1608-1609
John Smyth batiza os primeiros batistas

Na primeira década do século XVII, dois grupos fugiram para a Holanda, com a finalidade de escapar da perseguição anglicana. Um desses grupos se transformou nos peregrinos. O grupo formou o movimento dos batistas.
Era uma época incerta para os cristãos na Inglaterra. A rainha Elisabete estabilizara a Reforma anglicana, assumindo uma posição moderada. Ela determinou que a Igreja Anglicana seria quase católica. A rainha já evitara as sangrentas guerras civis que assolaram o restante da Europa, mas sua decisão perturbou muitos dos protestantes mais radicais. Algumas dessas pessoas tentaram “purificar” a igreja, permanecendo dentro dela (os puritanos), mas outros decidiram se separar da igreja oficial (os separatistas). Mais ainda, era muito perigoso promover reuniões religiosas que não estivessem vinculadas à igreja oficial.
Quando Tiago I assumiu o trono, em 1603, ninguém sabia exatamente o que esperar. Os puritanos e os separatistas gostaram do fato de esse monarca ter crescido na Escócia presbiteriana. Isso poderia fazer com que ele pendesse para o lado desses grupos. Os católicos gostaram do fato de sua mãe, Maria da Escócia, ter sido uma católica fervorosa. Como os fatos provaram, Tiago era anglicano convicto e tornou as coisas ainda mais difíceis para os que estavam se separando da igreja oficial.
John Smyth, ex-aluno de Cambridge, era pregador e orador da Igreja Anglicana na virada do século XVII. Parece que ele se tornou interessado na busca pela verdade religiosa somente por volta dos trinta anos de idade. Perto do ano de 1606, ele deu o audacioso passo de iniciar uma igreja separatista em Gainsborough, Lincolnshire. A audácia de Smyth pode ter inspirado outros. Vários outros grupos separatistas surgiram naquela área, incluindo um em Scrooby na casa de William Brewster.
Quando a oposição das autoridades se intensificou em demasia, a congregação de Smyth fugiu para Amsterdã. Isso provavelmente aconteceu em 1608. (O grupo de Scrooby fugiu para Leyden e, mais tarde, enviou parte de sua filiação para a América.) Em Amsterdã, a igreja de Smyth alugou um salão de reuniões que pertencia a um menonita. Por meio de seu contato com os menonitas de Amsterdã, Smyth começou a alterar sua maneira de pensar.
Os menonitas receberam essa designação por causa de Menno Simons,
ex-padre que desenvolveu uma grande comunidade anabatista na Holanda. Os anabatistas eram os radicais da Reforma, opositores das igrejas oficiais de qualquer tipo e que insistiam no batismo apenas de crentes.
Smyth ficou convencido de que o batismo infantil não era ensinado pelas Escrituras, assim como também não era algo muito lógico. Desse modo, acabou por convencer cerca de quarenta membros de sua congregação, que foram rebatizados por Smyth, que também se rebatizou com eles.
Você pode considerar esse acontecimento o marco inicial da Igreja Batista. Porém, faltou pouco para que as coisas não acontecessem dessa maneira. O nascimento da Igreja Batista exigiu o início de outra tradição batista: a divisão da igreja. Em 1610, duvidando da legitimidade do batismo independente que conduzira, Smyth procurou mesclar sua congregação com a Igreja Menonita. Cerca de dez membros da igreja se opuseram a essa fusão. Eles reclamaram a respeito disso com Smyth e pediram aos menonitas que não aceitassem esse grupo. (Os menonitas conseguiram postergar sua decisão e esperaram até 1615 para admitir os novos membros, três anos depois de Smyth morrer de tuberculose.)
Enquanto isso, liderado por Thomas Helwys, o grupo dissidente voltou para sua terra natal. Ali, perto de Londres, estabeleceram a primeira Igreja Batista da Inglaterra. Helwys, aristocrata rural que estudava Direito, tornou-se grande defensor da liberdade religiosa, publicando um livro intitulado Uma breve declaração do mistério da iniqüidade. Ele ousou enviar uma cópia autografada ao rei Tiago com a seguinte inscrição: “O rei é um homem mortal e não é Deus; portanto, não tem poder sobre a alma imortal de seus súditos, de modo a fazer leis e ordenanças para eles e estabelecer senhores espirituais sobre eles”.
Helwys foi preso e jogado na prisão de Newgate. Nunca mais se soube coisa alguma sobre ele.
O movimento batista, no entanto, cresceu. Essas igrejas se tornaram conhecidas por batistas gerais, devido à sua visão da expiação. Smyth trouxera a teologia arminiana dos menonitas, sustentando que Cristo morreu por toda a humanidade, e não apenas pelos eleitos. O grupo conhecido como batistas particulares surgiu de maneira independente entre 1638 e 1640. Eram puritanos que adotaram o batismo de crentes, mas retinham sua teologia calvinista. Eles também praticavam o batismo por imersão, que os batistas gerais logo passaram a realizar. Até aquele momento, os seguidores de Smyth praticavam o batismo por as-persão. Em 1644, havia na Inglaterra 47 congregações de batistas gerais e sete de batistas particulares.
Desde o início, as duas principais ênfases batistas eram evidentes: o batismo de crentes e a independência do Estado (convicção que compartilhavam com os anabatistas). Isso continuou ao longo dos séculos. Essa independência trouxe perseguição, divisão, mas também grandes feitos individuais.

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