1.1-3.21).
a) Visões introdutórias (1.1-28).
b) O encargo dos profetas (2.1-3.21).
II. Profecias e visões sobre a destruição de Jerusalém (3.22-24.27).
a) Oráculos de julgamento (3.22-7.27).
b) Visões de idolatria no templo (8.1-11.25).
c) O exílio e cativeiro de Judá (12.1-24.27).
III. Oráculos da ruína contra nações estrangeiras (25.1-32.32).
a) Contra Amom (25.1-7).
b) Contra Moabe (25.8-11).
c) Contra Edom (25.12-14).
d) Contra a Filistia (25.15-17).
e) Contra Tiro (26.1-28.19).
0 Contra Sidom (28.20-26).
g) Contra Egito (29.1-32.32).
IV. Profecias de restauração (33.1-48.35).
a) Ezequiel como vigia (33.1-33).
b) Deus como Pastor (34.1-31).
c) Julgamento contra Edom (35.1-15).
d) Restauração de Israel (36.1-37.28).
e) Julgamento contra Gogue (38.1-39.29).
f) Restauração do templo (40.1-46.24).
g) Restauração da terra (47.1-48.35).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) De quem Ezequiel era contemporâneo?
2) Quem era o pai de Ezequiel?
3) Quais são os dois temas teológicos apresentados nesse livro?
176 CURSO DE TEOLOGIA
DANIEL
M Ó D U L 0 1 1 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
Depois que 0 império Assírio entrou em decadência, Faraó Neco veio do Egito para ver se conseguia restaurar o antigo domínio egípcio naquelas regiões ao norte da Palestina. Lá seus exércitos se defrontaram com os de Nabucodonosor, e a batalha decisiva não foi fácil para qualquer das partes em contenda. Isso tanto é certo que Neco voltou, dizendo que tinha vencido os exércitos inimigos, mas o profeta Jeremias nos informa que isso não foi verdade (Jeremias 46.2).
De qualquer forma, na sua volta para 0 Egito, Faraó Neco, rei do Egito depôs Joacaz, filho de Josias – que o povo havia colocado no trono pela morte de Josias – e colocou no trono o irmão deste, Eliaquim, mudando-lhe o nome para Jeoaquim. Este ficou submisso, naturalmente, ao rei do Egito, até que subiu contra ele Nabucodono- sor, rei da Babilônia e 0 amarrou com cadeias, para 0 levar a Babilônia (2 Crônicas 36.6; 2 Reis 24.1). Desejoso de tomar a cidade de Jerusalém chegou-lhe notícias de que seu pai havia falecido, levando ele entregar seus exércitos a seus generais, retomando à Babilônia.
Nessa sua primeira passagem pela Terra Santa, por volta do ano 605 a.C., Nabucodonosor levou alguns utensí- lios da Casa do Senhor (2 Crônicas 36.7), juntamente com um pequeno grupo de príncipes, entre eles se achavam Daniel, Hananias, Misael e Azarias, aos quais o chefe dos eunucos pôs outros nomes, a saber: a Daniel pôs o de Beltessazar, e a Hananias, o de Sadraque, e a Misael, o de Mesaque, e a Azarias, o de Abede-Nego (Daniel 1.7).
Ele e seus companheiros eram de linhagem real e pertenciam à nobreza de Judá. Daniel era de boa aparência, ins- fruido em toda sabedoria, douto em ciência e versado em conhecimento. Era um jovem notável! Devido a sua piedade e devoção ao Deus de seus pais, ascendeu rapidamente, tomando-se um dos oficiais mais respeitados do governo.
Autor. A tradição judaica tem atribuído a Daniel. Os cristãos com base em declarações explícitas feitas no próprio livro (9.2; 10.2) e em harmonia com 0 testemunho de Cristo (Mateus 24.15) creditam a Daniel sua autoria. Entretanto, entre os estudiosos modernos, este livro têm sido objeto de muita polêmica em relação à sua autoria.
Tema. A soberania de Deus. A soberania de Deus é o centro deste livro. Deus está no controle do céu e da terra, dirigindo as forças da natureza, o destino das nações e cuidando do seu povo. Jerusalém pode ser desfru- ida e ter seu templo reduzido a ruínas, o povo de Deus pode ser exilado e os maus governantes podem parecer triunfantes, mas somente Deus permanece supremo. E Ele e somente ele “quem muda 0 tempo e as estações, remove reis e estabelece reis; ele dá sabedoria aos sábios e entendimento aos inteligentes. Ele revela o profundo e o escondido; conhece o que está em trevas, e com ele mora a luz” (2.21-22). Por causa de suas muitas visões, o livro de Daniel tem sido chamado “O Apocalipse do Antigo Testamento”, como afirmou Stanley Ellisen, “é um livro ‘apocalíptico’, no verdadeiro sentido de ‘apocalipse’, uma ‘revelação’ de Deus”. 27
Esfera de ação. Desde 0 primeiro cativeiro babilónico liderado por Nabucodonosor até Ciro, o Grande, abrangendo um período de aproximadamente de 70 anos.
Pessoa-chave: Daniel, Nabucodonosor, Sadraque, Mesaque, Abede-Nego, Belsazar e Dario.
Esboço de Lamentações
I. As convicções religiosas de Deus (1.1-21).
a) O exílio de Judá (1.1-2).
b) A decisão de Daniel de manter-se separado 1.3-21
II. O primeiro sonho de Nabucodonosor (2.1-49).
a) O sonho esquecido (2.1-28).
b) A revelação e a interpretação de Daniel (2.29-45).
c) Daniel é honrado através de promoção (2.46-49).
״ ELLISEN, Stanley A. Conheça Melhor o Antigo Testamento. São Paulo: Ed. Vida, 1999, p. 264.
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M Ó D U L 0 11 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
III. A libertação da fornalha de fogo (3.1-30).
a) Convocação para adorar a estátua de ouro (3.1 -7).
b) Arecusa dos três hebreus de se prostrarem perante a estátua (3.8-18).
c) Os três hebreus são miraculosamente protegidos (3.19-25).
d) O rei confessa o Deus verdadeiro 3.26-30
IV. O segundo sonho de Nabucodonosor (4.1-37).
a) O sonho de Nabucodonosor (4.1-37).
b) A Interpretação da Daniel (4.19-27).
c) O cumprimento do sonho (4.28-33).
d) A oração e restauração de Nabucodonosor (4.34-37).
V. A festa blasfema de Belsazar (5.1-31).
a) A escrita manual na parede (5.1-9).
b) A interpretação de Daniel da escritura (5.10-31).
VI. Daniel na cova dos leões (6.1-28).
a) Complô contra Daniel (6.1 -9).
b) Daniel é lançado na cova dos leões (6.10-17).
c) Daniel é liberado (6.18-28).
VII. A primeira visão de Daniel (7.1-28).
a) O sonho da Daniel sobre os quatro animais (7.1-14).
b) A Interpretação de Daniel (7.15-28).
VIII. A segunda visão de Daniel (8.1-27).
a) O sonho de Daniel sobre um carneiro, um bode e sobre os chifres (8.1-14).
b) A interpretação de Gabriel (8.15-27).
IX. A profecia das setentas semana (9.1-17).
a) A oração de Daniel (9.1-19).
b) A Visão da Daniel (9.20-27).
X. A visão final de Daniel (10.1-12.13).
a) A visão de Daniel de um ser glorioso (10.1-9).
b) A visita de um anjo (10.10-21).
c) Guerra entre reis do Norte e do Sul (11.2-45).
d) O tempo da tribulação (12.1-13).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Em sua primeira passagem pela Terra Santa, por volta do ano 605 a.C.,0 que fez nabucodonosor quando lá esteve?
2) Como os cristãos fundamentam a autoria de Daniel?
3) Qual 0 tema desse livro?
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M ÓDULO 1 1 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
OSÉIAS
Oséias contemplou os últimos dias do reino do Norte (Israel). Devido à decadência espiritual, social e políti- ca, 0 juízo de Deus estava próximo, culminado com 0 cativeiro Assírio. A fidelidade espiritual do povo foi com- parada ao pecado de adultério. Oséias presenciou no próprio casamento 0 que Deus estava passando em relação a Israel. Ele se casa, mas sua esposa se toma adúltera. Ele sofre com a infidelidade dela, mas ainda demonstra misericórdia para tomá-la de volta. Da mesma maneira, Deus viu sua noiva, a nação de Israel, à semelhança da esposa de Oséias, entregue-se a prostituição, ou seja, adorando outros deuses. Mesmo depois de tudo que Israel havia feito 0 Senhor ainda confirmou 0 seu amor pela nação e sua intenção de trazê-la de volta em justiça.
Autor. O versículo introdutório do livro atribui a obra a Oséias, filho de Beeri. Foi profeta do reino do Norte (Israel ou Efraim), tendo como contemporâneos os profetas Amós (1.1), Isaías (1.1) e Miquéias (1.1).
Tema. O amor de Deus. Deus ordenou a Oséias que se casasse com uma mulher que lhe seria infiel e lhe causaria muitos sofrimentos. Da mesma maneira que Gomer era infiel ao seu esposo Oséias, Israel (Reino do Norte) também se tomara infiel a Deus. Sua idolatria era semelhante ao adultério. Os sacerdotes haviam se unido ao povo para atacar e assassinar peregrinos no caminho para Siquém (4.11-14,18; 6.9). A nação mergulhara nas densas trevas, ficando destituída de verdade, de bondade e do conhecimento de Deus (4.6), e cheia de perjuro, de mentira, de morte, de furto, de adultério e de derramamento de sangue. Deus desejava que Israel abandonasse seus pecados e voltasse a adorar somente a Ele; porém 0 povo continuava em sua iniqüidade. Essa decadência espiritual, social e política foi se intensificando até que culminou com 0 cativeiro Assírio, em 722 a.C., por Sal- manaser V (2 Reis 17.3), consumado por Sargão II (Isaías 20.1).
Esfera de ação. Os acontecimentos históricos a que se refere 0 livro de Oséias cobrem um período de mais ou menos 60 anos.
Pessoa-chave: Oséias, Gomer e seus filhos.
Esboço de Oséias
I. Oséias e Gomer (1.13.5־).
a) O casamento de Oséias e Gomer (1.1-9).
b) O Casamento do SENHOR com Israel (1.10-2.23).
c) A volta de Gomer para Oséias (3.1-5).
II. O SENHOR e Israel (4.1-14.9).
a) Amor e restauração (11.1-14.9).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Qual 0 tema desse livro?
2) Quando ocorreu 0 cativeiro assírio?
JOEL
Joel descreve uma terrível praga de gafanhotos que cobre a terra e devora as colheitas. Ele relaciona a praga dos gafanhotos com 0 início do Dia do Senhor, prevendo que 0 julgamento se agravaria, em conseqüência disso conclama 0 povo ao arrependimento. Três momentos do Dia do Senhor são perceptíveis:
a) Histórico: Deus intervindo na histórica de Israel (Sofonias 1.14-18; Joel 1.15);
b) Ilustrativa: 0 incidente histórico representa um cumprimento parcial do Dia do Senhor (Joel 2.1-11; Isaías 13.6-13);
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M ÓDULO 11 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
c) Escatológica: evento futuro e derto que envolve a Grande Tribulaçâo (Isaías 2.12-19; 4.1), a segunda vinda de Cristo (Joel 2.30-32) e o Milênio (Isaías 4.2, 12; 19.23-25; Jeremias 30.7-9).
Autor. O próprio Joel tem sido tradicionalmente aceito como autor. Pouco se sabe acerca dele, a não ser que o nome de seu pai era Petuel. Enquanto Joel profetizou para Judá (Reino do Sul) 0 profeta Elias o fez em Israel (Reino do Norte).
Tema. O dia do Senhor. Os gafanhotos além de devastador nos chamam a atenção pela sua agregação maciça e por sua grande capacidade de deslocamento. Deus usou um enxame de gafanhotos para exemplificar 0 que ocorrería a nação impenitente. Da mesma forma que os gafanhotos destroem toda uma vegetação em poucos minutos, 0 Senhor adverte a nação para um evento futuro e certo que estava preste a se realizar, ou seja, caso não se arrependesse, ela seria invadida de forma assoladora, pelos exércitos inimigos. Por meio do profeta Joel, os líderes espirituais de Jerusalém são advertidos a conduzirem 0 povo ao arrependimento (1.13-14). Tal arrependí- mento, disse ele, removería as pragas dos gafanhotos e da estiagem e restauraria as bênçãos da chuva, colheitas abundantes e proteção contra os inimigos (2.19-20).
Pessoa-chave: Joel e o povo de Judá.
Esboço de Joel
I. A mão do Senhor no presente (1.1-2.27).
a) A destruição pelas locustas (1.2-2.11).
b) O arrependimento de Judá (2.12-17).
c) A restauração do Senhor (2.18-27).
II. O dia do Senhor no futuro (2.28-3.21).
a) A graça do Senhor (2.28-32).
b) O Julgamento do Senhor (3.1-17).
c) A Bênção do Senhor (3.18-21).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) O que descreve o profeta Joel?
2) Quais são os três momentos do Dia do Senhor perceptíveis nesse livro?
AMOS
Amós não pertencia a nenhuma família sacerdotal nem de profetas, era negociante, ocupava-se com a criação de gado e plantação de frutas (figos) de Tecoa (1.1; 7.14). Foi chamado para anunciar o juízo de Deus sobre Israel (Reino do Norte), por sua complacência, idolatria e opressão aos pobres.
Autor. Tradicionalmente tem sido atribuído a Amós. Era proveniente da árida região montanhosa de Judá, natural de Tecoa, localizada a uns dez quilômetros a sudeste de Belém, que dá para o mar morto. Foi contempo- râneo de Oséias, embora sendo natural de Judá (Reino do Sul) Deus 0 enviou para profetizar em Betei, centro religioso do Reino do Norte, durante os reinados de Uzias, rei de Judá (2 Crônicas 26) e Jeroboão II, rei de Israel (2 Reis 14.23-29), cerca de 60 a 80 anos antes do cativeiro assírio.
Tema. Um chamado à justiça. O opulento povo de Israel gozava de paz e prosperidade. As pessoas estavam muito complacentes e oprimiam os pobres, a ponto de vendê-los como escravos. Foi nesse contexto social que Deus o chamou para pregar. Sua mensagerti foi direcionada aos que vivem em palácios e acumulam riquezas (3.10), as senhoras da alta sociedade (4.1), aos que constroem boas casas e plantam excelentes vinhas (5.11), aos
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M Ó D U L 0 11 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
que aceitam suborno na administração da justiça (5.12), aos os que vivem no luxo e na boa vida (6.4-6), aos que controlam 0 comércio (8.4-6). Conclusão, os que detêm o poder econômico, político e jurídico.
A mensagem de Amós é de castigo vindouro que recairá sobre os ricos que oprimem os pobres, os poderosos que deturpam a justiça e 0 direito, subornando os juizes nos tribunais. Assim como fizera Joel, 60 anos antes, enfatizou 0 dia vindouro do Senhor, porém, ao contrario de Joel, apresentou-o como um “dia de trevas e não de luz” (5.18). Pearlman sintetiza 0 tema de Amós da seguinte forma: “exposição dos pecados de um povo privi- legiado, cujos privilégios lhes trouxeram grande responsabilidade e cujas faltas sob essa responsabilidade lhes acarretaram um castigo de acordo com a luz que tinham recebido”.28 Pessoa-chave: Amós, Amazias e Jeroboão II.
Esboço de Amós
I. Introdução (1.1-2).
II. Julgamento sobre as nações (1.3 -2.16).
a) Damasco (1.3-5).
b) Gaza (1.6-8).
c) Tiro (1.9-10).
d) Edom (1.11-12).
e) Amom (1.13-15). í) Moabe (2.1-3).
g) Judá (2.4-5).
h) Israel (2.6-16).
III. Oráculos contra Israel (3.1- 6.14).
a) Julgamento sobre 0 povo escolhido de Deus (3.1-15).
b) Julgamento de Deus sobre o povo insensíveis (4.1-13).
c) Julgamento sobre o impenitente povo de Deus (5.1-6.14).
IV. Visões de Julgamento (7.1-9.10).
a) Visões de abrandamento (7.1-6).
b) Visões de rigidez (7.7-9.10).
V. A restauração de Israel (9.11-15).
a) Atenda de Davi levantada (9.11-12).
b) Aterra e 0 povo restaurados e abençoados (9.13-15).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) De onde era Amós?
2) Qual a sua mensagem?
21 PEARLMAN, Myer. Através da Bíblia Livro por Livro. São Paulo: Editora Vida, 1999, p. 149.
CURSO DE TEOLOGIA 181
M Ó D U L 0 11 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
OBÂDIÂS
O livro de Obadias descreve a conseqüência das antigas hostilidades entre Edom e Israel. Os patriarcas de Edom e Israel eram Esaú e Jaco respectivamente, ambos os filhos de Isaque. Os edomitas, quando os descendentes de Jacó foram libertos da opressão egípcia, negaram passagem para 0 leste e os ameaçaram com uma demonstração de força (Números 20.14-21; 21.4). Na época da mensagem de Obadias, a capital da nação de Edom era Sela, uma cidade con- siderada invencível por estar situada em penhascos localizados em um desfiladeiro profundo e sinuoso que só podia ser alcançado através de uma estreita passagem. O profeta predisse que Deus destruiría Edom como castigo pelas suas constantes indiferenças, pelo seu orgulho e autoconfiança.
Autor. Ao contrário de outros livros, Obadias não apresenta informação sobre a época ou o lugar de sua origem, nem inclui qualquer dado autobiográfico sobre 0 profeta e 0 autor, exceto que seu nome significa “servo do Senhor”.
Tema. O grande pecado de Edom. O profeta condenou o orgulho e crueldade dos edomitas no maltrato de Judá como aliados da Babilônia durante a pilhagem de Jerusalém. Essa conduta terrível não ficaria sem castigo, e sua des- truição final era futura e certa (v.29־). Para os remanescentes, 0 profeta trouxe a certeza da restauração com a posse da
terra de Edom.
Pessoa-chave: Edomitas.
Esboço de Obadias
I. Título 1
II. O decreto do Senhor (vs. 1-14).
a) A condenação de Edom (vs, 1-4).
b) O colapso de Edom (vs. 5-9).
c) Os crimes de Edom (vs 10-14).
III. O Dia do Senhor (vs 15-21).
a) O dia da retribuição divina (vs. 16-16).
b) O dia da restituição divina (vs. 17-20).
c) O dia do domínio divino (vs. 21).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) De quem descenderam Edom e Jacó?
2 O que condenou esse profeta
JONAS
A cidade de Nínive era a capital do império Assírio. Constantemente seus exércitos ameaçavam destruir Israel. Os guerreiros assírios eram considerados os mais sanguinários e cruéis, gostavam de inventar novas formas de torturar os prisioneiros. Freqüentemente, arrancavam à pele das pessoas, furavam seus olhos ou as erguiam no ar espetadas no peito por uma grande lança. Foi para esse povo que Deus comissionou Jonas para levar sua mensagem de juízo.
Autor. As questões concementes à data e autoria de Jonas estão profundamente relacionas. Se Jonas escreveu o Livro seria, obviamente, datado durante o reinado de Jeroboão II. No início do séc. VIII, cerca de 793 a 753 a. C. Se um narrador escreveu o livro, ele podería sido em qualquer tempo depois do acontecimento descrito nele. Dentre aqueles que sustentam outro autor, que não seja Jonas, alguns datam o livro na segunda metade do séc. VIII ou no início do século VII, baseado nas datas pós-exílica, após a destruição de Nínive em 612 a.C. Nas Escrituras, a autoria não é iden- tificada, entretanto tem-se atribuído, conforme a tradição a Jonas sua autoria.
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Tema. O grande amor de Deus. O livro conta a história da fuga deste profeta e como Deus o deteve e o fez retomar. O profeta foi comissionado para pregar contra a grande cidade de Nínive em conseqüência de pecado e corrupção, po- rém Jonas odiava os assírios e desejava a vingança, não à misericórdia. Sabia ele que Deus os perdoaria e abençoaria, se abandonassem 0 pecado e o adorassem. Conhecia o poder da mensagem divina e que, mesmo através de sua humilde pregação eles responderíam e seriam poupados do juízo iminente. Preferiu fugir de Deus a obedecer-lhe indo para Társis (1.3). Nínive ficava ao leste da Palestina e Társis a oeste. Compra a passagem em um navio que se destina ao contrário de sua direção. Ele se isola e dorme. Logo após apartida do navio, desencadeia-se uma severa tempestade. Os marinhei- ros aterrorizados lançavam ao mar a carga do navio e começaram a invocar seus deuses (1.6). Por meio de sortes, Jonas é identificado como 0 causador de todos aqueles males. Por sua sugestão, é lançado ao mar, cessando a sua füria (1.15). É engolido por um grande peixe (1.17). Arrependido no ventre do peixe, ora sinceramente pedindo salvação, quando Deus 0 coloca ileso sobre a terra (2.10). Quando o relutante pregador foi a Nínive, aconteceu aquilo que ele havia previsto, houve uma impressionante resposta. As pessoas se arrependeram e voltaram-se para Deus, conseqüentemente ficara suspenso 0 julgamento que havia sido notificado (3.10). Jonas aborrecido queixou-se a Deus dizendo: “Ah! SENHOR! Não foi isso 0 que eu disse, estando ainda na minha terra? Por isso, me adiantei, fugindo para Társis, pois sabia que és Deus clemente, e misericordioso, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e que te arrependes do mal” (4.2). Deus lhe responde, expondo seus valores egoístas e sua falta de compaixão dizendo: “não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Nínive, em que há mais de cento e vinte mil pessoas, que não sabem discernir entre a mão direita e a mão esquerda, e também muitos animais?” (4.11).
Os assírios não mereciam esse amor, mas Deus os poupou quando se arrependeram. Em sua misericórdia, Deus não rejeitou Jonas por ter fugido de sua missão, Ele tem grande amor, paciência e perdão. Assim, o livro de Jonas é uma repreensão contra o exclusivismo, pelo que 0 povo de Deus hoje tem a responsabilidade de pôr de lado 0 nacionalismo inflexível e 0 ódio racial, devendo compartilhar 0 amor de Deus com todas as nações, tribos, povos e línguas. Pessoa-chave: Jonas, 0 capitão do navio, os assírios.
Esboço de Jonas
I. A retirada ordenada (1.1-3).
a) O chamado (1.1-2).
b) Jonas foge para Társis (1.3).
II. O retorno providencial (1.4-2.10).
a) O Senhor manda uma tempestade (1.4-9).
b) Os marinheiros o jogam no mar (1.10-16).
c) O Senhor prepara uma grande peixe (1.17).
d) Jonas ora (2.1-9).
e) Ele é vomitado na terra (2.10).
III. A renovação bem-sucedida (3.1-10).
a) Uma segunda chance de levantar e ir é dada a Jonas (3.1-3).
b) Jonas prega (3.4).
c) A população se converte (3.5-9).
d) Deus demonstra piedade (3.10).
IV. Uma reação negativa (4.1-11).
a) Jonas desgostou-se (4.1-5).
b) Deus ensina uma lição (4.6-11).
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VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Porque os guerreiros assírios eram considerados sanguinários?
2) Porque Jonas não quis pregar em Nínive?
MIQUÉIAS
Miquéias, natural de Moresete, localizada nas colinas de Judá, profetizou durante os reinados de Jotão, Acaz e Ezequias, sendo, portanto contemporâneo do profeta Isaías. Miquéias é um dos poucos profetas mencionados espe- cificamente em outro livro profético. Quando 0 profeta Jeremias foi ameaçado de morte por suas profecias a respeito da destruição de Jerusalém, ele foi livrado pelos anciãos que lembraram 0 povo de que Miquéias profetizara 0 mesmo havia mais de cem anos: “Miquéias, 0 morastita, profetizou nos dias de Ezequias, rei de Judá, e falou a todo 0 povo de Judá, dizendo: Assim disse 0 SENHOR dos Exércitos: Sião será lavrada como um campo, Jerusalém se tomará em montões de minas, e 0 monte do templo, numa colina coberta de mato. Mataram-no, acaso, Ezequias, rei de Judá, e todo 0 Judá? Antes, não temeu este ao SENHOR, não implorou 0 favor do SENHOR? E 0 SENHOR não se arrepen- deu do mal que falara contra eles? E traríamos nós tão grande mal sobre a nossa alma?” (Jeremias 26.18-19). Seu nome significa “quem é semelhante ao Senhor”. Pertencia a Judá, mas falou tanto a Judá como a Israel.
Autor. Miquéias é 0 autor deste livro.
Tema. A compaixão de Deus. Miquéias declara que o Deus santo e justo não tolerará mais a maldade persis- tente do seu povo. Assim como fizera 0 profeta Oséias, Miquéias usou figuras de prostituição para descrever o culto idólatra (1.7). A ira de Deus iria cair sobre a nação toda, em virtude dos pecados de violência e injustiça so- ciai. Os mais afortunados oprimiam e exploravam os pobres, ainda assim, ninguém os criticava ou fazia qualquer coisa para detê-los. Como recompensa de suas maquinações más, o justo Deus adverte a nação de que ele está prestes a permitir que o mal lhes assole – a invasão da terra pelo inimigo e 0 exílio do povo de sua terra. Apesar do tom predominante de castigo iminente, 0 profeta inclui a esperança e 0 consolo, predizendo a restauração e bênçãos futuras. Deus voltaria a ter compaixão de seu povo e eliminaria completamente seus pecados por meio dum Rei eterno que nascería em Belém.
Pessoa-chave: os habitantes de Samaria e de Judá.
Esboço de Miquéias
I. A dramática cinda do Senhor em Julgamento (1.1-2.13).
a) Sobre as cidades capitais de Samaria e Jerusalém (1.1-9).
b) Sobre as cidades localizadas a sudoeste de Jerusalém (1.10-16).
c) Sobre os crimes que trazem ocupação estrangeira (2.1-11).
d) Sobre todos, exceto um restante liberto pelo Senhor (2.12-13).
II. A condenação dos líderes feita pelo Senhor (3.1-12).
a) Sobre os líderes que consomem o povo (3.1-4).
b) Sobre os profetas, exceto Miquéias (3.5-8).
c) Sobre os oficiais: chefes, sacerdotes e profetas (3.9-12).
III. A vinda do reino universal do Senhor (4.1-5.15).
a) Atração de todas as nações pelo nome do Senhor (4.1-5).
b) Compaixão sobre o povo dependente e rejeitado (4.6-13).
c) O lugar de nascimento e a administração do Messias (5.1-6).
d) A restauração de um restante num lugar sem ídolos (5.7-15).
184 CURSO DE TEOLOGIA
M ÓDULO 11 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
IV. A apresentação da contenda do Senhor (6.1-7.6).
a) O seu cuidado redentor na sua história (6.1-5).
b) Suas expectativas para uma reação apropriada (6.6-8).
c) Seu fundamento para o julgamento do ímpio (6.9-7.6).
V. A salvação do Senhor como a esperança do povo (7.7-20).
a) Apesar do julgamento temporário (7.7-9).
b) Apesar dos inimigos do povo (7.10—17).
c) Por causa da sua incomparável compaixão (7.18-20).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) O que significa o nome Miquéias?
2) Porque iria cair a ira de Deus sobre a nação?
NAUM
Nínive a capital do império Assírio é o assunto da profecia de Naum. Orgulhosa de sua auto-suficiência e po- derio militar, a nação mais poderosa da terra, saqueava, oprimia e matava suas vítimas. Deus julgaria esta cidade por sua idolatria, arrogância e opressão. Jonas viu Nínive se arrepender um século antes, mas a cidade caiu nova- mente na impiedade, o mal reinava novamente, e o profeta Naum pronunciou o juízo de Deus sobre esta nação.
Três seções principais, correspondentes aos três capítulos, abrangem a profecia. A primeira descreve o grande poder de Deus e como aquele poder opera na forma de proteção para os justos, mas de julgamento para o ímpio. Na sua condição de miséria e aflição (1.12), Judá podia facilmente duvidar da bondade de Deus e até mesmo questionar os inimigos de seu povo (1.1315־ ) e remover a ameaça de uma nova angústia (1.9). A predição do
juízo sobre Nínive caracteriza-se uma mensagem de consolação para Judá (1.15)
A segunda seção principal, descreve o juízo que abaterá sobre Nínive (2.1-3). Tentativas de defender a cidade contra seus atacantes serão em vão, porque 0 Senhor já decretou a queda de Nínive e a ascensão de Judá (2.1-7). As portas do rio se abrirão, inundando a cidade e varrendo todos os poderosos, e 0 palácio se derreterá (2.6). O povo de Nínive será levado cativo (2.7); outros fugirão com terror (2.8). Os tesouros preciosos serão saqueados (2.9); toda a força e autoconfiança se consumirão (2.10). O covil do leão poderoso será desolado, porque “Eis que eu estou contra ti, diz o Senhor dos exércitos” (2.11-13).
Por fim, o terceiro capítulo forma a seção final do livro. O julgamento de Deus parece excessivamente cruel, mas ele é justificado em sua condenação. Nínive era uma “cidade ensangüentada” (3.1), uma cidade culpada por espalhar o sangue inocente de outras pessoas. Ele era uma cidade conhecida pela mentira, falsidade rapina e devassidão (3.1,4). Tal vício era uma ofensa a Deus; portanto, seu veredicto de julgamento era inevitável (3.2-3, 5-7). Ela não escaparia do julgamento divino (3.14-15). Tropas se espalharão, os líderes sucumbirão e o povo se derramará pelos montes (3.16-18). O julgamento de Deus sobreveio, e os povos que a Assíria outrora subjugou tão impiedosamente, agora regozijam de alegria e celebram em resposta às boas-novas (3.19).
Autor. Naum foi o autor desse livro, embora praticamente nada se saiba a respeito de sua história pessoal.
Tema. A destruição de Nínive. A grande cidade, que outrora se arrependera de seus pecados através da mensagem do profeta Jonas, passado pouco mais de um século, mudou de comportamento a respeito de seu primeiro arrependimento e de tal maneira se entregaram à idolatria, crueldade e opressão. Nínive é chamada de cidade sanguinária (3.1) e cruel (3.19), e os assírios serão julgados por sua arrogância (1.11), idolatria (1.14), assassinatos, mentiras, traições e injustiças sociais (3.1-19). Naum revelou com detalhes o plano divino para destruir e devastar Nínive completamente. O que ocorreu depois de 50 anos.
Pessoa-chave: Ninivitas.
CURSO DE TEOLOGIA 185
M Ó D U L 0 1 1 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
Esboço de Naum
I. O veredicto de Deus (1.1-15).
a) O zelo de Deus (1.2-6).
b) A bondade de Deus (1.7).
c) O julgamento de Nínive (1.8-14).
d) A alegria de Judá (1.15).
e) A vingança de Deus (2.1-13).
í) A destruição de Nínive (2.1-12).
g) A declaração do Senhor (2.13).
II. A vitória de Deus (3.1-19).
a) Os pecados de Nínive (3.1-4).
b) O cerco de Nínive (3.5-18).
c) A celebração sobre Nínive (3.19).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Faça um breve resumo das três seções deste livro.
2) Quem é o autor desse livro?
3) Por quais nomes Nínive é chamada?
HABACUQUE
Habacuque viveu durante um dos períodos mais críticos de Judá. Seu país havia caído do auge das reformas do rei Josias para as profundezas da imoralidade. Que seus conterrâneos eram passivos de punição estava evidente, entretanto Habacuque não entendia como um Deus santo podería usar alguém pior do que os judeus para corrigi-los. O livro está organizado em tomo das orações do profeta e das respostas de Deus em face de tais questionamentos.
Autor. Praticamente nada se sabe sobre 0 profeta Habacuque, exceto que seu nome significa “abraço” ou significando que ele foi “abraçado por Deus”. Alguns 0 têm identificado como levita, em virtude de algumas observações musicais feitas ao salmo litúrgico (cap. 3). Entretanto tal raciocínio não se mostra lógico, pois do mesmo modo, Davi escreveu vários salmos litúrgicos e não era levita.
Tema. A aflição dos piedosos e a prosperidade dos ímpios. Habacuque contemporâneo do profeta Jeremias, profetizou em Judá durante a queda da Assíria e a invasão de Jerusalém pelos babilônios (605-597 a.C.). O livro é único no seu gênero por não ser uma profecia dirigida diretamente a Israel, mas sim um diálogo entre 0 pro- feta e Deus. Habacuque queria saber por que Deus não fazia algo a respeito da iniqüidade que predominava em Judá. Deus lhe responde, então, que enviaria os babilônios para castigar a Judá. Esta resposta deixou 0 profeta ainda mais confuso: “Por que Deus castigaria seu povo através de uma nação mais ímpia do que ele?” No fim, Habacuque aprende a confiar em Deus, a viver pela fé da maneira como Deus o requer: independentemente das circunstâncias. Para Pearlman “isso quer dizer que, por mais triunfante que pareça o mal, o justo não deve julgar pelas aparências, mas sim pela Palavra de Deus. Embora os ímpios vivam e prosperem nas suas impiedades e os justos sofram, estes últimos devem viver uma vida de fidelidade e confiança”.29 A conclusão do livro é: os ímpios podem até triunfar, mas no final serão julgados, e a justiça prevalecerá.
Pessoa-chave: Habacuque e os babilónicos.
” PEARLMAN, Myer. Através da Bíblia Livro por Livro. São Paulo: Editora Vida, 1999, p. 169.
186 CURSO DE TEOLOGIA
M Ó D U L 0 1 1 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
Esboço de Habacuque
LAs perguntas de Habacuque (1.1-17).
A. Uma pergunta acerca da preocupação de Deus (1.1-11).
a) A pergunta declarada: “Por que Deus não faz alguma coisa? (1.1-5).
b) A resposta dada: “Porque eis que suscito os caldeus” (1.6-11).
II. Uma pergunta acerca dos métodos de Deus (1.12-17).
A. A resposta do Senhor (2.2-20).
a) O alcance da resposta (2.2-3).
b) A verdade central para os crentes (2.4).
c) As conseqüências da verdade para os incrédulos (2.5-20).
III. A oração de Hc (3.1-19).
A. O poder do Senhor (3.1-16).
‘ a) Um grito de misericórdia (3.1-2).
b) O poder da natureza (3.3-11).
c) O poder contra as nações (3.12-16).
B. A fé do profeta (3.17-19).
a) Confiança apesar das circunstâncias (3.17-18).
b) Confiança por causa de Deus (3.19).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Como está organizado esse livro?
2) O que desejava saber Habacuque?
SOFONIAS
Sofonias como os demais profetas, tanto anteriores quanto posteriores, advertiu o povo quanto às conseqüências de abandonar o Senhor. Aproximadamente 100 ano antes dessa profecia, 0 Reino do Norte (Israel) havia sido derrotado pela Assíria. O povo havia sido levado cativo, e a terra havia sido recolonizada por estrangeiros. Nem assim o povo se intimidava; devido a sua bonança e prosperidade, a nação não se importava mais com seu Deus, adorando a Baal. Moloque e as hostes estelares (2 Reis 23). Embora houvesse tentativas ocasionais de renovação, Judá não sentia pesar algum por seus pecados. Assim sendo, a nação teria de aprender pelo modo difícil e amargo que os ídolos nada são, e que sentença já estava proferida. O cumprimento imediato se deu quando Nabucodonosor capturou Judá.
Autor. Sofonias. Pertencente da família real, ele traça a sua descendência até seu bisavô, Ezequias, rei de Judá. No inicio de seu livro, suas profecias datam do reinado de Josias, rei de Judá, e antes da queda de Nínive, em 612 (1.1; 2.13).
Tema. O Dia do Senhor. E 0 profeta do juízo final, dado a grande ênfase que ele dá ao Dia do Senhor, que somente no capítulo primeiro ele menciona 13 vezes e termina dizendo que é “dia da indignação do SENHOR, mas, pelo fogo do seu zelo, a terra será consumida, porque, certamente, fará destruição total e repentina de todos os moradores da terra” (1.18). Coisa horrenda! Toda terra consumida pelo fogo, todos os moradores da terra destruídos, incluindo pessoas, animais, aves, peixes que ele chama de “dia é dia de indignação, dia de angústia e dia de alvoroço e desolação, dia de escuridade e negrume, dia de nuvens e densas trevas” (1.15). No dia do Senhor, a justiça é estabelecida. Este é um momento positivo para as víti- mas, mas 0 dia de acerto de contas para os opressores.
Esfera de ação: Profetizou durante o reinado do rei Josias.
Pessoa-chave: Sofonias, Josias.
CURSO DE TEOLOGIA 187
M ÓDULO 1 1 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
Esboço de Sofonias
I. O dia do julgamento contra Judá (1.2-13).
a) O julgamento sobre toda a criação (1.2-3).
b) Contra os líderes religiosos (1.4-7).
c) Contra os líderes políticos (1.8-9).
d) Contra os líderes do comércio (1.10-11).
e) Contra os descrentes (1.12-13).
II. O dia do Senhor (1.14-18).
a) Próximo e se aproxima rapidamente (1.14).
b) Um dia de indignação (1.15-16).
c) A terra inteira para ser destruída (1.18).
III. Um chamado ao arrependimento (2.1-3).
a) Um chamado para congregar (2.1-2).
b) Um chamado pra buscar o Senhor (2.3).
IV. O dia do julgamento contras as nações circunvizinhas (2.4-15).
a) Aos da borda do Mar—filisteus (2.4-7).
b) Aos do oriente—Moabe e Amom (2.8-11).
c) Aos do sul—Etiópia (2.12).
d) Aos do Norte—Assíria (2.13-15).
V. O dia do Julgamento contra Jerusalém (3.1-7).
a) Contra os líderes (3.1-4).
b) O Senhor é justo, no meio dela (3.5).
c) Jerusalém não mudou (3.6-7).
VI. Um remanescente fiel (3.8-20).
a) Falar com pureza e honestidade (3.8-13).
b) Os juízos são afastados, e os inimigos são exterminados (3.4-15).
c) O Senhor se regozijando (3.16-17).
d) O povo restaurado (3.18-20).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Porque 0 povo não se importava mais com seu Deus?
2) O que é 0 Dia do Senhor?
188 CURSO DE TEOLOGIA
AGEU
M Ó D U LO 11 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
Ageu estava entre os que voltaram da Babilônia para Jerusalém sob de Zorobabel. O remanescente que havia regres- sado do cativeiro estava mais preocupado com seus assuntos particulares, com sua própria vida, seu próprio eu e com o embelezamento de suas casas do que com a reconstrução da casa de Deus. O profeta Ageu exortou 0 povo a reconstruir o templo de Deus e restituir o calendário litúrgico, incluindo os sacrifícios, a adoração e as festas levíticas. Foi o primeiro profeta a vaticinar após 0 exílio, sendo assim 0 primeiro profeta pós-exílico. Ageu foi contemporâneo de Zacarias e, por meio dos seus ministérios, o templo do Senhor foi reconstruído em Jerusalém.
Autor. O livro é obra do próprio Ageu. Pouco se sabe sobre sua vida, além do ministério profético que lhe fora designado. Só Esdras o menciona (Esdras 5.1 e 6.14). Seu nome é impar, sendo o único com esse nome no Antigo Tes- tamento, significando “festivo” ou “alegre”.
Tema. A reconstrução do templo. Os primeiros imigrantes judeus a retomarem a Jerusalém era de mais de 42.360 (Esdras 2.64-65) e foi liderada por Sesbazar (Esdras 1.5-11), príncipe de Judá e primeiro governador da comunidade da restauração. A fundação do novo templo foi lançada durante os estágios inicias de sua administração (Esdras 5.16). Logo, vizinhos hostis (os samaritanos) empregaram seus ardis para interromper a obra. Foi ordenado, por um decreto imperial, que a obra fosse interrompida. Um estado de indiferença apoderou-se dos exilados que haviam retomado com o intento de reconstruir a casa de Deus; ao invés de construírem 0 templo, estavam ocupados adornando suas próprias casas. Como resultado desta negligência, foram castigados com seca e esterilidade.
Outro grupo de imigrantes sob a liderança de Zorobabel, 0 governador e Josué, o sacerdote retomaram a Jerusalém por volta de 522 a.C., inspirados pelos profetas Ageu e Zacarias retomaram a reconstrução do templo que havia sido parada há mais de dezessete anos, até o reinado de Dario Hystaspes, que publicou um decreto permitindo 0 retomo das obras, com garantia de subsídio e proteção a fim de assegurar o seu término (Esdras 4.24; 6.8). O templo foi restaurado por completo “no dia terceiro do mês de adar, no sexto ano do reinado do rei Dario” (Esdras 6.15), possibilitando a celebração da “Páscoa no dia catorze do primeiro mês” (Esdras 6.19). Assim sendo, o tema pode ser resumido deste modo: os fracassos em outros setores da vida são resultados da negligência na obra de Deus.
Esfera de ação: Profetizou durante a reconstrução do templo, sendo o primeiro profeta a vaticinar após o exílio na Babilônia.
Pessoa-chave: Ageu, Zorobabel.
Esboço de Ageu
I. A primeira mensagem do Senhor: Aplicai o vosso coração aos vossos caminhos (1.1-15).
a) Considerai 0 que tendes feito: negligenciastes a Casa de Deus (1.1-6).
b) Considerai o que devíeis fazer: edificar a Casa de Deus (1.7-11).
c) Os resultados de considerar vossos caminhos (1.12-15).
II. A segunda mensagem do Senhor: Esforçaí-vos e trabalhai (2.1-9).
a) A comparação do novo Templo com 0 templo de Salomão (2.1-3).
b) Chamado para esforçar (2.4-5).
c) A glória vindoura do novo templo (2.6-9).
III. A terceira mensagem do Senhor: Eu vos abençoarei (2.10-23).
a) Um pergunta aos sacerdotes (2.10-19).
b) Uma promessa para Zorobabel (2.20-23).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) O que exortou o profeta?
2) Quando foi restaurado 0 templo?
CURSO DE TEOLOGIA 189
M Ó D U L01 1 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
ZACARIAS
Ageu e Zacarias foram profetas pós-exílicos, que ministraram aos judeus remanescentes que retomaram a Judá para reconstmir o templo e sua nação, sob o decreto de Ciro. Cerca de cinqüenta mil pessoas retomaram para Jerusalém sob a liderança de Zorobabel e Josué. Rapidamente, reconstruíram o altar e iniciaram a constru- ção do templo. Logo, todavia, a apatia se estabeleceu, à medida que eles foram cercados com a oposição dos vizinhos samaritanos, que, finalmente foram capazes de conseguir uma ordem do governo da Pérsia para inter- romper a construção. Durante um bom tempo a construção foi obstruída pelo desânimo e pela preocupação com outras atividades. Zacarias e Ageu persuadiram o povo a voltar ao Senhor e aos seus propósitos para restaurar 0 templo. Sua mensagem foi além daquelas paredes físicas e das questões daquela época. Falou do Messias, aquele a quem Deus enviaria para salvar 0 seu povo e reinar sobre toda terra.
Autor. Zacarias. O profeta provavelmente teria nascido na Babilônia, descendendo de uma família sacerdotal, sendo identificado como filho de Berequias e neto de Ido (1.1). Esdras registra Zacarias como filho de Ido (5.1; 6.14). Neste caso, a palavra “filho” usada para designar “descendente”. Assim sendo, Zacarias era membro da tribo de Levi, exercendo 0 ministério profético e sacerdotal ao mesmo tempo. Seu nome significa “Yahweh se lembrou”, propiciou para a época como também para a mensagem que trouxe.
Tema. Palavras de consolo. Zacarias encorajou 0 povo a abandonar o pecado em suas vidas e continuar a reconstrução da Casa do Senhor. Sua mensagem foi de repreensão, exortação e incentivo. Devido à oposição local e ao desencoraja- mento do povo, Zacarias transformou essa situação calamitosa em uma cena gloriosa. Suas visões descreveram o juízo dos inimigos de Israel, as bênçãos preparadas para Jerusalém e a necessidade de o povo de Deus permanecer puro. So- mente a obediência à voz do Senhor traria as tão esperadas bênçãos, prosperidade e justiça da era messiânica (6.9-15).
Esfera de ação: Foi contemporâneo de Ageu, tendo iniciado seu ministério ainda jovem (2.4), dois meses depois de Ageu ter iniciado 0 seu ministério (Ageu 1.1; Zacarias 1.1) e continuando-o até 0 segundo ano depois daquele. Pessoa-chave: Zorobabel e 0 sacerdote Josué.
Esboço de Zacarias
I. O chamado ao arrependimento (1.1-6).
II. As oito visões (1.7-6.15).
a) O homem e os cavalos (1.7-17).
b) Os quatro chifres e o ferreiro (1.18-21).
c) O homem com um cordel de medir (2.1-13).
d) O sumo sacerdote (3.1-10).
e) O castiçal e 0 vaso de Azeite (4.1-14).
f) O rolo voante (5.1-4).
g) A mulher no meio do efa (5.5-11).
h) Os quatro carros (6.1-8).
III. A coroação do sumo sacerdote (6.9-15).
IV. Ritual religioso ou arrependimento verdadeiro (7.1-14).
V. A restauração de Sião (8.1-23).
VI. O triunfo de Sião (8.1-23).
a) A primeira profecia: O Messias rejeitado (9.1-11.17).
b) A Segunda profecia: O Messias Reina (12.1-14.21)
190 CURSO DE TEOLOGIA
M Ó D U LO 1 1 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Qual foi o povo que se levantou contra a construção do templo?
2) Quais a atividades exercidas por esse profeta?
3) Qual a esfera de ação?
MALAQUIAS
O templo já estava reconstruído, já havia retomado a adoração ao Senhor, entretanto precisavam serem lem- brados de sua desobediência voluntária, a começar pelos sacerdotes (1.1-2.9), e também incluía cada um em particular (2.10-3.15). Eles mostraram desprezo pelo nome de Deus (1.6), ofereceram sacrifícios profanos (1.7- 140, levaram outros pecados (2.7-9), infringiram as leis do Senhor (2.11-16), chamaram o mal de “bem” (2.17), guardaram os dízimos e ofertas de Deus para si mesmos (3.8-9), e tomaram-se arrogantes (3.13-15). Por tudo isso, o relacionamento foi rompido; então experimentaram o juízo e castigo. Malaquias pintou um retrato impres- sionante da deslealdade de Israel, mostrando claramente ser o povo merecedor de castigo.
Autor. Nada se sabe sobre sua família, cidade natal, cargo ou data do seu ministério, fora das páginas desse pequeno livro. A tradição atribui a Esdras a autoria desse livro.
Tema. A grandeza de Deus. O profeta Malaquias apresenta o quadro de um povo religioso externamente, mas interiormente indiferente e falso, tendo o culto se tomado enfadonho e cansativo para eles (1.13), porque nele colocavam 0 coração (Isaías 43.22-24; Miquéias 6.3); os sacerdotes pouco se importavam com o que ofereciam a Deus, de modo que ofereciam 0 animal cego, 0 coxo e 0 enfermo (1.6-8). A grave natureza do pecado dos sacer- dotes e do povo em geral inevitavelmente ocasiona o juízo de Deus. Questionavam o seu amor (1.2), sua honra e grandeza (1.14; 2.2), sua justiça (2.17) e seu caráter (3.13-15).
Por três vezes em 1.11-14,0 Senhor declara sua “grandeza”, e dez vezes em todo o livro ele chama a atenção para a honra devida ao seu nome (1.6,11, 14; 2.2,5; 3.16; 4.2). O livro termina com uma profecia da vinda de Elias, 0 precursor do Messias, antes do “grande e terrível Dia do Senhor” (4.5).
Esfera de ação: Contemporâneo de Neemias, em sua época Jerusalém e 0 templo haviam sido restaurados, denunciando os mesmos males que existiam na época de Neemias (compare Neemias 13.10-210-12 com Mala- quias 3.8-10; Neemias 13.29 com 2.4-8 com Malaquias 2.4-8).
Pessoa-chave: Malaquias e os sacerdotes.
Esboço de Malaquias
I. O amor do Senhor por Israel (1.2-5).
II. O fracasso dos sacerdotes (1.6-2.9).
III. A infidelidade do povo (2.10-16).
IV. O dia do Julgamento (2.17-3-5).
V. Bênção no dar (3.6-12).
VI. O destino do ímpio e do Justo (3.13-4).
VII. Exortação e Promessa (4.4-6).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Do que a nação precisava ser lembrada?
2) Como termina esse livro?
CURSO DE TEOLOGIA 191
M Ó D U L 0 1 1 PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
REFERENCIAS
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Bíblia Anotada. SBB, 1994.
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HALLEY, Henry Hampton. Manual Bíblico de Halley. São Paulo: Editora Vida, 2001.
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PFEIFFER, Charles F. e HARRISON, Everett F. Comentário Bíblico Moody. São Paulo: IBR, Vol. 3, 1995.
192 CURSO DE TEOLOGIA
M ÓDULO ! I PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
PHILLIPS, John. Explorando as Escrituras: Uma Visão Geral de Todos os Livros da Bíblia. 2a ed. Rio de Ja- neiro: CPAD, 2005.
SHEDD, Russel. O Novo Comentário da Bíblia. Editora Vida Nova, 1997.
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WALTON, John. O Antigo Testamento em quadros. São Paulo: Editora Vida, 2001.
WOLF, Herbert. Ageu e Malaquias. São Paulo: Editora Vida, 1986.
m CURSO DE TEOLOGIA
faculdade teológica betesda
Moldando vocacionados
AVALIAÇÃO – MÓDULO I PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO
1) Por que 0 livro de Êxodo é chamado de 0 “livro da redenção”?
2) Quais são as palavras que aparecem com mais freqüência em Levítico?
3) Quais são os dois males cometidos pelo povo escolhido? E qual foi a conseqüência, de acordo com 0 registro de Juizes?
4) De que maneira 0 autor bíblico termina o livro de 2Samuel?
5) Devido à sua obediência a Deus, por quantos anos a mais perdurou 0 reino do Sul?
6) Qual era 0 poderoso império que dominava na época em que o livro de Crônicas foi escrito e como se encontrava 0 reino do Sul?
7) De acordo com 0 livro de Esdras-Neemais, o que significa 0 termo hebraico “sofer” e a quem foi atri- buido?
8) Quantos autores possui 0 livro de Salmos e quem são eles?
9) Como os judeus interpretam 0 livro de Cantares de Salomão?
10) De acordo com 0 livro de Esdras 0 que significa Meguilot e quais são os livros que fazem parte dessa coletânea?
CARO(a) ALUNO(a):
• Envie-nos as suas respostas referentes a cada QUESTÃO acima. Dê preferência por digitá-las ent folha de papel sulfite, sendo objetivo(a) e ciaro(a).
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METODOLOGIA CIENTÍFICA
SUMARIO
1. TRABALHOS ACADÊMICOS…………………………………………………………………………………………….198
1.1 MONOGRAFIA…………………………………………………………………………………………………………….198
1.2 DISSERTAÇÃO…………………………………………………………………………………………………………….198
1.3 TESE DE DOUTORADO………………………………………………………………………………………………198
2. ELEMENTOS DE FORMATAÇÃO DE TEXTOS ACADÊMICOS………………………………………199
2.1 PAGINAÇÃO………………………………………………………………………………………………………………..199
2.2 FONTE…………………………………………………………………………………………………………………………200
2.3 MARGENS ………………………………………………………………………………………………………………….200
2.4 DIVISÃO INTERNA DO TEXTO…………………………………………………………………………………..200
2.5 ALINHAMENTO…………………………………………………………………………………………………………..200
2.6 RECUO DA PRIMEIRA LINHA …………………………………………………………………………………….200
2.7 ESPAÇAMENTO ENTRE PARÁGRAFOS………………………………………………………………………201
2.8 NUMERAÇÃO PROGRESSIVA…………………………………………………………………………………….201
3. ELEMENTOS ESTRUTURAIS…………………………………………………………………………………………..202
3.1 ELEMENTOS PRÉ-TEXTUAIS……………………………………………………………………………………..202
3.2 ELEMENTOS TEXTUAIS……………………………………………………………………………………………..202
3.3 ELEMENTOS PÓS-TEXTUAIS……………………………………………………………………………………..202
4. ELEMENTOS PRÉ-TEXTUAIS………………………………………………………………………………………….203
4.1 SOBRECAPA………………………………………………………………………………………………………………..203
4.2 CAPA……………………………………………………………………………………………………………………………203
4.3 FALSA FOLHA DE ROSTO…………………………………………………………………………………………..204
4.4 FOLHA DE ROSTO……………………………………………………………………………………………………….204
4.5 ERRATA……………………………………………………………………………………………………………………….205
4.6 FOLHA DE APROVAÇÃO…………………………………………………………………………………………….206
4.7 DEDICATÓRIA…………………………………………………………………………………………………………….207
4.8 AGRADECIMENTOS……………………………………………………………………………………………………208
4.9 EPÍGRAFE……………………………………………………………………………………………………………………208
4.10 SUMÁRIO ………………………………………………………………………………………………………………….209
4.11 LISTA DE ILUSTRAÇÕES………………………………………………………………………………………….209
4.12 LISTA DE ABREVIATURAS, SIGLAS E SÍMBOLOS……………………………………………………..210
5. ELEMENTOS TEXTUAIS…………………………………………………………………………………………………..211
5.1 INTRODUÇÃO …………………………………………………………………………………………………………….211
5.2 DESENVOLVIMENTO …………………………………………………………………………………………………211
5.3 CONCLUSÃO ………………………………………………………………………………………………………………211
6. ELEMENTOS PÓS-TEXTUAIS……………………………………………………………………………………………….212
6.1 REFERÊNCIAS……………………………………………………………………………………………………………………….212
6.1.1 Indicação do autor ………………………………………………………………………………………………………. 212
6.1.1.1 Sobrenome composto e conhecido………………………………………………………………………………….212
6.1 2 Mais de um autor………………………………………………………………………………………………………..212
6.1.3 Até três autores……………………………………………………………………………………………………………….212
6.1.4 Quando existir organizador, coordenador, compilador………………………………………………………….212
6.1.5 Autor desconhecido…………………………………………………………………………………………………………212
6.1.6 Atualização ou tradução da obra……………………………………………………………………………………….212
6.1.7 Obra de responsabilidade de um órgão………………………………………………………………………………212
6.1.8 Títulos e subtítulos………………………………………………………………………………………………………….212
6.1.9 Edição …………………………………………………………………………………………………………………………..213
6.1.10 Local……………………………………………………………………………………………………………………………214
6.1.11 Editora…………………………………………………………………………………………………………………………214
6.1.12 Data…………………………………………………………………………………………………………………………….214
6.1.13 Volume………………………………………………………………………………………………………………………..214
6.1.14 Página …………………………………………………………………………………………………………………………214
6.1.15 Repetição de entrada……………………………………………………………………………………………………..215
6.1.16 Monografias………………………………………………………………………………………………………………….215
6.1.17 Dicionários…………………………………………………………………………………………………………………..215
6.1.18 Normas Técnicas…………………………………………………………………………………………………………..215
6.1.19 Congressos, Conferências, Simpósios, Workshops, Jornadas e outros Eventos Científicos……..215
6.1.20 Referências Legislativas………………………………………………………………………………………………..215
6.1.20.1 Constituições …………………………………………………………………………………………………………….215
6.1.20.2 Leis e Decretos…………………………………………………………………………………………………………..215
6.1.20.3 Pareceres…………………………………………………………………………………………………………………..216
6.1.20.4 Portarias, Resoluções e Deliberações…………………………………………………………………………….216
6.1.20.5 Acórdãos, Decisões, Deliberações e Sentenças das Cortes ou Tribunais……………………………..216
6.1.21 Documentos em meio eletrônico……………………………………………………………………………………..216
6.1.22 Ordenação……………………………………………………………………………………………………………………216
6.2 GLOSSÁRIO ………………………………………………………………………………………………………………………….217
6.3 APÊNDICES …………………………………………………………………………………………………………………………..217
6.4 ANEXOS…………………………………………………………………………………………………………………………………217
7. ELEMENTOS DE APOIO AO TEXTO……………………………………………………………………………………..218
7.1 Citação……………………………………………………………………………………………………………………………………218
7.1.1 Citação quanto à forma ……………………………………………………………………………………………….218
7.1.2 Citação quanto ao tamanho …………………………………………………………………………………………..218
7.1.3 Citação quanto ao documento consultado ………………;……………………………………………………….218
REFERÊNCIAS …………………………………………………………………………………………………………………………..219
.220
ESTÁGIO PRÁTICO
M ÓDUL01 1 M ETODOLOGIA CIENTÍFICA
TRABALHOS
ACADÊMICOS
Ao analisar a etimologia do termo monografia percebe-se desde logo que é um termo constituído por dois radicais gregos: Mono (um) e grapheim (escrita). Dai ser definida como um trabalho escrito sobre um único tema. Na verdade, a monografia é a terceira etapa de um trabalho de pesquisa científica. É a apresentação dos resultados ou a redação da pesquisa para ser tomada pública após pensar reflexivo sobre o assunto. Vale ressaltar a diferença entre monografia, dissertação e tese, pois cada uma dessas formas dissertativas de trabalho de con- clusão de curso corresponde a um grau acadêmico distinto. Para este Curso, desde o nível básico até 0 avançado, adotaremos a seguinte definição:
1.1 MONOGRAFIA
É uma exposição escrita e exaustiva de um problema ou assunto específico investigado científicamente. O trabalho é denominado monografia quando é apresentado como requisito parcial para a obtenção do título de especialista, ou de diploma de conclusão de curso de graduação, podendo sua apresentação e defesa ser pública ou apenas julgada por uma Comissão Julgadora.
1.2 DISSERTAÇÃO
E 0 documento que apresenta o resultado experimental ou exposicional de um estudo científico, de tema único e bem delimitado em sua extensão, com o objetivo de reunir, analisar e interpretar informações. Deve evidenciar o conhecimento de literatura existente sobre o assunto e a capacidade de sistematização e domínio do tema escolhido. E feito sob a coordenação de um professor-pesquisador com título de doutor ou equivalente e visa à obtenção do título de mestre, conforme a N B R 142002 24־ .
1.3 TESE DE DOUTORADO
E o documento que representa o resultado de um estudo científico aprofundado ou uma pesquisa experimental exaustiva de tema específico e bem delimitado. Deve ser elaborada com base em investigação original, consti- tuindo-se em real contribuição para a especialidade em questão. E feita sob a coordenação de um orientador, com título de doutor ou equivalente, e visa à obtenção do título de doutor ou similar, conforme a NBR 14724/2002. Em algumas universidades de outros países o título de doutor equivale ao de pós-doutor, abreviado por Ph.D.
198 CURSO DE TEO LOGIA
MÓDULO ו I METODOLOGIA CIENTÍFICA
ELEMENTOS DE FORMATAÇÃO DE TEXTOS ACADÉMICOS ’
Para a elaboração de um trabalho acadêmico existem normas que regulam sua formatação. De acordo com o estilo normatizador da ABNT (que é Associação Brasileira de Normas Técnicas), as seguintes normas foram consideradas para a elaboração deste manual:
Norma – NBR 6023 – Estabelece os elementos a serem incluídos em referências. Fixa a ordem dos elementos das referências e estabelece convenções para transcrição e apresentação da informação originada do documento e/ou outras fontes de informação. Destina-se a orientar a preparação e compilação de referências de material uti- lizado para a produção de documentos e para inclusão em bibliografias, resumos, resenhas, recensões e outros.
Norma – NBR 6024 – Estabelece um sistema de numeração progressiva das seções de documentos escritos, de modo a expor numa seqüência lógica o inter-relacionamento da matéria e a permitir sua localização. Aplica-se à redação de todos os tipos de documentos escritos, independentemente do seu suporte, com exceção daqueles que possuem sistematização própria (dicionários, vocabulários etc.) ou que não necessitam de sistematização (obras literárias em geral).
Norma – NBR 6027 Estabelece os requisitos para apresentação de sumário de documentos que exijam visão de conjunto e facilidade de localização das seções e outras partes.
NBR 6028 – Estabelece os requisitos para redação e apresentação de resumos.
Norma – NBR 14724 – Estabelece os princípios gerais para a elaboração de trabalhos acadêmicos (teses, dissertações e outros), visando a sua apresentação à instituição (banca, comissão examinadora de professores, especialistas designados e/ou outros).
Norma -NBR 10520 – Especifica as características exigíveis para apresentação de citações em documentos.
Dessa etapa em diante será feito um detalhamento da redação de uma monografia, dissertação ou tese.
2.1 PAGINAÇÃO
A Norma Brasileira de Regulamentação (NBR) 14724/2002 dispõe sobre a paginação da pesquisa. Todas as folhas da monografia, a partir da folha de rosto, são contadas. Contudo, somente a partir dos elementos textuais, ou seja, da introdução é que os números são inseridos nas páginas. A numeração deve ser colocada em algarismos arábicos, no canto superior direito da folha, a dois centímetros da borda superior, devendo o último algarismo ficar a dois centímetros da borda direita da folha. Os elementos pós-textuais seguem a numeração contínua do texto.
Algarismos arábicos
Canto superior direito
Dois centímetros da borda superior
Último algarismo a dois centímetros da borda direita
CURSO DE TEOLOGIA 199
M Ó D U L01 1 METODOLOGIA CIENTIFICA
2.2 FONTE
É 0 tipo de letra que se utilizará. Em relação ao tipo da fonte que deve ser utilizado em trabalho científico, não há nenhuma determinação da ABNT que vincule 0 pesquisador. A Portaria n° 05/2004 fixa como estilo padrão da fonte 0 Arial. Já em relação ao tamanho a Portaria n° 05/2004 fixa 0 tamanho 12 de fonte para o texto, tamanho 10 para as citações longas e 08 para as notas de rodapé.
2.3 MARGENS
As margens do trabalho estão previstas na NBR 14724/2002 e devem seguir os seguintes parâmetros:
Margem superior: 03 cm Margem inferior: 02 cm Margem esquerda: 03 cm Margem direita: 02 cm
0 formato do papel para a Impressão deve ser 0 retrato, ou seja, as folhos devem estar na vertical.
2.4 DIVISÃO INTERNA DO TEXTO
Os capítulos recebem 0 nome de seções primárias, podendo ser divididos e subdivididos em seções secundá- rias e terciárias etc. Os títulos das seções pré-textuais e pós-textuais, que não são numerados, devem ser escritos com letra maiúscula, em fonte 14, negritado e centralizado, conforme a NBR 14724/2002. Exemplo:
MAIÚSCULO E NEGRITO
MAIÚSCULO Minúsculo e negrito
Minúsculo e itálico Minúsculo e normal
2.5 ALINHAMENTO
1,2, 3,4, 5
1.1, 1.2, 1.3, 1.4 etc.
1.1.1, 1.2.1, 1.3.1, 1.4.1
1.1.1.1, 1.2.2.1, 1.3.2.1
1.1.1.1.1, 1.2.2.2.1, 1.3.3.2.1
No corpo do texto deve ser utilizado 0 alinhamento justificado, com recuo na primeira linha do parágrafo. Os títulos das seções que forem numerados devem estar alinhados à esquerda, enquanto aqueles que não possuem numeração (folha de aprovação, agradecimento, dedicatória, sumário, resumo, referências, índice, glossário etc.) devem estar centralizados. As referências são alinhadas à esquerda.
2.6 RECUO DA PRIMEIRA LINHA
Não há uma obrigatoriedade do tamanho do espaço (recuo) que deve ser deixado na primeira linha do pará- grafo. Recomenda-se estabelecer um recuo entre três centímetros.
200 CURSO DE TEOLOGIA
M ÓDUL01 1 M ETODOLOGIA CIENTÍFICA
2.7 ESPAÇAMENTO ENTRE PARÁGRAFOS
Para a capa, folha de rosto e folha de aprovação, o espaçamento será simples, conforme dispõe a Portaria n° 05/2004. Já para as linhas e parágrafos (elementos textuais) o espaço será de 1,5 cm.
As notas de rodapé terão espaço simples, assim como entre uma linha e outra da mesma referência. Entre uma referência e outra 0 espaçamento será de 1,5 cm.
2.8 NUMERAÇÃO PROGRESSIVA
Para evidenciar a sistematizaçâo do conteúdo do trabalho, deve-se adotar a numeração progressiva para as seções textuais. Os títulos das seções primárias devem ser precedidos do indicativo numérico e separados dele, unicamente, por um espaço de caractere. Por serem as principais divisões de um texto iniciam em folhas distintas e recebem números inteiros a partir do número 1 (um).
O indicativo da seção secundária é constituído pelo indicativo da seção primária a que pertence, seguido do número que lhe for atribuído na seqüência do assunto e separado por um ponto. Por exemplo:
SUMARIO
Introdução………………………………………………………………..11
1. ENTRE O DESCRÉDITO E O APROFUNDAMENTO..07
1.1 A modernidade………………………………………………17
1.2 Mudança na escala de valores………………………..18
1.3 O suporte antropológico…………………………………19
1.4 Mudança na eclesiologia………………………………..20
1.5 O pluralismo teológico……………………………………20
21
22
23
25
25
26
2. O SUPORTE DAS CIENCIAS DA SUSPEITA.
2.1 As suspeitas levantadas pelo freudismo..
2.2 As suspeitas levantadas pelos marxistas.
j
í
3. BUSCA DE APROFUNDAMENTO………………
3.1 Um penoso processo de depuração…………..
3.2 O alargamento dos horizontes………………….
FONTE: MOSER, ANTONIO. 0 PECADO: 00 DESCRÉDITO A0 APROFUNDAMENTO. RIO DE JANEIRO: VOZES, 1996.
201
CURSO DE TEO LOGIA
M ÓDUL01 1 METODOLOGIA CIENTÍFICA
ELEMENTOS
ESTRUTURAIS
Conforme estabelece a NBR 14724/2002, trabalhos científicos como monografias (também chamadas de trabalhos acadêmicos ou trabalhos de conclusão de curso – TCC), dissertações e teses devem seguir a seguinte formatação:
3.1 ELEMENTOS PRÉ-TEXTUAIS
São os elementos que aparecem antes do corpo do trabalho propriamente dito, com informações que auxiliam na identificação e utilização do trabalho, como a capa, lombada, folha de rosto etc.
3.2 ELEMENTOS TEXTUAIS
Como o próprio nome diz, são os que compõem o corpo do trabalho, ou seja, é a parte onde o autor fará a expo- siçâo do assunto tratado e que deve ter, fundamentalmente, três partes: Introdução, Desenvolvimento e Conclusão.
3.3 ELEMENTOS PÓS-TEXTUAIS
São aqueles que complementam o trabalho e aparecem após os elementos textuais, como as referências, apêndices etc.
A tabela abaixo ajudará a entender a seqüência lógica que se deve seguir para alcançar os objetivos na formatação de um trabalho científico. A estrutura de monografias, dissertações e teses seguirá a ordem lógica dos elementos exter- nos (materiais) e intemos (pré-textual. textual e pós-textual), além do suporte físico, conforme a tabela abaixo:
PARTE
ESTRUTURA
ELEMENTOS INTEGRANTES
EXTERNA
Materiais
Sobrecapa*
Capa
Primeira capa Segunda capa Terceira capa Quarta capa (contracapa) Lombada*
INTERNA
Pré-textuais
l-alsa tolha de rosto Folha de rosto Errata*
Folha de aprovação Dedicatória*
Agradecimentos*
Epígrafe ou inscrição*. Sumário
Lista de ilustrações*
Lista de tabelas e quadros* Lista de abreviaturas e siglas* Lista de símbolos*
Resumo em língua vernácula* Resumo em língua estrangeira
Textuais
Introdução
Desenvolvimento
Conclusão
Pós-textuais
Referência bibliográfica Glossário*
Apêndice(s)*
Anexo(s)*
índice(s)*
*Itens opcionais
202 CURSO DE TEOLOGIA
M ÓDUL01 I M ETODOLOGIA CIENTIFICA
ELEMENTOS
PRÉ-TEXTUAIS
Os elementos pré-textuais também são chamados de parte preliminar, ante-texto ou elementos materiais por se referirem à estrutura física. São compostos de informações iniciais necessárias para uma melhor caracterização e reconhecimento da origem e autoria do trabalho. E obrigatório que sejam escritos em letra maiuscula, fonte 14, negrito e centralizados. Faremos uma breve explanação de cada elemento pré-textual com seus devidos exemplos.
4.1 SOBRECAPA
Como o próprio nome diz, é uma cobertura solta, em geral, de papel, que protege a capa. Contendo as mesmas informações da capa, pode ser opcional.
4.2 CAPA
E 0 primeiro elemento pré-textual, de natureza obrigatória. Trata-se de uma cobertura externa confeccionada de material flexível (brochura) ou rígido (cartonado), impressa em papel, cartolina, couro ou outro material que envolva as folhas que constituem o trabalho. O projeto gráfico da capa deve obrigatoriamente seguir as seguintes cores básicas: azul para monografias de graduação e especialização; verde para dissertações de Mestrado e ver- melha para teses de Doutorado. Em qualquer desses trabalhos, na capa deverá constar as mesmas informações da página de rosto, obedecendo à seguinte ordem conforme as regras estabelecidas pela NBR 14724, que são as seguintes:
a) Nome da Universidade: localizado na margem superior, centralizado, letras maiusculas, fonte 16 e em negrito.
b) Nome do curso: logo abaixo do nome da Universidade, em letras maiusculas, centralizado, fonte 16 e em negrito.
c) Título do trabalho: em letras maiúsculas, centralizado, fonte 16, negrito.
d) Nome(s) do(s) autor(es): nome e sobrenome do(s) autor(es), em ordem alfabética, em letras maiúsculas, centraliza- dos (considerando o alinhamento horizontal), fonte 14 e em negrito.
e) Local e ano: nas duas últimas linhas da folha, em letras maiúsculas, centralizados, fonte 12 e em negrito.
NOME DA INSTITUIÇÃO NOME DO CURSO
TITULO DA MONOGRAFIA NOME DO AUTOR
FIGURA 1 – Modelo: Capa para monografia individual.
Local
Data
CURSO DE TEOLOGIA 203
M Ó D U L0 1 1 M ETODOLOGIA CIENTÍFICA
FIGURA 3 – Modelo de capa para monografia em grupo.
FACULDADE DE TEOLOGIA BETESDA CURSO DE TEOLOGIA
FACULDADE DE TEOLOGIA BETESDA CURSO DE TEOLOGIA
TEOLOGIA SISTEMATICA
A BÍBLIA DESDE AS SUAS ORIGENS
WAYNE GRUNDEM
FIGURA 2
JAMIERSON OLIVEIRA PAULO SÉRGIO BATISTA SEZAR CAVALCANTI
– Exemplo de capa
Sào Paulo 2006
de monografia
SSoPmAo
Individual.
4.3 FALSA FOLHA DE ROSTO
aquela que antecede a folha de rosto e deverá conter apenas o título principal do trabalho. Exemplo:
É
FIGURA 4 – Modelo de falsa folha de rosto.
TÍTULO DA MONOGRAFIA
4.4 FOLHA DE ROSTO
A folha de rosto é um elemento obrigatório, posterior à capa. Seus elementos são: autor da pesquisa, título da pesquisa, subtítulo, uma explicação contendo a natureza acadêmica da pesquisa (monografia, dissertação ou tese), 0 objetivo (obtenção de grau acadêmico), a identificação da Instituição de Ensino, 0 nome do professor orientador, 0 local (cidade) da Instituição e mês e ano da entrega da pesquisa. Exemplo:
204 CURSO DE TEO LOGIA
MÓDULO ן ן METODOLOGIA CIENTÍFICA
FIGURA 6 – Exemplo de folha de rosto:
TCC – grau de bacharel.
FIGURA 8 – Exemplo de folha de rosto: Dissertação de mestrado.
NOME DO AUTOR
I
TÍTULO DA MONOGRAFIA ‘
FIGURA 5 – Modelo de folha de rosto.
MAURICIO PEREIRA
O SISTEMA PRISIONAL
FIGURA 7 – Exemplo de folha de rosto: TCC – grau de J especialista.
4.5 ERRATA
É uma lista de erros tipográficos, ou de qualquer outra natureza, com as devidas correções e indicação das folhas e linhas em que aparecem. A errata é um elemento opcional que dependerá da necessidade do pesquisador em informar à banca a existência de erro de digitação ou de conteúdo na impressão da pesquisa. Após a defesa, 0 conteúdo da errata é acrescido ao texto definitivo da pesquisa. Seus elementos devem seguir a disposição prevista na NBR 14724/2002. É importante lembrar que a errata é um elemento indesejável em um trabalho científico, pois revela falta de cuidado na revisão, devendo ser incluída somente se for impossível ser evitada. Exemplo:
CURSO DE TEOLOGIA 205
M Ó D U L 0 1 1 METODOLOGIA CIENTÍFICA
FIGURA 9 – Modelo de errata.
Página
Linha
Onde se lê
Leia-se
12
8
Verdissimo
Veríssimo
15
22
Prefeito
Prefácio
34
2
Imunidade Universal
Unidade Universal
46
titulo da tabela
Cobras existentes
Obras existentes
108
8
Comição
Comissão
120
8
5,567 Kg
5.567 Kg
ANJOS, Josefina Felipa dos. Os posseiros ribeirinhos e 0 direito ambiental. Manaus: UEA, 2005. Dissertação de Mestrado, Escola Superior de Ciências Sociais. Programa de Pós-gra- duação em Direito Ambiental, Universidade do Estado do Amazonas, 2005.
4.6 FOLHA DE APROVAÇ AO
Constitui um elemento de natureza obrigatória, que identifica a aprovação do respectivo trabalho para a ob- tenção do grau pretendido. Possui como itens essenciais: identificação do autor do trabalho, título e subtítulo do trabalho, natureza, objetivo, nome da Instituição de Ensino, o local e a data de aprovação e a identificação dos membros da banca examinadora.
FIGURA 10-Modelo de folha de Aprovação.
NOME DO AUTOR
TÍTULO DA MONOGRAFIA
Monografia (Trabalho de Conclusão de Curso, Dissertação ou Tese) apresentada a …. (nome do Programa e/ou da Instituição de Ensino), aprovada pela Banca Examinadora constituída pelos seguintes professores:
Prof*. Dra….
Nome da Instituição a que pertence Orientadora
Prof. Dr…..
Nome da Instituição a que pertence
Prof. Dr….
Nome da Instituição a que pertence Santa Catarina, 12 de Junho de 2006.
206 CURSO DE TEOLOGIA
M ÓDUL01 1 M ETODOLOGIA CIENTÍFICA
FIGURA 11 – Exemplo de folha de aprovação.
LARA ROBERTA LACERDA
CONTRATOS INTERNACIONAIS
Monografia apresentada à Pontifícia Universidade Católica de Sào Paulo, aprovada pela Banca Examinadora constituída pelos seguintes professores:
Prof8. María Helena Dalva. PUC ־ São Paulo
Orientadora
Prof®. Márcia Almeida Facamp
Prof Dr Russel Brown Universidade Presbiteriana Mackenzie
São Paulo, 25 de Agosto de 2005.
4.7 DEDICATORIA
É um elemento opcional que contempla uma homenagem do autor da pesquisa a alguém especial. Geralmente é inserida na parte inferior e à direita da lauda. Exemplo:
Γ “־’
FIGURA 12-Exemplo de dedicatória.
sempre me apoiaram em todos os
207 CURSO DE T E O L O G A
M ÓDUL01 1 M ETODOLOGIA CIENTÍFICA
4.8 AGRADECIMENTOS
Este também é um elemento opcional da monografia, apresentado em folha distinta da dedicatória. Exemplo:
FIGURA 13 – Exemplo de agradecimento.
AGRADECIMENTOS
Ao Centro de Estudos Judaicos, ao Departamento de Línguas Orientais da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo e à Profa. Dra. Berta Waldman, coordenadora da pós-graduaçáo em Língua Hebraica, Literatura e Cultura Judaica.
Ao meu orientador Prof. Dr Izidoro Blikstein. que despertou meu interesse pela semiología desde o primeiro ano do meu curso de graduação, no distante ano de 1971, na Escola de Comunicação e Artes, que continua guiando minhas buscas nesse caminho do conhecimento e que, generosamente, me aceitou como sua orientanda, dando-me liberdade de criação e incentivo ao trabalho
4.9 EPIGRAFE
Trata-se de um elemento opcional, no qual 0 autor da pesquisa faz uma citação de um pensamento, uma po- esia etc., com 0 objetivo de reforçar 0 tema pesquisado com a indicação da autoria. Também pode aparecer no início de cada capítulo ou em partes principais do trabalho. A epígrafe é escrita em fonte Arial ou Times Roman 12, entre aspas duplas. Exemplo:
FIGURA 14-Exemplo de epígrafe ou inscrição.
Ό Senhor è meu pastor e nada me faltará‘.
Salmo Oe Davi 23.
208 CURSO DE TEO LOGIA
MÓDULO ן ו METODOLOGIA CIENTÍFICA
4.10 SUMARIO
É um elemento obrigatório, regulamentado pela NBR 6027/2003, que tem por objetivo fornecer ao leitor uma visão geral do trabalho, pois indicará os capítulos (itens) e suas divisões (subitens). No sumário deve-se obedecer à numeração progressiva utilizada no corpo do texto, alinhada à esquerda, com a formatação da letra utilizada no decorrer da obra.
FIGURA 15 – Modelo de Sumário.
SUMARIO
Introdução……………………………………………………………………………………….11
1. ENTRE O DESCRÉDITO E O APROFUNDAMENTO…………………07
1.1 A modernidade………………………………………………. 17
1.2 Mudança na escala de valores……………………… 18
1.3 O suporte antropológico………………………………… 19
1.4 Mudança na eclesiologia……………………………….. 20
1.5 O pluralismo teológico……………………………………. >0
2. O SUPORTE DAS CIÊNCIAS DA SUSPEITA…………………………….21
2.1 As suspeitas levantadas pelo freudismo……………………………..22
2.2 As suspeitas levantadas pelos marxistas……………………………..23
3. BUSCA DE APROFUNDAMENTO………………………………………………25
3.1 Um penoso processo de depuração………………………………………….25
3.2 O alargamento dos horizontes…………………………………………………..26
Conclusão
Referências
4.11 LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Trata-se de um elemento opcional que indicará todas as ilustrações contidas no texto da pesquisa. Deve ser elaborada de acordo com a ordem das ilustrações utilizadas no texto. Todos os mapas, tabelas e gráficos devem ser numerados e citados na lista de ilustrações da seguinte forma:
FIGURA 16-Modelo de Lista de Ilustrações.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Mapa 1 Mapa da primeira viagem missionária de Paulo….56
Gráfico 1 Igrejas evangélicas no Brasil………………………….63
Gráfico 2 As religiões no Brasil…………………………………….84
CURSO DE TEOLOGIA 209
M ÓDUL01 1 METODOLOGIA CIENTÍFICA
4.12 LISTA DE ABREVIATURAS, SIGLAS E SÍMBOLOS
E um elemento opcional e será utilizada conforme a natureza da pesquisa realizada pelo autor. Deve ser feita separadamente. Abreviaturas correspondem a um sistema de referência de expressões utilizadas de forma recor- rente; siglas relacionam-se com siglas institucionais (STF, STJ, por exemplo); símbolos convencionam símbolos utilizados no texto: @, %, $, por exemplo.
FIGURA 17 – Modelo de Lista de abreviaturas, siglas e símbolos.
LISTA DE ABREVIATURAS, SIQLAS E SIMBOLOS
Gn – Gênesis Ex- Êxodo Lv – Levitico Nm – Números Dt – Deuteronõmio : Js – Josué : Jz – Juizes ; Rt – Rute
1 Sm – 1 Samuel
2 Sm – 2 Samuel
1 Rs – 1 Reis
2 Rs – 2 Reis
1 Cr – 1 Crônicas
2 Cr – 2 Crônicas Ed – Esüras
Ne – Neemias Et – Ester
SI – Salmos
Pr – Provérbios
Ec – Eclesiastes
Ct – Cantares de Salomão
Is – Isaías
Jr – Jeremias
Lm – Lamentações de Jeremias Ez – Ezequiei Dn – Daniel Os – Oséias
Am – Amós Ob-Obadias Jn – Jonas Mq – Miquéias Na – Naum Hb- Habacuque Sf – Sofonias Ag – Ageu Zc – Zacarias Ml – Malaquias
CURSO DE TEO LOGIA
M ÓDUL01 1 M ETODOLOGIA CIENTÍFICA
* ELEMENTOS H TEXTUAIS
Os elementos textuais do trabalho científico compreendem a introdução, o desenvolvimento e a conclusão da pesquisa. Trata-se, portanto, da redação da monografia, que possui diversas regras, não só de cunho metodológi- co, mas também de gramática, visando à construção de um texto claro e objetivo. Os títulos das seções textuais são escritos com o mesmo tamanho da fonte utilizada no trabalho (Arial ou Times New Roman, fonte 12), ali- nhados à esquerda e precedidos da numeração seqüencial, podendo receber destaques gradativos.
5.1 INTRODUÇÃO
A introdução serve para esclarecer a metodologia utilizada pelo pesquisador durante seu estudo. São questões prévias que irão demonstrar ao leitor uma visão global de como o tema foi pesquisado e quais os resultados dessa pesquisa. Dentre os elementos que devem estar presentes na introdução da monografia destacam-se: indicação do tema, problema, hipótese(s), justificativa, objetivos, a teoria de base ou marco teórico, metodologia (método de abordagem, de procedimento e as técnicas de pesquisa) e a indicação do que foi estudado, sintéticamente, em cada capítulo. Na introdução não devem ser incluídas citações ou notas de rodapé, pois toda a fundamentação teórica e defesa da hipótese serão construídas no desenvolvimento da pesquisa.
5.2 DESENVOLVIMENTO
O desenvolvimento da monografia é a linha de raciocínio pela qual o pesquisador defenderá sua idéia. Não existe padrão único para a estrutura do desenvolvimento. O tamanho do texto depende da análise e discussão do assunto, do percurso teórico, do método de investigação, da técnica e da descrição do procedimento analítico. Portanto, 0 desenvolvimento do tema pode ser dividido em tantas partes quantas forem necessárias para a eluci- dação e detalhamento da pesquisa ou do estudo.
5.3 CONCLUSÃO
A conclusão é uma retomada dos posicionamentos defendidos durante o desenvolvimento da pesquisa. Se- gundo a ABNT, sua nomenclatura, seja para monografia, dissertação ou tese, será CONCLUSÃO e não consi- derações finais. Na conclusão não é possível acrescentar nenhuma idéia nova. Há, sim, uma retomada das idéias principais redigidas na pesquisa. Todavia, não constitui um mero resumo, mas a indicação dos pontos principais que possibilitaram a confirmação da hipótese.
CURSO DE TEOLOGIA 211
M ÓDUL01 1 METODOLOGIA CIENTÍFICA
ELEMENTOS
PÓS-TEXTUAIS
São materiais complementares ao trabalho que, como 0 próprio nome diz, devem estar após o texto. Fazem parte dos elementos pós-textuais as referências, glossário (opcional), apêndices e anexos. Estes itens devem ser colocados sem indicação numérica, porém centralizados, escritos em letras maiusculas, fonte 14, negritados, conforme a NBR 14724/2002. Vejamos cada um deles.
6.1 REFERÊNCIAS
Referências é o nome atribuído à seção pós-textual destinada a relacionar a bibliografia e outros suportes de informação utilizados para dar apoio ao trabalho. Ela é composta pelas obras citadas no decorrer do trabalho, que podem ser colocadas no rodapé da página, havendo, no entanto, obrigatoriedade de relacioná-las no final do trabalho. De acordo com a ABNT, a denominação a ser utilizada não é mais “referências bibliográficas” ou “bibliografia”, mas apenas “referências”. Seja qual for a escolha do autor, obrigatoriamente deve seguir a orien- tação da NBR 6023, que estabelece os elementos a serem incluídos em referências conforme mostraremos.
6.1.1 INDICAÇÃO DO AUTOR
As referências iniciam pelo sobrenome do autor em letras maiusculas, seguido de vírgula e dos prenomes do autor. Caso 0 autor possua diversos prenomes, eles poderão ser abreviados. Exemplo:
SOBRENOME, Nome.
GEISLER, Norman.
6.1.1.1 Sobrenome composto e conhecido
Caso 0 sobrenome seja conhecido e composto, deve ser indicado de forma completa em letras maiusculas, seguido do preñóme. Exemplo:
ARCHER JR., Gleason L. Merece Confiança o Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2000.
6.1.2 Mais de um autor
Na existência de mais de um autor, os dois devem ser indicados nas referências. Nesse caso, deverá ser indica- do 0 sobrenome do primeiro autor, seguido do preñóme. Para separar do sobrenome do segundo autor utiliza-se 0 ponto e vírgula. Exemplo:
SHREINER, J.; DAUTZENBERG, G. Forma e Exigências do Novo Testamento. 2a ed. São Paulo: Teológica, 2004.
6.1.3 Até três autores
Faz-se a citação de todos, separados por ponto e vírgula. Existindo mais de três autores, utiliza-se a expressão et al após o preñóme do autor. Exemplo:
212 CURSO DE TEOLOGIA
M ÓDUL01 1 M ETODOLOGIA CIENTÍFICA
CARSON, D. A.; MOO, Douglas J.; MORRIS, Leon. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2006.
TORREY, R. A. et al. Os Fundamentos: a famosa Coletânea de textos das Verdades Bíblicas Fundamentais. São Paulo: Hagnos, 2005.
6.1.4 Quando existir organizador, coordenador, compilador
Quando forem utilizados todos os capítulos ou artigos indica-se apenas o sobrenome e o preñóme do coorde- nador ou organizador seguido da sua abreviatura entre parênteses (org.), (coord.), (comp.), (ed.), etc., que, por serem abreviaturas, não dispensam a colocação do ponto (.). Exemplo:
REGA, Lourenço Stelio (org.). Paulo: sua vida e sua presença ontem, hoje e sempre. São Paulo: Vida, 2004.__________________
6.1.5 Autor desconhecido
A referência iniciará pelo título da obra, com a primeira palavra em letras maiúsculas. Exemplo:
MANUAL para monografia de direito. Chapecó: UNOESC, 2001.
6.1.6Atualização ou tradução da obra
No caso de utilização de obras traduzidas ou atualizadas, esses elementos devem ser indicados pelas expres- sões “tradução de” ou “atualização de”, colocadas logo após 0 título da obra. Exemplo:
BURKE, John. Proibida a entrada de pessoas perfeitas. Tradução de Onofre Muniz. São Paulo: Vida, 2006.
6.1.7 Obra de responsabilidade de um órgão
Instituições, órgãos governamentais ou não, organizações, associações, empresas, sociedades podem ser con- siderados “autores” e seus nomes serão referenciados em letras maiúsculas. Exemplo:
IBGE. Brasil em números. Rio de Janeiro: IBGE, 2000.
6.1.8 Títulos e subtítulos
O título da obra deverá ser colocado em negrito. O subtítulo, contudo, não é destacado do texto. Exemplo:
REGA, Lourenço Stelio (org.). Paulo: sua vida e sua presença ontem, hoje e sempre. São Paulo: Vida, 2004.
6.1.9 Edição
A edição deverá ser indicada logo depois do título, com exceção da primeira edição, que não é necessário referenciar. Exemplo:
SANTOS, Ernani Fidélis dos. Manual de Direito Processual Civil. 10a ed. São Paulo: Saraiva, 2003.
CURSO DE TEOLOGIA 213
M Ó D U L 0 1 1 M ETODOLOGIA CIENTÍFICA
6.1.10 Local
O local de publicação da obra utilizada deverá ser indicado na referência, logo após a edição, seguido por dois pontos. Exemplo:
ECO, Umberto. Como se faz urna tese. São Paulo: Perspectiva, 1983.
Caso não exista local definido, utilize a expressão sine loco (s.l). E, no caso de mais de um local, não há ne- cessidade de indicar os dois, mas apenas o mais importante.
Sem local ► S.l. [sine loco]
6.1.11 Editora
Deverá ser indicada logo após o local, sem a utilização da expressão “editora”. No caso de não existir indicação da editora, utilize a expressão: “s.n.”. E, no caso de mais de urna editora, separe-as por ponto e vírgula. Exemplo:
BATISTA, Paulo Sérgio. Manual de Respostas Bíblicas. São Paulo: Betesda, 2006.
6.1.12 Data
A data vem logo após a editora, separada por vírgula. Nos casos em que não houver certeza de data utilizar as seguintes indicações inseridas dentro de colchetes:
SOARES, Esequias. Visão Panorâmica do Antigo Testamento: a formação, inspiração, cânon e conteúdo de seus livros. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.
[2003 ou 2004] um ano ou outro
[19877] data provável
[1964] data certa, mas não indicada
[ca. 1986] data aproximada
[197-] década certa
[197-7] década provável
[19-] século certo
[19-7] século provável
6.1.13 Volume
O volume deverá ser transcrito após a editora e antes da data de publicação. Exemplo:
STRONG, Augustus Hopkins. Teologia Sistemática. São Paulo: Hagnos, vol. 1, 2003.
6.1.14 Página
Caso seja uma revista, seu número deverá ser indicado e as páginas que contêm aquela idéia ou teoria deverão ser indicadas. O número será substituído pela letra “n.” e a página pela letra “p.”. Exemplo:
LIMA, Rodrigo C. de Abreu. Estado, poder e natureza humana. Revista Discente. Curso de Pós- Graduação em Direito da UFSC, Florianópolis, n. 2, p. 135-150, 2003.
214 CURSO DE TEOLOGIA
M ÓDUL01 1 METODOLOGIA CIENTÍFICA
6.1.15 Repetição de entrada
Caso você utilize mais de uma obra do mesmo autor, não será necessário repetir o sobrenome e preñóme do autor que está sendo citado. Basta colocar um travessão com comprimento de cinco espaços abaixo da primeira citação. Exemplo:
TOGNINI, Enéas; BENTES, João Marques. Janelas para o Novo Testamento. São Paulo: Louvores do Coração, 1992.
_______. O período interbíblico. 7a ed. São Paulo: Louvores do Coração, 1992.
6.1.16 Monografias
AUTOR DA OBRA. Título da obra: subtítulo. Número da edição. Local de Publicação: Editor, ano de publicação. Número de páginas ou volume. (Série). Notas.
6.1.17 Dicionários
AULETE, Caldas. Dicionário contemporâneo da Língua Portuguesa. 3. ed. Rio de Janeiro: Delta, 1980. 5 v.
6.1.18 Normas Técnicas
4.19 Dissertações e Teses
6.1.19 Congressos, Conferências, Simpósios, Workshops, Jornadas e outros Eventos Científicos
NOME DO CONGRESSO, número, ano, cidade onde se realizou o Congresso. Título… Local de publicação: Editora, data de publicação. Número de páginas ou volume.
6.1.20 Referências Legislativas
6.1.20.1 Constituições
PAÍS, ESTADO ou MUNICÍPIO. Constituição (data de promulgação). Título. Local: Editor, Ano de publicação. Número de páginas ou volumes. Notas.___________________________________
6.1.20.2 Leis e Decretos
PAÍS, ESTADO ou MUNICÍPIO. Lei ou Decreto, número, data (dia, mês e ano). Ementa. Dados da publicação que publicou a lei ou decreto.
CURSO DE TEOLOGIA 215
M ÓDUL01 1 METODOLOGIA CIENTÍFICA
6.1.20.3 Pareceres
AUTOR (Pessoa física ou Instituição responsável pelo documento). Ementa, tipo, número e data (dia, mês e ano) do parecer. Dados da publicação que publicou 0 parecer.
6.1.20.4 Portarias, Resoluções e Deliberações
AUTOR, (entidade coletiva responsável pelo documento). Ementa (quando houver). Tipo de documento, número e data (dia, mês e ano). Dados da Publicação que publicou.
6.1.20,5 Acórdãos, Decisões, Deliberações e Sentenças das Cortes ou Tribunais
AUTOR (entidade coletiva responsável pelo documento). Nome da Corte ou Tribunal. Ementa (quando houver). Tipo e número do recurso (apelação, embargo, habeas corpus, mandado de segurança etc.). Partes litigantes. Nome do relator precedido da palavra “Relator”. Data, precedida da palavra (acórdão ou decisão ou sentença). Dados da publicação que 0 publicou. Voto vencedor e vencido, quando houver.
6.1.21 Documentos em meio eletrônico
Para referenciar qualquer documento obtido por meio eletrônico, deve-se proceder da mesma forma como indicado nas obras convencionais, com todos os detalhes acrescentando o URL completo do documento na inter- net, entre os sinais < > antecedendo a expressão “acesso em:” e a data por extenso. Exemplo:
6.1.22 Ordenação
As referências dos documentos citados no decorrer do trabalho devem ser ordenadas em ordem alfa- bética. Exemplo:
AQUINO, Tomás de. Sobre 0 Ensino (De Magistro) e os Sete Pecados Capitais. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
DIDAQUÊ. Catecismo dos Primeiros Cristãos. 5a ed. Rio de Janeiro: Vozes, 1986.
HALE, Broadus David. Introdução ao Estudo do Novo Testamento. São Paulo: Hagnos, 2002. HODGE, Charles. Teologia Sistemática. São Paulo: Hagnos, 2001.
HOUSE, Paul R. Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Vida, 2005.
MOSER, Antônio. O Pecado: do descrédito ao aprofundamento. Rio de Janeiro: Vozes, 1996. THIESSEN, Henry Clarence. Palestras em Teologia Sistemática. São Paulo: Imprensa Batista Regular, 2006.
TORREY, R. A. et al. Os Fundamentos: a famosa Coletânea de textos das Verdades Bíblicas Fundamentais. São Paulo: Hagnos, 2005.
216 CURSO DE TEOLOGIA
M ÓDUL01 i M ETODOLOGIA CIENTÍFICA
6.2 GLOSSÁRIO
ANBR 14724 diz que o glossário é uma “lista organizada alfabéticamente de palavras ou expressões técnicas [jurídicas] utilizadas na produção científica ou acadêmica, acompanhadas das suas respectivas definições”. O glossário deve aparecer depois dos Apêndices e Anexos, se houver, ou após as referências. Exemplo:
Absoluto
Independente; incondicional; superior a todos os outros; incontestável (ver Universal).
Absolutos morais
Trata-se do reconhecimento da existência de normas morais válidas para todas as pessoas em todas as épocas. Para os cristãos trata-se das santas leis morais da Sagrada Escritura. São exemplos de absolutos morais as proibições contra a mentira, 0 roubo, e ferir ou matar 0 semelhante (ver Valores absolutos).
Afinco
Persistência; perseverança; insistência.
Antibíblico
Que se opõe ou é contrário à Bíblia.
Antropocentrismo
Doutrina filosófica que valoriza 0 homem em vez de Deus; 0 terrestre no lugar do celeste e 0 material como substituto do espiritual. 0 antropocentrismo acredita que 0 homem é capaz de evoluir por si mesmo. Não crê no pecado original e em verdades morais absolutas. Também é chamado de androcentrismo (ver Teocentrismo).
Apologética
Discurso sistemático e argumentativo que defende a origem divina e a autoridade da fé cristã.
Apologético
Que faz apologia; discurso ou tratado em defesa da fé, de alguém ou de alguma coisa.
Ateísmo
O ateísmo é a corrente de pensamento humano que nega a existência de Deus. O termo “ateu” procede do grego (prefixo negativo “a” e do substantivo “theos”) e significa literalmente “não-deus”.
Autodeifícação
Fazer de si mesmo deus; considerar-se deus (ver Egocentrismo).
6.3 APÊNDICES
São textos elaborados pelo próprio autor do trabalho, que buscam complementar e comprovar as idéias defen- didas pelo pesquisador. A inserção deles no trabalho deve ser após as referências, começando com os apêndices e por último os anexos. Não se esquecer de que ambos devem constar do sumário.
6.4 ANEXOS
São documentos que não foram elaborados pelo autor, que servem de fundamentação, comprovação ou ilus- tração, como mapas, leis, estatutos, entre outros.
CURSO DE TEOLOGIA 217
M ÓDUL01 1 METODOLOGIA CIENTÍFICA
ELEMENTOS DE APOIO AO TEXTO
Constituem-se primordialmente de citações, notas de rodapé, tabelas, quadros e gráficos no corpo do texto.
7.1 CITAÇÃO
De acordo com a NBR 10520, citação “é a menção, no texto, de uma informação extraída de outra fonte para es- clarecer, ilustrar ou sustentar 0 assunto apresentado”. As citações são classificadas de acordo com a forma (maneira de transcrever a citação no texto), o tamanho (se são longas ou breves) e o documento consultado (se aparece de maneira direta ou indireta).
7.1.1 Citação quanto à forma
As mais usuais são as textuais ou literais e as livres ou paráfrases.
a) Citação Textual ou Literal – é a transcrição de palavras ou trechos de um texto de outro autor, conservando sua orto- grafia, sua pontuação e 0 uso das iniciais maiusculas. Deve ser reproduzida entre aspas (“…”) ou destacada tipogra- ficamente (tipo de letra diferente do texto, uso de itálico, negrito, recuo, parágrafo em separado etc.), acompanhada de informação sobre a fonte (local de proveniência do texto original).
b) Livre ou Paráfrase – é a reprodução das idéias e informações de um texto por meio de síntese pessoal (paráfrase).
7.1.2 Citação quanto ao tamanho
Quanto ao tamanho, as citações podem ser breves ou longas.
a) Citação Breve – é aquela que contém até três linhas. Ela deve permanecer no corpo do texto e sua transcrição deve vir entre aspas e com o mesmo tipo e tamanho de letra utilizada no parágrafo do texto que se está escrevendo.
b) Citação Longa – é aquela com mais de três linhas. Ela deve aparecer em parágrafo próprio, destacado com recuo de quatro centímetros (4 cm) da margem esquerda, sem deslocamento na primeira linha, e termina na margem direita. A segunda linha e as seguintes são alinhadas sob a primeira letra do texto da citação. A transcrição não leva aspas e tem espaçamento de entrelinhas simples (espaço 1). Utiliza-se espaço duplo entre a citação e os parágrafos anterior e posterior. O tamanho da letra (fonte) é menor que o utilizado no texto (fonte 8 ou 9).
7.1.3 Citação quanto ao documento consultado
Quanto ao documento consultado, a citação pode ser direta ou indireta.
a) Citação Direta – ocorre quando se reproduz, de forma fiel, as idéias da própria fonte. Também conhecida como citação de primeira mão ou primária. Essa regra vale para as citações textuais e paráfrases e, também, para as cita- ções longas e breves, uma vez que em todos esses casos o autor tem acesso ao texto diretamente.
b) Citação Indireta – ocorre quando as informações reproduzidas são retiradas de uma obra que as cita, ou seja, que foram anteriormente citadas por outro. Esse tipo de citação é usado quando não se tem acesso ao documento original. E também conhecida como citação de segunda mão, secundária ou citação de citação. É imprescindível que a citação indireta seja feita da seguinte maneira: após a transcrição do trecho, indica- se o nome do autor da citação seguida da expressão latina “apud” (ou algum de seus significados: conforme, citado por, segundo) e dos dados do autor da obra efetivamente consultada. Essa forma de citação deve ser usada em último caso. Somente utilize-a se houver impossibilidade de acesso à obra original, quando é ele- mentar para a elucidação do problema tratado no trabalho e no caso de documentos muito antigos, quando não há condições de examinar os originais.
218 CURSO DE TEOLOGIA
M ÓDUL01 1 M ETODOLOGIA CIENTÍFICA
REFERÊNCIAS
AZEVEDO, Israel Belo. O Prazer da Produção Científica. 10a ed. São Paulo: Hagnos, 2002. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. O Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. Versão 5.0. Rio de Janeiro: Positivo, 2004. CD-ROM.
GIL, Antonio Carlos. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. 4a ed. São Paulo: Atlas, 2002. GONÇALVES, Mônica Lopes; BALDIN, Nelma; ZANOTELLI, Cladir Teresina; CARELLI, Mariluei Neis; FRANCO, Selma Cristina. Fazendo Pesquisa. Santa Catarina: Univille, 2004.
MEZZAROBA, Orides; MONTEIRO, Cláudio Servilha. Manual de Metodologia da Pesquisa em Di- reito. São Paulo: Saraiva, 2005.
RODRIGUES, André Figueiredo. Como Elaborar Referência Bibliografia. 5a ed. São Paulo: Humani- tas, vol. 1, 2005.
_____. Como Elaborar Citações e Notas de Rodapé. 3a ed. São Paulo: Humanitas, vol. 2, 2005.
_____. Como Elaborar e Apresentar Monografias. São Paulo: Humanitas, vol. 3, 2005.
CURSO DE TEOLOGIA 219
faculdade teológica betesda
Moldando vocacionados
AVALIAÇÃO – MÓDULO I METODOLOGIA CIENTÍFICA
1) Qual é a diferença entre monografia e tese de doutorado?
2) Quais são os elementos estruturais que compõem um trabalho científico?
3) Faça um exemplo de uma dedicatória.
4) Escolha um livro qualquer e faça uma referência bibliográfica.
5) O que significa ABNT? Dê quatro exemplos de normas indicadas pela ABNT para a elaboração de um trabalho científico.
CARO(a) ALUNO(a):
• Envie-nos as suas respostas referentes a cada QUESTÃO acima. Dê preferência por digitá-las e folha de papel sulfite, sendo objetivo(a) e daro(a).
CAIXA POSTAL 12025 · CEP 02013-970 · SÃO PAULO/SP
* De preferência, envie-nos as 5 avaliações juntas.
“Então conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor ״ (Os 6.3)
0 conhecimento sobre Deus não é apenas uma possibilidade, mas também um direito de todos os homens. A Bíblia Sagrada nos ensina que Deus, graciosamente, revela-se ao homem, convidando a todos a experimentarem sua bendita graça.
Com essa visão, e sob 0 lema “Moldando vocacionados”, a FTB (Faculdade Teológica Betesda), uma instituição interdenominacional filiada às principais entidades da classe, oferece os seguintes cursos:
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• Matérias suplementares de práticas ministeriais. Com isso, será capacitado para viver 0 dia-a-dia da igreja local
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• Assistência integral do coordenador do curso, tanto pela Internet quanto por telefone, ou pessoalmente
• Estágios supervisionados nas igrejas, a fim de qae desenvolva ffielhür suas habilidades e conhecimentos
• Carteirinha Funcional de Estudante, por meio da qual terá desconto de até 50% em entradas de programas culturais e livrarias
• Diploma de conclusão de caráter interdenominacional e com 0 respaldo das principais igrejas evangélicas brasileiras
• Professores altamente qualificados, com formação superior e/ou pós-graduações

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