1945
Dietrich Bonhoeffer é executado pelos nazistas

Os cristãos podem discordar de sua teologia, mas poucos podem deixar de admirar o firme posicionamento de Dietrich Bonhoeffer contra o terceiro Reich, chegando a ponto de dar a própria vida.
Bonhoeffer, aluno de Karl Barth, recebeu o título de doutor em Teologia na Universidade de Berlim quando tinha apenas 21 anos. Ele era capelão e orador luterano naquela cidade quando Hitler chegou ao poder em 1933.
Consciente de sua influência sobre o povo, Hitler já cortejara e enganara a igreja, e teve muito apoio do clero luterano e católico. A idéia de uma igreja puramente alemã era bastante atraente para os “cristãos alemães”. As idéias nazistas começaram a se infiltrar na igreja.
Entretanto, havia pessoas que suspeitavam de Hitler e de suas idéias sobre a superioridade ariana. Cerca de um terço do clero protestante, que liderava o que foi denominado Igreja Confessante, levantou-se contra o líder alemão. Alinharam-se à Declaração de Barmen, escrita principalmente por Karl Barth, que destacava os erros doutrinários dos cristãos alemães.
Em 1935, Bonhoeffer tornou-se o diretor do seminário da Igreja Confessante, que, no entanto, foi fechado em 1937, e Bonhoeffer foi proibido de publicar seus artigos e de falar em público. Dois anos mais tarde, quando a possibilidade de assumir o cargo de professor nos EUA lhe foi oferecida, Bonhoeffer rejeitou a oferta para servir seus compatriotas alemães.
Seu cunhado o atraiu para o movimento da resistência, e Bonhoeffer engajou-se em um plano para assassinar Hitler. Ele e outros colegas sentiam que o líder alemão era o Anticristo. Desse modo, aquele clérigo se tornou um agente duplo no escritório militar da inteligência alemã. Primeiramente, ele tentou em vão conseguir apoio dos britânicos para o plano, mas mesmo assim passou mensagens dos conspiradores para os britânicos. O plano falhou.
Bonhoeffer foi preso em 1943 não por seu trabalho como agente duplo, mas por ajudar a introduzir clandestinamente catorze judeus na Suíça. Na prisão, Bonhoeffer escreveu peças que foram publicadas postumamente sob o título Cartas e papéis da prisão.
Se Bonhoeffer tivesse vivido mais, talvez explicasse melhor algumas das idéias desafiadoras e, ao mesmo tempo, perturbadoras que ele apresentou durante o período em que esteve preso. Os teólogos argumentavam sobre sua frase “cristianismo sem religião”. Os estudiosos da religião acreditavam que a frase “a morte de Deus” significava uma coisa, ao passo que os evangélicos achavam que significava outra. O que Bonhoeffer quis dizer quando afirmou que o “mundo atingiu sua maioridade”? Ele procurava secularizar o Evangelho ou via — como muitos nos dias atuais — que as pessoas simplesmente não podiam mais entender os conceitos tradicionais do cristianismo?
“Como podemos falar sobre Deus de maneira ‘secular’?”, Bonhoeffer perguntou.
Sabemos que discordava de outros teólogos, como Rudolf Bultmann e Paul Tillich, que queriam “demitizar” o Evangelho, mas ele nunca apresentou nenhum projeto seu.
Embora permaneçam muitas perguntas com relação a ele, Bonhoeffer não deixou qualquer dúvida sobre o elemento-chave de sua crença: a fé é custosa. Seu livro O discipulado chamou os cristãos a uma fé convincente e cheia de autonegação. Ele disse que muitos aceitaram um cristianismo composto por uma “graça barata”, que encorajava uma fé fácil. Em vez de considerar as partes éticas do Novo Testamento como ideais impossíveis, os cristãos deveriam se esforçar para alcançá-los. A verdadeira religião significa mais do que ter as idéias corretas sobre Deus. Ela representa segui-lo — até a morte, se for necessário.
Bonhoeffer seguiu o próprio conselho. Ele buscou servir aos outros enquanto esteve na prisão. Em 9 de abril de 1945, quando as tropas aliadas faziam o avanço final sobre a Alemanha, ele foi enforcado sob a acusação de alta traição. Embora os cristãos, muitas vezes, tenham problemas éticos com o envolvimento de Bonhoeffer no plano para assassinar Hitler, sua posição contrária às tentativas do ditador de transformar a igreja em uma espécie de departamento do regime nazista e sua disposição de morrer por Cristo apresentam a todas as gerações o desafio da fé sacrificial.

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