1115
Bernardo funda o mosteiro de Claraval

O monasticismo objetivava à piedade e à simplicidade. Durante certo período, cada movimento monástico buscou efetivamente essas boas intenções, mas, por fim, a frouxidão e o mundanismo tomaram conta, o que resultou no florescimento de uma nova ordem, em que encontrávamos maior devoção e simplicidade.
No final do século X, os beneditinos se tornaram presas dessas forças e careciam de uma reforma. De dentro de suas fileiras emergiu a ordem dos cistercienses, que buscavam voltar a uma vida mais simples de obras e de oração.
Bernardo, um dos maiores cistercienses, foi um homem que influenciou profundamente a igreja medieval. Convenceu trinta monges de sua ordem a segui-lo para um novo mosteiro que queria fundar na cidade de Claraval. Bernardo adotaria o nome daquela abadia e alcançaria o mundo cristão. Quando morreu, em 1153, ele já havia estabelecido cerca de 65 casas cistercienses, assim como encorajara as pessoas em sua fé, atormentara reis, elegera papas e pregara as Cruzadas.
Como seu objetivo era a busca por reforma moral e por piedade pessoal, Bernardo enfatizou a necessidade da experiência com Cristo e encorajou a autonegação e a sublima-ção de todos os cuidados mundanos a favor do amor a Deus. Sua ênfase levou a uma piedade maior e mais generalizada.
Na condição tanto de teólogo quanto de escritor inspirado, Bernardo disse que a teologia e o estudo da Bíblia deveriam “penetrar no coração em vez de explicar palavras”. De modo diferente dos escolásticos, que enfatizavam a racionalidade, Bernardo concentrava sua atenção na necessidade da vida transformada. Ele fez tudo o que estava ao seu alcance para silenciar os ensinamentos de homens como Pedro Abelardo, o mais perfeito exemplo de ceticismo da era medieval.
Embora Bernardo defendesse fortemente a ortodoxia, introduziu, na piedade medieval, uma grande ênfase em Maria. Ele negou a doutrina da imaculada conceição, acreditando que somente Cristo fora sem pecado. Porém, cristãos posteriores desenvolveriam suas idéias e terminaram por incorporá-las ao sistema de crenças da igreja.
Embora Bernardo tenha buscado uma vida simples, sua reputação de santo, escritor e pregador se espalhou muito além dos muros de seu mosteiro. Ele se envolveu na turbulenta política de seu tempo e chegou a decidir até mesmo entre dois postulantes rivais do papado. Foi também um vigoroso porta-voz da segunda Cruzada — a mais ineficiente de todas.
Em alguns momentos, esse homem, tão considerado, foi intolerante e teimoso. Teve sempre um perfil que era uma mistura de figura mística e pública, ele se manteve como ba-talhador pela verdade, um homem que poderia intervir em assuntos do mundo, mas que não se contaminava por ele. Bernardo de Claraval passou a outras pessoas seu objetivo apaixonado: a devoção total a Deus.

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