1378
Catarina de Sena vai a Roma para solucionar o Grande Cisma

Quem poderia adivinhar que uma menina nascida em 1347, a última de 23 filhos de uma família profundamente religiosa da cidade de Sena, se tornaria uma orientadora e apoio de papas?
Ainda criança, Catarina mostrava grande devoção e fez o voto de ser noiva de Cristo. Por três anos, viveu separada do mundo, mas, na época em que a Peste Negra assolou a Europa, ela voltou ao mundo normal e ministrou aos que estavam morrendo. Algumas pessoas acreditavam que ela até mesmo havia curado alguns doentes. Também visitou prisioneiros, convertendo alguns condenados à morte.
Enquanto fazia isso, Catarina escrevia muitas cartas, dando conselhos espirituais a todos — de pessoas comuns até o papa. Essas epístolas deram a ela a reputação de pacificadora, pois ela mostrou uma notável habilidade de reconciliar as pessoas umas com as outras.
Uma das maiores necessidades de reconciliação daquele século estava relacionada ao papado. Por vários anos, os franceses haviam dominado o papado, a ponto de o papa até mudar-se para Avignon, na França. Embora isso agradasse os franceses, ninguém mais gostava da idéia, e, por diversos anos, os papas consideraram a idéia de retornar para Roma.
Como muitas pessoas devotas de sua época, Catarina acreditava que o papa deveria ficar em Roma, onde não enfrentaria a possibilidade de uma dominação francesa. Quando visitou o papa Gregorio χι em Avignon, em 1376, ela o encorajou a voltar. Ele se mudou de lá, mas morreu logo depois disso.
Os cardeais elegeram o novo papa, Urbano vi. Não demorou muito para os cardeais ficaram descontentes com ele. Assim, elegeram um papa de origem francesa, Clemente vn, que retornou para Avignon. O Grande Cisma começara — uma situação que perduraria por 39 anos. Que escândalo, ter dois papas, cada um deles afirmando ser o vigário de Cristo! Ambos tinham um colégio de cardeais que, quando o papa de cada um desses colégios morria, o substituía por um homem que lhes parecesse o melhor para ocupar aquele cargo.
Algumas nações apoiavam um papa, ao passo que outras defendiam o outro pontífice. Parecia que um impasse fora estabelecido. Catarina se alinhou ao papa de Roma e escreveu cartas duras aos cardeais da França, criticando a eleição promovida por eles. Em 1378, foi a Roma, esperando encerrar a ruptura. Ela reuniu o povo em volta de Urbano, mas o repreendeu por suas ações insensatas. Em vez de se sentir ofendido, ele passou a admirar aquela mulher devota e a buscar seu conselho.
Durante algum tempo, a cidade turbulenta ficou em paz, mas mesmo depois da morte de Catarina, dois anos após esse acontecimento, o Grande Cisma ainda não fora resolvido.
Embora a última missão de Catarina tivesse falhado, ela não falhara. Em uma época em que os papas tornaram-se incrivelmente ricos e poderosos, ela provou que uma mulher humilde poderia fazer grande diferença. O fato de ser mulher ou, até mesmo, sua origem não muito promissora jamais foram impedimentos para ela.
Sua influência se estende por todas as eras. Sua obra intitulada Diálogo é famosa por sua ênfase na necessidade individual de cada um responder ao “chamado interior” vindo de Deus.
A combinação de devoção mística e de serviço cristão ativo, como o de Catarina, é algo que agrada católicos e protestantes.

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