Cristologia
– Doutrina de Cristo

TEOLOGIA
PASTORAL
Bacharelado em
Cristologia – 2
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SUMÁRIO
1 – UMA PALAVRA ……………………………………………………………………………………….3
2 – CONCEITO DE “JESUS HISTÓRICO”…………………………………………………………..3
2.1. A OBJEÇÃO DA IGREJA CRISTÃ AO CHAMADO “JESUS HISTÓRICO”……………………………..4
2.2. A PESQUISA EM BUSCA DO “JESUS HISTÓRICO” E O FRACASSO DA INVESTIGAÇÃO…………..4
3 – A COMPLETA CRISTIFICAÇÃO DE JESUS ……………………………………………………9
3.1. CONCEITOS DE CRISTIFICAÇÃO………………………………………………………………………..9
3.2. O TIPO DE FECUNDAÇÃO QUE FORMOU O CORPO DO SENHOR JESUS CRISTO………………11
3.3. A NATUREZA HUMANA DE CRISTO…………………………………………………………………..13
3.4. A NATUREZA DIVINA DE CRISTO …………………………………………………………………….14
3.5. ATRIBUTOS DIVINOS QUE LHE SÃO ATRIBUÍDOS ………………………………………………….15
3.6. TÍTULOS DADOS IGUALMENTE A DEUS PAI E A JESUS CRISTO …………………………………16
3.7. OBRAS ATRIBUÍDAS IGUALMENTE A DEUS PAI E A JESUS CRISTO……………………………..17
3.8. A UNIPERSONALIDADE DE JESUS CRISTO………………………………………………………….17
3.9. ASPECTOS MÉDICOS DA CRUCIFICAÇÃO DE JESUS CRISTO …………………………………….17
4 – ASPECTOS ILEGAIS DO JULGAMENTO DE JESUS………………………………………. 19
4.1. A INTRODUÇÃO DAS TESTEMUNHAS…………………………………………………………………19
4.2. O VEREDICTO DE PILATOS……………………………………………………………………………20
4.3. SOLDADOS ROMANOS ESCARNECEM E BATEM EM JESUS ………………………………………21
4.4. A COROA DE ESPINHOS E O MANTO ………………………………………………………………..21
4.5. A SEVERIDADE DO ESPANCAMENTO ………………………………………………………………..22
4.6. SOFRIMENTO NA CRUZ………………………………………………………………………………..22
4.7. SOFRIMENTO FÍSICO NA CRUZ……………………………………………………………………….24
4.8. ABANDONO POR DEUS – MORTE ESPIRITUAL ……………………………………………………..24
4.9. MORTE POR CRUCIFICAÇÃO – LENTA SUFOCAÇÃO………………………………………………..24
4.10. UMA ÚLTIMA BEBIDA DO VINAGRE………………………………………………………………….25
4.11. CELEBRAÇÃO DA OPOSIÇÃO GUERRA ESPIRITUAL………………………………………………..26
4.12. JESUS DEU SUA VIDA …………………………………………………………………………………26
4.13. MORTE POR CRUCIFICAÇÃO ………………………………………………………………………….27
4.14. APARÊNCIA NO CÉU……………………………………………………………………………………27
4.15. SEGUINDO A JESUS CRISTO………………………………………………………………………….28
5 – A VIDA DE CRISTO DE “A” A “Z” E DE GÊNESIS A APOCALÍPSE…………………… 28
5.1. JESUS “O SENHOR É SALVAÇÃO”…………………………………………………………………….29
5.2. INFÂNCIA ………………………………………………………………………………………………..29
5.3. TRÊS ANOS DE MINISTÉRIO ………………………………………………………………………….29
5.4. A ÚLTIMA SEMANA …………………………………………………………………………………….29
5.5. DO GÊNESIS AO APOCALÍPSE ………………………………………………………………………..30
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1 – UMA PALAVRA
Cristologia refere-se ao estudo referente a Jesus Cristo – sua pessoa e sua
obra. Tratar-se-á as temáticas da teologia sistemática bem como passagens bíblicas
essenciais referentes à temática, bem como o dilema do porquê da morte de Jesus
na cruz.
Lemos em Jo.1:14 que o Verbo se fez carne. Não devemos entender com isso
que o Verbo foi transformado em carne ou misturado com carne, e sim que
escolheu para Si mesmo um templo formado pelo ventre de uma virgem, no qual
habitar; e que Aquele que era o Filho de Deus ficou sendo o Filho do Homem, não
pela confusão da substância, mas sim pela unidade de pessoa.
2 – CONCEITO DE “JESUS
HISTÓRICO”
No período compreendido entre 1774 a 1778, foi iniciada a procura do Jesus
Histórico. Lessing publicou pós morte as anotações de Hermann Samuel Reimarus.
Esse estudioso questionava a tradicional forma de apresentar Jesus na Igreja e no
Novo Testamento. Para ele Jesus nunca fizera uma reivindicação messiânica, nunca
institui qualquer sacramento, nunca predisse a sua morte e nem ressuscitou dentre
os mortos. Dizia que Jesus era um engodo. Essa atitude instigou a busca do Jesus
“verdadeiro”. A metodologia racionalista foi a predominante como método de
pesquisa dessa busca, peculiar a primeira parte do século XIX. A polêmica desses
estudos foi um terreno fértil para nascerem obras pró e contra Jesus.
O interregno entre a Primeira e a Segunda Grande Guerra Mundial foi a
ocasião em que a busca do Jesus histórico foi abandonada, em função da falta de
interesse pela procura e pelas dúvidas quanto a sua possibilidade. Entretanto, três
fatores foram fundamentais para essa desistência: primeiro – a obra de Albert
Schweitzer que revelou a idéia de que o Jesus liberal nunca existiu, pois ele foi
criado e baseado nos desejos de liberais, não em fatos verídicos; segundo – a partir
da obra de William Wrede e dos críticos da forma, houve o reconhecimento de que
os evangelhos não eram meramente biografias objetivas que facilmente poderiam
ser pesquisadas à procura de informações historicistas; por fim – Martin Kähler
influenciou os estudiosos a reconhecerem que o objeto da fé da igreja no decurso de
todos os séculos nunca tinha sido o Jesus histórico do liberalismo teológico, mas o
cristo da fé, ou seja, o Cristo sobrenatural proclamado nas Sagradas Letras.
Ernst käsemann, em 1953, reacendeu as chamas da busca do Jesus da
história, propalando seu receio de que a lacuna entre o Jesus da história e o Cristo
da fé era muito semelhante à heresia docética, que negava a humanidade do Filho
de Deus. Como era de se esperar Käsemann decepcionou-se em seus intentos.
O avanço da ciência histórica não tem modificado a opinião universal a cerca
do Senhor Jesus. Prova disso é que, desde o mundo antigo à contemporaneidade,
encontramos mesmo que em forma diversificada a historicidade da pessoa bendita
de Jesus de Nazaré.
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2.1. A Objeção da Igreja Cristã ao Chamado
“Jesus Histórico”
A igreja cristã ri do fascínio dos liberais pela busca do que eles chamam de
“Jesus Histórico”. Isso se justifica pelo fato de que o Cristianismo é o que é através
da afirmação de que o homem Jesus de Nazaré, que foi chamado “o Cristo”, é de
fato o Cristo, a saber, o Messias, o Ungido. Toda vez que é sustentada a asserção de
que Jesus é o Cristo, ali existe a mensagem cristã; onde quer que essa asserção
seja negada, é negada igualmente a mensagem cristã.
A religião cristã nasceu não quando nasceu o homem chamado “Jesus”, mas
sim, no momento que um de seus seguidores foi levado a dizer-lhe: “Tu és o Cristo”.
E o Cristianismo ficará vivo enquanto existirem pessoas que repitam essa
afirmação. Isso porque o evento sobre o qual o Cristianismo se baseia apresenta
dois lados: o fato que é chamado “Jesus de Nazaré” e a recepção deste fato por
aqueles que O receberam como o Cristo. Interessante que no momento que os
discípulos O aceitam como o Cristo é também o momento que Ele é rejeitado pelos
poderes da história. Então, Aquele que é o Cristo deve morrer por haver aceito o
título de “Cristo”.
Jesus como o Cristo é tanto um fato histórico quanto um objeto de recepção
pela fé. Não se pode afirmar a verdade sobre o evento no qual se baseia o
Cristianismo sem afirmar ambos esses lados. Se Jesus não tivesse impactado os
seus discípulos com o fato de ser o Cristo, e eles tivessem crido, bem como através
deles a todas as gerações posteriores, o homem que é chamado Jesus de Nazaré
talvez fosse recordado apenas como uma pessoa histórica e religiosamente
importante. Mas se ele foi crido e provou de fato ser o Cristo.
Nesse sentido, quem é o “Jesus Histórico”? Russel Norman Champlin
responde tal questionamento em sua obra Enciclopédia de Bíblia Teologia e
Filosofia. Para ele o Jesus histórico é igualmente o Jesus a quem adoramos e
servimos. É o Jesus teológico naturalmente, podemos ter algumas noções falsas a
cerca d’Ele, mas há tal identificação de pessoa. Jesus é uma figura cósmica, dotada
de importância universal. Não foi meramente um homem bom, um excelente
mestre. Ele é também o Senhor da Glória, no sentido mais literal possível.
James Moffatt, em sua obra Jesus Christ The Same assevera:
“Nada é mais provável do que aquele que viveu à face da Terra, por alguns
poucos anos, seja o mesmo Cristo, a quem seus seguidores adoram como Senhor;
nenhum novo Jesus foi criado por algum movimento sincretista do primeiro século
cristão. Há certa unidade no ministério insolúvel de sua pessoa, que é, não apenas
real, mas também é, a causa real que subjaz às diversas interpretações de sua vida
e de sua obra, e as experiências posteriores Igreja subentendem, repetida e
continuadamente, que deve haver comunhão com ele, como algo mais profundo que
qualquer modificação interna ou externa da fé”.
2.2. A Pesquisa em Busca do “Jesus Histórico” e o
Fracasso da Investigação
Paul Tilllych, em sua obra Teologia Sistemática expõe o insucesso da
capturação do chamado “Jesus Histórico”. Pude dividir a opinião de Tillych em
cinco pontos, a saber:
1. Foi falsa a idéia de a crítica histórica ter destruído a própria fé.
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2. Esse fracasso foi motivado pela natureza das fontes de pesquisa.
3. O Cristianismo se alicerça no testemunho a respeito do caráter messiânico
de Jesus e não em uma novela histórica.
4. Os ensinos e as mensagens de Jesus não têm relação com a situação
concreta na qual foram pronunciadas.
5. Uma confusão em torno do termo “Jesus Histórico”.
Vejamos esses cinco aspectos do pensamento Tillychano.
A. A Crítica Histórica Parecia Haver Destruído a Própria Fé. Desde o momento
em que foi aplicado o método científico de pesquisa histórica à literatura bíblica,
problemas teológicos que nunca estiveram completamente ausentes ficaram de tal
forma aumentados, como nunca o estiveram em períodos anteriores da história da
igreja. O método histórico une elementos analítico-críticos e construtivoconjeturais.
Para a consciência cristã normal, moldada pela doutrina ortodoxa da
inspiração verbal, o primeiro elemento impressionou muito mais do que o segundo.
Só foi sentido o elemento negativo no termo “crítica”, e esse empreendimento todo
foi chamado de “crítica histórica” ou “alta crítica”` ou, com referência a um método
recente, “critica da forma”. Em si mesmo, o termo “crítica histórica” significa nada
mais do que pesquisa histórica. Toda pesquisa histórica crítica suas fontes,
separando aquilo que apresenta mais probabilidade daquilo que apresenta menos
ou é totalmente improvável. Ninguém duvida da validez desse método, já que ele é
confirmado continuamente por seu sucesso; e ninguém protesta com seriedade se
ele destrói belas lendas e preconceitos profundamente enraizados. Mas a pesquisa
bíblica se tornou suspeita desde seu próprio começo. Ela parecia criticar não só as
fontes históricas, mas também a revelação contida nessas fontes. Pesquisa histórica
e rejeição da autoridade bíblica foram consideradas idênticas. Revelação, supunhase,
abarcava não só o conteúdo revelatório, mas também a forma histórica na qual
apareceu. Isso parecia ser verdade especialmente com relação aos fatos referentes
ao “Jesus histórico”. Já que a revelação bíblica é essencialmente histórica, parecia
impossível separar o conteúdo revelatório dos relatos históricos tais quais
apresentados nos registros bíblicos. A crítica histórica parecia haver destruído a
própria fé.
Mas a parte crítica da pesquisa histórica na literatura bíblica é a parte menos
importante. Mais importante é a parte construtivo-conjetural, que foi a força motora
em todo esse empreendimento. Os fatos que estão por três dos registros, foram
buscados; especialmente se buscaram os fatos sobre Jesus. Havia um desejo
urgente de descobrir a realidade desse homem, Jesus de Nazaré, por trás das
tradições coloridas e ao mesmo tempo, camufladoras dessa realidade, que são tão
antigas quanto ela própria. Desse modo, a pesquisa pelo assim chamado “Jesus
histórico” teve início. Seus motivos eram ao mesmo tempo religiosos e científicos.
Essa tentativa era corajosa, nobre e extremamente significativa em muitos
aspectos. Suas conseqüências teológicas são inúmeras e bastante importantes.
Mas, vista à luz de sua intenção básica, a tentativa da crítica histórica de encontrar
a verdade empírica sobre Jesus de Nazaré foi um fracasso. O Jesus histórico, a
saber, o Jesus que está por trás dos símbolos de sua recepção como o Cristo, não
só não apareceram, quanto se distanciavam cada vez mais g medida que se dava
um novo passo. A história das tentativas de se escrever uma “vida de Jesus”,
elaborada por Albert Schweitzer em sua primeira obra, “A busca do Jesus Histórico”
ainda é válida. Sua própria tentativa construtiva foi corrigida. Eruditos, tanto
conservadores quanto radicais, se tornaram mais cautelosos, mas a situação
metodológica não mudou. Isso se tornou manifesto quando o programa ousado de
“desmitologização do Novo Testamento”, feito por Bultmann, levantou uma
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tempestade em todos os campos teológicos, e a lentidão com que a escola de Barth
considerava o problema histórico foi seguida por um impressionante
despertamento. Mas o resultado do questionamento novo (e muito antigo) não é
uma imagem do assim chamado Jesus histórico, mas o “insight” de que não existe
uma imagem por trás da imagem bíblica que pudesse se tornar cientificamente
provável.
B. O Fracasso foi Motivado Pela Natureza das Fontes de Pesquisa. A situação
exposta acima não é questão de um defeito passageiro da pesquisa histórica que
um dia seja superado. Ela é causada pela própria natureza das fontes. Os registros
sobre Jesus de Nazaré são os de Jesus como o Cristo, dados por pessoas que o
receberam como o Cristo. Portanto, se tentamos encontrar o Jesus real que está por
trás da imagem de Jesus como o Cristo, é necessário separar criticamente os
elementos que pertencem ao lado factual do evento, daqueles elementos que
pertencem ao lado receptivo. Ao fazer isso, esboça-se uma “Vida de Jesus”; muitos
desses esboços foram elaborados. Em muitos deles atuaram juntos: honestidade
científica, devoção amorosa e interesse teológico. Em outros são visíveis o
distanciamento crítico e até mesmo a rejeição malévola. Mas nenhum pode
reivindicar ser uma imagem provável, que seja o resultado de um labor científico
tremendo dedicado à essa tarefa durante duzentos anos. No máximo, eles são
resultados mais ou menos prováveis, incapazes seja de fornecer uma base para a
aceitação da fé cristã, seja para rejeitá-la.
Tendo em vista essa situação, houve tentativas de reduzir a imagem do Jesus
histórico aos seus traços “essenciais”; a elaborar uma Gestalt, ao mesmo tempo em
que deixando abertos g dúvida seus traços particulares. Mas esse não é o processo
correto. A pesquisa histórica não pode pintar uma imagem essencial depois de
eliminar todos os traços particulares porque eles são questionáveis. Ela permanece
dependente dos traços particulares.
Conseqüentemente, as imagens do Jesus histórico nas quais é amplamente
evitada uma “Vida de Jesus” diferem tanto umas das outras, quanto aquelas nas
quais não é aplicada tal auto-restrição.
A dependência da Gestalt na valoração dos traços particulares é evidente num
exemplo tomado do complexo daquilo que Jesus ensinou sobre si mesmo. Para
elaborar esse ponto, deve-se saber, além de muitas outras coisas, se ele aplicou o
título “Filho do Homem” a si mesmo, e caso sim, em que sentido. Toda resposta
dada a essa questão é uma hipótese mais ou menos provável, mas o caráter do
quadro “essencial” do Jesus histórico depende decisivamente dessa hipótese. Esse
exemplo mostra claramente a impossibilidade de substituir a tentativa de esboçar
uma “Vida de Jesus” tentando pintar a “Gestalt de Jesus”
Esse exemplo mostra ao mesmo tempo outro ponto importante. Pessoas que
não estão familiarizadas com o aspecto metodológico da pesquisa histórica temem
suas conseqüências para a doutrina cristã e por isso gostam de atacar a pesquisa
histórica em geral e a pesquisa na literatura bíblica em especial, acusando-as de
preconceitos teológicos. Se elas forem consistentes, negarão que sua própria
interpretação também é preconcebida ou, como elas diriam, dependente da verdade
de sua fé. Mas elas negam que o método histórico tenha critérios científicos
objetivos. Contudo, essa afirmação não pode ser sustentada em vista do imenso
material histórico que foi descoberto e freqüentemente verificado de forma empírica
por um método de pesquisa usado universalmente. E característico desse método
que ele tenta manter uma auto-crítica permanente para libertar-se de preconceitos
conscientes ou inconscientes. Isso nunca é plenamente bem sucedido, mas é uma
arma poderosa e necessária para se obter conhecimento histórico.
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Um dos exemplos aludidos freqüentemente neste contexto é o tratamento dos
milagres do Novo Testamento. O método histórico não aborda as histórias de
milagres nem com o pressuposto de que aconteceram porque foram atribuídos
aquele que é chamado o Cristo, nem com o pressuposto de que eles não
aconteceram porque esses eventos contradiriam as leis da natureza. O método
histórico pergunta, quão fidedignos são os relatos em cada caso particular, quão
dependentes são eles de fontes mais antigas, como poderiam ter sido influenciados
pela credulidade de um período, como são bem confirmados por outras fontes
independentes, em que estilo são escritos, e para que finalmente são usados no
contexto todo. Todas essas questões podem ser respondidas de forma “objetiva” sem
a interferência desnecessária de preconceitos positivos ou negativos. O historiador
nunca pode conseguir uma certeza dessa forma, mas pode chegar a um alto grau de
probabilidade. Contudo, seria um salto a outro nível se ele transformasse a
probabilidade histórica em uma certeza histórica positiva ou negativa mediante um
juízo de fé (como será mostrado mais adiante). Essa distinção clara freqüentemente
é confundida pelo fato óbvio de que a compreensão do sentido de um texto é
parcialmente dependente das categorias de compreensão usadas no encontro com
textos e registros. Mas não é totalmente dependente delas, já que existem aspectos
filológicos e outros que estão abertos à uma abordagem objetiva. Compreensão
exige participação do sujeito naquilo que compreende, e só podemos participar em
termos daquilo que somos, incluindo nossas próprias categorias de compreensão.
Mas essa compreensão “existencial” nunca deveria perverter o juízo do historiador
com respeito aos fatos e relações. A pessoa cuja preocupação última é o conteúdo
da mensagem bíblica está na mesma posição que aquela cujo conteúdo t
indiferente, se discutem questões como as do desenvolvimento da tradição sinótica,
ou os elementos mitológicos e lendários do Novo Testamento. Ambas têm os
mesmos critérios de probabilidade histórica e devem usá-los com o mesmo rigor,
embora ao fazer isso possam afetar suas próprias convicções religiosas ou
filosóficas. Nesse processo pode acontecer que preconceitos que fecham os olhos
para fatos particulares abrem-nos para outros. Mas esse “abrir os olhos” é uma
experiência pessoal que não pode ser convertida num princípio metodológico. Só
existe um procedimento metodológico, e esse consiste em olhar o objeto a ser
investigado e não nossa maneira de olhar o objeto, já que nossa atitude se acha
realmente determinada por muitos fatores psicológicos, sociológicos e históricos.
Esses aspectos devem ser desconsiderados intencionalmente por quem quer que
aborde um fato objetivamente. Não se deve formular um juízo sobre a autoconsciência
de Jesus a partir do fato de que se é um cristão – ou anti-cristão. O
juízo deve ser inferido de um certo grau de plausibilidade, baseado em registros e
em sua provável validez histórica. Isso, sem dúvida, pressupõe que o conteúdo da fé
cristã seja dependente desse juízo.
C. O Cristianismo se Baseia no Testemunho a Respeito do Caráter Messiânico
de Jesus. A religião cristã se alicerça no testemunho a respeito do caráter
messiânico de Jesus de Nazaré e não em uma novela histórica, eis aí o fracasso da
caça pelo Jesus Histórico. A busca do Jesus histórico foi uma tentativa de descobrir
um mínimo de fatos confiáveis sobre o homem Jesus de Nazaré, para se obter um
fundamento seguro à fé cristã. Essa tentativa foi um fracasso. A pesquisa histórica
forneceu probabilidades sobre Jesus, em grau maior ou menor. A base dessas
probabilidades, ela esboçou “Vidas de Jesus”. Mas essas se pareciam mais a
novelas do que a biografias; elas com certeza não poderiam fornecer uma base
segura para a fé cristã. O cristianismo não se baseia na aceitação de uma novela
histórica; ele se baseia no testemunho a respeito do caráter messiânico de Jesus
por pessoas que não estavam absolutamente interessadas numa biografia do
Messias.
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A intuição dessa situação induziu alguns teólogos a desistirem de qualquer
tentativa de construir uma “vida” ou uma Gestalt do Jesus histórico e restringir-se
a uma interpretação das “palavras” de Jesus. A maior parte dessas palavras
(embora não todas) não se referem a ele mesmo e podem ser separadas de qualquer
contexto biográfico. Portanto, seu sentido é independente do fato de que possam ou
não ter sido ditas por ele. Nessa base o problema biográfico insolúvel não guarda a
menor relação com a verdade das palavras correta ou erradamente registradas
como palavras de Jesus. O fato de que a maioria das palavras de Jesus tem um
paralelo na literatura judaica contemporânea não é um argumento contra sua
validez. Esse também não é um argumento contra sua unicidade e poder, tais como
aparecem em coleções como o Sermão da Montanha, as parábolas e as discussões
com inimigos, bem como com seus seguidores.
D. Os Ensinos e as Mensagens de Jesus Cristo. Uma teologia que tenta fazer
das palavras de Jesus um fundamento histórico da fé cristã pode fazê-lo de duas
maneiras. Pode tratar as palavras de Jesus como “ensinos de Jesus” ou como
“mensagem de Jesus”. Como ensinos de Jesus, elas são entendidas como
interpretações refinadas da lei natural ou como intuições originais da natureza do
homem. Elas não tem relação com a situação concreta na qual foram pronunciadas.
Como tal, pertencem à lei, profecia ou literatura sapiencial, da mesma maneira
como no Antigo Testamento. Elas podem transcender todas essas três categorias
em termos de profundidade e poder; mas não os transcendem em termos de
caráter. Contudo, restringir a investigação histórica aos “ensinos de Jesus” é
reduzir Jesus ao nível do Antigo Testamento e implicitamente negar sua
reivindicação de superar o contexto Vetero-Testamentário.
A segunda forma pela qual a pesquisa histórica se restringe às palavras de
Jesus C mais profunda que a primeira. Ele nega que as palavras de Jesus sejam
regras gerais de comportamento humano, que elas sejam regras às quais a gente
deva se sujeitar, ou que elas sejam universais e possam portanto ser abstraídas da
situação na qual foram ditas. Em vez disso, enfatizam a mensagem de Jesus de que
o Reino de Deus está “à mão” e que portanto aqueles que querem entrar nele devem
se decidir a favor ou contra o Reino. Essas palavras de Jesus não são regras gerais,
mas exigências concretas. Essa interpretação do Jesus histórico, sugerida
especialmente por Rudolf Bultmann, identifica o sentido de Jesus com o sentido de
sua mensagem. Ele exige uma decisão, a saber, a decisão por Deus. E essa decisão
inclui a aceitação da Cruz, porque ele mesmo aceitou a sua. Aquilo que é
historicamente impossível, a saber, o esboço de uma “vida” ou uma Gestalt de
Jesus, é engenhosamente evitado usando aquilo que está imediatamente dado – a
saber, sua mensagem sobre o Reino de Deus e suas condições e apegando-se cada
vez mais ao “paradoxo da Cruz de Cristo” Mas até mesmo esse método de juízo
histórico restrito não pode oferecer um fundamento à fé cristã. Ele não mostra
como pode ser cumprida a exigência de decidir-se pelo Reino de Deus. A situação de
ter que se decidir permanece sendo aquela sob a lei. Não transcende a situação do
Antigo Testamento, a situação da busca por Cristo. Pode-se chamar a essa teologia
de “liberalismo existencialista” em contraste com o “liberalismo legalista” do
primeiro. Mas nenhum desses métodos responde à pergunta de onde reside o poder
de obedecer aos ensinos de Jesus ou de decidir-se pelo Reino de Deus. Isso esses
métodos não podem fazer porque a resposta deve vir de uma nova realidade que, de
acordo com a mensagem cristã, é o Novo Ser em Jesus como o Cristo. A Cruz é o
símbolo de um dom antes de ser o símbolo de uma exigência. Mas, se isso for
aceito, é impossível retirar-se do ser de Cristo para refugiar-se em suas palavras. A
via de acesso última da pesquisa e busca do Jesus histórico está barrada, e
manifesta o fracasso da tentativa de apresentar um fundamento à fé cristã através
da investigação histórica.
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E. A Confusão Semântica em Torno da Expressão “Jesus Histórico”. Esse
resultado teria sido reconhecido com mais facilidade se não fosse pela confusão
semântica a respeito do sentido do termo “Jesus histórico”. Esse termo foi usado
predominantemente para os resultados da pesquisa histórica referente ao caráter e
vida da pessoa que está por trás dos registros do Evangelho. Como todo
conhecimento histórico, nosso conhecimento dessa pessoa é fragmentário e
hipotético. A investigação histórica sujeita esse conhecimento ao ceticismo
metodológico e à mudança contínua que ocorre nos traços particulares, bem como
nos essenciais. Ela tem como alvo ideal atingir um alto grau de probabilidade, mas
em muitos casos isso é impossível.
O termo “Jesus histórico” também é usado para significar o evento “Jesus
como Cristo” como um elemento factual. O termo nesse sentido levanta a questão
da fé e não a questão da pesquisa histórica. Se o elemento factual no evento cristão
fosse negado, seria negado também o fundamento do cristianismo. Ceticismo
metodológico sobre o labor da pesquisa histórica não nega esse elemento. A fé não
pode nem mesmo garantir o nome “Jesus” com respeito àquele que foi o Cristo. Ela
deve deixar isso às incertezas de nosso conhecimento histórico. Mas a fé garante a
transformação factual da realidade naquela vida pessoal que o Novo Testamento
expressa em sua imagem de Jesus como o Cristo. Se não se distinguirem esses dois
sentidos do termo “Jesus histórico”, não é possível haver nenhuma discussão
honesta e frutífera.
3 – A COMPLETA CRISTIFICAÇÃO
DE JESUS
3.1. Conceitos de Cristificação
Christos em grego é “ungido”, de epichriô, “ungir, “untar”. A ilustração
utilizada pelo Educador em Teologia Expedito Nogueira Marinho bem se adeqúa a
essa etimologia: quando cai sobre uma folha de papel uma gota de azeite, esse
papel ou qualquer outra substância porosa fica ungida ou permeada pelo óleo ao
ponto de parecer ambos a mesma coisa, porque tanto o azeite está no papel como o
papel está no azeite, de forma que ambos não podem serem vistos separadamente.
Por “cristificação”, entende-se o ato ou efeito de o homem Jesus de Nazaré (de
fato, pessoa humana) ser permeado pelo “Cristo”. Para isso ocorrer Jesus teve que
ser efetivamente homem. Entretanto, é preciso ponderar que apesar de Jesus ter
nascido, crescido, trabalhado, sofrido como ser humano, não viveu como todo
indivíduo. O nosso Senhor não era o tipo de homem como os outros homens. Essa
análise deve ser feita para não se cair nos extremismos: uns elevam Jesus, a tal
ponto de perder a sua humanidade como faziam os docéticos do passado; outros
diminuem Jesus a tal ponto de confundi-lo com um mero ser humano qualquer.
A. Ser Filho do Homem: Requisito Para Ser Cristificado. O primeiro requisito
para Jesus de Nazaré ser cristificado foi o fato de ele não ser um homem do tipo que
toda a raça humana é. Ele foi o único homem 100% humano, enquanto o restante
dos seres humanos são apenas semi-humanos. Por isso mesmo, enquanto Se
manifestou em carne aos homens, Ele preferia Se auto-entitular “O Filho do
Homem”. Nosso Senhor não se denominou como filho de homem, mas sim Filho do
homem, o que significa ser ele filho de uma geração 100% hominal. Ele foi gerado
de modo diferente do restante da humanidade.
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O título Filho do Homem freqüentemente é aplicado à pessoa de Cristo, lembra
sua humanidade (Jo 1.14). Cerca de 79 vezes esta expressão ocorre somente no NT
e com exclusividade, nos Evangelhos, e vinte e duas vezes no livro do Apocalipse.
Em Ezequiel (por toda a extensão do livro), a frase é empregada por Deus 91 vezes.
Segundo o Dr. Allmen, em seu Vocabulário Bíblico citado por Tasker a expressão
“Filho do Homem” (Jo 3.13) havia se tornado uma figura messiânica mais corrente.
Esse é o motivo porque um exame dos textos evangélicos permite, quase sem
possibilidade de erro, preferir que ao designar-se “Filho do homem” o Senhor Jesus
escolheu esse título, evidentemente, menos comprometido pelo nacionalismo
judaico e pelas esperanças bélicas. Havia também uma esperança judaica do
“Homem dos últimos tempos”, conforme lemos em Rm 5.12-21; 1 Co 15.22, 45, 47;
e 2. 5-11). R.V.G. Tasker Professor Emérito de Exegese do Novo Testamento na
Universidade de Londres em sua obra Mateus – Introdução e Comentário, defende a
idéia de que Cristo apartou para si o título em foco porque o termo expressava
melhor do que qualquer outro vocábulo os dois lados da sua natureza. Por um lado,
chamava a atenção para as limitações e sofrimentos a que ele estava por
necessidade sujeito durante a sua existência terrena; como homem real (sendo que
o hebraico, “filho do homem” equivale a “homem”) esteve abaixo dos anjos,
conforme Hb 2.6,7. Por outro lado. Também sugeria a sua transcendência, que se
veria em toda a sua glória quando os homens vissem o Filho do homem vindo para
juízo nas nuvens do céu e reivindicando os seus direitos de propriedade sobre todos
os reinos de acordo com o vaticínio do profeta Daniel (Dn 7.13,14).
B. Jesus de Nazaré Pôde ser Cristificado Porque Também é o Filho de Deus.
Para os teólogos católicos Juan Mateos e Juan Barreto, na obra Vocabulário
Teológico do Evangelho de São João, a terminologia “Filho do homem” indica a
condição humana realizada nele com excelência, plenitude e unicidade que o
constitui em modelo de homem, o vértice da humanidade. Em outro momento da
obra, apesar de os autores recomendarem cautela ao interpretar essa expressão.
Admitem que “Homem” acompanhado do artigo definido “o” no Evangelho segundo
escreveu João, ou seja, “O homem” (o Filho do homem) aparece no texto joanino
doze vezes: 1.51; 3.13,14; 6.27,53,62; 8.28; 9.35; 12.12,34; 13.31. A passagem
mais destacável é Jo 6.27: “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela
comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará; pois
neste, Deus, o Pai, imprimiu o seu selo” (grifo nosso). Aqui o Filho do homem,
distingui-se dos outros homens por estar marcado com o selo de Deus. Este selo é
O Espírito, que recebeu em plenitude, conforme Jo 1.32,33.
Ora, a visão de João Batista que descreve a descida do Espírito Santo é a
explicação em forma de narrativa da afirmação teológica de Jo 1.14: “E o Verbo se
fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória,
como a glória do unigênito do Pai”. A glória identifica-se com o Espírito e sua
comunicação se realiza e caracteriza o projeto de Deus feito homem (vemos que em
Jo 1.1c “um” Deus era o projeto. O filho do Homem significa pois nos lábios de
Jesus, sua própria humanidade que possui a plenitude do espírito, o projeto divino
sobre o homem realizado nele, o modelo de homem, o ‘vértice humano. É a
realidade de Jesus vista desde baixo, desde sua raiz humanam, que se ergue até à
absoluta realização pela comunicação do Espírito. O seu correlativo é o título “o
Filho de Deus”, que significa a mesma realidade vista de cima, desde de Deus,
designado o que é totalmente semelhante a ele e possui a condição divina.
Nessa linha de análise, a expressão “o Filho de Deus” designa Jesus como o
que possui a plenitude do Espírito de Deus, denotando a relação particular e
exclusiva que Jesus tem com o Pai. a expressão encontra-se pela primeira vez nos
lábios de João Batista, expressando o efeito da descida do Espírito sobre Jesus,
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conforme Jo 1.32-34. A esta consagração com o Espírito o próprio Jesus associa a
sua qualidade de Filho de Deus, consoante Jo 10.36. A condição de Filho de Deus,
unidade à de Messias, constitui a profissão de fé da comunidade cristã. Logo, Jesus
de Nazaré pôde ser cristificado porque também é o Filho de Deus.
3.2. O Tipo de Fecundação que Formou o Corpo
do Senhor Jesus Cristo
Como já discorri anteriormente Jesus de Nazaré não se auto-intitulou como
filho de homem, mas sim Filho do homem, o que denota ser ele filho de uma
geração 100% hominal. Para se entender isso é preciso distinguir a forma comum
com que a espécie humana é gerada e o modo sobrenatural pelo qual “o Verbo se
fez carne”.
A. Geração Natural. Fecundação é o ato e o efeito pelo qual um ser humano é
gerado – a penetração de um espermatozóide em um óvulo. Nesse sentido, fecundar
é comunicar a (um germe) o princípio, a causa imediata do seu desenvolvimento; é
conceber, gerar alguém. Poucas maravilhas da natureza podem ser comparadas ao
mágico instante da concepção da vida humana. O encontro entre o óvulo e o
espermatozóide e marcado na Trompa de Falópio. Lá o óvulo, em repouso, espera
pacientemente a chegada de um espermatozóide para ser fecundado e
posteriormente tornar-se um bebê.
O milagre da criação natural deve ocorrer dentro de 24 horas, caso contrário
como declara a escritora Déborah Fonseca “tudo se resumirá a um rio de sangue”,
com a chegada da menstruação. De outro lado, bem próximo, no momento do
orgasmo masculino cerca de 400 milhões de espermatozóides são liberados e
partem em ritmo alucinado para fazer cumprir sua missão de criar um novo ser
humano,. Alguns podem levar horas até percorrerem os 18 centímetros entre a
vagina e as trompas. Os mais afoitos, porém, conseguem chegar em questão de
segundos. Há ainda outros, sem a mesma sorte, que acabam ficando pelo caminho
presos nas cavidades do útero. Apenas um pequeno grupo vence todos os
obstáculos e chega próximo ao óvulo. Sem hesitar um só instante, um dos
espermatozóides se adianta aos outros e penetra o óvulo. Imediatamente, a
composição química do óvulo se altera e impede a passagem de outros. É o fim
desta incrível jornada e o início de uma nova vida. Glória ao Criador!
A forma pela qual a raça humana é fecundada é a hiloplasmática. O prefixo
“hilo” vem do vocábulo “hily” que significa matéria; e “plasmática” origina-se de
“plasmar” que quer dizer “formar”. Essa análise etimológica nos leva a concluir que
um corpo “hilo-gerado” é um corpo gerado pela matéria. Entende-se por matéria
nesse contexto substância física, ou com mais aprofundamento, pelo ponto de vista
filosófico da expressão, o que dá realidade concreta a uma coisa individual, que é o
objeto de intuição no espaço e dotado de uma massa mecânica. Como vimos acima
a forma com que uma pessoa é gerada é um estupendo milagre. Mas, por mais
maravilhoso (e não deixa de ser um milagre) que seja nosso Senhor Jesus teve uma
geração muito mais maravilhosa que essa, como veremos adiante.
B. Geração Sobrenatural. Se a produção de um ser humano natural já é
estupenda e miraculosa, muito mais nos deixa estupefatos a forma com que “o
Verbo se fez carne e habitou entre nós”. É o chamado milagre da regressão, que o
Apóstolo Paulo bem descreveu de um modo até poético aos crentes em Filipos,
quando expôs a profunda doutrina da necessidade de o cristão manter-se
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humildade em seu coração à semelhança de “Cristo Jesus, o qual, subsistindo em
forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que se devia aferrar, mas
esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos
homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se
obediente até a morte, e morte de cruz”. (Fp 2.5-8).
Como expus anteriormente a fecundação é o ato e o efeito pelo qual um ser
humano é gerado – no caso natural ocorre com a penetração de um espermatozóide
em um óvulo, comunicando-lhe a causa imediata do seu desenvolvimento. Mas o
nosso Senhor Jesus não foi fecundado pelo modo hiloplasmático como comentei
anteriormente. Sua geração foi bioplasmática. Analisemos a etimologia do termo
“bioplasmática”. A palavra “bios” em grego é “vida” e relembrando o sufixo
“plasmática” vem de “plasmar” que quer dizer “formar”. Significa dizer que um
corpo “bioplasmático” é um corpo formado pela vida. Logo, Jesus foi gerado pela
vida.
A geração bioplasmática por certo fora a maneira com qual Deus planejara a
procriação da espécie humana a partir de Adão, entretanto, tal plano foi frustrado
pelo fato de o primeiro homem não ser aprovado no teste de fidelidade aplicado pelo
Senhor. O pecado interrompeu o projeto de procriação pela vida planejado pelo
Criador. Em contra partida, Jeová pôde executar o seu plano de geração do ser
através da encarnação do Verbo divino. O Filho de Deus não foi gerado pela
matéria, por isso, pôde se auto-entitular de Filho do Homem. Jesus de Nazaré foi o
maior homem que já pisou a face da Terra.
Talvez a idéia acima fique estranha ao leitor apressado da Bíblia que lendo o
Santo Evangelho de Jesus Cristo segundo escreveu São Lucas vê a própria
declaração de Jesus acerca de um profeta “… entre os nascidos de mulher, não há
maior profeta do que João Batista” (Lc 7.28). Jesus sabia que Ele próprio era o
maior ser humano da face da terra (o único 100% homem), mas também tinha
consciência que não tinha provindo a carne de Maria e muito menos de José.
Conforme vemos em Lucas 1.35: “Respondeu-lhe o anjo: Virá sobre ti o Espírito
Santo, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso o que há de
nascer será chamado santo, Filho de Deus”. Falando de modo reverente, Gabriel diz
que o Espírito Santo descerá sobre Maria e que o poder do Altíssimo a envolvera.
Alguns exegetas esclarecem essa passagem bíblica de modo peculiar. Leon
Morris ensina que esta expressão delicada exclui idéias grosseiras de uma “união”
entre o Espírito Santo com Maria. Gabriel deixa claro que a concepção de Maria
será o resultado de uma atividade divina. Por causa disso, o filho a ser nascido
seria “santo… o Filho de Deus”. A nota de rodapé da Bíblia de Jerusalém esclarece
que a expressão “o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra” evoca, seja
nuvem luminosa de Jeová, conforme Ex 13.22, 19.16, 24.16), seja as asas do
pássaro que simbolizam o poder protetor (Sl 17.8; 57.2; 140.8) e criador (Gn 1.2) de
Deus. Merril Tenney assevera que em contraste com as lendas pagãs da
antigüidade relacionadas com reputada descendência de deuses homens, não
houve nenhuma intervenção física. O Espírito Santo, por meio de uma ato criador
no corpo de Maria, providenciou os meios físicos para a encarnação. O teólogo E. F.
Kevan ensina que o Espírito Santo desceu sobre a virgem Maria em Sua capacidade
como poder criativo de Deus, conforme Gn 1.2, a encarnação foi o começo de uma
nova criação. O “poder do Altíssimo” cobriu-a livre de toda a mancha do pecado.
Ainda que verdadeiramente da raça de Adão, Jesus no entanto nasceu como
Cabeça, sem pecado, de uma nova raça. As palavras de Gabriel: “Será chamado
Filho de Deus”, dão base à filiação divina do filho de Maria quando de Sua
concepção pelo Espírito divino. Isso não implica, nem tão pouco exclui a sua
preexistência. Seu resultado é visto na consciência da paternidade de Deus que
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Jesus possuía desde Seus anos primordiais. Portanto, o homem Jesus não fora
gerado pela matéria, mas sim, pela vida. Não foi contaminado com o elemento
pecaminoso que havia em Maria.
Por outro lado, os homens naturais são “gerados pela carne e pelo sangue”,
por isso são mortais como todo animal, mas, o Senhor Jesus possuía em si a
imortalidade. Prova disso foi o que Ele mesmo revelou acerca dessa verdade: “…dou
a minha vida para a retomar. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a
dou; tenho autoridade para a dar, e tenho autoridade para retomá-la. Este
mandamento recebi de meu Pai” (Jo 10.17,18). Somente tem legitimidade para falar
dessa maneira quem possui em si a imortalidade. Isso corrobora a verdade de que
Jesus foi gerado de um modo 100% humano e 0% animal, em função disso, ele
intitula a si mesmo de “O filho do Homem”.
3.3. A Natureza Humana de Cristo
1. Feito de Mulher (Gl.4:4; Mt.1:8).
2. Feito da Semente de Davi:
o Sem (Gn.9:27).
o Abraão (Gn.12:1-3).
o Isaque (Gn.26:2-5).
o Jacó (Gn.28:13-15).
o Judá (Gn.49:10).
o Davi (IISm.7:12-16).
Crescimento e Desenvolvimento Naturais
1. Vigor Físico (Lc.2:52).
2. Faculdades Mentais (Lc.2:40).
Aparência Pessoal (Jo 4:9).
Natureza Humana Completa
1. Corpo (Mt.26:12).
2. Alma (Mt.26:38).
3. Espirito (Lc.23:46).
Limitações Humanas
1. Limitações Físicas:
o Fadiga (Jo.4:6; Is.40:28).
o Sono (Mt.8:24; Sl.121:4,5).
o Fome (Mt.21:18).
o Sede (Jo.19:28).
o Sofrimento e Dor (Lc.22:44).
o Sujeição à Morte (ICo.15:3).
2. Limitações Intelectuais:
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o Precisava Crescer em Conhecimento (Lc.2:52).
o Precisava Adquirir Conhecimento pela Observação (Mc.11:13).
o Possuía Conhecimento Limitado (Mc.13:32).
3. Limitações Morais (Hb.2:18;4:15).
4. Limitações Espirituais:
o Dependia das Oraçes (Mc.1:35).
o Dependia do Espirito Santo (At.10:38; Mt.12:28).
Nomes Humanos
1. Jesus (Mt.1:21).
2. Filho do Homem (Lc.19:10).
3. O Nazareno (At.2:22).
4. O Profeta (Mt.21:11).
5. O Carpinteiro (Mc.6:3).
6. O Homem (Jo.19:5; ITm.2:5).
Relação Humana com Deus
1. Como Mediador e Sacerdote; Como representante da humanidade Jesus
falava com Deus (Mc.15:34).
2. Kenosis: Auto esvaziamento de Jesus Cristo, uma auto renúncia dos
atributos divinos. Jesus pôs de lado a forma de Deus, mas ao fazê-lo não
se despiu de Sua natureza divina; não houve autoextinção. Também o Ser
divino não se tornou humano; Sua personalidade continuou a mesma, e
reteve a consciência de ser Deus (Jo.3:13). O propósito da kenosis foi a
redenção. Na kenosis Jesus deixou o uso independente do Seu poder para
depender do Espirito Santo.
3.4. A Natureza Divina de Cristo
Nomes Divinos
1. Deus (Jo.1:1; Jo.1:18(ARA); Jo.20:28; Rm.9:5; Tt.2:13; Hb.1:8).
2. Filho de Deus (Mt.8:29;16:16;27:40; Mc.14:61,62; Jo.5:25;10:36;
3. Alfa e Ômega (Ap.1:8,17;22:13; Is.44:6).
4. O Santo (At.3:14; Is.41:14; Os.11:9).
5. Pai da Eternidade e Maravilhoso (Is.9:6; Jz.13:18).
6. Deus Forte (Is.9:6; Is.10:21).
7. Senhor da Glória (ICo.2:8; Tg.1:21; Sl.24:8-10).
8. Senhor (At.9:17;16:31; Lc.2:11; Rm.10:9; Fp.2:11). O termo “Senhor” em
grego é Kúrios, e significa Chefe superior, Mestre, e como tal era
empregado à pessoas humanas, aos imperadores de Roma. Entretanto eles
eram considerados deuses, e somente à eles era permitido aplicar este
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título, no sentido de divindade (At.2:36; IICo.4:5; Ef.4:5; IIPe.2:1;
Ap.19:16).
Pelo Culto Divino que lhe é Atribuído
1. Somente Deus pode ser adorado (Mt.4:10).
2. Jesus aceitou e não impediu Sua adoração (Mt.14:33; Lc.5:8;24:52).
3. O Pai deseja que o Filho seja adorado (Hb.1:6; Jo.5:22,23; compare
Is.45:21-23 com Fp.2:10,11).
4. A Igreja primitiva o adorou e orava Ele (At.7:59,60; IICo.12:8-10).
Pelos Ofícios Divinos que lhe Foram Atribuídos
1. Criador (Jo.1:3; Hb.1:8-10; Cl.1:16).
2. Preservador (Cl.1:17).
3. Perdoador de pecados (Mc.2:5,7,11; Lc.7:49).
4. Jesus é Jeová Encarnado (Compare Is.40:3,4 com Jo.1:23; Is.8:13,14 com
IPe.2:7,8 e At.4:11; IPe.2:6 com Is.28:16 e Sl.118:22; Nm.21:6,7 com
ICo.10:9(ARA = Senhor; ARC = Cristo; no grego = Criston); Sl.102:22-27
com Hb.1:10-12; Is.60:19 com Lc.2:32; Zc.3:1,2).
Pela Associação de Jesus, o Filho, com o Nome de Deus Pai (IICo.13:14;
ICo.12:4-6; ITs.3:11; Rm.1:7; Tg.1:1; IIPe.1:1; Ap.7:10; Cl.2:2; Jo.17:3;
Mt.28:19).
3.5. Atributos Divinos que lhe são Atribuídos
Atributos Naturais
1. Onisciência (Jo.1:47-51; 4:16-19,29; 6:64; 16:30; 8:55; Jo.10:15; 21:6,17;
Mt.11:27; 12:25; 17:27; Cl.2:3).
2. Onipresença (Jo.3:13;14:23 Mt.18:20;28:20; Ef.1:23).
3. Onipotência (Mt.8:26,27;28:28; Hb.1:3; Ap.1:8).
4. Eternidade (Jo.8:58;17:5,24; Cl.1:17; Hb.1:8;13:8; Ap.1:8; Is.9:6; Mq.5:2).
5. Vida (Jo.10:17,18;11:25;14:6).
6. Imutabilidade (Hb.1:11;13:8; Sl.102:26,27).
7. Auto-Existência (Jo.1:1,2).
8. Espiritualidade (IICo.3:17,18).
Atributos Morais
1. Santidade (At.3:14;4:27Jo.8:12; Lc.1:35; Hb.7:26; IJo.1:5; Ap.3:7;15:4;
Dn.9:24).
2. Bondade (Jo.10:11,14; IPe.2:3; IICo.10:1).
3. Verdade (Mt.22:16; Jo.1:14;14:6; Ap.19:11;3:7; IJo.5:20).
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3.6. Títulos Dados Igualmente a Deus Pai e a
Jesus Cristo
1. Deus: Deus Pai (Dt.4:39; IISm.7:22; IRs.8:60; IIRs.19:15; ICr.17:20;
Sl.86:10; Is.45:6;46:9; Mc.12:32), Jesus Cristo (Compare Is.40:3 com
Jo.1:23 e 3:28; Sl.45:6,7 com Hb.1:8,9; Jo.1:1; Rm.9:5; Tt.2:13; IJo.5:20).
2. Único Deus Verdadeiro: Deus Pai (Jo.17:3), Jesus Cristo (IJo.5:20).
3. Deus Forte: Deus Pai (Ne.9:32), Jesus Cristo (Is.9:6).
4. Deus Salvador: Deus Pai (Is.45:15,21; Lc.1:47: Tt.3:4), Jesus Cristo
(IIPe.1:1; Tt.2:13; Jd.25).
5. Jeová: Deus Pai (Ex.3:15), Jesus Cristo (Compare Is.40:3 com Mt.3:3 e
Jo.1:23).
6. Jeová dos Exércitos: (ICr.17:24; Sl.84:3; Is.51:15; Jr.32:18;46:18), Jesus
Cristo (Compare Sl.24:10 e Is.6:1-5 com Jo.12:41; Is.54:5).
7. Senhor: Deus Pai (Mt.11:25;21:9;22:37; Mc.11:9;12:29; Rm.10:12;
Ap.11:15), Jesus Cristo (Lc.2:11; Jo.20:28; At.10:36; ICo.2:8;8:6;12:3,5;
Fp.2:11; Ef.4:5).
8. Único Senhor: Deus Pai (Mc.12:29; Dt.6:4), Jesus Cristo (ICo.8:6; Ef.4:5).
9. Jeová e Salvador, Senhor e Salvador: Deus Pai (Is.43:11;60:16; Os.13:4),
Jesus Cristo (IIPe.1:11;2:20;3:18).
10. Salvador: Deus Pai (Is.43:3,11;60:16; ITm.1:1;2:3; Tt.1:3;2:10;3:4; Jd.25),
Jesus Cristo (Lc.1:69;2:11; At.5:31; Ef.5:23; Fp.3:20; IITm.1:10; Tt.1:4;3:6).
11. Único Salvador: Deus Pai (Is.43:11; Os.13:4), Jesus Cristo (At.4:12;
ITm.2:5,6).
12. Salvador de todos os homens e do mundo: Deus Pai (ITm.4:10), Jesus
Cristo (IJo.4:14).
13. O Santo de Israel: Deus Pai (Sl.71:22;89:18; Is.1:4; Is.45:11), Jesus Cristo
(Is.41:14;43:3;47:4;54:5).
14. Rei dos reis, Senhor dos senhores: Deus Pai (Dt.10:17; ITm.6:15,16), Jesus
Cristo (Ap.17:14;19:16).
15. Eu Sou: Deus Pai (Ex.3:14), Jesus Cristo (Jo.8:58).
16. O Primeiro e O Último: Deus Pai (Is.41:4;44:6;48:12) Jesus Cristo
(Ap.1:11,17;2:8;22:13).
17. O Esposo de Israel e da Igreja: Deus Pai (Is.54:5;62:5; Jr.3:14; Os.2:16),
Jesus Cristo (Jo.3:9; IICo.11:2;; Ap.19:7;21:9).
18. O Pastor: Deus Pai (Sl.23:1), Jesus Cristo (Jo.10:11,14; Hb.13:20).
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3.7. Obras Atribuídas Igualmente a Deus Pai e a
Jesus Cristo
1. Criou o mundo e todas as coisas: Deus Pai (Ne.9:6; Sl.146:6; Is.44:24;
Jr.27:5; At.14:15;17:24), Jesus Cristo (Sl.33:6; Jo.1:3,10; ICo.8:6; Ef.3:9;
Cl.1:16; Hb.1:2,10).
2. Sustenta e preserva todas as coisas: Deus Pai (Sl.104:5-9; Jr.5:22;31:35),
Jesus Cristo (Cl.1:17; Hb.1:3; Jd.1)
3. Ressuscitou Cristo: Deus Pai (At.2:24; Ef.1:20), Jesus Cristo
(Jo.2:19;10:18).
4. Ressuscitou mortos: Deus Pai (Rm.4:17; ICo.6:14; IICo.1:9;4:14), Jesus
Cristo
5. (Jo.5:21,28,29;6:39,40,44,54;11:25; Fp.3:20,21).
6. É o Autor da regeneração: Deus Pai (IJo.5:18), Jesus Cristo (IJo.2:29).
3.8. A Unipersonalidade de Jesus Cristo
Ficou provado que Jesus Cristo possui duas naturezas, a divina e a humana.
No entanto, embora tenha duas naturezas, Ele não possui duas personalidades ou
Pessoas, sendo uma Pessoa divina e outra humana, mas uma só e apenas uma.
Jesus Cristo é uma só Pessoa em duas naturezas distintas, porém unidas.
3.9. Aspectos Médicos da Crucificação de Jesus
Cristo
Nas ultimas horas da vida de Jesus o que ele suportou, e que vergonha ele
sofreu?
EXCRUCIAR: causar grande agonia, atormentar, torturar
Latim: ex: “sobre, por causa de” / cruciar: “cruz; por causa da cruz”
O tom dessa apresentação poderá ser melhor resumida dentro da palavra
“excruciar”, (a raiz da palavra “cruciante”) a qual se refere a algo que causa grande
agonia ou tormento. As raízes em Latim da palavra são:”ex”, que significa por causa
de ou sobre, e “cruciar”, que significa cruz. A palavra “excruciar” vem do Latim para
“por causa de, ou sobre, a cruz”. (Websters)
Jesus passou as suas últimas horas antes da crucificação em diversos lugares
em Jerusalém. Ele começou a noite no Cenáculo, no sudoeste de Jerusalém. Na
última ceia, Ele disse aos discípulos que Seu corpo e Seu sangue deviam ser dados
por eles. (Mateus 26: 26-29) Saindo Ele da cidade indo ao jardim de Getsêmane. Ele
foi então preso e levado de volta para o palácio do sumo sacerdote. Onde Ele foi
questionado por Anás, antigo sumo sacerdote, e Caifás, genro de Anás.
Posteriormente, Ele foi julgado pelo sinédrio, e foi declarado culpado de blasfêmia
ao se proclamar Filho de Deus. Ele foi sentenciado a pena de morte. Sendo que
apenas aos romanos era dado o direito de executar criminosos, Ele foi mandado a
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Pôncio Pilatos na fortaleza Antonia. Pilatos, não encontrando nada de errado,
mandou-o para o rei Herodes, que devolveu-o a Pilatos. Pilatos, submetendo-se a
pressão da multidão, então ordenou que Jesus fosse chicoteado e crucificado. Ele
foi finalmente conduzido para fora dos muros da cidade para ser crucificado no
Calvário.
A SAÚDE DE JESUS E A DEMANDA DO SOFRIMENTO
É razoável supor que Jesus estava com a saúde boa antes do sofrimento que
Ele enfrentou nas horas que antecederam a sua morte. Ter sido um carpinteiro e
viajando por toda a região durante Seu ministério requeria que Ele estivesse em
boas condições físicas. Antes da crucificação, entretanto, Ele foi forçado a andar 4
quilômetros depois de uma noite sem dormir, durante a qual Ele sofreu grande
angustia por seus seis julgamentos, foi escarnecido, ridicularizado e severamente
golpeado, e foi abandonado por seus amigos e seu Pai. (Edwards)
O CENÁCULO OU QUARTO SUPERIOR
O sofrimento começou no Cenáculo de uma casa que nós chamamos agora de
a Ultima Ceia, Aonde Jesus, deu a primeira comunhão, profetizando que Seu corpo
e sangue seria dado.(Mateus. 26:17-29) Hoje em Jerusalém, qualquer pessoa pode
visitar o Cenáculo ou Cenaculum (latim para sala de jantar), um quarto que esta
construído sobre onde acredita-se ser o local do Cenáculo, (Kollek) que está
localizado no sudoeste na direção da velha cidade.
GETSÊMANE: prensa de óleo
E, posto em agonia, orava mais intensamente; e o seu suor tornou-se como
grandes gotas de sangue, que caíam sobre o chão. “o Espirito de Deus…
esmagado” (Lucas 22:44).
Do Cenáculo, Jesus foi para fora dos muros da cidade aonde passou algum
tempo em oração no Jardim de Getsêmane. Hoje em dia o jardim tem muitas
antigas árvores de oliva, algumas delas podem ter crescido das raízes das árvores
que estavam presentes na época de Jesus. (Todas as árvores em volta de Jerusalém
foram cortadas quando os Romanos conquistaram a cidade em 70 D.C. Árvores de
oliva podem regenerar-se de suas raízes e viver por milhares de anos.) O nome
“Getsêmane”, vem do Hebreu Gat Shmanim, significa “prensa de óleo” (Kollek).
Desde que “óleo” é usado na Bíblia para simbolizar o Espirito Santo, pode-se dizer
então que o jardim é onde “o Espirito de Deus foi esmagado”. (Missler). Era aqui que
Jesus agonizou em oração sobre o que deveria ocorrer. É importante saber que este
é o único lugar na Bíblia, (segundo a versão de KJV), onde a palavra “agonia” é
mencionada. (Strong’s Concordance) A palavra Grega para agonia significa
“empenhado em combate” (Pink) Jesus agonizou sobre o que Ele teria que passar,
sentindo que Ele está ao ponto de morrer (Marcos14:34). Contudo Ele orava, “Não
se faça a minha vontade, mas a tua.”
De importância médica, é que Lucas menciona Ele tendo suado sangue. O
termo médico para isto, “hemohidrosis” ou “hematidrosis” tem sido visto em
pacientes que experimentaram extremo stress ou choque nos seus sistemas.
(Edwards) Os capilares em volta dos poros suados tornam-se frágeis e começam a
pingar sangue no suor. Um caso na história é descrito em que uma menina que
tinha medo de ataques aéreo, na Primeira guerra mundial, desenvolveu estas
condições depois que ocorreu uma explosão de gás na casa vizinha a dela. (Scott)
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Outro relatório menciona uma freira que, ao estar ameaçada de morte pelas
espadas dos soldados inimigos, “estava tão aterrorizada que ela sangrava por toda
parte do seu corpo e morreu de hemorragia na presença de seus
atacantes.”(Grafenberg) Em memorial ao sofrimento de Jesus, a igreja que agora
está em Getsêmane é conhecida como a Igreja da Agonia. (também chamada de
Igreja das Nações porque muitas nações doaram dinheiro para sua
construção).(Kollek)
ABANDONADO PELOS HOMENS
Mateus 26:56b: “Então todos os discípulos, deixando-o fugiram.”
Salmos 22:11: “Não te alongues de mim, pois a angústia está perto, e não há
quem acuda.”
Enquanto estava em Getsêmane, Jesus é traído por Judas e preso pelos
Judeus. Todos os seus discípulos o abandonaram, até mesmo ao custo de ter que
correr nu (Marcos 14:51-52). Ele é preso (João 18:12) então levado de volta para a
cidade e para corte do Sumo Sacerdote, aonde é localizada perto do Cenáculo.
4 – ASPECTOS ILEGAIS DO
JULGAMENTO DE JESUS
• A seguir estão alguns dos aspectos ilegais do julgamento de Jesus:
• Os julgamentos poderiam ocorrer somente nos lugares de reunião regular
do Sinédrio (não no palácio do Sumo Sacerdote)
• Os julgamentos não podiam ocorrer na véspera do Sabat ou de Festas e
nem a noite
• Uma sentença de “culpado” somente poderia ser pronunciada no dia
seguinte ao julgamento
4.1. A Introdução das Testemunhas
Deut 19:15: “Uma só testemunha não se levantará contra alguém por
qualquer iniquidade, ou por qualquer pecado, seja qual for o pecado cometido; pela
boca de duas ou de três testemunhas se estabelecerá o fato.”
Deut 17:6: “Pela boca de duas ou três testemunhas, será morto o que houver
de morrer; pela boca duma só testemunha não morrerá.”
Marcos 14:56: “Porque contra ele muitos depunham falsamente, mas os
testemunhos não concordavam.”
Enquanto na corte do Sumo Sacerdote, Ele foi questionado por Anás (João
18:13) e golpeado por um soldado (João 18: 22). Ele foi trazido então a Caifás e ao
Sinédrio, que procuravam por Jesus à morte pelo testemunho falso de muitas
testemunhas. As testemunhas trazidas contra Ele não concordavam. Pela lei,
ninguém poderia ser posto a morte sem a concordância de duas ou três
testemunhas nos seus testemunhos. Embora as testemunhas não concordassem,
Ele foi considerado culpado de blasfêmia quando Ele lhes disse de Sua identidade
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como Filho de Deus. Ele foi sentenciado a morte. Jesus sofreu escarnecimento dos
guardas do palácio, que cuspiram nEle, bateram nEle e esbofetearam Sua cara.
(Marcos 14:65.) Durante o julgamento, Pedro nega-Lhe três vezes. Os
procedimentos do julgamento de Jesus violaram muitas das leis da Sua sociedade.
Entre algumas das outras leis violadas estão: (Bucklin)
Nenhum aprisionamento poderia ser feito a noite.
1. À hora e a data do julgamento eram ilegais porque ocorreu a noite e na
véspera do Sabat. Neste momento impossibilitando alguma chance para o
requerimento da suspensão da pena no dia seguinte ao evento da
condenação.
2. O Sinédrio era sem autoridade para incitar acusações. Era somente
suposto para investigar acusações trazidas perante ele. No julgamento de
Jesus, a própria corte formulou as acusações.
3. As acusações contra Jesus foram mudadas durante o julgamento. Ele foi
inicialmente acusado de blasfêmia baseado na sua declaração de que
poderia destruir e reconstruir o Templo de Deus dentro de três dias, e
também de ser Filho de Deus. Quando Ele foi trazido perante Pilatos, a
acusação era que Jesus era um Rei e não defendia o pagamento de
impostos aos Romanos.
4. Como indicado acima, a exigência de duas testemunhas de acordo para
condenar a pena de morte não foi cumprida..
5. A corte não se reuniu no regular local de reuniões do Sinédrio, como é
requerido pela lei Judia.
6. À Cristo não foi permitido uma defesa. Pela a lei judia, deveria ter ocorrido
uma busca exaustiva nos fatos apresentados pelas testemunhas.
7. O Sinédrio pronunciou a sentença de morte. Pela a lei, ao Sinédrio não era
permitido condenar e colocar a pena de morte em efetivo. (João 18:31)
Hoje, se pode visitar o palácio do Sumo Sacerdote. Aonde se pode estar no
meio das ruínas do pátio. E está disponível um modelo das estruturas do palácio no
tempo de Jesus.
4.2. O Veredicto de Pilatos
Marcos 15:15 – “Então Pilatos, querendo satisfazer a multidão, soltou-lhe
Barrabás; e tendo mandado açoitar a Jesus, o entregou para ser crucificado.”
O Sinédrio reuniu-se cedo na manhã seguinte e sentenciou-O a morte.(Mateus
27:1) Jesus foi levado perante a Pilatos, porque aos judeus não era dado como aos
romanos o direito de realizar execuções. A acusação foi agora mudada para a
alegação que Jesus reivindicava ser Rei e proibia a nação de pagar impostos a
César. (Lucas 23:5) Apesar de todas as acusações, Pilatos não encontrou nada
errado. Ele mandou Jesus a Herodes. Jesus ficou calado perante Herodes, exceto
para afirmar que Ele é o Rei dos Judeus. Herodes mandou-O devolta a Pilatos.
Pilatos é incapaz de convencer a multidão da inocência de Jesus e ordena Jesus a
ser posto a morte. Algumas fontes indicam que era lei romana, que um criminoso
que estava para ser crucificado teria que primeiro ser chicoteado. (McDowell)
Outros acreditam que Jesus foi primeiramente chicoteado por Pilatos na esperança
de livra-Lo através de uma punição mais leve.(Davis) Apesar do seu esforços, os
Judeus permitiram que Barrabás fosse liberado e exigiram que Jesus fosse
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crucificado, ainda gritando que, “O Seu sangue caia sobre nós e sobre nossos
filhos!” (Mateus 27:25) Pilatos entrega Jesus para ser chicoteado e crucificado.
É neste momento que Jesus sofre um violento espancamento físico. (Edwards)
Durante as chicotadas, a vitima era amarrada a um poste, deixando suas costas
inteiramente exposta. Os Romanos usavam um chicote, chamado flagrum ou
flagellum o qual consiste em pequenas partes de osso e metal unidos a vários
cordões de couro. O número de chicotadas não é registrado nos evangelhos. O
número de golpes na lei judia foi estabelecido em Deuteronômio 25:3 em quarenta,
mas mais tarde reduzido a 39 para prevenir golpes excessivos por um erro de
contagem. (Holmans). A vítima frequentemente morria por causa do espancamento.
(39 golpes acreditava-se trazer o criminoso a “um da morte”.) A lei romana não
colocava nenhum limite sobre o número de golpes a se dar. (McDowell) Durante as
chicotadas, a pele era arrancada das costas, expondo uma massa ensanguentada
de músculo e osso (“hambúrguer”: Metherall). Ocorria extrema perda de sangue
pelo espancamento, enfraquecendo a vítima, às vezes, ao ponto de ficar
inconsciente.
4.3. Soldados Romanos Escarnecem e Batem em
Jesus
Mateus 27:28-30 (Os soldados) despiram-No e colocaram-No um manto
escarlate então trançaram uma coroa de espinhos e fixaram em sua cabeça. Eles
colocaram uma cajado na Sua mão direita e ajoelharam-se na Sua frente e O
escarnecia dizendo: “Salve, rei dos judeus!”. Eles cuspiram nEle, e pegaram o
cajado e golpearam-O na cabeça várias vezes. Jesus foi então espancado pelos
soldados romanos. No escarnecimento, eles vestiram-No no que era provavelmente
a capa de um oficial romano, o qual era de cor roxo escuro ou escarlate. (Bíblia
Amplificada) Ele também usava a coroa de espinhos. Ao contrário da coroa
tradicional a qual é descrita por um anel aberto, a verdadeira coroa de espinhos
pode ter coberto o escalpo inteiro.(Lumpkin) Os espinhos podem ter tido 2.54 a
5.08 centímetros de comprimento. Os evangelhos indicam que os soldados romanos
continuamente bateram na cabeça de Jesus. Os golpes dirigiram os espinhos para
dentro do escalpo (uma das áreas mais vascular do corpo) e na testa, causando
sangramento severo.
4.4. A Coroa de Espinhos e o Manto
Gênesis 3:17b-18: “Maldita é a terra por tua causa; em fadiga comerás dela
todos os dias da tua vida. Ela te produzirá espinhos e abrolhos; e comerás das
ervas do campo. “Isaías 1:18 “Vinde, pois, e arrazoemos,” diz o SENHOR. “Ainda
que os vossos pecados são como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve;
ainda que são vermelho como o carmesim, tornar-se-ão como lã.” O significado do
manto escarlate e a coroa de espinhos é para enfatizar Jesus tomando os pecados
do mundo sobre Seu corpo. A Bíblia descreve o pecado pela cor escarlata (Isaías
1:18) e aqueles espinhos que apareceram logo depois da queda do homem, como
um sinal da maldição. Assim, os artigos que Ele usou são símbolos para mostrar
que Jesus tomou os pecados (e maldições) do mundo sobre Ele mesmo. Não é claro
se Ele usou a coroa de espinhos na cruz. Mateus descreve que os romanos
removeram Suas roupas depois do espancamento, e então colocaram Suas próprias
roupas de novo nEle. (Mateus 27:31)
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4.5. A Severidade do Espancamento
Isaías 50:6: “Ofereci as minhas costas aos que me feriam, e as minhas faces
aos que me arrancavam a barba; não escondi o meu rosto dos que me afrontavam e
me cuspiam”.
Isaías 52:14: “….. Como pasmaram muitos à vista dele — pois o seu aspecto
estava tão desfigurado que não era o de um homem, e a sua figura não era a dos
filhos dos homens”.
A severidade do espancamento não é detalhada nos evangelhos. Entretanto,
no livro de Isaías, ele sugere que os romanos arrancaram Sua barba. (Isaías 50:8)
Também é mencionado que Jesus foi espancado tão severamente que seu aspecto
não parecia como “a dos filhos dos homens” i.e. como uma pessoa. “O seu aspecto
estava tão desfigurado que não era o de um homem, e a sua figura não era a dos
filhos dos homens.” As pessoa ficavam horrorizadas ao olhar para Ele (Isaías 52:13).
Seu desfiguramento talvez possa explicar porque Ele não foi reconhecido facilmente
em Suas aparições pós ressurreição.(Missler) Hoje, se pode visitar o local conhecido
como Lithostrotos, aonde acredita-se ser o chão da Fortaleza de Antônio.(todavia
recente escavações talvez ponha em dúvida esta teoria (Gonen)) O chão está
marcado para jogos uma vez jogados por soldados romanos.
Do espancamento, Jesus andou num trajeto, chamado agora de Via Dolorosa,
para ser crucificado em Gólgota. A distância total tem sido estimada em 595
metros. (Edwards). Uma rua estreita de pedra, era provavelmente cercada por
mercados no tempo de Jesus. Ele foi conduzido através das ruas aglomeradas de
gente carregando a barra transversal da cruz (chamada patibulum) em contato com
Seus ombros. A barra transversal provavelmente pesava entre 36 e 50 quilos. Ele
era cercado por um guarda dos soldados romanos, o qual carregava uma placa que
anunciava Seu crime o de ser “o Rei dos Judeus” em Hebreu, em Latim e em Grego.
No caminho, Ele ficou incapaz de carregar a cruz. Alguns teorizam que Ele talvez
tenha caído ao ir descendo os degraus da Fortaleza de Antônio. Uma queda com o
pesado patibulum nas Suas costas talvez tenha causado uma contusão do coração,
predispondo Seu coração a ruptura na cruz. (Ball) Simão o Cireneu (atualmente
norte da África (Tripoli)), que aparentemente foi afetado por estes eventos, foi
intimado a ajudar.
A presente Via Dolorosa foi marcada no século 16 sendo a rota na qual Cristo
foi conduzido a Sua crucificação.(Magi) Quanto a localização do Calvário, a
verdadeira localização da Via Dolorosa é disputada. Muita da tradição a respeito do
que aconteceu a Jesus é encontrada na Via Dolorosa hoje em dia. Há 14 estações
de “eventos” que ocorreram e 9 igrejas no caminho hoje em dia. As estações da cruz
foram estabelecidas em 1800. (Magi) Hoje em dia, há uma seção no trajeto onde se
pode andar nas pedras que foram usadas durante a época de Jesus.
4.6. Sofrimento na Cruz
Salmo 22:16-17: ” Pois cães me rodeiam; um ajuntamento de malfeitores me
cerca; transpassaram-me as mãos e os pés. Posso contar todos os meus ossos. Eles
me olham e ficam a mirar-me.”
O evento da crucificação é profetizado em diversos lugares por todo o Velho
Testamento. Um dos mais impressionantes é narrado em Isaías 52:13, aonde ele diz
que, “Eis que o meu servo procederá com prudência; será exaltado, e elevado, e mui
sublime.” Em João 3, Jesus fala sobre o cumprimento dessa profecia quando Ele
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diz, “E como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do
homem seja levantado; para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna.” Ele
refere aos eventos narrado em Números 21:6-9. O Senhor tinha mandado uma
praga de serpentes impetuosas no povo de Israel e morderam o povo de modo que
muitas pessoas morreram. Depois que o povo confessou seus pecados a Moisés, o
Senhor perdoou eles tendo feito uma serpente de bronze. O bronze é um símbolo do
julgamento e a serpente é um símbolo da maldição. Quem quer que fosse mordido
por uma serpente e então olhasse a serpente de bronze, era salvo da morte. Estes
versos são profecias que apontam a crucificação, em que Jesus seria (levantado) na
cruz para julgamento do pecado, para que todo aquele que nele crê não pereça, (a
morte eterna) mas tenha a vida eterna.II Cor 5 :21 Amplifica este ponto, nisso
“Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que Nele
fôssemos feitos justiça de Deus.”(Pink) É interessante que o símbolo de
Aesculapius que é o símbolo da profissão médica hoje em dia, teve suas raízes da
fabricação da serpente de bronze.(Metherall) Certamente, Jesus é quem cura a
todos! Jesus é conduzido ao lugar da caveira (Latim: Calvário, Aramaico: Golgota)
para ser crucificado. A atual localização do Calvário está também em disputa. No
fim da Via Dolorosa, há uma “T bifurcação “. Se virarmos a esquerda, nós iremos a
Basílica do Santo Sepulcro. Se virarmos para direita, nós iremos ao Calvário de
Gordon. A Basílica do Santo Sepulcro tem se acreditado por muito tempo ser o local
tradicional da crucificação.
Calvário de Gordon possivelmente tem uma razão profética para ser o lugar da
crucificação. Em Gênesis 22, Abraão é testado por Deus para sacrificar Isaque no
topo da montanha. Percebendo que ele estava agindo fora da profecia, que “Deus
proverá para si o Cordeiro”, Abraão chama o lugar do evento de “Jeová-Jiré”, “No
monte do senhor se proverá.” Se nós pegarmos isso como evento profético da morte
de Jesus, então Jesus morreu no terreno mais elevado de Jerusalém. Calvário de
Gordon é o ponto mais elevado de Jerusalém, 777 metros acima do nível do mar.
(Missler: Map from Israel tour book) Hoje em dia, no Calvário de Gordon, as
cavernas na rocha estão situadas de tal maneira que dão ao local a aparência de
uma caveira.
Jesus foi então crucificado. Crucificação era uma prática que se originou com
os Persas e foi mais tarde passado para os Carthaginians e os fenícios. Os romanos
aperfeiçoaram como um método de execução o qual causava máxima dor e
sofrimento em um período de tempo. Aos crucificados incluíam escravos,
provincianos e os tipos mais baixos de criminosos. Cidadãos romanos, exceto talvez
para soldados que desertavam, não eram sujeitados a esse tratamento. (McDowell)
O local da crucificação “era escolhido propositadamente para ser fora dos
muros da cidade porque a Lei proibia tais de ser dentro dos muros da cidade… por
razões sanitárias… o corpo crucificado era as vezes deixado para apodrecer na cruz
e servir como uma desonra, um convincente aviso e dissuasivo para os que ali
passavam.” (Johnson) Às vezes, o subordinado era comido quando vivo e ainda na
cruz por bestas selvagens. (Lipsius)
O Procedimento da crucificação pode ser resumido conforme o seguinte. O
patibulum era colocado sobre a terra e a vitima colocada em cima dele. Os pregos,
com aproximadamente 18 centímetros de comprimento e com 1 cm de diâmetro
eram cravados nos pulsos. Os pregos entrariam na proximidade do nervo mediano,
causando que choques de dor fosse irradiado por todo o braço. Era possível colocar
os pregos entre os ossos de modo que nenhuma fratura (ou ossos quebrados)
ocorressem. Estudos tem mostrado que os pregos provavelmente estiveram
cravados através dos ossos pequenos do pulso, desde que pregos na palma da mão
não suportariam o peso de um corpo. Em terminologia antiga, o pulso era
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considerado ser parte da mão. (Davis) Posicionado no local da crucificação estariam
postes em pé, tendo aproximadamente 2.15 metros de altura.(Edwards) No centro
dos postes estava um ordinário assento, chamado sedile ou sedulum, no qual servia
como suporte para a vítima. O patibulum era então levantado sobre os postes. Os
pés eram então pregados aos postes. Para permitir isto, os joelhos teriam que ser
dobrados e girados lateralmente, deixando numa posição muito desconfortável. O
titulo era pendurado sobre a cabeça da vitima.
Havia diversos tipos diferentes de cruzes usadas nas crucificações. Na época
de Jesus, era mais provável que a cruz usada fosse no formato de T (ou “tau” cruz,),
não a popular cruz no formato t a qual é aceita nos dias de hoje.(Lumpkin)
4.7. Sofrimento Físico na Cruz
Salmos 22:14-15: “Como água me derramei, e todos os meus ossos se
desconjuntaram; o meu coração é como cera, derreteu-se no meio das minhas
entranhas. A minha força secou-se como um caco e a língua se me pega ao paladar;
tu me puseste no pó da morte.”
Tendo sofrido pelo espancamento e pelas chicotadas, Jesus sofreu de severa
hipovolemia pela perda de sangue. Os versos acima descrevem Seu estado
desidratado e a perda de Sua força.
Quando a cruz era erguida verticalmente, havia uma tremenda tensão posta
sobre os pulsos, braços e ombros, resultando num deslocamento dos ombros e
juntas dos cotovelos.(Metherall) Os braços, sendo preso para cima e para fora,
prendendo a caixa torácica numa fixa posição final inspiratória na qual dificulta
extremamente o exalar, e impossibilitava ter completa inspiração do ar. A vítima
poderia apenas ter pequenas respiradas.(Isto talvez explique o porque Jesus fez
pequenas declarações enquanto estava na cruz). Enquanto o tempo passava, os
músculos, pela perda de sangue, falta de oxigênio e posição fixa do corpo,
passariam por severas cãibras e contrações espasmódicas.
4.8. Abandono por Deus – Morte Espiritual
Mateus 27:46: “Cerca da hora nona, bradou Jesus em alta voz, dizendo: Eli,
Eli, lamá sabactani; isto é, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”
Com o pecado do mundo sobre Ele, Jesus sofreu a morte espiritual (separação
do Pai).Isaías 59:2 diz que o pecado causa separação de Deus, e que Ele esconde
Sua face de vós de modo que Ele não ouça. O Pai teve que virar a face de Seu Filho
Amado quando estava na cruz. Pela primeira vez, Jesus não dirige a Deus como Seu
Pai. (Courson)
4.9. Morte por Crucificação – Lenta Sufocação
• Respiração superficial causando colapso em pequenas áreas do pulmão.
• Diminuição do oxigênio e aumento de gás carbônico causando acides nos
tecidos.
• Líquido formado nos pulmões. Piorando a situação citada na 2ª etapa.
• O coração é estressado e eventualmente para.
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O lento processo do sofrimento e conseqüência da morte durante a
crucificação pode ser sumariado como segue:
“… aparentemente parece que o mecanismo da morte na crucificação era
asfixia. A corrente de eventos no qual conduziram finalmente a asfixia são as
seguintes: Com o peso do corpo que está sendo suportado pelo sedulum, os braços
eram puxados para cima. Causando o intercostal e o músculo peitoral a ser
esticado. Além disso, o movimento destes músculos era oposto pelo peso do corpo.
Com os músculos respiratórios esticados assim, a respiração torna-se relativamente
fixa. Enquanto dispnea desenvolve e dor nos pulsos e braços aumentam, a vítima
era forçada a levantar o corpo do sedulum, transferindo desse modo o peso do
corpo aos pés. A respiração tornam-se mais fácil, mas com o peso do corpo sendo
exercido pelos pés, a dor nos pés e pernas aumentava. Quando a dor se tornava
insuportável, a vítima repentinamente abaixava outra vez para o sedulum com o
peso do corpo puxando os pulsos e outra vez esticando os músculos intercostal.
Dessa maneira, a vítima alterna entre levantar seu corpo do sedulum a fim de
respirar e repentinamente abaixando no sedulum para aliviar a dor nos pés.
Eventualmente, ele torna-se esgotado ou fica inconsciente de modo que não poderia
mais levantar seu corpo do sedulum. Nesta posição, com os músculos respiratórios
essencialmente paralisados, a vitima sufocava e morria”. (DePasquale and Burch)
Devido a defeituosa respiração, os pulmões da vitima começavam a ter
colapsos em pequenas áreas causando hipoxia e hipercarbia. Uma acides
respiratória, com a falta de compensação pelos rins devido a perda de sangue
decorrentes das numerosas surras, resultou em um aumento da pressão cardíaca,
que bate mais rápido para compensar. Acumulam líquidos nos pulmões. Sob o
stress da hipoxia e acides o coração eventualmente falha. Há diversas teorias
diferentes na real causa da morte. Uma teoria declara que houve um enchimento do
pericárdio com liquido, que pôs uma pressão fatal na habilidade do coração de
bombear sangue (Lumpkin). Uma outra teoria declara que Jesus morreu de ruptura
cardíaca.” (Bergsma) A real causa da morte de Jesus , entretanto, “pode ter sido por
múltiplos fatores e relacionado primeiramente a choques hipovolemicos, exaustante
asfixia e talvez aguda falha cardíaca.”(Edwards) Uma fatal arritmia cardíaca pode
ter causado o evento terminal. (Johnson, Edwards)
4.10. Uma Última Bebida do Vinagre
João 19:29-30: “Estava ali um vaso cheio de vinagre. Puseram, pois, numa
cana de hissopo uma esponja ensopada de vinagre, e lha chegaram à boca. Então
Jesus, depois de ter tomado o vinagre, disse: Está consumado. E, inclinando a
cabeça, entregou o espirito.”
Tendo sofrido severa perda de sangue de suas numerosos espancamentos e
desta forma em um estado desidratado, Jesus, em uma das suas últimas
declarações, diz “Tenho sede.” Foi 2 vezes oferecido bebida a Ele na cruz. A
primeira, na qual Ele recusou, era vinho veja Vinho nos tempos de Jesusdrogado
(misturado com mirra) veja também Aspéctos Médicos da Morte de Jesus. Ele
escolheu enfrentar a morte sem uma mente turvada. Edersheim escreve:
“Era uma prática de misericórdia Judaica dar aqueles conduzidos à execução
uma poção de um forte vinho misturado com mirra para entorpecer a consciência”.
Esta função caritativa era realizada à custa de, se não por, uma associação de
mulheres em Jerusalém (Sanh. 43a). A poção foi oferecido a Jesus quando Ele
alcançou Gólgota. Mas tendo provado… Ele não beberia… Ele encontraria com a
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Morte, mesmo no seu mais severo e violento modo, e conquistar submetendo-se ao
todo”.
A segunda bebida, a qual Ele aceita momentos antes da Sua morte, é descrita
como um vinagre de vinho. É importante notar Dois pontos. A bebida foi dada em
“cana da planta de hissopo”. Lembre-se que estes eventos ocorreram na festa da
Páscoa. Durante esta festa, (Êxodo 12:22) hissopo foi usado para aplicar o sangue
do cordeiro da Páscoa nos umbrais de madeira dos judeus. É interessante o final
desta cana de hissopo apontando para o sangue do cordeiro perfeito o qual era
aplicado na cruz de madeira para salvação de toda a humanidade (Barclay). Em
adicional, o vinagre é um produto da fermentação, o qual é feito de suco de uva e
fermento. A palavra literalmente significa “aquilo o qual é azedado” e é relacionado
com o termo em Hebreu para “aquilo o qual é levedado” (Holmans). Fermento ou
levedo, é um símbolo Bíblico do pecado. Quando Jesus tomou esta bebida, (i.e. a
bebida no qual era “levedada”) assim sendo simbólico Dele tomando os pecados do
mundo sobre Seu corpo.
4.11. Celebração da Oposição Guerra Espiritual
Salmos 22:12-13: ” Muitos touros me cercam; fortes touros de Basã me
rodeiam. Abrem contra mim sua boca, como um leão que despedaça e que ruge.”
Enquanto Ele estava na cruz, trevas cobriram a terra (do meio-dia às três da
tarde). Jesus, em Lucas 22:53, associa aqueles que o prenderam com o poder das
trevas. Aonde estavam as forcas do mal enquanto Jesus estava na cruz? Os versos
acima do Salmo 22 parecem fora do lugar quando primeiramente se lê. Ali não
aparenta ter menção de “touros” e “leões” em volta da cruz. Os versos, entretanto,
tem um profundo significado.(Courson) Basã era uma área ao leste do Rio Jordão a
qual era famosa por sua fertilidade. O gado era criado lá o qual crescia a tamanhos
enormes. As pessoas lá adoravam espíritos demoníacos (associados à Baal) dentro
do rebanho. Em1 Pedro 5:8, Satanás e descrito como ” rugindo como leão…
procurando a quem possa tragar” Estes versos são desta forma sugestivos da
atividade espiritual de Satanás e seus demônios, celebrando enquanto Jesus estava
sofrendo na cruz.
4.12. Jesus deu Sua Vida
João 10:17-18: “Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para a
retomar. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho autoridade
para a dar, e tenho autoridade para retomá-la. Este mandamento recebi de meu
Pai.”
Lucas 23:46: “Jesus, clamando com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos
entrego o meu espírito. E, havendo dito isso, expirou.”.
O tempo médio de sofrimento antes da morte por crucificação é indicada
aproximadamente de 2 a 4 dias (Tenney), embora a casos relatados aonde a vitima
viveu por 9 dias. (Lipsius) As causas reais da morte por crucificação eram de
múltiplos fatores, um dos mais significantes seria a severidade dos açoites.
(Edwards) Jesus teve uma morte física rápida (Pilatos ficou surpreso que Ele tinha
morrido assim tão rápido.) (Marcos 15:44). Embora muitos dos sinais físicos
precedentes a morte estavam presentes, uma possibilidade é que Jesus não morreu
por fatores físicos o qual acabaria com Sua capacidade de viver, mas que Ele deu
Sua vida de acordo com Sua vontade. Sua ultima declaração, “nas tuas mãos
entrego o meu espírito” parece mostrar que a morte de Jesus ocorreu por Ele se
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entregando. Em João 10, Ele declara que apenas Ele tem o poder dar Sua vida. Ele
provou Seu poder sobre a morte por Sua ressurreição. Verdadeiramente, Deus é o
que tem poder sobre a vida e a morte.
4.13. Morte por Crucificação
• Foi acelerada, quebrando as pernas, de modo que a vítima não podia
levantar para ter uma boa respiração.
o João 19:32-33: “Foram então os soldados e, na verdade, quebraram as
pernas ao primeiro e ao outro que com ele fora crucificado; mas, vindo
a Jesus, e vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas;”
• Foi confirmada por uma lança enfiada no lado direito do coração.
o João 19:34: “contudo um dos soldados lhe furou o lado com uma
lança, e logo saiu sangue e água.” Morte na crucificação era acelerada
quebrando as pernas da vitima. Este procedimento, chamado
crurifratura, previne a capacidade da vitima de respirar bem. A morte
ocorreria rapidamente por asfixia. No caso de Jesus, Ele morreu
rápido e não teve Suas pernas quebradas. Jesus cumpriu um dos
requerimentos proféticos do cordeiro da Páscoa, que nenhum osso
deveria ter sido quebrado.(Êxodo 12:46,João 19:36)
Para confirmar que a vitima estava morta, os romanos aplicavam uma lança
atravessando o lado direito do coração. Quando perfurado, um fluxo repentino de
sangue e água saíram do corpo de Jesus. O significado médico do sangue e água
tem sido assunto de debate. Uma teoria declara que Jesus morreu de enfarte
maciço do miocárdio, no qual a um rompimento do coração (Bergsma) no qual
talvez tenha resultado na Sua queda enquanto carregava a cruz. (Ball) Outra teoria
declara que o coração de Jesus estava rodeado por fluidos do pericárdio, o qual
constringe o coração causando morte.(Davis) O stress físico da crucificação talvez
tenha produzido uma fatal arritmia cardíaca. (Johnson)
A ordem indicada “sangue e água” talvez não indique necessariamente a
ordem do aparecimento, mas antes a relativa importância de cada fluido. Neste
caso, uma lança através do lado direito do coração deixaria o fluido pleural (fluido
formado nos pulmões) sair primeiro, seguido por fluxo de sangue da parede do
ventrículo direito.(Edwards) O fato importante é que evidencias medicas suportam
que Jesus teve uma morte física. Mas claro, que a história, não termina aqui. O
grandioso evento que separa Jesus de todos os outros é o fato que Ele ressuscitou e
hoje vive. Ele intercede a direita do Pai por aqueles que O seguem.(Hebreus 7:25)
4.14. Aparência no Céu
Apocalipse 5:6: ” Nisto vi, entre o trono e os quatro seres viventes, no meio dos
anciãos, um Cordeiro em pé, como havendo sido morto, e tinha sete chifres e sete
olhos, que são os sete espíritos de Deus, enviados por toda a terra.”
Pela eternidade, Jesus irá levar as marcas da Sua crucificação.Apocalipse 5:6
sugere que Ele aparece no céu com as marcas como o Cordeiro ” como havendo sido
morto “. Nós sabemos que quando Ele apareceu a Tomé que ele carregava as
marcas dos pregos e da lança no seu lado.(João 20:26-28) Vale a pena também
considerar as razões do porque Ele não foi imediatamente reconhecido depois da
Sua ressurreição. Em João 21:12, é declarado que nenhum dos discípulos “ousava
perguntar-lhe: Quem és tu? sabendo que era o Senhor” É possível que Seu corpo
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ressurrecto continuasse a ter as marcas dos Seus espancamentos. “O corpo da Sua
glorificação será o corpo da Sua humilhação.” (Missler)
Nós estamos preparados para encontrar com Ele? O que nós estamos fazendo
com o que Ele tem nos dado? Hoje, Ele nos encoraja a considerar o custo da cruz e
aplicar em nossas próprias vidas.
4.15. Seguindo a Jesus Cristo
Lucas 9:23: ” Em seguida dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, neguese
a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e siga-me.”
Quando Ele estava na terra, Jesus declarou que, “Se alguém quer vir após
mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e siga-me” (Lucas 9:23) Como
nós vimos, nos tempos de Jesus significou ir a sua morte, entregando e separando
você de tudo que você tinha… seus direitos, seus amigos, seu corpo e sangue e até
seus “deuses”, para seguir a Ele.
Nós somos desafiados pelo exemplo de Simão, cireneu. As Escrituras
mencionam ele sendo o pai de Alexandre e Rufo (Marcos 15:21). Rufo (“um homem
eleito no Senhor “) e a mulher de Simão ambos são mencionados por Paulo em sua
carta a igreja Romana. (Romanos 16:13) Aqui estava um homem, que de fato
carregou a cruz e causou um impacto para Cristo na eternidade. Que compromisso
você esta disposto a fazer agora com Ele?
A Bíblia, a Palavra de Deus (II Timóteo 3:16-17), relata como Deus uma vez
teve um relacionamento pessoal com o homem. Deus falava e relacionava com o
homem, exatamente como você pode se relacionar com seu melhor amigo. Deus
criou o homem para dar a ele uma vida significante e cheia de propósito.
O homem escolheu seguir seu próprio caminho por ter desobedecido a Deus.
(Isto aplica a todos os homens como emRomanos 3:23). Esta desobediência,
chamado pecado, causou uma quebra no relacionamento entre homem e Deus. Se o
homem eventualmente procura um relacionamento com Deus por seus próprios
esforços (religião), ele não irá achar nada, porque o pecado quebrou a comunicação.
(Isaías 59:2)
Cristianismo é a historia de Deus sacrificando Seu Filho para restaurar o
relacionamento que estava quebrado. Como indicado no texto acima, Jesus deu
Sua vida para pagar pelos pecados da humanidade e recebeu a punição pelo pecado
sobre Ele. Porque Ele deu Sua vida na cruz, qualquer um que acredite Nele terá
restaurado o relacionamento pessoal com Deus. Ele mesmo, Jesus, alegou ser o
único caminho a Deus. (João 14:6) e apenas pelo conhecimento de Deus através de
Jesus Cristo o homem pode ter uma vida significante e cheia de propósito.(João
10:10).
5 – A VIDA DE CRISTO DE “A” A
“Z” E DE GÊNESIS A
APOCALÍPSE
Cristologia – 29
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5.1. Jesus “o Senhor é salvação”
Jesus Cristo é retratado no Novo Testamento como Salvador do mundo, e o
nome Jesus em si significa “Salvador”. Conforme escreveu João no final de seu
evangelho, “estes [sinais], porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o
Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome”.
5.2. Infância
A mãe de Jesus, Maria, deitou o bebê Jesus numa manjedoura quando ele
nasceu em Belém, onde os pastores o visitaram. Jesus foi apresentado no templo, e
depois Maria e José, padrasto de Jesus, fugiram para o Egito com Jesus após a
visita dos magos. Eles retomaram posteriormente a Nazaré, onde José trabalhou
como carpinteiro. Além da visita de Jesus ao templo quando tinha doze anos,
quando ele ouviu os mestres e lhes fez perguntas, nada mais é conhecido à respeito
da sua infância.
5.3. Três Anos de Ministério
Quando Jesus tinha cerca de 30 anos, João Batista o batizou no rio Jordão,
antes de Jesus ir para o deserto a fim de ser tentado por Satanás. Após isto, Jesus
iniciou seu ministério público, escolhendo doze apóstolos para estarem com ele.
Jesus fez muitos milagres, como transformar a água em vinho em Caná, e muitas
curas, como a ressurreição da filha de Jairo. Ele também pregou freqüentemente,
como no Sermão do Monte, e contou numerosas parábolas memoráveis, como a do
bom samaritano e do filho pródigo.
5.4. A Última Semana
Os autores dos quatro evangelhos se concentram nos últimos sete dias da vida
de Jesus. No domingo que precedeu sua morte, Jesus entrou em Jerusalém num
jumento, aplaudido pelas multidões. Na quinta-feira seguinte, Jesus tomou a
íntima Ceia com seus discípulos, antes de se dirigir ao jardim de Getsêmani para
orar, onde Judas o traiu. Jesus foi preso, injustamente julgado, injustamente
condenado à morte, crucificado como um criminoso comum e sepultado. Más no
domingo seu túmulo foi encontrado vazio, pois ele havia ressurgido dos mortos.
Quarenta dias depois Jesus subiu ao céu, após ter aparecido ressurreto muitas
vezes, prometendo que ele voltaria um dia.
O Antigo Testamento predisse a vinda de grande e maravilhoso Rei da
Linhagem da família de Davi, o qual governaria e abençoaria o mundo inteiro. Muito
antes de aparecer, esse rei foi chamado “Messias” (hebraico), ou “Cristo” (grego). As
duas palavras significam “Ungido”: “O Ungido de Deus” para realizar a obra
mundial de que falaram os profetas. “Jesus” que significa: “O Senhor é Salvação”
era seu nome pessoal. “Messias” ou “Cristo” expressavam o ofício que ele veio
exercer. Mas Jesus, apesar de ser narrada sua aparição só no Novo Testamento, é o
tema central da Bíblia. No Antigo Testamento Ele é aquele que havia de vir para
salvar o mundo, e no Novo Testamento Ele é o que veio para morrer para nos salvar
e é O que virá outra vez para trazer julgamento aos que não creram nele e levar
para o Pai os que se fizeram Seus seguidores.
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5.5. Do Gênesis ao Apocalípse
Em cada Livro da Bíblia encontramos Jesus tipificado ou profetizado, como
segue:
• Gênesis – Ele é a semente de Eva
• Êxodo – Ele livra o seu povo do Cativeiro
• Levítico – Ele é o Sumo Sacerdote
• Números – É o que conduz o Seu povo à Terra Prometida
• Deuteronômio – Ele é a lei da nossa Salvação
• Josué – Ele é o que Luta pelo Seu Povo
• Juízes – Ele é O que governa
• Rute – Ele é aquele que nos resgata
• I e II Samuel – Ele nos unge a cabeça com óleo
• I e II Reis – Ele é o que Divide
• I e II Crônicas – Ele é o Senhor da Vitória
• Esdras – Ele é o Restaurador
• Neemias – Ele é o que reedifica os muros
• Ester – Ele livra o seu povo da Destruição
• Jó – É o nosso sofredor
• Salmos – Ele é o Bom Pastor
• Provérbios – Ele é a Sabedoria
• Eclesiastes – Ele é o Pregador sem vaidades
• Cantares de Salomão – Ele é o Noivo que Ama a sua Igreja (Noiva)
• Isaías – Ele é o Messias que havia de vir, o servo sofredor
• Jeremias – Ele é o profeta que chora
• Lamentações de Jeremias – Ele é o Senhor que chora pelo seu povo
• Ezequiel – Ele é o Maravilhoso Ser das Quatro Faces
• Daniel – É o quarto homem da fornalha ardente
• Oséias – Ele é o que se afasta da iniquidade do Povo
• Joel – Ele nos batiza com o Espírito Santo
• Amós – Ele é o Grande Governador do Universo
• Obadias – Ele é o Senhor que destrói os nossos inimigos
• Jonas – Ele é o grande missionário que leva a Palavra de Deus ao Mundo
• Miquéias – Ele é o Mensageiro Dos Pés Formosos
• Naum – Ele é o Senhor que persegue os iníquos
• Habacuque – Ele é o Justo
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• Sofonias – Ele é o Senhor de linhagem pura
• Ageu – Ele é o Templo de Deus
• Zacarias – Ele é o Pastor ferido, das mãos traspassadas, o Edificador do
templo do Senhor
• Malaquias – Ele é o Mensageiro da Aliança
• No Velho Testamento Ele é o que viria, no Novo Ele veio e Voltará
• Mateus – Ele é Jesus, o Messias
• Marcos – Ele é Jesus, Maravilhoso
• Lucas – Ele é Jesus, o Filho do Homem
• João – Ele é Jesus, o Filho de Deus
• Atos – Justo, Senhor de todos, Senhor que nos salva
• Romanos – Ele é o Pacificador
• I Coríntios – Ele é O Destruidor da Morte, Senhor da Glória, O único
fundamento, O Cordeiro do Sacrifício
• II Coríntios – Ele é a Imagem de Deus
• Gálatas – Ele é o Senhor da Graça
• Efésios – Ele é o Exemplo Supremo da Maturidade
• Filipenses – Ele é o prêmio supremo na luta da vida
• Colossenses – Ele é Deus, o Cabeça da Igreja
• I e II Tessalonisenses – Ele virá outra vez!
• I Timóteo – Ele é o bem aventurado e único Soberano
• II Timóteo – Ele é o Juiz de Todos os Homens
• Tito – Ele é o Redentor
• Filemon – É o Senhor que nos Liberta
• Hebreus – Jesus é a Aliança entre nós e Deus, Autor da Nossa Salvação, O
grande Sumo Sacerdote, Autor e Consumador da nossa Fé.
• Tiago – É o Senhor das Boas Obras
• I e II Pedro – Ele é o Filho do Deus Vivente, A única Fonte de Verdade, O
Pastor e Bispo das Almas
• I, II e III João – Ele é o Amor
• Judas – É o Senhor que nos alerta
• Apocalipse – Ele é a Fiel testemunha, O Alfa e o Ômega, O Leão da Tribo de
Judá, O Cordeiro, O Verbo de Deus e o Rei dos reis e Senhor dos senhores.
Além disso, encontramos em toda Bíblia vários títulos atribuídos a Ele,
• A
o Autor de Eterna Salvação – Hb. 5:9
o Autor da vida – At. 3:15
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o Apóstolo da nossa confissão – Hb.3:1
o Amém – Ap. 3:14
o Advogado – IJo 2:1
o Adão – ICo 15:45
o A ressurreição e a vida – Jo.11:25
o Alfa e Ômega – Ap. 1:8
o Autor da Salvação – Hb.2:10
o Autor e Consumador da Fé – Hb.12:2
• B
o Bom Pastor – Jo.10:11
o Braço do Senhor – Is. 51:9
• C
o Cabeça da Igreja – Ef.1:22
o Chefe – Is.55:4
o Conselheiro – Is.9:6
o Consolação de Israel – Lc. 2:25
o Cordeiro de Deus – Jo.1:29
o Cordeiro – Ap. 13:8
o Criador – Jo.1:3
o Cristo de Deus – Lc.9:20
• D
o Desejado de Todas as Nações – Ag.2:7
o Deus Bendito – Rm. 9:5
o Deus Forte – Is. 9:6
o Deus Unigênito – Jo. 1:18
o Deus – Is. 40:3
• E
o Emanuel – Is.7:14
o Eu Sou – Jo.8:58
• F
o Filho Amado – Mt.12:18
o Filho de Davi – Mt.1:1
o Filho de Deus – Mt. 2:15
o Filho do Altíssimo – Lc.1:32
o Filho do Homem – Mt. 8:20
o Filho do Deus Bendito – Mc. 14:61
• G
Cristologia – 33
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o Glória do Senhor – Is. 40:5
o Grande Sumo Sacerdote – Hb.4:14
o Guia – Mt. 2:6
• H
o Herdeiro de Todas as Coisas – Hb. 1:2
o Homem de dores – Is. 53:3
• I
o Imagem de Deus – IICo. 4:4
• J
o Jesus de Nazaré – Mt. 21:11
o Jesus – Mt. 1:21
o Juíz de Israel – Mq. 5:1
o Justiça Nossa – Jr.23:6
o Justo – At. 7:52
• L
o Leão da Tribo de Judá – Ap.5:5
o Legislador – Is.33:22
o Libertador – Rm.11:26
o Lírio dos Vales – Cant. 2:1
o Luz do Mundo – Jo.8:12
o Luz Verdadeira – Jo.1:9
• M
o Mediador – ITm. 2:5
o Mensageiro da Aliança – Ml.3:1
o Messias, ou Ungido – Dn. 9:25
• N
o Nazareno – Mt.2:23
o Nossa Páscoa – ICo. 5:7
• O
o O Escolhido de Deus – Is. 42:1
o O primeiro e o último – Ap. 1:17
• P
o Pão da Vida – Jo. 6:35
o Pai Eterno – Is.9:6
o Pastor e Bispo das Almas – IPe. 2:25
o Pedra Angular – Sl.118:22
o Poderoso de Jacó – Is. 60 :16
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o Poderoso Salvador – Lc.1:69
o Precursor – Hb.6:20
o Primogênito – Ap.1:5
o Príncipe da Paz – Is.9:6
o Príncipe dos Pastores – IPe. 5:4
o Princípio da Criação de Deus – Ap. 3:14
o Profeta – Lc.24:19
• Q
o Querido pelos seus servos
• R
o Raiz de Davi – Ap. 22:16
o Redentor – Jo. 19:25
o Rei dos Reis – Itm. 6:15
o Rei dos santos – Ap. 15:3
o Rei dos Judeus – Mt.2:2
o Rei dos séculos – ITm.1:17
o Rei – Zc. 9:9
o Renovo – Is.4:2
o Resplandescente estrela da manhã – Ap.22:16
o Rocha – ICo.10:4
o Rosa de Sarom – Cant. 2:1
• S
o Salvador – Lc.2:11
o Santo de Deus – Mc.1:24
o Santo de Israel – Is.41:14
o Santo Servo – At. 4:27
o Santo – At.3:14
o Semente da Mulher – Gn.3:15
o Senhor da Glória – ICo. 2:8
o Senhor de Todos – At.10:36
o Senhor Deus – Is.26:4
o Senhor dos Senhores – ITm.6:15
o Siló – Gn. 49:10
o Soberano dos Reis – Ap. 1:5
o Sol da Justiça – Ml. 4:2
o Sol nascente – Lc. 1:68
• T
Cristologia – 35
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o Testemunha fiel – Ap. 1:5
o Testemunho – Is. 55:4
o Todo-Poderoso – Ap. 1:8
• U
o Único
• V
o Verbo de Deus – Ap. 19:13
o Verbo – Jo. 1:1
o Verdade – Jo.1:14
o Vida – Jo.14:6
o Videira verdadeira – Jo.15:1
• Z
o Zeloso

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