BIBLIOLOGIA
ESTUDO DA TEOLOGIA

SUMÁRIO
1 – SÍNTESE DA HISTÓRIA BÍBLICA………………………………………………………………..4
2 – O TERMO “BÍBLIA” …………………………………………………………………………………4
2.1. COMPOSIÇÃO DA BÍBLIA………………………………………………………………………………..6
3 – A UTILIDADE DA BÍBLIA ………………………………………………………………………….8
4 – A MENSAGEM CENTRAL DA BÍBLIA……………………………………………………………8
5 – A BÍBLIA EM CAPÍTULOS E VERSÍCULOS ……………………………………………………9
6 – AS ABREVIATURAS NA BÍBLIA ………………………………………………………………….9
7 – ALGUNS TERMOS E SEUS SIGNIFICADOS…………………………………………………. 10
8 – CURIOSIDADES BÍBLICAS ……………………………………………………………………… 11
8.1. O LIVRO DE ISAÍAS…………………………………………………………………………………….14
9 – DIVISÃO DOS LIVROS DA BÍBLIA ……………………………………………………………. 15
9.1. A TANAKH (O A. T. DOS JUDEUS) E A DIVISÃO DE FLÁVIO JOSEFO (LC 24:44) ………………15
9.2. CONSIDERAÇÕES SOBRE A DIVISÃO DA “BÍBLIA JUDAICA” ……………………………………..16
9.3. DIVISÃO DOS LIVROS DO NOVO TESTAMENTO …………………………………………………….16
10 – DIVISÃO CRISTOCÊNTRICA………………………………………………………………… 17
10.1. CRISTO – A MENSAGEM CENTRAL DA BÍBLIA ……………………………………………………..17
11 – ANÁLISE DOS LIVROS DA BÍBLIA…………………………………………………………. 18
11.1. ANTIGO TESTAMENTO …………………………………………………………………………………18
11.2. NOVO TESTAMENTO …………………………………………………………………………………..21
12 – AS LÍNGUAS E OS MATERIAIS DA BÍBLIA ……………………………………………… 23
12.1. A ERA DA ESCRITA…………………………………………………………………………………….23
12.2. AS LÍNGUAS BÍBLICAS…………………………………………………………………………………24
12.3. AS LÍNGUAS DO ANTIGO TESTAMENTO ……………………………………………………………..24
12.4. AS LÍNGUAS DO NOVO TESTAMENTO ……………………………………………………………….25
13 – OS MATERIAIS DA ESCRITA……………………………………………………………….. 26
13.1. A TINTA E OS INSTRUMENTOS DE ESCRITA…………………………………………………………27
13.2. OS TIPOS DA ESCRITA DOS MANUSCRITOS ………………………………………………………..27
13.3. O FORMATO DOS MANUSCRITOS…………………………………………………………………….27
14 – A BÍBLIA É INSPIRADA ………………………………………………………………………. 27
14.1. O PROCESSO DE INSPIRAÇÃO ………………………………………………………………………..28
14.2. DISTINÇÃO ENTRE INSPIRAÇÃO E AUTORIDADE……………………………………………………33
15 – A BÍBLIA, REGISTRO MERECEDOR DE CONFIANÇA………………………………… 33
15.1. A NECESSIDADE DA REVELAÇÃO ……………………………………………………………………35
15.2. REVELAÇÃO GERAL DE DEUS: (SL 19:1-6; 104) …………………………………………………35
15.3. REVELAÇÃO ESPECIAL DE DEUS: (SL 19:7-14) …………………………………………………..36
15.4. A ILUMINAÇÃO………………………………………………………………………………………….39
16 – PROVAS DA INSPIRAÇÃO PLENÁRIA, VERBAL E INFALÍVEL DA BÍBLIA………. 40
16.1. OBJEÇÕES À INSPIRAÇÃO PLENÁRIA E VERBAL……………………………………………………41
16.2. TEORIAS ANTIBÍBLICAS SOBRE A INSPIRAÇÃO……………………………………………………..43
17 – A BÍBLIA É A CORPORIFICAÇÃO DA REVELAÇÃO DE DEUS ……………………… 44
17.1. A SINGULAR E ESPANTOSA INDESTRUTIBILIDADE DA BÍBLIA ……………………………………44
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17.2. O CARÁTER TRANSCENDENTE DA BÍBLIA…………………………………………………………..47
18 – A BÍBLIA E A CIÊNCIA ……………………………………………………………………….. 49
18.1. CONTRASTE COM OS DISPARATES DA FALSA CIÊNCIA ……………………………………………51
19 – A BÍBLIA E AS PROFECIAS …………………………………………………………………. 52
20 – A BÍBLIA É AUTÊNTICA ……………………………………………………………………… 54
20.1. O PENTATEUCO ………………………………………………………………………………………..54
20.2. OS PROFETAS…………………………………………………………………………………………..55
20.3. OS ESCRITOS …………………………………………………………………………………………..56
20.4. O NOVO TESTAMENTO ………………………………………………………………………………..57
20.5. A BÍBLIA É VERÍDICA; CONFIÁVEL…………………………………………………………………..59
21 – A BÍBLIA E SUA CANONICIDADE………………………………………………………….. 62
21.1. A FORMAÇÃO DO CÂNON DO ANTIGO TESTAMENTO………………………………………………63
21.2. CLASSIFICAÇÃO TÉCNICA DO ANTIGO TESTAMENTO ……………………………………………..65
21.3. LOCALIZAÇÃO HISTÓRICA DOS APÓCRIFOS ………………………………………………………..69
21.4. RAZÕES DA REJEIÇÃO DOS APÓCRIFOS…………………………………………………………….69
21.5. COMO OS LIVROS APÓCRIFOS FORAM APROVADOS ………………………………………………70
21.6. A VULGATA DE JERÔNIMO ……………………………………………………………………………71
21.7. A VERSÃO CATÓLICA-ROMANA ………………………………………………………………………71
21.8. A FORMAÇÃO DO CÂNON DO NOVO TESTAMENTO ………………………………………………..72
21.9. A PROGRESSÃO DO CÂNON DO NOVO TESTAMENTO ……………………………………………..72
21.10. FATORES QUE INFLUENCIARAM A IGREJA NO CÂNON DO NOVO TESTAMENTO…………….73
21.11. CLASSIFICAÇÃO TÉCNICA DO NOVO TESTAMENTO …………………………………………….75
21.12. CRITÉRIOS PARA RECONHECER A CANONICIDADE DE UM LIVRO ……………………………78
22 – A BÍBLIA E SUA PRESERVAÇÃO…………………………………………………………… 79
22.1. A PRESERVAÇÃO DO ANTIGO TESTAMENTO………………………………………………………..82
22.2. A PRESERVAÇÃO DO NOVO TESTAMENTO ………………………………………………………….83
23 – JESUS USOU A SEPTUAGINTA? …………………………………………………………… 84
23.1. A FALÁCIA DE QUE O NOVO TESTAMENTO FAZ CITAÇÕES DA SEPTUAGINTA ………………….84
24 – A SUFICIÊNCIA DA BÍBLIA………………………………………………………………….. 85
25 – A AUTORIDADE SUPREMA DAS ESCRITURAS ………………………………………… 85
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1 – SÍNTESE DA HISTÓRIA
BÍBLICA
1. DEUS criou o homem e o colocou no Jardim do Éden.
2. O homem pecou e deixou de ser aquilo para o que Deus o tinha
destinado. Foi então que Deus pôs em andamento o plano para a salvação
do homem e o fez chamando Abraão para que fundasse uma nação,
mediante a qual o plano seria executado.
3. A nação não andou nos caminhos do Senhor e foram escravizados no
Egito. Após 400 anos, sob a direção de Moisés, o povo foi tirado do Egito
de volta à terra prometida de Canaã. A nação se tornou um grande e
poderoso reino.
4. O reino foi dividido no fim do reinado de Salomão: Israel, ao norte, 10
tribos, levada cativa pela Assíria em 721 a.C., e Judá, ao sul, 2 tribos,
levada cativa pela Babilônia no ano 600 a.C.
5. Encerra-se o Antigo Testamento. 400 anos mais tarde, cumpre-se a
promessa do aparecimento de Jesus, o Messias, a esperança da
humanidade, mediante Quem o homem seria redimido e nascido de novo.
Para realizar e consumar Sua obra salvadora, Jesus Cristo MORREU pelo
pecado humano, ressuscitou e ordenou que os discípulos saíssem pelo
mundo contando a história de Sua vida e Seu poder redentor.
6. Assim, obedecendo à ordem (a “grande comissão”), partiram os discípulos
por toda parte, em todas as direções, levando as BOAS NOVAS,
alcançando o mundo civilizado conhecido da época. Assim, com o
lançamento da obra da redenção humana, encerra-se o Novo Testamento.
7. É importante entendermos que a Escatologia Bíblica é, também, parte do
processo salvífico da humanidade, pois nela será revelado todo o poder de
Deus ao homem, bem como parte da condenação que o homem sofrerá
ainda em vida, devido ao sua rebelião contra Deus. É um tempo de
descortinamento da verdadeira identidade do Diabo para que os ímpios
vejam quem eles seguiam. E a manifestação e instauração do reino de
Cristo, dando aos homens mais uma oportunidade de conscientizar-se da
perfeita e agradável vontade de Deus para todos.
2 – O TERMO “BÍBLIA”
“A Bíblia é o Livro de Deus” (Is 34:16).
A palavra Bíblia (Livros) entrou para as línguas modernas por intermédio do
francês, passando primeiro pelo latim bíblia, com origem no grego biblos (folha de
papiro do século XI a.C. preparada para a escrita). Um rolo de papiro tamanho
pequeno era chamado “biblion”, e vários destes era uma “Bíblia”. Portanto “Bíblia”
quer dizer “coleção de vários livros”.
No princípio, os livros sagrados não estavam reunidos uns aos outros como os
temos agora em nossa Bíblia. O que tornou isso possível foi a invenção do papel no
séc. II pelos chineses, bem como a invenção da impressão por tipos móveis, em
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1450 A.D. por Guttenberg, tipógrafo alemão. Até então tudo era manuscrito como
ocorria anteriormente com os escribas, de modo laborioso, lento e oneroso.
Com a invenção do papel desapareceram os rolos e a palavra biblos deu
origem a “livro” como se vê em biblioteca (coleção de livros), bibliografia, bibliófilo
(colecionador de livros).
A primeira pessoa a aplicar o nome “Bíblia” foi João Crisóstomo, grande
reformador e patriarca de Constantinopla, 398-404 A.D.
Teologicamente a Bíblia é a revelação de Deus para a humanidade.
Etimologicamente é uma coleção de livros pequenos, cujo autor é Deus, o
Espírito Santo é seu real intérprete e Jesus Cristo seu TEMA UNIFICADOR,
seu assunto central.
Cerca de 40 personagens se envolveram no registro e compilação dos 66 livros
que compõem a Bíblia Sagrada (1 Ts 2:13; 1 Pedro 1:20-21). Os escritores viveram
distantes uns dos outros (11 países diferentes), em épocas e condições diferentes,
não se conheceram (na época a comunicação era praticamente impossível)
pertenceram às mais variadas camadas sociais, e tinham cultura e profissões muito
diferentes.
Foram das mais diferentes categorias (19 ocupações diferentes): escritores,
estadistas, camponeses, reis, vaqueiros, pescadores, cobradores de impostos,
instruídos e ignorantes, judeus e gentios. Ex: legislador (Moisés); general (Josué);
profetas (Samuel, Isaías, etc.); Reis (Davi e Salomão); músico (Asafe, compôs 12
Salmos); boiadeiro (Amós); príncipe e estadista (Daniel); sacerdote (Esdras); coletor
de impostos (Mateus); médico (Lucas); erudito (Paulo); pescadores (Pedro e João).
São aproximadamente 50 gerações de homens. Um exame das vidas dos
escritores mostra a verdade deste testemunho. Esses eram homens sérios. Eles
vieram de todos os caminhos da vida. Eram homens de boa reputação e mente
brilhante. Muitos deles foram cruelmente perseguidos e mortos pelo testemunho
que mantiveram. Não ficaram ricos pelas profecias que deram. Longe disso. Muitos
empobreceram. O autor dos cinco primeiros livros da Bíblia escolheu viver uma vida
terrivelmente pesada e de lutas ao serviço de Deus em oposição à vida milionária
que ele poderia ter tido como o filho do Faraó. Muitos escritores da Bíblia fizeram
escolhas semelhantes. Suas motivações certamente não foram convencionais nem
mundanamente vantajosas. Eles não eram homens perfeitos, mas eram homens
santos. As vidas que eles viveram e os testemunhos que deram e as mortes de que
morreram deram forte evidência de que estavam dizendo a verdade.
Cada escritor manifestou seu “próprio jeito de escrever” (idiossincrasia), seu
estilo e características literárias. A Bíblia possui aproximadamente 10 estilos
literários diferentes:
1. Poéticos (Jó, Salmos, Provérbios).
2. Parábolas (evangelhos sinóticos)
3. Alegorias (Gl 4).
4. Metáforas (Gn 6:6; Êx 15:16; Dt 13:17; Sl 18:2; 34:16; Lm 3:56; Zc 14:4; 2
Co 3:2-3; Ef 4:30; Tg 3:6).
5. Comparações (Mt 10:1; Jo 21:25; Cl 1:23; Tg 1:6).
6. Figuras poéticas (Jó 41:1).
7. Sátiras (Mt 19:24; 23:24).
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8. Figuras de linguagem (Sl 36:7; Sl 44:23).
Demoraram cerca de aproximadamente 1600 anos para escrever os 66 livros.
1491 a.C., quando Moisés (teve a visão do passado) começou a escrever o
Pentateuco, no meio do trovão no monte Sinai, até 97 d.C., quando o apóstolo João
(teve a visão do futuro), ele mesmo um “filho do trovão” (Mc 3:17), escreveu seu
evangelho na Ásia Menor.
Entretanto, há na Bíblia um só plano ou projeto, que de fato mostra a
existência de um só Autor divino, guiando os escritores. A Bíblia é um só livro. Tem
um só sistema doutrinário, um só padrão moral (expressão da autoridade de Deus),
um só plano de salvação, um só programa das eras.
As diversas narrativas ali encontradas dos mesmos incidentes e ensinamentos
não são contraditórias, mas suplementares. Não há em todo o seu conteúdo uma só
contradição, e um livro sempre dá continuidade ou complementa o outro, apesar
das condições em que foram escritos. Muitas vezes, um autor iniciava um assunto
e, séculos depois, outro o completava.
Os escritores humanos fornecem variedade de estilo e matéria. O Autor Divino
garante unidade de revelação e ensino.
Em todo o seu conjunto, possui uma harmonia, que só pode ser explicada
como sendo um “MILAGRE”.
A Bíblia é a coleção das exatas palavras dos 66 livros que constituem o seu
CÂNON (cânon significa “autoridade, regra de fé”. O cânon está fechado, não há
mais nenhum livro inspirado!). Veja (Mt 4:4; Jo 12:48; 2 Tm 3:16-17; 2 Pe 1:3; Jd
3).
2.1. Composição da Bíblia
A. 24 livros do cânon judaico do VT (equivalentes aos nossos 39 livros, o
mesmo que hoje é chamado de “Texto Massorético de BEN CHAYyIM” e que, depois
da invenção da Imprensa, foi impresso por Daniel Bomberg, um abastado cristão
veneziano originário da Antuérpia, em 1524-5. A edição da segunda publicação
ficou a cargo de Jacob Ben Chayyim);
Não confundir Ben Chayyim com Ben Asher. Não confundir o Texto
Massorético de Ben Chayyim (100% genuíno) com o falso Texto Massorético,
de Ben Asher (conhecido como Bíblia Stuttgartensia). Não confundir a Bíblia
Hebraica de Kittel (BHK) 1ª e 2ª edição [1906 e 1912, baseadas no Texto
Massorético de Ben Chayyim] com as BHK edições posteriores, baseadas no
falso Texto Massorético, de Ben Asher.
B. 27 livros do cânon do NT (os mesmos que, depois da invenção da Imprensa,
foram impressos, terminando por serem conhecidos pelo nome de TR, ou “Textus
Receptus”, isto é, “O Texto Recebido”).
“Textus Receptus”: do latim “textum ergo habes, nunc ab amnibus receptum”,
que significa: texto ora recebido por todos. Foi a frase escrita no prefácio da
edição de 1633, do N.T. grego dos irmãos Elzevir (impressores holandeses de
origem judaica). São os 27 livros do N.T. que foram recebidos pelas igrejas do
século I, das mãos dos homens inspirados por Deus para escrevê-lo; e,
também, recebido pela Reforma, das mãos das pequeninas igrejas fiéis
{perseguidas por Roma} e da Igreja Grega Ortodoxa. O T.R. foi o texto usado
pela igreja por quase 2000 anos, antes de surgirem as versões modernas e
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deturpadas da Bíblia, baseadas no texto crítico, em 1881, com o surgimento
do “Novo Texto Grego” de Westcott e Hort. O T.R. foi usado em todo o período
bizantino (312-1453), donde foi traduzido por Almeida e é o texto grego do N.T.
que os reformadores (Reforma Protestante) usaram no século XVI e XVII, para
traduzir a Bíblia em vários idiomas, inclusive o português.
O nome “massoretas” se refere aos rabinos judeus surgidos aproximadamente
no ano 100 d.C. que conservavam e transmitiam o texto bíblico. Eles substituíram
os escribas. Faziam anotações às margens do texto, chamadas “massorah”. Eles
incorporaram os sinais vocálicos ao texto hebraico (que não possui vogais), entre o
5º e 6º séculos.
Apesar de toda oposição, a Bíblia é o livro mais antigo, mais famoso e mais
lido do mundo. Escrito em mais de 2000 línguas e dialetos, já atravessou
3.000 anos. É também o livro de maior circulação em todo o mundo. Em 1996,
por exemplo, foram distribuídos 20 milhões de Bíblias em todo o mundo. Só
no Brasil, foram quase 7 milhões e na China circulam cerca de 3 milhões. Por
tudo isto, podemos dizer, sem medo de errar que a Bíblia tem origem sobrehumana!
Os nomes mais comuns dados à Bíblia são:
1. Livro do Senhor (Is 34:16).
2. Palavra de Deus (Mc 7:13; Jo 10:35; Hb 4:12).
3. Escrituras ou Sagradas Escrituras (Mt 21:42; Lc 4:21; Jo 7:38, 42; Rm 1:2;
Rm 4:3; Gl 4:30).
4. A Verdade (Jo 17:17; Rm 15:8).
5. Lei (Sl 119); Lc 10:26; Mt 5:18).
6. Mandamentos (Sl 119).
7. A Lei e os Profetas (Mt 5:17; Lc 16:16).
8. A Lei de Moisés (Lc 24:44).
9. Oráculos de Deus (Rm 3:2).
Assim como Jesus Cristo (que é a Palavra Viva, 1 Jo 1:1; Ap 19:13) é 100%
Humano e 100% Divino, a Bíblia (que é a Palavra escrita) é humana e divina e
sem erros!
A Palavra de Deus é: inspirada (Sl 19:7-11; 119:89; 105, 130, 160; Pv 30:5-6;
Is 8:20; Jr 1:2, 4, 9; Lc 16:31; 24:25-27; 44-45; Jo 5:39, 45-47; 12:48; 14:26;
16:13; 17:17; At 1:16; 28:25; Rm 3:4; 15:4; 1 Co 2:10-13; 2 Co 2:4; Ef 6:17; 1 Ts
2:13; 2 Tm 3:16-17; 1 Pe 1:11-12; 2 Pe 1:19-23; 1 Jo 1:1-3; Ap 1:1-3; 22:19); eterna
(Sl 119:89; Mt 24:35); única regra de fé e prática (Is 8:20; Jo 12:48); suficiente para
a vida cristã (Mt 4:4; Jo 12:48; 2 Tm 3:16-17; 2 Pe 1:3; Jd 3); lâmpada para os
nosso pés (Sl 119:105); amada pelos salvos (Sl 119:47, 72, 82, 97); purificação da
vida (Sl 119:9); para ler, estudar e examinar (Dt 17:19; Js 1:8; Jo 5:39; At 17:11);
alimento espiritual (1 Pe 2:2); para a santificação (Jo 17:17); proveitosa para toda
boa obra (2 Tm 3:16); preservada (Lc 21:33); fogo consumidor (Jr 5:14); martelo (Jr
23:29); fonte de vida (Ez 37:7); poder para a salvação (Rm 1:16); penetrante (Hb
4:12); algo a ser defendido pelos santos (Jd 3); para ser pregada a todos (Mt 28:18-
20; Mc 16:15); espelho (Tg 1:23-25); semente (1 Pe 1:23); espada (Ef 6:17); comida
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(Hb 5:12-14); mel (Sl 119:103); leite (Hb 5:13); viva e atual (Jo 6:63 b; Hb 4:12; 1 Pe
1:23; 1 Jo 1:1).
A Bíblia é o livro pelo qual todos os homens serão julgados (Jo 12:48).
3 – A UTILIDADE DA BÍBLIA
“Toda escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão,
para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja
perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.” 2 Tm 3:16-17. Examine
ainda 1 Coríntios 10:11 e Romanos 15:4.
A Bíblia é um livro para ser examinado (Jo 5:39); crido (Jo 2:22); lido (1 Tm
4:13); recebido (1 Ts 2:13); confirmado e aceito (At 17:11).
Alguns dos objetivos da Bíblia são: avisar os crentes (1 Co 10:11); manifestar o
cuidado de Deus (1 Co 9:9, 10); ensinar e instruir (Rm 15:4); aperfeiçoar o cristão
para toda boa obra (2 Tm 3:16-17); fazer o homem sábio para a salvação (2 Tm
3:15); produzir fé na divindade de Cristo (Jo 20:31); produzir vida eterna (Jo 5:24).
A unidade da Bíblia é sem paralelo. Nunca, em qualquer outro lugar, uniramse
tantos tratados diferentes, históricos, biográficos, éticos, proféticos e
poéticos, para perfazer um livro. Assim como todas as pedras lavradas e as
tábuas de madeira compõem um edifício ou, melhor ainda, como todos os
ossos, músculos e ligamentos se combinam em um corpo, assim também é
com a Bíblia.
4 – A MENSAGEM CENTRAL DA
BÍBLIA
Entre a Bíblia e os outros escritos religiosos e filosóficos existe um abismo
intransponível. A Bíblia é o único Livro que “se atreve” a prever o futuro e o faz com
100% de precisão e acerto! (Dt 18:20-22; Is 41:22-23; 42:8-9; 44:6-8).
Certamente, valores como a verdade, a honestidade, a justiça e o altruísmo
são comuns aos melhores escritos da humanidade. Nisso, a Bíblia se identifica com
todos os outros. Mas, o que dizer do Deus apresentado pela Bíblia? Que contraste
com a energia impessoal do Hinduísmo ou com os frágeis e grotescos deuses dos
panteões greco-romanos! Deus Se apresenta em toda a Sua majestade e grandeza:
Santo, Justo, Fiel, Onipotente, Onipresente e Onisciente; Perfeito em amor e
misericórdia, Imutável em todos os Seus atributos!
O próprio mistério da Trindade demonstra um Deus maior que nossa razão. O
homem, na Bíblia, é retratado no seu melhor e no seu pior estado. Enquanto na
Filosofia o homem é deificado como senhor do seu próprio destino, na Bíblia, o
homem é criatura de Deus, pecador e dependente.
Enquanto em algumas crendices o homem é parte de um jogo de dados
cósmicos, joguete nas mãos de forças poderosas, na Bíblia, o homem é criado por
Deus com dignidade e sentido na História.
O caminho bíblico para a salvação vai de encontro à idéia arraigada, no
espírito humano, de que cada um deve promover a sua própria salvação. Na Bíblia,
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a salvação é um presente que não pode ser comprado, mas deve ser recebido com
gratidão.
O perdão dos pecados não ocorre por cerimônias vazias (como na igreja
católica romana, por exemplo), mas, mediante a morte do Filho de Deus na cruz, no
lugar dos pecadores. O destino final, na Bíblia, não é a aniquilação da
personalidade, nem um paraíso de prazeres carnais (como no Islamismo); mas, a
comunhão com Deus por toda a eternidade. E isto ocorrerá somente para aqueles
que um dia aceitaram o caminho oferecido por Deus (Jesus Cristo – Jo 14:6).
Homens não narrariam seus próprios pecados, derrotas, idolatrias, etc.
Nenhum homem conceberia a idéia de um inferno de sofrimento eterno. Isto mostra
que a Bíblia é um livro inspirado por Deus!
A Bíblia se opõe a certos conceitos filosóficos do mundo, e os refuta:
1. Ateísmo (Sl 14:1; 53:1; Jr 4:22).
2. Politeísmo (Mc 12:32; 1 Co 8:6; Ef 4:6; 1 Tm 2:5; Tg 2:19).
3. Materialismo (Mt 6:19-21, 24; Mt 19:16-26, 29; 1 Tm 6:10a; Sl 62:10b).
4. Panteísmo (Gn 1:1, 26; Mt 1:1, 18; Jo 1:1, 18; 16:7; 2 Co 13:14; Hb 13:8; 1
Jo 5:7).
5. A eternidade da matéria (Gn 1:1).
6. Filosofia (1 Co 1:22; Cl 2:8; 1 Tm 6:20; Tg 1:5).
5 – A BÍBLIA EM CAPÍTULOS E
VERSÍCULOS
A divisão da Bíblia em capítulos só veio acontecer no ano de 1250 A.D., pelo
cardeal Hugo de Sancto Caro, monge dominicano. Alguns pesquisadores atribuem
essa divisão também a Stephen Langton, professor da Universidade de Paris e mais
tarde arcebispo da Cantuária, em 1227.
Em 1525, Jacob Ben Chayyim, na Bíblia Bomberg, em Veneza, havia dividido
o Antigo Testamento em versículos.
O Novo Testamento foi dividido em versículos em 1551, por Robert Stephanus,
um impressor de Paris, que publicou a primeira Bíblia (Vulgata Latina) dividida em
capítulos e versículos em 1555.
6 – AS ABREVIATURAS NA BÍBLIA
Em índices e citações bíblicas, é comum o uso de abreviaturas para se referir
aos textos bíblicos. Um dos formatos convencionados segue o padrão abaixo:
1. Os dois pontos (:) separam o capítulo dos versos. Usa-se também o ponto
(.).
2. O hífen (-) indica uma faixa contínua de versos.
3. A vírgula (,) indica uma seqüência não contínua de versos.
4. O ponto-e-vírgula (;) inicia um novo capítulo do mesmo livro ou não, se
seguido de nova abreviação.
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Exemplos:
• 2 Ts 2:2-12 = Segunda Tessalonicenses, capítulo 2, versículos 2 a 12
• Gn 3.1-15 = Gênesis, capítulo 3, versículos 1 a 15.
• Rm 11:18 = Romanos, capítulo 11, versículo 18.
• Dn 9:25,27; 11.3-43 = Daniel, capítulo 9, versículos 25 e 27; e capítulo 11,
versículos 3 a 43.
• Mt 24-26; Ap 1:1-8 = Mateus, capítulo 24 ao capítulo 26; Apocalipse,
capítulo 1, versículos 1 a 8.
7 – ALGUNS TERMOS E SEUS
SIGNIFICADOS
1. Antilegômena (falar contra). São os livros bíblicos que em certos
momentos da História foram questionados por alguns.
2. Apócrifos (escondidos ou duvidosos). Livros não-bíblicos aceitos por
alguns (como a igreja católica romana), mas rejeitados por outros, por
não serem inspirados e conterem muitos erros, o que prova serem de
autoria humana e não divina.
3. Cânon. Do grego “kánon”, e do hebraico “kaneh”, regra; lista autêntica
dos livros considerados como inspirados.
4. Epístolas (cartas).
5. Evangelho (caminho; boas novas).
6. Homologoumena (falar como um). São os livros bíblicos que foram aceitos
por todos e que em momento algum foram questionados.
7. Paráfrase (tradução livre ou solta). O objetivo é traduzir “a idéia” e não as
palavras.
8. Pseudepígrafos (falsos escritos). Livros não-bíblicos (não canônicos)
rejeitados por todos. Seus escritos se desenvolvem sobre uma base
verdadeira, seguindo caminhos fantasiosos.
9. Sinópticos (síntese). Os três primeiros evangelhos são chamados de
evangelhos sinópticos, pois são muito parecidos e sintetizam a vida de
Jesus;
10. Testamento (Aliança, Pacto, Acordo).
11. Tradução (transliteração de uma língua para outra).
12. Variantes. Diferenças encontradas nas diferentes cópias de um mesmo
texto, mediante comparação. Elas atestam o grau de pureza de um
escrito;
13. Versão (tradução da língua original para outra língua).
De capa a capa a Bíblia é a mensagem do amor de Deus por nós.
Devemos estudá-la diligentemente todos os dias para termos
discernimento e crescimento espiritual e vivermos no padrão de Deus,
glorificando nosso Criador e Redentor.
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8 – CURIOSIDADES BÍBLICAS
1. Jó é o livro mais antigo da Bíblia. Acredita-se que foi escrito por Moisés,
quando esteve no deserto.
2. Foram usados 3 idiomas na confecção da Bíblia: hebraico e aramaico
(A.T.) e grego (N.T.).
3. Foi escrita em aproximadamente 1500/1600 anos, por uns 40 autores e
contém 66 livros.
4. Texto áureo da Bíblia: João 3:16.
5. A “Epístola da Alegria”, a carta de Paulo aos Filipenses, foi escrita na
prisão e as expressões de alegria aparecem 21 vezes na epístola.
6. Quem cortou o cabelo de Sansão não foi Dalila, mas um homem (Jz
16:19).
7. O nome mais cumprido e estranho de toda a Bíblia é Maer-Salal-Has-Baz
– filho de Isaías (Is 8:3-4).
8. Davi, além de poeta, músico e cantor foi o inventor de diversos
instrumentos musicais (Am 6:5).
9. O nome “cristão” só aparece três vezes na Bíblia (At 11:26; At 26:28 e 1
Pe 4:16).
10. O capítulo 19 de 2 Reis é idêntico ao 37 de Isaías.
11. 1 Cr 16:8-36 transcreve o Sl 105 na íntegra.
12. O A.T. encerra citando a palavra “maldição”; o N.T. encerra citando “a
graça de Nosso Senhor Jesus Cristo”.
13. O nome de JESUS consta no primeiro e último versículo do N.T.
14. Israel é considerada a “menina dos olhos de Deus” (Dt 32:10; Zc 2:8).
15. A Bíblia contém cerca de 3.565.480 letras, 773.692 palavras, 31.173
versículos, 1.189 capítulos e 66 livros.
16. O capítulo mais comprido é o Salmo 119.
17. O capítulo mais curto é o Salmo 117.
18. O meio exato da Bíblia é o versículo 8 do Salmo 118.
19. O versículo mais longo está em Ester 8:9.
20. O versículo mais curto é: “Não matarás” em Êxodo 20:13 (10 letras).
21. As tábuas da lei foram feitas por Deus e quebradas por Moisés, e depois
feitas por Moisés e reescritas por Deus (Êx 34:1).
22. Moisés fez o povo beber o ouro do bezerro da desobediência (Êx 32:19-
20).
23. A arca de Noé media 134 m de comprimento, 23m de largura e 14m de
altura; sua área total nos três pisos era de 9.250 (m²) e tinha um volume
total de 43.150 (m³).
24. Noé permaneceu na arca 382 dias, sendo o ano judaico de 360 dias (Gn
7:9-11; 8:13-19).
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25. Davi foi ungido três vezes obtendo uma gloriosa confirmação (1 Sm
16:13; 2 Sm 2:4; 1 Cr 11:3).
26. Salomão não era o único sábio, havia mais quatro sábios (1 Rs 4:29-31).
27. Salomão disse 3.000 provérbios e 1005 cânticos. (1 Rs 4:32).
28. O A. T. apresenta 332 profecias literalmente cumpridas na pessoa de
Jesus Cristo.
29. Paulo pregou o maior discurso descrito na Bíblia (At 20:7-11).
30. O maior profeta jamais realizou um milagre, contudo foi o pregador mais
convincente (Jo 10:41-42).
31. O “sermão do monte” poderia ser chamado de “sermão da planície” (Mt
5:1; Lc 6:17).
32. O Salmo 22 é alfabético – um versículo para cada letra do alfabeto
hebraico.
33. O Salmo 119 tem, em hebraico, 22 seções de oito versículos. Cada uma
das seções inicia com uma letra do alfabeto hebraico, de 22 letras.
Dentro das seções, cada versículo inicia com a letra da seção.
34. No livro Lamentações de Jeremias, os capítulos 1, 2 e 4 tem versículos
em número de 22 cada, compreendendo as letras do alfabeto hebraico. O
capítulo 3 tem 66 versículos, levando cada três deles, em hebraico, a
mesma letra do alfabeto.
35. A expressão “o caminho de um Sábado” corresponde ao caminho
permitido no dia de Sábado; a distância que ia da extremidade do arraial
das tribos ao tabernáculo, quando no deserto, isto é, cerca de 1.200
metros.
36. Para a leitura completa da Bíblia, são necessárias 49 horas, a saber: 38
horas para a leitura do Velho Testamento e 11 horas para a do Novo
Testamento.
37. Para lê-la de forma audível, em velocidade normal de fala, é necessário
aproximadamente 71 horas. Se você deseja lê-la em 1 ano, deve ler
apenas 4 capítulos por dia.
38. A menor Bíblia existente foi impressa na Inglaterra e pesa somente 20
gramas. Este fabuloso exemplar da Bíblia mede 4,5 cm de comprimento,
3 cm de largura e 2 cm de espessura. Apesar de ser tão pequenina,
contém 878 páginas, possui uma série de gravuras ilustrativas e pode ser
lida com o auxílio de uma lente.
39. A maior Bíblia que se conhece, contém 8.048 páginas, pesa 547 quilos e
tem 2,5 metros de espessura. Foi confeccionada por um marceneiro de
Los Angeles, durante dois anos de trabalho ininterrupto. Cada página é
uma delgada tábua de 1 metro de altura, em cuja superfície estão
gravados os textos;.
40. Foi a primeira obra impressa por Gutenberg (vulgata), em sua recém
inventada imprensa manual, que dispensava as cópias manuscritas, em
1452, em Mainz – Alemanha.
41. A Bíblia foi escrita e reproduzida em diversos materiais, de acordo com a
época e cultura das regiões, utilizando tábuas de barro, peles, papiro e
até mesmo cacos de cerâmica/louças (ostracas).
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42. Com exceção de alguns textos do livro de Esdras e de Daniel, os textos
originais do Antigo Testamento foram escritos em hebraico, uma língua
da família das línguas semíticas, caracterizada pela predominância de
consoantes.
43. A palavra “Hebraico” vem de “Hebrom”, região de Canaã que foi habitada
pelo patriarca Abraão em sua peregrinação, vindo da terra de Ur.
44. Os 39 livros que compõem o Antigo Testamento estavam compilados
desde cerca de 400 a.C., sendo aceitos pelo cânon Judaico, e também
pelos Protestantes, Católicos Ortodoxos, Igreja Católica Russa, e parte da
Igreja Católica tradicional.
45. A primeira Bíblia em português foi impressa em 1748. A tradução foi
feita a partir da Vulgata Latina e se iniciou com D. Diniz (1279-1325).
46. A primeira citação da redondeza da terra confirmava a idéia de Galileu,
de um planeta esférico. Bastava que os descobridores conhecessem a
Bíblia. (Is 40: 22).
47. A Bíblia também mostra, em seu livro mais antigo (Jó), que a Terra está
suspensa no vazio (Jó 26:7).
48. A existência de dinossauros, convivendo com humanos, está narrado na
Bíblia: o Beemonte (Jó 40:15-17), e o Leviatã (Jó 41:1), sendo que, este
último, em algumas versões deturpadas da Bíblia, consta como
“crocodilo”, o que contradiz o contexto do capítulo.
49. Na Bíblia, também lemos que a luz foi criada antes do Sol, algo que só foi
descoberto pela ciência recentemente (Gn 1:3-5).
50. Lemos que Jesus será a luz da “nova Terra” (Lc 17:24; Ap 21:23; 22:5).
51. Jesus, a luz vista por Paulo, a caminho de Damasco, é mais brilhante
que o Sol do meio-dia (At 9:3; 26:13-15).
52. A palavra fé, no Antigo Testamento, é encontrada apenas em Hc 2: 4.
53. A palavra “DEUS” aparece 2.658 vezes no V.T. e 1.170 vezes no N.T.,
num total de 3.828 vezes.
54. Há na Bíblia 177 menções ao diabo em seus vários nomes.
55. Os livros de Ester e Cantares de Salomão não possuem o nome DEUS.
56. A expressão “Assim diz o Senhor” e equivalentes aparecem cerca de 3.800
vezes na Bíblia.
57. A vinda do Senhor é referida 1845 vezes na Bíblia, sendo 1.527 no Antigo
Testamento e 318 no Novo Testamento.
58. A expressão “Não Temas!” é encontrada 366 vezes na Bíblia, o que dá
uma para cada dia do ano e mais uma para os anos bissextos.
59. No Salmo 107, há 4 versículos iguais: 8, 15, 21 e o 31.
60. Todos os versículos do Salmo 136 terminam da mesma maneira.
61. Em Êxodo 3.14, Deus, pela primeira vez, revela Seu Nome: “Eu Sou
Quem Sou”, ou Yahweh (Jeová) – Este é o nome mais comum de Deus no
Velho Testamento, aparecendo cerca de 6.800 vezes na língua original, o
Hebraico. Em nossa tradução, esse Nome vem traduzido por “Senhor” e
aparece 1.853 vezes.
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62. Adão – o homem no Jardim do Éden – o seu nome significa “ser humano”.
63. À medida que os apóstolos levaram o evangelho pelo mundo, muitas das
palavras do Senhor e muitas reminiscências sobre Ele circulavam
oralmente. Uma evidência disso ocorre quando Paulo, ao falar aos
anciãos de Éfeso, empregou uma declaração de Jesus que não consta de
parte alguma dos evangelhos (At 20:35).
64. Adão e Eva tiveram ouros filhos e filhas, o que revela de onde Caim
obteve sua esposa (Gn 5:4).
65. Sara era meio-irmã de Abraão (Gn 20:12).
66. Eva não comeu uma “maçã”, mas um fruto não especificado (Gn 3:6).
67. Os magos que visitaram Jesus não eram reis e não eram três, pois a
Bíblia diz “uns magos” (Mt 2:1).
68. A palavra Salmos, em hebraico, significa “louvores” (do grego Psallo =
Salmos).
69. A Bíblia tem 3 Autores: o Pai (2 Tm 3:16); o Filho (Gl 1:12) e o Espírito
Santo (2 Pe 1:21).
70. Os Salmos 120 ao 134 são conhecidos como “Cânticos dos Degraus”,
pois eram cantados na peregrinação a Jerusalém, quando subiam os 15
degraus do templo (15 Salmos).
71. Na leitura da Bíblia, é Deus quem fala aos corações dos homens. Na
leitura dos Salmos, geralmente, somos nós quem falamos com Deus.
72. A Bíblia é a eterna Palavra de Deus. Foi dada ao homem por Deus para
ser o absoluto, o supremo, o competente, o infalível e imutável padrão de
fé e prática.
8.1. O Livro de Isaías
1. Também conhecido como “o Evangelho do Antigo Testamento”.
2. É tido como uma miniatura da Bíblia.
3. Tem 66 capítulos, assim como a Bíblia tem 66 livros.
4. A primeira seção tem 39 capítulos/livros e corresponde à mensagem do
Antigo Testamento.
5. A segunda seção tem 27 capítulos/livros tratando do conforto, promessa
e salvação, correspondendo à mensagem do Novo Testamento.
6. Assim como o NT termina falando do novo céu e nova Terra, o mesmo
ocorre no término de Isaías (66:22).
7. O próprio nome Isaías tem semelhança com o significado do nome de
Jesus: Isaías quer dizer Salvação de Jeová e Jesus, Jeová é Salvação.
Algo muito significante é que a Bíblia contém três advertências solenes contra
qualquer tentativa de acrescentar (ou diminuir) palavras ao livro inspirado de
Deus e esta significação é grandemente acentuada pelo fato de que a primeira
de tais advertências foi escrita pelo primeiro de todos os escritores da Bíblia,
enquanto que a terceira foi escrita pelo último dos escritores:
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Moisés que teve visão, dada pelo Espírito, do passado desconhecido, escreveu
a primeira: Dt 4:2; 12:32.
Salomão, o homem mais sábio que já viveu, escreveu a segunda: Pv 30:6; Ec
3:14;
João, para quem foi dada tão maravilhosa revelação do futuro, escreveu a
terceira: Ap 22:18-19.
9 – DIVISÃO DOS LIVROS DA
BÍBLIA
Nós, cristãos (igreja), agrupamos os 39 livros do Antigo Testamento em:
1. 5 da Lei, ou Pentateuco (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e
Deuteronômio).
2. 12 históricos (Josué, Juízes, Rute, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, 1 e 2
Crônicas, Esdras, Neemias e Ester).
3. 5 poéticos (Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cantares).
4. 5 profetas maiores (Isaías, Jeremias, Lamentações, Ezequiel e Daniel).
5. 12 profetas menores (Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miqueáis,
Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias).
9.1. A Tanakh (o A. T. dos judeus) e a divisão de
Flávio Josefo (Lc 24:44)
TEXTO MASSORÉTICO
FLÁVIO JOSEFO
22 livros
TORÁH
(A Lei)
Gênesis, Êxodo, Levíticos,
Números e Deuteronômio.
Chumash (os cinco livros)
ou Pentateuco.
Gênesis, Êxodo, Levítico,
Números, Deuteronômio
NEBI’IM
(Profetas)
Profetas anteriores – Josué,
Juizes, Samuel, Reis.
Profetas posteriores –
Isaías, Jeremias, Ezequiel e
Os 12 Profetas Menores.
Josué, Juizes (inclui Rute),
Samuel, Reis, Isaías,
Jeremias, Lamentações,
Ezequiel, Os 12 Profetas
Menores, Daniel,
Eclesiastes, Esdas (inclui
Neemias), Ester, Crônicas.
KETHUBHIM
(Escritos)
do gr. Hagiographos
Poesia e sabedoria –
Salmos, Jó e Provérbios.
“Megilloth” – Rute,
Cantares, Eclesiastes,
Lamentações e Ester.
Poesia e Sabedoria –
Salmos, Provérbios, Jó e
Cantares
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História – Daniel, Esdras-
Neemias e Crônicas.
9.2. Considerações Sobre a Divisão da “Bíblia
Judaica”
1. Os Profetas e os Escritos: também eram conhecidos pelos nomes dos seus
primeiros livros, “Isaías” e “Salmos”, respectivamente.
2. Profetas Posteriores: porque exerceram o ministério no período
compreendido entre os cativeiros Assírio e Babilônico até o retorno dos
judeus à Palestina, após 70 anos sob o domínio babilônico.
3. Os livros históricos são de autores que não eram profetas oficiais, mas que
possuíam o dom de profecia.
4. O Rolo dos Doze – XII inclui os livros de: Oséias, Joel, Amós, Obadias,
Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias.
5. Os Cinco rolos (Megilloth) são cada um usado na ocasião de uma festa
específica: Cantares na Páscoa; Rute no Pentecostes; Lamentações no dia 9
do mês Abibe (no aniversário da destruição de Jerusalém); Eclesiastes na
Festa dos Tabernáculos; Ester na Festa de Purim.
6. O primeiro livro da Escritura hebraica é Gênesis e o último Crônicas (Mt
23:35; Gn 4:8; 2 Cr 24:20-22).
7. No Cânon hebraico, como no nosso Cânon, os livros não estão em ordem
cronológica.
8. No Cânon hebraico são apenas 24 livros, visto que os seguintes livros são
assim considerados: Samuel (engloba 1 e 2 Sm), Crônicas (engloba 1 e 2
Cr), Reis (engloba 1 e 2 Rs), Os Doze (são contados como um só livro),
Esdras (inclui Neemias). [39 livros menos 15 = 24).
9. Flávio Josefo, historiador judeu reduziu os 24 livros para 22 livros, em
correspondência às 22 letras do alfabeto hebraico, combinando Rute com
Juízes e Lamentações com Jeremias.
10. O Novo Testamento menciona uma divisão tripla do Antigo Testamento: “A
Lei, os Profetas e os Salmos” (Lucas 24:44).
11. Jesus Cristo mencionou estas 3 divisões do V. T. em Lc 11:49-51, Lc 24:44
e Mt 23:34-36.
12. O livro de Eclesiástico (apócrifo), escrito em cerca de 130 antes de Cristo
fala em “a lei, os profetas e os outros escritos”. Confira Mateus 23:35 e
Lucas 11:51 que refletem o arranjo da Bíblia Hebraica.
“O Novo Testamento está no Antigo Testamento ocultado, e o Antigo
Testamento, no Novo Testamento revelado”.
9.3. Divisão dos Livros do Novo Testamento
Os 27 livros do Novo Testamento são:
A. Biografia. Os 4 Evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João.
B. História: Atos.
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C. Doutrina. As 21 epístolas. São dividias em:
• Epístolas Doutrinárias, dirigidas às igrejas locais: Romanos, 1 e 2
Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses e 1 e 2
Tessalonicenses.
• Epístolas Pastorais: 1 e 2 Timóteo, Tito, Filemon, 2 e 3 João.
• Epístolas Universais: Hebreus, Tiago, 1 e 2 Pedro, 1 João e Judas.
D. Profecia: Apocalipse.
10 – DIVISÃO CRISTOCÊNTRICA
Os crentes anteriores a Cristo olhavam adiante com grande expectativa (1 Pe
1:11-12), ao passo que os crentes de nossos dias vêem em Cristo a
concretização dos planos de Deus.
A Bíblia pode ser dividida na estrutura geral e Cristocêntrica. Isso se baseia
nos ensinos do próprio Jesus, cerca de cinco vezes no Novo Testamento (Mt 5:17; Lc
24:27; Jo 5:39; Hb 10:7).
Sim, Cristo é o centro e o coração da Bíblia, porque o Antigo Testamento
descreve uma NAÇÃO e o Novo Testamento descreve um HOMEM. Toda a Bíblia se
converge para Cristo, como deixa claro João 20:31.
Cristo é a nossa Palavra Viva (Apocalipse 19:13) que percorre todas as páginas
das Sagradas Escrituras. Examine ainda Lc 24:44. Considerando CRISTO como o
tema central da Bíblia, toda ela poderá ficar resumida assim:
Centro = lugar de equilíbrio / Jesus = equilíbrio perfeito
A Árvore da Vida, um tipo de Cristo, está no centro (Gn 2:9). O Sl 118:8 é o
centro da Bíblia (594 capítulos antes e 594 capítulos depois). O Tabernáculo,
um tipo de Cristo, ficava no centro do acampamento (Lv 26:11). Jesus, quando
era criança, era o centro das atenções (Lc 2:46). Ele está no meio (centro) dos
crentes (Mt 18:20). Foi crucificado entre dois ladrões (Mt 27:38). Jesus
ressuscitado apareceu no meio dos discípulos (Jo 20:19). Vide também Ap
1:13; 5:6.
10.1. Cristo – A Mensagem Central da Bíblia
1. No Antigo Testamento: Jesus virá. De uma forma geral, todo o A. T.
trata da preparação para o advento de Cristo.
a. Livros da Lei: Fundamento da chegada de Cristo.
b. Livros Históricos: Preparação para a chegada de Cristo.
c. Livros Poéticos: Anelo pela chegada de Cristo.
d. Livros Proféticos: Certeza da chegada de Cristo.
2. No Novo Testamento: Jesus já veio. O N. T. trata da manifestação de
Jesus Cristo.
a. Nos Evangelhos: Manifestação de Cristo ao mundo, como
Redentor.
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b. Nos Atos: Propagação de Cristo, por meio da igreja.
c. Nas Epístolas: Explanação, interpretação e aplicação de Cristo.
São os detalhes da doutrina.
d. Na Profecia: Consumação de todas as coisas em Cristo.
Desta forma, tendo Cristo como tema central, podemos resumir todo o Antigo
Testamento numa frase: JESUS VIRÁ, e o Novo Testamento noutra frase: JESUS JÁ
VEIO (é claro, como Redentor).
Assim, as Escrituras sem a pessoa de JESUS seriam como a Física sem a
matéria e a Matemática sem os números.
Já imaginou um cristão sem a Bíblia?
11 – ANÁLISE DOS LIVROS DA
BÍBLIA
11.1. Antigo Testamento
A. Três Pensamento Básicos do Antigo Testamento
1. A Promessa de Deus a Abraão – “todas as nações seriam abençoadas”
2. O Concerto de Deus com a nação hebraica – Se O servissem fielmente,
prosperariam. Em estabelecer a nação hebraica, o objetivo FINAL de Deus
foi trazer CRISTO ao mundo. O objetivo IMEDIATO de Deus foi estabelecer,
em terra idólatra, em preparação para a vinda de Cristo, a idéia de que há
UM só Deus Vivo e Verdadeiro. A bênção dessa nação se comunicaria ao
mundo.
3. A Promessa de Deus a Davi – “que sua família reinaria para sempre…”
Portanto, concluímos que (cf. Êx 19:5-6; Dt 4:5-8; Rm 9:4-5; Jo 4:22):
1. A nação hebraica foi estabelecida para que, por ela, o mundo inteiro fosse
abençoado. A NAÇÃO MESSIÂNICA.
2. O meio pelo qual a benção da nação hebraica se comunicaria ao mundo
seria a família de Davi. A FAMÍLIA MESSIÂNICA.
3. O modo pelo qual a bênção da família de Davi se comunicaria ao mundo
seria o grande Rei que nasceria dela: O MESSIAS.
B. O Antigo Testamento é dividido em quatro partes.
1. Pentateuco, Livros da Lei ou Torah
a. Gênesis – Como a palavra bem indica, é o livro dos princípios: do
céu e da Terra, das ilhas e dos mares, dos animais e do homem.
Com Abraão, temos o começo de uma raça, um povo, uma revelação
divina particular e finalmente uma igreja.
b. Êxodo – Relata o povo de Deus escravizado no Egito e a grande
libertação divina, usando a instrumentalidade de Moisés.
c. Levítico – Leis acerca da moralidade, limpeza, alimentos, sacrifícios,
etc.
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d. Números – Relata a peregrinação de Israel, quarenta anos pelo
deserto.
e. Deuteronômio – Repetição das leis.
2. Livros Históricos
a. Josué – Trata da conquista de Canaã. O milagre da passagem do Rio
Jordão, a queda das muralhas de Jericó, a vitória sobre as sete
nações cananéias, a divisão da terra prometida e, finalmente, a
morte de Josué com cento e dez anos.
b. Juízes – Várias libertações através dos quinze juízes.
c. Rute – A linda história de Rute, uma ascendente de Davi e de Jesus
Cristo.
d. 1 e 2 Samuel – Relatam a história de Samuel, da implantação da
monarquia, sendo Saul o primeiro rei ungido por Samuel, Samuel
como o último juiz e a história de Davi.
e. 1 e 2 Reis – Relatam a edificação do Templo de Jerusalém, a divisão
do reino. Ministério de Elias e Eliseu. Ainda em II Reis, está relatado
o cativeiro do Reino do Norte pelos exércitos assírios, e do Sul com o
poderio caldeu de Nabucodonossor.
f. 1 e 2 Crônicas – Registram os reinados de Davi, Salomão e dos reis
de Judá até a época do cativeiro babilônico.
g. Esdras – Relata o retorno de Judá do cativeiro babilônico com
Zorobabel e a reconstrução do templo de Jerusalém.
h. Neemias – Relata a história da reedificação das muralhas de
Jerusalém.
i. Ester – Relata a libertação dos judeus por Ester e o estabelecimento
da festa de Purim.
3. Livros Poéticos
a. Jó – Sofrimento, paciência e libertação de Jó.
b. Salmos – Cânticos espirituais, proclamações, poemas e orações.
c. Provérbios – Dissertações sobre sabedoria, temperança, justiça, etc.
d. Eclesiastes – Reflexões sobre a vida, deveres e obrigações perante
Deus.
e. Cantares de Salomão – Descreve o amor de Salomão pela jovem
sulamita, simbolizando o amor de Jesus pela igreja.
4. Profetas Maiores
a. Isaías – Muitas profecias messiânicas. É considerado o profeta da
redenção. O livro contém maldições pronunciadas sobre as nações
pecadoras.
b. Jeremias – Tem por tema a reincidência, o cativeiro e a restauração
dos judeus. Jeremias é considerado “o profeta chorão”.
c. Lamentações – Clamores de Jeremias, lamentando as aflições de
Israel.
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d. Ezequiel – Um livro que contém muitas metáforas para descrever a
condição, exaltação e a glória futura do povo de Deus.
e. Daniel – Visões apocalípticas.
5. Profetas Menores
a. Oséias – Relata a apostasia de Israel, caracterizada como adultério
espiritual. Contém muitas metáforas que descrevem os pecados do
povo.
b. Joel – Descreve o arrependimento de Judá e as bênçãos. “O Dia do
Senhor” é enfatizado como um Dia de juízo e também de bênçãos.
c. Amós – Através de visões, o profeta reformador denuncia o egoísmo e
o pecado.
d. Obadias – A condenação de Edom e a libertação de Israel.
e. Jonas – Relata a história de Jonas, o missionário que relutou para
levar a mensagem de Deus à cidade de Nínive. O mais bem sucedido
dentre os profetas. Um dos profetas que pregou o arrependimento ao
povo. O povo se arrependeu e o profeta ficou triste e desejou a
morte.
f. Miquéias – Condição moral de Israel e Judá. Também prediz o
estabelecimento do reino messiânico.
g. Naum – A destruição de Nínive e a libertação de Judá da opressão
assíria.
h. Habacuque – O grande questionamento do profeta a Deus. Como
pode Deus ser Justo e permitir que uma nação pecadora oprima
Israel? Contém uma das mais belas orações da Bíblia.
i. Sofonias – Ameaças e visão da glória futura de Israel.
j. Ageu – Repreende o povo por negligenciar a construção do segundo
templo e promete a volta da glória de Deus.
k. Zacarias – Através de visões, profetiza o triunfo final do reino de
Deus. Zacarias ajudou a animar os judeus a reconstruírem o
templo. Foi contemporâneo de Ageu.
l. Malaquias – Descrições que mostram a necessidade de reformas
antes da vinda do Messias.
Terminamos o Velho Testamento com a palavra “maldição”. Até aqui Cristo foi
prometido, mas não visto. A Esperança era prevista, mas não obtida.
Divide-se em quatro períodos da História de Israel:
1. Teocracia (Juízes)
2. Monarquia (Saul, Davi, Salomão)
3. Divisão do Reino e Cativeiro (Judá, Israel)
4. Período pós-cativeiro
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C. Cronograma dos profetas do Antigo Testamento
CRISE
ASSÍRIA
CRISE
BABILÔNICA
DURANTE O
CATIVEIRO
BABILÔNICO
APÓS O
CATIVEIRO
BABILÔNICO
Joel
Amós
Jonas
Oséias
Isaías
Miquéias
Naum
Sofonias
Habacuque
Jeremias
Lamentações
Obadias
Daniel
Ezequiel
Ageu
Zacarias
Malaquias
Por quase 400 anos, Deus não chamou nenhum profeta para dizer “assim diz
o Senhor”. Em todo este tempo (de 397 a.C. até 6 a.C.), nenhum escritor inspirado
apareceu. Por isto, este período é chamado de: “Os Anos Silenciosos”, “O Período
Intertestamentário” ou “O Período Negro”. Os livros apócrifos são deste período.
11.2. Novo Testamento
O Velho Testamento mostra o problema, mas não revela completamente a
solução. O Novo Testamento dá a resposta ao problema e aponta a solução: Jesus
Cristo.
O Novo Testamento também tem quatro divisões.
1. Os Evangelhos ou Biográficos
A. Mateus, Marcos, Lucas e João – Tratam do nascimento, vida, obra, morte,
ressurreição e ascensão de Um Homem chamado Jesus, O Filho de Deus, O
Messias Prometido a Israel. A questão central é a carreira terrena de Jesus Cristo.
Os temas e as datas dos Evangelhos:
Mateus: O Prometido está – veja o Seu reinado/soberania (Suas qualificações).
Marcos: Assim Ele trabalhou – veja o Seu trabalho (Seu poder).
Lucas: Assim Ele era – veja a Sua humanidade (Sua natureza).
João: Assim Ele é – veja a Sua divindade.
Mateus (40-55 d.C.): Foi escrito para os JUDEUS. Faz conexão com o Velho
Testamento (as Escrituras Hebraicas). Revela o Messias como o REI prometido do
Velho Testamento aos Judeus, O soberano que veio ordenar e reinar (autoridade Mt
1:1; 16:16-19; 28:18-20). Traz a linhagem/genealogia “Real” de Jesus (Rei) até Suas
raízes judaicas, como Filho do Rei Davi (conf. Mt 1:1). O Novo Testamento é o
cumprimento do Velho Testamento – note logo no começo do Novo Testamento o que
diz Mateus 1:22. É por isto que Deus diz em Mateus: “Este é o meu amado Filho em
quem me comprazo: escutai-O” (Mt 17:5). É o evangelho que mais traz profecias.
Marcos (57-63 d.C.): Foi escrito para o povo ROMANO. Representa o Messias
como o SERVO Fiel e Obediente de Deus, Aquele que veio servir e sofrer (Mc 10:45).
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Não traz genealogia, pois para o servo, isso não conta, pois servo não é uma pessoa
de quem se procure uma genealogia. Marcos é um judeu-gentio (João Marcos), cujo
nome faz conexão com o judeu e o gentio. Relata mais milagres, pois os romanos se
interessavam mais por ações/resultados que palavras.
Lucas (63 d.C.): Foi escrito para os GREGOS. Relata o Messias como o
Homem Perfeito, o FILHO DO HOMEM, Aquele que veio repartir e Se compadecer
(Lc 19:10). Os gregos gostavam de tudo detalhado. Lucas tem genealogia,
mostrando que Jesus é Perfeito. Traz a linhagem/genealogia “humana” de Jesus até
o primeiro homem, Adão, mostrando Jesus como Homem Perfeito (conf. Lc 3:38).
Mesmo tentado na carne, Ele continuou Perfeito. Lucas era um médico e um gentio
(narra o sofrimento de Cristo em detalhes que só um médico poderia fazer).
João (90 d.C.): foi escrito para TODO O MUNDO, com o propósito de levar o
homem a Cristo. João apresenta Jesus como o FILHO DE DEUS, Aquele que veio
revelar e redimir (Jo 1:1-4; 20:31). Tudo no evangelho de João ilustra e demonstra o
relacionamento de Cristo com o Pai. É onde Jesus trata mais a Deus como Pai
(Abba Pai). Não traz genealogia, pois, Jesus Cristo, sendo 100% Deus, é Eterno,
sem princípio, meio ou fim. Sua linhagem é “espiritual”, eterna!!!
Os sinópticos diferem do Evangelho de João nas seguintes maneiras:
Mateus, Marcos e Lucas João
Os fatos da vida exterior de Cristo
Os aspectos da Sua vida humana
Os Seus discursos públicos
O ministério na Galiléia
A vida íntima de Cristo
A vida divina de Cristo
Os discursos pessoais
O ministério na Judéia
A crítica está cada vez mais voltando ao ponto de vista tradicional quanto à
data e autoria de diversos livros. Há razão para crermos que os Evangelhos
sinópticos foram escritos na ordem: Mateus, Lucas e Marcos. Orígenes
freqüentemente os cita nessa ordem e Clemente de Alexandria, antes dele,
coloca os Evangelhos que contêm genealogia primeiro, com base na tradição
que ele recebeu dos “antigos antes dele”. De acordo com Euzébio, H. E., Vi.
Xiv. Esta opinião é reforçada pela consideração de que os Evangelhos
surgiram das circunstâncias e ocasiões da época. (Palestras em Teologia
Sistemática, Henry Clarence Thiessen (Ed. Batista Regular, pág 58).
Os quatro relatam os tipos mostrados em Ezequiel 1.10 e em Apocalipse 4.6-8,
ilustrando os quatro animais “no meio do trono, e ao redor do trono” com a
semelhança de:
1. Leão (Mateus – rei),
2. Bezerro (Marcos – servo),
3. Rosto como de homem (Lucas – filho do homem) e
4. Semelhante a uma águia voando (João – filho de Deus).
2. Históricos
Atos dos Apóstolos: Propagação do Evangelho. Trata dos resultados da morte
e da ressurreição de Jesus Cristo, com a propagação das “Boas Novas”, por impulso
e liderança do Espírito Santo, começando em Jerusalém, Judéia, Samaria e até os
confins da Terra.
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3. Epístolas
Os fundadores das igrejas, freqüentemente impossibilitados de visitá-las
pessoalmente, desejavam entrar em contato com seus convertidos no
propósito de aconselhá-los, repreendê-los e instruí-los. Assim surgiram as
Epístolas.
(Circulação das epístolas: 1 Ts 5:27; Cl 4:16; 1 Pe 1:1-2; 2 Pe 3:14-16; Ap 1:3)
Epístolas Paulinas: a) 9 dirigidas a igrejas: Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas,
Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses; b) 4 dirigidas a indivíduos:
1 e 2 Timóteo, Tito, Filemom.
Epístolas Gerais: a) 1 dirigida a um povo: Hebreus; b) 7 universais: Tiago, 1 e
2 Pedro, 1, 2 e 3 João, Judas.
As epístolas de Filipenses, Efésios e Colossenses são chamadas Epístolas da
Prisão, escritas por Paulo, durante sua prisão em Roma.
IMPORTANTE: As Cartas Paulinas apresentam a Teologia para a Igreja. A
essência do que Deus tem para a Igreja está nas Cartas. O crente deve se guiar
pelas Cartas Paulinas e não pelas regras e leis do Antigo Testamento. Elas foram
escritas para orientar, instruir e exortar os crentes a viverem uma vida cristã plena,
frutífera, operosa, abundante, VITORIOSA. Leia as Cartas! Medite!!!
4. Profético
Apocalipse: Revelação, Consumação e Juízo de Deus. Um novo Céu e uma
nova Terra.
Cada livro da Bíblia deve ser estudado convenientemente para que o seu
ensino seja aprendido, retido na mente e no coração, colocando os princípios
em prática.
12 – AS LÍNGUAS E OS MATERIAIS
DA BÍBLIA
12.1. A Era da Escrita
Parece que a escrita se desenvolveu durante o IV milênio a.C. No II milênio
a.C. várias experiências conduziram ao desenvolvimento do alfabeto e de
documentos escritos por parte dos fenícios. Tudo isso se completou antes da época
de Moisés, que escreveu alguns Livros do Pentateuco aproximadamente em 1491
a.C.
Já em 3500 a.C. os sumérios usavam tabuinhas de barro para a escrita
cuneiforme, e registraram, por exemplo, a descrição sumeriana do dilúvio (o Épico
de Gilgamesh), que teria sido gravada em 2100 a.C.
Os egípcios (em 3100 a.C.) apresentavam documentos escritos em hieróglifos
(pictografia = desenhos, pinturas).
A partir de 2500 a.C. usavam-se textos pictográficos em Biblos (Gebal) e na
Síria. Em Cnosso e em Atchana, grandes centros comerciais, apareceram registros
gravados anteriores à época de Moisés. Outros elementos correspondentes de
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meados a fins do II milênio a.C. acrescentam mais evidências de que a escrita já se
havia desenvolvido bem antes da época de Moisés.
Em suma, Moisés e os demais autores da Bíblia escreveram numa época em
que a humanidade estava “alfabetizada”, ou melhor, já podia comunicar seus
pensamentos por escrito.
12.2. As Línguas Bíblicas
As línguas utilizadas no registro da revelação de Deus, a Bíblia, vieram das
famílias de línguas semíticas e indo-européias. Da família semítica, originaram-se
as línguas básicas do Antigo Testamento, quais sejam: o Hebraico e o Aramaico
(Siríaco: 2 Rs 18:26; Ed 4:7; Dn 2:4). Além dessas línguas, o Latim e o Grego
representam a família indo-européia. De modo indireto, os fenícios exerceram um
papel importante na transmissão da Bíblia, ao criar o veículo básico que fez com
que a linguagem escrita fosse menos complicada do que havia sido até então:
inventaram o ALFABETO.
12.3. As Línguas do Antigo Testamento
O Hebraico é a língua principal do Antigo Testamento, especialmente
adequada para a tarefa de criar uma ligação entre a biografia do povo de Deus e o
relacionamento do Senhor com esse povo. O Hebraico se encaixou bem nessa tarefa
porque é uma língua pictórica (= desenhos). Expressa-se mediante metáforas
vívidas e audaciosas, capazes de desafiar e dramatizar a narrativa dos
acontecimentos. Além disso, o Hebraico é uma língua pessoal. Apela diretamente ao
coração e às emoções, e não apenas à mente e à razão.
É uma língua em que a mensagem é mais sentida que meramente pensada.
É chamada no A. T. de “língua de Canaã” (Is 19:18) e “língua Judaica” (Is
36:11-13; Ne 13:24; 2 Rs 18:26-28). Ela, provavelmente, desenvolveu-se a partir do
antigo hebraico falado por Abraão, em Ur dos caldeus (Gênesis 14.13) e vários
estudiosos crêem que esse hebraico era anterior a Abraão e que era a “mesma
língua” e “a mesma fala” dos tempos pré-Babel (Gênesis 11.1). Em outras palavras,
crêem que essa era a língua original do homem.
A língua hebraica é conhecida como “quadrática” e suplanta em beleza a todas
as outras escritas. Possui raiz triconsonantal (3 consoantes). Lê-se da direita para
esquerda, seu alfabeto se compõe de 22 letras e serve também para representar
números.
As 22 letras do Hebraico se encontram no Sl 119 e no Livro de Lamentações.
Em Gn 31:47, vemos Labão (vindo da Caldéia), falar em Aramaico e Jacó
(vindo de Canaã), falar em Hebraico.
O Aramaico (uma língua cognata, muito próxima do hebraico) era a língua dos
sírios, tendo sido usada em todo o período do Antigo Testamento. Na verdade,
substituiu o hebraico no tempo do cativeiro. Era falado desde 2000 a.C., em Arã, na
Síria. Tinha o mesmo alfabeto do Hebraico, mas diferenciava no som e estrutura
das palavras. Era a língua “comercial” do mundo antigo, quando a Assíria e a
Babilônia dominaram o mundo da época (cativeiros). Era a língua diplomática, no
tempo de Senaqueribe (705-681 a.C.). Depois do Cativeiro Babilônico (500 a.C.),
tornou-se a língua comum naquela região.
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Durante o século VI a.C., o Aramaico se tornou a língua geral de todo o
Oriente Próximo. Seu uso generalizado se refletiu nos nomes geográficos e nos
textos bíblicos de Esdras (4:8-6:18; 7:12-26), pelo fato de ser o aramaico a língua
oficial do Império Persa; um versículo em Jeremias (10:11), onde há a citação de um
provérbio aramaico; e uma parte relativamente grande do livro de Daniel (2:4 a
7:28), onde o aramaico é usado, provavelmente, por ser uma seção inteira que trata
das nações do mundo.
12.4. As Línguas do Novo Testamento
As línguas semíticas também foram usadas na redação do Novo Testamento.
Na verdade, Jesus e Seus discípulos falavam o Aramaico, sua língua materna,
tendo sido essa a língua falada por toda aquela região na época.
As expressões “Talita cumi” (Mc 5:41); “Eli, Eli, lamá sabactâni” (Mt 27:46);
“Maranata” (1 Co 16:22); “Aba Pai” (Rm 8:15; Gl 4:6) são em Aramaico.
O Hebraico fez sentir mais sua influência mediante expressões idiomáticas,
como uma que, no português, quer dizer “e sucedeu que”. Outro exemplo da
influência hebraica no texto grego vemos no emprego de um segundo substantivo,
em vez de um adjetivo, a fim de atribuir uma qualidade a algo ou a alguém, como
ocorre na 1 Ts 1:3. O epitáfio na cruz de Cristo (o Nome de Deus = YHWH) é em
Hebraico.
Além das línguas semíticas a influenciar o N. T., temos as indo-européias, o
Latim e o Grego. O Latim influenciou ao emprestar muitas palavras, como
“centurião”, “tributo” e “legião”, e pela inscrição trilíngue na cruz (em Latim, em
Hebraico e em Grego).
No entanto, a língua em que se escreveu o N. T. foi o Grego. Até fins do século
XIX, cria-se que o grego do N. T. (o Grego helenístico, koinê = comercial) era a
“língua especial” do Espírito Santo; mas, a partir de então, essa língua tem sido
identificada como um dos cinco estágios do desenvolvimento da língua grega.
Esse grego koinê era a língua mais amplamente conhecida em todo o mundo
do século I. O alfabeto havia sido tomado dos fenícios. Seus valores culturais e
vocabulário cobriam vasta expansão geográfica, vindo a tornar-se a língua oficial
dos reinados em que se dividiu o grande império de Alexandre, o Grande, uma
língua quase universal.
O aparecimento providencial dessa língua, ao lado de outros desenvolvimentos
culturais, políticos, sociais e religiosos, ampla rede de estradas, progresso, etc.,
durante o século I a.C., fica implícito na declaração de Paulo: “Mas, vindo a
plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei”
(Gl 4:4).
Grego: 25 letras, começando no Alfa e terminando no Ômega.
Jesus Se identifica com o N.T., que foi escrito em Grego, ao declarar: “Eu sou o
Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, o primeiro e o derradeiro” (Ap 22:13).
O Grego do N. T. se adaptou de modo adequado à finalidade de interpretar a
revelação de Cristo em linguagem teológica. Tinha recursos linguísticos especiais
para essa tarefa, por ser um idioma intelectual. Era a segunda língua dos escritores
do N.T., com exceção de Lucas.
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O Grego é um idioma da mente, mais que do coração (como o Hebraico), e os
filósofos atestam isso amplamente. O Grego tem precisão técnica de expressão
não encontrada no Hebraico. Além disso, o Grego era uma língua quase
universal.
A verdade do A. T. a respeito de Deus foi revelada inicialmente a uma nação,
Israel, em sua própria língua, o Hebraico.
A revelação completa, dada por Cristo, no Novo Testamento, não veio de forma
tão restrita. Em vez disso, a mensagem de Cristo deveria ser anunciada ao mundo
todo, por isto, era necessária uma língua universal: “… em seu nome se pregará o
arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por
Jerusalém” (Lc 24:47).
13 – OS MATERIAIS DA ESCRITA
Os autores da Bíblia empregaram os mesmos materiais para a escrita, que
estavam em uso no mundo antigo.
O papiro foi usado na antiga Gebal (Biblos) e no Egito, por volta de 2100 a.C.
Eram folhas de uma planta, cuja popa era cortada em tiras que eram colocadas
superpostas umas às outras de forma cruzada, coladas, prensadas e depois polidas.
Eram escritas de um lado apenas. A cor era amarelada. Foi o material que o
apóstolo João usou para escrever o Apocalipse (Ap 5:1) e suas cartas (2 Jo 12).
A antiga Gebal é atualmente a cidade de Jubayl (nome árabe) e fica a 42 km
de Beirute. É considerada a cidade mais antiga do mundo. Seu nome em
Grego é Biblos, pois de lá vinham os papiros (biblos).
O velino, o pergaminho e o couro são palavras que designam os vários estágios
de produção de um material de escrita feito de peles de animais curtida e preparada
para a escrita. Seu uso generalizado vem dos primórdios do Cristianismo, mas já
era conhecido em tempos remotos, pois temos uma menção de Isaías 34:4 sobre um
livro que era enrolado.
O velino era a pele de bezerros e antílopes. O pergaminho era a pele de ovelhas
e cabras.
Tudo indica que o termo pergaminho derivou o seu nome da cidade Pérgamo,
na Ásia menor, cujo Rei, Eumenes II (159 – 197 d.C.), fez uma grande biblioteca
para rivalizar com a de Alexandria no Egito, haja vista que o Rei do Egito havia
cortado o suprimento de papiro. O Novo Testamento menciona este material gráfico
em 2 Tm 4:13 e Ap 6:14. O velino era desconhecido até 200 a.C., pelo que Jeremias
teria tido em mente o couro (Jr 36:23).
O A.T. foi escrito basicamente no couro, pois o Talmude assim o exigia. O N.T.
foi escrito basicamente em papiro. No século IV A.D., foi utilizado o velino para os
manuscritos.
Outros materiais para a escrita eram o metal (Êx 28:36), a tábua recoberta de
cera (Is 30:8; Hc 2:2; Lc 1:63), as pedras preciosas (Êx 39:6-14) e os cacos de louça
(óstracos), como mostra Jó 2:8. O linho era usado no Egito, na Grécia e na Itália,
embora não tenhamos indícios de que tenha sido usado no registro da Bíblia.
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13.1. A Tinta e os Instrumentos de Escrita
A tinta utilizada pelos escribas era uma mistura de carvão em pó com uma
substância líquida parecida com a goma arábica (Jr 36:18; Ez 9:2; 2 Co 3:3; 2 Jo
12; 3 Jo 13).
Para a escrita em papiro e pergaminho, os escribas usavam penas de aves,
pincéis finos e um tipo de caneta feita de madeira porosa e absorvente. Para uso em
cera, utilizavam um estilete de metal (Is 30:8).
13.2. Os Tipos da Escrita dos Manuscritos
Alguns tipos de escrita utilizados nos manuscritos são:
A. Uncial: os mais antigos manuscritos gregos só usavam letras maiúsculas
desenhadas e sem separação entre palavras. Datam do IV século A.D.
B. Cursivo: Era o tipo de escrita onde letras minúsculas eram conectadas com
espaço entre palavras, pois, naquela época (séc. VI a X d.C.), havia maior
necessidade de cópias dos manuscritos.
C. Sinais Vocálicos: Mais ou menos ao redor dos anos 500 a 900 d.C., eruditos
judeus chamados Massoretas introduziram um sistema de pontos colocado acima,
abaixo e entre o texto consonantal do Velho Testamento, de forma a marcar a
vocalização do texto. Além disto, eles cercaram o texto de uma série de anotações
chamadas Massorah que garantiam a imutabilidade do texto. Estes pontos,
chamados pontos vocálicos, exerceriam a função de vogais, mas tinham a vantagem
de nada acrescentar ou tirar do texto consonantal inspirado. Este sistema
preservou a pronúncia do Hebraico que, nesta época, era a língua dos eruditos
judeus. Foi o texto hebraico preservado por este grupo de eruditos judeus que
chegou aos dias de hoje.
IMPORTANTE: É conveniente lembrarmos que, nos manuscritos mais antigos,
não era usado um sistema de pontuação. E, também, é bom lembrarmos que não
há nenhum manuscrito original preservado nos dias de hoje (para se evitar a
idolatria!!!).
13.3. O Formato dos Manuscritos
Os manuscritos do Antigo Testamento tinham os formatos de livros (códices) e
rolos. Os códices eram feitos de pergaminho cujas folhas tinham normalmente 65
cm de altura por 55 cm de largura. Os rolos podiam ser de papiro ou pergaminho.
Eram presos a um cabo de madeira para facilitar o manuseio durante a leitura.
Eram enrolados da direita para a esquerda. Sua extensão dependia da escrita a ser
feita.
14 – A BÍBLIA É INSPIRADA
Jesus Cristo ensinou que a Bíblia é infalivelmente inspirada (Jo 10:35b;
17:17; Mt 4:4; 5:17-18) e também eterna e perfeitamente preservada por Deus (Mt
4:4; 5:18; 24:25, Lc 16:17; 21:33; 24:44)
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Juramento de John Burgon: “Juro pelo Nome do Deus Triúno: Pai, Filho e
Espírito Santo, que creio que ‘a Bíblia não é outra coisa senão a voz d’Aquele
que está sentado no trono. Cada livro dela, cada capítulo dela, cada versículo
dela, cada palavra dela, cada sílaba dela, cada letra dela, são elocuções diretas
do Altíssimo. A Bíblia não é nada mais que a Palavra de Deus; nenhuma parte
dela é mais, nenhuma parte dela é menos, mas todas as partes de igual modo,
são expressões d’Aquele que está sentado no Trono, sem defeito, sem erro,
supremas.’ Assim ajude-me Deus, AMÉM”.
Inspiração é o homem escrevendo o que Deus revelou. A Inspiração é o
registro escrito das revelações de Deus e daquilo que Ele quis que os escritores
registrassem por escrito. A inspiração, portanto, é o processo pelo qual Deus
manifesta uma influência sobrenatural sobre certos homens, capacitando-os para
registrar acurada e infalivelmente o que quer que tenha sido revelado. “Homens
santos de Deus”, lemos, “falaram inspirados pelo Espírito Santo” (2 Pe 1:21). O
resultado desse processo é a Palavra de Deus escrita, a “escritura da verdade” (Dn
10:21).
14.1. O Processo de Inspiração
A própria Bíblia clama ser a Palavra de Deus. O termo “inspiração” é o termo
teológico tirado da Bíblia que expressa a verdade que a Bíblia é a Palavra de Deus.
Talvez a melhor definição de inspiração seja a de L. Gaussen: “aquele
inexplicável poder que o Espírito divino estendeu antigamente aos autores das
Sagradas Escrituras, para que fossem dirigidos mesmo no emprego das
palavras que usaram, e para preservá-los de qualquer engano ou omissão”.
Para entendermos a inspiração, devemos olhar para dois versículos clássicos
das Escrituras, a seguir:
A. “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para
redargüir, para corrigir, para instruir em justiça” (2 Tm 3:16)
A palavra inspiração é “theopneutos”, que significa “theo” = Deus, e “pneutos”
= assoprar. A palavra hebraica é “nehemiah” e é usada somente uma vez no Velho
Testamento (em Jó 32:8). O versículo está dizendo que Deus assoprou nos
escritores da Bíblia que escreveram assim as próprias Palavras de Deus. O adjetivo
empregado nesta passagem significa “insuflado por Deus” (cf. Gn 2:7).
A palavra “Escritura” vem do Grego “graphe”, que siginifica escrita, grafia,
palavra. Deus “assoprou” palavras! Podemos dizer então que tudo o que foi “escrito”
(as Escrituras) foi dado pelo “sopro de Deus”. Portanto, o que Deus “soprou” foram
palavras (graphe). Cada palavra, cada letra é importante para Deus.
É importante frisarmos que a Bíblia é inspirada e não os escritores. Se fosse o
contrário, tudo aquilo que eles escrevessem, de uma forma geral, seria Bíblia…
A próxima passagem é:
B. “Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas
os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.” (2 Pe 1:21)
Literalmente, o que o versículo está dizendo é que a inspiração é o processo
pelo qual o Espírito Santo “moveu” ou dirigiu os escritores das Escrituras para que
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o que eles escrevessem não fossem palavras deles, mas a própria Palavra de Deus.
Deus nos está dizendo que Ele é o Autor da Bíblia, e não o homem.
Os escritores da Bíblia são chamados “homens impelidos (ou “carregados”)
pelo Espírito Santo” (2 Pe 1:20-21 cf. Ap 19:9; 22:6; 2 Sm 23:2). Eles foram
“movidos”, “tomados”, “levados”. A palavra “inspirados” no versículo acima é a
mesma palavra grega que foi usada em Atos 27:15 (o barco foi “levado”).
O próprio Jesus Cristo afirmou que o Espírito Santo faria os seus discípulos se
lembrarem de tudo o que presenciaram: “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo,
que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará
lembrar de tudo quanto vos tenho dito” (Jo 14:26) e os anunciaria fatos futuros:
“Mas, quando vier aquele, o Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade;
porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o
que há de vir” (Jo 16:13). (1 Co 2:10-13; 2 Co 2:4, 13; 1 Jo 1:1-3).
O Deus que soprou o fôlego de vida nos seres viventes é o mesmo que soprou
Sua Palavra nas consciências dos Seus profetas.
Se o próprio Espírito Santo supervisionou a entrega e o registro da revelação,
Ele, sendo Deus Onipresente, Onisciente e Onipotente, garantiu que isto seria feito
sem erros.
Inspiração é o poder estendido pelo Espírito Santo, mas não sabemos
exatamente como esse poder operou. É limitado aos escritores das Escrituras
Sagradas. Isto EXCLUI todos os outros livros “sacros” por não serem inspirados;
também nega autoridade final a todas as igrejas, concílios eclesiásticos, credos e
clérigos.
A inspiração não exclui a diversidade de expressão sobre o mesmo assunto (Mt
16:16; Mc 8:29; Lc 9:20). Até os 10 mandamentos têm expressões diferentes,
pois o Autor é Deus, e Ele pode Se exprimir de formas diferentes sobre o
mesmo assunto! (Êx 20:8-11; Dt 5:12-15).
O mais próximo que conseguimos chegar da inspiração é chamando-a de
“orientação”. Isto é, o Espírito Santo supervisionou a seleção dos materiais a serem
usados e das palavras a serem empregadas por escrito. Finalmente, Ele preservou
os autores de todos os erros e omissões. Temos na Bíblia, portanto, a Palavra de
Deus verbalmente inspirada.
O apóstolo Paulo relatou, inclusive, seus lapsos de memória (1 Co 1:14-16),
suas emoções pessoais (Gl 4:14), suas palavras (1 Co 7:12, 40). Entretanto, ele
mesmo frisa que, apesar de expor sentimentos e impressões pessoais, tudo o que
ele registrou nas Escrituras são Palavras do Senhor! (1 Co 2:13; 14:37-38; Gl 1:12).
Inclusive, quando ele aborda a questão do papel e posição da mulher na igreja, ele
declara que o que disse são “mandamentos do Senhor” e não seu entendimento
pessoal! (1 Co 14:37-38).
Observamos, além disso, que a inspiração se estende às palavras, não
simplesmente aos pensamentos e conceitos, ou idéias gerais. Se se estendesse
simplesmente aos últimos, ficaríamos sem saber se os escritores entenderam
exatamente o que Deus disse, se se lembraram exatamente do que Ele disse, e se
eles tinham capacidade para expressar os pensamentos de Deus com exatidão.
Será que cada palavra da Bíblia é mesmo inspirada?
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O que Jesus disse acerca deste assunto? Vamos lá ver, o que nosso Senhor
falou:
“Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem,
mas de TODA a palavra que sai da boca de Deus.” (Mt 4:4)
Que sublime afirmação do Mestre! Ele claramente nos diz que TODAS (não
somente algumas, não somente as que constam nos “melhores e mais antigos
manuscritos”, nem as que têm certa preferência da crítica textual), mas sim que
todas as palavras que saem da boca de Deus são alimento para o homem.
Ou que dizer acerca do cumprimento cabal da lei, declarado por Jesus:
“Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota
ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido.” (Mt 5:18)
Ora, aqui Jesus nos diz que TUDO o que está na lei, será cumprido
completamente. Existem versículos que claramente proíbem acrescentar, ou
diminuir, o que quer que seja (Dt 4:2; 12:32; Pv 30:6; Ec 3:14; Ap 22:18-19).
Lembre-se que uma vírgula numa frase pode alterar totalmente o sentido da
mesma. Em Gl 3:16, vemos a importância e falta que faz uma simples letra “s”!!!
Assim, a Bíblia, obra de escritores humanos, é, contudo, de natureza divina (1
Ts 2:13) e isto num sentido mais elevado do que o que se dá ao fazer referência a
outras obras que se costumam dizer “inspiradas”.
Embora a Bíblia seja inspirada por Deus (Sl 19:7-11; 119:89; 105, 130, 160;
Pv 30:5-6; Is 8:20; Jr 1:2, 4, 9; Lc 16:31; 24:25-27; 44-45; Jo 5:39, 45-47;
12:48; 14:26; 16:13; 17:17; At 1:16; 28:25; Rm 3:4; 15:4; 1 Co 2:10-13; 2 Co
2:4; Ef 6:17; 1 Ts 2:13; 2 Tm 3:16-17; 1 Pe 1:11-12; 2 Pe 1:19-23; 1 Jo 1:1-3;
Ap 1:1-3; 22:19), a participação do homem na recepção da revelação assumiu
várias formas. Isto se deu naturalmente, de modos diversos: ora os escritores
simplesmente registravam fatos históricos; ora registravam as mensagens que
profetas e apóstolos recebiam de Deus; ora refletiam intimamente sobre coisas
de Deus e Este usava seus pensamentos para levar Sua mensagem aos
homens; ora eram guiados por Deus a escrever palavras revestidas de sentido
mais profundo do que eles próprios sabiam (1 Pe 1:10-12; cf. Dn 8:15; 12:8-
12).
Ocasionalmente, descreveram visões, sonhos ou aparições que
testemunharam (Is 6; Jr 24; Dn 7-12; Ap 1-22); vários autores puderam
escrever seu testemunho pessoal, pois foram testemunhas oculares dos
eventos que relataram (Js 24:26; Jo 19:35; 21:24; 1 Jo 1:1-4; 2 Pe 1:16-18);
também citaram documentos antigos, que tinham à sua disposição, frutos de
suas pesquisas [isto é inspiração (registro escrito) sem revelação (sem ser algo
recebido diretamente de Deus)] (Dn 4; 2 Cr 36:23; Ed 1:2-4; 7:11-26; 1 Jo 1:1-
4; Lc 1:1-4; etc.), inclusive houve citações de fontes extrabíblicas (At 17:28; Tt
1:12; Jd 14-15); compuseram, como artistas, poesia e outras manifestações da
sabedoria (Salmos, Provérbios, etc). Vale lembrarmos que os 10 mandamentos
foram escritos diretamente por Deus (Êx 31:18).
Os profetas estavam tão cônscios da responsabilidade de entregar a
mensagem de Deus (e não suas) que muitas vezes pediam a Deus que os poupasse
desse peso (Vide a resistência de Jonas). Os escritores do Novo Testamento também
reconheceram terem sido guiados pelo Espírito Santo para registrar as revelações
de Deus.
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A Bíblia é um livro divino-humano: humano porque, escrito por homens,
manifesta sentimentos e pensamentos humanos, às vezes em desacordo com os de
Deus (ver, por exemplo, os discursos dos amigos de Jó, que o próprio Deus refutou);
divino, porque é obra de homens a quem a Palavra de Deus foi revelada.
A IMPARCIALIDADE DA BÍBLIA PROVA QUE ELA É A PALAVRA DE DEUS
Quando os homens escrevem biografias dos seus heróis, eles normalmente
limpam suas faltas, mas a Bíblia exibe sua qualidade divina mostrando o
homem como ele é. Não apenas a Bíblia é verdadeira, mas também é clara e
sincera. Mesmo os melhores homens descritos na Bíblia são descritos com
suas faltas. Conhecemos claramente a rebelião de Adão, a bebedeira de Noé, o
adultério de Davi, a apostasia de Salomão, a desobediência de Jonas, o
desaforo de Pedro para com o Mestre, a briga de Paulo e Barnabé e espante-se
com a descrença dos discípulos a respeito da ressurreição de Cristo. O que se
segue foi publicado em “The Berean Call” [O Chamado de Beréia], Janeiro
2005:
“As Escrituras revelam honestamente as fraquezas e pecados dos melhores
santos – mesmo quando tais fatos poderiam ter sido evitados. Tal honestidade
dá a coroa da verdade às Escrituras. Um dos relatos mais estranhos foi a
descrença dos discípulos quanto à ressurreição de Cristo. De fato, seu
ceticismo e aparente má vontade em acreditar, mesmo quando Cristo os
encontrou face a face, parece que dificilmente um escritor de ficção ousaria
retratá-lo. Cristo acusa Seus discípulos de dureza de coração (Marcos 16:14).
Eles não creram, mesmo quando Cristo lhes apareceu (Lucas 24:36-38). Mas
um dos ladrões crucificados com Cristo creu em Sua ressurreição, ou ele não
teria pedido “E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no
teu reino.” (Lc 23:42). As dúvidas dos discípulos não tinham desculpa em vista
das muitas profecias messiânicas. Eles terem sido tão cegos em relação às
Escrituras, mesmo depois de terem sido ensinados pessoalmente por Cristo
durante tantos anos, nos faz reexaminarmos a nós mesmos para não sermos
culpados da mesma cegueira.”
A aceitação da Bíblia como Palavra de Deus não é matéria de prova científica e
sim de fé. Isso não quer dizer que tomamos atitude irracional ou sem fundamento.
Antes, nossa atitude se baseia no testemunho de Jesus, a respeito do Antigo
Testamento.
De certo modo, podemos compará-la à nossa fé em Jesus Cristo como Filho
Unigênito de Deus, a qual não depende, em última análise, de provas humanas de
Sua divindade, e sim, de um ato de fé.
A experiência cristã tem confirmado que de fato Deus Se revela aos homens
através de TODA a Bíblia, ainda que o faça com maior nitidez em certas partes
(João, por exemplo) do que em outras que são, por assim dizer, periféricas em
relação à suprema revelação em Jesus Cristo.
Não é que o Evangelho segundo João seja “mais inspirado” do que Eclesiastes,
por exemplo; antes, é que, naquele, Deus estava concedendo a João a mais
suprema e plena revelação dEle; ao passo que, em Eclesiastes, fornecia o registro
das últimas tentativas humanas para conseguir a felicidade “debaixo do sol”.
Outrossim, mesmo que algumas partes da Bíblia pareçam não trazer
mensagem de Deus para nós, em nossa situação atual, é muito possível que
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tenham falado, ou que ainda venham a falar, a outras pessoas em situações
diferentes.
Basta lembrarmos, por exemplo, como o livro do Apocalipse tem revivido, vez
após vez, para cristãos que sofriam de perseguição.
Devemos lembrar também, que a própria Bíblia não nos autoriza a dividi-la em
partes, mas, antes, considerá-la um todo orgânico, tendo cada livro um papel a
desempenhar na obra total (2 Tm 3:16).
De imediato, as pessoas dizem que a Bíblia é um livro de homens. Em outras
palavras, “falha e imperfeita”. Por mais sinceros, eruditos e criteriosos que fossem
os profetas, eles ainda estavam sujeitos às limitações da sua época e do seu
conhecimento. Como poderiam deixar de errar?
É natural, assim, esperar que a Bíblia apresente erros gritantes em questões
filosóficas, científicas, literárias ou históricas. Os milagres, por exemplo, são vistos
como lendas da Antiguidade, tão verdadeiros e históricos quanto Branca de Neve e
os Sete Anões.
De fato, tais conclusões seriam inevitáveis se o fator sobrenatural fosse
descartado. Mas, se o Espírito Santo, sendo o mesmo Deus, estava por trás da
produção da Bíblia, então é perfeitamente admissível que homens falhos fossem
instrumentos para transmitir informações infalíveis. E foi exatamente isso o que
ocorreu!
Este volume é a escrita do Deus vivo: cada letra foi escrita por um dedo Todopoderoso;
cada palavra saiu dos lábios eternos, cada frase foi ditada pelo
Espírito Santo. Ainda que Moisés tenha sido usado para escrever suas
histórias com sua ardente pluma, Deus guiou essa pluma. Pode ser que Davi
tenha tocado sua harpa, fazendo que doces e melodiosos salmos brotassem de
seus dedos, porém Deus movia Suas mãos sobre as cordas vivas de sua harpa
de ouro. Pode ser que Salomão tenha cantado os Cânticos de amor ou
pronunciado palavras de sabedoria consumada, porém Deus dirigiu seus
lábios, e fez eloquente ao Pregador. Se sigo o trovejador Naum, quando seus
cavalos aram as águas, ou a Habacuque quando vê as tendas de Cusã em
aflição; se leio Malaquias, quando a terra está ardendo como um forno; se
passo para as serenas páginas de João, que nos falam de amor, ou para os
severos e fogosos capítulos de Pedro, que falam do fogo que devora os inimigos
de Deus, ou para Judas, que lança anátemas contra os adversários de Deus;
em todas as partes vejo que é Deus quem fala.
É a voz de Deus, não do homem; as palavras são as palavras de Deus,
as palavras do Eterno, do Invisível, do Todo-Poderoso, do Jeová desta Terra.
Esta Bíblia é a Bíblia de Deus; e quando a vejo, parece que ouço uma voz que
surge dela, dizendo: “Sou o livro de Deus; homem, leia-me. Sou a escrita de
Deus: abra minhas folhas, porque foram escritas por Deus; leia-as, porque Ele
é meu Autor, e O verá visível e manifesto em todas as partes”. “[Eu] escrevi-lhe
as grandezas da minha lei, porém essas são estimadas como coisa estranha”
(Oséias 8:12). (Retirado do Sermão do Reverendo C. H. Spurgeon: A Bíblia (The
Bible) – Um Sermão (Nº 0015) – Pregado na Manhã de Domingo, 18 de Março
de 1855, no Exeter Hall, Strand— Londres —Inglaterra).
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14.2. Distinção entre Inspiração e Autoridade
Algo deve ser dito a respeito da distinção entre Inspiração e Autoridade.
Geralmente, as duas são idênticas, de modo que aquilo que é inspirado tem
também autoridade com respeito ao ensino e à conduta. Mas, ocasionalmente, não
é isso o que acontece.
Por exemplo: o que Satanás disse para Eva foi registrado na Bíblia por Moisés,
que foi inspirado por Deus, mas não é a verdade (Gn 3:4-5); o conselho que Pedro
deu a Cristo (Mt 16:22); a declaração de Gamaliel ao Concílio (At 5:38-39). O
mesmo ocorre com textos retirados do contexto, que assumem um significado
totalmente diferente de quando inseridos no contexto, etc.
15 – A BÍBLIA, REGISTRO
MERECEDOR DE CONFIANÇA
A Bíblia é uma revelação de Deus absolutamente fidedigna. Essa afirmativa
se baseia na atitude de Jesus para com o Antigo Testamento e no testemunho da
própria Bíblia a seu respeito (Mt 5:17-18; Mc 7:1-13; 12:35-37; Jo 5:39-47; 10:34-
36; 1 Co 14:37-38; Ef 3:3).
A Bíblia não tem a pretensão de ser uma enciclopédia infalível de informações
sobre todos os assuntos e, por isso, não nos fornece a resposta a todas as
perguntas que possamos fazer a respeito do mundo a nosso redor.
“As coisas encobertas pertencem ao SENHOR nosso Deus, porém as reveladas
nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre, para que cumpramos todas as
palavras desta lei” (Dt 29:29).
Ela é escrita na linguagem do povo e não com a terminologia e exatidão
científicas do nosso século. De fato, seria tolice esperar que o fosse, e se, por algum
milagre, isso fosse conseguido, o livro se tornaria incompreensível para a maioria de
nós, para todos os que nos precederam e, dentro de pouco tempo, a linguagem se
tornaria arcaica.
A Bíblia registra uma revelação progressiva de Deus (Is 42:8-9; 44:6-8; Os 6:3;
Hb 1:1-2) através de muitos séculos e a povos vários. Não devemos, portanto, tomar
suas afirmações isoladamente, mas considerá-las à luz do todo, do contexto. Não
podemos basear nossas crenças em versículos isolados, destacados de seu
contexto.
LEMBRE-SE! Texto fora de contexto é pretexto para heresias!
Através de uma compreensão integral da Bíblia, podemos descobrir que
muitas discrepâncias desaparecem ou são de pouca importância, no que se
refere à verdade da Bíblia, vista como um todo.
É inegável que a moderna ciência da Arqueologia muito tem feito no sentido
de confirmar a exatidão da história registrada na Bíblia. Muito raramente, e em
assuntos de pequena importância, põe um ponto de interrogação ao lado do registro
bíblico.
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Uma vez que a Bíblia registra uma revelação que se deu através da história,
podemos sentir satisfação em saber que o esboço histórico apresentado na Bíblia é
capaz de tanta confirmação arqueológica.
Muitos problemas que se alegam existir na Bíblia devem-se à nossa deficiência
em saber interpretá-la corretamente. Às vezes, procuramos, por exemplo,
informações literais em passagens que devem ser tomadas como poéticas e, em
outras, interpretamos simbolicamente passagens que deveriam ser literais.
REGRA DE OURO PARA A INTERPRETAÇÃO DA BÍBLIA
“Quando a interpretação direta, imediata e literal das escrituras faz sentido,
não procure nenhuma outra interpretação. Portanto: Interprete cada palavra
no seu sentido literal, usual, costumeiro e mais comumente usado, a não ser
que os fatos do contexto imediato indiquem clara e indiscutivelmente o
contrário, quando estudados à luz de passagens correlatas e de verdades
fundamentais e axiomáticas.” (Dr. David L. Cooper)
Vejamos alguns termos relacionados com a inspiração:
A. Revelação de Deus: (Pv 11:2; Mt 11:25; 1 Co 2:10; Gl 1:12). Revelação, no
Grego, significa: descobrir, deixar aberto aquilo que estava velado/coberto.
“Revelação é aquele ato de Deus pelo qual Ele mesmo se descerra e comunica
verdade à mente, manifestando às Suas criaturas aquilo que não poderia ser
conhecido de nenhum outro modo”.
Uma definição concisa, mas exata, da revelação vem da caneta do Dr. James
Bannerman. Ele escreveu: “A revelação, como ato divino, é a apresentação da
verdade objetiva ao homem de maneira sobrenatural por Deus. A revelação, como
resultado de tal ato, é a verdade objetiva então apresentada”
Métodos de Revelação
1. Por anjos: 3 anjos, Abraão, Sodoma (Gn 18).
2. Com voz alta, punindo a queda (Gn 3:9-19).
3. Com voz suave, a Elias (1 Rs 19:11, 12; Sl 32:8).
4. Pela natureza (Sl 19:1-3).
5. Por um jumento a Balaão (Nm 22:28).
6. Por sonhos (Gn 28:12).
7. Em visões (Gn 46:2; At 10:3-6).
8. O próprio Livro de Apocalipse.
9. Cristofanias (Êx 3:2).
Hoje, Deus só fala através da Sua Palavra (Hb 1:1; 2 Tm 3:16). Não há mais
revelações!
A Revelação de Deus no Antigo Testamento é uma revelação com as seguintes
características:
1. É uma revelação autoritativa – Jo 5:39; Lc 19:19-31.
2. É uma revelação verídica – Jo 10:35; Is 34:16.
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3. É uma revelação progressiva – Is 42:8-9; 44:6-8; Os 6:3; Hb 1:1-2. Ex: – As
peculiaridades do sistema mosaico ficam claras à luz de uma Revelação
progressiva. A Lei a Graça e a doutrina do Espírito Santo estão interligadas
ao propósito dispensacional de Deus.
4. É uma revelação parcial – Hb 1:1, 2; Cl 2:17; Hb 10:1.
15.1. A Necessidade da Revelação
“Certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu
segredo aos seus servos, os profetas” (Amós 3:7).
Será possível ao homem, finito e limitado como é, em sua capacidade e em seu
entendimento, compreender a grandeza do Deus infinito?
Por si mesmo, é evidente que não. A não ser que Deus se revele ao homem,
este não pode conhecê-Lo.
Chega-se, portanto, à conclusão de que Deus Se revelou às Suas criaturas.
A revelação de Deus divide-se em geral e especial:
15.2. Revelação geral de Deus: (Sl 19:1-6; 104)
É endereçada e acessível a TODA criatura inteligente, e tem por objetivo
persuadir a alma a buscar o verdadeiro Deus. É suficiente para condenar os
homens, tornando-os inescusáveis. Mas, não é suficiente para os salvar! Ela ocorre:
Na Natureza: (Jó 12:7-9; Sl 8:1, 3; 19:1-3; Is 40:12-14, 26; At 14:15-17; Rm
1:19-23, 2:14-15). Sua finalidade é incitar o homem a buscar o Deus Verdadeiro,
para receber mais luz. Algumas verdades contidas nas religiões pagãs derivam-se
dessa fonte de revelação. É, contudo, insuficiente. Se revela a grandeza, a sabedoria
e o poder de Deus, nada diz do interesse que ele tem no homem pecador, nem se
este pode se salvar.
Na História: nações tais como o Egito, a Assíria, Babilônia, Média, Pérsia, etc.
Embora Deus possa usar uma nação mais ímpia para castigar uma menos ímpia,
ao final tratará a mais ímpia com maior severidade (Hc 1:1-2:20). E, muitíssimo
mais, na espantosa história da “pulguinha” Israel (Dt 28:10; Sl 75:6-8; Pv 14:34; At
17:2-4; Rm 13:1), o “verme de Jacó” (Is 41:14). Esse povo acreditava que Deus, a
quem conhecia por nome de Javé ou Jeová, agia na sua vida individual e nacional
(Sl 78); que lhe falava por meio de profetas (1 Sm 3; Is 6; Os 1; Am 7:14-17),
revelando-lhes que Seu caráter era de justiça e amor (Is 6:3; Am 5:6-27; Dt 7:8; Jr
31:3; Os 11:1); que Israel era Seu povo escolhido (Dt 7:7-26; Jr 7:23; 13:11) e que
dele Deus reclamava não só o culto, como também a justiça e o amor em sua vida
social e nacional (Am 5:21-24; Is 1:27; Mq 6:8). Esse Deus era Senhor da criação (Is
40; 42:5; Am 5:8) e Rei moral da história (Dt 28; Jz 2; Am 5:14). Haveria, um dia, de
julgar o mundo e estabelecer um reino de justiça. Seu propósito final para os
homens era, portanto, a salvação e, para esse fim, escolhera a Israel para Seu
servo, o qual deveria levar todos os homens à religião verdadeira. Como, porém,
Israel estava prejudicado pelo seu pecado, Deus prometera levantar, futuramente,
para executar esta tarefa, um Libertador, chamado, ora de Rei, na sucessão de
Davi, ora de Servo do Senhor (Is 2:1-4; 9:1-7; 42:1-9; 49:1-6; 50:4-9; 52:13; 53:12;
Jr 31:31-40; 33:14-16; Ez 34:23-24).
Esta revelação já é mais explícita e informativa do caráter pessoal de Deus, do
que a revelação através da natureza. Contudo, é também incompleta.
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Na Consciência: Na nossa consciência temos outra revelação de Deus (Rm
2:14-16). A Lei gravada nos corações, “uma espiã de Deus em nosso peito”, “uma
embaixadora de Deus em nossa alma”, como os puritanos costumavam chamá-la.
É a presença, no homem, desta ciência do que é certo e errado, deste algo
discriminativo e impulsivo, que constitui a revelação de Deus. Não é auto-imposta,
como fica evidenciado pelo fato de que o homem frequentemente se livraria de suas
opiniões se pudesse. É o reflexo de Deus na alma.
Suas proibições e ordens, Suas decisões e impulsos não teriam qualquer
autoridade real sobre nós se não sentíssemos que na consciência temos de alguma
forma a realidade, algo em nossa natureza que, todavia, está acima desta natureza.
Em outras palavras, nossa consciência revela o fato de que há uma lei
absoluta do certo e do errado no universo e de que há um Legislador Supremo que
encarna esta lei em Sua própria Pessoa e conduta.
Na providência divina: (Pv 16:9; At 14:15-17); na preservação do mundo: (Hb
1:3)
15.3. Revelação especial de Deus: (Sl 19:7-14)
Abrange os atos de Deus pelos quais Ele Se fez conhecer e à Sua verdade, em
ocasiões especiais e a pessoas específicas, mas quase sempre para o benefício de
todos. É uma Revelação completa!
É necessária porque o homem não respondeu à Revelação Geral (Rm 1:20-
23,25; 1 Co 1:21; 2:8). Ela ocorre:
Em Jesus Cristo, a suprema revelação de Deus (Jo 1:14; Cl 1:15; 2:9; Hb
1:3). Necessária porque o homem não respondeu às outras Hb 1:1-3. Cristo é a
melhor prova da: existência, natureza, e vontade de Deus! A vinda de Jesus Cristo
foi a manifestação suprema e o pleno cumprimento da Revelação que Deus
começara a fazer de Sua Pessoa, na vida de Israel.
Jesus afirmou expressamente que Ele era Aquele de quem os profetas falavam
(Mt 5:17; Lc 24:44). Referia-Se a Si mesmo como o Filho de Deus (Mt 11:25-27) e
atribuía às Suas próprias palavras a autoridade de Deus (Mc 2:1-12; 13:31; 14:62).
Além das Suas palavras, o caráter e as ações de Cristo deviam ser considerados
manifestações de Deus aos homens. Disso eram sinais: Seus milagres e Suas obras
poderosas (Lc 12:54-56; Jo 3:2; 14:11). Toda a Sua vida demonstrara o amor que
caracteriza a Deus (Mc 2:17; 10:21, 45; Lc 19:1-10; Jo 3:16). Sua morte coroou Sua
vida de abnegação em favor dos homens (Mc 14:22-24) e Sua ressurreição e
ascensão declararam que Deus Se agradara da obra de Seu Filho e O tinha exaltado
(At 3:14-26; Rm 1:4). Seus discípulos passaram o restante de suas vidas
anunciando-O como Aquele que verdadeiramente revelava Deus aos homens e lhes
restabelecia a relação adequada com Deus Pai. As provas impressionantes de Sua
influência nas vidas humanas, a partir de então, são outras tantas confirmações de
Seu objetivo de revelar Deus aos homens.
Esta Revelação, na qual Deus Se fez homem, na Pessoa de Seu Filho Jesus
Cristo, é uma Revelação pessoal, perfeita e que não se repete. No sentido mais
completo, Jesus Cristo é a PALAVRA DE DEUS aos homens (Jo 1:1-18; Hb 1:1-2;
Ap 19:13). É evidente, portanto, que ninguém pode conhecer a Deus, senão por
Jesus Cristo (Jo 1:18; Mt 11:27).
Nas experiências pessoais de certos homens: Enoque e Noé andaram com
Deus (Gn 5:21-24; 6:9); Deus falou a Noé (Gn 6:13; 7:1; 9:1); a Abraão (Gn 12:1-3);
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a Isaque (Gn 26:24); a Jacó (Gn 28:13; 35:1); a José (Gn 37:5-11); a Moisés (Êx 3:3-
10; 12:1); a Josué (Js 1:1); a Gideão (Jz 6:25); a Samuel (1 Sm 3:2-4); a Davi (1 Sm
23:9-12); a Elias (1 Rs 17:2-4); a Isaías (Is 6:8), etc. Da mesma maneira, no N. T.
Deus falou a Jesus (Mt 3:16-17; Jo 12:27-28); a Pedro, Tiago e João (Mc 9:7); a
Felipe (At 8:29); a Paulo (At 9:4-6; 18:9; Gl 1:12); e a Ananias (At 9:10). Nas
experiências de nós, crentes da dispensação da graça, que temos a testificação do
Espírito Santo de que somos filhos de Deus. Hoje, Deus só fala através da Sua
Palavra (Hb 1:1; 2 Tm 3:16). Não há mais revelações!!!
Em milagres: eventos fora do usual e natural, realizando uma obra útil,
revelando a presença e poder de Deus, visando trazer homens a Cristo (Jo 20:30-
31). Êx 4:2-5 (Deus transformou vara em cobra) contraste Êx 7:1-2 (imitação,
desmascarada).
Milagres podem ser:
A. De intensificação (exemplo: dilúvio) ou “tempo exato” (terremoto na
crucificação) de fenômenos naturais (praga de saraiva e fogo); a força de Sansão,
etc.
B. De alteração das leis naturais (multiplicação dos pães, florescimento da
vara de Arão, obtenção de água da rocha, cura dos doentes, ressurreição de
mortos).
Se alguém quiser contestar a existência de milagres, lembre-lhe que a
pergunta certa é “as testemunhas são absolutamente confiáveis?” e não “o
evento é naturalmente possível?”. Demonstre a historicidade da ressurreição
de JESUS CRISTO. Mostre que se ele crer na ressurreição e no Ressurreto
Homem-Deus, aceitará todos os milagres da Bíblia.
C. Em Profecias – predição de eventos, só possível pela comunicação direta da
parte de Deus. Ex: O Livro de Isaías foi escrito em aproximadamente 698 a.C. e
falou sobre Ciro, com uma antecedência de séculos (Is 44:28-45:1). Se alguém
quiser contestar a existência de profecias, mostre-lhe que se ele crer em Jesus
Cristo, aceitará todas as profecias da Bíblia. Por exemplo: compare 1 Rs 13:2 com 2
Rs 23:15, 16; 1 Rs 13:22 com 2 Rs 23:17, 18; 1 Rs 21:19 com 1 Rs 22:38; 1 Rs
21:23 com 2 Rs 9:36.
Algumas das 332 profecias cumpridas em Cristo:
1. Ele deveria ser nascido de uma virgem (Is 7:14; Mt 1:23).
2. Da semente de Abraão (Gn 12:3; Gl 3:8).
3. Da Tribo de Judá (Gn 49:10; Mt 1:2-3; Hb 7:14).
4. Da linhagem de Davi (Sl 110:1; Jr 23:5; Mt 1:6; Rm 1:3).
5. Deveria nascer em Belém (Mq 5:2; Mt 2:6).
6. Ser ungido pelo Espírito (Is 61:1-2; Lc 4:18-19).
7. Entrar em Jerusalém montado em um asno (Zc 9:9; Mt 21:4-5).
8. Ser traído por um amigo (Sl 41:9; Jo 13:18).
9. Ser desprezado (Is 53:4-6, 10-12; 2 Co 5:21).
10. Ser rejeitado (Is 53:3; Jo 8:48; 9:34).
11. Ser vendido por trinta moedas de prata (Zc 11:12-13; Mt 26:15; 27:9-
10).
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12. Ser abandonado por seus discípulos (Zc 13:7; Mt 26:31, 56).
13. Ter suas mãos e pés traspassados, mas não ter nenhum osso
quebrado (Sl 22:16; 34:20; Jo 19:36; 20:20, 25).
14. Os homens iriam dar-lhe fel e vinagre a beber (Sl 69:21; Mt 27:34).
15. Repartir Suas vestes e lançar sortes sobre Sua túnica (Sl 22:18; Mt
27:35).
16. Ele seria abandonado por Deus (Sl 22:1; Mt 27:46).
17. Enterrado com os ricos (Is 53:9; Mt 27:57-60).
18. Ele iria surgir dos mortos (Sl 16:8-11; At 2:27).
19. Subir às alturas (Sl 68:18; Ef 4:8).
20. Assentar-se à mão direita do Pai (Sl 110:1; Mt 22:43-45), etc.
Será que não temos nestas predições que já foram cumpridas uma forte prova
do fato que Deus Se revelou por profecia? E se Ele o fez nestas predições, o que nos
impede de crer que O fez em outras também?
D. Nas Escrituras (1 Pe 1:12; 1 Co 1:21): Se a suprema revelação de Deus é
Jesus Cristo, surge o problema: como então pode Deus Se revelar a nós, que
vivemos dois milênios depois de Cristo? Não estando Jesus visivelmente entre nós,
ficamos privados da possibilidade de alcançar a plena Revelação de Deus?
A resposta a essas perguntas é que existe ainda outra forma de Revelação. É
que o Espírito de Deus capacitou homens a darem testemunho escrito da Revelação
que receberam, de modo a poderem interpretá-la e transmiti-la às gerações
posteriores.
Assim, podemos chegar ao conhecimento da Revelação de Deus na Natureza,
na História e em Jesus Cristo, através do registro (inspiração) que temos em mãos,
na BÍBLIA, e pela qual Deus fala hoje aos homens (Hb 1:1-3).
Deste modo, Jesus Cristo Se revela ainda aos homens. Ele não é uma extinta
figura do passado, mas o FILHO VIVO DE DEUS, de maneira que os cristãos que
vivem em eras posteriores à Sua crucificação podem afirmar que O conhecem e têm
comunhão com Ele, através das Escrituras, que reúnem toda a Revelação que Deus
quis que ficasse inerrantemente corporificada, sendo a base para todas as
disciplinas da Teologia.
As doutrinas da revelação e da inspiração nada seriam sem a doutrina da
preservação das Escrituras.
Jesus disse: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de
passar” (Mateus 24:35). As evidências comprovam que Deus tem cuidado da
Sua Palavra através dos séculos, embora não tenhamos mais os originais
(autógrafos). Existem mais de 5.000 manuscritos e partes de manuscritos que
concordam entre si, o chamado Texto Bizantino (em sua forma impressa ele se
chama Textus Receptus [TR], ou o Texto Recebido, termo que surgiu com a
impressão do Novo Testamento Grego de Elzivir em 1633).
Uma vez que é a Bíblia o meio pelo qual seguramente Deus Se revela hoje aos
homens, devemos examinar com algum cuidado seu caráter, sua suficiência e a
confiança que merece como Revelação de Deus (2 Tm 3:15-16; Hb 1:1).
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15.4. A Iluminação
E aquele método usado pelo Espírito Santo para derramar luz divina sobre
todo o homem que o busque, ao ser este homem exposto à Palavra de Deus (Sl
119:18, 125).
A ILUMINAÇÃO é o entendimento que temos da leitura da Bíblia, pela ação do
Espírito Santo (Êx 31:3; 35:31; 1 Rs 3:11; 4:29; Jó 11:12; 2 Sm 22:29; Sl 18:28;
36:9; 111:10; 119:18, 34, 99, 104, 125, 130, 169; Pv 2:1-12; 4:7; Is 11:2; Dn 1:17;
4:34-36; 5:12-14; Lc 24:45; Jo 14:26; Rm 12:2; 1 Co 2:14-16; 2 Co 4:6-7; Ef 1:18; 2
Tm 2:7; 2 Pe 1:20; 1 Jo 5:20).
A iluminação se faz necessária por causa das cegueiras: natural (Rm 10:2; 1
Co 2:14; Ef 4:18); induzida pelo Diabo (2 Co 4:3,4); induzida pela carne (1 Co 3:1;
2:14; Hb 5:12-14; Cl 1:21; Tt 1:15).
Só com a iluminação é que pecadores são salvos (Sl 119:30; 146:8) e crentes
são fortalecidos (Sl 119:105; 1 Co 2:10; 2 Co 4:6).
Antes de iluminar, o Espírito Santo procura por sinceridade do homem (Dt
4:29; Hb 11:6) e diligente estudo do crente (At 17:11; 2 Tm 2:15; 1 Pe 2:2).
O Espírito Santo sempre tem que usar um crente (que O tem) para iluminar o
descrente (que não O tem). Veja At 8:31 (Filipe e o eunuco etíope).
RESUMINDO
1. Revelação: comunicação da verdade. (1 Co 2:10-12) [já cessou!]
2. Inspiração: registro escrito da verdade. (1 Co 2:13) [já cessou!]
3. Iluminação: entendimento da verdade. (1 Co 2:14-16) [ainda existe!]
Podemos ter revelação (comunicação da verdade por Deus ao homem) sem
inspiração (registro escrito dessas verdades), como tem sido o caso de muitas
pessoas piedosas no passado, que receberam verdades de Deus, mas não
registraram por escrito (inspiração), não há livros bíblicos escritos por eles
(Noé, Abraão, Jacó, Elias, etc.) e como fica claro pelo fato de João ter ouvido as
vozes dos sete trovões (revelação/comunicação da verdade por Deus), apesar
de não lhe ter sido permitido escrever/registrar o que eles disseram os trovões
(Ap 10:3-4).
Podemos também encontrar inspiração sem revelação, como quando os
escritores registram o que viram com seus próprios olhos ou descobriram pela
pesquisa (1 Jo 1:1-4; Lc 1:1-4). É o que ocorre quando os relatos bíblicos
parecem ser meras declarações dos escritores humanos. Isto é inspiração
(registro escrito) sem revelação (sem a comunicação de uma verdade por
Deus).
A iluminação (o entendimento da verdade bíblica) geralmente acompanha a
inspiração ou está incluída nela (cf. Pe 1:10-12; cf. Dn 8:15; 12:8-12).
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16 – PROVAS DA INSPIRAÇÃO
PLENÁRIA, VERBAL E
INFALÍVEL DA BÍBLIA
A Bíblia é inspirada (“assoprada para dentro do homem”) por Deus.
IMPORTANTE!
1. Inspiração é um mistério.
2. A Bíblia é inspirada por Deus (At 1:16; 2 Tm 3:16-17; Hb 10:15-17; 2 Pe
1:20-21).
3. Inspiração é essencialmente proteção contra erros, como se Deus dissesse
“As verdades que Eu quero transmitir, você as escreverá com as suas
palavras, mas Eu vou guiá-lo para você não deixar de escrever toda e só a
verdade que Eu quero que seja escrita, e não errar nem sequer uma
letrinha ou o menor sinal de acentuação.”
4. A inspiração é plenária: significa que a Bíblia é inspirada toda ela, de capa
a capa, sobre todo e qualquer assunto (Mt 5:18; 2 Tm 3:16-17).
5. A inspiração é verbal: significa que a Bíblia é inspirada palavra por palavra,
e não apenas os pensamentos principais, como ocorre com as versões
deturpadas da Bíblia, como as paráfrases (Ex: Bíblia na Linguagem de
Hoje). (Sl 138:2; Mt 4:4-5; 5:17-18; 22:32; 1 Co 2:13; Gl 3:6).
6. A inspiração torna a Biblia infalível e inerrável: A Bíblia não contém
nenhum erro, sendo incapaz de errar ou falhar! (Mt 5:18; Jo 10:35b).
7. Toda a Bíblia é igualmente inspirada, mas não igualmente importante (Ex:
Jo 3:16 versus Jz 3:16).
8. Cada palavra é inspirada, mas só é autoritativa: a) no seu contexto; b)
quando é de Deus [diretamente ou pelos Seus profetas] e não o registro
(inspirado, infalível!) das mentiras do Diabo, demônios, ou homens.
9. A inspiração não exclui o uso de fontes extra-Bíblicas (At 17:28; Tt 1:12; Jd
14-15).
10. Inspiração não exige mesmos detalhes no relato de um mesmo evento
(Mt 27:37 + Mc 15:26 + Lc 23:38 + Jo 19:19).
11. A inspiração está terminada, finalizada (Ap 22:18-19) e só abrangeu a
Bíblia.
A natureza da inspiração plenária, verbal e infalível da Bíblia é assegurada
pelos seguintes motivos:
1. O caráter de Deus (Sl 138:2): Iria o Deus perfeito, eterno e imutável,
consentir que as Suas revelações fossem expressas imperfeita e
falivelmente pelos Seus profetas? Isto é inimaginável!
2. O caráter e declarações da própria Bíblia:
a. A Bíblia tem unidade, conteúdo e padrão moral incomparavelmente
superior a todos os outros livros.
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b. A Bíblia é absolutamente confiável em tudo o que pode ser checado.
Então devemos aceitar o que ela diz de si mesma:
c. A Bíblia clama ser a plenária, verbal e infalível Palavra de Deus,
Explicitamente em Sl 138:2; 2 Tm 3:16; 2 Pe 1:20-21.
d. Mais de 3800 vezes em frases diretas como “Assim diz o Senhor” no
V. T. (Êx 14:1; Is 43:1; Ez 1:3).
3. No reconhecimento de um escritor/livro por outro (2 Rs 17:13; Sl 19:7;
33:4; 119:89; Is 8:20; Gl 3:10; 1 Pe 1:23; At 1:16; 28:25; 1 Pe 1:10-11).
Pedro reconheceu a inspiração dos escritos de Paulo (2 Pe 3:15-16). Pedro e
Paulo reconhecem a inspiração de todo o restante das Escrituras (2 Tm
3:16; 2 Pe 1:20).
Cristo ensinou que a Bíblia é infalivelmente inspirada (Jo 10:35b; Mt 4:4;
5:17-18; 22:32) e também eterna e perfeitamente preservada por Deus (Mt 4:4;
5:18; 24:35 [= Lc 21:33]; Lc 16:17)
16.1. Objeções à Inspiração Plenária e Verbal
a) ALEGAM QUE HÁ “Reconhecimento de não inspiração”: basta um bom
exame do contexto, ou um perfeito entendimento dos idiomas e dos manuscritos
pelos quais Deus preservou infalivelmente Sua palavra: Texto Massorético e Textus
Receptus. Exemplo: em 1 Co 7:12, 25, Paulo, que estava só repetindo Mt 5:31-32;
19:3-9 (sobre o Divórcio), agora introduz um mandamento igualmente inspirado
(compare: 1 Co 7:40).
A. “Citações expressando erros”: Ora, são apenas citações (fiéis!) de errados
e/ou mentirosos homens (Sl 10:4; 14:1) ou do Diabo (Gn 2:4-5; Jo 8:44).
B. “Erros histórico-científicos”: Basta lembrarmos que:
• Assim como os cientistas usam expressões “pôr-do-sol”, “quatro cantos da
Terra” (por serem referenciais cômodos, de fácil entendimento), a Bíblia usa
a linguagem das aparências, em certas passagens, etc. Ademais, a Bíblia é
100% exata, mas não é formal, matemática.
• A Bíblia só relata fragmentos da verdade Jo 20:30-31.
• Relatos distintos podem se complementar (contradizer!) ou podem enfatizar
diferentes aspectos dos eventos ou doutrinas.
• A Bíblia foi por Deus infalivelmente inspirada e preservada (através do
Texto Massorético e do Textus Receptus), palavra por palavra, til por til;
mas, os tradutores mais fiéis e tremendamente cuidadosos podem aqui e
acolá ter sido algo menos que perfeitos.
• A verdadeira ciência se limita a fatos da observação ou experimentação (a
Teoria da Evolução, das Camadas Geológicas, da Astrofísica, etc., não o
fazem, resultam de meras suposições loucas!).
• Cientistas hoje admitem que, por exemplo, a luz apareceu antes do sol (Gn
1:3-5).
C. “Aparentes contradições”: sempre tem explicações, se prestarmos muita
atenção. Alguns exemplos:
• Nm 25:9 versus 1 Co 10:8 (diferentes números de mortos pela praga):
Números não se limitou a 1 só dia!
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• Lc 6:17 versus Mt 5:1 (o sermão foi no monte ou em lugar plano?): Ou
foram 2 sermões, sendo 1 para os discípulos, outro para o povo. Ou, 1
sermão, em lugar plano no meio do monte? A planura em Lc 6:17 era
provavelmente na mesma montanha mencionada em Mt 5:1.
• Mt 20:29 versus Mc 10:46 + Lc 18:35 (1 ou 2 cegos? na entrada ou saída
de Jericó?): 2 cegos na entrada, 1 na saída. Provavelmente, foram os 2
cegos curados entre a Jericó velha e a Jericó nova, sendo que Mc e Lc
mencionam somente o mais notável. IMPORTANTE! há uma infalível regra
matemática que diz que “onde quer que haja 2, sempre haverá 1”.
• Mt 8:5-13 versus Lc 7:1-10: Centurião de Cafarnaum com o servo
moribundo: ouviu falar de Jesus -> enviou anciãos judeus para chamá-lo –
> enviou amigos -> foi ele mesmo -> creu -> voltou -> constatou milagre.
D. “Erros em profecias”: esses aparentes ‘erros’ são más interpretações das
profecias, ou profecias ainda a serem cumpridas (Dn 2, 7, 9, 11, 12; Zc 12-14; a
maior parte do Livro de Apocalipse). Nem Paulo, nem Tiago, nem Pedro ensinaram
que Cristo viria imediatamente, mas simplesmente, que Ele poderia vir a qualquer
hora = volta iminente (2 Co 5:4; 1 Ts 4:15-17; Tg 5:9; 2 Pe 3:4, 8, 9).
E. “Impossibilidade científica de milagres”: Quando a existência do Deus Todo-
Poderoso é aceita, então não há problema em se aceitar a Sua intervenção
sobrenatural (e coerente Consigo mesmo): se, quando, como, e onde Ele o deseje.
G. “Erros na citação e interpretação de si própria”: Às vezes, os escritores do
Novo Testamento simplesmente expressam suas idéias com palavras emprestadas
de uma passagem do Velho Testamento, sem a pretensão de interpretar a passagem
(Rm 10:6-8, cf. Dt 30:12-14). Às vezes, eles destacam um elemento típico em uma
passagem que não tem geralmente sido reconhecido como típico (Mt 2:14, cf. Os
11:1). Às vezes, dão crédito a uma profecia mais recente, quando eles realmente
estão citando uma forma mais antiga da mesma (Mt 27:9, cf. Zc 11:13). Às vezes,
eles combinam duas citações em uma só, e atribuem o todo ao autor mais
proeminente (Mc 1:2-3). Ademais, o Autor (o Espírito Santo) de toda a Bíblia tem
todo o direito de re-expressar-Se e re-explicar-Se conforme Seu desejo soberano!!!
H. “Imoralidade dos homens”: É registrada; honestamente (!); mas nunca é
sancionada. Ex: a bebedeira de Noé (Gn 9:20-27), o incesto de Ló (Gn 19:30-38), a
falsidade de Jacó (Gn 27:19-24), o adultério de Davi (2 Sm 11:1-4), a poligamia de
Salomão (1 Rs 11:1-3, cf. Dt 17:17), a severidade de Ester (Et 9:12-14), as negações
de Pedro (Mt 26:69-75).
IMPORTANTE! As aparentes sanções à imoralidade são sanções só a uma
virtude acompanhante. Exemplos:
• Divórcio (Dt 24:1 versus Mt 5:31-32 + 19:7-9), etc: foram
tolerados/disciplinados como um bem relativo, nunca recomendados como
um bem absoluto.
• A matança dos cananeus (Dt 7:1-2; 20:16-18), os Salmos imprecatórios
(35, 69, 109, 137), etc: mostram um Deus Soberano, Santo, e Justo, que
pode usar homens para executar Seus desígnios.
Strong diz que os salmos imprecatórios são “não a ebulição de ódio pessoal,
mas a expressão de indignação judiciosa contra os inimigos de Deus”, e que a
destruição dos cananitas “foi simplesmente cirurgia benevolente que amputou um
membro pútrido, e assim salvou a vida religiosa da nação hebraica e do mundo
posterior”.
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16.2. Teorias Antibíblicas Sobre a Inspiração
A. Teoria mecanista, ou do ditado = “Deus usou homens como meros
amanuenses (escreventes, copistas)”.
Esta teoria ignora diferenças de estilo entre os escritores; ignora que Deus não
usou robôs inanimados nem psicografistas (“pneumografistas”) talvez até
inconscientes do que escreviam, mas usou, sim, homens com personalidades
distintas; e ignora que a Bíblia é 100% divina e 100% humana, respeitando a
personalidade e estilo de cada escritor (2Pe 1:21).
Deus usou as personalidades e modos de expressão peculiares a cada escritor
(idiossincrasias): “somente” os protegeu do menor erro, desvio, omissão, e excesso.
Inspiração é basicamente esta proteção.
B. Teoria da inspiração natural = “a inspiração da Bíblia é só momentos de
superioridade do homem natural, como Beethoven na “Sinfonia Inacabada”. (2 Pe
1:20-21).
Assim, cometem o erro de pensar que: “o Salmo 23 não é mais inspirado que o
grande hino ‘Rude Cruz’; o Sermão do Monte não é mais inspirado que ‘Pecadores
nas Mãos de um Deus Irado’, de Jonathan Edwards; a História do Filho Pródigo não
é mais inspirada que ‘O Peregrino’, de John Bunyan, etc.”
C. Teoria da inspiração parcial, dinâmica = “A Bíblia só é inspirada no
espiritual e essencial, não na História, Ciência, etc. e no que achamos ‘secundário’.”
(2 Tm 3:16; Jo 3:12).
O que é essencial? Aquilo que você gosta?! Isto é mero e puro subjetivismo;
devaneios. Como crer na inspiração maior (espiritual, invisível, eterno) se não
cremos na inspiração menor (material, tangível, histórico, efêmero)? (Jo 3:12).
“A teoria dinâmica não explica, nem mesmo tenta explicar, como os escritores
poderiam estar possuídos de conhecimentos sobrenaturais ao registrarem
uma sentença e serem rebaixados a um nível muito inferior na seguinte. Ela
não nos dá a psicologia daquele estado de espírito que pode se pronunciar
infalivelmente sobre matérias de doutrina, enquanto que se desvia a respeito
dos fatos mais simples da história. Ela não tenta analisar a relação existente
entre as mentes Divina e humana, que produz tais resultados.” (Marcus Dods,
em A Bíblia: Sua Origem e Natureza, 1912, pág. 122)
D. Teoria da inspiração só do pensamento principal, não das palavras em si (Sl
138:2; Mt 5:18; 1 Co 2:13; 2 Tm 3:16). IMPORTANTE! é o que ocorre com as versões
modernas/deturpadas da Bíblia, tais como: NVI, Bíblia na Linguagem de Hoje, etc.
E. Teoria do “encontro místico” = “Aqueles que tiveram ‘encontros’
(experiências emocionais) com Deus, escreveram a verdade sem a Sua proteção,
muito misturada com mitos e imaginações. Hoje, a Bíblia não é, mas apenas
contém a Palavra de Deus, que eu descubro quando, num ‘encontro’ (nirvana),
percebo o que Deus tem por baixo dos ‘mitos bíblicos’. Só então, ela se torna a Sua
Palavra, para mim”. Isto é puro subjetivismo louco, levando às mais disparatadas
conclusões (2 Tm 3:16).
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17 – A BÍBLIA É A
CORPORIFICAÇÃO DA
REVELAÇÃO DE DEUS
A Bíblia é absolutamente genuína e confiável em tudo que podemos checar
com fatos.
Portanto, como é natural até nas relações diplomáticas e comerciais, somos
justificados em aceitar o que ela diz de si mesma, declarando-se no V. T. (mais de
3800 vezes: Êx 14:1; Is 43:1; Ez 1:3) e no N. T. (1 Co 14:37; Gl 1:11-12; Hb 2:1-4; 2
Pe 3:2; 1 Jo 5:10; Ap 22:18-19) como a corporificação da revelação de Deus (2 Tm
3:16-17; 2 Pe 1:20-21).
17.1. A SIngular e Espantosa Indestrutibilidade da
Bíblia
Mesmo sob a mais tenaz/variada, violenta/sutil perseguição já vista, a Bíblia
nunca foi destruída! Portanto ela tem que ser divina. (“Os malhos se amassamdespedaçam,
mas a bigorna permanece”).
Pink diz: “Quando pensamos no fato da Bíblia ter sido objeto especial de
infindável perseguição, a maravilha da sua sobrevivência se transforma em
milagre… Por dois mil anos, o ódio do homem pela Bíblia tem sido persistente,
determinado, incansável e assassino. Todo esforço possível tem sido feito para
corroer a fé na inspiração e autoridade da Bíblia, e inúmeras operações têm
sido levadas a efeito para fazê-la desaparecer. Decretos imperiais têm sido
passados ordenando que todas as cópias existentes da Bíblia fossem
destruídas, e quando essa medida não conseguiu exterminar e aniquilar a
Palavra de Deus, ordens foram dadas para que qualquer pessoa que fosse
encontrada com uma cópia das Escrituras fosse morta. O próprio fato de ter a
Bíblia sido o alvo de tão incansável perseguição, nos faz ficar maravilhados
diante de tal fenômeno”. (Arthur W. Pink, The Divine Inspiration of the Bible –
págs. 113/114).
O ataque satânico contra a palavra de Deus remonta ao Jardim do Éden. A
primeira intervenção de Satanás na História foi adulterando e pondo dúvida na
Palavra de Deus: nascia a primeira Bíblia na Linguagem de Hoje! O primeiro pecado
de Eva foi o de aceitar a suposta palavra de Deus “modernizada” da boca do Diabo.
Séculos mais tarde, Satanás recorreu novamente às Escrituras para tentar o
Mestre Jesus em Mateus 4:1-11.
Repare que quem fica a ganhar com esta controvérsia Bibliológica, é o pai da
mentira (Satanás); e não o povo de Deus.
Os imperadores romanos descobriram que os cristãos baseavam sua crença
nas Escrituras. Conseqüentemente, buscaram suprimi-las ou exterminá-las. O
mais notável foi Dioclécio (em 301-304 A.D.) que, através de um decreto real em
303 A.D., ordenou que todos os exemplares da Bíblia fossem queimados. Ele havia
matado tantos cristãos e destruído tantas Bíblias que, quando os cristãos ficaram
quietos por algum tempo e permaneceram escondidos, ele achou que havia
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realmente conseguido eliminar as Escrituras. Ele fez com que em uma medalha
fosse gravada a seguinte inscrição: “A religião cristã está destruída e o culto aos
deuses restaurado”. Entretanto, não demorou muito para que Constantino subisse
ao trono e fizesse do Cristianismo a religião oficial. O que diria Dioclécio se pudesse
voltar à Terra e ver como a Bíblia tem prosseguido em sua missão mundial?
Durante os dois séculos em que o Papado teve poder absoluto na Europa
Ocidental (1073-1294), os estudiosos passaram a colocar o credo acima da Bíblia.
Enquanto que a maioria deles ainda procurava o apoio das Escrituras para o credo,
alguns deles se apegavam às revelações posteriores, transmitidas apenas pela
tradição, e não tão dependentes nos ensinamentos da Bíblia. Fisher diz que durante
este período: “a leitura da Bíblia por parte dos leigos ficou sujeita a tantas
restrições, especialmente após a ascensão ao poder dos Valdenses, que, se não era
absolutamente proibida, era vista com graves suspeitas”. (George P. Fisher, História
da Igreja Cristã, pg. 219).
Muitos meios foram usados para que a Bíblia ficasse restrita ao pequeno
círculo dos sacerdotes, padres, bispos e papas. Dentre as medidas para conter o
avanço da Palavra de Deus, estão as seguintes:
A. Em 1229, o Concílio de Toulouse (França), o mesmo que criou a diabólica
Inquisição, determinou: “Proibimos os leigos de possuírem o Velho e o Novo
Testamento… Proibimos ainda mais severamente que estes livros sejam possuídos
no vernáculo popular. As casas, os mais humildes lugares de esconderijo, e mesmo
os retiros subterrâneos de homens condenados por possuírem as Escrituras devem
ser inteiramente destruídos. Tais homens devem ser perseguidos e caçados nas
florestas e cavernas, e qualquer que os abrigar será severamente punido.” (Concil.
Tolosanum, Papa Gregório IX, Anno Chr. 1229, Canons 14:2). Foi este mesmo
Concílio que decretou a Cruzada contra os albigenses. Em Acts of Inquisition, Philip
Van Limborch, History of the Inquisition, cap. 08, temos a seguinte declaração
conciliar: “Essa peste (a Bíblia) assumiu tal extensão, que algumas pessoas
indicaram sacerdotes por si próprias, e mesmo alguns evangélicos que distorcem e
destruíram a verdade do evangelho e fizeram um evangelho para seus próprios
propósitos… (elas sabem que) a pregação e explanação da Bíblia são absolutamente
proibidas aos membros leigos”.
B. No Concílio de Constança, em 1415, o santo Wycliffe, protestante, foi
postumamente condenado como “o pestilento canalha de abominável heresia, que
inventou uma nova tradução das Escrituras em sua língua materna”.
C. O Papa Pio IX, em sua encíclica “Quanta cura”, em 8 de dezembro de 1866,
emitiu uma lista de oito erros sob dez diferentes títulos. Sob o título IV ele diz:
“Socialismo, comunismo, sociedades clandestinas, sociedades bíblicas… pestes
estas devem ser destruídas através de todos os meios possíveis”.
D. Em 1546, Roma decretou: “a Tradição tem autoridade igual à da Bíblia”.
Esse dogma está em voga até hoje, até porque existe o dogma da “infalibilidade
papal”. Ora, se os dogmas, bulas, decretos papais e resoluções outras possuem
autoridade igual à das Sagradas Escrituras, os católicos não precisam buscar
verdades na Palavra de Deus.
E. O Papa Júlio III, preocupado com os rumos que sua Igreja estava tomando,
ou seja, perdendo prestígio e poder diante do número cada vez maior de “irmãos
separados” ou “’cristãos novos” ou “protestantes” (apesar dos massacres),
convocou três bispos, dos mais sábios, e lhes confiou a missão de estudarem com
cuidado o problema e apresentarem as sugestões cabíveis. Ao final dos estudos,
aqueles bispos apresentaram ao papa um documento intitulado “DIREÇÕES
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CONCERNENTES AOS MÉTODOS ADEQUADOS A FORTIFICAR A IGREJA DE
ROMA”. Tal documento está arquivado na Biblioteca Imperial de Paris, fólio B,
número 1088, vol. 2, págs 641 a 650. O trecho final desse ofício é o seguinte:
“Finalmente (de todos os conselhos que bem nos pareceu dar a Vossa
Santidade, deixamos para o fim o mais necessário), nisto Vossa Santidade deve pôr
toda a atenção e cuidado de permitir o menos que seja possível a leitura do
Evangelho, especialmente na língua vulgar, em todos os países sob vossa
jurisdição. O pouco dele que se costuma ler na Missa, deve ser o suficiente; mais do
que isso não devia ser permitido a ninguém. Enquanto os homens estiverem
satisfeitos com esse pouco, os interesses de Vossa Santidade prosperarão, mas
quando eles desejarem mais, tais interesses declinarão. Em suma, aquele livro (a
Bíblia) mais do que qualquer outro tem levantado contra nós esses torvelinhos e
tempestades, dos quais meramente escapamos de ser totalmente destruídos. De
fato, se alguém o examinar cuidadosamente, logo descobrirá o desacordo, e verá
que a nossa doutrina é muitas vezes diferente da doutrina dele, e em outras até
contrária a ele; o que se o povo souber, não deixará de clamar contra nós, e
seremos objetos de escárnio e ódio geral. Portanto, é necessário tirar esse livro das
vistas do povo, mas com grande cuidado, para não provocar tumultos” (Assinam
Bolonie, 20 Octobis 1553 – Vicentius De Durtantibus, Egidus Falceta, Gerardus
Busdragus).
Durante a época da Reforma, quando a Bíblia foi traduzida para a língua do
povo, a igreja Católica Romana impôs severas restrições à sua leitura, alegando que
as pessoas eram incapazes de interpretá-la. Tinha-se que obter permissão para lêla,
mas mesmo quando essa permissão era dada, era com a condição de que o leitor
não tentasse interpretá-la por si só. Muitos deram suas vidas pela simples razão de
serem seguidores de Cristo e colocarem sua confiança nas Escrituras.
Newman diz: “Um esforço persistente foi feito pelos romanizantes para
eliminar a Bíblia inglesa. Em 1543, um decreto foi passado proibindo
terminantemente o uso da versão de Tyndale, e qualquer leitura das Escrituras em
assembléias, sem a permissão real”. (A. H. Newman, Um Manual da História da
Igreja, pág. 262).
A princípio, foram feitas tentativas de proibir a impressão de sua Bíblia; e
quando ele finalmente publicou seu Novo Testamento em Worms, teve que
despachá-lo para a Inglaterra em engradados de mercadorias. Quando os livros
chegaram à Inglaterra, foram comprados em grandes quantidades pelas
autoridades eclesiásticas e queimados em Londres, Oxford e Antuérpia. Dos 18.000
exemplares que se estima terem sido impressos entre 1525-1528, sabe-se que
apenas dois fragmentos restaram.
Em 06/10/1536, o clero católico queimou vivo William Tyndale, por traduzir e
distribuir a Bíblia.
Todos esses maléficos expedientes usados para eliminar, alterar ou suprimir
as Sagradas Escrituras não conseguiram êxito. A Bíblia é o livro mais vendido e
mais lido em todo o mundo e está traduzido para quase 2.000 línguas e dialetos. Só
no Brasil são vendidos por ano mais de quatro milhões de bíblias, afora uns 150
milhões de livros com pequenos trechos (bíblias incompletas).
O tempo não afeta a Bíblia. É o livro mais antigo do mundo e ao mesmo tempo
o mais moderno. Em mais de 20 séculos o homem não pôde melhorá-la. Se a
Bíblia fosse de origem humana em 20 séculos ela já estaria superada, ou seja,
desatualizada.
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Uma vez que o homem moderno se farta de tanto saber, era de se esperar que
já tivesse produzido uma Bíblia melhor! Para o salvo isto é uma evidência da
Bíblia como a Palavra imutável de Deus.
Os reflexos desses expedientes, ou seja, as tentativas de algemar a Palavra de
Deus, ainda hoje são sentidos. No Brasil são poucos os católicos que se dedicam à
leitura da Bíblia. Regra geral, se contentam “com o pouco que lhes é oferecido na
missa”, e enquanto se contentam com esse pouco (como sugeriram aqueles bispos
ao papa, item 5 retro) continuam errando. “Errais, não conhecendo as Escrituras,
nem o poder de Deus.” (Mateus 22.29).
Com o passar dos séculos, o ataque satânico ficou mais bem elaborado,
usando supostos crentes e sociedades Bíblicas. Nasciam as “versões”, com textos
manipulados e com técnicas de tradução traidoras do texto original como é o caso
da equivalência dinâmica. Veremos porque a versão King James, conhecida como a
“Versão do Rei Tiago” (e sua equivalente no português – A Almeida Corrigida e
Revisada FIEL, da Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil) é muitíssimo superior
às versões modernas, as quais devem ser rejeitadas pelos crentes sérios.
A mais recente tentativa de roubar a autoridade da Bíblia é o esforço
modernista para degradá-la até o nível de todos os outros antigos livros religiosos.
Se a Bíblia tem que estar em circulação, então tem que ser demonstrado que ela
não tem autoridade sobrenatural. Os crentes verdadeiros, entretanto, reconhecem
logo este estratagema de Satanás, e apesar de tudo que é feito para enfraquecer as
Escrituras, a Bíblia é hoje encontrada em mais de 1000 línguas no mundo. O fator
da indestrutibilidade da Bíblia pesa fortemente em favor de ser ela a incorporação
de uma revelação divina.
“Eu sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe deve
acrescentar, e nada se lhe deve tirar; e isto faz Deus para que haja temor diante
dEle.” (Ec 3:14).
No tempo de Esdras, parecia que as Escrituras tinham sido destruídas, mas
logo se acharam 2 cópias, preservadas por Deus, e logo havia incontáveis Bíblias! (2
Cr 34:18-21 e Ne 8).
Na grandiosa tumba de Dioclécio funciona uma igreja já faz mais de 1000
anos.
É interessante notar que Voltaire (que morreu em 1778), o famoso infiel
francês apregoava: “Deus morreu” e predisse que em 100 anos, a partir de sua
época, o Cristianismo estaria extinto. Mas, em vez disso, apenas 25 anos após
sua morte, na sua casa funciona uma grande impressora de Bíblias, a
Sociedade Bíblica Inglesa e Estrangeira, e as mesmas impressoras que haviam
imprimido a literatura infiel de Voltaire tem sido usadas, desde então, para
imprimir a Bíblia!
Como se pode ver, nem decreto imperial, nem restrições papais, nem
destruição eclesiástica, conseguiram exterminar a Bíblia. Quanto maiores os
esforços feitos para levar a cabo tal destruição, maior tem sido a circulação da
Bíblia.
17.2. O Caráter Transcendente da Bíblia
A. O padrão moral da Bíblia é tão inatingível e condenador, que não pode ser,
senão Divino (Êx 20; Lv 20:7; Mt 5:21-22, 27-28 [ou 20-48]; Tg 2:10). Contrastando
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com outros “livros sagrados” (os deuses grego-romanos, os dos egípcios, cananeus,
tupis-guaranis, etc.).
B. A unidade singular e perfeita da Bíblia prova: seu autor é Deus. Embora
escrita por uns 40 homens, de umas 19 ocupações diferentes, em 11 países,
durante pelo menos 1600 anos, em uns 10 gêneros literários diferentes, escritores
não conhecendo muitos ou todos os outros, a Bíblia é clara e espantosamente UM
Livro! Que contraste com os “outros livros sagrados”, que essencialmente são
coleções de material heterogêneo, sem começo, meio ou fim, inúmeras vezes
discordantes!
IMPORTANTE!
1. O sentido de cada palavra ou conceito é sempre o da sua primeira menção
(“amor” Gn 22:2 + Jo 3:16); Os “tipos” ou “sombras” do V. T. encaixam-se
perfeitamente com o “Corpo” no N. T. (serpente de bronze Nm 21:6 + Jo
3:14-15, Cordeiro pascal).
2. O primeiro e o último livro da Bíblia encaixam-se perfeitamente! Vejamos:
GÊNESIS APOCALIPSE
1:1 – céu e Terra, temporários 21:1- novo céu e nova Terra, eternos
1:27-28 – primeiro Adão (com esposa,
no jardim do Éden), reina sobre a
Terra
21:9 – último Adão (com a noiva, na cidade de
Deus), reina sobre o universo
1:10 – mares 21:1 – “e o mar não mais existe”
1:5, 16 – sol e lua, dia e noite 21:23 – nenhum sol, lua, nem noite; o Cordeiro
é o Eterno sol, luz, dia!
3:22 – a árvore da vida é negada aos
caídos
22:2 – folhas da árvore da vida darão saúde e
cura às nações
3:17 – “maldita é a terra” 22:3 – não existirá mais maldição
3:1 – aparece Satanás, para
atormentar o homem,
temporariamente
20:10 – desaparece Satanás, para ser
atormentado ele mesmo, para sempre.
7:12 – a antiga Terra foi punida pelo
dilúvio
21:1 (+2Pe 3:6-12) – a nova Terra será
purificada pelo fogo
2:10 – lar à beira de rio 22:1 – lar eterno à beira de rio
19 – Deus retira cidade terrestre,
Sodoma, do solo
21:1 – Deus traz cidade celestial, a Nova
Jerusalém, dos céus
23:2 – Abraão chora por esposa, morta 21:4 – Deus enxugará todas as lágrimas da
noiva (= cada salvo, eternamente vivo)
50:1-3 – Gênesis termina com um
crente, morto, jazendo no Egito, num
caixão
21:4 – o Apocalipse termina com todos crentes,
vivos, de pé na eternidade, reinando para
sempre.
C. A precisão histórica da Bíblia é única e perfeita! No final do século XIX,
alguns pseudo-cientistas (1 Tm 6:20) ridicularizaram a Bíblia, afirmando que
continha “centenas de disparates históricos”. Mas, com o extraordinário avanço da
Arqueologia, os zombadores têm sido sufocados por cada pá dos escavadores.
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Tem sido comprovado, por exemplo: A universalidade da crença num dilúvio
universal (Épico de Gilgamesh; nativos da Nova Guiné, etc.); a existência e
súbita destruição (2000 a.C.) das populosas Sodoma e Gomorra (sob o Mar
Morto?); os tijolos sem palha e a morte dos primogênitos, no Egito; os muros
de Jericó caídos para fora(!); um arrependimento e conversão para monoteísmo
em Nínive; a existência de Dario; a seqüência dos reis das nações citadas; etc.
18 – A BÍBLIA E A CIÊNCIA
1. A Bíblia sempre declarou que a Terra é um esferóide (Is 40:22) suspenso no
vazio (Jó 26:7).
2. A primeira Lei da Termodinâmica (Hb 4:3,10): “No universo, nada se cria,
nada se perde, tudo se transforma”.
3. A Segunda Lei da Termodinâmica (Sl 102:26): “Em tudo há aumento da
entropia, da degradação, do caos, da morte do universo”; serão abolidas (Ap
21:1-5).
4. A Bíblia também sempre declarou que vida só vem de vida, e do mesmo tipo
Gn 1:21, contrariando a farsa da Teoria da Evolução! (1 Tm 6:20; Cl 2:2-3).
INTEGRIDADE TOPOGRÁFICA E GEOGRÁFICA
As descobertas arqueológicas provam que os povos, os lugares e os eventos
mencionados nas Escrituras são encontrados justamente onde as Escrituras
os mencionam, no local exato, e sob as circunstâncias geográficas exatas,
descritas na Bíblia.
O Dr. Kyle diz que os viajantes não precisam de outro guia além da Bíblia
quando descem pela costa do mar vermelho, ao longo seguido no Êxodo, onde
a topografia corresponde exatamente à que é dada no relato bíblico.
IMPORTANTE!
O objetivo de Deus na Bíblia não foi o de nos dar um livro texto científico
perfeito e completo, abrangendo Física, Astronomia, Biologia, etc. Mas, sempre que
o Criador fala da Sua criação, o faz de modo infalível e perfeito.
Se Deus não pudesse ser infalível no campo científico, como o seria no campo
espiritual? Alguns exemplos:
Texto na Bíblia
Fato científico
implicado pela
Bíblia
Ciência do homem
Is 40:22 A Terra é esférica 540 a.C.: um grego conjeturou; foi rejeitado.
15?? Magalhães demonstrou.
Jó 26:7 A Terra paira no
espaço
1687: Newton explicou como a gravidade do
sol era equilibrada pela força centrífuga da
rotação da terra.
Gn 15:15; Jr
33:22; Hb 11:12
As estrelas são
incontáveis
150 d.C.: Ptolomeu errou: “há exatamente
1056 estrelas”. Outros erraram, mas cada
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vez chegam mais perto de reconhecer o que
Deus disse.
2Sm 22:16; Jn
2:6
Há montanhas e
canyons no leito do
mar
1880: A Oceanografia surgiu, chumbadas
descobriram as montanhas no leito do mar.
Gn 7:11; 8:2;
Pv 8:28
Há fontes d’água no
leito do mar
1948: Batiscafos (sondas) descobriram
Sl 8:8 Há correntes,
caminhos no mar
186?: Matthew Fontaine Maury, ministro da
Marinha americana, movido pela Bíblia,
descobre correntes, premiando quem
achasse garrafas semeadas por navios.
Jó 26:8; 36:27-
28; 37:16; 38:25-
27; Sl 135:7; Ec
1:6-7
A água segue “ciclo
hidrológico” (mar >
nuvem > chuva > rio
> mar)
17??: Cientistas entenderam
Gn 1:21; 6:19 Vida só vem de vida.
E da mesma espécie
1862: Pasteur mostrou que moscas não se
“geravam espontaneamente”: vida só vem de
vida.
1865: Mendel provou: vida só vem da
mesma espécie.
Lv 17:11 A vida da carne está
no sangue
18??: Abandonou-se o conceito de que
“sangue excessivo é a raiz de todas as
doenças”, prática que matou milhões de
pessoas, com as sangrias (por exemplo,
George Washington).
Gn 2:1-3; Sl
33:6-9; 102:25;
Hb 4:3,10
“No universo, nada
se cria, nada se
perde. Tudo apenas
se transforma”
177?: Lavoisier formula a 1ª Lei da
Termodinâmica, uma das duas leis mais
universais da ciência.
Sl 102:26; Rm
8:18-23; Hb
1:10-12
“Em tudo há
aumento da entropia,
da degradação, do
caos, da morte do
universo”
18??: É formulada a 2ª Lei da
Termodinâmica, uma das duas leis mais
universais da ciência.
Is 65:17; 66:22;
2Pe 3:13; Ap
21:1-5
A 2ª Lei da
Termodinâmica, a
tendência à
degradação, não
existirá na nova
criação, que, assim,
será perfeita, eterna
e perfeita.
Só assim o universo permanecerá
eternamente
Lv 13, 14 Há contágios. A
prevenção é feita com
– No tempo de Moisés, o Papiro Ebers (“o
máximo da ciência”) receitava: sangue de
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a total quarentena
(doenças
passageiras) e
isolamento (doenças
como a lepra)
lagarto, dente de porco, carne e banha
podres, cera de ouvido de porco,
excrementos humanos, etc. Só houve vitória
contra a lepra, etc., obedecendo-se à Bíblia.
Dt 23:12-13 Isolar e dar
rapidíssimo sumiço
aos excrementos
Até 1790: todos excrementos eram lançados
e ficavam nas ruas, mesmo nas capitais e
côrtes!
Lv 7:22-27 Evitar certas carnes
e misturas
1960: descoberto que causam colesterol,
etc.
Lv 15:7, etc. Purificação
(meticulosa!) pela
água
Até 1900: até cirurgiões eram sujos, não
praticavam nem ensinavam higiene; 17%
das grávidas que entravam no melhor
hospital do mundo (em Viena) morriam de
infecção! Ainda hoje, purificação salva mais
que todos os remédios juntos.
Gn 17:12 Circuncisão ao 8º
dia.
IMPORTANTE! as
judias são as
mulheres com o
menor índice de
câncer uterino.
1946: descobriu-se que circuncisão controla
câncer cervical. Depois, que, até o 5º dia de
vida, a criança não produz vitamina K, e a
circuncisão traria perigosa hemorragia. Do
7º dia em diante a produção de vitamina K
normaliza-se. No 8º dia, o nível de
protombina alcança o máximo de toda a
vida. O dia ideal.
18.1. Contraste com os Disparates da Falsa
Ciência
1. A Biblioteca do Louvre tem 7 km de livros científicos obsoletos! 99,99% de
todos os livros científicos com mais de 50 anos estão estufados de erros,
hoje unanimemente reconhecidos.
2. Em 1861, a Academia Francesa de Ciência listou 51 “fatos científicos
indiscutíveis que fazem a Bíblia inaceitável”. Hoje, esses 51 “fatos” é que
são ridicularizados pela própria ciência!
A. Contraste com os inúmeros disparates científicos presentes em todos os
outros livros ditos sagrados:
1. O Livro dos Vedas (4 textos em sânscrito, que são as escrituras sagradas
do Hinduísmo) ensina: a Lua está 50000 léguas mais alta que o Sol, e
brilha por sua própria luz; a Terra é chata, triangular, e composta de 7
camadas: a 1ª de mel, a 2ª de açúcar, a 3ª de manteiga, a 4ª de vinho, etc.,
tudo sobre as cabeças de incontáveis elefantes, os quais, ao tropeçarem,
provocam terremotos!
2. Livro dos Egípcios: um gigantesco ovo foi chocado; mas, tendo asas, fugiu,
e depois se dividiu, redividiu-se, etc., formando o universo. O sol é um
mero reflexo da luz da Terra. Os homens surgiram de vermezinhos brancos
que pululam no lodo deixado pela inundação do Nilo.
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19 – A BÍBLIA E AS PROFECIAS
A Bíblia é singular, tem muitas centenas de profecias detalhadas e
“impossíveis” (aos olhos humanos); mas, todas as que deviam ser cumpridas o
foram literalmente (Dt 18:20-22; Is 41:22-23; 42:8-9; 44:6-8; 46:9-10; 2 Pe 1:19).
A. Profecias sobre centenas de nações: Exemplos: Tiro destruída (Ez 26:4-5,
14), mas Egito só humilhada, rebaixada (Ez 29:15); tão minuciosas são as
correspondências de Dn 11 (534 a.C.) com a História, que anti-supernaturalistas,
sem prova nenhuma, o picham como mera História, escrita após 168 a.C.,
relatando fatos que já teriam ocorrido “no passado” !!!…
A PROFECIA DE EZEQUIEL ACERCA DE TIRO
Ezequiel profetizou durante o período de 592-570 a.C. Além de outras nações
e cidades, ele profetizou contra Tiro, uma cidade costeira da Fenícia. Ezequiel
predisse que: a) Muitas nações subiriam contra Tiro (Ezequiel 26:3); b) Os
muros de Tiro seriam derrubados e a cidade completamente varrida (26:4); c)
O local da cidade se tornaria um lugar para os pescadores estenderem suas
redes (26:5,14); d) Os escombros de Tiro seriam atirados ao mar (26:12); e)
Tiro jamais seria reconstruída (26:14)
O cumprimento destas profecias é surpreendente! Ezequiel identificou
Nabucodonosor, rei da Babilônia, como aquele que atacaria a cidade de Tiro e
a destruiria (26:7). Nabucodonosor assediou esta cidade na praia do Mar
Mediterrâneo de 585 a 572 a.C. e quando, finalmente, rompeu as portas da
cidade, ele descobriu que o seu povo, na maior parte, tinha evacuado a cidade
por navio e fortificado outra cidade numa ilha a cerca de um quilômetro da
costa. Nabucodonosor destruiu a cidade da terra firme (572 a.C.), mas foi
incapaz de destruir a cidade da ilha. Estes acontecimentos não são, talvez,
muito admiráveis porque aconteceram não muitos anos depois das profecias
de Ezequiel. Contudo, a história de Tiro não tinha terminado.
O império medo-persa substituiu o dos babilônios e, por sua vez, o general
grego Alexandre, o Magno, capturou o território dos persas. Depois de vencer
Dario III na Ásia Menor, Alexandre se mudou para o Egito e conclamou as
cidades fenícias a abrirem suas portas (332 a.C.). A cidade na ilhota de Tiro se
recusou e, por isso, Alexandre a assediou e começou a construir uma ponte
flutuante com 60 metros de largura, desde a praia até a ilha. Ele usou os
escombros (26:12) da velha cidade de Tiro, limpando completamente o terreno,
para fazer uma “estrada” até a cidade na ilha. Depois de um cerco de sete
meses, ele tomou a cidade. Sua fúria contra os tírios foi grande; ele matou
8.000 dos habitantes e vendeu outros 30.000 para a escravidão.
Muitas cidades antigas, que foram destruídas de tempos em tempos, foram
reconstruídas, mas nenhuma cidade jamais foi reconstruída no antigo local de
Tiro. O terreno, até mesmo hoje, é usado por pescadores para estender suas
redes para limpar, remendar e secar. (26:5, 14).
Como teria sido possível a Ezequiel saber o que Alexandre, o Magno, faria para
capturar a cidade de Tiro 250 anos mais tarde? Nenhum homem poderia ter
previsto com tal pormenor o futuro incomum de Tiro; profecias como estas são
claramente a obra de Deus.
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O estatístico Peter Stoner, usando o princípio da probabilidade, dedica a esta
profecia um em setenta e cinco milhões a possibilidade de cumprimento. A
moderna cidade de Sur está situada perto da antiga cidade de Tiro, mas a
própria Tiro de fato nunca foi reconstruída.
B. Profecias sobre o milagre da indestrutibilidade de Israel: todas as outras
nações espalhadas desapareceram! (Gn 12:1-3; 15:5 versus Jr 30:11; Dt 7:6-8; Lv
26:44; Nm 24:9b; Is 11:11-12; 41:14; Jr 31:35-37; 46:28; Ez 37:21; Zc 2:8b; Mt
24:34; Rm 11:1-5; 25-32).
C. Profecias sobre a História de Israel: Israel teve profetizada sua dispersão
(Lv 26:33; Dt 28:15, 64-65; Jr 15:4; 16:13; 24:9; Os 3:4; 9:17). Primeiro seria
dispersa só a parte de Israel (1 Rs 14:15; Is 7:6-8; Os 1:6-8). Depois, Judá seria
dispersa (Is 39:6; Jr 25:9-12). 70 (Setenta) anos depois, Judá seria parcialmente
restaurada (Mq 1:6-9 versus Jr 29:10-14). Até o nome de Ciro, o rei Persa que
restauraria Judá, foi previsto com 120 anos de antecedência (Is 44:28-45:1). Isaías
predisse que Jerusalém e o templo seriam reconstruídos por ordem de Ciro, o
persa, que permitiria aos israelitas regressarem do cativeiro (44:28 – 45:13).
Quando Isaías fez estas profecias, em cerca do ano 700 a.C., a cidade de Jerusalém
e o templo ainda estavam em pé, o reino do sul de Judá ainda não tinha sido levado
em cativeiro, e os assírios eram a potência mundial. Ciro não libertaria os cativos de
Judá antes do ano 536 a.C., 160 anos mais tarde e, entretanto, Isaías o chamou
pelo nome! O Estado de Israel foi fundado em 15 de Maio de 1948 (Is 60:9-10; 61:6;
Jr 23:3; 30:3; 31:36; Ez 11:17; 36:19-27; 37).
D. Profecias sobre a seqüência dos impérios mundiais (Dn 7);
E. 332 profecias sobre a 1ª vinda de Jesus Cristo. TODAS (mais de 90
explícitas) literalmente cumpridas: montado num jumento (Zc 9:9-10), entrada em
Jerusalém em “6 de Abril de 32” (Dn 9:24-26 + calendário). espantosos detalhes da
crucificação (Sl 22:14-18); ossos (Sl 34:20); fel (Sl 69:21); transpassado (Is 53:4-6;
Zc 12:10); ressurreição (Sl 16:10; 30:3, 9; 40:1-2; Is 53:1; Os 6:2). [vide outras
profecias sobre Jesus Cristo no quadro da página 28 desta apostila]. Por exemplo:
Em cerca de 538 a.C., Daniel, o profeta, predisse (Dn 9:24-27) que Jesus viria como
o Salvador e Príncipe prometido para Israel exatamente 483 anos depois que o
imperador persa (Artaxerxes) desse aos judeus permissão para reconstruir a cidade
de Jerusalém que estava em ruínas nesta época. Essa profecia foi clara e
definitivamente cumprida no tempo exato;
F. Profecias sobre os últimos dias (do domínio dos gentios sobre o local do
templo Lc 21:24): Uniformitarianismo evolucionista (2 Pe 3:3-4). Multiplicação das
viagens e ciência (Dn 12:4); disparidade e tensão sócio-econômica (Tg 5:1-6);
degradação moral (Lc 17:26-37; 2 Tm 3:1-7); apostasia religiosa (2 Pe 2:1; 3:3-4; 2
Tm 3:7; 4:4); demonismo (Mt 24:24; 1 Tm 4:1). Cataclismas e tribulações (Mt 24:3-
8). Confederação de dez dedos-nações revivendo o Império Romano [a Comunidade
Econômica Européia] (Dn 7:19-24); russos e árabes juntando-se contra Israel (Ez
28:1-6); enorme exército oriental, contra Israel (Ap 16:12). Profecias para a igreja
(Jo 14:1-3).
IMPORTANTE! As profecias de Daniel capítulo 11 são tão exatas, em detalhes,
que os céticos querem datar o livro de Daniel como se tivesse sido escrito após
os eventos, como mero relato histórico de algo passado e não uma predição de
eventos. O livro de Daniel foi escrito entre 607-534 a.C., e os críticos procuram
datá-lo em 168-165 a.C.
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PROBABILIDADE DE CUMPRIMENTO DAS PROFECIAS
A probabilidade composta de apenas as profecias do primeiro advento
(nascimento de Jesus Cristo) terem se cumprido por acaso é muitíssimo menor
que 1/10300, comparável a um macaco, brincando, por acaso acertar na
primeira tentativa o número telefônico do presidente de cada país no mundo.
A probabilidade de Mq 5:2 ter acertado o local do nascimento de Jesus Cristo
por acaso é de (1/12 tribos) x (1/200 cidades em Judá) = 1/2.400; tomemo-la
apenas como 1/2.000. A probabilidade de Dn 9:24-26 ter acertado a data de
entrada de Cristo em Jerusalém por acaso é de 1/(2.500 anos x 365 dias) =
1/900.000. A probabilidade composta desses 2 eventos é de (1/2.000) x
(1/900.000) = (1/1.800.000.000).
3268 profecias do A.T. já foram cumpridas cabalmente. Isto equivale a 10-984.
20 – A BÍBLIA É AUTÊNTICA
Cada livro foi escrito pela pessoa e na época que lhe são tradicionalmente
atribuídos, não foi falsificado, não é espúrio, forjado, corrompido.
A Tradição firme entre os fiéis e conservadores judeus e os crentes é
indisputável quanto à genuinidade e autores da Bíblia, conforme abaixo indicados.
Só há variação quanto a alguns pouquíssimos anos da data exata de alguns dos
livros.
20.1. O Pentateuco
A Lei (Pentateuco, Torah) foi escrita por Moisés (século XV a.C.).
1. Gênesis (1491 a.C.), Êxodo (1491 a.C.), Levíticos (1490 a.C.), Números
(1451 a.C.), e Deuteronômio (1451 a.C.) foram escritos por Moisés.
Já na época de Hammurabi se escrevia. Moisés pode ter recebido todo o livro
de Gênesis por revelação direta de Deus ou ter compilado os tabletes escritos
diretamente por Deus (a partir de Gn 1:1), e aqueles, divinamente inspirados,
escritos por Adão (a partir de Gn 2:4), Noé (de Gn 5:1); Sem (Gn 10:1); Abraão (Gn
11:10); Isaque (Gn 25:12); Jacó (Gn 37:2); e José (Gn 50:6). Seguem algumas
provas da autoria do Pentateuco por Moisés:
1. No Pentateuco: Êx 17:14 + 24:4; 34:27-28.
2. No V. T.: Js 8:31; 23:6; 1 Rs 2:3; 2 Rs 14:6; Ne 13:1; Dn 9:11.
3. Por Cristo: Mt 8:4; Lc 16:29; 24:27; Jo 5:45-47.
4. No N.T.: At 15:21; 1 Co 9:9; Hb 9:19.
5. O autor, obviamente, foi testemunha ocular do Êxodo, pois costumes e
palavras são do Egito (2000 a.C.).
SEM – A DESCENDÊNCIA ABENÇOADA DE NOÉ
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Noé tinha três filhos: Sem, Cão e Jafé, que depois de deixarem a arca, foram
para diferentes regiões. Sem permaneceu na Ásia, Cão foi para a África e Jafé
para a Europa.
De Sem nasceu um povo que continuou explorando as terras imediatas ao
berço da civilização. Desse povo é que descende o grande amigo de Deus –
Abraão, “o pai dos hebreus”.
Sem foi o intermdiário: nasceu 120 anos antes do dilúvio, conheceu a Noé, seu
pai, a Lameque, seu avô (que conviveu com Adão 50 anos) e a Matusalém, seu
bisavô (que conviveu com Adão por 250 anos).
Noé viveu até ao tempo de Abraão e Sem chegou a alcançar o tempo de Jacó.
Esses fatos demonstram a maneira pela qual os conhecimentos históricos do
princípio da raça foram comunicados às gerações posteriores.
20.2. Os Profetas
Josué 1427 a.C. Josué. Js 24:26. Eleazar ou seu filho Finéias podem,
inspirados, ter concluído 24:29-33.
Juízes 1080! a.C., tempo
de Saul
Samuel. Jz 19:1; 21:25 / 1:21; 2 Sm 5:6-8.
1 Samuel 1-
24
1060 a.C. Samuel. 1 Cr 29:29
1 Samuel
25, 2
Samuel
1018 a.C. Natan + Gad. 1 Cr 29:29
1 Rei 1-11 1004 (ou, num
sentido menos
conservador,
Jeremias, 590)
a.C.
Cronistas (ou, num sentido menos conservador,
Jeremias ou seu contemporâneo), selecionados por
Jeremias ou seu contemporâneo.
1 Reis 12-25 897 (ou, num
sentido menos
conservador,
Jeremias, 590)
a.C.
Cronistas (ou, num sentido menos conservador,
Jeremias ou seu contemporâneo), selecionados por
Jeremias ou seu contemporâneo.
2 Reis 1004 (ou, menos
conservador,
Jeremias, 590)
a.C.
Cronistas (ou, num sentido menos conservador,
Jeremias ou seu contemporâneo), selecionados por
Jeremias ou seu contemporâneo.
Isaías 698 a.C. Isaías. 2 Cr 32:32 // 2 Cr 26:22 // Is 1:1 // Mt
8:17 + Is 53:4; Lc 4:17-19 + Is 61:1; Jo 12:38-41 + Is
53:1 + 6:10. Cristo atestou a genuinidade do livro de
Isaías.
Jeremias 588 a.C. Jeremias. Jr 30:2; 51:60; Baruque foi seu
amanuense Jr 36 + 45:1.
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Ezequiel 574 a.C. Ezequiel. 24:2; 43:11
Habacuque 626 a.C. Habacuque. 2:2
Oséias 740 a.C. Oséias
Joel 800 a.C. Joel
Amós 787 a.C. Amós
Obadias 587 a.C. Obadias
Jonas 862 a.C. Jonas
Miquéias 750 a.C. Miquéias
Naum 713 a.C. Naum
Sofonias 630 a.C. Sofonias
Ageu 520 a.C. Ageu
Zacarias 520 a.C. Zacarias
Malaquias 397 a.C. Malaquias
20.3. Os Escritos
Salmos diversas datas,
de ± 1491 a ± 480
a.C.
73 Salmos por Davi (2 Cr 35:4); 2 por Salomão, 12
por Asafe; 11 pelos filhos de Coré; 1 por Etan; 1 por
Moisés; 50 anônimos. Asafe e Coré eram de famílias
levitas, dedicadas ao louvor!!!
Provérbios
1-29
1000 a.C. Salomão: Pv 1-24 ele escreveu e publicou; Pv 25 a 29
foram copiados dos seus escritos, pelos servos de
Ezequias, ± 700 a.C.; Pv 30 foi escrito por Agur, mas
Salomão, inspirado, o selecionou como inspirado, e o
publicou; Pv 31 foi escrito por “Rei Lemuel” , mas
Salomão, inspirado, também o selecionou como
inspirado e publicou; ou, mais provável porque não
há registro deste “Rei Lemuel”, provavelmente ele é
Salomão. Lemuel (= “Dedicado a Deus”) seria
carinhoso “apelido” usado só pela mãe ao lhe falar, e
perdido com o tempo.
Jó 400 anos antes
do Pentateuco.
Antes da Lei.
Provavelmente
em +- 2000 a.C.!
Jó. Não se refere à Lei, nem sequer a Abraão e à
aliança abraâmica, deve ser o livro mais antigo da
Bíblia, pode ser mais antigo que os mais antigos
hieróglifos! Algo da sabedoria do mundo prédiluviano
pode ter sido transmitida a Jó.
Cantares 1013 a.C. Salomão. Ct 1:1.
Rute 1060 a.C.
Contemp. de
Davi. Rt 4:22
Samuel.
Lamentações 588 a.C. Jeremias.
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Eclesiastes 975 a.C. Salomão (Ec 1:1, 16; 2:4-11), não obstante alguns
pequenos problemas lingüísticos.
Ester 509 a.C. Mordecai. Mas (ao menos cap. 10) pode ter sido
escrito por judeu seu contemporâneo e com acesso
às crônicas dos reis da Média e da Pérsia Et 2:23;
9:20; 10:2-4.
Daniel 607 – 534 a.C. Daniel. 7:2; 8:1,15; 9:2; 10:2; 12:4; Mt 24:15.
Esdras 457 a.C. Esdras. 7:28 + 7:1
Neemias 434 a.C. Neemias. 1:1.
1 Crônicas Até 1015 (ou,
menos
conservador,
antes de Esdras
450-425 a.C.)
Cronistas (ou, num sentido menos conservador,
Esdras), selecionados por Esdras. 1, 2 Rs lidam com
os aspectos proféticos da história, 1,2 Cr com os
sacerdotais.
2 Crônicas
1-9
1004 (ou, menos
conservador,
antes de Esdras
450-425 a.C.)
Cronistas (ou, num sentido menos conservador,
Esdras), selecionados por Esdras. 1, 2 Rs lidam com
os aspectos proféticos da história, 1,2 Cr com os
sacerdotais.
2 Crônicas
10-36
623 a.C.
20.4. O Novo Testamento
Mateus 38 (ou, pouco
conservador:
50)
Mateus, em Grego, na Judéia (ou, num sentido
pouco conservador, fora da Judéia, após deixar a
região, hoje conhecida como Palestina, para pregar
aos gregos, e após escrever este evangelho em
Aramaico, em 45 d.C.)
Marcos 65 ou (67 a
68), de Roma
João Marcos.
Lucas 58 (ou 63), da
Grécia
Lucas, o médico amado
João 85-90, da Ásia
Menor
João 21:24. Alguns, inconformados com a ênfase
na divindade de Cristo, afirmam que é espúrio e
escrito após 160 ou 200 d.C. A descoberta do
Papiro 52, com fragmento do capítulo 18 e datado
no máximo de 120 d.C., destrói a teoria.
Atos 64, da Grécia Lucas.
Romanos 58, de Corinto Paulo. As pequenas mudanças de estilo nas
epístolas pastorais são esperáveis!…
1 Coríntios 56, de Éfeso Idem. Idem.
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2 Coríntios 57, da
Macedônia
Idem. Idem.
Gálatas 52, de Corinto
ou Macedônia
Idem. Idem.
Efésios 61, de Roma Idem. Idem.
Filipenses 62, de Roma Idem. Idem.
Colossenses 62, de Roma Idem. Idem.
1 Tessalonicenses 52, de Corinto Idem. Idem.
2 Tessalonicenses 52, de Corinto Idem. Idem.
1 Timóteo 64, da
Macedônia
Idem. Idem.
2 Timóteo 65, de Roma Idem. Idem.
Tito 64, da
Macedônia ou
Grécia
Idem
Filipenses 62, de Roma Idem. Idem.
Hebreus 63, de Roma. Anônimo. O mais provável é Paulo (Hb 13:23; 2 Pe
3:15); apoio da mais antiga e respeitável tradição.
Tiago 49, de
Jerusalém
Tiago. Um dos pelo menos 7 filhos de Maria, irmão
de Jesus. É a mais antiga das epístolas!
1 Pedro 64, de Roma Pedro. Silvanus pode ter ajudado no estilo de 1 Pe
(ler 5:12), daí as pequenas diferenças quanto 2 Pe.
2 Pedro 65, de Roma Pedro. Idem.
Judas 66, local ind. Judas. Um dos pelo menos 7 filhos de Maria, irmão
de Jesus.
1 João 69, da Judéia João. Pequenas diferenças de estilo são esperáveis,
ou semelhantes às de Pedro.
2 João 69, de Éfeso João. Pequenas diferenças de estilo são esperáveis,
ou semelhantes às de Pedro.
3 João 69, de Éfeso João. Pequenas diferenças de estilo são esperáveis,
ou semelhantes às de Pedro.
Apocalipse 96, de Patmos João. Pequenas diferenças de estilo são esperáveis,
ou semelhantes às de Pedro.
IMPORTANTE! Note que o Evangelho segundo Mateus foi escrito por Mateus
em grego. Alguns, inconformados com a ênfase na divindade de Jesus Cristo,
afirmam que o Evangelho segundo João é espúrio e escrito após 200 d.C., mas não
têm sequer uma prova, só maus desejos (O Papiro 52, datado de 120, com trechos
de João 18, esmigalha seus desejos. O livro de Hebreus foi escrito em 63,
anonimamente (Por Paulo, cremos!). A epístola 1 Pedro pode ter recebido o auxílio
gramatical de Silvanus; pequenas diferenças no estilo das epístolas de Pedro são
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esperáveis pelos tempos (ou, pode ter havido o auxílio de “amanuensesdialogadores”
diferentes).
“Em caso de dúvida, deve-se favorecer o próprio documento, e não a posição
questionadora do crítico” (Aristóteles).
20.5. A Bíblia é Verídica; Confiável
Um livro é confiável se relata veridicamente tudo aquilo de que trata.
O Antigo Testamento é Confiável
A. Os fatos da História, da Arqueologia, da Geografia e Topografia, sempre
concordam assombrosamente com a Bíblia! Todas as teorias desdenhadoras da
Bíblia têm sido destruídas pelos fatos.
Sabe-se que Salmanezer IV sitiou a cidade de Samaria, mas “o rei da Assíria”,
que sabemos ter sido Sargom II, carregou o povo para a Assíria (II Reis 17:3-
6). A história mostra que ele reinou de 722-705 a.C. Ele é mencionado pelo
nome apenas uma vez na Bíblia (Is 20:1). Nem Belsazar (Dn 5), nem Dario, o
Medo (Dn 6), são mais considerados como personagens fictícios.
Os hieróglifos egípcios indicam que a escrita já era conhecida mais de mil anos
antes de Abraão. A arqueologia também confirma o fato de Israel ter vivido no
Egito, que o povo foi escravo naquela terra e que ele finalmente saiu daquele
país. O pesquisador John Garstang, dá a data do êxodo como 1447 a.C. Os
Hititas ou heteus, cuja existência era posta em dúvida até recentemente,
foram mostrados como tendo sido um povo poderoso na Ásia Menor e na
(região, hoje conhecida como) Palestina, na mesma época indicada na Bíblia,
pela descoberta de uma biblioteca hitita na Turquia.
Descobertas arqueológicas também confirmam a veracidade do Novo
Testamento. Quirino (Lucas 2:2) foi governador da Síria duas vezes (16-12 e 6-
4 a.C.), sendo que Lucas se refere a esse último período. “Lisânias, o Tetrarca”
é mencionado em uma inscrição no local de Abilene na época a que Lucas se
refere. Uma inscrição em Listra registra a dedicação da estátua a Zeus
(Júpiter) e Hermes (Mercúrio), o que mostra que esses deuses eram colocados
na mesma classe no culto local, conforme insinuado em Atos 14:12. Uma
inscrição de Pafos faz referência ao “procônsul Paulo”, que já foi identificado
como o Sérgio Paulo de Atos 13:7.
Os tabletes de Ebla confirmaram a existência de Sodoma e Gomorra.
Arqueólogos modernos taparam as bocas dos que zombavam da realidade de
Dario, etc.
OS MANUSCRITOS DO MAR MORTO
Em Março de 1947, um pastor beduíno árabe, chamado Muhammad ad Dib,
descobriu por acaso, nas cavernas de Qumram, próximo ao Mar Morto (região
de Jericó), a mais preciosa coleção de Manuscritos do Velho Testamento.
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Foram encontrados cerca de 823 manuscritos, sendo que a maior parte é de
livros bíblicos ou relacionados.
Essas descobertas trouxeram à luz textos que confirmam a exatidão da
transmissão textual do Antigo Testamento. É muito conhecido o caso do
famoso Rolo do livro de Isaías, chamado 1QIsª, datado de 150-100 a.C., que
era cerca de 1000 anos mais velho que os mais antigos manuscritos até então
existentes!
Os Manuscritos do Mar Morto foram escondidos nas cavernas de Qumram
pelos essênios – seita ascética judaica, durante a segunda revolução dos
judeus contra os romanos em 132-135 d.C.
Os Manuscritos de Qumram são os mais antigos do mundo, conhecidos até o
momento.
Foram encontrados em Qumram manuscritos de todos os livros do Antigo
Testamento exceto do livro de Ester.
Um famoso teólogo do início do século XIX, F. C. Baur, dizia que o evangelho
de João só tinha sido escrito por volta do ano 160 d.C., negando a origem
apostólica do documento. Mas, no século XX já se descobriu um fragmento do
Evangelho de João, no Egito, datado de 125 d.C., derrubando completamente
a teoria daquele “erudito”. Este papiro (tecnicamente conhecido como Papiro
52) contém poucos versos do Evangelho de João (18.31-33, 37-38), mas era o
texto mais antigo do Novo Testamento que conhecíamos e mostra que o
evangelho que havia sido escrito depois de 90 d.C. já tinha alcançado uma
cidade do Egito em menos de 35 anos. É desta forma que as descobertas
recentes confirmam o relato e o texto da Bíblia.
B. Cristo Onisciente reconheceu integralmente a inspiração do V.T.: Mt 5:17-
18; Lc 24:27, 44-45; Jo 10:35b.
Jesus endossou um grande número de ensinamentos, como verdadeiros:
1. Ele acreditou no literal relato da criação segundo Gênesis (Mt 19:4-6; Mc
10:6-8; 13:19).
2. Acreditou que o autor do Pentateuco foi Moisés (Mt 8:4; 19:7-8; Mc 7:10;
12:26; Jo 7:22-23, Jo 5:46-47; 7:19).
3. Acreditou na revelação de Deus na sarça a Moisés (Mc 12:26).
4. Acreditou na literal historicidade e na universalidade do Dilúvio de Noé (Mt
24:37-39; Lc 17:26-27).
5. Acreditou na historicidade de Abraão (Jo 8:56).
6. Acreditou na destruição de Sodoma e Gomorra e o livramento de Ló (Mt
10:15; 11:23-24; Lc 17:28-30).
7. Acreditou que a esposa de Ló foi literalmente transformada em uma coluna
do sal (Lc 17:32).
8. Acreditou que Deus deu o literal maná do céu a Israel (Jo 6:31-32, 49, 58).
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9. Acreditou que Davi foi um autor de Salmos (Mt 22:43).
10. Acreditou na historicidade de Jonas e da literal baleia (Mt 12:39-41).
11. Acreditou na existência do Tabernáculo (Lc 6:3-4).
12. Acreditou que o escritor do livro Daniel foi o real Daniel (Mt 24:15).
13. Acreditou na unidade do livro de Isaías (Mt 8:17; 13:14-15; Mc 7:6; Lc
4:17-18; Jo 12:38-41)
14. Acreditou que os judeus tiveram uma história de rejeitar a Palavra de
Deus (Lc 11:47-51).
15. Aceitou no Cânon judaico do Velho Testamento, mas rejeitou o Apócrifo (Lc
24:44)
16. Severa e publicamente repreendeu os Saduceus por sua ignorância das
Escrituras (Mt 22:29).
17. Ensinou que cada palavra das Escrituras procede de Deus (Mt 4:4).
18. Ensinou a doutrina da perfeita e incessante preservação das Escrituras
(Mt 5:17-18; 24:35; Lc 16:17).
19. Ensinou que as Escrituras do Velho Testamento apontavam para Ele (Lc
24:27, 44).
20. Ensinou que o homem será julgado pela Palavra de Deus (Jo 12:47-48).
21. Ensinou a autoridade absoluta das Escrituras (Jo 10:34-36).
22. Pré-autenticou os escritos do Novo Testamento como realmente sendo as
Escrituras (Jo 14:26; 16:12-13)
23. Ensinou sobre a personalidade de Satanás e seu caráter maligno (Jo 8:44).
Se o próprio Jesus Cristo crê na inspiração da Bíblia, por que nós não
creremos nela?
Em muito mais que 180 dos 1800 versos onde Jesus Cristo fala, Ele cita o V.T.
O Novo Testamento é Confiável
Seus escritores eram competentes, qualificados (humana e divinamente
falando). Eles (inclusive Paulo) foram testemunhas oculares de todo o ministério,
morte e ressurreição de Cristo, aprendendo diretamente dEle. Lucas foi
companheiro de Paulo, fidelíssimo registrador do que viu, e também do que os
apóstolos viram e lhe ensinaram diretamente. Marcos foi o intérprete de Pedro,
segundo Papias e Irineu. Tiago e Judas eram irmãos do Senhor. Eram honestos (até
o ponto de darem suas vidas!). Foram investidos pelo Espírito Santo. Seus escritos
se harmonizam perfeitamente uns com os outros, e sempre concordam com os fatos
da História e da experiência.
APARENTES CONTRADIÇÕES ENTRE PAULO E TIAGO
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Eles somente falam de pontos de vista complementares: o que Deus vê e o que
os homens vêem; a verdadeira fé, que resulta em obras e a fé falsa, que nada
produz. Há progresso no desenrolar da doutrina dos evangelhos para as
epístolas e diferentes ênfases na revelação dos ensinos (por exemplo: do
divórcio; dos cultos e adoração; etc.), mas nunca contradição!
Os registros do N. T. estão de acordo com a História: o recenseamento quando
Quirino era governador da Síria (Lc 2:2); os Atos de Herodes o Grande (Mt 2:16-18);
de Herodes Antipas (Mt 14:1-12), de Agripa I (At 12:1); de Gálio (At 18:12-17);
Agripa II (At 25:13 – 26:32), etc.
21 – A BÍBLIA E SUA
CANONICIDADE
Um livro é canônico quando, desde o seu primeiro dia, foi aceito pelo povo de
Deus como divinamente inspirado, como realmente o é.
O termo Cânon vem do grego “kánon”, e do hebraico “kaneh” (= regra; lista
autêntica dos livros considerados como inspirados). Significava originalmente “vara
de medir”, depois “norma ou regra” (Gl 6:16), e hoje significa “catálogo de uma
revelação completa e divina”.
A palavra cânon acha-se em três passagens do N.T.: Gl 6:16, Fp 3:16 e 2 Co
10:13-17.
A inspiração diz respeito à ação divina no ato do registro escrito, garantindo o
resultado fiel.
Já a canonização do Texto diz respeito à ação humana, reconhecendo a
qualidade divina daquele material.
A “canonização” de um livro não significa que homens lhe concederam
autoridade e inspiração divina, mas sim que homens formalmente
oficializaram o que sempre foi reconhecido como inspirado por Deus [em
outras bases, suficientes].
Esse processo de reconhecimento se deu no seio da comunidade da Fé — a
comunidade hebraica, quanto ao A.T., e a comunidade cristã (igreja primitiva),
quanto ao N.T.
A canonização tem tudo a ver com a preservação do Texto, pois, a comunidade
da Fé só iria se preocupar em transmitir e proteger os livros “canônicos”, tidos como
inspirados.
A parte humana na transmissão do Texto fica patente, mas será que houve
ação divina também, protegendo o Texto (a exata redação do Texto)?
Se o Criador quis que Sua revelação chegasse intacta, ou pelo menos de forma
íntegra e confiável, até o século XX e seguintes, fatalmente teria que vigiar o
processo da transmissão através dos séculos. Teria que proibir a perda
irrecuperável de qualquer parte genuína, bem como a inserção indetectável de
material espúrio.
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21.1. A Formação do Cânon do Antigo Testamento
O Cânon do Antigo Testamento foi formado num espaço de -/+ 1046 anos – de
Moisés a Esdras. Moisés escreveu as primeiras palavras do Pentateuco por volta de
1491 a.C. O cânon das Escrituras do V. T. foi encerrado por Esdras e seus
companheiros piedosos, que formaram a Grande Sinagoga (120 membros, segundo
a literatura judaica), cerca de 445 anos a.C. (Ed 7:10, 14).
Os livros do Antigo Testamento formaram o Cânon de maneira lenta e gradual,
à medida que iam sendo credenciados, como inspirados por Deus, perante o povo
comum, seus líderes, seus profetas e sacerdotes.
A história da formação do Velho Testamento começa com Moisés, que recebeu
a revelação divina em várias formas e depois a transcreveu em livros. Ele os redigiu
usando livros, tradição oral, oráculos recebidos diretamente de Deus, além do fato
de que participou de toda a história narrada entre Êxodo e Deuteronômio (Nm
33:2). Ele recebeu ordens expressas de escrever (Êxodo 17:14; 24:4, 7; 34:27-28).
Relatou os acontecimentos da época.
No fim de sua vida, com os cinco primeiros livros praticamente terminados, já
tinha perfeita percepção de que estes livros se tornariam normativos para o povo:
seriam “o Livro da Lei”, os cinco primeiros livros (Pentateuco) (t 28:58, 61; 29:20-
29; 30:10; 31:9-13, 19, 22, 24-26)
Devemos lembrar que Moisés viveu com o povo de Israel por quarenta anos no
deserto, e teria não somente tempo, mas conhecimento e condições para escrever.
Durante a época de Moisés e depois dele, outros profetas continuaram sua
obra oral e escrita (Nm 12:6; Dt 18:15-22; 34:10; Jz 4:4; 6:8). Os sacerdotes e
levitas foram encarregados de guardar, colecionar e copiar os livros do V. T. O
Tabernáculo e depois, o Templo, eram o centro de reunião dos materiais inspirados.
Os profetas guardavam as obras na Arca (“perante o Senhor”) (Dt 17:18-20; 31:9-
13, 24-29; Js 24:26; 1 Sm 10:25; 2 Rs 22:8; 23:24; Js 24:26).
Os livros estavam disponíveis aos líderes da nação e do sacerdócio. Caso eles
fossem também profetas, como era o caso de Josué, eles também acabariam por
escrever algo ou até uma obra inteira que seria incorporada à coleção de livros
sagrados (Josué 1:8; 24:26). O período da conquista da terra de Canaã e também
dos Juízes, evidencia a presença dos livros pela prática dos seus ensinos: a aliança
foi lembrada (Jz 2:1-5) e alguns rituais foram praticados (Jz 13:2-7,13-14).
Samuel, como “primeiro profeta”, tratou de dar impulso à historiografia
profética (1 Sm 10:25; 1 Cr 29:29). Os profetas foram os historiadores de Israel: eles
narravam os acontecimentos, privilegiando os assuntos que interessavam ao
desenvolvimento dos propósitos de Deus para o seu povo (2 Crônicas 9:29; 12:15;
13:22; 20:34; 26:22; 32:32; 33:18, 19)
No período dos reis e profetas, bastante material já estava centralizado no
Templo de Jerusalém (2 Crônicas 34:14-18; Jeremias 36). Os reis Davi, Salomão,
Josias, Ezequias e os vários profetas são escritores ou divulgadores dos livros
bíblicos. Os reis deviam sempre obedecer à Lei (2 Reis 14:6). O sacerdote Hilquias
achou “o Livro da Lei” (2 Rs 22:8-10). Neemias achou “o Livro dos Judeus” (Ne 7:5).
Os textos de alguns livros foram sendo compilados durante o período dos reis.
A frase final do Salmo 72.20 mostra que houve uma época em que a coleção dos
Salmos terminava ali. Depois ela foi ampliada. Da mesma forma, Provérbios 25:1
mostra que o livro de Provérbios foi ampliado. Todas estas compilações a
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amplificações dos livros ocorreram dentro da inspiração divina, através do Espírito
Santo.
Os profetas pregaram e escreveram suas obras (Is 30:8; Jr 25:13; 29:1; 30:2,
36:1-32; 51:60-64; Ez 43:11; Hc 2:2; Dn 7:1; 2 Cr 21:12). Eles sabiam que
estavam deixando suas obras para o futuro e até as enviaram para outros
lugares (Jr 29:1; 36:1-8; 51:60-61; 2 Cr 21:12). Liam, citavam e usavam as
obras uns do outros (Is 2:1-5 e Mq 4:1-5 / Jr 26:18 cita Mq 3:12), atestando a
existência da coleção de livros inspirados (Dn 9:2). Entendiam que seus livros
se tornariam obra de referência e consulta no futuro (Is 34:16; Dn 12:4).
Este material inspirado foi levado ao exílio e à dispersão (Dn 9:2), quando os
judeus foram deportados da Palestina. Talvez tenha sido trazido de volta por
aqueles que iriam iniciar a religião dos samaritanos (2 Rs 17:24-41). Mas, o
grande retorno da lei à (região hoje conhecida como) Palestina ocorreu com
Esdras, sacerdote e grande escriba (Ed 7; Ne 8-10). O oficio de Esdras como
sacerdote e levita mostra que, no Velho Testamento, os sacerdotes eram os
que centralizaram e preservaram o Velho Testamento.
Os últimos profetas a escrever (Ageu, Zacarias e Malaquias) tiveram suas
obras reconhecidas e incorporadas no Velho Testamento, assim também, os
últimos livros históricos tais como Crônicas, Esdras, Neemias e Ester.
Nos últimos anos do período incluso no Cânon, cinco grandes homens de
Deus viveram simultaneamente numa época de profundo despertamento religioso, a
saber: Esdras, Neemias, Ageu, Zacarias e Malaquias, sendo Esdras, dos cinco, o
mais hábil e versátil.
Foi este poderoso sacerdote-escriba que, segundo a tradição judaica, presidiu
a chamada Grande Sinagoga, que selecionou e preservou os rolos sagrados,
determinando, dessa maneira, o Cânon das Escrituras do Antigo Testamento (Ed
7:10, 14). A Esdras é atribuído também a tríplice divisão do Cânon hebraico (A Lei,
Os Profetas e os Escritos).
Ao encerramento do V. T. (isto é, ao terminar de ser escrito o seu último livro
[Neemias ou Malaquias] no século V antes de Cristo) foi reconhecido por TODOS os
crentes fiéis que o cânon do V. T. (isto é, a coleção dos 39 livros que o constituem)
estava encerrado para sempre, e incluía o livro de que falamos.
Depois do acima referido encerramento do V. T., tudo isto acima dito (e que
sempre foi o consenso entre os crentes fiéis) foi meramente RECONHECIDO e
declarado OFICIALMENTE e por TODOS, sob o comando de Esdras, em cerca do
século IV a.C.
O VELHO TESTAMENTO é canônico, porque sempre foi reconhecido como
inspirado por Deus:
• A Lei sempre foi reconhecida como canônica: Dt 17:18-20; 31:10-13, 24-
26; Js 1:8; 1 Rs 11:38; 2 Rs 22:8; 23:1-2; Ne 1:7-9; Ed 3:2.
• Os Profetas/Escritos sempre foram reconhecidos como canônicos: 2 Rs
17:13; Dn 9:2; Mt 22:29; 23:35; Lc 24:44; Jo 5:39; 10:35; 2 Tm 3:16; 2 Pe
1:20-21.
OBJEÇÕES À CANONICIDADE DO ANTIGO TESTAMENTO
1ª OBJEÇÃO: As 3 divisões do V.T. (Lei, Profetas, Escritos) implicam 3
“campanhas humanas concedendo autoridade”.
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REFUTAÇÃO: Não há sequer uma prova disto! As divisões são pelas naturezas
dos assuntos/escritores. Em Israel o divino se tornava aceito, e não o aceito se
tornava divino! 2 Rs 22:8; 23:1-2; Ne 8:1-3 não são outorgamentos, mas sim
reconhecimentos da inspiração divina.
2ª OBJEÇÃO: Os Livros de Eclesiastes e Cantares de Salomão ainda eram
duvidados por alguns até depois do Concílio de Jamnia (90 d.C.), portanto o
cânon do V.T. ainda estava em aberto até cerca de 200 d.C.
REFUTAÇÃO: No Concílio de Jamnia, os judeus apenas discutiram sobre
alguns livros e apenas RATIFICARAM o que já era canônico. Exigir
unanimidade absoluta, o que se quer é nunca ter um cânon autoritativo e
final! Os eruditos judeus sempre mantiveram que, já em 445 a.C., no reino de
Artaxerxes Longânimo, Esdras “juntou, ordenou e publicou” o V.T. na sua
forma final, como o conhecemos. Josephus (80 d.C.) corrobora isto e usa
cânon e divisões Massoréticas. Esdras é chamado de “o escriba” (Ne 8:1, 4, 9,
13; 12:26, 36), “escriba versado na lei de Moisés” (Ed 7:6), e “o escriba das
palavras dos mandamentos e dos estatutos do Senhor sobre Israel” (Ed 7:11).
3ª OBJEÇÃO: os apócrifos figuram na Septuaginta.
REFUTAÇÃO: Mas nunca no cânon judaico!
21.2. Classificação Técnica do Antigo Testamento
Estudiosos de eras posteriores, nem sempre totalmente conscientes dos fatos
a respeito da aceitação original do cânon, tornavam a levantar dúvidas sobre certos
livros.
Com isso, surgiu a terminologia técnica, conforme vemos abaixo:
A. HOMOLOGOUMENA (falar como um). São os livros bíblicos que foram
aceitos por todos.
A canonicidade de alguns livros jamais foi desafiada por nenhum dos grandes
rabis da comunidade judaica. Desde que alguns livros foram aceitos pelo povo de
Deus como documentos produzidos pela mão dos profetas de Deus, continuaram a
ser reconhecidos como detentores de inspiração e de autoridade divina pelas
gerações posteriores.
34 dos 39 livros do Antigo Testamento podem ser classificados como
“homologoumena”. Os cinco excluíveis seriam: Cantares de Salomão, Eclesiastes,
Ester, Ezequiel e Provérbios.
B. ANTILEGOMENA (falar contra). São os livros bíblicos que em certa ocasião
foram questionados por alguns.
A canonicidade de 5 livros do Antigo Testamento foi questionada numa ou
noutra época, por algum mestre do Judaísmo: Cantares de Salomão, Eclesiastes,
Ester, Ezequiel e Provérbios. Cada um deles se tornou controvertido por razões
diferentes; todavia, no fim prevaleceu a autoridade divina de todos os cinco livros.
Cantares de Salomão: Alguns estudiosos da escola de Shammai
consideravam esse cântico como sendo sensual em sua essência. Porém, é mais
provável que a pureza e a nobreza do casamento façam parte do propósito essencial
desse livro. É preciso ver esse livro da perspectiva espiritual correta. A figura do
casal, neste livro, representa Cristo e igreja (2 Co 11:2; Ef 5:25-29).
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Eclesiastes: Alguns objetaram que esse livro parece cético. Alguns até o
chamam de “O Cântico do ceticismo”. Qualquer pessoa que procure a máxima
satisfação “debaixo do sol”, com toda a certeza há de sentir as mesmas frustrações
sofridas por Salomão, visto que a felicidade eterna não se encontra neste mundo
temporal.
Além do mais, a conclusão e o ensino genérico desse livro estão longe de ser
céticos. Depois “de tudo o que se tem ouvido”, o leitor é admoestado: “a conclusão é:
Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos, pois isto é todo o dever do homem”
(Ec 12:13).
Assim como o livro Cantares de Salomão, o problema básico é de interpretação
do texto e não de canonização ou inspiração.
Ester: Pela ausência do nome de Deus neste livro, alguns pensaram que ele
não fosse inspirado. Perguntavam como podia um livro ser Palavra de Deus, se nem
ao menos trazia o Seu nome. (YHWH).
Porém, uma coisa é certa: a ausência do nome de Deus é compensada pela
presença de Deus na preservação de Seu povo. (Ver Et 4:14).
O fato de Deus haver concedido grande livramento, como narra o livro, serve
de fundamento e razão da festa judaica do Purim (Et 9:26-28). Basta este fato para
demonstrar a autoridade atribuída ao livro, dentro do Judaísmo.
Ezequiel: Alguns na escola rabínica pensavam que esse livro era antimosaico
em seu ensino. Achavam que o livro não estava em harmonia com a lei mosaica. No
entanto, essa tese não prevaleceu e demonstrou mais uma vez ser uma questão de
interpretação e não de inspiração.
Provérbios: Achavam-no um livro contraditório (Pv 26:4-5). Achavam
contraditório o leitor ser exortado a responder e ao mesmo tempo não responder.
Todavia, o sentido aqui é que há ocasiões em que o tolo deve receber resposta de
acordo com sua tolice, e em outras ocasiões isso não deve ocorrer. Porém, nenhuma
“contradição” ficou demonstrada em nenhuma passagem de Provérbios.
É importante frisar que a Bíblia em momento algum é contraditória, pois é a
Palavra de Deus (Infalível). O que “parece” contradição é erro de interpretação
humana.
C. PSEUDEPÍGRAFOS (falsos escritos). Livros não-bíblicos rejeitados por
todos.
Grande número de documentos religiosos espúrios que circulavam entre a
antiga comunidade judaica são conhecidos como “pseudepígrafos”. Nem tudo
nesses escritos é falso. De fato, a maior parte desses documentos surgiu de dentro
de um contexto de fantasia ou tradição religiosa, possivelmente com raízes em
alguma verdade. Com freqüência, a origem desses escritos estava na especulação
espiritual, a respeito de algo que não ficou bem explicado nas Escrituras canônicas.
As tradições especulativas a respeito do patriarca Enoque, por exemplo, sem
dúvida são a raiz do livro de Enoque. De maneira semelhante, a curiosidade a
respeito da morte e da glorificação de Moisés, sem dúvida se acha por trás da obra
Assunção de Moisés.
No entanto, essa especulação não significa que não exista verdade nenhuma
nesses livros. Ao contrário, o Novo Testamento se refere a verdades implantadas
nesses dois livros (vide Jd 14,15) e chega a aludir à penitência de Janes e Jambres
(2 Tm 3:8). Entretanto, esses livros não são dotados de autoridade, como Escrituras
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inspiradas. Paulo também citou alguns poetas não-cristãos, como Arato (At 17:28),
Menânder (1 Co 15:33 traz uma linha do poema grego “Taís de Alexandre”) e
Epimênides (Tt 1:12). (Nm 21:4; Js 10:13; 1 Rs 15:31).
Trata-se tão somente de verdades verificáveis, contidas em livros que, em si
mesmos, nenhuma autoridade divina têm. É importante que nos lembremos que
Paulo cita apenas aquela faceta da verdade, e não o livro pagão como um todo,
como conceito a que Deus atribuiu autoridade e fez constar no Novo Testamento.
A verdade é sempre verdade, não importa onde se encontre, quer pronunciada
por um poeta pagão, quer por um profeta pagão (Nm 24:17), por um animal
irracional e mudo (Nm 22:28) ou mesmo por um demônio (At 16:17). (Caifás –
Jo 11:49).
É possível que o fato mais perigoso a respeito desses falsos escritos
(pseudepígrafos) é que alguns elementos da verdade são apresentados com palavras
de autoridade divina, num contexto de fantasias religiosas que, em geral, contem
heresias teológicas.
A infundada reivindicação de autoridade divina, o caráter altamente fantasioso
dos acontecimentos e os ensinos questionáveis (e até mesmo heréticos) desses livros
levaram os pais do Judaísmo a considerá-los espúrios (pseudepígrafos).
1. Lendários: O livro do Jubileu; Epístola de Aristéias; O livro de Adão e Eva;
O martírio de Isaías
2. Apocalípticos: 1 Enoque; Testamento dos doze patriarcas; O oráculo
sibilino; Assunção de Moisés; 2 Enoque, ou O livro dos segredos de
Enoque; 2 Baruque, ou O apocalipse siríaco de Baruque (*); 3 Baruque, ou
O apocalipse grego de Baruque.
3. Didáticos: 3 Macabeus; 4 Macabeus; Pirque Abote; A história de Aicar.
4. Poéticos: Salmos de Salomão; Salmo 151 (consta na Septuaginta).
5. Históricos: Fragmentos de uma obra de Sadoque
IMPORTANTE
1. 1 Baruque está relacionado entre os apócrifos.
2. Há outros livros, sendo que alguns foram descobertos entre os manuscritos
do Mar Morto, tais como: Gênesis apócrifo e Guerra dos filhos da luz contra
os filhos das trevas, dentre outros.
D. APÓCRIFOS (escondidos ou duvidosos). Livros não-bíblicos aceitos por
alguns, mas rejeitados por outros. Pelos católicos romanos são conhecidos como
Deuterocanônicos (= 2º Cânon). Foram acrescentados às Escrituras (Dt 4:2, 12:32;
Pv 30:6; Ec 3:14; Ap 22:18-19).
Na realidade, os sentidos da palavra apocrypha refletem o problema que se
manifesta nas duas concepções de sua canonicidade. No grego clássico, a palavra
apocrypha significava “oculto” ou “difícil de entender”. Posteriormente, tomou o
sentido de esotérico, ou algo que só os iniciados (não os de fora) podem entender.
Pela época de Ireneu e Jerônimo (séc. III e IV), o termo apocrypha veio a ser
aplicado aos livros não-canônicos do Antigo Testamento, mesmo aos que foram
classificados previamente como “pseudepígrafos”.
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Desde a era da Reforma, essa palavra tem sido usada para denotar os escritos
judaicos não-canônicos originários do período intertestamentário.
O Novo Testamento jamais cita um livro apócrifo indicando-o como inspirado.
As alusões a tais livros não lhes emprestam autoridade, assim como as alusões a
poetas pagãos não lhes conferem inspiração divina. Aliás, desde que o N.T. faz
citações de quase todos os livros canônicos do A.T. e atesta o conteúdo e os limites
desse Testamento (omitindo os apócrifos) parece estar claro que o N.T.
indubitavelmente exclui os apócrifos do cânon hebraico.
Os apócrifos não foram aceitos pelos judeus palestinos, zelosos preservadores
dos ensinos bíblicos que não estiveram sujeitos às influências helenizantes dos
judeus de Alexandria, muitos dos quais (mas não todos) acatavam tais livros como
de origem divina, como Palavra de Deus.
Aliás, toda a problemática de aceitação da canonicidade desses livros envolve
exatamente o grande centro da cultura grega no Oriente, a cidade de Alexandria. Os
judeus ali sofreram grande influência da filosofia grega, e houve até um destacado
intelectual judeu, Filo, que se empenhou por fundir o Judaísmo com os conceitos
gregos, que o empolgavam.
Jesus Cristo Se referiu à Bíblia Sagrada na Sua oração sacerdotal a Seu Pai
dizendo: “Santifica-os na verdade; a Tua Palavra é a verdade” (João 17:17). Como
poderiam obras cheias de conceitos que se chocam com os claros ensinos de
apóstolos e profetas, além de crendices supersticiosas, lendas, inexatidões
históricas e até mentiras qualificar-se como essa verdade de divina inspiração?
O Concílio de Trento, 1546, reagiu a Lutero, canonizando os livros apócrifos,
com o voto de 53 prelados sem conhecimentos históricos destacados sobre
documentos orientais, encontrando oposição de grandes homens como o cardeal
Polo que afirmou que assim o Concílio agiu a fim de dar maior ênfase às diferenças
entre católicos romanos e os evangélicos. Outro destacado líder católico, Tanner
afirmou que a igreja católica romana encontrou nesses livros o seu próprio espírito
(apud Introdução ao Antigo Testamento, Dr. Donaldo D. Turner, IBB).
A ação do Concílio não foi apenas polêmica, foi também prejudicial, visto que
nem todos os 14 (15) livros apócrifos foram aceitos pelo Concílio.
A Oração de Manassés e 1 e 2 Esdras [3 e 4 Esdras dos católicos romanos; a
versão de Douai denomina 1 e 2 Esdras, respectivamente, os livros canônicos de
Esdras (1 Ed) e Neemias (2 Ed)] foram rejeitados.
A rejeição de 2 Esdras é particularmente suspeita, porque contém um
versículo muito forte contra a oração pelos mortos (2 Esdras 7.105). Aliás, algum
escriba medieval havia cortado essa seção dos manuscritos latinos de 2 Esdras,
sendo conhecida pelos manuscritos árabes, até ser reencontrada outra vez em latim
por Robert L. Bentley, em 1874, numa biblioteca de Amiens, na França.
O cânon do Antigo Testamento até a época de Neemias compreendia 22 (ou 24)
livros em hebraico, que, nas bíblias dos cristãos, seriam 39, como já se verificara
por volta do século IV a.C. As objeções de menor monta a partir dessa época não
mudaram o conteúdo do cânon.
Foram os livros chamados apócrifos, escritos depois dessa época, que
obtiveram grande circulação entre os cristãos, por causa da influência da tradução
grega de Alexandria (Septuaginta), que os incluiu.
Com exceção de 2 Esdras (escrito em 100 d.C.), esses livros preenchem a
lacuna existente entre Malaquias e Mateus (o chamado “período
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intertestamentário”) e compreendem especificamente dois ou três séculos antes de
Cristo.
No entanto, até a época da Reforma Protestante esses livros não eram
considerados canônicos. A canonização que receberam no Concílio de Trento não
recebeu o apoio da história. A decisão desse concílio foi polêmica e eivada de
preconceito.
21.3. Localização Histórica dos Apócrifos
Os apócrifos foram produzidos entre o 3o e 1o século a.C. (com o cânon já
definido), no período intertestamentário, com exceção de 2 Esdras (escrito em 100
d.C.).
A cultura gentia os assimilou (o cânon de Alexandria). O historiador Josefo, os
judeus e a Igreja cristã rejeitaram.
A LXX (Septuaginta) os incluiu como adendo (seguindo o cânon alexandrino).
No Concílio de Cártago, em 397 d.C. foram considerados próprios para a leitura. O
Concílio Geral de Calcedônia, 451 d.C., negou-os.
Foram colocados no cânon em uma sessão em 08 de Abril de 1546, no
Concílio de Trento, com 5 cardeais e 48 bispos, apenas, e não foi por unanimidade.
Em 1827, a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira os excluiu da Bíblia
(não os editando nem mesmo como adendo). Desde então esta é a postura
protestante.
21.4. Razões da Rejeição dos Apócrifos
1. O Velho Testamento já estava produzido.
2. A maioria dos apócrifos foi produzida em grego.
3. Prevaleceu para os judeus o cânon palestiniano.
IMPORTANTE!
1. Jamais foram incluídos no cânon pelas autoridades reconhecidas: As
maiores e mais reconhecidas autoridades judaicas nunca reconheceram os
apócrifos: Esdras (o profeta, que “juntou, ordenou e publicou” o V. T. na sua
forma final e como o conhecemos); os fariseus; Josephus (o historiador judeu,
provavelmente o maior historiador de todos os tempos); os pais da igreja
primitiva; etc.
2. Jamais foram aceitos pelos judeus.
3. Só em 08 de abril de 1546, no Concílio de Trento, a igreja romana os
declarou canônicos, mas só em reação à Reforma Protestante.
4. Jamais foram citados por Jesus Cristo ou por nenhum outro escritor da
Bíblia. (Judas cita dois pseudepígrafos, mas não parece lhes ceder
declaradamente o conceito de inspirados).
5. Nenhum livro apócrifo alega ser inspirado (na realidade, alguns deles
ADMITEM não ser inspirados – Macabeus 15:38).
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6. Alguns apócrifos têm incontornáveis erros históricos e geográficos.
7. Alguns apócrifos ensinam doutrinas falsas e que contradizem a Bíblia como
um todo (Macabeus 12:43-46 ensina que podemos e devemos orar pelos
mortos. A Bíblia como um todo ensina que não adianta) Ver 2 Ed 7.105.
Alguns erros ensinados pelos apócrifos Refutação dos
canônicos
Narração de anjo mentindo sobre sua origem. Tobias
5:1-9
Isaías 63:8; Oséias 4:2
Diz que se deve negar o pão aos ímpios. Eclesiástico
12:4-6
Provérbios 25:21-22
Uma mulher jejuando toda a sua vida. Judite 8:5-6 Mateus 4:1-2
Deus dá espada para Simeão matar siquemitas, Judite
9:2
Gênesis 34:30; 49:5-7
Dar esmola purifica do pecado. Tobias 12:9 e
Eclesiástico 3:30
1 Pedro 1:18-19
Queimar fígado de peixe expulsa demônios. Tobias 6:6-8 Atos 16:18
Nabucodonossor foi rei da Assíria, em Nínive. Judite 1:1 Daniel 1:1
Honrar o pai traz o perdão dos pecados. Eclesiástico 3:3 1 Pedro 1:18-19
Ensino de magia e superstição. Tobias 2:9 e 10; 6:5-8;
11:7-16
Tiago 5:14-16
Antíoco morre de três maneiras. 1 Macabeus 6:16; 2
Macabeus 1:16; 9:28
Isaías 63:8; Mateus 5:37
Recomenda a oferta pelos mortos. 2 Macabeus 12:42-45 Eclesiastes 9:5-6
Ensino do purgatório ou imortalidade da alma.
Sabedoria 3:14
1 João 1:7; Hebreus 9:27
O suicídio é justificado e louvado. 2 Macabeus 14:41-46 Êxodo 20:13
21.5. Como os Livros Apócrifos Foram Aprovados
A igreja romana aprovou os apócrifos em 08 de Abril de 1546 como meio de
combater a Reforma Protestante. Nessa época, os protestantes combatiam
violentamente as doutrinas romanistas do purgatório, oração pelos mortos,
salvação pelas obras, etc. Os romanistas viam nos apócrifos base para tais
doutrinas, e apelaram para eles aprovando-os como “canônicos”.
Houve prós e contras dentro dessa própria igreja, como também depois. Nesse
tempo, os jesuítas exerciam muita influência no clero. Os debates sobre os
apócrifos motivaram ataques dos dominicanos contra os franciscanos. O biblicista
católico John L. Mackenzie em seu “Dicionário Bíblico”, sob o verbete Cânone,
comenta que no Concílio de Trento houve várias “controvérsias notadamente
candentes” sobre a aprovação dos apócrifos. Mas o cardeal Pallavacini, em sua
“História Eclesiástica” declara mais nitidamente que, em pleno Concílio, 40 bispos
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dos 49 presentes travaram luta corporal, agarrando às barbas e batinas uns dos
outros.
Foi nesse ambiente “espiritual”, que os apócrifos foram aprovados. A primeira
edição da Bíblia (“versão”) católico-romana com os apócrifos deu-se em 1592, com
autorização do papa Clemente VIII. Os Reformadores protestantes publicaram a
Bíblia com os apócrifos, colocando-os entre o Antigo e Novo Testamentos, não como
livros inspirados, mas bons para a leitura e de valor literário histórico. Isto
continuou até 1629.
21.6. A Vulgata de Jerônimo
O arranjo da Vulgata (versão latina oficial da Igreja católica romana, desde o
Concílio de Trento) completa em 450 depois de Cristo, mas aceita plenamente em
cerca de 650 depois de Cristo, em geral, segue a LXX, só que 1 e 2 Esdras são
iguais a Esdras e Neemias, e as partes apócrifas (3 e 4 Esdras), tanto como a
Oração de Manassés, são colocados no fim do Novo Testamento. Os Profetas
Maiores são colocados antes dos Profetas Menores. É uma tradução do Hebraico
para o Latim, língua oficial do império romano.
Quando Jerônimo traduziu a Vulgata, em Belém (a pedido do papa Dâmaso I),
incluiu os apócrifos oriundos da Septuaginta, através da antiga versão latina de
170, porque lhe foi ordenado, mas indicou que os mesmos não poderiam ser base
de doutrinas.
Os livros são: 1 Esdras, 2 Esdras, Tobias, Judite, Adição a Ester, Sabedoria de
Salomão, Eclesiástico, Baruque, Adições a Daniel (Cântico dos 3 Rapazes, História
de Susana, Bel e o Dragão), Oração de Manassés, 1 Macabeus, 2 Macabeus.
21.7. A Versão Católica-Romana
Seguindo a Vulgata que traduziu da LXX (Septuaginta), com exceção de
Oração de Manassés, o cânon católico incorporou os apócrifos após a Reforma.
Quando a Vulgata os inseriu, distinguiu-os dos canônicos. Aos apócrifos, chamou
de deuterocanônicos, isto é, livros do “segundo cânon” (eclesiásticos).
Na versão de edição Católico-Romana, há um total de 73 livros, sendo 7
apócrifos, além de 4 acréscimos ou apêndices a livros canônicos, sendo assim um
total de 11 escritos apócrifos: Tobias (após Esdras); Judite (após Tobias); Sabedoria
de Salomão (após Cantares); Eclesiástico (após Sabedoria de Salomão); Baruque –
incluindo a Epístola a Jeremias (após Lamentações); 1 Macabeus (após Ester); 2
Macabeus (após 1 Macabeus). São os seguintes os apêndices apócrifos: Acréscimos
a Ester (Et 10:4 – 16:24); acréscimos a Daniel: (Cântico dos três rapazes – Dn 3:24-
90; História de Suzana – Dn 13; Bel e o Dragão – Dn 14).
Além disso, as bíblias católicas possuem livros canônicos com nomenclatura
diferenciada da empregada nas edições evangélicas. No entanto, esta diferença não
tem importância. No entanto é bom conhecê-las:
BÍBLIA EVANGÉLICA BÍBLIA CATÓLICA
1, 2 Samuel 1, 2 Reis
1, 2 Reis 3, 4 Reis
1, 2 Crônicas 1, 2 Paralipômenos
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Esdras e Neemias 1, 2 Esdras
Lamentações de Jeremias Trenos
Como podemos ver estas diferenças são apenas de nomes, mais ou menos
apropriados e que para todos eles existem justificativas históricas e tradicionais.
Existem também diferenças na numeração dos Salmos:
BÍBLIA EVANGÉLICA BÍBLIA CATÓLICA
Sl 9 Sl 9,10
Sl 10 – 112 Sl 11 – 113
Sl 113 Sl 114, 115
Sl 114 – 115 Sl 116
Sl 116 – 145 Sl 117-146
Sl 146 – 147 Sl 147
Sl 148 – 150 Sl 148 – 150
Os 39 livros do nosso Antigo Testamento os católicos denominam
protocanônicos (primeiro cânon), os livros que nós chamamos apócrifos
(espúrios), eles chamam de deuterocanônicos (segundo cânon) e os livros que
nós chamamos pseudepígrafos (sem autor definido), eles chama de apócrifos.
(Os pseudepígrafos, não aparecem em nenhuma Bíblia de edições católica ou
protestante).
21.8. A Formação do Cânon do Novo Testamento
A história do cânon do N.T. difere da do A.T. em dois aspectos principais:
1. O Cristianismo (N.T.) foi desde o começo uma religião internacional e não
restrita a um só povo, como no caso do período do A.T. (restrito aos
judeus), não havia comunidade profética fechada que recebesse os livros
inspirados e os coligisse (colecionasse) em determinado lugar, etc. Por isto,
o processo mediante o qual todos os escritos apostólicos se tornassem
universalmente aceitos levou muitos séculos. Felizmente, há mais
manuscritos do Novo Testamento do que do Antigo Testamento.
2. Uma vez que as discussões resultaram no reconhecimento dos 27 livros
canônicos do N. T., não mais houve movimentos dentro do Cristianismo, no
sentido de acrescentar ou eliminar livros.
O cânon do N. T. encontrou acordo geral no seio da igreja universal. Não há N.
T. com apócrifos.
21.9. A Progressão do Cânon do Novo Testamento
Desde o início, havia escritos falsos, não-apostólicos, em circulação (Lc 1:1-4;
2 Ts 2:20; 2 Ts 3:17).
No início da igreja primitiva (século I), havia um processo seletivo em
operação. Toda e qualquer palavra a respeito de Cristo, oral ou escrita, era
submetida ao ensino dos apóstolos (1 Jo 1:3; 2 Pe 1:16).
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Era o “cânon vivo” das testemunhas oculares, mediante o qual os escritos
vieram a ser reconhecidos.
Os primeiros cristãos (igrejas) iam recebendo, lendo e colecionando as cartas
apostólicas, cheias de autoridade divina, lançando assim o alicerce de uma coleção
crescente de documentos inspirados (Circulação das Cartas: 1 Ts 5:27; Cl 4:16; 1
Pe 1:1-2; 2 Pe 3:14-16; Ap 1:3). As igrejas, assim, estavam envolvidas em um
processo iniciante de canonização.
Os cristãos eram admoestados a ler continuamente as Escrituras (1 Tm 4:11,
13). A única maneira pela qual se poderia realizar isto no seio de um número
crescente de igrejas era fazer cópias, de tal sorte que cada igreja ou grupo de igrejas
tivesse sua própria compilação de escritos autorizados.
Essa aceitação original de um livro, o qual era autorizadamente lido nas
igrejas, teria importância crucial para o reconhecimento posterior de um livro
canônico.
Assim, o processo de canonização estava em andamento desde o início da
igreja. As primeiras igrejas foram exortadas a selecionar apenas os escritos
apostólicos fidedignos. Desde que determinado livro fosse examinado e dado por
autêntico, fosse pela assinatura, fosse pelo emissário apostólico, era lido na igreja e
depois circulava entre os crentes de outras igrejas.
As coletâneas desses escritos apostólicos começaram a tomar forma nos
tempos dos apóstolos. Pelo final do século I, todos os 27 livros do N. T. haviam sido
recebidos e reconhecidos pelas igrejas cristãs como divinamente inspirados. O
cânon estava completo, e todos os livros haviam sido reconhecidos pelos crentes de
outros lugares.
Por causa da multiplicidade dos falsos escritos e da falta de acesso imediato às
condições relacionadas ao recebimento inicial de um livro, o debate a respeito do
cânon prosseguiu durante vários séculos, até que a Igreja finalmente reconheceu a
canonicidade dos 27 livros do N. T.
Logo após a primeira geração, passada a era apostólica, todos os livros do N.
T. haviam sido citados por algum pai da igreja, como dotados de autoridade. Por
sinal, dentro de 200 anos depois do século I, quase todos os versículos do N. T.
haviam sido citados em uma ou mais das mais de 36 mil citações dos pais da igreja.
Uma tradução do N. T. (Antiga siríaca) circulou na Síria pelo fim do século IV,
representando um texto que datava do século II e incluía os livros do N. T., exceto 2
Pedro, 2 e 3 João, Judas e Apocalipse.
Atanásio, o “Pai da Ortodoxia”, relaciona com clareza todos os 27 livros do N.
T. como canônicos (Cartas, 3,267,5).
RESUMINDO! o processo de compilar (colecionar) os escritos apostólicos
confiáveis iniciou-se nos tempos do N. T. No século II, houve exame desses escritos
mediante a citação da autoridade divina de cada um dos 27 livros do N. T. No
século III, as dúvidas e as objeções a respeito de determinados livros prosseguiram,
culminando nas decisões dos pais da igreja e dos concílios influentes do século IV.
21.10. Fatores que Influenciaram a Igreja no
Cânon do Novo Testamento
Alguns fatores influenciaram para que a igreja primitiva definisse de vez a lista
dos livros canônicos do N. T.
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Márcion (ou Marcião) foi um herege gnóstico (150 d.C.) que, dentre outras
coisas, fez uma lista de livros a serem aceitos. Rejeitou todo o Velho Testamento por
considerá-lo obra de um “deus inferior”. Sua lista de livros bíblicos incluiu: uma
versão resumida de Lucas (retirando os primeiros capítulos por serem muito
judaicos) e mais dez epístolas de Paulo (as chamadas “Pastorais” não foram aceitas
por lhe serem contrárias, assim como todas as outras). Chamou “Efésios” de
“Laodicenses”.
Sua rejeição dos livros bíblicos forçou as igrejas a tomarem uma posição
explícita sobre estes livros. De fato, a rejeição dos livros prova que já havia um
consenso, mas a igreja se tornou mais consciente deste consenso na luta contra a
heresia. As heresias levaram à defesa da fé. Afinal, “os germes estimulam a
formação de anticorpos”.
Na segunda metade do segundo século, o Novo Testamento já foi considerado
par do Antigo. Começam os comentários, trabalhos literários e traduções do Novo
Testamento. As traduções para o Latim antigo e para o Siríaco neste período já
incluem todo o Novo Testamento, exceto 2 Pedro na versão Siríaca.
A heresia de Marcião e de Montano, bem como os movimentos gnósticos,
contribuíram para a aceleração do processo de reconhecimento dos livros
inspirados; uma vez que Marcião negava muitos livros. Montano alegava ter novas
revelações e os gnósticos buscaram produzir sua literatura “superior”.
Outros fatores que influenciaram foram as perseguições do imperador romano
Diocleciano (302-305 d.C.). De acordo com o historiador cristão Eusébio, houve um
edito imperial da parte de Diocleciano (303 d.C.), ordenando que “as Escrituras
fossem destruídas pelo fogo”.
A perseguição motivou um exame sério da questão dos livros canônicos, quais
eram realmente canônicos e deveriam ser preservados.
É sabido que, traiçoeiramente, mesmo durante a vida dos apóstolos, no século
I, já havia algumas pessoas que insinuavam a existência de uma ou outra
corrupção na Palavra de Deus.
Livros falsificados, quer totalmente (como a Epístola de Hermas, de Barnabé,
etc.), quer parcialmente, já tentavam se insinuar nas igrejas, mesmo durante a vida
dos apóstolos. O apóstolo Paulo já advertia:
“Porque nós não somos, como muitos, falsificadores da palavra de Deus, antes
falamos de Cristo com sinceridade, como de Deus na presença de Deus.” (2
Coríntios 2:17).
“Que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis,
quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o
dia de Cristo estivesse já perto.” (2 Tessalonicenses. 2:2).
Mas ninguém pode deixar de ver e se esquivar de reconhecer que todas estas
corrupções do século I e todas as poucas corrupções subseqüentes foram
totalmente rejeitadas pela massa das igrejas. Particularmente, os textos dos
pouquíssimos manuscritos alexandrinos (séculos IV em diante) em que todo o TC se
edifica foram totalmente rejeitados pelo total da enorme massa das igrejas e jamais
foram copiados e usados para qualquer coisa. (Usamos o plural “textos” porque
cada um destes manuscritos alexandrinos difere terrivelmente dos outros, em
muitos milhares de pontos. Diferem mais entre si do que diferem do TR.).
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Podemos resumir dizendo que a grande maioria dos livros do N. T. jamais
sofreu polêmicas quanto à sua inspiração desde o início. Certos livros nãocanônicos,
que gozavam de grande prestígio, que eram muito usados e que tinham
sido incluídos em listas provisórias de livros inspirados, foram tidos como valiosos
para emprego devocional e homilético, mas nunca obtiveram reconhecimento
canônico por parte da igreja.
Só os 27 livros do N. T. são tidos e aceitos como genuinamente apostólicos e
encontraram lugar no cânon do Novo Testamento.
Assim, podemos dizer que, logo no mais tenro início, no primeiro e segundo
século do Cristianismo, ocorreu a canonização (no sentido de “reconhecimento
informal e consensual, pela grande massa das igrejas locais fiéis”).
Também podemos dizer que, ao final do século IV, ocorreu a canonização (no
sentido de “declaração formal e oficial da grande massa de igrejas locais,
mesmo que já não totalmente locais e nem todas fiéis, posto que o Romanismo
já se desenvolvia, Roma já se impunha, ainda que o Romanismo ainda tivesse
muito em que degenerar”).
21.11. Classificação Técnica do Novo
Testamento
A. HOMOLOGOUMENA (falar como um). São os livros bíblicos que foram
aceitos por todos.
Em geral, 20 dos 27 livros do N. T. foram aceitos por todos. Exceto: Hebreus,
Tiago, 2 Pedro, 2 e 3 João, Judas e Apocalipse. Outros três livros, Filemom, 1 Pedro
e 1 João, foram omitidos, não questionados.
B. ANTILEGOMENA (falar contra). São os livros bíblicos que em certa ocasião
foram questionados por alguns.
De acordo com o historiador cristão Eusébio, houve 7 livros cuja autenticidade
foi questionada por alguns dos pais da igreja, e por isto ainda não haviam obtido
reconhecimento universal por volta do século IV.
Isto não significa que não haviam tido aceitação inicial por parte das
comunidades apostólicas e subapostólicas. Tampouco, o fato de terem sido
questionados, em certa época, por alguns estudiosos, é indício de que sua presença
no cânon seja menos firme que os demais livros.
Ao contrário, o problema básico a respeito da aceitação da maioria desses
livros não era o reconhecimento de sua inspiração divina ou falta de inspiração;
mas sim, a falta de comunicação entre o Oriente e o Ocidente a respeito de sua
autoridade divina.
São eles: Hebreus, Tiago, 2 Pedro, 2 e 3 João, Judas e Apocalipse.
Hebreus: foi basicamente a anonimidade do autor que suscitou dúvidas. Por
isso, o livro permaneceu sob suspeição para os cristãos do Oriente, que não sabiam
que os crentes do Ocidente o haviam aceito como autorizado e inspirado.
Outro fator que influenciou foi o fato de que os montanistas heréticos terem
recorrido a Hebreus em apoio a algumas de suas concepções errôneas, o que fez
demorar sua aceitação nos círculos ortodoxos.
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Ao redor do século IV, no entanto, sob a influência de Jerônimo e Agostinho,
esse livro encontrou lugar permanente no cânon.
Tiago: sua veracidade e autoria foram desafiadas. Os primeiros leitores
atestaram que era Tiago, irmão de Jesus (At 15 e Gl 1). Todavia, a igreja ocidental
não teve acesso a esta informação. Também, houve a questão do aparente conflito
com o ensino de Paulo sobre a justificação somente pela fé. No entanto, sua
aceitação como canônico baseia-se na compreensão de sua compatibilidade
essencial com os ensinos paulinos.
2 Pedro: foi a Carta que mais ocasionou dúvidas quanto à sua autenticidade.
Isto se deveu à dessemelhança de estilo com a primeira Carta de Pedro. As
diferenças, porém, podem ser explicadas facilmente, por causa do emprego de um
escriba em 1 Pedro, o que não ocorreu em 2 Pedro (vide 1 Pe 5:12).
2 e 3 João: o fato do seu questionamento foi porque o escritor se identificou
apenas como “o presbítero” e, além da anonimidade, sua circulação foi limitada.
Porém, a semelhança de estilo e de mensagem com 1 João, que já havia sido aceita,
mostrou ser óbvio que 2 e 3 João vieram também do apóstolo João.
Judas: a confiabilidade deste livro foi questionada por alguns. A contestação
se centrava nas referências ao livro pseudepígrafo de Enoque (Jd 14, 15) e numa
possível referência ao livro Assunção de Moisés (Jd 9). Porém, suas citações não são
diferentes das citações feitas por Paulo de poetas não-cristãos (At 17:28; 1 Co
15:33; Tt 1:12). O que Judas fez foi citar um fragmento de verdade encravado
naqueles livros e não dizer que eles teriam autoridade divina. Sua canonicidade foi
reconhecida pelos primeiros pais da igreja (Ireneu, Clemente de Alexandria,
Tertuliano). O Papiro Bodmer (P72), recentemente descoberto, confirma o uso de
Judas ao lado de 2 Pedro, na igreja copta (igreja ortodoxa no Egito) do século III.
Apocalipse: A doutrina do Milenarismo (Ap 20) foi o ponto central da
controvérsia, que durou até fins do século IV. Como os montanistas heréticos
basearam seus ensinos heréticos no livro de Apocalipse, no século III, a aceitação
definitiva desse livro acabou sofrendo uma demora. A partir do momento em que se
tornou evidente que este livro estava sendo mal usado pelas seitas, embora tivesse
sido escrito por intermédio de João (Ap 1:4; 22:8-9), e não dentre os hereges,
assegurou-se o lugar definitivo no cânon sagrado.
C. PSEUDEPÍGRAFOS (falsos escritos). Livros não-bíblicos rejeitados por
todos.
Durante os séculos II e III, numerosos livros espúrios e heréticos surgiram
(escritos falsos). A corrente principal do Cristianismo seguia Eusébio, que os
chamou de livros “totalmente absurdos e ímpios”.
Esses livros tem apenas interesse histórico. O conteúdo deles resume-se em
ensinos heréticos, eivados de erros gnósticos (seita filosófica que arrogava para si
conhecimento especial dos mistérios divinos), docéticos (ensinavam a divindade de
Cristo, mas negavam Sua humanidade, alegando que Ele só tinha a aparência de
ser humano) e ascéticos (os monofisistas ascéticos ensinavam que Cristo tinha uma
única natureza, uma fusão do divino com o humano).
Tais livros revelavam desmedida fantasia religiosa. Evidenciavam uma
curiosidade para descobrir mistérios não revelados nos livros canônicos (como onde
esteve Jesus dos 12 aos 30 anos).
Eles, em sua maior parte, não haviam sido aceitos pelos pais primitivos e
ortodoxos da igreja, nem pelas igrejas, não sendo, portanto, considerados
canônicos.
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O número exato desses livros é difícil de apurar. Por volta do século XIX, Fótio
havia relacionado cerca de 280 obras. Depois apareceram outras.
Alguns Livros Apócrifos da Era Cristã
• Evangelhos: O Evangelho de Tomé, O Evangelho dos ebionitas, O
Evangelho de Pedro, O Proto-Evangelho de Tiago, O Evangelho dos
egípcios, O Evangelho arábico da infância, O Evangelho de Nicodemos, O
Evangelho do carpinteiro José, A História do carpinteiro José, O
Passamento de Maria, O Evangelho da natividade de Maria, O Evangelho
de um Pseudo-Mateus, Evangelho dos Doze, de Barnabé, de Bartolomeu,
dos Hebreus, de Marcião, de André, de Matias, de Pedro, de Filipe.
• Atos: Os Atos de Pedro, Os Atos de João, Os Atos de André, Os Atos de
Tomé, Os Atos de Paulo, Atos de Matias, de Filipe, de Tadeu.
• Epístolas: A Carta atribuída a nosso Senhor, A Carta perdida aos coríntios,
As (Seis) Cartas de Paulo a Sêneca, A Carta de Paulo aos laodicenses
(também pode ser considerado entre os apócrifos).
• Apocalipses: de Pedro (também pode ser considerado entre os apócrifos), de
Paulo, de Tomé, de Estêvão, Segundo Apocalipse de Tiago, Apocalipse de
Messos, de Dositeu. (os 3 últimos foram descobertos em 1946, em Nag-
Hammadi, no Egito).
• Outras obras: Livro secreto de João, Tradições de Matias, Diálogo do
Salvador. (também descobertos em 1946, em Nag-Hammadi, no Egito).
D. APÓCRIFOS (escondidos ou duvidosos). Livros não-bíblicos aceitos por
alguns, mas rejeitados por outros.
Esses livros gozavam de grande estima pelo menos da parte de um pai da
igreja. Tiveram, quando muito, o que Alexander Souter chamou de “canonicidade
temporal e local”. Haviam sido aceitos por um número limitado de cristãos, durante
um tempo limitado, mas nunca receberam um reconhecimento amplo ou
permanente.
Eram considerados mais importantes que os pseudepígrafos e faziam parte
das bibliotecas devocionais e homiléticas das igrejas primitivas, pelas seguintes
razões: revelam os ensinos da igreja do século II; fornecem documentação da
aceitação dos 27 livros canônicos do N.T.; fornecem informações históricas a
respeito da igreja primitiva, quanto à sua doutrina e liturgia.
São eles: Epístola do Pseudo-Barnabé; Epístola aos coríntios; Homilia antiga
(chamada “Segunda epístola de Clemente); O pastor, de Hermas (foi o livro nãocanônico
mais popular da igreja primitiva); O Didaquê (ou “Ensino dos doze
apóstolos”); Apocalipse de Pedro; Atos de Paulo e de Tecla; Carta aos laodicenses;
Evangelho segundo os hebreus; Epístola de Policarpo aos filipenses; Sete epístolas
de Inácio (este teria sido discípulo de João, mas não reivindica para si autoridade
divina).
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21.12. Critérios Para Reconhecer a
Canonicidade de um Livro
Quatro princípios gerais ajudaram a determinar quais livros deveriam ser
aceitos como canônicos:
A. Apostolicidade: foi escrito por um apóstolo, ou, senão, tinha o escritor do
livro um relacionamento tal com um apóstolo, de modo a elevar seu livro ao nível
dos livros apostólicos? (At 4:13 mostra a credibilidade dos apóstolos).
B. Conteúdo: era o conteúdo de um dado livro de tal natureza espiritual que
lhe desse o direito a esta categoria? Esse teste eliminou muitos livros apócrifos ou
pseudo-apócrifos.
C. Universalidade: era o livro recebido universalmente pela igreja?
D. Inspiração: mostrava o livro evidência de ter sido divinamente inspirado?
Era o teste final. Tudo tinha que cair diante dele.
Da mesma forma que a apostolicidade é provada, também é provada a
canonicidade dos livros do Novo Testamento, tal como se prova a autoria dos
renomados escritores mundiais cujas obras trazem seus nomes.
A consciência cristã, dominada pelo Espírito, discerniu entre o puro e o
impuro. Cumpre ressaltar que tal realização não se deve nem à própria Igreja, mas
que ela aconteceu obedecendo aos mesmos processos da canonização do Velho
Testamento. Isto é, cada livro foi se impondo e falando por si mesmo com suas
provas internas e externas até que, em determinado tempo, foi reconhecido pelas
autoridades eclesiásticas e pelos Pais da Igreja como possuindo autoridade
apostólica, não havendo a intervenção de Concílios.
Os livros apareceram primeiramente separados, em épocas e localidades
diferentes. Foram guardados com carinho pelas Igrejas e aceitos como apostólicos.
Eram lidos nas assembléias cristãs, em reuniões devocionais, inspirativas e
doutrinárias.
Ao encerramento do N. T. (isto é, ao terminar de ser escrito o livro de
Apocalipse, em cerca do ano 96 depois de Cristo) foi reconhecido por TODOS os
crentes fiéis que o cânon do N. T. (isto é a coleção de 27 livros que o constituem)
estava encerrado para sempre, e incluía o livro do Apocalipse. Claro que, sempre
houve, há e haverá um pequeno grupo de descrentes em algum livro, sempre há e
haverá os infiéis, os agentes que o Diabo sempre introduz para levantar dúvidas a
princípio leves e sutis, depois mais pesadas.
Algo depois do acima referido encerramento do N. T., tudo isto acima dito (e
que sempre foi o consenso entre os crentes fiéis) foi meramente RECONHECIDO e
declarado OFICIALMENTE e por TODOS no III Concílio de Cártago, em 397 d.C.
O NOVO TESTAMENTO é canônico, uma vez que todos os seus livros, e
somente eles, foram desde o início universalmente reconhecidos como inspirados,
porque:
1. Foram escritos pelos apóstolos (ou suas segundas pessoas) (Cl 1:1,2).
2. Foram universal e espontaneamente aceitos (1 Ts 2:13).
3. Foram aceitos pelos “pais da igreja” (filhos ou netos espirituais dos
apóstolos, por quem foram ensinados, diretamente. Exemplo: Policarpo,
filho na fé de João).
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4. Tem conteúdo evidentemente inspirado, edificante, espiritual, harmônico
com toda a Bíblia.
É notável o fato de não termos tido interferência da autoridade da igreja na
constituição de um cânone; nenhum concílio discutiu esse assunto; nenhuma
decisão formal foi tomada. O Cânone do N.T. parece ter se formado sozinho…
Lembremo-nos que esta não-interferência de autoridade constitui um tópico
valioso de evidência quanto à genuinidade dos quatro evangelhos; pois assim
parece que não foi devido a qualquer autoridade adventícia, mas sim a seu
próprio peso, que desbancaram todos os seus rivais. (George Salmon – Uma
Introdução Histórica ao Estudo dos Livros do Novo Testamento, 1888, pág.
121).
É bom que fique claro, que certos livros do Novo Testamento foram
considerados canônicos independentemente de se conhecer quem os escreveu.
O exemplo clássico que temos disso é a Carta aos Hebreus. Muitos dos
debates que ainda perduram até hoje sobre alguns livros do Novo Testamento,
não se ligam à sua canonicidade, mas à sua autoria.
22 – A BÍBLIA E SUA
PRESERVAÇÃO
Deus jurou e realmente preservou Suas palavras, de um modo absolutamente
perfeito, de maneira que cada palavra do Texto (em Hebraico-Aramaico e em Grego)
por Ele preservado e que temos agora escrita em papel, nas nossas (a Bíblia), é
plenária, exclusiva, inerrável, infalível e verbalmente a própria Palavra eterna do
próprio Deus!
Esta preservação só requereu a infalível providência de Deus, não Seu milagre
contínuo. Falamos de texto; de palavras; não de suas representações, nem de
manuscritos e outros meios físicos (1 Cr 16:15; Sl 12:6-7; 19:7-8; 33:1; 100:5;
111:7-8; 117:2; 119:89,152,160; 138:2b; Is 40:8; 59:21; Mt 4:4; 5:18; 24:35; Lc 4:4;
16:17; 21:33; Jo 10:35b; 16:12-13; 1 Pe 1:23,25; Ap 22:18-19).
Os próprios autores humanos sabiam que estavam escrevendo “as Palavras de
Deus”. Os líderes cristãos dos primeiros séculos da nossa Era utilizaram e citaram
material neotestamentário lado a lado com material do veterotestamentário. como
sendo Palavra de Deus.
Entendendo, como entenderam, que estavam lidando com coisa sagrada, iriam
zelar por essa Palavra, vigiando o processo da transmissão.
Dispomos de declarações cabais dessa preocupação a partir do próprio N. T.
(Ap 22:18-19).
Justino Mártir (150 d.C.) escreveu que era costume nas congregações cristãs,
quer na cidade quer no campo, ler tanto o N. T. como o A. T. cada Domingo. Resulta
dali que tinham que existir cópias, muitas cópias (não se pode ler sem livro), e
teriam que ser cópias boas (os usuários seriam exigentes).
Embora o processo de copiar à mão resulte em erros sem querer, muitas
vezes, no início, seria possível verificar qualquer cópia contra o Autógrafo
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(documento original), e principalmente nas regiões mais próximas da igreja
detentora do Autógrafo.
Tudo indica que pelo menos 18 e talvez até 24 dos 27 Autógrafos (2/3 a 8/9)
se encontravam na região Egéia (Grécia e Ásia Menor).
Foi exatamente nessa área que a Igreja mais prosperou, e ela se tornou o eixo
da Igreja até o 4º século (pelo menos). [Lembrar que Jerusalém foi saqueada em 70
d.C., e provavelmente quaisquer Autógrafos ali existentes foram levados para a
Antioquia, ou ainda mais longe].
Foi também nessa área que a língua Grega foi mais usada, e durante mais
tempo, pois foi a língua oficial do império bizantino (transmissão exata de qualquer
texto é possível unicamente na língua original).
A Ásia Menor foi caracterizada também por uma mentalidade conservadora
quanto ao Texto Sagrado. Na Antioquia, surgiu uma “escola” de interpretação
literalista (por formação, um literalista é obrigado a se preocupar com a exata
redação do texto, pois sua interpretação se prende a ela).
Quer dizer que até o ano 300 d.C. tinha um fluxo cada vez maior de cópias
boas, fidedignas emanando da região Egéia para o mundo cristão, precisamente
porque aquela região reunia todos os requisitos para se impor à confiança da Igreja,
quanto ao Texto Sagrado. Em contraste, no Egito, a igreja era fraca, herética, não se
usava o Grego, não havia nenhum Autógrafo (fatalmente o texto ali existente
sempre seria de 2ª mão, no mínimo), grassava uma mentalidade alegorista. Enfim,
o Egito seria um dos últimos lugares onde procurar um texto bom.
Aí houve a campanha de Diocleciano (303 d.C.), visando destruir os MSS
(manuscritos) do N. T. Sendo que a perseguição mais ferrenha deu-se exatamente
na região Egéia, teria sido uma oportunidade perfeita para os tipos de texto
existentes no Egito e na Itália conquistarem espaço maior no fluxo da transmissão
do Texto e fossem considerados aceitáveis ou viáveis. Mas não aconteceu; os
principais pergaminhos não têm “filhos” — ninguém quis copiar semelhante texto.
Aliás, podemos deduzir que a campanha de Diocleciano teve um efeito
purificador na transmissão. Grosso modo, os MSS menos preciosos e
respeitados seriam os primeiros a serem entregues à destruição; já os
exemplares mais cotados e respeitados seriam protegidos a qualquer custo, e
uma vez que a perseguição passou serviriam de base para suprir as igrejas
com cópias boas novamente.
O movimento Donatista girou em torno da punição merecida pelas pessoas
que entregaram seus MSS (entre outras coisas). Obviamente muitos não os
entregaram, e os que entregaram foram discriminados.
É geralmente reconhecido por eruditos de todas as linhas teóricas que, a partir
do 4º século, o fluxo da transmissão do Texto foi tranquilamente dominado por um
tipo de texto, geralmente conhecido por “Bizantino” em nossos dias. “Bizantino”
porque esse império abrangeu exatamente a região Egéia, a região que reunia todas
as qualificações necessárias para garantir a transmissão fiel do Texto. Até hoje, as
“Igrejas Ortodoxas” do oriente utilizam esse tipo de texto.
Lá pelo 9º século, houve um “movimento” (parece que foi mais ou menos
espontâneo) no sentido de mudar o estilo de grafia de letras maiúsculas (unciais)
para cursivas (minúsculas). Os exemplares antigos eram copiados na nova
“roupagem” e aparentemente grande número desses antigos foram destruídos (ou
reciclados, daí os “palimpsestos”, manuscritos apagados e escritos por cima).
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Dos MSS gregos existentes hoje (do N. T.), uns 95% trazem o texto “Bizantino”
e os outros 5% são um tanto heterogêneos (o erudito Frederic Wisse fez uma
comparação minuciosa de 1.386 MSS gregos nos capítulos 1, 10 e 20 de Lucas
e chegou à conclusão de que apenas oito deles representavam o tipo de texto
egípcio, geralmente chamado “Alexandrino” em nossos dias — 8 contra 1.375
!!!).
Cabem aqui algumas ressalvas:
A. A mera antiguidade de um MS não garante nada quanto à sua qualidade.
Aliás, devemos perguntar: como poderia um MS sobreviver fisicamente durante
mais de 1.500 anos? Teria que ficar no desuso e ainda num clima seco. Como todos
os MSS mais antigos estão cheios de erros cabais, tudo indica que foram
reprovados no seu tempo — certo é que não foram copiados, a julgar pelos MSS
existentes.
B. Como é que não dispomos de MSS tipicamente “Bizantinos” de antes do 5º
século? Qualquer MSS digno de uso seria usado e gasto por esse uso. Assim, seria
estranho encontrar um MSS bom com tanta idade. Os MSS fidedignos foram
intensamente usados e copiados, e acabados; mas, o texto (ou redação) que traziam
foi preservado através das sucessivas gerações de cópias.
C. A idéia de que teria havido um congresso ou concílio no 4º século que
“normalizou” o texto do N. T. carece de qualquer sustentação histórica. No caso da
Vulgata Latina, que na hipótese seria análogo (o papa tentou impor a nova
tradução), não resultou o consenso que existe entre os MSS “Bizantinos”.
D. Como é que a grande maioria dos eruditos dos últimos cem anos tem
preferido o texto “Alexandrino” e desprezado o texto “Bizantino”? A resposta está
nas pressuposições e no terreno espiritual. Por exemplo, nenhum dos cinco
redatores responsáveis pelo texto eclético, ora em voga, acredita que o N. T. seja
inspirado por Deus, e o próprio Senhor Jesus adverte que a neutralidade no terreno
espiritual não existe (Lc 11:23).
Resumindo, os livros neotestamentários foram reconhecidos como “Bíblia”
desde o início e, através das décadas e dos séculos, as gerações sucessivas de
crentes zelaram pela transmissão fiel desses livros. O Texto nunca se “perdeu”.
Nos primeiros 200 anos, era sempre possível constatar a exata redação de
qualquer livro.
A preservação divina operou durante todos os séculos, de tal modo que ainda
hoje podemos ter certeza razoável, com base em critérios objetivos, da exata
redação original do N. T.
Daí, uma preservação tamanha, uma preservação semelhante, abrangendo
tantos séculos de transmissão à mão, e passando por tantas tribulações — uma
preservação assim é simplesmente divina! É uma prova aparente da atuação divina,
que vale dizer também que Deus abonou a escolha da Igreja, o Cânon.
O argumento mais contundente e convincente a favor do exato Cânon que a
Igreja vem defendendo através dos séculos é exatamente a preservação divina
desse Cânon. Essa preservação é igualmente um forte argumento a favor da
inspiração do Texto. É o argumento lógico.
Se o Criador fosse dar uma revelação à nossa raça, deveria também preservála.
Constatamos que Ele a preservou, com efeito. Por que Ele cuidou tanto de
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preservar esse Texto, e só esse Texto? Portanto, porque Ele tinha interesse especial
nesse Texto.
Deus realmente não só inspirou, mas também preservou Sua Palavra
incessante, inerrável, infalível e verbalmente, da forma mais perfeita e absoluta (Is
40:8, 59:21; Mt 5:18; Jo 10:35; 1 Pe 1:23-25). Vejamos:
1. Salmos 12:6, 7 – As palavras do SENHOR são palavras PURAS, [como]
prata refinada em fornalha de barro, purificada sete vezes. (7) Tu os
GUARDARÁS, SENHOR, desta geração os livrarás [PRESERVARÁS] PARA
SEMPRE. (Também pode [e deve!] ser traduzido “Tu as GUARDARÁS, … as
PRESERVARÁS …”, referindo-se às palavras de Deus!)
2. Salmos 19:7 – A lei do SENHOR é PERFEITA, e refrigera a alma; o
testemunho do SENHOR é FIEL, e dá sabedoria aos símplices. (8) Os
preceitos do Senhor são RETOS e alegram o coração; o mandamento do
Senhor é PURO e ilumina os olhos.
3. Salmos 119:89 – [lamed:] PARA SEMPRE, ó SENHOR, a tua palavra
PERMANECE [está estabelecida] no céu.
4. Salmos 138:2 – … engrandeceste a tua PALAVRA acima de todo o teu nome
(! Que inspiração verbal, isto é, palavra por palavra!).
5. Isaías 40:8 – Seca-se a erva e cai a flor, porém a PALAVRA de nosso Deus
subsiste ETERNAMENTE.
6. Mateus 4:4 – … Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de TODA
a PALAVRA que sai da boca de Deus.
7. Mateus 5:18 – … até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se
omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido.
8. Mateus 24:35 – O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras NÃO
HÃO DE PASSAR.
9. Lucas 16:17 – E é mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til da lei.
Deus preservou Sua palavra de modo tão maravilhoso, somente através do
Texto Massorético (V.T.) e do Texto Recebido (N.T.)
22.1. A Preservação do Antigo Testamento
Cuidados extremos dos copistas garantiram que mesmo hoje apenas uma de
cada 1580 letras do V. T. tenha variante, mesmo que esta variante seja totalmente
improvável. E nenhum desses casos tem o menor dos menores efeitos em nenhuma
doutrina.
O rigor com o qual os judeus transmitiram a Bíblia Hebraica até hoje pode ser
visto nas prescrições abaixo, preservadas no Talmude:
“Um rolo de sinagoga deve ser escrito sobre peles de animais limpos,
preparadas por um judeu, para o uso particular da sinagoga. Estas devem ser
unidas mediante tiras [de couro] retiradas de animais limpos. Cada pele deve
conter certo número de colunas, igual em toda a extensão do códice. A altura
da coluna não deve ser menor do que 48 nem maior do que 60 linhas; e a
largura deve ser de 30 letras. Toda a cópia deve ser primeiro dotada de linhas;
e se três palavras forem escritas nela sem uma linha, será sem valor. A tinta
deve ser preta, não vermelha, verde nem de qualquer outra cor e deve ser
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preparada de acordo com uma receita definida. Uma cópia autêntica deve ser
o modelo do qual o transcritor não deve desviar-se até nos menores detalhes.
Nenhuma palavra, letra e nem ainda um yod deve ser escrito de memória sem
que o escriba não a tenha olhado no códice que está à sua frente. … Entre
cada consoante deve intervir o espaço de um cabelo ou de um pavio; entre
cada palavra o espaço será de uma consoante estreita; entre cada novo
parashah, ou secção, o espaço será de nove consoantes; entre cada livro, três
linhas. O quinto livro de Moisés deve terminar exatamente com uma linha,
mas os restantes não necessitam terminar assim. Além disto, o copista deve
sentar-se com vestimenta judia completa, lavar todo o seu corpo, não começar
a escrever o nome de Deus com a pena recentemente molhada na tinta e
mesmo que um rei lhe dirigisse a palavra enquanto estava escrevendo este
nome, não deve dar atenção a ele.”
Cada jovem escriba era advertido pelo escriba ancião: “Acautela-te de como
fazes teu trabalho, porque este é o trabalho do céu, não aconteça que tu
omitas ou insiras uma letra e assim te tornes o destruidor do mundo!” (mundo
= humanidade).
Cada palavra e cada letra era contada, e se UMA letra tivesse sido omitida ou
inserida, ou se UMA letra tocasse por outra letra, a página era imediatamente
destruída; três erros numa página condenavam todo o manuscrito!
22.2. A Preservação do Novo Testamento
Há cerca de 6000 manuscritos em Grego. Compare:
“Texto Recebido” (Impresso por
Erasmus, Stephen, Beza, Elzevir,
etc., a partir de 1516)
“Textos Críticos” (Impressos por
Westcott e Hort, etc., a partir de
1881)
São cerca de 95% dos manuscritos em
Grego
São cerca de 5% dos manuscritos em
Grego
São absolutamente consistentes entre
si
São absolutamente inconsistentes entre
si (e, até, cada um consigo próprio)
Vieram de igrejas firmes Vieram de igrejas introdutoras de
heresias (Alexandria)
Únicos textos adotados pelas igrejas
fiéis e instruídas, sempre, antes e após
a Reforma.
Só recentemente descobertos/adotados
pelos liberais e modernistas, que os
chamam “mais antigos e melhores
textos”.
Das cerca de 140.000 palavras do N.T. em Grego, os T.C’s.
omitem/alteram/adicionam cerca de 10.000. Em alguns casos os T.C’s.
sempre diminuem a inspiração das Escrituras, a divindade de Cristo, Seu
sangue, Seu nascimento virginal, a natureza vicária da Sua morte, a Trindade,
outras doutrinas cardinais.
Os autógrafos originais de todos os livros do Novo Testamento não existem
mais. Eram feitos de papiro e este material não resistia aos séculos em condições
normais de uso. O que temos hoje são cópias destes originais. O fato dos originais
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não existirem não deve assustar ninguém. Até mesmo a obra de Camões, “Os
Lusíadas”, só é preservada por cinco cópias e não há o original.
Mesmo assim, ninguém duvida de que temos a obra como Camões a escreveu
com sua própria mão. A famosa “Ilíada” de Homero é atestada por 643 manuscritos,
sendo que o mais antigo manuscrito completo é do século XIII. As tragédias gregas
de Eurípides são atestadas por aproximadamente 330 manuscritos.
23 – JESUS USOU A SEPTUAGINTA?
D. A. Waite desafia a contenção que Jesus citou da Septuaginta. Em Mateus
5:18, Jesus falou sobre a Lei e disse: “Porque em verdade vos digo que, até que o
céu e a terra passem, de modo nenhum passará da lei um só i ou um só til, até que
tudo seja cumprido.” Nosso Senhor falou do “i” e do “til”, as menores partes das
letras hebraicas. Quão pequeno? Bem, o “i” se refere à letra hebraica “yodh” que é
do tamanho de uma apóstrofe. Esta é um terço da altura das outras letras
hebraicas. O “til” se refere aos chifres, ou extensões minúsculas, de algumas letras
hebraicas, como o “daleth”, algo parecido com o golpe vertical do lábio em nosso
“m” ou “n”. Isto excluiria uma Bíblia grega. Além disso, o Novo Testamento se refere
a uma divisão tripartite do Velho Testamento – Lei, Profetas e Salmos (Lucas 24:27,
44). Os manuscritos do Velho Testamento grego são, porém, entremeados com
escritos apócrifos, nunca reconhecidos como “escritura” pelos rabinos, ou por
Cristo ou pelos apóstolos.
Waite também nos refere para Mateus 23:35 como sendo apropriada a esta
discussão: “para que sobre vós caia todo o sangue justo, que foi derramado sobre a
terra, desde o sangue de Abel, o justo, até o sangue de Zacarias, filho de Baraquias,
que mataste entre o santuário e o altar”.
Ele escreve:
Por esta referência, o Senhor pretendeu responsabilizar os Escribas e os
Fariseus por todo o sangue de pessoas inocentes derramado do V.T. inteiro. Abel se
acha em Gênesis 4:8, mas Zacarias se acha em 2 Crônicas 24:20-22. Se você olha
sua Bíblia hebraica, você achará II Crônicas no último livro (i.é, o último livro na
terceira seção, os Escritos). Se, por outro lado, você olha em sua edição da
Septuaginta, tal como publicada pela Sociedade Bíblica Americana, 1949, Terceira
Edição, editada por Alfred Rahlfs, você vê que ela termina com Daniel seguida por
“Bel e o Dragão”. Isto é prova clara que Nosso Salvador usava o Velho testamento
hebraico e não o grego. (Ver Lucas 11:51).
Esta é uma observação significante. A frase, “Abel até Zacarias,” é apenas
outro modo de declarar, “do início ao fim”. Jesus não disse, “de Abel até Bel e o
Dragão”.
23.1. A Falácia de que o Novo Testamento faz
Citações da Septuaginta
Uma citação no NT de uma passagem do VT, que não é automaticamente uma
citação literal do Texto Massorético, não implica necessariamente que o escritor do
Novo Testamento estava usando uma versão diferente do Texto Massorético. Em Ef
4:8, por exemplo, o apóstolo Paulo cita Salmo 68:18 (67:18 na LXX), mas a citação
não concorda nem com o Texto Massorético nem com a LXX.
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Quando citações no NT variam do Texto Massorético hebraico do VT não
implica necessariamente o uso da LXX. Os escritores do NT, escrevendo debaixo da
inspiração do Espírito Santo, sentiram-se livres para levar a passagem do VT a dar
um significado mais completo a eles revelado pelo Espírito Santo.
DiVietro afirma:
“Seria errado presumir que Jesus usou a Septuaginta. Qualquer liberdade que
Ele praticou com o texto das Escrituras hebraicas, Ele o fez como Seu Autor,
não como Seu Crítico. Estaria, também, errado presumir que os escritores do
Novo Testamento usaram a Septuaginta como o Velho Testamento autorizado
deles. Suas formas características de tradução não fornecem nenhuma defesa
da prática moderna de tradução de paráfrase e ou equivalência dinâmica. As
leituras aberrantes da LXX não deveriam ser elevadas sobre as leituras do
Texto Massorético.”
24 – A SUFICIÊNCIA DA BÍBLIA
Faz parte integrante da fé evangélica a convicção de que a igreja nada pode
acrescentar à Bíblia (Dt 4:2, 12:32; Pv 30:6; Ec 3:14; Ap 22:18-19; 2 Pe 1:3; Jd 3) e
de que todas as suas doutrinas devem ser testadas pela sua fidelidade às
Escrituras (At 17:11).
Embora nos valendo da erudição dos expositores, nem por isso devemos
aceitar deles, ou de quem quer que seja, qualquer opinião que esteja em conflito
com o sentido claro da própria Bíblia (At 17:11) – pois cremos que esta nunca se
contradiz.
Em última análise, devemos depender da unção do mesmo Espírito de Deus
que inspirou os escritores (Jo 16:13; 1 Co 2:10-14; 1 Jo 2:27). Para tanto, havemos
de <<permanecer Nele>>, a fim de sabermos o que é que nos diz o Deus que <<falou
aos profetas>> (Jo 6:63; 2 Co 3:6).
“Toda escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão,
para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus
seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.” (2 Timóteo 3:16-
17).
25 – A AUTORIDADE SUPREMA DAS
ESCRITURAS
A igreja primitiva recebia a Bíblia como a autoridade final. Gaussen diz:
“Com exceção unicamente de Theodore de Mopsuestia, tem sido impossível
encontrar, ao longo dos oito primeiros séculos do cristianismo, um único doutor
que tenha negado a inspiração plena das Escrituras, a menos que fosse no seio das
mais violentas heresias que têm atormentado a igreja cristã; isso equivale a dizer,
entre os gnósticos, os maniqueístas, os anomistas e os maometanos”. L. Gaussen,
Theopneustia (Chicago: The Bible Institute Colportage Ass’n n. D.) pág. 139 e segs.
(Palestras em Teologia Sistemática – Henry Clarence Thiessen, pg. 45).
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A autoridade suprema das Escrituras também é uma doutrina puritanopresbiteriana.
A ela, os puritanos tiveram que apelar frequentemente na luta que
foram obrigados a travar contra as imposições litúrgicas da Igreja Anglicana.
A Confissão de Fé de Westminster professa a referida doutrina em três
parágrafos do seu primeiro capítulo. No quarto parágrafo, ela trata da origem ou
fundamento da autoridade das Escrituras: “A autoridade da Escritura Sagrada,
razão pela qual deve ser crida e obedecida, não depende do testemunho de qualquer
homem ou igreja, mas depende somente de Deus (a mesma verdade) que é o Seu
Autor; tem, portanto, de ser recebida, porque é a Palavra de Deus”.
Mas, visto que Cristo nos fala agora pelo Seu Espírito por meio das Escrituras
(Hb 1:1), e que as revelações da criação e da consciência não são nem perfeitas e
nem suficientes à salvação do homem, por causa da queda, que corrompeu tanto
uma como outra, a Palavra final, suficiente e autoritativa de Deus para esta
dispensação são as Escrituras Sagradas.
O fato é que, por procederem de Deus, as Escrituras reivindicam atributos
divinos: são perfeitas, fiéis, retas, puras, duram para sempre, verdadeiras, justas
(Sl 19:7-9) e santas (2 Tm 3.15). Cf. também Salmo 119:39, 43, 62, 75, 86, 89,
106, 137, 138, 142, 144, 160, 164, 172, Mateus 24:34; João 17:17; Tiago 1:18;
Hebreus 4:12 e 1 Pedro 1:23, 25.
Que autoridade teria Paulo para exortar aos gálatas no sentido de rejeitarem
qualquer evangelho que fosse além do Evangelho que ele lhes havia anunciado,
ainda que viesse a ser pregado por anjos? Só há uma resposta razoável: ele sabia
que o Evangelho por ele anunciado não era segundo o homem; porque não o havia
aprendido de homem algum, mas mediante a revelação de Jesus Cristo (Gl 1:8-12).
Jesus também atesta a autoridade suprema das Escrituras: pelo modo como a
usa, para esclarecer qualquer controvérsia: “está escrito” (exemplos: Mt 4:4, 6, 7,
10; etc.), e ao afirmar explicitamente a autoridade das mesmas, dizendo em João
10:35 que “a Escritura não pode falhar.”
A fé reformado-puritana reconhece a autoridade de todo o conteúdo das
Escrituras, e sua plena suficiência e suprema autoridade em matéria de fé e
práticas eclesiásticas.
Tão importante foi a redescoberta destas doutrinas pelos reformadores
(Reforma Protestante) que se pode afirmar que, da aplicação prática das mesmas,
decorreu, em grande parte, a profunda reforma doutrinária, eclesiástica e litúrgica
que deu origem às igrejas protestantes.
Todas as doutrinas foram submetidas à autoridade das Escrituras. Todos os
elementos de culto, cerimônias e práticas eclesiásticas foram submetidos ao
escrutínio da Palavra de Deus. A própria vida (trabalho, lazer, educação,
casamento, etc.) foi avaliada pelo ensino suficiente e autoritativo das Escrituras.
Muito entulho doutrinário teve que ser rejeitado. Muitas tradições e práticas
religiosas acumuladas no curso dos séculos foram reprovadas quando submetidas
ao teste da Suficiência e da Autoridade Suprema das Escrituras. E a profunda
Reforma religiosa do século XVI foi assim empreendida.

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